O pesquisador e biólogo Ismael Nobre apresentou como as alternativas tecnológicas podem ser conservar a floresta.

Nesta terça-feira, 30 de novembro, aconteceu a segunda conferência do II Congresso UFCSPA, com a participação do biólogo e cientista Ismael Nobre, falando sobre o tema "Amazônia 4.0: Mudanças climáticas e as alternativas tecnológicas de conservação da floresta". Sua participação foi precedida por uma apresentação da música “Wave” do compositor brasileiro Tom Jobin, pela “Banda Comunitária da UFCSPA” e com arranjo do regente e professor Marcelo Rabello dos Santos.

A seguir, Ismael deu início à sua fala, trazendo aos participantes a explicação do conceito “Amazônia 4.0”, que se materializa em um projeto conduzido por ele, seu irmão, Carlos Nobre, climatologista e pesquisador; e mais um grupo de cientistas.

Ismael Nobre é doutor em Dimensões Humanas dos Recursos Naturais pela Colorado State University e atua nas áreas de Bioeconomia da Amazônia, Inovações tecnológicas da 4ª Revolução Industrial e Políticas Públicas para o Desenvolvimento Sustentável.

Em sua apresentação, Nobre falou brevemente sobre o contexto em que a Amazônia se encontra, apontando questões como mudanças climáticas, desmatamento para pecuária e monoculturas e os riscos iminentes de não recuperação das áreas afetadas. Sua fala se concentrou nas possibilidades de recuperação e reflorestamento da região, dentro das propostas da chamada “Terceira Via Amazônia”, que busca superar as duas vias já tão debatidas no país e que não apontam para soluções conscientes, realistas e possíveis para manter a floresta viva na medida em que o país se desenvolve economicamente.

Como exemplo de uma das práticas nocivas à floresta, apontada por Nobre, estão as monoculturas de grãos, que são mecanizadas e geram poucos empregos. Dentro da proposta “Amazônia 4.0” o desenvolvimento é baseado na “Bioeconomia”, possibilitando que a floresta permaneça viva, assim como as comunidades tradicionais que mais se relacionam com ela. O objetivo é estimular uma cadeia de produção local, permitindo o desenvolvimento e a preservação.

A iniciativa visa uma conciliação da preservação com a geração de trabalho e renda para as populações da região, que possuem vasto conhecimento sobre a biodiversidade local. A ideia é aliar esse conhecimento popular com o uso de tecnologias da chamada "Indústria 4.0" para produção de diversos produtos do ramo alimentício, farmacêutico e cosmético, com maior valor agregado. O plano é a adoção de tecnologias como sistemas ciberfísicos, internet das coisas, redes de comunicação, inteligência artificial, dentre outras. A iniciativa tem desenvolvido os "Laboratórios criativos da Amazônia", onde é possível transformar insumos da biodiversidade amazônica em produtos com alto valor agregado. Os laboratórios contam com equipamentos tecnológicos e são destinados à capacitação técnica, criação e prototipagem visando a bioindústria. Ismael também chamou atenção para os novos mercados e os novos consumidores que já estão buscando um consumo “com propósito”, desejando saber como um determinado produto foi produzido.

O conceito “Amazônia 4.0” se baseia no conhecimento científico para apresentar as diversas possibilidades de desenvolvimento econômico e manutenção da floresta.  Ismael Nobre comunicou que, em poucos dias, o que é um projeto se materializará no “Instituto Amazônia 4.0” e finalizou sua apresentação respondendo e comentando aos questionamentos dos participantes.

A conferência contou com a mediação da egressa da universidade Janira Prichula, coordenadora do Núcleo de Gestão Ambiental da UFCSPA e membro da Comissão Acadêmica da Rede de Responsables Ambientales de Provincias, Estados y Regiones de América Latina y el Caribe, desde 2019.

A apresentação completa pode ser conferida no site do II Congresso UFCSPA.

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