30/05/2022 – TV Pampa

Link: https://www.tvpampa.com.br/cirurgia-plastica-com-qualidade-e-tema-do-forum-do-corpo-clinico-do-hospital-mae-de-deus/

Cirurgia plástica com qualidade é tema do fórum do corpo clínico do hospital mãe de deus

Na manhã desta segunda-feira (30), o Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, realizou um Fórum do Corpo Clínico especial sobre a segurança do paciente em cirurgia plástica, com a participação do professor Christopher Pannucci, cirurgião plástico de Washington (USA), um dos maiores pesquisadores do mundo na área de segurança em cirurgia plástica.

O encontro foi conduzido pelo médico Denis Valente, cirurgião plástico do Corpo Clínico do Hospital Mãe de Deus, professor-adjunto de Cirurgia Plástica da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e membro da Comissão de Pesquisa em Cirurgia Plástica da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos.

“Doutor Pannucci apresentou um trabalho de prevenção ao tromboembolismo que realizamos aqui na nossa instituição. A grande vantagem que tivemos ao final desta conversa é que iremos elaborar um novo protocolo de prevenção destas doenças no Hospital Mãe de Deus, contribuindo para uma experiência ainda melhor ao nosso paciente”, destaca Valente.

O Hospital Mãe de Deus informa que segue protocolos internacionais para cirurgia plástica. “A qualidade dos serviços que prestamos é o mais importante. Prova disso são os 12 artigos que publicamos na revista de Cirurgia Plástica mais importante do mundo. Além disso, para a utilização do score de Caprini, protocolo para prevenção da trombose venosa profunda com embolia pulmonar, entramos em contato com o próprio doutor Caprini, pois não existia este questionário em português, e passamos a ser o primeiro hospital a receber a escala em português do próprio autor”, destaca Valente.

30/05/2022 – O Sul

Link: https://www.osul.com.br/cirurgia-plastica-com-qualidade-e-tema-do-forum-do-corpo-clinico-do-hospital-mae-de-deus/

Cirurgia plástica com qualidade é tema do Fórum do Corpo Clínico do Hospital Mãe de Deus

Na manhã desta segunda-feira (30), o Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, realizou um Fórum do Corpo Clínico especial sobre a segurança do paciente em cirurgia plástica, com a participação do professor Christopher Pannucci, cirurgião plástico de Washington (USA), um dos maiores pesquisadores do mundo na área de segurança em cirurgia plástica.

O encontro foi conduzido pelo médico Denis Valente, cirurgião plástico do Corpo Clínico do Hospital Mãe de Deus, professor-adjunto de Cirurgia Plástica da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e membro da Comissão de Pesquisa em Cirurgia Plástica da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos.

“Doutor Pannucci apresentou um trabalho de prevenção ao tromboembolismo que realizamos aqui na nossa instituição. A grande vantagem que tivemos ao final desta conversa é que iremos elaborar um novo protocolo de prevenção destas doenças no Hospital Mãe de Deus, contribuindo para uma experiência ainda melhor ao nosso paciente”, destaca Valente.

O Hospital Mãe de Deus informa que segue protocolos internacionais para cirurgia plástica. “A qualidade dos serviços que prestamos é o mais importante. Prova disso são os 12 artigos que publicamos na revista de Cirurgia Plástica mais importante do mundo. Além disso, para a utilização do score de Caprini, protocolo para prevenção da trombose venosa profunda com embolia pulmonar, entramos em contato com o próprio doutor Caprini, pois não existia este questionário em português, e passamos a ser o primeiro hospital a receber a escala em português do próprio autor”, destaca Valente.

28/05/2022 – Correio do Povo

Link: https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/luiz-lavinsky-%C3%A9-empossado-para-mais-um-ano-%C3%A0-frente-da-academia-sul-rio-grandense-de-medicina-1.830079

Luiz Lavinsky é empossado para mais um ano à frente da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina

Em torno de 60 acadêmicos participaram da cerimônia, ocorrida neste sábado

Tomou posse na presidência da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina (ASRM), neste sábado, para mais um mandato de um ano, o médico otorrinolaringologista Luiz Lavinsky. Cerca de 60 pessoas participaram da cerimônia, no auditório do Conselho Regional de Medicina do RS (Cremers), e que contou ainda com uma palestra do oncologista clínico Sérgio Roithmann. Chefe da Oncologia do Hospital Moinhos de Vento e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Roithmann falou sobre as novas terapias para o enfrentamento do câncer.

Lavinsky disse estar honrado com sua recondução ao cargo, aprovada por aclamação por seus colegas médicos. “Temos como obrigações estatutárias qualificar a medicina e ser uma entidade ética para atuarmos junto às instituições públicas e enriquecer nossa entidade”, disse. A ASRM tem atualmente 60 membros permanentes, mais onze eméritos e nove honorários. Cerca de 30 entre os titulares estiveram presencialmente no evento e outros 25 participaram da posse de maneira virtual.

O presidente da entidade ainda afirmou que o momento é de emoção. Para ele, os membros da academia são parceiros de longa data. “Eles eram um ambiente de confiança, que certamente gratifica muito”, relatou. Criada por 20 médicos de diferentes especialidades nas dependências da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, buscando preservar os princípios milenares de Platão, a ASRM celebrou, no último dia 19 de maio, 32 anos de fundação.

A reeleição de Lavinsky e da diretoria ocorreu em 30 de abril, durante o primeiro encontro presencial dos acadêmicos após o começo da pandemia de Covid-19. O médico Sérgio Roithmann, por sua vez, ressaltou em sua palestra que as atuais tecnologias e os estudos concluídos e em andamento, especialmente considerando medicamentos que vão de encontro aos processos celulares que desencadeiam o câncer, podem proporcionar melhor qualidade de vida aos pacientes em tratamento contra esta enfermidade.

Gestão 2022/2023 da ASRM

Presidente - Luiz Lavinsky

1º Vice-Presidente - Valter Duro Garcia

2º Vice-Presidente - Luiz Roberto Stigler Marczyk

Tesoureiro - Cleber Dario Pinto Kruel

1º Secretário - Jefferson Piva

2º Secretário - Santo Vitola

Orador(a) - Waldomiro Carlos Manfroi

DIRETORIA SETORIAL:

Atividades Científicas e Cursos - Sérgio de Paula Ramos

Novos Talentos - Rogério Sarmento Leite

Cultural - Miriam da Costa Oliveira

Interinstitucional - Germano Mostardeiro Bonow

Comunicação - Paulo Silva Belmonte de Abreu

Polos Regionais - Rogério Gastal Xavier

Polos Regionais Adjunto - Darcy Ribeiro Pinto Filho

Campanhas - Luiz Carlos Corrêa da Silva

Ciência e Tecnologia - Roberto Giugliani

Memória da Medicina Sul-Rio-Grandense - Paulo Roberto Prates

Publicações Eletrônicas - Jorge Milton Neumann

26/05/2022 – São Joaquim Online

https://www.assufrgs.org.br/2022/05/26/casos-de-covid-19-aumentam-e-protocolos-de-saude-precisam-ser-redobrados/

Casos de covid-19 aumentam e protocolos de saúde precisam ser redobrados

Este final de semana  foi marcado por aumento das internações por conta do novo coronavírus no Rio Grande do Sul. As hospitalizações apresentaram crescimento de 27,5% em duas semanas. No sábado, o Estado registrou o maior número de internações em 49 dias, com 124 pacientes com a doença em estado grave.

Em Porto Alegre, 676 pacientes estavam hospitalizados em UTIs, dos quais 59 com diagnóstico de Covid-19. Com 273 pacientes em estado grave, a rede privada tinha ocupação de 85,8% dos 318 leitos disponíveis. Os leitos SUS registravam 80,8% de ocupação, com 403 pacientes em 499 leitos disponíveis.

O aumento de casos positivados na sociedade acende um alerta também para os trabalhadores e estudantes das universidades e institutos federais. Muitas instituições, como a UFRGS, estão em processo de ampliação de seu retorno presencial. Neste sentindo, a ASSUFRGS reforça que todos os colegas devem ampliar os cuidados com a utilização de máscaras, álcool em gel nos ambientes de trabalho e no trajeto para os campi. Caso a categoria enfrente algum registro de contaminação fora da curva em suas unidades, podem entrar em contato com a coordenação da Assufrgs ou representante sindical para registro e acompanhamento das situações. Juntos asseguramos a saúde e segurança da categoria!

Abaixo, confira como estão os protocolos atuais de cada instituição da base da ASSUFRGS:

Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o uso de máscara é obrigatório no ambiente interno e externo. Com o retorno 100% o desenvolvimento das atividades presenciais deverá atender aos protocolos de segurança vigentes, estabelecidos pelo Comitê Covid-19 da UFRGS e pelas Resoluções 213/2021 e 3/2022 do Conselho Universitário, incluindo a exigência de comprovante de vacinação contra a covid-19. Os estudante já podem inserir o comprovante no portal do aluno.

Em caso de situações de contágio, poderão ser estabelecidas alternativas não presenciais diante da necessidade de afastamento de docentes, discentes ou servidores técnico-administrativos. Os estudante já podem inserir o comprovante no portal do aluno.

No Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) o uso de máscara continua sendo obrigatório em ambientes fechados de todas as suas unidades. A máscara é de uso obrigatório também no ambiente externo nos campi Alvorada, Osório, Porto Alegre, Rio Grande, Vacaria e Viamão. Em outros campi, o uso de máscara é facultativo, como em Bento Gonçalves, Canoas, Caxias do Sul, Erechim, Farroupilha, Feliz, Ibirubá, Restinga (POA), Rolante (com exceção do Espaço de Convivência), Veranópolis e Sertão.

Além disso, caso o estudante ou servidor do IFRS precise de máscara, deve fazer contato com a Comissão Local de Prevenção e Acompanhamento da Covid-19 por e-mail ou procurar a recepção da unidade para solicitar.

Na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) mantém a manutenção rigorosa de todos os protocolos de segurança, o uso de máscaras é obrigatório para qualquer pessoa que circular no campus tanto em ambiente interno, quanto externo. A universidade está fornecendo máscaras PFF2 para seus estudantes e trabalhadores.

Fontes: Correio do Povo, UFRGS, IFRS e UFCSPA

26/05/2022 – São Joaquim Online

Link: https://saojoaquimonline.com.br/folha-da-cidade/2022/05/26/meu-filho-nao-esta-falando-o-que-devo-fazer/

Meu filho não está falando, o que devo fazer?

Através da comunicação às crianças, os adultos e os idosos expressam a sua linguagem, essa habilidade é muito importante para conseguirmos socializar, fazer novas amizades, aprender e fazer parte da comunidade. Infelizmente ao longo da infância muitas crianças apresentam dificuldades para expressar a linguagem ou para compreender aquilo que escutam.

Na maioria das vezes essas dificuldades de fala ou linguagem são percebidas pelos pais e em outras vezes quem percebe é o médico ou o professor. É comprovado cientificamente que o atraso da aquisição de linguagem que não for tratado precocemente, pode acarretar problemas e dificuldades na aprendizagem, quando a criança está em idade escolar.

O fonoaudiólogo é um profissional que pode lhe ajudar quando seu filho apresentar atrasos com a fala. Esse profissional faz uma avaliação detalhada e identifica as causas de atrasos e trata os distúrbios relacionados com a comunicação, envolvendo a fala, linguagem oral, voz, escrita e audição.

É importante salientar que a criança nunca tem preguiça para falar, se ela apresentou um atraso é muito importante que seja investigado e avaliado. Conte com um fonoaudiólogo para tornar a infância do seu filho mais feliz e comunicativa!

Aqui em São Joaquim você pode fazer o seu tratamento fonoaudiológico com a Dra. Tamires Vasco, que é formada pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, tem muita experiência com o público infantil e é pós-graduanda em neuropsicopedagogia e também em intervenção em análise do comportamento aplicada (ABA) para o transtorno do espectro autista (TEA).

25/05/2022 – Jornal da USP

Link:https://jornal.usp.br/ciencias/diretrizes-clinicas-nao-tem-criterios-claros-para-avaliar-resposta-a-tratamento-inicial-da-depressao-diz-estudo/

Faltam critérios claros para avaliar resposta a tratamento inicial da depressão, diz estudo

Parte das diretrizes clínicas disponíveis não orienta claramente sobre estratégias a serem adotadas com pacientes, o que pode levar profissionais de saúde a hesitarem em aplicá-las

Quando pacientes com depressão não respondem ao tratamento farmacológico inicial, profissionais de saúde como psicólogos, psiquiatras, enfermeiros, farmacêuticos e gestores na área de saúde mental podem contar com o apoio de diretrizes clínicas, documentos que fornecem estratégias baseadas em evidências científicas, para avaliar e dar sequência à terapia. Porém, uma pesquisa liderada pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP revela que parte das diretrizes existentes não define os critérios necessários para a avaliação da resposta dos pacientes à terapia inicial, se foi adequada ou não. Segundo o estudo, faltam orientações sobre as estratégias terapêuticas a serem adotadas para esses pacientes, o que pode fazer os profissionais de saúde hesitarem na aplicação das diretrizes. O trabalho faz parte da linha de estudos de um grupo de pesquisadores brasileiros que analisa a qualidade e transparência das diretrizes, além de auxiliar no seu aprimoramento.

A pesquisa é descrita no artigo Quality of clinical practice guidelines for inadequate response to first-line treatment for depression according to AGREE II checklist and comparison of recommendations: a systematic review publicado na revista médica BMJ Open no último mês de abril. “Diretrizes clínicas são documentos que contêm recomendações para otimizar o cuidado em saúde oferecido aos pacientes, formuladas a partir de uma revisão sistemática das evidências e análise de riscos e benefícios das intervenções para cada condição clínica de saúde, além de outros fatores associados ao contexto local”, afirma a pesquisadora Franciele Cordeiro Gabriel, da FCF, primeira autora do artigo.

O trabalho faz parte do projeto de pesquisa do grupo Chronic Diseases And Informed Decisions (Chronide), que conta com pesquisadores de diversas instituições de ensino superior brasileiras, com o objetivo de trazer suporte à tomada de decisões na prática clínica e na gestão de saúde. Desde 2015, o grupo faz a análise da qualidade e transparência de diretrizes, inclusive discutindo as recomendações de melhor qualidade metodológica para o tratamento de doenças crônicas não transmissíveis, como a depressão. O Chronide colabora com a adaptação de diretrizes locais, com base nas melhores evidências científicas disponíveis. O grupo conduz o projeto Saúde Baseada em Evidências e Recomendações para o Sistema Único de Saúde (Saber-SUS), que dissemina as pesquisas realizadas por seus membros.

Cada instituição de saúde costuma ter as suas orientações, que são elaboradas por instituições governamentais, sociedades profissionais e universidades e são disponibilizadas, principalmente, em sites específicos na internet, conhecidos como repositórios de diretrizes clínicas. “Entre os principais objetivos das diretrizes estão tornar as decisões clínicas mais objetivas, diminuindo a variabilidade, educar pacientes e profissionais sobre a melhor prática atualizada, e melhorar a relação entre custo e efetividade dos cuidados em saúde”, diz a pesquisadora.

“O trabalho buscou similaridades e diferenças entre as diretrizes clínicas mais usadas na prática e aquelas avaliadas como de alta qualidade metodológica”, descreve Franciele. “Foi feita uma busca sistematizada em bases de referências científicas e fontes específicas para encontrar o maior número possível de diretrizes publicadas na literatura. Elas foram comparadas de modo a estabelecer pontos em comum, divergentes e complementares em relação ao manejo dos pacientes.”

Recomendações

“A maioria das diretrizes clínicas analisadas concorda com a necessidade de reavaliar o diagnóstico, avaliar a presença de comorbidades, ou seja, de outras doenças, e adesão ao tratamento, ajustar a dosagem do antidepressivo e adicionar psicoterapia como os primeiros passos para quem não responde ao tratamento antidepressivo de primeira linha”, ressalta a pesquisadora. “Além disso, todas elas incluem a possibilidade de substituição do antidepressivo, potencialização com outros medicamentos, ou combinação de diferentes antidepressivos”, ressalta.

De acordo com Franciele, o estudo também revela pontos a serem melhorados nas recomendações das diretrizes. “Isso inclui apresentar uma definição padronizada de resposta adequada, inadequada ou parcial ao tratamento farmacológico da depressão e estabelecer o tempo necessário para declarar uma resposta, ou até mesmo a sua ausência”, destaca. “Cabe salientar que apenas algumas diretrizes apresentaram uma sequência clara de estratégias terapêuticas para pacientes nessa situação clínica.”

“É relevante destacar que as discrepâncias entre esses documentos podem conduzir os profissionais de saúde a hesitarem em aplicar as diretrizes clínicas na prática”, afirma a pesquisadora. “A melhoria da qualidade ajudaria nesse processo.”

Franciele afirma que a aceitação das diretrizes clínicas por profissionais da saúde é a chave para a implementação efetiva e a obtenção de um atendimento ideal ao paciente. “Os profissionais nem sempre têm tempo disponível e acesso à literatura confiável”, observa. “Assim, as diretrizes clínicas confiáveis auxiliam muito para a tomada de decisão. Nosso estudo mostra tópicos que podem ser revisados e aprimorados.”

Além da FCF e da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), o trabalho teve a participação de pesquisadores da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A elaboração do artigo contou com a colaboração do professor Airton Tetelbom Stein, da UFCSPA, da professora Daniela Oliveira de Melo, da Unifesp, Géssica Caroline Henrique Fontes-Mota, doutoranda da FCF, Itamires Benício dos Santos, mestranda da Unifesp, Aliandra Fantinell de Oliveira, candidata a mestrado da UFSM, professor Renério Fráguas, docente do Departamento e Instituto de Psiquiatria (IPq) da Faculdade de Medicina e do Hospital Universitário (HU) da USP e professora Eliane Ribeiro, da FCF.

Os resultados do trabalho serão apresentados nas disciplinas de diretrizes clínicas da UFCSPA e da Unifesp, com o objetivo de melhorar o conhecimento sobre o tema.

24/05/2022 – Assembleia Legislativa Estado do Rio Grande do Sul

Link:http://www.al.rs.gov.br/agenciadenoticias/destaque/tabid/855/IdMateria/328512/Default.aspx

Seminário na Área da Infância e Adolescência aborda Combate ao Abuso e à Exploração Sexual

O Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa do RS foi palco de um grande evento, que aconteceu durante toda a quarta-feira, 18 de maio. No Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual foi realizado o ll Seminário na Área da Infância e Adolescência, promovido pela Frente Parlamentar de Defesa da Criança do Adolescente, presidida pelo deputado Elizandro Sabino (PTB).

Durante a manhã, foi realizada a palestra sobre Autolesão em Crianças e Adolescentes, com o Dr. Jader Piccin, que é Médico pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Psiquiatra e Psiquiatra da Infância e Adolescência pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA),  Mestre do PPG Ciências Médicas e atua junto ao programa de Depressão na Infância e Adolescência. Ele abordou diversas questões relacionadas à autolesão, como o aumento dos comportamentos relacionados a esses casos, como avaliar adequadamente os riscos e quais as intervenções possíveis. Também foram destaque os índices de suicídio entre jovens e os conceitos a repeito dos temas, que podem ser relacionados a transtornos mentais.

Na sequência, a psicóloga e Comissária de Polícia Civil, Dra. Susana Braum, também Coordenadora do Departamento da Criança e do Adolescente por 26 anos, tratou sobre o Abuso Sexual Infantil, retratando sobre casos reais e como profissionais podem auxiliar nessas situações. Também foram pautas do encontro os indicativos, como dificuldade de aprendizagem, a criança não querer ir embora da escola, não querer ir para a casa de familiares, acordar de madrugada, ter pesadelos, ter um comportamento sexualizado que não é de acordo com sua idade, entre outros fatores. Ainda sim reforçou que existem famílias, mães e pais que não querem enxergar e, por isso, o trabalho dos profissionais que atuam em torno da criança é fundamental.

No período da tarde, o advogado criminalista, Dr. Lúcio Santoro de Constantino, abordou sobre a Agressividade Sexual: o abuso do inocente e o contexto probatório. Dr. Lúcio é Advogado Criminalista, Doutor em Direito pela UNISINOS, Mestre em Ciências Criminais pela PUCRS e Especialista em Ciências Criminais pela PUCRS. Em sua palestra foi possível compreender o papel e os deveres do legislativo, a respeito dos casos de abuso sexual, principalmente, o que deve ser feito quando se há provas do ato, que é se reportar às entidades responsáveis. Também foram retratados casos reais e quais foram as medidas cabíveis em cada situação, reforçando que é preciso ter toda uma rede de apoio à criança e ao adolescente.

Na sequência, a Psicóloga Dra. Dulce Bedin, Especialista em Psicologia Organizacional pelo Instituto de Desenvolvimento Global (IDG), Especialista em Saúde Pública (Curso de Formação de Sanitaristas) pela FIOCRUZ, Mestre em Psicologia Social pela PUCRS, Doutora em Psicologia pela PUCRS e Pós-Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UFRGS, tratou sobre a Banalização da Infância. Em sua palestra, a psicóloga reforçou que as crianças precisam entender desde sempre que elas são muito especiais e que o corpo delas é muito importante, e que para isso é preciso conhecê-las melhor e respeitá-las. Ainda destacou que falar sobre esses temas educa, previne e liberta, pois a base do abuso é o silêncio. Também foram abordados os dados a respeito do abuso sexual, que a cada hora 3 crianças/adolescentes são abusados no Brasil e 80% das vezes acontece dentro de casa. Por fim, foram tratadas as formas de prevenção e educação sexual.

Para finalizar esse dia repleto de assuntos fundamentais, a Promotora de Justiça, Dra. Denise Casanova Vilela, retratou os Desafios para implementação da lei da escuta protegida no Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente. A palestrante é Coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Infância, Juventude, Educação, Família e Sucessões, integrante da COPEIJ/GNDH/CNPG, Vice-Coordenadora da COPEIJ, Coordenadora da Comissão Permanente da Infância e Juventude do Grupo Nacional dos Direitos Humanos do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (COPEIJ/GNDH/CNPG). Dra. Denise abordou sobre a legislação, o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente, histórico e protocolos de entrevistas com as vítimas, normativas e medidas de proteção. Segundo a Promotora, é muito importante respeitar o testemunho das vítimas, conforme estudos realizados nos US, em 2002, com 2.384 crianças, concluíram que apenas 4% tinham achados científicos - clínico, por isso é fundamental a escuta. Exames psicológicos sem o relato da vítima podem ser detectados sinais e sintomas compatíveis com violência sexual, mas não traz algo concreto.

Segundo o proponente do Seminário, deputado Elizandro Sabino, “é fundamental promovermos ações para capacitar a todos que atuam diretamente com a criança e o adolescente, isso é uma coisa que percebo desde quando fui Conselheiro Tutelar da cidade de Porto Alegre. Muitas vezes, os profissionais que atuam na linha de frente em casos de abuso e exploração de crianças e adolescentes não recebem o devido preparo, isso é uma questão muito importante para ser abordada. Me alegra termos tantos municípios presentes aqui hoje, conselheiros tutelares, pré-candidatos ao Conselho Tutelar, professores, advogados, assistentes sociais e tantos outros representantes da área da infância e adolescência.”

A vereadora psicóloga Tanise Sabino esteve presente na ocasião representando a Câmara Municipal de Porto Alegre. Em suas palavras reforçou que “é um compromisso do meu mandato colocar a saúde mental na agenda da cidade, seminários como esse reforçam a importância de trazermos o abuso sexual, saúde mental, suicídio e automutilação para debate. O abuso deixa marcas, principalmente na saúde mental de crianças e adolescentes. Precisamos capacitar os profissionais para estarem aptos e preparados para esses casos. Agradeço ao deputado Sabino por, mais uma vez, proporcionar um seminário com uma temática tão fundamental para os gaúchos e reforço aqui que estamos caminhando juntos a favor da vida e da proteção de nossas crianças e adolescentes”, destacou a psicóloga.

Também marcaram presença no encontro o Presidente da Comissão Especial da Criança e do Adolescente da OAB/RS, Carlos Kremer e o Secretário Adjunto de Saúde de Porto Alegre, Richard Dias, entre demais autoridades.

17/05/2022 – Sul 21

Link: https://sul21.com.br/noticias/saude/coronavirus/2022/05/covid-19-estado-emite-avisos-para-todas-as-regioes-e-gt-sugere-avaliacao-sobre-mascaras/

Covid-19: Estado emite avisos para todas as regiões e GT sugere avaliação sobre máscaras

Número de casos confirmados praticamente duplicou nos últimos 10 dias no Rio Grande do Sul

Depois de nove semanas sem emissão de Avisos ou Alertas no Sistema 3As de Monitoramento, responsável pelo gerenciamento da pandemia no Rio Grande do Sul, o Grupo de Trabalho (GT) Saúde, após reunião realizada na terça-feira (17), emitiu Avisos para todas as 21 regiões Covid do Estado nesta quarta-feira (18). A emissão de Avisos pode ocorrer a qualquer momento, sem necessidade de deliberação por parte do Gabinete de Crise.

A decisão do GT Saúde ocorreu devido ao aumento acelerado de casos confirmados de covid-19 no Estado, que praticamente duplicou nos últimos dez dias. Entre 7 e 17 de maio, a incidência acumulada passou de 113,7 a cada 100 mil habitantes para 223,2.

Ao contrário das últimas semanas, o aumento da contaminação teve reflexo no número de internados em leitos clínicos. Entre suspeitos e confirmados, houve um crescimento de 47% em apenas nove dias – 339 casos em 9 de maio para 521 em 18 de maio. O número de internados em UTIs por covid-19 segue estável, fato já esperado devido à evolução natural da doença. No entanto, o GT Saúde espera aumento nas internações em UTIs nos próximos dias, sugerindo a avaliação pelos comitês regionais da utilização de máscaras em locais fechados.

Como o Estado também registra um elevado número de casos de outras doenças, entre elas a dengue, o aumento nas internações por covid-19 causa preocupação ao GT Saúde.

Para evitar o aumento do contágio, o governo do Estado reforça a importância de que a população busque a dose de reforço da vacina contra a covid-19. Cerca de 79,7% da população residente no Rio Grande do Sul está com o esquema vacinal primário (duas doses) completo, mas apenas 50,4% tomou a dose de reforço, completando o esquema vacinal.

Liberação

Em 28 de abril, o governo do Estado tornou facultativo o uso de máscaras de proteção em ambientes fechados. A liberação, no entanto, já estava em vigor na maioria dos municípios. Na Capital, por exemplo, o prefeito Sebastião Melo (MDB) anunciou ainda em 18 de março que a medida de proteção não era mais obrigatória em espaços fechados. Ao ar livre, a liberação já havia ocorrido em todo o Rio Grande do Sul em 17 de março.

Na época da liberação, o Sul21 ouviu especialistas que consideraram a medida “uma decisão política” e se mostraram apreensivos com os resultados da flexibilização em locais fechados.

“Estamos voltando para uma visão individual num momento em que se precisa de atitude coletiva. É decepcionante ver pessoas que tiveram um comportamento melhor durante a pandemia, jogar tudo isso fora agora. Só que com a vida dos outros”, opinou, na ocasião, a professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Cristina Bonorino.

17/05/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/vida/noticia/2022/05/o-sofrimento-solitario-das-disfuncoes-sexuais-masculinas-cl3acxikl0008019igxdc3qvq.html

O sofrimento solitário das disfunções sexuais masculinas

Especialistas da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina escrevem sobre um tabu da saúde dos homens

Muitos homens sofrem, de forma corriqueira, de dificuldades sexuais. Porém, menos de 25% deles conseguem vencer o constrangimento e chegar a uma consulta médica.

Os demais enfrentam longos períodos de insegurança, que resultam em afastamento de suas parceiras, ansiedade, depressão e solidão. Muitos recorrem a tratamentos por conta própria, adquiridos das mais diversas fontes e utilizados sem qualquer orientação médica.

A disfunção sexual que mais acomete os homens é a disfunção erétil, ou simplesmente impotência, que é a incapacidade de se obter, ou de se sustentar, uma rigidez peniana suficiente para o sexo. Várias são as razões para que essa condição apareça, e elas são mais frequentes do que se pensa.

As causas

A satisfação sexual está intimamente relacionada à saúde física e ao estilo de vida. Em indivíduos com menos de 40 anos, a disfunção erétil está mais comumente associada a questões psicológicas, como ansiedade, depressão, ou puramente estresse. Em pacientes mais velhos, problemas médicos como diabetes, hipertensão, doenças vasculares e alterações hormonais costumam estar presentes. Tabagismo, obesidade, sedentarismo, privação de sono… O que se observa na maioria dos casos é uma enorme variedade de fatores contribuindo, simultaneamente, para um desempenho sexual desfavorável. Oito entre os 12 medicamentos mais prescritos no mundo listam disfunção erétil como efeito colateral em suas bulas.

Sinal de alerta

Diversos estudos já demonstraram que a disfunção erétil pode antecipar, como um primeiro sinal de alarme, a ocorrência de eventos cardiovasculares, como infarto, AVC e morte súbita, em alguns anos. Então a consulta médica motivada por queixas sexuais é uma grande oportunidade para se avaliar a saúde geral. Simplesmente prescrever remédio nessa ocasião é um desserviço ao paciente.

A questão conjugal

Uma vida sexual problemática pode ser, ainda, indício de uma vida conjugal problemática. Não se pode esperar que relacionamentos conflituosos, por exemplo, contrastem com grandes performances sexuais. As dificuldades de convivência fazem parte do amplo espectro de fatores modificáveis que contribuem para a instalação e persistência das disfunções sexuais e que devem, como os demais, ser tratados.

Tratamento

O tratamento sofreu uma revolução com os medicamentos orais, eficazes especialmente quando parte de um tratamento amplo e individualizado. Interromper o cigarro, controlar o colesterol, perder peso e praticar atividade física melhoram significativamente a ereção.

Contudo, muitos pacientes necessitam de tratamentos mais invasivos, como injeções e implantes de próteses, cujas indicações devem ser discutidas com o urologista à luz de seus históricos de saúde, suas expectativas de resultado e os riscos envolvidos. Psicoterapia é, também, uma ferramenta fundamental, tanto no controle da ansiedade que cerca o mau desempenho, quanto na abordagem dos problemas de relacionamento e de autoestima. Todos os homens com disfunções sexuais merecem ser plenamente investigados e tratados. Para tanto, precisam ser francos a respeito de suas dificuldades, nem que seja entre as quatro paredes de um consultório médico. Falar sobre o assunto traz naturalidade e, mais do que isso, acolhimento. Nenhuma doença, muito menos a idade, deve ser justificativa para que um homem, ou um casal, abra mão da sua vida sexual.

(*) Urologista dos Hospitais Moinhos de Vento e Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre

(**) Professor de Urologia da Universidade Federal Ciências Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

Parceria com a Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina

Este artigo faz parte da parceria firmada entre ZH e a Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina (ASRM). A estreia foi em março, com a reportagem “Câncer: do diagnóstico ao tratamento”. Em abril, publicamos artigo sobre depressão e bipolaridade. Uma vez por mês, até dezembro, o caderno vai publicar conteúdos produzidos (ou feitos em colaboração) por médicos integrantes da entidade, que completou 30 anos em 2020 e atualmente conta com cerca de 90 membros e é presidida pelo otorrinolaringologista Luiz Lavinsky. De diversas especialidades — oncologia, psiquiatria, oftalmologia, endocrinologia etc —, esses profissionais fazem parte do Programa Novos Talentos da ASRM, que tem coordenação de Rogério Sarmento Leite e no qual são acompanhados por um tutor com larga experiência na área.

17/05/2022 – Jornal Diário do Nordeste

Link: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/ultima-hora/pais/alerta-de-ciclone-faz-porto-alegre-cancelar-aulas-em-escolas-e-universidades-1.3231959

Alerta de ciclone faz Porto Alegre cancelar aulas em escolas e universidades

O fenômeno pode causar rajadas de ventos acima de 100 km/h

Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, decidiu suspender as atividades presenciais nas escolas municipais, além de universidades, nesta terça-feira (17), devido ao alerta de tempestade subtropical no Estado. 

A Defesa Civil Nacional e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiram um aviso, nessa segunda-feira (16), sobre o ciclone, classificado como tempestade subtropical, que pode atingir a região Sul, principalmente RS e Santa Catarina, além de Paraná e do sul de São Paulo, a partir dessa terça-feira. Segundo os órgãos, o fenômeno pode causar rajadas de ventos acima de 100 km/h.

Devido ao alerta, o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), informou através das redes sociais que as aulas no ensino público da capital, nos turnos da tarde e da noite, estão suspensas nesta terça-feira.

As instituições de Educação Infantil conveniadas devem funcionar até 15h para que os pais e responsáveis possam pegar os filhos, segundo informações do portal Gaúcha ZH.

AULAS SUSPENSA NA REDE ESTADUAL

A Secretaria Estadual da Educação (Seduc) decidiu seguir a mesma estratégia e informou, à publicação, que estará de portas fechadas pela tarde e noite. Conforme o portal G1, pelo menos 23 cidades, que integram as coordenadorias regionais de educação de Guaíba e Rio Grande, não devem ter atividade. São elas:

(Veja os estados no link)

OUTROS MUNICÍPIOS SUSPENDEM AULAS

O Governo do Estado do Rio Grande do Sul orientou que, caso a Defesa Civil local julgue necessário, outros municípios têm a mesma autonomia e podem suspender as atividades escolares. Conforme o G1, além da Capital, outras localidades aderiram ao esquema.

ENSINO PRIVADO

O Sindicado das Escolas Particulares do Estado (Sinepe-RS) recomendou que as instituições de ensino privadas fiquem atentas à situação da própria região e sigam as orientações da Defesa Civil.

Já os estabelecimentos localizados em regiões de alto risco, a entidade orientou a suspensão das aulas no turno da tarde e da noite desta terça. O Sinepe-RS ainda afirma que as instituições têm autonomia para decidir sobre o funcionamento e a organização do calendário escolar.

UNIVERSIDADES

Em Porto Alegre e região, a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM - POA) suspendeu as aulas presenciais do período da noite desta terça. Já a UniRitter cancelou as atividades presenciais de terça, tarde e noite, e quarta-feira (18), manhã e tarde. Nas duas instituições, os encontros acontecerão remotos.

Já a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), nos campi de Porto Alegre e São Leopoldo, as aulas previstas foram migradas para o modo à distância. Na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), as atividades foram suspensas na tarde e noite desta terça, além da manhã de quarta.

A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) mudou para a modalidade online as aulas da graduação e pós-graduação desde a tarde desta terça até às 13h de quarta-feira. No entanto, as atividades presenciais de serviços à comunidade se mantêm até às 18h, quando o campus será fechado. As atividades administrativas e serviços serão retomados normalmente durante a manhã de quarta.

Por estar em meio às férias escolares, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) não tem aulas previstas para a semana. Mas os servidores e os terceirizados tiveram o expediente suspenso a partir das 12h desta terça.

A reitoria da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) informou, ainda na segunda-feira (16), a suspensão das atividades acadêmicas em todos os campi durante a terça-feira.

O campi Canoas, Guaíba, Gravataí, São Jerônimo e Torres da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) realizarão aulas remotamente no turno noturno desta terça. Em Cachoeira do Sul e Carazinho, as aulas presenciais estão mantidas. Em Santa Maria, não há atividades em razão do feriado municipal.  

17/05/2022 – Rádio Guaíba

Link: https://guaiba.com.br/2022/05/17/inter-manifesta-preocupacao-com-partida-pela-sul-americana-devido-ao-alerta-de-ciclone/

Inter manifesta “preocupação” com partida pela Sul-Americana devido ao alerta de ciclone

Jogos contra o Independiente Medellín está marcado para as 19h15min, no Beira-Rio

Em razão do alerta do ciclone Yakecan, que pode trazer ventos acima dos 100 km/h ao Estado nesta terça-feira, o Inter manifestou “preocupação” com a realização da partida contra o Independiente Medellín, pela Copa Sul-Americana, marcada para as 19h15min, no Beira-Rio.

“Diante de alertas climáticos emitidos por autoridades, o Sport Club Internacional manifestou oficialmente à Conmebol na manhã desta terça-feira sua preocupação com a realização da partida contra o Independiente Medellin, pela Copa Sul-Americana. Seguimos aguardando orientações e em contato com a Confederação Sul-Americana, colocando o Clube à disposição para qualquer medida que precise ser tomada”, disse o clube em nota.

O Yakecan começa a ganhar força nas próximas horas. Diversas escolas no Estado suspenderam as atividades, assim como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

17/05/2022 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/ambiente/noticia/2022/05/com-alerta-de-tempestade-mais-escolas-e-universidades-do-estado-suspendem-atividades-cl3a65y9e001d019imycyb5pj.html

Com alerta de tempestade, mais escolas e universidades do Estado suspendem atividades

Na Capital, rede pública não terá atividades nos turnos da tarde e da noite desta terça-feira (17)

O alerta para os efeitos da tempestade subtropical no Estado fez com que as aulas fossem suspensas em escolas de Porto Alegre. Além da Capital, pelo menos outros 31 municípios anunciaram suspensão de aulas presenciais nesta terça-feira (17). Em alguns, a medida continua até quarta-feira (18). 

 A rede pública de ensino da Capital não terá atividade presencial na tarde e noite desta terça-feira (17). O anúncio de cancelamento das aulas nas instituições municipais foi feito pelo prefeito Sebastião Melo no Twitter. 

Na publicação, o prefeito afirmou que a medida visa “preservar alunos e equipes”, e que “a decisão se estende à rede conveniada”. 

As escolas de Educação Infantil conveniadas ficam abertas até 15h para que os pais possam buscar seus filhos.

Na mesma linha, a Secretaria Estadual da Educação (Seduc) informou que a rede estadual, na Capital, também estará de portas fechadas pela tarde e noite. O Governo do Estado orienta ainda que, caso a Defesa Civil local julgue necessário, outros municípios têm a mesma autonomia e também poderão suspender as aulas.

Canoas estendeu a medida: além de não abrir nesta terça (17), as instituições municipais se manterão fechadas na quarta-feira (18). O Ensino de Jovens e Adultos (EJA) seguirá a mesma orientação. Já na Educação Infantil, tanto de responsabilidade do município quanto na rede conveniada, os pais devem buscar seus filhos antes do horário regular, para evitar que algum aluno esteja exposto durante as rajadas de vento previstas.

Também na Região Metropolitana, em Gravataí, as aulas do turno da tarde da rede municipal foram suspensas nesta terça-feira (17), e a orientação é que os pais de alunos da Educação Infantil busquem os filhos mais cedo nas escolas. A Secretaria Municipal de Educação ainda deve informar se haverá ou não aulas na quarta-feira (18).  A situação é a mesma em Alvorada: sem aulas na terça (17) e ainda em monitoramento e avaliação para definir como será a quarta (18) nas escolas do município. 

Ainda na Região Metropolitana, Glorinha, Cachoeirinha, Eldorado do Sul, Guaíba e São Jerônimo tiveram aulas suspensas.

No Litoral Norte, Capão da Canoa também dispensou os alunos de atividades presenciais e Torres deve suspender as aulas a partir do turno da noite desta terça-feira (17).

A 13ª Coordenadoria Regional de Educação informou que as aulas estão suspensas em escolas estaduais em Bagé, Dom Pedrito, Hulha Negra, Caçapava do Sul, Aceguá e Candiota, na Região da Campanha, e Lavras do Sul, na Região Central. 

Escolas particulares

O Sindicato do Ensino Privado (Sinepe/RS) enviou uma orientação às escolas particulares, reiterando a autonomia dos diretores, mas sugerindo que, em locais mais expostos, os gestores evitem receber profissionais e estudantes. Nas regiões de risco, a recomendação é de suspensão de aulas dos turnos da tarde e da noite.

Universidades

A suspensão de aulas ou manter apenas atividades online também uma decisão de universidades do Estado. Ao menos quatro universidades informaram mudanças: a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) não terão aula à tarde e na noite desta terça (17).

A Unisinos cancelou as atividades presenciais, transferindo os encontros para o ambiente remoto, a partir da plataforma online. A medida vale para os campus de São Leopoldo e de Porto Alegre. Em nota, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) informou a suspensão das atividades acadêmicas e administrativas presenciais na tarde e noite desta terça (17) e na manhã de quarta-feira (18). 

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) também suspendeu atividades presenciais a partir do meio-dia desta terça-feira. 

A UniRitter suspendeu as atividades presenciais da tarde e da noite desta terça-feira (17) e da manhã e tarde de quarta-feira (18).  As atividades e atendimento acontecem nas plataformas digitais.

A Ulbra também realizará atividades exclusivamente online em Canoas, Guaíba, Gravataí, São Jerônimo e Torres. As aulas dos campi Cachoeira do Sul e Carazinho permanecem de forma presencial. Devido ao feriado municipal, em Santa Maria, não haverá aulas.

A Fundação do Ministério Público (FMP) suspendeu aulas e expediente nesta terça e quarta-feira. A ESPM também transferiu as atividades para as plataformas online.

As aulas presenciais que aconteceriam no campus do Imed que fica na Rua Dona Laura também serão online nesta terça (17) e quarta-feira (18). Os atendimentos odontológicos serão remarcados.

No Vale do sinos, a Feevale mudou a modalidade de ensino hoje durante tarde e noite e na quarta-feira (18) pela manhã. A Escola de Aplicação continuará com aula online durante toda a quarta-feira. Também na região, a Faculdade EST suspendeu as aulas presenciais nesta terça. A instituição avaliará a situação antes de orientar sobre a quarta-feira (17).

A  Pontifica Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) também adotou mesma medida e as aulas serão somente remotas a partir das 18h, tanto para cursos de graduação quanto pós-graduação.

A Fadergs decidiu que as atividades previstas para a tarde e a noite desta terça-feira, além da manhã e da tarde de quarta-feira, devem ocorrer na modalidade online, com atendimentos por meio dos canais digitais.

Sul do RS

Devido ao temor pelos estragos que a tempestade subtropical Yakecan pode causar, diversas prefeituras da região sul do Estado anunciaram suspensão das aulas nesta terça (17).

Em Pelotas, uma postagem desta manhã no Instagram da administração municipal avisa que estão suspensas as aulas dos turnos da tarde e da noite. A mensagem ampliou as restrições informadas na noite de segunda (16), que previam o cancelamento apenas das atividades noturnas.

Em Rio Grande, além das aulas da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), as atividades da rede municipal também estão suspensas.

Também haverá cancelamento dos trabalhos em escolas de São José do Norte, Santa Vitória do Palmar, Chuí, Capão do Leão, Jaguarão, Pedro Osório, Piratini, Pinheiro Machado e Turuçu.

17/05/2022 – Correio do Povo

Link:https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/ensino/porto-alegre-suspende-aulas-da-rede-municipal-devido-ao-alerta-de-ciclone-1.823364

Porto Alegre suspende aulas da rede municipal devido ao alerta de ciclone

Medida vale para os turnos da tarde e noite de hoje

A prefeitura de Porto Alegre anunciou nesta terça-feira a suspensão de aulas da rede municipal nos turnos da tarde e noite de hoje por conta do alerta do ciclone Yakecan, que pode trazer ventos acima dos 100 km/h. Segundo a administração municipal, a medida foi tomada como forma de preservar a segurança dos alunos e das equipes de ensino. A decisão, conforme a Capital, também vale para instituições conveniadas.

A medida também tem sido adotada em cidades da Região Metropolitana, como Gravataí, Cachoerinha e Glorinha, e por outros municípios do estado. Eldorado do Sul anunciou a suspensão de aulas da rede municipal em razão da previsão de fortes ventos. Em Rio Grande, não terá aulas hoje nas escolas municipais e universitárias da cidade.

Em Pelotas, a rede municipal também acatou a decisão.  A medida é válida para Ensino Fundamental, Médio e EJA. No município, a Faculdade Anhanguera também suspendeu as atividades presenciais nesta terça-feira.

A Defesa Civil Estadual está em alerta máximo com o ciclone. De acordo com o coordenador do órgão, coronel Júlio César Rocha Lopes, as pessoas devem se abrigar em casa e não ficar embaixo de árvores e postes.

O coordenador, que aparece em vídeo ao lado do governador do RS, Ranolfo Vieira Júnior (PSDB) também afirma que a população deve ficar atenta com animais domésticos e procurar dar assistência à população em vulnerabilidade social, orientando para que este público acesse as prefeituras e defesas civis municipais para ficarem protegidos.

UFCSPA segue medida

Ainda na manhã desta terça-feira, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) também anunciou a suspensão das aulas. "Devido ao alerta meteorológico emitido pelos órgãos oficiais e o alerta da Defesa Civil de Porto Alegre, as aulas presenciais da tarde e noite desta terça-feira e da manhã desta quarta-feira foram suspensas na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) também foram suspensas", diz a nota.

17/05/2022 – Correio do Povo

https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/ensino/ufrgs-suspende-aulas-em-raz%C3%A3o-do-alerta-de-ciclone-1.823439

UFRGS suspende aulas em razão do alerta de ciclone

Outras instituições, com a UFCSPA, também anunciaram a mesma medida

Assim como outras instituições de ensino do Estado, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) anunciou nesta terça-feira a suspensão das atividades por conta do alerta do ciclone Yakecan, que pode trazer ventos acima dos 100 km/h. A medida vale após o meio-dia.

“O documento indica que não haverá prejuízo do Calendário Acadêmico. O disposto na portaria não se aplica às atividades consideradas essenciais, sejam de caráter permanente, temporário ou eventual, conforme critério das Direções das Unidades e Órgãos da Administração Central”, completa a universidade em nota.

A UFRGS também informou, através da Divisão de Alimentação da PRAE, que não será servido jantar nos Restaurantes Universitários nesta terça-feira. O almoço será servido normalmente. Mais cedo, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) também anunciou a suspensão das aulas. A Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas, anunciou a mesma medida.

Municípios suspendem aulas

A prefeitura de Porto Alegre anunciou também a suspensão de aulas da rede municipal nos turnos da tarde e noite de hoje por conta do alerta do ciclone Yakecan. Segundo a administração municipal, a medida foi tomada como forma de preservar a segurança dos alunos e das equipes de ensino. A decisão, conforme a Capital, também vale para instituições conveniadas.

A medida também tem sido adotada em cidades da Região Metropolitana, como Gravataí, Cachoerinha, Glorinha, Alvorada e por outros municípios do estado.

16/05/2022 – Câmara Municipal de Jataí

Link: https://www.jatai.go.leg.br/galerias/videos/programa-doacao-de-corpos-para-a-ciencia-prof-dr-manoel-brandes-nazer-unisc

Programa doação de corpos para a ciência (prof. dr.Manoel  Brandes Nazer-UNISC)

Graduado em Ciências Biológicas Ecologia/Bacharelado pela Universidade de Santa Cruz do Sul (2002), mestre (2009) e doutor (2014) em Neurociências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS. Foi técnico do Laboratório de Anatomia Humana da Universidade de Santa Cruz do Sul no período de 1998 à 2010. Atualmente é docente na área de Anatomia Humana e Coordenador da Comissão de Ética no Uso de Animais/CEUA-UNISC. Docente na área de Anatomia Humana na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e na Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC). Tem experiência na dissecação de cadáveres e na pesquisa/extensão relacionadas a área de Morfologia/Educação, com ênfase em Anatomia Humana, atuando principalmente nos seguintes temas: anatomia humana.

13/05/2022 – Portal Fundação Hospitalar Getúlio Vargas

Link: http://www.fhgv.com.br/home/2022/05/voz-e-violao-homenageia-profissionais-de-enfermagem-pelos-corredores-do-getulio-vargas-2/

Voz e violão homenageia profissionais de enfermagem pelos corredores do Getúlio Vargas

Desde o último dia 11, ocorre a Semana da Enfermagem da Fundação Hospitalar Getúlio Vargas (FHGV). Na programação do Hospital Municipal Getúlio Vargas (HMGV), a coordenadora do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Sapucaia do Sul, Letícia Santomé, tratou do tema “O ambiente da saúde e a paixão pela enfermagem”. Posterior, aconteceu homenagem aos enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem com música pelas diferentes unidades do Getúlio Vargas num momento de voz e violão proporcionado pelo aluno do curso de Música das Faculdades EST, Matheus Raaber.

“A gente precisa dar um tempo quando assume desafios para que possamos conhecer melhor a unidade de saúde que a gente vai trabalhar. Assim, percebemos como a gente é capaz de criar as oportunidades. Nunca somos o cargo que ocupamos porque a gente está, temporariamente, numa função. Não devemos perder a nossa essência como enfermeiro, técnico ou auxiliar de enfermagem. Vale a pena aceitar os desafios, porque eles nos trazem uma bagagem, uma experiência, e o conjunto delas, é que vai nos tornar profissional. Nós devemos nos valorizar enquanto enfermagem, porque a gente tem uma profissão cheia de diversidade e oportunidades”, afirmou Letícia, que é mestre em Ensino na Saúde pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

Para a gerente assistencial e responsável técnica de enfermagem do HMGV, Raquel Froner, a Semana de Enfermagem oportuniza que ocorram encontros para a discussão dos temas relacionados a profissão e também sejam intensificadas ações de incentivo e valorização da profissão. Raquel atua no Getúlio Vargas há 13 anos e já esteve a frente do trabalho desenvolvido na emergência da instituição. A Semana de Enfermagem está sendo organizada pela Assessoria Técnica da Direção de Atenção à Saúde, pelo Instituto de Ensino e Pesquisa e pela Unidade de Comunicação da Fundação. Os participantes das diferentes unidades geridas pela FHGV vão receber certificado.

PROGRAMAÇÃO

Quarta-feira – 18/05 / Hospital Tramandaí

10h – Palestra: “O papel do enfermeiro no atendimento do paciente com acidente vascular cerebral e um ano de criação da Linha de Cuidado do AVC”.

Palestrantes: Quele Goulart – enfermeira chefe da emergência do Hospital Tramandaí; Marcelo de Castro Klu, enfermeiro do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e coordenador do Departamento de Enfermagem Neurovascular da Associação Brasileira de Enfermagem em Neurologia e Neurocirurgia; e Diógenes Guimarães Zãn – coordenador da Linha de Cuidado do AVC da FHGV.

11h: Coffee Break.

11h45: Voz e violão dos alunos do curso de Música das Faculdades EST pelos corredores do HT.

Quinta-feira – 19/05 – / Hospital Tramandaí

10h30 – Palestra virtual: “A humanização do atendimento”.

Palestrante: Carine Nied – relações públicas e comunicadora sanitarista com mestrado em Saúde Coletiva pela Universidade Nacional de Brasília e consultora e pesquisadora da Fundação Osvaldo Cruz no Observatório.

Quinta-Feira – 19/05 / UPA de Sapucaia do Sul

9h30: “Workshop: Cabelo, maquiagem e EPI no ambiente de trabalho”.

Ministrantes: Ana Carolina Longoni de Castro Vicente – cabeleireira; Caroline Schoffler – maquiadora e consultora de beleza e Marcieli Budel Reidel – enfermeira do trabalho do HMGV.

Local: sala de reuniões da UPA.

11h: SPA da Beleza com diagnóstico e tratamento de cabelos e maquiagem.

Sexta-feira – 20/05 – Dia do Técnico de Enfermagem / Clisam Sapucaia do Sul

8h: “Momento especial para técnicos de enfermagem”.

13h – Palestra: “Atualização da vacinação de gestantes”.

Palestrantes: Zenahya Chagas – enfermeira coordenadora da Clisam e enfermeira Elisabete Moreira.

Local: sala de reuniões.

16h: Voz e violão dos alunos do curso de Música das Faculdades EST pelos corredores da Clisam.

Sexta-feira – 20/05 – Dia do Técnico de Enfermagem / Hospital Municipal Getúlio Vargas

9h: “Workshop: Cabelo, maquiagem e EPI no ambiente de trabalho”.

Ministrantes: Ana Carolina Longoni de Castro Vicente – cabeleireira; Caroline Schoffler – maquiadora e consultora de beleza e Marcieli Budel Reidel – enfermeira do trabalho do HMGV.

Local: auditório da Sede FHGV.

11h: SPA da Beleza com diagnóstico e tratamento de cabelos e maquiagem.

Local: sala de aula 2 do HMGV.

Sexta-feira – 20/05 – Dia do Técnico de Enfermagem / UPA de Sapucaia do Sul

9h: “Momento especial para técnicos de enfermagem”.

Local: sala de reuniões.

9h30: Voz e violão dos alunos do curso de Música das Faculdades EST pelos corredores da UPA.

18h: “Momento especial para técnicos de enfermagem”.

18h30: Voz e violão dos alunos do curso de Música das Faculdades EST pelos corredores da UPA.

Local: sala de reuniões.

13/05/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/05/rs-entra-em-nova-onda-da-covid-19-com-menor-repercussao-em-casos-graves-cl34spkrl000i019ic71m12pt.html

RS entra em nova onda da covid-19, com menor repercussão em casos graves

Médicos pedem que população use máscaras em ambientes fechados e busque postos de saúde para atualizar o calendário vacinal e evitar agravamento da situação

Após flexibilizar o uso de máscaras em ambientes fechados e atingir 50% da população com dose de reforço, o Rio Grande do Sul segue tendência mundial e adentra uma segunda onda de casos da covid-19 pela variante Ômicron, mostram estatísticas do Ministério da Saúde analisadas por GZH nesta sexta-feira (13).

O aumento de infecções iniciou no fim de abril e se consolida em maio. Por enquanto, a maior transmissão trouxe aumento tímido nas internações em leitos clínicos, destinados a casos de menor gravidade. Ainda não há repercussão em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e em mortes — ambos os indicadores levam de três a quatro semanas para mudar após nova tendência em casos.

Em média, 2,9 mil gaúchos oficialmente se contaminaram diariamente na última semana, 44% acima do registrado há duas semanas — há de se levar em conta que os números reais podem ser maiores, em meio à possibilidade de autoteste em casa. O número ainda é distante do ápice de contaminação da onda de Ômicron, quando, no fim de janeiro, mais de 17 mil pessoas se infectavam diariamente.

A ocupação de leitos clínicos também começou a crescer no fim de abril - nesta sexta-feira, havia 279 pacientes com coronavírus internados, crescimento de 21% frente a duas semanas atrás. Em março do ano passado, eram 5,3 mil.

Nas UTIs, há estabilidade: 79 pacientes, igual ao registrado há 14 dias e patamar distante do pior momento da pandemia, quando mais de 2,6 mil gaúchos estavam hospitalizados em estado gravíssimo. O número de mortes também está estável, com média de sete vítimas diárias na última semana.

Uma segunda onda de covid-19 gerada pela variante Ômicron ocorreu em diversos países que desobrigaram o uso de máscaras em ambientes fechados — no geral, houve aumento em hospitalizações e mortes, mas menor do que na primeira onda da variante, com a exceção da Alemanha, mostram estatísticas do Our World in Data. Especialistas dizem que não há como saber, ainda, para qual caminho o Brasil irá.

— Temos aumento de casos bem substancial. O que está acontecendo é o que aconteceu em todos os países que retiraram máscaras em locais fechados: os casos aumentam, já que a variante é altamente transmissível. Devemos ter algum aumento em UTIs e óbitos, mas não tão pronunciado. Não temos como saber como será por aqui: na Alemanha, o segundo pico da Ômicron foi maior do que o primeiro, mas em outros, não — diz Alexandre Zavascki, chefe da Infectologia do Hospital Moinhos de Vento e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

A nível nacional, o Brasil voltou, nesta semana, a ter uma média diária de mais de 100 mortes por coronavírus. Seis Estados demonstram tendência de piora da epidemia: Mato Grosso do Sul, Paraná, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Alagoas.

A nível internacional, a autoridade sanitária da União Europeia, o ECDC, elevou nesta sexta-feira as subvariantes da Ômicron BA.4 e BA. 5 à classificação de "variantes de preocupação" — o que as coloca ao lado da Ômicron, Delta e Gama. É a primeira autoridade sanitária mundial a fazer isso, o que sugere o potencial das cepas de reinfectar quem já teve coronavírus.

O aumento do número de casos no Rio Grande do Sul ocorre, felizmente, em cenário de alta vacinação: metade da população tem três doses e quase 80%, duas. Mas analistas destacam que a cobertura precisa avançar mais (40% dos gaúchos ainda precisa tomar o reforço) e rogam que a população busque postos de saúde para se vacinar — e, assim, reduzir ao mínimo o risco de mortes, sobretudo entre idosos. Como a imunidade gerada por infecção pela Ômicron dura pouco, há chance de a nova onda causar aumento de hospitalizações e mortes, avalia Zavascki.

— A pessoa pode raciocinar apenas para ela: pensar que, estando vacinada, pegará covid e que será parecido com uma gripe. Mas, em saúde pública, é preciso pensar que teremos muitas pessoas adoecendo ao mesmo tempo, e que algumas mais vulneráveis, com fragilidades no sistema imunológico, serão afetadas mais gravemente — acrescenta o infectologista.

A médica epidemiologista Lucia Pellanda, professora na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), destaca que a nova onda pode ser contida se a população voltar a usar máscaras em ambientes fechados, para além de vacinar-se. Ela diz que o momento atual não exige preocupação “no sentido de estresse, mas sim no sentido de ter mais cuidado”.

— Não precisa voltar para casa. Dá para fazer tudo: viajar, encontrar amigos, trabalhar, desde que tenhamos o cuidado de manter máscara no local fechado. Agora, voltar tudo ao normal e tirar a máscara em ambiente fechado em um momento no qual 40% das pessoas precisa tomar terceira dose é pedir para dar errado. Quem tomou três doses e pegou covid fraca, ótimo. Na maior parte dos casos, vai ser uma gripe, mas em alguns casos pode ser covid longa, com repercussão a longo prazo que não conhecemos bem — diz Pellanda.

Adota visão mais otimista o médico Alessandro Pasqualotto, presidente da Sociedade Gaúcha de Infectologia (SGI) e chefe da Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, para quem a nova onda de casos não causa grande preocupação.

O médico diz que a alta cobertura vacinal do Estado deve segurar uma piora acentuada, mas pede que a população mantenha o calendário vacinal atualizado com segunda, terceira e quarta dose, se necessário, para reduzir ao mínimo o impacto das infecções em idosos e outros grupos vulneráveis.

— É uma nova onda, mas muito distinta das ondas anteriores por ser pequena. Esse aumento é esperado: tivemos liberação mais intensa do uso de máscaras no último mês e as pessoas passaram a viver o mais próximo do normal. Não estou preocupado com o aumento em si enquanto não houver repercussão em aumento de internações e mortes. Se tivermos um cenário no qual leitos hospitalares voltem a ser ocupados de forma preocupante, precisaremos rever o que temos e voltar a requisitar máscaras em ambientes fechados. Mas não é o que ocorre agora e não acho que isso vá ocorrer. O que precisamos é reforçar a importância da vacinação — diz Pasqualotto.

Quarta dose para adultos?

O médico infectologista Alexandre Zavascki destaca a necessidade da quarta dose para idosos e pessoas com imunossupressão, mas explica que os estudos não demonstraram, até o momento, necessidade de nova dose para adultos saudáveis.

— O que tem saído agora de estudos é que agora, com a distância de tempo que temos da terceira dose, o benefício da quarta dose ainda não está bem demonstrado. Não quer dizer que não precisaremos tomar em algum momento, mas, agora, não há efeito claramente demonstrado para não idosos — diz Zavascki.

12/05/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/politica/noticia/2022/05/especialistas-dizem-que-a-formacao-de-jovens-politizados-passa-por-uma-educacao-mais-critica-e-de-qualidade-cl32407v5008u019iut5ytp5u.html

Especialistas dizem que a formação de jovens politizados passa por uma educação mais crítica e de qualidade

O ex-deputado constituinte Hermes Zaneti, que ajudou a aprovar o voto facultativo aos 16 e 17 anos, diz que os jovens precisam ver que suas vidas estão entrelaçadas com as escolhas políticas

Rafaela José Borges, 22 anos, estudante de Odontologia da  Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), enxerga a desesperança política em parte da sua geração. Defensora ferrenha de melhorias no ensino público e crítica das atuais políticas públicas para o setor, Rafaela diz que os jovens precisam se sentir representados em discussões que impactam suas vidas.

— O fato de muitos jovens terem abandonado a política vem de uma herança que a gente ouve de que, embora a gente participe, não vai mudar nada, porque todos os candidatos são iguais. É muito importante votar. É uma escolha que a gente vai fazer para o nosso futuro — defende Rafaela.

— Uma coisa que está clara é que os jovens deixam a política de lado para tentar não se incomodar ou porque acham que é um assunto muito complexo. E por achar que não adianta participar porque as coisas não mudam — avalia a cientista política Ana Julia Bernardi.

Em sua investigação de doutorado, ela analisou as diferenças de respostas dos jovens de escolas públicas e privadas, centrais e de periferia, no questionário do Nupesal/UFRGS. Entre as conclusões, está o fato de que, quanto maior a qualidade da educação oferecida aos alunos, maiores também as chances de interesse em política.

— Sempre falo das juventudes, no plural. Existe essa juventude mais politizada, e isso está relacionado a níveis mais críticos de educação, a currículos mais críticos. Esses jovens têm maior tendência à politização — resume ela.

Em outras palavras, uma sociedade que efetivamente valorize a democracia e as novas gerações deve garantir um ensino de qualidade e crítico, permitindo que os jovens ultrapassem as limitações de seus círculos familiares e sociais.

— A  escola tem um papel muito importante. O mais importante é investir em educação pública de qualidade. Promover o pensamento crítico — acrescenta Ana Julia.

O que os estudiosos explicam é que o valor da democracia, o funcionamento da política e as expressões da cidadania não são conhecimentos naturalmente adquiridos. Esses saberes dependem de investimento permanente da sociedade na formação dos jovens.

— As crianças não são criadas em um ambiente politizado, e se espera que aos 16 anos tirem o título de eleitor e votem. A escola tem um papel crucial nesse processo. Os professores precisam se empoderar. A escola precisa funcionar como um espaço de liberdade controlada onde as coisas possam ser discutidas — diz a psicanalista Aline Santos e Silva.

Aumentar a capacidade crítica dos alunos depende de uma educação menos conteudista e mais preocupada em formar cidadãos.

A afirmação é da diretora do Centro em Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Claudia Costin, que defende salas de aula com professores abertos às diferentes ideias dos alunos e sem margem para a censura reivindicada hoje por alguns grupos políticos.

— Sem dúvida há grupos atuando para evitar o debate em sala de aula. É importante pensar que, se por um lado, o professor apresentar uma verdade como única é errado, também é errado não discutir os temas. As direções de escolas devem evitar censurar professores — afirma Claudia, que também é professora visitante em Harvard (EUA).

Gabriel Michelin Lund, 17 anos, critica a falta de espaços de reflexão política em sala de aula. Ele faz parte do grupo que já tirou o título de eleitor e alerta que o país está em um “momento decisivo”.

— A discussão política sempre esteve bem presente na minha vida. A escola é um espaço oportuno para esse tipo de discussão. Porém, muitas vezes o colégio não oportuniza isso. Eu venho de Viamão, me mudei agora para Porto Alegre, e percebi que os interesses políticos variam muito — diz Lund.

Estudante de Medicina da Universidade Federal das Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Gabriel Neto Ferreira, 19, reivindica que as faculdades ajudem a compreender os problemas sociais. Ferreira lembra que o sentimento de mudança é comum à juventude, mas pondera que o movimento estudantil perdeu força, deixando os jovens desorganizados.

— O debate na internet é complicado. Escola e faculdade são ambientes importantes de discussão política, pois são locais de formação. Não só a política de candidatos, mas de projetos, debater os problemas sociais que afetam o país — avalia o universitário.

O que eles querem discutir

O voto facultativo dos jovens de 16 e 17 anos foi uma novidade estabelecida pela Constituição de 1988. O direito desse grupo ao voto passou por uma grande mobilização nacional, que envolveu movimentos estudantis e a insistência de um gaúcho: Hermes Zaneti, do MDB. O então deputado constituinte foi o autor da proposta que rendeu debates acalorados com opositores. Eles o acusavam de estar dando direitos políticos a “irresponsáveis”, “imaturos” e jovens que promoveriam a “revolução cultural”.

— Havia medo da juventude. Com certeza, essa é a palavra certa: medo da juventude — relembra Zaneti.

A proposta foi aprovada pelos constituintes com 355 votos a favor, 98 contra e 38 abstenções, para a felicidade dos cerca de 600 jovens que, das galerias, acompanhavam a sessão. Aquela aprovação contou com o apoio crucial do mais idoso dos constituintes, o senador Affonso Arinos (PFL-RJ), que tinha 83 anos.

Passadas mais de três décadas, Zaneti segue um entusiasta da juventude e defensor de que as escolas assumam o seu papel político. É preciso que os professores façam os alunos perceberem que suas vidas estão entrelaçadas com as opções políticas: o preço do ônibus, o salário do professor, a construção de escolas, o salário mínimo, elenca Zaneti.

— A política deve ser tema de aula — resume.

A valorização da democracia e da opinião do outro é um processo que deve começar ainda na infância, diz a psicanalista Aline Santos e Silva. Estratégias simples como votar o que a família vai jantar ajudam a formar cidadãos autônomos que se sentirão motivados a participar das decisões coletivas e respeitar os argumentos alheios, ela exemplifica.

Aos adultos, é preciso manter uma postura permanente de abertura à contestação das novas gerações, defende Zaneti.

— O pai, a mãe, o avô, a avó, o irmão mais velho que estiver diante de uma contestação de um filho, de um neto, de um irmão mais novo, abra espaço, dê lugar, ouça, independente do que pensemos. Por que ter medo dos jovens? — questiona o ex-deputado.

Em 2 de outubro, Malena Irala Caminha terá motivos para comemorar em dobro. Ela vai atingir a idade mínima para votar no dia das eleições e, por isso, pôde tirar o título de eleitor.

— Essa será uma das eleições mais importantes que vamos ter e eu queria muito tirar o título. Foi muito simples, eu fiz online — conta Malena, que é defensora de pautas sociais e dos direitos LGBT+.

Faixa etária e geração não são a mesma coisa. A primeira está ligada apenas à idade. A segunda diz respeito à experiência de viver em um momento da história, com suas questões específicas. O combate ao racismo, ao machismo, à homofobia e a outras formas de preconceito dão o tom do novo tempo. Essas pautas aparecem quando os jovens são perguntados sobre o que a sua geração tem de distinto, na comparação com as anteriores.

— Uma diferença bem marcante é que a gente tem uma liberdade de expressão maior. E a questão de aceitar os tipos diferentes de gênero e sexualidade: as pessoas estão aceitando cada vez mais — explica o estudante João Pedro Ulguin Pires.

A estudante Rafaela Borges diz que essas pautas têm a meta de deixar a sociedade mais confortável para todos os grupos, e não só para alguns:

— Debates importantes estão surgindo, sobre machismo, direito da mulher, racismo, questões sexuais e dos LGBTs. Esta geração vem para deixar uma sociedade mais confortável para todos.

Os jovens também percebem que o mundo político não espelha a diversidade das ruas e demandam aumento de representatividade nos espaços de poder.

— Representatividade é importante em todos os âmbitos. Tirando isso, escuto bastante gente da minha idade falar de estudo e oportunidades de trabalho — aponta o estudante Kauã Guedes Guerreiro.

Antigas demandas dos brasileiros, o combate à fome, a geração de empregos e a preservação do meio ambiente são os valores sociais que aparecem em primeiro lugar entre jovens. Foi o que indicou a já citada pesquisa do Ipec divulgada em setembro de 2021.

08/05/2022 – Portal Camaquã

Link: https://www.portaldecamaqua.com.br/noticias/46694/vencedores-do-unicred-porto-alegre-health-alliance-sao-premiados-na-south-summit-brazil.html

Vencedores do Unicred Porto Alegre Health Alliance são premiados na South Summit Brazil

Os projetos na área da Saúde receberam prêmios em dinheiro, além de mentorias e outras capacitações em empreendedorismo e inovação

As equipes vencedoras do Unicred Porto Alegre Health Alliance – Programa de Inovação e Empreendedorismo na área da Saúde –  chamaram a atenção do público para seus projetos, na tarde da sexta-feira, dia 6 de maio de 2022, ao receberem suas premiações no último dia de realização da South Summit Brazil Porto Alegre, um dos eventos mundiais de maior prestígio voltado à inovação e startups.

A entrega, realizada no estande da Prefeitura Municipal no espaço da feira, contou com a presença do presidente da Câmara de Vereadores, Idenir Cechim; do chefe de Gabinete do prefeito Sebastião Melo, André Flores Coronel; do secretário do Planejamento e Assuntos Estratégicos, Cezar Schirmer; do secretário de Inovação, Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, do diretor-Geral da Unicred Porto Alegre, João Batista Loredo de Souza, assim como dos representantes das demais realizadoras do programa.

Projetos premiados

O vencedor do programa Unicred Porto Alegre Health Alliance, a receber o 1º prêmio na South Summit Brazil Porto Alegre foi o projeto "Mosquitoramento". O dispositivo, considerado de baixo custo, permite detectar por meio de áudio o mosquito Aedes Aegypti, que provoca a doença da dengue. A equipe representada por Luiz Felipe de Moura, recebeu o prêmio em dinheiro de R$ 10 mil. Eles agradeceram a oportunidade oferecida pelos realizadores e já buscam apoio para o aperfeiçoamento do projeto.

No 2º lugar, a equipe Inn Power, de Giulia Lopes, recebeu o prêmio de R$ 7 mil com o projeto "Amparo", um aplicativo, já em fase de protótipo, idealizado para dar acompanhamento de saúde com mais qualidade ao público idoso. Formada em Odontologia, Giulia disse estar feliz com este reconhecimento, uma vez que a criação do projeto se deve a uma experiência pessoal na família e que agora poderá beneficiar muitas pessoas.

O projeto “PRAVC" - uma plataforma capaz de inovar e otimizar o trabalho fisioterapêutico no tratamento dos pacientes com AVC, em 3º lugar, foi premiado com R$ 3 mil. O estudante do curso de Fisioterapia, José Laurito, recebeu a premiação em nome de sua equipe.

O 4º lugar, da equipe Lauduz, foi representada por Wilson Zatt. O projeto Healthtech de telemedicina B2B, focada em hardware, que prevê tornar as teleconsultas mais completas e acessíveis, recebeu uma série de incentivos. Entre eles, horas de mentorias sobre empreendedorismo, inovação, negócios, mercado financeiro, participação em eventos; e capacitações em empreendedorismo e inovação.

Participaram de forma colaborativa de toda a construção e realização do programa a Unicred Porto Alegre, Aliança para a Inovação (UFRGS, PUCRS e UNISINOS), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Católica de Pelotas (UCPEL), Universidade Feevale, Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Hospital São Lucas da PUCRS (HSL), Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Hospital Ernesto Dornelles (HED), Hospital Mãe de Deus, Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, Fundação Médica do Rio Grande do Sul (FUNDMED), GROW+, Ventiur, Kital, o movimento Pacto Alegre e a Associação Gaúcha de Startups (AGS)

Os projetos na área da Saúde receberam prêmios em dinheiro, além de mentorias e outras capacitações em empreendedorismo e inovação

As equipes vencedoras do Unicred Porto Alegre Health Alliance – Programa de Inovação e Empreendedorismo na área da Saúde –  chamaram a atenção do público para seus projetos, na tarde desta sexta-feira (06), ao receberem suas premiações no último dia de realização da South Summit Brazil Porto Alegre, um dos eventos mundiais de maior prestígio voltado à inovação e startups.

A entrega, realizada no estande da Prefeitura Municipal no espaço da feira, contou com a presença do presidente da Câmara de Vereadores, Idenir Cechim; do chefe de Gabinete do prefeito Sebastião Melo, André Flores Coronel; do secretário do Planejamento e Assuntos Estratégicos, Cezar Schirmer; do secretário de Inovação, Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, do diretor-Geral da Unicred Porto Alegre, João Batista Loredo de Souza, assim como dos representantes das demais realizadoras do programa.

Projetos premiados

O vencedor do programa Unicred Porto Alegre Health Alliance, a receber o 1º prêmio na South Summit Brazil Porto Alegre foi o projeto "Mosquitoramento". O dispositivo, considerado de baixo custo, permite detectar por meio de áudio o mosquito Aedes Aegypti, que provoca a doença da dengue. A equipe representada por Luiz Felipe de Moura, recebeu o prêmio em dinheiro de R$ 10 mil. Eles agradeceram a oportunidade oferecida pelos realizadores e já buscam apoio para o aperfeiçoamento do projeto.

No 2º lugar, a equipe Inn Power, de Giulia Lopes, recebeu o prêmio de R$ 7 mil com o projeto "Amparo", um aplicativo, já em fase de protótipo, idealizado para dar acompanhamento de saúde com mais qualidade ao público idoso. Formada em Odontologia, Giulia disse estar feliz com este reconhecimento, uma vez que a criação do projeto se deve a uma experiência pessoal na família e que agora poderá beneficiar muitas pessoas.

O projeto “PRAVC" - uma plataforma capaz de inovar e otimizar o trabalho fisioterapêutico no tratamento dos pacientes com AVC, em 3º lugar, foi premiado com R$ 3 mil. O estudante do curso de Fisioterapia, José Laurito, recebeu a premiação em nome de sua equipe.

O 4º lugar, da equipe Lauduz, foi representada por Wilson Zatt. O projeto Healthtech de telemedicina B2B, focada em hardware, que prevê tornar as teleconsultas mais completas e acessíveis, recebeu uma série de incentivos. Entre eles, horas de mentorias sobre empreendedorismo, inovação, negócios, mercado financeiro, participação em eventos; e capacitações em empreendedorismo e inovação.

Participaram de forma colaborativa de toda a construção e realização do programa a Unicred Porto Alegre, Aliança para a Inovação (UFRGS, PUCRS e UNISINOS), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Católica de Pelotas (UCPEL), Universidade Feevale, Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Hospital São Lucas da PUCRS (HSL), Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Hospital Ernesto Dornelles (HED), Hospital Mãe de Deus, Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, Fundação Médica do Rio Grande do Sul (FUNDMED), GROW+, Ventiur, Kital, o movimento Pacto Alegre e a Associação Gaúcha de Startups (AGS).

08/05/2022 – Revista Galileu

https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2022/05/nobel-de-medicina-conheca-12-mulheres-premiadas-em-mais-de-um-seculo.html

Nobel de Medicina: conheça as 12 mulheres premiadas em mais de um século

Pesquisadoras brasileiras resgataram as trajetórias das mulheres laureadas, que correspondem a apenas 5,4% de todos os cientistas reconhecidos na categoria do prêmio

Criado a partir de um desejo póstumo do inventor e químico sueco Alfred Nobel, o famoso prêmio Nobel concedeu a primeira láurea em 1901. Algumas das categorias da premiação mais importante da ciência já estavam pré-estabelecidas no testamento de seu criador: Medicina, Química, Física, Literatura e Paz. Desde então, mais de 900 pessoas já foram reconhecidas pelo prêmio, sendo 224 delas na categoria de Medicina ou Fisiologia. Só que, dessas, apenas 12 (ou 5,4%) são mulheres.

Essa disparidade intrigou as pesquisadoras Fernanda Wengrover, de 25 anos, e Anna Maria Garcia Cardoso, de 30 anos. Wengrover cursa o sexto ano de medicina na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), e Cardoso é médica residente em Cirurgia Geral na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Após lerem um artigo sobre a gastroenterologista brasileira Angelita Habr-Gama — reconhecida pela Universidade Stanford, nos EUA, por estar entre os 2% de cientistas com maior destaque mundial —, Fernanda e Anna decidiram pesquisar sobre as vencedoras do Nobel de Medicina.

Embora Marie Curie seja uma das mais notáveis vencedoras do prêmio — ela levou o Nobel de Física em 1903 e o de Química em 1911 —, as brasileiras queriam descobrir quais outras mulheres se destacaram na premiação. E os achados são frustrantes. “Não tem nenhum artigo científico falando sobre as ganhadoras do prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia. Simplesmente não existe", lamenta Anna Cardoso. “Ao contrário de Marie Curie, que tem muito conteúdo e até filme na Netflix.”

O estudo The 12 women who won the Nobel Prize in Medicine or Physiology foi publicado em dezembro de 2021 na revista científica Scientia Medica. Orientadas pelo médico cirurgião Marcelo Garcia de Toneto, professor da Escola de Medicina da PUCRS, elas investigaram quem foram essas mulheres e que destaque tiveram por seus feitos. Para isso, consultaram o site do Prêmio Nobel e os livros Mulheres que Ganharam o Prêmio Nobel em Ciências (Marco Zero, 2008), de Sharon Bertshc McGrayne, e Nobel: o Prêmio e o Homem - Prêmios Nobel de Fisiologia e Medicina (JSN, 1999), de João J. Noro. “Esperamos que essa pesquisa inspire meninas que sonham em seguir carreiras científicas”, afirma Anna Cardoso.

Reconhecimento desigual

A primeira mulher a ganhar um Nobel em Medicina ou Fisiologia foi laureada apenas 46 anos após a criação do prêmio. Em 1947, a bioquímica estadunidense Gerty Cori foi a primeira mulher a ser reconhecida na categoria, dividindo a honraria com mais dois homens. Um deles era seu marido, Carl Ferdinand Cori, com quem desenvolveu pesquisas sobre o curso da conversão catalítica do glicogênio, que foi essencial para uma melhor compreensão do diabetes.

Já a primeira – e única – mulher a conquistar a láurea sem compartilhar com outros cientistas nesta categoria foi premiada apenas 36 anos depois de Cori. Em 1983, Barbara McClintock foi reconhecida por seus estudos sobre elementos genéticos móveis chamados de transposão, genes “saltadores” que transitam no genoma e são capazes de se mover e replicar em segmentos do DNA.

Quem foram as outras vencedoras?

Entre Cori (1947) e McClintock (1983), apenas uma outra mulher foi premiada. Em 1977, Rosalyn Yalow, física e médica norte-americana, conquistou o prêmio junto a Roger Guillemin e Andrew Schally. Yalow foi responsável por desenvolver uma técnica usada para determinar concentrações de hormônios chamada de radioimunoensaio.

Após McClintock, nove mulheres ganharam o Prêmio Nobel em Medicina ou Fisiologia. A neurologista italiana Rita Levi-Montalcini levou a láurea em 1986 por suas descobertas sobre fatores de crescimento. Dois anos depois, em 1988, Gertrude B. Elion ganhou por seu estudo sobre princípios importantes para o tratamento contra as drogas. Em 1995, foi a vez de Christiane Nüsslein-Volhard ser laureada por suas descobertas sobre o controle genético do desenvolvimento embrionário.

Após a virada do século, a primeira mulher premiada foi Linda B. Buck. Em 2004, ela ganhou o Nobel por sua pesquisa na área de receptores odoríferos e a organização do sistema olfativo. Quatro anos depois, em 2008, a virologista francesa Françoise Barré-Sinoussi recebeu a honraria por conta da sua contribuição na descoberta do vírus da imunodeficiência humana (HIV).

Até hoje, o ano de 2009 foi o único em que duas mulheres ganharam a láurea na categoria. As escolhidas foram as biólogas Carol W. Greider e Elizabeth H. Blackburn, pela descoberta conjunta da enzima telomerase e de como os cromossomos são protegidos por telômeros  Em 2014, a psicóloga norueguesa May-Britt Moser recebeu o prêmio por suas descobertas sobre de células que constituem um sistema posicionado no cérebro. A última mulher a ser premiada foi a farmacologista chinesa Tu Youyou. Em 2015, ela foi reconhecida por seus achados sobre um novo tratamento contra a malária.

Múltiplas jornadas

Um fato que chamou atenção durante o estudo é a quantidade de laureadas que tiveram filhos. Das 12 premiadas, seis não foram mães. A alemã Christiane Nüsslein-Volhard, laureada em 1995 e graduada em biologia pela Universidade de Frankfurt, faz parte das laureadas que não tiveram filhos.

Mesmo não sendo mãe, em 2004, ela criou uma fundação que leva seu nome e é voltada justamente para dar suporte às mães pesquisadoras, que têm uma jornada dupla: a do trabalho e a da maternidade. A chinesa Tou YouYou, por exemplo, teve de abrir mão da criação de seus dois filhos para conseguir terminar sua pesquisa. Para as autoras, mais estudos são necessários para investigar o impacto da maternidade na produção científica de mulheres.

05/05/2022 – GZH e Diário Gaúcho

Link GZH: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/05/chegada-do-inverno-podera-ajudar-a-reduzir-o-numero-de-novos-casos-de-dengue-no-rs-cl2tk4npj000m0167fx1mbh54.html
Link Diário Gaúcho: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2022/05/chegada-do-inverno-podera-ajudar-a-reduzir-o-numero-de-novos-casos-de-dengue-no-rs-23243239.html

Chegada do inverno poderá ajudar a reduzir o número de novos casos de dengue no RS

Mosquito transmissor da doença não sobrevive por muito tempo durante o frio, mas medidas de prevenção precisam ser mantidas para eliminar ovos e larvas

Com a aproximação do inverno, que começa em 21 de junho, o número de casos de dengue deve diminuir de forma gradativa no Rio Grande do Sul. Isso porque o mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti, não sobrevive por muito tempo em baixas temperaturas, ao contrário de seus ovos e larvas — motivo pelo qual é preciso manter as medidas de prevenção mesmo durante os dias de frio. 

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) afirmou que espera uma diminuição já neste mês de maio, conforme a tendência observada em anos anteriores. A pasta destacou, entretanto, que 2022 tem sido um ano atípico, com um número muito alto de casos, por isso, não há como prever se a redução realmente ocorrerá. Atualmente, o Rio Grande do Sul tem 19.159 casos confirmados de dengue, sendo 16.010 autóctones, e 15 mortes pela doença.

Luiz Carlos Rodrigues Júnior, professor de Imunologia e Virologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), explica que as baixas temperaturas resultam em menor quantidade de mosquitos porque o frio reduz significativamente o tempo de vida desses insetos, que pode chegar a 60 dias no verão. Já os ovos e as larvas, depositados na água, permanecem vivos e podem voltar a se desenvolver, dando origem a novos mosquitos, com o retorno de semanas quentes.

Por isso, o especialista destaca que a diminuição do número de casos é gradativa, e não ocorre de uma hora para outra:

— Pode acontecer em maio, mas ainda temos pessoas infectadas e temperaturas médias, então não vai ser algo rápido. Com a chegada do frio, vai diminuir porque não teremos o vetor, que é o mosquito, mas não temos muita regularidade climática, o que significa que a transmissão pode recomeçar mesmo durante o inverno.

O chefe do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Eduardo Sprinz, complementa que o cenário ideal para a multiplicação do Aedes aegypti é temperatura entre 20°C e 30°C, com umidade e água, onde os ovos podem eclodir e as larvas conseguem se desenvolver. Além disso, o calor precisa ser contínuo para que o ciclo de reprodução dos insetos se perpetue — ou seja, uma ou duas semanas de temperaturas altas não são suficientes para isso. 

— A redução dos casos de dengue deve começar com a primeira onda de frio no Rio Grande do Sul. Mas, em um cenário sem a diminuição da temperatura, pode ser que os registros não diminuam tanto quanto o esperado — aponta Sprinz. 

Cuidados devem ser mantidos

Diante dessa possibilidade, os especialistas ressaltam que as medidas de prevenção, como não deixar água parada em vasilhas e demais recipientes (confira mais orientações abaixo), devem ser mantidas durante o inverno, a fim de eliminar ovos e larvas depositados anteriormente. 

Alex Elias Lamas, gerente da Unidade de Vigilância Ambiental em Saúde, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre, afirma que o órgão permanecerá com a campanha para conscientizar a população sobre a dengue nos próximos meses, chamando a atenção principalmente para o cuidado com os ovos do mosquito, que podem durar até 400 dias em ambientes secos.

— Os casos da doença e a circulação de mosquitos vão diminuir no auge do inverno, mas ainda haverá todos os ovos que foram colocados antes disso. Então, vamos manter essa campanha para que a gente consiga reduzir os novos casos no próximo verão — salienta. 

Também haverá manutenção do trabalho dos agentes de endemias, que agora estão atuando com foco nas regiões da cidade que têm maior número de casos confirmados, e a instalação de armadilhas em áreas onde há grande vulnerabilidade em termos de saneamento, com o objetivo de prevenir criadouros de mosquitos. 

Questionada sobre as ações previstas para os próximos meses, a SES informou, por meio de nota, que “a capacitação das equipes de assistência, tanto em nível da rede de atenção primária em saúde quanto de atenção hospitalar do Estado, são permanentes e incluem o manejo clínico da dengue”. A pasta ainda destacou que, na sexta-feira (6), será gravada uma vídeo aula sobre o assunto com a Dra. Marília Severo — o material estará disponível para acesso pelo YouTube — e que haverá uma reunião com Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (Cosems-RS) na próxima segunda-feira (9) “para construir e articular ações em conjunto com os municípios gaúchos”.

Confira medidas para evitar a proliferação dos mosquitos

  • Verifique os vasos de plantas, retirando os pratinhos. Passe esponja para limpar os ovos que ficaram aderidos e podem sobreviver até 400 dias sem contato com a água;
  • Bromélias e outras plantas podem acumular água. Nas plantas no solo, dê um jato de água nas folhas para remover larvas que tenham se desenvolvido no encaixe das folhas;
  • Veja se tem materiais em uso e que possam acumular ou estejam com água, como baldes, potes e garrafas. Caso identifique, é importante secar, tampar ou colocar em local coberto;
  • Caixas d'água, tonéis ou recipientes para armazenamento de água da chuva devem ser mantidos tampados e sem frestas — ou, então, colocar tela milimétrica (usada em mosquiteiros);
  • Materiais que podem ser descartados, como latinhas, embalagens plásticas, vidros e garrafas PET devem ser recolhidos e colocados em um saco plástico para a coleta seletiva de lixo;
  • Verifique se a calha está desimpedida, removendo folhas e outros materiais que possam impedir o escoamento adequado da água;
  • Inspecione os ralos. Se mesmo em dias secos estiverem com água, deve-se colocar tela milimétrica ou, semanalmente, acrescentar água sanitária no ralo para matar as larvas;
  • Piscinas plásticas pequenas devem ser periodicamente esvaziadas ou tratadas com cloro;
  • Piscinas fixas devem ser limpas uma vez por semana e tratadas com cloro sempre;
  • Pneus devem ser mantidos em locais cobertos ou fazer furos grandes para escoamento da água, caso os utilize na área externa;
  • Banheiros externos e áreas sem uso devem ser mantidos com vasos sanitários tampados e com tela milimétrica nos ralos;
  • Pessoas contaminadas com a dengue devem se proteger com repelentes e utilizar roupas compridas, para evitar que os mosquitos as piquem.

05/05/2022 – Portal da Assembleia Legislativa Estado do Rio Grande do Sul

Link:http://www.al.rs.gov.br/agenciadenoticias/destaque/tabid/855/IdMateria/328316/Default.aspx

Edegar Pretto: “A educação é um campo muito fértil para gerar desenvolvimento e oportunidades”

O legado dos governos petistas na formulação e gestão de políticas públicas foi destacado pelo deputado Edegar Pretto, no 1°Seminário de Pós-Graduação do Mestrado Profissional em Políticas Públicas da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), campus de São Borja. O evento aconteceu de forma remota nesta quarta-feira (04), com a mediação das professoras Ângela Gomes e Rebecca Magalhães.

Edegar Pretto, que é formado em Gestão Pública e está em seu terceiro mandato consecutivo na Assembleia Legislativa, foi um dos convidados para abordar temas vinculados a políticas públicas. Ao falar das suas experiências na área, lembrou que no seu primeiro mandato no parlamento, que iniciou em 2011, foi líder do Governo Tarso Genro, onde o Estado, pela primeira vez, destinou 12% do seu orçamento para a saúde, ampliando a regionalização do atendimento.

Ele disse ainda que o nascimento da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), no Governo Olívio Dutra, foi impulsor do desenvolvimento regional. “Foi muito rica aquela experiência, uma espécie de laboratório para que levássemos ao governo Lula sugestões de investimentos necessários em educação”, disse Pretto, lembrando que no governo do ex-presidente foram criados 173 campi universitários e 18 universidades federais no Brasil. Já no No RS, foram três novas universidades – a Unipampa, a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) –, e mais de 40 campus de escolas técnicas em diversas cidades.

Edegar Pretto lamentou que, depois de tantos investimentos, a rede pública esteja em risco devido aos cortes na educação, promovidos pelo governo Bolsonaro, impactando 110 universidades, institutos e escolas técnicas. “O Brasil sofre com a fuga de cérebros, ou seja, pessoas qualificadas que se formam em universidades, não encontram oportunidades e vão para outros países em busca de emprego e renda. Nunca tivemos tantos jovens desanimados como agora. 62% deixariam o nosso país se tivessem oportunidades”, afirmou. Ele ressaltou que o Estado precisa voltar a investir em educação, pois ela é “um campo muito fértil para a busca do desenvolvimento parelho, que gere oportunidades.”

Ao comentar sobre a importância do profissional das Políticas Públicas para a qualificação das demandas públicas, recordou o processo de elaboração de um projeto de lei de sua autoria, que foi aprovado por unanimidade em 2011, permitindo às agroindústrias familiares venderem seus produtos de origem animal em todo o território gaúcho. O Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (Susaf) foi fruto de muito diálogo e debate com a academia, especialistas, pesquisadores e profissionais da área de políticas públicas, além de agricultores familiares e lideranças de movimentos sociais e sindicais.

Edegar Pretto frisou que há a necessidade de trazer esses profissionais para a administração pública, realizar contratações e melhorar a inteligência estatal. Ao mesmo tempo, enfatizou que o RS está prestes a aderir ao Regime de Recuperação Fiscal, que vai barrar investimentos por 10 anos, por “uma dívida injusta e impagável”. “O investimento do Estado em áreas e regiões importantes, como esta da Fronteira, tem que ser do tamanho da necessidade. Fazer investimentos públicos neste momento é também a oportunidade de a economia reagir positivamente. Com isso, o Estado vai arrecadar mais e poder cuidar melhor das pessoas”, complementou.

29/04/2022 – Portal Simers

Link: https://www.simers.org.br/noticia?name=trote-solidario-2022/1-e-sucesso-e-arrecada-24,6-toneladas-de-alimentos-no-rs

Trote Solidário 2022/1 é sucesso e arrecada 24,6 toneladas de alimentos no RS

A ação que já é marca registrada entre os calouros de Medicina do Estado, mais uma vez, garantiu excelentes resultados. A edição 2022/1 do Trote Solidário, promovido pelo Núcleo Acadêmico do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (NAS - Simers), arrecadou 24,6 toneladas de alimentos na Capital e em mais 13 municípios gaúchos, incluindo doações on-line.

De acordo com o diretor de Políticas Estratégicas do Simers, Vinícius de Souza, os donativos vão ser encaminhados às entidades cadastradas junto à Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul. Para se ter uma ideia da força da ação, dados fornecidos pela Rede apontam que uma tonelada de alimentos alimenta 80 pessoas em 30 dias, em todas as refeições.

“Desde 2008, o Trote Solidário vem beneficiando mais de 700 mil famílias. O que nos dá muito orgulho em saber que mudar a realidade nos ritos de recepção aos novos universitários, dando lugar para ações de caráter social, tem ajudado muita gente”, afirma.

Doses de solidariedade

Mas a campanha não contou apenas com a doação de alimentos. Também foram arrecadadas 1,5 toneladas de tampinhas plásticas e 23.322 livros. Além disso, voluntários foram responsáveis em garantir 566 bolsas de sangue, mostrando que as boas ações valem a pena.

Para o presidente do Núcleo Acadêmico do Simers, Gustavo Pizzuti, o sucesso do Trote Solidário do NAS – Simers se deve tanto devido ao engajamento dos alunos, como pela participação da comunidade. “A população já conhece a nossa iniciativa e tem sido muito participativa, assim como os estudantes, cada vez mais, têm aderido e se mobilizado”, destaca.

Ao todo, 2.224 futuros médicos de 19 universidades participaram da ação, em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Santa Maria, Pelotas, Erechim, Santa Cruz do Sul, Passo Fundo, Uruguaiana, Lajeado, Caxias do Sul e Ijuí. Sem falar na parceria com a Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais, os hemocentros do Estado, o Instituto da Criança com Câncer e o curso Fleming.

Troféu Trote Solidário

Dentro do Trote Solidário promovido pelo NAS – Simers, ainda acontece o reconhecimento às universidades que mais arrecadaram donativos. Na edição 2022/1, os alunos de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) saíram na frente e alcançaram o primeiro lugar, seguida da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Já no interior, a campeã foi a Universidade Franciscana (UFN), de Santa Maria. Em segundo ficou a Universidade do Vale do Taquari (Univates) e a Universidade de Passo Fundo (UPF) em terceiro. Todas vão receber o Troféu Trote Solidário, com data de entrega ainda a ser definida.

28/04/2022 – Correio do Povo

Link: https://www.correiodopovo.com.br/blogs/planodecarreira/comiss%C3%A3o-avaliadora-escolher%C3%A1-os-melhores-projetos-na-%C3%A1rea-da-sa%C3%BAde-na-south-summit-brazil-1.813220

Comissão avaliadora escolherá os melhores projetos na área da saúde na South Summit Brazil

Quatro vencedores do programa receberão suas premiações e terão seus trabalhos premiados durante evento que será realizado em Porto Alegre

Na próxima segunda-feira, às 13h, em evento presencial, o Unicred Porto Alegre Health Alliance – Programa de Inovação e Empreendedorismo na área da Saúde – reúne a banca que escolherá as quatro melhores equipes entre os 10 finalistas que apresentarão seus projetos no Pitch Day durante a South Summit Brazil Porto Alegre. Participam da avaliação grandes nomes na área da Saúde, como os médicos Fernando Kreutz, Gilberto Schwartsmann e Marcos Mendonça; o advogado Francisco Milman; e o Gerente Executivo da Panvel Saúde Empresarial, Marcelo Anjos.

Os vencedores receberão os seguintes prêmios em dinheiro: R$ 10 mil (1º lugar), R$ 7 mil (2º lugar) e R$ 3 mil (3º lugar) para que possam investir no desenvolvimento de seus projetos. Além disso, outras premiações disponíveis aos vencedores incluem: horas de mentorias sobre empreendedorismo, inovação, negócios, mercado financeiro; participação em eventos; e capacitações em empreendedorismo e inovação.

Os ganhadores também terão acesso a programas de incubação e aceleração, mentoria e consultoria em programas de desenvolvimentos de startups, conexão entre projetos, especialistas da saúde e investidores; ambiente hospitalar e/ou educacional para rodar o MVP; apoio em pesquisa aplicada e logística administrativa; apoio na construção de banco de dados; parecer técnico científico; e apoio na implementação do projeto.

Soluções em diversas áreas

Conforme o regulamento, participaram do programa equipes formadas por estudantes de graduação e pós-graduação, que apresentaram em seus projetos soluções para problemas dentro de sete áreas específicas da cadeia de valor da saúde: desenvolvimento e conhecimento; fornecimento de tecnologias e serviços; serviços de Saúde; intermediação financeira; financiamento da saúde; consumo e distribuição de produtos e serviços de saúde.

O Coordenador de Marketing e Comunicação da Unicred Porto Alegre, Diego Rassier, ressalta o sucesso da iniciativa que avaliou 19 projetos, dos quais 10 terão a oportunidade de estarem presentes na South Summit Brazil. “Com o programa Unicred Porto Alegre Health Alliance, a Cooperativa e seus parceiros alcançam seus objetivos que são, justamente, desenvolver e revelar soluções inovadoras na área da saúde que tenham potencial de negócio, oferecer capacitação quanto a metodologias de desenvolvimento de inovações, além de apoiar o sucesso profissional, com impacto positivo na sociedade”, considera.

Rassier lembra a importância da comunhão de esforços para a concretização do programa, citando nominalmente todos os parceiros que de forma colaborativa se envolveram no processo: Aliança para a Inovação (UFRGS, PUCRS e UNISINOS), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Hospital São Lucas da PUCRS (HSL), Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Hospital Ernesto Dornelles (HED), Fundação Médica do Rio Grande do Sul (Fundmed), GROW+, Ventiur, o movimento Pacto Alegre e a Associação Gaúcha de Startups (AGS).

  • A banca avaliadora será formada pelos seguintes nomes:

Fernando Thome Kreutz é médico. Doutor em Biotecnologia pela University of Alberta Canadá e pesquisador do CNPq. Atuou como professor de graduação e Pós-graduação em diferentes universidades no Brasil e no Canadá (1997-2020). É diretor da FK-Biotecnologia S.A. (Brasil) e Cellvax Therapeutics (USA). Consultor ad hoc para projetos de inovação no Brasil e Canadá. Investidor anjo e mentor de novos empreendedores;

Marcos Mendonça é médico de Família e Comunidade e especialista em administração em saúde. Consultor em telemedicina. Atualmente é médico da healthtech Alice (SP) e mestrando em TI e Gestão em Saúde (UFCSPA);

Francisco Milman é israelense, empresário e advogado pós-graduado em Israel pela universidade Hebraica de Jerusalém em Direito Internacional. Fundador da Gesher Trade - empresa de consultoria para Startups Israelenses;

Marcelo Anjos é Gerente Executivo da Panvel Saúde Empresarial, com experiência de18 anos na área comercial, envolvendo estratégia de comunicação empresarial, planejamento, manutenção do índice de satisfação dos clientes e desenvolvimento de projetos para as Operadoras de Planos de Habilidade no relacionamento interpessoal com fornecedores e clientes.

Gilberto Schwartsmann é professor de Oncologia no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É membro titular da Academia Nacional de Medicina e ex-presidente da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina. Além disso, é diretor do Instituto de Oncologia Kaplan e do Centro do Câncer do Hospital Ernesto Dornelles.

22/04/2022 – Informa Araguaia

Link: https://informaaraguaia.com.br/saude/5-fatores-que-podem-ameacar-o-fim-da-emergencia-de-saude-publica-anunciado-no-brasil/

5 fatores que podem ameaçar o fim da emergência de saúde pública anunciado no Brasil

Já em relação à terceira dose, São Paulo é o único Estado a ter mais de 50% dos adultos com o reforço contra o coronavírus

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, declarou no domingo (17/4) que a covid-19 não será mais considerada uma emergência de saúde pública no Brasil.

A decisão, que vai revogar uma série de regulamentações e leis que marcaram os últimos dois anos, gerou controvérsia entre especialistas.

“Me preocupa o fim da emergência nacional num momento em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda entende que estamos diante de uma pandemia, ou uma emergência de saúde pública internacional”, critica a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

“E ainda não está claro o que isso vai significar na prática e qual será o plano se as coisas voltarem a piorar”, chama a atenção Leonardo Bastos, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz).

O anúncio do Ministério da Saúde acontece num momento em que as médias móveis de casos e mortes por covid-19 estão em queda no país — e o relaxamento das políticas preventivas, como o uso de máscaras e a prevenção de aglomerações, já estava em prática há semanas em diversas cidades e Estados.

Vale destacar que a revogação da Emergência em Saúde Pública de Interesse Nacional (Espin) não significa o fim da pandemia, como explicado pelo próprio ministro Queiroga.

“Continuaremos a conviver com o vírus. O Ministério da Saúde permanece vigilante e preparado para adotar todas as ações necessárias para garantir a saúde dos brasileiros em total respeito à Constituição Federal”, afirmou.

Mas e se os casos, as hospitalizações e as mortes por covid-19 voltarem a subir em alguma parte do país? Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil listam os cinco fatores que podem ameaçar o fim da emergência de saúde pública anunciada pelo governo — e o que deveria ser feito para combatê-los.

  1. Temporada de frio

Todos os anos, a chegada do outono e do inverno costuma vir acompanhada de um aumento nos casos de infecções respiratórias, como gripe e resfriado.

E isso está mais relacionado ao comportamento das pessoas do que aos vírus em si: no frio, costumamos ficar mais tempo em lugares fechados, com pouca circulação de ar, e próximos uns dos outros.

Esse é o cenário perfeito para a transmissão de patógenos como o influenza, o causador da gripe, e do vírus sincicial respiratório, do bocavírus ou do rinovírus, que estão por trás do resfriado.

A flutuação de casos de doenças respiratórias de acordo com a estação do ano, aliás, é um fator determinante nas políticas públicas de saúde.

A campanha de vacinação contra a gripe, por exemplo, sempre começa no início de outono na maioria das regiões brasileiras. O objetivo é garantir, antes de o influenza circular com mais intensidade, uma maior proteção contra os casos graves da doença, especialmente nos grupos vulneráveis.

Em relação à covid-19, ainda não foi possível estabelecer quando ocorrerão os aumentos e as diminuições na taxa de infecção — como estamos no meio de uma pandemia de um vírus absolutamente novo, para o qual não tínhamos imunidade alguma, essas curvas sobem e descem em qualquer estação do ano.

“Não temos uma resposta muito clara se o coronavírus vai ter esse padrão parecido com o que vemos em outras infecções respiratórias”, entende Bastos.

“Mas é natural pensar que algo similar, com aumento de casos em épocas de frio, também venha a acontecer com a covid”, complementa.

E boa parte do Brasil está entrando justamente agora neste período de queda nas temperaturas. Será que isso influenciará na transmissão do coronavírus? Só o acompanhamento das estatísticas nas próximas semanas poderá responder essa questão.

  1. Surtos em outros lugares

Como fenômeno global, a pandemia tem repercussões em todos os continentes — e o que acontece do outro lado do mundo pode respingar aqui de alguma maneira.

Isso foi observado diversas vezes ao longo dos últimos dois anos. É só lembrar que os primeiros casos de covid foram observados na China e logo apareceram na Europa. Na sequência, o coronavírus foi detectado na América do Norte e, depois, no Brasil.

Entre 2020 e 2021, esse fluxo se repetiu algumas vezes: ondas de casos e mortes que começaram em alguma parte da Europa logo se repetiram nos Estados Unidos ou na América Latina (e vice-versa).

A própria variante ômicron, detectada originalmente na África do Sul em novembro do ano passado, se espalhou com uma velocidade sem precedentes e provocou recordes de infecções nos meses seguintes em várias partes do mundo.

Vale notar que, com o avanço da vacinação e o alto número de indivíduos que tiveram covid, a influência da situação internacional no contexto de cada país se torna menos relevante — uma população com alto grau de imunidade tende a sofrer menos com novos surtos do que os moradores de um local que não experimentou grandes ondas recentemente.

Mesmo assim, os especialistas consideram prematuro ignorar completamente uma piora dos números em qualquer parte do mundo, ainda mais num momento de abandono das medidas restritivas e de aumento na circulação de pessoas.

Maciel explica que, dentro de uma pandemia, existem alguns momentos de crise e outros de calmaria.

“Nós temos as ondas e períodos interpandêmicos, marcados pela diminuição de casos, hospitalizações e mortes”, diz.

“E ainda é cedo para dizer se o que vivemos agora é justamente esse período interpandêmico, e logo veremos um novo aumento nos números, ou vamos passar realmente para a endemia, com uma estabilização do cenário”, continua a epidemiologista.

O caminho para determinar onde estamos atualmente envolve monitorar o que acontece em todo o mundo, especialmente nos países com os quais os brasileiros têm mais contato e um fluxo constante de viagens.

Caso a situação aperte nesses locais, pode ser necessário fazer novas restrições e aprimorar o controle de casos positivos de covid em portos, aeroportos e fronteiras.

  1. Desestruturação do sistema

Maciel também teme que o fim da emergência de saúde pública nacional desmonte serviços de vigilância e de atendimento aos pacientes que foram criados nesses últimos dois anos.

“O decreto de Espin permite uma série de compras, licitações e normas para responder à crise sanitária que envolve a remessa de vacinas, a ampliação de leitos hospitalares, a distribuição de insumos…”, lista.

“O Governo Federal não pode acabar com o decreto sem fazer um período de transição, para que Estados e municípios planejem as ações dali em diante.”

A professora da Ufes ressalta que é hora de manter os serviços de saúde e até reforçar o sistema de vigilância de casos e hospitalizações por covid.

É justamente esse monitoramento contínuo que permite identificar um crescimento nas infecções de forma prematura, antes que o problema se espalhe, e tomar as ações para contê-lo.

“E se passarmos por uma nova mudança de cenário, em que os casos, hospitalizações e mortes por covid voltem a aumentar?”, questiona Bastos.

“É preciso deixar claro o que será feito se a situação da covid piorar novamente”, completa o pesquisador.

  1. Aparecimento de novas variantes

Um dos grandes temores dos especialistas é o surgimento de uma nova versão do coronavírus ainda mais transmissível, agressiva ou com capacidade de “driblar” a imunidade obtida com a vacinação ou com as infecções prévias.

“Esse é um risco que está posto e com o qual já lidamos algumas vezes nesta pandemia”, aponta o virologista Fernando Spilki, professor da Universidade Feevale, no Rio Grande do Sul.

As variantes de preocupação registradas até o momento apareceram em locais onde havia uma alta taxa de transmissão do patógeno. Foi o caso da variante alfa, no Reino Unido, da gama, no Brasil, da delta, na Índia e da ômicron, na África do Sul.

Nada garante que esse fenômeno volte a se repetir nos meses que virão, ainda mais num cenário em que o vírus circula livremente e sem restrições.

A boa notícia é que, pelo observado até agora, as vacinas continuam a oferecer um bom nível de proteção contra as formas mais graves de covid, que causam hospitalização e morte.

“Vemos também que há uma espécie de convergência e similaridade entre as variantes que identificamos até agora: algumas mutações apareceram de forma simultânea e independente em lugares diferentes”, analisa Spilki, que também coordena a Rede Corona-ômica do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações.

“A tendência é que, com o passar do tempo, tenhamos cada vez menos mortes por covid. Mas também podemos sofrer surtos de proporções elevadas, especialmente se surgirem variantes mais diversas e que consigam escapar da imunidade”, complementa o especialista.

Para evitar que essa possibilidade pessimista vire realidade, o caminho é fazer a vigilância genômica e identificar precocemente as novas variantes que surgirem.

  1. Queda da proteção

Para completar, ainda não está 100% claro quanto tempo dura a imunidade após a vacinação ou a infecção pelo coronavírus.

Essa proteção, inclusive, deve variar de acordo com uma série de características. Indivíduos mais jovens, por exemplo, podem estar bem resguardados da infecção (ou de suas repercussões mais graves) após tomarem três doses do imunizante.

Já pessoas mais velhas, ou aquelas que passaram por um transplante ou fazem tratamento contra o câncer, costumam ter um sistema imunológico mais debilitado, que não responde tão bem às ameaças infecciosas.

E isso, por sua vez, pode impactar os números da covid: se a imunidade diminui mesmo ao longo dos meses, é possível que ocorra um novo aumento de casos, hospitalizações e até mortes, principalmente nos grupos que são mais vulneráveis.

Esse fenômeno, aliás, já foi visto em outros momentos da pandemia: quando as primeiras vacinas foram aprovadas, preconizava-se duas doses para todo mundo. Após algum tempo, os cientistas começaram a notar uma queda nos anticorpos e um aumento nas taxas de infecções e internações.

Houve um consenso, então, de que era preciso ofertar uma terceira aplicação do imunizante — primeiro em idosos e imunossuprimidos, depois para todos aqueles com mais de 18 anos.

“Pelos estudos que temos até agora, três doses são suficientes para proteger um adulto saudável de todas as variantes em circulação”, informa a imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

“Já para indivíduos com imunidade mais baixa, como idosos, pacientes oncológicos, e transplantados, uma quarta dose já é necessária”, complementa.

A especialista, que também representa a Sociedade Brasileira de Imunologia, entende que só saberemos sobre a relevância de novos reforços vacinais a partir de estudos científicos, que avaliarão como a imunidade se comporta daqui em diante.

“É hora de monitorar, testar e acompanhar o que está acontecendo no mundo e também no Brasil.”

“Pode ser que, daqui a seis meses, apareçam tantos casos que seja preciso instituir uma quarta dose para todo mundo. Por ora, ainda não há essa necessidade”, conclui a imunologista.

Por fim, é preciso notar que, no caso do Brasil, a cobertura da vacinação contra a covid segue desigual em muitas partes do país: enquanto São Paulo, Piauí, Paraíba e Ceará apresentam mais de 80% da população imunizada, Amapá, Roraima, Acre e Maranhão não atingiram uma cobertura de 60%.

Já em relação à terceira dose, São Paulo é o único Estado a ter mais de 50% dos adultos com o reforço contra o coronavírus.

Fonte: BBC

20/04/2022 – Veja Saúde

Link: https://saude.abril.com.br/medicina/no-primeiro-carnaval-pos-isolamento-ganha-o-bloco-dos-vacinados/

No primeiro Carnaval pós-isolamento, ganha o bloco dos vacinados

Especialistas ainda temem que decisão sobre a festa dê chance ao coronavírus e pedem cautela aos foliões

Depois de dois anos de interrupção, teremos Carnaval no feriado de Tiradentes. Nos próximos dias, ocorrem os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo. Blocos também planejam sair às ruas, ainda que sem a organização das prefeituras.

Considerando que a pandemia não acabou, como deve ficar, então, a etiqueta sanitária de quem vai para as festas?

“Na resposta sobre ter Carnaval ou não existem muitas variáveis difíceis de controlar”, afirma o infectologista Jaime Rocha, professor da Escola de Medicina da PUCPR.

Em primeiro lugar, a festa é mais segura se as pessoas que participarem estiverem plenamente vacinadas contra a Covid-19 e sem sintomas respiratórios. Isso dentro de um contexto epidemiológico de baixa transmissão do vírus e poucas hospitalizações, que pode mudar a qualquer momento, na visão do especialista.

As organizações dos desfiles de Rio e São Paulo vão exigir o passaporte da vacina para entrar no sambódromo. A imunização no Brasil vai bem, e passou dos 80%, considerando as crianças com mais de 5 anos.

Mas quem já tomou as duas injeções há quatro meses ou mais precisa de reforço. Neste quesito, estamos deixando a desejar. Apenas metade da população adulta aderiu a essa dose. Mesmo que isso não seja uma exigência do evento, o ideal é ir com a terceira injeção no braço.

“O principal problema são os imunossuprimidos, porque estudos vêm mostrando, cada vez mais, que nem com quatro doses de vacina eles estão totalmente protegidos”, afirma Cristina Bonorino, que é bióloga, imunologista e professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

“Entende-se que essas pessoas não vão ao Carnaval, mas quem vai pode ter pais, avós com mais de 80 anos ou pessoas com comorbidades em casa. Existe o risco de infectar esses familiares”, esclarece a bióloga.

Por que ainda precisamos nos proteger?

Estar vacinado é importante, mas não é suficiente para impedir totalmente a circulação do vírus, lembra Cristina.

“Não está claro o suficiente para as pessoas que a vacina não impede que a pessoa seja infectada. Ela vai ficar protegida contra casos graves, pois as doses inibem a multiplicação do vírus, mas ainda terá sintomas mais leves e há chances de transmitir”, afirma a biológa.

E não é só isso. “Há muitos relatos de Covid Longa, mesmo entre quem tem quadros brandos, com pessoas que ainda não recuperaram olfato e paladar, ou ficaram com sintomas respiratórios e outras queixas por meses”, afirma Cristina.

A falta de cuidado com si mesmo pode ter efeitos no outro, afirma Rocha.

“Infelizmente doenças de transmissão rápida têm consequências sociais. A pessoa que carrega o vírus pode nem saber que está contaminada, mas transmitir para o pai, o irmão, o vizinho… Esse raciocínio de não ter medo da Covid faz com que a doença continue circulando”, avalia o infectologista.

O surgimento de novas variantes é outra preocupação dos especialistas, e é o que pode fazer mudar o status epidemiológico. “Acabei de voltar da Inglaterra. Lá a BA.2 se expandiu e já representa 98% do dos testes realizados”, afirma Cristina.

Por enquanto, no Brasil, ainda prevalece a BA.1, e o número de casos está em queda há semanas. Todo o esforço pedido pelos especialistas aos foliões é para que o panorama siga o mesmo após as festas.

Outras doenças em evidência

A pandemia deve servir de aprendizado para nos proteger de outros males, reforçam os médicos e cientistas. Por isso, é importante entender qualquer sinal de gripe como aviso para ficar em casa ou usar máscara.

Aliás, a máscara é bem-vinda principalmente em festas que vão acontecer em ambientes fechados. Os modelos PFF2 ou cirúrgica são os mais seguros, e com muito suor e falação é aconselhável trocá-la trocá-la quando perceber que ela está úmida ou suja.

“Temos outros vírus respiratórios circulando que podem provocar grandes estragos, como o vírus sincicial respiratório (VSR), que afeta crianças, e o influenza, que também provoca casos graves”, lembra Rocha.

Além das doenças respiratórias, ainda estão por aí o HIV e a sífilis, lembra o infectologista. Ou seja, se a festa empolgar, use camisinha!

Dicas para um Carnaval seguro:

  • Se estiver com sintomas respiratórios, o melhor é ficar em casa. Na dúvida sobre seu estado de saúde, use máscara
  • Leve álcool gel e higienize as mãos o tempo todo
  • No Carnaval de rua, o ideal é fugir de grandes aglomerações ou usar máscara se encher demais
  • Não vá se não estiver, ao menos, com o primeiro esquema vacinal completo
  • Use protetor solar
  • Seja moderado na bebida, hidrate-se e coma bem durante esses dias
  • Lembre-se das doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis e o HIV, e não deixe o preservativo de lado

19/04/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/04/saiba-quais-sao-os-principais-riscos-durante-a-gestacao-e-o-parto-de-gemeos-cl26u4te8004l017c8vdlahib.html

Saiba quais são os principais riscos durante a gestação e o parto de gêmeos

Morte de um dos filhos do jogador Cristiano Ronaldo chamou a atenção para o assunto; confira o que dizem especialistas

O anúncio da morte de um dos filhos gêmeos do jogador Cristiano Ronaldo com a esposa, Georgina Rodríguez, na segunda-feira (18) chamou a atenção para os riscos de uma gestação gemelar. Em comunicado publicado nas redes sociais, o casal não informou detalhes sobre o falecimento do bebê, que era um menino, mas deixou claro que a outra criança, uma menina, está viva. 

"É com a mais profunda tristeza que comunicamos o falecimento do nosso bebê. É a maior dor que quaisquer pais podem sentir. Só o nascimento da nossa bebé nos dá forças para viver este momento com alguma esperança e felicidade”, diz um trecho do texto. A rede de TV portuguesa SIC informou que a morte do menino ocorreu durante o parto das crianças.

Apesar de não serem tão incomuns, gestações múltiplas são rodeadas por mitos que colaboram para a disseminação de informações incorretas sobre o tema. De acordo com especialistas, gestações gemelares sempre são consideradas de alto risco, mas alguns fatores determinam a elevação dos principais perigos no decorrer da gravidez e do parto, tanto para as mães quanto para os bebês. Entenda:

Tipos de gravidez gemelar

Há três tipos de gravidez gemelar: monocoriônica-monoamniótica, em que os gêmeos dividem uma placenta e um saco amniótico; monocoriônica-diamniótica, em que os bebês dividem a placenta, mas estão em dois sacos separados; e dicoriônica-diamniótica, em que cada feto tem sua placenta e seu saco amniótico. O mais complicado é o primeiro, em que o óvulo é fecundado por um espermatozoide e, depois, se divide em dois. Já o mais tranquilo é o terceiro, em que os gêmeos são gerados a partir de dois óvulos fecundados por dois espermatozoides, explica Maria Lúcia da Rocha Oppermann, chefe do Centro Obstétrico do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

— A monocoriônica é de muito mais risco, porque existe uma série de complicações típicas desse tipo, que não é frequente no outro (dicoriônica). Tem muito mais complicações no período do pré-natal e, às vezes, os bebês têm que nascer bem antes do tempo por conta disso — afirma. 

Nas gestações dicoriônicas, as complicações são menores. Eventualmente, as crianças crescem um pouco abaixo da média, mas nenhuma delas costuma ter comprometimentos graves, destaca Maria Lúcia. A professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e supervisora do Programa de Residência Médica em Medicina Fetal da Santa Casa de Porto Alegre Patrícia El Beitune concorda que esse tipo de gravidez representa o melhor cenário dentre as gestações múltiplas e comenta que, felizmente, ele corresponde a 75% das gestações gemelares.

— Mesmo considerando um melhor prognóstico na gestação dicoriônica, ainda existe maior risco (em comparação às gestações de apenas um bebê) porque o espaço compartilhado intraútero é limitado. Então, à medida que a gravidez vai evoluindo, o útero vai ficando distendido e isso já faz com que haja um risco maior de parto prematuro — alerta Patrícia, ressaltando que os bebês também podem acabar desenvolvendo uma restrição de crescimento intrauterino, devido ao espaço limitado.

Principais complicações

As gestações monocoriônicas, que são as mais preocupantes e representam cerca de 25% das gestações gemelares, podem evoluir com graves comprometimentos, dentre os quais destaca-se a restrição de crescimento fetal e o parto prematuro (bem mais comuns do que nas gestações dicoriônicas), além de transfusão feto fetal (quando um bebê vira doador do outro) e morte de ambas crianças.

— Em uma placenta só, eles têm uma anastomose de artérias e veias muito grande, então um deles pode começar a doar sangue para o outro e os dois ficam mal. O que está doando fica muito pequeno e o que está recebendo fica pletórico, cheio de sangue, e isso pode ocasionar insuficiência cardíaca e uma série de complicações — aponta Maria Lúcia, que também é membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Rio Grande do Sul (Sogirgs).

Nesses casos, quando um dos fetos morre, também é perigoso, porque ele pode transmitir para a circulação sanguínea do irmão substâncias danosas, que podem causar inclusive sequelas neurológicas e óbito. Isso gera, ainda, risco de coagulopatia — um quadro de coagulação intracelular disseminada — para a mãe, salienta Patrícia. Além disso, Maria Lúcia complementa que tanto a diabetes gestacional quanto a pré-eclâmpsia são mais comuns em gestações gemelares e, no pós-parto, mães de gêmeos correm maior risco de ter hemorragia severa, devido à distensão do útero.

Em relação ao risco de morte, a professora da UFCSPA aponta que, em uma gravidez de feto único, sem comorbidades associadas, sete em cada mil nascidos vivos morrem. Então, em uma gestação gemelar, esse risco é aumentado significativamente. No entanto, ela salienta que, atualmente, ocorrem bem menos óbitos do que no passado, devido aos avanços da obstetrícia, da medicina fetal e da neonatologia, e também que, nestes casos, o maior problema está relacionado às complicações — que podem ser identificadas de forma precoce com um pré-natal de qualidade, iniciado antes das 14 semanas de gestação.

— Se conseguimos ter indícios de problemas em um estágio inicial, já podemos encaminhar a paciente para centros especializados para manter esses bebês saudáveis. Mas, se perdemos esse momento, em casos complicados pela transfusão feto-fetal, por exemplo, cerca de 50% a 100% dessas crianças acabam evoluindo com sintomas neurológicos graves e até com morte de uma ou ambas — afirma Patrícia, reforçando que o cuidado deve ser redobrado em gestações gemelares, com consultas a cada duas semanas a partir da segunda metade da gravidez.

Riscos do parto

Segundo as especialistas, é muito difícil uma gestação gemelar chegar até 38 ou 40 semanas, que é o considerado ideal em uma gravidez de feto único. Patrícia acrescenta que alguns estudos inclusive recomendam que os partos dicoriônicos sejam feitos com 37 semanas, porque existe um risco maior de perder os bebês caso espere até o final dessas gestações. Mas, quando há somente uma placenta para os dois fetos, a antecipação do nascimento tem que ser ainda mais precoce, com cerca de 36 semanas para as diamnióticas (dois sacos) e com 32 ou 34 semanas para as monoamniótica (um saco). Nesses casos, também podem haver complicações decorrentes da prematuridade, destaca Maria Lúcia.

Já no momento do parto em si, o risco pode estar relacionado à demora do processo e, geralmente, pode afetar mais o bebê que nasce por último. A decisão entre cesárea ou parto normal, explicam as especialistas, varia de acordo com o tipo de gestação gemelar e com a situação dos fetos. Nos casos de gravidez monocoriônica, costuma-se optar por cesarianas, porque existe a possibilidade de que os cordões umbilicais estejam entrelaçados e essa é uma complicação relevante. 

— Depois do nascimento do primeiro, intensificamos mais a monitoração dos sinais vitais do segundo, porque, caso se identifique que ele não vai suportar por mais tempo, convertemos o parto para cesárea — finaliza Patrícia.

 

18/04/2022 – Folha de São Paulo

Link: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2022/04/covid-5-fatores-que-podem-ameacar-o-fim-da-emergencia-de-saude-publica-anunciado-no-brasil.shtml

Covid: 5 fatores que podem ameaçar o fim da emergência de saúde pública anunciado no Brasil

Chegada do inverno, surtos em outros países e desestruturação dos serviços precisam ser observados de perto

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, declarou no domingo (17) que a Covid-19 não será mais considerada uma emergência de saúde pública no Brasil.

A decisão, que vai revogar uma série de regulamentações e leis que marcaram os últimos dois anos, gerou controvérsia entre especialistas.

"Me preocupa o fim da emergência nacional num momento em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda entende que estamos diante de uma pandemia, ou uma emergência de saúde pública internacional", critica a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

 Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, participa de entrevista coletiva em Brasília - Antonio Molina/Folhapress

"E ainda não está claro o que isso vai significar na prática e qual será o plano se as coisas voltarem a piorar", chama a atenção Leonardo Bastos, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz).

O anúncio do Ministério da Saúde acontece num momento em que as médias móveis de casos e mortes por Covid-19 estão em queda no país –e o relaxamento das políticas preventivas, como o uso de máscaras e a prevenção de aglomerações, já estava em prática há semanas em diversas cidades e Estados.

Vale destacar que a revogação da Emergência em Saúde Pública de Interesse Nacional (Espin) não significa o fim da pandemia, como explicado pelo próprio ministro Queiroga.

"Continuaremos a conviver com o vírus. O Ministério da Saúde permanece vigilante e preparado para adotar todas as ações necessárias para garantir a saúde dos brasileiros em total respeito à Constituição Federal", afirmou.

Mas e se os casos, as hospitalizações e as mortes por covid-19 voltarem a subir em alguma parte do país? Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil listam os cinco fatores que podem ameaçar o fim da emergência de saúde pública anunciada pelo governo - e o que deveria ser feito para combatê-los.

  1. Temporada de frio

Todos os anos, a chegada do outono e do inverno costuma vir acompanhada de um aumento nos casos de infecções respiratórias, como gripe e resfriado.

 E isso está mais relacionado ao comportamento das pessoas do que aos vírus em si: no frio, costumamos ficar mais tempo em lugares fechados, com pouca circulação de ar, e próximos uns dos outros.

Esse é o cenário perfeito para a transmissão de patógenos como o influenza, o causador da gripe, e do vírus sincicial respiratório, do bocavírus ou do rinovírus, que estão por trás do resfriado.

A flutuação de casos de doenças respiratórias de acordo com a estação do ano, aliás, é um fator determinante nas políticas públicas de saúde.

A campanha de vacinação contra a gripe, por exemplo, sempre começa no início de outono na maioria das regiões brasileiras. O objetivo é garantir, antes de o influenza circular com mais intensidade, uma maior proteção contra os casos graves da doença, especialmente nos grupos vulneráveis.

Em relação à Covid-19, ainda não foi possível estabelecer quando ocorrerão os aumentos e as diminuições na taxa de infecção –como estamos no meio de uma pandemia de um vírus absolutamente novo, para o qual não tínhamos imunidade alguma, essas curvas sobem e descem em qualquer estação do ano.

"Não temos uma resposta muito clara se o coronavírus vai ter esse padrão parecido com o que vemos em outras infecções respiratórias", entende Bastos.

"Mas é natural pensar que algo similar, com aumento de casos em épocas de frio, também venha a acontecer com a covid", complementa.

E boa parte do Brasil está entrando justamente agora neste período de queda nas temperaturas. Será que isso influenciará na transmissão do coronavírus? Só o acompanhamento das estatísticas nas próximas semanas poderá responder essa questão.

  1. Surtos em outros lugares

Como fenômeno global, a pandemia tem repercussões em todos os continentes –e o que acontece do outro lado do mundo pode respingar aqui de alguma maneira.

Isso foi observado diversas vezes ao longo dos últimos dois anos. É só lembrar que os primeiros casos de Covid foram observados na China e logo apareceram na Europa. Na sequência, o coronavírus foi detectado na América do Norte e, depois, no Brasil.

Entre 2020 e 2021, esse fluxo se repetiu algumas vezes: ondas de casos e mortes que começaram em alguma parte da Europa logo se repetiram nos Estados Unidos ou na América Latina (e vice-versa).

A própria variante ômicron, detectada originalmente na África do Sul em novembro do ano passado, se espalhou com uma velocidade sem precedentes e provocou recordes de infecções nos meses seguintes em várias partes do mundo.

Vale notar que, com o avanço da vacinação e o alto número de indivíduos que tiveram Covid, a influência da situação internacional no contexto de cada país se torna menos relevante –uma população com alto grau de imunidade tende a sofrer menos com novos surtos do que os moradores de um local que não experimentou grandes ondas recentemente.

Mesmo assim, os especialistas consideram prematuro ignorar completamente uma piora dos números em qualquer parte do mundo, ainda mais num momento de abandono das medidas restritivas e de aumento na circulação de pessoas.

Maciel explica que, dentro de uma pandemia, existem alguns momentos de crise e outros de calmaria.

"Nós temos as ondas e períodos interpandêmicos, marcados pela diminuição de casos, hospitalizações e mortes", diz.

"E ainda é cedo para dizer se o que vivemos agora é justamente esse período interpandêmico, e logo veremos um novo aumento nos números, ou vamos passar realmente para a endemia, com uma estabilização do cenário", continua a epidemiologista.

O caminho para determinar onde estamos atualmente envolve monitorar o que acontece em todo o mundo, especialmente nos países com os quais os brasileiros têm mais contato e um fluxo constante de viagens.

Caso a situação aperte nesses locais, pode ser necessário fazer novas restrições e aprimorar o controle de casos positivos de Covid em portos, aeroportos e fronteiras.

  1. Desestruturação do sistema

Maciel também teme que o fim da emergência de saúde pública nacional desmonte serviços de vigilância e de atendimento aos pacientes que foram criados nesses últimos dois anos.

"O decreto de Espin permite uma série de compras, licitações e normas para responder à crise sanitária que envolve a remessa de vacinas, a ampliação de leitos hospitalares, a distribuição de insumos...", lista.

"O Governo Federal não pode acabar com o decreto sem fazer um período de transição, para que estados e municípios planejem as ações dali em diante."

A professora da Ufes ressalta que é hora de manter os serviços de saúde e até reforçar o sistema de vigilância de casos e hospitalizações por Covid.

É justamente esse monitoramento contínuo que permite identificar um crescimento nas infecções de forma prematura, antes que o problema se espalhe, e tomar as ações para contê-lo.

"E se passarmos por uma nova mudança de cenário, em que os casos, hospitalizações e mortes por Covid voltem a aumentar?", questiona Bastos.

"É preciso deixar claro o que será feito se a situação da Covid piorar novamente", completa o pesquisador.

  1. Aparecimento de novas variantes

Um dos grandes temores dos especialistas é o surgimento de uma nova versão do coronavírus ainda mais transmissível, agressiva ou com capacidade de "driblar" a imunidade obtida com a vacinação ou com as infecções prévias.

"Esse é um risco que está posto e com o qual já lidamos algumas vezes nesta pandemia", aponta o virologista Fernando Spilki, professor da Universidade Feevale, no Rio Grande do Sul.

As variantes de preocupação registradas até o momento apareceram em locais onde havia uma alta taxa de transmissão do patógeno. Foi o caso da variante alfa, no Reino Unido, da gama, no Brasil, da delta, na Índia, e da ômicron, na África do Sul.

Nada garante que esse fenômeno volte a se repetir nos meses que virão, ainda mais num cenário em que o vírus circula livremente e sem restrições.

A boa notícia é que, pelo observado até agora, as vacinas continuam a oferecer um bom nível de proteção contra as formas mais graves de Covid, que causam hospitalização e morte.

"Vemos também que há uma espécie de convergência e similaridade entre as variantes que identificamos até agora: algumas mutações apareceram de forma simultânea e independente em lugares diferentes", analisa Spilki, que também coordena a Rede Corona-ômica do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações.

"A tendência é que, com o passar do tempo, tenhamos cada vez menos mortes por Covid. Mas também podemos sofrer surtos de proporções elevadas, especialmente se surgirem variantes mais diversas e que consigam escapar da imunidade", complementa o especialista.

Para evitar que essa possibilidade pessimista vire realidade, o caminho é fazer a vigilância genômica e identificar precocemente as novas variantes que surgirem.

  1. Queda da proteção

 Para completar, ainda não está 100% claro quanto tempo dura a imunidade após a vacinação ou a infecção pelo coronavírus.

Essa proteção, inclusive, deve variar de acordo com uma série de características. Indivíduos mais jovens, por exemplo, podem estar bem resguardados da infecção (ou de suas repercussões mais graves) após tomarem três doses do imunizante.

Já pessoas mais velhas, ou aquelas que passaram por um transplante ou fazem tratamento contra o câncer, costumam ter um sistema imunológico mais debilitado, que não responde tão bem às ameaças infecciosas.

E isso, por sua vez, pode impactar os números da Covid: se a imunidade diminui mesmo ao longo dos meses, é possível que ocorra um novo aumento de casos, hospitalizações e até mortes, principalmente nos grupos que são mais vulneráveis.

Esse fenômeno, aliás, já foi visto em outros momentos da pandemia: quando as primeiras vacinas foram aprovadas, preconizava-se duas doses para todo mundo. Após algum tempo, os cientistas começaram a notar uma queda nos anticorpos e um aumento nas taxas de infecções e internações.

Houve um consenso, então, de que era preciso ofertar uma terceira aplicação do imunizante –primeiro em idosos e imunossuprimidos, depois para todos aqueles com mais de 18 anos.

"Pelos estudos que temos até agora, três doses são suficientes para proteger um adulto saudável de todas as variantes em circulação", informa a imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

"Já para indivíduos com imunidade mais baixa, como idosos, pacientes oncológicos, e transplantados, uma quarta dose já é necessária", complementa.

A especialista, que também representa a Sociedade Brasileira de Imunologia, entende que só saberemos sobre a relevância de novos reforços vacinais a partir de estudos científicos, que avaliarão como a imunidade se comporta daqui em diante.

"É hora de monitorar, testar e acompanhar o que está acontecendo no mundo e também no Brasil."

"Pode ser que, daqui a seis meses, apareçam tantos casos que seja preciso instituir uma quarta dose para todo mundo. Por ora, ainda não há essa necessidade", conclui a imunologista.

Por fim, é preciso notar que, no caso do Brasil, a cobertura da vacinação contra a Covid segue desigual em muitas partes do país: enquanto São Paulo, Piauí, Paraíba e Ceará apresentam mais de 80% da população imunizada, Amapá, Roraima, Acre e Maranhão não atingiram uma cobertura de 60%.

