Pílulas de Humanidades
Pílulas de Humanidades é uma ação do Departamento de Educação e Humanidades (DEH) da UFCSPA que visa contribuir com o bem-estar social nesses difíceis tempos de isolamento, oportunizando à comunidade o contato com obras literárias e fílmicas que nos fazem refletir sobre o que nos torna humanos.

E se uma das cantoras e compositoras mais renomadas do pop atual trocasse de gênero musical (novamente) para o folk indie? No oitavo álbum de estúdio da cantora Taylor Swift, feito e lançado durante o período de pandemia, é exatamente isso que acontece. Folklore (2020) conta com composições sobre relações abusivas, feminismo, traumas de infância, depressão, ansiedade e diversos outros temas importantes. Taylor é conhecida por sempre compor suas músicas assim, deixando-as pessoais e emocionais. Esse álbum leva isso ao próximo nível: as letras complexas e repletas de metáforas juntamente com os vocais carregados de emoção da cantora conseguem passar a exata mensagem desejada nas músicas. É possível sentir a raiva e a tristeza de T.S. quando canta sobre suas músicas roubadas; o desespero e a angústia quando canta sobre depressão; a alegria e paixão quando canta sobre o amor. Folklore é uma montanha-russa de emoções, com um sentimento único em cada canção.
Mariana (14 anos) é filha de Ana Boff de Godoy, professora de humanidades da UFCSPA.

Entre 1940 e 1941, é preso em um gulag, a poucos quilômetros de Moscou, um grupo de oficiais poloneses resistentes à invasão conjunta da Polônia por Hitler e Stálin. E, para sobreviver à rotina inumana no campo de trabalhos forçados soviético, esses oficiais organizam palestras culturais. Um deles é Józef Czapski, também pintor e escritor, que fala sobre a literatura francesa e em especial sobre Em busca do tempo perdido, o monumental ciclo de romances de Marcel Proust. Com um detalhe: Czapski não tinha os livros em mãos. Nem poderia ter, pois a obra era perseguida na URSS como "literatura burguesa decadente". E então Czapski comenta Proust de memória, por vezes citando trechos inteiros, e em francês. Essas conferências foram traduzidas no Brasil sob o título Proust contra a degradação (Ayiné, 2018), depois de sua publicação em polonês no pós-Segunda Guerra e em francês nos anos 80. Além de ser uma introdução maravilhosa ao universo proustiano, o livro impressiona como testemunho da força da literatura, mesmo em meio ao frio, à fome e à desolação de um campo de prisioneiros do século XX.
Rodrigo de Lemos é professor de língua e cultura francesa do DEH/UFCSPA.

Grace e Frankie é uma série da Netflix com seis temporadas disponíveis (a produção da sétima foi suspensa devido à pandemia da Covid;19). Os quatro autores principais tinham mais de 70 anos quando começaram a fazer a série. (Agora têm 82, 80, 80 e 79). Este fato, por si só, já é revolucionário. As questões postas em cena também são importantes e provocativas: como pessoas consideradas “velhas” lidam com sexualidade, vida profissional, vida familiar, envelhecimento do corpo? Quer dar muitas risadas e pensar sobre a vida? Eis uma bela série para assistir com mãe, pai, avó, avô, tia, tio, e quem mais você considerar que já deixou de ser jovem há muito tempo.
Ana Carolina da Costa e Fonseca é professora de Filosofia na UFCSPA.

As histórias que compõe Quarto de despejo: diário de uma favelada (Ática, 2014) foram escritas entre 1955-59, sendo publicadas inicialmente nos jornais Folha da Noite e O Cruzeiro entre 1958-60. Em 1993, o diário de Maria Carolina de Jesus - mãe solo de três filhos e moradora da favela Canindé (a primeira grande favela de São Paulo, hoje ocupada pela Marginal Tietê) – foi republicado como livro, e hoje já está na 11ª impressão da 10ª edição. Mas por que o diário de uma favelada - cheio de erros ortográficos, sem nenhum glamour nem príncipe encantado - impõe presença na literatura brasileira até hoje? Porque a fome, a miséria, a solidão em meio à multidão, mas também a força inacreditável de uma mãe e a sabedoria dos humildes estão além do tempo. E porque ainda temos a capacidade de nos emocionar com coisas simples, como um raio de sol, uma mão estendida, o canto de um pássaro, um prato de comida e o sorriso de um amigo.
Ana Boff de Godoy é professora de humanidades da UFCSPA.

“Viagem em torno do meu quarto" é o nome de um importante romance francês, mas também descreve a nossa situação contemporânea, confinados em casa e impossibilitados de viajar. Ainda bem que festivais de cinema online e gratuitos não faltam nesta época para nos permitir esse descentramento que o deslocamento físico nos permitia em outras épocas. A Mostra Mundo Árabe de Cinema em Casa, de 28 de agosto a 27 de setembro, tem filmes libaneses, egípcios, sírios, palestinos, catari e mesmo brasileiros, em gêneros como terror, documentário, animação ou drama, entre outros. A edição deste ano destaca a produção de diretoras mulheres oriundas desses países. É uma bela indicação para conhecer pelo olhar local essa cultura e essa região do mundo alvo de tantos clichês e de pouca informação qualificada. Os filmes estão disponíveis de graça no site: mundoarabe2020.icarabe.org (de 28 de agosto a 13 de setembro) e na plataforma Sesc Digital (de 31 de agosto a 27 de setembro).
Rodrigo de Lemos é professor de língua e cultura francesa do DEH/UFCSPA.





