Atenção deve ser redobrada para crianças e idosos, mais expostos aos riscos de desidratação com as altas temperaturas

A água é um elemento fundamental para o nosso corpo, desempenhando um papel essencial em diversos processos fisiológicos. No entanto, quando se trata de quantidades diárias recomendadas e hábitos saudáveis de hidratação, surgem muitas dúvidas. As professoras do curso de Nutrição da UFCSPA Tiffany Prokopp Hautrive, Francine Silva dos Santos e Fernanda Michielin Busnello ajudam a desvendar alguns mitos e fornecer orientações embasadas sobre a ingestão de água.

Existe uma quantidade mínima?

Um dos mitos mais comuns sobre hidratação é a ideia de que todos devem consumir uma quantidade fixa de água por dia, geralmente definida em oito copos ou dois litros. No entanto, as professoras enfatizam que a quantidade ideal de água pode variar de pessoa para pessoa.

De acordo com as professoras Tiffany e Francine, "a quantidade de água necessária para o bom funcionamento do organismo é variável, e pode ser modulada por diversos fatores, tais como, idade, peso, prática de atividade física, clima e a temperatura do ambiente." O Ministério da Saúde, por meio do Guia de Alimentação para a População Brasileira, sugere que a sede seja o principal indicador para a ingestão de água. "Atentar-se para os primeiros sinais de sede e satisfazer de pronto a necessidade de água sinalizada por nosso organismo é fundamental", destacam as docentes.

Um cálculo simples para a ingestão de água, segundo elas, é multiplicar o peso (em quilogramas) por 35 ml/dia de água. Por exemplo, "uma pessoa que pesa 60 kg deveria ingerir 2,1 litros de água por dia."

Recomendações aos pequenos

Quando se trata de crianças, a hidratação é igualmente crucial, mas as recomendações variam conforme a idade. Francine enfatiza que durante os primeiros seis meses de vida, enquanto o bebê estiver em amamentação exclusiva, não é necessário oferecer água. “Isto mesmo em regiões secas e quentes. Nesses dias, a criança poderá querer mamar com mais frequência para saciar a sede. O leite materno contém toda a água necessária para a hidratação”, ressalta.

Após os seis meses, quando outros alimentos são introduzidos na dieta, a água deve ser oferecida entre as refeições. "A água é essencial para a hidratação da criança e deve ser o líquido de preferência", afirma a professora. Ela alerta ainda que a água não deve ser substituída por outros líquidos, como sucos, refrigerantes e outras bebidas açucaradas, pois "essa prática pode habituar a criança a saciar a sede apenas com bebidas açucaradas ou saborizadas e aumenta o risco de excesso de peso."

A Sociedade Brasileira de Pediatria fornece recomendações específicas com base no peso corporal e na faixa etária da criança. “Considerando que a população pediátrica apresenta um risco aumentado para desidratação, algumas práticas como ter sempre por perto uma garrafa com água, inclusive na escola, podem incentivar a ingestão hídrica das crianças”, recomendam.

Cuidados com a hidratação dos idosos

Para os idosos, a hidratação é ainda mais crítica, especialmente durante o verão. Fernanda Busnello destaca que, à medida que envelhecemos, a quantidade de água corporal diminui e a sensação de sede pode ser reduzida. Isso torna essencial manter uma hidratação adequada.

"Os idosos devem ter atenção redobrada com a hidratação no verão", adverte a professora. Ela recomenda manter "o consumo de frutas e hortaliças para repor os sais minerais perdidos na transpiração."