Já em relação à terceira dose, São Paulo é o único estado a ter mais de 50% dos adultos com o reforço contra o coronavírus.

18/04/2022 – UOL Viva Bem

Link: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/bbc/2022/04/18/covid-19-5-fatores-que-podem-ameacar-o-fim-da-emergencia-de-saude-publica-anunciado-no-brasil.htm

Covid-19: 5 fatores que podem ameaçar o fim da emergência de saúde pública anunciado no Brasil

Chegada do inverno, descoberta de novas variantes, surtos em outros países, desestruturação dos serviços e queda de proteção da vacina são alguns dos ingredientes que precisam ser observados de perto nas próximas semanas. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, declarou no domingo (17/4) que a covid-19 não será mais considerada uma emergência de saúde pública no Brasil. A decisão, que vai revogar uma série de regulamentações e leis que marcaram os últimos dois anos, gerou controvérsia entre especialistas.

"Me preocupa o fim da emergência nacional num momento em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda entende que estamos diante de uma pandemia, ou uma emergência de saúde pública internacional", critica a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). "E ainda não está claro o que isso vai significar na prática e qual será o plano se as coisas voltarem a piorar", chama a atenção Leonardo Bastos, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz). O anúncio do Ministério da Saúde acontece num momento em que as médias móveis de casos e mortes por covid-19 estão em queda no país —e o relaxamento das políticas preventivas, como o uso de máscaras e a prevenção de aglomerações, já estava em prática há semanas em diversas cidades e Estados.

Vale destacar que a revogação da Emergência em Saúde Pública de Interesse Nacional (Espin) não significa o fim da pandemia, como explicado pelo próprio ministro Queiroga. "Continuaremos a conviver com o vírus. O Ministério da Saúde permanece vigilante e preparado para adotar todas as ações necessárias para garantir a saúde dos brasileiros em total respeito à Constituição Federal", afirmou. Mas e se os casos, as hospitalizações e as mortes por covid-19 voltarem a subir em alguma parte do país? Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil listam os cinco fatores que podem ameaçar o fim da emergência de saúde pública anunciada pelo governo —e o que deveria ser feito para combatê-los.

  1. Temporada de frio

Todos os anos, a chegada do outono e do inverno costuma vir acompanhada de um aumento nos casos de infecções respiratórias, como gripe e resfriado.

E isso está mais relacionado ao comportamento das pessoas do que aos vírus em si: no frio, costumamos ficar mais tempo em lugares fechados, com pouca circulação de ar, e próximos uns dos outros.

Esse é o cenário perfeito para a transmissão de patógenos como o influenza, o causador da gripe, e do vírus sincicial respiratório, do bocavírus ou do rinovírus, que estão por trás do resfriado.

A flutuação de casos de doenças respiratórias de acordo com a estação do ano, aliás, é um fator determinante nas políticas públicas de saúde.

A campanha de vacinação contra a gripe, por exemplo, sempre começa no início de outono na maioria das regiões brasileiras. O objetivo é garantir, antes de o influenza circular com mais intensidade, uma maior proteção contra os casos graves da doença, especialmente nos grupos vulneráveis.

Em relação à covid-19, ainda não foi possível estabelecer quando ocorrerão os aumentos e as diminuições na taxa de infecção —como estamos no meio de uma pandemia de um vírus absolutamente novo, para o qual não tínhamos imunidade alguma, essas curvas sobem e descem em qualquer estação do ano.

"Mas é natural pensar que algo similar, com aumento de casos em épocas de frio, também venha a acontecer com a covid", complementa. E boa parte do Brasil está entrando justamente agora neste período de queda nas temperaturas. Será que isso influenciará na transmissão do coronavírus? Só o acompanhamento das estatísticas nas próximas semanas poderá responder essa questão.

  1. Surtos em outros lugares

Como fenômeno global, a pandemia tem repercussões em todos os continentes —e o que acontece do outro lado do mundo pode respingar aqui de alguma maneira.

Isso foi observado diversas vezes ao longo dos últimos dois anos. É só lembrar que os primeiros casos de covid foram observados na China e logo apareceram na Europa. Na sequência, o coronavírus foi detectado na América do Norte e, depois, no Brasil.

Entre 2020 e 2021, esse fluxo se repetiu algumas vezes: ondas de casos e mortes que começaram em alguma parte da Europa logo se repetiram nos Estados Unidos ou na América Latina (e vice-versa).

A própria variante ômicron, detectada originalmente na África do Sul em novembro do ano passado, se espalhou com uma velocidade sem precedentes e provocou recordes de infecções nos meses seguintes em várias partes do mundo.

Vale notar que, com o avanço da vacinação e o alto número de indivíduos que tiveram covid, a influência da situação internacional no contexto de cada país se torna menos relevante —uma população com alto grau de imunidade tende a sofrer menos com novos surtos do que os moradores de um local que não experimentou grandes ondas recentemente.

Mesmo assim, os especialistas consideram prematuro ignorar completamente uma piora dos números em qualquer parte do mundo, ainda mais num momento de abandono das medidas restritivas e de aumento na circulação de pessoas.

Maciel explica que, dentro de uma pandemia, existem alguns momentos de crise e outros de calmaria. "Nós temos as ondas e períodos interpandêmicos, marcados pela diminuição de casos, hospitalizações e mortes", diz. "E ainda é cedo para dizer se o que vivemos agora é justamente esse período interpandêmico, e logo veremos um novo aumento nos números, ou vamos passar realmente para a endemia, com uma estabilização do cenário", continua a epidemiologista.

O caminho para determinar onde estamos atualmente envolve monitorar o que acontece em todo o mundo, especialmente nos países com os quais os brasileiros têm mais contato e um fluxo constante de viagens. Caso a situação aperte nesses locais, pode ser necessário fazer novas restrições e aprimorar o controle de casos positivos de covid em portos, aeroportos e fronteiras.

  1. Desestruturação do sistema

Maciel também teme que o fim da emergência de saúde pública nacional desmonte serviços de vigilância e de atendimento aos pacientes que foram criados nesses últimos dois anos. "O decreto de Espin permite uma série de compras, licitações e normas para responder à crise sanitária que envolve a remessa de vacinas, a ampliação de leitos hospitalares, a distribuição de insumos...", lista. "O Governo Federal não pode acabar com o decreto sem fazer um período de transição, para que Estados e municípios planejem as ações dali em diante."

A professora da Ufes ressalta que é hora de manter os serviços de saúde e até reforçar o sistema de vigilância de casos e hospitalizações por covid. É justamente esse monitoramento contínuo que permite identificar um crescimento nas infecções de forma prematura, antes que o problema se espalhe, e tomar as ações para contê-lo. "E se passarmos por uma nova mudança de cenário, em que os casos, hospitalizações e mortes por covid voltem a aumentar?", questiona Bastos. "É preciso deixar claro o que será feito se a situação da covid piorar novamente", completa o pesquisador.

  1. Aparecimento de novas variantes

Um dos grandes temores dos especialistas é o surgimento de uma nova versão do coronavírus ainda mais transmissível, agressiva ou com capacidade de "driblar" a imunidade obtida com a vacinação ou com as infecções prévias. "Esse é um risco que está posto e com o qual já lidamos algumas vezes nesta pandemia", aponta o virologista Fernando Spilki, professor da Universidade Feevale, no Rio Grande do Sul. As variantes de preocupação registradas até o momento apareceram em locais onde havia uma alta taxa de transmissão do patógeno. Foi o caso da variante alfa, no Reino Unido, da gama, no Brasil, da delta, na Índia e da ômicron, na África do Sul.

Nada garante que esse fenômeno volte a se repetir nos meses que virão, ainda mais num cenário em que o vírus circula livremente e sem restrições. A boa notícia é que, pelo observado até agora, as vacinas continuam a oferecer um bom nível de proteção contra as formas mais graves de covid, que causam hospitalização e morte. "Vemos também que há uma espécie de convergência e similaridade entre as variantes que identificamos até agora: algumas mutações apareceram de forma simultânea e independente em lugares diferentes", analisa Spilki, que também coordena a Rede Corona-ômica do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações.

"A tendência é que, com o passar do tempo, tenhamos cada vez menos mortes por covid. Mas também podemos sofrer surtos de proporções elevadas, especialmente se surgirem variantes mais diversas e que consigam escapar da imunidade", complementa o especialista. Para evitar que essa possibilidade pessimista vire realidade, o caminho é fazer a vigilância genômica e identificar precocemente as novas variantes que surgirem.

  1. Queda da proteção

Para completar, ainda não está 100% claro quanto tempo dura a imunidade após a vacinação ou a infecção pelo coronavírus. Essa proteção, inclusive, deve variar de acordo com uma série de características. Indivíduos mais jovens, por exemplo, podem estar bem resguardados da infecção (ou de suas repercussões mais graves) após tomarem três doses do imunizante.

Já pessoas mais velhas, ou aquelas que passaram por um transplante ou fazem tratamento contra o câncer, costumam ter um sistema imunológico mais debilitado, que não responde tão bem às ameaças infecciosas. E isso, por sua vez, pode impactar os números da covid: se a imunidade diminui mesmo ao longo dos meses, é possível que ocorra um novo aumento de casos, hospitalizações e até mortes, principalmente nos grupos que são mais vulneráveis. Esse fenômeno, aliás, já foi visto em outros momentos da pandemia: quando as primeiras vacinas foram aprovadas, preconizava-se duas doses para todo mundo. Após algum tempo, os cientistas começaram a notar uma queda nos anticorpos e um aumento nas taxas de infecções e internações. Houve um consenso, então, de que era preciso ofertar uma terceira aplicação do imunizante —primeiro em idosos e imunossuprimidos, depois para todos aqueles com mais de 18 anos.

"Pelos estudos que temos até agora, três doses são suficientes para proteger um adulto saudável de todas as variantes em circulação", informa a imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. "Já para indivíduos com imunidade mais baixa, como idosos, pacientes oncológicos, e transplantados, uma quarta dose já é necessária", complementa. A especialista, que também representa a Sociedade Brasileira de Imunologia, entende que só saberemos sobre a relevância de novos reforços vacinais a partir de estudos científicos, que avaliarão como a imunidade se comporta daqui em diante.

"É hora de monitorar, testar e acompanhar o que está acontecendo no mundo e também no Brasil." "Pode ser que, daqui a seis meses, apareçam tantos casos que seja preciso instituir uma quarta dose para todo mundo. Por ora, ainda não há essa necessidade", conclui a imunologista. Por fim, é preciso notar que, no caso do Brasil, a cobertura da vacinação contra a covid segue desigual em muitas partes do país: enquanto São Paulo, Piauí, Paraíba e Ceará apresentam mais de 80% da população imunizada, Amapá, Roraima, Acre e Maranhão não atingiram uma cobertura de 60%. Já em relação à terceira dose, São Paulo é o único Estado a ter mais de 50% dos adultos com o reforço contra o coronavírus.

 

18/04/2022 – Extra Classe

Link: https://www.extraclasse.org.br/saude/2022/04/cresce-movimento-pela-inclusao-da-doacao-e-transplantes-de-orgaos-nas-graduacoes-da-saude/

Cresce movimento pela inclusão da doação e transplante de órgãos nas graduações da Saúde

A Associação Brasileira de Transplante de Órgãos promove na próxima quarta-feira, 20, seminário para definir estratégicas para a inserção do tema nos currículos da medicina e da enfermagem, entre outros

O coordenador da comissão de retirada de órgãos da ABTO, Bernardo David Sabat, diz que o seminário pretende estimular conteúdos informativos, formativos e estratégicos sobre o tema nas faculdades de medicina, enfermagem, psicologia, fisioterapia, nutrição, entre outros ligados à área da saúde.

“Não há um levantamento preciso da quantidade de disciplinas sobre transplantes nos cursos de graduação, mas sabemos que são poucas. E majoritariamente informativas. Não se trata de resistência por parte das faculdades, mas sim desconhecimento sobre a possibilidade de formar profissionais desde a graduação”, expõe Sabat, que também atua como professor-adjunto de cirurgia na Universidade Estadual de Pernambuco.

A disciplina mais antiga e uma das raras sobre esta temática é a do curso de medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), liderada pela  professora Clotilde Druck Garcia desde 2006. A disciplina Doação de Órgãos e Transplante I é opcional e também acabou replicada na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e na Universidade Católica de Pelotas (UCPel).

“A disciplina motiva os alunos, enfatiza a necessidade de uma responsabilidade civil e ética e ensina todo o processo de doação sobre todos os tipos de transplantes realizados nos hospitais da Santa Casa, especialmente coração, rim, rim-pâncreas, pele, medula, córnea e fígado. Nosso objetivo é educar para doação e para transplante”, explica a professora Clotilde, médica nefrologista com mais de 800 transplantes de rins no seu currículo. Segundo ela, as 40 vagas oferecidas pela Universidade a cada semestre são integralmente ocupadas.

Clotilde, que atua na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, será painelista do seminário virtual da ABTO ao lado dos médicos Agnaldo Soares Lima (Santa Casa BH/MG) e Ilka Boin (Unicamp/SP) e do deputado Ricardo Izar (SP).

Campanha aborda coordenações dos cursos

A iniciativa da ABTO se soma a de outras organizações civis que lutam na mesma frente. Com dez anos de atividades ininterruptas, o projeto Cultura Doadora, da Fundação Ecarta, de Porto Alegre (RS), lançou também neste ano a campanha +Doação e Transplante nos Currículos da Saúde. Dentre as ações para sensibilizar para a inclusão do tema nos currículos, está a abordagem direta das coordenações dos cursos de medicina.

“Para além da disposição doadora na sociedade, existem outros problemas que precisam ser enfrentados para qualificar o sistema de transplantes no país e salvar milhares de pessoas. Um desses problemas é justamente a falta de capacitação de profissionais da saúde para atuarem nessa área”, destaca o professor Marcos Fuhr, presidente da Fundação Ecarta.

No documento entregue às coordenações, a Ecarta salienta que “é fundamental que os profissionais tenham clareza sobre a ética no processo, o funcionamento do Sistema Nacional de Transplantes e sua rede de centrais estaduais, da constituição de Organizações de Procura de órgãos (OPOs), da criação e manutenção de Comissões Intra Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTTs), dos potenciais doadores e os órgãos que podem ser doados, da doação inter vivos, da capacitação para o diagnóstico de morte encefálica, da manutenção do potencial doador e da comunicação para a família enlutada”.

Já foram realizadas reuniões com as direções dos cursos de medicina das universidades do Rio Grande do Sul Feevale, Unisinos, Unijuí e Unisc. “Todas as instituições foram bastante receptivas até o momento e estão avaliando a proposta”, afirma Glaci Borges, coordenadora do Cultura Doadora.

Em lista de espera

O Brasil possui o maior programa público de transplante de órgãos, tecidos e células do mundo, que é garantido a toda a população por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), responsável pelo financiamento de cerca de 95% dos procedimentos no país. Apesar do grande volume de cirurgias realizadas, a quantidade de pessoas em lista de espera para receber um órgão ainda é grande.

No final do ano passado, a lista de transplantes do Ministério da Saúde contava com mais de 50 mil pessoas à espera de um órgão ou tecido. A maioria aguardam por rins e córneas. Além da resistência familiar, outro empecilho é a baixa taxa de identificação de mortes encefálicas nos hospitais. Segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes, 23% dos casos não são notificados.

 

17/04/2022 – Jornal O Povo

Link: https://www.opovo.com.br/coronavirus/2022/04/17/como-estao-as-medidas-contra-covid-pelo-mundo-e-o-que-podemos-aprender.html

Como estão as medidas contra Covid pelo mundo e o que podemos aprender

Nos últimos meses, países flexibilizaram medidas contra a Covid-19. Processo ocorreu em paralelo ao surgimento e disseminação da sublinhagem BA.2 do vírus

Com o arrefecimento da pandemia pelo mundo, muitos países começaram a abandonar as medidas de proteção contra a Covid-19. Liberação do uso de máscara em locais abertos e fechados. Dispensa do passaporte vacinal. Alguns até não recomendam mais o isolamento em casos de diagnóstico positivo. Certos países registraram novo aumento de casos da infecção. Para os especialistas, é difícil identificar o que causou o recrudescimento em cada caso, visto que o aumento também está associado à disseminação da nova sublinhagem BA.2.

Na Europa, por exemplo, houve uma forte onda de casos no início do ano causada pela variante Ômicron (BA.1), seguida de queda e posterior repique nas últimas semanas. No Brasil, a terceira onda foi registrada no início do ano. Com redução dos indicadores, estados começaram a afrouxar medidas. Atualmente, todos os estados desobrigaram o uso de máscara em espaços abertos. Alguns também retiraram a obrigatoriedade em locais fechados, incluindo o Ceará, desde a última sexta-feira, 15.

"É muito complexo tentar achar o motivo da curva de casos em cada país. Cada um vai ter a sua peculiaridade. Quando a gente fala da China, a gente tem uma população muito grande que no curso da pandemia foi pouco exposta ao vírus. Por mais que tenha uma cobertura vacinal ampla, é mais baixa entre a população mais idosa. Isso junta também com a chegada de uma variante mais transmissível como a Ômicron e a sublinhagem BA.2", analisa o físico Vitor Mori, pesquisador da Universidade de Vermont, nos EUA, e integrante do Observatório Covid-19 Brasil.

De acordo com ele, é difícil colocar o "peso relativo" de todos os fatores. Ou seja, especificar em que medida o relaxamento das medidas ou a introdução da nova variante causam um novo aumento de casos em determinado local. O percentual de vacinados e a quantidade de habitantes que foram infectados previamente também interferem nesse balanço, Mori acrescenta.

O cientista de dados Domingos Alves, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) e membro do Covid-19 Brasil, compartilha da avaliação. "A história no mundo inteiro vai ficar 'mal contada'. Porque concomitantemente os países começaram a diminuir as restrições mas teve o surgimento da Ômicron. Durante esse aumento, o relaxamento das medidas se manteve", afirma.

O movimento de retirada das restrições pelo mundo vem acontecendo desde meados de fevereiro, começo de março ainda com alta circulação da Ômicron. Ele relaciona que houve repique de casos em vários países, inclusive, desses que adotaram medidas restritivas mais leves.

"O que a gente viu é que a retirada da obrigatoriedade da máscara, claro, aumenta o potencial de transmissão. Mas há muitos outros fatores. É difícil fazer relação direta", diz Mori. "É importante acompanhar a variação e reversão de tendência para se tomar medidas antes que se tenha um pico muito grande", aconselha o pesquisador.

Apesar da dificuldade em especificar a parcela de contribuição de cada fator, Airton T. Stein, professor titular de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e médico de família e comunidade do Grupo Hospitalar Conceição, salienta a relação entre o uso da máscara e a transmissão da doença.

"Como o vírus SARS-CoV-2 é transmitido por gotículas, o contato direto entre indivíduos, levou a uma maior interação entre as pessoas e consequentemente um maior número de infecções", afirma. "Em vários estudos da curva epidêmica do Covid-19 é demonstrado que com o aumento da circulação do vírus na comunidade leva a um maior número de casos, principalmente caso a vacinação completa não tem uma boa cobertura, especialmente para a variante Ômicron é essencial incentivar a população ser vacinada com três doses", alerta.

Na avaliação do professor Domingos Alves, a desobrigação do uso de máscaras principalmente em locais fechados no Brasil é precipitada. "Ainda está se morrendo bastante gente e ainda tem muitos casos. Em comparação à Europa e aos países asiáticos, que controlaram a pandemia antes, o Brasil deveria ficar esperto", compara.

Ele alerta para a falta de homogeneidade na cobertura vacinal contra a Covid-19 entre os estados. Alguns estados apresentam taxa de cobertura vacinal da segunda dose abaixo de 60%, como Maranhão, Acre, Roraima, Amapá. Os estados cuja cobertura figura entre 60% e 65%, como Alagoas, Rondônia, Amazonas e Tocantins "também não deveriam estar adotando essas medidas de relaxamento dessa maneira".

Segundo ele, há risco de repique de casos para os estados com menos de 30% da população vacinada com a terceira dose, mesmo que estejam com mais de 60% com a segunda dose. "São Paulo, que tem maior cobertura, 85% de segunda dose e 54% de terceira dose. Assim como Piauí, Paraíba, Ceará, Rio Grande do Sul, que passaram de 40% da terceira dose, estão em situação melhor frente à circulação do vírus", opõe.

O professor Airton T. Stein considera a liberação do uso da máscara em locais abertos acertada e concorda que a retirada da medida em espaços fechadas é "equivocada". Ele aponta para a limitação no manejo da epidemia do Covid-19 no Brasil, que é uma vigilância genômica das variantes não abrangente.

"Em outros países, onde essa vigilância é realizada em maior número, tem a constatação do aumento da variante BA.2, que tem uma característica de ser mais transmissível". Por isso, ele considera que "é muito possível a ocorrência de um maior número de BA.2 no Brasil".

RESTRIÇÕES NOS PAÍSES

Estados UnidosEm maio de 2021, o País deixou de exigir a proteção para pessoas vacinadas em locais públicos abertos e fechados, com exceção do transporte público. Alguns meses depois, voltaram atrás. O uso de máscaras em locais fechados foi desobrigado novamente em fevereiro de 2022, após o fim da onda de Covid-19 impulsionada pela variante Ômicron.

InglaterraO uso de máscaras ao ar livre foi liberado em julho de 2021 e não voltou a ser exigida após a chegada da Ômicron. No caso do uso em ambientes fechados, a proteção deixou de ser obrigatória no fim de janeiro de 2022. Domingos Alves lembra que desde meados de fevereiro, o Reino Unido (que também inclui Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) vinha anunciando diminuição das restrições e a ideia de um plano de convivência com a Covid-19, retirando o auto isolamento em casos positivos.

PortugalEm 13 de setembro de 2021, parou de exigir máscaras ao ar livre, medida que não modificou a estabilização da curva de casos.

ChinaChina foi o único que voltou a ter medidas restritivas mais severas. Países asiáticos como China, Coréia do Sul e outros que tinham "controlado" a pandemia anteriormente tiveram aumento importante associado à Ômicron e a sublinhagem BA.2. O repique de casos não foi acompanhado de aumento de internações.

DinamarcaPor outro lado, Dinamarca suspendeu todas as restrições contra a Covid-19, pois consideraram que a Covid-19 não era mais socialmente crítica. Flexibilização ocorreu ainda em momento de alta de casos. Governo argumentou alta cobertura vacinal com dose de reforço e queda nas hospitalizações. Áustria e Holanda também retiraram a grande maioria das medidas restritivas.

FrançaNa França, o uso de máscaras também em locais fechados não é mais obrigatório desdeo fim de fevereiro, com exceção para o transporte público.

EspanhaPaís desobrigou o uso de máscaras ao ar livre pela primeira vez em maio de 2020. Em junho de 2021, a medida foi suspensa, mas retornou antes do Natal de 2021, com a chegada da Ômicron. Com a melhora dos indicadores, a Espanha desobrigou a medida em público novamente em fevereiro.

16/04/2022 – Bella Mais / Correio do Povo

Link: https://bellamais.correiodopovo.com.br/bemestar/saude/limitar-o-uso-de-telas-no-dia-a-dia-pode-melhorar-a-sa%C3%BAde-mental-1.806063

Limitar o uso de telas no dia a dia pode melhorar a saúde mental

Estabelecer limites ao utilizar celulares e computadores é necessário para evitar prejuízos e manter o bem-estar

Você já se perguntou quanto tempo gasta em frente às telas? Um levantamento da consultoria AppAnnie mostrou que, em 2021, o Brasil foi o país em que as pessoas passam mais horas no celular, uma média diária de 5,4 horas.

Aparelhos como celulares, tablets e computadores fazem parte da nossa rotina e concentram em suas telas, parte da nossa vida. Por isso, parece quase impossível se desconectar deles, porém, deve-se estabelecer limites para o seu uso e evitar assim, criar um tipo de dependência.

Prejuízos trazidos pelo uso excessivo de telas

Conforme explica o doutor em Psicologia e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Alcyr Alves de Oliveira, o que traz prejuízos para a saúde mental de uma pessoa não é a tela em si. “O que mais pode produzir algum tipo de estresse, mal estar ou desconforto são os conteúdos que são disponibilizados”, esclarece.

Por exemplo, se um indivíduo passa muitas horas em frente ao computador resolvendo pendências do trabalho, pode acabar se sentindo muito cansado ou estressado. Alcyr menciona ainda as notícias. “Vemos inúmeras situações que são ansiogênicas, ou seja, produzem ansiedade, desde notícias sobre o aumento da gasolina, dos preços dos alimentos e sobre a criminalidade. Somos pessoas que se preocupam com estas questões e precisam superar estes problemas”, comenta.

Segundo o professor, é possível, ainda, desenvolver um tipo de dependência dos aparelhos eletrônicos, sem falar, é claro, dos prejuízos à saúde física, principalmente dos olhos.

“Os equipamentos de hoje em dia são menos nocivos, mas ainda assim, uma parte da literatura científica aponta para prejuízos no sono. Todavia, muitos estudos sobre a perturbação antes de dormir estão relacionados com o tipo de luz e o tipo de conteúdo consumido”, explica.

Limites são necessários, mas é difícil colocá-los

Apesar de ser importante limitar o uso das telas, fazer isso na prática pode não ser tão simples, isso porque não existe uma quantidade de tempo determinada que configure ou caracterize a dependência.

Então, conforme afirma Alcyr, é difícil estabelecer qual é o limite. Isso dependerá da rotina de cada um e da presença e importância das telas em sua vida.

Uma sugestão do professor é fazer uma substituição. Ele lembra que hoje em dia, até as leituras são feitas através de telas. Que tal, então, trocar o livro digital por um físico? Esse pode ser um primeiro passo para passar menos tempo em aparelhos eletrônicos. Ele também recomenda que evite-se e que se reduza o consumo de conteúdos que reconhecidamente causem alterações de humor ou ansiedade.

Já nos casos em que a pessoa trabalha com esses equipamentos, a dica de Alcyr é realizar alguns intervalos. “A cada 50 minutos, pode-se fazer uma pequena pausa de 10 minutos, levantar, sair da cadeira, alongar os braços e as costas”, sugere.

Ele lembra que em alguns casos, para manter a concentração e foco no que está sendo feito, às vezes é melhor primeiro terminar a tarefa e depois se alongar. Já em outros momentos, o intervalo pode ajudar a pensar melhor. O importante é sempre equilibrar períodos de tempo junto às telas, com atividades longe delas.

15/04/2022 – Portal Camaquã

Link: https://www.portaldecamaqua.com.br/noticias/45572/grupo-sao-pietro-saude-aborda-conscientizacao-sobre-cegueira-pelo-abril-marrom-no-dia-19-de-abril.html

Grupo São Pietro Saúde aborda conscientização sobre cegueira pelo Abril Marrom no dia 19 de abril

Live especial do mês de combate e prevenção à cegueira reúne especialistas na terça-feira, 19/04, às 19h30, com transmissão no YouTube

O Grupo São Pietro Saúde irá realizar um evento especial alusivo ao Abril Marrom, considerado o mês de combate e prevenção à cegueira. Com transmissão gratuita no YouTube e transmitida do auditório do Hospital Banco de Olhos (HBO), a live será norteada pelo tema "É possível prevenir a cegueira?". A ação está prevista para terça-feira, dia 19 de abril, a partir das 19h30.

O Abril Marrom é uma campanha que foca na saúde ocular, especialmente na temática da cegueira. O mês foi escolhido devido ao Dia Nacional do Braille, celebrado em 08/04 em homenagem ao nascimento de José Álvares de Azevedo, professor responsável por trazer, em 1850, o alfabeto Braille ao Brasil. Já o marrom remete à cor de íris mais comum nos olhos dos brasileiros.

A campanha é uma oportunidade para ampliar a conscientização da população sobre a saúde ocular - uma vez que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 60% a 80% dos casos de cegueira são evitáveis. Alguns dos especialistas do Grupo São Pietro Saúde e do HBO irão levar informações sobre o tema e fomentar debates pertinentes à área.

Com mediação do Dr. Luciano Zuffo, sócio-fundador do Grupo São Pietro Saúde, a live de Abril Marrom irá contar com os seguintes médicos oftalmologistas: Dra. Paula Fernandes; Dr. Eduardo Mick Harter; Dr. Felipe Fernandes Nicola; Dr. Fausto Stangler (diretor técnico HBO); e Dr. Ricardo Mörschbächer (diretor de Ensino HBO). A conversa será transmitida no YouTube São Pietro Saúde: www.youtube.com/c/SãoPietroSaúde.

Conheça o currículo dos participantes da live:

Dr. Eduardo Mick Härter: Graduado em Medicina para UNISC. Possui residência em oftalmologia pelo IPSEMG-BH. É especialista em Cirurgia de Catarata e em Retina Cirúrgica e Vítreo. Coordena também a residência médica de oftalmologia do Hospital Nossa Senhora das Graças de Canoas.

Dr. Felipe Fernandes Nicola: Médico formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, especialista em oftalmologia pelo Instituto Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Concluiu fellowship no Hospital Banco de Olhos de Sorocaba e atua como cirurgião nas áreas de córnea, catarata e cirurgia refrativa.

Dra. Paula Fernandes: Médica pela Faculdade de Ciências Médicas de Juiz de Fora, realizou residência em oftalmologia no Instituto Benjamin Constant no Rio de Janeiro. Possui especializações em oftalmologia, cirurgia de catarata e retina clínica por renomadas instituições, tais como Conselho Brasileiro de Oftalmologia e Hospital Federal dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro.

Dr. Ricardo Morschbacher: Formado em medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), médico oftalmologista coordenador de ensino Hospital Banco de Olhos de Porto Alegre (HBO), professor adjunto de Oftalmologia da UFCSPA e ex-presidente da Sociedade de Cirurgia Plástica Ocular.

Dr. Fausto Stangler: Médico pela Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre (UFCSPA), diretor técnico do Hospital Banco de Olhos de Porto Alegre (HBO), especialista em Estrabismo pela Faculdade de Medicina do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto da USP e preceptor do Setor de Refração do HBO.

Dr. Luciano Zuffo: Sócio-fundador do Grupo São Pietro Saúde, MBA em Executivo em Saúde pela FVG São Paulo, Presidente da Associação Médica de Canoas (SOMEDICA), Mestrando em Gestão e Negócios pela Escola de Gestão e Negócios, Unisinos e Universidade Poitier- França.

14/04/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/04/especialistas-entendem-que-ha-epidemia-de-dengue-mas-prefeitura-da-capital-e-governo-do-rs-nao-elevam-status-da-doenca-cl1zg9ra3007b017cncpy0xa3.html

Especialistas entendem que há epidemia de dengue, mas prefeitura da Capital e governo do RS não elevam status da doença

Disseminação em quase todo o Estado e aumento no número de casos em relação ao ano passado preocupam autoridades e especialistas em saúde; veja o que fazer

O aumento vertiginoso de casos de dengue no Rio Grande do Sul e em Porto Alegre neste início de 2022 vem preocupando autoridades e levou a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) a iniciar análises sobre os indicadores da doença na capital gaúcha. Assim, era esperado que o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde apresentasse nesta quinta-feira (14) um parecer quanto à elevação do status da doença na cidade de "surto" para "epidemia" — o que não ocorreu.

Em nota, a SMS informou que não houve avanço na avaliação nesta quinta e que as análises seguirão em andamento na próxima semana. De acordo com o texto, estão sendo levados em consideração aspectos técnicos sobre infestação vetorial, incidência de casos no território e gravidade dos mesmos, além de dados referentes à capacidade assistencial da rede de saúde.

Diferentemente do coronavírus, a dengue não é transmitida entre humanos, mas por meio da picada do mosquito Aedes aegypti. A doença cresce no fim do verão, uma vez que o mosquito gosta de temperaturas moderadas e de chuva. Este ano já registrou mais do que o dobro do número de casos no Rio Grande do Sul no mesmo período de 2021.

De acordo com dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES-RS), 7.982 casos de dengue foram contabilizados em 2022 no Estado até 12 de abril — cinco pessoas já morreram. No mesmo intervalo do ano passado, foram 3,9 mil casos, com três mortes. Atualmente, 435 dos 497 municípios gaúchos já registraram casos de dengue, o maior número desde que o governo estadual começou a monitorar a doença, em 2000.

Sozinha, Porto Alegre concentra 1.069 infecções, conforme nota divulgada pela SMS nesta quinta, o que representa cerca de 13% do total de todo o Rio Grande do Sul. A maior parte dos casos está nas zonas Leste e Centro-Sul da capital gaúcha. Isso inclui os bairros Bom Jesus, Chácara das Pedras, Jardim Carvalho, Jardim do Salso, Jardim Sabará, São José (Morro Santana), Três Figueiras, Vila Jardim, Camaquã, Campo Novo, Cavalhada, Nonoai, Teresópolis e Vila Nova.

O médico Eduardo Sprinz, chefe da Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), afirma que tanto o Rio Grande do Sul quanto a capital gaúcha enfrentam epidemia de dengue. Para ele, as autoridades devem focar em campanhas de conscientização e em visitar domicílios para dedetizar e orientar – já a população deve evitar focos de água parada.

— Temos um número recorde de dengue em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul, com diversos focos da doença. Isso é uma epidemia. Estamos em um pico muito importante. O surto é quando há casos isolados em determinado local. Seria surto se houvesse dois ou três casos em um bairro específico. Mas não é o que vemos, casos existem em quase todas as cidades do Estado. Se há diversos surtos, é uma epidemia — diz Sprinz.

Mesma visão adota a bióloga Ana Gorini da Veiga, professora de Biologia Molecular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e pesquisadora de infecções virais:

— Entendo que o Estado está em epidemia porque um número considerável de municípios está com casos de dengue. Surto é quando há aumento repentino no número de casos de uma doença em um local específico, como creche, hospital ou um bairro. É epidemia quando a doença começa a aparecer em vários bairros de uma cidade ou em várias cidades de um Estado — diz Gorini.Mas o governo do Estado não deve declarar epidemia de dengue no RS e tampouco investir em campanhas de conscientização. Há regiões com pouquíssimos casos, e a temporada de dengue já está no final, com previsão de término em maio, diz Tani Ranieri, chefe da Vigilância em Saúde da SES. Todavia, ela diz que a Região Metropolitana vive epidemia de dengue.

— A região de Pelotas tem um caso confirmado de dengue. Osório, dois casos confirmados. Na região de Bagé, zero casos confirmados de dengue. Qual a diferença entre surto e epidemia? Hoje, para a Região Metropolitana, temos uma epidemia, porque quase a totalidade de bairros de Porto Alegre tem casos confirmados. Isso é uma epidemia para a região. Mas, para o Estado inteiro, precisaríamos de um maior registro em todas as regiões — afirma.

Por que tantos casos de dengue?

O número elevado de casos de dengue em comparação a anos anteriores ocorre por uma mistura de fatores. Tani Ranieri cita que o verão passado já havia registrado recorde de casos de dengue.

Quando há aumento de casos, existe proliferação do mosquito Aedes aegypti, o que exige trabalho de prevenção das autoridades e da população para acabar com focos de água parada para o próximo verão. No entanto, Ranieri reconhece que governos e população focaram a preocupação na covid-19 e deixaram a dengue de lado, o que abriu espaço para o mosquito se reproduzir ao longo de 2021.

— A população não pensava em dengue, até mesmo os gestores, todos os nossos olhares estavam voltados para a pandemia. A dengue passou desapercebida de maneira geral — explica.

O aumento de casos de dengue neste ano, portanto, já era esperado: como o mosquito se proliferou no ano passado, ao longo do período ficou adormecido e, no verão de 2022, já estava em maior quantidade para proliferar e provocar aumento de casos. Tani Ranieri afirma que, como a temporada de dengue deve acabar em maio, o Estado não deve investir em campanhas publicitárias de conscientização para este ano, mas deve fazê-lo para evitar uma disparada maior de dengue no próximo verão:

 — Se a população não se cuidar neste ano e não evitar focos de água parada, no próximo verão a dengue pode ser ainda pior — diz a chefe da Vigilância em Saúde.

A médica Rafaela Mafaciolli, infectologista na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e diretora da Sociedade Gaúcha de Infectologia (SGI), cita ainda que, para além do descuido em relação à dengue, a retomada em peso do trabalho presencial pode ter contribuído para o esquecimento de focos de água parada nas residências.

— As pessoas se preocupam tanto com covid que deixaram de prestar atenção em outros cuidados. Antes da covid, a campanha da dengue era muito mais forte, as visitas dos agentes de saúde também. Os agentes de saúde iam mais presencialmente nas casas, mas agora estão ocupados com a covid e a vacinação — diz a médica.

Analistas consideram baixa a probabilidade de aumento dos casos de zika e chikungunya, também transmitidos pelo mosquito da dengue. As chances de o inseto transmitir as três doenças ao mesmo tempo são reduzidas. Além disso, zika e chikungunya são pouco presentes no Rio Grande do Sul e mais comuns no Norte e Nordeste do país.

Em Porto Alegre, não há casos registrados de zika e chikungunya neste ano – em 2021, a Capital teve um caso importado de chikungunya. No Estado, são 18 casos da doença neste ano, sendo 16 no município de Água Santa, no Norte.

Quais os sintomas da dengue?

Fortes dores no corpo, cansaço e febre. Em casos graves, há risco de hemorragia interna.

Há remédios para a dengue?

Não há medicações específicas para a dengue, apenas para combater os sintomas causados pelo vírus.

Como se prevenir contra a dengue?

A dengue é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti sobretudo nesta época do ano, quando há uma combinação de temperaturas ainda elevadas e aumento da chuva. Acabe com focos de água parada, onde o mosquito deixa larvas e se reproduz, como vasos de plantas, pneus, caixas d’água, vidros, toldos, marquises, canos, calhas e piscinas.

Denúncias de locais com água parada podem ser feitas pelos telefones 3289-2471 ou 3289-2472 em horário comercial ou pelo 156, incluindo finais de semana e feriados.

Como é o mosquito da dengue?

O Aedes aegypti tem menos de um centímetro de diâmetro, é escuro, com riscos brancos nas patas, na cabeça e no corpo.

13/04/2022 – Portal da Câmara Municipal de Jataí

Link: https://www.jatai.go.leg.br/galerias/videos/programa-doacao-de-corpos-para-a-ciencia-profa-dra-andrea-oxley

Programa doação de corpos para a ciência (profa. dra. Andrea Oxley)

Primeira entrevista sobre programas de doação de corpos no Brasil: informações para os doadores com a profa. dra. Andrea Oxley da Rocha (UFCSPA)

Telefone de Contato: (51) 33038727

https://www.ufcspa.edu.br/vida-no-campus/doacao-de-corpos

E- mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Professora Dra. Andrea Oxley da Rocha,

Possui graduação em Medicina pela Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (1988), especialista em Cirurgia Geral, mestrado em Medicina: Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2003) e doutorado em Medicina: Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2006).

Atualmente é professora associada de anatomia da Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Coordenadora do Programa de Doação de Corpos para o Ensino em Pesquisa em Anatomia da UFCSPA.

Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Anatomia (SBA), (2018-2022) e cirurgiã do Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Mãe de Deus.

13/04/2022 – Portal Extra Classe

Link: https://www.extraclasse.org.br/geral/2022/04/o-apagao-de-dados-das-pessoas-trans-no-ensino-superior/

O apagão de dados das pessoas trans no ensino superior

86% das instituições da região metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, não sabem ou não revelam os números de estudantes transgêneros

“Eu não retirava livro na biblioteca porque não queria fazer o cartão da universidade com o meu nome errado”, conta André*, que se sentia inseguro em conversar com outras pessoas enquanto a instituição não reconhecesse o seu nome social (que já consta em sua carteira de identidade). O estudante faz parte dos 0,3% da população universitária federal do país que se identifica como pessoa trans, de acordo com a V Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico e Cultural dos(as) Graduandos(as) das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes), de 2018.

A história de André não é única, o relato do universitário de 20 anos expõe a face pouco visível da situação dos jovens trans no ensino superior brasileiro. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e do Ministério da Educação (MEC), solicitados via Lei de Acesso à Informação (LAI) para a reportagem, mostram que o Governo Federal não possui informações acerca dessa população. No entanto, a invisibilidade desses estudantes também está presente no dia a dia das instituições privadas de ensino.

Levantamento feito pela reportagem com 50 instituições das cinco cidades mais populosas da região metropolitana do Porto Alegre (Canoas, Gravataí, Novo Hamburgo, Porto Alegre e São Leopoldo), Rio Grande do Sul, mostra que 86% dos centros universitários, faculdades e universidades pesquisadas não possuem informações sobre essa parcela dos alunos.

A pesquisa começou a ser feita em setembro e consistiu no envio de duas perguntas simples: o número de estudantes matriculados na graduação, e o de estudantes trans (transexuais, transgêneros, travestis, pessoas não binárias) matriculados na instituição.

Das 22 instituições que responderam ao contato feito por e-mail e telefone, 86% alegaram não ter dados sobre esses estudantes. As principais justificativas recebidas para a falta de informações sobre este grupo foram a “não obrigatoriedade (do levantamento) por parte da legislação educacional”, o fato desta questão de gênero não estar incluída no questionário do Censo, ou ainda, o argumento de que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) (13.709/2018) “não permite o compartilhamento deste tipo de informação”. Abaixo, alguns exemplos.

Aproximadamente 30% das IES não compartilharam seus dados

Uma instituição, por exemplo, informa que não faz perguntas sobre o gênero dos estudantes. Quando o aluno tem o documento de nome social, ela faz o cadastro conforme a informação que está no documento. Porém, essa mesma instituição não tem informações de quantos estudantes fazem o uso do documento de nome social.

Das 50 instituições, 4 informaram que não podem enviar os dados por causa da LGPD. Porém, como explica o professor do Mestrado Profissional em Direito da Empresa e dos Negócios da Unisinos Cristiano Colombo, as instituições podem fornecer os dados com base no artigo 7 da Lei, que assegura: O tratamento de dados pessoais somente poderá ser realizado nas seguintes hipóteses:  IV — para a realização de estudos por órgão de pesquisa, garantida, sempre que possível, a anonimização dos dados pessoais.

“Dados que envolvem questões de gênero são considerados sensíveis pela LGPD. No entanto, há uma ressalva para órgãos de pesquisa, como aponta o artigo. Atualmente, está havendo uma cautela por parte das organizações para evitar multas. Ninguém quer ser o ‘caso líder’”, explica.

Colombo ainda lembra que as instituições também podem fornecer os dados com base no artigo 4 da lei, que considera os veículos jornalísticos, sempre levando em conta que as informações não devem especificar pessoas. O entendimento também vale para o artigo 7. O que diz o Art. 4º da LGPD:  Esta Lei não se aplica ao tratamento de dados pessoais: I — realizado por pessoa natural para fins exclusivamente particulares e não econômicos; II — realizado para fins exclusivamente: a) jornalístico e artísticos; ou b) acadêmicos, aplicando-se a esta hipótese os arts. 7º e 11 desta Lei.

Das 50 instituições, 10 encaminharam os dados com a totalidade de estudantes, mas apenas seis revelaram o número de estudantes trans. Os dados podem ser conferidos aqui. Pelo levantamento, são 117 o total de estudantes transgêneros identificados pelas instituições de ensino superior.

O maior número está na Universidade Federal do rio Grande dos Sul (Ufrgs), 98, logo em seguida vem a Unisinos, 12, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), 3, a Estácio/Fargs, 2, a Factum e a Famaqui, com 1. Juntos, estes seis cursos somam 57.911 estudantes.

Políticas públicas inexistentes, evasão escolar e baixa expectativa de vida

A falta de dados é, também, uma consequência da inexistência de políticas públicas que defendam as pessoas transexuais. O IBGE, que existe há mais de 80 anos e tem como função coletar e compartilhar dados e informações sobre o país, desconhece essa parcela da população. Segundo a Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (Antra), cerca de 2% da população brasileira integra a população trans do país.

Para o Censo de 2022, o Instituto informou, em nota, que perguntas sobre a identidade de gênero e a orientação sexual dos brasileiros são um tema sensível. Sobre a população trans, o IBGE disse que, por questões técnicas, não é possível coletar esse tipo de informação no Censo Demográfico.

Múltiplos fatores podem ser levados em conta para a invisibilidade da população trans no ensino superior. Os números mostram que há uma alta evasão do público trans no ensino básico. Uma pesquisa, da Rede Nacional de Pessoas Trans no Brasil, de 2017, aponta que 82% dos transexuais abandonam o ensino médio entre os 14 e os 18 anos. Entre as principais causas estão o preconceito e as agressões sofridas por esses estudantes.

Somado a isso, essa parcela da população também sofre com uma expectativa de vida de 35 anos, podendo estes serem o resultado da pequena porcentagem de pessoas trans no ensino superior. A inexistência de dados e informações colabora para a falta de políticas públicas voltadas a essa parcela da população — seja para o ingresso na faculdade ou para a proteção e segurança.

Para a diretora de Promoção de Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais do Ministério da Mulher, da Família, e Direitos Humanos, Marina Reidel, essa falta de informações é autoexplicativa. “As instituições simplesmente não têm os dados”, afirma.

Marina, que também é mestra em Educação pela Ufrgs e mulher trans, explica que o baixo número de estudantes transgêneros no ensino superior é um problema muito maior. “A questão vai além da universidade. O problema da falta dessa população é justamente pela exclusão escolar no período regimental, no período de ensino fundamental e médio. Quando uma pessoa transgênero se assume muito jovem, já na sua adolescência, ela vai começar a ter vários enfrentamentos.”, afirma.

Ela ainda fala sobre como isso pode ser prejudicial para o estudante trans em todo seu ciclo acadêmico. “Todos esses fatores vão levar à exclusão e a não ter um currículo que possa competir no mercado de trabalho. Às vezes não é só a questão da discriminação e o preconceito, é a falta de currículo mínimo para você poder disputar uma vaga”, contextualiza.

Histórias da experiência trans

“O teu nome é a tua identidade e, no momento que ele tá errado em algum documento, é como se tu não fosse quem tu é”, conta André*, que esperou dois meses para que a universidade na qual estudava em 2019, a Unisinos, fizesse a troca do seu nome nos sistemas internos.

O estudante ainda fez um paralelo com pessoas cisgênero. “Às vezes as pessoas cis tem o nome digitado errado, mas não é um negócio que te constrange, porque não é uma coisa que tá te invalidando como pessoa. Se o teu nome é ‘Jones’ e tá escrito ‘Jonas’, tu não vai se sentir totalmente inseguro como pessoa porque o teu nome tá com uma letra errada”, afirma.

Essa é a realidade de muitos dos estudantes trans que utilizam a carteira do nome social e dependem da agilidade das instituições para fazerem a troca de nome nos sistemas internos. “Eu ia toda semana no atendimento da universidade reclamar, eles davam um número de telefone, aí eu ligava e não adiantava. Na Unisinos ninguém me tratou mal, nunca fui discriminado, só foi uma coisa que realmente demorou”, confirma.

Em alguns casos, o desejo de ser reconhecido com o próprio nome acaba na justiça. Bernardo, estudante da PUCRS de 21 anos, precisou buscar apoio no poder judiciário e, mesmo assim, o processo levou mais de dois anos. “Eu me formei em três anos, desses três, dois foram tentando ter o meu nome nos documentos da universidade”, conta.

O estudante recorda que só conseguiu que a universidade fizesse o uso do nome social após ele ser vencedor de um prêmio dentro da instituição. “Eu ganhei essa distinção, mas ainda não tinha o meu nome correto nos sistemas. Meu professor então comprou a minha briga e disse que não aceitaria eu receber um prêmio que estivesse com o nome errado”, lembra. Após um acordo com a PUCRS, Bernardo retirou o processo contra a universidade, teve seus documentos atualizados e, de acordo com o estudante, hoje a instituição tem uma legislação interna, que facilita o processo de utilização do nome social.

A reportagem entrou em contato com a PUCRS para saber mais sobre a política interna de utilização do nome social. De acordo com a universidade, as políticas que elas seguem são aquelas “expressas em resoluções e pareceres disponíveis no portal do MEC, para Instituições de Ensino”. Sobre a demora na resolução do caso a instituição respondeu que segue “o que está definido na política nacional, que define que o interessado deve solicitar a alteração de seu nome ao setor competente na IES. Nosso sistema de informação está totalmente adaptado para atender o registro do nome social”.

Rodrigo, de 20 anos, também estudante, aponta uma falta de preparo para a demora na troca de nomes. Para o estudante, não falar sobre as pessoas trans, oferecer capacitação sobre o nome social e qual a importância dessas mudanças pode gerar constrangimentos. “Se tu  é uma pessoa que não tem entendimento do que é uma pessoa trans e o que é nome social, vai ser difícil entender porque um aluno precisa do nome social na chamada. Se eu nunca vi, não tenho noção do que é, não tem como entender porque é necessário”, explica. Ele afirma que, na universidade, é difícil ter pessoas com entendimento de que essa é uma questão que precisa ser atendida prontamente.

No entanto, o problema vai muito além de ter o nome correto nos sistemas das universidades. Uma simples ida até o banheiro também é um desafio para os alunos trans. “Eu não me sinto confortável em ir ao banheiro masculino, eu sei que é perigoso. A Unisinos todo semestre tem os questionários para dar nota ou ‘o que você acha que pode melhorar’ e eu já coloquei sobre o banheiro neutro”, conta Caleb, de 24 anos, outro estudante trans da universidade que espera por essas melhoras para conseguir aproveitar o campus com total segurança e dignidade.

Ele não é o único. Rodrigo* também relata esse medo, amplificado por já ter vivido situações de transfobia em outros locais. “O que eu tive dentro da instituição e acabo tendo é o medo de frequentar o banheiro masculino. Isso pode ser uma coisa de insegurança pessoal, mas ainda é a situação de uma pessoa que já passou por muita dificuldade, por medo de ser afrontado. Eu ainda acho que a universidade não é um lugar que tá seguro e que tá preparado para ter esse tipo de fala”, afirma.

Essa necessidade básica mobiliza os estudantes, mas ainda não é algo que faz as universidades agirem. Arthur*, estudante de 26 anos também da Unisinos, conta que em 2017 mobilizou um grupo de alunos para falar com a coordenação sobre os banheiros. O episódio ocorreu após uma ação da Semana Acadêmica do curso de Serviço Social, que teve como temática questões da comunidade LGBTQIAP+. No entanto, o assunto e as solicitações não tiveram andamento. “Eles só enrolaram, não deu em nada”, lembra Arthur.

As vivências na universidade têm grande impacto na vida acadêmica dos entrevistados. É unânime a ideia de que são incluídos, mas não representados. Arthur conta que em uma disciplina do curso, uma professora constantemente utilizava os pronomes errados quando se referia às pessoas trans. Para ele, a profissional não estava preparada para falar sobre o assunto, ainda que estivesse à frente de uma cadeira que tratasse sobre gênero.

Rodrigo ainda vai além e conta que, em alguns casos, as pessoas trans são tratadas como enciclopédias. O estudante lembra que já teve uma supervisora que ficava cuidando de suas ações e fazendo perguntas intrusivas, como, por exemplo, qual o motivo de ele utilizar o banheiro masculino. “Às vezes as pessoas confundem intimidade com um falso senso de que ‘Ok, tu é meu amigo e agora vai tirar minhas dúvidas“, afirma.

Ter um círculo de amigos próximos também não significa representatividade. Rodrigo explica que, quando está com seus colegas, se sente acolhido e tem uma rede de apoio. No entanto, em disciplinas ou outras ocasiões que não está com esse grupo de pessoas, não sente a mesma confiança de entrar em uma sala ou de ser mais aberto. “Eu não me sinto representado na Unisinos. Falta muita coisa. Eu encontrei duas pessoas que também são trans, dois homens, na universidade. Mas eu não posso dizer que encontrei uma mulher trans formada, uma pessoa não binária que já está mais adiante”, conta. O universitário aponta que essa falta de representatividade pode estar atrelada à falta de preparo psicológico da população trans, que é constantemente atacada e discriminada.

Assim como os demais, Caleb também se sente bem dentro do seu curso e afirma que consegue se expressar como pessoa trans nas atividades acadêmicas específicas da sua graduação. No entanto, aponta o despreparo dos professores que trabalham com as disciplinas abertas. “Em uma cadeira aberta, eu falo que meu nome é Caleb e me refiro no masculino, só que é muito comum professores de cursos abertos se referirem a mim com o pronome errado, super comum, só que eu não tenho forças pra corrigir”.

Sobre a representatividade, André explica que as consequências da pandemia deixaram essa questão ainda mais complicada. “Eu acho que o ensino à distância prejudica muito isso, porque a gente não vê as pessoas. Pode ser que eu tenha colegas trans e não sei”, conta.

De acordo com Caleb, algumas mudanças precisam acontecer para as pessoas trans se sentirem mais incluídas e representadas dentro do ambiente acadêmico. “Eu acho que primeiramente tornar o processo do nome uma coisa melhor. Todos os espaços têm que ter o teu nome, tinha que ser mais rápido. Ensinar os professores a lidar com essas coisas, você chega numa sala e você não sabe se o professor vai te chamar pelo pronome certo, se ele vai te ler errado”, explica. O estudante frisa que o despreparo foi uma das coisas que mais lhe afetou e também sente falta de um grupo de pessoas trans.

A reportagem entrou em contato com a Unisinos para saber mais sobre o processo de solicitação do nome social, a possibilidade de um banheiro de gênero neutro e o treinamento dos funcionários. A instituição informou que “respeita a igualdade de direitos e a individualidade da pessoa humana”. A instituição também afirmou que “a inclusão do nome social nos registros da Universidade acontece sob demanda, via Atendimento Unisinos, e é atendida com brevidade”. Sobre os funcionários e o banheiro neutro, a universidade informou que “oferece às pessoas colaboradoras capacitações sobre diversos temas durante o ano. No que trata de infraestrutura, a Unisinos pensa a criação de seus espaços de forma inclusiva”.

As dificuldades para a retirada do nome social dependem das condições financeiras da população trans

Não ter sua identidade reconhecida é um tipo de violação de direito frequente para pessoas transexuais e travestis. Ainda assim, em teoria, instituições públicas e privadas, inseridas no sistema federal de ensino, devem seguir o Decreto Federal nº 8.727/2016, e adotar o nome social da pessoa travesti e transexual. É bom lembrar que o Rio Grande do Sul foi o primeiro estado do país a adotar a carteira de nome social, em 2012.

O nome social é o modo como a pessoa se identifica, uma vez que o nome civil não reflete sua identidade de gênero. A partir do decreto de 2016, ele deveria estar, também, em formulários, registros e cadastros dos mais diversos serviços federais. No entanto, isso não é uma realidade. Em resposta a um pedido de informação, via Lei de Acesso, a Ouvidoria do Inep informou à reportagem que os dados sobre nome social não são coletados pelo Censo da Educação Básica, dessa forma não existe nenhum tipo de informação sobre a população trans no ensino superior.

O próprio pedido para a retirada do nome social não é algo fácil, mesmo com a legislação completando cinco anos. Os desafios enfrentados variam, também, de acordo com as condições financeiras de cada pessoa. Xuxa Malakoski é uma mulher trans e militante dos direitos das pessoas trans e travestis. Durante três anos, foi presidente do Grupo de Apoio à Diversidade (GAD) de São Leopoldo, mas, atualmente, está afastada do cargo. Xuxa ainda auxilia diversas meninas trans em situação de vulnerabilidade no município. Uma das ações desenvolvidas é auxiliar na retirada da carteira de nome social.

“Nós esbarramos em vários problemas. Sempre que vamos até o cartório, eles pedem quase 10 documentos e muitas mulheres não conseguem tirar, porque muitas têm restrições no Serasa, ou problemas na justiça por serem marginalizadas. E isso acontece porque a sociedade civil não nos deu um trabalho, para mostrarmos que também podemos fazer algo em prol da sociedade”, explica Xuxa. Mesmo com toda a burocracia, o nome social não altera documentos como RG e CPF. Ele é usado entre parênteses e ao lado do nome de batismo.

Para a militante, um dos principais problemas enfrentados pela população trans é a invisibilidade das pessoas e das lutas por direitos básicos. “É uma população invisibilizada e a pouca visibilidade que temos, querem apagar. Porque tem muitas pessoas cis que se promovem em cima da nossa população”, comenta. Xuxa acredita que o pedido para o uso do nome social deveria ser menos burocrático, em especial para as pessoas trans em situação de vulnerabilidade. “O que escreveram na legislação tá muito bonito, mas o governo esqueceu que temos que bater de porta em porta e elas não se abrem, é muito difícil”, finaliza.

Cotas no ensino superior

Sem incentivo e sem uma legislação que defenda os seus direitos, essa população fica refém de migalhas das instituições de ensino superior. Dos 50 centros universitários, faculdades e universidades contatadas, apenas uma possui cotas para pessoas trans, na pós-graduação. A Ufrgs é a única da Região Sul do país com essa modalidade de entrada — são apenas 16 em todo o Brasil. A raiz desse problema se encontra na invisibilização da população trans em todo o país.

Na federal, seis programas de pós-graduação (PPG) oferecem cotas, o mais antigo é o de Sociologia, que garante as vagas desde 2016. De acordo com a universidade, não existe uma norma reguladora sobre a criação de cotas para as pessoas trans, cada programa é autônomo nesse sentido. Ao todo, são 92 programas de pós-graduação na Ufrgs e somente 18 possuem alguma modalidade de cota, de acordo com o Departamento de Educação e Desenvolvimento Social (Deds) da Pró-reitoria de Extensão.

Em 2018, uma pesquisa do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (Gemaa) mostrou que apenas 18% dos PPGs de instituições públicas de ensino superior adotam ações afirmativas. Essas ações são políticas públicas que tem como objetivo corrigir desigualdades raciais presentes na sociedade, acumuladas ao longo dos anos, explica a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Amazonas. O levantamento também mostra que, dos estudantes contemplados por essas vagas, apenas 2,72% são trangêneros.

Dos 50 centros universitários, faculdades e universidades contatadas, apenas a Ufrgs possui cotas para pessoas trans, na pós-graduação.

Como fizemos

Tudo começou com uma hipótese e logo após uma simples pergunta. A hipótese é que basicamente existem pouquíssimos estudantes trans no ensino superior gaúcho, o que nos leva a pergunta: por que isso acontece e como é a situação desse grupo no contexto universitário? A equipe de reportagem não encontrou dados sobre a população em nível estadual, somente nacional. Por isso, resolvemos nós mesmos produzir estes dados.

Foram definidos cinco municípios, localizados na Região Metropolitana de Porto Alegre (Canoas, Gravataí, Novo Hamburgo, Porto Alegre e São Leopoldo) e a partir destes foram listados 50 instituições de ensino superior (faculdades, universidades e centros universitários).

Cada repórter ficou responsável por entrar em contato com um grupo de instituições e a forma de contato foi padronizada. Primeiro, entrávamos em contato via telefone, informando o que era a pauta e quem poderia responder por estes dados. Através do e-mail disponibilizado, eram enviadas as perguntas. Com isso, foram cerca de dois meses anotando e-mails, enviando perguntas e cobrando respostas. Após alguns retornos, mais respostas e questionamentos eram feitos.

O resultado final foi um levantamento com um resultado que corrobora com nossa hipótese inicial. Praticamente, não existe um levantamento institucional. Com isso, não existem políticas e ações internas voltadas para a diversidade. Por fim, todo este processo resulta em um número baixo de estudantes trans e um número menor ainda de estudantes que terminam a graduação.

Especialistas que tratam do tema e também pessoas que sentem o problema na pele ajudam a elucidar melhor o impacto dos números encontrados no levantamento. As vítimas foram descobertas através de uma chamada que a equipe fez nas redes sociais, perguntando se pessoas trans, que estudam no ensino superior da região, gostariam de participar da matéria contando suas histórias e suas experiências.

Para chegar até as histórias, inicialmente, o chamado foi feito através do DCE da Unisinos, que compartilhou o post criado pela reportagem. Após isso, o post foi compartilhado pelo DCE da UFRGS e, igualmente, pela União Estadual dos Estudantes (UEE). O post também foi compartilhado no Twitter pelo influencer Alan Dubox.

*Os nomes dos estudantes transgêneros entrevistados foram alterados para preservar a sua integridade.

Esta reportagem foi realizada na disciplina de Jornalismo Investigativo do curso de Jornalismo da Universidade do Vale do Rio do Sinos – Unisinos, sob a supervisão da professora Luciana Kraemer, no segundo semestre de 2021.

O Extra Classe e a Unisinos firmaram Termo de Cooperação, no início de 2022, para a veiculação no jornal de reportagens produzidas pelos estudantes da disciplina de Jornalismo Investigativo do curso de Jornalismo da instituição e o acompanhamento dos estudantes na produção das edições mensais impressas do Extra Classe.

11/04/2022 – Portal Extra Classe

Link: https://www.extraclasse.org.br/saude/2022/04/mobilizacao-pede-formacao-em-doacao-e-transplantes-de-orgaos-nos-curriculos-de-saude/

Mobilização pede a inclusão da doação e transplantes de órgãos nos currículos da saúde

Ação do projeto Cultura Doadora junto a instituições de ensino da educação superior no Rio Grande do Sul quer a capacitação de profissionais da saúde para atuarem no sistema de transplantes do país

“Para além do déficit de disposição doadora na sociedade, existem outros problemas que precisam ser enfrentados para qualificar o sistema de transplantes no país e salvar milhares de pessoas”, destaca o professor Marcos Fuhr, presidente da Fundação Ecarta, que há 10 anos mantém o projeto Cultura Doadora.  “Um desses problemas é justamente a falta de capacitação de profissionais da saúde para atuarem nesta área”.

Na tarde desta segunda-feira, 11, Marcos Fuhr e a coordenadora do projeto Cultura Doadora, Glaci Borges, estiveram reunidos com o coordenador do curso de Medicina da Feevale, Pedro Beria, e a coordenadora do Instituto de Ciências da Saúde da instituição, Caren Mello Guimarães, para apresentar a campanha + Doação e Transplante nos Currículos da Saúde e defender o acolhimento da proposta pela instituição.

A proposta foi muito bem recebida pela equipe que propôs que o tema da doação de órgãos seja o assunto da aula inaugural do Instituto de Ciências da Saúde na abertura do segundo semestre, em agosto. “O projeto Cultura Doadora realizou palestra na Feevale em 2017 e foi muito marcante para os estudantes e a instituição. O assunto é muito importante para todas as áreas do conhecimento”, destacou Caren, que também realizou seus estudos do mestrado nesta temática.

Neste ano, já foram realizadas reuniões com as direções dos cursos da área da saúde da Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos), da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí) e da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), instituições que estão avaliando a operacionalização da proposta. “Todas as instituições foram bastante receptivas até o momento”, afirma Glaci Borges.

Área altamente especializada

O presidente da Fundação Ecarta destaca que a complexidade dessa modalidade terapêutica exige preparo especializado e constante das equipes de profissionais de saúde envolvidos no cuidado do paciente.

“Também, devido à grande rotatividade desses profissionais nos centros doadores (hospitais com emergência e UTIs) e transplantadores, as instituições formadoras têm um amplo potencial para o oferecimento de formação complementar e continuada de novos profissionais, inclusive no âmbito da pós-graduação lato e stricto senso”, observa Fuhr.

Segundo a coordenadora do projeto Cultura Doadora, poucas instituições de educação superior mantém disciplinas com este conteúdo. “A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) é a única em Porto Alegre que tem uma disciplina eletiva voltada para todo o processo, da doação ao transplante”, destaca. Ela conta que em 2021 foi formalizada uma parceria com o Conselho Regional de Enfermagem (Coren) para que o tema esteja mais presente na categoria que representa 70% dos quadros técnicos que atuam nos transplantes.

A lista de espera por um órgão no país é de mais 50 mil pessoas, sendo cerca de 2.500 somente no Rio Grande do Sul. O estado já foi o primeiro em volume de doações e atualmente ocupa a oitava posição no país.

O projeto Cultura Doadora oferece suporte às instituições de ensino com sugestão de temas a serem abordados nas disciplinas, um rol de profissionais com amplo conhecimento na doação e transplantes de múltiplos órgãos, assim como transplantados, famílias doadoras, ativistas da área, entre outros palestrantes e subsídios para orientar a formação.

08/04/2022 – Escola Educação

Link: https://escolaeducacao.com.br/universidade-do-rs-tem-destaque-mundial-em-26-cursos/

Universidade do RS tem destaque mundial em 26 cursos

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) ganhou destaque mundial, após ter 26 dos seus cursos classificados como “melhores do mundo”.

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) ganhou destaque mundial, após ter 26 dos seus cursos classificados como “melhores do mundo”. O ranking foi desenvolvido pela QS World University Rankings by Subject 2022.

Conforme as informações foram considerados o desempenho do ensino superior, de acordo com a área de conhecimento. Dentre os que obtiveram mais destaque está o curso de Odontologia, simulando uma faixa de 51-70.

Mas, de um ângulo geral, a universidade se localiza na linha de 751-800 entre as melhores instituições do mundo.

Outro destaque foi o curso de Farmácia, o qual está localizado na faixa 151-200, já a medicina da faculdade encontra-se um pouco mais abaixo com 201-250.

Contudo, não foi somente a universidade gaúcha que obteve seu destaque, mas instituições como a Pontíficia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS), Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), além da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

No quesito medicina, as melhores notas estão para PUCRS, UFPel e UFSCPA. No entanto, para a UFSM o maior destaque encontra-se em Agricultura e Silvicultura.

Conheça as outras notas obtidas pela instituição UFRGS

Sociologia: 201-250

Linguística: 201-250

Psicologia: 251-300

Direito e Estudos Jurídicos: 301-340

Ciência da Computação: 301-350

Engenharia Química: 301-350

Engenharia Mecânica: 351-400

Química: 401-450

Ciências Sociais e Administração: 451-500

Matemática: 501-520

06/04/2022 – SB Comunicações

Link: https://sbcomunicacoes.com.br/ufrgs-tem-26-cursos-em-ranking-mundial-de-melhores-graduacoes/

UFRGS tem 26 cursos em ranking mundial de melhores graduações

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS) tem 26 cursos entre os melhores do mundo, conforme classificação do QS World University Rankings by Subject 2022, divulgado nesta quarta-feira. A avaliação leva em conta o desempenho do ensino superior, conforme área de conhecimento. A graduação da instituição com melhor resultado é Odontologia, figurando na faixa 51-70, as mais bem avaliadas em nível mundial.

De uma forma geral, a Ufrgs está classificada na faixa de 751-800 entre as melhores universidades do mundo. O curso de Farmácia da instituição de ensino é outro que está no ranking, aparecendo na faixa 151-200. Um pouco mais para baixo, a Medicina da universidade se mantém na faixa 201-250. O ranking pode ser conferido integralmente por meio deste link.

Além da Ufrgs, outras instituições gaúchas têm cursos entre os melhores do mundo: Pontíficia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS), Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

PUCRS, UFPel e UFSCPA aparecem no ranking das melhores graduações de Medicina. A UFSM, por sua vez, tem destaque no curso de Agricultura e Silvicultura (faixa 251-300).

Os analistas da empresa Quacquarelli Symonds (QS) avaliaram 62 disiplinas de 1.543 disciplinas. A metodologia para chegar nos resultados inclui fatores como reputação acadêmica, percepção do empregador e citações de pesquisa por publicação.

Confira outros dez cursos ou áreas de conhecimento da Ufrgs classificados entre os melhores do mundo:

Sociologia: 201-250

Linguística: 201-250

Psicologia: 251-300

Direito e Estudos Jurídicos: 301-340

Ciência da Computação: 301-350

Engenharia Química: 301-350

Engenharia Mecânica: 351-400

Química: 401-450

Ciências Sociais e Administração – 451-500

Matemática: 501-520

Fonte: Correio do Povo

06/04/2022 – Correio do Povo

Link: https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/ensino/ufrgs-tem-26-cursos-em-ranking-mundial-de-melhores-gradua%C3%A7%C3%B5es-1.801340

Ufrgs tem 26 cursos em ranking mundial de melhores graduações

Odontologia da universidade está entre as 100 melhores do mundo, conforme classificação

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) tem 26 cursos entre os melhores do mundo, conforme classificação do QS World University Rankings by Subject 2022, divulgado nesta quarta-feira. A avaliação leva em conta o desempenho do ensino superior, conforme área de conhecimento. A graduação da instituição com melhor resultado é Odontologia, figurando na faixa 51-70, as mais bem avaliadas em nível mundial.

De uma forma geral, a Ufrgs está classificada na faixa de 751-800 entre as melhores universidades do mundo. O curso de Farmácia da instituição de ensino é outro que está no ranking, aparecendo na faixa 151-200. Um pouco mais para baixo, a Medicina da universidade se mantém na faixa 201-250. O ranking pode ser conferido integralmente por meio deste link.

Além da Ufrgs, outras instituições gaúchas têm cursos entre os melhores do mundo: Pontíficia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS), Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

PUCRS, UFPel e UFSCPA aparecem no ranking das melhores graduações de Medicina. A UFSM, por sua vez, tem destaque no curso de Agricultura e Silvicultura (faixa 251-300).

Os analistas da empresa Quacquarelli Symonds (QS) avaliaram 62 disiplinas de 1.543 disciplinas. A metodologia para chegar nos resultados inclui fatores como reputação acadêmica, percepção do empregador e citações de pesquisa por publicação.

Confira outros dez cursos ou áreas de conhecimento da Ufrgs classificados entre os melhores do mundo:

Sociologia: 201-250

Linguística: 201-250

Psicologia: 251-300

Direito e Estudos Jurídicos: 301-340

Ciência da Computação: 301-350

Engenharia Química: 301-350

Engenharia Mecânica: 351-400

Química: 401-450

Ciências Sociais e Administração - 451-500

Matemática: 501-520

06/04/2022 – Portal UNA-SUS

Link: https://www.unasus.gov.br/noticia/prevencao-da-transmissao-vertical-do-hiv-aids-hepatites-virais-e-sifilis-e-tema-de-novo-curso-da-una-sus-ufcspa

Prevenção da Transmissão Vertical do HIV/AIDS, Hepatites Virais e Sífilis é tema de novo curso da UNA-SUS/UFCSPA

Com carga horária de 70h, o curso dá subsídios para a atuação na prevenção, rastreio, identificação e manejo desses agravos.

Profissionais de saúde e demais interessados já podem se inscrever no mais novo curso sobre prevenção da transmissão vertical do HIV/AIDS, hepatites virais e sífilis da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), instituição integrante da Rede UNA-SUS, em parceria com a OPAS/OMS.

Com carga horária de 70h, a capacitação oferece aos profissionais dos diferentes níveis de atenção à saúde as ferramentas necessárias para trabalharem alinhados e em sintonia com os processos, protocolos e as linhas de cuidado referentes à transmissão vertical da sífilis, hepatites virais e HIV.

Apesar de ter como público alvo, profissionais de nível superior, a capacitação é livre, gratuita e tem início imediato. As matrículas podem ser realizadas até o dia 31 de janeiro de 2023, pelo link.

De acordo com a professora e coordenadora geral da UNA-SUS/UFCSPA, Dra. Aline Corrêa de Souza, o curso dá subsídios para a atuação na prevenção, rastreio, identificação e manejo desses agravos.

"Todo o curso foi pensado para fortalecer a linha de cuidado, contribuindo para a integração dos serviços de assistência especializados com as unidades básicas de saúde, bem como as maternidades. Nele, os profissionais irão retomar as questões das políticas públicas e de gestão dos processos de trabalho nos diferentes níveis de atenção", destacou a coordenadora.

Dividido em quatro módulos, o conteúdo é apresentado de forma interativa, por meio de vídeos, podcast e casos complexos contextualizados em cidade virtual.

A unidade introdutória tem carga horária de 10h e aborda Políticas Públicas, Rede de Atenção e Processo de Trabalho; as demais, focam respectivamente na prevenção da transmissão vertical da Sífilis (20h), Hepatites Virais (15h) e HIV/AIDS (25h).

Para saber mais sobre este e outros cursos UNA-SUS, acesse www.unasus.gov.br/cursos

06/04/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2022/04/com-destaque-para-odontologia-ufrgs-tem-21-cursos-em-ranking-que-avalia-os-melhores-do-mundo-cl1mn9xio007s017c273otu7b.html

Com destaque para Odontologia, UFRGS tem 21 cursos em ranking que avalia os melhores do mundo

QS World University Rankings by Subject 2022 mede o desempenho conforme a área de conhecimento

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) tem 21 cursos classificados no QS World University Rankings by Subject 2022 (quatro a mais do que no ano passado). Divulgado nesta quarta-feira (6), o levantamento mundial avalia o desempenho do Ensino Superior conforme a área de conhecimento.

Além da UFRGS, outras cinco graduações figuram na lista, sendo duas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e outras três dos programas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Para chegar aos resultados, a empresa de análise global de Ensino Superior Quacquarelli Symonds (QS) avaliou 51 disciplinas de 1.543 instituições. Na edição de 2022, os cursos de 32 universidades brasileiras estão na lista.

A graduação com melhor desempenho no Rio Grande do Sul foi a Odontologia da UFRGS, que estreou no top cem da disciplina, na faixa 51-70. O curso é um destaque nas instituições brasileiras. A Universidade de São Paulo (USP) se encontra no 15º lugar globalmente, caindo duas posições na comparação anual. Outras duas instituições também ficaram entre as 50 melhores nesta avaliação, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em 32º lugar, e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), em 36º.

A UFRGS também pontuou nas cinco grandes áreas de ensino que englobam vários cursos: Artes e Humanidades, Engenharia e Tecnologia, Ciências da Vida e Medicina, Ciências Naturais, Ciências Sociais e Administração (veja as notas na tabela abaixo).

Nestes critérios, o melhor desempenho da maior federal do Estado foi na área das Ciências da Vida e Medicina, ainda que tenha caído algumas posições. Em 2022, a UFRGS ficou em 272º lugar nessa área, e, em 2021, estava em 260º. O curso de Farmácia, que em 2021 estava entre os 150 melhores no ranking mundial (e foi a melhor posição entre as graduações gaúchas), foi para a faixa 151-200.

A Medicina da UFRGS se manteve na faixa dos 201-250. Já a da UFPel melhorou o desempenho e ficou na faixa 401-450 (em 2021, estava na 451-500). A graduação nesta área da PUCRS também subiu e ficou entre 451-500 (estava na 501-550). Já o curso da UFCSPA se manteve na faixa 501-550.

UNIVERSIDADES GAÚCHAS NO RANKING QS 2022

[Verificar tabela no link acima.]

A Medicina é um dos cursos em que o Brasil mais aparece no ranking, com 21 universidades incluídas. A USP lidera o ranking nacional, e subiu para 77ª no levantamento mundial. Se comparadas apenas com as brasileiras, a UFRGS fica em quinto, a UFPel, em 10º, a PUCRS, em 12º, e a UFSCPA, em 15º.

A relevância do setor agrícola no Brasil também se reflete no ranking da QS, com 18 universidades nacionais classificadas no curso Agricultura & Silvicultura. A UFSM está entre elas, mantendo-se na faixa 251-300 em relação ao ano passado. 

O ranking completo pode ser conferido neste site.

Como funciona a avaliação

Os analistas globais de Ensino Superior da QS Quacquarelli Symonds realizam análises comparativas sobre o desempenho de 15,2 mil programas universitários individuais, oferecidos a estudantes em 1.543 universidades, que podem ser encontrados em 88 locais em todo o mundo, em 51 disciplinas acadêmicas e em cinco grandes áreas de ensino.

A metodologia dos avaliadores passa pela reputação acadêmica, reputação por parte do empregador, citações de pesquisa por publicação, produtividade e impacto do trabalho, e um indicador adicional, a Rede Internacional de Pesquisa, nas tabelas de áreas do ensino (Artes & Humanidades, Ciências da Vida e Medicina, Ciências Naturais, Engenharia & Tecnologia e Ciências Sociais e Administração).

O peso de cada critério varia conforme a especificidade do curso avaliado.

05/04/2022 – Rádio Difusora AM

Link: https://difusora890.com.br/instituicoes-publicas-criam-rede-para-combater-a-desinformacao-em-saude/

Instituições públicas criam rede para combater a desinformação em saúde

Assinatura de termo de cooperação e debate com pesquisadoras em Comunicação serão realizados em 8 de abril, no canal do MPF no YouTube

No próximo dia 8, das 13h30 às 15h30, oito instituições públicas sediadas no Rio Grande do Sul assinam termo de cooperação para criar a Rede Interinstitucional de Enfrentamento da Desinformação em Saúde. São três universidades federais, dois institutos federais de educação e três unidades do Ministério Público brasileiro, juntas para enfrentar o fenômeno da desinformação em saúde e seus impactos sobre os direitos dos cidadãos.

Além da assinatura e das manifestações dos representantes institucionais, o webinar Como enfrentar a desinformação em Saúde? Construindo soluções em rede reunirá duas pesquisadoras na área de Comunicação - Raquel Recuero (UFPEL) e Thaiane Moreira de Oliveira (UFF) - para uma análise do quadro atual e das perspectivas de ação por parte das instituições, dos profissionais da Ciência e da Comunicação e dos cidadãos.

O evento coroa oito meses de trabalho realizado em 2021 por estas e outras instituições, ao longo dos quais acompanhou-se o fenômeno da desinformação relacionada à pandemia de covid-19. A partir de uma iniciativa do Núcleo de Apoio Operacional à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão na 4ª Região, órgão do Ministério Público Federal, foram realizadas experiências de letramento digital e um curso sobre desinformação, voltados para o público interno das instituições. O amadurecimento dessa experiência resultou na decisão de criação da Rede, para contribuir para a reflexão, o debate e a ação das instituições para além de seus muros.

Para o procurador regional da República Paulo Gilberto Cogo Leivas, autor do Procedimento de Coordenação nº 1.04.000.000110/2021-18, que deu início a todo o processo, a desinformação é um dos grandes desafios de saúde pública a serem enfrentados no século XXI. "A rede está sendo construída por um conjunto de instituições a partir do entendimento de que a desinformação em saúde é um problema que deve ser enfrentado de modo cooperativo e coordenado", explica.

Saiba quais são as instituições signatárias:

- Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Farroupilha (IFFAR)

- Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS)

- Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP/RS)

- Procuradoria da República no Rio Grande do Sul (MPF - PR/RS)

- Procuradoria Regional da República na 4ª Região (MPF - PRR4)

- Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

- Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

- Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)

Serviço

Evento: CRIAÇÃO DA REDE INTERINSTITUCIONAL DE ENFRENTAMENTO DA DESINFORMAÇÃO EM SAÚDE

Data: 8 de abril

Horário: 13h30 - 15h30

Local: Canal do MPF no YouTube (https://www.youtube.com/canalMPF)

Programação:

Das 13h30 às 14h15

APRESENTAÇÃO DA REDE & ASSINATURA DO TERMO DE COOPERAÇÃO

PAULO GILBERTO COGO LEIVAS (MPF - PRR4)

Procurador Regional da República na 4ª Região, membro do Núcleo de Apoio Operacional à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão na 4ª Região e titular do procedimento de coordenação que resultou na criação da Rede Interinstitucional de Enfrentamento da Desinformação em Saúde.

REPRESENTANTES DAS INSTITUIÇÕES SIGNATÁRIAS

Das 14h15 às 15h30

WEBINAR COMO ENFRENTAR A DESINFORMAÇÃO EM SAÚDE? CONSTRUINDO SOLUÇÕES EM REDE

04/04/2022 – BBC e Época Negócios

Link BBC: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-60946582
Link Época Negócios via BBC: https://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2022/04/covid-brasil-esta-pronto-para-declarar-o-fim-da-pandemia.html

Covid: Brasil está pronto para declarar o 'fim' da pandemia?

O Governo Federal estuda revogar nos próximos dias uma série de medidas que marcaram os últimos dois anos, como a obrigatoriedade do uso de máscaras em alguns estabelecimentos, as regras sanitárias para a entrada de estrangeiros e a restrição na exportação de insumos médicos e hospitalares.

Esse movimento de flexibilização, que ainda precisa ser confirmado pelo Ministério da Saúde, acontece na esteira do que foi feito em muitos países da Europa, como Reino Unido, Dinamarca, França e Espanha, que a partir de fevereiro e março começaram a relaxar muitas das políticas públicas de saúde que marcaram 2020 e 2021.

Ainda no cenário internacional, a ideia da "covid zero", que tentava acabar com qualquer surto da doença logo no início, foi praticamente abandonada em locais como Austrália, Nova Zelândia e Coreia do Sul — o último bastião desta política é a China, que ainda faz lockdowns rigorosos nas regiões em que é detectado um aumento de casos da infecção pelo coronavírus.

Nas últimas semanas, porém, é possível notar um aumento em casos, hospitalizações e mortes por covid em alguns desses países que reabriram completamente.

Por ora, Brasil vive uma situação relativamente estável em relação à pandemia. As médias móveis de casos e mortes estão em queda desde o início de fevereiro e, até agora, as aglomerações registradas no carnaval e a liberação do uso de máscaras em muitos Estados não resultaram numa reversão dessa tendência, com uma piora significativa dos índices.

Diante de todos esses elementos, será que é hora de declarar o fim da pandemia? E o que o Brasil (e os brasileiros) podem aprender com situação pós-abertura observada em outros países?

A palavra final é da OMS

A epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo, lembra que a prerrogativa de declarar o início e o fim de uma pandemia é da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Portanto, não são os países que vão "rebaixar" o status da covid-19 e definir que ela se tornou uma doença endêmica.

O que o Ministério da Saúde pode fazer é acabar com a Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (Espin), o que permitiria aliviar muitas das medidas adotadas desde que o coronavírus começou a se espalhar país adentro.

A BBC News Brasil entrou em contato com o Ministério da Saúde para ter um posicionamento oficial a respeito da discussão e saber se as medidas contra a covid-19 serão revogadas ou não. Como resposta, a assessoria de imprensa enviou um vídeo de um evento realizado em 30 de março.

Nele, o ministro Marcelo Queiroga diz que a decisão sobre o alívio de todas as restrições ainda "depende de uma série de análises".

"Primeiro, [precisamos analisar] o cenário epidemiológico, que felizmente ruma para um controle maior, com queda de casos e óbitos sustentadas na última quinzena. A segunda é a estrutura do nosso sistema hospitalar, da nossa atenção primária às unidades especializadas. [...] O terceiro ponto é ter determinados medicamentos que possuem ação mais eficaz no combate da covid-19 na sua fase inicial, para impedir que a doença evolua para formas graves", discursou.

"O presidente [Jair Bolsonaro] me pediu prudência. O que nós estamos fazendo é harmonizar as medidas que já estão sendo tomadas por Estados e municípios", complementou.

"Me parece complicado e preocupante acabar com decretos nacionais enquanto a OMS ainda classifica a situação toda como uma pandemia", avalia Maciel.

A OMS, inclusive, lançou na quarta-feira (30/3) um planejamento estratégico para o mundo conseguir alcançar o fim da fase aguda da pandemia ainda em 2022.

No documento, a instituição leva em conta três possibilidades para os meses que virão:

Cenário otimista: as próximas variantes do coronavírus serão significativamente menos severas e a proteção contra quadros mais graves de covid será mantido sem a necessidade de doses de reforço ou a atualização das vacinas já disponíveis.

Cenário pessimista: uma variante mais virulenta e com alta capacidade de transmissão aparecerá e conseguirá derrubar a efetividade das vacinas. A proteção contra quadros graves e mortes por covid despencará, especialmente nos grupos mais vulneráveis, o que demandará atualização dos imunizantes e novas doses de reforço nos grupos de risco.

Cenário realista: o coronavírus continuará a evoluir, porém a gravidade da infecção se reduzirá significativamente e haverá imunidade suficiente na população contra quadros mais graves e mortes, o que levará a surtos cada vez menos severos. Aumentos periódicos na transmissão viral continuarão a ocorrer, o que exigirá campanhas de vacinação ao menos para os grupos mais vulneráveis.

Para garantir que o cenário realista (ou até o otimista) se concretize e a pandemia chegue ao fim, a OMS destaca duas ações estratégicas básicas:

Reduzir a controlar a transmissão do coronavírus para proteger a população mais vulnerável e diminuir o risco de surgirem novas variantes agressivas

Prevenir, diagnosticar e tratar a covid-19 com medidas não farmacológicas, vacinas e remédios, para diminuir o máximo possível a mortalidade e as consequências de longo prazo da doença.

Maciel entende que o Brasil ainda precisa reforçar a resposta nos dois eixos estratégicos antes de pensar no fim da pandemia.

"Quando acabamos com todas as medidas preventivas e não promovemos campanhas de comunicação para conscientizar e proteger as pessoas, especialmente as mais vulneráveis, falhamos em reduzir a transmissão do coronavírus", diz.

"Para completar, nossa capacidade de testagem e vigilância continua ruim e só incorporamos o primeiro tratamento contra a covid-19 na rede pública esta semana", completa a especialista.

O remédio mencionado pela epidemiologista é o baracitinibe, da farmacêutica Eli Lilly. Ele começará a ser distribuído no Sistema Único de Saúde (SUS), mas só estará disponível para os casos mais graves, em que há necessidade de hospitalização e oxigenação complementar.

Ensinamentos que vêm da Ásia e da Europa

Países como Alemanha, Áustria, Reino Unido, Coreia do Sul e China registraram aumentos significativos de casos de covid nessas últimas semanas.

A retomada das infecções em alguns países europeus e asiáticos acontece em um momento em que a BA.2, uma variante "prima-irmã" da ômicron (a BA.1) se tornou dominante no mundo inteiro.

Para ter ideia, a BA.2 apareceu em 88,8% das amostras que foram sequenciadas no Reino Unido entre os dias 13 e 20 de março. A ômicron "original" representou 10,5% dos casos no mesmo período.

Esse padrão de crescimento da linhagem BA.2 pode ser observado em outros países, como Áustria, Coreia do Sul e Alemanha.

O mesmo fenômeno começa a ocorrer no Brasil: até fevereiro, a BA.2 aparecia em menos de 1% dos sequenciamentos genéticos. A partir de março, porém, o Instituto Todos pela Saúde observou um aumento significativo das amostras positivas para essa nova linhagem. Ela foi encontrada em 27,2% dos casos analisados em laboratório.

Há poucas semanas, a BA.1 reinava absoluta em muitos desses locais. Mas a variante perdeu a dianteira porque, de acordo com o Instituto Sorológico da Dinamarca, a BA.2 tem uma capacidade de transmissão 1,5 vez maior em comparação com a BA.1 — e olha que a BA.1 já era um dos vírus mais contagiosos que surgiram no último século.

"Todas as ondas que vimos nesta pandemia tiveram um componente em comum: o surgimento de uma nova variante do vírus", interpreta o médico Marcio Sommer Bittencourt, professor associado da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.

A BA.2 é mais agressiva?

A boa notícia é que a BA.2 não parece estar relacionada a um quadro mais grave do que o observado até agora com a BA.1.

"As análises preliminares não encontraram evidências de um risco maior de hospitalização após a infecção com a BA.2, em comparação com a BA.1", escreve a Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido num relatório publicado no dia 25 de março de 2022.

Vale lembrar que probabilidade de sofrer complicações da covid também está relacionada à quantidade de vacinas que um indivíduo tomou ou às infecções prévias.

Ou seja: quem tem pouca ou nenhuma imunidade contra o coronavírus pode experimentar consequências muito piores do que alguém que está com as doses em dia, especialmente se considerarmos os grupos de risco (como idosos e portadores de doenças crônicas).

Outro aspecto que traz uma perspectiva otimista para esse novo aumento de casos é que ele tende a subir e cair rapidamente, a exemplo do que ocorreu com a BA.1: em países onde a BA.2 virou dominante há algumas semanas, como Dinamarca e Holanda, o registro diário de infecções já entrou em queda novamente.

No entanto, uma elevação de casos também pode suscitar um aumento de hospitalizações e óbitos, ainda mais nos lugares com uma grande parcela da população suscetível pela baixa cobertura vacinal ou pela ausência de ondas maiores até então.

Em muitos dos países que tiveram aumento de casos recentemente, já é possível notar uma subida nas curvas de internações e mortes, embora elas estejam num patamar bem abaixo do observado em outros momentos mais graves da pandemia.

"Vemos que esse aumento de casos é mais intenso nos países que não têm uma taxa de vacinação adequada ou não tiveram grandes ondas anteriormente", observa Bittencourt. É o caso, por exemplo, de Alemanha e Coreia do Sul.

Já Portugal e Espanha, que estão com uma alta cobertura vacinal e tiveram mais casos de infecção prévia, parecem possuir uma "bagagem imunológica" maior e não experimentam um aumento de casos tão grande agora.

Os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil entendem que não dá pra dizer que esse mesmo cenário de aumento de casos pela BA.2 no exterior também se repetirá no país.

Em outros momentos da pandemia, coisas que impactaram profundamente o Brasil — como a variante gama — não tiveram o mesmo efeito no cenário internacional.

E o inverso também aconteceu: embora tenha sido avassaladora na Índia e nos Estados Unidos, a variante delta não foi tão desastrosa do ponto de vista da mortalidade nas cidades brasileiras.

"A gente precisa acompanhar de perto essa subida da BA.2, para ver como isso impacta o número de casos por aqui", conta Maciel. "As próximas duas ou três semanas serão importantes para observar como isso acontecerá na prática", complementa a epidemiologista.

Liberou geral

Embora a alta transmissibilidade da BA.2 seja a principal explicação para esse repique de casos em muitas partes do mundo, existe um segundo elemento que precisa ser considerado: o fim de quase todas as medidas restritivas que marcaram os últimos dois anos.

Em alguns países, o uso de máscaras deixou de ser obrigatório em lugares abertos e fechados, não há mais políticas de testagem em massa, nem a recomendação de que pacientes infectados com o coronavírus fiquem em isolamento.

A Áustria, inclusive, chegou a anunciar o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em locais fechados, mas voltou atrás no dia 18 de março. O ministro da Saúde local, Johannes Rauch, classificou como "prematura" a reabertura completa do país.

De forma geral, a mudança nas políticas públicas estimulou mais encontros e aglomerações, contextos onde o vírus consegue se espalhar em escala geométrica e criar novas cadeias de transmissão. E isso, junto com a maior taxa de contágio da BA.2, ajuda a explicar essa nova subida de casos em algumas partes do mundo.

É cedo ou chegou a hora?

Como citado anteriormente, a política de "covid zero", seguida à risca em lugares como Coreia do Sul, Vietnã, Taiwan, Austrália e Nova Zelândia, foi abandonada na maioria dos países. O único local que continua apostando nessa estratégia é a China, que recentemente chegou a decretar o confinamento de 25 milhões de habitantes de Xangai, uma das maiores cidades do país.

Mesmo entre os pesquisadores da área, soa quase como uma utopia a ideia de eliminar completamente a covid-19 de uma região através de medidas como o lockdown no atual contexto.

"Do ponto de vista da saúde pública, o fechamento total das atividades pode até fazer sentido. Mas o custo de parar tudo também traz custos sociais e econômicos muito grandes", pondera Bittencourt.

"No início da pandemia, com o risco da doença muito alto, o fechamento era necessário, por mais caro e custoso que isso fosse", diferencia o médico. "Atualmente temos vacinas e muitas pessoas foram infectadas, então o risco é menor, logo as medidas podem ser calibradas para essa situação."

Isso não significa que o extremo oposto dessa postura — a liberação completa de todas as restrições — faça sentido.

Para explicar esse ponto de vista, a médica Lucia Pellanda, professora de epidemiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, faz um paralelo entre a covid-19 e o futebol.

"Às vezes, sinto que a pandemia se assemelha a uma partida, em que estamos ganhando de 1 a 0 e simplesmente abandonamos o campo antes de o juiz dar o apito final", compra.

"Quando as coisas começam a melhorar um pouco, há uma pressa para dizer que a covid não é mais um problema e podemos acabar com todas as medidas preventivas."

"E o que a experiência nos mostra é que não existe uma solução simples para dar um fim de verdade à pandemia. Precisamos insistir com as vacinas, as máscaras e o cuidado com as aglomerações até o final desta partida", conclui a especialista.

Já o bioinformata Marcel Ribeiro-Dantas, pesquisador na área de saúde do Instituto Curie, na França, entende que muitos países fizeram tudo o que podiam e o relaxamento das medidas era um passo natural e razoável.

"Houve um esforço grande do governo e da população de muitos países europeus para conter a pandemia. Os primeiros lockdowns aqui na França foram drásticos e todo mundo ficou trancado em casa", lembra o pesquisador.

"Com a estafa natural após dois anos de restrições e a ampla disponibilidade de vacinas e tratamentos efetivos, parece inevitável que alguns países diminuam as restrições."

"A questão é conseguir transformar obrigações da lei em recomendações que as pessoas sigam no dia a dia. Quando você consegue conscientizar a população sobre a necessidade do uso de máscaras em alguns ambientes, por exemplo, isso passa a fazer parte de uma nova cultura daquele local", completa o especialista.

Como fica o Brasil no meio de tudo isso?

Trazendo todo esse debate sobre a reabertura para a realidade brasileira, Bittencourt entende que, diante de uma situação mais estável da pandemia, "é hora de discutir algumas medidas e ajustar a intensidade delas".

"É claro que isso não significa abandonar completamente o uso de máscaras. Elas são necessárias no transporte público, mas não precisam ser usadas em lugares abertos."

"Mas precisamos ter em mente também que o Brasil flexibilizou a maior parte das medidas há tempos. Shoppings, restaurantes e casas noturnas estão funcionando normalmente", completa.

Pellanda acredita que o desafio é fazer essa comunicação sobre o manejo e a prevenção da covid de forma adequada e contextualizada. "As pessoas precisam avaliar o risco individual e de cada local em que elas estiverem", diz.

"É errado encarar as máscaras como algo ruim e limitador. Elas precisam ser incorporadas em algumas situações, da mesma maneira que fizemos com o uso do cinto de segurança nos carros e com a proibição de fumar em estabelecimentos fechados", argumenta.

Maciel reforça que o momento atual exige campanhas para empoderar as pessoas sobre avaliação do risco de contágio para cada contexto

"Num momento em que o Estado retira as políticas públicas, a população precisa ser informada sobre como se proteger em algumas situações, especialmente quando pensamos em idosos e imunossuprimidos, que têm mais risco de sofrer com as complicações da covid", aponta.

Entre o fim da pandemia e uma nova piora no número de casos relacionada à BA.2 e ao relaxamento das medidas de prevenção, o caminho mais adequado e seguro em qualquer país do mundo continua bem parecido: acompanhar o que está acontecendo e adequar os cuidados à situação de momento.

04/04/2022 – Portal do MPF

Link: http://www.mpf.mp.br/regiao4/sala-de-imprensa/noticias-r4/instituicoes-publicas-criam-rede-para-combater-a-desinformacao-em-saude

Instituições públicas criam rede para combater a desinformação em Saúde

Assinatura de termo de cooperação e debate com pesquisadoras em Comunicação serão realizados em 8 de abril, no canal do MPF no YouTube

No próximo dia 8, das 13h30 às 15h30, oito instituições públicas sediadas no Rio Grande do Sul assinam termo de cooperação para criar a Rede Interinstitucional de Enfrentamento da Desinformação em Saúde. São três universidades federais, dois institutos federais de educação e três unidades do Ministério Público brasileiro, juntas para enfrentar o fenômeno da desinformação em saúde e seus impactos sobre os direitos dos cidadãos.

Além da assinatura e das manifestações dos representantes institucionais, o webinar Como enfrentar a desinformação em Saúde? Construindo soluções em rede reunirá duas pesquisadoras na área de Comunicação - Raquel Recuero (UFPEL) e Thaiane Moreira de Oliveira (UFF) - para uma análise do quadro atual e das perspectivas de ação por parte das instituições, dos profissionais da Ciência e da Comunicação e dos cidadãos.

O evento coroa oito meses de trabalho realizado em 2021 por estas e outras instituições, ao longo dos quais acompanhou-se o fenômeno da desinformação relacionada à pandemia de covid-19. A partir de uma iniciativa do Núcleo de Apoio Operacional à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão na 4ª Região, órgão do Ministério Público Federal, foram realizadas experiências de letramento digital e um curso sobre desinformação, voltados para o público interno das instituições. O amadurecimento dessa experiência resultou na decisão de criação da Rede, para contribuir para a reflexão, o debate e a ação das instituições para além de seus muros.

Para o procurador regional da República Paulo Gilberto Cogo Leivas, autor do Procedimento de Coordenação nº 1.04.000.000110/2021-18, que deu início a todo o processo, a desinformação é um dos grandes desafios de saúde pública a serem enfrentados no século XXI. "A rede está sendo construída por um conjunto de instituições a partir do entendimento de que a desinformação em saúde é um problema que deve ser enfrentado de modo cooperativo e coordenado", explica.

Saiba quais são as instituições signatárias:

- Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Farroupilha (IFFAR)

- Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS)

- Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP/RS)

- Procuradoria da República no Rio Grande do Sul (MPF - PR/RS)

- Procuradoria Regional da República na 4ª Região (MPF - PRR4)

- Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

- Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

- Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)

Serviço

Evento: CRIAÇÃO DA REDE INTERINSTITUCIONAL DE ENFRENTAMENTO DA DESINFORMAÇÃO EM SAÚDE

Data: 8 de abril

Horário: 13h30 - 15h30

Local: Canal do MPF no YouTube (https://www.youtube.com/canalMPF)

Programação:

Das 13h30 às 14h15

APRESENTAÇÃO DA REDE & ASSINATURA DO TERMO DE COOPERAÇÃO

PAULO GILBERTO COGO LEIVAS (MPF - PRR4)

Procurador Regional da República na 4ª Região, membro do Núcleo de Apoio Operacional à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão na 4ª Região e titular do procedimento de coordenação que resultou na criação da Rede Interinstitucional de Enfrentamento da Desinformação em Saúde.

REPRESENTANTES DAS INSTITUIÇÕES SIGNATÁRIAS

Das 14h15 às 15h30

WEBINAR COMO ENFRENTAR A DESINFORMAÇÃO EM SAÚDE? CONSTRUINDO SOLUÇÕES EM REDE

25/03/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2022/03/universitarios-que-iniciaram-a-faculdade-durante-a-pandemia-conhecem-a-rotina-nos-campi-apos-dois-anos-de-graduacao-cl15ny64q0063017cai5rs00e.html

Universitários que iniciaram a faculdade durante a pandemia conhecem a rotina nos campi após dois anos de graduação

Estudantes que começaram seus cursos em 2020 e 2021 têm agora os primeiros contatos com as atividades presenciais

Ir de manhã para a faculdade, almoçar no campus, descansar em gramados ou saguões e esperar junto com colegas para ter outra aula mais tarde é uma rotina familiar para quem já passou por uma graduação. Esse cotidiano, porém, está sendo uma novidade para muitos estudantes que iniciaram suas formações nas universidades nos últimos dois anos, enquanto a pandemia mudou a forma de estudar, com todas ou parte das aulas de forma remota.

Em cinco grandes instituições de Ensino Superior gaúchas – PUCRS, UFPel, UFRGS, UFSM e Unisinos – pelo menos 35 mil alunos ingressaram ao longo de 2020 e 2021. O número pode ser maior, visto que a UFRGS, por exemplo, ainda não tem dados consolidados de 2021.

Na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), cerca de 5 mil estudantes começaram suas graduações nesses dois anos. Uma delas é Laura Eleutherio, 20 anos, que está no terceiro semestre do curso de Arquitetura e Urbanismo da instituição. A jovem iniciou os estudos no começo de 2020 e se decepcionou com a perspectiva de fazer as aulas no formato remoto.

— Acho que todos os estudantes se sentiram decepcionados. A gente era calouro, queria viver o campus, o contato com os colegas. Foi bem difícil ficar só em casa, mas, com o passar do tempo, a gente foi se acostumando — lembra Laura.

Um pouco do vínculo com os colegas se formou durante a realização de trabalhos em grupo, mesmo que à distância – mas mais superficial, nem perto do que a graduanda desejava. No ano passado, a jovem chegou a ter algumas aulas presenciais, ainda que em períodos isolados, sem a criação de uma rotina de ida à universidade. Em 2022, chegou o momento de experimentar o mundo universitário.

— Eu venho para a faculdade de manhã, porque faço iniciação científica, e fico aqui o dia inteiro, porque moro longe, em Gravataí. Minhas aulas começam à tarde e vão até de noite. Está sendo incrível ter essa experiência de conhecer meus colegas e professores, ter essa troca, ter contato com alunos de outros cursos — conta Laura, salientando que a novidade também pode ser desafiadora e cansativa, já que, pela primeira vez, os estudantes estão tendo que sair do conforto de suas casas.

O ensino também teve ganhos, na opinião da futura arquiteta:

— Os professores tentavam dar o seu melhor, mas era muito difícil no formato remoto. Também dava vergonha de perguntar algo para o professor, em uma sala virtual lotada. Agora, tu sente mais a integração com a turma e fica mais à vontade. Minha graduação vai ser separada entre antes e depois do presencial — resume a jovem.

Para ter um pouco do gostinho das aulas presenciais, Sofia Borges, 19 anos, que cursa o quinto semestre de Biomedicina na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), teve uma ideia: fazer um curso que desse noções básicas aos alunos sobre como se trabalha em um laboratório. A proposta foi fruto de uma experiência difícil com as aulas remotas.

— Foi bem complicado se adaptar ao estudo em casa. Demorou mais de meio ano para a turma e os professores se acostumarem com a plataforma e, mesmo depois, eu odiei, porque é muito ruim ficar em casa, ainda mais quando tu ainda não tem os teus amigos na faculdade. Por isso, no segundo semestre de 2021, eu e uma amiga começamos a fazer uma movimentação para voltar — relata a universitária.

A jovem lembra que conversou com coordenação e professores e percebeu que muitos tinham vontade de voltar ao presencial, mas, como já havia um calendário aprovado em andamento, o que era possível naquele momento era oferecer uma atividade extracurricular. Foi criado, então, o Curso de Instrumentação Laboratorial, para estudantes de Farmácia e Biomedicina.

— A adesão nos surpreendeu. O curso envolveu uns 100 alunos. Achávamos que só pessoas que entraram na faculdade durante a pandemia teriam interesse, mas pessoas de semestres mais adiantados também quiseram — destaca Sofia.

Na UFCSPA, a previsão é de que 100% das aulas práticas e 50% das teóricas voltem para a presencialidade em abril. A retomada total deve acontecer de forma gradual entre maio e julho. Mas, para Sofia, a experiência do curso e a iniciação científica em um laboratório da universidade, iniciada em 2021, mas tornada presencial em 2022, já fizeram uma grande diferença em seu aprendizado.

— Nesse mês em que eu fui todos os dias para a UFCSPA eu já aprendi tanta coisa. Tu pega o jeito muito rápido, agora sinto que posso fazer na prática aquilo que, quando me ensinaram, parecia muito mais difícil do que é na vida real — comenta a graduanda.

Já veterano em graduações, Luis Henrique Severo, 35 anos, desbrava seu terceiro curso, agora de Psicologia, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Formado em Educação Física, ele começou a nova faculdade em janeiro de 2021. Sente que as aulas remotas não lhe incomodaram tanto quanto seus colegas mais novos, mas, mesmo assim, representaram desafios.

— No início, a turma começou as aulas remotas motivada de conhecer os colegas, alguns abriam câmeras, outros não. Até consegui vários vínculos sociais que achava que, no online, não iriam acontecer. No segundo semestre isso se manteve, mas, no último, eu vi que as pessoas, inclusive eu, já estavam um pouco cansadas disso de estar em casa o tempo inteiro — analisa Luis.

Por enquanto, as aulas do estudante seguem remotas. Algumas atividades, no entanto, já estão presenciais, como o projeto de extensão do qual ele faz parte, de acompanhamento terapêutico. O universitário afirma que a experiência tem sido boa especialmente no que se refere a conversas não vinculadas às aulas em si.

— Agora temos as conversas entre aulas, que o online não tem. No online, a gente entra na sala virutal, dá oi, espera o professor começar e, quando termina a aula, todo mundo sai da sala e acabou. Tu volta para a tua casa instantaneamente. No presencial não: tu entra, conversa com os colegas, tem aula quando chega o professor, conversa mais um pouco no intervalo e depois na saída — descreve o aluno de Psicologia, que avalia que esses momentos entre os estudos ajudam no próprio aprendizado.

Raquel Soltof Fulber, 21 anos, cursa o quinto semestre de Medicina na Feevale. Diz que teve seu sonho frustrado ao longo desses dois anos.

— Depois de um vestibular tão difícil, em que todo mundo luta tanto para conseguir passar, começa a faculdade, o sonho e, do nada, para tudo e todo mundo tem que ir para casa. No início, a faculdade é uma coisa que a gente quer muito. Os estudantes de Medicina sonham em usar o jaleco, o estetoscópio, conviver com o paciente. Essas são motivações pra não desistir de estudar para o vestibular. Foi frustrante — admite a jovem.

Em disciplinas práticas, como Anatomia, a estudante relata que, mesmo com o esforço dos professores, ficaram lacunas de aprendizagem que só agora, no presencial, devem ser preenchidas. Ela sente que só agora, sem revezamento e com aulas todos os dias, está realmente vivendo a faculdade.

— Está sendo incrível ver os amigos, os pacientes, os professores. Vamos começar a ter prática no hospital no início de abril e estamos muito empolgados — conta Raquel.

24/03/2022 – Portal Embrapa

Link: https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/69182204/curso-producao-integrada-de-oliveira-realiza-modulo-presencial-em-produtores-de-azeite-do-sul-gaucho?p_auth=w3uW6hS6

Curso Produção Integrada de Oliveira realiza módulo presencial em produtores de azeite do Sul gaúcho

Em torno de 40 participantes do Curso Produção Integrada de Oliveiras (PIO) realizaram visita técnica presencial em olivais nos municípios de Dom Pedrito/RS e Bagé/RS, nos dias 16 e 17 de março. A atividade faz parte de módulo prático do curso on-line promovido pela Embrapa Clima Temperado (Pelotas, RS) e disponibilizado na Vitrine de Capacitações On-line da Embrapa (Plataforma e-Campo).

Na tarde do dia 16 de março, a visita ocorreu na propriedade da Rigo Agropecuária, em Dom Pedrito/RS. A atividade abrigou um Dia de Campo com três estações: “Implantação de olival”, com o engenheiro agrônomo da Carlotto Consultoria em Olivicultura, Fabrício Carloto Ribeiro; “Boas práticas na aplicação de defensivos agrícolas”, com técnicos do Senar/RS; e “Condução de olival e colheita”, com o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Clima Temperado, Enilton Coutinho, e com o engenheiro agrônomo da Rigo Agropecuária, Samuel Francisco Gobi.

Já na manhã do dia 17, os participantes realizaram visita guiada ao lagar do Azeites Terra Pampa, em Bagé/RS, acompanhados pelo engenheiro agrônomo responsável pelo lagar da propriedade, Emerson Menezes. Na sequência, foram realizadas duas palestras sobre a cultura, no auditório da Embrapa Pecuária Sul (Bagé, RS): “Qualidade de frutas e processamento x azeite”, com o pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Rogério Jorge; e “Instrução Normativa 01/2021 e análise sensorial”, com o professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Juliano Garavaglia.

Além dos pesquisadores presentes, também compareceu ao evento o analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Clima Temperado Janni Haerter, responsável pela condução do curso na Plataforma e-Campo. Dentre os presentes - todos previamente inscritos e participantes dos cinco módulos on-line do curso - estiveram representantes de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, além do Rio Grande do Sul.

Sobre o Curso

O Curso Produção Integrada de Oliveiras foi realizado entre os meses de janeiro e março para difundir conhecimentos sobre a olivicultura e seu respectivo sistema de produção e para formar responsáveis técnicos (RT) e auditores com certificação pela Embrapa e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para as áreas de campo e indústria. O público-alvo são produtores, agrônomos, técnicos, estudantes e outros interessados no tema. A expectativa é que novas turmas sejam oferecidas em breve, via Plataforma e-Campo, disponível no link: https://www.embrapa.br/e-campo.

23/03/2022 – UnB Notícias

Link: https://noticias.unb.br/76-institucional/5581-reitoras-destacam-seguranca-no-retorno-as-atividades-presenciais

Reitoras destacam segurança no retorno às atividades presenciais

Em live, dirigentes de universidades públicas e epidemiologista da Fiocruz frisam melhora nos dados da pandemia e necessidade de máscaras e vacinação

A volta ao ensino presencial, neste momento, é uma vitória da ciência. Essa foi a conclusão apresentada pelos participantes da live “Os desafios do retorno às atividades presenciais nas universidades”, parte do projeto de webinários “O Futuro em tempos de pandemia: vida, sociedade e ciência”. Os prejuízos acadêmicos após dois anos de ensino remoto, a importância de medidas não farmacológicas, a escassez orçamentária e o arrefecimento da pandemia foram os principais temas discutidos pelas médicas e reitoras Denise Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Lucia Pellanda, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), e pelo epidemiologista Rivaldo Venâncio, coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O encontro ocorreu na noite de terça-feira (22) e foi mediado pela reitora da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão.

Lucia Pellanda apresentou um panorama do momento atual da pandemia e as lições desse período. “Precisamos de vacina e medidas não farmacológicas, como o uso de máscaras, e pensamento coletivo”, disse. A reitora da UFCSPA destacou que um dos maiores aprendizados da pandemia foi a importância de evitar a transmissão respiratória, que inclui uso de máscara, ventilação e distanciamento. “Ao ar livre, na praia, não precisamos tanto de máscaras porque temos duas variáveis importantes, a ventilação e o distanciamento. Mas em um ambiente fechado, sem distanciamento, precisamos usar máscara.”

“Nós vivemos um momento em que a circulação do vírus está diminuindo, a partir de todos os indicadores que podemos verificar. O Brasil é um grande mosaico e sabemos que existem localidades com cenários diferentes. Mas há, indiscutivelmente, uma melhora”, afirmou Rivaldo Venâncio, da Fiocruz. Para ele, além da situação epidemiológica favorável, uma série de razões justificam a volta ao presencial nas universidades, como reestabelecer o pleno desenvolvimento de projetos de pesquisa, os laços de convivência entre docentes, estudantes e colegas de trabalho, proteger o patrimônio e reconstruir as redes de proteção social.

Para a reitora da UFRJ, as universidades e instituições de ciência orgulharam o Brasil pelo trabalho desenvolvido durante a pandemia. Mas, agora, os prejuízos acadêmicos precisam ser sanados com o retorno às atividades presenciais. “Neste momento nós precisamos retomar porque são 24 meses de ensino remoto e isso não é o ideal. Nós sabemos que o aprendizado precisa da presencialidade”, destacou Denise Carvalho, que apontou diferenças entre a educação a distância praticada há anos nas universidades e o ensino emergencial remoto.

Denise explicou que agora não é necessário ter distanciamento dentro das salas de aula, mas não pode ocorrer superlotação, com estudantes sentados no chão, por exemplo, acima da capacidade máxima do ambiente. “É fundamental estar de máscara e manter a capacidade permitida das salas de aula”, ressaltou.

Ela contou que não houve surto após o retorno de estudantes e docentes do Colégio de Aplicação da UFRJ (da educação infantil ao ensino médio), nem entre os internos da Medicina e os estagiários de términos de cursos. “Isso mostra que as medidas não farmacológicas e a vacinação permitem a volta com segurança.”

A UFCSPA também não parou durante toda a pandemia, inclusive por ser uma universidade da área da saúde. A vacinação e os equipamentos de proteção individual resguardaram os estudantes e profissionais. “Não tivemos surtos, nem nos picos de transmissão das variantes”, garantiu Lucia Pellanda.

ORÇAMENTO – A reitora Márcia Abrahão ressaltou a escassez orçamentária que, neste ano, mais uma vez assola as instituições de ensino superior, além de situações diferentes entre as universidades brasileiras e as condições físicas preexistentes. “Não é o caso da UnB, mas sabemos que muitas universidades não podem dar apoio aos estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica”, exemplificou. “Não fizemos todas as reformas ideais para ter uma ventilação maior em nossos espaços. Não recebemos nem um centavo de investimento do governo federal no ano passado”.

De acordo com a reitora Denise Carvalho, a UFRJ também não recebeu recursos para investimento e há prédios tombados, problemas graves de infraestrutura, vazamentos e banheiros que não funcionam. “Não temos verba sequer para ampliar os contratos de limpeza. Estamos fazendo as manutenções dentro do que o orçamento permite”, disse. “No lugar de ter 20% de corte, em 2021, deveríamos ter tido 20% de aumento pra retornar pós-pandemia em condições melhores daquelas que tínhamos antes.” Ela descreve que o ambiente ideal seria com a possibilidade de ministrar aulas híbridas, com internet de qualidade, câmeras e equipamentos de som.

“As universidades respondem aos anseios da sociedade. Imediatamente nos transformamos em fábricas de álcool em gel, em fábricas de equipamentos de proteção, fizemos mais de 3 mil projetos de pesquisa em covid, sequenciamos o vírus mais rapidamente. Enfim, tudo isso mostra a qualidade da ciência brasileira. Mas acho que chegamos no limite do que podemos entregar em função desses sucessivos cortes no orçamento”, lamentou Lucia Pellanda. A UFCSPA já teve R$ 20 milhões para investimento e agora tem pouco mais de R$ 1 milhão. “Precisamos que a sociedade nos ajude a sair do teto de gastos.”

23/03/2022 – Sul 21

Link: https://sul21.com.br/noticias/saude/coronavirus/2022/03/decisao-politica-especialistas-avaliam-liberacao-da-mascara-em-lugares-fechados/

‘Decisão política’: Especialistas avaliam liberação da máscara em lugares fechados

Combinação de variante mais contagiosa com flexibilizações no momento errado pode causar aumento de casos e mortes

Ao completar dois anos do início da pandemia do novo coronavírus no Brasil, o Rio Grande do Sul e outros estados do País entram numa nova fase da crise sanitária ao flexibilizarem o uso de máscara em ambientes abertos e, principalmente, em ambientes fechados. A medida foi sendo adotada nas últimas semanas após a diminuição dos novos casos e melhora nos dados de internações hospitalares depois da fortíssima onda de contaminação causada pela variante ômicron desde o final de 2021. O contexto da população cansada e do uso já não vir sendo muito respeitado facilitou a decisão dos governantes.

Apesar da melhora recente nos indicadores da pandemia, o cenário ainda é de incerteza. Por um lado, estados como o Rio Grande do Sul e a cidade de Porto Alegre apresentam boa cobertura vacinal da população com duas doses, fator que especialistas concordam permitir já não usar máscara em ambientes ao ar livre, desde que sem aglomerações. Porém, a flexibilização em ambientes fechados causa apreensão e até desalento entre alguns especialistas ouvidos pelo Sul21.

Para o médico Eduardo Sprinz, chefe do serviço de infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), a decisão de desobrigar o uso de máscara em ambientes fechados é muito mais uma decisão política, com provável viés de obter ganho eleitoral, do que ancorada no bom senso.

Sprinz pondera que o atendimento nos hospitais e a taxa de positividade de covid-19 nos dados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARG) estão estáveis nas últimas semanas e que o melhor seria esperar mais tempo para avaliar se haverá tendência de crescimento de novos casos.

Por sua vez, a bióloga e imunologista Cristina Bonorino é enfática em criticar a flexibilização do uso de máscara em ambientes fechados no atual momento da crise sanitária. Ela recorda que no começo da pandemia pouco se sabia sobre o novo coronavírus, e que ao longo dos últimos dois anos muito foi sendo aprendido. A liberação das máscaras agora, ela lamenta, é como ignorar todo o conhecimento acumulado sobre o crise sanitária.

“Hoje a gente sabe exatamente o que fazer. E pra acabar com a pandemia, não é tirando máscara. Isso é absolutamente inacreditável”, afirma. Ela critica a flexibilização das máscaras em ambientes fechados como sendo uma decisão eminentemente política e não de saúde pública. “A gente sabe o que não fazer. Então por que fazer? É muito triste ver isso.”

Professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Cristina afirma que a pandemia um dia vai acabar e que é sabido o que precisa ser feito para que esse dia chegue. A questão, todavia, é fazer a coisa certa, como vacinar a população mundial. Enquanto houver países sem acesso aos imunizastes ou outros com baixa cobertura vacinal, a tendência é de que novas variantes surjam. E não há nenhuma garantia de que novas variantes serão mais brandas.

“Estamos voltando para uma visão individual num momento em que se precisa de atitude coletiva. É decepcionante ver pessoas que tiveram um comportamento melhor durante a pandemia, jogar tudo isso fora agora. Só que com a vida dos outros”, se revolta a professora, também membro do comitê científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia.

Se o atual momento já permite flexibilizações na rua, parques e áreas ao ar livre, desde que sem aglomerações, ambos os especialistas dizem que o sinal verde para não usar mais máscara em lugares fechados agora é uma atitude política, para apaziguar eleitores em ano de eleição.

Nova onda

Países asiáticos como China, Coréia do Sul e Hong Kong enfrentam atualmente uma alta expressiva no número de casos causada pelo vírus B.A2, uma subvariante da ômicron, ainda mais contagiosa.

Segundo o infectologista Eduardo Sprinz, coordenador dos estudos da vacina de Oxford/AstraZeneca no RS, a situação é consequência desses lugares ainda não teriam sido afetados pela ômicron, ao contrário dos países europeus ou mesmo o Brasil. No caso de Hong Kong, que sofre agora com alta taxa de mortalidade, a chegada da variante ainda encontrou uma população idosa não vacinada, o que tornou o momento mais grave.

Sprinz pondera que na Europa, a subvariante da ômicron tem causado nova onda de aumento de casos, mas isso não tem se refletido em aumento de mortes na mesma proporção devido à cobertura vacinal e ao uso de novos medicamentos que evitam a progressão do doente para um quadro grave. No Brasil, apenas um desses remédios está disponível, o Rendesivir, que deve ser usado nos primeiros cinco dias da infecção. O medicamento, porém, é caro.

No caso do Brasil, o cientista de dados e coordenador da Rede Análise Covid-19, Isaac Schrarstzhaupt, tem alertado que a análise dos gráficos da situação da crise nos estados já aponta para a estabilização da queda de novos casos, ainda em patamar alto. A estabilização pode significar o que os especialistas chamam de “reversão de tendência”, ou seja, o início de um possível aumento da contaminação.

Sprinz avalia que, caso se confirme tal aumento no Brasil, causado pela subvariante B.A2, a onda de mais contágio será continuação da ômicron. A diferença, ele destaca, é que agora o possível aumento da contaminação encontrará uma população desprotegida sem a máscara.

“Não imagino que seja uma nova onda, segue sendo a onda da ômicron, e também é consequência das medidas de flexibilização”, explica.

Por isso, o infectologista e professor de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), alerta para a importância das pessoas tomarem a terceira dose da vacina. A perda da imunidade é ainda mais relevante em quem tomou as duas doses há mais de seis meses.

Cristina Bonorino avalia que a flexibilização geral do uso de máscara, combinado com a subvariante mais contagiosa da ômicron, deverá sim aumentar o número de casos no RS nas próximas semanas e meses. A alta taxa de vacinação dos gaúchos com duas doses deverá conter o aumento de vítimas fatais, com as pessoas pertencentes ao grupo de risco – idosos, imunussuprimidos e com comorbidades – sendo as mais desprotegidas.

“Pela taxa de vacinação, seria esse a ideia, mas é sempre imponderável saber como vai ser…qual vai ser a variante…há muitas coisas imponderáveis e, por isso, o certo é não correr risco”, conclui.

22/03/2022 - GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/03/mascara-no-bufe-risco-de-transmissao-da-covid-19-por-saliva-na-comida-e-baixo-mas-uso-na-fila-aumenta-protecao-cl12g96ib006r017cnf84yfwj.html

Máscara no bufê: risco de transmissão da covid-19 por saliva na comida é baixo, mas uso na fila aumenta proteção

Enquanto esperam para servir-se, pessoas tendem a ficar mais próximas umas das outras; por isso, acessório é indicado principalmente para quem apresentar sintomas gripais

Com a desobrigação do uso de máscara em locais abertos e fechados, há quem defenda que o acessório poderia ser mantido em algumas situações. Uma delas é o bufê de restaurantes e refeitórios. GZH ouviu especialistas para entender se é benéfico que as máscaras sigam sendo utilizadas nesses ambientes e se há risco de as gotículas de saliva expelidas na comida provocarem contaminação por covid-19.

Professora de Biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Melissa Markoski lembra que os perdigotos que saem da boca, mesmo que não sejam vistos a olho nu, têm alcance considerável. As gotículas maiores de saliva podem se depositar até dois metros à nossa volta. Já os aerossóis, bem menores, que voam quando a gente fala ou tosse, vão mais longe e podem se espalhar por até oito metros.

Nesse sentido, defende ela, seria interessante que a população adotasse o hábito de colocar a máscara no rosto quando for para a fila da comida.

— Esse senso de proteção ao próximo deveria ser bem trabalhado no pós-pandemia. Assim como os orientais já vêm fazendo desde a gripe aviária. Quando estão gripados, eles usam máscara, ou até mesmo quando vão visitar alguém doente — diz a professora.

É verdade que a máscara deveria se tornar um hábito dos brasileiros toda vez que apresentarmos sintomas gripais, observa a médica infectologista Andréa Dal Bó, do Hospital Virvi Ramos, de Caxias do Sul. Isso evita a transmissão da gripe e da própria covid-19. Mas, segundo ela, não há comprovação de que a saliva que entra em contato com a comida tenha potencial de infectar alguém.

— Não há risco de transmissibilidade significativa. O que vemos são muitos restaurantes adotando protetores salivares, o que é mais higiênico mesmo. Sobre a transmissão da covid-19 pelos alimentos, não há estudos que comprovem — frisa.

Para a infectologista Caroline Deutschendorf, coordenadora da Comissão de Controle de Infecções Hospitalares do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, a máscara no bufê é necessária para evitar contágios na fila, quando uma pessoa fica tão perto da outra que pode transmitir doenças pelas vias aéreas.

— Em um bufê com muita gente na fila, sem distanciamento, o risco de contágio aumenta. Em se tratando de gotículas na comida, o risco de transmissão é ínfimo. Seria mais pela questão de ser nojento mesmo — diz.

Já os enterovírus, causadores de problemas gastrointestinais, como vômito e diarreia, também têm baixo risco de contaminação quando se trata das gotículas em alimentos. Muito pior é quando esses vírus se depositam em superfícies mais sólidas, observa a infectologista.

— Os enterovírus podem ser transmitidos pelo contato, mas basicamente pelo contato da mão com colheres e superfícies contaminadas. Teria que ser uma partícula muito grande de saliva para contaminar uma comida — acrescenta.

O infectologista Alessandro Pasqualotto, chefe da Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, faz coro com as colegas. Na avaliação dele, não há motivo para que as pessoas se preocupem em manter a máscara quando estiverem se servindo no bufê por medo da contaminação da comida - a não ser que seja uma medida de higiene adotada por motivos pessoais.

— É um risco baixo o suficiente para não ser uma preocupação da sociedade. Mas vai ter gente que vai querer usar máscara por esse motivo ou por outro, porque vai se sentir mais seguro. É um direito de cada um — conclui o médico.

 22/03/2022 - Unipampa

Link: https://unipampa.edu.br/portal/reitor-da-unipampa-palestra-em-conferencia-municipal-da-igualdade-racial-de-porto-alegre

Reitor da Unipampa palestra em Conferência Municipal da Igualdade Racial de Porto Alegre

O reitor da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Roberlaine Ribeiro Jorge, participou da cerimônia de abertura da 5ª Conferência Municipal da Igualdade Racial de Porto Alegre, realizada no dia 18 de março. O tema do evento foi “Enfrentamento do racismo e das outras formas correlatas de discriminação étnico-racial e de intolerância religiosa: política de Estado e responsabilidade de todos nós".

Em sua palestra, Roberlaine Ribeiro Jorge, discutiu o papel do povo negro nos espaços de poder, refletindo sobre as perspectivas futuras do negro na sociedade brasileira. Na oportunidade, o reitor apresentou a Unipampa para a assistência presencial e virtual, ressaltando as políticas de inclusão que vem sendo implementadas desde a sua criação.

A 5° Conferência Municipal da Igualdade Racial de Porto Alegre teve o apoio da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e da Associação Satélite Prontidão. O convite ao reitor foi feito pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social de Porto Alegre e pelo Conselho Municipal dos Direitos do Povo Negro.

Reitor visita acervo de Oliveira Silveira e Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária

Além da participação na Conferência, o reitor, Roberlaine Ribeiro Jorge, cumpriu outras agendas na capital gaúcha. Na oportunidade, visitou o acervo de Oliveira Silveira, o Poeta da Consciência Negra. A Unipampa concedeu, em 2021, a Oliveira Silveira, o título de Doutor Honoris Causa, “homenagem merecida e que orgulhou toda a comunidade unipampeana”, destaca o reitor.

Ainda na sexta-feira, 18, Roberlaine Ribeiro Jorge esteve na Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu), reafirmando as parcerias na luta pela preservação e reconhecimento da Cultura Mbyá-Guarani.

19/03/2022 – BBC Brasil

Link: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-60793953

O que aconteceu nos países que acabaram com as restrições contra a covid

Alemanha, Áustria, Reino Unido, China, Coreia do Sul… Foram vários os países da Europa e da Ásia que tiveram um aumento no número de casos de covid-19 nos últimos dias.

A nova subida acontece após uma queda vertiginosa nas infecções pelo coronavírus, registrada entre o final de janeiro e o início de março, momento em que a onda provocada pela variante ômicron arrefeceu em boa parte do globo.

Esse período também foi marcado pelo fim da maioria das medidas preventivas, como o uso de máscaras em lugares fechados, especialmente nas nações europeias.

Alguns governos chegaram até a decretar o fim da pandemia e anunciaram que a covid passaria a ser encarada como uma endemia.

Mas como explicar esse repique nos casos? O alívio das restrições é suficiente para justificar a retomada das curvas? E será que o Brasil, que passa por um momento de queda nas estatísticas da pandemia, passará por uma piora daqui a algumas semanas? A BBC News Brasil ouviu especialistas para entender esse cenário e encontrar possíveis respostas para todos esses questionamentos.

Variante ômicron, versão 2.0

O aumento de casos em alguns países europeus e asiáticos acontece em um momento em que a BA.2, uma variante "prima-irmã" da ômicron (a BA.1) começa a se tornar dominante em muitos territórios.

Para ter ideia, a BA.2 apareceu em 68,6% das amostras que foram sequenciadas no Reino Unido entre os dias 27 de fevereiro e 6 de março. A ômicron "original" representou 31,1% dos casos no mesmo período.

Esse mesmo padrão de crescimento da linhagem BA.2, que substitui aos poucos a BA.1, pode ser observado em outros países, como Áustria, Coreia do Sul e Alemanha.

Há poucas semanas, a BA.1 reinava absoluta em muitos desses locais. Mas a variante perdeu a dianteira, de acordo com o Instituto Sorológico da Dinamarca, porque a BA.2 tem uma capacidade de transmissão 1,5 vez maior em comparação com a BA.1. E a BA.1 já era um dos vírus mais contagiosos que surgiram no último século.

"Todas as ondas que vimos nesta pandemia tiveram um componente em comum: o surgimento de uma nova variante do vírus", interpreta o médico Marcio Sommer Bittencourt, professor associado da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.

A boa notícia é que a BA.2 não parece estar relacionada a um quadro mais grave do que o observado até agora com a BA.1.

"As análises preliminares não encontraram evidências de um risco maior de hospitalização após a infecção com a BA.2, em comparação com a BA.1", escreve a Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido num relatório publicado no dia 11 de março de 2022.

Vale lembrar que probabilidade de sofrer complicações da covid também está relacionada à quantidade de vacinas que um indivíduo tomou ou às infecções prévias.

Ou seja: quem tem pouca ou nenhuma imunidade contra o coronavírus pode experimentar consequências muito piores do que alguém que está com as doses em dia, especialmente se considerarmos os grupos de risco (como idosos e portadores de doenças crônicas).

Outro aspecto que traz uma perspectiva otimista para esse novo aumento de casos é que ele tende a subir e cair rapidamente, a exemplo do que ocorreu com a BA.1: em países onde a BA.2 virou dominante há algumas semanas, como Dinamarca e Holanda, o registro diário de infecções já está em queda novamente, como é possível observar no gráfico a seguir.

No entanto, uma elevação de casos também pode suscitar um aumento de hospitalizações e óbitos, ainda mais nos lugares com uma grande parcela da população suscetível pela baixa cobertura vacinal ou pela ausência de ondas maiores até então.

Ainda não se sabe se esse novo aumento de casos na Europa e na Ásia está acometendo apenas quem não teve covid recentemente e não foi vacinado, ou se também inclui uma proporção de indivíduos que se infectaram com a ômicron "original" recentemente.

Até o momento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que "os estudos que avaliaram a taxa de reinfecção em algumas populações sugerem que a infecção com a BA.1 proporciona uma forte proteção contra a BA.2, ao menos pelo curto período em que os dados estão disponíveis".

"Isso é algo que ainda precisa ser estudado, mas vemos que esse aumento de casos é mais intenso nos países que não têm uma taxa de vacinação adequada ou não tiveram grandes ondas anteriormente, como a Alemanha", observa Bittencourt.

"Já Portugal, que está com uma alta cobertura vacinal e teve mais casos de infecção prévia, parece possuir uma 'bagagem imunológica' maior e não experimenta um aumento de casos agora", compara o médico.

Liberou geral

Embora a alta transmissibilidade da BA.2 seja a principal explicação para o cenário europeu atual, existe um segundo elemento que precisa ser considerado: o fim de quase todas as medidas restritivas que marcaram os últimos dois anos.

Em alguns países, o uso de máscaras deixou de ser obrigatório em lugares abertos e fechados, não há mais políticas de testagem em massa, nem a recomendação de que pacientes infectados com o coronavírus fiquem em isolamento.

A mudança nas políticas públicas estimulou mais encontros e aglomerações, contextos onde o vírus consegue se espalhar em escala geométrica e criar novas cadeias de transmissão. E isso, junto com a maior taxa de contágio da BA.2, ajuda a explicar essa nova subida de casos em algumas partes do mundo.

Passados dois anos desde o início da pandemia, a política de "covid zero", seguida à risca em lugares como Coreia do Sul, Vietnã, Taiwan, Austrália e Nova Zelândia, foi abandonada na maioria dos países. O único local que continua apostando nessa estratégia é a China.

Mesmo entre os pesquisadores da área, soa quase como uma utopia a ideia de eliminar completamente a covid-19 de uma região através de medidas como o lockdown no atual contexto.

"Do ponto de vista da saúde pública, o fechamento total das atividades pode até fazer sentido. Mas o custo de parar tudo também traz custos sociais e econômicos muito grandes", pondera Bittencourt.

"No início da pandemia, com o risco da doença muito alto, o fechamento era necessário, por mais caro e custoso que isso fosse", diferencia o médico. "Atualmente temos vacinas e muitas pessoas foram infectadas, então o risco é menor, logo as medidas podem ser calibradas para essa situação."

