Pílulas de Humanidades

Pílulas de Humanidades é uma ação do Departamento de Educação e Humanidades (DEH) da UFCSPA que visa contribuir com o bem-estar social nesses difíceis tempos de isolamento, oportunizando à comunidade o contato com obras literárias e fílmicas que nos fazem refletir sobre o que nos torna humanos.

Buscar na internet fotos históricas de Porto Alegre e visitar o patrimônio da cidade são um hobby viciante. E material sobre o assunto não falta. A Werra Fotogaleria, por exemplo, fez um lindo jogo de fotografias em formato de marca-páginas com detalhes arquitetônicos da cidade, o Porto Alegre 4x1, disponível em lojinhas de museu. O Guia de Arquitetura de Porto Alegre, de Rodrigo Poltosi e de Vlademir Roman, é um compêndio super completo dos nossos prédios importantes, divididos por épocas - tem alguns bem conhecidos por nós da UFCSPA, como a Santa Casa ou o Anexo 2. E tem aqueles livros sobre os nossos bairros clássicos, como os saborosos Moinhos de Vento: Histórias de um Bairro de Porto Alegre, de Carlos Augusto Bissón, ou o recente Porto Alegre, Cidade Baixa: um bairro que contém seu passado, de Renato Gama Menegotto - isso sem falar no maravilhoso Álbum de Porto Alegre 1860-1930, que mostra como era a cidade no seu auge. Há, claro, muitos outros. São formas de enriquecer o olhar pela memória e de saber, quando estamos na noite na Cidade Baixa ou quando vamos de casa para a faculdade, quem andou pelas mesmas ruas que nós.

Rodrigo de Lemos é professor de língua e cultura francesa do DEH/UFCSPA.

Cozinhar não parece mais suficiente. Pensar sobre o processo de produção dos alimentos, sobre o que e como comemos, parece mais e mais necessário. “Cooked” com Michael Pollan, é uma série com quatro episódios, ao longo dos quais o jornalista reflete sobre alimentação a partir dos quatro elementos: água, ar, terra e fogo.

Ana Carolina da Costa e Fonseca é professora de Filosofia na UFCSPA.

Quem ainda não curtiu pelo menos um dos vídeos da representante mais pop do mundo zen no Brasil? Monja Coen enche a tela e o palco (e nós, da UFCSPA, já tivemos a oportunidade de recebê-la em duas ocasiões!) com sua presença amorosa, e conta histórias como ninguém! Em 108 contos e parábolas orientais (Planeta, 2015), a Monja reúne pequenas histórias que transitam nos estudos budistas do Japão, da China e da Índia e as reconta de uma forma tão simples e agradável que qualquer leitor ou leitora, independentemente de sua crença ou religião, irá não só desfrutar de belas histórias, mas aprender sobre si mesmo e sobre ser humano a partir da sabedoria nelas contidas. É possível ler este livro da maneira tradicional: do início para o fim. Mas também é possível brincar com ele e usá-lo como uma ferramenta de desafio. Como? A cada dia, abra o livro em uma página aleatória. Leia o conto referente e preste atenção em como se desenrola seu dia, observando os reflexos da história em cada ação sua. É uma maneira divertida de exercitar o aqui e o agora!

Ana Boff de Godoy é professora de humanidades da UFCSPA.

André Gide foi um dos autores franceses mais lidos e mais influentes do século XX, e a imagem da sua obra está intimamente associada ao romance O imoralista (1902), baseado nas aventuras amorosas, estéticas e existenciais do próprio André Gide no Norte da África. O culto e rico Michel, narrador protagonista que funciona como duplo de Gide, relata sua doença e sua recuperação durante sua viagem de núpcias com a mulher Marcelline pelo sul da Europa e pela África. No processo, Michel descobre a beleza dos jovens norte-africanos por quem passa a se interessar sexualmente. Despoja-se de tudo o que fazia sua vida e sua educação burguesa: família, religião, propriedade, casamento, cultura, prestígio, convenções sociais. E, no entanto, aproximando-se do despojamento absoluto, Michel se pergunta: de que serve essa liberdade? O que fazer com o desejo liberado? E como coexistir com os outros? Quanto mais cedo lemos esse livro, melhor, e a época de faculdade - uma época de descobertas! - é o momento ideal para nos colocarmos as questões que assombram Michel, duplo também de nós mesmos em nossa busca moderna de autorrealização.

Rodrigo de Lemos é professor de língua e cultura francesa do DEH/UFCSPA.

Rita é uma série norueguesa, disponível na Netflix, que teve a quinta temporada lançada recentemente. Sim, claro que já assisti os oito novos episódios. Rita é uma professora nada convencional, que luta contra os próprios fantasmas, mas que é, fundamentalmente, um espírito livre, algo nada fácil de ser em um mundo tão cheio de regras desnecessárias e sem sentido. Em geral, tais regras decorrem de preconceitos, nem sempre evidentes. Rita também tem alguns preconceitos, o maior de todos talvez seja contra os suecos, versão nórdica das tensões fraternas entre gaúchos e argentinos. Se ainda não viram, vejam e deem boas risadas!

Ana Carolina da Costa e Fonseca é professora de Filosofia na UFCSPA.