O tema da conferência foi "O papel das universidades na Agenda 2030"

Começou nesta segunda-feira, 16, o 3º Congresso UFCSPA. O evento que reune de forma simultânea vários eventos da universidade: Mostra de Ensino, Pesquisa e Extensão, VI Seminário de Internacionalização, I Seminário de Pós-Graduação e 2º CONECt UFCSPA. Pela manhã ocorreram oficinas, apresentação musical da Banda do DCE e palestra de Kike Ehigator (Georgia State University) para o Seminário de Internacionalização.

A conferência de abertura ocorreu às 14h e contou com pronunciamentos da pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação Dinara Jaqueline Moura e da reitora Lucia Campos Pellanda, respectivamente, que introduziram o evento e passaram a palavra à palestrante, professora Denise Pires de Carvalho, secretária de Educação Superior do Ministério da Educação (SESU/MEC). O tema da conferência foi "O papel das universidades na Agenda 2030".  

"Como deve ser realizado o investimento em ciência no Brasil?". Foi a partir deste questionamento que Denise Carvalho introduziu a discussão sobre o cenário da ciência e da educação no país. A secretária de Educação Superior destacou que as agências de fomento defendem investimento apenas em pesquisa aplicada, destinando cada vez menos recursos para a pesquisa básica. Ela salientou que se trata de um erro, pois boa parte das pesquisas que geraram alguma aplicação foram desenvolvidas inicialmente apenas pela motivação científica. Ela deu como exemplo os estudos de Louis Pasteur e do casal Pierre e Marie Curie, cujos estudos foram realizados sem fins de aplicação, mas acabaram originando importantes recursos para a ciência e saúde, tais como a vacina contra a raiva e o desenvolvimento da radioterapia, por exemplo.

A seguir, ela traçou um panorama sobre o desenvolvimento científico no país. Destacou que 80% da pesquisa brasileira é realizada apenas no estado de São Paulo e que mais de 90% das pesquisas são feitas em universidades públicas. Ela também refletiu sobre as críticas elaboradas em relação à pós-graduação no país, dado que sua origem institucionalizada data dos anos 1960, enquando muitas universidades do exterior desenvolvem este tipo de prática de forma secular. "Respeitem as nossas universidades públicas, porque é a partir delas que o Brasil pode deixar de ser um país periférico", clamou.

Denise também apresentou alguns dados sobre a educação e a pesquisa no Brasil. O número de pesquisadores no país é de 890 por cada milhão de habitantes, enquanto a média mundial é superior a mil por milhão. O percentual da população com curso superior no país é de 23% entre os jovens de 25 a 34 anos, um dado bastante superior se comparado com a faixa de 55 a 64 anos cujo percentual é de 15%. Estes números, no entanto são bastante inferiores à projeção esperada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de 48%. Na pós-graduação, o percentual de doutores na população brasileira é de 0,2%, enquanto a média mundial é de 1,1%. 

A secretária de Educação Superior não pôde deixar de mencionar a estagnação no desenvolvimento da ciência e da educação do Brasil de 2016 a 2022, quando foram realizados diversos cortes orçamentários nas agências de fomento à pesquisa e nas instituições federais de ensino superior. "Interromper o crescimento das universidades significa interromper o sonho de um país que exporta tecnologia, em troca de um projeto de manter o Brasil como país extrativista", destacou. Como exemplo, ela apontou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que vinha de uma média de 5 milhões de inscritos até 2016 e caiu a ponto de chegar àpenas 2 milhões em 2021. A expectativa para 2023, é o número de participantes superar 3,5 milhões.

Denise lembrou que, a partir de 2007, foi conduzida uma proposta de expansão das universidades federais, que permitiu aumentar não apenas o número de instituições no país, mas também proporcionar maior distribuição no território brasileiro, criando novas instiuições principalmente nas regiões norte e nordeste. Enquanto em 2002 havia 42 universidades espalhadas em 121 campi, em 2022 já eram 69 instituições e 314 campi. A ideia agora é retomar a expansão da pesquisa e da educação no país, ampliando os investimentos nas universidades, na pesquisa e nos pesquisadores: "Não há país desenvolvido no mundo que não tenha uma grande parcela de população com educação superior", relatou.   

O 3º Congresso UFCSPA ocorre até sexta-feira, 20, com muitas atividades. Confira a programação completa neste link