Vacina representa um combate mais abrangente e em maior escala contra a principal causa de bronquiolite em bebês de até seis meses de idade, afirma egresso da UFCSPA

Foto: Carla Carniel/Reuters
Na última quinta-feira, 13, o Governo Federal anunciou que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferecerá às gestantes uma nova vacina capaz de proteger os bebês contra o vírus sincicial respiratório (VSR). A inclusão do imunizante Abrysvo foi aprovada pela Comissão de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).O Programa Nacional de Imunizações irá planejar a forma e o calendário de vacinação.
O vírus sincicial respiratório é o maior causador da bronquiolite, inflamação dos bronquíolos, que são finas ramificações que levam o oxigênio até os alvéolos dos pulmões. De acordo com o biomédico e mestre pela UFCSPA Guilherme Carey, que coordena estudos clínicos na área de pneumologia e é pesquisador em vírus respiratórios sazonais, a maioria das internações por VSR ocorre em bebês de 0 a 6 meses, cuja imunidade ainda é imatura: “A bronquiolite é a causa principal de internação dessa população e o risco de vida é ainda maior em prematuros ou recém-nascidos com doenças pulmonares ou cardíacas congênitas, aumentando a probabilidade de óbito”.
Os testes feitos pela fabricante Pfizer com cerca de 7 mil gestantes demonstraram 82,4% de eficácia da vacina na prevenção de casos graves em bebês de até três meses, e de 70% até os seis meses de idade. A vacinação durante a gestação faz com que a mãe produza anticorpos que são transmitidos ao feto, propiciando que ele já nasça com a proteção. A indicação da Pfizer é de uma dose por gestação, administrada entre as 24 e as 36 semanas de gravidez.
A ANVISA já havia aprovado essa vacina em abril de 2024, e alguns laboratórios particulares já ofereciam a imunização para gestantes como forma de prevenção contra a bronquiolite. No entanto, conforme comenta Guilherme Carey, a aprovação pelo Conitec é um avanço significativo, pois amplia o acesso à vacina em nível nacional: “Com essa decisão, o Brasil passa a combater, de forma mais abrangente e em maior escala, a principal causa de bronquiolite em lactentes de até seis meses de idade”.
Infecções respiratórias no RS e a importância do calendário vacinal
No Rio Grande do Sul, o CEVS (Centro Estadual de Vigilância em Saúde) monitora infecções respiratórias ao longo do ano por meio de testagens laboratoriais, orientando a resposta do sistema de saúde mês a mês. Dados dos boletins epidemiológicos mostram um aumento significativo nas hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e a bronquiolite em recém nascidos, com um crescimento superior a 16% em 2024 comparado a 2023.
Esses casos, muitas vezes, exigem hospitalização prolongada e oxigenação suplementar, que resultam em altos custos e ocupação prolongada de leitos. Guilherme afirma que a aprovação da vacina Abrysvo para aplicação em gestantes responde a essa demanda urgente: “Nossos estudos na UFCSPA indicam que a vacinação a longo prazo pode ter um impacto positivo na redução da morbimortalidade pelo VSR entre as populações mais vulneráveis”, completa.
A distribuição da vacina pelo SUS se torna uma ferramenta fundamental no combate às infecções respiratórias causadas por vírus como o VSR. Para definir um plano estratégico e o melhor momento de agir, é essencial analisar a epidemiologia do vírus. Guilherme conta que os surtos ocorrem principalmente no outono e nos meses mais frios, entre março e julho: “Nossos estudos no Rio Grande do Sul confirmam esse padrão, que também se repete em grande parte do país. Por isso, a imunização das gestantes deve ocorrer nos meses que antecedem esse aumento de casos, reduzindo a incidência de bronquiolite e seus impactos”.
Essa estratégia ajuda a evitar a superlotação hospitalar, as infecções cruzadas dentro das famílias e a escassez de suprimentos médicos essenciais para o tratamento de outras doenças. Um calendário de vacinação eficiente também garante uma imunização mais homogênea no mapa: “Enquanto a capital tem maior estrutura para lidar com a demanda, no interior essa discrepância pode ser mais acentuada, tornando a prevenção ainda mais crucial”, lembra Guilherme.
*Com informações da Agência Brasil (agenciabrasil.ebc.com.br)





