Pílulas de Humanidades

Pílulas de Humanidades é uma ação do Departamento de Educação e Humanidades (DEH) da UFCSPA que visa contribuir com o bem-estar social nesses difíceis tempos de isolamento, oportunizando à comunidade o contato com obras literárias e fílmicas que nos fazem refletir sobre o que nos torna humanos.

Quando pequenos, somos “obrigados” a ir a escola. Muitos não gostam, afinal, nem todas as escolas são lugares acolhedores, onde nos sentimos bem e somos ensinados e incentivados a ter curiosidade a respeito do mundo, como deveriam ser as escolas... ainda assim, escolas são lugares essenciais para que consigamos nos construir como indivíduos empoderados e livres. Por isso, mulheres foram e ainda são, em muitos lugares, proibidas de estudar. Estudar é tão libertador que homens (adultos!) tentaram matar uma menina (criança!) porque ela queria que meninas pudessem estudar. Após sobreviver ao atentado e continuar lutando para que meninas possam estudar, Malala se tornou o símbolo mundial de uma luta. Há três versões da biografia de Malala, uma para crianças, uma edição juvenil, e a que foi lançada primeiro, Eu sou Malala. E, em tempos de isolamento social, quando há milhares de escolas fechadas temporariamente ao redor do mundo, espero que a luta de Malala faça cada vez mais sentido!

Ana Carolina da Costa e Fonseca é professora de Filosofia na UFCSPA, sente-se uma pessoa de sorte por ter tido professoras e professores inesquecíveis durante sua formação escolar e universitária e se esforça para ser uma boa professora.

Michicko Kakutani trabalhou como crítica de literatura no jornal The New York Times por quase 40 anos. É reconhecida como uma das mais importantes críticas de língua inglesa. Ainda pouco lida no Brasil, Kakutani chega a nós com A morte da verdade. Notas sobre a mentira na Era Trump (Intrínseca, 2018), um livro fundamental para todos que vivem sob uma chuva de informações, via Twitter, Facebook ou Instagram. Neste livro, escrito em linguagem acessível e direta, Kakutani mostra como passamos a desacreditar o valor da verdade, da ciência e da informação segura em uma era de rapidez e superficialidade. Um dos livros mais necessários publicados nos últimos anos, leitura obrigatória para todos que ainda acreditam na democracia.

Éder Silveira, Historiador e professor do DEH.

Será possível se manter informado e ainda manter o humor? Claro que sim! Bom, talvez o riso seja mais de nervoso, mas o fato é que se você assistir Greg News (HBO e também gratuito no YouTube), meu programa preferido de humor, você vai rir! E o riso vai te massagear a barriga, o rosto e a alma, liberando endorfinas, diminuindo seu nível de cortisol e, consequentemente, aumentando as defesas do seu organismo e diminuindo o estresse. Mas, cuidado: saber do quê rir é importante, pois ajuda a saber pelo que lutar! E Gregório Duvivier (formado em Letras!), um mestre do riso inteligente, é alguém com quem vale a pena rir e aprender. Quer melhorar sua saúde e se manter informado sem precisar comprar remédio? Siga as doses diárias de pílulas de humanidades, como esta!

Ana Boff de Godoy é professora do DEH e ri muito (inclusive de nervoso).

Gosto muito de ler biografias. E sempre que inicio a leitura de mais uma penso que não podemos ser tão duros com os leitores de “Caras”, ou podemos? (Claro que podemos! Saber sobre a vida da Rita Lee é muito mais interessante do que ver o novo sofá de um artista da Rede Globo!). É por isso que a pílula de hoje é sobre a outrora ruiva, agora grisalha, e sempre genial roqueira. Rita Lee é muito bem humorada ao falar, inclusive ao falar de si (Editora Globo, 2016). Leiam sobre a vida da Rita Lee! E aproveitem o embalo para ver as muitas postagens dela em suas redes sociais. A grisalha está fisicamente isolada, mas ainda fazendo muito barulho para se divertir e nos divertir! Fiquem em casa! Lavem as mãos! Leiam Rita Lee! Ouçam Rita Lee! Vejam Rita Lee!

Ana Carolina da Costa e Fonseca é professora de Filosofia da UFCSPA, nunca foi ruiva, mas está a cada dia mais grisalha.

O clichê de Veneza como cidade romântica, dos amores e da beleza…. Salvo que a cidade tem um outro lado, mais soturno. É o que mostra Morte em Veneza (Itália/França, 1971), clássico do diretor italiano Luchino Visconti, baseado numa novela homônima do escritor alemão Thomas Mann. Durante a Belle Époque, Gustav Aschenbach é um famoso compositor em crise. Ele viaja a Veneza para melhorar. Lá, encontra o belo e andrógino Tadzio, oriundo de uma família nobre polonesa. Aschenbach encontra nele um ideal de beleza que tentava refletir na sua música, mas as convenções sociais o impedem de abordá-lo… Trata-se não propriamente de um despertar sexual, nem de uma história de amor impossível, mas sobretudo de uma metáfora da nossa sede de beleza e de ideal em um mundo caracterizado pela impermanência e pelas privações. Tu podes apreciar este clássico por streaming no site Petra Belas Artes. E a novela de Thomas Mann tem tradução em várias traduções em português.

Rodrigo de Lemos é professor de língua e cultura francesa na UFCSPA.