Informe da Divisão de Engenharia de Segurança com apoio do Comitê Técnico de Biossegurança

O equipamento de proteção individual (EPI) é utilizado para proteger o profissional dos riscos advindos de indivíduos infectados, materiais, superfícies e produtos potencialmente infecciosos, medicamentos tóxicos e outras substâncias potencialmente perigosas usadas nas atividades de assistência à saúde.

Considerando a situação da Pandemia da COVID-19, o aumento de solicitações de EPI e a escassez desses equipamentos no mercado, estratégias de otimização do uso de EPI podem ajudar a manter por mais tempo os estoques desses materiais.

O uso inadequado ou excessivo de EPI pode comprometer a saúde e a segurança do usuário aumentando o risco de contaminação, além de causar impacto nos quantitativos disponíveis do estoque da instituição. Por isso, a Divisão de Engenharia de Segurança, a pedido da PROPLAN e com apoio do CTBio, vem informar o procedimento para solicitação de EPI, bem como os critérios para fornecimento.

Os pedidos de EPI devem ser formalizados via sistema de pedidos internos: https://pi.ufcspa.edu.br/engenharia - EPI. Para solicitar o EPI o servidor deve se logar no sistema e selecionar quais EPI’s, quantidade e tamanho pretende solicitar. Em função da situação da Pandemia, para alguns equipamentos está sendo requerida uma justificativa e informações acerca da pretensão de uso, para nossa melhor organização, otimização do recurso e compra planejada.

Ao finalizar o pedido, é gerado um chamado encaminhado à Divisão de Engenharia de Segurança para avaliação e encaminhamento. A DESEG verificará se o EPI solicitado está disponível no estoque, se é adequado ao risco, com base nas funções do servidor e se a quantidade requerida é coerente e suficiente ao desempenho das atividades. Após essa avaliação, aprovará o pedido na sua totalidade ou com restrições e fará a separação do material. O servidor receberá um e-mail avisando a aprovação e a disponibilidade para retirada, a ser realizada na sala 119 do P2, conforme escala de trabalho dos técnicos da DESEG.

Os quantitativos de EPI a serem fornecidos serão para uso mensal. Mediante justificativa e sob demanda, poderá haver fornecimentos complementares.

Importante mencionar que os EPI’s a serem fornecidos são compatíveis aos riscos das atividades rotineiras de ensino e pesquisa realizadas nos laboratórios da UFCSPA e ambientes externos, tais como estabelecimentos de saúde. Os riscos mapeados nas atividades de ensino e pesquisa desenvolvidas nos laboratórios da UFCSPA e ambientes externos não sofreram alterações, portanto, os EPI disponíveis para o exercício dessas atividades também são os mesmos.

A Pandemia da COVID-19 acrescentou um risco adicional àqueles servidores que estão desenvolvendo atividades em contato direto com pacientes com COVID-19 ou realizando atividades de coleta e diagnóstico de amostras contaminadas com o Coronavírus.

Cabe salientar que apesar da alta probabilidade de transmissão para os profissionais que atuam em estabelecimentos de saúde, a partir do contato com pacientes com suspeita ou confirmados com COVID-19, os casos não se limitam apenas a estes trabalhadores que estão em área de risco, o que sinaliza para a importância dos contatos na comunidade ou domiciliar, a fim de evitar a transmissão comunitária e entre funcionários no exercício de atividades presenciais na UFCSPA, devendo-se também manter o distanciamento social, lavagem frequente de mãos e evitar aglomerações. Portanto, não podemos garantir que os EPI’s fornecidos para o exercício das atividades nos ambientes ocupacionais sejam suficientes para evitar a contaminação, pois desde 20/03/2020, através da Portaria nº 454/2020, o Brasil declarou o reconhecimento da transmissão comunitária do Coronavírus em todo o território nacional.

Nesse sentido, cumpre-nos destacar algumas orientações sobre as máscaras cirúrgicas e N-95 ou equivalentes para uso no contexto da pandemia da COVID-19, em conformidade com a Nota Técnica nº 04/2020 da ANVISA que apresenta as medidas de prevenção e controle que devem ser adotadas durante a assistência aos casos suspeitos ou confirmados de infecção pelo Coronavírus, Nota Técnica nº 05/2020 que apresenta orientações para a prevenção e o controle de infecções pelo Coronavírus em estabelecimentos de longa permanência para idosos e a Nota Técnica nº 07/2020 que traz orientações para prevenção e vigilância epidemiológica das infecções por sars-cov-2 (COVID-19) dentro dos serviços de saúde.