Isso não significa que o extremo oposto dessa postura, a liberação completa de todas as restrições, faça sentido.

Para explicar esse ponto de vista, a médica Lucia Pellanda, professora de epidemiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, faz um paralelo entre a covid-19 e o futebol.

"Às vezes, sinto que a pandemia se assemelha a uma partida, em que estamos ganhando de 1 a 0 e simplesmente abandonamos o campo antes de o juiz dar o apito final", compra.

"Quando as coisas começam a melhorar um pouco, há uma pressa para dizer que a covid não é mais um problema e podemos acabar com todas as medidas preventivas."

"E o que a experiência nos mostra é que não existe uma solução simples para dar um fim de verdade à pandemia. Precisamos insistir com as vacinas, as máscaras e o cuidado com as aglomerações até o final desta partida", conclui a especialista.

A médica e epidemiologista Eleonora D'Orsi, professora do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina, concorda. "Em muitos lugares, houve uma estagnação na cobertura vacinal com duas ou três doses e, para piorar, todos os cuidados preventivos foram deixados para trás."

"E estamos lidando com uma doença sobre a qual não conhecemos todos os efeitos de longo e médio prazo. Vários estudos nos indicam que a covid não é simples e afeta outras partes do corpo além do sistema respiratório", alerta.

Já o bioinformata Marcel Ribeiro-Dantas, pesquisador na área de saúde do Instituto Curie, na França, entende que muitos desses países fizeram tudo o que podiam e o relaxamento das medidas era um passo natural e razoável.

"Houve um esforço grande do governo e da população de muitos países europeus para conter a pandemia. Os primeiros lockdowns aqui na França foram drásticos e todo mundo ficou trancado em casa", lembra o pesquisador.

"Com a estafa natural após dois anos de restrições e a ampla disponibilidade de vacinas e tratamentos efetivos, parece inevitável que alguns países diminuam as restrições."

"A questão é conseguir transformar obrigações da lei em recomendações que as pessoas sigam no dia a dia. Quando você consegue conscientizar a população sobre a necessidade do uso de máscaras em alguns ambientes, por exemplo, isso passa a fazer parte de uma nova cultura daquele local", completa o especialista.

Essa onda vai chegar ao Brasil?

Enquanto os casos sobem em partes da Ásia e da Europa, o Brasil se encontra numa situação oposta: as médias móveis de casos e mortes por covid seguem em queda desde janeiro, quando o país registrou o pico da variante ômicron.

Os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil entendem que não dá pra dizer que esse mesmo cenário de agravamento em curso no exterior também se repetirá no país.

Em outros momentos da pandemia, coisas que impactaram profundamente o Brasil — como a variante gama — não tiveram o mesmo efeito no cenário internacional.

E o inverso também aconteceu: embora tenha sido avassaladora na Índia e nos Estados Unidos, a variante delta não foi tão desastrosa do ponto de vista da mortalidade nas cidades brasileiras.

Até fevereiro, a BA.2 representava apenas 0,4% das amostras sequenciadas no Brasil, segundo a Rede Genômica da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz). A BA.1, a ômicron original, está presente em praticamente 99% de todo o material analisado em laboratório nesse período.

Bittencourt entende que, diante de uma situação mais estável da pandemia, "é hora de discutir algumas medidas e ajustar a intensidade delas".

"É claro que isso não significa abandonar completamente o uso de máscaras. Elas são necessárias no transporte público, mas não precisam ser usadas em lugares abertos."

"Mas precisamos ter em mente também que o Brasil flexibilizou a maior parte das medidas há tempos. Shoppings, restaurantes e casas noturnas estão funcionando normalmente", completa.

Pellanda acredita que o desafio é fazer essa comunicação sobre o manejo e a prevenção da covid de forma adequada e contextualizada. "As pessoas precisam avaliar o risco individual e de cada local em que elas estiverem", diz.

"É errado encarar as máscaras como algo ruim e limitador. Elas precisam ser incorporadas em algumas situações, da mesma maneira que fizemos com o uso do cinto de segurança nos carros e com a proibição de fumar em estabelecimentos fechados", argumenta.

Entre o fim da pandemia e uma nova piora no número de casos relacionada à BA.2 e ao relaxamento das medidas de prevenção, o caminho mais adequado e seguro em qualquer país do mundo continua bem parecido: acompanhar o que está acontecendo e adequar os cuidados à situação de momento.

19/03/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/03/com-novo-decreto-em-vigor-uso-de-mascara-nao-e-mais-obrigatorio-em-casas-geriatricas-de-porto-alegre-cl0xzjq890011017cf8ux52f6.html

Com novo decreto em vigor, uso de máscara não é mais obrigatório em casas geriátricas de Porto Alegre

Utilização da proteção facial nesses locais passa a ser apenas “fortemente recomendada”

A partir da publicação do novo decreto da prefeitura de Porto Alegre, no final da tarde desta sexta-feira (18), as chamadas instituições de longa permanência para idosos (ILPIs), não precisam mais exigir o uso de máscaras.

O documento assinado pelo prefeito Sebastião Melo mantém obrigatória a máscara no transporte público e nos estabelecimentos de saúde, como hospitais e consultórios, mas, nas casas geriátricas, a medida passa a ser apenas “fortemente recomendada”.

Apesar da mudança, especialistas ressaltam que é fundamental que o grupo a partir de 60 anos continue com a proteção facial principalmente em ambientes fechados. Trata-se de um dos públicos de alto risco para complicações da covid-19, entre outras doenças respiratórias. Cuidadores e outras pessoas que convivem com idosos também precisam utilizar o acessório.

Lucia Pellanda, epidemiologista, professora e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), destaca um aspecto importante em relação à vacinação.

 — Já faz mais tempo que os idosos tomaram a dose de reforço, e talvez seja necessário repensar, agora, outro reforço. Não consigo pensar em tirar as máscaras neste momento, principalmente em espaços fechados. Todos os locais que tenham alguma relação com saúde precisam, necessariamente, continuar com a recomendação forte de uso de máscara, independentemente de qualquer decreto — diz Lucia.

Carlos Gomes, gerente-geral do Asilo Padre Cacique, afirma que nenhuma mudança referente a máscaras será implementada neste momento. Cem idosos são atendidos no local atualmente. O quadro de funcionários soma 88 colaboradores, que também continuarão com a proteção.

— Estamos mantendo o nosso protocolo interno. Aguardamos mais uma reunião da equipe técnica, e isso será avaliado com o tempo. Temos que cumprir nossa missão aqui dentro: cuidar desses idosos carentes.

18/03/2022 – Sou _Ciência / Unifesp          

Link: https://souciencia.unifesp.br/destaques/noticias/reitoras-discutem-desafios-e-dificuldades-na-gestao-de-universidades-publicas

Reitoras discutem desafios e dificuldades na gestão de universidades públicas

Durante o debate do SoU_Ciência, reitoras decidiram trabalho conjunto em prol de políticas públicas que facilitem o acesso de mais mulheres na ciência, nas universidades e em cargos de liderança em nosso país

Nesta quarta, 16, o Centro SoU_Ciência realizou debate virtual com reitoras de algumas universidades federais, dentro do conjunto de atividades que o centro está realizando ao longo deste mês especial da Mulher.

O debate virtual “A Gestão das Mulheres na Universidades” aconteceu pelo canal do centro no Youtube e foi acompanhada, ao vivo, por quase uma centena de mulheres e homens, pesquisadores e representantes de universidades de todo o país e também da Europa.

Com mediação da pesquisadora Soraya Smaili, professora da Unifesp e coordenadora do SoU_Ciência, as reitoras falaram sobre os desafios da mulher na gestão universitária, de como enfrentaram e ainda enfrentaram preconceitos dentro do próprio setor de educação e na sociedade. Durante o debate, elas também se mostraram confiantes, determinadas e felizes por estarem abrindo caminhos para outras mulheres na sociedade brasileira. 

Participam deste debate as reitoras Marcia Abrahão, da Universidade de Brasília (UnB); Sandra Goulart, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Lucia Pellanda, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. (UFCSPA); Claudia Marliéri, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP); Isabela Andrade, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel); Ana Beatriz Oliveira, da Universidade Federal De São Carlos (UFSCar); Joana Guimarães, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB); e Denise Pires de Camargo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Sobre os desafios de ser mulher e gestora de uma universidade federal hoje no Brasil, muitas questões acabaram sendo abordadas. Ana Beatriz Oliveira, da UFSCar, destacou o machismo como um problema enfrentado dentro das universidades. “A universidade é um recorte de nossa sociedade e o machismo se faz presente ainda, infelizmente. É uma luta diária ter o respeito dentro de vários espaços e esta questão de gênero é um dos maiores desafios que enfrentamos. Mas, acredito sim que é muito importante ocuparmos estes espaços e prepará-los para as próximas que virão”, comentou.

Claudia Marliéri, da UFOP, fez questão de ressaltar que as mulheres que conseguem acessar o mercado de trabalho e se destacam em suas funções, como as próprias reitoras das universidades, acabam enfrentando um processo violento de desqualificação intelectual e sanidade mental. “Além disso, muitas vezes tentam nos diminuir interrompendo nossas falas, como já mencionou aqui a Ana Beatriz. Mas estes desafios no fortalecem para que possamos fazer este enfrentamento de uma forma melhor e coletiva”, ressaltou.

Denise Pires de Camargo, da UFRJ, primeira mulher a assumir a reitoria da universidade, falou sobre as barreiras que as reitoras ainda enfrentam para colocar suas ideias dentro dos espaços. “Os cargos de maior destaque, historicamente, sempre foram delegados aos homens, não apenas dentro das universidades, mas também em cargos de gestão e públicos, mas estamos lutando e mudando este quadro, com muito trabalho e determinação. As mulheres podem sim assumir reitorias e se candidatar aos cargos que elas quiserem porque estamos rompendo este teto de vidro, porque merecemos, e continuaremos lutando com a voz cada vez mais alta”.

Isabela Andrade, da UFPel, disse ter se identificado nas falas das amigas reitoras em vários aspectos, mas principalmente nos relatos de tentativas de silenciamento dentro das universidades. “Aqui em Pelotas temos duas mulheres na gestão da universidade hoje, estamos reitora e vice-reitora, e temos dentro da universidade um grupo bastante diverso entre homens e mulheres; com mulheres ocupando cargos altos de gestão, mas por nomeação. Nos cargos de gestão eleitos, no entanto, o percentual ainda é de 25%, bem reduzido, e precisamos ampliá-los. Enfrentamos ainda questões bastante negativas, mas o que vejo hoje aqui é um apoio maior das mulheres, professoras, técnicas, estudantes, porque elas se identificam conosco como mulheres que conseguiram assumir cargos de liderança e conseguem exercer esta liderança. Isso tem sido muito importante e é representativo, porque mostra que todas nós podemos estar em qualquer espaço e a importância do impacto que isso pode causar em todas as demais meninas”.

Joana Guimarães, da UFSB, primeira mulher negra eleita para a reitoria de uma universidade federal, ressaltou a visão que muitos ainda têm dentro das universidades, de que as mulheres precisam ser doces, cuidadoras, e que as mulheres que são mais firmes em suas atitudes, falas e ações acabam não sendo tão bem entendidas em suas funções e cargos de gestão. “Além disso, é importante falar também que muitas mulheres da nossa área de educação, assim como tantas outras, continuam com esta visão de que sua primeira função é cuidar da família -  uma pressão cultural de nossa sociedade - , e que muitas delas ainda não se candidatam a cargos de gestão ou deixam suas carreiras de lado, por conta disso.  Esse é um trabalho muito importante que devemos trabalhar com nossas estudantes. Precisamos nos libertar deste peso que carregamos ao longo do tempo”, enfatizou.

Lucia Pellanda, da UFCSPA, disse sentir mais os feitos do machismo hoje ao ocupar um cargo de gestão. “Não sei se eu não me dava conta disso antes, mas hoje percebo muito isso nas relações dentro e fora da universidade. Aqui somos também reitora e vice-reitora e no Dia da Mulheres colocamos em nossas redes sociais da que temos 75% de mulheres na pós-graduação; 65% de docentes, 57% de técnicas e 68% de alunas na graduação. Além disso, nas 6 pró reitorias, 5 são mulheres. Por conta disso enfrentamos após a publicação brincadeiras do tipo – “Quando vão abrir cotas para homens?”. Só que durante 60 anos a universidade foi predominantemente masculina e ninguém nunca estranhou ou reclamou disso. Estamos vivendo um momento mesmo muito difícil para ser mulher, para ser reitora, para defender a educação, a saúde, a ciência, mas não vamos desistir e continuar lutando”, disse.

Desafios superados

Marcia Abrahão, da UnB, também primeira reitora da universidade, é geóloga e afirmou estar acostumada a “quebrar pedras” (uma brincadeira dos profissionais da área). Também disse que muitas vezes, como reitora, já foi vista como “dura demais”.  “Nossos desafios são enormes, já tive que levantar sim a voz para manter o controle de algumas situações, mas vejo que talvez nosso principal desafio seja representarmos outras mulheres e sermos exemplo para elas. Precisamos deixar legados para que essa situação não permaneça no Brasil e em nossa sociedade”, frisou.

Sandra Goulart, da UFMG, disse ser importante as comemorações do Mês da Mulher para destacar a importância de se trabalhar para pensar o papel das mulheres na nossa sociedade neste momento. “E fico muito feliz de estar aqui hoje neste debate porque é exatamente isso que estamos fazendo neste momento. Nós já avançamos muito, não tenho dúvidas, mais ainda estamos muito longe de onde precisamos e queremos estar. Todas nós que estamos hoje aqui furamos este teto de vidro, mas fico muito triste quando olho tantas que não conseguiram chegar, por mais que quisessem, e por mais que tentassem”.

Durante este bate-papo aberto, franco e descontraído, que durou mais de duas horas, as reitoras também discutiram a necessidade de união e de um trabalho conjunto em prol de políticas públicas que facilitem o acesso de mais mulheres na ciência, nas universidades e em cargos de liderança em nosso país.

18/03/2022 – UnB Notícias     

Link: https://noticias.unb.br/76-institucional/5571-live-discute-desafios-do-retorno-as-atividades-presenciais-nas-universidades

Live discute desafios do retorno às atividades presenciais nas universidades

Márcia Abrahão conversa com epidemiologista da Fiocruz e reitoras da UFRJ e da UFCSPA

Na próxima terça-feira (22), a reitora da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão, vai coordenar uma edição do ciclo de debates O futuro em tempos de pandemia: vida, sociedade e ciência. As convidadas são as reitoras e médicas Denise de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Lucia Pellanda, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), e o epidemiologista Rivaldo Venâncio, coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

As duas reitoras também participam de Grupo de Trabalho da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que elaborou diretrizes para o retorno presencial nas universidades federais. O encontro está marcado para as 19h e será transmitido pelo canal da UnBTV no YouTube.

 “A proposta é que as reitoras apresentem a situação da pandemia no mundo e no Brasil e compartilhem as recomendações da Andifes, além da experiência com as atividades presenciais nas universidades. Convidamos a Fiocruz, que coordena esforços importantes em nível nacional, para contribuir com a visão sanitária”, explica Márcia Abrahão.

A pandemia de covid-19 impôs inúmeros desafios sociais, políticos e econômicos. Na UnB, os impactos acadêmicos são substanciais. Vão desde um descompasso entre o ano letivo e o ano civil, já que a Universidade teve que atrasar um semestre para se preparar para o ensino remoto, até a reorganização do calendário dos processos seletivos. Atualmente, a UnB prevê a compatibilização do semestre letivo com o civil a partir de janeiro de 2023. Além disso, acarretou a impossibilidade de oferta do período letivo de verão e outros desafios, como evasão, efetividade da aprendizagem e a saúde mental da comunidade universitária.

RETOMADA SEGURA – Na UFRJ, mais de 9 mil servidores estão trabalhando presencialmente. Em fevereiro, o Grupo de Trabalho Multidisciplinar para Enfrentamento à Pandemia da universidade fluminense emitiu uma nota técnica com a recomendação da retomada de todas as atividades acadêmicas presenciais, no primeiro período letivo de 2022. As aulas começam em 11 de abril. Na UFCSPA, as aulas iniciam em 25 de abril.

Na UnB, os servidores retornaram ao trabalho presencial, de forma gradual, desde 7 de dezembro, após um ano e oito meses de atividades remotas. Na parte acadêmica, desde janeiro, cerca de 15% das turmas da Universidade aprovaram a realização de alguma atividade presencial nos campi.

11/03/2022 – Sul 21

Link: https://sul21.com.br/noticias/saude/coronavirus/2022/03/covid-19-uso-de-mascara-ao-ar-livre-deixa-de-ser-obrigatorio-em-porto-alegre/

Covid-19: Uso de máscara ao ar livre deixa de ser obrigatório em Porto Alegre

Na prática, o não cumprimento da determinação já vinha acontecendo na cidade. Uso em ambiente fechado segue sendo exigido

O uso de máscaras em ambientes abertos públicos e privados não será mais obrigatório em Porto Alegre. A decisão, anunciada nesta sexta-feira (11), ocorre no dia seguinte da reunião feita entre membros do governo municipal e médicos para consultar a opinião deles sobre o tema. Na ocasião, os especialistas foram favoráveis à flexibilização, com algumas ressalvas e considerações. Entre elas, que se aguardasse mais alguns dias para avaliar o impacto das aglomerações do Carnaval no número de novas contaminações.

O Decreto 21.413 foi publicado nesta sexta em edição extra do Diário Oficial de Porto Alegre (Dopa) com os detalhes sobre a desobrigatoriedade. Por outro lado, as máscaras seguem obrigatórias em locais fechados, ao menos por enquanto. Isso porque o governo do prefeito Sebastião Melo (MDB) anunciou que fará nova reunião na próxima sexta-feira (18) para avaliar o cenário epidemiológico e discutir novas flexibilizações.

Ao menos no encontro de ontem, os especialistas consultados foram favoráveis a manter a obrigatoriedade do uso de máscara em locais fechados.

Atualmente a Capital tem 85% da população vacinável (maiores de 5 anos) com esquema vacinal completo, e tem apresentado queda nos índices de contaminação e internação hospitalar depois do expressivo aumento nos meses de janeiro e fevereiro.

Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), houve redução de casos confirmados pela 6º semana epidemiológica consecutiva. A Região 10, composta por Porto Alegre, Cachoeirinha, Alvorada, Gravataí, Viamão e Glorinha, apresenta a menor taxa de contaminação acumulada em sete dias, com 160 casos. A média do Estado é de 300.

Durante o anúncio da flexibilização, o secretário extraordinário de Enfrentamento ao Covid-19, Cesar Sulzbach, ressaltou a importância da vacinação e o uso de máscaras, mesmo em locais ao ar livre, para pessoas não imunizadas e imunocomprometidas – ressalvas feitas pelos médicos consultados, além de casos de aglomerações (mesmo ao ar livre) e outras situações de muita proximidade pessoal.

“É preciso enfatizar bastante que quem não está vacinado deve usar e sempre manter cuidados: o risco não é zero”, afirmou Lucia Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), após a reunião de ontem. “É super importante dizer que, se deixar de ser obrigatória, não quer dizer deixar de ser recomendada”, completou.

11/03/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/03/grupos-com-mais-risco-de-adoecer-devem-ser-cautelosos-ao-dispensar-mascara-dizem-especialistas-confira-quais-sao-cl0n22yit001k017c1up235ah.html

Grupos com mais risco de adoecer devem ser cautelosos ao dispensar máscara, dizem especialistas; confira quais são

Uso da proteção ao ar livre foi desobrigado em Porto Alegre em ambientes abertos nesta sexta-feira

Moradores de Porto Alegre não precisam mais utilizar máscaras ao ar livre a partir desta sexta-feira (11). Decisão semelhante foi anunciada nesta terça-feira (15) pelo governo do Rio Grande do Sul. A liberação abrange a população geral, mas especialistas em saúde destacam que alguns grupos de maior risco devem seguir usando máscaras em ambientes externos, a despeito da decisão oficial.

GZH entrevistou três especialistas sobre o assunto: a médica epidemiologista Lucia Pellanda, integrante do Comitê Científico do Palácio Piratini; o médico infectologista Cezar Riche, do Hospital Mãe de Deus; e a bióloga Mel Markoski, professora de Biossegurança na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e integrante da Rede Análise.

— A máscara deixar de ser obrigatória não quer dizer que deixou de ser recomendada. A máscara continua sendo fortemente recomendada a todos — salienta a epidemiologista Lucia Pellanda.

Imunossuprimidos

Pessoas com sistema imunológico deficiente devem usar máscaras mesmo em ambientes abertos porque são mais vulneráveis a adoecer gravemente por covid-19. Desde o início da pandemia, é um dos grupos de maior risco — motivo pelo qual são os únicos aptos a tomar quarta dose da vacina.

O termo imunossuprimidos designa pacientes com câncer em uso de quimioterapia e radioterapia, pacientes transplantados em uso de drogas imunossupressoras, pacientes em hemodiálise, pacientes que usam mais de 20mg de corticoide por dia, pacientes com doenças imunomediadas inflamatórias crônicas (reumatológicas, autoinflamatórias, doenças intestinais inflamatórias), pessoas com imunodeficiência primária grave, pessoas vivendo com HIV/Aids com CD4 abaixo de 200 céls/mm3.

Pessoas com sintomas respiratórios

Pessoas vacinadas, sobretudo com três doses, estão mais protegidas contra a covid-19, o que pode reduzir sintomas e confundir o coronavírus com uma gripe comum ou alergia. Você deve usar máscara ao sair de casa se tiver sintomas que indiquem possível infecção por covid-19, como nariz entupido, coriza, tosse, espirros e dor de garganta. Desta forma, evitará que outra pessoa seja contaminada.

Pessoas não vacinadas

Pessoas não vacinadas são as mais vulneráveis à covid-19 e, portanto, devem seguir usando máscaras. Se você não pôde tomar a vacina por ter alguma alergia a um componente do imunizante, o risco é maior de se infectar em um momento no qual a transmissão viral está em queda, mas ainda é alta.

Pessoas com comorbidades graves

A ideia aqui é que estas pessoas têm maior risco de adoecer gravemente por covid-19. Segundo definição do Ministério da Saúde no Plano Nacional de Operacionalização contra a Covid-19 (PNO), são pessoas com as seguintes doenças:

Diabetes

Doenças do coração e cardiovasculares

Doenças pulmonares

Hipertensão grave

Doenças neurológicas graves

Doença renal crônica

Obesidade mórbida

Hemoglobinopatias graves

Síndrome de Down

Cirrose hepática

— O risco ao ar livre é baixo, mas você tem que olhar para os grupos de pessoas expostas. Se você tem maior tendência a desenvolver sintomas severos, o risco sofre influência. Pessoas com comorbidades precisam se proteger mais. Nos estudos, a maioria dessas pessoas tende a desenvolver sintomas mais severos — diz Mel Markoski, professora de Biossegurança na UFCSPA.

A prefeitura do Rio de Janeiro, que também liberou o uso ao ar livre, orientou que pessoas com doenças crônicas graves devem seguir usando máscaras ao ar livre.

Idosos

Idosos, sobretudo de idade mais avançada e com comorbidades, devem ter mais atenção para o uso de máscaras, uma vez que são os pacientes que internam com mais frequência, observa o médico infectologista Cézar Riche, do Hospital Mãe de Deus.

— Quem deve ter mais preocupação são imunossupressos, que não terão suas defesas naturais adequadas, idosos e pessoas comorbidades que são fatores de risco para covid. Isso tudo considerando que são pessoas vacinadas.  O idoso mais frágil deve seguir usando máscara, porque é o que a gente costuma atender na emergência. Ele pode se beneficiar do uso de máscara — afirma Riche. 

11/03/2022 – G1 

Link: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2022/03/11/prefeitura-de-porto-alegre-anuncia-fim-da-obrigatoriedade-do-uso-de-mascaras-em-locais-abertos.ghtml

Prefeitura de Porto Alegre decreta fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em locais abertos

Anúncio foi feito pelo prefeito Sebastião Melo (MDB), nesta sexta-feira (11), nas redes sociais.

A Prefeitura de Porto Alegre publicou um decreto retirando a obrigatoriedade do uso de máscaras em locais abertos. O anúncio havia sido feito pelo prefeito Sebastião Melo (MDB), nesta sexta-feira (11), nas redes sociais.

"Publicaremos em breve o decreto que retira a obrigatoriedade do uso de máscaras em espaços abertos de Porto Alegre. Decisão tomada com base na realidade da pandemia e da vacinação na Capital", diz.

O documento está disponível na página da prefeitura na internet. O decreto estabelece que "fica dispensado o uso de máscara de proteção individual para circulação em espaços abertos públicos e privados, em vias públicas e demais locais abertos de uso coletivo".

Ainda, fica dispensado o uso de máscara de proteção individual para circulação nos espaços abertos das instituições de ensino. As escolas "não deverão estabelecer diferenciação, de qualquer natureza no tratamento dos alunos, em relação ao uso de máscara de proteção individual ou adesão à vacinação para o ingresso e permanência no interior do estabelecimento".

Na quinta-feira (10), o Executivo se reuniu com especialistas em saúde para avaliar a viabilidade da medida. Participaram cientistas como Lucia Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA); Alexandre Zavascki, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); e Fernando Spilki, da Feevale. Eles ponderaram a possibilidade da liberação, mas cobraram responsabilidade na adoção da prática.

Em nota publicada na quinta, a Associação Médica Brasileira (AMB) afirmou que "uma flexibilização indiscriminada pode ampliar os riscos à população, ainda mais à parcela não vacinada ou com esquema incompleto e principalmente os imunocomprometidos". O posicionamento foi seguido pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Na próxima sexta (18), a prefeitura irá avaliar a liberação do uso de máscaras em locais fechados.

Nesta semana, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) negou recurso do governo do estado que pedia a derrubada da liminar que obriga o uso de máscaras por crianças menores de 12 anos. Com isso, segue sendo obrigatório o uso da proteção para essa faixa etária.

08/03/2022 – Jornal do Comércio     

Link: https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/especiais/coronavirus/2022/03/836818-porto-alegre-inicia-nesta-quinta-debate-sobre-retirada-de-mascaras-ao-ar-livre.html

Porto Alegre inicia nesta quinta debate sobre retirada de máscaras ao ar livre

A avaliação do contexto local da pandemia nos próximos 10 dias deverá balizar a decisão da prefeitura de Porto Alegre de liberar o uso de máscaras em locais abertos. A flexibilização do acessório, já defendida pelo prefeito Sebastião Melo em outras oportunidades, será tratada nesta quinta-feira(10), em reunião da gestão municipal com especialistas em saúde e representantes de universidades e da Região Metropolitana.

A intenção de Melo é se antecipar ao debate pela desobrigatoriedade das máscaras nos espaços abertos da cidade, que vem ganhando força, principalmente após outras capitais como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e o Distrito Federal terem liberado a população do uso.

Pesam por aqui o fato de o Executivo gaúcho não ter se posicionado a respeito- principalmente após a judicialização da questão da retirada das máscaras para as crianças-, a estabilização dos indicadores da pandemia ainda em patamares altos e os fatores volta às aulas presenciais e retomada das atividades após o Carnaval, que podem impactar em uma nova onda de casos de Covid-19 nos próximos dias.

Em novembro do ano passado a possibilidade de flexibilização das máscaras começou a ser questionada no Estado, mas a orientação da Procuradoria Geral do Estado (PGE) foi para a necessidade de aguardar mudança na lei federal, que obriga desde julho de 2020 a adoção do acessório para circulação em espaços públicos e privados em todo o território nacional.

Segundo o prefeito, o não uso de máscaras já é frequente em eventos, na praia e em outros locais mais movimentados, o que justificaria a intenção de liberá-las oficialmente, pelo menos ao ar livre. No entanto, convém analisar e debater a ideia com o meio científico. "Esse prazo, nos próximos dez dias, vai ser muito decisivo do ponto de vista da pandemia. Então, a prefeitura está adiantando o debate. Já expressei isso em outros momentos, penso que nos espaços livres nós já não devíamos usar mais máscaras. Está na hora de fazermos um debate científico sobre isso, não vamos fazer uma coisa no achismo. Porto Alegre tem a obrigação de fazer esse debate, e vamos fazê-lo", comentou Melo.

De acordo com a prefeitura, o debate técnico de quinta-feira contará com a participação de especialistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), da Pontifícia Universidade Católica (PUC), da Universidade Feevale e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (Ufcspa).

Coordenadora da Rede Análise Covid-19, a biomédica e professora da Unisinos Mellanie Fontes Dutra é uma das principais vozes em defesa das manutenção das máscaras. Por meio de postagens nas redes sociais, ela tem destacado que "desobrigação não significa deixar ser recomendado" e que o uso do acessório deveria ser reforçado. "As máscaras seguem importantes, reduzem o risco de exposição, a chance de transmissão, protegem as crianças na volta às aulas e, se todos usam, os locais são mais seguros", destacou por meio do Instagram.

Já a reitora da Ufcspa, Lucia Pellanda, fez uma alusão ao futebol para expressar a necessidade de permanência dos cuidados com a Covid-19. "Cada vez que as coisas começam a melhorar, paramos de jogar. E aí o vírus faz mais um 7x1. Estamos cansados, mas é justamente para evitar essa prorrogação interminável que precisamos manter a estratégia de jogo: vacina, máscaras, ventilação e cuidados. Depois de apanhar tanto, já era pra gente ter aprendido como funciona esse jogo: é jogo coletivo, não individual", enfatizou também pelas redes sociais.

 À reportagem, ela avaliou que em atividades ao ar livre sem aglomeração o risco de contaminação é menor, o que pode dar margem ao avanço do debate pela retirada das máscaras em ambientes externos. "É possível liberar ao ar livre, mas com alguns cuidados e bom senso, e pensando sempre que não ser obrigatório não quer dizer que não seja recomendado. As pessoas devem continuar usando e não deveriam ser discriminadas por causa disso", reforça.

Lucia destaca que "em um mundo ideal", o uso de máscaras não deveria ser considerado uma obrigação, mas sim um cuidado em relação ao outro, e lembrou o costume comum em alguns países asiáticos de adotar a máscara ao primeiro sinal de uma simples gripe.

"É um aprendizado, que nem foi com o cinto de segurança e o não fumar em local fechado, fomos aprendendo e se precisou de alguma legislação. Acho que no futuro vamos ter lugares em que continuaremos usando máscara e outros com mais flexibilidade, e isso sempre vai depender do raciocínio do risco da atividade e do lugar", completa.

08/03/2022 – GZH          

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/03/uso-de-mascara-em-locais-abertos-deixa-de-ser-obrigatorio-em-cinco-capitais-e-no-df-cl0i4k0lh001y01653gv9qj39.html

Uso de máscara em locais abertos deixa de ser obrigatório em cinco capitais e no DF

Porto Alegre avalia flexibilizar cobrança. Já cidade do Rio não cobra mais a proteção nem em espaços fechados

Com a queda no número diário de casos de covid-19 no país, o uso de máscara ao ar livre deixou de ser obrigatório em pelo menos cinco capitais — Belo Horizonte, Boa Vista, Cuiabá, Rio de Janeiro e São Luís. A mudança engloba ainda o Distrito Federal. Na capital fluminense, o acessório também deixa de ser cobrado em locais fechados a partir desta terça-feira (8).

Em 12 capitais ainda é cobrado o uso de máscara tanto em locais abertos quanto em fechados. É o caso de Porto Alegre, Aracaju, Belém, Curitiba, Goiânia, Macapá, Recife, Palmas, Porto Velho, São Paulo e Vitória. Já em Campo Grande, é exigido o uso de máscara em ambos os casos, mas desobriga a medida caso a pessoa pratique algum exercício físico.

Até o momento, as outras nove capitais — Fortaleza, Florianópolis,  João Pessoa, Maceió, Manaus, Natal, Rio Branco, Salvador, Teresina — ainda não informaram qual a posição que assumirão com relação à flexibilização do protetor facial.

Apesar da prefeitura de Florianópolis ainda não assumir uma posição, em Balneário Camboriú, também em Santa Catarina, o uso da máscara de proteção individual passa a ser facultativo tanto em ambientes fechados quanto ao ar livre. A medida não se aplica aos hospitais, unidades de pronto-atendimento público ou privado e às pessoas que estão infectadas com o vírus ou com suspeita de estarem contaminadas. O documento com a decisão foi publicado por meio de decreto na segunda-feira (7).

Posicionamento dos Estados

A discussão sobre a obrigatoriedade da máscara também está ocorrendo na esfera estadual. Em pelo menos cinco Estados — Maranhão, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul —, além do Distrito Federal, já houve a regulamentação da flexibilização do uso do protetor facial.

No caso do Rio Grande do Sul, ainda há discordâncias entre os setores. O Estado havia flexibilizado, em 26 de fevereiro, a obrigatoriedade do uso de máscara para crianças de seis a 11 anos. Em 3 de março, apesar da medida ainda continuar valendo, foi emitida uma nota do governo estadual recomendado o acessório.

No sábado (5), uma liminar da Justiça voltou a obrigar o uso do protetor para crianças. No domingo (6), a Procuradoria  Geral do Estado (PGE) recorreu da decisão.

Capital gaúcha

A prefeitura de Porto Alegre também está reavaliando a obrigatoriedade do uso de máscara em espaços públicos abertos. A decisão acontecerá após um debate que será realizado nessa quinta-feira (10). Prefeitos de outras cidades da Região Metropolitana e convidados técnicos estarão presentes no encontro.

De acordo com a assessoria do gabinete do prefeito Sebastião Melo, serão chamados representantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e da Federação de Estabelecimentos de Ensino Superior em Novo Hamburgo (Feevale).

07/03/2022 – Jornal A Voz da Serra via G1

Link: https://avozdaserra.com.br/noticias/mascaras-usar-ou-nao-usar-com-palavra-os-especialistas

Máscaras: usar ou não usar? Com a palavra, os especialistas

Eles falam em "comportamentos", e não "locais" de risco: mesmo em espaços abertos há casos em que a proteção facial precisa ser mantida

Reportagem do portal de notícias G1 ouviu especialistas para saber o que acham sobre o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras contra a Covid-19, tanto em espaços abertos  quanto em locais fechados, como decidiu o comitê técnico nesta segunda-feira, 7.

Eles dizem que é preciso ter cautela com o cenário epidemiológico e que, mesmo em espaços abertos, há casos em que o cuidado precisa ser mantido. “Temos que pensar em comportamentos de menos riscos, não locais”, define Beatriz Klimeck, doutoranda em Saúde Coletiva na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) por trás da página "Qual Máscara?".

Em quais situações é seguro deixar de usar máscaras?

“Menos de 1% dos eventos de transmissão ocorre ao ar livre. Nessa ótica, faz sentido [a liberação das máscaras em espaços abertos]”, diz Vitor Mori, pesquisador na Universidade de Vermont e membro do Observatório Covid-19 BR. Contudo, Mori explica que a questão não é apenas flexibilizar. Ele ressalta que é preciso uma comunicação mais efetiva do poder público e cobra que uma exigência com mais rigor do uso de máscaras em locais fechados.  “Todo o gestor está em busca disso [dessas flexibilizações], mas precisamos reforçar que ao ar livre não é risco zero”, acrescenta.

Quando temos uma situação com pessoas aglomeradas, falando próximas umas às outras, em um grande evento como um show ou um jogo de futebol, por exemplo, por mais que o risco seja pequeno (menos de 1%), esse índice aumenta por causa da quantidade de pessoas, argumenta Melissa Markoski, professora de Biossegurança da UFCSPA e membro da Rede Análise Covid-19. “Então, mesmo o risco sendo baixo, se temos mais pessoas conversando, por mais tempo, próximas umas às outras, você acaba permitindo a transmissão do vírus se não tivermos a barreira da máscara", afirma Melissa.

O que é uma aglomeração?

Mori explica que um problema na avaliação de riscos em espaços onde há aglomerações é que esse é um conceito muito abstrato. Ele ainda acrescenta que, embora a premissa "quanto mais pessoas, mais riscos" esteja correta, o fato de ter muita gente num determinado local aberto não faz com que o risco seja equivalente ao de um espaço fechado. "Às vezes a gente tem a impressão de que quando vemos muita gente, temos uma aglomeração, mas não necessariamente isso é um contexto de risco tão grande assim", diz.

"Aconteceu muito no começo da pandemia, com aquelas imagens de praias, locais abertos, bem ventilados, onde o ar circula bem. As pessoas falavam, isso é uma aglomeração. Não, é um ambiente aberto, e o risco é bem menor".

Quando ainda devo me preocupar com o risco de contaminação e devo continuar usando máscaras?

Os especialistas ainda defendem que espaços fechados e com alta densidade de pessoas exigem o uso de máscaras. Mesmo nos EUA, onde houve liberação em regiões com bons indicadores, o governo federal exige o uso de máscaras em aviões, trens e outras formas de transporte público.

Carlos Zárate-Bladés, imunologista e pesquisador do Laboratório de Imunorregulação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ressalta que é preciso levarmos em conta que não existe um lugar “seguro”, mas sim uma forma de exposição que oferece menos riscos. Ele explica que, como o vírus se espalha por microgotículas que são exprimidas por nós quando falamos e respiramos, quando o ambiente é fechado elas podem ficar por até duas horas no ar, tempo suficiente para serem inaladas por outra pessoa.

Já em ambientes abertos, onde há a circulação de ar, a contaminação é mais difícil. "Se é um ambiente que as pessoas conversam muito, se é um ambiente que estimula o aumento da taxa de frequência respiratória, como academias, por exemplo [temos uma zona de maior risco]", diz Markoski.

A questão toda tem a ver com o distanciamento, o período de exposição e o índice de vacinação, avaliam os especialistas.

Já Klimeck, especialista em Saúde Coletiva, faz um alerta sobre outros espaços que exigem atenção. "O ideal é pensarmos não apenas no lugar aberto que você vai frequentar, mas no trajeto até lá. Você vai passar por um elevador no seu prédio? Vai passar no mercado. É sempre bom levar em consideração toda a situação", diz.

Existem pessoas que ainda devem usar máscaras 100% do tempo?

O imunologista Zárate-Bladés ressalta que políticas gerais de saúde como a liberação das máscaras englobam a maioria dos casos, mas que é preciso uma avaliação particular de riscos. "Precisamos ser precavidos. Se você tem comorbidades, fale com seu médico, para ver se ele libera você mesmo em ambientes abertos", diz o imunologista Zárate-Bladés.

Markoski explica que algumas pessoas imunossurpimidas (pessoas com câncer, HIV, transplantados e outros com o sistema imune fragilizado) mesmo completamente vacinadas, não possuem um resposta tão desejada para a vacinação, por não possuírem uma memória imunológica tão efetiva. A bióloga acrescenta que essas pessoas com comobirdades e também aquelas com obesidade não devem abolir o uso das máscaras mesmo em ambientes abertos porque o risco da contaminação é maior nesses casos. "Então essas pessoas precisam evitar a contaminação. E para elas fazerem isso, ela precisam continuar apostando também nas medidas não farmacológicas", diz.

"A gente sabe menos a respeito sobre a eficácia das vacinas nessas pessoas. A pessoa continuar se protegendo é bom. É um pouco chato, isso. Mas é preciso", acrescenta Zárate-Bládes

Quando deve acontecer a liberação em ambientes fechados?

Na Inglaterra, desde o início de janeiro a máscara não é mais obrigatória, seja em espaços fechados ou abertos. Fora isso, o governo também anunciou que o passaporte de vacinação para eventos com grande público não será mais exigido. Países como Suíça, Lituânia, Dinamarca e Áustria também anunciaram flexibilizações do tipo nas últimas semanas.

“Se alguma flexibilização é possível, é ao ar livre”, defende o pesquisador Victor Mori. Para o especialista, os ambientes fechados deveriam ser os últimos a serem flexibilizados. Ele explica que a grande maioria dos eventos de transmissão ocorrem nesses locais e que identificar a circulação do vírus nessa situação é difícil, pois, por exemplo, são raros os espaços fechados que utilizam equipamentos de monitoramento de CO2 (aparelhos que indicam a baixa circulação do ar e maior risco de permanência de aerossóis).

Fora isso, Melissa Markoski cita outros cenários de preocupação, como a lenta taxa de vacinação na África e na Índia e o fato de que as variantes do novo coronavírus tendem a surgir entre as pessoas não vacinadas. "Eu acho que vai demorar bastante ainda. Precisamos esperar esse comportamento pós-Carnaval, observar se até o início de abril os índices vão cair e se nesse meio tempo não irá surgir nenhuma variante de preocupação no mundo", diz.

Aliado a isso, Beatriz Klimeck argumenta que a retirada do uso de máscaras em qualquer espaço envia uma mensagem de que estamos num momento de menos risco, o que, para a pesquisadora, é preocupante.

“A única medida preventiva que temos para a Covid-19 é o uso de máscaras. E estamos nessa corrida para liberar uma medida que é bastante efetiva e pouquíssimo custosa para a população”, diz Klimeck.

05/03/2022 – G1

Link: https://g1.globo.com/saude/noticia/2022/03/05/se-for-opcional-quando-ainda-devo-usar-a-mascara-contra-covid-e-seguro-ficar-sem-ela-nos-espacos-abertos.ghtml?utm_source=twitter&utm_medium=share-bar-desktop&utm_campaign=materias

Se for opcional, quando ainda devo usar a máscara contra Covid? É seguro ficar sem ela nos espaços abertos?

Especialistas falam em comportamentos de menos riscos, não 'locais', e ressaltam que mesmo em espaços abertos há casos em que o cuidado precisa ser mantido, mas que sim existem dados que podem basear a retirada das máscaras em determinados espaços.

A obrigatoriedade do uso de máscaras começa a cair progressivamente no Brasil e já é uma realidade em países como os EUA. Quando deixar de usar máscaras é seguro e quando devo me preocupar?

O g1 ouviu especialistas que apontam que é preciso ter cautela com o cenário epidemiológico, e que mesmo em espaços abertos há casos em que o cuidado precisa ser mantido, mas que sim existem dados que podem basear a retirada das máscaras em determinados espaços.

“Temos que pensar em comportamentos de menos riscos, não locais”, define Beatriz Klimeck, doutoranda em Saúde Coletiva na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) por trás da página "Qual Máscara?".

Abaixo, nesta reportagem, veja respostas para as seguintes perguntas:

Em quais casos é seguro deixar de usar máscaras?

Quando ainda devo me preocupar com o risco de contaminação?

Existem pessoas que precisarão usar máscaras 100% do tempo?

Quando deve acontecer a liberação também em ambientes fechados?

Veja as respostas:

 

1 - Em quais situações é seguro deixar de usar máscaras?

“Menos de 1% dos eventos de transmissão ocorrem ao ar livre. Nessa ótica faz sentido [a liberação das máscaras em espaços abertos]”, diz Vitor Mori, pesquisador na Universidade de Vermont e membro do Observatório Covid-19 BR.

Contudo, Mori explica que a questão não é apenas flexibilizar. Ele ressalta que é preciso uma comunicação mais efetiva do poder público e cobra que uma exigência com mais rigor do uso de máscaras em locais fechados.

Quando temos uma situação com pessoas aglomeradas, falando próximas umas às outras, em um grande evento como um show ou um jogo de futebol, por exemplo, por mais que o risco seja pequeno (menos de 1%), esse índice aumenta por causa da quantidade de pessoas, argumenta Melissa Markoski, professora de Biossegurança da UFCSPA e membro da Rede Análise Covid-19.

“Temos que pensar em comportamentos de menos riscos, não locais”, acrescenta Klimeck.

O que é uma aglomeração?

Já Mori explica que um problema na avaliação de riscos em espaços onde há aglomerações é que esse é um conceito muito abstrato.

Ele ainda acrescenta que, embora a premissa "quanto mais pessoas, mais riscos" esteja correta, o fato de ter muita gente num determinado local aberto não faz com que o risco seja equivalente ao de um espaço fechado.

"Às vezes a gente tem a impressão de que quando vemos muita gente, temos uma aglomeração, mas não necessariamente isso é um contexto de risco tão grande assim", diz.

"Aconteceu muito no começo da pandemia, com aquelas imagens de praias, locais abertos, bem ventilados, onde o ar circula bem. As pessoas falavam, isso é uma aglomeração. Não, é um ambiente aberto, e o risco é bem menor".

2 - Quando ainda devo me preocupar com o risco de contaminação e devo continuar usando máscaras?

Os especialistas ainda defendem que espaços fechados e com alta densidade de pessoas exigem o uso de máscaras. Mesmo nos EUA, onde houve a liberação em regiões com bons indicadores, o governo federal exige o uso de máscaras em aviões, trens e outras formas de transporte público.

Carlos Zárate-Bladés, imunologista e pesquisador do Laboratório de Imunorregulação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ressalta que é preciso levarmos em conta que não existe um lugar “seguro”, mas sim uma forma de exposição que oferece menos riscos.

O imunologista explica que, como o vírus se espalha por microgotículas que são exprimidas por nós quando falamos e respiramos, quando o ambiente é fechado elas podem ficar por até duas horas no ar, tempo suficiente para serem inaladas por outra pessoa.

Já em ambientes abertos, onde há a circulação de ar, a contaminação é mais difícil.

"Se é um ambiente que as pessoas conversam muito, se é um ambiente que estimula o aumento da taxa de frequência respiratória, como academias, por exemplo [temos uma zona de maior risco]", diz Markoski.

A questão toda tem a ver com o distanciamento, o período de exposição e o índice de vacinação, avaliam os especialistas. Markoski cita um estudo de 2020 publicado no periódico 'British Medical Journal' e diz que é sim possível estabelecermos zonas de maior e menor risco de contaminação.

Na pesquisa, os cientistas avaliaram que fatores como o uso de máscaras, o tempo de exposição, o nível de ventilação, a ocupação do lugar e o modo como as pessoas conversam em determinados ambientes influenciam no grau de risco de contágio pela Covid-19.

Já Klimeck, especialista em Saúde Coletiva, faz um alerta sobre outros espaços que exigem atenção.

"O ideal é pensarmos não apenas no lugar aberto que você vai frequentar, mas no trajeto até lá. Você vai passar por um elevador no seu prédio? Vai passar no mercado. É sempre bom levar em consideração toda a situação", diz.

3 - Existem pessoas que ainda devem usar máscaras 100% do tempo?

O imunologista Zárate-Bladés ressalta que políticas gerais de saúde como a liberação das máscaras englobam a maioria dos casos, mas que é preciso uma avaliação particular de riscos.

"Precisamos ser precavidos. Se você tem comorbidades, fale com seu médico, para ver se ele libera você mesmo em ambientes abertos", diz o imunologista Zárate-Bladés.

Markoski explica que algumas pessoas imunossurpimidas (pessoas com câncer, HIV, transplantados e outros com o sistema imune fragilizado) mesmo completamente vacinadas, não possuem um resposta tão desejada para a vacinação, por não possuírem uma memória imunológica tão efetiva.

A bióloga acrescenta que essas pessoas com comobirdades e também aquelas com obesidade não devem abolir o uso das máscaras mesmo em ambientes abertos porque o risco da contaminação é maior nesses casos.

"Então essas pessoas precisam evitar a contaminação. E para elas fazerem isso, ela precisam continuar apostando também nas medidas não farmacológicas", diz.

"A gente sabe menos a respeito sobre a eficácia das vacinas nessas pessoas. A pessoa continuar se protegendo é bom. É um pouco chato, isso. Mas é preciso", acrescenta Zárate-Bládes

4 - Quando deve acontecer a liberação em ambientes fechados?

O Rio, que havia liberado o uso da proteção desde outubro do ano passado, anunciou nesta semana que planeja estabelecer o fim da obrigatoriedade das máscaras em qualquer lugar já na próxima segunda (7), algo que é criticado pelos especialistas ouvidos pelo g1.

Na Inglaterra, desde o início de janeiro deste ano, a máscara não é mais obrigatória em ambientes fechados ou locais públicos. Fora isso, o governo também anunciou que o passaporte de vacinação para eventos com grande público não será mais exigido. Países como Suíça, Lituânia, Dinamarca e Áustria também anunciaram flexibilizações do tipo nas últimas semanas.

“Se alguma flexibilização é possível, é ao ar livre”, defende o pesquisador Victor Mori.

Para o especialista, os ambientes fechados deveriam ser os últimos a serem flexibilizados. Ele explica que a grande maioria dos eventos de transmissão ocorrem nesses locais e que identificar a circulação do vírus nessa situação é difícil, pois, por exemplo, são raros os espaços fechados que utilizam equipamentos de monitoramento de CO2 (aparelhos que indicam a baixa circulação do ar e maior risco de permanência de aerossóis).

Fora isso, Melissa Markoski, cita outros cenários de preocupação, como a lenta taxa de vacinação na África e na Índia e o fato de que as variantes do novo coronavírus tendem a surgir entre as pessoas não vacinadas.

"Eu acho que vai demorar bastante ainda. Precisamos esperar esse comportamento pós-Carnaval, observar se até o início de abril os índices vão cair e se nesse meio tempo não irá surgir nenhuma variante de preocupação no mundo", diz.

Aliado a isso, Beatriz Klimeck argumenta que a retirada do uso de máscaras em qualquer espaço envia uma mensagem de que estamos num momento de menos risco, o que, para a pesquisadora, é preocupante.

De acordo com dados das secretarias de Saúde, o Brasil registrou em fevereiro maior número de mortes por Covid desde agosto. Fora isso, nesta semana, a Fiocruz indicou que há uma tendência de aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças no Brasil e que os idosos (a partir dos 60 anos) voltaram a ser os grupos com maior incidência semanal de casos e óbitos por SRAG com confirmação de Covid-19.

“A única medida preventiva que temos para a Covid-19 é o uso de máscaras. E estamos nessa corrida para liberar uma medida que é bastante efetiva e pouquíssimo custosa para a população”, diz Klimeck.

05/03/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2022/03/parte-das-universidades-federais-do-rs-condicionara-matricula-a-vacinacao-veja-quais-cl0e79yr10018017c8isnc6si.html

Parte das universidades federais do RS condicionará matrícula à vacinação; veja quais

Com exceção da UFRGS, as demais instituições cobrarão passaporte vacinal para a entrada nos campi

O início das aulas de 2022 será marcado pela exigência de passaporte vacinal contra a covid-19 para a entrada em quase todas as instituições federais de Ensino Superior localizadas no Rio Grande do Sul. A exceção é a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde a determinação da reitoria se difere das orientações de outras faculdades. Entre as demais instituições, há aquelas que cobrarão a comprovação das doses já na hora da matrícula e outras que pedirão o documento logo em seguida.

Na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a confirmação do processo de matrícula em disciplinas presenciais está condicionada à comprovação do esquema vacinal completo, ou seja, com, pelo menos, duas doses. O documento precisava ser apresentado por meio de cadastro dentro do sistema acadêmico Cobalto até a última quinta-feira (3).

Na hipótese da não efetivação do esquema vacinal completo decorrer de expressa contraindicação da vacina por motivo de saúde, regularmente comprovado por atestado médico, a matrícula poderá ser mantida. Nesse caso, o acesso às dependências da UFPel será condicionado à apresentação pelo estudante de teste RT-PCR ou teste antígeno negativos para covid-19 realizados nas últimas 72 horas.

A exigência do comprovante na hora da matrícula também ocorrerá para calouros do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS). Para os veteranos, a comprovação deverá ser apresentada até o primeiro dia de aula, sob pena de terem a matrícula trancada de forma compulsória.

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) já exige o comprovante de vacinação contra uma série de doenças para aqueles estudantes que se matricularem em disciplinas práticas ministradas em serviços de saúde. Para as aulas teóricas, previstas para serem retomadas a partir de 25 de abril, a instituição confirmou que exigirá a comprovação, mas ainda não definiu detalhes. No entanto, a tendência é de que o documento seja demandado já na hora da matrícula.

Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), depois de fazer a matrícula, o estudante deverá anexar o comprovante vacinal no Portal do Aluno. Caso não o faça, será impedido de acessar as dependências da instituição. Esse mesmo sistema será adotado pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e pela Universidade Federal do Pampa (Unipampa).

04/03/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2022/03/retomada-das-aulas-presenciais-ocorre-em-marco-e-abril-nas-universidades-federais-do-rs-cl0cwdcqm004y0165s2x94ea9.html

Retomada das aulas presenciais ocorre em março e abril nas universidades federais do RS

Com exceção da UFRGS, todas as outras exigirão comprovante vacinal contra a covid-19 para atividades presenciais

Após meses de indefinição, parece que a retomada das aulas presenciais nas universidades federais gaúchas irá deslanchar. A maioria dessas instituições de ensino prevê o retorno das atividades teóricas – últimas a voltarem – para as salas de aula  - entre março e abril.

Com exceção da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), todas as outras exigirão comprovante de vacinação contra a covid-19 para a participação presencial de alunos, professores e funcionários. Instituições como a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) condicionarão a matrícula dos estudantes em atividades presenciais à apresentação da comprovação.

Confira abaixo como está a previsão de retomada em cada instituição federal de Ensino Superior do RS:

UFFS

A mais adiantada entre as instituições é a Universidade Federal da Fronteira Sul, que, no RS, tem campi em Cerro Largo, Erechim e Passo Fundo. Em Cerro Largo, os cursos diurnos já funcionam desde novembro do ano passado com aulas teóricas presenciais. No início de fevereiro, os demais cursos também voltaram às salas de aula. Em Erechim, todo o campus funciona presencialmente desde 1º de fevereiro. Em Passo Fundo, a retomada total ocorrerá na próxima segunda-feira (7).

Em todos os campi será exigido comprovante vacinal para alunos, professores e funcionários. Estudantes e servidores não imunizados terão de apresentar atestado médico que justifique a falta da vacina ou, em casos de não aplicação por opção pessoal, deverão apresentar em intervalos mínimos de 72h um teste negativo para covid-19.

IFRS

No Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), as aulas presenciais estão sendo retomadas nos diferentes campi entre o final de fevereiro e o início de abril. A previsão é de que o ano letivo ocorra no formato presencial, com o cumprimento de protocolos de prevenção à covid-19. Caso haja agravamento dos indicadores da pandemia até o dia 31 de março, cada campus poderá determinar uso temporário e parcial de ensino remoto.

Os alunos que estão ingressando neste ano no IFRS tiveram de apresentar o comprovante de aplicação de ao menos uma dose na hora da matrícula. Para os que já estudavam na instituição, é necessário apresentar o documento até o primeiro dia de aula, sob pena de terem a matrícula trancada.

UFPel

As aulas, correspondentes ao segundo semestre letivo de 2021, voltarão na próxima segunda-feira, em formato híbrido – aulas práticas presenciais e teóricas remotas. O retorno totalmente presencial está previsto para agosto, quando será iniciado o semestre letivo seguinte, a depender do cenário sanitário na ocasião. Os servidores da UFPel voltaram a trabalhar presencialmente nesta quinta-feira (3).

A UFPel está condicionando a confirmação do processo de matrícula em disciplinas presenciais à comprovação do esquema vacinal completo contra a covid-19. São exigidas pelo menos duas doses do imunizante.

UFRGS

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) já adiou duas vezes o retorno às atividades presenciais. Inicialmente, a previsão era de retomada no dia 17 de janeiro, o que foi adiado para 7 de março. Um novo adiamento passou a volta às salas de aula para 14 de março. Nessa data, deve ocorrer o retorno presencial de pelo menos 50% das atividades.

A instituição vive um impasse interno com relação à exigência de comprovante vacinal. Enquanto a reitoria definiu que a comprovação não será exigida para acesso às dependências da universidade, o Conselho Universitário (Consun) publicou resolução na qual a exigência está prevista. Faculdades também têm dito publicamente que o passaporte vacinal será obrigatório.

Furg

A Universidade Federal do Rio Grande (Furg) entrará em sua última fase do plano de retomada das atividades presenciais no dia 4 de abril. Está previsto o retorno de todas as atividades em caráter integral de carga horária e capacidade física, o que pode ser revisto, a depender dos indicadores sanitários. Atualmente, apenas atividades práticas estão permitidas em sala de aula.

A instituição exigirá a comprovação da vacinação para a entrada de qualquer pessoa em suas dependências. O comprovante deverá ser anexado no Sistema Furg, após a realização da matrícula.

UFCSPA

A retomada gradual das atividades presenciais na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) está prevista para 5 de abril, quando começa o novo ano letivo. É nesta data que a instituição entra na quinta e última fase do Programa de Retomada Presencial Progressivo, quando ocorre o retorno de 100% das atividades práticas. Até 50% dos componentes teóricos deverão ser retomados presencialmente em maio e até 100% em julho.

Na Fase 5, haverá exigência de comprovante vacinal para a participação em atividades presenciais. Os detalhamentos da forma como ocorrerá essa comprovação para as aulas teóricas ainda serão definidos. Para aqueles que fazem práticas em serviços de saúde o passaporte vacinal já é exigido, não só com previsão de doses contra a covid-19, mas também contra outras doenças, como tétano e hepatite.

UFSM

Na UFSM, o retorno das aulas presenciais está marcado para o dia 11 de abril. No entanto, poderão ocorrer atividades à distância, desde que compreendam até 40% da carga horária total do curso.

Calouros deverão anexar o comprovante de vacinação contra a covid-19 no Portal do Aluno antes do início do semestre letivo. O passaporte vacinal também será cobrado dos demais estudantes, professores e funcionários.

Unipampa

A retomada das aulas presenciais na Universidade Federal do Pampa (Unipampa) deve ocorrer no dia 25 de abril em todos os campi. A data marca o início do primeiro semestre letivo de 2022. A instituição já contava com a oferta de atividades práticas presenciais desde 10 de novembro.

A partir de 25 de abril, todas as aulas voltam a ser presenciais. Para participar, o estudante precisará apresentar comprovante vacinal.

03/03/2022 – Secretaria da Saúde do RS

Link: https://www.estado.rs.gov.br/comite-cientifico-divulga-nota-tecnica-informativa-sobre-uso-de-mascara-em-criancas

Comitê Científico divulga nota técnica informativa sobre uso de máscara em crianças

O Comitê Científico de apoio ao enfrentamento à Covid-19 no Rio Grande do Sul, que é integrado pela Secretaria da Saúde (SES), publicou nota técnica nesta quinta-feira (3/3) recomendando fortemente o uso adequado de máscaras por crianças de seis a 11 anos. Seguindo decreto estadual, a proteção deve ser usada com supervisão de um adulto.

A nota complementa o Decreto Estadual 56.403, publicado em 26 de fevereiro, que revogou a obrigatoriedade do uso da máscara nessa faixa etária. “Apesar de não ser obrigatório, continuamos percebendo o uso de máscaras em crianças como extremamente necessário para diminuir os casos de Covid-19 e, principalmente, evitar que elas transmitam o vírus para pessoas da família com maior risco de ter agravos”, disse a diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Cynthia Molina Bastos.

A recomendação leva em consideração o retorno às aulas presenciais nas escolas do Estado e que muitas crianças já tenham o hábito de usar as máscaras. A biomédica Mellanie Fontes-Dutra, com mestrado e doutorado em Neurociências pela UFRGS e professora da Escola de Saúde da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), afirma que a nota reforça a importância da adesão ao uso de máscara no cenário atual. A desobrigação não implica na perda da importância do uso dessa medida nesse momento, pelo contrário. Segundo Mellanie, a recomendação fortalece esse entendimento, para se evitar ainda mais o risco de exposição e transmissão principalmente nas crianças.

“De forma geral, a máscara traz mais benefício às crianças dessa faixa de seis a 11 anos do que malefícios, mas cada caso deve ser observado em particular. O uso do item não impede a transmissão do coronavírus, mas é comprovado que diminui consideravelmente”, explicou a professora do Departamento de Estatística da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS) Suzy Alves Camey, representante da instituição no comitê. A retirada da obrigatoriedade tem, segundo ela, o papel de aliviar tensões no dia a dia, evitando situações em que o uso é inviável e as crianças acabam enfrentando algum constrangimento.

A médica epidemiologista e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Eliana Wendland, também integrante do Comitê Científico, lembra que a mudança retorna às recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre o uso de máscaras por crianças. “No momento em que há obrigatoriedade, se deixa de dar conta de crianças que são exceções”, disse, citando como exemplo crianças de três ou quatro anos que têm dificuldades com a máscara, com autismo, necessidades especiais e surdas.

Eliana alerta, no entanto, que a retirada da obrigatoriedade não significa que as máscaras deixaram de ser necessárias. “Não quer dizer que é para retirar máscaras e ninguém mais usar. Neste momento, as máscaras continuam sendo recomendadas. É preciso ter bom senso sobre quando pode e quando não pode, se tem uma aglomeração ou não”, salienta.

A nota ainda especifica que a máscara deve ser usada por crianças entre dois e cinco anos de acordo com a tolerância delas e sob supervisão de um adulto, além de reforçar a necessidade do distanciamento social e ventilação adequada, em especial quando houver crianças sem a proteção no ambiente.

O documento foi escrito em conjunto entre as instituições que fazem parte do Comitê Científico na tarde de quarta-feira (2/3), em reunião virtual.

02/03/2022 – G1 RS / RBS TV

Link: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2022/03/02/veja-o-calendario-letivo-das-principais-universidades-publicas-e-privadas-do-rs.ghtml

Veja o calendário letivo das principais universidades públicas e privadas do RS

Instituições planejam aulas presenciais ao longo de 2022. Em algumas universidades, há a exigência do passaporte vacinal.

Universidades públicas e privadas do Rio Grande do Sul ainda ajustam seus calendários, com impactos da pandemia de Covid-19. Algumas instituições iniciam 2022 recuperando atividades referentes ao ano passado ou já planejam atividades presenciais. Confira abaixo a situação das principais universidades do estado.

O governo do estado exige uso de máscara, principalmente em locais fechados ou com maior número de pessoas, além da disponibilização de água e sabão ou álcool 70% ao público.

Universidades públicas

(...)

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - UFCSPA

A UFCSPA projeta a retomada das atividades práticas a partir do início do primeiro semestre acadêmico de 2022, marcado para 25 de abril, com previsão de realização de 100% delas de forma presencial até o mês de julho.

A imunização é exigida para eventos presenciais, como formaturas. Em relação às atividades didáticas no campus, o tema ainda será avaliado com o avanço das fases de retorno presencial.

(...)

02/03/2022 – Rádio Mais Alegria

Link: https://www.radiomaisalegria.com.br/site/noticias/veja-o-calendario-letivo-das-principais-universidades-publicas-e-privadas-do-rs

VEJA O CALENDÁRIO LETIVO DAS PRINCIPAIS UNIVERSIDADES PÚBLICAS E PRIVADAS DO RS

Instituições planejam aulas presenciais ao longo de 2022. Em algumas universidades, há a exigência do passaporte vacinal. Sala de aula na Escola de Administração da UFRGS, em Porto Alegre

Instituições planejam aulas presenciais ao longo de 2022. Em algumas universidades, há a exigência do passaporte vacinal.

Universidades públicas e privadas do Rio Grande do Sul ainda ajustam seus calendários, com impactos da pandemia de Covid-19. Algumas instituições iniciam 2022 recuperando atividades referentes ao ano passado ou já planejam atividades presenciais. Confira abaixo a situação das principais universidades do estado.

O governo do estado exige uso de máscara, principalmente em locais fechados ou com maior número de pessoas, além da disponibilização de água e sabão ou álcool 70% ao público.

Universidades públicas

(...)

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - UFCSPA

A UFCSPA projeta a retomada das atividades práticas a partir do início do primeiro semestre acadêmico de 2022, marcado para 25 de abril, com previsão de realização de 100% delas de forma presencial até o mês de julho.

A imunização é exigida para eventos presenciais, como formaturas. Em relação às atividades didáticas no campus, o tema ainda será avaliado com o avanço das fases de retorno presencial.

(...)

31/01/2022 – Matinal Jornalismo

Link: https://www.matinaljornalismo.com.br/rogerlerina/educacao/ufcspa-realiza-curso-cidade-luz-uma-historia-cultural-de-paris/

“UFCSPA realiza curso “Cidade-Luz: uma História Cultural de Paris”

Ocurso Cidade-Luz: uma História Cultural de Paris abre a programação do Núcleo Cultural da UFCSPA em 2022. Ministrado pelo professor de Literatura Francesa da universidade Rodrigo de Lemos, doutor em Literaturas Francesa e Francófonas, o curso aberto ao público será realizado de 14 a 17 de fevereiro. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas no site da universidade pelo Sistema Único de Registro (SIUR-UFCSPA).

O curso irá introduzir o público a noções históricas, culturais, artísticas, científicas, literárias e intelectuais fundamentais à compreensão da cultura ocidental por meio do percurso de Paris, como cidade das artes e das ideias.

Serão abordados também aspectos da geografia urbana e da língua francesa. “Paris é hoje uma cidade-mundo que se beneficia de uma história de alguns séculos como capital intelectual, científica e artística da Europa. Retomaremos aspectos desse percurso, a partir do século das luzes até o século XX”, destaca Rodrigo de Lemos.”

28/01/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/01/especialistas-esclarecem-trechos-da-bula-da-vacina-da-pfizer-para-criancas-ckyyox3wa005w0188u66f6v9h.html

Especialistas esclarecem trechos da bula da vacina da Pfizer para crianças

Reportagem consultou profissionais de diferentes áreas da saúde para explicar dados que têm gerado discussão

GZH consultou especialistas de diferentes áreas da saúde para esclarecer trechos da bula do imunizante da Pfizer/BioNTech para crianças que estão causando dúvidas, especialmente em debates nas redes sociais. Em alguns casos, as informações copiadas do documento original, disponível na internet, estão corretas, mas o que falta, na opinião de especialistas como o médico infectologista Claudio Stadnik, da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, é dizer que a bula de praticamente todo medicamento ou vacina precisa listar, obrigatoriamente, todos os problemas possíveis:

— A bula tem que prever tudo que possa acontecer de errado, mesmo que nunca aconteça. Geralmente, a bula é um exagero. Isso faz parte da ciência, pensar em todos os pontos. Não quer dizer que não tem estudo. Tem estudo muito bem-feito com a vacina contra a covid-19, dizendo que ela é altamente eficaz e segura. 

No Brasil, a resolução 47/2009 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceu duas versões de bulas de medicamentos: para pacientes e para profissionais de saúde. Acompanham os produtos comprados nas farmácias as bulas para pacientes, com um texto reduzido e mais acessível para o público em geral. Esses documentos, que precisam de aprovação da Anvisa, são resumos de dossiês com milhares de páginas.

A mensagem mais importante é: quando um medicamento ou vacina é aprovado para utilização da população, estão asseguradas a eficácia e a segurança dentro das condições previstas pelo fabricante. Não existe droga isenta de efeitos adversos, em diferentes níveis de frequência de ocorrência (de comuns a raríssimos). Na equação riscos versus benefícios, o bem que pode proporcionar é muito superior a eventuais males, reforçam os especialistas.

O farmacêutico Cabral Pavei, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), aponta que nunca houve debate mundial tão grande sobre um produto farmacêutico. É bem-vindo o interesse da sociedade em relação a dados tão importantes, mas é delicado indicar que todos devem se deter em uma análise detalhada. 

— Essas informações são pertinentes sempre, mas dependem do nível de interpretação de cada um. Quem quiser ler a bula antes de levar seu filho para ser vacinado e tiver dúvidas deve acionar o pediatra. Busque uma, duas, três opiniões, mas, em hipótese alguma, deixe de vaciná-lo — orienta Pavei. 

Efeitos adversos da dipirona e do paracetamol, por exemplo, amplamente comercializados no Brasil, também constam das bulas. A dipirona é proibida em diversos países devido ao risco de agranulocitose, redução expressiva dos glóbulos brancos (ou leucócitos, que integram o sistema de defesas do corpo). A farmacovigilância nacional monitora a utilização do remédio, cujos benefícios, como o baixo custo e a resposta expressiva em quadros febris, ainda possibilitam a utilização, segundo Pavei. Quanto ao paracetamol, pode provocar lesão hepática (no fígado): o consumo a partir de quatro gramas por dia já é arriscado. 

Os trechos comentados, a seguir, foram extraídos da versão da bula da vacina da Pfizer destinada a profissionais de saúde (pode ser acessada na íntegra neste link).  Já a bula para os pacientes está neste link.

Genotoxicidade/Carcinogenicidade 

"Não foram realizados estudos de genotoxicidade nem de carcinogenicidade." 

Na sequência imediata, a descrição deste item informa: "Não se espera que os componentes da vacina (lípidos e mRNA) tenham potencial genotóxico". Infectologista da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), Claudio Stadnik resume: não foram realizados estudos de genotoxicidade nem de carcinogenicidade porque não eram pré-requisitos obrigatórios neste caso. Além disso, não eram esperadas alterações pelo fato de a vacina se utilizar da plataforma do RNA mensageiro (mRNA).

— Nosso código genético é feito de DNA, que fabrica RNA, que coordena a fabricação das proteínas. A vacina é de RNA, ela não altera o nosso DNA, não tem capacidade de se unir ao nosso DNA. A carcinogênese é a formação do câncer, que está ligada ao DNA. Não tem como dar câncer — detalha o médico. 

Pedro Giavina Bianchi, médico imunologista e alergista, professor da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Grupo de Trabalho Covid-19 da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), explica que a genotoxicidade se refere a alteração, lesão no DNA. 

— Isso só vai ser evidenciado com o passar do tempo, nem tem como fazer esse tipo de teste antes. Não houve tempo. Seriam necessários muitos anos. Tem que esperar essas células se multiplicarem durante muitos anos, às vezes, para identificar. Um remédio que uma pessoa usa uma vez não vai dar nada — afirma o imunologista, que completa:

— Mas não se espera que haja alteração: apesar de ser material genético, RNA, não é o que compõe as nossas células. Quem as compõe é o DNA. RNA é um derivado do DNA, do qual nossas células se utilizam para se comunicar e mandar mensagens. Nosso DNA fica fechadinho no núcleo da célula — completa Bianchi. 

Stadnik acrescenta: 

— Como os genes são feitos de DNA, não tem como o RNA entrar lá. Estamos em contato com vírus que têm DNA, como o da catapora, mas o coronavírus é RNA, não se integra à nossa célula. 

Há tratamentos capazes de afetar o DNA, como a radiação emitida na radioterapia para o câncer — ainda assim, os benefícios suplantam os possíveis malefícios.

Hipersensibilidade e anafilaxia 

"Foram notificados eventos de anafilaxia."

É real, verdadeiro, admite Stadnik. Qualquer remédio ou vacina pode provocar anafilaxia (reação alérgica grave que pode inclusive obstruir as vias aéreas pelo inchaço da glote), até potencialmente fatal, mas são eventos raríssimos. Uma reação anafilática — passível de ser desencadeada a partir da ingestão de remédios amplamente utilizados pela população, como novalgina ou aspirina, por exemplo — é tratável. 

Quando um paciente procura um serviço de saúde, costuma responder ao questionamento sobre alergias a medicamentos. É uma forma de se fazer triagem, identificando quem tem maior risco mediante a administração desta ou daquela droga. 

— O risco de anafilaxia é, de longe, muito menor do que morrer de covid — comenta Bianchi. 

Fertilidade 

"Não se sabe se Comirnaty (nome da vacina produzida pelos laboratórios Pfizer e BioNTech) tem impacto na fertilidade."

Conforme a bula, "os estudos com animais não indicam efeitos prejudiciais, diretos ou indiretos, no que diz respeito à fertilidade feminina ou toxicidade reprodutiva". Todo medicamento passa por esse tipo de avaliação no decorrer dos anos. Mais uma vez, é necessário tempo, neste aspecto, para saber se há qualquer interferência. 

— Não se tem como saber se a pessoa ficou infértil uma semana depois. Então, na bula, eles têm que dizer isso para qualquer medicamento que não tenha anos de estudos em relação à fertilidade. Não mexendo no nosso DNA e nas nossas células progenitoras, porque não tem lógica, esperamos que não interfira. Mas não se sabe, então tem que dizer. Teremos que aguardar alguns anos, mas esperamos que não (inferfira) porque não tem lógica biológica para ter esse tipo de alteração — ressalta o infectologista Stadnik. 

Bianchi, docente da USP, argumenta na mesma linha:

— É a mesma história do DNA. Nossas células de reprodução, óvulo e espermatozoide, têm DNA, que passa para os filhos. Como a vacina não altera o DNA, não altera nada dos órgãos sexuais. Pelo mecanismo com que ela age, não teria por que acontecer isso. 

Miocardite e pericardite 

"Casos muito raros de miocardite e pericardite foram relatados após vacinação com Comirnaty." 

"Normalmente, os casos ocorreram com mais frequência em homens mais jovens e após a segunda dose da vacina e em até 14 dias após a vacinação. Geralmente, são casos leves, e os indivíduos tendem a se recuperar dentro de um curto período de tempo após o tratamento padrão e repouso. Os profissionais de saúde devem estar atentos aos sinais e sintomas de miocardite e pericardite em vacinados", lê-se na bula. 

Também são possibilidades reais, afirmam os especialistas consultados. Entretanto, como mostram estudos científicos, o risco para essas ocorrências é muito superior em decorrência da covid-19 do que pela aplicação do imunizante. Quando acontece a partir da vacina, a evolução dos casos é boa, na maior parte dos casos. 

Mais uma vez, o que está em jogo é a superioridade dos benefícios frente aos riscos impostos por uma doença de origem infectocontagiosa que alarma o planeta há quase dois anos. As vacinas reduziram drasticamente a mortalidade e os casos graves de covid-19, incluída aí a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P), associada ao sars-cov-2. 

— É infinitamente mais frequente qualquer alteração pela covid do que a manifestação desse tipo de problema relacionado à vacina. E não é uma novidade em relação às vacinas. Praticamente todas as vacinas (para qualquer doença) tiveram casos de miocardite e pericardite associados — diz Bianchi, da Asbai. 

Indivíduos imunocomprometidos 

"A eficácia, a segurança e a imunogenicidade da vacina não foram avaliadas em indivíduos imunocomprometidos, incluindo aqueles recebendo tratamento imunossupressor. A eficácia de Comirnaty pode ser inferior em indivíduos imunocomprometidos." 

Pessoas imunocomprometidas são aquelas que apresentam deficiências no sistema imunológico. A imunogenicidade é a capacidade de uma substância provocar uma resposta dessas defesas do organismo, criando anticorpos e proteção. 

— Esperamos que a resposta seja menor nos pacientes imunocomprometidos e estamos usando até mais vacina (quarta dose) neles. O organismo desses pacientes não consegue estimular as defesas da mesma forma que um organismo normal — esclarece o infectologista Claudio Stadnik.

28/01/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/01/e-preciso-refazer-teste-de-covid-apos-resultado-positivo-infectologistas-sao-contrarios-entenda-ckyxnsdoe00dc015pkqb57yty.html

É preciso refazer teste de covid após resultado positivo? Infectologistas são contrários; entenda

Para especialistas, respeitar tempo de isolamento é o mais importante

Enquanto nações europeias começam a suspender restrições contra a covid-19, mesmo com a variante Ômicron em circulação, no Brasil, além de o país alcançar o marco de 70% da população com esquema vacinal em duas doses, ainda restam dúvidas sobre a quantidade de testes a serem realizados após o paciente positivar para a doença.

GZH ouviu três infectologistas que foram unânimes em ressaltar: indivíduos que testaram positivo para covid-19 não necessitam repetir o exame após o período indicado de isolamento, independentemente do tipo de teste realizado. Eles afirmam que o resultado pode ficar positivo por muitos dias após a infecção, especialmente se foram testados com RT-PCR, pela alta sensibilidade do teste.

— O RT-PCR vê material genético e ampliará qualquer parte do vírus que estiver na mucosa nasal. Como a mucosa nasal leva até três meses para que haja renovação completa das células, se houver um resquício de material genético de algum vírus, mesmo que morto, o teste RT-PCR ainda poderá identificar e positivar por um período de três meses — explica Andrea Dal Bó, médica infectologista no Hospital Virvi Ramos, em Caxias do Sul, e membro da Sociedade Sul-Riograndense de Infectologia (SRIG).

Andrea lembra de um estudo realizado na Holanda para avaliar se um novo RT-PCR positivo significava vírus ativo ou não. O estudo mostrou que, após o período de dez dias, não havia mais vírus viável. Algumas pessoas permaneciam com RT-PCR positivo, mas não com um vírus ativo. Até por isso, destaca Andrea, não há a indicação de ficar repetindo RT-PCR para retorno ao trabalho nem para ver se tem uma infecção ativa ou não.

O presidente da Sociedade Rio-grandense de Infectologia, Alessandro Pasqualotto, que também é professor na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), aponta que não é recomendado repetir o teste de RT-PCR nos 90 dias que se sucedem à infecção. O vírus, frisa Pasqualotto, começa a ser transmitido cerca de dois dias antes do início dos sintomas e a transmissão segue de três a cinco dias. Por isso, as estratégias mais recentes encurtaram o período de isolamento para sete dias, para pessoas vacinadas e que estejam sem sintomas.

A infectologista Raquel Stucchi, professora da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), indica que, se a pessoa se mantiver assintomática, deve permanecer em isolamento por dez dias e não precisa repetir o teste:

— Em algumas situações, admite-se sair do isolamento no D7 (sétimo dia), também sem realizar testes, mas mantendo a máscara N95 até D10 (décimo dia). E até o D10 esta pessoa não deve viajar, frequentar ambientes fechados e ter contato com idosos e imunossuprimidos. O dia da coleta do exame que veio positivo é considerado o dia zero — reforça Stucchi.

Andrea Dal Bó acrescenta que estamos vivendo um momento de escassez de testes. Então, completa a médica, é importante que estes testes, antígeno e RT-PCR, sejam usados de forma racional e direcionada às pessoas sintomáticas.

— Particularmente, não sou favorável ao uso de testes para o retorno ao trabalho. Ao menos que sejam profissões que exijam um retorno mais rápido, como profissionais da saúde e da segurança pública. Nestas situações, vejo que existe local para retestagem. Mas não deve ser otimizado de uma forma ampla para retorno ao trabalho — finaliza Andrea.

27/01/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/01/vacinar-e-preciso-afirma-presidente-da-sociedade-rio-grandense-de-infectologia-ckyx5mzyt004r015p7k689ewn.html

Vacinar é preciso, afirma presidente da Sociedade Rio-Grandense de Infectologia

Especialista tranquiliza população quanto à tecnologia das vacinas contra covid-19, quanto ao conteúdo de suas bulas e ao receio que alguns ainda possam ter na imunização de crianças

Por Alessandro C. Pasqualotto

Professor da UFCSPA, presidente da Sociedade Rio-grandense de Infectologia

O progresso da humanidade é indissociável do avanço das vacinações. Lembremos da triste poliomielite, onde uma em cada 200 infecções levava, antes da vacina, a paralisias irreversíveis. A varíola, doença hoje erradicada, era uma importante causa de adoecimento e morte. Alguém tem conhecidos com meningite meningocócica ou formas graves de sarampo?

Mérito das vacinas. Recentemente, a gripe causada pelo vírus H1N1 aterrorizou o mundo e desapareceu por efeito da imunização. Para a covid-19, isto não foi diferente: a introdução das vacinas teve um efeito dramático na epidemiologia da doença, o que foi visível mesmo aos olhos dos mais céticos.

Se hoje ainda convivemos com a covid-19 é porque não vacinamos toda a população. Sendo a vacinação um ato de proteção coletivo, estratégias que visem ampliar a cobertura vacinal, incluindo a vacinação de crianças, têm sido amplamente defendidas pela comunidade científica.

Mas alguém pode se perguntar: por que vacinar crianças, se elas adoecem tão pouco? De fato, crianças adoecem muito menos do que adultos. Mas aquelas que adoecem podem sofrer muito com a infecção. Lembremos da síndrome inflamatória multissistêmica, uma doença causada pela covid-19 em que diferentes partes do corpo da criança podem se inflamar, incluindo o coração, os pulmões, os rins, a pele e o cérebro. Raro, mas é impossível predizer sua ocorrência. Mais ainda, notemos que mais de 300 crianças com idades entre cinco e 11 anos já morreram de covid-19 no Brasil. Assim, esta não é necessariamente uma doença banal na população pediátrica. Considerando-se que o país tem cerca de 20 milhões de pessoas nessa faixa etária, a vacinação desses grupos pode ter importante papel na redução da circulação viral na comunidade, dando mais segurança às famílias e às escolas. Uma vez que o calendário vacinal infantil brasileiro inclui ao menos 18 vacinas para as redes pública e privada, por que temer o acréscimo da imunização para covid-19, justamente em um momento de aceleração da epidemia?

Alguns temem pela segurança das vacinas em crianças, pois a tecnologia se baseou em RNA mensageiro (mRNA), algo novo em medicina. Argumentam que as vacinas foram desenvolvidas de modo muito rápido e temem por reações adversas graves, incluindo mutações no DNA humano. É evidente que não se dispõe de estudos de longo prazo, uma vez que a epidemia é muito recente, mas consideremos que nenhum novo medicamento em medicina é observado por décadas para, então, ser introduzido na prática assistencial. Nos estudos clínicos em crianças, bem como em adultos, as vacinas de mRNA foram tão seguras quanto placebo, tendo ocorrido apenas discreta dor e inflamação no local da injeção. Até aqui, nada surpreendente. Quanto ao potencial mutagênico das vacinas, lembro do dogma central da biologia: moléculas de DNA transcrevem RNA, que então se traduzem em proteínas. Se a vacina é baseada em RNA, sua função é produzir uma proteína que seja reconhecida pelo sistema imune. Em outras palavras, vacina de RNA não causa mutação no DNA. Na realidade, as tecnologias de mRNA são revolucionárias na medicina, sendo empregadas, de modo crescente, em doenças importantes para a saúde pública, como colesterol alto e câncer.

A tecnologia das vacinas de mRNA permite também que possamos escalonar a produção industrial, produzindo grande quantidade de imunizantes em pequeno período de tempo; diferentemente das vacinas convencionais com vírus inativado, cujo processamento é realmente muito mais lento.

Há também aqueles que criticam as vacinas com base em suas bulas, nas quais os fabricantes parecem se eximir de qualquer responsabilidade sobre eventos adversos que eventualmente possam ocorrer. Vocês já pararam para ler a bula dos medicamentos? São todas assim. Sabiam que a aspirina pode levar a choque anafilático ou a sangramento letal? Que o paracetamol pode levar a insuficiência hepática, enquanto medicamentos para o colesterol podem lesar os músculos e causar insuficiência dos rins?

Minha sugestão: parem de ler tantas bulas e confiem mais em seus médicos. Especialmente aqueles que estejam atualizados e em sintonia com as recomendações de importantes sociedades da área de vacinas, como as Sociedades Brasileiras de Infectologia, Pediatria e Imunizações. Vacinemos em massa nossa população, pois esta é nossa grande arma de defesa contra a covid-19.

26/01/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2022/01/por-conta-propria-universidades-federais-implementam-testes-e-passaporte-vacinal-para-retomada-presencial-ckyvyivbi006h018871n0ap0y.html

Por conta própria, universidades federais implementam testes e passaporte vacinal para retomada presencial

UFRGS, UFSM e UFCSPA são as únicas instituições que ainda não decidiram se exigirão comprovante de vacina

Com a retomada das aulas presenciais nas próximas semanas e o receio de surtos de covid-19, a maior parte das universidades federais do Rio Grande do Sul exigirá passaporte vacinal e oferecerá testagem grátis a funcionários e alunos da graduação e pós-graduação que estiverem em atividades presenciais.

Poderão realizar exame RT-PCR apenas estudantes e funcionários que frequentarem a instituição e que estiverem com sintomas de coronavírus ou que tiverem entrado em contato com caso positivo. Não será ofertado teste a quem estiver apenas em ensino remoto. No geral, o serviço será para quem tiver disciplinas práticas ou para trabalhadores.

A possibilidade de testes não é exigência das autoridades, mas um serviço a mais que instituições oferecerão para evitar surtos cancelamento de aulas. Não há verba do Ministério da Educação (MEC) para a medida, e a aplicação em massa, por livre-demanda, esbarra nos cortes orçamentários operados pelo governo federal. No Exterior, universidades oferecem testes a alunos na entrada do campus.

A exigência de comprovante de vacinação não é consensual. O ministro da Educação, Milton Ribeiro, proibiu a requisição, sob o argumento de que a medida deve estar em lei. No entanto, em 31 de dezembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski derrubou o despacho do MEC e alegou que universidades têm autonomia para a medida.

UNIVERSIDADES FEDERAIS DO RS ADOTAM POSTURAS DISTINTAS PARA TESTAGEM E PASSAPORTE VACINAL

Maioria das instituições exigirá esquema vacinal completo

[Ver tabela no link acima]

Questionada se exigirá passaporte vacinal, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) informou que o Conselho Universitário tornou obrigatória a exigência, mas que a última portaria do reitor, Carlos André Bulhões, traz entendimento contrário. O gabinete do reitor encaminhou a questão à Procuradoria da universidade (representante dos interesses do governo federal), que até o momento não se manifestou.

Para o retorno às aulas presenciais em 7 de fevereiro, a UFRGS oferecerá testes a funcionários e alunos que apresentarem sintomas ou entrarem em contato com caso confirmado de covid-19, medida iniciada em novembro, diz Ilma Brum, diretora do Instituto de Ciências Básicas da Saúde (ICBS).

O indivíduo precisa frequentar presencialmente a universidade. A instituição chegou a testar a comunidade acadêmica em atividades presenciais independentemente de ter sintomas, entre janeiro e novembro de 2021, mas restringiu a oferta a sintomáticos e contactantes. No ano passado, foram 6.308 testes – 127, positivos.

Em meio a cortes orçamentários que dificultam o funcionamento das universidades, o custeio para os testes vem da própria UFRGS, mediante recursos da Reitoria ou dos convênios do ICBS, que processa exames PCR para o Sistema Único de Saúde Porto Alegre e outras instituições.

— Essa testagem nos dá segurança, não tivemos nenhuma ocorrência de surto na universidade. Quando teve positivo, rastreamos e isolamos. Mas o governo não nos dá nada para este fim. É difícil, como estamos em trabalho remoto, temos o trabalho de muitos voluntários — afirma Ilma Brum.

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) analisa a possibilidade de implementar o passaporte vacinal para frequentar a instituição, mas a reitora, Lucia Pellanda, destaca que a comunidade acadêmica é formada por profissionais e estudantes da área da saúde, cuja adesão à vacina é maciça.

A UFCSPA testa desde o início da pandemia funcionários e estudantes em atividades presenciais com sintomas ou que tenham tido contato com uma pessoa positiva para coronavírus. Os exames são analisados na Santa Casa, por meio de um acordo. A testagem em massa é um desejo, mas não há verba suficiente, explica a reitora. Uma possível saída em andamento é a possibilidade de acordo com a Universidade Federal do ABC (UFABC), que criou um teste rápido de baixíssimo custo com tecnologia RT-PCR (leia mais ao fim do texto).

— Testamos todos que estavam no presencial em 2020, mas chegamos à conclusão de que o custo do rastreamento para a comunidade acadêmica inteira seria inviável. Desde março de 2020, temos programa de telemonitoramento, que telefona para a pessoa, seja servidor ou aluno, e orienta para o teste PCR, se for indicado. O que estamos vendo é se esse exame da UFABC será possível. O teste deles é de R$ 20, faz toda a diferença — diz Pellanda.

A Universidade Federal de Rio Grande (Furg), cujas aulas terminam em fevereiro e serão retomadas em abril, exige passaporte vacinal desde o fim do ano passado. A instituição estuda a oferta de testes, mas esbarra no estrangulamento financeiro. O exame criado pela UFABC também é visto como opção.

— Estamos com orçamento muito enxuto, então, a questão orçamentária é limitação para fazer testagem em massa. É uma demanda da comunidade, é justo, mas infelizmente temos limitações. O autoteste, se for aprovado, pode mudar esse cenário. Se a gente tivesse recurso (federal) específico para isso, seria muito bom. Mas acaba tendo que sair do recurso da universidade, que para este ano é insuficiente — diz o reitor da Furg, Danilo Giroldo.

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) não tem política de testagem aos frequentadores, mas o campus em Palmeira das Missões inovou ao realizar rastreamento, em janeiro, dos funcionários e alunos que retomaram aulas práticas presenciais, independentemente de sintomas.

Entre 150 alunos e servidores que fizeram PCR, 25 tiveram resultado positivo. Chamou a atenção que apenas cinco tinham sintomas – os outros 20 com covid eram assintomáticos. A ação é financiada com a verba paga por prefeituras da região com as quais a UFSM tem convênio para analisar exames dos moradores.

— Propusemos esse projeto de extensão de testagem para o retorno ser o mais seguro possível — explica a microbiologista e professora Terimar Ruoso Moresco, coordenadora do projeto UFSM-Detecta, responsável pelos exames.

A vice-reitora da UFSM, Martha Adaime, explica que o Comitê de Operações de Emergência (COE) é favorável à cobrança do passaporte vacinal, mas que a procuradoria jurídica da instituição se posicionou contra. O MEC, cita a vice-reitora, não regulamentou o ensino híbrido para 2022. Há insegurança sobre a possibilidade de um aluno não vacinado processar a universidade se rodar por falta após ser impedido de acessar as aulas.

— As procuradorias jurídicas das federais não chegam a um consenso, algumas são a favor e outras, contra. O MEC lançou aquele despacho dizendo que não podia exigir passaporte e que caiu através de uma liminar. É um assunto controverso — diz Adaime.

A Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) informam que não possuem testagem própria de estudantes e servidores, mas que exigirão comprovante de vacinação.

— Vamos avaliar a viabilidade (de um programa de testagem). São por volta de 12 mil alunos. Para fazer uma testagem efetiva, precisaria testar ao menos uma vez por semana, como jogador de futebol. O custo disso é incrível, as universidades estão enfrentando corte de orçamento, é uma situação bem complicada. E o próprio insumo está quase indisponível no mercado — afirma o biólogo Jeferson Franco, coordenador do projeto de diagnóstico molecular da Covid-19 da Unipampa São Gabriel.

GZH questionou na terça-feira (25) o MEC se há planos para incentivar universidades federais a testarem alunos e servidores e se recorrerá da decisão do STF que permite a exigência do passaporte vacinal, mas não obteve retorno até a tarde desta quarta (26).

Entenda o teste da universidade paulista avaliado pela UFCSPA e pela Furg

A UFABC, em São Paulo, desenvolveu, em parceria com a Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), um RT-PCR que coloca um cotonete na boca do indivíduo, em vez de no nariz, ao custo de apenas R$ 20 - no mercado tradicional, um exame com as mesmas características custaria entre R$ 75 e R$ 80, segundo a universidade.

A instituição afirmou a GZH que “o grau de precisão e confiabilidade do teste é alto, por isso a chance de um ‘falso positivo’ é quase nula” e que todos os insumos são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

— Caso houvesse condições de promover parcerias com laboratórios especializados e garantir mais recursos operacionais, esse modelo de testagem poderia ser ampliado e aplicado em diversas outras esferas da sociedade, inclusive em escolas de ensino infantil, devido à técnica simplificada e indolor de coleta de amostra — afirmou a professora Márcia Sperança, coordenadora do estudo que desenvolveu o exame, em comunicado da instituição.

25/01/2022 –  Jornal do Almoço / Globoplay / RBS TV

Link: https://globoplay.globo.com/v/10239938/?s=0s

Psicóloga fala sobre os efeitos do calor na saúde mental

Joana Narvaez é professora de psicologia da UFCSPA e falou sobre o assunto.

25/01/2022 – GZH e Diário Gaúcho

Link GZH: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/01/escalada-de-novos-casos-e-caracteristicas-da-omicron-indicam-que-contagio-nunca-foi-tao-alto-ckytdd1iv009z015pqh2ijvsx.html
Link DG: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2022/01/escalada-de-novos-casos-e-caracteristicas-da-omicron-indicam-que-contagio-nunca-foi-tao-alto-23231991.html

Escalada de novos casos e características da Ômicron indicam que contágio nunca foi tão alto

Alta transmissão da variante faz com que Estado tenha atingido nas últimas semanas o maior número de infectados da pandemia

As estatísticas confirmam a impressão empírica: nunca foi tão fácil pegar coronavírus como agora. A última semana registrou recordes de novos casos no Rio Grande do Sul – nesta segunda-feira (24), a média móvel foi de 15,5 mil novos casos diários, mais do que o dobro do registrado em março de 2021, quando o sistema hospitalar colapsou.

Em dois dias de janeiro, o Rio Grande do Sul notificou mais de 20 mil casos em um único dia, de acordo com estatísticas da Secretaria Estadual da Saúde (SES-RS). O Brasil, atualmente, registra uma média de quase 150 mil casos diários, também um recorde. O aumento ocorre com a escalada da variante Ômicron, já predominante no país.

— Nunca foi tão fácil pegar covid. E, quanto mais transmite, mais chance há de novas variantes. A gente precisa passar um recado muito claro: neste momento, temos que utilizar máscaras de boa qualidade, não aglomerar e vacinar. Se a cobertura de duas doses está muito boa nas capitais, cidades do Norte têm menos de 40% de cobertura de duas doses. Deveríamos ter um Ministério da Saúde pensando em mutirões de vacinação e em estimular a terceira dose e a vacinação das crianças. Nada disso está sendo feito — diz a médica Rosana Onocko, presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva e professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

EVOLUÇÃO DA MÉDIA MÓVEL DE NOVOS CASOS

A última semana registrou recordes de novos casos no RS - a média móvel desta segunda-feira representa mais do que o dobro do registrado em março

(Ver gráfico no link acima)

A proporção de casos positivos entre todos os exames feitos não pode ser calculada com precisão no Brasil porque inexiste banco de dados com exames realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e em laboratórios privados, destaca o cientista de dados Isaac Schrarstzhaupt, coordenador da Rede Análise.

Estatísticas da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) mostram que, nos laboratórios privados, mais de 36% de todos os exames feitos até a metade de janeiro deram positivo - no pior momento da covid-19, em março, eram 26%. No Rio Grande do Sul, a proporção é semelhante, apesar de gaúchos terem realizado mais testes agora do que em março (veja os gráficos).

— Sempre tivemos uma testagem reativa: a pessoa é que busca o teste, não há teste preventivo para descobrir e isolar o vírus. Isso significa que temos prevalência do vírus muito maior do que os dados mostram. É muito provável que os números oficiais sejam uma parte pequena dos casos. É 10% do total? 50% do total? Não sabemos — diz Schrarstzhaupt.

PROPORÇÃO DE RESULTADOS POSITIVOS ENTRE TESTES FEITOS NUNCA FOI TÃO ALTA QUANTO AGORA

Dados mostram taxa de positividade em laboratórios privados

(Ver gráfico no link acima)

GZH mostrou que o Brasil testa, proporcionalmente, menos do que países africanos como Namíbia e África do Sul. Em outras nações, testes gratuitos podem ser realizados sem consulta médica em locais de grande circulação ou até mesmo após pedido pelos Correios.

Em discussão hoje no Brasil, os autotestes, comprados na farmácia ou supermercado para realização em casa, são utilizados na Europa, na América do Norte e entre vizinhos sul-americanos, como Chile, Peru e Argentina.

Maior transmissibilidade

Estudos mostram que a Ômicron transmite mais porque se reproduz no trato respiratório superior. Terimar Ruoso Moresco, professora de Microbiologia na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), lembra que a Ômicron é passada para até 12 pessoas. É uma taxa de transmissão parecida com a do sarampo, de 15. A variante de Wuhan transmitia para duas a três pessoas e Delta, para seis.

— O percentual de pessoas contaminadas será muito grande. Pensa: 20 mil pessoas contaminadas por dia no nosso Estado, sem considerar subnotificação. Imagina quem não se testou e quem está assintomático? — afirma Moresco.

O impacto da baixa testagem é descrito em uma situação vivida na UFSM, descreve a microbiologista. A instituição passou a testar alunos e servidores que retornam ao presencial, independentemente de apresentarem sintomas.

— Para nossa surpresa, tivemos uma positividade bem alta e inesperada de estudantes assintomáticos. Eles inclusive se surpreendiam. A testagem é fundamental, você testa, isola e garante que o trabalho siga — acrescenta Moresco.

O crescimento vertiginoso de casos deve acabar entre o fim de janeiro e a segunda metade de fevereiro, período para o qual especialistas aguardam o pico da Ômicron no Brasil, se a curva se comportar da mesma forma como ocorreu em outros países. Ao mesmo tempo, temem que o Carnaval provoque novo repique de casos.

O diretor do escritório da Organização Mundial da Saúde (OMS) na Europa, Hans Kluge, afirmou ser “plausível” que, após a onda de coronavírus causada pela Ômicron, a pandemia acabe na região.

— Assim que a onda da Ômicron se acalmar, haverá imunidade por algumas semanas e meses, seja graças à vacina ou porque as pessoas terão sido imunizadas pela infecção, e também uma queda devido à sazonalidade — declarou.

Hipótese do fim da pandemia

A hipótese de que a Ômicron é o início do fim da pandemia está em debate na ciência, como mostrou GZH. Parcela dos cientistas afirma que a variante é a dominante em diversos países – portanto, uma vez que infecte grande parte da população, a doença perderá força. Mas outros analistas afirmam que a covid-19 costuma gerar mutações que permitem a reinfecção.

— Essa visão da OMS é otimista, mas não temos certeza. E se tivermos nova variante que escape das vacinas? Para subscrever essa visão mais otimista, precisaríamos ver grandes mutirões de vacinação em países africanos e latino-americanos com cobertura baixa — destaca Rosana Onocko, presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva.

A mesma visão é compartilhada por Cristina Bonorino, professora de Imunologia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e colunista de GZH:

— Essa declaração da OMS só é possível em que tu tenha pelo menos 50% das pessoas vacinadas. Não é possível controlar a pandemia sem vacinação. A vacina não funciona impedindo que a pessoa contraia o vírus. Ela funciona reduzindo a replicação do vírus no corpo e, dessa maneira, diminuindo a chance de transmitir a outra pessoa — destaca.

Dados parciais de vacinação apontam que o Brasil tem 69,7% de toda a população com duas doses.

21/01/2022 – G1 BA

Link: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2022/01/21/justica-na-bahia-suspende-exigencia-de-vacinacao-contra-a-covid-19-para-policial-militar-exercer-funcao.ghtml

Justiça na Bahia suspende exigência de vacinação contra a Covid-19 para policial militar exercer função

Em nota, Governo da Bahia informou que quando for formalmente intimado, vai adotar todas medidas cabíveis para reversão da ordem, seja perante o próprio Tribunal local, seja em instâncias superiores em que caibam providências.

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) atendeu o pedido de um policial militar e suspendeu a exigência de vacinação contra a Covid-19 imposta pelo Governo da Bahia para que ele continue exercendo a função. O servidor não tomou o imunizante contra a doença.

Além de permitir que o PM exerça a função, o TJ-BA determinou que o governo mantenha o pagamento da remuneração na íntegra, sem descontos pelos dias em que for eventualmente impedido de acessar o ambiente de trabalho.

O policial alegou à Justiça que não se vacinou por motivos de saúde e afirmou que se sente inseguro em relação as vacinas disponibilizadas. O servidor afirmou que os imunizantes se encontram em fase de estudos e análises, em estágio de testes, e só foram liberadas em caráter emergencial.

Em nota, o Governo da Bahia informou que quando for formalmente intimado, o órgão adotará todas as medidas cabíveis para reversão da ordem, seja perante o próprio Tribunal local, seja em instâncias superiores em que caibam providências.

O Governo da Bahia informou que "defende a vida, adota práticas orientadas pela Ciência e compreende a vacinação contra Covid-19 como algo de suma importância para a superação do desafio que essa pandemia representa para todos".

Eficácia das vacinas

Há pouco mais de um ano no Brasil – as primeiras doses das vacinas contra a Covid-19 eram aplicadas.

Jorge Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração, explica que eficácia e efetividade são conceitos diferentes: "quando você fala nos estudos clínicos, se chama eficácia. Quando você vê o desempenho da vacina na população em geral, isso se chama efetividade".

As eficácias das vacinas são diferentes: vacinas de RNA mensageiro e vetor viral são as mais eficazes, enquanto vacinas de vírus inativado tendem a ser menos. No entanto, todas elas se provaram importantes para evitar hospitalizações e mortes.

No Brasil, temos vacinas de diferentes tecnologias: Pfizer, de RNA mensageiro; AstraZeneca e Janssen, de vetor viral; e CoronaVac, de vírus inativado.

"São as de mRNA, sem dúvida [as mais efetivas]. Todas elas funcionaram. A CoronaVac funciona. O que acontece é que a Pfizer funciona melhor", disse a imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

20/01/2022 – Jornal O POVO

Link: https://www.opovo.com.br/coronavirus/2022/01/20/covid-19-internacao-de-crianca-em-sp-nao-teve-relacao-com-vacina.html

Covid-19: internação de criança em Lençóis Paulista (SP) não teve relação com vacina, conclui investigação

Criança tem síndrome congênita rara, até então desconhecida pela família, que causou parada cardiorrespiratória. Caso não teve relação com imunização com a vacina da Pfizer contra a Covid-19
 
A Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo concluiu, após investigação, que caso de uma menina de 10 anos que teve uma parada cardiorrespiratória 12 horas após ter sido vacinada contra Covid-19 em Lençóis Paulista, no interior de São Paulo, não teve relação com o imunizante. A equipe de análise descobriu que a criança tem síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW), até então desconhecida pela família. A condição congênita rara desencadeou a crise de taquicardia. 
 
Em nota pública, o Centro de Vigilância Epidemiológica informou que "a criança foi atendida em tempo oportuno, o quadro foi revertido e ela encontra-se hospitalizada, monitorizada e estável". Órgão acrescenta que a menina foi imunizada "com técnica correta, com imunizante do fabricante Pfizer correto para a faixa etária e devidamente condicionado".
 
Nessa quarta-feira, 19, caso foi notificado no Sistema de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos Pós-vacinação. Situação levou a Prefeitura de Lençóis Paulista a suspender ainda na quarta a campanha de imunização de crianças por sete dias. 

O documento detalha que, para se estabelecer a relação causal entre a vacinação e o agravo, foi realizada uma investigação utilizando informações passadas pela família e pelos serviços de saúde onde a criança foi assistida. 

Concluiu-se que a paciente tem uma pré-excitação no eletrocardiograma, característica da síndrome de Wolff-Parkinson-White. "Esta é uma condição congênita que leva o coração a ter crises de taquicardia. Algumas destas crises podem ter frequência muito alta, levando até a síncope ou mesmo morte súbita. A WPW é mais comum causa de morte súbita por arritmia ventricular", detalha o documento.

"Não existe relação causal entre a vacinação e o quadro clínico apresentado, portanto, o evento adverso pós-vacinação está descartado", conclui documento.

A investigação foi conduzida de forma conjunta pelo Estado, através da Divisão de Imunização e dos Grupos de Vigilância Epidemiológica de Botucatu e Bauru– CVE, e pelo município de Lençóis Paulista. O caso foi analisado por especialistas do Grupo de Trabalho em Eventos Adversos Pós-vacinação da Comissão Permanente de Assessoramento em Imunizações (GT-EAPV-CPAI).

A cardiologista pediátrica Lucia Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), explica que a síndrome é rara na população em geral, mas que, entre as arritmias, é uma das mais comuns. Em muitos casos, o paciente só tem diagnóstico após alguma manifestação ou faz algum exame. 

"A prevalência é de menos de 1% das pessoas", diz. A médica detalha que a doença é como se fosse uma espécie de "atalho" do sistema elétrico do coração. "O coração tem algumas vias em que o impulso elétrico viaja dos átrios para os ventrículos. A síndrome de Wolf-Parkinson-White é como se tivesse uma via extra. O problema acontece quando o impulso passa por ali e pode dar umas voltas extras, o que gera o risco de arritmias", pormenoriza. 

Lucia Pellanda afirma que quando uma medicação ou uma vacina é utilizada em milhões de pessoas, muitas reações acontecem por acaso, sem ter relação com a substância. "A gente só consegue ver (se há relação com a vacina) se essa frequência for aumentada em relação ao que seria pelo acaso. Essa menina poderia ter descoberto da mesma forma sem ter tomado a vacina. Como tomou, a gente precisa notificar todos para investigar um por um", afirma.

Justamente esse processor de notificação torna o sistema de imunização seguro, analisa a médica. "A gente saber que todos os casos, mesmo os mais improváveis, vão ser investigados", acrescenta. 

Leia nota na íntegra 

NOTA INFORMATIVA Nº1 CVE/CCD/SES-SP

Assunto: Investigação de Notificação de Evento Adverso Pós-Vacinação

No dia 19 de janeiro de 2022 foi notificado ao Sistema de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos Pós-vacinação um caso de criança de 10 anos que evoluiu com parada cardiorrespiratória cerca de 12 horas após a vacinação contra Covid-19. A criança é residente no município de Lençóis Paulista, foi imunizada com técnica correta, com imunizante do fabricante Pfizer correto para a faixa etária e devidamente condicionado.

A criança foi atendida em tempo oportuno, o quadro foi revertido e ela encontra-se hospitalizada, monitorizada e estável.

Para se estabelecer a relação causal entre a vacinação e o agravo, foi realizada uma investigação que agrupou informações com a família e com os serviços de saúde onde a criança foi assistida. A investigação foi conduzida de forma conjunta pelo Estado, através da Divisão de Imunização e dos Grupos de Vigilância Epidemiológica de Botucatu e Bauru – CVE, e pelo município de Lençóis Paulista.

As informações sobre o caso foram avaliadas por especialistas do Grupo de Trabalho em Eventos Adversos Pós-vacinação da Comissão Permanente de Assessoramento em Imunizações (GT-EAPV-CPAI). Concluiu-se que a paciente tem uma pré-excitação no eletrocardiograma, característica da síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW). Esta é uma condição congênita que leva o coração a ter crises de taquicardia. Algumas destas crises podem ter frequência muito alta, levando até a síncope ou mesmo morte súbita. A WPW é mais comum causa de morte súbita por arritmia ventricular.

Conclusão:
A síndrome de Wolff-Parkinson-White, até então não diagnosticada e desconhecida pela família, levou a criança a ter uma crise de taquicardia, que resultou em instabilidade hemodinâmica. Não existe relação causal entre a vacinação e o quadro clínico apresentado, portanto, o evento adverso pós-vacinação está descartado.

18/01/2022 – Sul 21

Link: https://sul21.com.br/noticias/saude/coronavirus/2022/01/especialistas-explicam-que-vacina-contra-a-covid-e-segura-eficaz-e-necessaria-para-criancas/

Especialistas explicam que vacina contra a covid é segura, eficaz e necessária para crianças

Sul21 conversou com especialistas sobre algumas das principais dúvidas dos pais e a importância de imunizar as crianças

A vacinação de crianças entre 5 e 11 anos de idade contra a covid-19 começa nesta quarta-feira (19) no Rio Grande do Sul. Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no dia 16 de dezembro do ano passado, o período de um mês foi tempo suficiente para o governo de Jair Bolsonaro (PL) realizar uma audiência e consulta pública sobre o tema e o presidente dar diversas declarações contrárias a imunização das crianças.

A consequência era previsível. Sem uma campanha oficial de esclarecimento na mídia, não são poucos os pais e mães com dúvidas e receios de levar o filho para se vacinar. As principais incertezas são sobre a segurança do imunizante da Pfizer (o único aprovado até o momento para uso infantil), os eventuais efeitos adversos, como a miocardite, e inclusive a real necessidade de vacinar as crianças.

Para colaborar com tais esclarecimentos, o Sul21 conversou com o pediatra Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e membro do Comitê de Infectologia da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, e com a epidemiologista Lucia Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Cunha recorda que, ao longo da pandemia, foi se consolidando a ideia de que as crianças correm menos risco e quando contaminadas costumam evoluir de forma mais favorável, com menos chance de morrer se comparadas com outros grupos, como idosos e pessoas com comorbidades.

Porém, com o passar do tempo, foi-se percebendo que a situação não era assim tão cômoda. Mais de 2.500 crianças e adolescentes morreram de covid-19 no Brasil nos dois anos da crise sanitária. Deste total, mais de 300 tinham entre 5 e 11 anos de idade. Foram mais de 34 mil internações hospitalares de crianças e adolescentes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), sendo 6 mil de crianças na faixa etária de 5 a 11 anos.

O pediatra também destaca a situação das crianças que desenvolveram quadros de Síndrome Inflamatória Multissistêmica, que ocorre com outros vírus, mas tem sido característica da covid-19. No Brasil, o pediatra enfatiza que já houve 86 mortes causadas pela Síndrome (incluídos no total de 2.500 óbitos) e quase 1.500 casos notificados. E há também a chamada “covid longa” — sintomas e complicações que permanecem por bastante tempo –, com cada vez mais relatos na pediatria.

“A repercussão da doença (em crianças), apesar de não se comparar com outros grupos, já causou 300 mortes no Brasil. Se comparar com outros países, é de dez a vinte vezes maior”, afirma, ponderando que a alta mortalidade no País pode ter relação com a falta de estrutura, acesso à saúde ou colapso da rede.

“Temos uma mortalidade muito superior a de outros países, e temos vacinas que protegem. Atualmente, a covid é chamada uma doença imunoprevenível, ela é evitável por vacina, em especial as formas moderadas à graves”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.

Miocardite

Para enfatizar a segurança das vacinas, o pediatra reforça que o imunizante da Pfizer passou pelas fases 1, 2 e 3, sendo que a eficácia medida na fase 3 foi semelhante a de adultos, ou seja, acima de 90%, principalmente para as formas graves da doença. Os estudos foram publicados internacionalmente e avaliados pela Anvisa e outras agências regulatórias do mundo. “A gente defende a utilização de uma vacina licenciada pela Anvisa, com avaliação de eficácia e segurança, dois critérios fundamentais pra utilizar qualquer vacina”, diz.

Cunha recorda que a vacina da Pfizer tem sido aplicada em crianças nos Estados Unidos desde novembro do ano passado, com mais de 8 milhões de doses utilizadas, sendo que a maioria dos eventos adversos – que podem ocorrer com qualquer imunizante – foram leves e moderados. O pediatra destaca que reações graves como a miocardite são raras e, mesmo assim, os poucos casos ocorridos nos Estados Unidos evoluíram bem, sem maiores complicações. Por outro lado, o risco de doença cardíaca causada pela covid-19 é alto.

“A covid leva a miocardite e a pericardite de uma forma muito mais frequente do que os raríssimos efeitos adversos que podem acontecer com a vacina. Todas as agências regulatórias colocam que o benefício da vacinação supera em muito o risco que pode ter de efeito adverso. Temos uma oportunidade muito boa de proteger a criança e o ambiente em que ela vive. Todas as sociedades científicas recomendam a vacinação de crianças”, explica o pediatra.

Por sua vez, a epidemiologista Lucia Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), pondera que a miocardite causada pela covid-19 pode ser tornar crônica e para o resto da vida.

Dúvida recorrente entre os pais é a ideia de que o filho já pegou covid-19 e então está protegido, não precisando se vacinar. O presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações pondera que reinfecções são recorrentes. Já ter sido infectado não significa que não poderá se contaminar novamente, inclusive porque novas variantes do vírus conseguem escapar da imunidade natural.

Cunha destaca ser comum vacinas darem imunidade superior à doença natural, como indicam estudos recentes com relação à covid-19. É também o caso, por exemplo, da vacina contra HPV.  “Mesmo quem teve covid, quando recebe a vacina, tem uma resposta melhor ainda, o que é mais um motivo pra se vacinar”, explica.

Outro receio comum de pais e mães é com relação a possíveis efeitos a longo prazo da vacina. Não faltam vídeos compartilhados em grupos de WhatsApp com “especialistas” colocando em dúvida a segurança do imunizante. Sobre isso, Cunha lamenta a circulação de boatos que causam desinformação e confundem.

“Tem de tudo, como aquilo que a pessoa vacinada chega perto do celular e ative o 5G. São coisas que a gente nem acredita que alguém possa acreditar, de tão absurdas que são”, lamenta.

O presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações destaca a grande quantidade de vacinas aplicadas no mundo há mais de um ano. Ele avalia que, se houvesse algum risco, já se saberia. O pediatra explica que as plataformas tecnológicas utilizadas nas vacinas, mesmo as mais recentes, já são conhecidas há 10 ou 20 anos.

“Não são plataformas que surgiram ‘do nada’. São plataformas usadas há muito tempo”, explica. Também por isso, a crise mundial causada pelo novo coronavírus permitiu com que cientistas e laboratórios se dedicassem quase exclusivamente para a criação das vacinas num tempo rápido.

“Grande parte das pessoas que estão nessa bandeira antivacina estão vivas porque foram vacinadas”, afirma o pediatra, citando os imunizastes criados contra o sarampo, pólio, rubéola, entre outras doenças. “O valor das vacinas é inquestionável. Temos total segurança com os estudos apresentados, as vacinas têm um perfil excelente de segurança e proteção.”

A epidemiologista Lucia Pellanda alerta que as crianças, por não estarem vacinadas, podem estar em maior risco no atual momento da pandemia no Brasil. Risco esse aumentado pela variante ômicron, mais contagiosa. Ela ressalta que as internações hospitalares de crianças cresceram em outros países desde o surgimento da nova variante. Assim, mesmo os casos sendo geralmente mais leves nas crianças, com o alto contágio algumas ficarão doentes.

“Não é um número desprezível. A gente não deve considerar que é uma doença leve, do ponto de vista da sociedade”, avalia.

Lucia pondera haver uma série de indícios de que no atual estágio da pandemia, os casos mais graves são entre pessoas não vacinadas, grupo do qual as crianças ainda fazem parte. Se a vacina não elimina a transmissão, ao menos a reduz, um fator que a professora vislumbra ser importante para a volta às aulas em breve.

Para os pais que estão em dúvida se levam ou não o filho para se vacinar, a reitora da UFCSPA destaca que o imunizante não é “experimental” e, assim como o pediatra Juarez Cunha, lembra que a tecnologia usada na vacina da Pfizer já existe há 10 anos. “Não foi uma coisa desenvolvida correndo”, reforça.

Com a didática de uma professora, ela faz uma comparação bem ao gosto de pais e filhos, explicando que a tecnologia da vacina da Pfizer é como se fosse uma montagem de lego, em que só se muda a parte de cima da estrutura, a peça que vai indicar qual vírus a vacina deve combater. Com outra “peça” na ponta, a tecnologia já estava sendo usada para diferente finalidade.

A epidemiologista também destaca que a vacina não mexe no DNA da pessoa e nem faz mudança genética, dois pontos costumeiramente citados por quem é contra a imunização e que causa temor nos pais. Lucia explica que quem pode causar modificação de longo prazo é o vírus e não a vacina – o imunizante, inclusive, sai logo do organismo e deixa a memória para estimular o sistema imunológico a combater o vírus. Um processo natural na defesa do organismo.

“A doença, sim, a gente não sabe qual o efeito prolongado, qual o risco de ter covid pra daqui a cinco anos. Já vimos que têm crianças com sintomas por meses, tem síndrome inflamatória. O risco de ficar doente é sempre muito maior”, afirma. Nesse sentido, Lucia diz que as mais de 300 mortes por covid-19 de crianças entre 5 e 11 anos não podem ser vistas como um número baixo.

A quantidade de vítimas fatais no Brasil é como se fosse um avião lotado só de meninos e meninas. Uma imagem que, se acontecesse, provavelmente seria tratada pela sociedade como uma grande tragédia. Agora com a chegada das vacinas, um novo “avião” pode ter sua queda evitada.

18/01/2022 – GZH e Diário Gaúcho

Link GZH: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/01/esta-em-duvida-veja-o-que-diz-a-ciencia-a-favor-da-vacinacao-das-criancas-ckykrrsri00b401882jy4dygw.html
Link Diário Gaúcho: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2022/01/esta-em-duvida-veja-o-que-diz-a-ciencia-a-favor-da-vacinacao-das-criancas-23231462.html

Está em dúvida? Veja o que diz a ciência a favor da vacinação das crianças

Entidades médicas afirmam que nenhuma outra doença para a qual há vacinas mata tanto quanto a covid-19 no Brasil

Para pais, crianças são o bem mais precioso, o que naturalmente desperta preocupação sobre tudo envolvendo os pequenos — a covid-19. Se você está em dúvida se vacina ou não as crianças da sua família, dois pediatras e duas imunologistas de alguns dos melhores hospitais e universidades do Brasil tranquilizam: leve seu filho ao posto de saúde a partir desta quarta-feira (19) para protegê-lo e contribuir para o fim da pandemia. 

Em meio a um Brasil polarizado, a vacinação de crianças, aplicada com intervalo de oito semanas entre as doses, também se tornou alvo de desinformação e de receios. Mas a medida é consenso entre médicos e cientistas respeitados. 

A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) destacam que nenhuma outra doença para a qual há vacinas mata tanto crianças quanto a covid-19 no país. 

A sociedade de médicos pediatras pontua  que a vacinação das crianças contra a covid-19 é “uma questão prioritária de saúde pública” e que “o Brasil deve temer a doença, nunca o remédio”. Veja, a seguir, os argumentos da ciência a favor da vacinação de crianças:

Crianças pegam coronavírus e, sim, podem adoecer

A vacina da Pfizer oferece proteção de até 90,7% para crianças de cinco a 11 anos. No mundo, pelo menos 7 milhões de crianças pegaram a doença, o que representa 2% de todos os casos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) — mas especialistas destacam que elas são pouco testadas e, por isso, os números tendem a ser maiores. 

Nos Estados Unidos, onde a testagem é mais acessível, as infecções em crianças representam 17,8% de todos os casos de covid-19 entre todas as faixas etárias, segundo a Academia Americana de Pediatria. 

No início da pandemia, acreditava-se que crianças estavam a salvo da covid-19. Mas a ciência observou a realidade e atualizou o entendimento: de fato, a maioria das crianças terá poucos ou nenhum sintomas, mas, ainda assim, muitas adoecem. 

Nos Estados Unidos, pelo menos 22,4 mil pequenos foram hospitalizados. Outros 5,2 mil desenvolveram síndrome inflamatória multissistêmica, uma reação exagerada do organismo frente à covid-19.

No Brasil, pelo menos 34 mil crianças e adolescentes foram hospitalizados por covid-19, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Mais de 2,5 mil morreram, das quais metade eram crianças maiores de cinco anos e adolescentes. 

O número de crianças e adolescentes mortos por coronavírus no último ano é maior do que por qualquer outra doenças infecciosas para a qual há vacina, como meningite, varicela, hepatite A e influenza H1N1, destaca a Sociedade Brasileira de Pediatria. 

— O coronavírus não é negligenciável nessa faixa etária. Uma criança faleceu a cada dois dias no Brasil de covid-19. Muitas tiveram covid longa, com sintomas persistentes. Se levamos crianças para se vacinar contra meningite, coqueluche e outras doenças, devemos levá-las para se vacinar contra a covid — diz o médico infectologista pediátrico Renato Kfouri, presidente do departamento de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). 

Os dados ainda indicam que ser uma criança nascida no Brasil já é fator de risco para morrer por coronavírus. No país, a taxa de mortalidade entre crianças e adolescentes por covid-19 é de 41 a cada milhão de indivíduos. Nos Estados Unidos, são 11 mortes por milhão e, no Reino Unido, 4,5. 

Hoje, o risco é maior para não vacinados

Conforme mais pessoas se vacinam, o risco de adquirir e adoecer por covid-19 aumenta entre quem não está vacinado. O Reino Unido assistiu a um aumento de internações de crianças em hospitais com a Ômicron. Nos Estados Unidos, 580 mil crianças pegaram covid-19 apenas na primeira semana de janeiro. 

No Hospital Moinhos de Vento, a procura pela emergência pediátrica por casos respiratórios aumentou 30% em dezembro e 70% em janeiro, sublinha Helena Fleck Velasco, médica alergista e imunologista da instituição. 

— As crianças são mais vulneráveis por não estarem vacinadas. Quase dobrou o número de internações de crianças em hospitais e nem fechamos o primeiro mês de janeiro. Em um hospital público onde trabalho, quase 50% dos leitos pediátricos estão ocupados por crianças com covid. No Brasil, já registramos maior internação de crianças — destaca. 

Efeitos adversos são, em sua maioria, leves

Os efeitos adversos estão descritos na bula da Pfizer. No estudo, as reações mais comuns (em 10% dos vacinados) foram dor de cabeça, cansaço, dor muscular, dor ou vermelhidão no local de injeção e calafrios. Reações menos comuns (entre 1% e 10% dos vacinados) são diarreia, vômito, dor nas articulações e febre. 

Mais raramente (entre 0,1% e 1%) pode haver aumento dos gânglios linfáticos, urticária, prurido, erupção cutânea, suor noturno, diminuição de apetite, náusea, dor nos membros e mal-estar. 

— Há milhões de crianças vacinadas contra a covid. O Centro de Controle e Prevenção a Doenças dos Estados Unidos viu que 98% das reações são extremamente leves, como dor no local da vacinação. Os outros 2% são vômito ou febre. Não há descrição de morte — destaca a médica alergista e imunologista Helena Fleck Velasco, do Hospital Moinhos de Vento. 

O médico Ricardo Feijó, do serviço de Pediatria do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), destaca que medos sobre efeitos adversos de vacinas, como o risco de danos neurológicos ou de autismo, surgiram décadas atrás com outras vacinas e costumam ser requentados ao longo dos anos. 

— Um caso conhecido foi levantado contra a vacina da tríplice viral, para sarampo, rubéola e caxumba. Surgiu um estudo publicado no Reino Unido colocando em dúvida a segurança dessa vacina e a possibilidade de ela causar autismo. Isso gerou um temor enorme na época. Com o tempo, viu-se que o estudo era forjado, o médico que publicou o artigo teve a licença de praticar medicina revogada e novos estudos viram que não havia relação. Não há nenhuma evidência de que vacinas gerem danos neurológicos — destaca. 

A vacina é segura e casos de miocardite são muito, muito raros

Nos Estados Unidos, onde já foram aplicadas cerca de 10 milhões doses em indivíduos de cinco a 11 anos, não foi relatada nenhuma morte por causa da vacina. Houve oito casos de miocardite (ou seja, 0,00008% das aplicações), identificados pouco após a aplicação e todos com evolução clínica favorável, destaca a Sociedade Brasileira de Pediatria.

— A miocardite foi descrita como efeito colateral, mas é 40 vezes menos frequente do que se tu tiveres a doença em si. Qualquer prescrição traz efeitos colaterais, mas ela tem menos efeitos do que a própria doença. Atualmente, a chance de ter covid é muito alta — acrescenta a médica Helena Fleck Velasco.

Pessoas infectadas têm de 16 a 18 vezes mais chance de desenvolver miocardite do que quem não se infecta, segundo a Academia Americana de Pediatria. Se a comparação é entre vacinados e não vacinados, o risco é entre seis e 34 vezes maior de desenvolver miocardite para quem não se vacinou com Pfizer ou Moderna.

— Tem que ter medo da covid, e não da vacina, que ainda previne contra outras complicações da doença. A experiência americana com mais de 10 milhões de doses aplicadas mostra riscos de efeitos colaterais muito menores em crianças do que em adolescentes. Não há nenhum caso confirmado de morte por causa da vacina em todo o mundo — diz o médico infectologista pediátrico Renato Kfouri, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

A vacina não vai mudar o DNA do seu filho

São falsos os boatos afirmando que a vacina da Pfizer, por ser produzida pela tecnologia de RNA mensageiro, pode modificar genes das crianças ou causar outros efeitos a longo prazo. 

A vacina de RNA mensageiro leva uma espécie de “receita de bolo” para que as células produzam, por conta própria, uma proteína presente no Sars-Cov-: a proteína S. Quando as células de defesa identificam esse pedacinho “fake” do vírus fabricado por nosso próprio corpo após as instruções da vacina, criamos defesas para que, quando o vírus entre de fato, o organismo saiba se defender. 

É como se incorporássemos a receita à biblioteca do sistema imunológico: quando tivermos coronavírus, nosso organismo retirará o livro da estante para lembrar como se defender. A receita de bolo original (o RNA mensageiro da vacina) é degradada dias após a vacinação. 

— A vacina de RNA não altera o DNA. Não há como haver integração. O DNA está protegido pela membrana nuclear, a vacina não chega lá. Se isso acontecesse, essa tecnologia nunca teria prosseguido. Essa vacina foi aplicada em centenas de milhões de pessoas. Sabe o que afeta rins, sistema nervoso e coração? A covid. Isso sim há várias evidências — destaca a imunologista Cristina Bonorino, professora na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e integrante da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI). 

A ciência é a favor da vacinação de crianças

De forma unânime, as entidades médicas dedicadas ao estudo do coronavírus e da saúde de crianças recomendam a vacinação contra a covid-19. Entre elas, estão a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Academia Americana de Pediatria (AAP), a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). 

Ao menos 40 países já vacinam crianças, incluindo nações da União Europeia, Estados Unidos, Canadá, Israel, Chile, Uruguai, Argentina e Cuba. 

A vacina da Pfizer não é experimental

A etapa experimental é o momento no qual vacinas estão em estudo conduzido por uma farmacêutica ou universidade. Após o registro pela agência reguladora (no caso do Brasil, a Anvisa), o produto deixa de ser experimental. 

A vacina da Pfizer passou por três fases de testes - em laboratório e em com mais de 2,2 mil crianças —, cujos resultados apontaram que ela é segura e funciona. Os achados foram publicados em revistas científicas e escrutinados por especialistas do mundo inteiro.

Posteriormente, os resultados foram analisados pelas agências reguladoras mais respeitadas do mundo, como a dos Estados Unidos (FDA), da União Europeia (EMA) e do Brasil. Todas liberaram e aconselharam a vacinação de crianças.

Vacinar crianças é proteger, também, adultos e idosos

As crianças não são os maiores vetores da covid-19, mas, assim como importam gripe e outras viroses para dentro de casa, também transmitem covid-19 para pais, irmãos e avós. 

A vacina, além de proteger os pequenos, também reduz o tempo de transmissão e a carga viral transmitida entre os contaminados. Imunizá-los ajuda a chegar à imunidade coletiva. 

— À medida que a vacinação avança na população, fica maior o papel da criança na transmissão e no risco. A população de cinco a 11 anos no Brasil corresponde a cerca de 20 milhões, que estão suscetíveis à doença e podem trazer risco a familiares. No Rio Grande do Sul, entre março e dezembro de 2020, tivemos mais de 40 mil casos de covid em crianças e adolescentes abaixo dos 18 anos. Dos hospitalizados, 30% precisaram de UTI e 14% necessitaram de ventilação mecânica. O risco de populações não vacinadas começarem a ser infectadas pode levar a um maior risco de sobrecarga no sistema de saúde — diz o médico pediatra Ricardo Feijó, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. 

Em estudo publicado na prestigiosa revista científica Nature, a imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), provou que crianças infectadas têm tanto vírus quando adultos. 

— Certamente, elas transmitem também. A vacina só funciona como instrumento de saúde pública se tu vacinares grande parte da população. As crianças são o último grupo a ser vacinado, e sempre quem não está vacinado é o mais vulnerável a ficar doente. O vacinado está protegido de morrer e também transmite menos. Se tu não vacinar as crianças, o vírus circula bastante nelas — destaca Bonorino. 

18/01/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/01/rs-registra-mais-17-mil-casos-de-covid-19-em-24h-e-bate-novo-recorde-ckykkv06r00860188uwbskd2x.html

RS registra mais 17 mil casos de covid-19 em 24h e bate novo recorde

Internações pela doença também têm subido no Estado, mas de forma mais lenta. Especialistas atribuem "freio" em internações à proteção gerada pela vacina

O Rio Grande do Sul contabilizou, nesta terça-feira (18), mais 17.416 casos de covid-19 registrados nas últimas 24 horas. Com os dados mais recentes, a média móvel de casos sobe para 9.664 – maior patamar da série histórica.

Desde sexta-feira (14) o Estado registra a maior quantidade de novos casos de toda a pandemia, superando o pico anterior, que havia sido percebido em março de 2021. À época, a média móvel havia batido o teto de 7.727,9 casos.

Em julho de 2021, conforme mostra o gráfico abaixo, a curva de novos casos chegou a dar um salto pontual, mas o movimento foi antecipado pelas autoridades de saúde e se tratava da inclusão retroativa de dados antigos.

CASOS CONFIRMADOS DE COVID-19 NO RS

[Ver gráfico no link acima]

Especialistas ouvidos por GZH nos últimos dias têm indicado que a curva de novos casos ainda tende a se agravar, antes de arrefecer – tomando como base o comportamento da variante Ômicron nos países pelos quais ela passou nos últimos meses.

— A gente viu nos outros países: foi uma onda mais rápida, mas muito forte. Levou, mais ou menos, umas cinco semanas de subida (na curva de casos). Olhando para o que aconteceu nos outros países, ainda tem subida pela frente antes de começar a descer — disse, na última sexta-feira (14), Lucia Pellanda, epidemiologista e reitora da UFCSPA.

Internações triplicam em três semanas, mas seguem abaixo de picos anteriores

A explosão de casos tem levado a um aumento nas internações clínicas por covid-19, no Rio Grande do Sul. Ao longo das últimas duas semanas, esse número mais do que triplicou, subindo 278%. O último dado fechado mostra 587 pessoas internadas com covid-19 em leitos clínicos no Estado.

Apesar da alta expressiva no número de pacientes internados pela doença nos últimos dias, o Estado segue em situação melhor de internações por covid-19 do que nas três ondas anteriores da pandemia. Em 2020, o pico desse indicador foi registrado em dezembro, com 1.393 pessoas com covid-19 em leitos clínicos. Em 2021, o pico ocorreu em março, com 5.435 nessa situação.

As internações graves por conta da doença, em leitos de UTIs, têm crescido de forma menos íngreme. Nas últimas duas semanas, a alta foi de 85,2%. Nesse indicador, o Estado também segue em melhor situação do que no auge de todas as ondas anteriores.

As internações, ainda que estejam subindo, até o momento não crescem na mesma velocidade do número de casos. Especialistas ouvidos por GZH ao longo das últimas semanas destacam que a vacinação é a principal responsável por reduzir as chances de as pessoas desenvolverem formas graves da doença e necessitarem de internação. Há indicativos, também, de que a variante Ômicron possa ser menos agressiva do que as anteriores.

17/01/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/01/rs-completa-um-ano-de-vacinacao-contra-a-covid-19-atualmente-hospitalizacoes-crescem-menos-do-que-infeccoes-ckyj6p7vq002g0188fb5flgxa.html

RS completa um ano de vacinação contra a covid-19; atualmente, hospitalizações crescem menos do que infecções

Cinco pessoas de diferentes grupos prioritários receberam a primeira dose de CoronaVac na Capital no dia 18 de janeiro de 2021

O Rio Grande do Sul aguardava com ansiedade a vacinação contra a covid-19 quando, em 18 de janeiro do ano passado, cinco pessoas representando diferentes grupos prioritários receberam a primeira dose de CoronaVac em solo gaúcho.

Um ano depois, o tempo mostrou que imunizantes derrubaram a curva de infecções, hospitalizações e mortes. Hoje, o Estado enfrenta nova onda, causada pela variante Ômicron após festas de Natal e Ano-Novo, mas com impacto menor em casos graves.

