A mediação foi realizada pela pró-reitora de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis Mônica Maria Celestina de Oliveira


O egresso do curso de Medicina da UFCSPA e integrante da equipe de atenção primária em saúde da Secretaria Muncipal de Saúde de Porto Alegre MacArthur Alexander Barrow abordou o tema "Diversidade e inclusão no cuidado em saúde", na conferência do Congresso UFCSPA, que ocorreu na tarde desta quinta-feira, 19, no salão nobre da universidade. O enfoque da apresentação foi a saúde da população negra. A mediação foi realizada pela pró-reitora de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis Mônica Maria Celestina de Oliveira.

MacArthur falou sobre a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, estabelecida pelo Ministério da Saúde em 2009. Ele apresentou os objetivos elencados no documento e discorreu sobre como vem sendo aplicadas essas transformações na Secretaria Municial de Saúde, em Porto Alegre. Uma das iniciativas é o Curso de Formação de Promotores de Saúde da População Negra. Apesar dos bons resultados, a terceirização dos serviços de atenção primária em saúde no município atrapalham a iniciativa, pois muitos profissionais com formação acabam deixando suas funções.

O médico de Saúde da Família destacou a importância da inclusão de conteúdo sobre desigualdade racial nos cursos de formação de saúde. "É necessário, também, incentivar o recorte racial nas pesquisas que são feitas nas universidades brasileiras. É extremamente necessário que seja aplicado o questionário de raça e cor em todos os atendimentos de saúde. Só assim teremos bases para pesquisas que possam, de fato, trazer uma visão mais realista da saúde da população negra", enfocou.

Além disso, MacArthur lembrou que é necessário termos mais médicos e demais profissionais de saúde negros atuando na atenção primária em saúde. É preciso proporcionar o reconhecimento entre os profissionais e as pessoas que serão atendidas. O médico também falou sobre o racismo: "A população negra sofre mais violência: a taxa de jovens negros com risco de suicídio é bem maior do que a de jovens brancos; as mulheres negras sofrem muito mais violência obstétrica", relatou. Por isso é preciso que as pessoas reconheçam a existência do racismo, a fim de que se possa combatê-lo. 

O egresso da UFCSPA encerrou a palestra afirmando que a população negra não é uma população doente. O que acontece é que devido à desigualdade social, tal grupo vive com menos qualidade de vida, o que o torna mais vulnerável a doenças, possuindo assim, maior risco de vida. 

O 3º Congresso UFCSPA ocorre até sexta-feira, 20, com muitas atividades. Confira a programação completa neste link