Pílulas de Humanidades

Pílulas de Humanidades é uma ação do Departamento de Educação e Humanidades (DEH) da UFCSPA que visa contribuir com o bem-estar social nesses difíceis tempos de isolamento, oportunizando à comunidade o contato com obras literárias e fílmicas que nos fazem refletir sobre o que nos torna humanos.

Maternidade e solidão: relatos de professoras em tempos de pandemia (Editora da UFCSPA, 2020) é um livro com 16 histórias de professoras da UFCSPA que são mães e estão se desdobrando para dar conta da vida pessoal (em especial dos filhos) e da vida profissional (somos professoras com muitas e variadas atribuições na Universidade), durante o já longo período de isolamento social. Por motivos diferentes e com graus de intensidade diferentes, a situação está difícil para todos durante a pandemia. Esperamos que a leitura deste livro traga alguma leveza (mesmo que nada superficial) em um período tão singular de nossas vidas. O livro está disponível para download gratuito em https://ufcspa.edu.br/vida-no-campus/editora-da-ufcspa/obras-publicadas

Ana Carolina da Costa e Fonseca é professora de Filosofia na UFCSPA e mãe.

Objeto sexual de Jessica Valenti (Editora Cultrix, 2018) é, em muitos sentidos, um livro trivial. A biografia de uma mulher que se apresenta como autora feminista, que cresceu em Nova York, foi uma aluna mediana, formou-se na universidade (mas não nos diz em que), durante a adolescência e início da vida adulta, foi a muitas festas, bebeu muito, usou outras drogas, teve relações sexuais com muitas pessoas, foi assediada por estranhos no metrô, por professores na escola, estuprada por um namorado, e que agora, com 40 anos, marido e filha, escreve sobre as quatro décadas vividas. Nada extraordinário. Ela não é um gênio da literatura, não será lida em 100 anos, não realizou nenhum feito memorável. Escreve sobre a banalidade da vida. Mas narrar tal banalidade despertou a fúria de homens (certamente, assediadores e agressores), que enviam mensagens violentas por redes sociais ou por e-mail. Um livro para refletirmos nossas vidas, igualmente banais e cheias de violência.

Ana Carolina da Costa e Fonseca é professora de Filosofia na UFCSPA.

Pouco antes de nos deixar, o maior percussionista do mundo (assim eleito por oito vezes pelo Grammy e pela Down Beat), o recifense Naná Vasconcelos, fez seu último e generoso trabalho em parceria com Zeca Baleiro e Paulo Lepetit: Café no bule. Uma coisa linda, uma mistura perfeita entre MPB, Rock, Pop, canção popular... em cada música se percebe nitidamente a marca dos três músicos: a narrativa na voz gostosa de Zeca; o contrabaixo marcante de Paulo segurando o mundo; a percussão sempre surpreendente e absoluta de Naná, que nos leva pra todos os lugares, pros melhores lugares do mundo.

Ana Boff de Godoy é professora de humanidades da UFCSPA.

Fazemos escolhas, mais ou menos conscientes, todos os dias. Nosso modo de vida decorre, em grande parte, do meio em que nascemos, nossa família, nossos amigos, o bairro, a cidade, o país. Aspectos externos nos constituem. Mas, crescemos, e nos tornamos cada vez mais autônomos em relação ao que, quando somos crianças e adolescentes, pode ser tomado como algo necessário. Ailton Krenak em Ideias para adiar o fim do mundo (Companhia das Letras, 2019) nos provoca a pensar de que maneira aceitar o que parece dado, um mundo violento baseado principalmente em relações de consumo, está contribuindo para destruir a possibilidade de vida humana na Terra.

Ana Carolina da Costa e Fonseca é professora de Filosofia na UFCSPA.

Se tem uma coisa que eleva o espírito é música boa! E uma das preciosidades da música brasileira que, infelizmente, é pouco conhecida, é a produzida entre 1970 e 1980, em Recife, pelo Quinteto e pela Orquestra Armorial. Uma mistura riquíssima de música popular com elementos eruditos compõe um incrível repertório divididos em 4 álbuns do Quinteto e 2 da Orquestra (todos disponíveis do Spotify, Youtube e Youtube Music). Utilizando rabecas, pífano, viola caipira, violino, flauta transversa, violão, zabumba e muito mais, o quinteto conseguiu compor música de câmara com cancioneiros folclóricos medievais galaico-portuguesas e raízes populares nordestinas. É simplesmente maravilhoso.

Ana Boff de Godoy é professora de humanidades da UFCSPA.