A vacinação avançou lenta nos primeiros meses de 2021. Apesar do atraso, a campanha ganhou força ao longo dos meses: a partir da metade do ano passado, a aplicação chegou a adultos e aos mais jovens, o que derrubou os indicadores no último trimestre.

Estudo elaborado pela Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul (SES-RS) mostrou que as vacinas reduziram em 87% a mortalidade por covid-19 na população com 20 anos ou mais. Entre idosos com 60 anos ou mais que tomaram a terceira dose, a queda na mortalidade foi de 95%.

O Rio Grande do Sul passou a viver a maior tranquilidade dos últimos dois anos — após assistir pela televisão a israelenses e europeus entre risadas em viagens, bares e restaurantes, gaúchos finalmente desfrutaram de forma ampla uma convivência mais segura.

— A humanidade precisa agradecer: as vacinas mudaram o cenário de mortalidade e levaram a uma redução enorme do sofrimento humano. Hoje, dados de Estados Unidos, Israel, Espanha e Reino Unido mostram que 90% dos hospitalizados e óbitos são não vacinados ou incompletamente vacinados — pontua a médica Mônica Levi, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Mesmo com variante, imunizantes ainda oferecem proteção

A Ômicron surgiu em dezembro no continente africano e causou furor na comunidade científica pela possibilidade de reduzir a eficácia das vacinas, devido às mutações. O receio se confirmou, mas, apesar disso, as vacinas contra a covid-19, que não foram criadas para impedir casos leves, e sim para evitar casos graves, seguiram oferecendo proteção contra hospitalizações e óbitos.

Com a Ômicron, que escapa parcialmente dos anticorpos adquiridos na vacina ou pela infecção pelo Sars-COV-2, o número de casos explodiu, mas não houve aumento proporcional em casos graves como visto nas ondas anteriores. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, já declarou que hospitais estão sendo pressionados por pessoas com calendário de vacinação atrasado.

Há dificuldades na análise de números por conta do apagão de dados sofrido no país, misturado ao atraso de notificações dos últimos dias. Após mais de um mês sem saber como estava a cobertura vacinal, o Rio Grande do Sul recebeu dados parciais nesta segunda-feira e elevou de 70% para 72,9% a cobertura vacinal de duas doses.

A despeito do apagão, os números mostram que a nova onda está longe do pior momento da covid-19, entre fevereiro e abril do ano passado. O Rio Grande do Sul registrou mais de 70 mil casos novos na última semana e, nesta segunda-feira, apresenta média móvel de 450 pacientes com coronavírus em leitos clínicos e 215 em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), segundo dados da SES-RS.

No ápice, em 23 de março do ano passado, apenas 3% dos gaúchos estavam com duas doses. Havia quase 2,6 mil pacientes em estrado gravíssimo em UTIs e mais de 5,2 mil em leitos clínicos. A semana acumulara menos da metade dos casos do que atualmente: cerca de 30 mil. 

VEJA O IMPACTO DA VACINAÇÃO NAS HOSPITALIZAÇÕES POR CORONAVÍRUS

(Veja o gráfico clicando no link acima)

Média móvel de internações* registra aumento, mas em patamares muito menores do que no ápice

— A vacina reduziu a mortalidade no Rio Grande do Sul antes da Ômicron e também tem seu papel agora. Nossa maior demanda hoje é para internações em forma menos grave. A maior parte das pessoas internadas no Clínicas e no conjunto de hospitais está com esquema incompleto: nenhuma dose, uma dose quando deveria ter duas ou duas quando deveriam ser três doses — diz Ricardo Kuchenbecker, médico epidemiologista no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O médico Alessandro Pasqualotto, chefe da Infectologia da Santa Casa de Porto Alegre e professor na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), reflete que a covid hoje é uma doença de pessoas não vacinadas.

— Os hospitais não estão sob risco de colapso, exceto pelo adoecimento em massa e simultâneo de profissionais de saúde. Isso não decreta a falha das vacinas: elas vieram para evitar forma grave e morte, e é o que acontece. Basta pensar que hoje a covid-19 está sendo banalizada, é quase uma gripe comum. As pessoas vacinadas já não têm mais medo de covid. Esse menor medo só acontece por causa da vacina. A mortalidade caiu abruptamente — diz. 

Com a vacinação de crianças, a expectativa de especialistas é de aumentar ainda mais a cobertura vacinal e chegar mais perto do fim da pandemia. A aplicação começa na quarta-feira (19) no Rio Grande do Sul.

13/01/2022 – BBC

Link: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-59981551

Candida auris: o que é o 'superfungo' que matou 2 pessoas e tem 3º surto no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta de ameaça à saúde pública por causa do terceiro surto no Brasil de Candida auris, fungo resistente a medicamentos e responsável por infecções hospitalares que se tornou um dos mais temidos do mundo.

Segundo o órgão, em documento de 11 de janeiro de 2022, foram identificados no primeiro mês deste ano dois casos de infecção pelo fungo envolvendo um paciente de 67 anos e outra de 70 anos que estavam internados num hospital da rede pública do Recife. Não foram divulgadas informações atualizadas sobre o estado de saúde deles.

Ao longo da pandemia de covid-19, a Anvisa confirmou 18 casos da infecção em três surtos diferentes. O primeiro caso confirmado foi identificado em uma amostra da ponta de um cateter de paciente internado em UTI de Salvador, local dos dois primeiros surtos: um em dezembro de 2020 (com 15 casos e dois mortos em um hospital da rede privada) e outro em dezembro de 2021 (com um caso em um hospital da rede pública).

Mas pode chamar de surto com essa quantidade relativamente pequena de casos? Segundo a Anvisa, "pode-se considerar que há um surto de Candida auris porque a definição epidemiológica de surto abrange não apenas uma grande quantidade de casos de doenças contagiosas ou de ordem sanitária, mas também o surgimento de um microrganismo novo na epidemiologia de um país ou até de um serviço de saúde - mesmo se for apenas um caso. "

A infecção por C. auris é resistente a medicamentos e pode ser fatal. Em todo o mundo, estima-se que infecções fúngicas invasivas de C. auris tenham levado à morte de entre 30% e 60% dos pacientes. Mas esses números costumam variar bastante a depender das variáveis envolvidas, a exemplo da gravidade da doença que levou o paciente ao hospital (como a covid-19) e da capacidade do fungo de resistir ou não aos medicamentos.

Segundo a Anvisa, essa espécie de fungo produz "biofilmes tolerantes a antifúngicos apresentando resistência aos medicamentos comumente utilizados para tratar infecções por Candida" e até 90% das amostras de Candida auris analisadas apontam resistência ao fluconazol, anfotericina B ou equinocandinas.

Em seu alerta, a Anvisa afirma que tem analisado casos suspeitos do fungo desde 2017, mas os primeiros só foram confirmados durante a pandemia de covid-19. E o Brasil não foi o único a registrar infecções desse tipo nesse período ligados ao novo coronavírus.

Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) registrou 1.156 casos clínicos de Candida auris entre 1º de setembro de 2020 e 31 de agosto de 2021. Não há informações sobre o número de mortos. Até 2016, o fungo havia sido detectado em apenas 4 Estados americanos. O número saltaria para 19 Estados em 2020.

No México, um surto de Candida auris começou com um paciente que não estava infectado com coronavírus em maio de 2020, momento que o hospital San José Tec-Salud, no norte do país, era transformado em uma unidade de saúde exclusiva para pacientes com covid-19.

Três meses depois, o fungo Candida auris foi detectado em três UTIs e atingiu 12 pacientes e três áreas hospitalares. Dez eram homens, 9 eram obesos e todos eles respiravam com auxílio de respiradores mecânicos, tinham cateter urinário e venoso e estavam internados de 20 a 70 dias ali. Dos 12 pacientes, 8 morreram.

Os pesquisadores que analisaram os casos listam diversos fatores de risco para o surgimento de infecções por fungos. Entre eles, diabetes, uso de múltiplos antibióticos, falência renal, uso de cateter venoso central e, no caso específico de covid-19, o uso excessivo de corticosteroides (que tem efeito imunossupressor em neutrófilos e macrófagos, células do sistema de defesa do corpo humano).

Na Índia, o surto de candidemia atingiu 15 pacientes com coronavírus em uma UTI em Nova Déli entre abril e julho de 2020. Do total, 10 estavam infectados por Candida auris e 6 deles morreram.

No caso do Brasil, um grupo de dez pesquisadores brasileiros e holandeses investigou o primeiro surto em Salvador, em dezembro de 2020, e a relação dos casos com a covid-19. Segundo artigo publicado em março de 2021 no Journal of Fungi, todos os pacientes atingidos eram oriundos do próprio Estado (Bahia), não tinham histórico de viagem para o exterior e estavam internados na mesma UTI por causa do coronavírus. "As restrições de viagem durante a pandemia de covid-19 e a ausência de histórico de viagem entre os pacientes colonizados por fungos levaram à hipótese de a espécie ter sido introduzida meses antes de o primeiro caso ser identificado e/ou de ter emergido localmente na região de Salvador."

Outra hipótese levantada pelos pesquisadores aponta que os pacientes já estavam infectados com a Candida auris antes de ficarem gravemente doentes com a covid-19. Ao serem internados em UTI, "foram intensamente expostos a antibióticos e procedimentos médicos invasivos, e desenvolveram superinfecções". A pandemia de covid-19, portanto, "pode estar acelerando a introdução e/ou espalhando a Candida auris em ambientes hospitalares que estava livres do fungo".

E concluem: "Num futuro próximo, a superlotação e a escassez de recursos para práticas de controle de infecções, como o uso prolongado de equipamentos de proteção pessoal por falta de disponibilidade, serão um terreno fértil para que C. auris se espalhe, colonize dispositivo invasivos (como um cateter) e deflagre infecções associadas ao tratamento de saúde".

Segundo a Anvisa, o Candida auris "pode permanecer viável por longos períodos no ambiente (semanas ou meses) e apresenta resistência a diversos desinfetantes, entre os quais, os que são à base de quaternário de amônio".

Difícil controle e prevenção

Na maioria das vezes, as leveduras do gênero Candida residem em nossa pele, boca e genitais sem causar problemas, mas podem causar infecções quando estamos com a imunidade baixa ou quando se provocam infecções invasivas, como na corrente sanguínea ou nos pulmões. No caso do C. auris, ele costuma causar infecções na corrente sanguínea, mas também pode infectar o sistema respiratório, o sistema nervoso central e órgãos internos, assim como a pele.

Esse fungo, que cresce como levedura, foi identificado pela primeira vez em 2009 no canal auditivo de uma paciente no Japão. Desde então, houve mais de 5.000 casos identificados em 47 países, entre eles Índia, África do Sul, Venezuela, Colômbia, Estados Unidos, Israel, Chile, Canadá, Itália, Holanda, Venezuela, Paquistão, Quênia, Kuwait, México, Reino Unido, Brasil e Espanha.

A taxa de mortalidade média é estimada em 39%, segundo cálculos em estudo de sete pesquisadores chineses publicado na revista científica BMC Infectious Diseases em novembro de 2020.

Segundo o infectologista Arnaldo Lopes Colombo, professor da Unifesp e especialista em contaminação com fungos, é possível ser colonizado de forma passageira pelo C. auris na pele ou na mucosa sem ter problemas. O fungo apresenta risco real se contaminar a corrente sanguínea.

Para a pessoa ser infectada, explicou ele à BBC News Brasil em 2019, é preciso que tenha sofrido procedimentos invasivos (como cirurgias, uso de cateter venoso central) ou tenha o sistema imunológico comprometido. Pacientes internados em unidades de terapia intensiva por longos períodos e com uso prévio de antibióticos ou antifúngicos também são considerados grupo de risco para a contaminação.

Em 2016, a Opas, braço da Organização Mundial da Saúde para a América Latina e o Caribe, publicou um alerta recomendando a adoção de medidas de prevenção e controle por causa de surtos relacionados ao fungo na região. O primeiro surto da região ocorreu na Venezuela, entre 2012 e 2013, atingindo 18 pacientes.

Além disso, o C. auris costuma ser confundido com outras infecções, levando a tratamentos inadequados.

"O C. auris sobrevive em ambientes hospitalares e, portanto, a limpeza é fundamental para o controle. A descoberta (do fungo) pode ser uma questão séria tanto para os pacientes quanto para o hospital, já que o controle pode ser difícil", explicou a médica Elaine Cloutman-Green, especialista em controle de infecções e professora da University College London (UCL).

Nem todos os hospitais identificam o C. auris da mesma maneira. Às vezes, o fungo é confundido com outras infecções fúngicas, como a candidíase comum.

Em 2017, uma pesquisa publicada por Alessandro Pasqualotto, da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, analisou 130 laboratórios de centros médicos de referência na América Latina e descobriu que só 10% deles têm capacidade de detecção de doenças invasivas de fungos de acordo com padrões europeus.

Segundo a Anvisa, o surto em 2016 em Cartagena, na Colômbia, é um exemplo de como o micro-organismo é difícil de identificar. Cinco casos de infecção foram identificados como três fungos diferentes até um método mais moderno de análise diagnosticar o patógeno corretamente como C. auris.

Também não é possível eliminá-lo usando os detergentes e desinfetantes mais comuns. É importante, portanto, utilizar os produtos químicos de limpeza adequados dos hospitais, especialmente se houver um surto.

Em alerta emitido em 2017, a Anvisa explicou que não se sabe ao certo qual é o modo mais preciso de transmissão do fungo dentro de uma unidade de saúde. Estudos apontam que isso pode ocorrer por contato com superfície ou equipamentos contaminados e de pessoa para pessoa. O CDC também afirma que o fungo pode permanecer na pele de pacientes saudáveis sem causar infecção e se espalhar para outras pessoas, por exemplo.

Em entrevista à BBC News Brasil em dezembro de 2020, Pasqualotto, também professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), afirmou que casos de Candida auris são como "um evento adverso do progresso da humanidade".

"À medida que a gente progride, produz mais antibióticos, que as pessoas são mais invadidas por procedimentos médicos e sobrevivem mais, passam a surgir novos patógenos que antes não causavam doenças. E, devido à pressão dos remédios, eles surgem resistentes", disse ele.

"Então, a Candida auris é só a bola da vez. Assim como já foi o Staphylococcus aureus, que desenvolveu resistência à penicilina após a Segunda Guerra Mundial; depois o Enterococo resistente à vancomicina e tantos, tantos outros. Cada vez a gente tem menos antibióticos para usar e cada vez mais patógenos resistentes."

A resistência microbiana, que envolve fungos e também bactérias, é considerada uma das maiores ameaças à saúde global pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ela acontece pois os microrganismos têm evoluído e se tornado mais fortes e hábeis em driblar medicamentos como antibióticos e antifúngicos, fazendo com que várias doenças já tenham poucas ou nenhuma opção de tratamento disponível.

Resistência a medicamentos

A resistência aos antifúngicos comuns, como o fluconazol, foi identificada na maioria das cepas de C. auris encontradas em pacientes.

Isso significa que essas drogas não funcionam para combater o C. auris. Por causa disso, medicações fungicidas menos comuns têm sido usadas para tratar essas infecções, mas o C. auris também desenvolveu resistência a elas.

"Há registro de resistência à azólicos, equinocandinas e até polienos, como a anfotericina B. Isso significa que o fungo pode ser resistente às três principais classes de drogas disponíveis para tratar infecções fúngicas sistêmicas", explicou o epidemiologista e microbiologista Alison Chaves, no Twitter, logo após a descoberta do primeiro surto em Salvador no fim de 2020.

Estima-se que mais de 90% das infecções causadas pelo C. auris são resistentes ao menos a um medicamento, enquanto 30% são resistentes a dois ou mais remédios.

Análises de DNA indicam também que genes de resistência antifúngica presentes no C. auris têm passado para outras espécies de fungo, como a Candida albicans (C. albicans), um dos principais causadores da candidíase (doença comum que pode afetar a pele, as unhas e órgãos genitais, e é relativamente fácil de tratar).

*Com informações adicionais de Mariana Alvim e Letícia Mori, da BBC News Brasil em São Paulo.

12/01/2022 – Portal UNA-SUS

Link: https://www.unasus.gov.br/noticia/una-sus-ufcspa-lanca-oitava-oferta-do-curso-gestao-da-clinica-na-atencao-basica

UNA-SUS/UFCSPA lança oitava oferta do curso Gestão da Clínica na Atenção Básica

Com carga horária de 60h, o objetivo é aprimorar os processos de gestão da assistência à saúde, a partir da compreensão dos desdobramentos e implicações da gestão da clínica em suas diferentes abordagens: individual e familiar.

Profissionais de saúde e demais interessados em aprofundar os conhecimentos sobre Gestão da Clínica na Atenção Básica já podem se matricular na oitava oferta do curso, desenvolvido pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), instituição integrante da Rede UNA-SUS.

Sucesso entre os cursos da UNA-SUS, a qualificação - que já contabiliza mais de 93 mil matriculados, somadas todas as ofertas - é livre, totalmente gratuita e tem início imediato. As matrículas podem ser realizadas até 1 de dezembro de 2022, pelo link.

O curso foi desenvolvido para atender a necessidade de aprimoramento das equipes multiprofissionais no que se refere aos processos de gestão da Assistência à Saúde dos usuários, a partir da compreensão dos desdobramentos e implicações da Gestão da Clínica em suas diferentes abordagens: individual e familiar.

Para isso, "diversas ferramentas são apresentadas com o objetivo de otimizar a atenção à saúde e incorporar a sua prática profissional, possibilitando uma visão mais abrangente de sua comunidade quanto as demandas para a gestão de sua unidade de saúde", afirma Adriana Aparecida Paz, Vice-Coordenadora UNA-SUS/UFCSPA.

A primeira oferta do curso superou, em poucas semanas, mais de 10.000 inscritos, enquanto na segunda oferta, foram mais de 17.500 inscritos, o que confirmava a necessidade de outras ofertas do curso e a importância deste na formação dos trabalhadores da saúde. Na última oferta, por exemplo, o curso bateu o recorde de matrículas, com mais de 23 mil inscritos.

Com carga horária de 60h, o curso está organizado em quatro unidades: Gestão da Clínica, Gestão do acesso na Atenção Básica, Gestão do Cuidado – Abordagem Individual e Gestão do Cuidado – Abordagem Familiar.

Segundo a doutora em enfermagem e conteudista do curso, Alísia Helena Weis, a gestão da clínica é um dos pontos mais importantes para qualificar a prática dos profissionais de saúde com base nas diretrizes clínicas, e, consequentemente, oferecer maior integração da equipe de saúde, organização do processo de trabalho e resolutividade das demandas dos usuários.

“Os conhecimentos adquiridos poderão ser refletidos em melhores resultados no acompanhamento do usuário e nas atividades coletivas com a comunidade, evitando problemas potenciais, diminuindo hospitalizações desnecessárias, reduzindo eventos adversos e provendo contato duradouro e humanizado entre profissionais de saúde e usuários. Assim, é possível qualificar o acesso constantemente, com melhor aproveitamento do tempo, a partir da sistematização de críticas e análise sobre a atenção prestada, recursos utilizados e impacto sobre a saúde das pessoas”, defende Weis.

De acordo com o Secretário Municipal de Saúde de Itajaí, Santa Catarina, Emerson Duarte, o curso o fez repensar o fluxo de trabalho na Atenção Básica. “O curso é sensacional. Como gestor em saúde pude perceber com outro olhar a dedicação dos trabalhadores de nossa rede. O aprimoramento profissional foi visível em meu dia a dia”, destacou.

Para a fisoterapeuta mineira, Rebecca Marinho, o curso possibilitou a imersão nesta temática tão relevante, trazendo reflexões acerca da importância da atenção integral à saúde de qualidade, com foco nas necessidades de saúde do indivíduo e do coletivo de forma humanizada. "Além disso, a partir da bibliografia disponibilizada, foi possível perceber o quão importante é publicar mais sobre o assunto, e assim fortalecer as ferramentas da Atenção Básica", relatou.

Já a enfermeira paulistana, Nara Cristina Miashiro, destacou que é fundamental aprender, relembrar e, também, avaliar o que está sendo feito todos os dias. “Se estamos acolhendo adequadamente, se a escuta é qualificada, se estamos dando a devida atenção às demandas do dia. Fiz o curso porque tinha a necessidade de organizar o serviço, utilizar as ferramentas disponíveis de forma adequada. Fazer um diagnóstico da situação, traçar planos, ter objetivos, avaliar as ações, chegar ao resultado, isso tudo, muitas vezes, se dispersa em meio a tantos problemas que precisamos resolver, e o curso foi norteador para mim”, enfatizou.

10/01/2022 – Folha de São Paulo

Link: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2022/01/flurona-pode-causar-quadros-respiratorios-mais-graves-entenda.shtml

'Flurona' pode causar quadros respiratórios mais graves? Entenda

Coinfecções de Covid e influenza foram registradas com alta transmissão de vírus no país

Casos de 'flurona', como ficou conhecida a coinfecção de Covid-19 e influenza, já foram registrados em algumas partes do país. Os diagnósticos surgem em um momento em que o Brasil enfrenta uma forte onda de quadros gripais severos que já lotam hospitais em algumas cidades.

A Folha conversou com alguns especialistas para entender se existe alguma peculiaridade em casos de uma pessoa que é infectada por dois vírus e quais os efeitos que a dupla infecção por Covid-19 e influenza pode ter em um paciente.

Corredor de hospital com muitas pessoas

Casos de coinfecção de Covid e influenza já foram confirmados em alguns estados brasileiros, como Rio de Janeiro, Ceará e São Paulo. O aumento da circulação dos dois vírus fez atendimento em hospitais aumentarem - Rubens Cavallari - 04.jan.2021/Folhapress

O primeiro ponto é que uma dupla infecção causada por vírus é comum, explica Fernando Spilki, virologista e coordenador da Rede Corona-ômica BR-MCTI, um projeto de laboratórios que sequencia os genomas de amostras do Sars-Cov-2 no Brasil.

"Quando você vai estudar fora de um período de pandemia [...], você encontra um percentual muito alto de coinfecção [entre diferentes vírus]", afirma.

Spilki detalha que, em 2020, primeiro ano da pandemia, já tinham sido detectados casos de coinfecção entre Sars-CoV-2 e H1N1. Esses diagnósticos eram mais raros porque havia pouca circulação de influenza no Brasil. No entanto, o cenário mudou.

"Agora, a tempestade perfeita está formada: você tem muitas infecções por H3N2, especialmente por essa cepa Darwin que é responsável por esse surto atual no Brasil, e por outro lado você tem [...] uma onda se formando com ômicron. Então vai dar muita chance para que as pessoas se coinfectem com esses dois [patógenos]", diz.

Mesmo com esse cenário, Spilki afirma que não existem indicações que um diagnóstico positivo de gripe e Covid possa acarretar situações mais graves nos pacientes.

"A gente inclusive vê casos de coinfecção em pessoas com doença leve, então não é o fato de ter a coinfecção [que necessariamente indica a severidade da doença]", afirma.

É a mesma visão de Cristina Bonorino, imunologista e professora da UFCSPA (Universidade Federal de Ciência da Saúde de Porto Alegre).

"Parece ser uma coisa intuitiva dizer que, se tem mais de um vírus ao mesmo tempo, vai ficar pior, mas na verdade não é isso que acontece, depende muito da pessoa, da idade, das comorbidades", afirma.

Para o caso de coinfecções com Sars-CoV-2, Bonorino explica que "nenhum [estudo] mostra um risco aumentado", mas ela também ressalta a necessidade de continuar monitorando a situação, já que o coronavírus ainda é muito novo.

Ela também diz que os casos de coinfecção agora estão sendo mais relatados porque as medidas sanitárias estão sendo relaxadas, o que não tinha acontecido em larga escala anteriormente.

"A gente teve uma queda nos casos de influenza no ano passado por causa do distanciamento e por causa das máscaras, que inibem a circulação de todos os vírus. No que as restrições começaram a afrouxar, começaram os pequenos surtos de outros vírus e agora está tendo de gripe", afirma.

Aspecto parecido é apontado por Maurício Nogueira, professor da faculdade de medicina de São José do Rio Preto. Ele diz que a maior circulação de diversos vírus pelo país é "reflexo da total liberalização que a gente fez depois de dois anos parados".

Hospital cheio de pessoas

Hospital registram alta de atendimento por Covid e gripe. Nas imagens, o movimento no Amil Espaço Saúde - Rubens Cavallari - 04.jan.2022/Folhapress

O panorama crítico já é sentido em diferentes regiões. Hospitais, por exemplo, já precisam lidar com o aumento de pacientes com Srag (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Gerson Salvador, médico do hospital universitário da USP (Universidade de São Paulo) e autor do blog "Linha de Frente" na Folha, já observou o aumento de casos críticos no atendimento a pacientes.

Ele relata que, em meados de novembro, já era visível o aumento do número de pacientes com Srag e que a maioria era de casos positivos de influenza. Salvador relaciona isso com a epidemia de gripe no Rio de Janeiro.

Em dezembro, no entanto, os números de casos a Covid-19 também subiram. "A gente viu aumentar muito rápido os casos de Covid-19. Nesse momento, a gente tem que lidar com pacientes com influenza e Covid grave", relata Salvador.

O médico, entretanto, reitera que essa situação não se relaciona necessariamente à coinfecção em si de coronavírus e influenza, mas sim à alta taxa de disseminação dos dois vírus pelo Brasil, que podem resultar em complicações respiratórias mesmo em infecções de somente um dos patógenos.

"Estar infectado com dois vírus ao mesmo tempo não quer dizer que vai ter quadro de maior gravidade. [Isso] não é uma outra doença", afirma.

Nogueira também defende que a coinfecção entre vírus não deve ser o ponto central de preocupação, por ser "um fenômeno relativamente comum".

"Nós temos que nos preocupar com a Covid, com as formas de transmissão e com a vacinação", diz.

Os diagnósticos de Sars-CoV-2 voltaram a subir de forma vertiginosa diante da variante ômicron, que tem uma alta taxa de transmissibilidade.

Um levantamento feito com mais de 2.400 amostras de testes RT-PCR especiais identificou uma prevalência média de 92% da nova variante nos positivados a Covid-19 no Brasil.

Dados preliminares também já indicam que o esquema vacinal de duas doses ou dose única tem redução significativa de anticorpos neutralizantes contra a ômicron. Mesmo assim, os imunizantes ainda são de extrema importância para evitar casos graves da doença, como hospitalizações e mortes.

Para Nogueira, inclusive, a transmissão exacerbada da ômicron e a vacinação defeituosa de crianças são os grandes problemas sanitários brasileiros que precisam ser enfrentados.

"A ômicron, a alta taxa de transmissão e o atraso para vacinar criança: esses são problemas que a gente tem que discutir", conclui.

10/01/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/01/quais-sao-as-mascaras-mais-indicadas-para-o-momento-atual-da-pandemia-cky8zsq2d004r0188mj2z2i4f.html

Quais são as máscaras mais indicadas para o momento atual da pandemia

O ideal é optar pelos respiradores do tipo PFF2 ou N95; em segundo lugar, vem a máscara cirúrgica de camada tripla

Diante da alta circulação da variante Ômicron do coronavírus e também do vírus H3N2, causador de gripe, é fundamental investir em máscaras mais protetoras e no uso correto desses equipamentos de proteção individual (EPIs). O alerta vale também para pessoas vacinadas — mesmo quem está imunizado não pode descuidar da cobertura facial.

Melissa Markoski, bióloga, doutora em Biologia Celular e Molecular e professora de Biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), pede que a população opte, na medida do possível, por máscaras do tipo PFF2 (N95) ou cirúrgicas com tripla camada. 

— Pelos artigos clínicos que saíram, não há diferença, em termos de proteção, entre a máscara cirúrgica de tripla camada e a PFF2. Na grande maioria dos hospitais, utiliza-se PFF2 nas áreas de risco para covid-19 e máscara cirúrgica nas demais áreas — explica Melissa, também membro da Rede Análise Covid-19.

A profissional lembra que que esta é a recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde o setembro de 2021.

— O que temos em outras evidências? Estudos de prova de conceito, quando se testam, em laboratório, eficiência de filtração da máscara, ajuste, camadas. Aí se vê que o respirador PFF2 é superior — complementa.

A bióloga recomenda que as pessoas recorram à PFF2 principalmente quando não souberem se há alguém contaminado no local ou se a ventilação for insuficiente, caso do transporte público, por exemplo. 

— Como a gente não sabe onde está a contaminação, utiliza a melhor máscara que puder — ensina Melissa. 

Em encontros ao ar livre ou durante os passeios diários com o cachorro, situações de menor exposição, pode-se utilizar a versão cirúrgica. 

Médico infectologista, Alexandre Schwarzbold, professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, repete a mesma escala de priorização: em primeiro lugar, a PFF2, a melhor opção, seguida da cirúrgica, na segunda colocação. Quanto à cirúrgica, que pode deixar fendas que permitem a passagem de ar — e de partículas virais, consequentemente —, o correto posicionamento sobre o rosto é essencial. De nada adianta deixar o nariz para fora, ficar constantemente puxando-o para o pescoço ou manter aberturas muito grandes nas bochechas ou no queixo. Essa orientação vale para qualquer máscara.

— São questões simples, mas chave — ressalta o infectologista. 

Quem não puder comprar PFF2 ou cirúrgica tripla, Schwarzbold indica a combinação da cirúrgica simples — a primeira a ser colocada, em contato com a face — com uma de pano, para que se obtenha melhor vedação. 

— Não basta apenas colocar uma máscara. Ela tem que ser muito bem ajustada na região nasal — ressalta, destacando que a preferência deve ser dada às cirúrgicas com clipe nasal (estrutura metálica que pode ser pressionada junto ao nariz, perto dos olhos). 

Se restar apenas a possibilidade de utilização de acessórios de tecido, que sejam, então, bem ajustados e lavados com frequência.

Quanto ao tempo de uso, Melissa atenta para o fato de a cirúrgica umedecer mais rapidamente — um aviso de extrema importância especialmente nesta semana, em que há previsão de recordes de calor para o Rio Grande do Sul. O ideal é trocar a cirúrgica depois de duas a quatro horas de uso ou quando estiver molhada.

— Quanto mais a pessoa suar, menor o tempo de utilidade — constata a docente da UFCSPA.

Em relação aos respiradores PFF2, mais duráveis, a utilização pode se estender por até oito horas quando se mantiverem secos. Tenha cuidado ao retirar a máscara, sem tocar na parte frontal, e deixe-a “descansando” por um período de 24 a 48 horas. Nesse intervalo, recorra a outra unidade, fazendo um rodízio. A PFF2 pode continuar sendo usada enquanto estiver limpa, sem deformações e com os elásticos em bom estado. 

Outra possibilidade é a máscara KN95. Esta, entretanto, não tem um ajuste adequado nas laterais, aponta Melissa, mas não há estudos dizendo que seja incapaz de proteger. Se a preferência for por esta opção, procure fazer a regulagem com pequenos nós nas alças atrás das orelhas ou unindo as duas, com um elástico, por trás da cabeça. 

08/01/2022 – Correio do Povo

Link: https://www.correiodopovo.com.br/especial/empreender-est%C3%A1-em-alta-na-universidade-1.752189

Empreender está em alta na universidade

Ranking que mede o empreendedorismo nas IES foi construído a partir de consulta a 24 mil estudantes de 126 instituições no país. Inovação, internacionalização e infraestrutura estão entre as características destacadas

Cultura Empreendedora, Inovação e Extensão, além de Internacionalização, Infraestrutura e Capital Financeiro são critérios que medem o grau de empreendedorismo de uma Instituição de Ensino Superior (IES). Com foco nestas características, a Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior) lançou, no início de dezembro último, em sessão no Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, a 4ª edição do Ranking de Universidades Empreendedoras (RUE). O levantamento foi feito a partir da consulta com mais de 24 mil estudantes, de 126 universidades, com base nas características que mais contribuem para uma IES ser considerada empreendedora.

Região Sul

O desempenho das universidades da Região Sul nessa 4ª edição do RUE foi um dos destaques na apresentação do levantamento. Enquanto a Universidade Tecnológica Federal do Paraná ficou no Top 10 da pesquisa em nível nacional, outras cinco instituições de Ensino Superior do RS obtiveram excelente resultado em quesitos específicos que ajudaram a embasar todo o trabalho. A Universidade do Vale do Taquari (Univates), com sede em Lajeado, ficou em primeiro lugar na avaliação referente à infraestrutura, em que se mensurou a percepção dos alunos quanto à qualidade oferecida para execução e desenvolvimento das atividades e à aproximação com o Parque Tecnológico local, caso haja.

Conforme a reitora da Univates, Evania Schneider, que recebeu a premiação, ser reconhecida como uma universidade empreendedora e que investe na sua estrutura, visando estimular o empreendedorismo e a qualidade da formação dos seus estudantes, é motivo de muito orgulho. “Estamos construindo uma sociedade melhor, mais empreendedora”, assinalou Evania.

Internacionalização

Já a PUCRS, na Capital, ficou em terceiro lugar no quesito Internacionalização, em que se observa a conexão entre a universidade e o ecossistema internacional, como meio de proporcionar soluções inovadoras através dos estudos e tecnologias desenvolvidos na instituição. Adriana Kampf, pró-reitora de Graduação e Educação Continuada da Universidade, destacou que a dimensão da inovação e do empreendedorismo estão curricularizados na PUCRS. Ou seja, todos os cursos de graduação contam com disciplinas que abordam aspectos de empreendedorismo e, principalmente, o desenvolvimento de competências empreendedoras. “O reconhecimento obtido no ranking denota o engajamento de professores e estudantes na oferta e no aproveitamento de todas as oportunidades na área que a PUCRS oferece”, sintetizou Adriana.

Inovação

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) ficou em terceiro lugar em Inovação, onde são levantados o desenvolvimento de tecnologias como também de conhecimentos na instituição. Já a Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) ficou em quarto lugar em Capital Financeiro, quando é considerado o orçamento das universidades. Os dados das instituições de ensino foram autodeclarados e o valor global foi dividido pelo número de alunos. A servidora Márcia May, vice-coordenadora do Núcleo de Inovação Tecnológica e Empreendedorismo em Saúde (Nite Saúde) e Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Proppg) esteve presente na cerimônia de lançamento e certificação, representando a UFCSPA. “Destacar-se no RUE cria oportunidades e valoriza o diploma de nossos estudantes, assim como dá visibilidade à instituição. Mas o mais importante é mapear pontos de melhoria e desenvolver uma agenda propositiva, que coloque a cultura empreendedora em um lugar de destaque”, salientou Márcia.

Cultura empreendedora

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) ficou em quinto lugar em Cultura Empreendedora, quando se observa a participação ativa de professores e alunos em todo o processo, incluindo a construção de matrizes curriculares que ajudem a explorar habilidades essenciais à ação empreendedora. O pró-reitor de Extensão da UFSM, professor Flavi Lisboa Filho, lembrou que as inovações dentro da Universidade não são apenas tecnológicas, mas também sociais: “Entendemos que a inovação irá acontecer por meio da cultura empreendedora”.

Desde 2016, a Universidade de Santa Maria conta com a Incubadora Social. É voltada à articulação da execução de projetos concebidos a partir de demandas locais e regionais, com foco em sustentabilidade socioambiental, visando à geração de trabalho e renda para coletivos em situação de vulnerabilidade social e em processo de organização solidária.

O Ranking de Universidades Empreendedoras, que conta com o patrocínio do Bradesco, pode ser acessado, na íntegra, no site da Universidade Empreendedora.

08/01/2022 – Metrópoles

Link: https://www.metropoles.com/brasil/por-que-e-tao-dificil-e-caro-testar-para-a-covid-no-brasil

Por que é tão difícil e caro testar para a Covid no Brasil?

Brasileiros com sintomas gripais e respiratórios têm enfrentado escassez de testes nas redes pública e privada, e horas de fila na tentativa

Longas filas, indisponibilidade e frustração viraram rotina para brasileiros que buscam testes para Covid-19 num momento em que a variante Ômicron avança no país junto a doenças que causam sintomas semelhantes, como a gripe. As dificuldades atingem pacientes tanto da rede pública quanto da privada, e até testes de farmácia estão em falta em várias capitais desde a virada do ano.

Aliada ao apagão de dados que persiste nos sistemas do Ministério da Saúde desde que a pasta foi alvo de um suposto ataque hacker, em 10 de dezembro do ano passado, a falta de testes deixa o Brasil numa espécie de cegueira estatística enquanto as infecções pelo coronavírus disparam em várias partes do mundo.

“Testar, testar e testar” é a estratégia que a Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio de seu diretor-geral, Tedros Adhanom, sugere aos países desde meados de 2020, no início da pandemia, para melhor lidar com a calamidade pública. O Brasil, porém, tem lidado com problemas como escassez e carestia ao longo de todo o período pandêmico. Quem se dispõe a pagar pelos testes dificilmente encontra opções a menos de R$ 100 e muitas vezes paga mais de R$ 300 em um teste RT-PCR nos laboratórios privados.

Enquanto nos Estados Unidos, na China e em países da Europa os cidadãos têm acesso a testagem em massa, que inclui o envio de kits para a casa dos pacientes, opções baratas no setor privado e autotestes, no Brasil a maioria da população nunca se testou.

Números

De acordo com o Ministério da Saúde, desde o início da pandemia foram distribuídos 56 milhões de testes para unidades públicas de saúde, um investimento que custou R$ 1,6 bilhão aos cofres públicos, mas não há dados consolidados sobre quantos deles foram aplicados. A Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), por sua vez, informa ter realizado 12 milhões de testes.

Nas contas do site Worldometer, que reúne estatísticas sobre o combate à pandemia no mundo, o Brasil aplicou 63,7 milhões de testes em sua população (que é de 210 milhões de pessoas). Isso deixa o país num triste 131º lugar entre os países que mais testaram (de um total de 209 dos quais constam dados). São menos testes por milhão de pessoas do que os de países como Suriname (que está em 130º lugar nessa lista), Iraque (120º lugar), Argentina (104º lugar), Peru (102º lugar), e Uruguai (70º lugar).

Mas por que faltam testes no Brasil? Para o médico Alcides Miranda, professor de saúde pública da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a escassez é fruto de uma política pública falha.

“Alguns países desenvolveram e produziram rapidamente seus próprios testes, pois dispunham, como nós, de tecnologia apropriada e de alternativas para a produção em escala. Isso inclui inclusive países menores, como o Uruguai”, afirma ele, em entrevista ao Metrópoles.

“O que ocorreu no Brasil pode ser contextualizado e agregado com outros problemas correlatos: negligência intencional por parte do governo federal e insuficiência logística da parte de governos estaduais”, complementa ele, que vê prejuízos no controle da pandemia com a situação. “A testagem sistemática de casos e a seletiva para contatos são imprescindíveis para o monitoramento e o bloqueio epidemiológicos, o que lamentavelmente não ocorreu no Brasil desde o início da pandemia”, avalia o especialista.

O que poderia ser feito?

Para o epidemiologista Airton Stein, professor de saúde coletiva da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), seria importante ampliar as opções de testagem para a população. “Com o aumento de casos novos de Covid-19, em função de uma variante que é muito transmissível [a Ômicron], também houve a busca de exames para fazer o teste diagnóstico. A disponibilidade de testes diagnósticos rápidos no domicílio é essencial neste cenário e deve ser estimulada no sistema de saúde público e privado no Brasil”, sugere ele, em entrevista ao Metrópoles.

No entanto, para disponibilizar no Brasil os autotestes que se popularizaram em outros países, há questões legais e regulatórias a serem enfrentadas. Apesar de haver alguma disponibilidade desse tipo de teste para venda no mercado internacional, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não autorizou a importação e uso da tecnologia por aqui.

A questão é que a agência prevê em suas normas que exames para doenças contagiosas e de notificação obrigatória (como a Covid-19) sejam feitos por profissionais especializados. Em 2016, porém, o órgão abriu uma exceção e autorizou a venda em farmácias de autotestes para detectar o vírus HIV.

Enquanto persistem essas questões de ordem burocrática, os brasileiros enfrentam seguidas dificuldades para testar se estão infectados pelo coronavírus. No Distrito Federal, por exemplo, pacientes com sintomas gripais têm relatado dificuldades para fazer testes da Covid-19 e da gripe H3N2 na rede pública do Distrito Federal.

Segundo relatos da população confirmados pela reportagem, a testagem está disponível apenas nas unidades de referência da residência do paciente, no começo da manhã e no início da tarde, e há limite de testes por dia.

No Rio de Janeiro, onde foi registrado um aumento de 6.778% no número de casos de Covid-19, os postos de testagem para a doença estão lotados desde o fim do ano passado. A fila de espera entre a triagem e o teste passou das duas horas na Arena Carioca, um dos dez locais montados pela Secretaria municipal de Saúde na capital para testagem gratuita, segundo registro feito pelo Metrópoles na última quinta-feira (6/1).

Em Goiânia, a reportagem registrou esperas de até 5 horas ao longo da última semana para a testagem grátis na rede pública.

Usuários da rede privada de saúde em todo o país também têm relatado dificuldades crescentes para marcar e fazer testes pelo plano de saúde.

Com tudo isso, fica difícil para os brasileiros seguir o conselho de Tedros Adhanom e “testar, testar e testar”.

04/01/2022 – Prefeitura de Porto Alegre

Link: https://prefeitura.poa.br/sms/noticias/acoes-de-combate-pandemia-foram-destaque-na-saude-em-2021

Ações de combate à pandemia foram destaque na Saúde em 2021

O ano foi de desafios no combate à pandemia de Covid-19. Marcado pelo início da vacinação, o período registrou o ápice no esforço para receber todos os pacientes que precisavam de atendimento. Porto Alegre teve um pico de oferta de 973 leitos hospitalares pela prefeitura, no mês de abril, sendo 268 de UTI e 705 de enfermaria para atender a alta demanda de internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Com a abertura e adaptação das vagas, a rede hospitalar foi reforçada e o atendimento qualificado.

Além da disponibilização de leitos em 17 hospitais públicos e privados, a instalação do hospital de campanha na área externa do Hospital Restinga e Extremo Sul foi um reforço para dar conta da alta demanda. Montada em parceria com o Exército, a estrutura funcionou de 19 de março a 3 de maio com 20 leitos, sendo oito de terapia intensiva. 

“A rede hospitalar conseguiu uma ampliação recorde na oferta de leitos de UTI jamais experimentada até então, incluindo a mobilização de recursos humanos. Vimos salas de recuperação e de emergência se transformarem em UTIs”, afirma o coordenador da Central de Regulação da Secretaria Municipal de Saúde, Jorge Osório. Segundo ele, o setor chegou a receber cerca de 70 solicitações por dia para leitos de UTI Covid-19.

Controle sanitário - Para manter o controle na entrada de novas variantes do coronavírus, a Diretoria de Vigilância em Saúde coordenou ações no Aeroporto Internacional de Porto Alegre e na Estação Mercado da Trensurb. Na primeira etapa da operação no aeroporto, entre 14 e 27 de junho, foram realizados 6.203 testes rápidos de antígeno em passageiros na área de desembarque doméstico, com 55 diagnósticos positivos para Covid-19.  Na segunda etapa, entre 19 de julho e 18 de outubro, 581 viajantes realizaram a testagem do tipo RT-PCR nos laboratórios parceiros da prefeitura e cinco tiveram resultado positivo. Já a ação na estação de trem durou duas semanas. Foram realizados 138 testes rápidos e, do total, nove tiveram resultado positivo. Em dezembro, a ação no aeroporto foi retomada em função da variante Ômicron.

Ampliação da testagem - Pessoas com sintomas de Covid-19 seguiram com acesso à testagem gratuita, que foi ampliada. Em março, teve início a parceria com Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) para testagens contra Covid-19 em drive-thru instalado no estacionamento da instituição. Desde 7 de julho, 31 unidades de saúde também ofertam testes rápidos de antígeno para detecção do coronavírus a pacientes sintomáticos. As unidades de saúde têm capacidade de realizar, em média, 2,5 mil testes por mês. Os pacientes passam por avaliação clínica e, se há indicação, são encaminhados para testagem no próprio local. Os resultados saem em 15 minutos.

Oferta de teleconsulta - Para evitar que pacientes com sintomas saíssem de casa para receber atendimento, foi disponibilizado o serviço de consultas e orientação à distância, em parceria com Santa Casa e UFSCPA, reforçando a rede de atendimento SUS na pandemia. Em funcionamento de abril de 2020 a novembro de 2021, realizou mais de 5,2 mil atendimentos gratuitos na plataforma Conexão Santa Casa, ferramenta de telemedicina desenvolvida pela instituição.

Ambulatório pós-Covid - Destinado a pacientes de baixa ou média complexidade que ficaram com sequelas após contrair a Covid-19, está localizado no Centro de Saúde IAPI. Oferece serviços de fisioterapia, enfermagem, fonoaudiologia, psicologia, nutrição, acupuntura e osteopatia, sendo um importante espaço para que os pacientes recebam acompanhamento especializado e se recuperem da doença. Em cinco meses de atuação, 147 pessoas foram avaliadas e 68 seguem em acompanhamento no local, que atende desde 12 de julho. “Sabemos que a recuperação de pacientes graves de Covid-19 costuma ser lenta. O ambulatório é um espaço importante para que essas pessoas tenham um acompanhamento especializado”, completa o secretário Mauro Sparta.

04/01/2022 – Viva Bem UOL

Link: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2022/01/04/termogenico-pimenta-proteina-o-que-realmente-acelera-o-metabolismo.htm

O que realmente acelera o metabolismo e por que isso não faz você emagrecer

É muito comum pessoas que estão em processo de emagrecimento buscarem alternativas para acelerar o metabolismo e fazer o corpo gastar mais calorias. Antes de saber o que funciona ou não para isso, é preciso compreender o que é o metabolismo. Ele é definido como a soma das reações químicas relacionadas à construção e reparação de tecidos (músculo, pele, cabelo etc.), à regulação da temperatura corporal, à produção de energia e manutenção das funções vitais (respiração, circulação sanguínea etc.).

Para realizar todos esses processos e se manter funcionando, nosso corpo gasta combustível (calorias) —a chamada taxa metabólica basal, ou a quantidade de energia que o organismo utiliza, em repouso, para exercer suas funções básicas. É aí que entra o pensamento de muitas pessoas de que adotar estratégias para "aumentar o metabolismo" e fazer o corpo queimar mais calorias pode ajudar na perda de peso. Mas não é simples assim.

Primeiro, porque muitas das táticas acabam promovendo um aumento muito pequeno no gasto energético (cerca de 20 a 100 calorias por dia), incapaz de gerar uma queima de gordura significativa. E segundo porque nosso organismo é programado para "poupar energia". Então, mesmo que a pessoa use uma tática para aumentar seu gasto calórico em repouso, o corpo tende a se adaptar e buscar meios de economizar a energia.

Portanto, pensando em emagrecer com saúde, o mais importante é uma alimentação saudável (rica em alimentos naturais) e a prática regular de exercícios. Nenhuma estratégia para aumentar o metabolismo vai ser capaz de funcionar sozinha e compensar uma ingestão calórica exagerada ou uma dieta ruim. Tendo isso em mente, entenda o que funciona ou não para aumentar seu metabolismo.

CONTROLAR O ESTRESSE

Funciona O hormônio cortisol é liberado em resposta ao estresse e à ansiedade, assim como a adrenalina. Sua ação faz com que haja redução do gasto calórico e aumento do estoque de gordura, além de diminuir a atenção ao comer. Dessa forma, o organismo entende que está sujeito a uma situação de perigo, deixando a digestão em segundo plano. Portanto, controlar o estresse e buscar atividades que valorizem uma rotina mais tranquila é não só uma forma de autocuidado, mas de contribuir com o funcionamento do metabolismo.

PRATICAR EXERCÍCIOS REGULARMENTE

Funciona As atividades físicas estão diretamente ligadas ao aumento da taxa metabólica basal. Tanto os exercícios de força (musculação, treino funcional) quanto os aeróbicos (corrida, bike) fazem com que o corpo queime mais calorias, inclusive nos períodos de descanso. Isso porque o corpo gasta energia para reparar os danos que os músculos sofrem durante a atividade física.

A atividade física ainda promove o ganho de massa muscular, tecido que nosso organismo gasta mais energia para manter do que a gordura, por exemplo. Mas aqui voltamos a ressaltar o que já explicamos: esse aumento na taxa metabólica é pequeno e por si só não gera efeito no emagrecimento. Um estudo, por exemplo, mostrou que 1 kg de massa muscular em repouso queima, em média, 13 calorias por dia. Ou seja, o aumento energético ao ganhar 1 kg de músculo —o que não é fácil e algumas pessoas levam meses para conseguir— não equivale às calorias ingeridas ao comer uma bala.

Obviamente, não podemos pensar só de forma isolada. Para ganhar músculos você precisa fazer exercícios, ter uma boa alimentação, dormir adequadamente, reduzir o estresse. Essa soma será benéfica para o metabolismo e a perda de peso.

FAZER UM LANCHE LEVE ANTES DE DORMIR

Depende Essa é uma estratégia que dividiu a opinião dos especialistas ouvidos por VivaBem. A teoria é que consumir certos alimentos vai favorecer a reconstrução dos tecidos e a produção de hormônios que contribuem para o aumento da taxa metabólica. No entanto, não há comprovação científica de que comer um snack leve antes de dormir tenha esse efeito. Além disso, escolhas ruins podem interferir na produção hormonal que acontece durante o sono e gerar um "efeito contrário".

Por outro lado, o processo de digestão, por si só, já eleva o metabolismo (por isso nesse item usamos o "depende" em vez do "não funciona"). Mas não vale comer só por isso, sem real necessidade, já que você vai ingerir mais calorias do que queimar.

Para quem realmente precisa comer algo antes de se deitar, a sugestão é consumir alimentos leves, fonte de proteína e probióticos (como iogurte), que auxiliam na digestão, no equilíbrio da microbiota intestinal e possuem ação anti-inflamatória e antioxidante.

CONSUMIR TERMOGÊNICOS

Funciona Pimenta, café (por causa da cafeína), gengibre, canela e suplementos termogênicos realmente têm a capacidade de elevar nosso gasto energético em repouso. E nos alimentos que fazem isso ainda há outros benefícios.

A ação adrenérgica da pimenta, além de favorecer a queima calórica, reduz o apetite. Já o gengibre e a canela possuem propriedades anti-inflamatórias, que ajudam a dar disposição, a recuperação muscular e aceleram o metabolismo. E o café tem substâncias antioxidantes.

Porém, tenha em mente que o efeito dessas substâncias é muito pequeno e eles não vão fazer você emagrecer sem bons hábitos alimentares e treinamento regular. Um estudo publicado no International Journal of Obesity mostra que o consumo de termogênicos pode elevar o gasto energético diário em até 5%. Ou seja, uma pessoa que gasta 2000 calorias por dia vai queimar apenas 100 calorias a mais ao usar essas substâncias.

COMER DE TRÊS EM TRÊS HORAS

Depende Existem cada vez mais profissionais que defendem que as refeições devem respeitar os sinais de saciedade, ou seja, devemos nos alimentar quando sentirmos fome e não nos obrigarmos a comer a cada "X" horas.

Nesse caso, seria mais importante para o metabolismo o que se come e o quanto se come nessas refeições. Por outro lado, o estado de jejum prolongado ou de restrição calórica reduz os níveis dos hormônios tireoidianos, que são fundamentais para manter o metabolismo funcionando corretamente.

O ideal é recorrer a um profissional que vai desenvolver o plano alimentar adequado às suas necessidades.

AUMENTAR A INGESTÃO DE PROTEÍNAS

Funciona Nosso corpo queima calorias para digerir o que comemos —o aumento no gasto calórico gerado pelos nutrientes é chamado de Efeito Térmico dos Alimentos (ETA). E a proteína é o macronutriente que tem maior efeito termogênico no organismo. Cerca de 25% a 30% das calorias do nutriente são gastas no próprio processo de digestão, enquanto o efeito térmico dos carboidratos é de 6% a 8% e o da gordura, de 2% a 3%.

A proteína ainda é um nutriente essencial para a construção das fibras musculares e de hormônios como o GH (hormônio do crescimento), que participa ativamente dos processos anabólicos (construção de tecidos) e lipolíticos (queima de gordura).

BEBER ÁGUA Depende A água tem papel fundamental nos processos fisiológicos e bioquímicos do corpo. Portanto, quando o seu consumo é feito na quantidade adequada, o organismo funciona melhor também. Um estudo publicado no The Journal of Clinical Endocrinology & Meabolism afirma que, ao ingerir 500 ml de água de uma só vez, o metabolismo trabalha de forma mais acelerada, aumentando o gasto energético em 24% ao longo dos próximos 60 minutos. Mesmo assim, não há um consenso entre os especialistas de que só o fato de beber água faça o metabolismo acelerar. E, se fizermos uma conta grosseira com base nesse estudo, veremos que o efeito (novamente) é pequeno. Podemos dizer que uma pessoa que gasta 2000 calorias por dias queima, em média, pouco menos de 84 calorias por hora. Ou seja, tomar 500 ml de água de uma só vez vai representar um aumento no metabolismo de 20 calorias.

O metabolismo diminui com a idade? Durante muito tempo, as pessoas acreditaram que a taxa metabólica começava a sofrer uma grande redução por volta dos 30 anos —quando para muitos parece que fica mais difícil emagrecer —ou mais fácil engordar. No entanto, um estudo publicado pela revista Science, no ano passado, mostrou que não é bem assim e nosso metabolismo tende a continuar estável entre os 20 e 60 anos. Segundo a pesquisa, feita em 29 países, com 6.400 pessoas de 8 dias de idade até 95 anos, o metabolismo é acelerado em recém-nascidos, com taxas que representam o dobro do valor médio dos adultos. Porém, após o primeiro ano de idade, o metabolismo diminui até chegar a um momento entre os 20 e 60 anos, que se mantém estável, independentemente do sexo.

Então, a partir dos 60 anos, a redução é gradativa e representa os menores níveis nos últimos anos de vida. Ou seja, o metabolismo atinge o pico muito mais cedo na vida e desacelera muito mais tarde do que se pensava.

Fontes: Guilherme Renke (@endocrinorenke), pesquisador, endocrinologista e médico do esporte, diretor da SBEMO (Sociedade Brasileira de Medicina da Obesidade); Luna Azevedo (@lunanutri) é nutricionista formada pela Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, com especialização em nutrição ortomolecular e fitoterapia; Rafael Soares, formado em medicina pela UFSCPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre), com especialização em nutrologia e dermatologia.

03/01/2022 – Guia do Estudante – Correio Braziliense

Link: https://www.correiobraziliense.com.br/euestudante/trabalho-e-formacao/2022/01/4973657-as-universidades-empreendedoras-do-pais.html

Conheça as universidades empreendedoras do país

Embora tenha caído sete posições, a UnB e a federal de Jataí (GO) são destaques no Centro-Oeste, segundo ranking da Brasil

A Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior) divulgou, este mês, a quarta edição do Ranking de Universidades Empreendedoras (RUE). Das 126 universidades ranqueadas, a UnB está em 15º lugar, sete posições abaixo em relação ao último levantamento, realizado em 2019. A Universidade Católica foi outra instituição ranqueada no top 50, estando em 49º.

O diretor de integração social e desenvolvimento regional do decanato de extensão da UnB, Rogério Ferreira, explica que a a falta presencial dos estudantes no espaço acadêmico por causa da pandemia da covid-19 gerou obstáculos  para a realização de atividades práticas e coletivas de extensão, o que pode ter justificado a queda no ranking nesta edição.

Contudo, segundo ele, foi justamente essa dificuldade imposta pela pandemia que também possibilitou o surgimento de novos processos de ações coletivas, com ajuda de tecnologias digitais, que mantiveram ativa a dimensão educacional dos projetos de extensão. "É notória a busca de alternativas de ação realizada por docentes e discentes durante esse período, processos de superação são observados a cada instante", lembra. Por isso, ele comemorou a conquista da UnB e reforçou a importância da universidade em manter operantes as ações coletivas das empresas juniores durante a pandemia.

O ranking é feito a partir de um levantamento da Brasil Júnior que mede a postura empreendedora das comunidades acadêmicas de cada universidade brasileira no empreendedorismo, assim como o acesso à vivência empresarial no ambiente acadêmico que as instituições proporcionam, o que se faz muitas vezes por meio das empresas juniores.

A classificação toma como base seis dimensões, ou critérios avaliativos, sendo eles: cultura empreendedora, extensão, inovação, internacionalização, infraestrutura e capital financeiro. Cada universidade recebe uma nota em cada uma destas dimensões, de 0 a 10, e é por meio da média entre elas que é determinada sua posição no ranking.

O Centro-Oeste também teve destaques surpreendentes em alguns critérios do ranking. A Universidade Federal de Jataí (GO), que mesmo estando em 46º no levantamento geral, teve a quinta maior nota nacional no quesito 'internacionalização', que leva em consideração intercâmbios, pesquisas em colaboração internacional e parcerias com universidades do exterior.

O melhor resultado da UnB foi no quesito 'extensão', ficando em 12º lugar no país. Essa dimensão analisa a quantidade de projetos de extensão feitos, a maneira que organizações estudantis de representatividade nacional são vistas e o impacto das produções científicas no ambiente online.

Segundo Rogério Ferreira, as ações de extensão são elemento essencial para que a universidade cumpra seu papel social e continue mantendo firme um diálogo educacional com a comunidade. "É importante manter acesa a consciência da necessidade de a universidade levar adiante seu propósito social, sua missão de contribuir para a construção de uma sociedade que valorize a diversidade por meio de uma formação humanista que priorize o senso de equidade", ressalta.

Para isso, a UnB já tem planos para expandir ainda mais seus pontos de atuação extensionista para o ano que vem, na chamada Rede de Polos de Extensão. Segundo informações do diretor, a rede conta com quatro polos até o momento: Recanto das Emas, Paranoá, Estrutural e no território Kalunga, em Cavalcante (GO); e um quinto será estabelecido em Alto Paraíso de Goiás (GO), tendo assim, mais uma região onde a universidade possa focar em ações coletivas de integração, que são fundamentais para as atividades de extensão.

As 50 melhores ranqueadas em 2021

POSIÇÃO

(...)

20º

FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DE PORTO ALEGRE (UFCSPA)

(...)

31/12/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/12/veja-a-posicao-das-universidades-federais-gauchas-sobre-a-proibicao-do-passaporte-vacinal-na-volta-as-aulas-ckxuroygn004z0188p26abw1u.html

Veja a posição das universidades federais gaúchas sobre a proibição do passaporte vacinal na volta às aulas

Ministério da Educação publicou um parecer sobre o tema na quinta-feira (30) proibindo a exigência do esquema vacinal pelas instituições federais

Um dia após o Ministério da Educação proibir que instituições de ensino federais exijam o comprovante da vacinação contra a covid-19 no retorno às atividades presenciais, as universidades gaúchas reagiram à determinação. Na quinta-feira (30), um parecer  sobre o tema foi publicado no Diário Oficial da União, assinado pelo ministro Milton Ribeiro, definindo que "não é possível às instituições federais de ensino o estabelecimento de exigência de vacinação contra a covid-19 como condicionante ao retorno das atividades educacionais presenciais".

Algumas universidades, como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), acataram a decisão por reconhecerem que há um viés de inconstitucionalidade já pontado em nota da consultoria jurídica do MEC ligada à Advocacia-Geral da União (AGU), que se baseia em um entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF). Já outras instituições, entre elas a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), defenderam o exercício de sua autonomia constitucional e emitiram notas com duras críticas ao posicionamento do MEC – as duas universidades reforçam que a vacinação é a principal estratégia para a garantia da segurança sanitária.

A seguir, confira o posicionamento das universidades gaúchas sobre proibição para a exigência do passaporte vacinal a alunos, funcionários e visitantes:

UFRGS

Em seu site, a universidade divulgou a seguinte nota: "Na manhã desta quinta-feira (30), foi publicado, no Diário Oficial da União, o Despacho de 29 de dezembro de 2021, que orienta universidades e institutos federais a seguirem a decisão do Supremo Tribunal Federal de que a exigência de vacinação contra a covid-19 como condicionante para o retorno das atividades educacionais presenciais somente pode ser estabelecida mediante lei federal. Sendo assim, diante da decisão judicial, o despacho consolida o entendimento de que universidades e institutos federais não têm competência legal para estabelecerem tal exigência".

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da UFRGS confirmou que a instituição está "respeitando a decisão do STF" e "neste sentido, a Administração Central, de sua parte, não visualiza o que possa ser comentado ou posicionado além do que já está posto".

UFSM

Em nota publicada em seu site, a universidade reafirmou que "a vacinação é a principal estratégia para a garantia da segurança sanitária" e, por isso, "a UFSM não vê obstáculo na exigência do esquema vacinal à sua comunidade acadêmica".  O texto termina defendendo que "com distanciamento, uso de máscaras e higienização das mãos, objetiva-se um retorno seguro e responsável" e "todas as medidas para proteção da saúde e valorização da vida serão tomadas respeitando a autonomia universitária e a ciência".

A reportagem também procurou a instituição que, pela assessoria de imprensa, confirmou que "a questão será discutida ainda pelo COE-E UFSM e pelo do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE)" e "qualquer decisão será tomada com base em pareceres técnicos e, se assim for definido, a Universidade poderá pedir o comprovante".

UFPel

Já a UFPel, em manifestação publicada em seu site, afirmou que "recebeu com perplexidade" o despacho MEC. Ainda segundo o texto, a "o Conselho Universitário da UFPel (CONSUN) decidiu por unanimidade a exigência de comprovação da vacinação para todos no acesso presencial aos seus espaços. Tal decisão ensejou a emissão da Portaria 2006, de 06 de dezembro de 2021, que regulamenta a exigência do passaporte vacinal na universidade".

A UFPel afirma ainda que "vem atuando de forma destacada no enfrentamento da pandemia da COVID-19 em diversas frentes, reconhecidas nacional e internacionalmente, e não pode se abster de adotar tal medida em ato coerente com o conhecimento científico produzido por sua própria comunidade".

FURG

Em nota, a Universidade Federal do Rio Grande (FURG) afirma que "está estudando as implicações do parecer e do despacho do ministro". O Conselho Universitário da FURG, instância máxima deliberativa da universidade e que zela pela autonomia universitária, há alguns meses decidiu pela exigência do comprovante de vacinação na instituição. Ainda segundo o posicionamento, "por enquanto não há previsão de revisão dessa deliberação".

UFCSPA

A Universidade Federal de Ciências de Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) salientou, em nota, "a defesa da autonomia de cada universidade nesta e em outras questões, pois as instituições têm a capacidade de avaliar as melhores estratégias para proteger a saúde da comunidade, de acordo com os indicadores epidemiológicos locais e evidências científicas".  O texto também esclarece que, hoje, "a imunização é exigida para eventos presenciais, como formaturas realizadas nas dependências da universidade". Já em relação à exigência do comprovante para participação em atividades didáticas no campus, a UFCSPA explica que "o tema ainda será avaliado pelas instâncias decisórias da UFCSPA, como o Conselho Universitário, com o avanço das fases de retorno presencial".

Unipampa

A Universidade Federal do Pampa (Unipampa) manifestou, em nota publicada em seu site, "sua preocupação em relação ao despacho do senhor Ministro da Educação, Milton Ribeiro". O texto ressalta ainda que a Unipampa "considera a liberdade individual um direito fundamental, e sempre é necessário defendê-lo, com exceção de situações em que essa liberdade individual coloca em risco a coletividade, como no caso em questão". Ao fim da manifestação, a universidade fixa posição a favor do passaporte vacinal: "Por isso, estranhamos a não obrigação do passaporte, pois ela proporciona segurança à saúde e ao bem-estar de todos. Portanto, dentro da autonomia universitária, bem como da aceitação pela comunidade, reiteramos a exigência do passaporte vacinal na Unipampa".

31/12/2021 – G1 RS

Link: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/12/31/universidades-do-rs-discutem-comprovante-de-vacina-para-volta-presencial-apesar-de-parecer-do-mec.ghtml

Universidades do RS discutem comprovante de vacina para volta presencial apesar de parecer do MEC

Governo Federal determinou que instituições de ensino não podem exigir a vacinação contra a Covid-19 para o retorno às aulas presenciais.

O último dia de 2021 foi de trabalho para as reitorias das universidades do estado, apesar do recesso. O Ministério da Educação (MEC) determinou que as universidades federais não podem exigir comprovante de vacinação contra a Covid-19 para o retorno às aulas presenciais, mas o ministro do STF Ricardo Lewandowski suspendeu a decisão.

No Rio Grande do Sul, algumas instituições de ensino decidiram que a imunização é obrigatória para que os alunos frequentem as aulas.

 

  • Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) - em definição
  • Universidade Federal de Rio Grande (Furg) - exige comprovante de vacinação
  • Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) - não exige comprovante de vacinação
  • Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) - exige comprovante de vacinação
  • Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) - não exige comprovante de vacinação
  • Universidade Federal do Pampa (Unipampa) - exige comprovante de vacinação

 

Leia abaixo o posicionamento de cada uma das reitorias das universidades.

Segundo o texto, em vez de cobrar o imunizante, as instituições devem aplicar os protocolos sanitários determinados em resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) para evitar o contágio.

O presidente Jair Bolsonaro e seus aliados são contrários ao chamado passaporte da vacina, que é a exigência da vacina para acessos a determinados locais.

Especialistas em saúde, no entanto, entendem que a medida é essencial para estimular a vacinação daqueles que ainda não se vacinaram e, assim, conter a pandemia de Covid, que volta a crescer no mundo todo.

Posicionamentos das reitorias

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

 A ideia é retomar o próximo semestre presencial. A reitoria ainda discute quais serão as medidas de segurança exigidas para a retomada. Existe a possibilidade da exigência do esquema vacinal completo.

"Mas a gente ainda está esperando também um posicionamento do próprio governo do estado, do próprio município, que nos afeta. Mas o nosso entendimento é exigir. Só que a gente não pode esquecer que nós já estamos com a universidade funcionando com aulas práticas acontecendo e nós não estamos exigindo. Claro que, com a volta de todos os nossos alunos, o risco é maior, e aí sim a exigência talvez seja uma das possibilidades".

"Nota da reitoria da UFSM sobre Despacho Ministerial de 29/12/21

A UFSM, desde março de 2020, tem baseado suas decisões na ciência, colaborando com o combate à pandemia da COVID-19. Exercendo a autonomia universitária, suspendeu as atividades presenciais adotando o sistema do Regime de Exercícios Domiciliares Especiais (REDE) para as ações acadêmicas e o trabalho remoto para o setor administrativo. Neste período, campanhas de vacinação, testes RT-PCR e pesquisas nestas temáticas foram fomentadas, entre tantas outras ações.

Com as condições sanitárias favoráveis, o retorno presencial administrativo foi gradual, bem como o acadêmico, em que foram priorizadas as aulas práticas. Estas decisões sempre foram baseadas em pareceres técnicos do Centro de Operações de Emergência em Saúde para Educação - COVID 19 - UFSM (COE-E UFSM), decretos estaduais e em evidências epidemiológicas.

O debate do calendário acadêmico e da possibilidade da presencialidade dos estudantes para o próximo semestres já foi deflagrado na UFSM. Da mesma forma, as decisões serão baseadas em pareceres do COE-E UFSM e do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE).

Reafirmamos que a vacinação é a principal estratégia para a garantia da segurança sanitária e a UFSM não vê obstáculo na exigência do esquema vacinal à sua comunidade acadêmica. Com distanciamento, uso de máscaras e higienização das mãos, objetiva-se um retorno seguro e responsável. Todas as medidas para proteção da saúde e valorização da vida serão tomadas respeitando a autonomia universitária e ciência".

Universidade Federal de Rio Grande (Furg)

Já estava exigindo comprovante de vacinação porque as atividades administrativas estão funcionando em regime alternado de escala. Parte dos servidores está trabalhando de forma remota e outra parte presencial. Todos os dias da semana a universidade está funcionando presencialmente. E algumas atividades práticas dos estudantes que não puderam ser convertidas para o formato remoto estão acontecendo presencialmente. No final de abril, quando vai começar o primeiro semestre de 2022, deve ser presencial.

"É um requisito essencial para trazer a segurança que as atividades presenciais plenas demandam. Então era um assunto que estava totalmente tranquilo até o Ministério da Educação fazer esse movimento. Devia estar discutindo políticas estruturantes para superar os desafios da retomada presencial, que vão ser muitos, da vulnerabilidade socioeconômica dos estudantes, vulnerabilidade psicológica, um conjunto de coisas muito importantes que a gente deveria estar discutindo, para discutir uma coisa que já estava resolvida, completamente resolvida. Então é lamentável realmente", conta Danilo Giroldo, reitor da Furg.

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

Lucia Pellanda, reitora da universidade, disse à RBS TV que "ainda não tínhamos aprovado o passaporte, estávamos em estudo". No entanto, ele acabou não sendo aprovado porque "nosso caso é bem particular".

"Já é obrigatória para todos os que estão em serviços de saúde. E os demais, temos altíssimo índice de vacinação e conscientização. Combinamos que sempre no início das aulas os professores abordem o tema. Mas acreditamos que cada universidade é diferente e deve poder decidir o que é melhor. Exigimos para eventos e estamos avaliando exigir em outras situações, como biblioteca, etc", disse.

"Nota oficial

A UFCSPA realizou um enorme esforço de conscientização da comunidade universitária e da população em geral.

Desta forma, temos uma proporção muito elevada de imunização entre servidores e discentes, inclusive com grande parte tendo se vacinado ainda na fase I, por estar em serviços de saúde trabalhando no enfrentamento da pandemia.

Neste momento, a imunização é exigida para eventos presenciais, como formaturas.

Desde antes da pandemia, é exigida a imunização para os estágios nos serviços de saúde, como por exemplo, hepatite e tétano, entre outras.

Há várias estratégias importantes para aumentar a cobertura vacinal, como campanhas informativas, busca ativa e passaporte vacinal.

O fundamental é que cada universidade tenha autonomia para avaliar as melhores estratégias para proteger a saúde da comunidade, de acordo com os indicadores epidemiológicos locais e evidências científicas.

É importante ressaltar que as universidades também cumprem um papel essencial na produção de evidências científicas que demonstram os benefícios da vacinação."

Universidade Federal de Pelotas (Ufpel)

"Nota oficial

A Gestão Central da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) recebeu com perplexidade o despacho do Ministério da Educação (MEC) publicado nesta quinta-feira, 30 de dezembro de 2021, no Diário Oficial da União.

Esse documento demonstra o entendimento do MEC quanto à impossibilidade de as Instituições Federais de Ensino exigirem a vacinação contra a COVID-19 de sua comunidade como condicionante ao seu retorno às atividades presenciais.

O Conselho Universitário da UFPel (CONSUN) decidiu por unanimidade a exigência de comprovação da vacinação para todos no acesso presencial aos seus espaços. Tal decisão ensejou a emissão da Portaria 2006, de 06 de dezembro de 2021, que regulamenta a exigência do passaporte vacinal em nossa Universidade.

A vacinação contribui para a preservação da saúde da comunidade acadêmica e está comprovada sua máxima importância para o controle da pandemia. Em especial, e de forma indispensável, com o avanço da variante Ômicron no país e a evidente eficácia da vacina no seu enfrentamento.

A UFPel vem atuando de forma destacada no enfrentamento da pandemia da COVID-19 em diversas frentes, reconhecidas nacional e internacionalmente, e não pode se abster de adotar tal medida em ato coerente com o conhecimento científico produzido por sua própria comunidade."

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

"Nota oficial

Na manhã desta quinta-feira (30), foi publicado, no Diário Oficial da União, o Despacho de 29 de dezembro de 2021, que orienta universidades e institutos federais a seguirem a decisão do Supremo Tribunal Federal de que a exigência de vacinação contra a covid-19 como condicionante para o retorno das atividades educacionais presenciais somente pode ser estabelecida mediante lei federal. Sendo assim, diante da decisão judicial, o despacho consolida o entendimento de que universidades e institutos federais não têm competência legal para estabelecerem tal exigência."

Universidade Federal do Pampa (Unipampa)

Desde outubro deste ano, exige passaporte vacinal. A Unipampa está em 10 municípios.

Dentro da autonomia que a universidade tem, ela resolveu suspender as aulas presenciais no dia 12 de março de 2020, antes das outras instituições.

"A gente considera inoportuno com toda essa questão agora da variante, desse momento da pandemia na Europa, então quando vem uma medida dessas nos pegou assim totalmente de surpresa. E dentro da universidade isso aí tem se dado de forma muito tranquila. A comunidade aceitou, não chegou nenhum movimento contrário por que eu acho que todo mundo tem o entendimento, a liberdade individual vai até onde atinge o próximo, onde atinge a coletividade", disse o reitor Roberlaine Ribeiro Jorge.

27/12/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/12/novo-reitor-da-ufsm-quer-desburocratizar-e-modernizar-a-instituicao-ckxpbr7zg00dp0188qyeqaeod.html

Novo reitor da UFSM quer desburocratizar e modernizar a instituição

Luciano Schuch foi nomeado na sexta-feira (24) e ficará à frente da universidade pelos próximos quatro anos

Depois de seis meses de processo eleitoral, o novo reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) foi nomeado na sexta-feira (24). Aos 47 anos, Luciano Schuch assume a gestão até o final de 2024 e tem entre suas principais bandeiras desburocratizar a instituição, fazendo nela uma reforma administrativa, e viabilizar sua modernização, por meio de investimento em tecnologias da informação e da comunicação.

Enquanto docente, a trajetória de Schuch na universidade começou em 2009, como professor do curso de Engenharia Elétrica. Mas sua história na UFSM é bem mais antiga: iniciou ainda na década de 1990, como estudante, e prosseguiu nos anos seguintes, quando cursou Mestrado e Doutorado na mesma área. Nos últimos quatro anos foi vice-reitor, apoiando a gestão de Paulo Burmann.

Não à toa, um dos objetivos do novo reitor é aproximar ainda mais da instituição os moradores das cidades de Santa Maria, Cachoeira do Sul, Palmeira das Missões e Frederico Westphalen, onde a universidade possui campi:

— Queremos que a sociedade enxergue a nossa universidade através dos nossos alunos, fazendo extensão, e através de nossas pesquisas, que geram uma qualidade de vida cada vez maior para a nossa população. É a nossa universidade pensando no futuro da nação brasileira — destaca Schuch.

Schuch assume a gestão da UFSM em um contexto de holofotes para as eleições nas universidades federais. O processo eleitoral envolve, primeiro, uma consulta interna à comunidade acadêmica, que aponta as três chapas mais votadas. O resultado dessa consulta é encaminhado ao Conselho Universitário, que o valida e encaminha os nomes da lista tríplice para o governo federal. Lá, o presidente da República dá a palavra final sobre qual dos três assumirá a reitoria.

Via de regra, o nome mais votado costuma ser respeitado. Em 2020, no entanto, o presidente Jair Bolsonaro escolheu a chapa que ficou em terceiro lugar na lista tríplice para tomar posse na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), gerando indignação em parte da comunidade universitária. O mesmo aconteceu na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em 2021, e na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), em 2019.

Nos processos eleitorais de outras três instituições, no entanto – Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em 2019, e Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em 2021 – os mais votados das listas tríplices foram oficializados como reitores.

No caso da UFSM, Schuch foi, de fato, o escolhido pela comunidade acadêmica. Com mais da metade dos votos na pesquisa de opinião eletrônica da qual participaram docentes, estudantes e técnicos da universidade, o novo reitor venceu também a votação dos Conselhos Universitários e teve sua eleição confirmada pela nomeação, nesta sexta-feira, assinada por Bolsonaro e pelo ministro da Educação, Milton Ribeiro.

Para Schuch, o processo de escolha dos reitores precisa ser rediscutido em nível nacional, por ser conturbado e difícil de entender por parte da sociedade, uma vez que envolve uma série de etapas que, no caso desta eleição, levaram quase seis meses para serem concluídas. Mesmo assim, o reitor comemora o resultado.

— Que bom que a democracia e a autonomia universitária foram respeitadas. Por mais que sempre tenhamos dito que é preciso respeitar a posição do presidente de escolher qualquer um da lista tríplice, lutamos por essa autonomia. A vontade da comunidade tem que ser respeitada, pois isso fortalece muito as instituições — analisa o novo gestor.

Mesmo projeto, novo olhar

Vice-reitor da gestão passada, Schuch afirma que seu projeto é o mesmo de seu antecessor, mas com uma “nova forma de enxergar, um pouco mais dinâmica”. O foco será na relação com a comunidade, por meio de projetos de extensão, em parceria com outras instituições de ensino, e da área de inovação, a fim de desenvolver novas tecnologias para serem usadas pela sociedade.

Os processos administrativos da UFSM já ocorrem exclusivamente de forma digital – não há mais papel circulando dentro da universidade, decisão que visou uma maior sustentabilidade, agilidade e economia. Para os próximos anos, a busca será por mais rapidez também nas decisões, com uma estrutura administrativa menor e menos conselhos a serem consultados.

— Hoje temos quase 900 chefias dentro da universidade. Estamos tentando reduzir um pouco essas estruturas. Ter muitos níveis hierárquicos faz com que uma tramitação precise passar por todos aqueles níveis. Outro ponto é que, muitas vezes, nossos processos precisam tramitar em quatro conselhos. Então, demora quatro meses para aprovar uma resolução, um convênio ou um contrato. Queremos desburocratizar a estrutura e reduzir os carimbos — explica o reitor, salientando que a legislação permite que os processos passem por um único conselho superior.

O debate sobre essa reforma administrativa era parte da campanha da chapa de Schuch e já vem ocorrendo dentro das unidades de ensino e, nesses espaços, os debates devem ser encaminhados nos próximos dias para os conselhos. Já a proposta formal da própria reitoria ainda não está sendo discutida, mas deve ser apresentada no final de janeiro. A intenção do reitor é que a mudança ocorra nos próximos seis meses.

Além da reforma estrutural, a nova reitoria prevê investimento em tecnologias de informação e comunicação – a ideia é, em vez de construir novos prédios e espaços, qualificar os já existentes, dotando-os de laboratórios mais modernos e redes wi-fi mais potentes, para permitir que os pesquisadores consigam desempenhar suas funções.

Outra área que já recebeu investimentos nos últimos anos e deve crescer ainda mais é a de fontes energéticas renováveis. A UFSM tem implementado usinas fotovoltaicas em seus campi e pretende trocar a subestação que alimenta toda a universidade. Além disso, quer avançar no quesito eficiência energética, com a instalação de pontos de iluminação inteligentes, que reduzam a luz em horários de menos movimento, mas identifiquem quando uma pessoa está vindo e, nesse momento, aumentem a iluminação, a fim de dar mais segurança. O entrave, contudo, é a necessidade de recursos para tudo isto.

— Nos últimos dois anos tivemos uma redução de custos, devido à pandemia, e usamos esse dinheiro nessa área. Agora, com a retomada da presencialidade, nosso custo com terceirizados e manutenção aumentará bastante e vai começar a faltar para esses investimentos — alerta Schuch.

O orçamento aprovado pelo Congresso para a UFSM, para 2022, é de R$ 120 milhões – o mesmo de 2019, quando a inflação era bem menor. A aposta do novo reitor, porém, é de que o investimento em eficiência energética e a redução do uso do papel sigam gerando economia, assim como a redução de gastos com alguns serviços terceirizados em áreas como limpeza, segurança e transporte, a fim de o orçamento ser readequado.

25/12/2021 – Yahoo Notícias / Vida e Estilo

Link: https://br.vida-estilo.yahoo.com/e-possivel-um-bebe-prematuro-sobreviver-090019723.html

Bebê mais prematuro do mundo: por que é tão raro (e incrível)?

A chegada do bebê norte-americano Curtis Zy-Keith Means foi bastante incomum. Em julho de 2020, sua mãe, Michelle Butler, deu à luz a ele e à sua irmã gêmea com apenas 21 semanas e um dia de gestação. A menina, que estava menos desenvolvida, infelizmente faleceu no dia seguinte.

Mas Curtis não só sobreviveu como se tornou o bebê mais prematuro do mundo a conseguir se desenvolver fora do útero – feito que garantiu seu lugar na história e nas páginas do Guinness Book.

Ela foi rapidamente transferida de seu hospital local para a Universidade do Alabama em Birmingham (UAB), que é considerada um dos principais departamentos de neonatologia e pediatria do país.

Ela foi rapidamente transferida de seu hospital local para a Universidade do Alabama em Birmingham (UAB), que é considerada um dos principais departamentos de neonatologia e pediatria do país.

Quando entrou em trabalho de parto, a mãe foi transferida do hospital em que estava para a Universidade do Alabama, que tem um dos principais departamentos de neonatologia e pediatria do país. A experiência da equipe, de acordo com seu relato ao Guinness, foi essencial para que seu filho sobrevivesse.

Por que casos como o de Curtis são tão excepcionais

Uma gravidez normalmente dura 40 semanas, o total de 280 dias. Em teoria, Curtis ainda precisaria passar 132 dias no útero. Quando nasceu, ele tinha apenas 420 g – o mesmo que o peso aproximado de uma manga.

"A equipe médica me disse que normalmente não mantêm bebês nessa idade", disse Chelly ao Guinness World Records.

Para a maioria dos bebês nascidos tão cedo, as chances de um futuro são mínimas. Isso por que várias partes do seu corpo ainda não estão desenvolvidas, como explicamos, com a ajuda de especialistas, a seguir:

Pulmões

“Com tão pouco tempo de vida, a musculatura respiratória ainda está muito fraca, quase inexistente, e o bebê não consegue manter oxigenação sozinho. Sem ter o arcabouço ósseo que forma a caixa torácica completamente formada, a hora que ele criar pressão negativa para o ar seja tragado, em vez de expandir, os pulmões podem ser comprimidos”, explica Lucas Fadel, coordenador da UTI Pediátrica e Neonatal da Santa Casa de São José dos Campos.

Cérebro

A pressão arterial, que nos prematuros é muito baixa, ainda é muito maior do que as veias e artérias estão preparadas para suportar. “O risco de rompimento é alto e não é incomum que eles tenham sangramentos ou até hemorragias no cérebro. Uma alteração mínima na pressão arterial, até por mudar esse bebê de posição, pode levá-lo à óbito ou causar sequelas”, aponta Fadel.

Sistema gastrointenstinal

De acordo com Mariana González, professora de Neonatologia da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências de Saúde de Porto Alegre) e membro do Conselho Científico da ONG Prematuridade, por ainda não estar pronto para receber alimentos, o bebê fica sujeito a um longo tempo de alimentação por via venosa, sem a chance de receber o leite materno, alimento de extrema importância por ajudar a construir a imunidade dos recém-nascidos.

Então, por que Curtis sobreviveu?

“Os bebês que têm irmãos gêmeos, como era o caso dele, pelo espaço compartilhado no útero, amadurecem um pouquinho antes do tempo. Isso pode ter contribuído”, avalia González.

Outro fator importante, observa a especialista, foi a experiência da equipe e os recursos do local onde ele nasceu. “Sem dúvidas foram profissionais altamente qualificados e comprometidos, que acreditaram nesse bebê.”

Volta para casa

Para a surpresa e a alegria de todos, Curtis respondeu extraordinariamente bem ao tratamento e, com o passar dos dias e das semanas, ficou cada vez mais forte.

Após 275 dias (cerca de nove meses) sob os cuidados o hospital, Curtis foi para casa em abril de 2021. Ele completou um ano de vida em julho, e após esse primeiro aniversário, foi oficialmente colocado no Guinness Book como o bebê mais prematuro a sobreviver.

24/12/2021 – G1 RS

Link: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/12/24/vacinacao-completa-reduz-em-87percent-risco-de-morte-por-covid-aponta-vigilancia-em-saude-do-rs.ghtml

Vacinação completa reduz em 87% risco de morte por Covid, aponta Vigilância em Saúde do RS

Pesquisa mostra que, entre idosos com a dose de reforço aplicada, risco de morte reduz em 95%.

Uma pesquisa do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS) do Rio Grande do Sul mostra que a vacinação completa contra o coronavírus reduziu em 87% o risco de óbitos pela Covid-19. O estudo cruzou o número de vacinados entre agosto e novembro com os registros de casos de hospitalizações e óbitos pela doença no período.

Em idosos com a dose de reforço, a efetividade da imunização chega a 95%. Já entre adultos menores de 60 anos, a eficácia também é superior a 90%, neste caso com as duas doses.

A epidemiologista Lúcia Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) destaca os resultados e reforça a cautela para este momento da pandemia. Na Capital, já é confirmada a transmissão comunitária da variante ômicron.

"A gente conseguiu uma grande conquista, que as vacinas reduziram muito o número de casos, e agora está vindo uma nova variante. Enquanto não estiver o mundo inteiro vacinado, pode existir esse risco de desenvolver uma nova variante", alerta.

Outro número envolvendo idosos impressiona. A taxa de óbitos dos que receberam todas as doses é 24 vezes menor do que a de pessoas que não se vacinaram. O índice de mortes entre idosos que não tomaram nenhuma dose é de 4,16 mortes a cada 100 mil pessoas por dia. Já entre os que receberam até o reforço, o número é de 0,17 óbitos a cada 100 mil pessoas por dia.

Até o dia 9 de dezembro, quando o vacinômetro da Secretaria Estadual da Saúde foi atualizado pela última vez, o Rio Grande do Sul somava 77,6% da população com uma dose aplicada e 69,7% com as duas doses ou a dose única. O reforço já havia chegado a 11,9% dos moradores do estado.

22/12/2021 – Matinal Jornalismo /  Roger Lerina

Link: https://www.matinaljornalismo.com.br/rogerlerina/notas/coral-virtual-ufcspa-canta-folia-do-divino-de-marcelo-delacroix/

Coral Virtual UFCSPA canta “Folia do Divino” de Marcelo Delacroix

Concerto América Latina, do Coral Virtual UFCSPA, lança seu quinto vídeo, desta vez com música brasileira. Na nova apresentação, disponível no YouTube do Coral UFCSPA, o grupo canta Folia do Divino, composta por Marcelo Delacroix e Rubem Penz, com o arranjo do regente Marcelo Rabello dos Santos. A canção interpretada por 45 vozes, conta com participantes de oito cidades gaúchas e uma do exterior.

Folia do Divino é uma manifestação folclórica e cultural tradicional brasileira. Delacroix conta que musicou a letra de Rubem Penz inspirado em lembranças de cortejos de Terno de Reis em Maquiné/RS, conduzidos pelo Mestre Renato, músico, construtor de viola e rabeca.

A canção integra Tresavento, último álbum de Marcelo Delacroix, lançado em 2020 e indicado ao Grammy Latino na categoria Melhor álbum de cantor e compositor. O cantor, compositor e educador musical possui cinco discos gravados e dois Prêmios Açorianos de Música. Ao longo de 2021 o Concerto América Latina apresentou as canções Tu voz, mi voz (Uruguai), Todos Juntos (Chile), Mariposa Teckincolor (Argentina) e El Pescador (Colômbia). Todas as canções podem ser assistidas no YouTube do Coral UFCSPA.

21/12/2021 – G1

Link: https://g1.globo.com/saude/coronavirus/vacinas/noticia/2021/12/21/um-ano-depois-do-1o-vacinado-quais-as-licoes-sobre-eficacia-imunidade-e-vencedores-da-corrida-das-vacinas.ghtml

Um ano depois do 1º vacinado, quais as lições sobre eficácia, imunidade e 'vencedores' da corrida das vacinas?

Imunidade de rebanho em 70%? Eficácia das vacinas contra a ômicron? Veja o que dizem os especialistas.

Há pouco mais de um ano no mundo – e um pouco menos de um ano no Brasil – as primeiras doses das vacinas contra a Covid-19 eram aplicadas. O fantasma da pandemia ainda existe e não se sabe se um dia ele irá sumir, mas, o que já é possível afirmar sobre a imunização contra coronavírus? Onde a ciência evoluiu e aonde ela chegou?

Um ano depois...

...quais países ficaram à margem da corrida da vacinação e quais conseguiram alcançar as maiores taxas?

A imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, afirma já existem vencedores da tal "corrida da vacina":

"Está claro que quem ganhou que foram os países que investiram em ciência e tecnologia. As vacinas vieram da Europa e dos Estados Unidos”. A especialista avalia que "vivemos um grande problema mundial", mas que não é tratado como tal.

Etiópia, Tanzânia e Nigéria vacinaram apenas menos 2% de sua população com o esquema completo – com uma dose, menos de 10%. Ou seja: mais de 90% das pessoas não estão nem parcialmente protegidas.

Cientistas entrevistados pelo g1 avaliam que a disseminação do coronavírus em países por falta de acesso aos imunizantes, excluídos socialmente do planeta, continuará a gerar novas variantes. O caso mais recente, da ômicron, foi detectado na África do Sul, país com 25% dos cidadãos imunizados.

...a eficácia apontada nos estudos foi confirmada na efetividade?

Jorge Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração, explica que eficácia e efetividade são conceitos diferentes: "quando você fala nos estudos clínicos, se chama eficácia. Quando você vê o desempenho da vacina na população em geral, isso se chama efetividade".

As eficácias das vacinas são diferentes: vacinas de RNA mensageiro e vetor viral são as mais eficazes, enquanto vacinas de vírus inativado tendem a ser menos. No entanto, todas elas se provaram importantes para evitar hospitalizações e mortes.

Sobre a efetividade, Kalil explica que, no começo, era "muito boa": "algumas pessoas tinham recém se vacinado e a cepa que estava circulando ainda era a de Wuhan. Aí, de repente, começaram a circular novas variantes e a efetividade das vacinas caiu".

Entre as lições aprendidas em relação à duração da proteção das vacinas, segundo Renato Kfouri, infectologista e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), foi a de que as vacinas para vírus respiratórios não têm uma longa duração de proteção.

"A proteção se perde com o passar do tempo. Se perde mais rapidamente quanto mais idade tem o indivíduo, se perde a depender das vacinas. Vacinas inativadas são as primeiras a perder proteção, como no caso da CoronaVac. E se perde também em relação ao desfecho. Primeiro você perde proteção contra as formas mais leves, depois as moderadas. A proteção para as formas graves é preservada por mais tempo", disse Kfouri.

Quais os principais eventos adversos e qual o impacto deles entre os vacinados? Estão superados?

Segundo Kalil, "os eventos adversos são raros e muito leves". Mesmo após a aprovação e a aplicação das vacinas, poucos foram os casos de efeitos colaterais comprovados relacionados às vacinas contra a Covid.

Entre as situações que mais repercutiram no Brasil, está a morte de uma gestante após receber uma dose e desenvolver trombose. O caso, bastante raro, chegou a levar a uma suspensão da aplicação da vacina da AstraZeneca no grupo. No entanto, um estudo demonstrou que grávidas e puérperas que desenvolvem um quadro grave de Covid-19 e não receberam a vacina têm cinco vezes mais chances de morrer em relação às que, mesmo graves, foram imunizadas com duas doses.

"As pessoas precisam entender que os efeitos colaterais possíveis são nada em comparação com os que existem com a doença", argumenta. "A doença por si só é grave, pode levar à morte, tem o pós-Covid que é complicado, leva à perda de memória, pode ter problema cardíaco, uma série de coisas".

De acordo com Kalil, e também outros entrevistados pelo g1, a chance de desenvolver um evento grave após a vacina se comprovou bastante rara e, portanto, o risco/benefício dos imunizantes contra a Covid-19 se mostrou inquestionável no último ano.

Qual a vacina que se mostrou mais efetiva contra o coronavírus?

As vacinas de RNA mensageiro, como a da Pfizer, demonstraram ter uma taxa de efetividade mais alta, segundo Bonorino e Kalil.

No Brasil, temos vacinas de diferentes tecnologias: Pfizer, de RNA mensageiro; AstraZeneca e Janssen, de vetor viral; e CoronaVac, de vírus inativado.

Já existe alguma indicação de qual seria o percentual da imunidade de rebanho pela vacinação?

Com base em estudos em outras epidemias virais, especialistas chegaram a opinar inicialmente que 60% ou 70% da população com o esquema vacinal completo poderia garantir a imunidade de rebanho — quando a taxa de proteção do grupo influencia na redução da transmissão do vírus. No entanto, com o tempo, a taxa prevista passou a ser de 100%.

"A gente aprendeu que imunidade de rebanho não é possível de se obter. Até hoje vemos gente falando em porcentagem, mas não é possível estipular. Primeiro que é um vírus zoonótico, não acomete só em seres humanos, acomete também em animais. Você não consegue controlar, erradicar e eliminar a transmissão", explica Kfouri.

“É um vírus que tem mutações, as variantes surgem e escapam da infecção prévia. Quem já teve a infecção, a imunidade não perdura. Pode escapar até das vacinas. É também uma doença que permite reinfecção, diferente de sarampo, catapora, caxumba, rubéola, que você tem uma vez na vida".

O que já se sabe sobre campanhas futuras? Devemos tomar todos os anos?

De acordo com os entrevistados pelo g1, esta é uma informação que ainda não foi confirmada. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem um grupo que estuda a possibilidade. Entretanto, o foco da entidade é vacinar toda a população mundial.

Para Kfouri, a vacinação no futuro vai depender do momento da pandemia.

"No período pós-pandêmico, não há sentido em ficar vacinando toda a população. Teremos, provavelmente, uma vacinação de grupos vulneráveis, algo semelhante com o que a gente faz na gripe. Até lá [o período pós-pandêmico], precisaremos manter altas taxas de proteção", explica Kfouri.

O gerente-geral de medicamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gustavo Mendes, disse que segue acompanhando dados sobre a vacinação, mas ainda não existe uma resposta definitiva para a pergunta.

"O que vai trazer essa resposta para a gente é esse acompanhamento da capacidade neutralizante, dos anticorpos neutralizantes, e do número de casos que vão surgindo na população ao longo do tempo".

...o que o enfrentamento de outras variantes (sobretudo a delta) indica sobre como as vacinas se sairão contra a ômicron?

Segundo a OMS, as evidências sugerem um pequeno declínio na eficácia das vacinas contra casos graves e morte por Covid-19 e um declínio na prevenção de doenças leves ou infecções. Especialistas dizem, no entanto, que ainda é cedo para avaliar o real efeito dos imunizantes no mercado contra a nova versão do vírus.

Em nota divulgada no dia 8 de dezembro, a Pfizer e a BioNTech informaram que estudos preliminares demonstram que 3 doses de sua vacina contra a Covid-19 neutralizam a variante ômicron.

Já a Universidade de Oxford disse em 30 de novembro que não há evidências de que as vacinas contra o coronavírus não prevenirão doenças graves da ômicron, mas acrescentou que está pronta para desenvolver rapidamente uma versão atualizada com a AstraZeneca, caso necessário.

A Janssen – braço farmacêutico do grupo Johnson&Johnson – disse que está avaliando a eficácia do seu imunizante ao mesmo tempo em que desenvolve uma vacina específica para a variante.

"Começamos a trabalhar para projetar e desenvolver uma nova vacina contra a ômicron e vamos progredir rapidamente em estudos clínicos, se necessário", disse Mathai Mammen, chefe global de pesquisa da unidade farmacêutica da J&J.

Por último, no dia 7 de dezembro, a Sinovac, laboratório chinês que desenvolveu a CoronaVac, anunciou que está desenvolvendo uma versão da CoronaVac adaptada à variante ômicron. A expectativa é a de que a atualização do imunizante fique pronta em três meses – até fevereiro de 2022.

19/12/2021 – Revista Medicina S/A

Link: https://medicinasa.com.br/criancas-covid/

Crianças têm resposta imune diferenciada para SARS-CoV-2

Crianças infectadas pelo vírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19, costumam apresentar uma forma mais leve da doença quando comparadas aos adultos, e a mortalidade de crianças pela doença é menos frequente, segundo o infectologista pediátrico do PROADI-SUS e do Hospital Moinhos de Vento, Marcelo Comerlato Scotta.

No estudo “Pediatric COVID-19 patients in South Brazil show abundant viral mRNA and strong specific antiviral responses“, que será publicado na Nature Communications, revista científica de alto impacto, os pesquisadores demonstraram que, apesar de apresentarem títulos virais semelhantes aos dos adultos, as crianças apresentam uma resposta imune diferencial.

A pesquisa faz parte do Estudo COVIDa, projeto realizado pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), numa parceria com o Ministério da Saúde e os Laboratórios de Imunoterapia e Imunovirologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento. A iniciativa foi criada com o objetivo de gerar dados sobre o comportamento do vírus e avaliar resposta imune contra o novo coronavírus.

A próxima etapa, que já está em andamento, avalia a memória imunológica desenvolvida pelas crianças após a infecção, estudando o período de 3 a 6 meses depois; por quanto tempo ficam protegidos; e quais as diferenças e semelhanças da resposta de memória nas crianças e adultos com o passar do tempo.

Dados obtidos

Foram analisadas amostras de 91 pacientes diagnosticados com Covid-19, representando grupos de crianças; adultos com doença leve; e adultos com doença grave. As crianças, todas com sintomas leves, apresentaram respostas específicas robustas contra o vírus, tanto de anticorpos como de células T, com diferenças importantes no tipo de células responsáveis pela resposta antiviral. O nível geral de resposta não é diferente dos adultos, mas a qualidade de resposta observada é o grande achado do estudo. Esses achados contribuem com o melhor entendimento sobre a resposta contra o vírus e podem auxiliar em estratégias de enfrentamento da pandemia, como desenvolvimento de vacinas.

O estudo tem impacto internacional, porque contribui para desvendar os mecanismos da resposta imune em crianças infectadas por Covid-19, que é diferente do que se observa em adultos.

O responsável técnico pelo Estudo COVIDa no Hospital Moinhos de Vento, Renato T. Stein, explica que o estudo contempla uma série de análises que ajudarão também a traçar um panorama aprofundado do comportamento do vírus SARS-CoV-2 em populações com diferentes níveis socioeconômicos. “Iniciamos a coleta de amostras em maio de 2020, praticamente no início da pandemia, levando em conta diversas particularidades, desde níveis socioeconômicos, faixas etárias e até mesmo padrões genéticos que podem influenciar no comportamento do vírus. Várias análises ainda estão em andamento, no entanto, é inegável a relevância de uma pesquisa desse porte sendo feita durante a pandemia no Brasil. A partir dos resultados iniciais que mostram um evidente padrão de resposta diferenciada entre adultos e crianças, começam a surgir propostas de intervenções e medicações ajustadas para esses grupos etários”.

A análise das amostras foi conduzida na UFCSPA, nos laboratórios de Imunoterapia, liderado pela Cristina Bonorino, e Imunovirologia, liderado pelo Luiz Rodrigues. A especialista comenta sobre a importância da iniciativa. “O estudo é um dos poucos que analisa em detalhe a imunidade em crianças com Covid-19, abordando a resposta de anticorpos e de células imunes à infecção natural pelo SARS-CoV-2. O Estudo COVIDa também traz dados detalhados sobre a imunidade de adultos, cruciais para o mapeamento da imunidade da população brasileira atingida pelo vírus, dada a escassez de dados nessa área” .

O Superintendente de Responsabilidade Social do Hospital Moinhos de Vento, Luis Eduardo Mariath, destaca que a parceria com o Ministério da Saúde por meio do PROADI-SUS está alinhada aos objetivos da organização.

“Estamos fomentando ciência e geração de conhecimento com importante retorno à comunidade. Em um momento extremamente desafiador, unimos esforços, reforçando o nosso compromisso de gerar mudanças positivas e entregar conhecimento para a sociedade”.

19/12/2021 – Jornal O Sul

Link: https://www.osul.com.br/brasil-corre-risco-de-sofrer-novo-surto-de-covid-veja-em-5-pontos/

Brasil corre risco de sofrer novo surto de Covid? Veja em 5 pontos

O Brasil corre risco de sofrer uma nova alta nos casos de Covid-19? Segundo especialistas, apesar da melhora na quantidade de casos e mortes no País, sim.

Eles apontam que, além do risco trazido pelas festas de fim de ano, há um cenário de incerteza por causa da variante ômicron, da cobertura vacinal e das medidas de saúde pública.

Aqui, você vai entender, em 5 motivos, por que a situação da pandemia no Brasil – e no mundo – ainda é incerta:

Novas variantes

O surgimento da ômicron – variante identificada no fim de novembro na África do Sul, mas que já circulava antes na Europa e já foi detectada no Brasil – acrescentou mais incerteza sobre o futuro da pandemia, mesmo em países que já atingiram uma alta cobertura vacinal.

Isso porque, entre outros pontos, ainda não se sabe tudo sobre a capacidade da ômicron de driblar a proteção vacinal. Um estudo feito na própria África do Sul apontou uma queda na capacidade da vacina da Pfizer, por exemplo, de proteger contra internação em casos de Covid causados pela variante. Mesmo assim, o nível de proteção ficou em 70%.

“É esse o grande desafio, a grande questão, um certo temor de quem trabalha com isso: que surjam variantes que não obedeçam à proteção vacinal, ou seja, escapem à proteção vacinal. Ou seja, [se isso acontecer], teria que readaptar as vacinas para essa nova vertente, o que evidentemente gera muito tempo”, pondera Maurício Barreto, coordenador do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs) da Fiocruz Bahia e professor emérito da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Também há indícios de que a ômicron se transmita com mais facilidade do que as outras variantes.

“É uma variante nova ainda, pouco conhecida, mas que vem gerando ondas de preocupação nos responsáveis”, completa Maurício Barreto.

Para Jarbas Barbosa, médico e epidemiologista brasileiro diretor-assistente da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), a ômicron ainda é uma incógnita.

“Nós tivemos variantes que ficaram mais contidas, como a própria variante anterior que foi identificada na África do Sul [a beta]. E tivemos variantes que se espalharam rapidamente, como a delta. A ômicron ainda é uma incógnita. Então eu diria que é cedo para fazer qualquer afirmação, otimista ou pessimista, sobre isso”, diz.

Cobertura vacinal incompleta

A vacinação vem avançando rapidamente no Brasil – até o dia 16 de dezembro, cerca de 66% da população estava totalmente vacinada – mas os índices ainda são desiguais e crescem com velocidades diferentes entre os Estados.

Enquanto o Estado de São Paulo, por exemplo, tem quase 78% da população com duas doses de vacina (índice mais alto do País), o Amapá só tem 39,14% dos moradores totalmente imunizados – índice semelhante ao de Roraima (39,68%), os mais baixos do Brasil. O Maranhão e o Acre também ainda não alcançaram 50% de cobertura vacinal com duas doses.

Até os índices de primeira dose estão baixos em alguns Estados: em Roraima, por exemplo, só 55% da população recebeu alguma dose de vacina, o menor percentual do País. Em São Paulo, o índice é de 82%, o maior.

Jarbas Barbosa, da Opas, explica que, diferente do que se achava até o ano passado, será necessário atingir 100% de cobertura vacinal contra a Covid-19. Antes, acreditava-se que chegar a um determinado percentual de cobertura – como 70% – já garantiria a imunidade coletiva, ou imunidade de rebanho.

“Isso já caiu por terra. Nós não temos nenhuma evidência ainda que isso [imunidade coletiva] ocorra com a Covid-19. Esse fenômeno da imunidade de rebanho é bem conhecido para doenças como o sarampo – mas a vacina do sarampo impede a transmissão. A vacina da Covid não impede transmissão”, esclarece.

“Por isso que é importante continuar vacinando, é importante manter as medidas de saúde pública e a vigilância – ampliar testagem, fazer mais sequenciamento genético, ou seja, ter essas medidas de proteção”, conclui Barbosa.

O fato de as vacinas contra a Covid terem proteção menor contra a infecção do que contra quadros graves é outro motivo de risco de um novo surto da doença – ainda que com menos casos graves do que nas “ondas” anteriores, aponta Maurício Barreto, da Fiocruz Bahia.

“Se você perguntar: ‘pode ter um surto?’ Pode. Agora, pode ter tantas formas severas como antes? Eu acredito que não. Mesmo que tenha um surto, nós vamos estar mais protegidos contra formas severas, tendo em vista que parte da população brasileira já tem vacinação, duas doses, e uma parte já está, inclusive, recebendo a terceira dose, principalmente os mais idosos. Isso forma uma cadeia de proteção contra a doença, as formas severas”, explica.

Essa queda na proteção contra infecção foi vista com ainda mais força contra a variante ômicron, por exemplo, lembra Jarbas Barbosa, da Opas.

“Pessoas vacinadas, elas se protegem, elas diminuem muito o risco de ter uma forma grave ou morrer pela pela Covid. Elas reduzem a possibilidade de transmitir, mas elas ainda transmitem [a doença]. Com a variante ômicron, nós temos um cenário com mais essa incerteza”, avalia.

Existe, ainda, a dúvida sobre quanto tempo dura a imunidade induzida pelas vacinas – daí veio, por exemplo, a necessidade da dose de reforço.

“A imunidade dada pela CoronaVac e pela vacina produzida pela Sinopharm começam a declinar depois de 6 meses, isso também já é um fato. Então você teria que revacinar, ou seja, não é um fato dado que quem vacinou 80% [da população] agora, tranquilo, acabou a pandemia, abre tudo. Isso não é verdade. As evidências que a gente tem não falam para isso”, pontua Barbosa.

O especialista resume os desafios pela frente: é necessário completar as duas doses da vacina, dar a terceira dose quando há recomendação e monitorar o comportamento da variante ômicron frente às vacinas que temos hoje.

Medidas de saúde pública e as festas de fim de ano

O fator “festas de fim de ano”, assim como a chegada das férias de verão e o carnaval, também trazem riscos de novos surtos, apontam os especialistas, por causa das aglomerações. Mais de 100 cidades brasileiras já cancelaram as festas de Ano Novo e ao menos 70 não terão carnaval.

“Este é um risco. Por exemplo, cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, que atraem muitas pessoas de outros locais onde não tem uma cobertura vacinal tão elevada, têm a probabilidade de atrair também pessoas não vacinadas”, aponta o médico Airton Stein, professor e epidemiologista na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

“Este período de maior circulação de pessoas do próprio País e de outras regiões do mundo podem desencadear surtos de novos casos. Se não controlados imediatamente pelo serviço de vigilância epidemiológica de cada cidade, podem desencadear um aumento de novos casos de Covid-19. Também é importante fazer uma vigilância genômica para identificar qual o tipo de mutação que está circulando na região”, acrescenta.

Maurício Barreto, da Fiocruz Bahia, faz observações semelhantes.

“Pensando no ponto de vista estritamente da transmissão do vírus, grandes eventos são reais possibilidades de reativação e de propagação rápida do vírus e de introdução de novas formas. O carnaval em Salvador, o carnaval em Recife, atraem pessoas do Brasil inteiro – do mundo inteiro, inclusive. Você tem turistas internacionais que vêm pra cá”, pondera.

“Então vão ser momentos de alto nível de exposição, em que a população se adensa muito. O carnaval é uma coisa muito junta, muito massiva, de pessoas muito próximas, durante horas. São possibilidades reais de circulação e de introdução e reintrodução de variantes novas. Eu acho que é um momento de incertezas”, avalia.

Existe, ainda, a dúvida sobre o futuro da obrigatoriedade do uso das máscaras e da adesão por parte da população.

O governo de São Paulo, por exemplo, havia anunciado a liberação do uso de máscaras ao ar livre a partir do dia 11 de dezembro. Diante do surgimento de casos da ômicron no estado, entretanto, o governo recuou da decisão.

O médico epidemiologista Bernardo Lessa Horta, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul, lembra que, se as pessoas passam a se expor mais porque estão vacinadas, o risco de se infectarem aumenta – apesar da redução trazida pela vacina.

“A vacina resolve o caso grave, mas ela não barra totalmente a transmissão da doença. Se eu digo [que] a vacina tem uma eficácia de 80%, 90%, o que quer dizer isso? [Quer dizer que] ela reduz em 80% a tua probabilidade individual de adoecer. Agora, se, por ter sido vacinada, tu passa a te expor mais, a tua probabilidade de adoecer aumenta. Então talvez o ganho que tu vai ter por ter sido vacinada é muito menor”, diz.

“Agora, se tu mantém mais ou menos o teu comportamento anterior, medidas de proteção – usa máscara, anda com álcool gel, evita grandes aglomerações – tá mantendo o teu nível [de exposição] baixo. Tirando os 80%, tá reduzindo um monte a chance de adoecer. É fundamental se vacinar, é fundamental continuar usando máscara, continuar usando álcool gel, álcool 70, e evitar aglomerações – essas são as coisas básicas”, reforça.

Tendências nos Estados

Para Airton Stein, da UFCSPA, a melhor forma de analisar a situação de cada região é o número de casos novos e se está ocorrendo maior tendência de aumento.

“No entanto, ainda está ocorrendo [um] número de casos novos e há uma diminuição de realização de testes diagnósticos em sintomáticos respiratórios. Portanto, este é o principal alerta à população”, adverte Stein.

Ele reforça que “há necessidade de verificar a curva epidêmica em cada região do país e verificar a tendência de novos casos (incidência)”, pois essas informações “é que devem definir as políticas locais de saúde em relação ao uso de máscara em ambientes abertos.

Segundo o boletim epidemiológico mais recente da Fiocruz sobre casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no país, o InfoGripe, já existe uma tendência de aumento de em vários Estados brasileiros.

Quase todos os casos (99%) de SRAG no Brasil hoje são causados pela Covid-19. No entanto, por causa do surto recente de gripe (vírus Influenza) que vem ocorrendo no País e do ataque que o Ministério da Saúde diz ter sofrido em seus sistemas, o InfoGripe afirmou, em nota, não poder dizer, com certeza, que esse aumento é por causa da Covid e não da gripe, que também pode levar a quadros de SRAG.

Influenza ou Covid-19?

De acordo com a fundação, até a semana que terminou em 4 de dezembro, 12 das 27 unidades federativas tinham mostrado tendência de crescimento nos casos de SRAG nas seis semanas anteriores: Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia e São Paulo.

No boletim, a Fiocruz diz que, apesar de o crescimento ser lento, ele é sustentado – e recomenda uma “reavaliação das medidas de prevenção da transmissão de vírus respiratórios, especialmente em relação aos eventos de final de ano para evitar agravamento do cenário epidemiológico”.

17/12/2021 – Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão do Rio Grande do Sul

Link: https://planejamento.rs.gov.br/palestra-sobre-engajamento-no-trabalho-marca-ultimo-forum-de-gestao-de-pessoas-de-2021

Palestra sobre engajamento no trabalho marca último Fórum de Gestão de Pessoas de 2021

Entrando no clima do engajamento foi o tema da palestra da psicóloga Ana Cláudia Souza Vazquez nesta sexta-feira (17/12), durante o 28º Fórum de Gestão de Pessoas do RS. Professora e pró-reitora de Gestão com Pessoas na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Ana Cláudia afirmou que a percepção do clima positivo é principalmente gerada pela relação com a liderança e a equipe.

O engajamento no trabalho “é um estado mental positivo e disposicional de elevado prazer e realização profissional que a pessoa sente com o que produz”, definiu a psicóloga e mestre em Saúde Coletiva. Ela destacou o papel da chefia imediata, como liderança que inspire, encoraje, conecte e elogie/incentive os colaboradores. Os recursos do trabalho e pessoais, acrescentou, são fundamentais para manter a energia, a motivação e o bem-estar, influenciando na saúde e no desempenho.

Na abertura do fórum, foi exibido um vídeo publicitário do governo estadual, seguindo-se gravação de um depoimento do governador Eduardo Leite. Em sua fala, Leite destacou a prioridade dada à Gestão de Pessoas durante a atual administração, em que houve a elevação da área a um patamar estratégico. Na sequência, como já é tradição, houve um retorno sobre a edição anterior, seguindo-se exposições sobre as atividades realizadas no ano de 2021 e planejamento para 2022, bem como pesquisa sobre Clima e Engajamento, entre outros.

Transmitida online pela manhã, a edição desta sexta-feira foi a última de 2021. Com periodicidade mensal, os fóruns são organizados pela Subsecretaria de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), com apoio da Escola de Governo (Egov).O objetivo é compartilhar informações e experiências que permitam a padronização dos procedimentos internos entre todos os setores de RHs do governo estadual.

17/12/2021 – GZH e Diário Gaúcho

Link GZH: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/12/vacina-contra-covid-19-e-importante-e-segura-para-criancas-destacam-especialistas-em-saude-ckxagivma002r0188raq5914l.html
 Link Diário Gaúcho: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/12/vacina-contra-covid-19-e-importante-e-segura-para-criancas-destacam-especialistas-em-saude-23205221.html

Vacina contra covid-19 é importante e segura para crianças, destacam especialistas em saúde

Médicos infectologistas e imunologista afirmam ainda que estudos clínicos não comprovaram reações graves ao imunizante da Pfizer. Presidente Jair Bolsonaro criticou decisão da Anvisa

As mais recentes declarações do presidente Jair Bolsonaro (PL), levantando dúvidas sobre a segurança do imunizante da Pfizer em crianças de cinco a 11 anos, foram repudiadas por especialistas em saúde e em vacinas. A segurança na aplicação nos menores foi destacada como importante para pais protegerem seus filhos contra a covid-19 e ajudarem no controle da pandemia.

Bolsonaro afirmou que pediu a divulgação do nome dos técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) responsáveis por aprovar a liberação do imunizante para crianças; falou que "estudará" se vacinará a filha; e citou declarações de técnicos da agência sobre efeitos colaterais, como febre, para alegar que o produto pode trazer riscos a ponto de convencer pais a não levarem os filhos ao posto de saúde.

A Anvisa não é a primeira agência reguladora a liberar o produto para crianças de cinco a 11 anos. Também o fizeram União Europeia e Estados Unidos – cujas agências reguladoras são referência para o mundo –, além de nações como Colômbia, Uruguai, entre outros.

Para liberar a vacina da Pfizer para crianças, a Anvisa consultou diferentes associações da área da saúde, como as sociedades brasileiras de Infectologia, Imunologia, Pediatria, de Pneumologia e Tisiologia, e de Saúde Coletiva.

Todas reuniram alguns dos maiores especialistas do país para analisar os efeitos da vacina da Pfizer e emitir pareceres à agência reguladora. A imunologista Cristina Bonorino, professora na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), afirmou, em parecer emitido à Anvisa representando a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), que a vacina é recomendada para crianças e que os benefícios superam os riscos.

— A gente não mede adequadamente o número de infecções em crianças, a maioria é assintomática, por isso, o número de crianças infectadas é subestimado, e provavelmente essas crianças se infectaram múltiplas vezes com diferentes variantes – destacou.

– Sabemos pelos dados do nosso grupo (de pesquisa) que as crianças se infectam, têm altos títulos virais e contribuem provavelmente muito para a transmissão do vírus. Isso precisa ser interrompido para a gente impedir o surgimento de novas variantes. Os efeitos adversos não são muito diferentes do visto pelos adultos. No caso da miocardite associada a algumas vacinas, há estudos mostrando que em pessoas de 16 anos ou mais, o risco é estimado em 0,001%, e mesmo assim a maioria dos casos não é grave — esclareceu Bonorino.

O médico Fabiano Ramos, chefe do setor de Infectologia do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e coordenador do estudo da CoronaVac na instituição, esclarece que febre é uma reação possível para qualquer vacina.

— Algumas vacinas, como qualquer medicação, podem trazer efeitos colaterais. No estudo, isso foi extremamente raro. Tem a questão da miocardite, mas dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, órgão dos Estados Unidos) e de acompanhamento de vida real mostraram que o risco é muito baixo, muito menor do que a própria doença pode causar — esclarece.

O CDC explica, em sua página online, que, em estudos clínicos (com pessoas), os efeitos colaterais das vacinas “foram amenos e similares aos de adultos e ao de outras vacinas recomendadas a crianças”.  A instituição cita que o efeito mais comum foi dor no braço e que efeitos semelhantes vão embora após alguns dias. Acrescenta que algumas crianças não têm nenhum efeito colateral e reações alérgicas graves são raras.

“Nos estudos clínicos conduzidos com milhares de crianças, nenhuma grande preocupação foi identificada após a aplicação. Efeitos colaterais foram amenos e não tiveram efeitos duradouros”, segue o CDC. “Vacinar o seu filho de cinco anos ou mais o protege de pegar covid-19. Também o protege da doença grave, hospitalização e de desenvolver complicações a longo prazo se ele pegar covid-19”, afirma o órgão, referência no mundo.

O médico infectologista Alexandre Zavascki, chefe do setor de Infectologia do Hospital Moinhos de Vento, médico no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tranquiliza que vacinar crianças “é muito seguro”.

— Os estudos com crianças abaixo de 11 anos mostram que elas tiveram praticamente nada de efeito adverso. E um ponto favorável é que elas têm resposta imunológica muito boa a duas doses de vacina, inclusive a CoronaVac, que poderia e deveria ser usada para esse grupo. Ao longo dos últimos dois anos, tivemos uma profusão muito rápida de informações, então, você tinha muita informação preliminar sendo liberada. No começo, se achava que criança não transmitia. Isso colou nas pessoas. Mas, pela metade do ano, já víamos que não era bem assim. Agora, na metade do ano, já sabemos que criança é vetor. Vimos muitos casos de crianças que passaram para seus avós, que não tiveram um bom desfecho. Crianças são importantes para o controle da epidemia. Além de ser proteção para elas, porque há covid longa em crianças — diz Zavascki.

Até o fim de novembro, 1.412 casos de síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica foram registrados no Brasil, dos quais 85 resultaram em óbito, segundo o mais recente boletim epidemiológica do Ministério da Saúde sobre o tema. A doença causa cansaço, febre alta e persistente, manchas vermelhas no corpo, conjuntivite, lábios rachados, dor no abdômen, diarreia, dor de barriga, vômito e erupções cutâneas – não necessariamente há problemas respiratórios.

13/12/2021 – Jornal de Piracicaba

Link: https://www.jornaldepiracicaba.com.br/omicron-e-vacinas-o-que-se-sabe-ate-agora-sobre-a-nova-variante/

Ômicron e vacinas: o que se sabe até agora sobre a nova variante

Estudos, ainda preliminares, mostram que a nova cepa pode escapar parcialmente de uma primeira barreira de proteção oferecida pelos imunizantes.

Ao mesmo tempo que a variante Ômicron do coronavírus avança pelo mundo, pesquisas tentam medir o quanto as vacinas usadas até agora são capazes de proteger a população. Os estudos, ainda preliminares, mostram que a nova cepa pode escapar parcialmente de uma primeira barreira de proteção oferecida pelos imunizantes. E sugerem um caminho: doses de reforço.

Considerada uma variante de preocupação pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a Ômicron foi identificada na África do Sul em 24 de novembro. Até esta quarta-feira, já estava em 57 países, incluindo o Brasil. O temor tem relação não só com o número de mutações, mas com a localização dessas variações dentro do vírus. Das 50 alterações genéticas na cepa, 32 estão na proteína spike, aquela que permite a entrada do vírus nas células humanas. Grande parte das vacinas usa a proteína spike para induzir a resposta imune – por isso, alterações nessa parte do vírus preocupam tanto.

As primeiras pesquisas para testar o impacto da variante na proteção das vacinas ainda são preliminares, não foram revisadas por outros cientistas e coletaram poucos dados. Esses estudos são realizados em laboratório: cientistas analisam a interação entre amostras de sangue de vacinados (com anticorpos) e a nova variante. As primeiras conclusões são de que há queda na capacidade da vacina de produzir anticorpos que neutralizam a Ômicron – o que os cientistas já esperavam.

Segundo uma pesquisa realizada na África do Sul com 12 pessoas, houve declínio de 41 vezes nos níveis de anticorpos neutralizantes contra a nova variante em vacinados com a Pfizer. O estudo, do Instituto de Pesquisa em Saúde de Durban, também apontou que a proteção parece ser maior entre os que já tinham se infectado antes de tomar a vacina. Para Alex Sigal, virologista que conduziu o estudo, os dados trazem boas notícias, apesar de ser preocupante a queda de anticorpos. Ele temia que as vacinas pudessem não fornecer proteção contra a variante. Havia o risco de que a Ômicron tivesse encontrado uma nova “porta” para entrar nas células – o que tornaria os anticorpos de vacinas inúteis.

Outra pesquisa preliminar, do Instituto Karolinska, na Suécia, e da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, mostrou que a redução na capacidade de neutralização dos anticorpos é variável. Em algumas amostras, quase não houve diminuição e, em outras, houve queda de 25 vezes em relação ao “vírus original”. “A neutralização não é completamente perdida, o que é positivo”, afirmou Ben Murrell, do Karolinska, nas redes sociais.

Insuficiente

Nesta quarta, um novo estudo, realizado pela Pfizer e pela BioNtech, indicou que, com um esquema de duas doses, a quantidade de anticorpos neutralizantes contra a variante Ômicron diminui, em média, 25 vezes em relação aos produzidos contra o vírus original. E “duas doses podem não ser suficientes para proteger contra a infecção” pela nova variante, conforme informaram as empresas. A pesquisa analisou 39 amostras.

Essa queda em anticorpos neutralizantes era esperada pelos cientistas – justamente por causa do número de mutações da Ômicron – e deve ocorrer com outras marcas de vacinas. Mas as últimas pesquisas não significam que as vacinas são ineficazes contra a Ômicron. Especialistas ponderam que os anticorpos analisados até agora em laboratórios não são a única barreira. As vacinas também induzem outros tipos de resposta imune, como as células T, que matam células infectadas e são importantes para evitar que uma pessoa infectada adoeça. “A Ômicron escapa mais do que as outras (variantes). Mas, provavelmente, ainda vamos ter proteção em termos de hospitalização, de doença sintomática”, diz Cristina Bonorino, imunologista e membro dos comitês científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI). A expectativa é de que a vacinação evite a forma grave da covid-19, mesmo com a Ômicron. Cientistas, no entanto, só poderão confirmar isso com análises no mundo real.

Nesta quarta, a Pfizer anunciou que vacinados “devem estar protegidos contra formas graves”, já que o mecanismo de ativação de células T não parece ter sido afetado pelas mutações da Ômicron. “Sabemos que temos uma proteção clínica (com as vacinas), mas não em relação à infecção e transmissão”, diz o virologista Fernando Spilki, da Universidade Feevale e coordenador da Rede Corona-ômica.Br, do Ministério da Ciência eTecnologia.

Reforço

“Está claro com os dados preliminares que a proteção é aumentada com uma 3.ª dose da nossa vacina”, disse Albert Bourla, CEO da Pfizer. Ele também disse que é possível que a população venha a precisar de uma 4.ª dose.

Na mesma linha, o cientista Xiangxi Wang, pesquisador principal do Laboratório de Infecção e Imunidade do Instituto de Biofísica da Academia Chinesa de Ciências, afirmou nesta quarta que uma 3.ª dose da Coronavac, desenvolvida pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, produz anticorpos capazes de reconhecer a Ômicron. Ele citou uma triagem de mais de 500 unidades de anticorpos neutralizantes obtidos após a 3.ª dose. “Cerca de um terço apresentou grande afinidade de ligação com a proteína spike das cepas de preocupação, incluindo a Ômicron”, afirmou. Segundo o Butantan, os cientistas ainda vão testar a capacidade de neutralização desses anticorpos contra o vírus para confirmar a eficácia.

“Dar a terceira dose é o que temos agora”, afirma Jorge Kalil, imunologista da Faculdade de Medicina da Faculdade da Universidade de São Paulo (USP). Ele lembra que o desenvolvimento, a testagem e a aprovação de uma vacina completamente adaptada à Ômicron podem levar meses.

Uma vacina adaptada da Pfizer estaria disponível “até março”, segundo a farmacêutica. A AstraZeneca informou que a plataforma de vacina desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford “permite responder rapidamente a novas variantes que possam surgir”. A Johnson & Johnson informou que está testando amostras para medir a atividade neutralizante da Janssen contra a Ômicron. Paralelamente, a companhia busca uma vacina específica para a variante “e irá desenvolvê-la, conforme for necessário”, afirmou.

“Se não vacinarmos, vão surgir variantes que escaparão da vacina. Por enquanto, quem se vacinou está razoavelmente protegido e quem não se vacinou deve se vacinar, mesmo tendo tido a doença”, acrescenta Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

13/12/2021 – Portal da Secretaria da Saúde do RS

Link: https://saude.rs.gov.br/pesquisadores-do-cevs-e-de-universidades-realizam-primeira-reuniao-da-comissao-tecnica-da-vigilancia-genomica

Pesquisadores do Cevs e de universidades realizam primeira reunião da comissão técnica da vigilância genômica

Foi realizada nesta segunda-feira (13) a primeira reunião da Comissão Técnica da Vigilância Genômica do Estado, que reúne pesquisadores do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) e universidades gaúchas. O objetivo dessas reuniões, que passam a ser periódicas, é alinhar entre as entidades o monitoramento das variantes do coronavírus que circulam pelo Estado.

Além dos servidores do Cevs, participaram do encontro pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS, por meio do Instituto de Ciências Básicas da Saúde e Hospital de Clínicas), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Feevale. Essas entidades são as que hoje realizam testes que identificam as variantes do SARS-CoV-2 (causador da covid-19) que circulam pelo Estado, assim como o Laboratório Central do Estado (Lacen) e Centro de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CDCT), ambos ligados ao Cevs. A intenção é unificar e uniformizar entre os participantes da comissão os critérios, métodos e fluxos para a vigilância genômica.

De acordo com o especialista em saúde do Cevs, Richard Steiner Salvato, esse alinhamento auxiliará a melhor direcionar os recursos e insumos. “A comissão vem para deixar essa área da vigilância mais abrangente, agregando ao trabalho que o Estado realiza esses demais centros de pesquisa que temos para um conhecimento mais amplo e alinhado”, comenta. “Quanto mais soubermos os tipos de coronavírus que estão aqui circulando, melhor embasados estaremos para tomar as ações necessárias”, acrescenta. Richard comenta ainda que, fora o coronavírus, passará por esse comitê as discussões sobre doenças que essa vigilância genômica colabore, como por exemplo a febre amarela, dengue e HIV.

10/12/2021 – Isto É Dinheiro via Estadão

Link Isto é: https://www.istoedinheiro.com.br/omicron-e-vacinas-o-que-se-sabe-ate-agora/
Link Estadão: https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,omicron-o-que-se-sabe-sobre-eficacia-das-vacinas-contra-variante,70003921153
Link Terra: https://www.terra.com.br/noticias/coronavirus/omicron-e-vacinas-o-que-se-sabe-sobre-a-eficacia-da-pfizer-astrazeneca-e-coronavac-contra-a-cepa,7870dc77131f9401702a8a0f6b9d25ac8q8efjbl.html
Link Exame: https://exame.com/ciencia/variante-omicron-e-vacinas-contra-covid-19-o-que-se-sabe-ate-agora/

Ômicron e vacinas: o que se sabe até agora

Ao mesmo tempo que a variante Ômicron do coronavírus avança pelo mundo, pesquisas tentam medir o quanto as vacinas usadas até agora são capazes de proteger a população. Os estudos, ainda preliminares, mostram que a nova cepa pode escapar parcialmente de uma primeira barreira de proteção oferecida pelos imunizantes. E sugerem um caminho: doses de reforço.

Considerada uma variante de preocupação pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a Ômicron foi identificada na África do Sul em 24 de novembro. Até esta quarta-feira, já estava em 57 países, incluindo o Brasil. O temor tem relação não só com o número de mutações, mas com a localização dessas variações dentro do vírus. Das 50 alterações genéticas na cepa, 32 estão na proteína spike, aquela que permite a entrada do vírus nas células humanas. Grande parte das vacinas usa a proteína spike para induzir a resposta imune – por isso, alterações nessa parte do vírus preocupam tanto.

As primeiras pesquisas para testar o impacto da variante na proteção das vacinas ainda são preliminares, não foram revisadas por outros cientistas e coletaram poucos dados. Esses estudos são realizados em laboratório: cientistas analisam a interação entre amostras de sangue de vacinados (com anticorpos) e a nova variante. As primeiras conclusões são de que há queda na capacidade da vacina de produzir anticorpos que neutralizam a Ômicron – o que os cientistas já esperavam.

Segundo uma pesquisa realizada na África do Sul com 12 pessoas, houve declínio de 41 vezes nos níveis de anticorpos neutralizantes contra a nova variante em vacinados com a Pfizer. O estudo, do Instituto de Pesquisa em Saúde de Durban, também apontou que a proteção parece ser maior entre os que já tinham se infectado antes de tomar a vacina. Para Alex Sigal, virologista que conduziu o estudo, os dados trazem boas notícias, apesar de ser preocupante a queda de anticorpos. Ele temia que as vacinas pudessem não fornecer proteção contra a variante. Havia o risco de que a Ômicron tivesse encontrado uma nova “porta” para entrar nas células – o que tornaria os anticorpos de vacinas inúteis.

Outra pesquisa preliminar, do Instituto Karolinska, na Suécia, e da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, mostrou que a redução na capacidade de neutralização dos anticorpos é variável. Em algumas amostras, quase não houve diminuição e, em outras, houve queda de 25 vezes em relação ao “vírus original”. “A neutralização não é completamente perdida, o que é positivo”, afirmou Ben Murrell, do Karolinska, nas redes sociais.

Insuficiente

Nesta quarta, um novo estudo, realizado pela Pfizer e pela BioNtech, indicou que, com um esquema de duas doses, a quantidade de anticorpos neutralizantes contra a variante Ômicron diminui, em média, 25 vezes em relação aos produzidos contra o vírus original. E “duas doses podem não ser suficientes para proteger contra a infecção” pela nova variante, conforme informaram as empresas. A pesquisa analisou 39 amostras.

Essa queda em anticorpos neutralizantes era esperada pelos cientistas – justamente por causa do número de mutações da Ômicron – e deve ocorrer com outras marcas de vacinas. Mas as últimas pesquisas não significam que as vacinas são ineficazes contra a Ômicron. Especialistas ponderam que os anticorpos analisados até agora em laboratórios não são a única barreira. As vacinas também induzem outros tipos de resposta imune, como as células T, que matam células infectadas e são importantes para evitar que uma pessoa infectada adoeça. “A Ômicron escapa mais do que as outras (variantes). Mas, provavelmente, ainda vamos ter proteção em termos de hospitalização, de doença sintomática”, diz Cristina Bonorino, imunologista e membro dos comitês científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI). A expectativa é de que a vacinação evite a forma grave da covid-19, mesmo com a Ômicron. Cientistas, no entanto, só poderão confirmar isso com análises no mundo real.

Nesta quarta, a Pfizer anunciou que vacinados “devem estar protegidos contra formas graves”, já que o mecanismo de ativação de células T não parece ter sido afetado pelas mutações da Ômicron. “Sabemos que temos uma proteção clínica (com as vacinas), mas não em relação à infecção e transmissão”, diz o virologista Fernando Spilki, da Universidade Feevale e coordenador da Rede Corona-ômica.Br, do Ministério da Ciência eTecnologia.

Reforço

“Está claro com os dados preliminares que a proteção é aumentada com uma 3.ª dose da nossa vacina”, disse Albert Bourla, CEO da Pfizer. Ele também disse que é possível que a população venha a precisar de uma 4.ª dose.