 

NOTA TÉCNICA 05/2020 – ANVISA: ANEXO 1 - EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL – EPI

 

1) MÁSCARA CIRÚRGICA:

Deve ser utilizada para evitar a contaminação da boca e nariz do profissional por gotículas respiratórias, quando o mesmo atuar a uma distância inferior a 1 metro do paciente suspeito ou confirmado de infecção pelo novo Coronavírus.

A máscara deve ser confeccionada de material tecido-não tecido (TNT), possuir no mínimo uma camada interna e uma camada externa e obrigatoriamente um elemento filtrante. A camada externa e o elemento filtrante devem ser resistentes à penetração de fluidos transportados pelo ar (repelência a fluídos). Além disso, deve ser confeccionada de forma a cobrir adequadamente a área do nariz e da boca do usuário, possuir um clipe nasal constituído de material maleável que permitirá o ajuste adequado do contorno do nariz e das bochechas. E o elemento filtrante deve possuir eficiência de filtragem de partículas (EFP) > 98% e eficiência de filtragem bacteriológica (BFE) > 95%. Esses cuidados devem ser seguidos ao utilizarem as máscaras cirúrgicas:

  1. coloque a máscara cuidadosamente para cobrir a boca e o nariz e ajuste com segurança para minimizar os espaços entre a face e a máscara;
  2. enquanto estiver em uso, evite tocar na parte da frente da máscara;
  3. remova a máscara usando a técnica apropriada (ou seja, não toque na frente da máscara, mas remova sempre pelas alças laterais);
  4. após a remoção ou sempre que tocar inadvertidamente em um máscara usada, deve-se realizar a higiene das mãos;
  5. substitua as máscaras por uma nova máscara limpa e seca, assim que tornar- se úmida;
  6. não reutilize máscaras descartáveis;

 QUEM DEVE USAR A MÁSCARA CIRÚRGICA TRIPLA?

Segundo as recomendações da ANVISA, profissionais que prestarem assistência a menos de 01 metro do paciente suspeito ou confirmado com COVID-19. Contudo, devem ser seguidas as recomendações da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar – CCIH do estabelecimento. 

Sendo assim, os profissionais que retornarem às atividades laborais em estabelecimentos de saúde, além das medidas de prevenção que devem ser adotadas por todos os profissionais, também devem:

  • Usar máscara cirúrgica para controle da fonte o tempo todo, dentro do serviço de saúde.

- A máscara cirúrgica deve ser usada mesmo quando estiverem em áreas sem pacientes, como salas de descanso, postos de enfermagem etc.

- Se precisarem remover a máscara, por exemplo, para comer ou beber, devem se afastar de pacientes/acompanhantes/visitantes e dos outros profissionais.

Observação 1: Máscaras de tecido não são recomendadas, sob qualquer circunstância, pois não são consideradas EPI e por isso não devem ser usadas por profissionais da saúde ou de apoio.

Observação 2: Máscaras duplas de TNT não são recomendadas para uso médico. Segundo o fabricante elas são indicadas para evitar o contato com corpos estranhos. Utilizadas em indústrias químicas, farmacêuticas e alimentícias e serviços de nutrição. Segmentos de estética e gastronomia. https://talge.com.br/produto/mascaras-tnt-duplas-com-elastico/

 

2) MÁSCARA DE PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA (RESPIRADOR PARTICULADO - N95 OU EQUIVALENTE):

Quando o profissional atuar em procedimentos com risco de geração de aerossol nos residentes com infecção suspeita ou confirmada pelo novo Coronavírus deve utilizar a máscara de proteção respiratória (respirador particulado) com eficácia mínima na filtração de 95% de partículas de até 0,3μ (tipo N95, N99, N100, PFF2 ou PFF3). São exemplos de procedimentos com risco de geração de aerossóis: intubação ou aspiração traqueal, ventilação não invasiva, ressuscitação cardiopulmonar, ventilação manual antes da intubação, coletas de secreções nasotraqueais e broncoscopias.  A máscara de proteção respiratória deverá estar apropriadamente ajustada à face. A forma de uso, manipulação e armazenamento deve seguir as recomendações do fabricante e nunca deve ser compartilhada entre profissionais.

No link a seguir encontra-se um vídeo com detalhamento sobre a colocação e testes de vedação que o profissional deve realizar ao utilizar a máscara de proteção respiratória.

Vídeo da colocação e retirada do EPI: https://youtu.be/G_tU7nvD5BI

Nota (21.03.2020): Pode-se considerar o uso de respiradores ou máscaras N95 ou equivalente, além do prazo de validade designado pelo fabricante para atendimento emergencial aos casos suspeitos ou confirmados da COVID-19. No entanto, as máscaras além do prazo de validade designado pelo fabricante podem não cumprir os requisitos para os quais foram certificados. Com o tempo, componentes como as tiras e o material da ponte nasal podem se degradar, o que pode afetar a qualidade do ajuste e da vedação.

