O conhecimento do corpo humano revela-se essencial para o aprendizado em saúde. Nesse contexto, a disciplina de Anatomia Humana da UFCSPA visa desenvolver um olhar humanizado no estudo em anatomia. Para isso, os alunos contam, nas aulas práticas, com corpos doados para a Universidade através do Programa de Doações de Corpos, no qual a UFCSPA se tornou referência nacional. Tal programa mostra-se essencial para a humanização em saúde proposta pela disciplina, uma vez que corpos humanos são imprescindíveis para o ensino e a pesquisa, bem como para ajudar os alunos a desenvolverem sentimento de empatia e respeito para com aqueles que ajudam na sua formação, bem como para entender e lidar com a morte.

Atualmente, a disciplina de Anatomia Humana é de caráter obrigatório para todos os cursos da Área da Saúde, visto que seu entendimento se faz fundamental para a compreensão da fisiologia e dos processos patológicos que acometem o Ser humano. Visando Socializar e facilitar o acesso a tais informações, desde 2008, a disciplina de Anatomia Humana da UFCSPA organiza, anualmente, um museu temporário no qual expõe, para todos os públicos, uma amostra do Fantástico Corpo Humano. 

A evolução da Anatomia humana confunde-se com a própria história da humanidade. Por muito tempo relegada à margem da historiografia mundial, a prática de dissecação tem seus primeiros registros em humanos nos séculos II a.C em Alexandria.

 

 

Por volta do século II, quando por motivos éticos e religiosos proibiu-se o uso de cadáveres humanos, a prática de dissecação em animais predominou, tendo como grande expoente Galeno, médico de Roma. Ele buscava, por meio dessa prática em animais, criar teorias de anatomia comparada que pudessem ser enquadradas também ao corpo humano.

Aproximadamente 700 anos depois da época de Galeno, é criada a primeira Universidade de Medicina, em Salerno, na Itália. Nesse momento, o período Renascentista marca-se como o início de irrefreáveis avanços na Anatomia. Esses avanços se devem ao aumento expressivo de pessoas com interesse na área, como artistas que buscavam na técnica de dissecação uma forma de retratar de maneira mais precisa a figura humana em suas obras, tendo como principal expoente Leonardo da Vinci, conhecido como “O desbravador do Corpo Humano”.

 

Então, em 1543, foi produzido o primeiro livro Atlas de anatomia – “De humanis corporis fabrica” – pelo médico belga Andreas Vesalius. Com a disseminação do conhecimento e a crescente busca por respostas, ao final do século XVII, outros estudiosos passaram a produzir peças para serem expostas em museus de anatomia. Nos tempos atuais, firmou-se, portanto, o estudo da anatomia humana aliada a prática de dissecação, como uma das maiores ferramentas para o despertar da autopercepção, o exercício da empatia e o avanço da ciência, alicerçados na valorização do ser humano, não somente para o entendimento do corpo, mas também para a compreensão da própria existência.