Na mesma linha, o cientista Xiangxi Wang, pesquisador principal do Laboratório de Infecção e Imunidade do Instituto de Biofísica da Academia Chinesa de Ciências, afirmou nesta quarta que uma 3.ª dose da Coronavac, desenvolvida pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, produz anticorpos capazes de reconhecer a Ômicron. Ele citou uma triagem de mais de 500 unidades de anticorpos neutralizantes obtidos após a 3.ª dose. “Cerca de um terço apresentou grande afinidade de ligação com a proteína spike das cepas de preocupação, incluindo a Ômicron”, afirmou. Segundo o Butantan, os cientistas ainda vão testar a capacidade de neutralização desses anticorpos contra o vírus para confirmar a eficácia.

“Dar a terceira dose é o que temos agora”, afirma Jorge Kalil, imunologista da Faculdade de Medicina da Faculdade da Universidade de São Paulo (USP). Ele lembra que o desenvolvimento, a testagem e a aprovação de uma vacina completamente adaptada à Ômicron podem levar meses.

Uma vacina adaptada da Pfizer estaria disponível “até março”, segundo a farmacêutica. A AstraZeneca informou que a plataforma de vacina desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford “permite responder rapidamente a novas variantes que possam surgir”. A Johnson & Johnson informou que está testando amostras para medir a atividade neutralizante da Janssen contra a Ômicron. Paralelamente, a companhia busca uma vacina específica para a variante “e irá desenvolvê-la, conforme for necessário”, afirmou.

“Se não vacinarmos, vão surgir variantes que escaparão da vacina. Por enquanto, quem se vacinou está razoavelmente protegido e quem não se vacinou deve se vacinar, mesmo tendo tido a doença”, acrescenta Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

09/12/2021 – Época Negócios

Link: https://epocanegocios.globo.com/Empreendedorismo/noticia/2021/12/unicamp-e-1-colocada-no-ranking-de-universidades-empreendedoras.html

Unicamp é 1ª colocada no Ranking de Universidades Empreendedoras

USP e Universidade Federal de Viçosa, em MG, completam o top 3 no levantamento geral, que considerou adaptação ao ensino remoto durante a pandemia

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo, foi a primeira colocada no Ranking Universidades Empreendedoras (RUE), lançado nesta semana pela Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior). A Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, completam o pódio. Ao todo, o levantamento analisou 126 instituições de ensino e 24 mil alunos.

No ranking geral, foram avaliadas as capacidades das instituições em se adaptaram ao ensino remoto, dado o contexto da pandemia de covid-19. Categorias específicas, como extensão e inovação, também foram analisadas separadamente — veja abaixo.

Completam o ranking das dez melhores colocadas: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), em São Paulo; Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); Universidade Federal do Ceará (UFC); Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais; Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), em Minas Gerais; e Universidade Tecnológica Federal do Paraná (PR).

Cultura empreendedora

O Ranking Universidades Empreendedoras ainda considerou outras categorias de destaque para a premiação. Em cultura empreendedora, que analisa a participação de alunos e professores nas dinâmicas da instituição, incluindo a formação da matriz curricular, as cinco melhores foram:

Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (UNILAB), no Ceará;

Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais;

Universidade Cidade de São Paulo (UNICID);

Universidade de Uberaba (Uniube), em Minas Gerais;

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul.

Extensão

Extensão analisa o incentivo ao desenvolvimento de pesquisas e compartilhamento externo dos estudos. Se destacaram:

USP;

UFV;

UFMG;

Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Paulo;

Unicamp.

Inovação

Já em Inovação, o ranking considera a produção de tecnologias e conhecimento. O top 5 foi:

Unicamp;

Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), no Rio de Janeiro;

UFRS;

USP;

Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), em Santa Catarina.

Internacionalização

O quesito avalia a contato das instituições com o ecossistema internacional, e as conexões para viabilizar soluções inovadoras. As melhores colocadas foram:

USP;

Unicamp;

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS);

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ);

Universidade Federal de Jataí (UFJ), em Goiás.

Infraestrutura

Nesta parte, o ranking analisa a percepção dos estudantes sobre as atividades desenvolvidas e a aproximação do parque tecnológico local. As melhores colocadas foram:

Universidade do Vale do Taquari (Univates), no Rio Grande do Sul;

UFV;

PUC-RS;

UFRS.

Capital financeiro

No tópico, foram considerados os orçamentos das instituições, a partir dados autodeclarados e dividindo o valor global pelo número de alunos. Se destacaram:

Unicamp;

USP;

Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes);

Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA);

Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

08/12/2021 – Prefeitura de Porto Alegre / Secretaria Municipal de Saúde

Link: https://prefeitura.poa.br/sms/noticias/ambulatorio-pos-covid-faz-mais-de-600-atendimentos-em-diferentes-especialidades

Ambulatório pós-Covid faz mais de 600 atendimentos em diferentes especialidades

Em quase cinco meses de funcionamento, o ambulatório de reabilitação pós-Covid realizou 605 atendimentos nas áreas de fisioterapia, psicologia, enfermagem, nutrição, fonoaudiologia, acupuntura e osteopatia. Voltado a pessoas que apresentam sequelas de diferentes gravidades em razão do coronavírus, o serviço entrou em operação dia 12 de julho e funciona no Centro de Saúde IAPI (rua Três de Abril, 90, bairro Passo d’Areia).

No total, 147 pessoas foram avaliadas e 68 seguem em acompanhamento. A coordenadora do ambulatório, fisioterapeuta Aline Casaril, explica que a idade média dos pacientes é de 54 anos. “Oitenta e seis por cento deles passaram por internação hospitalar que durou cerca de 30 dias e um terço utilizou ventilação mecânica”, relata. Mais da metade do público é feminino, somando 58%.

Em novembro, houve uma redução na entrada de pacientes devido à diminuição do número de casos da doença, segundo Aline. “O que vemos é que a recuperação das sequelas é lenta para algumas pessoas, requerendo mais tempo de permanência no serviço, portanto, seguimos com 68 pessoas em acompanhamento”, afirma.

Entre as principais sequelas apresentadas estão fadiga, dor, perda de força, formigamento nas mãos e pés, ansiedade e insônia. Os pacientes também relatam perda de memória, tosse noturna, tontura, alteração da pressão arterial, azia e dificuldade para engolir.

A equipe é composta por profissionais da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), além de acadêmicos e professores dos cursos de fisioterapia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e de fisioterapia, enfermagem, psicologia e nutrição da Unisinos. “Esse reforço foi muito importante, pois o trabalho qualifica o serviço e permite aumentar consideravelmente a quantidade de pacientes atendidos”, diz a coordenadora. 

Como funciona – O encaminhamento é realizado após consulta nas unidades de saúde. No momento do atendimento, os profissionais avaliam e verificam se há necessidade de direcionar o paciente ao ambulatório. Casos mais graves são encaminhados ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre, que possui esse tipo de serviço em atividade há mais tempo.

Dados de atendimento do ambulatório pós-Covid (12 de julho a 24 de novembro):

- Fisioterapia: 366 atendimentos, com dois profissionais locais e acadêmicos da UFCSPA e Unisinos, em torno de 60 atendimentos por semana.

- Psicologia: 52 atendimentos com profissional local e 5 encontros no grupo de atendimento virtual com acadêmicos Unisinos.

- Enfermagem: 25 atendimentos de com ênfase em saúde mental, pelos acadêmicos da Unisinos.

- Nutrição: 28 atendimentos de com profissional local e 12 atendimentos de nutrição com acadêmicos da Unisinos.

- Fonoaudiologia: 31 atendimentos de com profissional local.

- Acupuntura: 52 atendimentos.

- Osteopatia: 39 atendimentos

08/12/2021 – Viva Bem UOL

Link: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/12/08/cha-de-hortela-age-contra-ansiedade-e-ate-previne-cancer-veja-beneficios.htm

Chá de hortelã alivia sintomas da ansiedade e da rinite; veja benefícios

A hortelã é considerada uma planta medicinal com propriedades analgésicas, digestivas, antigripais. O chá de hortelã, dessa maneira, torna-se um grande aliado na manutenção do bem-estar, da saúde e no combate dos sintomas de algumas doenças. É importante destacar que a planta é do gênero Mentha, que possui mais de 25 espécies diferentes. No Brasil, o mais comum é chamar de hortelã as variações da Mentha piperita, e de menta as da Mentha spicata.

As folhas de hortelã contêm óleos essenciais como mentol, mentona e limoneno, além de possuir antioxidantes, riboflavina, ácido fólico e vitaminas A, B6, C, K e E. Tudo isso faz com que o chá da planta ofereça inúmeros benefícios ao organismo. Selecionamos os principais:

Melhora problemas digestivos

Alívio de gases e cólicas no intestino, de quadros de azia e de refluxo são alguns dos efeitos que o chá pode proporcionar. De acordo com Rafael Soares, médico pela UFSCPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre), nutrólogo e dermatologista, isso acontece porque a hortelã melhora a produção de secreções digestivas e tem um efeito antiespasmódico, que diminui contrações intestinas, resultando em relaxamento. Com isso, é possível eliminar melhor os gases, toxinas, assim como reduzir as dores e o desconforto.

Alivia sintomas de asma, congestão nasal, rinite e sinusite

A hortelã possui ácido ascórbico, mentol e tinol em sua composição, o que promove ação expectorante e descongestionante.

Diminui a cólica menstrual

O mecanismo é semelhante ao que acontece com os problemas digestivos, já que o mesmo efeito relaxante no intestino e no estômago também acontece com a musculatura uterina.

Pode aliviar dores de cabeça e enxaqueca O chá age como vasodilatador e ativa a circulação do sangue, o que pode ajudar a aliviar dores de cabeça e enxaqueca. Diminui sintomas de estresse, ansiedade e alivia dores musculares A presença do mentol aumenta o fluxo sanguíneo, promove a sensação de relaxamento e pode ser um excelente calmante natural. Ajuda a manter concentração O chá de hortelã promove mais disposição, pois melhora os níveis de energia, reduz a fadiga e oferece mais agilidade mental, se consumido ao longo do dia. "É uma excelente opção para beber ao estudar, por exemplo, pois favorece o foco e a concentração", diz Gustavo Feli, médico do desenvolvimento físico e mental com foco em nutrologia e medicina da longevidade pela Universidade Comunitária da Região de Chapecó (SC), pós-graduando em nutrologia pela USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto. Neste caso, é indicado o chá de hortelã-pimenta, tipo obtido do cruzamento entre Mentha aquatica e Mentha spicata.

Ajuda a regular o colesterol

Além de resultar na melhora do fluxo da bile, a hortelã facilita a quebra de moléculas de gordura, o que ajuda a controlar o LDL, conhecido como colesterol "ruim".

Fortalece o sistema imunológico

 A grande quantidade de vitaminas e minerais, como fósforo e cálcio, faz da planta um alimento poderoso para a imunidade.

Age como antibacteriano

Ele dificulta o crescimento de bactérias não apenas no trato digestivo, mas também na boca, matando os germes que podem causar a halitose. Algumas pesquisas inclusive já mostraram que o extrato de hortelã tem potencial antimicrobiano inclusive contra a candidíase.

Benefício em estudo

Algumas pesquisas analisam o potencial anticâncer da planta. Uma delas, por exemplo, publicada no periódico Frontiers in Pharmacology em fevereiro de 2020, testou o extrato de mental em animais e em modelos de células tumorais. Os resultados mostraram que o extrato pode diminuir a viabilidade, vitalidade e sobrevivência de células tumorais. Entretanto, mais estudos são necessários para corroborar essas descobertas.

Como fazer o chá de hortelã?

É possível comprar saquinhos prontos e fazer com água quente, mas a opção com a planta é ainda melhor. Dessa forma, usa-se o processo de decocção ou infusão. No primeiro, adicione as folhas secas de hortelã em uma panela com água e deixe no fogo até ferver. Após a fervura, basta coar e beber. Já para o segundo método, é preciso ferver a água, adicionar a folha da erva fresca e picada em um bule com o líquido e deixar tampado por, aproximadamente, 15 minutos antes de ingerir o líquido.

Além dessas três formas de fazer o chá, Feli indica uma terceira, que ajuda a tirar o máximo proveito da planta: "É possível macerar a hortelã, colocando folhas frescas em um pilão com um pouco de água, e amassando até ficar em pequenos pedaços. Depois, é só usar para o que desejar, como os chás", sugere.

Qual o melhor horário para beber chá de hortelã?

Para escolher quando e como consumir o chá de hortelã, é necessário avaliar para qual finalidade seria. Por exemplo, se o objetivo é cuidar do trato digestivo, ele pode funcionar melhor após refeições mais pesadas ou depois de comer carne vermelha —como a digestão desse alimento é bastante lenta, o chá de hortelã auxilia nesse processo.

O chá ajuda a emagrecer?

Essa é uma dúvida comum, mas, segundo os especialistas consultados, o chá de hortelã não ajuda a emagrecer. Soares afirma que, principalmente a Mentha piperita, aumenta a absorção intestinal de alguns ativos, por isso uma pessoa que já está em processo de emagrecimento vai absorver melhor os ativos que podem contribuir na perda de peso, o que não quer dizer que a hortelã, diretamente, é a responsável. "A Mentha piperita não é termogênica, mas pode aumentar o gasto metabólico de forma secundária, facilitando a ação de outros alimentos que a gente sugere ao paciente. Além disso, com as propriedades antiespasmódica e anti-inflamatória, que melhoram a digestão, os nutrientes também são melhor absorvidos", diz.

Existem pessoas que não podem consumir chá de hortelã?

As contraindicações, de acordo com Feli, são para pessoas que possuem hérnia de hiato, refluxo gástrico grave, mulheres grávidas e que estão amamentando. O chá de hortelã também não está liberado para crianças menores de cinco anos, "pois o mentol que constitui a hortelã pode causar falta de ar e asfixia", diz o nutrólogo.

02/12/2021 – Diário Gaúcho

Link: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/12/com-omicron-brasileiros-devem-completar-esquema-vacinal-e-privilegiar-espacos-abertos-22529933.html

Com Ômicron, brasileiros devem completar esquema vacinal e privilegiar espaços abertos

Medidas de prevenção não mudam diante da nova variante, mas cuidados precisam ser reforçados, orientam médicos

Com a confirmação oficial de casos de covid-19 no Brasil causados pela variante Ômicron, médicos e especialistas da saúde pública destacam que cuidados, talvez relaxados nos últimos tempos, devem ser reforçados — o que inclui usar máscaras em ambiente fechado, privilegiar encontros em espaços abertos e tomar, sem atraso, duas doses da vacina e o reforço.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que os cuidados para a Ômicron são os mesmos para as outras variantes, incluindo evitar aglomerações desnecessárias e, principalmente, completar o esquema vacinal — medidas também recomendadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

— Nossos hospitais têm leitos disponíveis, nossas salas de vacinação têm vacinas para vacinar todos os brasileiros que estão aptos para tomar essas vacinas — declarou o ministro.

Médicos ouvidos pela reportagem citam que a população não deve ficar alarmada — ainda há poucas informações sobre os riscos da Ômicron. Esclarecem, ainda, que frequentar ambientes ventilados e testar casos suspeitos são outras estratégias adequadas contra o coronavírus, independentemente da variante.

— Temos que manter o mesmo cuidado em relação à Delta, extremamente transmissível, mas que conseguimos controlar. Meu foco não é tanto na variante, mas no comportamento humano: é mais preocupante não querer testar se tiver sintoma, não completar o esquema vacinal e se aglomerar em ambiente fechado do que a chegada da variante — afirma Cezar Riche, médico infectologista no Hospital Mãe de Deus.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que há indícios de que a Ômicron seja mais transmissível e que é esperado crescimento de casos, o que reforça a necessidade de uso de máscaras em ambientes fechados.

Não se sabe ainda se a nova variante é mais transmissível do que a Delta. Tampouco há conhecimento sobre se é mais letal: na África do Sul, cresceram as hospitalizações, mas pode ser devido ao aumento de casos em uma área de baixa vacinação — 24% dos sul-africanos estão com duas doses.

Se diferentes regiões do Brasil discutem desobrigar o uso de máscaras ao ar livre, a piora da epidemia causada pela Delta em países europeus e a chegada da Ômicron devem motivar a manutenção da regra atual, diz a médica infectologista Danise Senna Oliveira, professora de na Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

— Estamos em situação melhor do que quando surgiu a variante da Amazônia porque a cobertura vacinal é boa. Mas, agora, é hora de dar um passo atrás e reforçar as medidas de proteção. Estávamos avançando para liberar o uso de máscaras ao ar livre. Provavelmente, precisaremos frear. Mesmo países com vacinação mais avançada do que o Brasil tiveram que voltar atrás nessa recomendação. É a hora de manter os cuidados que temos no momento, incluindo máscara, álcool gel e o maior distanciamento possível — diz Danise, coordenadora do estudo da CoronaVac no Hospital-Escola da universidade.

A avaliação de Danise conversa com a declaração do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom — na segunda-feira (28), ele afirmou que “o surgimento da Ômicron é outro lembrete de que, apesar de muitos de nós acharmos que estamos cansados da covid-19, ela não está cansada de nós”.

As farmacêuticas já estão estudando a eficácia de suas vacinas contra a Ômicron. Um executivo da Moderna, imunizante amplamente utilizado nos Estados Unidos, já declarou que a eficácia dos produtos deve cair na comparação com a Delta, mas que a proteção contra casos graves e mortes deve perdurar.

A perspectiva é de que a covid-19 seja reduzida, na maior parte das vezes, a meros sintomas como dor de garganta, coriza e dor de cabeça, o que pode confundir a doença com rinite alérgica ou resfriado. Por isso, a menor alteração corporal deve motivar a busca por teste PCR e o isolamento, sobretudo antes das festas de Natal e Ano-Novo, para evitar infectar pais e avós.

— Quem tem algum sintoma não pode esperar perder paladar e olfato para achar que está com covid. Se tem tosse, dor de garganta, coriza e desconforto, comunique o empregador e busque a testagem. O momento ideal é do terceiro ao sétimo dia após o início dos sintomas — acrescenta o infectologista Cezar Riche, ressaltando que ceias devem ser feitas ao ar livre ou ambientes bem arejados.

Se uma nova variante está à espreita, hoje brasileiros estão mais protegidos contra a covid-19, seja por vacinação ou pela imunidade adquirida após infecção natural, destaca o médico Airton Stein, professor de Epidemiologia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Até esta quarta-feira (1º), quase 63% dos brasileiros receberam duas doses ou dose única da Janssen. No Rio Grande do Sul, a cobertura é de 69% e, em Porto Alegre, 72,8%.

— O sistema imune das pessoas não está mais tão suscetível ao Sars-Cov-2 quanto no início, quando não tinha nenhuma defesa contra esse vírus. A Ômicron não terá tanta facilidade de gerar casos graves, a imunidade é muito maior do que no início da epidemia — diz Stein, ressaltando que a imunidade decai com o tempo, o que exige dose de reforço.

Para quem planeja férias, Stein diz que dá para viajar, mas é prudente escolher um destino com maior cobertura vacinal e curva de casos e de mortes controladas. Também é recomendado privilegiar espaços que exijam passaporte vacinal.

— É uma proteção. Para outras doenças, temos que fazer vacina da febre amarela para entrar em uma série de países. O contato é mais seguro entre pessoas vacinadas, principalmente com o reforço — diz o médico de família e epidemiologista.

Quais os sintomas?

A OMS destaca que não há informações atualmente sugerindo que os sintomas causados pela Ômicron sejam diferentes dos gerados por outras variantes. Relatos iniciais apontavam infecções em universitários — portanto, estudantes jovens que costumam ter sintomas mais leves —, mas a entidade destaca que é preciso aguardar mais dias para entender se de fato a nova cepa gera outros efeitos no corpo.

01/12/2021 – Portal Canaltech

Link: https://canaltech.com.br/saude/vacinas-atuais-funcionam-contra-variante-omicron-203265/

Vacinas atuais funcionam contra variante Ômicron?

Muito se especula sobre o que está por vir depois da descoberta da variante Ômicron (B.1.1.529) do coronavírus, no dia 24 de novembro, identificada na África do Sul. Dúvidas sobre quais os sintomas, a letalidade, quão transmissível ela é ou se as vacinas disponíveis farão efeito ainda não foram respondidas — mas alguns especialistas já começaram a traçar possíveis cenários.

Por conta do alto número de mutações — 50 ao todo, sendo mais de 30 na proteína spike (S), que ajuda o vírus a entrar na célula humana — a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a B.1.1.529 como variante de preocupação (VOC). Ainda não é sabido se a nova cepa será capaz resistir aos imunizantes disponíveis.

Cientistas de todo o mundo tentam responder essas questões. Stéphane Bancel, executivo-chefe da farmacêutica Moderna, disse em entrevista ao jornal Financial Times que, ao que parece, haverá uma queda importante da imunidade. Ele só não sabe quão impactante isso será e que teremos que esperar os dados — que só devem sair nas próximas semanas.

As vacinas serão eficazes contra a variante Ômicron?

Os imunizantes desenvolvidos até agora se mostraram eficientes no combate de outras cepas do coronavírus, como a mais contagiosa até então, a Delta. Contudo, a grande quantidade de mutações na Ômicron é o que coloca o mundo em alerta.

As vacinas de mRNA, como aquelas desenvolvidas por Pfizer e Moderna, trazem consigo parte do código genético do vírus SARS-CoV-2 com edições para que nossas células "leiam a mensagem" do RNA e fabriquem a proteína S. Depois de introduzido no organismo, o sistema imunológico identifica o antígeno e gera uma resposta de combate capaz de nos proteger caso sejamos infectados pela covid-19.

Por outro lado, há doses, como da AstraZeneca e a CoronaVac, formuladas com o chamado vetor viral, um vírus inativado que possui um código genético em seu interior. Nesse caso, a resposta imunológica é um processo semelhante ao anterior. Nosso corpo identifica o agente invasor e trabalha produzindo células de defesa.

O imunologista Jorge Kalil Filho, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, falou à BBC que o caso da Ômicron é um pouco diferente. Segundo ele, essa variante traz muitas mutações em lugares estratégicos, como a região da espícula que se liga ao receptor das células — a proteína S. "E isso abre a possibilidade de que os anticorpos neutralizantes parem de funcionar como observado até agora", disse.

Possíveis cenários para a Ômicron, segundo a ciência

Ainda não há dados suficientes para saber se a B.1.1.529 irá driblar a imunidade adquirida nesses quase dois anos de pandemia. Mas, especialistas já traçaram situações que podem ocorrer, levando em consideração os dados de vacinação e resposta imunológica até agora.

No primeiro deles, a imunidade de quem já teve covid-19 ou tomou as doses recomendadas de vacina continua suficientemente alta. Numa segunda possível situação, pode haver queda na imunidade, porém boa parte de quem está vacinado ou já foi infectado continua com um nível bom de proteção contra as formas mais graves da doença. E por último, a perda da defesa adquirida é grande, e parte da população volta a ficar mais vulnerável, especialmente os mais velhos e pessoas com comorbidades.

É importante ressaltar que todos esses cenários são especulações traçadas com base nas informações disponíveis até o momento. Os pesquisadores estão tentando buscar respostas nas amostras de sangue de pessoas vacinadas ou recuperadas da covid e testando em laboratório para ver a reação do material com a Ômicron.

Kalil Filho acredita que essa estratégia nos dá uma ideia sobre se os anticorpos conseguem neutralizar a nova variante de uma maneira parecida ao que acontecia com as outras versões anteriores do coronavírus. Além disso, outro jeito de monitorar a perda de efetividade das vacinas é observar o que acontece nos lugares onde a variante circula com mais intensidade e comparar os testes de diagnóstico com o número de casos ao número de pessoas vacinadas.

Casos da Ômicron no mundo

Com apenas uma semana de conhecimento da variante pela OMS, a nova cepa do coronavírus já está presente em todos os continentes e em dezenas de países, incluindo o Brasil. A África do Sul está enfrentando um surto de infecções causadas pela Ômicron.

Waasila Jassat, especialista de saúde pública no Instituto Nacional para Doenças Comunicáveis sul-africano, disse em entrevista coletiva que cerca de 87% dos internados na província não estão completamente vacinados. Além disso, há um número alto de crianças pequenas precisando de hospitalização.

A a imunologista Cristina Bonorino, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, ouvida pela reportagem da BBC, disse que o grande problema é justamente esse. Se continuarmos nessa situação de não vacinar grande parte do mundo, como os países mais pobres da África e da Ásia, uma hora ou outra vai surgir uma nova variante com mutações que conseguem escapar totalmente das vacinas.

A Organização Mundial da Saúde continua a recomendar que o mundo não flexibilize as medidas de restrição como o uso de máscaras e distanciamento social. A indicação é que os países continuem avançando com as campanhas de vacinação para toda a população indicada.

Posição da Anvisa sobre vacinas e Ômicron

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária anunciou que está trabalhando com outros órgãos internacionais e farmacêuticas para acelerar a resposta sobre os possíveis impactos da variante Ômicron.

Em nota, o órgão regulador afirma que a expectativa é que nas próximas semanas os dados sobre nova cepa já estejam disponíveis para avaliação. Em caso de doses de reforço, a Anvisa afirma o compromisso de atuar com agilidade na permissão das atualizações das vacinas.

O comunicado também diz que a agência já encaminhou um pedido de atualização a todas as desenvolvedoras de imunizantes autorizados no país — Pfizer, Butantan, Fiocruz e Janssen — para entender o andamento dos estudos sobre imunização. Mas reconhece que é preciso tempo para que as análises genéticas da Ômicron estejam disponíveis.

Enquanto isso, a recomendação é que toda a população mantenha a prevenção contra a covid-19, adotando medidas de precaução como o uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento social. Além disso, reforça a necessidade de vacinação para todos, bem como as doses de reforço disponíveis.

01/12/2021 – BBC Brasil

Link: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-59485348

Ômicron: qual a previsão de novas vacinas

Classificada como uma variante de preocupação no dia 26 de novembro, a ômicron segue cercada de incertezas e especulações. Um dos aspectos que levanta mais dúvidas tem a ver com a imunidade: será que as vacinas disponíveis atualmente são capazes de barrar uma infecção (ou ao menos diminuir a gravidade da doença) causada por essa nova versão do coronavírus?

Por ora, não há nenhuma evidência de que os imunizantes perdem completamente a capacidade de proteção — os estudos que avaliam essa questão estão em andamento e devem ter seus resultados preliminares divulgados ao longo da próxima semana. A vacinação continua indicada como a principal estratégia para se proteger contra a covid.

Porém, de forma geral, boa parte dos especialistas espera que ocorra, sim, uma queda na efetividade das doses. Essa expectativa tem a ver com as mutações encontradas na ômicron que aparecem em outras variantes e com algumas simulações feitas em computador.

Mas ninguém sabe ainda responder ao certo a magnitude dessa diminuição da efetividade ou se haverá a necessidade de desenvolver novas vacinas capazes de conter especificamente a ômicron.

Uma das previsões mais pessimistas veio do executivo-chefe da farmacêutica Moderna, Stéphane Bancel, numa entrevista ao jornal Financial Times. "Me parece que haverá uma queda importante [da imunidade]. Só não sei quanto, porque precisamos esperar os dados. Mas todos os cientistas com quem conversei dizem que 'não vai ser bom'", declarou.

Na contramão, o ministro da Saúde de Israel, Nitzan Horowitz, acredita que "há espaço para otimismo". "Nos próximos dias, nós teremos informações mais precisas sobre a eficácia das vacinas contra a ômicron. Mas alguns indicadores iniciais revelam que os indivíduos vacinados continuam protegidos contra essa variante", declarou, durante uma coletiva de imprensa na terça-feira (30/11).

Nos últimos dias, representantes de alguns laboratórios afirmaram que estão desenvolvendo versões atualizadas de seus imunizantes. Foi o caso de Pfizer/BioNTech, Moderna, AstraZeneca e Janssen.

Mas, caso a necessidade de novas vacinas contra a ômicron fique realmente comprovada, quanto tempo demoraria para elas ficarem prontas?

O que falta descobrir

Identificada na África do Sul no final de novembro, a ômicron logo chamou a atenção dos especialistas pela quantidade e pela variedade de mutações, muitas delas localizadas na proteína S.

Esse "S" é a inicial de spike, ou espícula em português. Essa proteína fica na superfície do coronavírus e tem a função de se conectar no receptor das células humanas para dar início à infecção.

Na perspectiva das vacinas disponíveis, essa estrutura é muito importante. A maioria dos imunizantes tem como base justamente a tal da proteína S.

As vacinas de mRNA (como aquelas desenvolvidas por Pfizer e Moderna) trazem na sua formulação um pedacinho de código genético com instruções para que nossas próprias células fabriquem a proteína S. Na sequência, esse material é identificado pelo sistema de defesa, que gera uma resposta imunológica capaz de nos proteger de uma infecção de verdade.

Já nos imunizantes de vetor viral (caso de AstraZeneca e Janssen), o produto traz um vírus inofensivo para seres humanos que possui um código genético em seu interior. Daí, o processo é mais ou menos igual: nossas células produzem a proteína S e o sistema imunológico faz o seu trabalho de montar uma resposta contra o invasor.

 Agora, se a ômicron traz mutações importantes justamente na proteína S, existe a probabilidade de as células de defesa não reconhecerem mais essa nova versão do coronavírus e não lançarem um contra-ataque efetivo. E isso, por sua vez, aumenta o risco de infecção mesmo entre os vacinados ou aqueles que tiveram covid-19 anteriormente.

"Essa variante traz muitas mutações em lugares estratégicos, como a região da espícula que se liga ao receptor das células", observa o imunologista Jorge Kalil Filho, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

"E isso abre a possibilidade de que os anticorpos neutralizantes parem de funcionar como observado até agora", completa.

De novo: ainda não se sabe se isso vai acontecer na prática e o quanto a ômicron é realmente capaz de "driblar" a imunidade prévia. Mas há alguns cenários possíveis, como você confere a seguir (do mais otimista para o mais pessimista):

1) A imunidade de quem já teve covid-19 ou tomou as doses recomendadas de vacina continua suficientemente alta;

2) Há uma perda da imunidade, mas boa parte de quem está vacinado ou já foi infectado continua com um nível bom de proteção contra as formas mais graves da doença;

3) A perda da imunidade é grande e boa parte da população volta a ficar mais vulnerável, especialmente os mais velhos e aqueles com o sistema imunológico comprometido.

Há quem aposte em cada um desses cenários e nas possíveis variações e combinações entre eles. Mas isso ainda não passa de uma aposta ou de uma especulação.

É justamente para acabar com essas dúvidas que diversos grupos de pesquisa estão trabalhando nos últimos dias. Uma das formas de encontrar respostas é pegar amostras de sangue de pessoas vacinadas (ou recuperadas da covid) e ver no laboratório como as células imunes delas reagem ao ômicron.

Essa estratégia nos dá uma ideia se os anticorpos conseguem neutralizar a nova variante de uma maneira parecida ao que acontecia com as outras versões anteriores do coronavírus", explica Kalil Filho.

"Outra maneira de conferir essa eventual perda de efetividade das vacinas é observar o que acontece nos lugares onde a ômicron circula com mais intensidade. Será preciso acompanhar a população, fazer testes de diagnóstico, ver quantas pessoas ficaram doentes, quantas tiveram quadros mais graves e quantas estavam vacinadas", continua o especialista.

"A partir daí, é possível fazer cálculos estatísticos para determinar o tamanho do problema", completa.

Outra etapa mais complexa é entender como ficarão outros aspectos importantes da imunidade que não dependem necessariamente dos anticorpos, como a atuação dos linfócitos T, uma unidade de defesa que destrói as células infectadas pelo coronavírus. 

Boa parte dessas investigações já está em curso, sob a liderança das próprias farmacêuticas e de grupos de estudos independentes. A expectativa é que os primeiros resultados saiam até a próxima semana.

Até agora, todas as novas versões do vírus que causaram maior preocupação (alfa, beta, gama e delta) continuam a ser barradas pelas vacinas. "Os dados de vida real nos mostram um bom nível de proteção contra essas variantes", informa a imunologista Cristina Bonorino, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

"O grande problema é que, se continuarmos nessa situação de não vacinar grande parte do mundo, como os países mais pobres da África e da Ásia, uma hora ou outra vai surgir uma nova variante com mutações que conseguem escapar totalmente das vacinas", alerta a especialista, que também integra a Sociedade Brasileira de Imunologia.

"Estamos diante de um problema global cujas soluções são pensadas de maneira local. Assim fica difícil acabar com a pandemia", critica.

O que será feito na sequência?

Vamos supor que essas pesquisas em andamento mostrem que a realidade se aproxima do cenário 2 (perda da imunidade, mas ainda com um nível suficiente de proteção contra as formas mais graves da covid).

Nesse caso, os especialistas podem indicar, por exemplo, uma dose extra das vacinas já disponíveis. Há diversos estudos mostrando que esse booster, como é conhecido o reforço em inglês, aumenta os níveis de anticorpos contra o coronavírus.

A terceira dose, aliás, já está sendo aplicada de rotina nos países com a campanha de vacinação mais avançada, como é o caso do Brasil.

Agora, se o cenário 3 se concretizar (perda grande da imunidade e muita gente vulnerável), a situação fica um pouco mais complicada: pode ser necessário desenvolver novos imunizantes que consigam barrar especificamente a ômicron.

Farmacêuticas como Pfizer, Moderna, AstraZeneca e Janssen, inclusive, anunciaram nos últimos dias que estão desenvolvendo novas versões de seus produtos para contemplar a nova variante.

A Pfizer anunciou que conseguiria desenvolver um novo produto em cerca de 100 dias. Já a Moderna calcula que levaria "alguns meses" para ter uma versão atualizada de seu imunizante.

Em tese, a parte técnica desse processo nem é tão complicada assim: tanto nas vacinas de mRNA (Pfizer e Moderna) quanto nas de vetor viral (AstraZeneca e Janssen), basta trocar aquele código genético que "ensina" nossas células a fabricar a proteína S por uma versão mais aproximada ao que se observa na ômicron.

Ou seja: na mais otimista das hipóteses, todo esse processo demoraria por volta de seis meses para ser finalizado, segundo os próprios cálculos dos laboratórios.

"O desafio maior vem a seguir: fabricar, distribuir e vacinar todo o mundo, num momento em que a maioria da população global ainda não recebeu suas doses", aponta Bonorino.

Segundo a imunologista, a adaptação e a atualização das vacinas não exigiria longos testes clínicos, como aconteceu para a aprovação da primeira leva de imunizantes entre o final de 2020 e o início de 2021.

"É mais ou menos o que acontece com a vacinação contra a gripe, em que temos alterações no produto utilizado a cada ano de acordo com as cepas do vírus influenza que circulam com mais intensidade naquele momento", exemplifica.

Esse processo, claro, exigiria toda uma discussão entre os especialistas e a criação de regras regulatórias que ainda não existem até agora, pois a covid-19 é uma doença relativamente nova.

Órgãos como a Anvisa no Brasil e o FDA nos Estados Unidos precisam definir essas normas e como seria feita essa mudança dos produtos, caso isso se mostre realmente necessário.

O que fazer até lá?

Não custa reforçar: por enquanto, falamos apenas de cenários hipotéticos. Não se sabe se a ômicron realmente escapa da imunidade e se haverá necessidade de criar novas vacinas.

Portanto, é vital que a campanha de vacinação contra a covid-19 continue a evoluir e que todo mundo receba as suas doses no momento indicado. O recado vale inclusive para a terceira aplicação em todos os adultos, como anunciado pelo Ministério da Saúde em novembro.

Em relação a isso, não há dúvidas entre os especialistas: os imunizantes em uso são efetivos e oferecem proteção, especialmente contra as formas mais graves da covid-19.

E, mesmo se a ômicron se mostrar realmente uma péssima notícia, as demais formas de prevenção continuarão a funcionar contra ela: o uso de máscaras de boa qualidade, o cuidado com as aglomerações, a lavagem de mãos e circulação de ar pelos ambientes seguem como recomendações básicas para diminuir o risco de transmissão e infecção com o coronavírus.

01/12/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/12/com-omicron-brasileiros-devem-completar-esquema-vacinal-e-privilegiar-espacos-abertos-ckwnyvgr3009z014cek55xti9.html

Com Ômicron, brasileiros devem completar esquema vacinal e privilegiar espaços abertos

Medidas de prevenção não mudam diante da nova variante, mas cuidados precisam ser reforçados, orientam médicos

Com a confirmação oficial de casos de covid-19 no Brasil causados pela variante Ômicron, médicos e especialistas da saúde pública destacam que cuidados, talvez relaxados nos últimos tempos, devem ser reforçados — o que inclui usar máscaras em ambiente fechado, privilegiar encontros em espaços abertos e tomar, sem atraso, duas doses da vacina e o reforço.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que os cuidados para a Ômicron são os mesmos para as outras variantes, incluindo evitar aglomerações desnecessárias e, principalmente, completar o esquema vacinal — medidas também recomendadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

— Nossos hospitais têm leitos disponíveis, nossas salas de vacinação têm vacinas para vacinar todos os brasileiros que estão aptos para tomar essas vacinas — declarou o ministro.

Médicos ouvidos pela reportagem citam que a população não deve ficar alarmada — ainda há poucas informações sobre os riscos da Ômicron. Esclarecem, ainda, que frequentar ambientes ventilados e testar casos suspeitos são outras estratégias adequadas contra o coronavírus, independentemente da variante.

— Temos que manter o mesmo cuidado em relação à Delta, extremamente transmissível, mas que conseguimos controlar. Meu foco não é tanto na variante, mas no comportamento humano: é mais preocupante não querer testar se tiver sintoma, não completar o esquema vacinal e se aglomerar em ambiente fechado do que a chegada da variante — afirma Cezar Riche, médico infectologista no Hospital Mãe de Deus.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que há indícios de que a Ômicron seja mais transmissível e que é esperado crescimento de casos, o que reforça a necessidade de uso de máscaras em ambientes fechados.

Não se sabe ainda se a nova variante é mais transmissível do que a Delta. Tampouco há conhecimento sobre se é mais letal: na África do Sul, cresceram as hospitalizações, mas pode ser devido ao aumento de casos em uma área de baixa vacinação — 24% dos sul-africanos estão com duas doses.

Se diferentes regiões do Brasil discutem desobrigar o uso de máscaras ao ar livre, a piora da epidemia causada pela Delta em países europeus e a chegada da Ômicron devem motivar a manutenção da regra atual, diz a médica infectologista Danise Senna Oliveira, professora de na Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

— Estamos em situação melhor do que quando surgiu a variante da Amazônia porque a cobertura vacinal é boa. Mas, agora, é hora de dar um passo atrás e reforçar as medidas de proteção. Estávamos avançando para liberar o uso de máscaras ao ar livre. Provavelmente, precisaremos frear. Mesmo países com vacinação mais avançada do que o Brasil tiveram que voltar atrás nessa recomendação. É a hora de manter os cuidados que temos no momento, incluindo máscara, álcool gel e o maior distanciamento possível — diz Danise, coordenadora do estudo da CoronaVac no Hospital-Escola da universidade.

A avaliação de Danise conversa com a declaração do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom — na segunda-feira (28), ele afirmou que “o surgimento da Ômicron é outro lembrete de que, apesar de muitos de nós acharmos que estamos cansados da covid-19, ela não está cansada de nós”.

As farmacêuticas já estão estudando a eficácia de suas vacinas contra a Ômicron. Um executivo da Moderna, imunizante amplamente utilizado nos Estados Unidos, já declarou que a eficácia dos produtos deve cair na comparação com a Delta, mas que a proteção contra casos graves e mortes deve perdurar.

A perspectiva é de que a covid-19 seja reduzida, na maior parte das vezes, a meros sintomas como dor de garganta, coriza e dor de cabeça, o que pode confundir a doença com rinite alérgica ou resfriado. Por isso, a menor alteração corporal deve motivar a busca por teste PCR e o isolamento, sobretudo antes das festas de Natal e Ano-Novo, para evitar infectar pais e avós.

— Quem tem algum sintoma não pode esperar perder paladar e olfato para achar que está com covid. Se tem tosse, dor de garganta, coriza e desconforto, comunique o empregador e busque a testagem. O momento ideal é do terceiro ao sétimo dia após o início dos sintomas — acrescenta o infectologista Cezar Riche, ressaltando que ceias devem ser feitas ao ar livre ou ambientes bem arejados.

Se uma nova variante está à espreita, hoje brasileiros estão mais protegidos contra a covid-19, seja por vacinação ou pela imunidade adquirida após infecção natural, destaca o médico Airton Stein, professor de Epidemiologia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Até esta quarta-feira (1º), quase 63% dos brasileiros receberam duas doses ou dose única da Janssen. No Rio Grande do Sul, a cobertura é de 69% e, em Porto Alegre, 72,8%.

— O sistema imune das pessoas não está mais tão suscetível ao Sars-Cov-2 quanto no início, quando não tinha nenhuma defesa contra esse vírus. A Ômicron não terá tanta facilidade de gerar casos graves, a imunidade é muito maior do que no início da epidemia — diz Stein, ressaltando que a imunidade decai com o tempo, o que exige dose de reforço.

Para quem planeja férias, Stein diz que dá para viajar, mas é prudente escolher um destino com maior cobertura vacinal e curva de casos e de mortes controladas. Também é recomendado privilegiar espaços que exijam passaporte vacinal.

— É uma proteção. Para outras doenças, temos que fazer vacina da febre amarela para entrar em uma série de países. O contato é mais seguro entre pessoas vacinadas, principalmente com o reforço — diz o médico de família e epidemiologista.

Quais os sintomas?

A OMS destaca que não há informações atualmente sugerindo que os sintomas causados pela Ômicron sejam diferentes dos gerados por outras variantes. Relatos iniciais apontavam infecções em universitários — portanto, estudantes jovens que costumam ter sintomas mais leves —, mas a entidade destaca que é preciso aguardar mais dias para entender se de fato a nova cepa gera outros efeitos no corpo.

01/12/2021 – Jornal O Sul

Link: https://www.osul.com.br/devido-a-baixa-procura-teleatendimento-de-pacientes-com-sintomas-de-covid-19-e-encerrado-em-porto-alegre/

Devido à baixa procura, teleatendimento a pacientes com sintomas de Covid-19 é encerrado em Porto Alegre

O serviço de telemedicina voltado a moradores de Porto Alegre com sintomas de Covid-19 foi finalizado na terça-feira (30) em razão da baixa procura por atendimentos nas últimas semanas.

A iniciativa da prefeitura, em parceria com a Santa Casa de Misericórdia e a UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre), iniciou em abril do ano passado.

De acordo com a reitora da UFCSPA, Lucia Pellanda, foram realizados mais de 5,2 mil atendimentos gratuitos por meio da plataforma Conexão Santa Casa, ferramenta de telemedicina desenvolvida pela instituição. “Tenho certeza de que as ações foram bem sucedidas. Em momentos críticos da pandemia, trouxemos um importante resultado para toda a comunidade”, destacou Lucia.

O atendimento foi realizado por uma equipe multidisciplinar de profissionais e acadêmicos da UFCSPA e da Santa Casa. “É fundamental valorizar os 65 voluntários que trabalharam 24 horas por dia, honrando, assim, o exercício de suas profissões”, destacou o diretor médico e de ensino e pesquisa da Santa Casa, Antônio Kalil.

A Secretaria Municipal da Saúde disponibilizou, durante os 19 meses, suporte da Vigilância em Saúde e acesso ao sistema de gerenciamento de consultas.  O sistema possibilitou a emissão de autorizações para exames em laboratórios credenciados. Os custos dos exames foram cobertos pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

“Esse sistema facilitou o atendimento, possibilitando que o paciente com suspeita de Covid-19 não necessitasse sair de casa para receber uma orientação ou avaliação. Um serviço de extrema importância durante uma pandemia”, disse o secretário Mauro Sparta.

30/11/2021 –  GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/11/em-duas-semanas-omicron-causa-aumento-de-casos-na-africa-do-sul-mas-sem-reflexo-proporcional-no-numero-de-mortes-ckwmq2p0400d0014c76vnqhjc.html

Em duas semanas, Ômicron causa aumento de casos na África do Sul, mas sem reflexo proporcional no número de mortes

Especialistas alegam que é preciso esperar mais tempo para se ter noção real do impacto

Em meio a uma série de incertezas sobre a variante Ômicron, as estatísticas mostram que, nas primeiras duas semanas de dispersão, a nova variante causou aumento de novos casos de covid-19 na África do Sul sem reflexo proporcional em crescimento de mortes. Especialistas destacam que é preciso aguardar mais tempo para checar o impacto a médio e longo prazo.

A Ômicron foi rastreada pela primeira vez no país em novembro. Na primeira quinzena do mês, correspondia a 29% das amostras sequenciadas. Na segunda metade, já havia saltado para 90% de todas as coletas. Os dados são do portal Covariants.org, mantido pela Universidade de Berna, na Suíça. 

A média móvel de casos saltou em duas semanas, de 290 por dia em 16 de novembro para 4.786 nesta segunda-feira, aumento de 1.550%, de acordo com estatísticas do Our World in Data. Todavia, a média móvel de novas mortes foi de 16,7 para 34 no mesmo período, crescimento de 103,5%.

ÔMICRON FAZ CASOS AUMENTAM NA ÁFRICA DO SUL, MAS SEM DISPARADA NAS MORTES

Nova variante da covid-19 avançou em meio à baixa vacinação (dados de 2021)

A cobertura vacinal na África do Sul é baixa: 24% da população com duas doses. Médicos do país afirmam à imprensa local que o aumento de hospitalizações é parecido ao de surtos por outras cepas.

— Precisamos olhar ao longo do tempo e ver que faixas etárias foram mais atingidas. Sabemos que houve um grande número de jovens analisados inicialmente. Há o tempo para a pessoa se infectar e ir a óbito. Com a variante Gama no Rio Grande do Sul, tivemos um período de 21 dias entre início da subida de casos e o início de mortes — comenta o virologista Fernando Spilki, coordenador da Rede Corona-ômica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

A vigilância genômica no continente africano, com a exceção de poucos países, como a África do Sul, é falha, o que impede análise sobre a dispersão da Ômicron em outras nações. Até o momento, já foi detectada em 18 países, incluindo o Brasil, segundo o site Gisaid, que compila dados de vigilância genômica ao redor do mundol.

Velocidade

Na África do Sul, o avanço da Ômicron levou menos de um mês, velocidade muito maior do que a Delta, que levou quase quatro meses para atingir 90% das amostras sequenciadas.

— Isso indica que a Ômicron é bastante transmissível. Dá para dizer que a média de novas mortes não aumentou tanto quanto a média de novos casos, o que talvez indique que essa variante não seja tão deletéria, mas é pouco o número de dias e de casos — afirma Afonso Barth, coordenador do Laboratório de Diagnóstico de Covid-19 do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor da UFRGS.

Ele acrescenta que a expectativa da comunidade científica é de que as vacinas atuais ofereçam proteção contra os casos mais graves.

 — Por mais que o vírus consiga fugir dos anticorpos produzidos pela vacina, existe a resposta imune celular, que ainda poderia debelar o processo de infecção. O Brasil atrasou a vacinação. Se isso foi ruim no início, agora temos uma população vacinada há menos tempo e, portanto, com nível de anticorpos maior. Muitas pessoas estão recebendo agora a terceira dose, então estão com resposta de anticorpos bem apta. O percentual de vacinados e essa vacinação tardia podem ajudar a ter menor circulação dessa variante — afirma Barth.

O médico Alessandro Pasqualotto, chefe do setor de Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, diz que é cedo para dizer se a Ômicron é mais transmissível e propõe a seguinte reflexão: uma variante surge em regiões onde muitas pessoas estão sendo infectadas. Se há aumento de casos, a culpa é da nova variante ou é resultado do prévio descontrole da doença?

— O surgimento de nova variante pode ser produto do descontrole em um local com baixa vacinação. Se os humanos não vacinados estão aglomerando, há maior transmissão. Teríamos que isolar o comportamento humano dessa equação. É razoável acreditar que ela não aumente o número de mortes de modo significativo. A Delta explodiu no Brasil e não teve consequência maior. O que vale é reforçar a vacinação — diz o médico infectologista, professor na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

25/11/2021 –  Viva Bem UOL

Link: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/11/25/o-futuro-chegou-diagnosticar-doencas-por-voz-ja-e-possivel-saiba-como.htm

O futuro chegou: diagnosticar doenças por voz já é possível; saiba como

Cada voz é única, com suas nuances de tons, timbres e potências. Através dela nos comunicamos, expressamos emoções e, acredite, até indicamos se estamos com algum problema de saúde. E não apenas os específicos de voz, fala e linguagem, como já acontece na prática clínica da fonoaudiologia há anos.

A novidade agora é que, por conta do avanço da tecnologia, os sons que emitimos pela boca também passaram a ser considerados como aliados no diagnóstico e monitoramento de uma ampla gama de doenças, como Parkinson, depressão, Alzheimer e, mais recentemente, covid-19.

A fonoaudióloga Nathália Nunes, consultora de mercado para saúde no Brasil e nos Estados Unidos e pesquisadora do tema, explica que a voz humana produz múltiplas frequências, algumas imperceptíveis ao ouvido, mas que podem ser captadas por sensores, dispositivos vestíveis, aplicativos e outras ferramentas computacionais —e eles, com o auxílio de algoritmos, inteligência artificial e técnicas de aprendizagem de máquina (machine learning), conseguem determinar os sinais das patologias.

"Por meio desses recursos são analisados o que chamamos de biomarcadores digitais vocais, estabelecidos após a análise das características típicas da nossa voz", informa a especialista, que em setembro deste ano deu uma palestra sobre o assunto no HIS (Healthcare Innovation Show), um dos principais eventos de saúde e tecnologia do país.

Na prática, funciona assim: centenas (ou milhares) de vozes de pessoas saudáveis são comparadas com vozes de portadores de distúrbios. Neste processo, realizado com o uso de programas de computador desenvolvidos especificamente para esta finalidade, a máquina "aprende" os padrões vocais das enfermidades e, a partir disso, consegue fazer a detecção —ela avalia, por exemplo, oscilações, flutuações, volume e vibrações.

"A linguagem, a fala e a voz são fenômenos complexos que resultam da coordenação entre a função cerebral e a pulmonar, e estão associadas a muitos processos neurológicos e fisiológicos. Por essa razão, alterações nos parâmetros podem indicar problemas de saúde", aponta Nathália. Leonardo Lopes, presidente da SBFa (Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia) e professor titular na UFPB (Universidade Federal da Paraíba), complementa que a produção desse trio (voz, fala e linguagem) é a função mais refinada do corpo humano, pois envolve um fino controle neurológico e uma série de conexões, que são influenciadas por diferentes áreas do cérebro e outros centros de controle e sensíveis a ala alterações biológicas e mentais, daí a possibilidade de fazer diagnósticos através deste mecanismo.

"Vários transtornos psiquiátricos, como ansiedade e depressão, e neurológicos, como Parkinson e escleroses, têm manifestações na voz que podem ser detectadas por meio da extração de algumas das suas características acústicas", indica o especialista, que também é líder do LIEV (Laboratório Integrado de Estudos da Voz), da UFPB.

Segundo Lopes, isso é particularmente importante porque, enquanto muitas das doenças, em especial as mentais, têm um diagnóstico classicamente subjetivo, os biomarcadores vocais desenvolvem medidas padronizadas.

"Só é preciso que as pessoas entendam que nada disso substitui o componente humano. Trata-se apenas de uma ferramenta complementar para facilitar o diagnóstico e ajudar os profissionais da saúde na sua rotina."

Nunes reforça esse posicionamento: "As pessoas podem achar que a tecnologia vai fazer a identificação das doenças sozinha e que não será mais preciso ir ao médico. Mas não é isso. Seu uso se dará de forma a apenas auxiliar os especialistas no dia a dia."

Ao redor do mundo, diversas pesquisas e aplicações da voz para triagem, detecção e monitoramento de patologias têm sido realizadas. Uma delas é comandada pela organização norte-americana "Iniciativa de Voz do Mal de Parkinson", em parceria com o Centro Médico da Universidade de Rochester, e já alcançou 98,6% de precisão de detecção (ou seja, a porcentagem de amostras que foram corretamente identificadas como saudáveis ou com a enfermidade) em condições de laboratório.

Outra está sendo conduzida pela Clínica Mayo, dos Estados Unidos, e a empresa israelense Beyond Verbal. O foco desta são os biomarcadores vocais para rastreamento de hipertensão arterial pulmonar (HAP), moléstia grave que eleva a pressão arterial nos pulmões.

O Brasil também já tem algumas iniciativas do tipo. Dentre elas, destaque para o Spira (Sistema de Detecção Precoce de Insuficiência Respiratória por meio de Análise de Áudio), que está sendo desenvolvido desde 2020 por um grupo de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento da USP (Universidade de São Paulo).

Marcelo Finger, professor titular do DCC-IME (Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística) da instituição e coordenador do projeto, conta que, atualmente, são duas as frentes de trabalho: diagnóstico de insuficiência respiratória em decorrência da covid-19 e da própria patologia provocada pelo novo coronavírus.

"Criamos um programa que usa inteligência artificial para comparar vozes de pessoas infectadas pelo vírus com as de indivíduos saudáveis. Na primeira fase, coletamos 11 mil vozes, das quais conseguimos aproveitar 6 mil. A partir daí, 'treinamos' o sistema para inicialmente identificar se uma pessoa apresenta insuficiência respiratória. Depois, expandimos para a covid-19. Ao longo do tempo, chegamos a 97% de precisão nos resultados", indica o docente.

Por enquanto, o Spira é apenas um projeto de pesquisa, mas Finger acredita que ele tem chance de, em alguns anos, ser implementado na prática clínica para facilitar o trabalho de triagem dos pacientes pelas equipes médicas.

"E certamente será útil mesmo no pós-pandemia, uma vez que a insuficiência respiratória é um sintoma comum de outros problemas de saúde, como asma agudizada, H1N1 e DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica)", aponta o professor.

De acordo com Lopes, da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, a tendência é que cada vez mais biomarcadores vocais sejam desenvolvidos, para as mais diversas enfermidades, e que o rastreamento seja feito até mesmo no ambiente doméstico.

"No futuro, é bem provável que os smartphones ou os assistentes pessoais, após analisarem os dados de voz que ficam armazenados neles e identificarem alterações nos seus padrões, recomendem que os usuários procurem um médico."

Biomarcadores cardíacos

Se a área de diagnósticos vocais avança a passos largos, outras começam a ser estudadas com foco na saúde. Como a dos biomarcadores cardíacos. A medição da frequência do coração não é novidade. Hoje em dia, é feita, inclusive, de forma cotidiana por meio de pulseiras, relógios e celulares, sobretudo por quem pratica atividade física, porém, pesquisas têm utilizado inteligência artificial e aprendizagem de máquina para o reconhecimento de sintomas clínicos de algumas condições cardiovasculares até mesmo antes que elas se manifestem.

Por exemplo, cientistas britânicos da Universidade de Oxford e de outras entidades desenvolveram há pouco tempo um biomarcador derivado da análise de tomografias computadorizadas de rotina que pode identificar pessoas com alto risco de ataque cardíaco fatal. O resultado dessa análise foi publicado em 2019 no European Heart Journal (ou Jornal Europeu do Coração, em português).

Pedro Dal Lago, professor do Departamento de Fisioterapia da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e coordenador do projeto Maya, que se vale de tecnologias disruptivas para prescrever, incentivar e avaliar a prática de atividade física a partir dos sinais do coração, diz que cada pessoa tem uma espécie de assinatura cardíaca, uma frequência própria.

"Sabemos que o desenvolvimento das doenças cardiológicas muitas vezes afeta o ritmo dos batimentos do coração, e essa alteração pode ser medida ou mensurada por sinais capturados por equipamentos específicos, como os sensores que estamos desenvolvendo", afirma. "Por enquanto, esse não é o foco do nosso estudo, mas é uma das possíveis aplicabilidades no futuro."

Enquanto esse dia não chega, o trabalho atual de Lago, junto a pesquisadores da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos) e UFPA (Universidade Federal do Pará), consiste em criar soluções para ajudar a aumentar a adesão aos exercícios físicos.

"Grande parte da população brasileira é sedentária, e isso é uma preocupação grande para o sistema de saúde. Porém, com a prática de forma segura e adequada, podemos diminuir a incidência das doenças crônicas, como as cardiovasculares, e até alguns tipos de câncer", aponta o fisioterapeuta.

"Com o nosso dispositivo, vamos poder mensurar a frequência cardíaca durante a realização da atividade física para sabermos se a intensidade está realmente adequada para cada perfil de pessoa, levando em conta gênero, idade e condição geral e, assim, se obter todos os benefícios resultantes dela", finaliza.

24/11/2021 – G1 RS

Link: https://g1.globo.com/saude/coronavirus/vacinas/noticia/2021/11/24/vacina-da-pfizer-protege-contra-infeccao-pelo-coronavirus-por-meses-apos-2a-dose-indica-estudo-em-israel.ghtml

Vacina da Pfizer protege contra infecção pelo coronavírus por meses após 2ª dose, indica estudo em Israel

Pesquisa feita com vacinados sugere que vacina protegeu não apenas de casos graves da doença, mas também da infecção pelo vírus; mesmo após 3 meses, apenas cerca de 10% das pessoas se infectaram.

Uma pesquisa feita em Israel publicada nesta quarta-feira (24) no "BMJ" apontou que a vacina da Pfizer contra a Covid-19 protegeu da infecção pelo coronavírus por pelo menos 3 meses após a segunda dose. Mesmo depois desse período, apenas 9,6% dos vacinados se infectaram com a doença.

A novidade do estudo é que ele mede a proteção contra a infecção pelo coronavírus, e não a capacidade da vacina de evitar casos graves ou morte pela Covid – que era a intenção original das vacinas contra a doença.

"Isso é uma coisa nova. Isso é maravilhoso. Em geral, as vacinas não são desenhadas para proteger da infecção. Elas são desenhadas para proteger da doença", explica a pesquisadora Cristina Bonorino, imunologista e professora titular da Universidade Federal das Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Veja os principais pontos do estudo:

Ao todo, foram reunidos dados de vacinação de 83.057 pessoas no país.

Todas haviam recebido duas doses da vacina, com 21 dias entre as doses, e, durante o estudo, ainda não haviam recebido a dose de reforço.

90 dias depois da segunda dose, só 7.973 pessoas haviam se infectado com o vírus, o equivalente a 9,6% do total de participantes.

O estudo não investigou a gravidade dos casos de Covid ou mortes pela doença.

"Que existam 9,6% de infecções 90 dias depois da segunda dose de uma vacina em particular, no meio de uma pandemia, não é uma coisa que altere significativamente os dados de eficácia de uma vacina, que de fato nem sempre está baseada em evitar infecções", reforça o pesquisador Oscar Bruna Romero, professor de doenças infecciosas e vacinas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

"A maior parte das vacinas se baseiam em evitar os efeitos graves das infecções e muitas vezes não conseguem evitar pequenas infecções alguns meses depois da vacinação. Esse é o primeiro ponto. Ninguém prometeu que as vacinas bloqueariam as infecções, sobretudo a primeira geração de vacinas", enfatiza o pesquisador.

Ele explica, entretanto, que 9,6% das pessoas terem se infectado NÃO quer dizer que a efetividade da vacina seja de 90,4%. Isso porque o cálculo de efetividade tem que levar em consideração a quantidade de pessoas que se infectaram entre os que não se vacinaram.

"Ainda tens que pensar que existem diversas variáveis que podem influir nesse número, como o excesso de confiança que os vacinados possam ter adquirido devido à publicidade positiva que essa vacina teve, em particular em Israel, e no mundo todo, fazendo aos cidadãos acreditarem que nunca iriam se infectar – e, em conseqüência, aceitando maiores riscos de exposição", pontua.

Bonorino completa:

"Isso nos diz o seguinte: o vírus, na população vacinada, vai parar de circular. O que o estudo diz é isso: se você vacinar as pessoas com intervalo de 21 entre as duas doses e esperar 3 meses, mesmo assim, só 10% das pessoas se infectam", diz a pesquisadora, que também integra o comitê científico da Sociedade Brasileira de Imunologia.

"Ou seja: praticamente eliminou o vírus por 3 meses numa população em que não está todo mundo vacinado. É fantástico", acrescenta.

Segundo o "Our World in Data", monitoramento feito por cientistas ligados à Universidade de Oxford, apenas 62% da população de Israel já foi totalmente vacinada contra o coronavírus. Para comparação, no Brasil, esse percentual é de 61%, mas a vacinação começou antes no país do Oriente Médio e sua população inteira é menor do que a da cidade de São Paulo (cerca de 9 milhões contra 12 milhões de pessoas, aproximadamente).

"Tem uma questão religiosa lá [dos judeus ortodoxos]. Então, é impressionante [o resultado]. O vírus está circulando muito lá – como nos Estados Unidos. Aqui, a tendência é o vírus circular menos – a gente está vacinando quase todo mundo no Brasil. É maravilhosa a adesão, no Brasil, à vacina. Ainda bem. Quanto mais a gente vacina, menos o vírus circula", pontua Bonorino.

Intervalo menor entre doses

Um outro ponto do estudo de Israel é o fato de a segunda dose ter sido aplicada apenas 21 dias depois da primeira.

Apesar de esse ter sido o intervalo usado pela própria Pfizer nos ensaios clínicos, vários países – inclusive o Brasil –, ao menos inicialmente, usaram intervalos maiores entre uma dose e outra, para aumentar a quantidade de pessoas com a primeira dose recebida.

Depois, estudos mostraram que, quanto maior fosse o intervalo entre as doses, maior era a eficácia da vacina.

"O fato das pessoas terem sido vacinadas em outros países só com três semanas (21 dias) de intervalo, e não dois ou três meses como fazemos no Brasil, pode ter alterado a geração da memória imunológica – a verdadeira vacinação de longa duração – nos seus cidadãos", explica Bruna-Romero.

"Para se gerar memória imunológica, é necessário que o sistema imune amadureça completamente entre cada uma das doses, ou a seguinte dose pode eliminar a resposta que ainda esteja ativa da imunização anterior – fenômeno de exaustão imunológica. Tem vezes que, se o estímulo foi muito forte – como parece ser a vacina da Pfizer – deixar mais tempo entre as doses pode ser melhor", pontua o professor.

Mas isso significa dizer que, se as pessoas tivessem sido vacinadas com mais espaçamento entre primeira e a segunda dose, pode ser que tivesse levado mais tempo para se infectarem após a segunda dose?

Ainda não se sabe, segundo os especialistas ouvidos pelo g1.

"Não sabemos, porque a gente está fazendo esses estudos agora. Seria sensacional se o Ministério da Saúde ou a Pfizer, ou ambos, fizessem esse estudo aqui no Brasil, porque nós estamos tomando [as vacinas] com um intervalo maior", avalia Bonorino.

"Não dá para dizer se era esperado o inesperado esse número de infecções", completa Bruna-Romero.

"O que sim tínhamos que esperar era que a vacinação diminuísse o número de óbitos e internações em hospitais de pessoas graves, e essas diminuíram radicalmente, como estão diminuindo no Brasil ou nos outros países, ainda em aqueles que estão passando por novos picos de infecção. Então a conclusão é que as vacinas funcionam com certeza e funcionam muito bem", reforça.

Hora do reforço?

Para Carlos Zárate-Bladés, diretor do laboratório de imunorregulação da UFSC, os dados não justificam, por enquanto, a aplicação de uma dose de reforço 90 dias após a segunda – ao menos não no Brasil.

Se, eventualmente, houver novos surtos no país ou uma estagnação da vacinação – como está ocorrendo na Europa, por exemplo – esse reforço pode ser justificado.

"Mas não é essa a situação do Brasil agora, graças a Deus. Estamos indo muito bem na adesão das pessoas e, então, temos que trabalhar com a situação real nossa, aqui, agora. Mas eu acho que, em outros locais, essa situação deve estar, sim, sendo considerada, e, de fato, já está sendo aplicada em alguns países", pondera.

"Enquanto não tivermos mais gente chegando para ser internada, à UTI, de pessoas que foram vacinadas a partir de, por exemplo, 1 ano da vacina da Pfizer, aí, sim, já muda a situação e aí, sim, se faz análise de quando, então, deveríamos dar essa terceira dose", completa.

Bruna-Romero concorda que o reforço deve levar em conta um eventual aumento no número de casos graves de Covid-19 – e é habitual que esse tipo de dose seja necessária entre outras vacinas.

"Se faz há muitos anos nas vacinas tríplice viral contra sarampo, caxumba e rubéola, na tríplice bacteriana contra difteria, tétano, coqueluche ou na vacina de hepatite B. Sempre tem que levar em consideração, sobretudo, a proteção real existente na nossa população", explica.

Enquanto a cobertura vacinal não aumentar, é importante manter o uso de outras medidas de prevenção, como o uso da máscara e o distanciamento, lembra Bonorino.

"A máscara é muito importante para proteger as pessoas. Ela protege a nível individual e a nível coletivo. Num lugar onde não está todo mundo vacinado, a máscara é fundamental. Então, enquanto as pessoas não estiverem totalmente vacinadas, máscara é crucial", reforça.

"À medida que vai chegando a 70%, 80% de vacinação – que é o que a gente sempre previu, desde o início – cada vez mais pode relaxar o uso de máscara. Aí deixa para usar máscara quando está num lugar fechado, com mais gente. São coisas que a gente tem que aprender a se proteger", conclui.

23/11/2021 – BBC com replicação no Correio Braziliense e no Portal UOL

Link BBC: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-59256787
Link Correio Braziliense: https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2021/11/4965466-ou-ia-pra-aula-ou-comia-como-inseguranca-alimentar-esta-prejudicando-universitarios-brasileiros.html
Link UOL: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2021/11/23/ou-ia-pra-aula-ou-comia-como-inseguranca-alimentar-esta-prejudicando-universitarios-brasileiros.htm

'Ou ia pra aula ou comia': como insegurança alimentar está prejudicando universitários brasileiros

Ao sair com sua bicicleta para fazer entregas de comida a serviço de um aplicativo, a universitária Franciele Rodrigues, 29 anos, "reza" para receber algum pagamento em dinheiro — e, com isso, ter ela mesma alguma quantia em mãos para garantir sua alimentação para os próximos dias.

Ela concilia a graduação em fonoaudiologia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) com bicos de entregadora na capital gaúcha porque, desde que deixou de viver com sua família na periferia de Porto Alegre e se tornou universitária, "o bicho pegou" na tentativa de atender sozinha suas demandas de estudo, moradia e sustento.

Tudo isso se reflete em uma situação que ela conta já durar anos: ela vem comendo pouco e mal, o que já gerou consequências para sua saúde.

"Entrar na faculdade representou deixar de trabalhar e deixar de ter cuidado com minha saúde. Quando saí da casa dos meus pais e entrei na universidade, foi a primeira vez que precisei racionar comida para ter por mais tempo e diminuir a qualidade da minha dieta para ter o que comer no dia seguinte", contou Franciele por telefone à BBC News Brasil, dizendo já ter passado alguns dias sem comer nada nessa trajetória, além de ter tido anemia.

"Durante a pandemia, piorou essa questão da alimentação. O preço das coisas aumentou muito."

Situações como a narrada por Franciele, de insegurança alimentar entre universitários, têm ganhado a atenção de pesquisadores no Brasil e no exterior.

Não há dados nacionais ou de diferentes anos que possam demonstrar um aumento recente na insegurança alimentar destes estudantes no Brasil, mas pesquisadores da área sugerem que a piora em indicadores econômicos, cortes orçamentários para as universidades e a pandemia podem ter agravado o problema. Este período trouxe como consequência, por exemplo, o fechamento de restaurantes universitários (RU).

Por isso, diversas instituições anunciaram estar coletando informações e realizando pesquisas com estudantes sobre a questão alimentar deles durante a pandemia, como na Universidade de São Paulo (USP) e nas universidade federais de Uberlândia (UFU), do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), do Acre (UFAC), Rio Grande do Norte (UFRN), Mato Grosso (UFMT) e Paraná (UFPR).

Algumas resultados já foram publicados. Um artigo científico de março mostrou que 84,5% de 84 estudantes morando no Conjunto Residencial da USP (CRUSP) entrevistados online tinham algum nível de insegurança alimentar — definida por ao menos uma resposta afirmativa a perguntas como "nos últimos 3 meses, a comida acabou antes que você tivesse dinheiro para comprar mais?", "ficou sem dinheiro para ter uma alimentação saudável e variada?" ou "sentiu fome, mas não comeu porque não podia comprar comida suficiente?".

Já na dissertação de mestrado da nutricionista Natália Caldas Martins na Universidade de Fortaleza (Unifor), verificou-se que 84,3% de 428 universitários da rede pública da Bahia e do Ceará apresentaram algum grau de insegurança alimentar na pandemia — 35,7% leve, 23,6% moderado e 25% grave.

Estes universitários fazem parte de uma grande parcela da população brasileira em insegurança alimentar: eram 116,8 milhões de pessoas nessa situação no país em 2020, segundo estimou o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19. De acordo com a pesquisa, a parcela da população afetada cresceu significativamente nos últimos dois anos.

Café em falta e remédio para dormir e não sentir fome

Quando conversou com a BBC News Brasil, Franciele Rodrigues, que mora com o namorado, hoje desempregado, contou que a única proteína que eles tinha em casa naquela semana era ovo — e, mesmo assim, esse estava sendo racionado.

"Ontem, a gente comeu ovo meio-dia e de noite, só um arrozinho com feijão para ter (ovo) no almoço hoje", disse.

Na sua universidade, a UFCSPA, não há um restaurante universitário — a existência deles não é obrigatória por lei. Mas Franciele conta com bolsa alimentação de R$ 300 mensais, além de R$ 400 de auxílio-moradia.

Sem conseguir um emprego por conta da rotina de aulas e estudos e com aluguel e outras despesas a pagar, esse valor é insuficiente para se manter, ela diz.

"No primeiro mês de faculdade, fiquei sem dinheiro porque a bolsa demorou a sair. Teve dias que eu não comi. Ou ia pra aula, ou comia."

Com a pandemia, o namorado, que trabalhava em um restaurante, perdeu o emprego. Sem as aulas presenciais, ela deixou de conseguir vender lanchinhos e sucos que vendia na faculdade, perdendo mais um bocado de renda. Em 2020, a universidade organizou a entrega de cestas básicas mensais para alunos com vulnerabilidades como ela, mas Franciele diz que neste ano deixou de receber a doação.

Hoje, até o café está faltando em casa, e as frutas são raridade. Por outro lado, ovos, salsichas e hambúrgueres congelados passaram a protagonizar as refeições.

"Pulamos o café da manhã. Costumamos almoçar e jantar", conta Franciele, dizendo já ter perdido uma disciplina quando as aulas eram presenciais, por não ter o que comer. "Hoje, vejo que a situação está horrível mesmo para quem não pega assistência estudantil."

Para a estudante de turismo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Juliana Castro, 21 anos, uma solução para conter a fome devido a refeições puladas tem sido dormir — às vezes através de remédios para isso. Durante sua trajetória universitária iniciada no segundo semestre de 2018, ela recebeu bolsas por alguns meses, não conseguiu empregos para complementar a renda e hoje conta estar endividada. Como essa situação financeira afeta diretamente sua alimentação, ela conta ter perdido quase 20kg nos últimos dois meses.

"Posso te dizer que o semestre passado eu passei acho que porque Deus quis. Eu não consegui ler texto, escrever então era fora de série", conta Juliana, que nasceu na pequena cidade de Palma (MG) e mora hoje em um alojamento da UFJF. "Não consigo me concentrar para fazer as coisas, fico com indisposição, cansaço. Já desmaiei por ficar sem comer. Fico com a barriga e a cabeça doendo de fome."

"Nos dias que eu não como nada, literalmente nada, eu só durmo. Às vezes eu tomo remédio para dormir, porque dormindo eu não sinto fome."

Desde o início da faculdade, a estudante teve a ajuda de amigos, que dividem com ela compras ou emprestam o dinheiro ou o cartão; e recebeu por algum tempo algumas bolsas, sempre com valores abaixo de um salário mínimo.

Juliana conta que durante dois anos recebeu uma bolsa vinculada ao Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), mas a vigência do benefício acabou. Ela também recebeu por alguns meses uma bolsa bancada por emendas parlamentares destinadas à Diretoria de Imagem Institucional da UFJF, precisando em contrapartida trabalhar em projetos de extensão. Entretanto, os pagamentos desta são irregulares.

Em nota, a UFJF afirmou que "dada a origem dos recursos — emenda parlamentar — o pagamento da bolsa dependia do envio de recursos financeiros pelo Congresso, o que não ocorreu de forma linear e seguindo prazos pré-estabelecidos".

A universidade afirmou que as bolsas pagas a alunos de graduação tinham até junho o valor de R$ 400, mas esses valores precisaram ser reduzidos para R$ 300 "em virtude das restrições orçamentárias às quais as universidades brasileiras foram submetidas".

Já a UFCSPA, onde estuda Franciele Rodrigues, afirmou em nota enviada à reportagem que está construindo um restaurante universitário, com previsão para abertura em 2022: "(…) cabe informar que a UFCSPA se tornou universidade federal em 2008, e desde então esta demanda (por um restaurante) tem sido apresentada pela comunidade universitária, demanda que está sendo encaminhada pela atual gestão."

"Salientamos a importância do PNAES que, mesmo com elevados cortes orçamentários, em conjunto com demais políticas públicas, tem sido um instrumento que colabora na segurança alimentar e na permanência estudantil no ensino superior", acrescentou a UFCSPA.

O impacto dos cortes para as universidades

O Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) foi criado em 2010 e repassa verbas a instituições federais de ensino superior para que estas forneçam, conforme suas políticas internas, assistência aos universitários na moradia, alimentação, transporte, inclusão digital, entre outros.

Entretanto, a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz, diz que estas ações estão prejudicadas no contexto de "corte de mais de R$ 1 bilhão" no orçamento das universidades federais, citando dado da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) sobre a diminuição de verbas entre 2020 e 2021.

A Andifes diz que os recursos para o PNAES já têm sido insuficientes nos últimos anos, e que idealmente deveriam chegar a R$ 1,5 bilhão. Entretanto, segundo levantamento da entidade, em 2021 houve a maior redução no orçamento para o programa nos últimos cinco anos: o valor executado diminuiu 15,78%, caindo de R$ 1 bilhão em 2020 para R$ 874 milhões em 2021.

Esses valores são nominais — ou seja, não consideram a variação da inflação. Portanto, a diminuição do orçamento é na realidade maior do que 15,78%.

Na outra ponta, isso se reflete na evasão dos estudantes, segundo a presidente da UNE.

"Uma vez que a crise econômica é muito maior agora, e mais estudantes e suas famílias perderam rendas, a verba destinada a esses programas e bolsas não acompanhou a necessidade. Ainda não temos dados sobre a evasão universitária no pós-pandemia, mas com certeza, eles devem se elevar", escreveu Brelaz à BBC News Brasil.

O Ministério da Educação não atendeu ao pedido de posicionamento da reportagem.

Estudante de Direito, Erisvan Bispo, 43 anos, sabe bem o que é o descompasso entre o valor das bolsas e as necessidades. Indígena, ele recebe a Bolsa Permanência no valor de R$ 900 e, no passado, recebia também auxílio moradia e alimentação.

A Bolsa Permanência foi criada em 2013 pelo governo federal. Trata-se de um auxílio financeiro destinado sobretudo a universitários indígenas e quilombolas em instituições federais.

Em 2019, Erisvan precisou optar por alguma das bolsas, pois uma regra da sua universidade, a Federal da Paraíba (UFPB), passou a vedar o acúmulo de auxílios estudantis com a Bolsa Permanência. Perto da sua casa em Mamanguape (PB) e no seu campus, não há restaurante universitário.

"Acompanhando o aumento do preço das coisas, você fica perplexo. Quando você pensa o quanto de dinheiro entra e o quanto tem que gastar, enlouquece", disse Erisvan à reportagem por telefone. "Direito é um curso que eu preciso me dedicar muito. Não é impossível estudar e trabalhar, mas para ficar com um coeficiente de rendimento alto, é difícil."

"Sem trabalho, eu dependo das políticas sociais."

O "preço das coisas", como disse o universitário, realmente tem subido consideravelmente na alimentação, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação nos alimentos e bebidas, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 11,7%, conforme registrado em outubro. Entre os 10 alimentos que mais tiveram aumento estão o pimentão (85,37%), açúcar refinado (47,8%), mandioca (40,7%), filé mignon (38%) e tomate (31,99).

Em nota, o professor Alfredo Rangel, pró-reitor de Assistência e Promoção ao Estudante da UFPB, afirmou que a universidade conta hoje com quatro restaurantes universitários e pretende abrir mais uma unidade em Mamanguape no ano que vem.

Ele acrescentou que, embora a UFPB tenha recebido um orçamento menor para assistência estudantil, a universidade conseguiu manter o valor e o número de bolsas normalmente ofertadas.

Também com orçamento apertado, no seu caso para bancar aluguel, moradia, internet, transporte e comida, Erisvan diz ter cortado da alimentação itens que chama de "supérfluos", como iogurte, queijo, biscoito recheado, goma para tapioca e frutas.

"A única carne que consigo comer é hambúrguer, calabresa e salsicha, porque é barato", afirma Erisvan, acrescentando ter perdido peso por conta da combinação falta de renda e estresse por todo este cenário.

Em um futuro próximo, ele diz depositar esperança em oportunidades de estágio remunerado e, a longo prazo, nos frutos que sua carreira pode trazer.

"Às vezes, por conta dos cortes (na educação superior), sinto revolta. Mas também sou muito grato por estar na universidade. Eu não acordo reclamando, lamentando… Eu sei que estou passando dificuldades para ter uma melhoria de vida. Acredito que algo de bom vai acontecer depois que eu me formar, depois da carteirinha da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)."

Vulnerabilidade da 'primeira geração'

Erisvan diz ter uma origem "paupérrima" e é o primeiro da família a ir para a universidade. Nascido em uma aldeia na serra do Ororubá, em Pernambuco, ele e a família migraram para São Paulo (SP) fugindo de conflitos por terra. Ele morou cerca de 30 anos na capital paulista e depois resolveu voltar a morar e estudar no Nordeste.

Assim como ele, Franciele Rodrigues e Juliana Castro também são da primeira geração de suas famílias a ir para a universidade.

Apesar de vir dos Estados Unidos, um dos maiores estudos já feitos sobre a insegurança alimentar nas universidades mostrou que estudantes de "primeira geração" — ou seja, cujos pais não tinham ensino superior —, aqueles com níveis socioeconômicos mais baixos, além de imigrantes e pessoas trans eram mais vulneráveis ao problema.

A pesquisa publicada em 2019, intitulada College and University Basic Needs Insecurity e realizada pelo Hope Center, entrevistou 86 mil estudantes em 123 universidades. Deste total, 45% foram considerados como sofrendo de insegurança alimentar nos 30 dias anteriores.

A nutricionista Tânia Aparecida de Araújo é uma das autores da pesquisa sobre a insegurança alimentar entre alunos vivendo no Conjunto Residencial da USP (Crusp) durante a pandemia. Ela diz que neste e em outros estudos realizados no Brasil, a baixa renda foi um dos fatores mais importantes para a insegurança alimentar dos universitários.

Dos alunos considerados em insegurança alimentar no Crusp, 92,6% tinham renda considerada insuficiente.

Para Araújo, é justamente a chegada de estudantes de baixa renda à universidade nas últimas décadas, movimento que ela atribui a políticas de inclusão dos governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011) e Dilma Rousseff (2011-2016), que impulsionou a insegurança alimentar nas universidades como tema de pesquisa.

"A gente tem agora mais pessoas de baixa renda entrando na universidade, o que é muito positivo, porque são ciclos de pobreza que podem ser quebrados. Mas antes, os universitários, principalmente de universidades públicas, eram de uma classe média branca. Agora, a gente realmente tem que dar atenção às políticas públicas para garantir, entre outras coisas, a segurança alimentar e nutricional desses estudantes", diz a pesquisadora, doutora em saúde pública pela USP.

A nutricionista aponta que, além da origem socioeconômica, os universitários ficam mais vulneráveis à insegurança alimentar à medida que deixam de ter redes de apoio como a alimentação e moradia na casa da família. Tendo que se virar sozinhos, muitos apelam às comidas ultraprocessadas como hambúrgueres e macarrão instantâneo porque são rápidas, práticas e baratas.

Ela também ressalta a importância dos restaurantes universitários mas diz que não deve-se esperar que eles contemplem integralmente todas as refeições dos alunos. Desejar comer em outros lugares além deles é legítimo — e em alguns casos necessário, como no caso de Juliana Castro, que teve problemas de intolerância a vários alimentos frequentes no cardápio do RU da sua universidade, como leite e carne de porco.

"A gente acha que a pessoa vulnerável tem que aceitar qualquer coisa, mas todo mundo tem direito de fazer suas escolhas alimentares. Por mais que tenha o restaurante universitário, é muito difícil você manter uma graduação fazendo todas as refeições, almoço e janta em um restaurante", diz Tânia Aparecida de Araújo, apontando para a importância das bolsas de auxílio, além dos RUs.

Para ela, os estudos têm se voltado para as universidades públicas justamente porque estas têm maior propensão a realizar pesquisas científicas — mas aponta que investigar a situação dos estudantes de faculdades particulares é também urgente, já que a presença de alunos de baixa renda nestas é grande, além do forte comprometimento financeiro que as mensalidades e financiamentos representam para eles.

Bruna Brelaz, da UNE, também aponta para diferenças entre os tipos de instituição. Enquanto as universidades federais contam o PNAES e a Bolsa Permanência, mesmo que aplicados de forma insuficiente na sua avaliação, as estaduais têm políticas e ações variando de acordo com a unidade federativa.

"Na nossa opinião, é preciso leis, decretos também estaduais, para garantir a manutenção desses direitos, além da regulamentação e constante fiscalização para as devidas condições de disponibilização deles", diz a presidente da UNE.

"Já nas universidades privadas, temos como realidade a falta de regulamentação, que dessa forma, não garante refeições com preço acessível, por exemplo", acrescenta. "Se alguma universidade privada institui esses restaurantes para estudantes ou vale alimentação é por iniciativa própria, mas sem haver uma regulamentação ou levantamento oficial."

22/11/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/11/pandemia-dos-nao-vacinados-entenda-os-riscos-de-quem-nao-toma-duas-doses-para-si-e-para-os-outros-ckwb8id7a00d4014cwodoanh8.html

“Pandemia dos não vacinados”: entenda os riscos de quem não toma duas doses para si e para os outros

Países na quarta onda registram cobertura vacinal abaixo dos 70%; Brasil e RS precisam aumentar população com esquema completo, alertam analistas

Em meio à quarta onda de covid-19 na Europa, analistas destacam cada vez mais os riscos gerados a si e ao outros por pessoas que não se vacinam — a ponto de um novo fenômeno se desvelar ao redor do mundo: a “pandemia dos não vacinados”.

A expressão descreve a piora de indicadores nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, onde a aplicação de duas doses empacou e não passa dos 70% da população. A situação mais crítica é em países do Leste Europeu, onde sequer 50% dos habitantes completaram o esquema vacinal.

De outro lado, nações com cobertura acima de 75%, como Portugal, Chile e Dinamarca, apresentam baixo índice de novas mortes, apesar de uma taxa de transmissão maior do que no Brasil — o que demonstra que a alta vacinação impede o aumento de casos graves, como mostram as estatísticas a seguir.

PAÍSES COM MAIOR VACINAÇÃO TÊM EPIDEMIA MAIS FRACA

Brasil e RS têm menor índice de novos casos e de novas mortes na última semana

(ver no link)

Analistas pontuam que a pandemia ainda não foi resolvida de vez porque muitas pessoas não se vacinaram, o que gera "bolsões" de alta transmissão da covid-19 e eleva o risco de surgirem novas variantes. Imunizantes reduzem — embora não impeçam — o contágio porque a pessoa vacinada carrega menor carga viral, transmite por menos tempo, e tosse e espirra menos.

— A pandemia atualmente é de não vacinados. A doença mais grave e a morte acontecem em não vacinados. Pessoas não vacinadas mantêm a circulação do vírus entre elas e acabam prejudicando também os vacinados, que acabam se contaminando — observa o médico Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

No Brasil e no Rio Grande do Sul, a covid-19 apresenta tendência de queda, puxada também pelo grande número de pessoas que se infectaram e ainda apresentam imunidade natural — o Brasil é o 10º país com maior taxa de pessoas contaminadas. Mas há temores sobre o que pode ocorrer nos próximos meses, sobretudo com grandes aglomerações como as do Carnaval.

Ao alertar sobre a "pandemia de não vacinados" na Europa, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) destacou, em relatório da semana passada, que apenas 60% dos brasileiros estão com duas doses, índice semelhante ao de países na quarta onda, como Alemanha, Áustria, Holanda e Bélgica.

O sanitarista Christovam Barcellos, pesquisador da Fiocruz e um dos autores do relatório, entende que o Brasil está mais próximo de vivenciar uma piora parecida com a que ocorre em países da Europa Central, onde a vacinação está entre 60% e 70%, do que semelhante ao Leste Europeu.

— Não devemos ter um risco como na Rússia, com baixa cobertura vacinal e inverno muito frio. É possível termos um padrão mais parecido com Inglaterra e França: taxa razoável de vacinação e menos casos graves. Mas precisamos aumentar a testagem e conscientizar a população de que é preciso as duas doses para reduzir a transmissão e termos apenas doença leve no verão — diz o sanitarista.

Não vacinados jamais tiveram tanto risco de adoecer por coronavírus, destaca a médica epidemiologista Lucia Pellanda, professora na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Dados da Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul (SES-RS) apontam que nove em cada 10 mortes por covid-19 na faixa etária até 39 anos são de pacientes sem vacinação completa. No grupo dos idosos, 99% dos indivíduos não receberam a dose de reforço.

— Quem tinha mais risco antes eram idosos, mas, agora, o risco maior é para quem não está vacinado. O vírus terá mais tendência a pegar quem não está vacinado, porque há menos pessoas não vacinadas — diz Pellanda.

Imunizantes são benéficos inclusive para quem já teve coronavírus: estudos mostram que esse grupo, ao ser vacinado, tem defesas maiores do que quem não teve covid e se vacinou. E, para quem tem covid longa, quando a doença provoca sintomas por meses, as vacinas têm apresentado redução dos transtornos.

— Os estudos demonstram que pessoas vacinadas transmitem menos do que não vacinados e por menos tempo. A pessoa, ao tomar a vacina, protege a si e aos próximos — resume o médico Eduardo Sprinz, chefe do setor de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, professor da Universidade de São Paulo (USP) e ex-secretário nacional da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, lembra que estudos sugerem que, depois de seis meses, a imunidade gerada tanto pela vacina quanto pela infecção natural começa a cair — por isso, a importância da vacinação e da dose de reforço, sobretudo antes do Carnaval, quando será completado um ano do ápice da epidemia brasileira.

— Com a movimentação que temos agora, não acredito em nova onda (no Brasil) porque está difícil de a Delta encontrar novos suscetíveis. Mas, se tivermos o Carnaval, teremos um desastre. Tudo que fazemos agora tem certo controle de quem pode ir e vir, porque precisa estar vacinado ou com PCR. Mas um evento de massa sem controle tem grande probabilidade de encontro com quem não tem nenhuma proteção — afirmou Vecina Neto durante exposição no programa InfoVacina da Agência Bori, na semana passada.

A Fiocruz destaca que o alerta da epidemia de não vacinados na Europa aponta que, para evitar o avanço descontrolado do vírus, é preciso elevar a cobertura de duas doses, manter o uso de máscaras em ambientes fechados, exigir passaporte vacinal e distanciamento em locais de interação. A médica epidemiologista Lucia Pellanda observa que encontros ao ar livre trazem menor risco, mas que não é possível entender as flexibilizações atuais como sinônimo de fim da pandemia:

— Festas ao ar livre são menos problemáticas, mas Carnaval é mais problemático. O ideal seria usar máscara por mais tempo e observar com cuidado o resultado de cada flexibilização. Não temos uma cobertura no Rio Grande do Sul tão grande para flexibilizar tanto. Não podemos fazer o que esses países fizeram. Precisamos olhar para frente — conclui. 

22/11/2021 – Notícias do Brasil

Link: https://br.noticias.yahoo.com/inclus%C3%A3o-docentes-negros-no-ensino-073000049.html

Inclusão de docentes negros no ensino superior pouco avança

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quem forma médicos, advogados, engenheiros e outros profissionais no ensino superior do Brasil são, sobretudo, pessoas brancas --e o cenário praticamente não mudou nos últimos anos.

Os dados oficiais são do Censo da Educação Superior do Inep-MEC (de 2019). As informações são baseadas em autodeclarações dos professores em exercício nas instituições de ensino superior públicas e privadas.

Por exemplo, pelo retrato, a USP --melhor universidade do país, de acordo com rankings nacionais e internacionais-- não chega a ter 4% de docentes negros.

Algumas universidades brasileiras são totalmente --ou quase-- brancas no seu corpo docente. Caso da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e das privadas do Contestado, Feevale, de Caxias do Sul e Católica de Pelotas. Todas essas instituições ficam no Sul do país.

É lá que está a menor participação de negros no corpo docente: apenas 6% de quem dá aula nas instituições de ensino superior sulistas se declara preto ou pardo. A taxa sobe um pouco no Sudeste (13%) e no Centro-Oeste (31%). No Norte e no Nordeste do país, pouco mais da metade dos professores que declararam cor/raça é negra.

Considerando todas as instituições de ensino superior, 23,6% dos docentes em exercício são pretos ou pardos. O avanço foi pequeno: em 2010, essa taxa era de 19,3%.

Os dados mostram que as políticas voltadas para inclusão racial têm observado resultados tímidos nas universidades brasileiras. E, pior, algumas dessas políticas estão próximas de expirar.

Caso da lei 12.990, de 2014, que determina reserva de 20% das vagas dos concursos públicos --incluindo para docentes nas universidades federais-- até 2024, quando termina sua vigência.

No ano de implementação dessa lei, o percentual de docentes negros especificamente nas universidades federais era de 24,4%. Agora, está em 28% --pouco acima da média nacional (de 23,6%), mas ainda bem abaixo da expectativa.

"O cenário quase não mudou", avalia Delton Felipe, historiador da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e diretor de Relações Institucionais da ABPN (Associação Brasileira de Pesquisadores Negros).

22/11/2021 – Notícias do Brasil

Link: https://noticias-do-brasil.com/rio-grande-do-sul/2021/11/22/curso-de-imunizacao-em-gestantes-para-profissionais-da-saude-tem-inscricoes-abertas-em-porto-alegre.html

Curso de imunização em gestantes para profissionais da saúde tem inscrições abertas em Porto Alegre

Gestantes foram vacinadas contra a Covid-19 em Porto Alegre — Foto: Prefeitura de Porto Alegre/Divulgação

Termina em 1º de dezembro o prazo para se inscrever em um curso de imunização em gestantes promovido pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em parceria com a Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS).

O curso é de graça, online e tem carga horária de 20h. As inscrições podem ser feitas pela internet .

Dirigido a todos os profissionais e estudantes da área da saúde, os conteúdos dão conta de imunizações para as gestantes e para os recém-nascidos, abordando aspectos históricos, epidemiológicos e específicos.

A estrutura está dividida em três módulos, conforme abaixo:

Módulo 1: História da vacinação no Brasil e no mundo; Programa Nacional de Imunizações; Logística de distribuição de imunobiológicos e Rede de Frio

Módulo 2: Assistência pré-natal; Epidemiologia; Cobertura Vacinal

Módulo 3: Calendário Vacinal da gestante e da gestante vivendo com HIV; Imunobiológicos e esquemas vacinais; Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI)

Outras informações podem ser obtidas pelo email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

22/11/2021 – G1 RS

Link: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/11/22/curso-de-imunizacao-em-gestantes-para-profissionais-da-saude-tem-inscricoes-abertas-em-porto-alegre.ghtml

Curso de imunização em gestantes para profissionais da saúde tem inscrições abertas em Porto Alegre

Especialização é online, de graça, e dirigida a todos os profissionais e estudantes da área da saúde. Prazo encerra dia 1º de dezembro.

Termina em 1º de dezembro o prazo para se inscrever em um curso de imunização em gestantes promovido pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em parceria com a Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS).

O curso é de graça, online e tem carga horária de 20h. As inscrições podem ser feitas pela internet.

Dirigido a todos os profissionais e estudantes da área da saúde, os conteúdos dão conta de imunizações para as gestantes e para os recém-nascidos, abordando aspectos históricos, epidemiológicos e específicos.

A estrutura está dividida em três módulos, conforme abaixo:

Módulo 1: História da vacinação no Brasil e no mundo; Programa Nacional de Imunizações; Logística de distribuição de imunobiológicos e Rede de Frio

Módulo 2: Assistência pré-natal; Epidemiologia; Cobertura Vacinal

Módulo 3: Calendário Vacinal da gestante e da gestante vivendo com HIV; Imunobiológicos e esquemas vacinais; Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI)

Outras informações podem ser obtidas pelo email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

22/11/2021 – Rádio Gêmeos FM

Link: https://www.radiogemeosfm.com.br/news-curso-de-imunizacao-em-gestantes-para-profissionais-da-saude-tem-inscricoes-abertas-em-porto-alegre

CURSO DE IMUNIZAÇÃO EM GESTANTES PARA PROFISSIONAIS DA SAÚDE TEM INSCRIÇÕES ABERTAS EM PORTO ALEGRE

Especialização é online, de graça, e dirigida a todos os profissionais e estudantes da área da saúde. Prazo encerra dia 1º de dezembro. Gestantes foram vacinadas contra a Covid-19 em Porto Alegre Prefeitura de Porto Alegre/Divulgação Termina em 1º de dezembro o prazo para se inscrever em um curso de imunização em gestantes promovido pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em parceria com a Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS). O curso é de graça, online e tem carga horária de 20h. As inscrições podem ser feitas pela internet. Dirigido a todos os profissionais e estudantes da área da saúde, os conteúdos dão conta de imunizações para as gestantes e para os recém-nascidos, abordando aspectos históricos, epidemiológicos e específicos. A estrutura está dividida em três módulos, conforme abaixo: Módulo 1: História da vacinação no Brasil e no mundo; Programa Nacional de Imunizações; Logística de distribuição de imunobiológicos e Rede de Frio Módulo 2: Assistência pré-natal; Epidemiologia; Cobertura Vacinal Módulo 3: Calendário Vacinal da gestante e da gestante vivendo com HIV; Imunobiológicos e esquemas vacinais; Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI) Outras informações podem ser obtidas pelo email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. VÍDEOS: Tudo sobre o RS

Fonte: G1 RS

19/11/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2021/11/diversidade-racial-aumenta-nas-universidades-mas-ampliacao-da-presenca-de-negros-na-pos-graduacao-ainda-e-um-desafio-ckw6fll6f002w014ci3t8y6e8.html

Diversidade racial aumenta nas universidades, mas ampliação da presença de negros na pós-graduação ainda é um desafio

Mudanças estabelecidas sobretudo com a Lei de Cotas começam a se refletir no currículo e nas pautas debatidas nos cursos superiores

Com a Lei de Cotas e a crescente presença de alunos negros nas universidades, aos poucos as discussões internas nessas instituições, o que inclui os currículos dos cursos superiores, vão absorvendo as questões de diversidade racial (leia mais sobre isso na primeira parte desta reportagem).

A percepção do estudante de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Wellington Porto, 23 anos, por exemplo, é de que o debate sobre questões étnicas tem ganhado força nos últimos anos na instituição, embora ainda precise evoluir:

– Temos apoio de muitos professores, mas mudar o currículo de um curso fere muitos deles, que se sentem atacados, acham que a mudança não precisa ser agora, e o processo nunca se inicia. Estou me formando para ser professor e acho que o grande déficit, hoje, é na formação dos professores em uma educação antirracista.

Alan Alves de Brito, professor de Física e coordenador do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros, Indígenas e Africanos (Neab) da UFRGS, revela uma realidade em que o ingresso de pessoas negras na pós-graduação ainda é um desafio, bem como a ampliação da diversidade de professores – há menos de 1% de docentes negros na instituição.

– Se não pensarmos nisso, vamos fazer valer o “efeito tesoura”: as pessoas negras entram na graduação, mas são cortadas ao longo da carreira acadêmica. No mestrado, doutorado, pós-doutorado, a representatividade vai diminuindo de forma assustadora – comenta o coordenador do Neab.

Na pós-graduação, segundo balanço de 2019 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), 29% dos alunos eram pretos ou pardos, em uma realidade de 56% da população negra. Brito aposta na ampliação desse percentual para, com o tempo, aumentar também a presença de negros entre os professores. Hoje, há um grupo de trabalho sobre o assunto na UFRGS. A expectativa é de que uma resolução a respeito seja criada em alguns meses e padronize a oferta das vagas, que varia em cada unidade acadêmica. Para a entrada de servidores, já há reserva de 20% das vagas para pretos e pardos. Nos últimos concursos da UFRGS, entre 2016 e 2018, entraram 110 servidores técnicos e oito docentes negros.

– Já muda muito o mundo laboral. Trabalho na UFRGS há 36 anos, e, na última década, foram criados coletivos negros, instrumentos de pressão política. Isso qualificou a universidade e gerou ativo econômico para o povo negro – diz Edilson Nabarro, coordenador de Acompanhamento do Programa de Ações Afirmativas da UFRGS.

O debate sobre como manter os negros nas pós-graduações também existe na  Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) . Lá, ainda não há reserva de vagas, mas a intenção é de que os próximos editais de seleção incluam cotas. Na nomeação de professores, porém, a pró-reitora Mônica afirma que a reserva é mais desafiadora, já que as seleções costumam prever poucas vagas, e para áreas específicas.

21/11/2021 – Folha de São Paulo

Link: https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2021/11/inclusao-de-professores-negros-no-ensino-superior-pouco-avanca-em-nove-anos.shtml

Inclusão de professores negros no ensino superior pouco avança em dez anos

Proporção foi de 19,3% em 2010 para 23,6% em 2019; leis sobre o tema estão perto de expirar

Quem forma médicos, advogados, engenheiros e outros profissionais no ensino superior do Brasil são, sobretudo, pessoas brancas —e o cenário praticamente não mudou nos últimos anos.

Os dados oficiais são do Censo da Educação Superior do Inep-MEC (de 2019). As informações são baseadas em autodeclarações dos professores em exercício nas instituições de ensino superior públicas e privadas.

Por exemplo, pelo retrato, a USP —melhor universidade do país, de acordo com rankings nacionais e internacionais— não chega a ter 4% de docentes negros.

Algumas universidades brasileiras são totalmente —ou quase— brancas no seu corpo docente. Caso da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e das privadas do Contestado, Feevale, de Caxias do Sul e Católica de Pelotas. Todas essas instituições ficam no Sul do país.

É lá que está a menor participação de negros no corpo docente: apenas 6% de quem dá aula nas instituições de ensino superior sulistas se declara preto ou pardo. A taxa sobe um pouco no Sudeste (13%) e no Centro-Oeste (31%). No Norte e no Nordeste do país, pouco mais da metade dos professores que declararam cor/raça é negra.

Considerando todas as instituições de ensino superior, 23,6% dos docentes em exercício são pretos ou pardos. O avanço foi pequeno: em 2010, a taxa de pretos e pardos era de 19,3%.

Os dados mostram que as políticas voltadas para inclusão racial têm observado resultados tímidos nas universidades brasileiras. E, pior, algumas dessas políticas estão próximas de expirar.

Caso da lei 12.990, de 2014, que determina reserva de 20% das vagas dos concursos públicos —incluindo para docentes nas universidades federais— até 2024, quando termina sua vigência.

No ano de implementação dessa lei, o percentual de docentes negros especificamente nas universidades federais era de 24,4%. Agora, está em 28% —pouco acima da média nacional (de 23,6%), mas ainda bem abaixo da expectativa.

"O cenário quase não mudou", avalia Delton Felipe, historiador da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e diretor de Relações Institucionais da ABPN (Associação Brasileira de Pesquisadores Negros).

Felipe tem se dedicado a avaliar o impacto das leis de inclusão racial na educação —como a 12.990 que, para ele, tem de ser prorrogada.

O problema é que muitas universidades têm feito uma leitura de que a reserva legal de 20% deve se dar em vagas para uma mesma área. Ou seja: se uma instituição, por exemplo, abrisse cinco vagas para docentes na área específica de "sistemas e materiais estruturais", então uma delas seria para um candidato negro. Só que isso nunca acontece.

E como resolver isso?

"É preciso considerar o total de vagas abertas para concurso docente em toda a universidade." Isso significa que se uma instituição abrir cinco vagas em diferentes áreas do conhecimento, pelo menos uma delas tem de aprovar um candidato negro.

Além da reserva de vagas, Felipe destaca também a importância da diversidade racial nas bancas de seleção dos concursos para docentes das universidades —pauta também do movimento feminista. São as bancas, afinal, que escolhem os candidatos aprovados.

"É preciso fazer valer as legislações e é necessário ir além", diz Alan Alves Brito, astrofísico da UFRGS. Para ele, ações afirmativas devem visar também a manutenção dos estudantes negros que ingressam no ensino superior. "Existe um efeito tesoura dos corpos negros, que vão desaparecendo ao longo da carreira."

A falta de diversidade de pretos e pardos no ensino superior brasileiro é velha conhecida do movimento negro do país. Ganhou força com a chamada Lei de Cotas, de 2012, que determina que 50% das vagas das instituições federais de ensino devem ser preenchidas por autodeclarados pretos, pardos, indígenas e por pessoas com deficiência.

"Nessa época, começa a integração de alunos negros no ensino superior, mas esses estudantes não tinham em quem se projetar", diz Felipe. "Era preciso aumentar o número de pessoas negras no serviço público. Constatou-se que a universidade brasileira era extremamente branca."

No ano que vem, a Lei de Cotas completa uma década e será revisada —o que foi definido em legislação complementar, de 2016. Há receios de que perca força sem bons resultados.

Hoje, a proporção de alunos pretos e pardos nas instituições de ensino superior brasileiras é maior do que a de docentes, mas também é desigual: não chega a 39% dos matriculados no Sudeste e nem a 17% no Sul.

Na pós-graduação, como a Folha já mostrou, só 1 em cada 4 matriculados em programas de mestrado e de doutorado no Brasil é negro. Em áreas como medicina e odonto, a participação dos negros cai para 1 em cada 10 cientistas em formação.

O diagnóstico sobre raça no ensino superior brasileiro é incompleto porque faltam informações. No Censo da Educação Superior, há dados declarados de cor/raça sobre pouco mais de dois terços dos professores de todas as instituições de ensino superior públicas e privadas do país.

Cerca de um terço dos professores preferiu não informar cor/raça (taxa que sobe para quase metade especificamente no caso das universidades federais). Em algumas universidades, a maioria dos docentes não declara informação sobre cor/raça, caso das federais do Amazonas, Rural do Rio de Janeiro, do Oeste do Pará e de Pelotas.

Nesse levantamento, a Folha se baseou nos dados declarados do Censo —e só menciona, no texto, universidades específicas que tiveram pelo menos dois terços do seu corpo docente com respostas declaradas para cor/raça (o que corresponde à média nacional).

19/11/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2021/11/como-com-impulso-das-cotas-a-diversidade-racial-esta-mudando-a-cara-das-universidades-federais-gauchas-ckw6dzta80026014chqofoayf.html

Como, com impulso das cotas, a diversidade racial está mudando a cara das universidades federais gaúchas

Nova realidade do Ensino Superior começa a se refletir no currículo, nas pautas debatidas nos campi e na própria feição das instituições

A última década foi de mudanças drásticas na cara das universidades federais. Demanda histórica dos movimentos negros, a criação, em 2012, da Lei de Cotas, que destina 50% das vagas em instituições federais de Ensino Superior (Ifes) a egressos de escolas públicas e, destas, no mínimo o proporcional ao número de pessoas pretas, pardas e indígenas registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em cada unidade da federação, fez com que começasse a circular pelos campi uma diversidade de estudantes que reflete mais o perfil populacional brasileiro. Se a cara mudou, contudo, mudanças curriculares que envolvam questões étnico-raciais seguem sendo um desafio que inclui outras variáveis, como a presença de mais de docentes negros nas cátedras.

Em 2010, 53,9% dos alunos das Ifes do país eram brancos e 40,8%, negros (pretos ou pardos). Esse índice quase se inverteu em 2018: passou para 43,3% e 51,2%, respectivamente, segundo a V Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico e Cultural dos Graduandos das Ifes. O percentual se aproxima da realidade brasileira, de 42,7% de brancos e 56,2% de pretos ou pardos, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua de 2019.

No Rio Grande do Sul, três em cada quatro alunos das instituições federais eram brancos em 2018. Porém, o Índice de Inclusão Racial (IIR), que corresponde à razão entre a proporção de pretos, pardos e indígenas (PPIs) na universidade e a proporção na população, era o melhor do Brasil, ao lado de Rondônia, com 1,11. Ou seja: a proporção de PPIs em universidades e institutos federais gaúchos é maior do que a proporção dessa população no Estado.

Quando Carlos Daniel Vieira, 21 anos, ingressou no curso de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em 2018, não se sentia pertencente àquele espaço. Diz que, nos corredores, via poucas pessoas parecidas com ele e se sentia isolado. Aos poucos, porém, foi tendo mais colegas negros e, juntos, pautaram questões étnico-raciais. Aos poucos, a universidade se tornava mais a sua cara.

– Muita coisa mudou. Em 2018, foi a primeira vez que teve a verificação das autodeclarações étnico-raciais, que evita fraudes, e, desde então, a cada ano a cara da universidade está mudando, e isso em uma instituição com cursos da área da saúde, em que estatisticamente pessoas brancas dominam – ressalta Carlos.

Primeira pró-reitora negra da UFCSPA, Mônica Celestina de Oliveira, que comanda a área de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis, acompanhou, nos seus 10 anos de instituição, mudanças como a inclusão da disciplina de Relações Étnico-Raciais como obrigatória no curso de Gestão em Saúde e optativa em Enfermagem. Outras graduações também oferecem disciplinas eletivas com temáticas étnico-raciais.

Em 2020, outro passo foi dado: foi lançado o Grupo de Estudos Afrobrasileiros (Geab), com professores, alunos, técnicos e bolsistas. Eles promovem debates e levam questões para o conselho universitário. O Coletivo Negro Raça criou o podcast semanal PretoPod. A disciplina eletiva Saúde da População Negra e Questões Afrobrasileiras foi oferecida em 2020 e teve grande adesão: inicialmente prevista para ter 40 vagas, acabou sendo ministrada para 80 alunos, brancos e negros.

– Estamos discutindo que essas disciplinas hoje eletivas sejam obrigatórias, porque é um tema importante na formação. Isso ainda não se consolidou, porque a revisão da matriz curricular envolve vários aspectos, mas acredito que já exista uma mudança no ambiente da universidade, a partir dessa pluralidade inerente aos ambientes acadêmicos – pontua a pró-reitora.

Estudante de Psicologia na UFCSPA, Marina Helena Dias da Costa, 22 anos, cursou toda a Educação Básica em escolas particulares e nunca teve mais do que um colega negro. Na universidade, a presença de mais negros lhe motivou a se engajar em pautas étnico-raciais.

– Na Psicologia, estudamos o impacto de os negros não terem representantes nos espaços. Homens negros são remetidos a criminosos e mulheres negras, a objetos sexuais. Se a pessoa não vê outros negros na universidade, sendo professores, no mestrado e no doutorado, ela pode nem deixar esse sonho nascer – ressalta Marina.

Na área da saúde, a estudante entende que é importante analisar como o social pode adoecer. Aluno de Medicina, Carlos lembra que mais da metade da população que usa o Sistema Único de Saúde (SUS) é negra, mas ainda não há espaços consolidados para tratar da saúde de pretos e pardos. A presença de mais profissionais negros traz, em seu entendimento, um olhar mais apurado para essas questões.

– Se tu vais a um postinho, muitos dos pacientes são negros, mas o atendimento é feito por pessoas brancas. Um médico ou enfermeiro negro vai entender mais a vivência daquele paciente, toda a questão psicossocial por trás, e, muitas vezes, a pessoa vai se sentir mais à vontade– acrescenta Carlos.

Pensada para reduzir as desigualdades de acesso, a Lei de Cotas tem em seu centro a reserva de 50% das vagas em cada graduação para quem cursou todo o Ensino Médio em escola pública. Dentro dessas vagas, há modalidades voltadas para pessoas de baixa renda, para pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência.

A demanda por políticas públicas específicas para a população negra se iniciou em 1995, 17 anos antes da Lei de Cotas, quando a Marcha Zumbi dos Palmares levou um documento ao então presidente Fernando Henrique Cardoso, como relata o professor e pesquisador da História da Cultura Negra no Brasil José Antônio dos Santos, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Os principais avanços, contudo, ocorreram nos anos 2000.

Na UFRGS, o debate ganhou força em 2006, fruto da pressão dos ainda poucos negros na universidade. A criação de cotas foi aprovada em 2007 e posta em prática no vestibular de 2008, com reserva de 15% das vagas para negros e 15% para egressos de escolas públicas. No processo seletivo anterior, 3,17% dos ingressantes eram negros. Houve protestos contra a reserva de vagas, sob o argumento de que a qualidade da instituição cairia – o que não ocorreu. Em 2007, pichações racistas foram flagradas no campus central. Com o tempo, porém, a discussão arrefeceu. Os percentuais de vagas aumentaram com a Lei de Cotas, em 2012.

– Foi um raro momento de discussão da relação racial no Brasil, o que só havia ocorrido antes da abolição da escravatura. Parte dos argumentos contrários eram semelhantes nas duas ocasiões. Esse debate foi fundamental para o entendimento das desigualdades raciais no país – observa José Antônio dos Santos.

Hoje, com três gerações de cotistas já graduados na universidade, o movimento negro estudantil está consolidado. Há alguns anos é feita uma foto dos negros da UFRGS na reitoria, sempre no dia 20 de novembro. A programação do Novembro Negro é movimentada – no dia 13, foi promovida a exposição O que os Negros Fazem na UFRGS, pelo Diretório Central de Estudantes (DCE), com banners com informações sobre trabalhos realizados por pretos e pardos.

– A ideia é de um questionamento dúbio, que pode vir de um racista, mas pode ser respondido de forma positiva: eles estão produzindo ciência, pesquisa, projetos sociais, possibilitados pela política de inserção de pessoas que não ocupavam esses espaços antes – resume Patrick Veiga, membro do DCE.

A situação das universidades federais do Interior

Na Universidade Federal do Rio Grande (Furg), as ações afirmativas começaram nos anos 1990, para pessoas com deficiência. Em 2009, foi criado o Programa de Ação Inclusiva (Proai), que previa a bonificação de pessoas negras e indígenas oriundas de escolas públicas nos processos seletivos. Para além da Lei de Cotas, hoje a instituição também tem 10 vagas extras para indígenas e quilombolas em cada semestre. O currículo, no entanto, não sofreu tantas mudanças. A disciplina Sociedade, Educação e Relações Étnico-Raciais é oferecida como obrigatória em alguns cursos e, em outros, é optativa, sendo disponibilizada, no total, para 14 graduações. Na pós-graduação, desde 2019 há cotas de 20%, mas a permanência dos alunos também é um desafio.

– Muitas dessas pessoas têm mais camadas de vulnerabilidades e opressões e são mais atingidas em qualquer crise. A universidade tem o desafio de criar um ambiente acolhedor para essa diversidade – analisa Elisa Celmer, coordenadora de Ações Afirmativas, Inclusão e Diversidades da Furg.

A mudança no perfil dos alunos também não foi acompanhada pela mesma transformação no perfil dos docentes e dos currículos na Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A coordenadora de Inclusão e Diversidade da instituição, Airi Sacco, avalia que, enquanto a “maioria esmagadora” dos professores for branca, a mudança curricular deve esperar:

– A política de cotas é um sucesso, mas precisamos também mudar o perfil do corpo docente, para a mudança ser ainda mais efetiva.

A coordenadora da UFPel acrescenta que, ainda que exista a reserva de 20% das vagas de servidores públicos a negros e indígenas, o índice dificilmente é cumprido. Entre os motivos, está o fato de a reserva só ocorrer em editais com mais de três vagas, e, muitas vezes, os processos seletivos serem menores. Outro empecilho é a necessidade de reavaliar cada critério de seleção, a fim de tornar as pontuações mais objetivas.

Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), uma política de cotas para a pós-graduação deve ser aprovada em breve, semelhante à reserva de vagas das graduações. A instituição, que aderiu às cotas em 2007, tem tradição na área de ações afirmativas, salienta Jerônimo Tybusch, pró-reitor de Graduação:

– Fomos precursores na realização de entrevistas com autodeclarados, para aferir a identificação. Nossa comissão se tornou referência e já fomos convidados a dar vários cursos e coordenar seleções.

De 2010 até hoje, de 71.131 alunos que ingressaram na UFSM, 6.426 são autodeclarados pretos, pardos ou indígenas. Boa parte dos que ingressaram por questões socioeconômicas vão morar na casa do estudante da universidade, que atende 2,1 mil pessoas. Junto a questões de gênero e meio ambiente, o debate étnico-racial é pautado na disciplina Temas Transversais, que é obrigatória nas licenciaturas e, em breve, deverá ser também nos bacharelados.

17/11/2021 – O Sul

Link: https://www.osul.com.br/dilma-recebe-homenagem-especial-da-santa-casa/

Dilma recebe homenagem especial da Santa Casa

Em visita à Santa Casa de Misericórdia, no Centro Histórico de Porto Alegre, a ex-presidente Dilma Rousseff recebeu uma homenagem solene por sua sua atuação em prol da instituição de saúde durante o período em que comandou o Executivo federal (2011-2016). O evento incluiu a inauguração de uma placa e a entrega de uma réplica à petista.

A ex-mandatária – que completará 74 anos no dia 14 de dezembro – foi recepcionada no Salão Nobre pelo provedor Alfredo Englert e pelos vice-provedores Vladimir Giacomuzzi e Vilson Darós. Também participaram a reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Campos Pellanda, diretores-executivos e médicos.

Da área política, compareceram correligionários de Dilma Rousseff como o ex-governador e ex-ministro gaúcho Olívio Dutra (1999-2002), os deputados federais Henrique Fontana e Pepe Vargas (que também são médicos), juntamente com assessores e outros convidados. Quem também prestigiou a cerimônia foi a advogada e ex-candidata parlamentar Fernanda Mendes Ribeiro, ligada ao MDB.

“Sem viés político”

Alfredo Englert destacou na ocasião uma importante característica da Santa Casa, que é a de “expressar gratidão a todos que atuam em prol da instituição”. Ele fez questão de ressaltar algo fundamental, sobretudo em tempos marcados pela polarização: a Santa Casa não tem partido ou preferência política, mas a missão de levar assistência médica de qualidade a todos os que dela necessitam.

Em seguida, o diretor-geral Julio Matos fez uma breve prestação de contas da aplicação dos recursos cuja destinação à Santa Casa tiveram a decisiva participação da então presidente Dilma Rousseff. Ele mencionou como exemplo as emendas de bancada em 2009, 2011 e 2016 – ano em que a petista foi afastada do cargo (já em segundo mandato) por meio de um processo de impeachment no Congresso Nacional.

“Agradecimento legítimo”

Ao final da sessão solene, a ex-presidente (que também foi ministra das Minas e Energia no governo de Luiz Inácio Lula da Silva) se disse alegre e gratificada pela homenagem.

“O fato de eu não comandar mais o País torna este momento ainda mais especial”, discursou. “Trata-se de um agradecimento legítimo, despojado de qualquer viés político.”

Em seguida, Dilma Rousseff visitou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e unidades de internação do Hospital Santa Clara. O roteiro priorizou algumas das áreas modernizadas com os recursos no período em que ela estava no Palácio do Planalto.

15/11/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/11/uso-e-descarte-incorreto-de-remedios-pode-causar-prejuizos-a-saude-e-ao-meio-ambiente-projeto-da-ufcspa-orienta-sobre-o-assunto-ckw172sse00ae016f0oru84pm.html

“Uso e descarte incorreto de remédios pode causar prejuízos à saúde e ao meio ambiente; projeto da UFCSPA orienta sobre o assunto

Medicamentos vencidos podem ser entregues em farmácias de Porto Alegre, que se responsabilizam pela destinação correta

Durante um tratamento médico, devemos guardar nossos remédios na mochila, na geladeira ou em armários do quarto, da cozinha e do banheiro? E, após o término,  descartamos o que sobrou no vaso sanitário, no lixo orgânico ou no lixo seco? Ou simplesmente os guardamos em casa para utilizá-los novamente quando preciso, mesmo sem uma nova prescrição?

São dúvidas como essas sobre uso, armazenamento e descarte correto de medicamentos que podem gerar uma série de problemas à população — entre eles, a poluição do meio ambiente e a intoxicação de crianças, adultos e animais, seja em decorrência de automedicação ou de consumo indevido de remédios.

Uma pesquisa realizada em 2019 pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), por meio do Instituto Datafolha, mostrou que 77% dos brasileiros que haviam utilizado remédios nos seis meses anteriores tinham a automedicação como um hábito comum. O estudo também apontou que 57% dos entrevistados não usa os medicamentos prescritos conforme orientado, alterando a dose receitada, e que outros 22% tiveram dúvidas enquanto faziam seus tratamentos.

Em relação ao descarte de remédios que sobram ou vencem, 76% dos participantes indicaram que o fazem de forma incorreta. A maioria deles utiliza o lixo comum, enquanto 10% disseram jogar esse tipo de resíduo no esgoto doméstico, por meio de pias, vasos sanitários e tanques. Foi pensando em amenizar problemas assim que, em 2012, foi criado na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) o programa de extensão Cuidando da Farmácia Caseira.

O projeto tem como objetivo promover o uso racional e o armazenamento e o descarte adequados dos medicamentos vencidos ou sem uso. Kellen de Souza, professora da universidade e coordenadora do Cuidando da Farmácia Caseira, explica que o foco principal é alertar sobre os cuidados necessários com o estoque domiciliar de remédios, seja de uso eventual ou contínuo. Segundo ela, esse olhar é importante porque, muitas vezes, casos de intoxicação estão relacionados ao uso de medicamentos que sobram de tratamentos anteriores ou são adquiridos sem prescrição médica.

— Os medicamentos são produtos que têm substâncias químicas e há testes que determinam o prazo de validade deles, então, se expirou, não pode ser consumido, porque pode causar danos à saúde — alerta a docente, ressaltando que a ampla oferta de remédios com venda livre e a compra indiscriminada são alguns dos fatores responsáveis pelo alto volume de resíduos desse tipo.

A importância do descarte adequado

De acordo com a professora, o descarte adequado ajuda a evitar que as pessoas utilizem medicamentos vencidos ou incorretos e uma série de problemas ambientais, como a contaminação do solo, da atmosfera e dos lençóis freáticos. Quando jogados no vaso sanitário ou na pia, por exemplo, os remédios acabam caindo no esgoto e indo parar em cursos d'água e mananciais. E, quando atingem esses locais, não há como removê-los.

Por outro lado, quando descartados em lixo comum, seja orgânico ou seco, esses medicamentos podem prejudicar pessoas ou animais que tenham acesso aos aterros para onde os resíduos são encaminhados.

Para evitar o acúmulo desnecessário de medicamentos, é importante sempre ter orientação e acompanhamento profissional — o que ajudará a adquiri-los na quantidade adequada e a utilizá-los de forma racional. Kellen afirma que o ideal é descartar os remédios sempre que eles estiverem vencidos ou sobrando.”

15/11/2021 – G1 RS

Link: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/11/15/intervalo-da-dose-de-reforco-contra-a-covid-e-reduzido-de-seis-para-cinco-meses.ghtml

“Intervalo da dose de reforço contra a Covid é reduzido de seis para cinco meses em Porto Alegre

Medida visa reduzir casos graves e internações pela doença. Segundo levantamento, mais de 99% dos idosos que morreram de Covid no RS nas últimas 10 semanas estavam sem a dose de reforço

A Prefeitura de Porto Alegre anunciou, para esta terça-feira (16), a redução do intervalo de aplicação da dose de reforço da vacina contra a Covid-19. O espaço entre a segunda dose e o complemento passou de seis para cinco meses.

Já nesta terça, o município começa a atender idosos e profissionais de saúde que tomaram a segunda dose até o dia 16 de junho.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), a decisão ocorre após reunião da Comissão Intergestores Bipartite, que envolve prefeituras e representantes Secretaria Estadual de Saúde (SES), na última sexta (12). Também é aguardada para esta terça a publicação da nota técnica com a orientação da SES para os demais municípios.

A SMS justifica a redução do prazo, citando o objetivo de vacinar mais rapidamente o grupo de idosos, evitando agravamento de casos e hospitalizações. Um estudo da SES mostra que 99,3% dos idosos que morreram de Covid entre 28 de agosto e a segunda semana de novembro no RS não tinham tomado a dose de reforço.

"A dose de reforço é fundamental exatamente para isso. É o momento de aqueles que não foram vacinados serem incentivados", comenta o epidemiologista Airton Stein, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Atualmente, o Rio Grande do Sul tem 818 mil pessoas com a dose de reforço, o que corresponde a 7,1% da população.”

15/11/2021 – Rádio Nova Salvador

Link: https://www.radionovasalvadorfm.com.br/news-intervalo-da-dose-de-reforco-contra-a-covid-e-reduzido-de-seis-para-cinco-meses-em-porto-alegre

INTERVALO DA DOSE DE REFORÇO CONTRA A COVID É REDUZIDO DE SEIS PARA CINCO MESES EM PORTO ALEGRE

Medida visa reduzir casos graves e internações pela doença. Segundo levantamento, mais de 99% dos idosos que morreram de Covid no RS nas últimas 10 semanas estavam sem a dose de reforço Homem sendo vacinado contra a Covid-19 em Porto Alegre Cristine Rochol/PMPA A Prefeitura de Porto Alegre anunciou, para esta terça-feira (16), a redução do intervalo de aplicação da dose de reforço da vacina contra a Covid-19. O espaço entre a segunda dose e o complemento passou de seis para cinco meses. Já nesta terça, o município começa a atender idosos e profissionais de saúde que tomaram a segunda dose até o dia 16 de junho. Veja quem pode se vacinar nesta terça na Capital Segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), a decisão ocorre após reunião da Comissão Intergestores Bipartite, que envolve prefeituras e representantes Secretaria Estadual de Saúde (SES), na última sexta (12). Também é aguardada para esta terça a publicação da nota técnica com a orientação da SES para os demais municípios. A SMS justifica a redução do prazo, citando o objetivo de vacinar mais rapidamente o grupo de idosos, evitando agravamento de casos e hospitalizações. Um estudo da SES mostra que 99,3% dos idosos que morreram de Covid entre 28 de agosto e a segunda semana de novembro no RS não tinham tomado a dose de reforço. "A dose de reforço é fundamental exatamente para isso. É o momento de aqueles que não foram vacinados serem incentivados", comenta o epidemiologista Airton Stein, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Atualmente, o Rio Grande do Sul tem 818 mil pessoas com a dose de reforço, o que corresponde a 7,1% da população. VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/11/15/intervalo-da-dose-de-reforco-contra-a-covid-e-reduzido-de-seis-para-cinco-meses.ghtml

10/11/2021 – Veja Saúde

Link: https://saude.abril.com.br/medicina/novos-habitos-ajudam-a-vencer-as-superbacterias-uma-preocupacao-mundial/

“Novos hábitos ajudam a vencer as superbactérias, uma preocupação mundial

Uso exagerado e errado de antibióticos é uma das causas do problema, que pode matar 10 milhões de pessoas nos próximos 30 anos

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um dos principais problemas da atualidade é a resistência bacteriana. Em linhas gerais, ela acontece quando a bactéria se adapta, tornando-se praticamente imune à medicação que tinha como objetivo eliminá-la. Ou seja, vai ficando cada vez mais difícil combatê-la.

Se não resolvida a tempo, essa questão poderá ser a causa da morte de mais de 10 milhões de pessoas no mundo nos próximos 30 anos. Afinal, não teremos mais remédios eficientes para lidar com esses micróbios.

Para conscientizar a população sobre essa luta foi criada a Global Respiratory Infection Partnership (Grip). A iniciativa visa promover o uso sustentável dos antibióticos, que é a questão mais relevante nesse contexto.

A seguir, entenda mais sobre a resistência bacteriana e quais hábitos podem ajudar a barrá-la.

Como surgiu esse problema?

Ele começou a ser observado a partir da descoberta do primeiro antibiótico, a penicilina, em 1928. Foram necessários apenas dois anos para que as bactérias evoluíssem a ponto de ficarem mais resistentes à ação desse medicamento. A situação foi piorando com o aparecimento de fórmulas semelhantes utilizadas de maneira descontrolada, o que deu espaço a mutações cada vez mais agressivas.

Hoje, o maior perigo está nas UTIs dos hospitais, segundo o infectologista Fernando Bellissimo Rodrigues, professor do departamento de Medicina Social da USP de Ribeirão Preto. “Observamos isso entre as vítimas da Covid-19 que permaneceram internadas por mais de três meses e acabaram morrendo não da doença, mas por infecções hospitalares graves, sem tratamento disponível”, exemplifica o médico.

A OMS divulgou uma lista de substâncias que estão sendo superadas por essas bactérias, mas especialistas alertam que a solução não está em criar medicamentos inéditos. “A indústria não consegue acompanhar o desenvolvimento desses micro-organismos, porque elaborar novas fórmulas leva tempo, é caro e dá pouco retorno financeiro”, explica Rodrigues.

O que fazer, então?

A melhor estratégia seria frear o surgimento dessas superbactérias. A primeira medida para isso já vêm sendo praticada por médicos, que é receitar antibióticos apenas quando é extremamente necessário. Se antes era comum adotar esse tipo de protocolo para qualquer infecção, hoje a avaliação deve ser mais criteriosa.

Uma infecção de garganta, por exemplo, pode ser causada por vírus, e não bactéria. “Nesses casos, é indicado tratar o alívio dos sintomas, como a febre, a dor e o mal-estar”, ensina Geraldo Druck Sant’Anna, especialista convidado pelo Grip e professor de otorrinolaringologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, da Santa Casa da capital gaúcha.

Os antibióticos são bem-vindos apenas para doenças de origem bacteriana e, quando receitados, precisam ser utilizados em doses corretas, dentro do prazo e nos horários indicados pelo médico.

Para ter ideia, tomar os remédios em horários errados abre uma janela de oportunidade para que a bactéria sobreviva à ação do medicamento e se desenvolva. Para diminuir esses vácuos, a orientação recebida pelos médicos é reduzir o tempo de prescrição. “Antes, tomava-se por três semanas. Agora, são cinco dias, dependendo de cada caso. Para infecção urinária, há opções de doses únicas, por exemplo”, esclarece Rodrigues.

“Se o uso do antibiótico é indiscriminado e sem controle, existe uma tendência natural para que a resistência bacteriana ocorra. Se estivermos falando de bactérias mais benignas, as consequências podem não ser tão sérias. Mas, no caso de micro-organismos mais agressivos, o resultado pode ser trágico”, alerta Sant’Anna.

Médicos já estão alertas sobre essa questão. Porém, de acordo com o professor  da UFCSPA, é comum que, dentro do consultório, os pacientes insistam para receber a receita de antibióticos na esperança de resolver mais rápido uma infecção. É preciso quebrar essa corrente.

Herança da Covid-19: vacinação e higiene são armas contra superbactérias

Há outros hábitos da população capazes de ajudar a impedir o desenvolvimento de superbactérias. Lavar bem as mãos e utilizar álcool em gel, legados da pandemia do coronavírus, estão entre eles.

“A higienização tem o papel de prevenir doenças respiratórias e diarreias”, aponta Rodrigues. É fácil fazer a conta: quanto menos pessoas ficarem doentes, menos bactérias vão circular por aí.

Já nos hospitais, a prática impede que pacientes e equipamentos sejam contaminados e que os micro-organismos se utilizem desse ambiente para evoluir.

A cultura da vacinação também é primordial. “Temos diversos imunizantes. Um dos mais importantes protege contra a pneumococo, bactéria responsável pela pneumonia e outras doenças respiratórias. Ela pode provocar internações e o surgimento de cepas mais resistentes”, pontua o infectologista.

Cuidando das bactérias ‘do bem’

Quando os antibióticos entram em cena, eles não miram somente nas bactérias causadoras de doenças. Esses medicamentos acabam afetando até aqueles micro-organismos que existem para garantir o bom funcionamento do organismo.

“As chamadas ‘bactérias boas’, que habitam a pele, a boca, o intestino e a flora vaginal das mulheres, por exemplo, podem ser atingidas pelo remédio, levando a efeitos colaterais”, explica Sant’Anna.

A moda de priorizar produtos antissépticos é outra forma de matar os micróbios benéficos pra gente. “Quem está saudável deve evitar essas soluções. Não é preciso insistir em enxaguantes bucais quando não há o diagnóstico de gengivite nem usar sabonete íntimo frequentemente se não existe risco de uma doença ginecológica”, exemplifica Rodrigues.

A questão da agropecuária

Não está só na mão dos médicos e de seus pacientes evitar o uso indiscriminado de antibióticos. Essa classe de substâncias também é demasiadamente empregada pela veterinária, zootecnia e agricultura.

“Cerca de 60% a 80% dos antibióticos produzidos no mundo são voltados para a agropecuária”, conta Rodrigues. Os produtos são aplicados com diversas finalidades, que vão desde impedir o adoecimento do grão de café até estimular o crescimento do frango. “Já há outras soluções hoje, sendo possível limitar o uso desnecessário dessas ferramentas”, informa Rodrigues.

O consumo de antibióticos por humanos, animais e plantas também faz com que essas substâncias sejam liberadas no meio ambiente, contaminando solo e água. Assim, elas podem entrar em contato com bactérias capazes de evoluir. Isso só reforça que, quanto menos remédio circulando por aí de forma descabida, menos chance de esses micróbios se transformarem em ameaças mortais.”

10/11/2021 – BBC Brasil e Portal Terra

Link: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-59228631
Link Portal Terra: https://www.terra.com.br/noticias/brasil/covid-19-como-se-determina-o-fim-de-uma-pandemia,c9405df2a0521fa0b25f820663c6a3a6fwd7qm22.html

“Covid-19: como se determina o fim de uma pandemia

A notícia de que São Paulo e outros oito Estados não registraram nenhuma morte por covid-19 na segunda-feira (8/11) foi recebida com muita comemoração e otimismo.

Embora o acontecimento seja simbólico e reforce a melhora contínua da pandemia no país durante os últimos meses, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil entendem que é preciso colocar o fato em perspectiva e ter em mente que ainda há um longo caminho a ser percorrido antes de decretar o fim da crise sanitária.