Este tipo de uso pode ser liberado APENAS devido à demanda urgente causada pela emergência de saúde pública da COVID-19. Os usuários dessas máscaras que excederam o prazo de validade designado pelo fabricante devem ser orientados sobre a importância das inspeções e verificações do selo antes do uso.

Os usuários devem tomar as seguintes medidas de precaução antes de usar as máscaras N95 (além do prazo de validade designado pelo fabricante) no local de trabalho:

  1. Inspecione visualmente a máscara N95 para determinar se sua integridade foi comprometida (máscaras úmidas, sujas, rasgadas, amassadas ou com vincos não podem ser utilizadas).
  2. Verifique se componentes como tiras, ponte nasal e material de espuma nasal não se degradaram, o que pode afetar a qualidade do ajuste e a vedação e, portanto, a eficácia da máscara.
  3. Se a integridade de qualquer parte da máscara estiver comprometida ou se uma verificação bem-sucedida do selo do usuário não puder ser realizada, descarte a máscara.
  4. Os usuários devem realizar uma verificação do selo imediatamente após colocar cada máscara e não devem usar uma máscara que não possam executar uma verificação bem sucedida do selo do usuário (teste positivo e negativo de vedação da máscara à face).

Observação: É importante ressaltar que a máscara N95/PFF2 ou equivalente com válvula expiratória não pode ser utilizada como controle de fonte, pois ela permite a saída do ar expirado pelo profissional que, caso esteja infectado, poderá contaminar pacientes, outros profissionais e o ambiente. No cenário atual da pandemia e em situações de escassez, em que só tenha disponível este modelo de máscara com válvula expiratória no serviço de saúde, recomenda-se o uso concomitante de um protetor facial, como forma de mitigação para controle de fonte. Porém, a exceção a esta medida de mitigação é o Centro Cirúrgico, onde estas máscaras não devem ser utilizadas, por aumentar o risco de exposição da ferida cirúrgica às gotículas expelidas pelos profissionais e assim aumentam o risco de infecção de sítio cirúrgico.

Observação 1: A máscara cirúrgica não deve ser sobreposta à máscara N95 ou equivalente, pois além de não garantir proteção de filtração ou de contaminação, também pode levar ao desperdício de mais um EPI, o que pode ser muito prejudicial em um cenário de escassez.

Observação 2: O uso de máscara pelos profissionais do serviço, como controle de fonte, é uma das medidas de prevenção para limitar a propagação de doenças respiratórias, incluindo o SARS-CoV-2. No entanto, este uso deve vir acompanhado de outras medidas igualmente relevantes, como a higiene das mãos, a distância de pelo menos 1 metro de outras pessoas e a não aglomeração em áreas coletivas, locais de descanso, refeição, locais de registro de frequência, etc.

Observação 3: A Santa Casa, nosso hospital escola, adotou medidas mais restritivas frente a situação da Pandemia da COVID-19, estabelecendo que para toda a assistência a pacientes deve-se utilizar somente a máscara N95. Além disso determinou que é proibida a circulação com uso de máscara caseira dentro dos hospitais, exceto para os pacientes.

Observação 4: EXCEPCIONALMENTE, em situações de carência de insumos e para atender a demanda da epidemia da COVID-19, a máscara N95 ou equivalente poderá ser reutilizada pelo mesmo profissional por um período de 07 (sete) dias consecutivos, desde que cumpridos passos obrigatórios para a retirada da máscara sem a contaminação do seu interior. Com objetivo de minimizar a contaminação da máscara N95 ou equivalente, se houver disponibilidade, pode ser usado um protetor facial (face shield) conjuntamente. Se a máscara estiver íntegra, limpa e seca, pode ser usada várias vezes durante o mesmo plantão pelo mesmo profissional (até 12 horas ou conforme definido pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar – CCIH do serviço de saúde).

Observação 5: Em relação as PPF-2 ou N-95, para maior durabilidade e condições de higiene do EPI, recomenda-se não utilizar maquiagem no rosto, pois pode contaminar as bordas da máscara e comprometer a vedação. Para os homens não se recomenda o uso de barba, pois ela não garante a vedação completa da máscara no rosto do usuário.

Observação 6: Para remover a máscara, retire-a pelos elásticos, tomando bastante cuidado para não tocar na superfície interna e acondicione em um saco ou envelope de papel com os elásticos para fora, para facilitar a retirada da máscara. Nunca coloque a máscara já utilizada em um saco plástico, pois ela poderá ficar úmida e potencialmente contaminada. 

