Pílulas de Humanidades

Pílulas de Humanidades é uma ação do Departamento de Educação e Humanidades (DEH) da UFCSPA que visa contribuir com o bem-estar social nesses difíceis tempos de isolamento, oportunizando à comunidade o contato com obras literárias e fílmicas que nos fazem refletir sobre o que nos torna humanos.

A pílula de humanidade de hoje é uma drágea de sabedoria e, por isso, recomendo fortemente que seja compartilhada com a maior quantidade de pessoas possível! O filme de estreia de Chiwetel Umeadi Ejiofor (que também atua no filme) mostra a que veio esse diretor. Equilíbrio perfeito entre força e delicadeza, lição de resiliência e daquilo que se pode fazer com pouco ou quase nada, mas com a cabeça cheia de boas ideias aliadas a conhecimentos científicos, uma biblioteca cheia de livros e o coração cheio de bons propósitos. O menino que descobriu o vento é baseado no livro homônimo de William Kamkwamba, um engenheiro do Malawi que narra suas memórias transformadas em vento, em energia e nesse lindo filme produzido e exibido pela Netflix. Inspire(-se)!

Ana Boff de Godoy é professora de coisas humanas e analista de discurso.

Eu sempre gostei muito de ouvir rádio. Um hábito herdado do meu pai, que mantive por muitos anos, hoje bastante prejudicado pela baixa qualidade de grande parte dos programas que as estações mais conhecidas oferecem. Mais do que a música, o rádio para mim sempre foi lugar de jornalismo. Assim sendo, os podcasts rapidamente ocuparam o vazio dos programas que fui deixando de ouvir com o passar do tempo. Gostaria de indicar alguns destes canais que tenho acompanhado com maior frequência. O primeiro da minha lista é o Foro de Teresina, programa semanal de política da Revista Piauí. Ótimos debates entre os jornalistas da casa, todas as quintas. Ainda sobre política, gosto muito do Anticast, comandado por Ivan Mizanzuk; do Guilhotina, do Le Monde Diplomatique Brasil e do Xadrez Verbal, este último mais focado em política internacional. Sobre literatura e cultura, costumo acompanhar o 451 MHz, realizado pela equipe da Revista Quatro Cinco Um e uma série de programas criados pela Rádio Batuta, do Instituto Moreira Salles. Atualmente, a Rádio Batuta está com um belo programa chamado Leituras de quarentena e uma série supimpa sobre Os Sertões, de Euclides da Cunha.

Éder Silveira, Historiador e professor do DEH.

No dia 7 de janeiro de 2015, em Paris, dois homens armados e encapuzados entraram na sede do jornal político e satírico Charlie Hebdo e abriram fogo contra os jornalistas que realizavam a sua reunião de pauta. Eles já haviam recebido inúmeras ameaças, em função de caricaturas de Maomé, publicadas em suas páginas. Em O retalho (tradução de Julia Simões), um dos poucos sobreviventes do atentado, Philippe Lançon, jornalista do Charlie Hebdo e do jornal Libération, narra a sua jornada por hospitais e as inúmeras cirurgias plásticas a que foi submetido para reconstruir a sua face. Intercala este mergulho nos hospitais franceses com lembranças de sua carreira como jornalista e reflexões sobre a liberdade de pensamento. Um ponto alto do livro é a forma como Lançon usa a literatura e a música como material de reflexão sobre a condição humana. Um belo livro, um verdadeiro aprendizado sobre a vida, sem qualquer traço de pieguice.

Éder Silveira, Historiador e professor do DEH

Nada como uma boa comédia para alegrar nosso dia... E estamos precisando, não? Os que trabalham, sonham com a aposentadoria... Os aposentados descobrem que o trabalho dá sentido à vida. O trabalho nos mantém em contato com outras pessoas, nos dá um norte, uma indicação, diariamente, de onde ir e o que fazer. Estagiário (2015), de Nancy Meyers, conta a história de um homem de 70 anos, aposentado e viúvo, que decide se candidatar a uma vaga de estágio numa empresa que vende roupas online. Robert De Niro e Anne Hathaway são os protagonistas (não, eles não formam um casal!), que nos fazem pensar sobre velhice, feminismo, liderança, companheirismo, acolhimento, tempo (tempo para trabalhar, tempo para ficar em casa, tempo para passear). Tudo com muito humor! Ah, mas prepare-se para chorar também! E, o melhor, está disponível no Netflix! Então, aproveite o isolamento social e curta um bom filme!

Ana Carolina da Costa e Fonseca, professora de Filosofia da UFCSPA, feliz com o trabalho (e cheia saudade de dar aulas para vocês!), mas sem pressa de encontrá-los (lamento, o Covid-19 me deixou ainda mais reclusa), e chorona (chorei muito assistindo “O estagiário”, mas já estou com vontade de assisti-lo novamente!).

Com o distanciamento social, temos uma oportunidade de desenvolver aqueles hobbies e estudar aqueles temas que não estão nos nossos currículos, mas que sempre nos provocaram curiosidade. Que tal aprender sobre música? E em especial sobre música clássica? Afinal, há um mundo para além da 9ª de Beethoven ou das Quatro Estações de Vivaldi e do que todo mundo conhece… Uma porta de entrada nesse mundo é o livro Falando de Música, do Leandro Oliveira, que é maestro e compositor, escreve sobre música no Estado da Arte (do Estadão) e toca o projeto educativo "Falando de Música", da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Em linguagem acessível, ele explica o básico sobre o que confunde o grande público: há diferença entre orquestra sinfônica e orquestra filarmônica? Como se escuta uma ópera? O que é uma sonata, um noturno, uma sinfonia? Toda música de concerto é "clássica"? Além do livro, o Leandro mantém a página Falando de Música no Facebook com dicas do que ouvir e do que saber para entender um pouco mais do universo musical erudito. E não esquece: em Porto Alegre (depois que o Covid passar) tu podes frequentar concertos como os da OSPA e participar das atividades musicais promovidas pela própria UFCSPA, como o Coral e os concertos da Agenda Cultural.

Rodrigo de Lemos é professor de língua e cultura francesa na UFCSPA.