Pílulas de Humanidades
Pílulas de Humanidades é uma ação do Departamento de Educação e Humanidades (DEH) da UFCSPA que visa contribuir com o bem-estar social nesses difíceis tempos de isolamento, oportunizando à comunidade o contato com obras literárias e fílmicas que nos fazem refletir sobre o que nos torna humanos.

O apelo do Dalai Lama ao mundo: a ética é mais importante que a religião (Benevento, 2015) é uma entrevista concedida pelo líder espiritual do budismo tibetano ao jornalista alemão Franz Alt, em 2015. O Lama invoca uma ética secular, a qual vai mais além de todas as religiões, visto que as religiões são, muitas vezes, intolerantes e usadas em nome de interesses políticos e econômicos, servindo como instrumento não de amor, bondade e compaixão, mas de dominação e violência. Esta ética secular, baseada em valores naturais aos seres humanos (cooperação, tolerância, compaixão, resolução pacífica de conflitos, amor) é como a água, diz Dalai Lama, pois está na nossa própria constituição e é fundamental para a manutenção de toda forma de vida na Terra. Já a religião é como o chá: cada uma com seu sabor especial, mas que não pode prescindir da água, sob risco de se tornar qualquer outra coisa que não uma forma de amor a todos os seres (ao que deveriam server as religiões). Esta bela reflexão de Dalai Lama está disponível gratuitamente em e-book no site da Amazon.
Ana Boff de Godoy é professora do DEH e acredita num mundo melhor.

1997, teatro Renascença. Armazém recebia o financiamento do FUMPROARTE/POA e se revelava para o público em um baita show! Eu estava lá (e era bem guria!), curtindo muito a estética compósita de Paulo Gaiger, que misturava música popular e rock à muita erudição com um time de músicos de muito, muito respeito: ninguém menos que Fernando do Ó na percussão; Frank Solari na guitarra; Mário Carvalho (que anos depois se tornaria o professor de baixo de minha filha – que não existia!) no contrabaixo; além das participações especiais de Duca Leindecker, Carlos Magallanes, Ciro Moreau, Celau Moreira, Cármelo de los Santos, Marcello Corsetti e Rômulo Chimelli. Um primor; uma joia rara lapidada aqui no Portinho! Pois não é que Paulo Gaiger (hoje professor da UFPel) resolveu reabrir as portas do seu Armazém em plena pandemia, num um espaço que sequer imaginaríamos naquela época? Pois é, está inteirinho do Spotify e não tem nada mofado! As músicas parecem ter saído do forno agorinha! Confere lá!
Ana Boff de Godoy é professora da UFCSPA e adora música boa!

1848. O processo revolucionário toma conta da Europa. Na França, cai a monarquia. Elege-se como presidente da República Luís Bonaparte, um militar golpista sobrinho do Imperador Napoleão. Em 1851, Luís Bonaparte dá um golpe de Estado e se sagra Imperador, Napoleão III. Em O 18 Brumário de Luís Bonaparte, Karl Marx analisa como a Revolução de 1848 acabou num regime autoritário. Para ele, Napoleão III deu expressão política a parte do campesinato francês descontente, ao mesmo tempo em que congregou o mercado financeiro e o lumpemproletariado do mundo do crime em torno de sua figura. Soube também angariar o apoio das burguesias comercial e industrial, contra o Poder Legislativo e em prol de uma ideologia militarista e personalista. Foi nesse ensaio que Marx cunhou a famosa frase de que a História se repete duas vezes, da primeira vez como tragédia, da segunda como farsa. E depois?
Rodrigo de Lemos é professor de língua e cultura francesa na UFCSPA.

Boaventura de Sousa Santos é uma das grandes figuras da nossa atualidade. Sociólogo, economista, formado em Direito, une as diversas áreas de seu saber para construir uma sociologia do direito baseada em princípios democráticos e nos direitos humanos. Mais do que um teórico, é alguém atuante não só na sociedade de seu país, Portugal, como em todo o mundo ocidental. Em seu recentíssimo livro, A cruel pedagogia do vírus (Boitempo, 2020 – disponível gratuitamente em e-book pela Amazon), sugere que podemos aprender muito com a pandemia do Covid-19, sobretudo em relação ao nosso modo de vida baseado na exploração das vidas (do planeta, dos animais, das pessoas) e no lucro financeiro. Boaventura nos lembra que a palavra pandemia significa todo (pan) e povo (demo), o que equivale a dizer que todos sofremos ou sofreremos com a pedagogia imposta pelo vírus. Mas será que sofre(re)mos todos da mesma forma? E, mais do que isso, será que conseguiremos aprender, todos, as mesmas lições?
Ana Boff de Godoy é professora do DEH e defensora dos direitos para todos os humanos.

Angela Davis é uma filósofa afroamericana que foi presa por 16 meses na década de 1970, após ser acusada falsamente de um crime que não cometeu. Ela não tem dúvidas de que sua libertação se deveu a um movimento internacional organizado para que ela fosse libertada. Se não fosse por este movimento, ela seria mais uma pessoa negra presa injustamente nos Estados Unidos. Tal experiência foi determinante para sua reflexão filosófica e acadêmica, e, há mais de 30 anos, ela luta pela abolição da prisão. Seu argumento não é ingênuo. Abolição, neste caso, não significa eliminação das prisões, mas diminuição significativa de uma instituição que surge, nos EUA, como forma de manter os corpos negros sob controle após a abolição da escravidão, e, nos dias atuais, é reflexo das desigualdades que permeiam as vidas de pessoas negras e brancas nos EUA. Acesso à educação pública de qualidade, a empregos e moradias dignos, evitaria que muitas pessoas negras entrassem no sistema carcerário. Leiam Angela Davis (Estarão as prisões obsoletas?, Difel, 2019; A democracia da abolição, Difel, 2020)! Assistam Angela Davis (Libertem Ângela Davis, 2014, documentário disponível no Netflix.)!
Ana Carolina da Costa e Fonseca, professora de Filosofia da UFCSPA