Atenção: NUNCA se deve tentar realizar a limpeza da máscara N95 ou equivalente, já utilizada, com nenhum tipo de produto. As máscaras N95 ou equivalentes são descartáveis e não podem ser limpas e/ou desinfectadas para uso posterior e quando úmidas perdem a sua capacidade de filtração.

QUEM DEVE USAR A MÁSCARA N95 OU EQUIVALENTE?

Profissionais de saúde que realizam procedimentos geradores de aerossóis como por exemplo: intubação ou aspiração traqueal, ventilação mecânica invasiva e não invasiva, ressuscitação cardiopulmonar, ventilação manual antes da intubação, coletas de amostras nasotraqueais. Contudo, devem ser seguidas as recomendações da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar – CCIH do estabelecimento.

 

3) LUVAS

As luvas de procedimentos não cirúrgicos devem ser utilizadas, no contexto da pandemia, em qualquer contato com o paciente e seu entorno. Quando o procedimento a ser realizado exigir técnica de assepsia, devem ser utilizadas luvas de procedimentos cirúrgicos (estéreis).

As recomendações quanto ao uso de luvas são:

  1. As luvas devem ser colocadas antes da entrada no quarto do paciente ou área em que o paciente está isolado.
  2. As luvas devem ser removidas dentro do quarto ou área de isolamento e descartadas como resíduo infectante.
  3. Jamais sair do quarto ou área de isolamento com as luvas.
  4. Nunca toque desnecessariamente superfícies e materiais (tais como telefones, maçanetas, portas) quando estiver com luvas.
  5. Não lavar ou usar novamente o mesmo par de luvas (as luvas nunca devem ser reutilizadas).
  6. O uso de luvas não substitui a higiene das mãos.
  7. Não devem ser utilizadas duas luvas para o atendimento dos pacientes, esta ação não garante mais segurança à assistência.
  8. Proceder à higiene das mãos imediatamente após a retirada das luvas.
  9. Observe a técnica correta de remoção de luvas para evitar a contaminação das mãos:
  10. Retire as luvas puxando a primeira pelo lado externo do punho com os dedos da mão oposta.
  11. Segure a luva removida com a outra mão enluvada.
  12. Toque a parte interna do punho da mão enluvada com o dedo indicador oposto (sem luvas) e retire a outra luva.

 

4) PROTETOR OCULAR E PROTETOR DE FACE (ÓCULOS DE PROTEÇÃO E FACE SHIELD)

Os óculos de proteção e/ou protetores faciais (que cubra a frente e os lados do rosto) devem ser utilizados quando houver risco de exposição do profissional a respingos de sangue, secreções corporais e excreções.

Os faceshields podem ser utilizados para proteger a máscara cirúrgica tripla, N95/PFF2 ou equivalente de contato com as gotículas expelidas pelo paciente, minimizando a contaminação da máscara.

Os óculos de proteção ou protetores faciais devem ser exclusivos de cada profissional responsável pela assistência, devendo após o uso sofrer limpeza e posterior desinfecção com álcool líquido a 70%, hipoclorito de sódio ou outro desinfetante recomendado pelo fabricante.

Caso o protetor facial tenha sujidade visível, deve ser lavado com água e sabão/detergente e só depois dessa limpeza, passar pelo processo de desinfecção.

 

5) CAPOTE/AVENTAL

O capote ou avental (gramatura mínima de 30g/m2) deve ser utilizado para evitar a contaminação da pele e roupa do profissional.

O capote ou avental sujo deve ser removido e descartado como resíduo infectante após a realização do procedimento e antes de sair do quarto do paciente ou da área de assistência. Após a remoção do capote deve-se proceder a higiene das mãos para evitar a transmissão dos vírus para o profissional, pacientes e ambiente.

Vídeo de colocação e retirada do EPI - Anvisa: https://youtu.be/G_tU7nvD5BI

 

6) GORRO

O gorro está indicado para a proteção dos cabelos e cabeça dos profissionais em procedimentos que podem gerar aerossóis.

 

A Nota Técnica nº 07/2020 da ANVISA apresenta as medidas a serem implementadas para prevenção e controle da disseminação do vírus SARS-CoV-2 em serviços de saúde.

 

Por fim, salientamos que os usuários dos EPI ou materiais de segurança são responsáveis pelo correto uso, guarda, higienização e descarte dos equipamentos. Ressaltamos que devem ser seguidas as recomendações da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar - CCIH dos estabelecimentos de saúde, bem como as recomendações da ANVISA e de Biossegurança da CTBio nas atividades realizadas nos laboratórios da UFCSPA.

Todas as dúvidas quanto ao uso, guarda e descarte dos EPI, podem ser encaminhadas através dos e-mails: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..