Pílulas de Humanidades

Pílulas de Humanidades é uma ação do Departamento de Educação e Humanidades (DEH) da UFCSPA que visa contribuir com o bem-estar social nesses difíceis tempos de isolamento, oportunizando à comunidade o contato com obras literárias e fílmicas que nos fazem refletir sobre o que nos torna humanos.

Gosto muito de história, mas gosto mesmo são de histórias! Isso porque sempre entendi que essa história (que antes se (o)usava escrever com H) é a história escrita a partir de um único ponto de vista, sempre aquele dos vencedores. Mas, e os vencidos? E aqueles que perderam as batalhas, as terras, as vidas? E os negros, os índios, aqueles povos que sequer tinham a escrita pra poder escrever a sua história? E as mulheres, impedidas de contar essas histórias, ou até mesmo de fazer parte delas, a não ser como figurantes? Já parou pra pensar nO Perigo de uma História Única? Pois é... Chimamanda Ngozi Adichie, uma escritora nigeriana nos fala sobre isso nesse livrinho que é pequeno de tamanho (só 64 páginas), mas grande no impacto que provoca. O livro é da Companhia das Letras e a tradução é da Julia Romeu. E ainda pode conferir a Chimamanda no TED Talks.

Ana Boff de Godoy é professora de Língua e Cultura italiana, Análise do Discurso e Formações Discursivas sobre a Loucura. Parecem coisas distantes, né? Pois é... só parecem!

Já houve quem dissesse que John Hughes inventou a adolescência de quem viveu a década de 1980 e 1990. Como roteirista e diretor, emplacou uma série incrível de sucessos como “Clube dos Cinco”, “Gatinhas e gatões”, “Mulher nota mil” e “A garota de rosa shocking”, sem contar, é claro, o filme que alçou Macaulay Culkin ao estrelato, “Esqueceram de mim”. Dentro todos, confesso, Curtindo a vida adoidado segue sendo o meu preferido. Ferris Bueller decide matar aula e passar o dia com sua namorada e seu melhor amigo, rodando pela cidade de Nova York. Para isso, faz os seus pais acreditarem que está doente e precisa fugir do diretor da escola, que o odeia e de sua irmã, que inveja a sua cara de pau. Cenas antológicas, ao sabor dos filmes de “Sessão da Tarde”, uma bela trilha sonora e a filosofia de Ferris: às vezes a gente precisa dar um tempo, senão a vida passa rápido demais. Disponível na Netflix.

Éder Silveira é historiador e professor do DEH.

Quarentena... Sabemos que agora, no presente, precisamos ficar em casa, em isolamento social. Mas até quando? Lutamos diariamente para viver, e bem, o presente. E, no presente, podemos nos angustiar em relação às incertezas do futuro, ou... estudar o passado. Como professora da área de humanidades, a compreensão do passado sempre me parece fundamental. E, se é para ficar em casa, que seja aprendendo algo. O aprendizado pode ser árduo, mas também podemos ter momentos lúdicos. Adoro livros de história e de filosofia em quadrinhos. E as próximas duas pílulas que escreverei são sobre quadrinhos. Uma breve história do feminismo no contexto euro-americano, de Patu e Antje Schrupp é o que o título promete: breve (menos de cem páginas) e conta a história parcial do feminismo (limitada ao espaço europeu e norte americano). O que o título não nos conta é que é escrita em quadrinhos. O livro é crítico e bem humorado. Uma deliciosa leitura para um dia de confinamento! E então, vamos aprender sobre feminismo lendo quadrinhos?

Ana Carolina da Costa e Fonseca é professora de Filosofia da UFCSPA, gosta de (alguns) quadrinhos, mas só sabe fazer desenhos com bonecos de palito. Alguém lembra da aula sobre a alegoria da caverna de Platão? ;-)

 Troca de Rainhas

(L'Échange des princesses)

  • Direção: Marc Dugain
  • França/Bélgica
  • 2017 - Drama histórico - 1h40
  • Com: Lambert Wilson, Olivier Gourmet, Anamaria Vartolomei

Quem não lembra do Sofrenildo, personagem-azarão do cartunista Sampaulo, que levou pelo menos três gerações a acompanhar suas desventuras? E quem nunca se achou Sofrenildo na vida?! Mas o que talvez você não saiba é que essa “sofrência” não é privilégio do povo brasileiro! Em 1963, o escritor italiano (mas nascido em Cuba!) Ítalo Calvino publicou Marcovaldo ou As estações na cidade (Companhia das Letras, tradução de Nilson Moulin). O livro é uma coleção de vinte contos ou pequenas novelas que têm como protagonista Marcovaldo, um faz-tudo muito humilde e com grande coração, sempre à procura de uma solução para os problemas de sua família e de seu entorno. Mas é claro que nada é fácil para Marcovaldo! Elemento recorrente na literatura de Calvino, a cidade funciona, mais do que como cenário, quase como personagem com quem Marcovaldo interage não sem dificuldade, mas procurando encarar as adversidades de forma a se tornar, a cada dia, um ser humano melhor.

Ana Boff de Godoy é professora de Língua e Cultura italiana, Análise do Discurso e Formações Discursivas sobre a Loucura. Parecem coisas distantes, né? Pois é... só parecem!