"Estamos de fato na melhor fase desde o início de 2021, com um decréscimo imenso em casos, hospitalizações e óbitos. Mas os anúncios de que ninguém morreu de covid-19 devem ser analisados com cautela, até porque existe um atraso nas notificações", pondera o médico Guilherme Werneck, membro da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

"E é preciso deixar claro que o fim da pandemia, quando realmente chegarmos lá, não significará o fim da covid", completa o profissional da saúde, que também é professor do Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

O virologista Paulo Eduardo Brandão, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), concorda. "Com base no que sabemos sobre outros tipos de coronavírus, é provável que o Sars-CoV-2 [o responsável pela pandemia atual] se atenue com o passar dos anos e se torne um causador de resfriado comum. Mas a atual reemergência de casos na Europa mostra que ainda estamos longe disso", analisa.

Já a médica Lucia Pellanda, professora de epidemiologia e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, destaca a importância da saúde coletiva e o caráter global do desafio que enfrentamos. "Como o próprio nome já diz, a pandemia é um problema mundial. E, enquanto a situação estiver ruim em alguma região, todos nós continuaremos sob risco."

 

Mas como chegamos até aqui? E quais são as perspectivas mais otimistas e mais pessimistas para os próximos meses? Entenda a seguir como uma pandemia acaba — e o que pode acontecer na sequência dela.

Cenário positivo no Brasil e preocupante na Europa

Após um primeiro semestre muito duro, com centenas de milhares de casos e de mortes por covid-19, o Brasil está numa situação bem mais tranquila desde o final de julho e o início de agosto.

Para ter ideia, a média móvel diária de óbitos (que leva em conta os registros dos últimos sete dias) está atualmente em 236, de acordo com o painel do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass).

Um número desses só havia sido observado em abril de 2020, quando o vírus começou a se espalhar pelo país. No pior momento da crise sanitária, essa taxa chegou a atingir, em abril de 2021, um pico de 3.124 mortes diárias.

A sequência de boas novas culminou com a notícia, divulgada na segunda-feira (8/11), de que São Paulo não registrou nenhuma morte por covid-19 em 24 horas, fato que não havia acontecido nenhuma vez desde o início da crise sanitária.

Nesse mesmo dia, outros oito Estados brasileiros não tiveram óbitos pela doença: Acre, Amapá, Goiás, Minas Gerais, Piauí, Rondônia, Roraima e Sergipe. O Acre, aliás, está sem nenhum registro de morte há mais de dez dias.

Segundo os especialistas, há três ingredientes que ajudam a explicar essa melhora.

"É evidente que a vacinação é o principal deles. A partir de junho, momento em que a campanha ganhou força e a cobertura vacinal na população brasileira aumentou, tivemos uma queda substancial nas hospitalizações e nas mortes", observa Werneck.

"Não podemos nos esquecer também do enorme número de casos que tivemos, o que certamente contribuiu para criar uma imunidade, e a adesão às medidas não farmacológicas, especialmente o uso de máscaras", complementa o médico.

O cenário mais ameno permitiu que muitas cidades brasileiras aliviassem as restrições, que mantinham espaços de convivência, como restaurantes, bares e shoppings, fechados ou com horário de funcionamento e taxa de ocupação bem reduzidos.

Alguns prefeitos e governadores foram além e chegaram até desobrigar mais recentemente o uso de máscaras em alguns locais abertos.

Os especialistas, no entanto, temem que essa onda de otimismo e relaxamento reverta a tendência positiva e desperdice todas as conquistas do momento.

"É claro que a notícia de um dia sem mortes é excelente, mas não dá pra comemorar demais. Trata-se de uma data isolada e, quando vemos as estatísticas, ainda estamos com médias razoáveis de casos e óbitos por covid", diz o médico Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

"Temos que ter cuidado para que a situação no Brasil não volte a piorar, como acontece agora na Europa, que está com uma nova subida nos casos e nas hospitalizações após fazer a reabertura", aponta o especialista.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Europa voltou a ser o epicentro da pandemia, com uma piora considerável da situação no Reino Unido, na Alemanha, na Hungria, na Áustria e na Ucrânia.

Durante uma coletiva de imprensa no dia 4 de novembro, Hans Kluge, diretor regional da OMS, disse que a situação representa uma "grave preocupação" e que a região está "num ponto crítico para a ressurgência pandêmica".

A explicação para esse recrudescimento, segundo a avaliação do próprio representante da entidade, está no relaxamento das medidas não farmacológicas, como o uso de máscaras e a prevenção de aglomerações, e a baixa taxa de vacinação em alguns países.

Não é possível afirmar que o mesmo cenário acontecerá no Brasil (até porque a campanha de imunização por aqui conta com uma maior participação popular), mas, até agora, a piora do cenário na Europa se repetiu alguns meses depois em nosso país.

"É possível escaparmos disso, a depender do comportamento das pessoas e das políticas públicas. Precisamos continuar com a vacinação e seguir com as camadas de proteção, como o uso de máscaras e o cuidado com as aglomerações e com a circulação de ar pelos ambientes", indica Pellanda.

Como uma pandemia acaba?

Por algum tempo, aventou-se a possibilidade de que a imunidade coletiva (ou imunidade de rebanho) seria capaz de dar um fim à covid-19: conforme as pessoas ficassem doentes (ou, preferencialmente, fossem vacinadas) o Sars-CoV-2 não encontraria mais hospedeiros e deixaria de circular.

Mas o surgimento de novas variantes, como a Alfa, a Beta, a Gama e a Delta, junto com o conhecimento de que a imunidade contra esse coronavírus não dura para sempre e varia muito de pessoa para pessoa, praticamente descartou essa ideia.

Hoje em dia, há uma maior concordância entre os cientistas de que a pandemia de covid-19 se transformará aos poucos em uma endemia.

Isso significa que a doença continuará a ser frequente em uma (ou em várias) regiões do planeta, com um número de casos e de mortes esperados todos os anos.

É isso o que ocorre com uma série de outras enfermidades, como a malária, a febre amarela ou a própria gripe.

"O desafio será estabelecer um patamar admissível de casos e óbitos, o que exigirá um consenso não apenas da comunidade científica, mas de toda a sociedade", antevê Werneck.

"E, para evitar que esses números voltem a subir novamente e tenhamos surtos ou epidemias no futuro, necessitamos de um sistema de vigilância muito forte, capaz de detectar aumentos repentinos e lançar mão de medidas preventivas. É o que acontece hoje com meningite e sarampo", exemplifica o médico.

Pellanda concorda com essa dificuldade em estabelecer os critérios que determinarão o fim da pandemia atual.

"Estamos num período de instabilidade dos dados e não sabemos bem como será o futuro. Por isso, devemos desconfiar de qualquer pessoa que tenha muita certeza agora do que vai acontecer", diz.

Exemplos do passado

Para entender os próximos passos do Sars-CoV-2, Brandão traça um paralelo histórico com outro tipo de coronavírus, o OC43, que possivelmente causou uma epidemia (ou até uma pandemia) no final do século 19.

"Você pode até nunca ter ouvido falar dele, mas provavelmente já foi infectado algumas vezes por esse vírus", brinca o cientista.

"Após ter 'pulado' de bovinos para seres humanos, ele era agressivo. Mas, com o passar do tempo, foi atenuado por ciclos sucessivos de infecção na nossa espécie. Atualmente, o OC43 é um dos principais causadores do resfriado comum, quadro que é autolimitado e não costuma causar sintomas mais graves", conta.

O virologista lembra que a "meta principal" de um vírus é se replicar, e não matar o seu hospedeiro. Portanto, um agente infeccioso que consegue criar essa "convivência pacífica" com o ser humano acaba atingindo seu objetivo com mais facilidade e permanece entre nós por um tempo prolongado.

Na contramão, um vírus muito agressivo, que mata rapidamente após a infecção, tem menos probabilidade de causar uma epidemia ou uma pandemia, já que a transmissão acaba prejudicada.

É o que acontece, por exemplo, como o Mers-CoV, um outro tipo de coronavírus responsável pela Síndrome Respiratória do Oriente Médio (ou Mers, na sigla em inglês): o índice de letalidade dele chega a 37%, mas os casos ficaram restritos a alguns países em 2011 e 2015.

Será que esse fenômeno de atenuação acontecerá com o Sars-CoV-2? Não dá pra ter certeza disso.

"Vivemos um momento em que esse coronavírus está dando as primeiras voltas ao redor da Terra. Já foram duas e ele está na terceira, com o aumento recente da transmissão pela Europa", explica Brandão.

"Por ora, não é possível afirmar categoricamente que o Sars-CoV-2 ficará mais ameno, a exemplo do OC43. Em termos evolutivos, essa é uma possibilidade que pode demorar alguns anos para acontecer", continua.

"Portanto, não é hora de baixar a guarda. Esse coronavírus não está atenuado e a relação não é amigável o suficiente a ponto de deixarmos que ele circule livremente pela nossa casa", completa o pesquisador.

Nessa mesma linha de raciocínio, não está descartada também a possibilidade diametralmente oposta: o surgimento de variantes do coronavírus ainda mais agressivas e com capacidade de driblar a proteção das vacinas disponíveis.

"Essa é uma realidade matemática: quanto mais o vírus se replica, mais versões dele aparecem e, consequentemente, maior o risco de surgirem mutações preocupantes", ratifica Brandão.

E isso só reforça a ideia de que o problema é global e deveria ser tratado como tal. "Em algumas nações mais pobres, a proporção de vacinados segue muito baixa. Isso abre o risco de bolsões de covid-19 que podem 'exportar' o vírus novamente para o resto do mundo", alerta Pellanda.

"A pandemia reforçou a noção de que toda a saúde é coletiva e está conectada com as pessoas ao redor e ao planeta inteiro. Enquanto um ser humano estiver em perigo, todos estaremos", completa a médica.

É justamente por isso que os especialistas batem tanto na tecla da vacinação e dos demais cuidados não farmacológicos (uso de máscaras, evitar aglomerações, cuidados com a ventilação…).

As medidas preventivas podem até ser um pouco aliviadas se a situação de momento num país ou numa região for boa, mas não é possível abandoná-las por completo (a exemplo do que foi feito em alguns países europeus), pelo menos durante os próximos meses ou anos.

O mesmo raciocínio também se aplica à imunização: é provável que teremos a aplicação de novas doses de vacinas contra a covid-19 de tempos em tempos.

Embora o fim da pandemia ainda seja cercado de mistérios e pareça apenas uma perspectiva distante, Brandão se lembra de um discurso feito pelo então primeiro-ministro britânico Winston Churchill em 1942, em meio à Segunda Guerra Mundial, após uma vitória importante dos aliados contra os nazistas.

Na visão do virologista, a frase se aplica perfeitamente ao atual estágio da covid-19 no mundo: "Esse não é o fim. Não é sequer o começo do fim. Mas é, talvez, o fim do começo."

04/11/2021 – Jornal do Comércio

Link: https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/especiais/coronavirus/2021/11/818969-apesar-de-controversa-retirada-de-mascaras-ao-ar-livre-vem-sendo-analisada-no-rs.html

"Apesar de controversa, retirada de máscaras ao ar livre vem sendo analisada no RS

Já permitida no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, e em vias de acontecer em São Paulo, a flexibilização do uso de máscaras ao ar livre ainda não tem previsão de ocorrer tão cedo no Rio Grande do Sul. O impedimento, que está sendo analisado pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), está na lei federal que obriga, desde julho de 2020, a adoção do acessório para circulação em espaços públicos e privados em todo o território nacional.

O tema vem sendo debatido internamente no âmbito do governo gaúcho e já foi tema de reunião entre o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, defensor da retirada ao ar livre, e o governador Eduardo Leite. Após consulta do governo à PGE sobre o assunto, no entanto, a orientação é para a necessidade de aguardar mudanças na legislação federal, que podem vir por meio de decisão do presidente Jair Bolsonaro ou aprovação de nova lei. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, tramitam pelo menos quatro projetos nesse sentido, um deles, inclusive, de autoria do deputado federal gaúcho Bibo Nunes (PSL).

A análise do procurador-geral do Estado, Eduardo Cunha da Costa, é de que não há, no momento, como avançar na flexibilização sem que haja a suspensão da lei federal que obriga o uso de máscara. E, nesse sentido, as medidas contrárias implementadas nos estados correm o risco de anulação.

Por meio de nota, a PGE reforça que a lei federal nº 14.019/20 determina a obrigatoriedade do uso de máscara cobrindo nariz e boca para circulação em espaços públicos e privados, em vias públicas, transporte coletivo, estabelecimentos comerciais e industriais, templos religiosos, estabelecimentos de ensino e demais locais fechados em que haja reunião de pessoas. "Por essa razão, a flexibilização do uso de máscara nesses ambientes depende de alteração na lei federal, o que somente pode ocorrer por nova lei federal ou Medida Provisória".

Manifestação nesse sentido também foi expressa no domingo (31) pelo governador, que começou a considerar a hipótese de retirada das máscaras ao ar livre após sua passagem pela Europa, no início de outubro, na primeira missão oficial do governo, onde pôde conferir de perto o andamento da flexibilização. "Sobre o uso de máscaras: mesmo que o melhor momento da pandemia e o avanço da vacinação nos permitam considerar retirar a obrigatoriedade do uso de máscaras em alguns espaços, nada pode ser feito pelo Estado por conta de exigência da lei federal 14.019/2020, que se mantém vigente", apontou.

Para o prefeito Melo, no entanto, a retirada das máscaras ao ar livre já poderia ocorrer na Capital, amparada no avanço da imunização contra a Covid-19. "Sou favorável à liberação do uso de máscara em ambientes ao ar livre. Porto Alegre é uma das capitais que mais vacinou no País, tendo 98% da população com a primeira dose e 81% com imunização completa. As internações e casos graves têm caído. Há condições de, aos poucos, retomar a rotina", disse em postagem no Twitter.

Entre a comunidade científica o tema segue gerando polêmica e a visão é de que a máscara como equipamento de proteção individual (EPI) deve ser a última medida de enfrentamento à Covid-19 a ser deixada de lado, principalmente em função do andamento da imunização da população e da iminente possibilidade de surgimento de novas variantes do vírus.

Em junho, quando o presidente Bolsonaro afirmou que teria pedido análise do Ministério da Saúde sobre o fim da obrigatoriedade das máscaras para quem já foi vacinado, o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Alberto Chebabo, chegou a dizer que o movimento seria inverso ao que o País precisava. “Só vamos conseguir eliminar essa medida e diminuir as questões de distanciamento quando atingirmos um percentual de cobertura vacinal muito alto, uma baixa circulação viral e número de casos e óbitos reduzidos”, disse à epoca.

Coordenadora da Rede Análise Covid-19, a biomédica e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Mellanie Fontes Dutra defende que não é o momento de flexibilizar a máscara no Rio Grande do Sul, tanto em ambientes abertos quanto, especialmente, nos fechados, e condena a antecipação do debate."As máscaras ainda são muito importantes, especialmente no controle da transmissão e enquanto estamos ainda avançando na vacinação. Agora é muito inapropriado fazer a retirada da obrigatoriedade de máscaras, independente do ambiente, porque temos a necessidade de seguir abaixando ainda mais a transmissão do novo coronavírus", alerta.

Ela aponta ainda que países com cobertura vacinal menor que o Brasil, e que flexibilizaram o uso de máscara e retomaram várias atividades que aumentaram a mobilidade e as aglomerações, tiveram aumento rápido das contaminações, pelo momento inadequado da decisão.

"Nós temos alguns indicativos de que se flexibilizarmos muito, especialmente medidas que são efetivas contra a exposição e transmissão, poderemos ver uma subida de casos, porque ainda temos muita pessoas não vacinadas ou não vacinados completamente. E a grande maioria das hospitalizações são dos não vacinados. Haverá um momento em que isso (a retirada da máscara) será possível, mas será um momento de maior segurança e cobertura vacinal", ressalta."

04/11/2021 – Agora no RS

Link: https://agoranors.com/2021/11/programacao-gratuita-do-chc-santa-casa-nos-proximos-dias/

Programação gratuita do CHC Santa Casa nos próximos dias

O Centro Histórico-Cultural Santa Casa, em Porto Alegre, promove nos próximos dias uma série de atividades gratuitas. Confira a agenda:

Dia 6, às 15h | Santa Casa através das Memórias

Na edição de novembro, o projeto resgata a história da instituição a partir das memórias do médico Rogério Gastal Xavier, que trabalhou como voluntário na Enfermaria 29 da Santa Casa (1972-1975), e também na Enfermaria 4, já como Professor Assistente da FAMED/UFRGS (1976-1978). Transmissão ao vivo pelo Youtube do CHC Santa Casa.

Dia 8, às 20h | Live: O que a pandemia está fazendo (e ainda fará) com minha cabeça?

O encontro irá abordar o impacto do isolamento e do distanciamento social e como eles podem afetar as emoções, piorar transtornos mentais já existentes ou deflagrar transtornos em quem não tinha.

A live terá a participação dos médicos psiquiatras Ygor Arzeno Ferrão e Pedro Eugênio Mazzucchi Santana Ferreira. Transmissão ao vivo pelo Youtube do CHC Santa Casa.

Ygor Arzeno Ferrão: Professor Associado da UFCSPA, Preceptor da Residência Médica em Psiquiatria UFCSPA/HMIPV; Membro do Consórcio Brasileiro de Pesquisa em Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Pedro Eugênio Mazzucchi Santana Ferreira: Professor Adjunto da Escola de Medicina da PUCRS, Professor do Curso de Especialização em Psiquiatria da PUCRS, Professor do Programa de Residência em Psiquiatria do Hospital São Lucas da PUCRS e Coordenador do Ambulatório de Psiquiatria das Adições do Hospital São Lucas da PUCRS.

Ciclo Histórias da Saúde | Dia 9, às 19h

Com o tema Projeto Rondon, a maior sala de aula do Brasil, a edição de novembro do Ciclo conta com a participação da médica pneumologista Mara Rúbia André Alves de Lima.

A palestra tem como proposta explorar a história de mais de 50 anos do projeto, coordenado pelo Ministério da Defesa em busca de soluções sustentáveis para a inclusão social e a redução das desigualdades regionais.

Além disso, também busca discutir as capacitações do Projeto Rondon na saúde, na educação, na cultura e nos direitos humanos, em comunidades vulneráveis; e refletir sobre as lições de vida e cidadania oportunizadas aos estudantes do ensino superior, fortalecendo a liderança e a responsabilidade social. Transmissão ao vivo pelo Youtube do CHC Santa Casa.

Mara Rúbia André Alves de Lima: Professora da Universidade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre, com doutorado (UFRGS) e especialização em Mídias da Comunicação (MEC). Foi pesquisadora no Asthma Center-Toronto General Hospital (Canadá) e prof. da Faculdade de Medicina da UFRGS.

Atualmente, é professora visitante (Fulbright Program) na Cátedra de Saúde Global da Rutgers University/New Jersey (EUA).

04/11/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/livros/noticia/2021/11/regina-navarro-lins-natalia-borges-polesso-e-mais-veja-os-destaques-da-feira-do-livro-nesta-quinta-ckvjtymyw007k017f1c0e8zgl.html

Regina Navarro Lins, Natalia Borges Polesso e mais: veja os destaques da Feira do Livro nesta quinta

Dia também terá autógrafos de Clara Corleone, Luís Augusto Fischer e Lelei Teixeira

Nesta quinta, a 67ª Feira do Livro de Porto Alegre recebe a psicanalista carioca Regina Navarro Lins para falar sobre o fim do amor romântico. Autora de 13 livros sobre afeto e sexualidade, incluindo o mais recente Amor na Vitrine – Um Olhar sobre as Relações Amorosas Contemporâneas (BestSeller, 2020), ela irá participar de um bate-papo virtual com o professor da UFCSPA Rodrigo de Lemos, às 19h30min.

Antes, às 18h, as escritoras Natalia Borges Polesso e Cristina Judar falam com Nanni Rios sobre o tema "Mulher, anseio e mundo". O dia também terá autógrafos de Clara Corleone, às 19h. Em Porque Era Ela, Porque Era Eu, a escritora foco na autoestima feminina e a forma como as mulheres se envolvem afetivamente com os homens.

As bancas dedicadas ao público infantojuvenil abrem às 10h e as da área geral, às 12h30min. A programação completa pode ser conferida no site do evento. Abaixo, confira os destaques desta quinta:

16h - Autógrafos de Na Antessala do Fim do Mundo

  1. Boca Migotto autografa na Praça de Autógrafos.

17h30 - Autógrafos de João aos Pedaços

Flávio Ilha autografa na Praça de Autógrafos.

17h30 - Autógrafos de Zeca, o Fotógrafo

Livro com fotografias do engenheiro José Gerbase Filho, que faleceu em maio deste ano. Participam da sessão sua filha, Juliana, e seus irmãos, Carlos, Antônio Carlos e  Andréa.

17h30 - Autógrafos de Duas Formações, uma História

Luís Augusto Fischer autografa na Praça de Autógrafos.

17h30 - Autógrafos de E Fomos ser Gauche na Vida

Lelei Teixeira autografa na Praça de Autógrafos.

18h - Bate-papo “Mulher, anseio e mundo”

Buscando desvendar a relação entre literatura, voz e representatividade, Natalia Borges Polesso, autora de A Extinção das Abelhas (Companhia das Letras, 2021), conversa com Cristina Judar, que escreveu Elas Marchavam Sob o Sol (Dublinense, 2021) em uma transmissão ao vivo pelo site da Feira. A mediação fica por conta da jornalista e livreira Nanni Rios. 

19h -  Porque era ela, porque era eu

Clara Corleone autografa na Praça de Autógrafos.

19h30min - Bate-papo “O fim do amor romântico e as novas formas de amar”

Em Amor na Vitrine – Um Olhar sobre as Relações Amorosas Contemporâneas, a psicanalista Regina Navarro Lins reflete que precisamos nos livrar do moralismo e dos preconceitos se quisermos viver melhor. Em papo virtual com o professor Rodrigo de Lemos, ela irá falar sobre sedução, idealização do amor romântico, vida a dois e solteiros versus casados. A transmissão é pelo site da Feira.

04/11/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/geral/noticia/2021/11/campanha-do-novembro-azul-em-caxias-mostra-por-que-o-diagnostico-precoce-do-cancer-de-prostata-e-fundamental-ckvl65ry0006t017f4t0h60xs.html

Campanha do Novembro Azul em Caxias mostra por que o diagnóstico precoce do câncer de próstata é fundamental

Homens que integram grupo de risco têm acesso gratuito a exame de sangue capaz de detectar a doença

O Novembro Azul — ação mundial de conscientização à prevenção do câncer de próstata — é mais um adotado pela prefeitura de Caxias do Sul. A campanha realizada no município pela Secretaria da Saúde (SMS) alerta para a importância do diagnóstico precoce, que pode ser verificado por meio de exame de sangue, o chamado antígeno prostático específico (PSA), disponível em todas as unidades básicas de saúde (UBSs) da cidade mediante agendamento de consulta. O teste é disponibilizado para homens que integrem grupo de risco: homens de 45 aos ou mais, com sintomas ou com fatores de risco (história familiar da doença ou negros); e homens de 50 anos ou mais em geral.

Segundo a SMS,  esse é o segundo tipo de câncer mais comum em homens, atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam para 65.840 novos casos de câncer de próstata a cada ano, entre 2020 e 2022.

— É um tumor que tem incidência mais concentrada em população masculina mais velha. Em alguns pacientes que tenham o perfil genético mais suscetível, ele vem de forma mais agressiva, por isso temos que rastrear. Não é um tumor muito fácil de detectar e preocupa porque homens não buscam exames de rastreio precoce na mesma frequência que as mulheres buscam para o câncer de mama — afirmou o diretor executivo da SMS, Dino de Lorenzi, em entrevista ao Gaúcha Hoje, na Gaúcha Serra, na quarta-feira (3).

Segundo ele, o cuidado menor com a alimentação e a dieta rica em proteína, especialmente na carne, são fatores de risco para o câncer de próstata. O agravamento da doença ocorre, em muitos casos, segundo ele, por uma questão cultural, na qual os homens evitam buscar exame para diagnóstico precoce, procurando atendimento somente quando já enfrentam alguma situação incômoda.

— Quando não é realizado o exame preventivo de toque ou de sangue se posterga a detecção de casos que poderiam ser mais agressivos e isso aumenta, portanto, o índice de mortalidade da doença — afirmou o diretor.

— Os sintomas são, geralmente, dificuldade para urinar. Vontade de urinar com mais frequência, mas em menor volume, é um sintoma bem característico; incapacidade de esvaziar completamente a bexiga, e isso atrapalha até mesmo o sono, porque ocorre durante a noite também, perturbando a qualidade de vida — completou.

Uma atividade que marca a campanha do Novembro Azul é exposição fotográfica Invictos, que retrata casos de superação. A mostra ocorre de 10 a19 de novembro na Câmara de Vereadores e na UBS São Caetano. O objetivo é a conscientização a respeito do tema retratando casos de pessoas que superaram a doença. A exposição é uma parceria da SMS e da Associação de Apoio a Pessoas com Câncer (Aapecan).

O que é a próstata

Localizada na parte baixa do abdômen dos homens, logo abaixo da bexiga e à frente do reto, a próstata é um pequeno órgão em formato de maçã que envolve a porção inicial da uretra, tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada. Sua função é produzir parte do sêmen, líquido espesso que contém os espermatozoides e é liberado durante a ejaculação.

Sobre a doença

O câncer de próstata é mais comum em homens com idades entre 50 e 70 anos. Em pessoas mais jovens, a doença acontece raramente, apenas quando há uma hereditariedade muito forte. Além disso, a maioria dos diagnosticados e tratados não morre. Em outras situações, no entanto, a doença pode avançar rapidamente, se espalhando para outros órgãos e levando o paciente a óbito. 

Fatores de risco e prevenção

No Brasil, a recomendação é de que o homem procure atendimento para prevenção do câncer de próstata a partir dos 50 anos. Mas, se ele apresentar algum dos fatores de risco, deve consultar um especialista mais cedo, a partir dos 45 anos. Entre esses fatores, estão: histórico familiar, raça e sedentarismo.

O médico Ernani Rhoden, professor de urologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e chefe do Serviço de Urologia da Santa Casa de Misericórdia, explica que homens com histórico familiar têm duas vezes mais chances de ter câncer de próstata do que aqueles sem histórico. Assim como indivíduos negros, que podem apresentar a doença de forma mais agressiva e devem começar a avaliação médica cinco anos antes dos demais, mesmo com a ausência de sintomas. 

Em relação ao sedentarismo, o especialista pontua que dietas hiperproteicas e hipercalóricas, com alto consumo de alimentos processados e decorrente obesidade, são fatores de risco para as neoplasias de forma geral. Considerando que a doença está relacionada ao envelhecimento masculino, ele salienta também que as regiões sul e sudeste do Brasil apresentam as maiores taxas de câncer de próstata no país — isso porque quanto maior a expectativa de vida, mais alto será o número de casos de neoplasia.

02/11/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/11/vacinacao-casos-e-mortes-confira-qual-era-a-situacao-da-pandemia-nos-paises-que-suspenderam-o-uso-de-mascaras-ckvin4nh6007v019mgf9ag2ym.html

“Vacinação, casos e mortes: confira qual era a situação da pandemia nos países que suspenderam o uso de máscaras

Discussão sobre retirada da obrigatoriedade do equipamento ao ar livre cresce no Brasil, mas assunto não é consenso entre especialistas

Com o crescimento da cobertura vacinal e redução de hospitalizações e mortes por covid-19, cresce no Brasil a discussão para desobrigar o uso de máscaras ao ar livre. A ciência já sabe que contaminações nesse tipo de ambiente têm menos chance de ocorrer, mas o assunto não é consenso entre especialistas em saúde – e cada país tomou a decisão de forma diferente.

De um lado, argumenta-se que a transmissão ao ar livre é muito baixa e que, portanto, suspender o uso de máscaras nesse tipo de ambiente não traria grandes prejuízos. De outro, afirma-se que aglomerações ao ar livre trazem grande risco de contaminação e que flexibilizar o acessório passará a equivocada mensagem de que a pandemia acabou.

No início de outubro, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) emitiu nota na qual afirma que se sente “no dever de apelar a todos os gestores do Sistema Único de Saúde para que mantenham o uso de máscara em caráter obrigatório, nos moldes atuais, como estratégia indispensável ao sucesso de nossos esforços contra a pandemia”.

O Conass afirma, ainda, que “é preciso que estejamos atentos às experiências frustrantes de alguns países que, acreditando ter superado os riscos, suspenderam a obrigatoriedade do uso de máscaras, afrouxaram as medidas de prevenção e, por isso mesmo, tiveram recrudescimento importante do número de casos e de óbitos, obrigando-os a retroceder”.

O maior receio é de que o Brasil repita a situação de Estados Unidos, Israel e Reino Unido, que deixaram de obrigar o uso de máscaras e viram nova onda de casos, hospitalizações e mortes, puxada pela variante Delta.

Um olhar para outras nações mostra que, em países onde a flexibilização do uso de máscaras ao ar livre não ocasionou piora da epidemia, a cobertura vacinal era mais baixa do que no Brasil, mas o número de novas infecções era melhor controlado.

Além disso, no geral, as nações flexibilizaram o uso do acessório quando havia maiores restrições às atividades – enquanto que, por aqui, atividades consideradas de alto risco, como casas noturnas e jogos de futebol, já são permitidas.

Na Alemanha, a decisão cabe aos Estados e, portanto, as liberações ocorreram em épocas diferentes – de forma geral, o uso de máscaras deixou de ser obrigatório ao ar livre em junho, quando o país tinha quase metade da população com duas doses. Só depois é que foram liberadas as boates, por exemplo.

— Países que foram liberando mais cedo, como Israel, Estados Unidos e outros países da Europa, tiveram surgimento da Delta e impacto muito grande em aumento da mortalidade. Isso foi um alerta de que precisamos ter cuidado ao tomar essas decisões. Mas acho que, no Rio Grande do Sul, a gente tem percentuais de vacinação que nos permitem flexibilizar. Só nos preocupa a sensação de "liberou geral" — afirma o médico Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

No Brasil, 72,6% da população recebeu a primeira dose 54,5% completou o esquema vacinal, segundo dados do portal coronavirusbra1.github.io. No Rio Grande do Sul, que apresenta a terceira melhor vacinação do país, 78% da população recebeu a primeira dose e 61,5%, duas doses.

Para a bióloga Mel Markoski, professora de Biossegurança na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e integrante da Rede Análise Covid-19, o uso de máscaras deveria ser mantido até depois das festas de fim de ano e do Carnaval.

— Ao ar livre, é fato que tem corrente de ar e ação do sol, que neutraliza as partículas virais. Mas em uma aglomeração ao ar livre com pessoas sem máscara, não há tempo o suficiente para a dissipação dos aerossóis. Uma coisa é abolir o uso em uma cidade pouco populosa, outra é abolir em capitais e em praias. Se chegar daqui a um ou dois meses, houver crescimento de casos e precisar retornar o uso da máscara, vai ser muito mais difícil retomar. Basta pensar no fecha e abre do comércio no Rio Grande do Sul: as pessoas ficaram confusas e depois já não queriam segurar mais nada — afirma.

Compare a realidade entre os países

Brasil

  • Cobertura vacinal de duas doses na população hoje: 54,5%
  • Taxa de novos mortos por semana: 11,16/1 milhão de habitantes
  • Taxa de novos casos por semana: 392,98/1 milhão de habitantes

 Fonte: Our World in Data

 Israel

  • Cobertura vacinal de duas doses na população quando máscaras foram desobrigadas: 61%
  • Taxa de novos mortos por semana na época: 1,14/1 milhão de habitantes
  • Taxa de novos casos por semana na época: 13,2/1 milhão de habitantes

Quando Israel flexibilizou o uso de máscaras ao ar livre e em ambiente fechado, na metade de junho, mais da metade da população ganhara a segunda dose da Pfizer. Todavia, houve grande crescimento no número de casos e, apenas 10 dias depois, o governo passou a obrigar, em caráter urgente, novamente o uso do acessório em ambientes fechados frequentados pelo público. Hoje, não é preciso portar máscara ao ar livre. 

Reino Unido

  • Cobertura vacinal de duas doses na população quando máscaras foram desobrigadas: 53%
  • Taxa de novos mortos por semana na época: 4,35/1 milhão de habitantes
  • Taxa de novos casos por semana na época: 4.634/1 milhão de habitantes

 O Reino Unido liberou o uso de máscaras ao ar livre e em ambiente fechado em 18 de julho. A partir daí, o governo entendeu que cada cidadão poderia tomar as próprias decisões para se proteger contra a covid-19. Mas, com a entrada da Delta, o país viveu semanas depois uma explosão de novos casos, hospitalizações e mortes – os casos mais graves estavam focados em não vacinados. Hoje, o Reino Unido tem um dos maiores índices de novos casos da Europa. Agora, funcionários do sistema público de saúde pressionam para que o governo volte a obrigar o uso do acessório em ambientes fechados.

 Estados Unidos

  • Cobertura vacinal de duas doses na população quando máscaras foram desobrigadas: 38,4%
  • Taxa de novos mortos por semana na época: 13,17/1 milhão de habitantes
  • Taxa de novos casos por semana na época: 727,6/1 milhão de habitantes

 Nos Estados Unidos, o uso de máscaras em ambientes abertos e fechados foi liberado em 13 de maio para os vacinados que completaram duas semanas com a segunda dose. No dia, a média móvel era de 628 mortes diárias. Semanas depois, os Estados Unidos viram uma nova onda de casos, hospitalizações e mortes surgir. Em julho, o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) passou a recomendar o uso de máscaras ao ar livre em determinados Estados onde a incidência da covid-19 era alta. 

Itália

  • Cobertura vacinal de duas doses na população quando máscaras foram desobrigadas: 25,9%
  • Taxa de novos mortos por semana na época: 1,81/1 milhão de habitantes
  • Taxa de novos casos por semana na época: 571,72/1 milhão de habitantes

 O governo da Itália suspendeu o uso de máscaras ao ar livre em 28 de junho, quando cerca de 26% da população estava com duas doses. Mas a população foi orientada a sempre levar máscara ao sair de casa e usá-la se passar ou estiver em uma aglomeração de pessoas.

 França

  • Cobertura vacinal de duas doses na população quando máscaras foram desobrigadas: 23,6%
  • Taxa de novos mortos por semana na época: 2,18/1 milhão de habitantes
  • Taxa de novos casos por semana na época: 817/1 milhão de habitantes

 Na França, o uso de máscaras ao ar livre deixou de ser obrigatório em 17 de junho. O acessório, no entanto, ainda ficou exigido em parques de futebol e de diversão. Quando a decisão foi tomada, o registro de novos casos era 97% menor em comparação a abril, quando houve pico de contaminações. A cobertura vacinal era menor do que no Brasil, mas as taxas de novos casos e mortes eram menores.

 Austrália

  • Cobertura vacinal de duas doses na população quando máscaras foram desobrigadas: 11%
  • Taxa de novos mortos por semana na época: 0/1 milhão de habitantes
  • Taxa de novos casos por semana na época: 1,75/1 milhão de habitantes

A Austrália, que à época optava por praticamente eliminar a covid-19 em vez de conviver com o vírus, começou a relaxar o uso de máscaras em 17 de maio, quando a vacinação atingia apenas 3% da população, mas não havia uma única morte pela doença no país há mais de um mês. Com a entrada da variante Delta, o país abandonou a estratégia “covid zero”. O uso de máscara não é exigido na maioria dos ambientes abertos e fechados, mas o país tem uma política de rastreamento elogiada mundo afora, o que permite ir atrás de quem teve contato com uma pessoa infectada e isolar todos.

 

 Nova Zelândia

  • Cobertura vacinal de duas doses na população quando máscaras foram desobrigadas: 3,4%
  • Taxa de novos mortos por semana na época: 0/1 milhão de habitantes
  • Taxa de novos casos por semana na época: 26,75/1 milhão de habitantes

 Na Nova Zelândia, o uso de máscaras no transporte público foi desobrigado em 23 de setembro. Nos mesmos moldes da Austrália, o país tinha uma cobertura vacinal baixíssima, de apenas 5,6%, mas a média móvel de novas mortes diárias era de zero e o país havia acumulado apenas 25 vítimas em toda a pandemia.

 

 Portugal

  • Cobertura vacinal de duas doses na população quando máscaras foram desobrigadas: 81,6%
  • Taxa de novos mortos por semana na época: 5,51/1 milhão de habitantes
  • Taxa de novos casos por semana na época: 819,4/1 milhão de habitantes

 Em Portugal, que tem uma das maiores coberturas vacinais da Europa, o governo tornou opcional o uso de máscaras ao ar livre em 13 de setembro. O acessório passou a ser recomendado em aglomerações ou quando não for possível manter distanciamento e continuou obrigatório em instituições de ensino, lojas e shoppings, edifícios de uso público, cinemas, teatros, ônibus e locais de trabalho.”

28/10/2021 – Matinal Jornal

Link:https://www.matinaljornalismo.com.br/rogerlerina/agenda/ufcspa-apresenta-webinario-por-uma-universidade-antirracista/

"UFCSPA apresenta webinário “Por uma universidade antirracista”

Debater as relações étnico-raciais, no campo da saúde e no âmbito das universidades brasileiras, é o objetivo do webinário “Por uma universidade antirracista”. Serão quatro mesas temáticas, realizadas nos dias 3, 10, 16 e 23 de novembro, sempre às 19h, no canal da UFCSPA no YouTube.

O webinário é uma iniciativa do Núcleo de Inclusão e Diversidade (NID), organizado pelo Grupo de Estudos Afro-brasileiros (GEAB) e pelo Núcleo Cultural da UFCSPA.

Serão discutidas as relações étnico-raciais, abordando os privilégios da branquitude na formação social brasileira; os sentidos de saúde para pessoas negras e indígenas e a formação profissional neste campo; o acesso de pessoas negras às universidades e os desafios e possibilidades das Ações Afirmativas no Brasil; e as estratégias políticas e pedagógicas dos movimentos negros na contemporaneidade.

Programação

3 de novembro: “Se o novembro é negro, o resto do ano é branco? Pensando os privilégios da branquitude.”

Gladis Kaercher, professora da Faculdade de Educação da UFRGS.

Roberta da Silva Gomes, psicóloga, mestranda em Psicologia Social (UFRGS).

Mediação: Aline Aver Vanin, professora do Departamento de Educação e Humanidades da UFCSPA.

10 de novembro (quarta): “Sentidos de saúde para negros e indígenas”

Lucas Mendes, médico psiquiatra e pesquisador da Saúde Mental da População Negra.

Rejane Nunes, indígena Kaingang, psicóloga e mestranda em Psicologia Social (UFRGS).

Mediação: Carlos Vieira, graduando em Medicina da UFCSPA.

16 de novembro (terça): “Negras e negros nas universidades brasileiras”

Ivete Sacramento, ex-reitora da Universidade Estadual da Bahia (UNEB) e secretária municipal de Reparação de Salvador.

Fernanda Bairros, professora do Departamento de Saúde Coletiva da UFRGS.

Mediação: Mônica de Oliveira, pró-reitora da PROEXT e professora da UFCSPA.

23 de novembro (terça): “Estratégias políticas e pedagógicas no movimento de negras e negros”

Gleidson Dias, advogado e integrante do Movimento Negro Unificado (RS).

Fernanda Formigoni, graduanda em Ciências Sociais e integrante do Coletivo Negro Minervino de Oliveira.

Mediação: Marina Dadico, graduanda em Psicologia da UFCSPA."

26/10/2021 – Zero Hora

Colação ao vivo só em 2022

Maioria das universidades projeta para o ano que vem o retorno das formaturas presenciais; nas particulares, cenário é outro

Zero Hora26 Oct 2021ISABELLA SANDER Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Ainda não será neste ano que os alunos das universidades federais gaúchas colocarão togas para receber os diplomas e comemorar com seus familiares a almejada graduação. Com planos de retomada gradual das atividades presenciais, a maioria das instituições planeja para 2022 o retorno das formaturas presenciais. A exceção é a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que elaborou um plano de retorno das colações de grau ao Salão de Atos, mas sem previsão de apreciação pelo Comitê Covid.

Na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), estão sendo feitas formaturas virtuais mensais, com estudantes de diferentes cursos simultaneamente. O plano é mudar o cenário no ano que vem.

– Inicialmente, serão somente formaturas externas. Mais adiante, as turmas menores voltarão às formaturas na UFCSPA – relata a reitora Lucia Pellanda, que explica que, devido à limitação de espaço, formaturas de cursos com muitos alunos, como Medicina, Enfermagem, Fonoaudiologia e Fisioterapia, já aconteciam fora do prédio da instituição antes da pandemia.

Destinada a cursos da área da Saúde, porém, a universidade conta com o apoio de muitos estudantes na manutenção, por enquanto, das solenidades no formato remoto. Formado em Biomedicina no dia 25 de agosto, Luís Felipe Castro, 28 anos, preferiu nem mesmo tirar fotos de toga, por entender que ainda não era seguro.

– Acho uma atitude prudente da UFCSPA. No momento, acho que é o ideal, porque as nossas condições epidemiológicas ainda não permitem que a gente retome de forma segura. É um passo de cada vez. Com todo mundo se vacinando, vamos começando a retomar a rotina, mas, agora, não se deve voltar – defende o novo biomédico.

Amanhã, será a vez de Luís Furtunato, 26 anos, se formar em Medicina pela UFCSPA. O dia não será celebrado como ele imaginava.

– É algo que a gente espera bastante, inclusive a família. É como se fosse um rito de passagem. Mas compreendemos também a situação que vivemos e que nem tudo pode ser como esperamos. Vamos nos reunir, eu, minha mãe e minha irmã, e comemorar nós três a ocasião – resume o jovem.

A turma de Luís pretende realizar uma colação de grau presencial quando tudo estiver liberado. Alguns cogitam também fazer festas, plano que não é compartilhado por Luís. Mesmo assim, o formando fez questão de participar da prova de toga, para ter em fotos o registro do rito de passagem.

Expectativa

Maior instituição de Ensino Superior do Rio Grande do Sul, a UFRGS elaborou um plano de retorno das colações de grau que prevê a realização de solenidades no Salão de Atos, seguindo uma série de protocolos e com limitação de número de formandos no palco e de convidados na plateia. O documento será analisado pelo Comitê Covid da universidade após a divulgação das novas diretrizes para o retorno gradual das atividades presenciais, que deve ser divulgado hoje. Atualmente, a UFRGS mantém a maioria das aulas no formato remoto, mas a previsão é de que um retorno gradual das atividades presenciais aconteça a partir de 17 de janeiro, quando começa o semestre letivo.

Por enquanto, as formaturas presenciais não estão permitidas. Na conclusão dos semestres de 2020/1 e 2020/2, contudo, foram liberadas cerimônias de formatura de gabinete com até cinco formandos e até dois convidados por formando. No caso de turmas mais numerosas, como a Medicina, as cerimônias se estenderam ao longo de quase um dia inteiro. No semestre de 2020/2, foram permitidos discursos e o uso de beca. Ainda assim, 66% dos estudantes preferiram as colações de grau totalmente virtuais.

A mais adiantada é a Universidade Federal do Rio Grande (Furg), que prevê formaturas presenciais, ainda que com uma série de protocolos, já na fase dois do seu plano de contingência, que deve começar no dia 16 de novembro. Os eventos estão sujeitos à avaliação do Comitê de Monitoramento, de combate e prevenção à covid-19 na instituição.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA (UNIPAMPA) – deve publicar nesta semana novas normativas para as colações de grau de 2022. As solenidades deverão voltar a ser presenciais a partir de fevereiro de 2022

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA (UFSM) – prepara plano de contingência do Centro de Convenções, a fim de realizar lá formaturas presenciais em breve. Atualmente, algumas formaturas de gabinete já ocorrem de forma presencial, mas com restrição de participantes, a formatura oficial segue online. Para aqueles que se formaram nos semestres afetados pela pandemia, a instituição planeja uma grande formatura, em formato que ainda será avaliado

A UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS (UFPEL) – segue realizando somente cerimônias online. Estuda realizar uma formatura institucional, que congregue todos os cursos, no formato remoto, entre janeiro e fevereiro. As solenidades presenciais ocorrerão junto ao retorno das aulas presenciais, ao longo de 2022

UNIVERSIDADE FEDERAL DA FRONTEIRA SUL (UFFS) – o campus Erechim ainda terá uma formatura no modo remoto no dia 3 de dezembro. As seguintes ocorrerão em fevereiro e a perspectiva é de que sejam já presenciais, o que ainda depende de aprovação pelo Conselho de Campus

25/10/2021 – Correio do Povo

Link: https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/rs-vive-os-primeiros-sinais-da-passagem-de-uma-epidemia-para-uma-endemia-diz-especialista-1.712590

“RS vive os primeiros sinais da passagem de uma epidemia para uma endemia, diz especialista

Caso cenário se confirme, Estado deve manter bons indicadores e registrar apenas casos concentrados de novos surtos

Mais de 20 meses depois do início de uma crise sanitária global provocada pelo coronavírus, o Rio Grande do Sul antevê os primeiros sinais de um processo de passagem de uma epidemia para uma endemia. Com quase 60% da população completamente vacinada, um dos melhores desempenhos do país, explosões de grandes surtos e colapso na rede hospitalar devem ficar mais distantes. As declarações são do virologista Fernando Spilki, coordenador da Rede Corona-Ômica, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que investiga quais cepas circulam no país.

"Estamos entrando numa fase que começamos a ver os primeiros sinais de um processo de endemização. A gente não está livre da geração de novos surtos, mas vemos que o número de indivíduos internados em UTIs atinge muito mais pessoas sem esquema vacinal completo ou idosos acima de 80 anos, que ainda não tiveram a oportunidade de fazer a dose de reforço", explicou Spilki. De acordo com o especialista, caso o cenário de endemia se confirme, novos surtos devem ocorrer em pequenas proporções e ficar concentrados em asilos, hospitais e locais com aglomerações.

A endemia é caracterizada pela ocorrência recorrente de uma doença em determinada região, mas sem um aumento significativo no número de casos. Ou seja, a população convive com ela. Um exemplo de caráter endêmico no Brasil é a dengue, que ocorre durante o verão em certas regiões.

"O único jeito de debelar uma endemia é o avanço muito forte na vacinação, alcançando o máximo de pessoas com as duas doses do imunizante", apontou. Outro entrave enfrentando no Brasil, assim como em diversos países, é a falta de autorização de vacinas contra Covid para crianças menores de 12 anos. Enquanto esse grupo não é incluído no Programa Nacional de Imunizações (PNI), o virologista defende a manutenção de protocolos sanitários como uso de máscaras, limite de ocupação em espaços fechados e passaporte vacinal para participação de eventos.

O especialista descarta a possibilidade de novos picos de contágios e mortes impulsionadas por variantes, como ocorre hoje na Inglaterra. O país atingiu na semana passada os níveis de contágio mais altos desde janeiro quando estava em "lockdown" para conter a disseminação do vírus. "Nós apostamos que não vai haver novos surtos em grandes proporções. Até por causa do impacto que a variante Gama gerou, não imaginamos ver aquele filme de novo. Sei que em outros países da Europa estamos vendo isso acontecer. Hoje, maioria deles não tá conseguindo avançar no número de vacinados, como na Rússia, ou estão sofrendo cm os níveis de flexibilizações e não uso de máscara, como é o caso da Inglaterra", justificou.

Impacto da variante Delta no RS surpreendeu especialistas

Enquanto a variante Delta, registrada pela primeira vez na Índia, provocava explosão de novos casos no Reino Unido, Inglaterra e Rússia, por exemplo, a América Latina se preparava para um cenário preocupante. Porém, cinco meses depois do início da circulação da cepa no Brasil, os efeitos nos indicadores da pandemia surpreenderam positivamente os especialistas. O que tornou o país uma exceção é uma reunião de cuidados e mazelas: protocolos sanitários, a circulação da variante Gama e a demora na vacinação no país.

Para o professor de Infectologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e coordenador do Laboratório de Biologia Molecular da Santa Casa de Porto Alegre, um dos principais centros diagnósticos para Covid-19 no Rio Grande do Sul , Alessandro Comaru Pasqualotto, ocorreu uma leitura equivocada do significado real das variantes na pandemia de coronavírus. "Não é que as variantes transmitam mais, mas ela foram detectadas em momentos e locais do mundo onde havia mais transmissão porque havia mais aglomeração. Então, elas eram o reflexo, a consequência, e não a causa", destacou.

Para manter esse "escudo" contra o surgimento de novos cepas, a aposta é a vacinação em massa. "A nossa grande defesa contra o agravamento da epidemia é a vacinação. Agora, o quanto de vacinação é suficiente pra proteger contra eventuais avanços na epidemia decorrentes de aglomerações é difícil de medir. Mas o que parece claro é que tem funcionado".

Para o virologista Fernando Spilki, outros dois fatores também definiram o cenário frente à Delta. Uma delas foi a presença da variante Gama no primeiro semestre do ano, que teve comportamento agressivo em diversos estados brasileiros. "A Gama pode ter influído. Hoje estamos avaliando a resposta em pessoas que tiveram essa cepa. Pesquisamos no seguinte sentido: as pessoas que estavam muito expostas e que acabaram pegando a variante Gama podem ter tido uma resposta que as protegeu no momento que a Delta estava circulando".

25/10/2021 – TecMundo

Link: https://www.tecmundo.com.br/ciencia/227508-vacinas-covid-19-nao-causam-aids-saiba-diz-ciencia.htm

“Vacinas contra covid-19 não causam Aids; saiba o que diz a ciência

O que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sugeriu em sua transmissão ao vivo no Facebook na quinta-feira (21), que as vacinas contra a covid-19 estão causando Aids em quem as recebeu no Reino Unido, não foi uma fala polêmica ou imprecisa — foi uma informação falsa.

As supostas notícias lidas por Bolsonaro na transmissão afirmavam que relatórios do governo britânico indicavam que vacinados estariam com o sistema imunológico enfraquecido e adquirindo a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids). Na verdade, os documentos fazem a vigilância dos efeitos das vacinas na população ao longo do tempo e não citam a Aids ou qualquer prejuízo causado ao sistema imune nos vacinados.

A agência de checagem independente Aos Fatos fez uma verificação completa dos fatos (que pode ser confirmada pelo leitor) aqui.

A imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e membro do comitê científico da SBI (Sociedade Brasileira de Imunologia), diz que as falas do presidente são lamentáveis.

"Trata-se de uma campanha organizada para desinformar e prejudicar as pessoas. É proposital e muito grave", afirma a cientista ao TecMundo.

Na noite do domingo (24), o Facebook decidiu tirar do ar o vídeo com a transmissão de Bolsonaro, mas o estrago já estava feito — milhares ou talvez milhões de brasileiros tiveram contato com uma informação falsa reproduzida pelo chefe do executivo e cabeça do governo brasileiro.

Até o momento, mais de 50% da população brasileira completou a vacinação com uma das vacinas contra a covid-19, e vários outros países estão com taxas semelhantes de vacinação. Embora nenhuma vacina contra nenhuma doença oferece proteção total e seja totalmente isenta de efeitos colaterais, assim como acontece com qualquer tratamento de saúde, os números da pandemia mostram que os imunizantes funcionam e são a melhor opção para combater a covid-19 e evitar ainda mais mortes.

O que diz a ciência?

Em outubro de 2020, um grupo de cientistas publicou uma carta na revista científica The Lancet, uma das mais respeitadas na área da saúde, fazendo um alerta sobre a relação entre vacinas contra covid-19 e Aids.

No texto, os pesquisadores relatam que, há cerca de uma década (ou seja, muito antes do surgimento da covid-19), um estudo com uma vacina experimental contra o HIV que usava o adenovírus do tipo 5 (Ad5) como vetor viral concluiu que os participantes homens não circuncidados que já haviam tido contato com o Ad5 e tiveram relação sexual sem proteção com pessoas soropositivas ou de status sorológico desconhecido tiveram um risco maior de contrair o HIV.

Vale lembrar que o sexo desprotegido é um comportamento de risco para o HIV, ainda mais em locais onde a circulação do vírus é elevada.

Bonorino diz que a carta está equivocada. "Os dados mostram que a vacina [experimental contra HIV] não funcionou, mas não provam que a vacina tenha causado Aids nessas pessoas", afirma.

A pesquisadora explica que o Ad5 é um vírus causador de gripe comum, e muitas pessoas já tiveram contato com ele. Assim, é plausível pensar que uma vacina que usa o Ad5 como vetor viral, contra o qual muitas pessoas já desenvolveram anticorpos, pode não funcionar muito bem.

Para o médico e pesquisador Bruno Filardi, há um risco clínico teórico de uma vez receber a vacina de Adenovírus 5 e a pessoa ficar mais suscetível a contrair o HIV após a exposição ao vírus do HIV.

"TEÓRICO pois o fenômeno foi visto no laboratório e apenas em estudos de vacina para HIV. Não para covid", escreveu o médico em seu perfil do Twitter.

Em outubro do ano passado, logo após a publicação da carta, alguns veículos de imprensa repercutiram o seu conteúdo, o que causou uma confusão ainda maior após as declarações de Bolsonaro na última semana.

As vacinas Sputnik V (russa) e o imunizante produzido pela chinesa CanSino usam o Ad5 em sua composição. Nenhuma das vacinas aprovadas no Brasil usa o Ad5 como vetor viral. Nem no Reino Unido, como pode ser verificado no site do Serviço Nacional de Saúde (NHS).

A vacina Sputnik V tem o Ad5 como vetor somente em uma das duas doses previstas, a outra aplicação conta com um adenovírus diferente.

Filardi afirma que não há relação estabelecida entre as vacinas contra a covid e a Aids. Para ele, o que foi visto no estudo com a vacina experimental contra HIV pode ser explicado ainda por um fenômeno comportamental do voluntário, que por pensar estar protegido contra a doença não segue protocolos de prevenção, como uso da camisinha.

De fato, os participantes do estudo que se infectaram fizeram sexo desprotegido com pessoas soropositivas ou de status sorológico desconhecido, como diz a carta publicada na Lancet. Esses resultados reforçam o que os cientistas vêm dizendo há décadas: que há comportamentos de risco que facilitam uma infecção: falta de camisinha (no caso da Aids) e recusar uso de máscara e distanciamento físico (no caso da covid-19).

Excesso de cautela

No dia 18 de outubro, a Autoridade Regulatória de Produtos de Saúde da África do Sul (SAHPRA) decidiu não aprovar o uso da Sputnik V no país, citando o possível aumento de risco de infecção pelo HIV. No domingo (24), a Namíbia seguiu a decisão da África do Sul e afirmou que deve suspender a aplicação da Sputnik V em seu território. Ambos os países, assim como outras nações no continente africano, sofrem com a alta circulação do HIV.

Em um comunicado divulgado pela agência Reuters, o ministro da Saúde da Namíbia disse que a decisão partiu do excesso de cautela.

As vacinas contra a covid não carregam nenhum elemento do vírus da Aids e não causam supressão no sistema imunológico, pelo contrário, elas estimulam e fortalecem o sistema imune para combater o SARS-CoV-2.

"As vacinas não enfraquecem a resposta imune, elas reforçam essa resposta. A prova disso é que a vacinação está fazendo diminuir os números de casos e mortes causadas pela covid-19", afirma Bonorino.

A decisão dos países africanos está relacionada à alta circulação do vírus do HIV no continente e ao risco ainda não comprovado de que as vacinas que usam o Ad5 podem aumentar o risco de se infectar com o HIV (mas somente nos casos em que há exposição ao vírus do HIV e comportamento de risco).

É importante repetir que o que está dito na carta publicada na Lancet em outubro de 2020 é que quem teve um risco maior de contrair HIV foram os participantes homens do estudo que receberam a vacina experimental e fizeram sexo desprotegido com pessoas infectadas pelo HIV ou de status sorológico desconhecido.

As vacinas causam alguma doença?

As vacinas não são feitas para causar doenças, mas sim para preveni-las. Para isso, elas usam um antígeno (um pedaço do patógeno ou ele inteiro e inativado) que ativa o sistema imunológico para produzir células de proteção contra um invasor específico.

Funciona assim: sempre que o corpo detecta um invasor que pode causar algum mal (bactérias, vírus etc.), inicia a produção de anticorpos e outras células de proteção voltadas para a eliminação do invasor recém chegado. Assim, as vacinas apresentam ao corpo um pedacinho do vírus que funciona como uma identidade para o corpo reconhecê-lo (o antígeno). É como se a vacina disse ao corpo: "Tá vendo esse cara aqui? Vai atrás dele e tira ele daqui!"

Quando a pessoa recebe a vacina, o corpo fica mais ágil e preparado para criar as células de proteção em massa e combater a infecção de uma maneira muito mais eficiente.

Mas e as pessoas que tomaram a vacina e tiveram febre e dores? Simples, a vacina necessariamente induz uma inflamação leve para ativar o sistema imunológico e, assim, dores ou febre podem aparecer. Isso é um sinal de que o sistema imune funciona.”

25/10/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/10/maioria-das-universidades-federais-no-rs-projeta-retorno-de-formaturas-presenciais-para-2022-ckv76zsan008p019mgpeaio31.html

“Maioria das universidades federais no RS projeta retorno de formaturas presenciais para 2022

UFRGS elaborou plano de retomada das colações de grau, mas depende da apreciação do Comitê Covid para validá-lo

Ainda não será neste ano que os alunos das universidades federais gaúchas colocarão togas para receber os diplomas e comemorar com seus familiares a tão almejada graduação. Com planos de retomada gradual das atividades presenciais, a maioria das instituições planeja para 2022 o retorno das formaturas presenciais. A exceção é a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que elaborou um plano que ainda depende de aprovação de um comitê, sem data prevista.

Na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), são realizadas formaturas virtuais mensais, normalmente com estudantes de diferentes cursos simultaneamente. O plano é mudar o cenário no ano que vem.

— Inicialmente, serão somente formaturas externas, em que as turmas já locaram locais maiores. Mais adiante, as turmas menores voltarão às formaturas na UFCSPA — relata a reitora Lucia Pellanda.

Devido à limitação de espaço na universidade, formaturas de cursos com muitos alunos, como Medicina, Enfermagem, Fonoaudiologia e Fisioterapia, já aconteciam fora do prédio da instituição antes da pandemia.

Destinada a cursos da área da saúde, porém, a universidade conta com o apoio de muitos estudantes na manutenção, por enquanto, das solenidades no formato remoto. Formado em Biomedicina no dia 25 de agosto, Luís Felipe Castro, 28 anos, preferiu nem mesmo tirar fotos de toga por entender que ainda não era um momento seguro.

 — Acho uma atitude prudente da UFCSPA. No momento, acho que é o ideal, porque as nossas condições epidemiológicas ainda não permitem que a gente retome de forma segura. É um passo de cada vez. Com todo mundo se vacinando, vamos começando a retomar a rotina, mas, agora, não se deve voltar — defende o novo biomédico.

Sem a solenidade de colação de grau para marcar o momento, a família de Luís Felipe usou a criatividade para celebrar o diploma do jovem, o primeiro a concluir uma graduação entre seus familiares, o que foi viabilizado por meio de auxílios estudantis e bolsas de iniciação científica. Em outubro, o biomédico foi a Serafina Corrêa, na Serra, pela primeira vez desde janeiro de 2020, para rever sua família. Foi surpreendido com uma faixa na frente da casa, parabenizando pela formatura.

— Minha avó é analfabeta e sempre quis que eu estudasse. Aí, ela pediu para minha mãe colocar a faixa na frente de casa. É algo muito especial ser o primeiro da família a me formar, porque a minha família não teve acesso à educação, então é um peso muito grande — observa Luís Felipe, que espera que seu irmão, de 17 anos, siga o mesmo caminho e também faça uma graduação.

Nesta quarta-feira (27), será a vez de Luís Furtunato, 26 anos, se formar em Medicina pela UFCSPA. O dia não será celebrado como o graduando imaginava.

— É algo que a gente espera bastante, inclusive a família. É como se fosse um rito de passagem. Mas compreendemos também a situação que vivemos e que nem tudo pode ser como esperamos. Vamos nos reunir, eu, minha mãe e minha irmã, e comemorar nós três a ocasião — resume o jovem.

A turma de Luís pretende realizar uma colação de grau presencial quando tudo estiver liberado. Alguns cogitam também fazer festas, plano que não é compartilhado por ele. Mesmo assim, o formando fez questão de participar da prova de toga, para ter em fotos o registro do rito de passagem.

(...)

Instituições privadas já retomaram

Enquanto isso, as universidades particulares já estão retomando as festividades presenciais.

Na Unisinos, por exemplo, desde setembro ocorrem cerimônias presenciais em quase todos os finais de semana, ainda que com restrição de tempo, ocupação, uso obrigatório de máscaras e, mais recentemente, obrigatoriedade de apresentação da carteira de vacinação. As solenidades atendem demandas represadas de colação de grau – em setembro, foram celebradas as graduações de quem se formou no semestre de 2020/1. Atualmente, é a vez dos graduandos de 2020/2, e, até setembro, serão festejadas as formaturas das turmas de 2021/1.

Antes da liberação dos eventos, a universidade já oferecia momentos para os graduandos nas formaturas de gabinete.

— Marcávamos, dentro dos protocolos, momentos de 15 a 20 minutos por aluno, para que ele pudesse tirar fotos com o diploma e com dois familiares. Muitos alunos se formaram nessa modalidade e se satisfizeram com isso, mas, para quem disse que queria fazer a solenidade quando possível, está sendo oferecida a recuperação das formaturas da pandemia — relata Luciana Curra, gerente de Serviços da Unisinos.

Primeira pessoa a conquistar o diploma de Ensino Superior em sua família, Leidiana Ferreira, 28 anos, sonhava com o momento de se arrumar, colocar a toga e receber o canudo em frente aos familiares. Por isso, além da colação de grau em gabinete do curso de Enfermagem, ocorrida em outubro de 2020, a jovem fez questão de participar da formatura, celebrada no último sábado (23) na Unisinos de Porto Alegre.

— A cerimônia sempre fez parte de um sonho meu. Consegui me formar com muito sacrifício, levei seis anos e meio e sou a única da minha família a ter Ensino Superior. Quero, com isso, incentivar meus irmãos — revela Leidiana.

Mesmo com tanto tempo de aulas remotas, a turma da nova enfermeira se manteve unida para organizar a formatura. Dos 19 concluintes, 17 se formaram na cerimônia do último sábado — apenas dois desistiram, por motivos de saúde. Em plena pandemia, segundo Leidiana, todos já estão empregados como enfermeiros.

Na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), as cerimônias presenciais serão iniciadas em dezembro, pelo curso de Medicina. Até então, as solenidades foram adaptadas — em 2020/1, eram 100% online. Em 2020/2, muitas já puderam ter um formato híbrido, até que uma nova onda de aumento de casos, em março de 2021, fez com que fossem retomadas as atividades totalmente remotas. A flexibilização foi ocorrendo gradualmente e, em 2021/1, os formandos já podiam convidar até três pessoas para participar da celebração.

— Em agosto, tivemos uma experiência já mais próxima de uma formatura. Tivemos a entrada dos formandos, a entrega de diplomas por familiares e fotos no campus com grupos reduzidos. Para as turmas de 2021/2, nossa expectativa é oferecer cerimônias presenciais — diz Márcia Vieira, coordenadora da área de Relações Comunitárias da PUCRS.

Formandos dos semestres anteriores poderão ser encaixados nas turmas que estão se formando atualmente. Na formatura de Maju Braescher, 24 anos, por exemplo, além dos colegas das Engenharias deste semestre, haverá graduandos de semestres anteriores.

— Mesmo que seja uma comemoração pequena, ter essa oportunidade de comemorar, subir no palco, dá uma felicidade imensa. É muito gratificante poder fazer parte dessa turma que está retomando — revela Maju.

Os 45 formandos, que têm a data da solenidade prevista para 21 de janeiro, tomaram precauções, para o caso de o evento precisar ser adiado. Junto à produtora, assinaram um contrato flexível, que permite o adiamento de todo o pacote adquirido. Mas, por enquanto, tudo tem ocorrido nos conformes — no sábado (30), a turma deve fazer a prova de toga no campus, com a presença de alguns poucos familiares.”

22/10/2021 – ZH

Federais preparam retorno das atividades presenciais

A maioria das instituições no Rio Grande do Sul planeja volta à normalidade no primeiro semestre do próximo ano

Zero Hora22 Oct 2021ISABELLA SANDER Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Com o aumento da vacinação contra a covid-19 e a redução nos índices de casos e hospitalizações pela doença nos últimos meses, o clima entre as universidades federais é de retomada gradual das atividades presenciais. Com exceção da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que ainda trabalha na finalização das diretrizes para um retorno mais amplo, as outras instituições têm aumentado o número de aulas práticas permitidas dentro dos campi.

A maioria delas planeja um retorno pleno, que inclua também aulas teóricas presenciais, ainda para o primeiro semestre de 2022, a ser iniciado entre março e maio do ano que vem.

A Universidade Federal do Rio Grande (Furg) conta com um plano de contingência com três fases. Na segunda-feira, foi iniciada a fase um, na qual as atividades administrativas adotam formato híbrido de funcionamento. As atividades de ensino e extensão seguem remotas.

Em 16 de novembro, começa a fase dois e as atividades administrativas da Furg serão totalmente presenciais, mas com escalonamento entre servidores. Serão permitidas cerimônias de outorga de grau presenciais. Já a fase três está prevista para abril de 2022, quando todas as atividades de ensino, pesquisa e extensão poderão ser retomadas, a depender do cenário sanitário.

Retomada

Também na segunda-feira, a Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) retomou 125 disciplinas práticas na modalidade presencial. As aulas teóricas ainda devem ser mantidas no formato remoto. Apesar disso, ainda não há data definida para o retorno pleno.

Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), trabalhase com a possibilidade de retorno pleno das aulas presenciais no primeiro semestre de 2022, o que dependerá da manutenção dos baixos índices de contaminação e hospitalização por covid-19. O primeiro semestre letivo deverá começar entre março e abril do ano que vem.

Na Capital, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) está na fase dois de um programa elaborado pela instituição, composto por cinco fases. Ele já inclui aulas práticas. Somente na fase quatro, os cursos de verão, de inverno e de férias voltam a ser liberados. Por fim, na fase cinco, ocorre a retomada de todas as atividades presenciais, inclusive aulas teóricas. Ainda não há previsão de retorno pleno.

Programa

Com três campi distribuídos no Rio Grande do Sul, a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) tem um programa de retomada das atividades presenciais composto por cinco Níveis de Segurança Operacional (NSO). O campus de Cerro Largo opera desde setembro no NSO 3, que permite o desenvolvimento de aulas práticas presenciais em laboratórios e áreas experimentais.

– A partir de novembro, quando se inicia o próximo semestre, seguiremos com as aulas práticas presenciais e poderemos ainda ter o retorno de parte das aulas teóricas presenciais – destaca o diretor do Campus Cerro Largo, Bruno München Wenzel.

No Campus Erechim, está em vigor o NSO 2 – mais brando do que o 3. Segundo a diretora em exercício do Campus Erechim, Sandra Pierozan, o planejamento é de retorno às atividades presenciais em 1º de fevereiro de 2022.

O primeiro semestre de 2022, a ser iniciado em abril, deverá retornar à presencialidade. Já no Campus Passo Fundo, apenas com o curso de Medicina, as atividades teóricas retornam gradualmente – cerca de 35% são presenciais. O retorno pleno deve ser em março.

A Universidade Federal do Pampa, por sua vez, (Unipampa) aprovou portaria para retomar as aulas presenciais em abril de 2022.

22/10/2021 – ZH

Aulas práticas liberadas gradativamente

O momento nas universidades federais gaúchas é de ampliação da oferta de aulas práticas no formato principal. A maior preocupação é com os alunos prestes a se formar.

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) liberou em setembro a oferta de aulas práticas, voltadas principalmente para alunos que estão nesta etapa. É o caso da disciplina de Hematologia, ministrada pela professora Liane Rotta para 10 estudantes de Biomedicina e Farmácia.

– É uma disciplina teórico-prática. A parte teórica nós demos no formato remoto, mas a carga horária prática ficou pendente. Então, estamos fazendo aulas intensivas para completar a parte prática. Tem sido muito proveitoso, porque essas aulas desenvolvem as habilidades dos alunos e os preparam para os estágios – explica a professora, que tem sentido os alunos muito interessados pelas atividades.

A partir do dia 3 de novembro, será concluída a compensação das atividades práticas pendentes de 2020.

A Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) reabriu 125 disciplinas práticas na modalidade presencial na segunda-feira. Até então, apenas Medicina e Odontologia tinham práticas presenciais. Agora, cursos como Gastronomia voltaram a ter aulas práticas no campus.

Para 7 de fevereiro de 2022, quando se inicia o segundo semestre de 2021 na UFPEL, está previsto o retorno de todas as disciplinas práticas de todos os cursos.

Na Universidade Federal do Rio Grande (Furg), disciplinas práticas essenciais para fases finais e intermediárias poderão ser oferecidas presencialmente.

Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), por enquanto apenas cursos da área da Saúde têm aulas práticas ocorrendo de forma presencial. Entretanto, outros cursos já enviaram seus planos de contingência, que poderão ser aprovados nos próximos dias, permitindo a volta da presencialidade parcial.

No caso da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), o campus de Cerro Largo opera desde setembro com o desenvolvimento de aulas práticas presenciais em laboratórios e áreas experimentais, de forma escalonada. No Campus Erechim, mais atividades práticas passaram a ser permitidas a partir dessa semana. Já no Campus Passo Fundo, que conta apenas com o curso de Medicina, as atividades práticas ocorrem presencialmente desde agosto de 2020.

Na Unipampa, entre novembro de 2021 e janeiro de 2022, haverá a recuperação das atividades práticas represadas.

22/10/2021 – PodCast Direto ao Ponto do Correio do Povo

Link: https://www.spreaker.com/user/correiodopovo/2210-dp

“Entenda por que a variante Delta não piorou a pandemia da Covid-19 no Brasil

O aumento expressivo de hospitalizações e mortes nos Estados Unidos, Reino Unido e Israel, impulsivado pela variante Delta, acendeu um alerta aos gestores e especialistas brasileiros. Cinco meses depois, os dados mostram pouco impacto da cepa indiana no cenário brasileiro, que, inclusive, tem os melhores indicadores do último ano.

Para entender estes efeitos, o Direto ao Ponto conversou com o médico Alessandro Pasqualotto, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), e o virologista Fernando Spilki, que é coordenador da Rede Corona-Ômica, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que investiga quais cepas circulam no país.”

21/10/2021 – Correio do Povo

Link: https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/variante-do-coronav%C3%ADrus-identificada-pelo-hospital-moinhos-de-vento-recebe-o-nome-de-p7-1.710716

“Variante do coronavírus identificada pelo Hospital Moinhos de Vento recebe o nome de P7

Cepa em circulação no RS foi identificada no ano passado em estudo feita pela instituição

A variante do coronavírus identificada em estudo genômico do Hospital Moinhos de Vento foi nominada de P7. A cepa foi identificada ainda em 2020 enquanto circulava no Rio Grande do Sul. O monitoramento da P7 foi feito entre os meses de abril e novembro do ano passado, com 340 amostras de 33 municípios, a partir de 33.788 exames diagnósticos de Covid-19 realizados para o Laboratório Central do RS – o Lacen.

De acordo com a epidemiologista do Hospital Moinhos de Vento, Eliana Wendland, que liderou a pesquisa, as 22 amostras identificadas atendiam a todos os critérios para que se considerasse uma nova cepa. No repositório online em que pesquisadores do mundo todo sugerem novas sequências do genoma SARS-CoV-2 a linhagens globais, o pesquisador da instituição, Fernando Hayashi Sant'Anna, apontou os critérios técnicos para que a linhagem fosse nominada.

O estudo foi realizado pelo Hospital Moinhos de Vento, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (PROADI-SUS), em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

O estudo

Na investigação, os pesquisadores “separam” o RNA do vírus, onde contém a informação genética dele. Utilizando um sequenciador, é realizada a leitura de fragmentos do RNA, que posteriormente é integrado, por meio de softwares específicos, para a montagem do genoma completo. Cada um dos genomas é, então, comparado com o primeiro genoma isolado de SARS-CoV2, de Wuhan (China), para identificar mutações.

Essas sequências são depositadas e comparadas a uma base de dados pública. Assim, é possível garantir que o vírus em circulação em solo gaúcho não é igual a nenhum outro existente. O artigo com esses achados passou pela fase de revisão e checagem sendo, posteriormente, disponibilizado para consulta.”

21/10/2021 – GZH

Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/10/ampliacao-de-aulas-praticas-marca-retorno-gradual-em-universidades-federais-gauchas-ckv1dkc93008j017fcpiswea3.html

“Ampliação de aulas práticas marca retorno gradual em universidades federais gaúchas

Previsão é de que instituições retomem integralmente as atividades presenciais ao longo de 2022

O momento nas universidades federais gaúchas é de ampliação da oferta de aulas práticas no formato presencial. A exceção é a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que ainda trabalha na finalização das diretrizes para um retorno mais amplo. A maior preocupação é com os alunos prestes a se formar e que, devido à pandemia, não puderam cursar disciplinas cuja presencialidade é obrigatória, caso das realizadas em laboratórios e das que exigem saídas de campo.

Na Capital, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) liberou em setembro a oferta de aulas práticas, voltadas principalmente para alunos que estão perto de se formarem. É o caso da disciplina de Hematologia, ministrada pela professora Liane Rotta para 10 estudantes de Biomedicina e Farmácia. Normalmente com frequência semanal, a disciplina está sendo oferecida em formato intensivo.

— É uma disciplina teórico-prática. A parte teórica nós demos no formato remoto, mas a carga horária prática ficou pendente. Então, estamos fazendo aulas intensivas para completar a parte prática. Tem sido muito proveitoso, porque essas aulas desenvolvem as habilidades dos alunos e os preparam para os estágios — explica a professora, que tem sentido os alunos muito interessados pelas atividades.

Desde o início da pandemia, somente aulas práticas prioritárias eram disponibilizadas na UFCSPA, e sempre em locais externos ao campus. A retomada faz parte da fase dois de um programa elaborado pela instituição, composto por cinco etapas. Na fase três, a ser iniciada em 3 de novembro, será concluída a compensação das atividades práticas pendentes de 2020. Será ampliado o número de aulas práticas das 43 atuais para 102. Na fase quatro, os cursos de verão, de inverno e de férias voltam a ser liberados. Por fim, na quinta etapa ocorre a retomada de todas as atividades presenciais, inclusive aulas teóricas. Não há, porém, data prevista para que esse retorno ocorra.

O clima é de retomada também na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que reabriu 125 disciplinas práticas na modalidade presencial na segunda-feira (18). Até então, apenas Medicina e Odontologia tinham práticas presenciais. Agora, cursos como Gastronomia, que também têm muitos componentes cuja presencialidade é essencial, voltaram a ter aulas práticas no campus. Foram priorizadas demandas muito acumuladas e necessidades de formandos.

Para 7 de fevereiro de 2022, quando se inicia o segundo semestre de 2021 na UFPel, está previsto o retorno de todas as disciplinas práticas de todos os cursos. As aulas teóricas ainda devem ser mantidas no formato remoto. Não há definição de data para o retorno pleno de todas as atividades.

Planos de contingência

A organização das instituições é feita por meio de planos de contingência. Na Universidade Federal do Rio Grande (Furg), ele é planejado em três fases, visando a um retorno lento e gradual à presencialidade. Na segunda-feira, foi iniciada a primeira etapa. Com isso, as atividades administrativas passam a adotar um formato híbrido, mas as de ensino e extensão seguem remotas.

Em 16 de novembro, começa a fase dois, e as atividades administrativas da Furg passam a ser totalmente presenciais, mas com escalonamento entre servidores. Disciplinas práticas essenciais para fases finais e intermediárias poderão ser oferecidas presencialmente. Já a fase três está prevista para abril de 2022, quando todas as atividades de ensino, pesquisa e extensão poderão ser retomadas, a depender do cenário sanitário.

Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), por enquanto, apenas cursos da área da saúde têm aulas práticas ocorrendo de forma presencial. Entretanto, outros cursos já enviaram seus planos de contingência, que poderão ser aprovados nos próximos dias, permitindo, assim, a volta da presencialidade parcial.

A instituição santa-mariense trabalha com a possibilidade de retorno pleno das aulas presenciais no primeiro semestre de 2022, o que dependerá da manutenção dos baixos índices de contaminação e hospitalização por covid-19. O primeiro semestre letivo deverá começar entre março e abril do ano que vem.

Com três campi diferentes no Rio Grande do Sul, a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) tem um programa de retomada das atividades presenciais composto por cinco Níveis de Segurança Operacional (NSO). O campus de Cerro Largo opera desde setembro no NSO 3, que permite o desenvolvimento de aulas práticas presenciais em laboratórios e áreas experimentais, de forma escalonada.

— A partir de novembro, quando se inicia o próximo semestre, seguiremos com as aulas práticas presenciais e poderemos ainda ter o retorno de parte das aulas teóricas presenciais — destaca o diretor do Campus Cerro Largo, Bruno München Wenzel.

No Campus Erechim, o NSO 2 — mais brando do que o 3 — foi adotado nesta semana. Com isso, mais atividades práticas serão permitidas. Segundo a diretora em exercício do Campus Erechim, Sandra Pierozan, o planejamento é de retorno às atividades presenciais na unidade em 1º de fevereiro de 2022. O primeiro semestre de 2022, a ser iniciado em abril, deverá marcar o retorno definitivo à presencialidade, não havendo mais autorização legal para o oferecimento do ensino remoto.

Já no Campus Passo Fundo, que conta apenas com o curso de Medicina, as atividades práticas já ocorrem presencialmente desde agosto de 2020. As teóricas estão retornando gradualmente — cerca de 35% ocorrem de forma presencial. A retomada plena deve ocorrer em março.

A Universidade Federal do Pampa (Unipampa) aprovou portaria para voltar às aulas presenciais também em abril de 2022. Entre novembro de 2021 e janeiro de 2022, haverá a recuperação das atividades práticas represadas.”

20/10/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/10/brasil-chega-a-50-da-populacao-com-esquema-vacinal-completo-contra-covid-19-ckut1ryp000cb017fe9w8qhkv.html

“Brasil chega a 50% da população com esquema vacinal completo contra covid-19

Apesar do atraso em iniciar a campanha, país supera cobertura de Estados Unidos e Alemanha; desigualdade entre Estados é desafio

Dez meses após a primeira dose aplicada na enfermeira Mônica Calazans, o Brasil superou, nesta quarta-feira (20), a importante marca de 50% de todos os 213 milhões de habitantes com esquema vacinal completo contra a COVID-19 — receberam, portanto, duas doses ou dose única da Janssen. A conquista surge após o país superar os 600 mil mortos pela doença e aproxima o Brasil do fim da pandemia.

Dados da plataforma coronavirusbra1, que reúne estatísticas das secretarias estaduais de Saúde, mostram que mais de 152 milhões receberam a primeira dose (71% de todos os brasileiros) e 107 milhões (50,19%) receberam o esquema completo. Outros 5 milhões, o equivalente a 2,5% da população, receberam a terceira dose.

Na prática, o Brasil já atingiu uma das metas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estabeleceu que cada país finalize 2021 com 40% da população vacinada. A próxima meta é chegar até metade de 2022 com 70% de todos os habitantes com esquema completo. A nível nacional, o objetivo do Ministério da Saúde é vacinar com duas doses 85% de todos os brasileiros, segundo consta no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 - o que equivale a aplicar a segunda dose em mais 75 milhões de brasileiros.

A despeito das constantes críticas do presidente Jair Bolsonaro às vacinas — ele reafirmou há poucos dias que decidiu não se vacinar, contrariando o consenso da ciência de que essa é a saída para o fim da pandemia —, os brasileiros vêm apresentando maior adesão à campanha frente a outros países, herança da memória coletiva da maior qualidade de vida oferecida anos atrás por imunizantes que resolveram chagas como sarampo e poliomielite.

Ainda que tenha iniciado a aplicação meses depois de outros países, o Brasil aproveitou a estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) para dar rápida vazão às doses — a ponto de aplicar mais de 1 milhão de vacinas em um dia.

Como resultado, o país é, em termos brutos, a quarta nação que mais vacinou com uma dose, atrás de China, Índia e Estados Unidos. Proporcionalmente, é o 15º país que mais aplicou a primeira dose — mais do que Alemanha e Estados Unidos, segundo dados do Our World in Data, projeto da Universidade de Oxford.

Ver gráfico pelo link acima.

— O Sistema Único de Saúde se mostrou muito capaz quando houve disponibilidade de doses. O resultado é que a campanha atingiu em curto espaço de tempo um grande número de pessoas imunizadas. Houve agilidade muito grande, e isso se refletiu em diminuição de casos e de mortalidade — afirma Guilherme Watte, epidemiologista na Santa Casa de Misericórdia e professor na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Próximos desafios

O desafio, agora, é reduzir a abstenção, buscar adolescentes, aplicar mais terceiras doses e elevar a cobertura de duas doses em adultos — neste indicador, o Brasil cai para a 37ª posição, bem atrás de países ricos e de vizinhos como Argentina e Uruguai.

— Em 1998, tivemos a epidemia de H1N1. O presidente da época comprou vacina em estudo e, no ano seguinte, quando as doses chegaram, já estava tudo organizado. Em três meses, vacinamos 88 milhões de pessoas. Com a covid, em três meses tínhamos vacinado 8,6 milhões. Agora que o Brasil tem vacina, está muito mais rápido. Nosso SUS é capilarizado: chega na periferia e vai de barco no Amazonas — destaca a médica epidemiologista Ligia Kerr, vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

A epidemia no país começou a perder força em junho, destaca o último boletim da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mês em que o ritmo de vacinação começou a engrenar.  O resultado é que o nível de novos casos, hospitalizações e mortes caiu drasticamente: a média móvel de mortes desta sexta-feira (15) é de cerca de 330 vítimas por dia, segundo dados do Ministério da Saúde — no pior momento da epidemia, em abril, eram mais de 3,1 mil.

— É visível o impacto da vacinação no número de casos graves e na necessidade de hospitalização. Conseguir aplicar mais de 1 milhão de doses por dia é muito relevante. Se não houvesse a questão política que retardou a compra de vacinas, estaríamos em índices melhores — afirma Rodrigo Boldo, médico intensivista do Mãe de Deus.

A despeito da menor recusa vacinal por parte de brasileiros, Boldo destaca que a desinformação precisa ser combatida:

— Atualmente (a entrevista foi realizada na semana passada), 90% dos pacientes internados no Hospital Mãe de Deus são não vacinados. Talvez minha amostra seja enviesada porque quem interna é quem não se vacinou, mas são pacientes que chegam cegos, acham que é tudo armação. Um paciente internou, ficou entubado 20 dias e depois me perguntou quando poderia se vacinar — conta.

Até o surgimento da variante Delta, analistas entendiam que o país precisaria aplicar duas doses em cerca de 70% de toda a população para atingir a imunidade coletiva — quando vacinados protegem não vacinados —, e a epidemia acabaria no país.

No entanto, viu-se que a nova variante é altamente transmissível e que pode ser passada adiante também por vacinados (em menores níveis e por menos tempo do que não vacinados). A constatação exige elevar ainda mais a cobertura vacinal, para patamares por volta de 90% de todos os habitantes — quando atingirmos esse número, dizem analistas, a covid-19 será reduzida a baixíssimos patamares, o que permitirá maiores flexibilizações. A Dinamarca, por exemplo, dispensou todas as restrições após vacinar com duas doses 85% de todos os habitantes.

Cobertura vacinal desigual pelo país

A expectativa é de que, em breve, quando a transmissão cair, o coronavírus se tornará similar à gripe influenza, passível de ser controlado apenas com a vacinação. Antes da pandemia, o Brasil costumava registrar cerca de 2 mil mortes por influenza, cita a médica Flávia Bravo, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Dados de 2019 do Ministério da Saúde apontaram, no ano, quase 2,5 mil casos graves de influenza e mais de 1 mil mortes.

Mas os dados mostram que, ainda que a vacinação avance, a cobertura é desigual no Brasil. São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Paraná são os únicos Estados que vacinaram com duas doses mais de 50% de seus habitantes. Enquanto isso, Roraima e Amapá, regiões com maior dificuldade de acesso logístico, sequer chegaram aos 30%.

— A cobertura desigual, seja interna no país ou no mundo, pode trazer risco de entrada de nova variante ou de produção de uma supervariante que ultrapasse a imunidade de quem já esteve doente e dos já vacinados da região — observa a médica Ligia Kerr, também professora da Universidade Federal do Ceará (UFC).

A favor do Rio Grande do Sul está a alta vacinação no comparativo com outros Estados — é a terceira mais alta cobertura vacinal de duas doses do país, com cerca de 56% de todos os habitantes com duas doses e 77%, uma.

Ver gráfico clicando no link acima.

O Estado surfa na decisão de gestores de não reservar segundas doses no início da campanha e também pela cultura de vacinação contra doenças respiratórias do inverno, o que ensinou gestores, servidores da saúde e famílias gaúchas a se organizarem — e valorizarem — a ida ao posto para se imunizar.

O apreço pelas vacinas pode ser simbolizado por Porto Alegre, onde 97% de todas as pessoas com 12 anos ou mais, aptas a se imunizar, já buscaram a primeira dose. Até o momento, dentre os 497 municípios gaúchos, mais de 80 já vacinaram com esquema completo 70% de toda a população. Entre cidades com mais de 100 mil habitantes, a melhor cobertura é em Porto Alegre. 

— Estamos no caminho. A vacina ajudou e está ajudando. É questão de mais alguns meses para que o impacto dessa doença seja o mínimo. Agora, é ter um pouco mais de paciência — observa o médico intensivista Rodrigo Boldo, destacando a necessidade de manter o uso de máscaras e evitar aglomerações.”

20/10/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/politica/noticia/2021/10/da-suposta-suastica-na-redencao-ao-bolo-com-homenagem-a-hitler-por-que-o-rs-coleciona-atos-de-inspiracao-nazista-ckv02091q005n019mwsxsystu.html

“Da suposta suástica na Redenção ao bolo com homenagem a Hitler, por que o RS coleciona atos de inspiração nazista

Migração europeia, laços culturais, crise econômica e radicalização política são apontados por estudiosos como possíveis causas da relação do Estado com a ideologia

De tempos em tempos, o Rio Grande do Sul chama atenção no calor da repercussão e da polêmica resultante de alguma manifestação de cunho nazista, a maioria delas cometida por pessoas até então anônimas.

Somente agora, em outubro, ocorreram dois episódios. Primeiro, o piso de um recanto do Parque da Redenção, em Porto Alegre, reformado em 2020, e que supostamente teria pintura de resgate original com traços que lembrariam a suástica. Especialistas ouvidos por GZH refutaram a semelhança, mas, diante de incômodos e reclamações, o prefeito Sebastião Melo determinou a produção de um laudo pela Secretaria Municipal da Cultura sobre a obra. Ele disse que irá determinar a retirada da pintura caso sejam identificadas características nazifascistas.

Nem havia baixado a poeira da polêmica da Redenção, surgiu o caso de uma estudante de História da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) que comemorou seu aniversário, em Pelotas, com um bolo que trazia estampada a face de Adolf Hitler, o líder da Alemanha nazista, responsável pelo assassinato de milhões de judeus e de outras minorias. Fotos e vídeos foram postados em rede social, o que pode eventualmente configurar delito de apologia ao nazismo, conforme previsão do artigo 20 da lei 7.716/89. A Polícia Civil investiga o caso e a deputada estadual Juliana Brizola (PDT) está requerendo apuração por parte do Ministério Público.

Embora sejam os mais recentes, não são casos isolados. Em 2005, skinheads esfaquearam dois judeus nas ruas do bairro Bom Fim, em um episódio trágico que marcou o Estado. A editora Revisão, que publicava livros revisionistas, antissemitas e de negação do holocausto, teve estande na Feira do Livro de Porto Alegre, sendo retirada somente após pressões de outros livreiros e da sociedade. Outro episódio emblemático foi o do grupo neonazista Neuland, que envolvia extremistas do sul do Brasil e culminou no assassinato de um casal membro da célula por disputa de poder na região metropolitana de Curitiba, em 2009. O crime resultou em uma prisão em Teutônia, no Vale do Taquari, além de outras no Paraná e em São Paulo.

Há várias possíveis explicações para o histórico de manifestações nazistas que pululam no Rio Grande do Sul historicamente. A mais óbvia delas é a forte imigração alemã e italiana para o Estado a partir do século 19.

— Temos um Estado com longa tradição autoritária na política, com colonização europeia bastante expressiva de alemães e italianos. Durante o período de ascensão de Mussolini na Itália e de Hitler na Alemanha, isso acabou engajando muitos imigrantes por aqui, inclusive os que já eram nascidos no Brasil. Eram militantes e simpatizantes, existiam reuniões em várias cidades para discutir o que acontecia na Alemanha e, além disso, as relações comerciais e o intercâmbio cultural eram muito fortes — diz Éder da Silveira, doutor em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Os apontamentos do acadêmico podem ser identificados com um breve olhar para a sociedade civil gaúcha, suficiente para encontrarmos dezenas de associações e clubes tradicionais de origem germânica. Os laços, portanto, eram estreitos. Nos anos 1930, antes da queda na Segunda Guerra, era corriqueiro ver desfiles de simpatizantes do nazismo em Porto Alegre, com a bandeira vermelha contendo a suástica ao centro sendo ostentada.

Outra causa possível é a relação do Rio Grande do Sul com o integralismo, movimento originado como tentativa de criar um nacionalismo brasileiro de inspiração nazifascista.

— Naquela época, era bastante diferente de hoje a percepção que o mundo tinha da Alemanha se reconstruindo sob o comando do Hitler. Hoje somos sabedores da barbárie que aconteceu. Lá no começo, isso era denunciado por alguns intelectuais e autoridades europeias, mas não era amplamente reconhecido. E aqui no Rio Grande do Sul, nesse contexto, os imigrantes tinham engajamento e simpatia com o nazismo — diz Silveira, indicando uma carga histórica e cultural que pode ter influenciado as gerações posteriores.

As manifestações atuais no Estado também ocorrem em paralelo a uma percepção geral de crescimento das ideologias extremistas. Não trata-se de uma exclusividade gaúcha. Os ecos são percebidos também em outros Estados de colonização europeia tradicional, como Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

Presença no Sul

A juíza federal Claudia Dadico, da 7ª Vara Federal de Florianópolis, especializada em matéria criminal, passou a estudar os discursos de ódio em 2016, tendo concluído um doutorado em 2020, sob a perspectiva do Direito e das políticas de segurança pública diante do extremismo excludente.

Reproduzindo dados da pesquisadora e antropóloga Adriana Abreu Magalhães Dias, da Unicamp, a magistrada destaca que existem 349 células de inspiração nazista em atividade no Brasil.

— O meu estudo aponta que o ódio, mais do que sentimento, emoção ou fenômeno da natureza entre um indivíduo e outro, é um item estrutural da constituição do Estado. O Estado se organiza a partir da ideia da supremacia de um determinado grupo que está no poder. Mas, em determinados momentos da história, isso vai ser exacerbado. Estamos atravessando justamente um momento desses. É um fenômeno mundial de extrema-direita baseado em supremacia racial. Isso eclode com força no mundo e o Brasil não fica de fora — avalia Claudia. 

O aquecimento da ideologia nazifascista, historicamente vinculada a perseguições e assassinatos em massa, também foi identificado pela ONG SaferNet Brasil, que atua na defesa dos direitos humanos na internet há 15 anos. Dados da instituição mostram que, em 2019, ela recebeu e processou 1.071 denúncias anônimas de neonazismo, as quais envolviam 544 páginas virtuais distintas.

Do total, 212 puderam ser removidas. Já em 2020, essa mesma estatística deu um salto: foram recebidas e processadas 9.004 denúncias a respeito de 3.884 páginas neonazistas distintas. Foram removidos 1.659 endereços eletrônicos. O crescimento nas denúncias, de um ano para o outro, foi superior a oito vezes.

Para Thiago Tavares, diretor-presidente e fundador da SaferNet Brasil, o contexto da política brasileira também é parte do aumento das manifestações neonazistas.

— A radicalização do discurso político e a postura belicosa do presidente Jair Bolsonaro e alguns membros do governo, utilizando-se muitas vezes de linguagem e iconografia que são cultuadas por grupos neonazistas, têm legitimado e empoderado as células extremistas que atuam principalmente na Região Sul do país, e amplificando o ódio, o preconceito e a intolerância contra quem pensa diferente — afirmou Tavares.

Relações com outros países

As declarações do dirigente da SaferNet vão ao encontro da recente reunião de Bolsonaro, divulgada em imagens, com a líder da extrema-direita alemã Beatrix von Storch, neta do ministro das Finanças de Hitler. Também marcante foi a manifestação do ex-secretário Especial da Cultura, Roberto Alvim, que copiou a estética e trechos de um discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler, ao divulgar o Prêmio Nacional das Artes do governo Bolsonaro. Alvim acabou caindo do cargo após a repercussão negativa.

Além da juíza Claudia, outros pesquisadores apontam o contexto internacional como causa, com avanço da extrema-direita em países como Estados Unidos, França, Hungria e Polônia, embora em alguns um certo refluxo seja observado. A vida real do indivíduo também é avaliada como meio de guinada aos extremos em tempos ruins.

— Em geral, os períodos de crise econômica permitem a radicalização política. São momentos que ajudam a florescer alternativas salvacionistas e autoritárias. Verificamos isso no eleitorado de Donald Trump, muito forte em regiões empobrecidas, de população branca e industrial dos Estados Unidos. Isso é até um espelhamento do período do nazifascismo, que se estruturou em uma Europa pós-Primeira Guerra Mundial empobrecida. A Alemanha vivia hiperinflação e o período era de muita miséria — diz Silveira.

Para a magistrada de Florianópolis, ainda há dificuldade no Brasil em identificar os crimes de ódio.

— O discurso de ódio já é um ato, mas o mais preocupante é quando esses discursos passam a incitar a violência, fazer apologia a criminosos, e criam um pano de fundo estimulante para a prática de delitos. Existe muita confusão por parte dos juristas em confundir discurso de ódio com liberdade de expressão. Manifestações desagradáveis são uma coisa, mas a incitação à violência e à exclusão de pessoas da vida social estão fora do que é a liberdade de expressão — avalia a juíza, autora do livro Crimes do Ódio - Diálogos entre a Filosofia Política e o Direito.”

20/10/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/10/universidades-federais-gauchas-preveem-o-retorno-pleno-das-aulas-presenciais-em-2022-ckv030w8c006b017flt139j7n.html

“Universidades federais gaúchas preveem o retorno pleno das aulas presenciais em 2022

Retomada deverá ocorrer no primeiro semestre letivo, a ser iniciado entre março e maio, dependendo da instituição

Com o aumento da vacinação contra a covid-19 e a redução nos índices de casos e hospitalizações pela doença nos últimos meses, o clima entre as universidades federais é de retomada gradual das atividades presenciais. Com exceção da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que ainda trabalha na finalização das diretrizes para um retorno mais amplo, as outras instituições têm aumentado o número de aulas práticas permitidas dentro dos campi. A maioria planeja um retorno pleno, que inclua também aulas teóricas presenciais, para o primeiro semestre de 2022, a ser iniciado entre março e maio do ano que vem.

A Universidade Federal do Rio Grande (Furg) conta com um plano de contingência com três fases, visando um retorno lento e gradual à presencialidade. Na segunda-feira (18), foi iniciada a fase um. Com isso, as atividades administrativas passam a adotar um formato híbrido. As atividades de ensino e extensão seguem remotas.

Em 16 de novembro, começa a fase dois e as atividades administrativas da Furg passarão a ser totalmente presenciais, mas com escalonamento entre os servidores. Disciplinas práticas e teórico-práticas essenciais para fases finais e intermediárias poderão ser oferecidas presencialmente e será possível realizar cerimônias de outorga de grau em formato presencial. Já a fase três está prevista para abril de 2022, quando todas as atividades de ensino, pesquisa e extensão poderão ser retomadas, a depender do cenário sanitário.

Também na última segunda-feira, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) retomou 125 disciplinas práticas na modalidade presencial. Até então, apenas os cursos de Medicina e Odontologia tinham práticas presenciais. Foram priorizadas demandas muito acumuladas e necessidades de formandos.

Para 7 de fevereiro de 2022, quando se inicia o segundo semestre de 2021 na UFPel, está previsto o retorno de todas as disciplinas práticas de todos os cursos. As aulas teóricas ainda devem ser mantidas no formato remoto. Lá, não há definição de data para o retorno pleno.

Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), por enquanto apenas cursos da área da Saúde têm aulas práticas ocorrendo de forma presencial. Entretanto, outros cursos já enviaram seus planos de contingência, que poderão ser aprovados nos próximos dias, permitindo, assim, a volta da presencialidade parcial.

A instituição trabalha com a possibilidade de retorno pleno das aulas presenciais no primeiro semestre de 2022, o que dependerá da manutenção dos baixos índices de contaminação e hospitalização por covid-19. O primeiro semestre letivo deverá começar entre março e abril do ano que vem.

Na Capital, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) liberou em setembro a oferta de aulas práticas, voltadas principalmente para alunos que estão perto de se formarem. Até então, somente aulas práticas prioritárias eram disponibilizadas, e em locais externos ao campus. A retomada faz parte da fase dois de um programa elaborado pela instituição, composto por cinco fases. Ainda não há previsão de retorno pleno.

Com três campi diferentes no Rio Grande do Sul, a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) tem um programa de retomada das atividades presenciais composto por cinco Níveis de Segurança Operacional (NSO). O campus de Cerro Largo opera desde setembro no NSO 3, que permite o desenvolvimento de aulas práticas presenciais em laboratórios e áreas experimentais, de forma escalonada.

— A partir de novembro, quando se inicia o próximo semestre, seguiremos com as aulas práticas presenciais e poderemos ainda ter o retorno de parte das aulas teóricas presenciais — destaca o diretor do Campus Cerro Largo, Bruno München Wenzel.

No Campus Erechim, o NSO 2 — mais brando do que o 3 — foi adotado nesta semana. Com isso, mais atividades práticas serão permitidas. Segundo a diretora em exercício do Campus Erechim, Sandra Pierozan, o planejamento é de retorno às atividades presenciais na unidade em 1º de fevereiro de 2022. O primeiro semestre de 2022, a ser iniciado em abril de 2022, deverá retornar à presencialidade, não havendo mais autorização legal para o oferecimento do ensino remoto.

Já no Campus Passo Fundo, que conta apenas com o curso de Medicina, as atividades práticas já ocorrem presencialmente desde agosto de 2020. As teóricas estão retornando gradualmente — cerca de 35% ocorrem de forma presencial. O retorno pleno deve ocorrer em março.

A Universidade Federal do Pampa (Unipampa) aprovou portaria para retomar as aulas presenciais também em abril de 2022. Entre novembro de 2021 e janeiro de 2022, haverá a recuperação das atividades práticas represadas.”

20/10/2021 – Gazeta do Povo (Podcast)

https://www.gazetadopovo.com.br/republica/uso-mascaras-covid-19/

Por que ainda é importante usar a máscara

- Algumas cidades já discutem a liberação do uso de máscaras para os próximos dias

*) Com a melhora nos números da pandemia no Brasil, há quem já esteja pensando nos próximos passos para a retomada de uma vida normal, na medida do possível.

É claro que é sempre bom lembrar: a pandemia não acabou.

De qualquer maneira, é nítido que as medidas restritivas para o combate à Covid-19 já diminuíram bastante. Ao mesmo tempo, seguem sendo tomadas, pelo menos na maior parte do país, algumas precauções. Entre elas está o uso das máscaras. O equipamento que virou obrigatório nos últimos tempos.

Até quando usar a máscara?

Será que essa medida vai ser necessária por ainda muito tempo? Pra quem já tomou as duas doses da vacina, já há locais seguros para ficar sem máscara? Será que já é hora de desobrigar o uso do equipamento?

Sobre estes assuntos fala este episódio do podcast 15 Minutos. A convidada é a dra. Melissa Markoski, que é bióloga, mestre e doutora em Biologia Celular e Molecular e professora de Biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/uso-mascaras-covid-19/

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19/10/2021 – Brasil 247

https://www.brasil247.com/saude/como-a-pandemia-da-covid-19-pode-ter-ajudado-a-criar-bacterias-superresistentes

Como a pandemia da Covid-19 pode ter ajudado a criar bactérias superresistentes

Crenças equivocadas e outros motivos promoveriam o consumo exagerado de antibióticos durante a pandemia, o que pode ajudar a tornar as bactérias mais resistentes. Organizações alertam para o assunto.

A pandemia de covid-19 pode acelerar o processo de evolução da chamada resistência bacteriana. Isso acontece quando esses micro-organismos conseguem se adaptar e se tornar refratários ao tratamento com antibióticos, dando origem a bactérias mais difíceis de combater.

Consideradas um desafio para a medicina, as chamadas superbactérias já eram motivo de preocupação das principais organizações de saúde antes mesmo do Sars-CoV-2 se espalhar pelos seis continentes e infectar mais de 235 milhões de pessoas. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2019, a estimativa era de que, até 2050, cerca de 10 milhões de pessoas morreriam, a cada ano, por doenças resistentes a medicamentos. Agora, a previsão está sendo revista.

Em fevereiro de 2021, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), afirmou, em um comunicado, que “a resistência aos antibióticos ainda é uma ameaça à saúde pública durante a pandemia” e que estava monitorando “de perto” a relação entre o uso desses fármacos para a doença e a resistência antibacteriana em todo o país. Antes disso, no fim de 2020, a regional europeia da OMS publicou um comunicado alertando sobre esse mesmo risco.

Uma pesquisa comportamental conduzida pela OMS em nove países europeus apontou um crescimento do uso de antibióticos durante a pandemia. Entre os que tomaram esses medicamentos, 79% a 96% afirmaram que os utilizavam acreditando que poderiam prevenir a infecção. Ainda de acordo com a entidade, 75% dos internados em estado grave receberam antibióticos, apesar de apenas 15% terem desenvolvido coinfecções causadas por bactérias, que justificariam a indicação.

Cenário no Brasil

No Brasil, o consumo de antibióticos também parece ter aumentado. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), só em 2020, a venda do antibiótico azitromicina cresceu 105%.

Esse fármaco pode integrar o tratamento de doenças respiratórias causadas por bactérias, porém não é indicado para uso preventivo ou para o combate da covid-19 em si. Nesse contexto, a azitromicina e outros possíveis antibióticos só entrariam em cena quando há uma clara suspeita de coinfecção por uma bactéria oportunista.

“O uso desnecessário ou indiscriminado de antibióticos pode, com o tempo, tornar infecções bacterianas simples em doenças difíceis de serem combatidas”, afirma Geraldo Druck Sant’Anna, médico e professor de otorrinolaringologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

O médico, que também é ex-presidente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial (ABORL-CCF), explica que as vias aéreas superiores — nariz e cavidade nasal, faringe e laringe — são a porta de entrada para vírus e bactérias causadores de diversas doenças. As infecções virais, mais comuns, são frequentemente tratadas equivocadamente com antibióticos. 

“Ainda que no Brasil o consumo de antibióticos seja controlado com a retenção da receita médica desde 2010, é comum que pacientes peçam indicação aos médicos durante a consulta. Também não é incomum o médico prescrever o medicamento por avaliação equivocada, por precaução de piora do quadro ou por não poder acompanhar a evolução do estado de saúde nos próximos dias”, enumera o otorrinolaringologista. O diagnóstico correto, que considera histórico do paciente, tempo de sintomas e, quando necessário, exames laboratoriais, é fundamental para a indicação do tratamento correto. “Em infecções virais, é necessário observar e apenas tratar os sintomas com remédios, ajudando o paciente a passar pelo período natural da doença com menos desconforto”, ensina. A ingestão de líquidos e repouso também são eficientes no tratamento.

Como evitar a resistência bacteriana

  • Use apenas antibióticos quando prescritos por um profissional de saúde certificado
  • Nunca exija antibióticos se o seu profissional de saúde disser que você não precisa deles
  • Nunca compartilhe sobras de antibióticos
  • Previna infecções lavando regularmente as mãos, preparando os alimentos de forma higiênica, evitando o contato próximo com pessoas doentes, praticando sexo seguro e mantendo as vacinas em dia

O aumento da resistência bacteriana é ameaça à saúde pública mundial

Os mecanismos de resistência desenvolvidos pelas bactérias ameaçam a capacidade do tratamento de doenças infecciosas comuns, o que pode resultar em duração prolongada das condições e até a morte. De acordo com a OMS, a resistência aos antibióticos está colocando em risco conquistas da medicina moderna e podem tornar perigosos procedimentos como cesarianas, cirurgias comuns, quimioterapias e transplantes de órgãos.

Para ter uma ideia, cerca de 230 mil pessoas no mundo morrem de tuberculose multirresistente por ano, de acordo com relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2019.

(Fonte: Agência Einstein)

19/10/2021 – Portal de Camaquã

Link: https://www.portaldecamaqua.com.br/noticias/37353/nota-conjunta-de-instituicoes-do-rs-sobre-a-situacao-em-areas-kaingang.html

“Nota conjunta de Instituições do RS sobre a situação em áreas Kaingang

Relatos de perseguição, tortura e mortes nas terras indígenas de Serrinha, motivados por arrendamentos ilegais

As universidades e os institutos federais gaúchos vêm a público apontar a violência que está ocorrendo em áreas Kaingang no Rio Grande do Sul, a qual tem envolvido também estudantes de nossas instituições.

Temos relatos de perseguição, tortura e mortes nas terras indígenas de Serrinha, motivados por arrendamentos ilegais. É necessário que respeitemos os povos indígenas, suas culturas e modos de viver, e que possamos nos unir por melhores condições de vida em um planeta ameaçado tanto do ponto de vista ambiental quanto das relações sociais.

Enquanto instituições formadoras de pessoas e profissionais, é nossa responsabilidade defender os direitos humanos, culturais, sociais e de vida digna. Nesse sentido, esperamos que as instituições competentes enfrentem essa dura realidade, coibindo o arrendamento ilegal de terras indígenas, causa principal para essa escalada de violência na região, evitando mais tragédias e sofrimento.

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha – IFFAR

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – IFRS

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense – IFSul

Universidade Estadual do Rio Grande do Sul – UERGS

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre – UFCSPA

Universidade Federal do Rio Grande – FURG

Universidade Federal de Santa Maria – UFSM

Universidade Federal de Pelotas – UFPel

Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA”

15/10/2021 – Portal da ABRASCO

Link: https://www.abrasco.org.br/site/noticias/saude-global-e-tema-de-curso-no-epi-2021/62662/

“Saúde Global é tema de curso no EPI 2021

Com a globalização das doenças, a iniquidade no sistema de saúde e as particularidades culturais de cada contexto, há necessidade de que os profissionais de saúde saibam como abordar as diversidades A fim de capacitar trabalhadores para lidarem com os desafios da saúde global, o 11º Congresso Brasileiro de Epidemiologia promove o curso “Saúde Global”, no dia 18/11, durante o pré-congresso.

O objetivo é apresentar uma introdução sobre conhecimentos e habilidades interdisciplinares para integrar conceitos básicos da carga global de doenças, controle e prevenção de doenças transmissíveis e não transmissíveis, resiliência do sistema de saúde e saúde ambiental. É necessário compreender inglês e espanhol, para esta atividade.

O EPI 2021 oferecerá 28 cursos para os participantes que desejam se aperfeiçoar mais em aspectos práticos da epidemiologia, em diferentes campos de atuação. As atividades têm vagas limitadas, que serão distribuídas mediante a confirmação da inscrição. Associados Abrasco têm desconto garantido: cada curso custa R$ 30,00 para associados e R$60,00 para não associados. Confira todos os cursos disponíveis no site do congresso.

Saúde Global

Público-alvo: Profissionais da saúde interessados em um contexto da saúde global, focalizando a saúde em múltiplos níveis intersetoriais e sociais.

Professores:

Airton T Stein (Ufcspa e Grupo Hospitalar Conceição)

Ana Beatriz Gorini da Veiga (Ufcspa)

Helena Barros (Ufcspa)

Mara Rubia Andre Alves de Lima (Ufcspa)

Jenifer Safi (Ufcspa)

Freddy Perez (OPAS)

Carga horária: 8 horas

Participe: após efetuar o pagamento da inscrição do EPI 2021, o menu Inscrição em Atividades estará disponível na área restrita dos congressistas.”

15/10/2021 – Jornal da USP

Link: https://jornal.usp.br/ciencias/rede-de-pesquisadores-investiga-como-os-povos-indigenas-tem-lidado-com-a-pandemia/

“Rede de pesquisadores investiga como os povos indígenas têm lidado com a pandemia

Projeto conta com 95 colaboradores organizados em quatro equipes espalhadas por todo o país, uma delas coordenada em parceira com professor da Faculdade de Saúde Pública da USP

Rede de pesquisadores investiga como os povos indígenas têm lidado com a pandemia

Projeto conta com 95 colaboradores organizados em quatro equipes espalhadas por todo o país, uma delas coordenada em parceira com professor da Faculdade de Saúde Pública da USP

Publicado: 15/10/2021     Atualizado: 19/10/2021 as 15:20

Por Sebastião Marcos Moura

Esse é um trecho de um relato de Dona Japira, pajé da Aldeia Novos Guerreiros (BA), importante educadora e liderança pataxó e uma das colaboradoras da pesquisa Plataforma de Antropologia e Respostas Indígenas à COVID-19 (PARI-c). Trata-se de uma rede de pesquisadores indígenas e não indígenas criada com o objetivo de investigar como a pandemia tem afetado os povos originários brasileiros e usar essas informações para contribuir de forma que as estratégias das instituições de saúde para contenção sejam eficientes e levem em conta os conhecimentos dessas comunidades.

O projeto é construído por cerca de 70 pesquisadores fixos e 25 colaboradores eventuais, trabalhando, de forma majoritariamente remota por causa do distanciamento social, em quatro equipes espalhadas pelo País (Equipe Brasil Meridional, Equipe Brasil Central e Amazônia Meridional, Equipe Norte Amazônico e Equipe Nordeste).

“Esse trabalho é todo pensado em redes preexistentes. A base dele são antropólogos que já tinham inserção de campo e relações afetivas de longo tempo com lideranças e comunidades indígenas. Por conta disso, foi possível fazer essas articulações com os colaboradores indígenas, não só como interlocutores, mas como pesquisadores também”, explica ao Jornal da USP Maria Paula Prates, coordenadora geral do trabalho e co-coordenadora da Equipe Brasil Meridional.

Segundo ela, um dos pontos mais importantes do projeto é a postura de levar a sério as noções indígenas do que é saúde e o enfrentamento da pandemia, propondo um diálogo entre esses entendimentos tradicionais e as respostas da saúde pública à crise sanitária.

Notas de pesquisas com as produções realizadas pelo grupo estão sendo publicadas mensalmente no site da Plataforma de Antropologia e Respostas Indígenas à COVID-19 (PARI-c) desde o começo de 2021, além de uma série de documentários sobre questões relativas à covid-19 dirigidos por autores indígenas. Foram 43 notas até agora, abordando não só a pandemia como outras ameaças enfrentadas pelos povos indígenas, a exemplo do PL 490/2007 e da tese do Marco Temporal.

Marco Temporal

A tese do Marco Temporal, criada pela bancada ruralista em 2009, é uma interpretação da Constituição Federal de 1988 segundo a qual serão consideradas terras indígenas apenas aquelas que estavam em posse dos povos originários até o dia da promulgação da Constituição, ignorando que muitas etnias não estavam mais nas suas terras naquele momento porque foram expulsas e massacradas. Ela está em debate no Congresso, na forma do PL 490/2007, e no Supremo Tribunal Federal, pelo julgamento de um recurso da Fundação Nacional do Índio (Funai) que questiona uma ação de reintegração de posse movida pelo governo de Santa Catarina em 2013, referente à terra indígena Ibirama-Laklanõ. A decisão criará um precedente e poderá impactar todos os processos de demarcação de terras indígenas atualmente em aberto no País.

O PL 490 atende diretamente aos interesses dos principais inimigos dos povos indígenas: latifundiários, empresários do agronegócio, grileiros e invasores de terras públicas, grupos com grande influência econômica e política e que estão investindo bastante dinheiro em lobby a favor da proposta. Ele é considerado pela Articulação dos Povos Indígenas no Brasil (Apib) um dos principais ataques do Poder Legislativo aos direitos dos povos indígenas reconhecidos pela Constituição. Mais de 6 mil indígenas de 176 povos de todas as regiões do País se reuníram em Brasília no “Acampamento Luta Pela Vida” para acompanhar o julgamento no STF e denunciar a agenda anti-indígena do governo Bolsonaro e do Congresso Nacional.

O PL aguarda votação no Congresso, sem data prevista. Se for aprovado no plenário, o texto ainda precisará passar pelo Senado antes de ser, eventualmente, sancionado. Já o julgamento da tese do Marco Temporal no STF foi adiado em 15 de setembro, após o ministro Alexandre de Moraes pedir mais tempo para analisar a questão, e ainda não tem data para ser retomado.

Estudos de caso

Além das notas, a PARI-c também está desenvolvendo nove estudos de caso explorando aspectos variados da vivência de povos indígenas de diversas regiões do País durante a pandemia, que serão divulgados nos próximos meses. São oito estudos de enfoques regionais (espalhados pelas regiões Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sul/Sudeste), cujos títulos podem ser lidos aqui, e um estudo de abrangência nacional, que vai trazer uma análise de como foi a chegada da vacinação nas várias comunidades estudadas, junto a uma contextualização histórica de políticas de vacinação da população indígena.

Três elementos são recorrentes nos variados trabalhos. O primeiro é a diferença nas concepções indígenas do que é distanciamento social.

“Os Guarani Mbyá, habitantes do sul do Brasil, desde o princípio aderiram fortemente ao isolamento social e ao uso da máscara, mas esse isolamento social era algo que fazia muito sentido para eles por outros termos também. Na memória histórica dos indígenas, o branco é fonte de perigo, de doença”, explica Maria Paula Prates, que conduziu os estudos “Distanciamento social e seus entendimentos” e “Parto e cuidado em tempos de covid-19”.

“Não tem como a gente não ter contato com as outras pessoas da aldeia, que são parentes. O distanciamento social que a gente quer ter é dos jurua [não indígenas]. A gente escolhe certas pessoas para sair da aldeia, passar nas casas perguntando o que tá faltando e ir comprar. Na minha aldeia, a gente construiu um portão para o pessoal que não é da aldeia não entrar”, conta Araci da Silva, uma das pesquisadoras Guarani-Mbyá que participam da PARI-c.

Em entrevista ao Jornal da USP, ela comenta as dificuldades de se manter essas barreiras sanitárias: “Ficou bem difícil manter a contenção, pois, querendo ou não, as pessoas têm que sair para pegar alimento e outras coisas. A gente se cuidou por um ano e meio, mas mesmo se cuidando, quem sai entra em contato com o vírus. Nesse último mês de setembro, quase todo mundo pegou covid.”

Essa dinâmica do contato com os não indígenas como fonte de perigo também está presente no estudo sobre parto. Maria Paula Prates conta que um dos dados mais graves encontrados por ela foi a alta frequência de procedimentos desnecessários de episiotomia, um corte cirúrgico no períneo realizado durante o parto normal, em mulheres indígenas que pariram em hospitais. Em contraste, um dos curtas documentais nascidos do projeto, Nossos espíritos seguem chegando – Nhe’ẽ kuery jogueru teri, retrata as experiências de uma mãe e de uma parteira Guarani-Mbyá dentro da própria aldeia.

“A medicina branca pensa que a nossa não é verdadeira. Eu penso que, na medicina branca, falta amor. Eu não duvido da verdade e força da medicina branca, mas os médicos, muitos deles, não cuidam com amor, principalmente de nós que somos índios”, para citar outro trecho da fala de Dona Japira que abriu esta matéria.

O segundo elemento recorrente nos trabalhos é a atuação das mulheres indígenas dentro desse contexto, como descreve o professor da FSP José Miguel Nieto Olivar, um dos coordenadores dos estudos Parque das Tribos (Manaus/AM) & Kokamas (Alto Solimões): reivindicações territoriais, saúde e cuidado indígena no Amazonas e Mulheres indígenas e cosmopolíticas do cuidado no Alto Rio Negro, realizados no Norte Amazônico:

“Chama a atenção o protagonismo das mulheres do Rio Negro e também de contextos mais urbanos, como em Manaus, e seus conhecimentos cosmológicos e políticos pra encarar esta situação. São conhecimentos que as constituem enquanto mulheres indígenas: sobre plantas, rezas, adoecimentos, formas de cura e de acesso aos remédios, sementes, animais, relações de afetos e trocas numa terra que, por exemplo no Rio Negro, está protegida. E é também conhecimento de acesso a financiamentos, a projetos, a redes e sistemas de comunicação, às redes de cooperação nacional e internacional, ONGs, pesquisadores das áreas da saúde, redes de antropólogas e antropólogos em diversos lugares.

De acordo com ele, é evidente como as mulheres indígenas respondem à pandemia com base numa longa experiência relacional de força, cuidado e conhecimento com a qual enfrentam as mais diversas violências e como essa experiência relacional (indígena, feminina e cosmopolítica) mobiliza formas mais eficazes de proteção de corpos e territórios.

O terceiro elemento que atravessa esses estudos diversos é a ideia que as estratégias dos povos indígenas são diversas e se associam com as formas encontradas por esses povos para lidar com outras dificuldades anteriores à covid-19.

Isso aparece, por exemplo, no estudo Luta, vida e pandemia na terra apinajé, desenvolvido pela Equipe Brasil Central e Amazônia Meridional. Ele aborda a experiência dos Guardiões Apinajé, um grupo de jovens que têm se reunido desde 2014 para conter o consumo excessivo de bebidas alcoólicas nas comunidades, protestar contra o desmatamento em torno do território e reivindicar a melhoria e manutenção de estradas que ligam as aldeias ao município de Tocantinópolis e Maurilândia.

“Em 30 de março de 2020, representantes do movimento indígena propuseram em carta aberta um plano de prevenção e combate ao coronavírus elencando uma série de medidas, dentre elas, a implementação de barreiras sanitárias nas entradas e saídas das terras indígenas. No entanto, diante da recusa do poder público em colaborar com a operacionalização das barreiras, as próprias comunidades indígenas e suas associações de base se articularam para implementá-las”, narra a nota da PARI-c que apresentou os estudos temáticos.

Outra situação ilustrativa dessa dinâmica é a que foi observada durante o estudo Movimentos indígenas, pandemia e controle social: estratégias de mobilização e enfrentamento da COVID-19 pelos povos indígenas em Pernambuco e Paraíba entre os Kapinawá, do sertão pernambucano, que ficaram especialmente expostos em decorrência de uma fragilidade histórica que eles têm no acesso à água.

“Dentro da pandemia, havia a orientação de isolamento social, mas eles dependiam de caminhão-pipa para ter acesso à água. Em função disso, a comunidade se mobilizou, inclusive com uma vaquinha virtual, para construir cisternas”, conta ao Jornal da USP Spensy Pimentel, coordenador da Equipe Nordeste. O processo também foi documentado no curta Plantando Água, da diretora Graciela Guarani, vencedor da Mostra Audiovisual da IV Reunião de Antropologia da Saúde.

Esses casos explicitam como, em meio à incompetência do governo federal em conter a pandemia, os próprios povos indígenas se organizaram para enfrentar a crise sanitária, e que tanto as dificuldades como as soluções encontradas por eles estão diretamente associadas às lutas históricas dessas populações por seus direitos.

Valéria Macedo, que coordena a Equipe Brasil Meridional junto com Maria Paula Prates, comenta sobre essa relação, associando-a às reivindicações contemporâneas do movimento indígena. “A convergência da pandemia com o Levante pela Terra é muito significativo do que é saúde para os povos indígenas. A saúde diz respeito ao conjunto de relações necessárias para que a vida seja possível. O direito à terra, por exemplo, é central, pois é uma garantia dessa rede de relações com uma multiplicidade de seres, que incluem as plantas, os animais, os espíritos, relações que precisam de cuidado. Por isso a saúde e a política são necessariamente implicadas.”

Todo o material produzido pela Pari-c pode ser acessado na plataforma online e os documentários também estão disponíveis no canal do projeto no Youtube. A pesquisa é apoiada pelo Conselho Médico de Pesquisa (MRC), vinculado à agência de Pesquisa e Inovação do Reino Unido (UKRI), e é fruto de parcerias entre pesquisadores da Universidade de Londres (City University), no Reino Unido, da Universidade de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), da Universidade do Sul da Bahia (UFSB), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da USP, no Brasil.”

14/10/2021 – Revista Pais e Filhos (Online)

Link: https://paisefilhos.uol.com.br/familia/avo-faz-homenagem-ao-1o-neto-a-se-formar-na-familia-com-grande-faixa-em-frente-de-casa/

“Avó faz homenagem ao 1º neto a se formar na família com grande faixa em frente de casa

Luís Felipe, de 28 anos, se formou em Biomedicina na Universidade Federal de Ciências da Saúde, em Porto Alegre (RS).

Uma avó estendeu uma grande faixa m forma de homenagem ao primeiro neto da família a se formar em um universidade. Luís Felipe, de 28 anos se formou em biomedicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde, em Porto Alegre (RS).

"Minha vó diz que eu ter conseguido me formar em curso superior 'é orgulho demais para a gente que é muito pobre'. Sim, eu sou de família muito, muito pobre. Fui o primeiro da família a pisar em uma universidade para estudar. Tenho certeza de que meu irmão será o segundo, porque ele é muito inteligente. Só é preciso ainda termos investimentos adequados em educação para que mais gente pobre chegue lá", disse o neto.

Luís não via a avó desde antes da pandemia e quando decidiu visitá-la foi surpreendido com uma grande faixa homenageando-o. "Estava morrendo de saudades da família. Quero conseguir dar mais orgulho ainda pra minha família. E ter dinheiro para dar mais conforto também", disse o jovem, que hoje trabalha como coordenador de estudos clínicos.”

12/10/2021 – Zero Hora

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UNIVERSIDADES CRITICAM CORTE DE VERBAS PARA A CIÊNCIA E DIZEM TEMER INTERRUPÇÃO DE PROJETOS

Zero Hora12 Oct 2021ISABELLA SANDER Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Reitores se mostram frustrados com a redução de cerca de R$ 600 milhões que seriam destinados a bolsas de apoio à pesquisa e a programas previstos pelo CNPQ.

O corte de 87% na verba do governo federal prevista para ciência e tecnologia – de R$ 690 milhões para R$ 89,8 milhões – pegou as universidades federais de surpresa. Procurados pela reportagem de ZH, reitores apontaram que a comunidade científica havia criado expectativas, diante do lançamento recente de edital com previsão de R$ 250 milhões para pesquisas, e que a mudança cria frustração e situação “vergonhosa”, que põe o Brasil “de joelhos” em relação a países que investem no setor.

O próprio ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, expressou, em rede social, descontentamento com a redução.

“Falta de consideração. Os cortes de recursos sobre o pequeno orçamento de ciência do Brasil são equivocados e ilógicos. Ainda mais quando são feitos sem ouvir a comunidade científica e o setor produtivo. Isso precisa ser corrigido urgentemente”, defendeu o ministro em rede social.

Os cerca de R$ 600 milhões cortados seriam destinados a bolsas de apoio à pesquisa e a projetos já agendados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). Entre eles, estão os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTS), que incluem, por exemplo, o Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que realiza expedições à Antártica.

Outra iniciativa que deve sofrer cortes é o edital da Chamada Universal, que não era lançado havia três anos e, há pouco mais de um mês, foi publicado, com previsão de destinar R$ 250 milhões a pesquisas em todas as áreas.

Presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Marcus David afirma que a publicação de editais de chamamento para pesquisas havia dado esperança à comunidade científica, após reduções orçamentárias observadas desde 2016.

– Quando tivemos expectativa de ter algum investimento, ainda que muito aquém das nossas necessidades, esse projeto se frustra neste momento. Compromete a ciência e a tecnologia e seus laboratórios, mas também o próprio futuro do Brasil – destaca David. E prevê:

– O Brasil vai pagar a conta disso pelos próximos 15, 20 anos.

Pesquisas de tratamentos para câncer e covid-19 serão afetadas. Segundo a reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda, boa parte das pesquisas que recebem aporte de recursos do CNPQ na instituição tem aplicações imediatas, que geram economia de recursos para o Brasil.

– Quando desenvolvemos uma intervenção mais barata dentro das nossas instituições, o país precisa comprar menos de fora. Então, na verdade, a gente economiza. Ou seja: é um investimento, e não um gasto – compara a reitora.

Câncer

De 30% a 40% dos estudos feitos na UFCSPA têm financiamento do CNPQ. Entre os projetos realizados na universidade, está pesquisa para desenvolver imunoterapia para o câncer e para o tratamento da covid-19, que recebeu o Prêmio Bolsista Iniciação Científica Tecnológica.

Um projeto para o uso de inteligência artificial para determinar o prognóstico para pacientes com câncer, premiado no concurso Falling Walls, e outros estudos, envolvendo o desenvolvimento de estratégias de reabilitação para pacientes recuperados da covid-19, novos tratamentos para queimaduras e novas terapias para enfrentar bactérias multirresistentes, também estão em andamento. Todos eles serão afetados pelos cortes.

A instituição tem buscado aportar recursos próprios nas pesquisas já em andamento.

As que começariam em 2022, entretanto, podem nem sequer sair do papel. Até mesmo as bolsas de mestrandos e doutorandos podem ser comprometidas.

– Com o tamanho desse corte de recursos, não temos como fazer a manutenção das bolsas. Temos alunos prodígios, que se destacaram e ganharam do CNPQ bolsas de R$ 2,2 mil, mais uma taxa de bancada (usada para comprar insumos para o laboratório) de R$ 300, e o governo fará cortes nesses trocadinhos. É a famosa fuga de cérebros: os estudantes querem ficar no Brasil, mas não conseguem – lamenta a pró-reitora substituta de Pesquisa e Pós-graduação da UFCSPA, Elizandra Braganhol.

Reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Paulo Burmann considera essa uma situação vexatória. Na instituição, a estimativa é de que pelo menos 200 projetos em andamento sejam afetados.

– É vergonhoso passar por um cenário orçamentário como esse. Havia perspectiva de retomada, que lutamos muito para acontecer. Nos deixa perplexos tamanha irracionalidade – ressalta Burmann, sinalizando, ainda, a importância da ciência no contexto da pandemia, com o desenvolvimento de experimentos com vacinas e produção dos imunizantes.

O reitor também destaca que o Brasil despendeu muitos recursos para formar pesquisadores que, agora, acabarão migrando para outros países:

– É uma irresponsabilidade com o recurso público. Um dos grandes pesos da balança comercial hoje é a importação da ciência, e estamos fazendo o caminho inverso: temos todo o custo de produção de cientistas e, depois, os exportamos, sem ganho algum. Tudo isso nos coloca novamente de joelhos em relação a quem investe em pesquisas – critica.

Além das universidades, o Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) também sofrerá o impacto dos cortes. Lá, centenas de alunos recebem bolsas de iniciação científica para participarem de pesquisas de diferentes áreas – saúde, orientação a pequenos empresários, tecnologias para pessoas com deficiências, estudos com alimentos, mecânica, agricultura, entre tantos outros.

É uma irresponsabilidade com o recurso público. Um dos grandes pesos da balança comercial hoje é a importação da ciência, e estamos fazendo o caminho inverso.

PAULO BURMANN Reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

08/10/2021 – Zero Hora

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SETENTA

Zero Hora9 Oct 2021Leia todas as colunas em gauchazh.com/cristinabonorino
Coluna Cristina Bonorino – Professora da UFCSPA

Há quase 30 anos ensino que, durante uma epidemia, o principal objetivo, depois de desenvolver uma vacina, é chegar aos 70% da população vacinada. Ali você começa a finalmente controlar a disseminação da doença na população. Então, é com um coração mais leve que escrevo hoje, logo depois de ler notícias de que Porto Alegre atingiu os 70% de vacinados (acima de 12 anos).

E, das diferentes cidades do Rio Grande do Sul, do Brasil e do mundo, por onde tenho amigos espalhados, que não vejo há quase dois anos, vêm notícias de números cada vez menores de casos e mortes. Sim, ainda precisamos vacinar as crianças, ainda precisamos usar máscaras, manter distância sempre que possível e dar reforços aos idosos e aos que tem doenças crônicas. Mas é inegável que o cotidiano começa a se transformar. Não necessariamente para o que era antes – mas algo que pode, e quer, ser melhor.

Curiosamente, a principal batalha não foi de saúde pública, e sim a enxurrada de mentiras e falsidades de um movimento anticiência, perpetuado pelas redes sociais. Essas empresas gigantes, os apps do seu celular, que sem nenhum critério, sem nenhuma fiscalização, são tão responsáveis pelas mortes no mundo quanto o vírus, junto com os que criaram as notícias falsas.

No dia em que o Facebook e suas outras redes caíram, sinceramente: que alívio. Quase um dia inteiro sem precisar desmentir alguma infâmia – serviço que tenho feito há 18 meses, em contato direto com diferentes veículos de comunicação. Desconfio seriamente que, ao desligar o botão do Whatsapp que abre e baixa vídeos e áudios, você automaticamente ganha vários pontos de QI. Experimente. E, apesar dos danos causados pela turma do “vamos criar um caos que assim a gente se dá bem”, vejo uma vontade de pensar um futuro diferente se desenhando na maioria das pessoas.

Como se chama o governo do Estado lançar um edital de milhões de reais para tecnologias inovadoras? Um começo. O que significa a Moderna anunciar uma fábrica de vacinas de MRNA na África? Fazer a coisa certa. Entre as duas iniciativas, existe um universo de distância, mas dá para traçar uma linha. Que conecta os efeitos positivos de se conseguir atravessar uma crise. Que se traduz numa vontade, numa esperança que renasce, de ousar mirar pra Lua – o moonshot, como se diz. Algo que parece inatingível – e que ao mesmo tempo sabemos ser possível.

Mas propagar e trazer para o mercado os resultados de pesquisas revolucionárias não garante o futuro. Nunca estaremos seguros sem estimular a ciência básica – aquela que garante que o conhecimento avança, movida apenas pela curiosidade e persistência daqueles que têm essa vocação.

Meu agradecimento e admiração eternos a todos os cientistas que não desistiram durante esse período, quando toda a esperança parecia perdida. Principalmente, aos brasileiros – que foram completamente abandonados e sucateados pelo atual governo, numa política constante de destruição das instituições públicas e de toda a iniciativa de educação e pensamento. Só hoje, desenhando florezinhas ao redor de um número 70 e um sinal de porcentagem, me permito pensar que talvez tudo, afinal, possa dar certo.

O COTIDIANO COMEÇA A SE TRANSFORMAR. NÃOPARAO QUE ERA ANTES – MAS ALGO QUE PODE, E QUER, SER MELHOR.

08/10/2021 – Portal PB Agora

Link:https://www.pbagora.com.br/noticia/saude/estudo-comprova-eficacia-do-uso-de-mascaras-secretario-reafirma-posicao-contraria-a-retirada/

Estudo comprova eficácia do uso de máscaras; secretário reafirma posição contrária à retirada

Símbolo de proteção na pandemia, máscaras reduzem em 87% a chance de contrair covid-19, aponta pesquisa. Com base nesses dados, os infectologistas são contra a retirada da máscara mesmo com o avanço da vacinação e a redução dos índices de contaminação, internações e óbitos pela doença.

