Pílulas de Humanidades

Pílulas de Humanidades é uma ação do Departamento de Educação e Humanidades (DEH) da UFCSPA que visa contribuir com o bem-estar social nesses difíceis tempos de isolamento, oportunizando à comunidade o contato com obras literárias e fílmicas que nos fazem refletir sobre o que nos torna humanos.

As Plataformas FUN MOOC e FutureLearn oferecem cursos de excelência e sem custos. É possível encontrar cursos em línguas inglesa, espanhola e francesa. O primeiro curso que assisti através do MOOC, há cerca de dois anos, foi “Histoire de la folie”, atualmente encerrado para inscrições. Durante semanas aprendi muito com professores de diferentes instituições de ensino da França e surpreendi-me com a qualidade da produção e com o modelo pedagógico. Desde então não hesito em procurar por cursos online em ambas plataformas. Esta pílula indica dois cursos, com inscrições abertas no momento: “Éthique de la recherche” (MOOC, em francês https://www.fun-mooc.fr/courses/course-v1:universite-lyon+91001+session05/about) e “Improving the Health of Women, Children and Adolescents” (FutureLearn, em inglês https://www.futurelearn.com/courses/women-children-health). Convido a quem se interessa pelos temas e também pelo aprendizado em outra língua que não o português, a compartilharem comigo esta oportunidade.

Maria Paula Prates é professora de Antropologia do DEH/UFCSPA.



Marguerite Ann Johnson, mais conhecida como Maya Angelou (1928-2014), foi uma grande escritora norte-americana que soube como ninguém usar a sua própria vida como enredo para seus livros. Autobiográficos, nenhum é igual ao outro, afinal, a vida tem muitos lados e aspectos, não é mesmo? Em seu primeiro livro, Eu sei por que o pássaro canta na gaiola (1969), conta sua trajetória da Califórnia ao Arkansas, com apenas 3 anos de idade, acompanhada somente de seu irmão, Bailey, de 4. Foi na pequena cidade de Stamps que passou sua infância, aos cuidados da avó, longe de seus pais, tentando entender porque o mundo era tão restrito às pessoas de sua cor, se era tão rico e vasto para quem teve a sorte de nascer branco. St. Louis, San Francisco... Numa tentativa de ampliar seu mundo, um estupro, um filho; mas também a possibilidade de estudo, de trabalho, de independência, de ser fazer a mulher, escritora, gente... e de retribuir, com generosidade, tudo de melhor que apre(e)ndeu da vida.

Ana Boff de Godoy é professora de humanidades da UFCSPA.



Quem diria que cem anos depois do surgimento do fascismo na Itália estaríamos de novo às voltas com esse termo que parecia moribundo? Uma boa maneira de entender o que está em jogo nessa questão é a biografia romanceada do Duce Benito Mussolini: M, o filho do século (Intrínseca, 2020). O livro de Antonio Scurati - que também escreveu um artigo imperdível sobre o coronavírus em Milão - virou best-seller na Europa. Descreve a personalidade magnética e diabólica de Mussolini, mas sobretudo as condições políticas e sociais da ascensão do fascismo na Itália do Pós-Primeira Guerra: a radicalização e a divisão da oposição, o medo do comunismo, a manipulação da mídia, o militarismo, o imperialismo, o culto à violência, a polarização da sociedade, a criação das milícias, a condescendência dos políticos e intelectuais liberais que se aliam ao fascismo na crença de poderem manipular a fera... A narrativa vai de 1919 a 1925, e sabemos o que virá depois: a consolidação de um regime autoritário, a parceria com o nazismo, as leis raciais, a Segunda Guerra Mundial, por fim a derrocada de Mussolini e a exposição de seu cadáver à fúria popular em Milão, em 1945. Virá dessa história alguma coisa ainda?

Rodrigo de Lemos é professor de língua e cultura francesa do DEH/UFCSPA.



Eu queria muito resenhar uma live... Achei esquisito, mas me lembrei que agora trabalho de pijama, dou aulas pra uma tela, só saio na rua com um pano na boca e nariz, e cumprimento as raras pessoas que encontro batendo de cotovelo. Então, parece que o esquisito tá liberado! A cantora Ana Cañas fez uma live para ensaiar o repertório de um disco que planeja fazer (se a grana der e a pandemia acabar) cantando apenas canções daquele que é, possivelmente, o mais impactante compositor dos anos 70 - Antonio Carlos Belchior. O ano de 2019 foi um ano de redescoberta da obra deste poeta e compositor, tido como um maldito, e do poder de sua obra prima: Alucinação (1976), frequentemente tida como uma das mais revolucionárias da música brasileira. Ana Cañas foi corajosa, pois, até hoje, quem mais e melhor tinha cantado Belchior foi ninguém menos que a Elis Regina, do IAPI. Baita coragem! Entretanto, Ana Cañas não decepciona no espetáculo - timbre e tessitura únicos mobilizados num jeito de interpretar todo dela, associados a um arranjo minimalista feito para deixar o canto (e as letras de Belchior!) em destaque. Este é um disco que promete! Por ora, fiquem com a live:



William Kirsch é professor de inglês do DEH/UFCSPA.



Vocês já se fizeram a pergunta: se eu pudesse escolher apenas um livro para levar para uma ilha deserta, qual seria? Eu responderia, sem nem precisar pensar muito: Assim falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche. É um livro de filosofia escrito quase como um romance de formação. Um livro cheio de metáforas... A cada releitura, sempre penso que haverá algo a compreender que ainda não havia percebido. E nunca me decepciono. Há livros para serem lidos e relidos. Para mim, Zaratustra sempre estará no topo desta lista.

Ana Carolina da Costa e Fonseca é professora de Filosofia na UFCSPA.