Desde 2015, 11 de fevereiro é a data para reconhecer a relevância da atuação feminina na ciência e na tecnologia

Foto: Camila Cunha/Ascom UFCSPA
Em 2015 uma Assembleia Geral das Nações Unidas definiu o dia 11 de fevereiro como o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, em reconhecimento aos seus papeis fundamentais na ciência e na tecnologia. Para celebrar o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, a UFCSPA promoveu o encontro de uma jovem na Iniciação Científica com uma pesquisadora de carreira consolidada na Universidade.
Luísa Belmonte Lopes tem 22 anos e está no 6º semestre de Biomedicina. A jovem é voluntária na Iniciação Científica, onde atua em investigações que visa melhor compreender a participação do microambiente tumoral na progressão de glioblastoma, numa linha de pesquisa de grande relevância do grupo coordenado pela Profa. Dra. Elizandra Braganhol e que faz parte da dissertação de Mestrado de Gabriela Gentil, outra jovem cientista do PPG-Biociências.
A médica Helena Barros, de 70 anos, tem uma carreira de 45 anos de docência na UFCSPA. É Doutora em Neuropsicofarmacologia, professora titular de Farmacologia Básica e Clínica e professora permanente na área de concentração em Farmacologia e Toxicologia do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde. Suas pesquisas são na área de Medicina, com ênfase em pesquisa na farmacologia e toxicologia pré-clínica e clínica, com os temas de depressão, antidepressivos, dependência e abuso de drogas.
No encontro, as duas compartilharam experiências e contaram parte de suas histórias na área da pesquisa científica. Luísa conta que, aos 6 anos, quando na 1ª série do ensino fundamental, um passeio escolar foi determinante na sua escolha profissional: “Levaram minha turma num laboratório de Física para mostrar a ciência da luz e das cores. Me perguntaram o que eu tinha achado e eu falei, pequenininha, que eu tinha adorado e que, quando crescesse, eu queria ser cientista”. Helena contou que seu estímulo veio de dentro de casa, do pai médico. Mais tarde, também do contato quando ainda muito jovem com o médico e cientista argentino naturalizado brasileiro Ivan Izquierdo.
Como orientação para as meninas e jovens cientistas, Helena passa uma mensagem encorajadora: “Nós temos que nos inserir com as metodologias de crescimento profissional que estão à nossa disposição. Nós somos iguais”.
Confira mais dessa conversa inspiradora num vídeo especial para o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência.
As Cientistas e a UFCSPA
Marie Curie, pioneira nos estudos sobre radioatividade. Ada Lovelace, a primeira programadora da história. Na atualidade, Luo Fuli balançou o campo (e o mercado) da inteligência artificial. No Brasil e na área da saúde, Nise da Silveira é uma referência por sua inovação na psiquiatria.
O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência também lança luz sobre o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 (ODS-5) da Agenda 2030 da ONU: alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. Desde 2021, a UFCSPA reforça seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e orienta suas ações e práticas com base nos ODS.
De acordo com dados da Unesco, que implementou a data, a média global de pesquisadoras no mundo é de apenas 33,3%, enquanto somente 30% dos países com dados disponíveis sobre a proporção nacional de pesquisadoras atingiram a paridade, em 2016. A organização também indica que, apesar de estatísticas apontarem desempenho aproximado de meninas e meninos em ciências e matemática, ainda há estereótipos de gênero, desencorajamento e poucas escolhas para formação e desenvolvimento profissional de meninas e mulheres. A história reforça esse dado: até hoje, apenas 22 mulheres receberam um Prêmio Nobel em disciplinas científicas.
Em mesa redonda da programação do último Congresso UFCSPA, realizado em 2023, as pesquisadoras Márcia Barbosa e Fernanda Staniscuaski, ambas da UFRGS, debateram sobre a presença e os desafios das mulheres no mundo científico. Márcia Barbosa (atual reitora da UFRGS), defendeu que, para superar tantos obstáculos, políticas e iniciativas de impulsionamento são determinantes. Fernanda Staniscuaski, que integra o Movimento Parent In Science, falou da importância de discutir a maternidade na ciência.
Desde 2023, com o trabalho Pró-Reitoria de Planejamento (Proplan), a universidade disponibiliza, no prédio 2, uma sala de amamentação para utilização pelas lactantes da universidade. Conforme a Proplan, nunca existiu espaço semelhante na UFCSPA e a iniciativa visa criar a cultura deste acolhimento na instituição.
Em 2024, o Conselho Universitário (Consun) da UFCSPA aprovou sua política de ações afirmativas, que compreende questões de gênero da comunidade acadêmica. O Programa de Ações Afirmativas para a pós-graduação lato sensu (especialização e residências) e stricto sensu (mestrado e doutorado) prevê 30% das vagas previstas em editais para grupos específicos. A proposta da política foi construída coletivamente, a partir de reuniões entre diferentes setores da universidade. Entre os públicos contemplados estão mães com filho(a) de até doze anos, ou filho(a) atípico(a) e/ou com deficiência e/ou condição de saúde complexa, rara e/ou crônica. A essas mães e às suas crianças ainda será concedida a isenção do pagamento do Restaurante Universitário.
A maternidade também será considerada nos editais instituídos no âmbito da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPPG) da UFCSPA, nos quais serão ampliados, para mães, os intervalos de avaliação dos currículos em um ano por filho(a) nascido(a) ou adotado(a) no período avaliado.