O estudo foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre (SMS) apontou o papel do uso de máscaras e do distanciamento social na prevenção contra a covid-19.

Na Paraíba, o Laboratório de Avaliação e Desenvolvimento de Biomateriais do Nordeste (Certbio), da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG),  desenvolvendo uma máscara cirúrgica biodegradável, com material capaz de reter o vírus da covid-19 (SARS-CoV-2) e matá-lo. Apesar de ser descartável, a máscara tem durabilidade de até 24 horas seguidas de uso.

Recentemente, o projeto coordenado pelo professor Marcus Vinícius Lia Fook, produziu dez mil máscaras cirúrgicas a partir de uma substância proveniente da casca do camarão.

As máscaras foram entregues à Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (FapesqPB) para contribuir para a rápida implementação de soluções de monitoramento, análise e recomendações frente à pandemia do Covid-19 na Paraíba.

A principal diferença da máscara é a incorporação de substâncias químicas tóxicas, biocompatíveis, biodegradáveis e com atividades antimicrobianas. O material usado na produção da máscara é a quitosana. Um material que seria considerado como rejeito da indústria pesqueira, deixa de poluir o meio ambiente e passa a ser um material nobre utilizado no setor da saúde.

Além da barreira física de proteção, a máscara exerce uma barreira química através do biopolímero quitosana, que pode inativar o vírus que causa a Covid-19.

Apesar da eficiência das máscaras no combate ao Covid, alguns estados estudam a possibilidade de abandonar esse acessório, devido ao avanço da pandemia.

Na Paraíba, o secretário de Saúde da Paraíba, Geraldo Medeiros, descartou por enquanto, a possibilidade atual da desobrigação do uso de máscaras de prevenção à Covid-19 no Estado. Geraldo Medeiros, pediu cautela sobre a não obrigação do uso da máscara, visto que a pandemia ainda não acabou.

“Será a última atitude. Liberar o desuso de máscaras agora é se antepor à Ciência”, afirmou.

Geraldo Medeiros enfatizou que a máscara é um elemento essencial na contenção da disseminação do coronavírus e isso já é comprovado cientificamente.

“A via inalatória, isto é, através da respiração, é que você, predominantemente, adquire a doença. Usando a máscara você se protege e protege as outras pessoas, então é um elemento que será o último a ser abandonado”, completou.

Ainda sobre este ponto, o secretário destacou que essa desobrigação também não deve ocorrer este ano, apesar de que não há como prever meses à frente, sendo necessários estudos constantes.

O fim da adoção do uso de máscaras para impedir a proliferação da covid-19 começa a ser discutida em algumas cidades brasileiras, a exemplo a exemplo de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e Florianópolis, no estado de Santa Catarina. São Paulo e Rio de Janeiro também estudam decretar o fim da obrigatoriedade.

A máscara de proteção respiratória tornou-se um dos principais símbolos da pandemia de covid-19 – acessório de proteção que virou uma constante para a população mundial em 2020 e também em 2021. Antes utilizada cotidianamente apenas em alguns países asiáticos, o que era visto com curiosidade por cidadãos de outros países, a máscara agora é utilizada em todo o mundo, consagrando-se como uma importante medida na contenção da disseminação do coronavírus.

07/10/2021 – Site da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus

Link: https://semsa.manaus.am.gov.br/noticia/ubss-de-manaus-participam-de-pesquisa-sobre-o-impacto-da-vacinacao-contra-o-hpv/

UBSs de Manaus participam de pesquisa sobre o impacto da vacinação contra o HPV

Para avaliar o impacto da vacinação contra o Papilomavírus humano (HPV), a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), vai participar de um novo estudo de Prevalência do HPV no Brasil (POP-Brasil 2). Coordenada pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), em parceria com o Ministério da Saúde, com recursos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), a pesquisa vai acontecer em 27 capitais brasileiras, assim como ocorreu no primeiro estudo realizado entre 2015 e 2017.

Em Manaus, profissionais de cinco Unidades Básicas de Saúde (UBSs), localizadas nas zonas Norte, Sul, Leste, Oeste e rural, participaram na quarta-feira, 6/10, do treinamento para a aplicação do questionário e coleta de material cervical, peniano e anal para o exame de detecção do HPV.

O público-alvo para o novo estudo é formado por homens e mulheres na faixa etária entre 16 e 25 anos, que já tenham tido relação sexual, considerando que o HPV é uma infecção sexualmente transmissível. A meta do estudo em Manaus é atingir 410 participantes.

Conforme a chefe do Núcleo de Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST/Aids) e Hepatites Virais da Semsa, enfermeira Rita de Cássia Castro de Jesus, o primeiro POP-Brasil foi realizado em Manaus no ano de 2017, com a participação de aproximadamente 227 pessoas, também envolvendo a faixa etária de 16 a 25 anos, em cinco Unidades de Saúde, para determinar a prevalência do vírus HPV e seus tipos.

“Na primeira pesquisa, o público-alvo foi selecionado na faixa etária de 16 a 25 anos porque representava uma população que em sua maioria não havia iniciado a vacinação contra o HPV. Na nova pesquisa, passado esse período de tempo, o público-alvo terá a mesma faixa etária, mas que já recebeu ou deveria ter recebido a vacina contra o HPV. Então, os novos dados da pesquisa poderão indicar se as pessoas vacinadas têm ou não algum tipo de HPV e, se tem o vírus, qual o tipo de HPV. As respostas para essas perguntas vão permitir avaliar se houve mudança na prevalência do vírus e o impacto da vacinação nesse público”, informou Rita de Cássia.

No Brasil, a vacinação contra o HPV foi incorporada ao Programa Nacional de Imunização (PNI) no ano de 2014.

A aplicação do questionário para a pesquisa e coleta de material para o exame, no município de Manaus, serão realizadas nas UBSs do bairro da Paz (zona Oeste), Ivone Lima (zona Leste), Morro da Liberdade (zona Sul), José Figliuolo (zona Norte) e Pau-Rosa (zona rural).

“A adesão é voluntária, com todos os dados coletados de forma sigilosa. E é extremamente importante que a população faça a adesão ao estudo para que Manaus possa ter informações exatas sobre o impacto da vacinação e a incidência do HPV, vírus que é um dos principais responsáveis pelo câncer do colo do útero, além de causar o câncer de pênis e boca, entre outros”, alertou Rita de Cássia.

A médica epidemiologista do Hospital Moinhos de Vento, Eliana Wendland, coordenadora do estudo, explicou que com a certificação dos profissionais da Semsa, treinados para realizar a entrevista e coleta de material para o exame, as Unidades de Saúde de Manaus poderão iniciar o trabalho para a pesquisa na próxima semana.

“O material coletado será analisado em laboratório central na Universidade Federal de Ciências em Saúde, no Rio Grande do Sul”, informou a coordenadora, ressaltando que o projeto trará informações importantes para o planejamento em saúde na área do HPV.

Prevalência     

No estudo realizado no ano de 2017, a prevalência da infecção pelo HPV foi de 54,8% entre a população que participou da pesquisa em Manaus, um pouco acima do índice da região Norte, que ficou em 53,54%. A maior prevalência foi verificada na região Nordeste, com 58,09%, e na região Centro-Oeste com 56,46%, com a região Sudeste apresentando 49,92%, e a região Sul 49,68%.

De acordo com a secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe, o HPV é um dos principais causadores dos casos de câncer do colo do útero, que tem grande incidência no Amazonas, podendo ser prevenido com a vacinação contra o Papilomavírus, que é disponibilizada para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, na rede municipal de saúde.

“Este mês, a Semsa, por conta da campanha ‘Outubro Rosa’ na prevenção ao câncer do colo do útero, tem intensificado a oferta da vacina e alertado para a importância de completar o esquema vacinal contra o HPV. Além disso, as unidades de Saúde ofertam o exame preventivo, que pode detectar de forma precoce as lesões precursoras do câncer, permitindo que, com o diagnóstico e tratamento adequado, seja possível evitar o desenvolvimento do câncer do colo do útero. O uso de preservativo nas relações sexuais, disponíveis de forma gratuita nas unidades de Saúde, também é uma forma de evitar a infecção pelo HPV”, informou a secretária.

Texto – Eurivânia Galúcio / Semsa

07/10/2021 – Portal Amazonas Notícias

Link: https://amazonasnoticias.com.br/cinco-ubss-em-manaus-participam-de-pesquisa-para-avaliar-impacto-da-vacinacao-contra-o-hpv/

“Cinco UBSs em Manaus participam de pesquisa para avaliar impacto da vacinação contra o HPV

Para avaliar o impacto da vacinação contra o Papilomavírus humano (HPV), a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), vai participar de um novo estudo de Prevalência do HPV no Brasil (POP-Brasil 2). Coordenada pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), em parceria com o Ministério da Saúde, com recursos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), a pesquisa vai acontecer em 27 capitais brasileiras, assim como ocorreu no primeiro estudo realizado entre 2015 e 2017.

Em Manaus, profissionais de cinco Unidades Básicas de Saúde (UBSs), localizadas nas zonas Norte, Sul, Leste, Oeste e rural, participaram na quarta-feira, 6/10, do treinamento para a aplicação do questionário e coleta de material cervical, peniano e anal para o exame de detecção do HPV.

O público-alvo para o novo estudo é formado por homens e mulheres na faixa etária entre 16 e 25 anos, que já tenham tido relação sexual, considerando que o HPV é uma infecção sexualmente transmissível. A meta do estudo em Manaus é atingir 410 participantes.

Conforme a chefe do Núcleo de Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST/Aids) e Hepatites Virais da Semsa, enfermeira Rita de Cássia Castro de Jesus, o primeiro POP-Brasil foi realizado em Manaus no ano de 2017, com a participação de aproximadamente 227 pessoas, também envolvendo a faixa etária de 16 a 25 anos, em cinco Unidades de Saúde, para determinar a prevalência do vírus HPV e seus tipos.

“Na primeira pesquisa, o público-alvo foi selecionado na faixa etária de 16 a 25 anos porque representava uma população que em sua maioria não havia iniciado a vacinação contra o HPV. Na nova pesquisa, passado esse período de tempo, o público-alvo terá a mesma faixa etária, mas que já recebeu ou deveria ter recebido a vacina contra o HPV. Então, os novos dados da pesquisa poderão indicar se as pessoas vacinadas têm ou não algum tipo de HPV e, se tem o vírus, qual o tipo de HPV. As respostas para essas perguntas vão permitir avaliar se houve mudança na prevalência do vírus e o impacto da vacinação nesse público”, informou Rita de Cássia.

No Brasil, a vacinação contra o HPV foi incorporada ao Programa Nacional de Imunização (PNI) no ano de 2014.

A aplicação do questionário para a pesquisa e coleta de material para o exame, no município de Manaus, serão realizadas nas UBSs do bairro da Paz (zona Oeste), Ivone Lima (zona Leste), Morro da Liberdade (zona Sul), José Figliuolo (zona Norte) e Pau-Rosa (zona rural).

“A adesão é voluntária, com todos os dados coletados de forma sigilosa. E é extremamente importante que a população faça a adesão ao estudo para que Manaus possa ter informações exatas sobre o impacto da vacinação e a incidência do HPV, vírus que é um dos principais responsáveis pelo câncer do colo do útero, além de causar o câncer de pênis e boca, entre outros”, alertou Rita de Cássia.

A médica epidemiologista do Hospital Moinhos de Vento, Eliana Wendland, coordenadora do estudo, explicou que com a certificação dos profissionais da Semsa, treinados para realizar a entrevista e coleta de material para o exame, as Unidades de Saúde de Manaus poderão iniciar o trabalho para a pesquisa na próxima semana.

“O material coletado será analisado em laboratório central na Universidade Federal de Ciências em Saúde, no Rio Grande do Sul”, informou a coordenadora, ressaltando que o projeto trará informações importantes para o planejamento em saúde na área do HPV.

Prevalência

No estudo realizado no ano de 2017, a prevalência da infecção pelo HPV foi de 54,8% entre a população que participou da pesquisa em Manaus, um pouco acima do índice da região Norte, que ficou em 53,54%. A maior prevalência foi verificada na região Nordeste, com 58,09%, e na região Centro-Oeste com 56,46%, com a região Sudeste apresentando 49,92%, e a região Sul 49,68%.

De acordo com a secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe, o HPV é um dos principais causadores dos casos de câncer do colo do útero, que tem grande incidência no Amazonas, podendo ser prevenido com a vacinação contra o Papilomavírus, que é disponibilizada para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, na rede municipal de saúde.

“Este mês, a Semsa, por conta da campanha ‘Outubro Rosa’ na prevenção ao câncer do colo do útero, tem intensificado a oferta da vacina e alertado para a importância de completar o esquema vacinal contra o HPV. Além disso, as unidades de Saúde ofertam o exame preventivo, que pode detectar de forma precoce as lesões precursoras do câncer, permitindo que, com o diagnóstico e tratamento adequado, seja possível evitar o desenvolvimento do câncer do colo do útero. O uso de preservativo nas relações sexuais, disponíveis de forma gratuita nas unidades de Saúde, também é uma forma de evitar a infecção pelo HPV”, informou a secretária.”

Texto – Eurivânia Galúcio / Semsa

05/10/2021 – Diário Gaúcho

Link: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/10/passaporte-vacinal-como-universidades-gauchas-tratam-o-tema-21111965.html

"Passaporte vacinal: como universidades gaúchas tratam o tema

UFRGS, UFCSPA e Unisinos ainda não exigem comprovante de vacinação contra o coronavírus para as atividades presencias que já foram retomadas; UFPel exige comprovante de pelo menos uma dose

Com a retomada parcial de atividades presencias, universidades do Rio Grande do Sul estão analisando se exigirão ou não de seus alunos e funcionários o chamado passaporte vacinal, que consiste na apresentação da carteirinha de vacinação contra a covid-19 para que o indivíduo possa acessar os espaços físicos das instituições. Em Pelotas, a UFPel retoma este mês as atividades práticas presenciais de alguns cursos e, nestes casos, está exigindo comprovação de vacinação com pelo menos uma dose de imunizante contra o coronavírus. Já instituições como UniRitter e Fadergs ainda estão debatendo o tema e não publicaram decisões.

Universidades como UFRGS, UFCSPA, FURG, PUCRS e Unisinos ainda não exigem comprovante de vacinação para os grupos de alunos, professores e funcionários que já retomaram, ainda que parcialmente, às atividades presenciais. A UFRGS informou que segue analisando as questões legais relacionadas à possibilidade de exigir o comprovante como condição para ingressar no ambiente universitário.

Por enquanto, as instituições de Ensino Superior que estão tendo atividades presenciais mas não exigem passaporte vacinal apostam em estratégias como a testagem de seus docentes e discentes e a difusão de informações sobre o uso correto de EPIs como formas de evitar a transmissão da doença nos ambientes acadêmicos.

Confira como algumas universidade gaúchas estão tratando o tema:

UFRGS

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) informou que, no momento, atua presencialmente uma parcela restrita da comunidade acadêmica, como alunos e profissionais da área da saúde e pesquisadores com trabalhos de pesquisa que dependem de cuidado contínuo. Antes de retornarem, os indivíduos são submetidos a teste RT-PCR para a covid-19 no Instituto de Ciências Básicas da Saúde (ICBS).

Ainda não há definição quanto à exigência de comprovação de vacinação no momento de uma retomada mais ampla das atividades presenciais na universidade.

— Com relação à vacinação, está em discussão se a universidade poderá exigir a comprovação para acessar-se seus espaços físicos, visto que, no momento, não existe legislação que ampare esta exigência. Assim, esta questão está sendo discutida, considerando-se o cuidado com a população que compõe a comunidade da UFRGS — disse a presidente do Comitê Covid/UFRGS, Marilia Borges Hackmann, em comunicado enviado a GZH.

Quanto ao retorno das atividades presenciais, vale a decisão publicada ainda em maio, que projeta que o próximo semestre letivo ocorra entre 17 de janeiro a 18 de maio de 2022, ainda em ensino remoto.

UFCSPA

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) informa que possui um sistema dividido em cinco etapas para um retorno gradual ao ensino presencial. Atualmente, encontra-se na fase dois, que pressupõe aulas teóricas ainda em ensino a distância emergencial e aulas práticas prioritárias nos laboratórios e espaços da UFCSPA, priorizando as turmas que estão mais próximas da formatura. A evolução para as próximas etapas depende de decisão da Reitoria da universidade, com base na indicação do Comitê Técnico de Informações Estratégicas e Respostas Rápidas à Emergência em Vigilância em Saúde Referente ao Coronavírus."

04/10/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/10/passaporte-vacinal-como-universidades-gauchas-tratam-o-tema-ckud62swg003f017f3dvz1kvk.html

"Passaporte vacinal: como universidades gaúchas tratam o tema

UFRGS, UFCSPA e Unisinos ainda não exigem comprovante de vacinação contra o coronavírus para as atividades presencias que já foram retomadas; UFPel exige comprovante de pelo menos uma dose

Com a retomada parcial de atividades presencias, universidades do Rio Grande do Sul estão analisando se exigirão ou não de seus alunos e funcionários o chamado passaporte vacinal, que consiste na apresentação da carteirinha de vacinação contra a covid-19 para que o indivíduo possa acessar os espaços físicos das instituições. Em Pelotas, a UFPel retoma este mês as atividades práticas presenciais de alguns cursos e, nestes casos, está exigindo comprovação de vacinação com pelo menos uma dose de imunizante contra o coronavírus. Já instituições como UniRitter e Fadergs ainda estão debatendo o tema e não publicaram decisões.

Universidades como UFRGS, UFCSPA, FURG, PUCRS e Unisinos ainda não exigem comprovante de vacinação para os grupos de alunos, professores e funcionários que já retomaram, ainda que parcialmente, às atividades presenciais. A UFRGS informou que segue analisando as questões legais relacionadas à possibilidade de exigir o comprovante como condição para ingressar no ambiente universitário.

Por enquanto, as instituições de Ensino Superior que estão tendo atividades presenciais mas não exigem passaporte vacinal apostam em estratégias como a testagem de seus docentes e discentes e a difusão de informações sobre o uso correto de EPIs como formas de evitar a transmissão da doença nos ambientes acadêmicos.

Confira como algumas universidade gaúchas estão tratando o tema:

 UFRGS

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) informou que, no momento, atua presencialmente uma parcela restrita da comunidade acadêmica, como alunos e profissionais da área da saúde e pesquisadores com trabalhos de pesquisa que dependem de cuidado contínuo. Antes de retornarem, os indivíduos são submetidos a teste RT-PCR para a covid-19 no Instituto de Ciências Básicas da Saúde (ICBS).

Ainda não há definição quanto à exigência de comprovação de vacinação no momento de uma retomada mais ampla das atividades presenciais na universidade.

— Com relação à vacinação, está em discussão se a universidade poderá exigir a comprovação para acessar-se seus espaços físicos, visto que, no momento, não existe legislação que ampare esta exigência. Assim, esta questão está sendo discutida, considerando-se o cuidado com a população que compõe a comunidade da UFRGS — disse a presidente do Comitê Covid/UFRGS, Marilia Borges Hackmann, em comunicado enviado a GZH.

Quanto ao retorno das atividades presenciais, vale a decisão publicada ainda em maio, que projeta que o próximo semestre letivo ocorra entre 17 de janeiro a 18 de maio de 2022, ainda em ensino remoto.

UFCSPA

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) informa que possui um sistema dividido em cinco etapas para um retorno gradual ao ensino presencial. Atualmente, encontra-se na fase dois, que pressupõe aulas teóricas ainda em ensino a distância emergencial e aulas práticas prioritárias nos laboratórios e espaços da UFCSPA, priorizando as turmas que estão mais próximas da formatura. A evolução para as próximas etapas depende de decisão da Reitoria da universidade, com base na indicação do Comitê Técnico de Informações Estratégicas e Respostas Rápidas à Emergência em Vigilância em Saúde Referente ao Coronavírus.

No momento, não há exigência de vacina para o retorno, mas todos os trabalhadores e estudantes que já estão tendo atividades presenciais passaram por um curso de biossegurança, onde são ensinados cuidados contra o coronavírus em ambiente universitário e o uso correto de EPIs.

(...)

02/10/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/10/rs-chega-a-50-da-populacao-com-esquema-vacinal-completo-contra-a-covid-19-cku8ztgrf00db017fupvl7i1l.html

"RS chega a 50% da população com esquema vacinal completo contra a covid-19

O painel de monitoramento da Secretaria Estadual da Saúde (SES) também aponta que 75% da população residente já tomou pelo menos uma dose da vacina

O Rio Grande do Sul chegou aos 50,3% da população residente com o esquema vacinal completo, neste sábado (2), quase nove meses depois do início da vacinação contra a covid-19. Isso significa que mais de 5 milhões de habitantes do Estado já receberam as duas doses da vacina ou a dose única contra o coronavírus.

O painel de monitoramento da Secretaria Estadual da Saúde (SES) também aponta que 75,2% da população residente já tomou pelo menos uma dose da vacina. A atualização é das 6h30min deste sábado.

Ao todo, já foram distribuídas 16.065.407 de doses no Estado. Segundo a secretária da Saúde do Rio Grande do Sul, Arita Bergmann, os indicadores demonstram agilidade na distribuição das doses e esforço dos municípios em suas estratégias de imunização.

— Só não podemos esquecer que quase 700 mil pessoas no Estado já poderiam ter recebido a segunda dose e ainda não voltaram aos postos. A superação da pandemia passa pela consciência coletiva da importância do esquema vacinal completo. É preciso que os gaúchos voltem para a D2 — alerta a secretária.

Segundo o chefe do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Eduardo Sprinz, independentemente de os números da vacinação estarem avançando no Estado, é preciso manter cuidados como uso de máscara e distanciamento.

— O primeiro efeito seria quando chegasse em 30%, quando começariam a cair os números de casos graves. Com 50% de pessoas com o esquema vacinal completo, chegamos à fronteira para começarmos a liberar eventos públicos, com restrições. Estamos indo de acordo com o planejado lá atrás — comenta o infectologista.

Para o médico Alessandro Pasqualotto, chefe do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), ainda há espaço para a vacinação avançar, principalmente, na direção das crianças e dos adultos que não se vacinaram. E avançando, completa, a tendência é que os números da covid-19 sigam em queda."

01/10/2021 – GZH

Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/10/com-queda-de-24-setembro-e-o-mes-com-menor-numero-de-mortes-por-covid-19-no-rs-em-2021-cku8uvqv900c5019m79b92w3x.html

“Com queda de 24%, setembro é o mês com menor número de mortes por covid-19 no RS em 2021

Redução acompanha tendência nacional; em Porto Alegre, houve recuo de 19% em relação aos dados de agosto

Com o avanço da vacinação e a forte adesão dos brasileiros à campanha de imunização, o Brasil registrou em setembro 16.336 mortes por covid-19, o menor número do ano e 32% a menos do que no mês anterior, mostram estatísticas do Ministério da Saúde analisadas por GZH nesta sexta-feira (1º).

Em abril, o mês mais letal a nível nacional, o Brasil testemunhou a partida de 82.266 pessoas por conta da covid-19. Os dados mostram que o número de vítimas começou a cair de forma consistente a partir de junho, quando a vacinação começou a engrenar no país.

Nesta sexta-feira, o país chega a quase 70% de todos os brasileiros com uma dose da vacina contra a covid-19 e 43% com esquema vacinal completo. Cerca de 0,5% da população recebeu a terceira dose, mostram dados do Portal Covid-19 no Brasil.

O maior controle da epidemia também se expressa no Rio Grande do Sul, um dos Estados líderes de vacinação e com um dos menores índices de atraso para a segunda dose. Setembro terminou com 661 vítimas da covid-19, 24% a menos do que no mês anterior. O mês mais letal da epidemia gaúcha fora março, com 7.344 mortes.

Porto Alegre, uma das capitais com maior cobertura vacinal, registrou em setembro 131 mortes, 19% abaixo de agosto. O ápice de vítimas fora também em março, com 1.436 vítimas perdidas.

Ainda há espaço para a vacinação avançar, dizem especialistas

Virologista e infectologistas ouvidos por GZH destacam que a vacinação, o histórico de pessoas já infectadas — com grau de imunidade de curta duração — e a manutenção das restrições,  sobretudo, do distanciamento e do uso de máscaras, estão ajudando a reduzir os números.

Para o virologista Fernando Spilki, da Universidade Feevale, estamos vivenciando um efeito importante da vacinação. Ele acrescenta também que uma parte da população adquiriu imunidade com um custo muito alto: o surto de covid-19 no primeiro semestre. Quanto à questão de evoluir para a retirada de máscara ou, como em outros Estados, abolir a máscara e usar testagem e passaporte vacinal, Spilki ainda considera inadequado mudar o hábito.

— As vacinas não têm, como principal característica, o bloqueio de transmissão. Mesmo indivíduos vacinados transmitem. Ainda há um contingente de pessoas não vacinadas, ainda temos pessoas que foram vacinadas há mais tempo e não receberam dose de reforço e podem estar com a imunidade mais baixa. As pessoas vacinadas transmitem menos, mas esporadicamente transmitem — afirma.

O médico Alessandro Pasqualotto, chefe do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), acredita que os números já considerados positivos deverão seguir melhorando nas próximas semanas.

— Estes dados são o esperado para uma população de vacinados e que continua mantendo medidas de distanciamento e sem ter aberto tudo por completo, como ocorreu em outros países — afirma.

Pasqualotto reforça que ainda há espaço para a vacinação avançar, principalmente, na direção das crianças e dos adultos que não se vacinaram. E avançando, completa, a tendência é que os números da covid-19 sigam em queda.

De acordo com o chefe do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Eduardo Sprinz, independentemente de os números da covid-19 estarem apresentando queda, é preciso manter cuidados como distanciamento e uso de máscara constantemente.

— Quando relaxamos nas medidas de proteção individual, surgem novos casos. Aumentando o número de casos, podem surgir novas variantes mais resistentes. Por isso, quanto maior for o tempo que estivermos protegidos pela máscara, menor será a chance de ocorrer um novo caso ou nova variante — justifica o médico.

Sprinz faz questão de reafirmar que a vacina tem o poder de curar a pandemia. Ele explica que quanto mais rapidamente vacinarmos a população, incluindo a terceira dose, maior será o controle da mortalidade causada pela infecção. Para ele, já é possível celebrar o controle da infecção para casos graves. O próximo passo, segundo ele, é controlar a pandemia em si.

— Em qual patamar ficaremos no controle da doença? Isso dependerá de quão rápido (surgirão) e quão melhores serão as próximas vacinas. Ainda não temos uma vacina 100% efetiva. Ainda estamos longe de eliminarmos a doença porque, para isso, é preciso quase uma inexistência de novos casos — finaliza.”

30/09/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/09/professores-da-ufrgs-cobram-que-instituicao-apresente-plano-de-retorno-presencial-cku7b9jn4009y017fbtc8u964.html

Professores da UFRGS cobram que instituição apresente plano de retorno presencial

Sindicato que representa os docentes pedirá que a universidade elabore um calendário priorizando a retomada de aulas de laboratórios

A Adufrgs-Sindical, que representa os professores de instituições federais gaúchas de Ensino Superior, cobrará que a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) apresente um plano de retorno das atividades presenciais. A decisão foi tirada em assembleia geral, realizada nesta quarta-feira (29).

Segundo o presidente da Adufrgs, Lúcio Vieira, outras instituições, como o Instituto Federal do Rio Grande do Sul e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), já estão com planos de retomada elaborados e alguns campi iniciaram atividades práticas, mas, até agora, a UFRGS, maior universidade do Estado, não sinalizou como pretende fazer o retorno.

— Os professores estão preocupados com a falta de planejamento da universidade. Na medida em que a grande maioria dos professores e técnicos está vacinada com as duas doses e muitos dos alunos já receberam pelo menos uma dose, entendemos que as instituições devem começar a se preparar para essa retomada, de forma gradual e híbrida, sempre observando as condições sanitárias — destaca Vieira.

O sindicato pediu uma audiência com a reitoria da UFRGS, para pedir que a universidade elabore um calendário de retomada que priorize as aulas em laboratórios. A entidade visa que o retorno ocorra no semestre que vem, o que depende de um plano elaborado e aprovado.

A Adufrgs também pedirá, na audiência, que a instituição federal divulgue como está a execução orçamentária de 2021 e a previsão de orçamento para 2022. A preocupação do sindicato é que recursos para compras de máscaras, álcool gel e outros equipamentos que visem o atendimento dos protocolos sanitários e a oferta segura de alimentação aos alunos estejam assegurados.

 

Procurada, a UFRGS não respondeu à reportagem de GZH até o fechamento desta matéria sobre quando apresentará o plano de retomada ou quando deverá retomar atividades presenciais.

28/09/2021 – IG Saúde e Portal Giro Marília

Link: https://saude.ig.com.br/2021-09-28/uso-antibioticos-elevam-risco-resistencia-bacteriana.html
Link Giro Marília: https://www.giromarilia.com.br/noticia/saude/uso-indiscriminado-de-antibioticos-eleva-risco-de-resistencia-bacteriana/75562

Uso indiscriminado de antibióticos eleva risco de resistência bacteriana

Maioria das prescrições acontece em diagnósticos de infecções nas vias aéreas superiores

O brasileiro está mais que habituado com o uso dos antibióticos - medicamentos que inibem ou impedem o crescimento e causam a morte das bactérias. O que pouco se sabe, no entanto, é que o uso indiscriminado dessas substâncias pode causar grande dano à saúde individual do paciente e da população em geral - a chamada resistência bacteriana.

"[Resistência bacteriana] É quando as bactérias sofrem mudanças e ganham força, até ficarem praticamente resistentes aos antibióticos. O risco é que com o tempo, infecções bacterianas simples se tornam cada vez mais difíceis de ser combatidas, podendo levar a quadros mais graves ou até a morte", explica o Dr. Geraldo Druck Sant'Anna, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - Santa Casa de Porto Alegre - , e especialista convidado pelo Global Respiratory Infection Partnership (GRIP) - uma iniciativa que busca defender o uso racional de antibióticos no tratamento de infecções das vias aéreas superiores.

"Isso é mais comum e muito mais perigoso do que se imagina", alerta o Dr. Sant'Anna. "Tomemos como exemplo um paciente que sente dor de garganta. Caberá ao médico analisar e avaliar o quadro clínico para identificar se é uma infecção viral ou bacteriana. Essa análise é feita por algumas etapas, como o histórico do paciente, tempo de sintomas, e aspectos do exame clínico e, eventualmente, laboratorial", diz.

Uma pesquisa liderada pelo epidemiologista norte-americano Mark M. Ebbel revelou que 80% dos medicamentos prescritos para casos de infecções de vias aéreas foram indicados de maneira equivocada, já que grande parte dos sintomas eram relativos à problemas causados por vírus, como afirma o Dr. Sant'Anna.

"Uma avaliação equivocada ou até a insistência ou resistência de um paciente a determinadas condutas, podem resultar em prescrição de antibióticos desnecessariamente. E, a longo prazo, o uso indiscriminado ou em excesso pode criar a resistência bacteriana", explica.

O especialista ensina como essa resistência pode se tornar um problema a longo prazo para a medicina e, por consequência, para os pacientes.

"Até a descoberta da penicilina, em 1928, era comum pessoas morrerem de infecções consideradas simples, decorrentes de cirurgias e após a realização de partos, porque não tinham medicamentos adequados para prevenir as infecções pós-operatórias. O surgimento do antibiótico revolucionou a medicina, pois ele foi responsável por uma grande redução da taxa de mortalidade e aumentou a expectativa de vida da população em oito anos", conta.

"Porém, as bactérias são muito espertas e as primeiras consideradas muito resistentes foram percebidas dois anos após a descoberta da penicilina. Por isso a preocupação sobre a resistência bacteriana é enorme, latente e considerada uma das ameaças à humanidade."

Para tentar contornar a situação, o médico afirma que o primeiro passo é evitar os antibióticos sempre que possível - o que pode significar o pedido de uma investigação maior dos sintomas ao médico, e mais precisamente, não pedir pelo medicamento.

"Ainda que no Brasil o uso seja controlado com retenção de receita desde 2010, de acordo com determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é comum que pacientes peçam antibióticos ao médico durante a consulta ou o próprio médico, sobretudo quando o único ponto de contato com o paciente seja aquela consulta, acabe prescrevendo o medicamento por um aparente e equivocada precaução de quadro de piora, por não poder acompanhar a evolução do paciente nos dias a seguir".

Mesmo com a exigência do receituário, é essencial lembrar que a automedicação também não é uma boa opção. Segundo dados colhidos pelo Conselho Federal de Medicina, 77% da população brasileira faz uso de medicamentos sem qualquer orientação médica.

Sant'Anna chama atenção para a necessidade de um diagnóstico correto para as infecções virais, que não devem ser tratadas com esse tipo de medicamento, e faz o alerta: só os médicos podem avaliar corretamente a origem da infecção, orientando o melhor tratamento a seguir.

"Em caso de infecções virais, é necessário observar e apenas tratar os sintomas, com remédios para combater a dor e a febre, para que o paciente passe pelo período natural da doença com menos desconforto. Aumentar a ingestão de líquidos, repouso e evitar contato com outras pessoas também colaboram bastante para o tratamento. Mas atenção, só o médico é capaz de avaliar a origem da infecção, se viral ou bacteriana. Se houver dor ou febre há 48h, é fundamental que o médico seja consultado", finaliza.

24/09/2021 – BBC

Link: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-58673147

“Covid: o que alta em internação de idosos revela sobre efetividade da vacina e 3ª dose

As últimas estatísticas de casos, internações e mortes por covid-19 no Brasil trazem uma conclusão importante: as vacinas funcionam e protegem contra as formas graves da doença, mas algumas pessoas mais vulneráveis realmente precisam tomar uma terceira dose, apontam especialistas.

Um dos principais trabalhos a mostrar essa realidade é o Boletim Observatório Covid-19, publicado semanalmente pela Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz).

No material, é possível ver claramente como a proporção de indivíduos acima de 60 anos que foram hospitalizados ou morreram por infecções respiratórias diminuiu ao longo de todo o primeiro semestre de 2021 — vale lembrar aqui que a campanha de imunização do Brasil se iniciou justamente pelos mais velhos.

Com o passar do tempo, porém, a participação relativa dessa faixa etária entre os acometidos pela pandemia voltou a subir de forma preocupante.

A reversão nas tendências exigiu adaptações no Plano Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, que anunciou que ofertaria uma terceira dose da vacina a alguns grupos a partir de setembro.

"Nosso trabalho enquanto cientistas é justamente coletar os dados e orientar ajustes nas políticas conforme a gente conhece melhor os imunizantes e seus efeitos na prática", diz a imunologista Cristina Bonorino, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

Outra mudança importante, que tem a ver com os aprendizados recentes, foi a necessidade de adotar estratégias mais inteligentes sobre o uso dos recursos disponíveis. Antes, num cenário de escassez de doses, a premissa era aplicar as vacinas que estivessem disponíveis em quem mais precisava. Hoje em dia, existe a possibilidade de indicar o uso de um imunizante ou outro para situações e públicos específicos.

Mas como chegamos até aqui? E como esses novos conhecimentos impactam a vacinação contra a covid-19 e podem ajudar a controlar a pandemia?

Como uma onda

Para entender todo esse cenário, precisamos olhar com mais atenção para os informes publicados pelo Observatório Covid-19 da FioCruz. Lá, é possível conferir que os indivíduos acima de 60 anos representavam 63% de todas as internações e 80% das mortes por Síndrome Aguda Aguda Grave (SRAG) registradas no Brasil durante a primeira semana de 2021.

E aqui vale uma ressalva: os serviços de saúde do país são obrigados a notificar ao Ministério da Saúde todos os casos de hospitalização por infecção respiratória. Essa base de dados de SRAG, portanto, permite ter uma ideia de como está a situação dessas doenças no país, embora não consiga detalhar especificamente qual o tipo de vírus (ou outro agente) que é o principal responsável por todas essas internações. Mas, durante a atual pandemia, considera-se que a maioria dos quadros infecciosos tenha mesmo a ver com o coronavírus.

Bom, mas o que aconteceu com esses números nos meses seguintes, conforme a campanha de vacinação contra a covid-19 avançava e protegia especialmente a camada mais velha da população brasileira?

Como era de se imaginar, os números despencaram: em meados de junho, os idosos passaram a representar 27% das internações e 34% das mortes por SRAG. A participação relativa deles nas estatísticas oficiais caiu pela metade.

Porém, a partir de julho e agosto, esses índices voltaram a subir significativamente entre essa população. Em algumas semanas de setembro, 54% das hospitalizações e 74% dos óbitos ocorreram entre os mais velhos.

E há pelo menos quatro fatores que ajudam a explicar esse fenômeno.

  1. Mais jovens vacinados

Como explicamos acima, a vacinação contra a covid-19 priorizou, num primeiro momento, os profissionais da saúde e os idosos.A meta era proteger aqueles que tinham mais probabilidade de infecção pelo vírus ou que corriam maior risco de sofrer com as complicações da doença, que exigem internação e intubação.

Com o passar dos meses, os mais jovens foram incluídos aos poucos na campanha, até que, nos meses de agosto e setembro, muitas cidades brasileiras já tinham aplicado ao menos a primeira dose em praticamente 100% de todos os indivíduos com mais de 18 anos.

"O avanço da vacinação com a primeira dose já permitiu que houvesse uma redução de risco dos mais jovens, que também passaram a ficar um pouco mais protegidos de hospitalizações e óbitos pela covid-19", analisa o infectologista Julio Croda, professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.

Com isso, a participação relativa de cada faixa etária nos números de internações e mortes voltou a ficar "equalizada": como a infecção pelo coronavírus é muito mais perigosa para os idosos, eles voltaram a representar novamente uma fatia grande dos acometidos.

  1. Sistema imune dos mais velhos

O segundo ponto que ajuda a explicar esse aumento de hospitalizações de idosos por infecções respiratórias é o envelhecimento natural do sistema imunológico.

Conhecido entre especialistas como imunossenescência, esse processo foi descrito há tempos e tem a ver com uma menor efetividade das células de defesa com o passar das décadas.

E isso traz consequências práticas para a saúde: os idosos são mais suscetíveis às infecções, correm maior risco de desenvolver câncer e costumam responder menos aos imunizantes.

"A imunossenescência é algo natural e já prevíamos que poderia ocorrer uma maior perda de proteção das vacinas entre idosos", aponta Croda, que também faz pesquisas pela FioCruz.

  1. As variantes

O terceiro ponto tem a ver com o desenvolvimento de novas versões do coronavírus, como a Alfa, a Beta, a Gama e a Delta. Essas quatro, inclusive, são classificadas como variantes de preocupação pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Elas começaram a aparecer no final de 2020, quando as primeiras vacinas contra a covid-19 já estavam na etapa final dos testes antes da aprovação pelas agências regulatórias.

Ou seja: os imunizantes foram desenhados para proteger contra as versões "mais antigas" do coronavírus. As novas linhagens, porém, trazem mutações genéticas importantes, que podem interferir na efetividade das doses.

"Nós temos dados que mostram essa queda de proteção das vacinas em relação à variante Delta, por exemplo", diz Croda.

A boa notícia é que, embora tenha ocorrido um certo prejuízo no desempenho, os imunizantes continuam a funcionar relativamente bem e garantem uma proteção, especialmente contra as formas mais graves da covid-19.

  1. O tipo de vacina utilizada

Nos primeiros meses de campanha, justamente o período em que os mais velhos tomaram as doses, a CoronaVac era o principal imunizante à disposição no Brasil.

Desenvolvido e fabricado pela farmacêutica chinesa Sinovac e pelo Instituto Butantan, em São Paulo, esse produto é baseado na tecnologia do vírus inativado, que é utilizada há décadas pela ciência.

Em resumo, amostras do coronavírus passam por uma série de procedimentos em laboratório, que inativam o agente infeccioso e impedem que ele se replique no nosso organismo. Mesmo assim, aquele material pode ser reconhecido pelo sistema imune, que gera um contra-ataque caso o vírus de verdade resolva aparecer pelo pedaço.

Mas há um problema nessa história: idosos costumam responder menos às vacinas de vírus inativado.

"A CoronaVac foi muito importante por ser a primeira a chegar e ajudou a diminuir o número de pessoas hospitalizadas e mortas por covid-19", destaca o imunologista Jorge Kalil Filho, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

"Quando utilizada em duas doses em indivíduos idosos ou com a imunidade comprometida, porém, ela não desencadeou uma resposta suficientemente elevada", completa o especialista, que também faz pesquisas no Instituto do Coração (InCor), na capital paulista.

Alguns trabalhos já demonstraram essa menor taxa de eficácia da CoronaVac em pessoas de idade mais avançada. Uma das evidências mais recentes nesse sentido vem de uma pesquisa conduzida pelo imunologista Manoel Barral-Netto, da FioCruz Bahia.

O cientista avaliou dados de mais de 75,9 milhões de brasileiros que tomaram a CoronaVac ou a vacina de AstraZeneca/FioCruz entre 18 de janeiro e 24 de julho de 2021.

Primeira conclusão: os dois imunizantes são efetivos e resguardam contra infecção, hospitalização e morte por covid-19, inclusive contra as variantes de preocupação que circulavam pelo país no período analisado.

Na população geral, a vacina AstraZeneca/FioCruz oferece 90% de proteção, enquanto na CoronaVac essa taxa ficou em 75%.

Quando analisamos essas porcentagens por faixa etária, porém, vemos como os idosos respondem menos às vacinas de vírus inativado: entre indivíduos de 80 a 89 anos, o produto de AstraZeneca/FioCruz trouxe uma proteção de 89,9%. Já a taxa da CoronaVac caiu para 67,2%.

E o tombo nos índices é ainda maior em quem tem mais de 90 anos: a AstraZeneca/FioCruz ficou com 65,4% de efetividade, enquanto a CoronaVac baixou para 33,6%.

"Já tínhamos suspeita da influência da idade na queda da efetividade, porque o mesmo ocorre com outras vacinas. O que fizemos foi delimitar claramente esse ponto de declínio. Essa é também a primeira comparação feita entre vacinas que usam diferentes plataformas", disse Barral-Netto, à Agência FioCruz de Notícias.

"A intenção é fornecer dados para embasar decisões dos gestores", acrescentou.

Cristina Bonorino destaca que esse e outros trabalhos reforçaram a necessidade de dar uma atenção especial aos idosos no atual momento.

"Os dados de vida real nos mostraram claramente que, a partir dos 70 anos, há uma queda grande na proteção e precisávamos fazer algo para melhorar isso", relata a pesquisadora, que também representa a Sociedade Brasileira de Imunologia.

Kalil concorda. "Começamos a ver que indivíduos acima de 80 anos começaram a ser hospitalizados e morrer mais e mais. Nós perdemos cerca de 2 mil indivíduos nessa faixa etária todos os meses e a tendência, infelizmente, é o aumento desse número", estima.

Mas o que pode ser feito para frear essa subida?

Dose extra

A exemplo do que foi feito em algumas partes do mundo, o Brasil decidiu ofertar uma terceira dose de vacina contra a covid-19 para idosos e indivíduos com imunidade comprometida.

O anúncio, feito no dia 25 de agosto pelo Ministério da Saúde, afirmava que esse público seria convocado para a campanha a partir da segunda quinzena de setembro, o que efetivamente está acontecendo em muitas cidades e Estados.

Esse movimento marca outra mudança importante nos esforços para dar um fim à pandemia: a adoção de uma estratégia mais inteligente no uso dos recursos disponíveis.

Você deve se lembrar que, durante os últimos meses, a frase "vacina boa é vacina no braço" se tornou praticamente um mantra e foram feitas muitas críticas aos cidadãos que queriam escolher um imunizante ou outro — eles foram apelidados até de "sommeliers de vacina".

Isso tinha a ver com a falta de doses e o pouco conhecimento sobre os melhores resultados de cada produto de acordo com algumas características gerais da população.

Mais recentemente, com o avanço da ciência e a maior disponibilidade de doses em território nacional, essa seleção otimizada da vacina mais recomendada para públicos específicos começou a fazer mais sentido.

Para as gestantes, por exemplo, o imunizante da AstraZeneca foi contra-indicado pelo maior risco de alguns eventos adversos. Essas mulheres passaram a receber, então, doses de Pfizer.

Isso acontece agora com os idosos. "O Programa Nacional de Imunizações e seu conselho consultivo, composto por 20 médicos e cientistas com grande experiência na área, chegaram à conclusão que seria melhor dar a vacina da Pfizer para indivíduos com mais de 70 anos", explica Kalil.

E essa decisão está baseada nas evidências, apontam os especialistas. "Nós temos estudos que mostram que uma terceira dose de Pfizer aumenta em 20 a 40 vezes a presença de anticorpos neutralizantes, em comparação aos níveis dessas substâncias após a segunda dose. Já com a CoronaVac, essa elevação chega, no máximo, a 10 vezes", compara Croda.

E aqui vale reforçar mais uma vez: CoronaVac e AstraZeneca/FioCruz são imunizantes efetivos, seguros e funcionam super bem nos mais jovens, como apontam os cientistas. Portanto, eles continuam a ser indicados e todos que tomaram a primeira dose precisam voltar ao posto na data indicada para assegurar um bom nível de proteção.

"As vacinas inativadas são muito boas para pessoas mais jovens e nem tão boas assim para os idosos. Para os mais velhos, elas foram importantes antes, no início da campanha, mas agora estamos num outro momento", conclui Kalil.

Para quem já passou dos 70 anos, portanto, a atual situação da campanha brasileira permite escolher a vacina da Pfizer como terceira dose para garantir uma resposta ainda melhor.

Do ponto de vista individual, a recomendação é ficar atento ao calendário de vacinação de sua cidade e ir ao posto para atualizar a proteção com uma terceira dose, caso você faça parte do público-alvo nas datas anunciadas.

Bonorino vai além e acredita que o ideal seria já programar não apenas uma, mas duas doses extras de vacina aos mais velhos. "Eu defendo que os idosos recebam duas doses da Pfizer. O que precisamos fazer é revacinar essa população", reforça.

E além de ofertar os imunizantes, a imunologista aponta a necessidade de o poder público educar a população sobre as outras formas de prevenção da covid-19, como o distanciamento físico, o uso de máscaras e a escolha de ambientes arejados e com boa circulação de ar.

"As pessoas acham que após a imunização estão liberadas para fazer qualquer coisa. Não é bem assim", diz. "Precisamos vacinar, vacinar e vacinar. Junto com isso, é necessário seguir com todos os outros cuidados para que a pandemia não se prolongue por mais um ano", finaliza.”

24/09/2021 – GHZ

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/09/entenda-por-que-a-contaminacao-de-queiroga-e-tereza-cristina-nao-significa-que-a-vacina-e-ineficaz-cktyvm4gr009w017l84dvnrux.html

"Entenda por que a contaminação de Queiroga e Tereza Cristina não significa que a vacina é ineficaz

Imunizantes permitem a entrada do vírus no organismo, mas impedem a replicação em grande escala, o que reduz sintomas graves e transmissão

  • Vacinados podem pegar covid, mas têm menos chance de adoecer gravemente
  • Vacinados infectados passam menos o vírus do que infectados sem vacina
  • Por poderem se infectar e passar o vírus sem saber, vacinados devem usar máscaras e zelar pela vida de idosos que ainda não receberam reforço e pessoas sem duas doses

Imunizados com duas doses, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, pegaram covid-19. Com uma dose, o Advogado-Geral da União, Bruno Bianco, também se infectou. Os diagnósticos foram usados por grupos antivacina para afirmar nas redes sociais que as vacinas falharam. Mas as alegações ignoram premissas básicas sobre imunizantes: servir para evitar casos graves, hospitalizações e mortes.

Infectado com covid-19 depois da viagem a Nova York ao lado do pai, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que recebeu a primeira dose da Pfizer, afirmou no Twitter que “o meu caso e o do Queiroga são exemplos que descredibilizam o passaporte sanitário. Sinto-me melhor do que ontem e nem te conto o que tomei”, escreveu Eduardo.

O argumento de que vacinas não protegem é falso e parte de uma equivocada premissa, jamais dita por cientistas, de que elas são infalíveis. Nenhuma vacina ou remédio, para qualquer doença, tem 100% de eficácia - o que explica a morte do ator Tarcísio Meira, por exemplo. Entretanto, imunizantes diminuem muito o risco de internação em hospital e morte por covid-19.

A redução de risco é indicada na porcentagem de eficácia apresentada para cada vacina pelos laboratórios. A Pfizer, ao anunciar que seu imunizante tem 95% de eficácia contra a variante original da covid-19, indicou que, entre todos os voluntários do estudo, 95% não adoeceram e 5%, sim. Destes, uma menor parcela foi hospitalizada e um grupo ainda menor morreu.

Críticas às vacinas confundem duas palavras-chave: infecção e adoecimento. A imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), explica que todos os vacinados com duas doses ainda podem se infectar e transmitir covid-19 - mas bem menos do que não vacinados. A questão é que a maioria não adoecerá.

Vacinas contra a covid-19 não são o que cientistas chamam de “esterilizantes” - ou seja, não aniquilam o vírus quando ele entra no corpo. O que elas fazem é ensinar o sistema imune a combater o Sars-Cov-2 uma vez que ele adentre o organismo.

Portanto, quando um vacinado interage com alguém com covid-19 sem máscara ou em aglomeração, o vírus entrará no corpo e começará a se replicar. Contudo, como a vacina terá ensinado o organismo a gerar uma resposta imunológica contra o invasor, o nível de multiplicação do Sars-Cov-2 será menor e, por consequência, a taxa de transmissão para outras pessoas também será reduzida.

— Todas as vacinas controlam a doença e, em graus diferentes, a transmissão. Os vacinados vão se infectar, mas têm menos chance de ficarem doentes porque o vírus vai circular, mas em muito menor quantidade, por causa da resposta imune. Todos os estudos mostram que a vacinação controla a disseminação viral. Digamos que você tomou vacina, pegou covid e desenvolveu algum sintoma. Você estará mais protegido e transmitirá menos — resume a imunologista.

Bonorino acrescenta que vacinas permitem a entrada do vírus, em vez de matá-lo logo na “entrada”, porque o sistema imunológico atua em lógica de “ondas” do mar. Em resumo, as defesas não ficam o tempo todo em alerta: são ativadas quando o vírus entra no organismo.

— Há um gasto energético muito grande para fazer a resposta de defesa. O sistema imune responde a desafios. Quando ele controla uma infecção, a maioria das células geradas não morrem. Elas mantêm uma população especial, que a gente chama de memória, que são como células-tronco que se renovam no corpo. Quando houver novo desafio (novo contato com o vírus), as células de memória vão se clonar e multiplicar — diz a imunologista.

É justamente porque vacinados transmitem o vírus (lembrando, menos do que não vacinados) que autoridades rogam que todos sigam com o uso de máscaras, buscando encontros ao ar livre e evitando aglomerações.

Conforme mais pessoas atingirem o esquema vacinal completo, mais será comum que a covid-19 manifeste apenas sintomas leves, como dor de garganta, dor de cabeça e, talvez, leve febre. Isso exige que tais manifestações não sejam tomadas como simples alergia e motivem o autoisolamento.

A lógica é solidária: vacinados que se cuidam ajudam a salvar a vida de quem ainda não recebeu duas doses. Neste momento, idosos começam a tomar a dose de reforço porque já registram queda de imunidade. Se você convive com pais e avós mais velhos, usar a máscara e manter os cuidados conhecidos é zelar pela saúde dos entes queridos.

— Quando a pessoa tiver tosse, dor de garganta, dor de cabeça e sensação de febre, pode ser covid, mesmo estando vacinada. É preciso ter pensamento coletivo: não é só minha saúde, mas também para quem posso transmitir e que pode evoluir de forma grave, seja idoso que precisa do reforço ou alguém que ainda não tomou a segunda dose. Não é o momento de relaxar com o uso de máscara — sintetiza a médica Andréa Dal Bó, integrante da Sociedade Sul-Riograndense de Infectologia (SRGI).

Já há forte consenso entre médicos e governantes do Brasil e de outros países que a vacinação é a principal responsável por proteger pessoas e enfraquecer a epidemia. Na quinta-feira (23), o Brasil registrou 876 novas mortes por covid-19, número bem abaixo do registrado no auge da epidemia, em abril, com mais de 4 mil vítimas contabilizadas em um único dia.

Levantamento de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostrou que, entre maio e julho, 91,49% das pessoas que morreram de coronavírus no Brasil não tinham duas doses.

Já nos Estados Unidos, onde o movimento antivacina é forte e há regiões onde a cobertura de duas doses sequer passa dos 40%, a Delta vem provocando nova piora - a média móvel de vítimas diárias chegou, na quinta-feira (23), a 2 mil, o número mais alto desde fevereiro.

— As vacinas atualmente utilizadas impedem que uma pessoa fique muito doente, vá para a UTI e tenha óbito por causa da covid. Basta ver as curvas atuais da evolução da doença no Brasil para ver que os números despencaram. O número de pessoas nas UTIs diminuiu dramaticamente. Duas palavras: vacina funciona — resume Breno Riegel dos Santos, médico e chefe do setor de Infectologia do Hospital Nossa Senhora da Conceição."

23/09/2021 – Diário Gaúcho

Link: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/09/com-o-avanco-da-vacinacao-veja-como-encontrar-pessoas-com-menos-riscos-20646176.html

“Com o avanço da vacinação, veja como encontrar pessoas com menos riscos

Uso de máscaras, preferência por ambientes ao ar livre e encontros com poucos indivíduos são os principais cuidados recomendados por médicos infectologistas

Correção: o percentual da população total imunizada com duas doses ou vacina de dose única no Brasil é de 38,2%, e não 51,4%, como apontava o texto da reportagem entre 17h17min e 20h15min. O texto foi corrigido.

O que no ano passado parecia mera possibilidade enfim se transformou em real: a vacinação contra a covid-19 no Brasil engrenou e, a despeito dos percalços, avança. O Brasil já cobriu mais de 66% de toda a população com a primeira dose e 38,2%  com duas doses ou vacina de dose única. No Rio Grande do Sul, o índice é ainda maior – 72% e quase 45%, respectivamente. Como resultado, cada vez mais brasileiros flexibilizam o distanciamento – e atividades como ver amigos e familiares para uma cerveja ou jantar ganham terreno.

Se duas doses de vacina reduzem os riscos contra o coronavírus, há consenso entre especialistas que, ainda que a vacinação tenha avançado, o momento atual não permite suspender todas as medidas de proteção, sob pena de o Brasil “queimar a largada”.

O primeiro motivo é que, proporcionalmente, ainda há muitas pessoas se infectando (a despeito de ser em patamares distantes do início do ano). O segundo é que faltam muitos indivíduos para tomar as duas doses e idosos para receber a terceira.

O terceiro motivo, que gera mais preocupação, é que países que atingiram o patamar que o Brasil atingiu em cobertura vacinal e que flexibilizaram em demasiado o distanciamento – em alguns casos, suspendendo até o uso de máscaras – colheram resultado negativo: aumento de casos, hospitalizações e mortes, com consequente volta de restrições ao comércio.

— O momento é muito bom, mas ainda não atingimos o nível de vacinação desejado. Estados Unidos e Israel abriram em excesso com a crença de que o nível de vacinação era suficiente, no nosso nível atual. Precisamos aprender com o que aconteceu lá e nos adequarmos. As pessoas podem entrar em contato com outras, se respeitarem as medidas — resume o médico Alessandro Pasqualotto, chefe da Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Ainda que a variante Delta não esteja causando o estrago causada em outros países, médicos destacam que novas variantes sempre trazem surpresa e que, neste momento, ainda não é possível cantar vitória “antes da hora”.

O país está conseguindo manter a tendência de queda de casos e mortes porque, além da vacinação, muitos brasileiros mantêm o uso de máscaras, buscam encontros ao ar livre e governos ainda não liberaram todas as atividades por completo, diz o médico Alexandre Zavascki, professor do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

— Ainda estamos em níveis altos de infecção. Vacinação, uso de máscara e controle de ocupação de ambientes fechados precisam seguir por um tempo maior. Atividades que envolvem agrupamento de pessoas, principalmente se não for ao ar livre, são de maior risco, porque basta um estar infectado para passar a mais pessoas — diz Zavascki. — Mais importante do que ter álcool gel é ter janelas abertas — completa o médico.

O médico Fabiano Ramos, chefe da Infectologia do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), alerta que momentos de descontração entre amigos e familiares são os relatos mais comuns de pacientes que se infectaram com coronavírus.

— Grande parte das contaminações é de alguém que leva o vírus para a família. Em encontros de pessoas que não convivem no dia a dia, o ideal é manter a máscara. Quando houver alimentação, que seja em ambiente arejado e com distanciamento de ao menos 1,5 metro — diz o infectologista.

Veja os principais cuidados trazidos por especialistas:

(no link)

Fonte: Médicos infectologistas Alessandro Pasqualotto, da Santa Casa; Alexandre Zavascki, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre; Fabiano Ramos, do Hospital São Lucas da PUCRS”

23/09/2021 – GHZ

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/09/entenda-por-que-a-variante-delta-nao-causou-aumento-de-casos-e-de-mortes-no-brasil-cktxkw1lb002v018gfqwf2iiz.html

“Entenda por que a variante Delta não causou aumento de casos e de mortes no Brasil

Manutenção das restrições e de cuidados pessoais, principalmente o uso de máscaras, são  motivos apontados por especialistas

Após causar explosão de casos e de mortes na Índia e em países com vacinação mais avançada, como Estados Unidos, Reino Unido e Israel, governantes brasileiros e profissionais da linha de frente do combate à pandemia temiam que a variante Delta do coronavírus causasse forte impacto e piora da pandemia no Brasil. No entanto, quatro meses após o primeiro registro em território nacional, as estatísticas apontam que a covid-19 segue em tendência de queda no país.

Em consenso, cinco especialistas entrevistados por GZH citam que a manutenção das restrições, de cuidados pessoais e, sobretudo, do uso de máscaras, estão impedindo que a Delta provoque aumento em casos e mortes por coronavírus.

Soma-se a isso o avanço da vacinação e o histórico de pessoas já infectadas - portanto, com grau de imunidade de curta duração. Ao mesmo tempo, pontuam que é preciso manter os cuidados até a cobertura vacinal no país crescer.

— A questão não é tanto se a Delta é transmissível. A culpa não é tanto do vírus, mas das pessoas. Qualquer vírus, se ver um monte de gente perto, vai ser transmitido. Ainda que haja adesão insuficiente ao uso de mascara e heterogeneidade no país, quem conteve a Delta foi a vacinação e uso de máscara. A vacinação, onde foi feita rapidamente, transformou a covid de uma doença de UTI para uma doença de manejo em casa — resume o virologista Paulo Brandão, professor da Universidade de São Paulo (USP).

Depois de brigar com a variante Gama, originária de Manaus, a Delta venceu e já predomina no Brasil, diz o virologista Fernando Spilki, coordenador da Rede Corona-Ômica, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que investiga quais cepas circulam no país. Apesar do desfecho, duas falhas no controle da pandemia acabaram, ironicamente, reduzindo os impactos da vitória da Delta em solo brasileiro.

— Tivemos surto de Gama com pico muito alto por semanas a fio em um grande contingente de pessoas, o que gerou imunidade natural na população, ainda que não seja muito duradoura. E outro auxílio foi o atraso na chegada das vacinas: muitas pessoas receberam a segunda dose quando a Delta chegou, então a imunidade está muito recente — diz Spilki.

O grande número de infectados entre fevereiro e abril, período em que o Rio Grande do Sul vivenciou colapso hospitalar, contribuem, diz Spilki, porque os níveis de cobertura vacinal brasileira não explicam sozinhos o cenário atual. Afinal, a proporção de imunizados é próxima ou até menor do que a registrada em outras nações que enfrentaram piora da epidemia quando da chegada da Delta.

Hoje, 67% dos brasileiros de todas as idades receberam a primeira dose e quase 40%, duas. No Rio Grande do Sul, a cobertura é maior: 73% de todos os gaúchos receberam a primeira aplicação e 45% estão com o esquema completo.

Quando Israel liberou o uso de máscara e passou a permitir maior circulação de pessoas, mais da metade da população ganhara duas doses. Nos Estados Unidos, a mesma medida ocorreu quando 46% dos habitantes haviam tomado a primeira dose e 35%, a segunda.

— No Brasil, a Delta veio, mas a população manteve cuidados e uso de máscara que, se não eram exemplares, foram suficientes. Por esse motivo, a variante não causou estragos previstos. Mas, se tivermos Carnaval na semana que vem, por exemplo, a aceleração no número de casos pode crescer muito — diz o médico Alessandro Pasqualotto, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), citando ainda que a redução do intervalo entre as doses da AstraZeneca e da Pfizer pode ter contribuído para proteger mais a população.

No Rio Grande do Sul, a Delta é predominante, afirma Richard Salvato, responsável pela Vigilância Genômica da Secretaria de Estado da Saúde (SES-RS). Entre 76 amostras de agosto analisadas pela Universidade Feevale e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 84% eram Delta.

— A imunidade adquirida após infecção dura até cinco ou seis meses. Em conjunto com a parcela de vacinados, há parcela importante da população com resposta imune. Temos, então, um número menor da população suscetível. Mas essa imunidade causada pela infecção tende a decair, o que seria um cenário para a Delta causar um estrago — afirma Salvato.

Outro fator a ser levado em conta é que, em nações ricas onde a variante provocou recrudescimento da epidemia, há bolsões de não vacinados - o caso mais notável é dos Estados Unidos. No Brasil, onde o movimento antivacina é mais incipiente, a boa-vontade da população com imunizantes gera menor espaço para a Delta circular. Em Porto Alegre, por exemplo, 92% dos habitantes acima dos 12 anos já foram atrás da primeira dose.

Para Cezar Riche, médico infectologista no Hospital Mãe de Deus, locais com alta cobertura vacinal, como Rio Grande do Sul, estão mais protegidos contra novas ondas geradas pela Delta. O alto índice de imunizados em Porto Alegre, capital com alta densidade urbana e, portanto, com maior risco, também traz benefícios.

— A Delta aumentou o numero de surtos em hospitais, colégios e ILPIs (instituições de longa permanência, ou asilos) do Estado, mas em impacto muito menor do que o Rio de Janeiro, por exemplo, onde havia uma política de flexibilização maior. Estamos expandindo a vacinação a menores de idade e, depois de começar a ver idosos se infectarem, estamos voltando a vaciná-los. Temos estratégias de barreira para tolerar não só a Delta, como qualquer outra variante que possa vir — diz o infectologista.

Cuidados ainda são necessários

A despeito do cenário positivo, analistas afirmam que a preocupação com a Delta ainda não é página do passado. Flexibilizações exageradas, grandes aglomerações e liberação do uso de máscara podem permitir que a variante — assim como outra que eventualmente surgir — causem nova piora da epidemia, ainda que em patamares menos perigosos.

— De forma alguma a gente pode deixar de lado a preocupação. Se nossa teoria de que estaríamos em momento mais tranquilo como resultado do número de contaminações pela Gama em março, essa imunidade não dura para sempre. Além disso, vírus continua se mutando. Já há sublinhagens da Delta, e elas podem trazer consequências prejudiciais ao controle da circulação do vírus — observa Richard Salvato, da Vigilância Genômica do governo do Rio Grande do Sul.”

21/09/2021 – GHZ

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/09/com-o-avanco-da-vacinacao-veja-como-encontrar-pessoas-com-menos-riscos-cktuhzevu008m01933ju40pg0.html

“Com o avanço da vacinação, veja como encontrar pessoas com menos riscos

Uso de máscaras, preferência por ambientes ao ar livre e encontros com poucos indivíduos são os principais cuidados recomendados por médicos infectologistas

Correção: o percentual da população total imunizada com duas doses ou vacina de dose única no Brasil é de 38,2%, e não 51,4%, como apontava o texto da reportagem entre 17h17min e 20h15min. O texto foi corrigido.

O que no ano passado parecia mera possibilidade enfim se transformou em real: a vacinação contra a covid-19 no Brasil engrenou e, a despeito dos percalços, avança. O Brasil já cobriu mais de 66% de toda a população com a primeira dose e 38,2%  com duas doses ou vacina de dose única. No Rio Grande do Sul, o índice é ainda maior – 72% e quase 45%, respectivamente. Como resultado, cada vez mais brasileiros flexibilizam o distanciamento – e atividades como ver amigos e familiares para uma cerveja ou jantar ganham terreno.

Se duas doses de vacina reduzem os riscos contra o coronavírus, há consenso entre especialistas que, ainda que a vacinação tenha avançado, o momento atual não permite suspender todas as medidas de proteção, sob pena de o Brasil “queimar a largada”.

O primeiro motivo é que, proporcionalmente, ainda há muitas pessoas se infectando (a despeito de ser em patamares distantes do início do ano). O segundo é que faltam muitos indivíduos para tomar as duas doses e idosos para receber a terceira.

O terceiro motivo, que gera mais preocupação, é que países que atingiram o patamar que o Brasil atingiu em cobertura vacinal e que flexibilizaram em demasiado o distanciamento – em alguns casos, suspendendo até o uso de máscaras – colheram resultado negativo: aumento de casos, hospitalizações e mortes, com consequente volta de restrições ao comércio.

 — O momento é muito bom, mas ainda não atingimos o nível de vacinação desejado. Estados Unidos e Israel abriram em excesso com a crença de que o nível de vacinação era suficiente, no nosso nível atual. Precisamos aprender com o que aconteceu lá e nos adequarmos. As pessoas podem entrar em contato com outras, se respeitarem as medidas — resume o médico Alessandro Pasqualotto, chefe da Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Ainda que a variante Delta não esteja causando o estrago causada em outros países, médicos destacam que novas variantes sempre trazem surpresa e que, neste momento, ainda não é possível cantar vitória “antes da hora”.

O país está conseguindo manter a tendência de queda de casos e mortes porque, além da vacinação, muitos brasileiros mantêm o uso de máscaras, buscam encontros ao ar livre e governos ainda não liberaram todas as atividades por completo, diz o médico Alexandre Zavascki, professor do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

— Ainda estamos em níveis altos de infecção. Vacinação, uso de máscara e controle de ocupação de ambientes fechados precisam seguir por um tempo maior. Atividades que envolvem agrupamento de pessoas, principalmente se não for ao ar livre, são de maior risco, porque basta um estar infectado para passar a mais pessoas — diz Zavascki. — Mais importante do que ter álcool gel é ter janelas abertas — completa o médico.

O médico Fabiano Ramos, chefe da Infectologia do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), alerta que momentos de descontração entre amigos e familiares são os relatos mais comuns de pacientes que se infectaram com coronavírus.

— Grande parte das contaminações é de alguém que leva o vírus para a família. Em encontros de pessoas que não convivem no dia a dia, o ideal é manter a máscara. Quando houver alimentação, que seja em ambiente arejado e com distanciamento de ao menos 1,5 metro — diz o infectologista.

Veja os principais cuidados trazidos por especialistas: (ver mais pelo link)”

17/09/2021 –  Diário Gaúcho

Link: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/09/suspensao-de-vacinacao-em-adolescentes-e-criticada-por-especialistas-uso-e-seguro-afirmam-20645737.html

“Suspensão de vacinação em adolescentes é criticada por especialistas; uso é seguro, afirmam

Dos 3,53 milhões de adolescentes vacinados, 1,5 mil tiveram efeitos adversos, o que representa 0,042% do total

Após o Ministério da Saúde divulgar nota técnica na noite de quarta-feira (15) na qual orienta a suspensão da vacinação de adolescentes sem comorbidades contra a covid-19, quatro especialistas da área da infectologia e imunologia entrevistados por GZH criticaram duramente a decisão e destacaram que a aplicação do grupo é segura e eficaz.

Em coletiva de imprensa nesta quinta (16), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, justifica a decisão porque, dentre 3,53 milhões de adolescentes vacinados, 1,5 mil tiveram efeitos adversos, o que representa 0,042% do total. Dentre quem registrou efeito adverso, 95% recebera vacinas não liberadas para a faixa etária, o que é considerado erro de aplicação.

Dos cerca de 3,53 milhões de adolescentes vacinados no Brasil, 3,51 milhões receberam Pfizer, mas 15,6 mil receberam CoronaVac, 10,3 mil receberam AstraZeneca e 806, Janssen. No Rio Grande do Sul, ainda de acordo com a pasta, 57,9 mil adolescentes receberam Pfizer, porém 914 receberam CoronaVac, 838 AstraZeneca e 26, Janssen.

Queiroga ainda citou que uma pessoa morreu após receber uma dose da Pfizer - não está provada relação entre os fatos. Em nota, a farmacêutica destaca que “até o momento, não foi estabelecida relação causal entre o ocorrido e o imunizante da Pfizer”.

O Ministério da Saúde afirmou na nota que a média é de 16 casos de miocardite (inflamação em músculos cardíacos) a cada 1.000.000 de pessoas que recebem duas doses. O risco, considerado baixo, foi levado em conta na liberação de uso da Pfizer em países como Estados Unidos, Israel, Canadá, França, Chile e Itália.

Os estudos mostram que a Pfizer é segura para adolescentes e os raríssimos efeitos adversos não inviabilizaram a aprovação do imunizante pela Anvisa e pelas agências reguladoras dos Estados Unidos e da Europa, destaca o médico Antonio Carlos Bandeira, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

— É um equívoco neste momento propor a suspensão. Essa nota não tem nada técnico, não atende às necessidades que o país encara de continuar expandindo a vacinação até os 12 anos para não ter terceira onda. Ela precisa ser imediatamente revista. É um absurdo. Cada vacina pode ter um efeito colateral, mas muito raro — afirma o médico.

A decisão é um erro na visão da imunologista Cristina Bonorino, integrante do Comitê de Acompanhamento de Efeitos Adversos do governo do Rio Grande do Sul e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

la entende que, se prefeituras aplicaram em adolescentes AstraZeneca, CoronaVac e Janssen, o que não está autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a solução é acompanhá-los e orientar postos de saúde a tomar cuidado a partir de agora, e não suspender a aplicação da Pfizer em todos os jovens sem comorbidades.

— Os erros vacinais que o Ministério apontou não são razão para suspender a vacinação, e sim para aumentar campanha de esclarecimento. O evento adverso relatado não tem evidência de que esteja ligado à Pfizer. O ministro disse que há eventos adversos de pessoas que receberam a vacina errada, não falou de efeitos confirmados na vacina da Pfizer em adolescentes. Não tem razão para suspender a vacinação — diz a imunologista.

A situação parece lembrar a suspensão de uso da AstraZeneca em grávidas, porém há uma diferença: naquele caso, a Anvisa recomendou a suspensão de uso nas gestantes, enquanto que, hoje, a agência mantém a recomendação de uso da Pfizer em adolescentes.

— Eventos de miocardite são algo muito pequeno. Isso dá uma dimensão de que a vacina baseada em RNA mensageiro seja relativamente segura — afirma o médico Eduardo Sprinz, chefe da Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Sprinz acrescenta que, a despeito de o Ministério da Saúde citar que a Organização Mundial da Saúde (OMS) é contra a vacinação de adolescentes, na verdade a entidade diz que eles não devem ser priorizados antes de países pobres aplicarem doses em adultos - o objetivo é incentivar a doação de imunizantes por nações mais ricas.

A médica Raquel Stucchi, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, destaca que a Pfizer já foi aplicada em milhões de adolescentes ao redor do mundo e que não há relatos de que efeitos adversos graves sejam comuns.

Se o Brasil vacinou 3,53 milhões de adolescentes, os Estados Unidos já aplicaram a primeira dose em 14 milhões de jovens e a segunda dose em 11,1 milhões, segundo dados do Centro de Controle e Prevenção a Doenças (CDC).

— Não existe risco zero e vacina isenta de toda e qualquer reação, mas a frequência é muito menor do que o risco de adolescentes terem covid grave e serem internados. Se o evento adverso grave infelizmente aconteceu, mas os casos graves e a mortalidade são maiores, manter a vacinação é justificável. Essa nota técnica cria um cenário muito favorável para desinformação e desconfiança, tudo que a gente não precisa neste momento — diz a médica infectologista.”

16/09/2021 –  GHZ

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/09/suspensao-de-vacinacao-em-adolescentes-e-criticada-por-especialistas-uso-e-seguro-afirmam-cktnfyqdv009a0193fa2dknak.html

“Suspensão de vacinação em adolescentes é criticada por especialistas; uso é seguro, afirmam

Dos 3,53 milhões de adolescentes vacinados, 1,5 mil tiveram efeitos adversos, o que representa 0,042% do total

Após o Ministério da Saúde divulgar nota técnica na noite de quarta-feira (15) na qual orienta a suspensão da vacinação de adolescentes sem comorbidades contra a covid-19, quatro especialistas da área da infectologia e imunologia entrevistados por GZH criticaram duramente a decisão e destacaram que a aplicação do grupo é segura e eficaz.

Em coletiva de imprensa nesta quinta (16), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, justifica a decisão porque, dentre 3,53 milhões de adolescentes vacinados, 1,5 mil tiveram efeitos adversos, o que representa 0,042% do total. Dentre quem registrou efeito adverso, 95% recebera vacinas não liberadas para a faixa etária, o que é considerado erro de aplicação.

Dos cerca de 3,53 milhões de adolescentes vacinados no Brasil, 3,51 milhões receberam Pfizer, mas 15,6 mil receberam CoronaVac, 10,3 mil receberam AstraZeneca e 806, Janssen. No Rio Grande do Sul, ainda de acordo com a pasta, 57,9 mil adolescentes receberam Pfizer, porém 914 receberam CoronaVac, 838 AstraZeneca e 26, Janssen.

Queiroga ainda citou que uma pessoa morreu após receber uma dose da Pfizer - não está provada relação entre os fatos. Em nota, a farmacêutica destaca que “até o momento, não foi estabelecida relação causal entre o ocorrido e o imunizante da Pfizer”.

O Ministério da Saúde afirmou na nota que a média é de 16 casos de miocardite (inflamação em músculos cardíacos) a cada 1.000.000 de pessoas que recebem duas doses. O risco, considerado baixo, foi levado em conta na liberação de uso da Pfizer em países como Estados Unidos, Israel, Canadá, França, Chile e Itália.

Os estudos mostram que a Pfizer é segura para adolescentes e os raríssimos efeitos adversos não inviabilizaram a aprovação do imunizante pela Anvisa e pelas agências reguladoras dos Estados Unidos e da Europa, destaca o médico Antonio Carlos Bandeira, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

— É um equívoco neste momento propor a suspensão. Essa nota não tem nada técnico, não atende às necessidades que o país encara de continuar expandindo a vacinação até os 12 anos para não ter terceira onda. Ela precisa ser imediatamente revista. É um absurdo. Cada vacina pode ter um efeito colateral, mas muito raro — afirma o médico.

A decisão é um erro na visão da imunologista Cristina Bonorino, integrante do Comitê de Acompanhamento de Efeitos Adversos do governo do Rio Grande do Sul e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Ela entende que, se prefeituras aplicaram em adolescentes AstraZeneca, CoronaVac e Janssen, o que não está autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a solução é acompanhá-los e orientar postos de saúde a tomar cuidado a partir de agora, e não suspender a aplicação da Pfizer em todos os jovens sem comorbidades.

— Os erros vacinais que o Ministério apontou não são razão para suspender a vacinação, e sim para aumentar campanha de esclarecimento. O evento adverso relatado não tem evidência de que esteja ligado à Pfizer. O ministro disse que há eventos adversos de pessoas que receberam a vacina errada, não falou de efeitos confirmados na vacina da Pfizer em adolescentes. Não tem razão para suspender a vacinação — diz a imunologista.

A situação parece lembrar a suspensão de uso da AstraZeneca em grávidas, porém há uma diferença: naquele caso, a Anvisa recomendou a suspensão de uso nas gestantes, enquanto que, hoje, a agência mantém a recomendação de uso da Pfizer em adolescentes.

— Eventos de miocardite são algo muito pequeno. Isso dá uma dimensão de que a vacina baseada em RNA mensageiro seja relativamente segura — afirma o médico Eduardo Sprinz, chefe da Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Sprinz acrescenta que, a despeito de o Ministério da Saúde citar que a Organização Mundial da Saúde (OMS) é contra a vacinação de adolescentes, na verdade a entidade diz que eles não devem ser priorizados antes de países pobres aplicarem doses em adultos - o objetivo é incentivar a doação de imunizantes por nações mais ricas.

A médica Raquel Stucchi, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, destaca que a Pfizer já foi aplicada em milhões de adolescentes ao redor do mundo e que não há relatos de que efeitos adversos graves sejam comuns.

Se o Brasil vacinou 3,53 milhões de adolescentes, os Estados Unidos já aplicaram a primeira dose em 14 milhões de jovens e a segunda dose em 11,1 milhões, segundo dados do Centro de Controle e Prevenção a Doenças (CDC).

— Não existe risco zero e vacina isenta de toda e qualquer reação, mas a frequência é muito menor do que o risco de adolescentes terem covid grave e serem internados. Se o evento adverso grave infelizmente aconteceu, mas os casos graves e a mortalidade são maiores, manter a vacinação é justificável. Essa nota técnica cria um cenário muito favorável para desinformação e desconfiança, tudo que a gente não precisa neste momento — diz a médica infectologista.”

15/09/2021 –  GHZ

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/09/quem-ja-pode-tomar-qual-vacina-sera-aplicada-e-mais-confira-perguntas-e-respostas-sobre-a-dose-de-reforco-contra-a-covid-19-cktm7hetm00cl0193sxzisjch.html

Quem já pode tomar, qual vacina será aplicada e mais: confira perguntas e respostas sobre a dose de reforço contra a covid-19

Na Capital, aplicação da terceira dose em idosos com 70 anos ou mais começou nesta quarta-feira

A segunda semana de setembro trouxe grandes novidades na campanha de vacinação contra a covid-19 no Brasil: idosos com 70 anos ou mais começam a receber a terceira dose, imunossuprimidos estão aptos para o reforço, adolescentes sem comorbidades ganham a primeira aplicação e certos municípios reduzem o intervalo entre as doses da Pfizer,  como no caso de Porto Alegre. Veja perguntas e respostas sobre as mudanças com o avanço da vacinação pelo país:

Quem pode tomar a terceira dose?

Todo idoso acima dos 70 anos que recebeu a segunda dose há mais de seis meses e imunossuprimido que recebeu  segunda dose há pelo menos 28 dias, independentemente do imunizante usado - seja CoronaVac, AstraZeneca, Pfizer ou Janssen. Para isso, é preciso olhar para a data da carteira de vacinação, uma vez que, a cada dia que passa, potencialmente novas pessoas estão aptas. No Rio Grande do Sul, a terceira dose já vinha sendo aplicada em idosos com 60 anos ou mais que vivem em asilos.

Quem são os imunossuprimidos?

Pessoas com problemas no sistema imunológico por uma doença específica ou porque usam remédio contra alguma doença e cujo efeito colateral é reduzir as defesas do organismo. No Rio Grande do Sul, o grupo representa cerca de 49 mil pessoas, conforme Tani Ranieri, diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde.

Segundo o Ministério da Saúde, entram no grupo: 

  •  Pessoas que realizam quimioterapia para câncer.
  • Transplantados de órgão sólido ou de células tronco hematopoiéticas (TCTH) em uso de drogas imunossupressoras.
  • Pessoas vivendo com HIV/Aids com CD4 <200 céls/mm3.
  • Uso de corticoides em doses =20 mg/dia de prednisona, ou equivalente, por =14 dias.
  • Uso de algumas drogas modificadoras da resposta imune.
  • Pacientes em hemodiálise.
  • Pacientes com doenças imunomediadas inflamatórias crônicas (reumatológicas, autoinflamatórias, doenças intestinais inflamatórias).

A vacinação de imunossuprimidos está liberada em Porto Alegre?

Imunossuprimidos podem receber a dose de reforço a partir desta quinta-feira (16).

Qual vacina será aplicada na terceira dose?

O Ministério da Saúde orienta que a terceira dose seja com Pfizer. Caso não haja no estoque, é possível aplicar a AstraZeneca. Em São Paulo, o governo decidiu que poderá ser usada a terceira dose da CoronaVac, ao contrário do estabelecido pelo governo federal.

Quais os critérios para as cidades aplicarem a terceira dose na população?

Segundo Tani Ranieri, da Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul (SES-RS), o Estado já enviou doses o suficiente para todos os municípios começarem a aplicação de idosos com 70 anos ou mais. Os municípios, portanto, estão aptos a começarem em toda a faixa etária, como faz Porto Alegre.

Nem todos os municípios respeitam essa diretriz — em muitos casos, sob a justificativa de evitar aglomerações. Em Santa Maria e Alvorada, por exemplo, agora está liberada apenas a vacinação para pessoas com 85 anos ou mais.

É seguro tomar terceira dose de Pfizer se antes tomei CoronaVac? E se tomei AstraZeneca?

Especialistas na área de vacinação e infectologia entendem que sim. Há diversos estudos apontando que a medida, chamada de intercambialidade vacinal ou vacinação cruzada, oferece grande proteção com terceira dose de Pfizer e AstraZeneca. Não há estudos sobre o uso cruzado entre CoronaVac e Pfizer ou CoronaVac e AstraZeneca, mas analistas afirmam que, pela lógica de funcionamento das vacinas, a opção é segura e eficaz.

O médico Alessandro Pasqualotto, chefe da Infectologia do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), esclarece que, com base no funcionamento do sistema imune, não há por que pensar que a combinação faça mal. 

– A terceira dose confere proteção adicional às pessoas mais vulneráveis para não adoecerem de forma grave. Considerando a segurança da vacina da Pfizer e da CoronaVac, não há por que supor que é arriscado tomar outra dose. A aplicação cruzada estimula o sistema imune de formas variadas para o organismo se proteger melhor – diz Pasqualotto.

O médico Alexandre Zavascki, infectologista no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e chefe da Infectologia do Hospital Moinhos de Vento, explica que o sistema imunológico não vai “entrar em pane” com o uso de doses cruzadas.

– Não temos é ensaio clínico mostrando que a eficácia da terceira dose trocada é superior. Mas sabemos que isso eleva a quantidade de anticorpos neutralizantes e sabemos que há correlação entre a quantidade de anticorpos neutralizantes e o efeito protetor da vacina. Esse é o raciocínio – afirma o infectologista.

O médico Fabiano Ramos, chefe da Infectologia do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), esclarece que a CoronaVac é uma vacina com tecnologia extremamente segura e que estudos e vida real mostram que Pfizer e AstraZeneca também não oferecem riscos.

– A reação esperada é para o uso da vacina específica, não da intercambialidade – resume.

Como será o calendário em Porto Alegre?

Desde esta quarta-feira (15), todos os idosos com 70 anos ou mais que tomaram a segunda dose há seis meses (em 11 de março) podem fazer a terceira dose. Imunossuprimidos que tomaram a segunda dose há 28 dias podem buscar os pontos de vacinação a partir de quinta-feira (16).

A partir de quinta-feira (16), a vacinação também está liberada para adolescentes sem comorbidades com 15 anos ou mais. Segundo o vice-prefeito da capital, Ricardo Gomes (MDB), a faixa etária poderá cair para adolescentes de 12 anos na sexta-feira (17).

Para dialogar com sommeliers de vacinas que ainda não se vacinaram, o vice-prefeito ainda acrescentou que a cidade tem estoque para aplicar a primeira dose da Pfizer:

– Todas as vacinas funcionam, todas são boas. Mas se eventualmente alguém não se vacinou ainda por ter identificado que havia imunizante de outras farmacêuticas, agora comunicamos que temos estoque de vacina da Pfizer. Queremos ampliar ao máximo a vacinação – disse Ricardo Gomes.

Haverá aplicação de terceira dose em casa para idosos com saúde debilitada na Capital? Quando?

Sim, será possível agendar a terceira dose de idosos acamados, mas é preciso aguardar as equipes da prefeitura terminarem a aplicação em idosos que vivem em asilos, o que deve ocorrer na semana que vem, segundo a Secretaria Municipal da Saúde. Detalhes serão divulgados pela prefeitura nos próximos dias.

Quais deverão ser os próximos grupos prioritários?

Não há, ainda, comunicação oficial do governo federal sobre quais serão os próximos grupos prioritários. O ministro da saúde, Marcelo Queiroga, encomendou pesquisa para averiguar se há aumento de hospitalizações e mortes de profissionais da saúde a fim de avaliar a possibilidade de terceira dose no grupo. Em outra frente, o Estado de São Paulo decidiu, por conta própria, aplicar a terceira dose em idosos de 60 a 69 anos.

O governo do Rio Grande do Sul segue instruções do Ministério da Saúde para avançar em outros grupos, mas tem a expectativa de incluir, a seguir, idosos entre 60 e 69 anos, cogita Tani Ranieri, do Centro Estadual de Vigilância em Saúde.

— A gente já iniciou a vacinação de 60 anos em idosos ILPIs (Instituições de Longa Permanência, ou asilos) sem estar pactuado pelo Ministério da Saúde porque havia surtos. Acredito que mais adiante o Ministério incluirá idosos com 60 anos ou mais porque a partir dessa idade temos evidência de maior mortalidade. Já profissionais da saúde não são, com os dados do momento, grupo com maior risco. Se forem, eu diria que precisam ser os da linha de frente — diz Tani, reforçando que qualquer avanço depende de envio de novas doses pelo Ministério da Saúde.

O Conselho de Secretários Municipais do Rio Grande do Sul (Cosems-RS) afirma que é favorável à inclusão de profissionais da saúde, mas que aguarda autorização do Ministério da Saúde, explicou o presidente da entidade e secretário da Saúde de Canoas, Maicon Lemos.

Afinal, qual o intervalo para a segunda dose da AstraZeneca e da Pfizer?

O Ministério da Saúde anunciou na noite desta quarta-feira (15) que mantém a recomendação do intervalo de 12 semanas para aplicação da segunda dose da vacina AstraZeneca, abandonando a possibilidade de oito semanas, anunciada pelo ministro Marcelo Queiroga.

Atualmente, vigora no Rio Grande do Sul a orientação para que o prazo entre as aplicações de ambos os imunizantes seja de 10 a 12 semanas, conforme resolução, datada de 16 de julho, da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), que reúne a Secretaria Estadual da Saúde (SES) e secretarias municipais. 

Em Porto Alegre, o intervalo da AstraZeneca se mantém em 10 semanas, mas a prefeitura liberou por conta própria, na terça-feira (14), a redução do intervalo apenas da Pfizer porque possui doses em estoque. O intervalo passa a ser de oito semanas. A Capital gaúcha aguarda envio de novas remessas de AstraZeneca para tomar a mesma decisão.

Haverá vacinas suficientes com todas as mudanças?

O Ministério da Saúde afirma que sim, tendo em vista o anúncio de repasse de doses dos laboratórios farmacêuticos, mas gestores locais afirmam que ainda não.

Com as doses recebidas até agora, é possível aplicar a terceira dose em idosos de até 70 anos que receberam duas doses ou dose única da Janssen até seis meses atrás, além de imunossuprimidos que completaram o esquema até 28 dias atrás, esclarece o presidente do Conselho dos Secretários Municipais do Rio Grande do Sul (Cosems-RS).

O estoque não permite reduzir o intervalo da Pfizer e da AstraZenca, o que explica a medida não ter sido impelementada no Estado ainda, afirma Tani Ranieri, do Centro Estadual de Vigilância em Saúde. A alteração ocorrerá quando o governo gaúcho receber novas remessas do Ministério da Saúde.

A Secretaria Municipal da Saúde da Capital informa, por meio de sua assessoria de imprensa, que Porto Alegre apenas anuncia o avanço na vacinação quando há doses em estoque - uma forma de evitar problemas por atraso no repasse de laboratórios. Portanto, as medidas anunciadas para a cidade, como a vacinação de adolescentes, a terceira dose em idosos e a redução de intervalo da Pfizer foram tomadas com base no estoque.

13/09/2021 –  Conexão GloboNews 

Link: https://g1.globo.com/globonews/estudio-i/video/estamos-desde-o-inicio-com-falta-de-coordenacao-nacional-diz-especialista-sobre-antecipacao-da-2a-dose-diante-da-falta-de-vacinas-9854379.ghtml

‘Estamos desde o início com falta de coordenação nacional’, diz especialista sobre antecipação da 2ª dose diante da falta de vacinas


A médica imunologista e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Cristina Bonorino, comenta a antecipação da segunda dose de vacinas contra a Covid diante da falta de imunizantes pelo Brasil.

13/09/2021 –  GHZ

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/09/saiba-quais-sao-os-cuidados-mais-eficazes-contra-a-covid-19-um-ano-e-meio-apos-o-inicio-da-pandemia-cktj3zonu004q0193lrrybzwx.html

Saiba quais são os cuidados mais eficazes contra a covid-19, um ano e meio após o início da pandemia

Desde o começo da crise sanitária, ciência já comprovou que a principalmente forma de transmissão do coronavírus é pelo ar, e não pelo contato com superfícies infectadas

Depois de um ano e meio desvendando o coronavírus, a comunidade científica já acumula descobertas que permitem estabelecer diferenças de efetividade entre os cuidados preventivos que eram recomendados no início da crise sanitária e no momento atual.

A grande novidade entre os dois extremos temporais é campanha de vacinação — o que não habilita as pessoas a dispensarem os cuidados não farmacológicos, mesmo com o esquema vacinal completo (duas doses ou dose única, conforme o laboratório fabricante).

Em termos gerais, seguem válidas as mesmas recomendações, com mais atenção a determinados aspectos. A constatação de que a transmissão do coronavírus se dá muito mais pelo ar do que pelo contato com superfícies contaminadas ressalta quão fundamentais são o uso correto de máscara, a ventilação de ambientes e o distanciamento entre pessoas, mas não inutiliza o uso de álcool gel — que virou um quase sinônimo de protocolo inútil em memes que circulam pelas redes sociais. 

Melissa Markoski, bióloga, doutora em Biologia Celular e Molecular e professora de Biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), lembra que, no começo de 2020, acreditava-se que o sars-cov-2 agisse de forma muito semelhante ao H1N1, vírus causador da gripe e que também provocou uma pandemia. A onipresença dos frascos de álcool gel em locais públicos é, em parte, herança do aprendizado daquela época, mais de uma década atrás. A substância diminui a transmissão de agentes biológicos e ajuda no controle de infecção, prática fundamental em hospitais, por exemplo.

— Mas o coronavírus persiste muito mais em suspensão, com os aerossóis. Também se deposita em superfícies, mas o mais perigoso é o ar. Os vírus das gotículas em suspensão têm maior facilidade de penetrar nos nossos tecidos, conseguem chegar aos pulmões e à corrente sanguínea. A penetrância é maior — explica Melissa, também membro da Rede Análise Covid-19.

Há locais onde a limpeza das superfícies continua sendo fundamental. Em um restaurante, por exemplo, em que os ocupantes de uma mesa tiram as máscaras para ingerir alimentos e bebidas, além de conversar, é necessário limpar a área antes que os próximos clientes se acomodem. 

— Se alguém está contaminado ali, deposita muitas gotículas contaminadas — detalha Melissa, lembrando de um alerta do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), a agência nacional de saúde pública dos Estados Unidos. — No início do ano, o CDC publicou uma nota atentando para os aerossóis sem desmerecer os protocolos de limpeza de superfície — acrescenta. 

Lavar as mãos após tocar em corrimãos, maçanetas, assentos de transporte coletivo e outros pontos onde há grande circulação de pessoas continua sendo uma medida válida. “Dar banho” nas compras do supermercado, por outro lado, deixou de ser tarefa imprescindível, como pontua a médica infectologista Andréa Dal Bó, membro da Sociedade Rio-Grandense de Infectologia.

— Não existe mais algo que corrobore esse tipo de medida. O vírus se inviabiliza (nessas superfícies). Do ponto de vista sanitário, se as pessoas quiserem manter essa medida, é saudável, pensando em bactérias que possam estar levando para casa — afirma Andréa, destacando que deixar os sapatos do lado de fora da casa, antes de entrar, também é um bom hábito de higiene. 

Apesar da repetição exaustiva por parte de médicos e especialistas sérios e autoridades sanitárias, Andréa reforça um lembrete importante: 

— Não existe ainda nenhuma medicação preventiva para a covid-19. Nem vitaminas, nem zinco, nem cloroquina, nem ivermectina. 

Confira, a seguir, o detalhamento de quatro pontos essenciais para a prevenção da infecção pelo coronavírus, lembrando que tomar a vacina respeitando os intervalos em vigor entre as doses é o cuidado número um.

ALÉM DA VACINAÇÃO, O QUE FAZER PARA EVITAR A COVID-19

USO DE MÁSCARA

- Máscaras do tipo PFF2 ou N95: são as que mais protegem. Têm múltiplas camadas, poros menores e clipe nasal para melhor vedação. Os elásticos, presos atrás da cabeça e do pescoço, podem ser adequados para que o acessório cubra o nariz e a boca da melhor forma possível. Faça um teste depois de colocá-la: inspire e solte o ar para observar se há escapes. A médica infectologista Andréa Dal Bó indica que cada máscara pode ser usada por um turno único de 12 horas ou três turnos de quatro horas — depois, precisa ser descartada. Entre uma e outra utilização, acondicione-a em uma embalagem plástica ou de papel, deixando os elásticos para fora. Há especialistas que indicam um revezamento entre máscaras, respeitando-se um intervalo de alguns dias entre cada uso. 

— Máscara cirúrgica: com camada tripla e clipe sobre o nariz, é a segunda melhor indicação, conforme a bióloga Melissa Markoski. Andréa recomenda que, se necessário (no caso de o acessório ser muito grande e ficar frouxo), faça-se um nó nos elásticos perto do tecido — a sobra do tecido deve ser colocada para dentro do acessório — e não atrás das orelhas. 

— Máscara de tecido: deve ter três camadas (uma de poliéster entre duas de algodão) e pregas laterais, para dar maior amplitude. Também precisa ficar bem ajustada ao rosto, sem folgas ou áreas de escape. 

—Combinação de duas máscaras: a infectologista Andréa salienta que a máscara de tecido colocada por cima da máscara cirúrgica oferece proteção quase equivalente à da máscara profissional.

— É fundamental não ficar tocando na máscara, o que a deixa suja e contaminada. Quando tiver que manipulá-la, higienize as mãos antes e depois. 

— Tenha sempre em mente que a máscara só cumprirá o papel protetor tendo boa vedação permanentemente. Não adianta adquirir um estoque de máscaras PFF2 e não usá-las com plena vedação no rosto. 

DISTANCIAMENTO E VENTILAÇÃO DE AMBIENTES

— Quanto melhor a qualidade da máscara, mais segura a pessoa estará ao conversar com alguém a 1,5 metro de distância, frisa Melissa Markoski. As gotículas expelidas serão contidas por essa barreira, e o que eventualmente escapar de aerossóis se dispersará antes de atingir o interlocutor. Quanto mais simples e menos eficiente o tipo de máscara, maior deverá ser o distanciamento e a ventilação do ambiente. 

— O conceito de aglomeração pode dar a ideia de dezenas de indivíduos concentrados, mas um jantar que reúne dois ou três casais de amigos dentro de casa já pode configurar uma situação de grande risco. Melissa alerta para a importância do comportamento habitual de cada um: a pessoa com quem você vai se encontrar tem circulado sem restrições por diversos ambientes? Costuma frequentar restaurantes? São fatores que precisam ser considerados no momento de cogitar se encontrar com quem não mora na mesma casa. 

— Andréa destaca que encontros de familiares e amigos não devem acontecer, mas, se ocorrerem, precisam ser ao ar livre ou em locais muito bem arejados. Evite almoços e jantares sem o distanciamento adequado. Pessoas que comem próximas umas das outras em locais abertos também se expõem ao risco de infecção. Membros de uma mesma família, que residem juntos, podem se alimentar perto uns dos outros. 

— Abrir uma janela da sala, simplesmente, não torna o ambiente bem ventilado. É preciso ter fluxo de ar para uma renovação rápida. Abrir a janela que fica diante de uma porta, por exemplo, aumenta essa velocidade de circulação, mas essa renovação de ar ainda pode levar até 30 minutos, avisa Melissa

— Aparelhos de ar-condicionado domésticos não proporcionam renovação de ar, apenas recirculação — ou seja, o mesmo ar viciado é jogado de dentro do equipamento para fora, ininterruptamente. Se apenas coabitantes estiverem na casa, sem problemas. Mas, quando se reunirem pessoas que não moram juntas, é preciso manter uma janela aberta. 

— Ventilação em veículos de transporte público também é essencial. Peça ao motorista de táxi ou de aplicativo para abrir janelas opostas. Em ônibus e lotações, o ideal também é manter janelas abertas. 

— Em escritórios onde há refeitório, copa ou cozinha para alimentação dos funcionários, deve-se estabelecer escalas para a utilização desses espaços. O fato de dois colegas trabalharem juntos diariamente não os torna seguros um para o outro. A máscara deve ser retirada somente no momento da ingestão de alimentos, o que deve ser feito distante dos demais. Ao comer, liberamos gotículas ao redor, e quem estiver infectado estará colocando os demais em risco. 

— Uma reunião em que todos tiram as máscaras para tomar cafezinho já pode ser considerada uma aglomeração. Evite comer ou beber no ambiente de trabalho se não for estritamente necessário, buscando sempre lugares mais afastados dos demais colegas. 

HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS

— A transmissão do coronavírus é menor por contato, mas acontece. Por isso, profissionais de saúde continuam vestindo aventais e luvas ao lidar com pacientes infectados.

— Mantenha as mãos limpas pelo maior período possível de tempo, lavando-as com água e sabonete ou aplicando álcool em gel, esfregando bem as palmas, o dorso e entre os dedos. Sem perceber, tocamos o rosto com frequência, o que pode comprometer a eficácia da máscara ou contaminar boca, nariz e olhos diretamente. Quanto mais limpas as mãos estiverem, menor o risco de contaminação, diz Melissa.

— Continua valendo a orientação de higienizar as mãos após tocar em maçanetas e corrimãos ou outros pontos onde várias pessoas encostam. 

10/09/2021 –  Estadão – Estado de Arte

Link: https://estadodaarte.estadao.com.br/a-peste-camus-desastres-rdl/

Nossos desastres e nosso arquidesastre

Por Rodrigo de Lemos

Rodrigo de Lemos é doutor em Literatura pela UFRGS-RS e professor de Língua e Cultura Francesa na UFCSPA-RS. Escreve sobre Cinema e Literatura no Estado da Arte.

Enquanto o Mundo se Desfaz, livro de Rodrigo de Lemos — colaborador do Estado da Arte — é um ensaio sobre ler ‘A Peste’, de Albert Camus, em tempos de quarentena. Pela editora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, trata-se de uma alentada reflexão sobre a mensagem de Camus e La peste no mundo de hoje.

No Estado da Arte, além do link para download gratuito, o leitor encontra ‘Nossos desastres e nosso arquidesastre’ — trecho do livro que serve de paradigma para compreensão do ensaio camuseano e para um contato com a erudição e a elegância da prosa de Rodrigo.

Nossos desastres e nosso arquidesastre

O ensaio camusiano está muito longe de se regozijar na visão do mundo angélico ao fim das Reflexões sérias, de Defoe. Longe disso, está precisamente na ausência do divino — questão ainda mais candente do que a da possibilidade da sua mera inexistência — o problema comum a O mito de Sísifo e a O homem revoltado. Ademais, a constatação dessa ausência oferece um fio unificador dessa escrita de ideias com a alegoria de A peste, em especial nas dimensões histórica e moral.

Ambos os ensaios, separados por quase dez anos, articulam uma dialética entre o absurdo (cuja personificação é Sísifo) e a revolta (anunciada desde o título do segundo livro e encarnada no mito de Prometeu). São tantas maneiras distintas de evocar o que poderíamos chamar de nosso arquidesastre, subjacente aos nossos momentos de aparente normalidade e aos nossos desastres específicos, o qual descrevemos em seguida.

Permitimo-nos esta digressão a fim de expor como a perspectiva do arquidesastre pode afinar nossas concepções sobre a própria concepção de desastre (e da qual a peste em Orã é apenas uma ocorrência entre tantas, embora significativa). Ela opera uma importante inversão no modo de ver. Isso porque essa ideia do desastre, sempre ideia de um desastre, é primeira a surgir em nossa consciência quanto à do arquidesastre, antecedendo-a enquanto fenômeno e empiria; entretanto, na visão que doravante propomos, ela seria, na verdade, uma realidade secundária e ontologicamente dependente do arquidesastre, esse sim nossa condição primeva. Explica-se: o pensamento que só reconhece o desastre (ou desastres) pode inclinar-se a imaginar a errância do homem no mundo como uma caminhada de duração indefinida, tendo ele os pés solidamente firmes numa gigantesca planície terrosa, em aparência sem limites; um dia, sem que ele espere, um buraco, contingente e imprevisível — um desastre: peste em Orã, guerra, câncer, desamor, suicídio —, traga seus passos e interrompe a marcha; não fosse esse buraco, assim vai sua crença, ela poderia prosseguir continuamente.

Ora, a metáfora de nós mesmos e do que somos sofre importantes modificações ao seguirmos a picada aberta pelo pensamento do arquidesastre. Nela, somos patinadores condenados a deslizar sem trégua num infinito lago de gelo fino; sabemos que, em algum momento (agora, no próximo instante, em dois dias, em cinco anos), pela própria situação das coisas no tempo, o gelo vai romper; vão assomar (ou nos sorver) as potências selvagens e destrutivas do arquidesastre que esperam sob nossos pés, jazendo abaixo do branco liso em que patinamos, tranquilos; estamos conscientes de que o momento em que o buraco no gelo se alargar e em que o desastre se proclamar (ou um desastre: peste, guerra, câncer, desamor, suicídio) nada mais será do que a manifestação empírica e necessária do que estava dado a acontecer, sendo variável apenas o ponto em que o gelo quebraria, se hoje ou amanhã, bem como a forma específica e individual do desastre com que o arquidesastre nos absorveria em suas águas gélidas. E, no entanto, patinamos mais cem, mais duzentos metros, sabendo-nos aleatoriamente poupados; conseguimos terminar mais um parágrafo, concluir uma conversa ou um filme ou uma canção, aliviados, sem que o telefone toque com péssimas notícias, nem que caiamos da atmosfera, onde respiramos despreocupados, até as águas turvas, asfixiantes e enregelantes que jazem lá embaixo, embora nem sempre possamos vê-las. Daí esse sentimento, podemos supor, que assombra Rieux, de que não é dado a homem algum viver plenamente livre enquanto existirem os flagelos. Mas como patinamos sobre eles…

É bem verdade, não haveria, no pensamento do arquidesastre, nada nem ninguém a quem ser grato pelo adiamento momentâneo do nosso desastre pessoal e intransferível; mesmo assim, nossa inconsciência quanto a cada um dos pontos de gelo fino do imenso lago, e também nossa certeza de que toparemos forçosamente com alguma dessas zonas de desastre, ao menos permitem que sigamos na nossa patinação irresponsável e irrefletida, sem nos atirarmos de propósito no primeiro buraco aberto no gelo, por medo de podermos, um dia, ser sugados por ele; até mesmo podemos, em certos momentos, distraídos, apreciar a paisagem de pássaros e de montanhas ao nosso redor. Imbuídos do pensamento do arquidesastre, ao menos, somos capazes de pouparmo-nos ao ressentimento cósmico daquele que acredita na solidez dos seus passos sobre a terra e que, de súbito, vê-se confrontado à sua própria queda em algum buraco fatal. É que a consciência do arquidesastre inscreve na angústia a extensão inteira de uma vida que nela transcorre; talvez valha a pena esperar, em compensação, que ao menos possa poupar-nos a alguns dissabores humilhantes, posto que são fundados em expectativas fantasiosas quanto ao que é um homem e quanto ao solo em que pisa.

09/09/2021 – Porto Alegre 24 horas

Link: https://poa24horas.com.br/noticias/2021/09/covid-19-capital-faz-361-orientacoes-e-consultas-a-distancia-em-agosto/

“COVID-19: CAPITAL FAZ 361 ORIENTAÇÕES E CONSULTAS À DISTÂNCIA EM AGOSTO

Serviço é gratuito, exclusivo para moradores da Capital e está disponível de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h

Foram realizadas 271 orientações e 90 consultas por telemedicina, em agosto, para pessoas com sintomas de Covid-19 na plataforma Conexão Santa Casa. Com início em maio, a iniciativa resulta de parceria entre a prefeitura, a Santa Casa de Misericórdia e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

O serviço é gratuito e exclusivo para moradores da Capital. Está disponível de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, com acesso no site Conexão Santa Casa, ferramenta de telemedicina desenvolvida pela instituição. Após o cadastro, a pessoa passa primeiro pela orientação, em formato de videoconferência, quando obtém informações gerais da doença.

A etapa seguinte é a teleconsulta, feita por médicos, também por videoconferência. No atendimento, são avaliadas as queixas e sintomas e feita avaliação. Com o diagnóstico, é estabelecido o encaminhamento médico e, se for o caso, a solicitação de exames.

O atendimento é realizado por médicos e acadêmicos da UFCSPA e da Santa Casa, com equipes multidisciplinares. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) disponibiliza suporte da Vigilância em Saúde e acesso ao sistema de gerenciamento de consultas (Gercon), que possibilita, quando necessário, a emissão de autorizações para exames em laboratórios credenciados. O custo dos exames é coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O quê: orientações e consultas por telemedicina a pessoas com sintomas de Covid-19

Quando: de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h

Onde: acesso no site Conexão Santa Casa

O atendimento é gratuito e exclusivo para moradores de Porto Alegre.”

09/09/2021 – O Sul

Link:https://www.osul.com.br/prefeitura-de-porto-alegre-realiza-271-orientacoes-sobre-o-coronavirus-e-90-consultas-por-telemedicina-em-agosto/

"Prefeitura de Porto Alegre realiza 271 orientações sobre o coronavírus e 90 consultas por telemedicina em agosto

Em agosto, foram realizadas 271 orientações e 90 consultas por telemedicina para pessoas com sintomas de Covid-19 na plataforma Conexão Santa Casa, em Porto Alegre. A iniciativa, que começou em maio, resulta de uma parceria entre a prefeitura, a Santa Casa de Misericórdia e a UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre).

O serviço é gratuito e exclusivo para moradores da Capital. Ele está disponível de segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 20h, com acesso pelo site Conexão Santa Casa, ferramenta de telemedicina desenvolvida pela instituição. Após o cadastro, a pessoa passa primeiro pela orientação, em formato de videoconferência, quando obtém informações gerais da doença.

A etapa seguinte é a teleconsulta, feita por médicos, também por videoconferência. No atendimento, são avaliadas as queixas e sintomas. Com o diagnóstico, é estabelecido o encaminhamento médico e, se for o caso, a solicitação de exames.

O atendimento é realizado por médicos e acadêmicos da UFCSPA e da Santa Casa, com equipes multidisciplinares. A Secretaria Municipal da Saúde disponibiliza, quando necessário, a emissão de autorizações para exames em laboratórios credenciados. O custo dos exames é coberto pelo SUS (Sistema Único de Saúde)."

03/09/2021 – Zero Hora

Impresso

Alerta para manter consultas e exames

Desde o início da pandemia, especialistas alertam para a necessidade de os pacientes manterem consultas e exames, já que, caso contrário, há o risco de doenças, como o câncer, avançarem. O médico Rafael Vargas, oncologista da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor do curso de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), relata que esta já é a sensação percebida nos atendimentos:

– Não existem dados, mas há uma sensação, uma impressão geral de que os pacientes estão chegando em maior número e com uma apresentação (de câncer) mais avançada. Quanto mais o paciente esperar, pior pode ser o prognóstico. Ele pode estar com uma doença “curável”, mas, se esperar muito, a situação pode mudar. No câncer, o tempo é fundamental porque impacta na mortalidade e na qualidade de vida – alerta.

Conforme o especialista, há uma demanda reprimida grande em relação a consultas oncológicas, o que exige uma organização das filas por prioridade. Vargas também avalia que os hospitais precisarão de investimento:

– Talvez a gente vá precisar de mais recursos financeiros, humanos e de estrutura, porque senão o tempo para iniciar os tratamentos será muito grande. Existem outras doenças que precisam ser atendidas também, além do câncer. Os processos de diagnósticos e solicitação de exames terão que ter mais eficiência.

03/09/2021 – GHZ

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/09/por-que-o-rs-vai-liberar-pistas-de-danca-em-festas-fechadas-mas-nao-em-boates-e-shows-ckt4z5qw70099013br4b3tl0u.html

“Por que o RS vai liberar pistas de dança em festas fechadas, mas não em boates e shows?

Na visão do Executivo, comemorações para família e amigos permitem menos risco do que outros eventos.

O anúncio do Palácio Piratini de liberação de pistas de dança para festas infantis, eventos sociais (casamentos, baile de debutante, formatura etc) e eventos de entretenimento a partir de 1º de outubro animou o setor e gaúchos na expectativa de celebrar conquistas e datas afetivas. O informe, no entanto, deixou boates decepcionadas por ficarem de fora.

A liberação, a ser concretizada caso a epidemia mantenha a melhora ao longo de setembro, prevê pistas de dança com limite de 150 pessoas para eventos sociais fechados, focados em amigos e familiares – caso de encontro em clube, salão ou casa de festa. Se decidida e autorizada pelas associações regionais de municípios, a ocupação poderá chegar até 350 convidados. Máscaras serão obrigatórias.

Casas noturnas e de shows, entretanto, ficaram de fora do anúncio. Os estabelecimentos, liberados em maio, se reinventaram para funcionar como bares ou restaurantes. Representante das casas noturnas do Rio Grande do Sul, Marcos Paulo Magalhães diz que o setor não compreendeu por que ficou de fora.

— Não entendemos essa segregação. Não faz sentido liberar evento social, onde há pessoas da população de risco, e não casa noturna, onde a faixa etária de idade tem risco muito menor de ter complicação do vírus. Nosso setor está destruído, há 530 dias parado. Passou do aceitável. Abrimos caminho com avanço da vacinação e queda dos números da epidemia — afirma.

Magalhães diz que preocupações sobre uso de máscara são desnecessárias porque empresários farão cumprir os protocolos especificados no decreto, inclusive por interesse comercial.

— Quando a pessoa estiver em uma festa permitida, ela vai fazer vídeo. E o empresário não vai querer que vaze vídeo de todo mundo sem máscara. Dizer que pessoas podem não cumprir o decreto não é justificativa para deixar de emitir o decreto. Com Expointer para 15 mil pessoas, como a gente não pode permitir a abertura de casa noturna? — questiona.

A inclusão de boates e casas de show no decreto a ser lançado em 1º de outubro pode ocorrer e está em análise pelo Piratini, afirma Bruno Naundorf, coordenador do Grupo de Trabalho de Protocolos do governo do Estado.

Mas, de fato, na visão do Executivo, eventos sociais para família e amigos permitem menos risco do que festas com ingresso aberto, como boate ou show.

Dentre os argumentos citados, estão o pior controle do uso de máscara em casas noturnas e de show e o objetivo dos frequentadores destes espaços –mais afeitos, digamos, a trocar saliva.

— Esses eventos sociais, como festa de casamento ou festa de fim de ano, são pessoas da mesma família. É diferente de um lugar onde há pessoas de diversas localidades em que é mais difícil controlar o uso de máscara. Não queremos permitir reabertura e depois fechamentos. A ideia do Rio Grande do Sul é ter avanço gradual e seguro para a população. Mas estamos ainda em pandemia, não é vida normal ainda — afirma.

Comparação

O porta-voz do Estado acrescenta que não é possível comparar casas noturnas e de shows com a Expointer porque, no evento agrícola, o público ficará livre, será fiscalizado para o uso de máscara e terá outro foco.

— A Expointer não terá pessoas sem máscara. Se tiver, elas serão orientadas por monitores e, se não colocarem, podem ser convidadas a se retirar. Alimentação e bebida serão em lugar específico, e as pessoas irão para comprar máquinas agrícolas. A casa noturna não tem o mesmo público, com o mesmo objetivo e ingerindo o mesmo tipo de bebida. Não dá para comparar. Isso não significa que a casa noturna seja vilã, mas precisamos ter cuidados diferentes. Desde maio, casas noturnas podem funcionar — defende Naundorf.

O médico Alexandre Zavascki, chefe da Infectologia do Hospital Moinhos de Vento e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), diz que a diferença de risco entre festas íntimas e boates é pouca, uma vez que a covid-19 não é transmitida apenas pelo beijo, mas de forma aérea, e que em nenhum evento social as pessoas costumam manter a máscara.

 — Se tem uma pessoa infectada e o ambiente é fechado, o risco é tão grande em uma festinha de aniversário quanto em uma boate. A doença é transmissível pelo ar. Em uma festa de aniversário, as pessoas cantam, conversam e emitem partículas pelo ar. Boate é pior porque são locais extremamente fechados, têm música alta e as pessoas falam mais alto. Mas uma festa de aniversário com mais pessoas do que uma boate vai ter mais risco — diz.

Em boates e casas de shows, as pessoas podem ser mais propensas a beijarem desconhecidos, mas pistas de dança quebram o distanciamento social, afirma o médico Alessandro Pasqualotto, chefe da Infectologia da Santa Casa de Porto Alegre e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

— Cada convidado tem suas relações interpessoais e pode ter pegado o vírus, mas estar assintomático. Não faz muito sentido permitir festas fechadas, mas não festas abertas. Em um casamento, todos se abraçam, e com o som alto as pessoas falam alto e ao pé de ouvido. Ao mesmo tempo, as pessoas já vão a bares sem máscara... A abertura está sendo perigosamente excessiva — diz o infectologista.”

02/09/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/09/com-mais-de-7-mil-consultas-represadas-rs-planeja-zerar-fila-da-oncologia-em-seis-meses-ckt37y56m006v013b233haud3.html

Com mais de 7 mil consultas represadas, RS planeja zerar fila da oncologia em seis meses

Hospitais farão mutirões para recuperar atendimentos que não foram realizados por causa da pandemia

De olho nos reflexos causados pela pandemia em outros atendimentos, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) traçou uma meta para recuperar a oferta de serviços a pacientes com câncer. Em seis meses, o objetivo é zerar a fila de espera por primeira consulta em oncologia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Sul.

O assunto foi discutido em reunião na última terça-feira (31) que envolveu, além da SES, gestores hospitalares, entidades representativas do setor e Ministério Público Estadual.

Conforme o diretor do Departamento de Regulação Estadual, Eduardo Elsade, a estratégia definida é que os hospitais realizem mutirões de atendimentos. A SES já definiu o número de consultas que cada instituição precisa recuperar, oferecendo um percentual a mais em cada mês — número relativo ao que deixou de ser realizado por conta da pandemia. Em breve, eles organizarão a agenda e chamarão os pacientes.

— Estamos disparando hoje esses quantitativos para os hospitais e em breve eles já começam a colocar na agenda. Esta é uma proposta que a gente já queria colocar em prática no primeiro semestre deste ano, mas a pandemia nos atrapalhou, e os hospitais tiveram que destinar praticamente toda a sua capacidade de atendimento para a covid-19. Agora que acalmou, não dá para ficar sempre esperando a próxima variante, porque as outras doenças continuam — explica.

A proposta foi pensada juntamente a hospitais porque são essas instituições as habilitadas em alta complexidade para atender casos de oncologia. A partir da realização da primeira consulta, os pacientes são encaminhados para exames, procedimentos e, se necessário, cirurgias.

De março de 2020 a junho de 2021, hospitais do Rio Grande do Sul disponibilizaram 7.124 consultas de oncologia a menos em relação ao que deveria ter sido ofertado. Em Porto Alegre, são 3.667, e, no Interior, 3.457. São essas consultas represadas que serão recuperadas em mutirão.

Entre os motivos para o alto número de atendimentos não realizados estão a falta de capacidade dos hospitais nos meses de maior gravidade da pandemia e o receio de parte dos pacientes, que deixou de comparecer a instituições de saúde. Elsade pede que as pessoas que forem contatadas para o mutirão procurem não faltar às consultas:

— É importante que as pessoas não faltem às consultas agendadas porque a postergação do tratamento do câncer é trágica. Temos visto casos muito avançados chegando. Agora que estamos em uma situação melhor, queremos fazer o esforço de recuperar o que ficou para trás e atender todo mundo.

Presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Estado, Luciney Bohrer afirma que as instituições buscarão recuperar os atendimentos em oncologia dentro de cada realidade:

— A orientação é que, de acordo com as condições de cada hospital e região, as instituições consigam realizar os atendimentos oncológicos, dando prioridade para os mais graves. Nós temos várias realidades dentro do mesmo segmento. Temos hospitais operando com bom volume e hospitais começando a se organizar. Então os hospitais estão trabalhando para atender a pleno, mas cuidando a movimentação da variante Delta.

Alerta para manter consultas e exames

Desde o início da pandemia, especialistas alertam para a necessidade de os pacientes manterem consultas e exames, já que, caso contrário, há o risco de doenças, como o câncer, avançarem. O médico Rafael Vargas, oncologista da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor do curso de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), relata que esta já é a sensação percebida nos atendimentos:

— Não existem dados, mas há uma sensação, uma impressão geral de que os pacientes estão chegando em maior número e com uma apresentação (de câncer) mais avançada. Quanto mais o paciente esperar, pior pode ser o prognóstico. Ele pode estar com uma doença "curável", mas, se esperar muito, a situação pode mudar. No câncer, o tempo é fundamental porque impacta na mortalidade e na qualidade de vida — alerta.

Conforme o especialista, há uma demanda reprimida grande em relação a consultas oncológicas, o que exige uma organização das filas por prioridade. Vargas também acredita que os hospitais precisarão de investimento:

 — Talvez a gente vá precisar de mais recursos financeiros, humanos e de estrutura, porque senão o tempo para iniciar os tratamentos será muito grande. Existem outras doenças que precisam ser atendidas também, além do câncer. Os processos de diagnósticos e solicitação de exames terão que ter mais eficiência.

01/09/2021 – SBT Online – Projeto Comprova

Link: https://www.sbt.com.br/jornalismo/comprova/noticia/178726-enganoso-medico-americano-engana-ao-dizer-que-vacinas-enlouquecem-sistema-imunologico-e-agravam-covid-19

“ENGANOSO: Médico americano engana ao dizer que vacinas 'enlouquecem' sistema imunológico e agravam covid-19

Confira a verificação dos jornalistas integrantes do Projeto Comprova

ENGANOSO: O discurso do médico Dan Stock, propagado em publicação viral no Twitter, é enganoso ao associar vacinas ao aumento nos números de casos de covid-19 nos Estados Unidos. Ele sugere que os imunizantes provocam uma exacerbação da doença, mas não há evidências de que as vacinas estejam associadas ao fenômeno citado pelo médico. Stock também engana ao citar que máscaras são ineficazes para o controle da pandemia e ao recomendar um tratamento sem benefícios comprovados pela ciência. Em um compilado de documentos usados como evidências para sustentar sua afirmação, o médico lista estudos retratados, inconclusivos ou com conclusões que não corroboram com o seu discurso.

Conteúdo verificado: O vídeo mostra um discurso do médico americano Dan Stock em audiência a um conselho escolar, em Fortville, Indiana, nos Estados Unidos. Ele afirma que vacinas de covid confundem o sistema imunológico e fazem o organismo combater o vírus de uma maneira inadequada. O médico sugere que a vacinação pode provocar um fenômeno que exacerba a doença e associa os imunizantes ao recente aumento no número de infecções diárias no país. Stock ainda sugere que máscaras são inúteis para controlar a pandemia e que a vacina não oferece benefícios a pacientes recuperados da covid.

São enganosas as alegações do médico norte-americano Dan Stock de que vacinas de covid-19 confundem o sistema imunológico de pessoas imunizadas e as tornam suscetíveis a quadros mais severos da doença, em comparação com a infecção natural. Uma postagem que divulga o discurso do médico em audiência, na cidade de Fortville, Indiana, foi compartilhada mais de 10 mil vezes no Twitter. A plataforma adicionou um aviso ao conteúdo para alertar que o material é enganoso.

No vídeo, Stock cita um fenômeno conhecido, em inglês, como Antibody-Dependent Enhancement (ADE) que, segundo ele, agravaria casos de covid entre vacinados e poderia estar relacionado ao surto recente de casos da doença nos Estados Unidos. O país aplica os imunizantes da Pfizer/BioNtech (Comirnaty), Moderna e Janssen. Não há evidências, entretanto, que essa condição esteja associada com a doença, tampouco com as vacinas.

O médico ainda tira de contexto um estudo do Centro de Prevenção e Controle de Doenças Infecciosas (CDC) dos Estados Unidos que aponta a incidência de sintomas de covid em pessoas vacinadas em Barnstable, Massachusetts. O próprio estudo afirma que a pesquisa não deve sustentar conclusões sobre a efetividade das vacinas.

O vídeo também espalha desinformação ao sugerir que máscaras faciais são ineficazes para coibir a transmissão do novo coronavírus. As melhores evidências científicas indicam que a proteção é essencial para diminuir a exposição à doença. Por fim, Stock faz propaganda de um tratamento sem comprovação científica.

O Comprova considera enganosas as publicações cujos conteúdos confundem ou usam dados imprecisos, como faz Stock ao distorcer informações de estudos para atacar vacinas.

Como verificamos?

Para investigar o conteúdo, o Comprova apurou primeiramente a ocasião em que o discurso do médico foi gravado. A reportagem identificou que as alegações de Dan Stock ocorreram em 6 de agosto de 2021, durante uma audiência na Mount Vernon School Corporation, uma associação escolar que agrega instituições de ensino voltadas a crianças e adolescentes.

O passo seguinte foi investigar quem era o autor do discurso enganoso. O Comprova identificou que Dan Stock é um médico da família que diz praticar "medicina funcional". Trata-se de um modelo alternativo baseado em uma visão holística dos sistemas biológicos do corpo humano e na individualidade do paciente. Stock é proprietário de uma loja de suplementos.

Ao buscar pelo vídeo e o nome de Dan Stock no Google, o Comprova encontrou uma série de verificações de veículos estrangeiros (1, 2, 3, 4). Segundo uma verificação do site americano Politifact, o médico indicou por correio de voz que os documentos por ele apresentados aos diretores da associação escolar foram publicados em um blog conservador.

O Comprova analisou os 22 artigos listados no site e identificou estudos retratados por inconsistências técnicas, análises não científicas e até trabalhos que contradizem os próprios apontamentos do médico na audiência. Também consultamos o epidemiologista formado pela Universidade de São Paulo (USP) Julio Ponce, bem como a imunologista da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Cristina Bonorino para analisar as alegações de Stock na reunião.

A reportagem ainda recorreu a fontes documentais, como um editorial da revista Science que minimiza o risco de ADE em vacinas de covid, orientações do CDC e da Organização Mundial da Saúde (OMS) acerca de vacinas, bem como o painel de evidências de tratamentos para covid-19 dos Institutos Nacionais de Saúde americanos (NIH).

Contatamos o médico Dan Stock por um e-mail disponibilizado em seu perfil no Linkedin, mas não obtivemos resposta até o fechamento desta reportagem.

Verificação

Não há evidências de que vacinas causam ADE

Ao contrário do que sugere Stock, não há evidências de que vacinas de covid-19 favorecem uma exacerbação da doença mediada por anticorpos. Essa condição, mais conhecida na língua inglesa como Antibody-Dependent Enhancement, descreve um fenômeno em que anticorpos gerados anteriormente por uma infecção natural ou induzidos por vacinas não conseguem neutralizar o vírus em uma nova infecção, e podem facilitar o ataque do patógeno às células do hospedeiro.

Durante seu discurso, o médico sugere que o fenômeno poderia estar associado com aumentos recentes nos números de casos em algumas regiões dos Estados Unidos. Stock cita que foram observados sinais de ADE em estudos com animais durante o desenvolvimento de vacinas contra a Sars, outro coronavírus que foi pivô de uma epidemia em 2003, na China. De fato, a possibilidade de ocorrência dessa condição foi uma preocupação de cientistas no desenvolvimento de vacinas contra a covid, mas nem os estudos pré-clínicos com animais nem ensaios em humanos identificaram evidências do fenômeno, ressalta um editorial da revista Science sobre o assunto, publicado em fevereiro deste ano.

O artigo evidencia ainda que a hipótese levou cientistas a adotarem estratégias para minimizar os riscos de ADE no desenvolvimento das vacinas contra a covid.Também não há evidências de que novas variantes possam desencadear a condição, tampouco o monitoramento de efeitos adversos realizado por agências sanitárias indicou qualquer sinal do problema.

Outra evidência que torna a hipótese improvável é que experimentos com tratamentos baseados em plasma convalescente (com anticorpos contra covid-19) não provocaram exacerbação da doença em voluntários. Até o momento, as evidências da vacinação no ?mundo real? mostram que os imunizantes são eficazes em prevenir formas graves da doença. Cerca de 99% das mortes e hospitalizações por covid-19, nos Estados Unidos, ocorrem em pessoas não imunizadas.

Vale ressaltar que o compilado de evidências citado por Stock não contém nenhum estudo que prove a ocorrência de exacerbação de covid mediada por anticorpos. Uma das pesquisas analisou casos de covid em profissionais de saúde vacinados e apontou que a maioria teve sintomas leves ou quadros assintomáticos.

Aumento de casos não é consequência da vacina

Para atacar a vacinação, o médico cita que em Barnstable, cidade de aproximadamente 44 mil habitantes em Massachusetts, 75% dos novos casos de covid-19 ocorreram em pessoas vacinadas. A informação foi retirada de um estudo do CDC, divulgado no final de julho, que avaliou 469 ocorrências da doença na cidade americana.

Os autores da pesquisa, no entanto, destacam no próprio relatório que o levantamento é insuficiente para fornecer conclusões sobre a eficácia das vacinas de covid, incluindo a variante delta, que atualmente corresponde à cepa predominante no país.

"À medida que a cobertura vacinal a nível populacional aumenta, é esperado que as pessoas vacinadas representem uma proporção maior de casos de covid-19. Em segundo lugar, infecções assintomáticas podem estar subrepresentadas por causa do viés de detecção", explicam os autores no texto.

Entre as pessoas completamente vacinadas, apenas quatro tiveram que ser hospitalizadas e nenhuma morte foi registrada. O estudo ainda afirma que a "vacinação é a estratégia mais importante para prevenir casos graves e óbitos" e recomenda a expansão de estratégias não farmacológicas, como o uso de máscaras em locais fechados, independentemente do grau de vacinação do indivíduo.

Como já explicou o Comprova, os imunizantes já aprovados por agências de saúde nos Estados Unidos e no Brasil foram desenvolvidos para prevenir casos sintomáticos da doença. Nenhuma vacina elimina totalmente o risco de contrair covid, embora reduzam significativamente as chances do paciente desenvolver formas graves. Segundo o CDC, as vacinas também reduzem o risco de pessoas espalharem o novo coronavírus para outras, mas não excluem completamente essa possibilidade.

Julio Ponce lembra que os recentes aumentos de hospitalizações por covid nos EUA estão associados a pessoas não vacinadas. "Mesmo que consideremos que alguns vacinados peguem a doença, eles têm um risco diminuído de agravamento. Em Indiana, onde o vídeo foi gravado, 96% dos novos casos são de pessoas que não se vacinaram", afirma.

Alerta especial para variante delta

O CDC alerta, entretanto, para casos raros em que vacinados são infectados pela variante delta. Apesar das vacinas serem "altamente eficazes" em evitar o agravamento de infecções desta cepa do novo coronavírus, diferentemente de outras variantes, a delta parece produzir quantidades similares de vírus tanto em pessoas não vacinadas quanto em pessoas totalmente vacinadas.

Por outro lado, a carga viral produzida pelas infecções da variante delta em pessoas totalmente imunizadas diminui mais rapidamente do que as infecções naqueles que não tomaram esquema vacinal completo. "Isto significa que as pessoas totalmente vacinadas [transmitem o vírus] por menos tempo do que as pessoas não vacinadas.", afirma o CDC.

Melhores evidências indicam que uso de máscaras é eficaz

Stock acerta ao afirmar que o novo coronavírus é propagado por meio de pequenas gotículas chamadas aerossóis. Ele desinforma, no entanto, ao sugerir que devido ao tamanho das partículas, o uso de máscaras não seria eficaz para coibir a transmissão da covid-19. Embora parte dos aerossóis possam escapar das máscaras, o equipamento ainda é essencial para controlar a pandemia.

Segundo o epidemiologista Julio Ponce, trabalhos científicos mostram que o uso da máscara promove uma redução bastante sensível de infectados em contexto de surtos de coronavírus. Ele cita um artigo publicado na conceituada revista de medicina JAMA, o qual afirma que antes da pandemia de covid, o uso comunitário de máscaras para reduzir a transmissão de vírus respiratórios era controverso devido a falta de evidências relevantes sobre a prática.

Ao longo da crise sanitária, entretanto, as evidências científicas cresceram. O artigo pontua que em trabalhos recentes, máscaras de pano de várias camadas bloquearam de 50% até 70% das gotículas pequenas exaladas por uma pessoa infectada. O relatório explica que as máscaras ainda servem como uma barreira contra as gotículas maiores.

O compilado de documentos de Stock contra o uso de máscaras reúne desde análises informais de postagens em blogs, estudos retratados por inconsistências técnicas (1, 2), trabalhos não conclusivos sobre a eficácia da medida (1), até mesmo pesquisas que, na verdade, sugerem benefícios das máscaras. É o caso, por exemplo, deste artigo que conclui que a análise mostra evidências de que estados americanos com regras para uso da proteção registraram uma maior queda nas taxas de diárias de covid, em comparação a outros que não adotaram a medida.

"O que pode ser colocado em contexto é que há máscaras que protegem mais do que outras. Os estudos que o médico menciona parecem ser aqueles feitos com máscaras cirúrgicas, que são adequadas para limitar a projeção de gotículas e aerossóis de quem as usa, mas não são tão eficazes para proteger de aerossóis possivelmente contaminados no ambiente", afirma Ponce.

O especialista pontua que, por esse motivo, máscaras PFF2/N95 são mais recomendadas para locais de alta exposição, uma vez que os equipamentos são capazes de filtrar até 95% de partículas pequenas.

Vacinas são importantes mesmo para recuperados da covid

Outra informação enganosa do vídeo corresponde à alegação de Stock de que as vacinas de covid não promovem benefícios a quem já se recuperou da doença.

De acordo com o CDC, pesquisadores ainda não estabeleceram por quanto tempo dura a imunidade conferida pela infecção natural ou pelas vacinas. Por outro lado, a agência diz que estudos indicam que os imunizantes podem aprimorar a proteção de pessoas que já se recuperaram da infecção.

Já a OMS afirma que a "maioria das pessoas infectadas com Sars-CoV-2 desenvolvem uma resposta imune nas primeiras semanas, mas ainda estamos aprendendo o quão forte e duradoura é essa resposta imune, e como ela varia entre diferentes pessoas, acrescentando que "mesmo que você tenha tido uma infecção anterior, a vacina age como um reforço que fortalece a resposta imune."

