
Objeto sexual de Jessica Valenti (Editora Cultrix, 2018) é, em muitos sentidos, um livro trivial. A biografia de uma mulher que se apresenta como autora feminista, que cresceu em Nova York, foi uma aluna mediana, formou-se na universidade (mas não nos diz em que), durante a adolescência e início da vida adulta, foi a muitas festas, bebeu muito, usou outras drogas, teve relações sexuais com muitas pessoas, foi assediada por estranhos no metrô, por professores na escola, estuprada por um namorado, e que agora, com 40 anos, marido e filha, escreve sobre as quatro décadas vividas. Nada extraordinário. Ela não é um gênio da literatura, não será lida em 100 anos, não realizou nenhum feito memorável. Escreve sobre a banalidade da vida. Mas narrar tal banalidade despertou a fúria de homens (certamente, assediadores e agressores), que enviam mensagens violentas por redes sociais ou por e-mail. Um livro para refletirmos nossas vidas, igualmente banais e cheias de violência.
Ana Carolina da Costa e Fonseca é professora de Filosofia na UFCSPA.





