Pílulas de Humanidades

Pílulas de Humanidades é uma ação do Departamento de Educação e Humanidades (DEH) da UFCSPA que visa contribuir com o bem-estar social nesses difíceis tempos de isolamento, oportunizando à comunidade o contato com obras literárias e fílmicas que nos fazem refletir sobre o que nos torna humanos.

Geni é a prostituta imortalizada por Chico Buarque na música “Geni e o Zepelim” (1979). Passados mais de 40 anos, prostitutas ainda são vistas como aquelas a quem usam quando necessário e que, depois, agridem e descartam. MAS (e este “mas” deve, sim, ser escrito com letras maiúsculas), a Internet, que tantas mudanças provocou nos costumes da sociedade, também deu voz e visibilidade às prostitutas, que, como ironiza Monique Prada, agora falam! E têm muito a nos dizer sobre o que fazem, sobre como querem ser vistas e reconhecidas, sobre como também são sujeitas de direito e a quem muitos direitos são, injustamente, negados. O livro Putafeminista, de Monique Prada, (Veneta, 2018) é impecável! A prosa flui, argumentos são apresentados! A puta fala e como fala bem! Leiam!

Ana Carolina da Costa e Fonseca, professora de Filosofia da UFCSPA

Quer aprender algo novo durante a quarentena? As línguas clássicas são um belo tema. E a internet te ajuda. Frederico Lourenço, professor na Universidade de Coimbra (Portugal) e tradutor multipremiado da Bíblia e dos clássicos gregos, montou duas páginas no Facebook para introduzir os interessados aos prazeres e às dificuldades do grego e do latim. São Grego do Zero - Lições de Frederico Lourenço a partir do Novo Testamento e Latim do zero - Página de Frederico Lourenço para a aprendizagem do Latim. É ótimo viver num tempo em que um especialista de uma das mais antigas universidades do mundo acha tempo para dividir, e só pelo prazer de ensinar, seu conhecimento sobre essas línguas que estão na origem da nossa língua, em que tantos textos importantes foram escritos e que são - e isso é o mais importante - interessantíssimas de aprender.

Rodrigo de Lemos é professor de língua e cultura francesa na UFCSPA

Nuccio Ordine, literato e filósofo italiano e Professor Honoris Causa pela UFCSPA, nos convida a colocar em questão um conceito muito entranhado em nosso modo de pensar: utilidade. Existem conhecimentos úteis e inúteis? O que define a utilidade de um determinado campo de conhecimento? Seria a sua aplicabilidade rápida, imediata, garantia de sua “superioridade” no campo dos saberes? Em A utilidade do inútil: um manifesto (tradução de Luis Carlos Bombassaro, Zahar, 2016), Ordine nos apresenta uma defesa apaixonada dos saberes ditos inúteis: a poesia, a literatura, as artes, a filosofia e as teorias científicas mais abstratas. A discussão que ele propõe nesta obra é central para todos que desejam pensar os rumos da Universidade, no Brasil e no Mundo.

Éder Silveira, Historiador e professor do DEH.

Cinema francês normalmente é “muito cabeça”, tão cabeça que pouca gente entende ou aguenta! (risos malvados!) Mas Que mal eu fiz a Deus (Qu'est-ce qu'on a fait au Bon Dieu?, 2014), de Philippe de Chauveron é inteligente sem ser pedante; é divertido e leve sem ser bobo. Conta a história de um casal conservador da classe média francesa que vê sua felicidade ameaçada tão simplesmente pelas escolhas amorosas de suas quatro filhas! Mais, não posso dizer, pois seria spoiler! Mas não deixe é ver! É muito gostoso! Está disponível no Netflix.

Ana Boff de Godoy é professora de língua e cultura italiana e adora implicar com os franceses!

A leitura de O sol é para todos (2006, José Olympio, tradução de Beatriz Horta), de Harper Lee, poderia transformar o título deste romance em uma pergunta: se há, ainda, tantas diferenças por causa da cor da pele, seria possível dizer que as oportunidades são iguais para todas e todos? Este livro, ganhador do prêmio Pulitzer, é narrado a partir do ponto de vista da menina Scout, filha de um advogado que defende um homem negro que é acusado de estuprar uma mulher branca. A história se passa nos Estados Unidos dos anos 1930, época de segregação racial, uma mancha na história americana. A autora se baseia nas próprias memórias para escrever um texto emblemático sobre racismo e injustiça social. Apesar de ter sido escrito há tanto tempo, os eventos desta história podem ser imaginados nos dias atuais, e isso nos revela o longo caminho que ainda precisamos percorrer em direção a uma sociedade verdadeiramente igualitária - utopia?

Aline Aver Vanin é professora e linguista interdisciplinar de olho a vida.