Em entrevista ao Comprova, a professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre Cristina Bonorino explica que, no caso da infecção natural, o microorganismo evolui para escapar das respostas imunes do hospedeiro, e por isso nem sempre a imunidade deixada após a infecção é eficaz e duradoura.

"As vacinas, por outro lado, focam em estimular mecanismos importantes para controlar a multiplicação do microorganismo no indivíduo, sem a desvantagem do que acontece na infecção natural. Vacinas, portanto, geram respostas mais eficazes que a infecção natural", comenta a especialista.

A Agência Lupa fez uma verificação de boato semelhante

Tratamento divulgado pelo médico não tem comprovação científica

No vídeo, o médico faz propaganda de substâncias sem benefícios comprovados contra a covid-19 ao citar que tratou 15 pacientes com um protocolo de ivermectina, zinco e vitamina D. O relato de Stock, entretanto, não configura evidência de que o tratamento funcione.

Como já explicou o Comprova em outras verificações, para atestar a eficácia de um medicamento contra a covid, são necessários múltiplos ensaios clínicos randomizados com estrutura adequada e número extenso de participantes. O Painel de Diretrizes de Tratamentos para Covid, dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH), afirma que não há dados suficientes para recomendar a favor ou contra o uso da ivermectina para o tratamento da doença.

"São necessários resultados de ensaios clínicos adequadamente desenvolvidos, bem concebidos e bem conduzidos para fornecer orientações mais específicas e baseadas em evidências sobre o papel da ivermectina no tratamento da covid-19", diz o documento

No compilado de documentos de Stock constam estudos que sugerem potenciais benefícios da vitamina D no tratamento da covid-19. As diretrizes do NIH, entretanto, informam que também faltam mais dados para recomendar contra ou a favor do uso da suplementação da substância como terapia contra o novo coronavírus.

O órgão emitiu a mesma recomendação para o uso do Zinco, porém, o painel alerta contra a suplementação acima dos níveis de dieta recomendados, uma vez que o consumo excessivo da substância pode ocasionar deficiência de cobre no sangue e outras doenças.

Quem é Stock

Daniel "Dan" Stock se define no Linkedin como um médico de família experiente e com formação em medicina funcional, um ramo alternativo cujos métodos não têm comprovação científica. De acordo com a rede social, ele se formou na Indiana University School of Medicine em 1988.

Segundo o breve perfil de Dan Stock no Top NPI, um site pensado para auxiliar moradores dos Estados Unidos a encontrarem médicos próximos de onde moram, o profissional tem 33 anos de experiência na medicina e é licenciado para exercer a profissão pelo conselho estadual de Indiana.

Após falar ao conselho escolar da Mount Vernon School Corporation, no condado de Hancock, em Indiana, Stock publicou um texto no Linkedin para agradecer o "apoio esmagador de todos". O teor da mensagem sugere que as medidas adotadas no contexto do enfrentamento à covid-19 são atentatórias às liberdades individuais.

"Por favor, rezem por mim, por nossa própria liberdade que nosso próprio governo federal ameaça, mas como vocês, chamem vocês legisladores estaduais e locais e exijam que eles não sirvam aos especialistas selecionados pelos lobistas federais, mas a você", ele escreveu.

O Projeto Comprova enviou questionamentos ao profissional no endereço de e-mail disponibilizado por ele no Linkedin, mas não obteve retorno até a publicação desta checagem.

Por que investigamos?

Em sua quarta fase, o Comprova checa conteúdos suspeitos sobre o governo federal, eleições ou a pandemia que tenham atingido alto grau de viralização. A postagem verificada nesta matéria alcançou mais de 10 mil visualizações no Twitter. Segundo agências de checagem estrangeiras, o mesmo discurso enganoso de Dan Stock atingiu milhões de usuários em outros países.

As alegações do médico são perigosas ao espalhar informações falsas para atacar medidas essenciais para o combate à pandemia, como o uso de máscaras e a vacinação em massa. Essas práticas são recomendadas e defendidas pelas principais agências de saúde no Brasil e no exterior e têm respaldo em evidências científicas relevantes.

O mesmo conteúdo foi verificado por uma série de veículos estrangeiros, incluindo Politifact, Associated Press, Agência Reuters e Verify This. Conteúdos semelhantes já foram desmentidos por veículos brasileiros, como o Estadão Verifica, Aos Fatos e Agência Lupa.

O Comprova também já verificou outras afirmações equivocadas sobre a imunização em massa contra a covid. Um boato recente afirmava enganosamente que não há lógica por trás da vacinação para conter a pandemia. Outro conteúdo tirou de contexto uma entrevista de uma autoridade de saúde americana na tentativa de desqualificar a segurança dos imunizantes usados no país. Uma terceira postagem distorcia dados de efeitos adversos da vacina da Pfizer em adolescentes.

Enganoso, para o Comprova, são conteúdos retirados do contexto original e usados em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Investigação e verificação

Estadão e O Povo participou desta investigação e a sua verificação, pelo processo de crosscheck, foi realizada pelos veículos Correio de Carajás, Piauí, Folha, Correio Braziliense, GZH, Correio e SBT.

Projeto Comprova

Esta reportagem foi elaborada por jornalistas do Projeto Comprova, grupo formado por 33 veículos de imprensa brasileiros, para combater a desinformação. Em 2018, o Comprova monitorou e desmentiu boatos e rumores relacionados à eleição presidencial. A edição de 2019 foi dedicada a combater a desinformação sobre políticas públicas. Agora, na quarta fase, o Comprova retoma o monitoramento e a verificação de conteúdos suspeitos sobre políticas públicas do governo federal e eleições municipais, além de continuar investigando boatos sobre a pandemia de covid-19. O SBT faz parte dessa aliança.”

01/09/2021 – Folha de São Paulo - Online / Podcast O Resposta Imune

Link: https://www1.folha.uol.com.br/podcasts/2021/09/como-as-vacinas-funcionam-e-servem-de-escudo-coletivo-a-humanidade-ouca-podcast.shtml

“Como as vacinas funcionam e servem de escudo coletivo à humanidade; ouça podcast

Resposta Imune explica as diferenças entre imunizantes e como eles agem no corpo humano

Assim como o herói grego Aquiles que, ao ser mergulhado no rio Estige ficou protegido dos perigos das batalhas, o nosso corpo também cria uma proteção quando recebe uma vacina. Os imunizantes são um treinamento para que o sistema imunológico possa reagir se sofrer algum ataque.

No segundo episódio do Resposta Imune, podcast da Folha sobre como as vacinas mudaram o mundo, o jornalista Reinaldo José Lopes explica como os imunizantes protegem o organismo de bilhões de pessoas individualmente e, mais importante ainda, de maneira coletiva.

Para isso, ele conta com a participação da farmacêutica e divulgadora científica, Laura Marise de Freitas; do biomédico Lucas Zanandrez; e de Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e membro do comitê científico da SBI (Sociedade Brasileira de Imunologia).

Ouça o episódio: (No link acima)

O Resposta Imune é publicado às quartas-feiras pela manhã nas principais plataformas de podcast. O podcast tem produção de Juliana Deodoro e edição de som de Luan Alencar. O apoio é da GSK.”

31/08/2021 – Zero Hora

Versão Impressa

Reforço ainda não é consenso

Zero Hora31 Aug 2021

A terceira dose é defendida porque pesquisas mostram que o reforço eleva o nível dos anticorpos no organismo, o que seria especialmente benéfico para pessoas com sistema imune deficiente, como idosos e imunossuprimidos (transplantados e pessoas com câncer, por exemplo).

– A gente vai perdendo a parte da medula óssea que faz a produção dessas células ao longo dos anos. Idosos e imunossuprimidos possuem uma proporção muito menor de células B, então não têm a capacidade de gerar anticorpos na mesma taxa de uma pessoa jovem. O reforço da vacina estimularia as células B que existem a produzir anticorpos contra o vírus – explica a imunologista Melissa Markoski, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

A inclusão do resto da população na terceira dose ainda não tem base científica, destaca Mônica Levi, diretora da SBIM.

– A discussão de terceira dose é para imunossuprimidos e idosos. Hipertenso, por exemplo, tem mais risco de evoluir de forma grave, mas ele responde à vacina – diz.

A manutenção dos linfócitos B é um dos indícios de que a proteção contra o coronavírus se mantém, diz a biomédica Mellanie Fontesdutra, coordenadora da Rede Análise Covid-19 e integrante do Comitê Científico do Palácio Piratini:

– Você criou anticorpos em resposta à vacina, e eles têm uma “meia-vida”. Só que quem produz anticorpos (ou seja, os linfócitos B) está circulando ou na medula, esperando. Mesmo com a queda de anticorpos, não significa que não se esteja protegido. A ideia é, a partir da dose adicional, aumentar o tempo em que essa onda de anticorpos perduraria na circulação, porque isso pode ajudar a evitar a infecção, relevante principalmente para populações mais vulneráveis .

Exterior

Em Israel, o reforço é aplicado em idosos acima dos 60 anos desde o fim de julho. O ministério da saúde local divulgou no último domingo que a terceira dose da Pfizer aumentou significativamente a proteção contra infecções e casos graves em idosos. Para essa população, a proteção contra infecções gerada 10 dias após a terceira dose foi quatro vezes maior do que após duas doses. Já a proteção contra casos graves e hospitalizações foi de cinco a seis vezes maior também 10 dias após a terceira dose.

Mas, dado o pouco tempo, não se sabe ainda se terceira dose será necessária para todos e qual a frequência a ser adotada.

– Vacinas recém estão chegando a um ano de avaliação. Há dúvida sobre o tempo que se permanece imune e que se perde eficácia. Israel foi um dos primeiros países a vacinar toda a população adulta, então têm a disponibilidade de lançar a campanha de terceira dose, estão todos vacinados – afirma Rodrigo Boldo, médico intensivista e pesquisador do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre.

31/08/2021 – Revista News

Link:https://revistanews.com.br/2021/08/30/esteio-faz-testes-de-covid-19-em-trabalhadores-da-expointer/

Esteio faz testes de covid-19 em trabalhadores da Expointer

A Prefeitura de Esteio está fazendo testes para detectar possíveis casos de covid-19 em expositores e trabalhadores que vão participar da 44ª Expointer, evento realizado no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil e que começa no próximo sábado (4).

Os exames, do tipo RT-PCR nasal rápido/antígeno, cujos resultados são divulgados na hora, estão sendo oferecidos para pessoas que vão trabalhar na Feira. No último domingo (29), primeiro dia da ação, foram 266 testes realizados, três deles com resultados positivos para o novo coronavírus. Com isso, as pessoas com a doença foram orientadas a procurar atendimento médico e não poderão atuar na Expointer.

Os exames seguem até a próxima segunda-feira (6) e estão voltados apenas para expositores e trabalhadores que ainda não tiverem sido testados antes de entrar no Parque no primeiro dia de participação no evento. Os testes estão sendo feitos por profissionais da Secretaria Municipal da Saúde, do Hospital São Camilo e alunos dos cursos de graduação de Enfermagem, Medicina e Farmácia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), da Unisinos e da Ulbra.

Nesta segunda-feira (30), após a abertura dos portões para a chegada dos primeiros animais na Feira, o prefeito Leonardo Pascoal e a secretária estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Silvana Covatti, foram à Central de Testagem acompanhar parte do trabalho e conversar com os servidores que estão atuando na testagem.

30/08/2021 –  Zero Hora

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Ambulatório pós-covid dobra atendimento

Zero Hora 30 Aug 2021KARINE DALLA VALLE Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Criado exclusivamente para tratar as sequelas da covid-19, demanda cada vez maior nos hospitais e unidades de saúde, o ambulatório de reabilitação do Centro de Saúde IAPI, na zona norte de Porto Alegre, dobrou o atendimento em apenas um mês e já conta com reforço de professores universitários e estagiários.

Quando foi inaugurado, ao lado do setor de fisioterapia, em julho deste ano, o ambulatório acolhia 10 pacientes por semana, atendidos pelos profissionais da casa. São enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionista e até psicólogo que tratam os traumas físicos e emocionais deixados pela doença. A agenda ficou mais cheia a partir de agosto. Agora, atende 20 pessoas por semana. No total, são 53 pacientes vinculados.

A ampliação só foi possível com o auxílio de estudantes e professores universitários. O ambulatório já inaugurou com parceria firmada com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Recentemente, também abriu as portas para receber sete estudantes de fisioterapia e enfermagem da Unisinos, que são guiados por um professor.

– Os profissionais da Unisinos já começaram com vários pacientes agendados, que estavam esperando esse atendimento. Com a vinda dos alunos, conseguimos acolher mais pacientes – conta a fisioterapeuta Aline Casaril, coordenadora do ambulatório.

Há dois lugares que atendem sequelas da covid-19 pela rede municipal de saúde da Capital, e a porta de entrada são as unidades básicas. Se a pessoa apresenta um caso mais complexo, como problemas cardíacos, é encaminhada ao Hospital de Clínicas. Se for mais simples, pode seguir para o IAPI, onde a maioria chega reclamando de fadiga, que permanece após a doença.

– São pessoas que levantam da cadeira, caminham 20 metros e se cansam. Chegam no consultório já sem ar. Não conseguem fazer coisas básicas, precisam de ajuda para tomar banho ou até conseguem fazer sua higiene, mas não conseguem fazer comida, limpar a casa. Não têm fôlego – diz Aline.

Psicóloga

Nessas situações, o paciente é encaminhado para fisioterapia. Pode acontecer de apresentar outros problemas provocados pela covid-19, como perda de massa muscular ou mesmo aflições emocionais, atendimento integral que o ambulatório do IAPI busca suprir. Quem faz essa triagem é um profissional da enfermagem, que observa cada situação e faz os encaminhamentos.

Depois de ficar entubada por quase 20 dias por causa da covid-19, Solange Terezinha Fogaça, 57 anos, teve o lado direito do corpo afetado. Perdeu o movimento da perna e de dois dedos da mão. Passou a fazer fisioterapia no ambulatório do IAPI e recebeu até sessões de acupuntura, pelas mãos da própria Aline.

Ao contar aos profissionais sobre o que viveu na cama do hospital, a experiência do isolamento e a incerteza sobre a vida, Solange foi convidada a ter um encontro com a psicóloga. E gostou.

– Tem coisas que ficam, que a gente precisa conversar com alguém. A gente passa por um período difícil. Depois que tu sai do coma, que tu é desentubado, fica sozinho muito tempo dentro do hospital, precisando de familiar, e não podia por causa da covid... Tudo isso deixa traumas na gente – afirma.

Diante de um vírus que não dá sinais de ir embora, o ambulatório do IAPI vai ganhar mais um tipo de atendimento a partir de setembro – o de fonoaudiólogo – e não há qualquer previsão para encerrar o serviço especializado para quem sofreu com a covid-19. – Não imagino que em menos de um ano a demanda de pacientes com sequelas pós-covid-19 diminua. Vai levar um bom tempo ainda – projeta Aline.

30/08/2021 –  Aos Fatos

Link: https://www.aosfatos.org/noticias/e-falso-que-estudo-concluiu-que-carga-viral-do-sars-cov-2-e-251-vezes-maior-em-vacinados/

É falso que estudo concluiu que carga viral do Sars-CoV-2 é 251 vezes maior em vacinados

Publicações nas redes sociais falseiam os resultados de um estudo feito no Vietnã ao alegar que os cientistas identificaram em vacinados contra a Covid-19 uma carga viral do novo coronavírus 251 vezes maior que a de pessoas que não foram imunizadas (veja aqui). Na realidade, a pesquisa comparou a quantidade de cópias do Sars-CoV-2 encontrada em indivíduos que pegaram a variante delta com a de infectados por cepas anteriores do vírus.

Publicações com o conteúdo enganoso somavam centenas de compartilhamentos no Facebook nesta segunda-feira (30) e foram sinalizadas por Aos Fatos como FALSO na ferramenta de verificação da plataforma (saiba como funciona). Publicações semelhantes também circularam no Instagram e no Twitter.

Não é verdade que pessoas vacinadas que pegaram Covid-19 apresentam nível de carga viral do novo coronavírus 251 vezes superior ao de indivíduos que não foram imunizados, como alegam postagens nas redes sociais com base em um estudo vietnamita. A pesquisa, porém, compara a quantidade de cópias do Sars-CoV-2 entre indivíduos contaminados pela variante delta e infectados com outras cepas do vírus.

O estudo analisou um surto de 62 infecções pela Covid-19 em junho deste ano no Hospital para Doenças Tropicais de Ho Chi Minh, no Vietnã. Os pesquisadores constataram que a carga viral de profissionais de saúde que pegaram a variante delta foi 251 vezes maior que a taxa de trabalhadores infectados com as cepas mais comuns entre março e abril de 2020. O pré-print — artigo ainda não revisado por outros cientistas — está no repositório do periódico científico The Lancet desde o dia 10 de agosto.

Apesar de relatar que os profissionais haviam tomado as duas doses da vacina AstraZeneca, a pesquisa não atribuiu a alta carga viral à imunização, mas à maior capacidade de transmissão da delta em relação à cepa original do Sars-CoV-2. Para os pesquisadores, o avanço da variante torna necessária a manutenção de medidas de higienização e distanciamento mesmo em áreas onde a cobertura vacinal é mais alta.

Mel Markoski, professora de Biossegurança da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre), afirmou ao Aos Fatos que, embora o estudo cite a vacinação entre os profissionais de saúde, “em nenhum momento o artigo faz essa comparação de imunizados ou não contra a Covid-19. O dado se refere a casos pela Delta em relação ao vírus original”, diz Markoski.

Tampouco procede a alegação de que os próprios imunizantes aumentariam a carga viral, de acordo com Letícia Sarturi, mestre em imunologia pela USP (Universidade de São Paulo): “As pessoas que tomam a vacina não terão carga viral devido ao imunizante. Isso acontece pela infecção” Segundo ela, ainda que infectados pela delta, vacinados apresentam mais mecanismos de defesa para prevenir a evolução da doença, como a resposta imunocelular, do que quem não se vacinou.

28/08/2021 –  Viva Bem UOL

Link: uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/08/28/consumo-excessivo-de-acucar-eleva-os-riscos-de-inflamacao-no-organismo.htm

Comer muito açúcar pode causar inflamação, que aumenta risco de doenças

O bem-estar físico está associado, em grande parte, ao que consumimos como alimento. O corpo humano demanda muita energia, que pode ser encontrada, principalmente, nos carboidratos, incluindo os açúcares, alimentos que trazem grande prazer e disposição ao organismo. Porém, se consumidos em excesso, acabam provocando efeito reverso, deixando o corpo mais pesado e cansado, e desencadeando processos inflamatórios prejudiciais ao organismo.

Um estudo publicado no periódico Nutrients em 2018 investigou se o consumo de açúcares contribui para o aumento dos processos inflamatórios e níveis de biomarcadores de inflamação. "Muito embora não foi possível determinar se a frutose/sacarose causou mais danos do que a glicose na dieta para promover a inflamação em estudos humanos, os autores discorrem, a partir da literatura publicada, alguns prováveis mecanismos relacionados ao consumo desses componentes com a inflamação", afirma a nutricionista Clarissa Hiwatashi Fujiwara.

A inflamação acontece em resposta a estímulos agressivos, causados por alimentos que alteram o metabolismo e aumentam a liberação de substâncias inflamatórias. Tratam-se de vários mecanismos bioquímicos, com alterações de microbiota e parede intestinal, levando ao aumento na liberação de citocinas (proteínas que regulam a resposta imunológica) inflamatórias. Há também redução da sensibilidade à insulina, que faz os níveis séricos aumentarem, além da elevação nos níveis de reserva de ferro e alterações nas funções de coagulação. "A esse estado damos o nome de inflamação subclínica ou de baixo grau, que aumenta os riscos de doenças metabólicas, cardiovasculares, degenerativas e neoplásicas", informa a nutróloga Marcella Garcez. "Normalmente assintomática, a inflamação crônica é capaz de gerar substâncias responsáveis pela deterioração de diversos tecidos do organismo", diz.

De fato, a inflamação crônica de baixo grau/subclínica (diferentemente da inflamação aguda) é um fator chave no estudo das doenças cardiovasculares e está relacionada a um maior risco de mortalidade. "Portanto, a identificação de fatores de risco modificáveis —como a alimentação — podem contribuir para a redução do risco dessas doenças", diz Fujiwara.

Entre os principais alimentos que contribuem para o desenvolvimento e a manutenção do estado inflamatório estão os açúcares, o consumo excessivo de carnes, principalmente as processadas, os alimentos industrializados ultraprocessados —que trazem grandes quantidades de açúcares —, sal, gorduras modificadas e substâncias químicas, as frituras de imersão, além dos refrigerantes e bebidas alcoólicas.

Todos os tipos de açúcar fazem mal em excesso? Não há como negar que o açúcar refinado é um dos principais vilões da saúde. Extremamente calórico, ele leva ao aumento do peso e à predisposição de eventos cardiovasculares. "Isso acontece por dois motivos: primeiro, pelo aumento da obesidade, que por si só é um processo inflamatório. Além disso, o açúcar aumenta a produção de ácidos graxos no fígado. O metabolismo dessas substâncias leva à criação de compostos químicos que induzem o processo inflamatório no corpo todo", destaca Airton Golbert, professor de endocrinologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

Os açúcares mais prejudiciais e que devem ser reduzidos ou evitados são aqueles encontrados em doces e guloseimas, mas também os embutidos em vários alimentos processados e ultraprocessados. Eles aparecem com vários nomes, como xarope de milho, dextrose, frutose, maltose, galactose, maltodextrina, sacarose, glicose, suco de cana evaporado, caramelo, xarope de alfarroba, xarope de arroz, melaço, néctar, xarope de agave, extrato de malte, manitol, amido, glucose de milho, açúcar invertido, lactose, xarope de glicose, xarope de malte, entre outros. Por isso, fique de olho no rótulo.

Segundo Fujiwara, o açúcar de mesa (sacarose) consiste em 50% de glicose e 50% de frutose (isso inclui não somente o açúcar refinado, mas açúcares menos processados, como mascavo e demerara). Já o xarope de milho, rico em frutose e utilizado pela indústria alimentícia, apresenta, em geral, cerca de 42 a 55% de frutose e o restante de glicose.

"Tanto a sacarose quanto o xarope de milho rico em frutose são os dois principais tipos de açúcares empregados na culinária e na indústria de doces, e que estão distribuídos em ampla gama de produtos industrializados, a exemplo de bebidas açucaradas, como refrigerantes, refresco e néctares de frutas e bebidas energéticas. Encontram-se presentes também em alimentos, como biscoitos, massas, cereais adoçados, balas, sorvete e molhos prontos como ketchup", aponta a nutricionista.

Se o açúcar industrializado é o grande vilão, os açúcares naturais também não ficam atrás. Garcez lembra que mascavo, demerara, agave, alfarroba, de coco e mel também são açúcares e, se consumidos em excesso, causam aumento dos perfis inflamatórios no organismo.

Qual o limite de consumo? Para uma dieta rica e saudável, não é preciso cortar de vez o açúcar, e, embora não existam limites rígidos estabelecidos, pode-se ingerir em torno de 55 a 60% de carboidratos no valor calórico da dieta, devendo a maior parte ser de carboidratos complexos, como amido e outros que existem nos cereais e farináceos.

A recomendação atual é de que o consumo de açúcares, adicionados a alimentos e bebidas, não ultrapasse 10% do total das calorias ingeridas diariamente. Além disso, maiores benefícios à saúde podem ser obtidos se o limite de consumo for reduzido para até 5% das calorias ingeridas. "Numa dieta de 2.000 kcal diárias, por exemplo, o limite de açúcar de 10% e 5% da ingestão, respectivamente representa 50 e 25 g, ou 10 e cinco colheres (de chá) de açúcar" assinala Fujiwara.

Uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2008-2009, estima que no Brasil o consumo de açúcar excessivo seja apresentado por cerca de 61,3% da população. Ou seja, de acordo com o limite máximo de consumo de açúcar estabelecido pela OMS (Organização Mundial de Saúde), especialmente advindos de bebidas adoçadas com açúcar.

Golbert, entretanto, lembra que o açúcar refinado e os doces feitos a partir dele não são alimentos necessários para o ser humano. "Podemos viver sem açúcar. Isso quer dizer que quando cortamos este alimento teremos uma melhora significativa na saúde, com perda de peso, melhores taxas metabólicas, diminuição de substâncias inflamatórias circulando pelo corpo. Junto com o açúcar, as carnes processadas nos embutidos, como linguiça, salsicha e salame, são alimentos que podem aumentar o colesterol e o risco cardiovascular. Portanto, devem ser consumidos com moderação", ressalta.

Como reduzir ou prevenir a inflamação O estado inflamatório de baixo grau geralmente não é percebido, mas pode ser diagnosticado por meio de exame clínico e laboratorial. "Se diagnosticada a inflamação subclínica (ou para preveni-la), o ideal é evitar o consumo de açúcares, gorduras modificadas, carnes processadas, frituras de imersão, ultraprocessados, refrigerantes e bebidas alcoólicas em excesso", orienta Garcez.

Uma dieta equilibrada, variada e o mais natural possível contribui com a redução de marcadores inflamatórios. Porém, existem inúmeros alimentos e ingredientes alimentares que apresentam funcionalidades anti-inflamatórias entre as suas propriedades e podem ser incluídos no hábito alimentar de todos, entre eles Garcez destaca:

  • Peixes de água fria ricos em ômega 3, como atum, sardinha, cavala e salmão;
  • Linhaça, chia, semente de abóbora ou gergelim;
  • Nozes, amêndoas e castanhas; Frutas frescas como as cítricas, abacate, frutas vermelhas, uva, tomate;
  • Alimentos probióticos, como os iogurtes enriquecidos, kombucha e kefir;
  • Verduras e legumes como brócolis, couve-flor, repolho, espinafre, alface, cenoura, cebola;
  • Azeite de oliva;
  • Ervas aromáticas, como orégano, tomilho, coentro, salsa, hortelã e alecrim;
  • Especiarias como açafrão, canela, alho, cravo, gengibre, páprica e pimentas

Até hoje a ciência já demonstrou que os alimentos ricos em polifenois (azeite de oliva, por exemplo) têm propriedades anti-inflamatórias. "É fato que existe uma série de alimentos que se propõem a também desempenhar esse papel, porém é importante que pesquisas sejam realizadas para comprovação da eficácia do efeito benéfico desses alimentos", adverte Golbert.

É importante frisar que a inflamação crônica subclínica é uma consequência de várias causas cotidianas às quais o organismo é exposto. Sem dúvida, os maus hábitos alimentares são a principal causa, mas estresse, poluentes e toxinas são fatores importantes.

27/08/2021 – GHZ

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/08/contrario-a-medicamentos-do-chamado-kit-covid-comite-cientifico-do-tce-emite-primeiro-parecer-cksupavfb006c0193taerswtx.html

Contrário a medicamentos do chamado “kit covid”, Comitê Científico do TCE emite primeiro parecer

A pedido da diretoria que coordena o trabalho dos auditores, grupo de pesquisadores elaborou documento a respeito de cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina e vitamina D

O Comitê Científico do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) emitiu seu primeiro parecer desde que foi instituído, em maio. A pedido da Direção de Controle e de Fiscalização, que coordena o trabalho dos auditores, o grupo se manifestou contrariamente sobre a eficácia e a efetividade de medicamentos do chamado "kit covid", suposto tratamento precoce contra a covid-19 — cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina e vitamina D —, “abordando questões relacionadas à mitigação dos efeitos causados pelo coronavírus e aos eventuais danos à saúde da população, especialmente quanto aos possíveis efeitos colaterais”, conforme a requisição.

Independente e de caráter consultivo, o comitê é formado por especialistas da área da saúde ligados a universidades gaúchas e tem como missão amparar com argumentos científicos a tomada de decisões em temas relacionados à pandemia. Há profissionais representando áreas como neurologia, odontologia, bioética, epidemiologia, química e farmácia. De acordo com o TCE-RS, trata-se de iniciativa inédita no Brasil, no âmbito dos tribunais de contas.

O documento deve subsidiar a instrução de processos relacionados à compra de medicamentos pelas administrações públicas. Desde o começo da crise sanitária, o TCE-RS monitora as aquisições em caráter emergencial referentes ao enfrentamento da doença, o que deverá ser discutido no conselho no momento de julgar as contas dos gestores. 

No parecer de 15 páginas, o Comitê Científico informou ter realizado busca direta na base de dados PubMed e consultado diretrizes dos principais organismos nacionais e internacionais que tratam da prevenção e do tratamento da covid-19. Como conclusão, os membros afirmaram que “há evidência de alta qualidade metodológica sustentando que o uso de cloroquina e hidroxicloroquina é ineficaz” para prevenir e tratar a infecção por coronavírus. “Pessoas expostas a esses medicamentos têm maior risco de efeitos adversos e alguns estudos sugerem até mesmo aumento da mortalidade, especialmente em pacientes hospitalizados e em uso de doses elevadas”, lê-se no texto. 

Quanto à ivermectina e à vitamina D, “não existem estudos de qualidade metodológica suficientes para afirmar ou negar a eficácia dessas intervenções na prevenção e no tratamento da covid-19”, destaca o relatório. “O uso clínico-assistencial desses dois medicamentos não se justifica, exceto em protocolos de pesquisas.”

Ao final, Artur Francisco Schumacher Schuh, Carlos Heitor Cunha Moreira, José Roberto Goldim, Lucia Campos Pellanda, Nádya Pesce da Silveira, Pedro Curi Hallal, Priscila de Arruda Trindade, Simone Dalla Pozza Mahmud e Thiago Machado Ardenghi ressaltam que o parecer foi elaborado com a finalidade de responder ao questionamento do TCE, não se referindo a prescrições individuais de médicos. Mas alerta: “As evidências atuais não justificam a utilização dos fármacos analisados em qualquer política pública ou protocolo assistencial para a covid-19”. 

Lucia, médica e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), detalhou, em entrevista a GZH, a diferença entre a prescrição individual e o uso de recursos para uma recomendação de saúde pública:

— Na prescrição individual, no encontro entre médico e paciente, o médico sempre vai fazer uma relação entre os riscos e os benefícios para cada situação. O médico nunca teve autonomia para prescrever algo sem evidências ou que pudesse ser prejudicial, mas a relação é diferente porque leva em conta vários fatores individuais e também os valores e as preferências do paciente. Mas quando é uma questão populacional, precisamos ter um nível de evidência muito maior. Com recursos escassos para a saúde, sempre que você aplicar em uma intervenção, vai estar deixando de aplicar em outra. Precisávamos de uma campanha de comunicação efetiva, um componente fundamental na gestão de uma pandemia para o engajamento da população. Medidas de prevenção são muito mais custo-efetivas do que insistir em um tratamento que não tinha absolutamente nenhuma evidência de que funcionasse.

Presidente do TCE-RS, Estilac Xavier se diz honrado com a participação voluntária de alguns dos nomes mais proeminentes da pesquisa no Rio Grande do Sul para nortear as decisões que demandarem conhecimento especializado em saúde.

— Em um tempo de negacionismo e obscurantismo, é preciso, mais do que nunca, valorizar a ciência na construção de políticas públicas exitosas — disse Xavier.

27/08/2021 – Diário Gaúcho

Link: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/08/em-apenas-um-mes-ambulatorio-pos-covid-19-do-iapi-dobra-atendimento-e-ganha-reforco-de-estagiarios-20642669.html

Em apenas um mês, ambulatório pós-covid-19 do IAPI dobra atendimento e ganha reforço de estagiários

Espaço criado para tratar os traumas deixados pela doença conta com fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo e, em setembro, deve oferecer fonoaudiólogo

Criado exclusivamente para tratar as sequelas da covid-19, demanda cada vez maior nos hospitais e unidades de saúde, o ambulatório de reabilitação do Centro de Saúde IAPI, na zona norte de Porto Alegre, dobrou o atendimento em apenas um mês e já conta com reforço de professores universitários e estagiários.

Quando foi inaugurado, ao lado do setor de fisioterapia, em julho deste ano, o ambulatório acolhia 10 pacientes por semana, atendidos pelos profissionais da casa. São enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionista e até psicólogo que tratam os traumas físicos e emocionais deixados pela doença. A agenda ficou mais cheia a partir de agosto. Agora, atende 20 pessoas por semana. No total, são 53 pacientes vinculados.

A ampliação só foi possível com o auxílio de estudantes e professores universitários. O ambulatório já inaugurou com parceria firmada com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Recentemente, também abriu as portas para receber sete estudantes de fisioterapia e enfermagem da Unisinos, que são guiados por um professor.

— Os profissionais da Unisinos já começaram com vários pacientes agendados, que estavam esperando esse atendimento. Com a vinda dos alunos, conseguimos acolher mais pacientes — conta a fisioterapeuta Aline Casaril, coordenadora do ambulatório.

Há dois lugares que atendem sequelas da covid-19 pela rede municipal de saúde da Capital e a porta de entrada são as unidades básicas. Se a pessoa apresenta um caso mais complexo, como problemas cardíacos, é encaminhada ao Hospital de Clínicas. Se for mais simples, pode seguir para o IAPI, onde a maioria chega reclamando de fadiga, que permanece após a doença.

— São pessoas que levantam da cadeira, caminham 20 metros e se cansam. Chegam no consultório já sem ar. Não conseguem fazer coisas básicas, precisam de ajuda para tomar banho ou até conseguem fazer sua higiene, mas não conseguem fazer comida, limpar a casa. Não têm fôlego — diz Aline.

Nessas situações, o paciente é encaminhado para a fisioterapia. Pode acontecer de apresentar outros problemas provocados pela covid-19, como perda de massa muscular ou mesmo aflições emocionais, atendimento integral que o ambulatório do IAPI busca suprir. Quem faz essa triagem é um profissional da enfermagem, que observa cada situação e faz os encaminhamentos.

Depois de ficar entubada por quase 20 dias por causa da covid-19, Solange Terezinha Fogaça, 57 anos, ficou com o lado direito do corpo afetado. Perdeu o movimento da perna e de dois dedos da mão. Passou a fazer fisioterapia no ambulatório do IAPI e recebeu até sessões de acupuntura, pelas mãos da própria Aline.

Ao contar aos profissionais sobre o que viveu na cama do hospital, a experiência do isolamento e a incerteza sobre a vida, Solange foi convidada a ter um encontro com a psicóloga. E gostou.

— Tem coisas que ficam, que a gente precisa conversar com alguém. A gente passa por um período difícil. Depois que tu sai do coma, que tu é desentubado, fica sozinho muito tempo dentro do hospital, precisando de familiar, e não podia por causa da covid... Tudo isso deixa traumas na gente — confessa.

Diante de um vírus que não dá sinais de ir embora, o ambulatório do IAPI vai ganhar mais um tipo de atendimento a partir de setembro — o de fonoaudiólogo — e não há qualquer previsão para encerrar o serviço especializado para quem sofreu com a covid-19.

— Não imagino que em menos de um ano a demanda de pacientes com sequelas pós-covid-19 diminua. Vai levar um bom tempo ainda — projeta Aline.

26/08/2021 – Matinal Jornalismo

Link: https://www.matinaljornalismo.com.br/rogerlerina/notas/nucleo-cultural-da-ufcspa-lanca-projeto-videopoesia/

Núcleo Cultural da UFCSPA lança projeto Videopoesia

Existem várias formas de mostrar e expressar a poesia. Videopoema, videoarte e poesia eletrônica são meios que permitem, cada vez mais, levar o texto poético a um número maior de pessoas. O Núcleo Cultural da UFCSPA criou o projeto Videopoesia com o intuito de estimular e divulgar a produção criativa.

O projeto chama o público para escolher sua poesia predileta, aquela escrita num momento de muita inspiração, ou selecionar uma do seu escritor favorito e transformar o poema em vídeo.

Cada participante pode se filmar declamando o poema ou gravar a declamação e, sobre sua voz, usar diferentes imagens. A intenção é dar espaço para a criatividade e possibilitar o florescimento de novas perspectivas, cenários, ângulos e olhares.

 Os vídeos serão divulgados no Instagram do Núcleo Cultural e, a partir de outubro, serão publicados no YouTube. As inscrições podem ser feitas por este link. O Núcleo Cultural produziu também um vídeo no YouTube com todas as orientações.

25/08/2021 – Diário Gaúcho

Link: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/08/perguntas-e-respostas-sobre-a-terceira-dose-da-vacina-contra-a-covid-19-20642584.html

“Perguntas e respostas sobre a terceira dose da vacina contra a covid-19

Ministério da Saúde afirma que vacinação de adolescentes sem comorbidades não será prejudica devido à expectativa de novas remessas nas próximas semanas

O Brasil vai aplicar a terceira dose de vacinas contra a covid-19 em idosos acima dos 70 anos e imunossuprimidos (pessoas com deficiência no sistema imunológico) a partir de 15 de setembro, anunciou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga nesta quarta-feira (25). Adotada em diferentes países, a medida buscará elevar a proteção desses brasileiros e evitar o avanço da variante Delta, altamente contagiosa.

Segundo Queiroga, até 10 de setembro todos os Estados terão recebido doses necessárias para vacinar brasileiros com 18 anos ou mais. Portanto, em 15 de setembro, já haverá tempo para começar a aplicação da terceira dose nos mais idosos e imunossuprimidos sem prejuízo à primeira dose da população adulta.

Ainda conforme o governo federal, a aplicação de reforço não vai prejudicar a vacinação de adolescentes. Veja perguntas e respostas sobre o tema:

Quando começará a aplicação?

Doses para o reforço serão distribuídas aos Estados a partir de 15 de setembro, portanto a aplicação deve começar logo em seguida. Alguns governos estaduais decidiram permitir antes, como Goiás, para idosos em asilos a partir da semana que vem, e São Paulo, para a população acima dos 70 anos a partir de 6 de setembro.

Quem poderá tomar o reforço?

Imunossuprimidos que tomaram duas doses há 28 dias e idosos a partir dos 70 anos que completaram o esquema vacinal há mais de seis meses. A convocação será gradual, dos mais velhos para os mais novos.

Quem são imunossuprimidos?

São pessoas cujo sistema imune tem problemas. O grupo envolve transplantados, indivíduos com HIV, pessoas com câncer que realizaram imunoterapia e quimioterapia nos últimos seis meses, brasileiros com neoplasias hematológicas, com doenças inflamatórias imunomediadas e mais imunodeficiências, segundo o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO).

Só quem tomou CoronaVac vai precisar de reforço?

Não. Todos os brasileiros acima dos 70 anos e imunossuprimidos precisarão tomar uma nova vacina, seja quem recebeu duas doses de CoronaVac, AstraZeneca e Pfizer ou quem tomou a dose única da Janssen.

A terceira dose vai ser com qual vacina?

Preferencialmente, com Pfizer, mas, na falta desse marca, também poderão ser usadas AstraZeneca e Janssen.

Por que a preferência será com Pfizer?

Pela logística: é a vacina que mais será recebida pelo governo federal. Das 358,2 milhões de doses a serem distribuídas entre agosto e dezembro, 170,8 milhões serão Pfizer. Além disso, o Ministério da Saúde afirma que a Pfizer é o imunizante que mais teve estudos apontando que o uso cruzado com outras marcas funciona bem.

Por que é preciso tomar a terceira dose? Duas doses são ineficazes?

Não. As vacinas funcionam contra a covid-19, mas estudos vêm sugerindo que, a partir de seis meses, a proteção é reduzida, sobretudo em idosos, cujo sistema imune é mais fraco. Pesquisas também indicam que uma terceira dose reforça as defesas do organismo.

Além disso, idosos possuem mais doenças crônicas, o que eleva o risco para casos graves de coronavírus. Os imunossuprimidos também têm resposta reduzida pelas deficiências no sistema imunológico. Por fim, pesa na decisão o aumento nas hospitalizações de idosos nas últimas semanas no Brasil.

Quantas pessoas há acima dos 70 anos e imunodeprimidos?

No Brasil, são 13.464.087 idosos acima dos 70 anos. No Rio Grande do Sul, são 976.956 gaúchos e, em Porto Alegre, 144.989. Os dados constam nos planos de vacinação de cada ente, com base nas estimativas para 2020 do DataSUS.

O Ministério da Saúde, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-RS) e a Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre não forneceram a GZH estimativa de quantos imunossuprimidos há em seus territórios.

Vai ter vacina para aplicar terceira dose?

O governo federal diz que sim. Tendo em vista as próximas remessas e a perspectiva de vacinar adultos acima dos 18 anos até metade de setembro, será possível avançar aos adolescentes no geral enquanto se aplica o reforço em idosos e a segunda dose em adultos, assegurou o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, nesta quarta-feira (25).

A pasta estima que 1,1 milhão de brasileiros receberiam o reforço em setembro, 7 milhões em outubro e 1,6 milhão em novembro. Além disso, estimativas do DataSUS apontam que há 30,6 milhões de brasileiros entre 10 e 19 anos – o Ministério da Saúde autorizou que adolescentes entre 12 e 18 anos recebam Pfizer.

Para dar conta da demanda, a previsão é de que o Ministério receba 68,8 milhões de doses em agosto - a maior parte, 37,5 milhões, será Pfizer, imunizante que o Ministério orienta para ser usado na terceira dose e o único liberado a adolescentes. Em setembro, serão mais 62,6 milhões.

Já entre outubro, novembro e dezembro, o governo federal prevê receber 226,7 milhões de doses - para além de 13,4 milhões de brasileiros acima dos 70 anos, há 16,7 milhões entre 60 e 69 anos, segundo o PNO.

Como fica a vacinação dos adolescentes sem comorbidades?

O Ministério da Saúde garantiu que, com a quantidade de doses a serem recebidas em agosto e nos próximos meses, será possível aplicar o reforço em idosos e imunossuprimidos enquanto se inicia a vacinação de adolescentes no geral. O governo destacou que os mais jovens devem ser vacinados após todos os adultos acima dos 18 anos terem recebido a primeira dose.

— Não vai atrapalhar a vacinação de adolescentes — afirmou a secretária Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde, Rosana Leite.

O Brasil vai aplicar a terceira dose em toda a população?

Não há nenhum anúncio, mas é possível. Em coletiva na tarde desta quarta-feira (25), a secretária extraordinária de enfrentamento à covid-19 do Ministério da Saúde, Rosana Leite de Melo, afirmou que os estudos atuais sustentam a necessidade de terceira dose na faixa etária escolhida pelo Ministério da Saúde.

Ao mesmo tempo, a secretária afirmou que, se saírem mais pesquisas indicando a terceira dose para brasileiros abaixo dos 70 anos, o governo federal pode permitir a medida para a população. Ela citou a expectativa pelo estudo conduzido pelo Ministério sobre a duração da proteção da CoronaVac e a intercambialidade com outros imunizantes.

Há países que estão revacinando toda a população por entender que três aplicações oferecem maior proteção contra a covid-19. Israel, mais avançado neste sentido, já oferece para pessoas acima dos 40 anos, grávidas, professores e profissionais de saúde com idade inferior.

— O que a gente tem nesse momento é um anúncio de algo que pode ser interessante para as pessoas. Há evidências favoráveis em termos individuais, inclusive em termos de combinação de vacinas — afirmou Cynthia Molina Bastos, diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde do Rio Grande do Sul, em entrevista à Rádio Gaúcha nesta quarta-feira.

E no Rio Grande do Sul?

GZH questionou a Secretaria de Estado da Saúde (SES-RS) quando começará a vacinação de adolescentes e se a terceira dose não atrapalhará a aplicação de segunda de adultos, mas não obteve resposta aos questionamentos. O Estado afirmou que “não recebeu orientação oficial sobre a terceira dose”.

Quais países já aplicam terceira dose?

Israel aplica a terceira dose para quem recebeu Pfizer e Moderna. Chile e Uruguai oferecem terceira aplicação de Pfizer para quem recebeu CoronaVac. Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Espanha, França e Rússia também já começaram ou começarão em setembro a aplicar a terceira dose na população.

É seguro aplicar a terceira dose?

Os estudos feitos até agora vêm apontando que é seguro aplicar a terceira dose. Imunologistas e médicos infectologistas destacam que o sistema imune está acostumado a lidar com diferentes estímulos no dia a dia, o que inclui vacinas.

Tomar a terceira dose protege mais?

Há cada vez mais estudos apontando que a terceira dose pode ser benéfica, sobretudo na geração de anticorpos. A terceira dose da vacina da Pfizer aumenta em até seis vezes o número dessa proteína de defesa entre idosos acima dos 60 anos e comparação a quem recebeu duas aplicações, mediu estudo de Israel, por exemplo.

O reforço, no entanto, ainda não é consenso. As principais críticas é que faltam pesquisas com mais voluntários e análises que comparem, fora de laboratório, se a proteção de terceira dose é maior do que com duas aplicações. Também não há muitos estudos mostrando que o aumento de anticorpos eleve a eficácia (em %) das vacinas.

Em Israel, saiu um dos poucos estudos mostrando que a terceira dose funciona na vida real, fora de análises em laboratório. No país, o reforço é aplicado em idosos acima dos 60 anos desde o fim de julho.

O Ministério da Saúde israelense divulgou no último domingo (22) que a terceira dose da Pfizer aumentou significativamente a proteção contra infecções e casos graves de covid-19 em idosos. Para essa população, a proteção contra infecções gerada 10 dias após a terceira dose foi quatro vezes maior do que após duas doses. Já a proteção contra casos graves e hospitalizações foi de cinco a seis vezes maior também 10 dias após a trceira dose.

A imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e colunista de GZH, é contra a aplicação de terceira dose porque diz não haver estudos provando a necessidade. Aliás, observa, pesquisas apontam que duas doses da Pfizer e da AstraZeneca seguem efetivas contra a Delta.

Uma nova injeção sempre estimula a produção de mais anticorpos, mas o contato com o vírus também estimula a produção de proteínas de defesa, diz Bonorino. No caso da CoronaVac, ela observa que eventual queda de anticorpos não deve afetar a proteção.

É seguro tomar vacinas diferentes?

Estudos vêm indicando que sim, ainda que parcela dos especialistas diga que seria importante haver mais pesquisas. A tese mais aceita entre médicos e imunologistas é de que imunizantes distintos ensinam o sistema imunológico a se defender de maneiras diferentes contra a covid-19, o que fortaleceria nossas defesas.

— Não existe evento adverso a mais, somente aquele associado à vacina tomada. Cada imunizante tem uma forma de estimular as defesas, então, do ponto de vista de anticorpo, é mais lógico estimular com uma vacina e depois com outra. Estudos de laboratório mostram que a intercambialidade entre AstraZeneca e Pfizer é, no mínimo, tão boa quanto duas delas. E o benefício de tomar CoronaVac e depois Pfizer ou AstraZeneca é superior a CoronaVac mais CoronaVac — diz o médico Eduardo Sprinz, chefe da Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).”

24/08/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/08/combinacao-de-vacinas-diferentes-ganha-terreno-em-meio-a-avanco-da-delta-e-confirmacao-de-terceira-dose-cksqmj08h00a701936kocke3i.html

“Combinação de vacinas diferentes ganha terreno em meio a avanço da Delta e confirmação de terceira dose

Já adotada em diferentes países, medida tem aprovação do Ministério da Saúde para gestantes e para a aplicação da dose de reforço

Implementada no Exterior para frear a covid-19, a vacinação feita com imunizantes diferentes vem se tornando cada vez mais alvo de discussões no Brasil. A medida, chamada de intercambialidade vacinal, ganha força em meio ao avanço da Delta - e está sendo estudada pelo Ministério da Saúde e pelo governo do Rio Grande do Sul.

O assunto voltou à discussão em um momento no qual a produção de AstraZeneca pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está abaixo do esperado e no qual cada vez mais estudos sugerem que todas as vacinas, meses após a segunda aplicação, reduzem a eficácia, o que indicaria necessidade de terceira dose e consequente maior demanda por imunizantes.

Entre os pontos positivos da intercambialidade, estão evitar o atraso da segunda dose, controlar o avanço da Delta e, conforme sugerem alguns estudos, estimular ainda mais a resposta do sistema imune contra o coronavírus. Contra, no entanto, está a falta de estudos com número maior de voluntários e mais análises comparando o uso cruzado com o uso normal.

Nesta quarta-feira (25), o Ministro da Saúde confirmou a aplicação de uma dose reforço para idosos com mais de 70 anos e imunossuprimidos (pessoas que têm o sistema imunológico comprometido).  A ação começa em 15 de setembro, preferencialmente, com uma dose da Pfizer, ou de maneira alternativa, com a vacina de vetor viral da Janssen ou da AstraZeneca, afirmou o MS.

No Brasil, a pasta também autorizou em julho o uso de duas vacinas diferentes apenas para poucas exceções. Grávidas que tomaram a primeira dose de AstraZeneca podem tomar a segunda de Pfizer. A opção também é oferecida aos raríssimos casos de pessoas que desenvolveram reação alérgica na primeira dose de algum imunizante.

Afora casos excepcionais, a orientação é seguir o Plano Nacional de Imunização (PNI) e completar o esquema com o mesmo imunizante, ainda que o Ministério permita outras decisões. "A recomendação da pasta é de que os entes federados sigam à risca as estratégias definidas em reunião entre representantes dos estados e municípios para que o esquema vacinal seja completo", diz a Saúde por e-mail.

A intercambialidade começa a ser adotada à revelia do que diz a União. O governo do Estado do Rio de Janeiro autorizou, na terça passada (17), que prefeituras apliquem a segunda dose da Pfizer para quem tomou a primeira dose de AstraZeneca se o município não possuir o produto da Fiocruz em estoque. Já na capital carioca, a prefeitura foi além e permitiu que qualquer pessoa que tomou a primeira dose de AstraZeneca receba a segunda aplicação da Pfizer.

A Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul (SES-RS) afirmou por e-mail que segue a recomendação do Ministério da Saúde, mas confirmou que avalia internamente o uso cruzado.

Neste momento, o Ministério da Saúde conduz um estudo para avaliar a duração da proteção da CoronaVac e a possibilidade de oferecer, a quem tomou duas doses dessa vacina, uma terceira aplicação da própria da CoronaVac ou da Pfizer, AstraZeneca e Janssen. Os resultados devem sair em novembro. O ministro Marcelo Queiroga declarou no dia 18 que a intercambialidade é possível, se a ciência atestar.

A medida é adotada em países com diferentes imunizantes. Nos Estados Unidos, quem tomou a primeira dose de Pfizer pode tomar a segunda de Moderna, e vice-versa. Nações como Reino Unido, França, Espanha, Canadá, Noruega e Alemanha oferecem, a quem tomou a primeira dose de AstraZeneca, a segunda de Pfizer. No Chile, a terceira aplicação de Pfizer é disponível a quem recebeu duas de CoronaVac, medida criticada por especialistas pela falta de evidências robustas.

Analistas destacam que há pesquisas sugerindo que o uso cruzado é positivo - a maior parte dos estudos foi feita no Exterior e envolveu AstraZeneca com Pfizer. No entanto, reconhecem que é preciso análises mais robustas, sobretudo com a CoronaVac.

Os estudos e o que está em debate

Os estudos apontam que a intercambialidade é segura. Uma pesquisa feita por cientistas da Universidade de Oxford e publicada na prestigiosa revista The Lancet mostrou que uma segunda dose de Pfizer depois da AstraZeneca teve, em intervalo de quatro semanas, mais resposta imune do que quem tomou apenas AstraZeneca. Houve mais casos de efeitos colaterais, como febre, mas nenhum grave e todos dissipados rapidamente.

Outro estudo, do Instituto de Saúde Carlos III, da Espanha, mostrou que a segunda dose de Pfizer após a AstraZeneca gerou de 30 a 40 vezes mais anticorpos do que uma segunda dose de AstraZeneca e provocou efeitos adversos dentro do esperado, que desapareceram de dois a três dias.

Não existe risco na intercambialidade, tranquiliza o médico Eduardo Sprinz, chefe da Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ele observa que, como cada vacina tem uma tecnologia e estimula o sistema imunológico de forma distinta contra a covid-19, o uso cruzado é boa opção para elevar nossas defesas.

— Não existe evento adverso a mais, somente aquele associado à vacina tomada. Cada imunizante tem uma forma de estimular as defesas, então, do ponto de vista de anticorpo, é mais lógico estimular com uma vacina e depois com outra. Estudos de laboratório mostram que a intercambialidade entre Astrazeneca e Pfizer é, no mínimo, tão boa quanto duas delas. E o benefício de tomar CoronaVac e depois Pfizer ou Astrazeneca é superior a CoronaVac mais CoronaVac — afirma Sprinz.

A imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e integrante do comitê científico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), é contra a intercambialidade porque diz não haver estudos de qualidade o suficiente embasando a decisão. Se houver comprovação de necessidade da terceira dose, ela defende que os brasileiros tomem duas doses de uma nova vacina, começando o esquema do zero.

— A decisão de dar uma dose de uma ou de outra vacina não é realmente baseada em dados clínicos, mas em possíveis correlatos de proteção (estimativa de quantidade mínima de anticorpos necessária para estar imunizado), que na verdade não são consensuais. Existe alguma base científica para a intercambialidade, afinal o alvo da resposta é o mesmo. Mas a gente não deveria fazer isso sem um estudo clínico. As pessoas têm que fazer pressão é para receber a segunda dose de sua vacina — diz a imunologista.

Para produtos há mais anos no mercado, a recomendação é completar o esquema vacinal com a mesma vacina. Se não houver disponibilidade ou não sabendo qual foi a vacina aplicada, está permitida a intercambialidade, pontua o médico Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Com base nos estudos já existentes, ele é favorável à intercambialidade entre AstraZeneca e Pfizer, e vice-versa. Entre CoronaVac e outros imunizantes, Cunha diz ser necessário aguardar novos estudos, como o conduzido pelo Ministério da Saúde. O uso cruzado de vacinas, diz, é inevitável, sobretudo em países mais pobres, onde há escassez.

— Tem-se observado uma menor resposta com idosos e uma proteção por menos tempo. Isso preocupa por causa da Delta. E não é uma preocupação porque a CoronaVac tenha um problema, já que Israel dá a terceira dose para quem recebeu Pfizer. A questão é que temos poucos produtores de vacinas e uma inequidade no mundo. A intercambialidade vai acontecer inevitavelmente, especialmente em países mais pobres com menor acesso. Isso facilita a logística e para não haver atraso da vacinação — afirma o presidente da SBIm.

A biomédica Mellanie Fontes-Dutra, integrante do Comitê Científico do governo do Estado, afirma que os dados atuais e o uso em outros países levam a crer que o uso cruzado seria positivo no Brasil.

— Há alguns estudos principalmente focando na intercambialidade de AstraZeneca e Pfizer. E alguns países aplicam segunda dose da Pfizer para quem recebeu AstraZeneca. É seguro e gera resposta imunológica significativa, mas não temos ainda dados sobre impacto na efetividade. Pode ser interessante não só como estratégia de estimular o sistema imunológico de diferentes formas, mas também na flexibilidade de dar a segunda dose no tempo adequado mesmo se faltar dose no regime homólogo (doses iguais) — diz Mellanie, também coordenadora da Rede Análise Covid-19.

O que dizem os produtores das vacinas

A Pfizer afirmou a GZH por e-mail que não comenta estudos de terceiros e que "a utilização e disponibilização da vacina no país segue sob os critérios de recomendação do Programa Nacional de Imunizações". O Instituto Butantan afirmou que não conduz estudo sobre intercambialidade da CoronaVac com outras vacinas.

A Fiocruz enviou nota por e-mail na qual afirma que a intercambialidade deve ser usada apenas em caso de emergência e que, "embora existam dados potencialmente importantes sobre o uso de sistemas heterólogos de vacinação, não existem dados ainda sobre a duração da resposta imune com o uso de duas vacinas diferentes". Diz ainda que dados de vida real mostram que a proteção da AstraZeneca dura mais do que a de outros imunizantes.

A Fiocruz também afirmou que o adiamento da segunda dose da AstraZeneca é benéfico - cita estudo publicado na revista The Lancet mostrando que "a primeira dose pode sustentar uma eficácia de 80% por até 10 meses até a segunda dose e que esse intervalo poderia conferir uma resposta imunológica ainda mais robusta após o esquema vacinal completo".”

23/08/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/08/terceira-dose-em-idosos-ou-vacinar-adolescentes-entenda-o-debate-que-divide-especialistas-e-governos-cksp6aj0v008x0193t4wgveyt.html

“Terceira dose em idosos ou vacinar adolescentes? Entenda o debate que divide especialistas e governos

Ministério da Saúde estuda reforço nos mais velhos para evitar hospitalizações e óbitos, enquanto cidade do Rio anunciou aplicação em setembro; RS diz aguardar decisão federal

Com o avanço da variante Delta da covid-19 no Brasil e o gradual aumento de hospitalizações em diferentes regiões, incluindo Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, uma nova discussão divide especialistas e governos: para conter a piora da epidemia, é melhor aplicar a terceira dose em idosos ou finalmente vacinar adolescentes? 

A eventual aplicação da terceira dose já era esperada por cientistas, mas o dilema surge em aplicá-la agora, com escassez no mercado - hoje, apenas adolescentes com comorbidades podem ser imunizados em alguns Estados. Em Porto Alegre, a campanha chegou à população com 18 anos nesta segunda-feira (23).

Não há consenso sobre a melhor saída - de quatro imunologistas e infectologistas ouvidos por GZH, dois são a favor da terceira dose em idosos e dois, contra neste momento. De modo geral, o argumento a favor de aplicação nos mais velhos é a expectativa de protegê-los contra o risco de morte. Contra, está a constatação de que faltam evidências robustas para a decisão, algo reconhecido por todos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) é contra a terceira dose para que ingredientes da indústria cheguem a países pobres onde sequer 2% dos habitantes foram imunizados. Mas o apelo vem sendo ignorado por alguns países, que passaram a aplicar a terceira dose em quem recebeu qualquer tipo de vacina.

Israel e Chile já adotaram a medida, países como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França e Alemanha anunciaram a terceira dose para setembro, assim como a prefeitura do Rio de Janeiro. O Estado de São Paulo também estuda aplicar terceira dose.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou na semana passada que a terceira dose deve ser aplicada no Brasil em idosos e imunodeprimidos (como transplantados ou pessoas com câncer), mas apenas após os maiores de 18 anos terem sido imunizados. Ele não especificou se o reforço ocorrerá para uma vacina específica.

Também na semana passada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou a terceira dose para idosos e imunodeprimidos vacinados com a CoronaVac. Estudo conduzido pelo médico Júlio Croda, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostrou que a proteção do imunizante é menor conforme mais velho o indivíduo - a eficácia contra infecções varia de 28% para idosos com mais de 80 anos a 61,8% para pessoas de 70 a 74 anos, patamar ainda acima da proteção oferecida pela vacina da gripe.

Já estudo da Universidade de Oxford mostrou que, três meses após a segunda dose, a eficácia da Pfizer caiu para 75% e da AstraZeneca, para 61%. A avaliação é de que, entre quatro e cinco meses depois da segunda dose, a proteção oferecida pelas duas vacinas será semelhante.

Ainda não há estudos cravando que a terceira dose de qualquer vacina eleve porcentagens de proteção, e sim que aumente, em laboratório, os anticorpos. A SinoVac divulgou estudo apontando que a terceira dose da CoronaVac de seis a oito meses após a segunda injeção pode aumentar em até sete vezes a taxa de anticorpos neutralizantes, responsáveis por bloquear a entrada do vírus nas células.

Ao mesmo tempo, as vacinas também estimulam uma segunda linha de defesa contra a covid-19, a produção de células T. Pesquisas mostram que anticorpos caem com o passar do tempo, mas as células T, também importantes na proteção, se mantêm.

A imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e colunista de GZH, é contra a aplicação de terceira dose porque diz não haver estudos provando a necessidade. Aliás, observa, pesquisas apontam que duas doses da Pfizer e da AstraZeneca seguem efetivas contra a Delta.

Uma nova injeção sempre estimula a produção de mais anticorpos, mas o contato com o vírus também estimula a produção de proteínas de defesa, diz Bonorino. No caso da CoronaVac, ela observa que eventual queda de anticorpos não deve afetar a proteção.

— Há dados claros mostrando que não precisa de terceira dose porque, ainda que a resposta com anticorpos fique menos eficaz, a resposta T, que também atua na defesa, não é afetada. A CoronaVac não protege com o estímulo de anticorpos, e sim com linfócitos T. O que o Chile está fazendo é sem nenhuma evidência. Não dá para dirigir um país no achômetro. Quanto mais pessoas não vacinadas, mais vão se contaminar e mais variantes vão surgir — afirma a imunologista.

O médico Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), defende que idosos sejam revacinados antes da primeira dose em adolescentes saudáveis porque os mais velhos correm mais risco de adoecer gravemente.

No entanto, diz que o número de doses a serem recebidas pelo Ministério da Saúde em setembro deve permitir ao menos a terceira dose para idosos acima de 90 anos, imunodeprimidos e adolescentes. O Ministério da Saúde prevê receber 62,6 milhões de doses em setembro, das quais 37,5 serão Pfizer.

Kfouri lembra que o governo federal precisará decidir entre aplicar a terceira dose da mesma vacina ou de outro imunizante. Como os mais velhos foram vacinados com CoronaVac e AstraZeneca, uma terceira dose das mesmas marcas implicaria sobra de Pfizer, a única disponível para adolescentes.

— O que temos lacuna de conhecimento é em relação a qual vacina dar para quem tomou AstraZeneca ou CoronaVac. O Chile decidiu dar Pfizer e bancou. Como vai ser aqui? De toda forma, não precisaremos fazer escolhas até o fim de setembro. Devem ter mais de 60 milhões de vacinas no mês que vem. Dá pra começar o reforço com os primeiros idosos vacinados, acima dos 90 anos. Depois que chegar mais vacina, vai baixando a idade — diz.

Exemplo de Israel

O ministério da Saúde de Israel anunciou neste domingo (22) estudo apontando que a terceira dose da Pfizer aumentou significativamente a proteção contra infecções e casos graves de covid-19 em idosos. A medida começou a ser aplicada em israelenses a partir de 60 anos em 30 de julho.

Para essa população, a proteção contra infecções gerada 10 dias após a terceira dose foi quatro vezes maior do que após duas doses. Já a proteção contra casos graves e hospitalizações foi de cinco a seis vezes maior também 10 dias após a terceira dose. Agora, a terceira dose também está sendo oferecida em Israel para pessoas com mais de 40, grávidas, professores e profissionais de saúde com idade inferior.

A imunologista Viviane Boaventura, pesquisadora da Fiocruz e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), defende aplicar a terceira dose em brasileiros acima dos 80 anos, depois vacinar pela primeira vez adolescentes saudáveis e só então retomar a terceira dose de idosos abaixo dos 80 anos.

— Vale priorizar a faixa etária acima de 80 anos frente a uma faixa etária de 12 anos. É preciso fazer a ponderação. A população mais velha, além da idade, tem comorbidades, então tem um risco de hospitalização muito maior do que jovens. Se temos uma chance de essa população estar novamente exposta, com a Delta, o risco é mais alto. A quantidade de idosos acima dos 80 anos é relativamente baixa — argumenta Boaventura.

O médico Alexandre Zavascki, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e chefe da Infectologia do Hospital Moinhos de Vento, tende a acreditar que o ideal é continuar a vacinação para tentar proteger o maior número de pessoas. Ele afirma que, a despeito de estudos em laboratório mostrarem que a terceira dose estimula o sistema imune, não se sabe se isso de fato se reverterá em redução de internações.

— Idosos estão indo mais para hospital porque há muita circulação de vírus. Mesmo que vacinas não impeçam completamente a circulação da Delta, elas diminuem. É uma decisão difícil. Se colocar entre dar a terceira para idosos e completar a segunda dose em adultos, a prioridade é completar a segunda em adultos, porque o esquema vacinal é de duas doses. A proteção com uma dose é bastante inferior, sobretudo para a variante Delta — afirma.

O que dizem governos

O Ministério da Saúde afirmou por e-mail que realiza estudo para avaliar a necessidade de terceira dose da vacina contra covid-19, sem afirmar se a oferta seria para imunizados com AstraZeneca, CoronaVac, Janssen ou Pfizer.

"A recomendação da pasta é de que os entes federados sigam à risca as estratégias definidas em reunião entre representantes dos estados e municípios para que o esquema vacinal seja completo", diz a nota.

GZH questionou quando a Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul (SES-RS) começará a vacinar adolescentes no geral. A pasta afirmou que o Ministério da Saúde não deu o aval para fazê-lo e que aguarda instruções e doses para incluir o grupo na campanha.

O Estado também ressalta que, segundo a OMS, "não há justificativa plausível em termos internacionais para priorizar terceira dose enquanto a maior parte da população mundial não estiver vacinada com duas doses".

A SES-RS diz ainda que "ações como terceira dose e diminuição do tempo de aplicação da segunda dose em detrimento de ampliação da primeira dose são movimentos que favorecem de forma natural novas variantes e a perpetuação" da epidemia. "Nesse sentido, o Estado segue as orientações do Ministério da Saúde, que tem competência para essa decisão e espaço, inclusive, para dialogar com outros países", finaliza a nota.”

20/08/2021 – UOL Confere

Link: https://noticias.uol.com.br/comprova/ultimas-noticias/2021/08/20/medico-engana-ao-dizer-que-vacinas-enlouquecem-sistema-imunologico.htm

"Médico engana ao dizer que vacinas 'enlouquecem' sistema imunológico

São enganosas as alegações do médico norte-americano Dan Stock de que vacinas de covid-19 confundem o sistema imunológico de pessoas imunizadas e as tornam suscetíveis a quadros mais severos da doença, em comparação com a infecção natural. Uma postagem que divulga o discurso do médico em audiência, na cidade de Fortville, Indiana, foi compartilhada mais de 10 mil vezes no Twitter. A plataforma adicionou um aviso ao conteúdo para alertar que o material é enganoso.

No vídeo, Stock cita um fenômeno conhecido, em inglês, como Antibody-Dependent Enhancement (ADE) que, segundo ele, agravaria casos de covid entre vacinados e poderia estar relacionado ao surto recente de casos da doença nos Estados Unidos. O país aplica os imunizantes da Pfizer/BioNtech (Comirnaty), Moderna e Janssen. Não há evidências, entretanto, que essa condição esteja associada com a doença, tampouco com as vacinas.

O médico ainda tira de contexto um estudo do Centro de Prevenção e Controle de Doenças Infecciosas (CDC) dos Estados Unidos que aponta a incidência de sintomas de covid em pessoas vacinadas em Barnstable, Massachusetts. O próprio estudo afirma que a pesquisa não deve sustentar conclusões sobre a efetividade das vacinas.

O vídeo também espalha desinformação ao sugerir que máscaras faciais são ineficazes para coibir a transmissão do novo coronavírus. As melhores evidências científicas indicam que a proteção é essencial para diminuir a exposição à doença. Por fim, Stock faz propaganda de um tratamento sem comprovação científica.

O Comprova considera enganosas as publicações cujos conteúdos confundem ou usam dados imprecisos, como faz Stock ao distorcer informações de estudos para atacar vacinas.

Como verificamos?

Para investigar o conteúdo, o Comprova apurou primeiramente a ocasião em que o discurso do médico foi gravado. A reportagem identificou que as alegações de Dan Stock ocorreram em 6 de agosto de 2021, durante uma audiência na Mount Vernon School Corporation, uma associação escolar que agrega instituições de ensino voltadas a crianças e adolescentes.

O passo seguinte foi investigar quem era o autor do discurso enganoso. O Comprova identificou que Dan Stock é um médico da família que diz praticar "medicina funcional". Trata-se de um modelo alternativo baseado em uma visão holística dos sistemas biológicos do corpo humano e na individualidade do paciente. Stock é proprietário de uma loja de suplementos.

Ao buscar pelo vídeo e o nome de Dan Stock no Google, o Comprova encontrou uma série de verificações de veículos estrangeiros (1, 2, 3, 4). Segundo uma verificação do site americano Politifact, o médico indicou por correio de voz que os documentos por ele apresentados aos diretores da associação escolar foram publicados em um blog conservador.

O Comprova analisou os 22 artigos listados no site e identificou estudos retratados por inconsistências técnicas, análises não científicas e até trabalhos que contradizem os próprios apontamentos do médico na audiência. Também consultamos o epidemiologista formado pela Universidade de São Paulo (USP) Julio Ponce, bem como a imunologista da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Cristina Bonorino para analisar as alegações de Stock na reunião.

A reportagem ainda recorreu a fontes documentais, como um editorial da revista Science que minimiza o risco de ADE em vacinas de covid, orientações do CDC e da Organização Mundial da Saúde (OMS) acerca de vacinas, bem como o painel de evidências de tratamentos para covid-19 dos Institutos Nacionais de Saúde americanos (NIH).

Contatamos o médico Dan Stock por um e-mail disponibilizado em seu perfil no Linkedin, mas não obtivemos resposta até o fechamento desta reportagem.

Verificação

  • Não há evidências de que vacinas causam ADE

Ao contrário do que sugere Stock, não há evidências de que vacinas de covid-19 favorecem uma exacerbação da doença mediada por anticorpos. Essa condição, mais conhecida na língua inglesa como Antibody-Dependent Enhancement, descreve um fenômeno em que anticorpos gerados anteriormente por uma infecção natural ou induzidos por vacinas não conseguem neutralizar o vírus em uma nova infecção, e podem facilitar o ataque do patógeno às células do hospedeiro.

Durante seu discurso, o médico sugere que o fenômeno poderia estar associado com aumentos recentes nos números de casos em algumas regiões dos Estados Unidos. Stock cita que foram observados sinais de ADE em estudos com animais durante o desenvolvimento de vacinas contra a Sars, outro coronavírus que foi pivô de uma epidemia em 2003, na China. De fato, a possibilidade de ocorrência dessa condição foi uma preocupação de cientistas no desenvolvimento de vacinas contra a covid, mas nem os estudos pré-clínicos com animais nem ensaios em humanos identificaram evidências do fenômeno, ressalta um editorial da revista Science sobre o assunto, publicado em fevereiro deste ano.

O artigo evidencia ainda que a hipótese levou cientistas a adotarem estratégias para minimizar os riscos de ADE no desenvolvimento das vacinas contra a covid.Também não há evidências de que novas variantes possam desencadear a condição, tampouco o monitoramento de efeitos adversos realizado por agências sanitárias indicou qualquer sinal do problema.

Outra evidência que torna a hipótese improvável é que experimentos com tratamentos baseados em plasma convalescente (com anticorpos contra covid-19) não provocaram exacerbação da doença em voluntários. Até o momento, as evidências da vacinação no 'mundo real' mostram que os imunizantes são eficazes em prevenir formas graves da doença. Cerca de 99% das mortes e hospitalizações por covid-19, nos Estados Unidos, ocorrem em pessoas não imunizadas.

Vale ressaltar que o compilado de evidências citado por Stock não contém nenhum estudo que prove a ocorrência de exacerbação de covid mediada por anticorpos. Uma das pesquisas analisou casos de covid em profissionais de saúde vacinados e apontou que a maioria teve sintomas leves ou quadros assintomáticos.

  • Aumento de casos não é consequência da vacina

Para atacar a vacinação, o médico cita que em Barnstable, cidade de aproximadamente 44 mil habitantes em Massachusetts, 75% dos novos casos de covid-19 ocorreram em pessoas vacinadas. A informação foi retirada de um estudo do CDC, divulgado no final de julho, que avaliou 469 ocorrências da doença na cidade americana.

Os autores da pesquisa, no entanto, destacam no próprio relatório que o levantamento é insuficiente para fornecer conclusões sobre a eficácia das vacinas de covid, incluindo a variante delta, que atualmente corresponde à cepa predominante no país.

"À medida que a cobertura vacinal a nível populacional aumenta, é esperado que as pessoas vacinadas representem uma proporção maior de casos de covid-19. Em segundo lugar, infecções assintomáticas podem estar subrepresentadas por causa do viés de detecção", explicam os autores no texto.

Entre as pessoas completamente vacinadas, apenas quatro tiveram que ser hospitalizadas e nenhuma morte foi registrada. O estudo ainda afirma que a "vacinação é a estratégia mais importante para prevenir casos graves e óbitos" e recomenda a expansão de estratégias não farmacológicas, como o uso de máscaras em locais fechados, independentemente do grau de vacinação do indivíduo.

Como já explicou o Comprova, os imunizantes já aprovados por agências de saúde nos Estados Unidos e no Brasil foram desenvolvidos para prevenir casos sintomáticos da doença. Nenhuma vacina elimina totalmente o risco de contrair covid, embora reduzam significativamente as chances do paciente desenvolver formas graves. Segundo o CDC, as vacinas também reduzem o risco de pessoas espalharem o novo coronavírus para outras, mas não excluem completamente essa possibilidade.

O doutor em epidemiologia da Universidade de São Paulo (USP) Julio Ponce lembra que os recentes aumentos de hospitalizações por covid nos EUA estão associados a pessoas não vacinadas. "Mesmo que consideremos que alguns vacinados peguem a doença, eles têm um risco diminuído de agravamento. Em Indiana, onde o vídeo foi gravado, 96% dos novos casos são de pessoas que não se vacinaram", afirma.

  • Alerta especial para variante delta

O CDC alerta, entretanto, para casos raros em que vacinados são infectados pela variante delta. Apesar das vacinas serem "altamente eficazes" em evitar o agravamento de infecções desta cepa do novo coronavírus, diferentemente de outras variantes, a delta parece produzir quantidades similares de vírus tanto em pessoas não vacinadas quanto em pessoas totalmente vacinadas.

Por outro lado, a carga viral produzida pelas infecções da variante delta em pessoas totalmente imunizadas diminui mais rapidamente do que as infecções naqueles que não tomaram esquema vacinal completo. "Isto significa que as pessoas totalmente vacinadas [transmitem o vírus] por menos tempo do que as pessoas não vacinadas.", afirma o CDC.

  • Melhores evidências indicam que uso de máscaras é eficaz

Stock acerta ao afirmar que o novo coronavírus é propagado por meio de pequenas gotículas chamadas aerossóis. Ele desinforma, no entanto, ao sugerir que devido ao tamanho das partículas, o uso de máscaras não seria eficaz para coibir a transmissão da covid-19. Embora parte dos aerossóis possam escapar das máscaras, o equipamento ainda é essencial para controlar a pandemia.

Segundo o epidemiologista Julio Ponce, trabalhos científicos mostram que o uso da máscara promove uma redução bastante sensível de infectados em contexto de surtos de coronavírus. Ele cita um artigo publicado na conceituada revista de medicina JAMA, o qual afirma que antes da pandemia de covid, o uso comunitário de máscaras para reduzir a transmissão de vírus respiratórios era controverso devido a falta de evidências relevantes sobre a prática.

Ao longo da crise sanitária, entretanto, as evidências científicas cresceram. O artigo pontua que em trabalhos recentes, máscaras de pano de várias camadas bloquearam de 50% até 70% das gotículas pequenas exaladas por uma pessoa infectada. O relatório explica que as máscaras ainda servem como uma barreira contra as gotículas maiores.

O compilado de documentos de Stock contra o uso de máscaras reúne desde análises informais de postagens em blogs, estudos retratados por inconsistências técnicas (1, 2), trabalhos não conclusivos sobre a eficácia da medida (1), até mesmo pesquisas que, na verdade, sugerem benefícios das máscaras. É o caso, por exemplo, deste artigo que conclui que a análise mostra evidências de que estados americanos com regras para uso da proteção registraram uma maior queda nas taxas de diárias de covid, em comparação a outros que não adotaram a medida.

"O que pode ser colocado em contexto é que há máscaras que protegem mais do que outras. Os estudos que o médico menciona parecem ser aqueles feitos com máscaras cirúrgicas, que são adequadas para limitar a projeção de gotículas e aerossóis de quem as usa, mas não são tão eficazes para proteger de aerossóis possivelmente contaminados no ambiente", afirma Ponce.

O especialista pontua que, por esse motivo, máscaras PFF2/N95 são mais recomendadas para locais de alta exposição, uma vez que os equipamentos são capazes de filtrar até 95% de partículas pequenas.

  • Vacinas são importantes mesmo para recuperados da covid

Outra informação enganosa do vídeo corresponde à alegação de Stock de que as vacinas de covid não promovem benefícios a quem já se recuperou da doença.

De acordo com o CDC, pesquisadores ainda não estabeleceram por quanto tempo dura a imunidade conferida pela infecção natural ou pelas vacinas. Por outro lado, a agência diz que estudos indicam que os imunizantes podem aprimorar a proteção de pessoas que já se recuperaram da infecção.

Já a OMS afirma que a "maioria das pessoas infectadas com Sars-CoV-2 desenvolvem uma resposta imune nas primeiras semanas, mas ainda estamos aprendendo o quão forte e duradoura é essa resposta imune, e como ela varia entre diferentes pessoas, acrescentando que "mesmo que você tenha tido uma infecção anterior, a vacina age como um reforço que fortalece a resposta imune."

Em entrevista ao Comprova, a professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre Cristina Bonorino explica que, no caso da infecção natural, o microorganismo evolui para escapar das respostas imunes do hospedeiro, e por isso nem sempre a imunidade deixada após a infecção é eficaz e duradoura.

"As vacinas, por outro lado, focam em estimular mecanismos importantes para controlar a multiplicação do microorganismo no indivíduo, sem a desvantagem do que acontece na infecção natural. Vacinas, portanto, geram respostas mais eficazes que a infecção natural", comenta a especialista.

A Agência Lupa fez uma verificação de boato semelhante

  • Tratamento divulgado pelo médico não tem comprovação científica

No vídeo, o médico faz propaganda de substâncias sem benefícios comprovados contra a covid-19 ao citar que tratou 15 pacientes com um protocolo de ivermectina, zinco e vitamina D. O relato de Stock, entretanto, não configura evidência de que o tratamento funcione.

Como já explicou o Comprova em outras verificações, para atestar a eficácia de um medicamento contra a covid, são necessários múltiplos ensaios clínicos randomizados com estrutura adequada e número extenso de participantes. O Painel de Diretrizes de Tratamentos para Covid, dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH), afirma que não há dados suficientes para recomendar a favor ou contra o uso da ivermectina para o tratamento da doença.

"São necessários resultados de ensaios clínicos adequadamente desenvolvidos, bem concebidos e bem conduzidos para fornecer orientações mais específicas e baseadas em evidências sobre o papel da ivermectina no tratamento da covid-19", diz o documento

No compilado de documentos de Stock constam estudos que sugerem potenciais benefícios da vitamina D no tratamento da covid-19. As diretrizes do NIH, entretanto, informam que também faltam mais dados para recomendar contra ou a favor do uso da suplementação da substância como terapia contra o novo coronavírus.

O órgão emitiu a mesma recomendação para o uso do Zinco, porém, o painel alerta contra a suplementação acima dos níveis de dieta recomendados, uma vez que o consumo excessivo da substância pode ocasionar deficiência de cobre no sangue e outras doenças.

  • Quem é Stock

Daniel "Dan" Stock se define no Linkedin como um médico de família experiente e com formação em medicina funcional, um ramo alternativo cujos métodos não têm comprovação científica. De acordo com a rede social, ele se formou na Indiana University School of Medicine em 1988.

Segundo o breve perfil de Dan Stock no Top NPI, um site pensado para auxiliar moradores dos Estados Unidos a encontrarem médicos próximos de onde moram, o profissional tem 33 anos de experiência na medicina e é licenciado para exercer a profissão pelo conselho estadual de Indiana.

Após falar ao conselho escolar da Mount Vernon School Corporation, no condado de Hancock, em Indiana, Stock publicou um texto no Linkedin para agradecer o "apoio esmagador de todos". O teor da mensagem sugere que as medidas adotadas no contexto do enfrentamento à covid-19 são atentatórias às liberdades individuais.

"Por favor, rezem por mim, por nossa própria liberdade que nosso próprio governo federal ameaça, mas como vocês, chamem vocês legisladores estaduais e locais e exijam que eles não sirvam aos especialistas selecionados pelos lobistas federais, mas a você", ele escreveu.

O Projeto Comprova enviou questionamentos ao profissional no endereço de e-mail disponibilizado por ele no Linkedin, mas não obteve retorno até a publicação desta checagem.

Por que investigamos?

Em sua quarta fase, o Comprova checa conteúdos suspeitos sobre o governo federal, eleições ou a pandemia que tenham atingido alto grau de viralização. A postagem verificada nesta matéria alcançou mais de 10 mil visualizações no Twitter. Segundo agências de checagem estrangeiras, o mesmo discurso enganoso de Dan Stock atingiu milhões de usuários em outros países.

As alegações do médico são perigosas ao espalhar informações falsas para atacar medidas essenciais para o combate à pandemia, como o uso de máscaras e a vacinação em massa. Essas práticas são recomendadas e defendidas pelas principais agências de saúde no Brasil e no exterior e têm respaldo em evidências científicas relevantes.

O mesmo conteúdo foi verificado por uma série de veículos estrangeiros, incluindo Politifact, Associated Press, Agência Reuters e Verify This. Conteúdos semelhantes já foram desmentidos por veículos brasileiros, como o Estadão Verifica, Aos Fatos e Agência Lupa.

O Comprova também já verificou outras afirmações equivocadas sobre a imunização em massa contra a covid. Um boato recente afirmava enganosamente que não há lógica por trás da vacinação para conter a pandemia. Outro conteúdo tirou de contexto uma entrevista de uma autoridade de saúde americana na tentativa de desqualificar a segurança dos imunizantes usados no país. Uma terceira postagem distorcia dados de efeitos adversos da vacina da Pfizer em adolescentes.

Enganoso, para o Comprova, são conteúdos retirados do contexto original e usados em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Este conteúdo foi investigado por O Estado de S. Paulo e O Povo, e verificado por Correio de Carajás, piauí, Folha, Correio Braziliense, GaúchaZH e Jornal Correio. A checagem foi publicada pelo projeto Comprova no dia 19 de agosto de 2021."

19/08/2021 – Estado de Minas Internacional

Link: https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2021/08/19/interna_internacional,1297585/medico-americano-engana-ao-dizer-que-vacinas-agravam-a-covid-19.shtml

"Médico americano engana ao dizer que vacinas agravam a COVID-19

O discurso do médico Dan Stock, propagado em publicação viral no Twitter, é enganoso ao associar vacinas ao aumento no números de casos nos Estados Unidos

São enganosas as alegações do médico norte-americano Dan Stock de que vacinas de covid-19 confundem o sistema imunológico de pessoas imunizadas e as tornam suscetíveis a quadros mais severos da doença, em comparação com a infecção natural. Uma postagem que divulga o discurso do médico em audiência, na cidade de Fortville, Indiana, foi compartilhada mais de 10 mil vezes no Twitter. A plataforma adicionou um aviso ao conteúdo para alertar que o material é enganoso.

No vídeo, Stock cita um fenômeno conhecido, em inglês, como Antibody-Dependent Enhancement (ADE) que, segundo ele, agravaria casos de covid entre vacinados e poderia estar relacionado ao surto recente de casos da doença nos Estados Unidos. O país aplica os imunizantes da Pfizer/BioNtech (Comirnaty), Moderna e Janssen. Não há evidências, entretanto, que essa condição esteja associada com a doença, tampouco com as vacinas.

O médico ainda tira de contexto um estudo do Centro de Prevenção e Controle de Doenças Infecciosas (CDC) dos Estados Unidos que aponta a incidência de sintomas de covid em pessoas vacinadas em Barnstable, Massachusetts. O próprio estudo afirma que a pesquisa não deve sustentar conclusões sobre a efetividade das vacinas.

O vídeo também espalha desinformação ao sugerir que máscaras faciais são ineficazes para coibir a transmissão do novo coronavírus. As melhores evidências científicas indicam que a proteção é essencial para diminuir a exposição à doença. Por fim, Stock faz propaganda de um tratamento sem comprovação científica.

O Comprova considera enganosas as publicações cujos conteúdos confundem ou usam dados imprecisos, como faz Stock ao distorcer informações de estudos para atacar vacinas.

Como verificamos?

Para investigar o conteúdo, o Comprova apurou primeiramente a ocasião em que o discurso do médico foi gravado. A reportagem identificou que as alegações de Dan Stock ocorreram em 6 de agosto de 2021, durante uma audiência na Mount Vernon School Corporation, uma associação escolar que agrega instituições de ensino voltadas a crianças e adolescentes.

O passo seguinte foi investigar quem era o autor do discurso enganoso. O Comprova identificou que Dan Stock é um médico da família que diz praticar "medicina funcional". Trata-se de um modelo alternativo baseado em uma visão holística dos sistemas biológicos do corpo humano e na individualidade do paciente. Stock é proprietário de uma loja de suplementos.

Ao buscar pelo vídeo e o nome de Dan Stock no Google, o Comprova encontrou uma série de verificações de veículos estrangeiros (1, 2, 3, 4). Segundo uma verificação do site americano Politifact, o médico indicou por correio de voz que os documentos por ele apresentados aos diretores da associação escolar foram publicados em um blog conservador.

O Comprova analisou os 22 artigos listados no site e identificou estudos retratados por inconsistências técnicas, análises não científicas e até trabalhos que contradizem os próprios apontamentos do médico na audiência. Também consultamos o epidemiologista da Universidade de São Paulo (USP) Julio Ponce, bem como a imunologista da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Cristina Bonorino para analisar as alegações de Stock na reunião.

A reportagem ainda recorreu a fontes documentais, como um editorial da revista Science que minimiza o risco de ADE em vacinas de covid, orientações do CDC e da Organização Mundial da Saúde (OMS) acerca de vacinas, bem como o painel de evidências de tratamentos para covid-19 dos Institutos Nacionais de Saúde americanos (NIH).

Contatamos o médico Dan Stock por um e-mail disponibilizado em seu perfil no Linkedin, mas não obtivemos resposta até o fechamento desta reportagem.

Não há evidências de que vacinas causam ADE

Ao contrário do que sugere Stock, não há evidências de que vacinas de covid-19 favorecem uma exacerbação da doença mediada por anticorpos. Essa condição, mais conhecida na língua inglesa como Antibody-Dependent Enhancement, descreve um fenômeno em que anticorpos gerados anteriormente por uma infecção natural ou induzidos por vacinas não conseguem neutralizar o vírus em uma nova infecção, e podem facilitar o ataque do patógeno às células do hospedeiro.

Durante seu discurso, o médico sugere que o fenômeno poderia estar associado com aumentos recentes nos números de casos em algumas regiões dos Estados Unidos. Stock cita que foram observados sinais de ADE em estudos com animais durante o desenvolvimento de vacinas contra a Sars, outro coronavírus que foi pivô de uma epidemia em 2003, na China. De fato, a possibilidade de ocorrência dessa condição foi uma preocupação de cientistas no desenvolvimento de vacinas contra a covid, mas nem os estudos pré-clínicos com animais nem ensaios em humanos identificaram evidências do fenômeno, ressalta um editorial da revista Science sobre o assunto, publicado em fevereiro deste ano.

O artigo evidencia ainda que a hipótese levou cientistas a adotarem estratégias para minimizar os riscos de ADE no desenvolvimento das vacinas contra a covid.Também não há evidências de que novas variantes possam desencadear a condição, tampouco o monitoramento de efeitos adversos realizado por agências sanitárias indicou qualquer sinal do problema.

Outra evidência que torna a hipótese improvável é que experimentos com tratamentos baseados em plasma convalescente (com anticorpos contra covid-19) não provocaram exacerbação da doença em voluntários. Até o momento, as evidências da vacinação no 'mundo real' mostram que os imunizantes são eficazes em prevenir formas graves da doença. Cerca de 99% das mortes e hospitalizações por covid-19, nos Estados Unidos, ocorrem em pessoas não imunizadas.

Vale ressaltar que o compilado de evidências citado por Stock não contém nenhum estudo que prove a ocorrência de exacerbação de covid mediada por anticorpos. Uma das pesquisas analisou casos de covid em profissionais de saúde vacinados e apontou que a maioria teve sintomas leves ou quadros assintomáticos.

Aumento de casos não é consequência da vacina

Para atacar a vacinação, o médico cita que em Barnstable, cidade de aproximadamente 44 mil habitantes em Massachusetts, 75% dos novos casos de covid-19 ocorreram em pessoas vacinadas. A informação foi retirada de um estudo do CDC, divulgado no final de julho, que avaliou 469 ocorrências da doença na cidade americana.

Os autores da pesquisa, no entanto, destacam no próprio relatório que o levantamento é insuficiente para fornecer conclusões sobre a eficácia das vacinas de covid, incluindo a variante delta, que atualmente corresponde à cepa predominante no país.

"À medida que a cobertura vacinal a nível populacional aumenta, é esperado que as pessoas vacinadas representem uma proporção maior de casos de covid-19. Em segundo lugar, infecções assintomáticas podem estar subrepresentadas por causa do viés de detecção", explicam os autores no texto.

Entre as pessoas completamente vacinadas, apenas quatro tiveram que ser hospitalizadas e nenhuma morte foi registrada. O estudo ainda afirma que a "vacinação é a estratégia mais importante para prevenir casos graves e óbitos" e recomenda a expansão de estratégias não farmacológicas, como o uso de máscaras em locais fechados, independentemente do grau de vacinação do indivíduo.

Como já explicou o Comprova, os imunizantes já aprovados por agências de saúde nos Estados Unidos e no Brasil foram desenvolvidos para prevenir casos sintomáticos da doença. Nenhuma vacina elimina totalmente o risco de contrair covid, embora reduzam significativamente as chances do paciente desenvolver formas graves. Segundo o CDC, as vacinas também reduzem o risco de pessoas espalharem o novo coronavírus para outras, mas não excluem completamente essa possibilidade.

O doutor em epidemiologia da Universidade de São Paulo (USP) Julio Ponce lembra que os recentes aumentos de hospitalizações por covid nos EUA estão associados a pessoas não vacinadas. "Mesmo que consideremos que alguns vacinados peguem a doença, eles têm um risco diminuído de agravamento. Em Indiana, onde o vídeo foi gravado, 96% dos novos casos são de pessoas que não se vacinaram", afirma.

Alerta especial para variante delta

O CDC alerta, entretanto, para casos raros em que vacinados são infectados pela variante delta. Apesar das vacinas serem "altamente eficazes" em evitar o agravamento de infecções desta cepa do novo coronavírus, diferentemente de outras variantes, a delta parece produzir quantidades similares de vírus tanto em pessoas não vacinadas quanto em pessoas totalmente vacinadas.

Por outro lado, a carga viral produzida pelas infecções da variante delta em pessoas totalmente imunizadas diminui mais rapidamente do que as infecções naqueles que não tomaram esquema vacinal completo. "Isto significa que as pessoas totalmente vacinadas [transmitem o vírus] por menos tempo do que as pessoas não vacinadas.", afirma o CDC.

Melhores evidências indicam que uso de máscaras é eficaz

Stock acerta ao afirmar que o novo coronavírus é propagado por meio de pequenas gotículas chamadas aerossóis. Ele desinforma, no entanto, ao sugerir que devido ao tamanho das partículas, o uso de máscaras não seria eficaz para coibir a transmissão da covid-19. Embora parte dos aerossóis possam escapar das máscaras, o equipamento ainda é essencial para controlar a pandemia.

Segundo o epidemiologista Julio Ponce, trabalhos científicos mostram que o uso da máscara promove uma redução bastante sensível de infectados em contexto de surtos de coronavírus. Ele cita um artigo publicado na conceituada revista de medicina JAMA, o qual afirma que antes da pandemia de covid, o uso comunitário de máscaras para reduzir a transmissão de vírus respiratórios era controverso devido a falta de evidências relevantes sobre a prática.

Ao longo da crise sanitária, entretanto, as evidências científicas cresceram. O artigo pontua que em trabalhos recentes, máscaras de pano de várias camadas bloquearam de 50% até 70% das gotículas pequenas exaladas por uma pessoa infectada. O relatório explica que as máscaras ainda servem como uma barreira contra as gotículas maiores.

O compilado de documentos de Stock contra o uso de máscaras reúne desde análises informais de postagens em blogs, estudos retratados por inconsistências técnicas (1, 2), trabalhos não conclusivos sobre a eficácia da medida (1), até mesmo pesquisas que, na verdade, sugerem benefícios das máscaras. É o caso, por exemplo, deste artigo que conclui que a análise mostra evidências de que estados americanos com regras para uso da proteção registraram uma maior queda nas taxas de diárias de covid, em comparação a outros que não adotaram a medida.

"O que pode ser colocado em contexto é que há máscaras que protegem mais do que outras. Os estudos que o médico menciona parecem ser aqueles feitos com máscaras cirúrgicas, que são adequadas para limitar a projeção de gotículas e aerossóis de quem as usa, mas não são tão eficazes para proteger de aerossóis possivelmente contaminados no ambiente", afirma Ponce.

O especialista pontua que, por esse motivo, máscaras PFF2/N95 são mais recomendadas para locais de alta exposição, uma vez que os equipamentos são capazes de filtrar até 95% de partículas pequenas.

Vacinas são importantes mesmo para recuperados da COVID

 Outra informação enganosa do vídeo corresponde à alegação de Stock de que as vacinas de covid não promovem benefícios a quem já se recuperou da doença.

De acordo com o CDC, pesquisadores ainda não estabeleceram por quanto tempo dura a imunidade conferida pela infecção natural ou pelas vacinas. Por outro lado, a agência diz que estudos indicam que os imunizantes podem aprimorar a proteção de pessoas que já se recuperaram da infecção.

Já a OMS afirma que a "maioria das pessoas infectadas com Sars-CoV-2 desenvolvem uma resposta imune nas primeiras semanas, mas ainda estamos aprendendo o quão forte e duradoura é essa resposta imune, e como ela varia entre diferentes pessoas, acrescentando que "mesmo que você tenha tido uma infecção anterior, a vacina age como um reforço que fortalece a resposta imune."

Em entrevista ao Comprova, a professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre Cristina Bonorino explica que, no caso da infecção natural, o microorganismo evolui para escapar das respostas imunes do hospedeiro, e por isso nem sempre a imunidade deixada após a infecção é eficaz e duradoura.

"As vacinas, por outro lado, focam em estimular mecanismos importantes para controlar a multiplicação do microorganismo no indivíduo, sem a desvantagem do que acontece na infecção natural. Vacinas, portanto, geram respostas mais eficazes que a infecção natural", comenta a especialista.

A Agência Lupa fez uma verificação de boato semelhante

Tratamento divulgado pelo médico não tem comprovação científica. No vídeo, o médico faz propaganda de substâncias sem benefícios comprovados contra a covid-19 ao citar que tratou 15 pacientes com um protocolo de ivermectina, zinco e vitamina D. O relato de Stock, entretanto, não configura evidência de que o tratamento funcione.

Como já explicou o Comprova em outras verificações, para atestar a eficácia de um medicamento contra a covid, são necessários múltiplos ensaios clínicos randomizados com estrutura adequada e número extenso de participantes. O Painel de Diretrizes de Tratamentos para Covid, dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH), afirma que não há dados suficientes para recomendar a favor ou contra o uso da ivermectina para o tratamento da doença.

"São necessários resultados de ensaios clínicos adequadamente desenvolvidos, bem concebidos e bem conduzidos para fornecer orientações mais específicas e baseadas em evidências sobre o papel da ivermectina no tratamento da covid-19", diz o documento

No compilado de documentos de Stock constam estudos que sugerem potenciais benefícios da vitamina D no tratamento da covid-19. As diretrizes do NIH, entretanto, informam que também faltam mais dados para recomendar contra ou a favor do uso da suplementação da substância como terapia contra o novo coronavírus.

O órgão emitiu a mesma recomendação para o uso do Zinco, porém, o painel alerta contra a suplementação acima dos níveis de dieta recomendados, uma vez que o consumo excessivo da substância pode ocasionar deficiência de cobre no sangue e outras doenças.

Quem é Stock

Daniel "Dan" Stock se define no Linkedin como um médico de família experiente e com formação em medicina funcional, um ramo alternativo cujos métodos não têm comprovação científica. De acordo com a rede social, ele se formou na Indiana University School of Medicine em 1988.

Segundo o breve perfil de Dan Stock no Top NPI, um site pensado para auxiliar moradores dos Estados Unidos a encontrarem médicos próximos de onde moram, o profissional tem 33 anos de experiência na medicina e é licenciado para exercer a profissão pelo conselho estadual de Indiana.

Após falar ao conselho escolar da Mount Vernon School Corporation, no condado de Hancock, em Indiana, Stock publicou um texto no Linkedin para agradecer o "apoio esmagador de todos". O teor da mensagem sugere que as medidas adotadas no contexto do enfrentamento à covid-19 são atentatórias às liberdades individuais.

"Por favor, rezem por mim, por nossa própria liberdade que nosso próprio governo federal ameaça, mas como vocês, chamem vocês legisladores estaduais e locais e exijam que eles não sirvam aos especialistas selecionados pelos lobistas federais, mas a você", ele escreveu.

O Projeto Comprova enviou questionamentos ao profissional no endereço de e-mail disponibilizado por ele no Linkedin, mas não obteve retorno até a publicação desta checagem.

Por que investigamos?

Em sua quarta fase, o Comprova checa conteúdos suspeitos sobre o governo federal, eleições ou a pandemia que tenham atingido alto grau de viralização. A postagem verificada nesta matéria alcançou mais de 10 mil visualizações no Twitter. Segundo agências de checagem estrangeiras, o mesmo discurso enganoso de Dan Stock atingiu milhões de usuários em outros países.

As alegações do médico são perigosas ao espalhar informações falsas para atacar medidas essenciais para o combate à pandemia, como o uso de máscaras e a vacinação em massa. Essas práticas são recomendadas e defendidas pelas principais agências de saúde no Brasil e no exterior e têm respaldo em evidências científicas relevantes.

O mesmo conteúdo foi verificado por uma série de veículos estrangeiros, incluindo Politifact, Associated Press, Agência Reuters e Verify This. Conteúdos semelhantes já foram desmentidos por veículos brasileiros, como o Estadão Verifica, Aos Fatos e Agência Lupa.

O Comprova também já verificou outras afirmações equivocadas sobre a imunização em massa contra a covid. Um boato recente afirmava enganosamente que não há lógica por trás da vacinação para conter a pandemia. Outro conteúdo tirou de contexto uma entrevista de uma autoridade de saúde americana na tentativa de desqualificar a segurança dos imunizantes usados no país. Uma terceira postagem distorcia dados de efeitos adversos da vacina da Pfizer em adolescentes.

Enganoso, para o Comprova, são conteúdos retirados do contexto original e usados em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano."

17/08/2021 – GZH

Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/08/projeto-oferece-atendimento-psicologico-gratuito-para-idosos-durante-a-pandemia-cksgjb7330097013brw26d0eh.html

"Projeto oferece atendimento psicológico gratuito para idosos durante a pandemia

Serviço é uma iniciativa da UFCSPA em parceria com a Santa Casa de Misericórdia e tem abrangência nacional

Lançado em abril deste ano, o projeto Acolhendo Idosos na Pandemia oferece atendimento psicológico gratuito para pessoas acima dos 60 anos com sinais de ansiedade, depressão ou uso excessivo de álcool. A iniciativa tem abrangência nacional e é resultado de uma parceria entre a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e a Santa Casa de Misericórdia.

Os atendimentos são realizados por telefone, mediante ligação gratuita para o número 0800-760-5151. De acordo com a professora Analuiza Camozzato, chefe do Serviço de Psiquiatria da Santa Casa e coordenadora do projeto, qualquer idoso que estiver se sentindo triste, sozinho, nervoso ou achar que está bebendo mais e que precisa de ajuda pode entrar em contato. O serviço está disponível todos os dias, inclusive aos sábados e domingos, das 8h às 19h.

Analuiza explica que, no primeiro contato, a pessoa responderá a algumas perguntas feitas por pesquisadores e alunos da universidade, a fim de avaliar se ela realmente apresenta um quadro depressivo ou ansioso e/ou problemas com o uso de álcool. Se o idoso tiver algum desses sintomas, passará a receber atendimento por telefone com médicos psiquiatras e psicólogos formados e treinados para atender esse tipo de demanda. 

As sessões de psicoterapia iniciam em até dois dias depois da primeira ligação, salienta a professora. No total, são oferecidas quatro consultas, que ocorrem uma vez por semana e têm duração de 30 a 40 minutos. Após o término dos atendimentos, é realizada uma nova avaliação para verificar a efetividade do tratamento.

— Acredito que estamos oferecendo um importante serviço para a população. Continuamos abertos para novos atendimentos, pois temos certeza de que ainda há muitas pessoas acima dos 60 anos que estão precisando de suporte psicológico — destaca Analuzia.

O projeto conta com uma equipe multidisciplinar com mais de 40 profissionais envolvidos, com supervisão permanente de professores da UFCSPA."

14/08/2021 – GZH

Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/08/uso-de-mascara-de-forma-correta-ainda-e-ferramenta-de-combate-ao-coronavirus-alertam-infectologistas-ckscb7uja003g013buya21cak.html

"Uso de máscara de forma correta ainda é ferramenta de combate ao coronavírus, alertam infectologistas

Quem utiliza o item sem cobrir corretamente nariz e boca não está se protegendo e não protege o outro

Um alerta para quem usa máscara de proteção respiratória sem cobrir o nariz: mais do que oferecer risco ao outro, a maior prejudicada é a própria pessoa que insiste em usar a proteção de forma incorreta. Infectologistas afirmam que o uso de máscara continua sendo uma das principais ferramentas no combate à pandemia de coronavírus.

O médico Alessandro Pasqualotto, chefe do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), reforça que, ao usar a máscara, a pessoa protege os demais da transmissão das suas partículas respiratórias, que são eliminadas pela boca e pelo nariz.

 — Não faz o menor sentido cobrir apenas a boca. Em proximidade com outras pessoas, o vírus tem menor chance de ser transmitido se todos estiverem usando a máscara de forma correta.

Símbolo de proteção na pandemia, máscaras reduzem em 87% a chance de contrair covid-19, aponta pesquisaSímbolo de proteção na pandemia, máscaras reduzem em 87% a chance de contrair covid-19, aponta pesquisa

Hospital Conceição confirma mais duas mortes por surto de covid-19Hospital Conceição confirma mais duas mortes por surto de covid-19

Pasqualotto lembra da queda no número de casos de covid-19 nos Estados Unidos e na Inglaterra, o relaxamento das medidas de proteção nestes países e o consequente aumento dos casos da doença. O médico admite estar receoso com o que identifica como "abertura acelerada" nas cidades gaúchas.

 — Acho que é preciso abrir, mas muito cuidado com ambientes fechados e com pessoas não usando máscara. Precisamos ter um pouco mais de atenção ao que ocorreu nos Estados Unidos e na Inglaterra, porque tudo pode voltar em grande escala. Podemos dar o exemplo, se mantivermos as medidas de uso de máscara e distanciamento social.

Chefe do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Eduardo Sprinz acrescenta que o nariz pode ser uma porta de entrada importante para o coronavírus.

 — A transmissão se dá por gotículas e por aerossol. Então, se a pessoa inspira o ar e nele tem o vírus, ela pode ser contaminada. Quando falamos que é preciso cobrir boca e nariz, é, justamente, porque o nariz tem secreções e onde a pessoa pode ser contaminada e pode transmitir ao outro  — esclarece.

Sprinz orienta que os vacinados mantenham o uso da máscara. O ideal, segundo ele, é que as pessoas usem, pelo menos, a máscara cirúrgica  — ela apresenta como diferencial um material que filtra partículas menores que os tecidos comuns. O infectologista do Clínicas também lembra da potência da variante Delta, mais transmissível do que outras variantes do coronavírus, que já circula no Estado.

— Quanto menos as pessoas se protegerem, maior será a chance da variante Delta circular no nosso meio. Baseado nos outros locais onde ela já existe, sabemos que o número de casos aumenta mesmo entre os vacinados — lembra Sprinz.

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre (SMS) apontou que o uso de máscaras reduz em 87% a chance de ser infectado pelo SARS-CoV-2. Além disso, o estudo concluiu que pessoas que aderem moderada a intensamente ao distanciamento social têm entre 59% e 75% menos chances de contrair o coronavírus.

O decreto estadual 55.882, que institui  o  Sistema  de  Avisos,  Alertas  e  Ações  para enfrentamento à pandemia no  Rio  Grande  do  Sul, prevê advertência ou multa, a partir de R$ 2 mil, para quem não usar máscara corretamente em espaços  públicos, espaços privados com acesso público e em transportes públicos coletivos."

16/08/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/08/nova-mutacao-do-coronavirus-delta-plus-passa-a-ganhar-a-atencao-de-pesquisadores-cksfaftfu00bk0193jf2dmet9.html

"Nova mutação do coronavírus, Delta Plus passa a ganhar a atenção de pesquisadores

Infectologistas e virologistas afirmam que relaxamento de medidas de prevenção aumenta o risco do surgimento de variantes

Detectada pela primeira vez no Nepal, uma subvariante da Delta, chamada de Delta Plus, começa a ganhar atenção dos cientistas. Ela já foi identificada em pelo menos 30 países — o Brasil não está na lista. Segundo o rastreador Outbreak.info do instituto de pesquisa Scripps Research, até a publicação desta matéria, 612 casos da subvariante do coronavírus haviam sido detectados, a maioria deles nos Estados Unidos.

De acordo com o coordenador da Rede Corona-Ômica BR-MCTI, Fernando Spilki, também professor do mestrado em Virologia da Universidade Feevale, a Delta Plus traz mais uma mutação na proteína spike (K417N), que também é encontrada em outras variantes e responsável por ajudar o coronavírus a entrar na célula.

— Há dúvidas sobre o quanto essa variante, de fato, traz uma preocupação mais alta — declara o especialista.

Spilki esclarece que, a cada nova infecção, o vírus sofre mutações, e muitas delas não permanecerão. Todavia, quando as alterações no genoma podem dar ao vírus uma vantagem, como uma maior transmissibilidade, essas mutações se acumulam. Essa condição é capaz de dar origem a novas variantes, que podem se disseminar.

— Como é um processo que se dá ao acaso, quanto mais casos de covid-19 ativos, mais chances do surgimento de novas variantes — alerta Spilki.

Para o médico Alessandro Pasqualotto, chefe do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Misericórdia da Capital e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), tem havido uma ênfase exagerada na importância das variantes por existir uma teoria de que elas sejam mais transmissíveis. Ele sugere que as variantes podem não estar transmitindo mais, mas sendo detectadas na presença de aglomerações populacionais.

— Da variante Delta, o que se diz é que ela é mais transmissível, mas essas variantes foram identificadas justamente no momento onde o comportamento humano propiciou o surgimento das variantes. Foram depois de grandes festividades, realizadas ao redor do mundo, que as variantes foram detectadas — explica.

Pasqualotto reforça a importância de não se relaxar as medidas de prevenção, e ele cita como exemplo os norte-americanos, europeus e israelenses, que, segundo ele, relaxaram em demasia, dando espaço para uma nova explosão de casos nesses países.

— A perda do controle da pandemia só ocorrerá se não tomarmos as medidas de precaução e não nos vacinarmos em massa. O Brasil tem tudo para dar o exemplo, mantendo as medidas de distanciamento, o que será difícil à medida que abrirem todas as atividades econômicas neste país — afirma Pasqualotto.

Spilki acrescenta que é necessário manter um ritmo acelerado de vacinação e uma adesão alta da população a esse processo.

— Ainda que estejamos bem longe de metas de vacinação completa, já vemos prováveis efeitos desse processo. Ainda assim, seria importante que tenhamos consciência de que, mesmo com casos em declínio, não estamos livres da possibilidade de uma ressurgência da pandemia — alerta Spilki."

16/08/2021 – GZH

Link: https://radios.ebc.com.br/tarde-nacional/2021/08/capes-financia-pesquisa-que-avalia-bem-estar-dos-brasileiros

"Capes financia pesquisa que avalia bem-estar dos brasileiros

Ouça a entrevista com psicóloga Prisla Ucker Cavalvetti

O Tarde Nacional conversou com Prisla Ücker Calvetti, doutora em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Ela falou sobre uma pesquisa do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), financiada pela Capes, que avalia o bem-estar de adultos brasileiros na pandemia de covid-19.

Ouça no player acima. (link acima)

A pesquisa foi iniciada em julho e vai até o final do mês de agosto. O levantamento ouve pessoas de todas as faixas do Brasil. Até o momento, mais de 2.200 pessoas responderam ao questionário online.

São vários os aspectos que podem caracterizar o bem-estar, como satisfação e estilo de vida, afirmou Prisla, que é bolsista de pós-doutorado da Capes.

Para participar da pesquisa, é só acessar este link.

O Tarde Nacional vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 13h às 15h, pela Nacional de Brasilia e Nacional do Rio de Janeiro."

13/08/2021 – GZH

Links:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/08/com-a-variante-delta-no-rs-cientistas-defendem-cautela-nas-flexibilizacoes-cksazsd8q00610193wybbbeap.html

Com a variante Delta no RS, cientistas defendem cautela nas flexibilizações

Número de casos e de hospitalizações pararam de cair no Estado, mas haviam levado a um afrouxamento de restrições

Após semanas de melhora nos números de casos e hospitalizações por covid-19, o momento é de recrudescimento da pandemia no Estado, o que tem preocupado cientistas no Rio Grande do Sul. A opinião de especialistas ouvidos por GZH é de que é necessário ter cautela nas flexibilizações de regras sanitárias, pelo menos até que se saiba mais sobre a variante Delta.

Para o epidemiologista Paulo Petry, que é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a sociedade gaúcha está em uma encruzilhada – ao mesmo tempo em que a vacinação está avançando, enfrenta-se a disseminação acelerada da variante Delta, o que demonstra sua alta transmissibilidade.

— É uma preocupação. Imagino que as flexibilizações tenham sido pensadas a partir do declínio que vínhamos observando nas internações, mas, agora, seria melhor esperar — analisa Petry, citando países como China, França e Estados Unidos, que chegaram a adotar flexibilizações, mas voltaram atrás, diante do aumento no número de casos com o surgimento da Delta.

Na última semana, o governo do Estado publicou decretos nos quais flexibiliza as regras para o funcionamento de diferentes estabelecimentos. Em escolas, por exemplo, a distância mínima entre classes diminuiu de 1,5 metro para um metro. Em restaurantes, a ventilação cruzada não é mais obrigatória. Nas academias, já não é necessário fazer agendamento prévio para realizar atividades presenciais.

Nos próximos dias, outro decreto deve ser publicado pelo Palácio Piratini. Neste, o foco são casas noturnas e eventos. Casas noturnas poderão receber até 350 pessoas, entre clientes e funcionários, que terão de estar de máscara e não poderão usar a pista de dança nem beber em pé. Também será determinado um distanciamento mínimo de um metro entre pessoas que não moram no mesmo domicílio. As restrições, porém, não são consideradas eficazes pelo epidemiologista.

— Na prática, a eficácia é zero. Numa confraternização, as pessoas vão beber, comer e, consequentemente, tirar as máscaras, e duvido que respeitem o distanciamento. Isso não acontece nem no transporte público, onde as pessoas não estão confraternizando, imagina em festas — observa Petry.

O infectologista Ronaldo Hallal, que é membro do Comitê Covid-19 da Sociedade Riograndense de Infectologia (SRGI), avalia que a expansão da Delta aumenta a incerteza quanto a qual o cenário pandêmico que irá se instaurar a partir dela, e que há indícios de que a variante possui “escapes imunológicos” à eficácia das vacinas hoje oferecidas.

— Mesmo com regras, as flexibilizações geram um aumento de aglomerações e, provavelmente, de exposição e transmissão da doença. Precisamos ter muita cautela neste momento, porque há dados mostrando que a detecção de casos e a ocupação hospitalar pararam de cair. Podemos ter uma nova onda, ainda que talvez não tão letal — salienta Hallal.

Reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e epidemiologista Lucia Pellanda reitera que a vacina, sozinha, não impede a transmissão da covid-19.

— A transmissão está muito alta, e isso proporciona o surgimento de novas variantes. Para mim, não é o momento de a gente flexibilizar, e sim de avançar na vacinação, manter os cuidados e, aí sim, poder abrir com mais segurança — conclui a reitora.

Pellanda alerta, ainda, para o alto perigo, hoje, para os não vacinados:

— Talvez os não vacinados estejam correndo mais risco do que nunca correram ao longo da pandemia, porque antes havia outras pessoas mais vulneráveis à doença, mas agora os grupos de risco já se vacinaram — pondera a epidemiologista.

Segundo Petry, as medidas para combater a variante são as mesmas de sempre: ampliar a cobertura vacinal e promover cuidados como distanciamento, uso adequado de máscaras e manter os ambientes com ventilação natural e cruzada. Petry também indica a necessidade de testagem em massa e rastreamento dos contactantes de pessoas positivadas, o que teria diminuído, desde o início, o número de mortos pela doença.

Projeções apontam que variante Delta deverá predominar no RS

Uma projeção feita pelo Comitê Científico de Apoio ao Enfrentamento à Pandemia da Covid-19, vinculado ao governo estadual, indica que o Rio Grande do Sul caminha para o predomínio da variante Delta – mais transmissível – sobre a Gama (antiga P.1, de Manaus), atualmente mais comum no Estado. A suspeita surgiu diante da tendência de leve aumento no número de casos e hospitalizações no Estado e da ocorrência de surtos de covid-19 em hospitais e municípios gaúchos.

— Infelizmente, neste momento, parecemos estar vivendo um cenário de Delta. Isso explica por que pararam de cair as internações e vemos um leve crescimento delas — relata a estatística em epidemiologia Suzi Camey, que também é professora da UFRGS.

Nos últimos dias, o Comitê Científico tem recomendado o reforço dos protocolos sanitários nas fronteiras, assim como sejam fortemente estimuladas medidas como fiscalização de ambientes públicos e o uso de máscaras. Com a confirmação da disseminação da variante Delta nas projeções, a indicação é de não reduzir o distanciamento entre as pessoas.

— Algo que terá impacto no controle da Delta é as pessoas entenderem que têm que parar de relaxar. As pessoas sabem se cuidar, mas pararam, por achar que estava mais tranquilo — pontua Suzi.

A estatística entende que, em um “mundo ideal”, a recomendação seria não reduzir a distância entre as pessoas, mas pondera a importância do retorno de atividades presenciais, por exemplo, nas escolas. No que se refere a eventos, porém, afirma que o Comitê Científico tem se posicionado repetidamente de forma contrária, devido à concentração de pessoas.

12/08/2021 – Zero Hora

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Impacto na imunidade coletiva

Zero Hora12 Aug 2021

 Outra questão em aberto é se uma maior transmissibilidade, que dificulta o atingimento da imunidade coletiva por meio das vacinas, exigirá novas doses de imunizante ou até mesmo vacinação contínua.

– Novas variantes vão surgir na medida em que se prolonguem os anos, embora não necessariamente enfrentemos desafios maiores (em termos de transmissibilidade). Mas parece que será necessário termos continuidade de vacinação, da mesma forma como lidamos com outras doenças ao longo do tempo. Tendo vacinação continuada de perto de 100% da população, a tendência é de que a gente não perceba tantos surtos e internações de forma sustentada – crê Fernando Spilki, da Feevale.

A imunologista da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Cristina Bonorino avalia, porém, que até o momento não há indicação de que será necessária uma revacinação periódica e universal:

– Se for vacina de MRNA (como Pfizer e Moderna), já sabemos que não precisamos de vacina todo ano. Só temos de vacinar todo mundo. Em relação à Coronavac, por exemplo, ainda não sabemos porque os estudos são insuficientes.

Presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), Juarez Cunha entende que não há como garantir, ainda, qual deverá ser a estratégia de vacinação mesmo na eventualidade de um platô.

12/08/2021 – G1 e Jornal Sudoeste Paulista

JSP:https://jornalsudoestepaulista.com.br/2021/08/12/vacina-tem-risco-minimo-de-nao-proteger-mesmo-com-duas-doses-especialistas-explicam/
G1: https://g1.globo.com/bemestar/vacina/noticia/2021/08/12/vacinacao-com-duas-doses-diminui-mortes-mas-imunizacao-nao-elimina-risco-de-morte-por-covid.ghtml

Vacina tem risco mínimo de não proteger mesmo com duas doses; especialistas explicam

O objetivo principal das vacinas é evitar casos graves da doença, mas contágio pode ocorrer; entenda mais sobre duas doses.

O ator Tarcísio Meira morreu na manhã desta quinta-feira (12), vítima da Covid-19, aos 85 anos, em São Paulo. Ele estava internado no hospital Albert Einstein, na Zona Sul da cidade, em tratamento contra a doença e havia tomado as duas doses da vacina. Diante desse fato, muitas pessoas ficaram em dúvida: é possível morrer de Covid ou se contaminar com o vírus mesmo após ter completado o esquema vacinal?

Segundo os estudos conduzidos com cada uma das vacinas em uso contra a Covid-19, sim, uma vez que os imunizantes diminuem, mas não zeram, a chance de casos graves e de morte pela doença. É por isso que, além de se vacinar, você deve manter as outras medidas de proteção contra a doença (Continue lendo para entender em detalhes).

"Uma boa vacina é como se fosse um bom goleiro. E como sabemos que o goleiro é bom? Vamos olhar o histórico dele. A frequência com a qual ele faz defesas. Se ele defende com frequência, ele é um bom goleiro. Isso não quer dizer que ele é invicto, que ele nunca vai deixar de tomar gol. Mas, mesmo se tomar gol, ele não deixa de ser um bom goleiro. Precisamos olhar o histórico dele", explica a a microbiologista Natalia Pasternak.

Especialistas ouvidos pelo G1 apontam que os números da queda de mortes estão entre os dados que já mostram a efetividade da vacina em grupos (sobretudo idosos) que estão totalmente imunizados. Apesar disso, eles alertam que a pandemia não está controlada e que a chegada da variante delta ainda é um risco para aqueles que não tomaram as duas doses da vacina.

"A vacinação com duas doses dos idosos (é a explicação para a queda). A cobertura já está bem elevada nesta faixa, acima dos 60%. Acima dos 70, 80 e 90 ainda é maior. No número de casos, o impacto só vai ser maior com o avanço da vacinação", afirma Julio Croda, infectologista e pesquisador da Fiocruz.

  1. Posso ter Covid mesmo após as duas doses da vacina?

Sim, pode. O objetivo principal das vacinas, neste momento, é evitar formas graves da Covid-19 – e não necessariamente o contágio pela doença (ainda que algumas vacinas já tenham se mostrado capazes de evitar também a transmissão e a infecção).

Nas pesquisas, as vacinas são testadas para sua capacidade de evitar contágio, casos sintomáticos, moderados e graves – que precisam de internação – e morte pela Covid.

Até agora, todas as vacinas que estão sendo aplicadas no Brasil – CoronaVac, AstraZeneca/Oxford, Pfizer e Johnson – foram capazes de evitar internações e mortes pela doença.

  1. Já que a vacina não necessariamente evita o contágio, eu devo me vacinar?

Sim. Mesmo que você se infecte, a chance de desenvolver um caso grave ou até morrer pela Covid-19 diminui após a imunização.

  1. Conheço pessoas que tomaram as duas doses e morreram ou tiveram quadro grave. A vacina funciona?

Sim, as vacinas funcionam. A questão é que elas diminuem, mas não zeram, a chance de casos graves e de morte pela Covid. É por isso que, além de se vacinar, você deve manter as outras medidas de proteção contra a doença (veja pergunta 7).

Cada medida de prevenção que você adota – como se vacinar, usar máscaras, evitar aglomerações e lugares fechados – é uma "camada extra" de proteção. Por isso é necessário combiná-las.

Veja as taxas de eficácia contra casos graves alcançadas durante os testes em cada vacina usada no Brasil até o momento:

Johnson: 85% eficaz

Coronavac: entre 83,7% e 100% eficaz

Pfizer: 92% eficaz

AstraZeneca: 100% eficaz

  1. Preciso tomar as duas doses da vacina?

Por que são necessárias 2 doses da vacina contra Covid; entenda

Por que são necessárias 2 doses da vacina contra Covid; entenda

Se ela for aplicada em duas doses, sim, pois a taxa mais alta de imunização somente é alcançada após a segunda dose.

Das quatro vacinas aplicadas no Brasil, apenas a da Johnson/Janssen alcança a sua taxa máxima de eficácia em apenas uma dose.

  1. A vacina que só tem uma dose 'protege menos' que as de duas doses?

Não. A decisão sobre dosagem e esquema vacinal (espaço entre as doses) é uma decisão do desenvolvedor da vacina ou de autoridades de saúde pública – e não tem a ver com uma vacina "proteger mais" ou "menos" do que outras.

Todas as vacinas reduzem o risco de você ter um caso grave ou morrer pela Covid-19.

  1. Devo escolher qual vacina tomar?

Especialistas são unânimes ao dizer que não, já que é muito melhor tomar qualquer vacina disponível do que ficar vulnerável à Covid-19. E, ao se vacinar, você ajuda a aumentar a cobertura vacinal, que é o mais importante neste momento. Entenda por quê.

  1. Preciso continuar usando máscara e evitando aglomerações mesmo depois da vacina?

Sim. Isso porque, quanto mais medidas de proteção você combina, mais protegido estará – e mais estará protegendo as pessoas ao seu redor que ainda não puderam se vacinar.

Vacina e Covid-19: Preciso usar máscara e evitar aglomerações mesmo depois de vacinado?

"Mesmo ao ar livre, de máscara, se tiver 100 pessoas, o risco vai ser maior do que se tiver duas pessoas. Não adianta 'estou ao ar livre, não preciso de máscara'. Precisa. 'Eu estou ao ar livre, não preciso ficar à distância'. Precisa. 'Ah, eu estou de máscara, não preciso manter a distância'. Precisa", explica Lucia Pellanda, cardiopediatra e professora de epidemiologia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Quando a gente faz todas as coisas, vai diminuindo bastante o risco. As pessoas têm ideia de que é tudo ou nada. O risco é contínuo", reforça Pellanda.

11/08/2021 – G1

Link: https://g1.globo.com/fato-ou-fake/coronavirus/noticia/2021/08/11/e-fake-que-cdc-disse-que-variante-do-coronavirus-e-a-propria-vacina.ghtml

“É #FAKE que CDC disse que variante do coronavírus é a própria vacina

Publicações de sites antivacina tiram de contexto orientações do CDC. O texto oficial do órgão diz que as vacinas são altamente eficazes contra doenças graves, mas a variante Delta causa mais infecções e se espalha mais rapidamente do que as formas iniciais do vírus que causa a Covid-19.

Circula pelas redes sociais uma publicação que diz que "a variante é a própria vacina" e que "o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos finalmente admitiu que pessoas totalmente vacinadas espalham variantes". É #FAKE.

Procurado pelo G1, o CDC nega o conteúdo da mensagem falsa. O órgão enviou um link com informações sobre as variantes. Em nenhum momento o texto afirma que a variante do coronavírus é a própria vacina nem admite que pessoas totalmente vacinadas espalham variantes.

O texto oficial do CDC diz que as vacinas são altamente eficazes contra doenças graves, mas a variante Delta causa mais infecções e se espalha mais rapidamente do que as formas iniciais do vírus que causa a Covid-19.

O CDC recomenda que as pessoas que estão totalmente vacinadas usem máscara em ambientes fechados em áreas de transmissão substancial ou alta.

Os rumores que atribuem ao CDC declarações infundadas começaram a partir de 27 de julho, quando o CDC atualizou sua orientação para pessoas totalmente vacinadas, recomendando que todos usassem máscara em ambientes públicos fechados em áreas de transmissão substancial e alta, independentemente do estado de vacinação.

Dados publicados no Relatório Semanal de Morbidez e Mortalidade (MMWR) do CDC demonstraram que a infecção por Delta resultou em cargas virais de Sars-CoV-2 igualmente altas em pessoas vacinadas e não vacinadas.

Professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Ana B. Gorini da Veiga explica que a variante Delta parece ter um pouco mais de resistência à vacina.

"Por isso que tem muita gente já vacinada que está se infectando com essa nova variante. Isso é comum que aconteça com os vírus. Principalmente por ser um vírus de RNA, o coronavírus está muito sujeito a mutações constantes; enquanto algumas mutações podem tornar o vírus mais patogênico, causando mais sintomas, outras mutações podem torná-lo mais transmissível, que é o caso observado até o momento para a variante Delta. Não necessariamente ele causa uma doença mais grave, mas ele é mais transmissível, e a maioria das vacinas tem uma eficiência, porém reduzida, em relação a essa nova variante. Ou seja, mesmo vacinada a pessoa pode se infectar. Vimos o número de casos cair muito, principalmente nos países em que uma grande parcela da população já está vacinada. Essas novas ondas que estão ocorrendo são, na maioria, devido à variante Delta, o que reflete justamente uma menor eficiência ou eficácia de algumas vacinas contra essa variante. Por outro lado, o número de óbitos não está aumentando, o que sugere que a variante Delta, apesar de muito transmissível, não parece ser tão patogênica. Isso também mostra que, apesar de não ser 100% eficaz, a vacina protege contra a doença grave."

A professora afirma que, assim como em todos os anos é preciso se vacinar de novo contra a gripe, provavelmente a mesma coisa deve acontecer com relação ao coronavírus. "As alterações (mutações) no vírus são eventos esperados, que ocorrem naturalmente. Para alguns vírus, principalmente os de RNA, essas mutações são mais frequentes, por isso as vacinas têm que ser atualizadas. Algumas vacinas conseguem dar uma cobertura (proteção) para eventuais alterações desses vírus, tanto é que, para as demais variantes, as vacinas funcionam bem, mas dependendo do número e tipo de mutação, a vacina pode perder eficácia. Por isso que novas vacinas são constantemente desenvolvidas. Ainda estamos aprendendo muito sobre o Sars-CoV-2 e a Covid-19, portanto é difícil saber exatamente como o vírus continuará circulando. No caso do vírus influenza, como o vírus influenza A H1N1 de 2009, com o tempo ele se tornou menos agressivo, portanto, as pessoas não têm mais um quadro tão grave de doença. Ou seja, ele se torna endêmico, mas mesmo assim vai continuar evoluindo. Tomando novamente o exemplo do H1N1, em 2016 tivemos um número altíssimo de casos – e óbitos – por esse vírus em todo o país."

Ana Gorini afirma que a alegação de que a variante é a própria vacina é totalmente descabida. "Existem diferentes tipos de vacina: há aquelas baseadas no vírus inativado ou atenuado, como por exemplo contra a polio (Sabin), caxumba, rubéola; há vacinas baseadas em vetor viral, que usam um vírus que não causa doença, com pedaços do vírus contra o qual a vacina é direcionada, para que nosso sistema imune produza anticorpos contra este último; há vacinas mais modernas, como as vacinas de RNA, que carregam um pedaço do genoma do vírus, portanto não é o vírus inteiro."

"Usando linguagem leiga, a vacina é praticamente um outro vírus, mas não tem como ser 'a variante'", diz.

"As variantes têm características que mostram que são decorrentes da evolução do vírus de Wuhan. Quem trabalha com sequenciamento genômico, evolução viral, dinâmica viral, entende muito disso. Temos como fazer análises do genoma para entender como se deu o caminho dessas mutações. Não tem como acertarmos qual será o próximo vírus, qual surgirá daqui a uma semana, daqui a mês, daqui a um ano. Por isso que tem que reduzir a transmissão. Qual que é a forma de reduzir a transmissão? Seguir usando máscara, seguir o distanciamento, evitar aglomerações, manter a higienização. Quando tivermos cerca de 80%, 90% das pessoas imunizadas, vacinadas, aí sim, aos poucos, poderemos relaxar mais, quando essa transmissão viral comunitária estiver mais controlada. Mas essa alegação de que a variante é a própria vacina não tem nada a ver. Nem sei de onde é que tiraram isso."

"Acho que existe aí um problema cognitivo das pessoas de acharem que, porque recebem uma vacina, vão transmitir o vírus. Não tem nada a ver, é uma ideia descabida. Elas podem, sim, causar algumas reações, geralmente leves e que duram algumas horas. E esses sintomas não são necessariamente sintomas respiratórios. Geralmente é uma dor no corpo, uma dor muscular, ou um pouco de febre, dor de cabeça, ou dor no local da injeção. São sintomas mais gerais, não são os sintomas típicos das infecções por vírus respiratórios como dor de garganta, tosse, coriza."

Uma das principais autoridades mundiais no controle da pandemia, o CDC tem sido vítima de mensagens falsas que atribuem ao órgão orientações que não emitiu. Recentemente, o Fato ou Fake desmentiu que o CDC tenha feito alerta para a ineficácia do teste PCR para Covid-19.”

09/08/2021 – ZH

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"UFCSPA

Zero Hora9 Aug 2021

UFCSPA tem estudos sobre imunoterapia contra covid-19 e câncer ameaçados

Estudos para rastreamento de variantes da covid-19 também estão prejudicados em outras universidades gaúchas. Quanto mais amostras estudadas, maior o mapeamento. Mas, com menos verba, menos análises serão feitas."

09/08/2021 – ZH

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"CORTE EM SUBSÍDIOS PARA A IMPORTAÇÃO DE INSUMOS E EQUIPAMENTOS TRAVA A PESQUISA BRASILEIRA

Cota de isenção do CNPQ para compras no Exterior acabou em maio e pesquisadores aguardam liberação para reduzir prejuízos

Zero Hora9 Aug 2021MARCEL HARTMANN Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Cota de isenção do CNPQ para compras no Exterior acabou em maio. Pesquisadores aguardam liberação para reduzir prejuízos.

Pesquisas de universidades brasileiras, incluindo estudos sobre covid-19, estão sendo prejudicadas pelo fim do subsídio oferecido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) a cientistas para baratear a importação de insumos e equipamentos. Seis das sete universidades federais gaúchas foram afetadas pela falta do incentivo.

O governo federal aplica impostos na importação de produtos estrangeiros para proteger o mercado nacional. Mas, com base na premissa de que há materiais e equipamentos produzidos apenas no Exterior e de que a ciência beneficia a sociedade, há uma cota de isenção oferecida para pesquisadores importarem produtos que permitam a realização de estudos de ponta. O valor é oferecido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), uma das principais agências de fomento a pesquisas do país, ligada ao MCTI. Em 2020, o subsídio foi de US$ 300 milhões, mas, neste ano, caiu para US$ 93,2 milhões, valor que terminou em maio.

Com a reclamação de pesquisadores, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, anunciou, no fim de julho, que o governo liberará em agosto mais US$ 100 milhões, ampliando a cota de isenção de 2021 para US$ 193,2 milhões. Quantia que ainda não está disponível, segundo cientistas.

O valor final para o ano ficaria 35,6% abaixo do disponibilizado em 2020 e duraria no máximo até outubro, conforme estimativa otimista de universidades. Pontes diz que tentará junto ao Ministério da Economia outros US$ 107 milhões para completar US$ 300 milhões em 2021, mas não há garantias.

As pesquisas mais afetadas são nas áreas de saúde e ciências biológicas, incluindo estudos para mapear variantes e encontrar remédios para a covid-19. Com a falta de verba, universidades recorrem ao caixa próprio, mas o corte no orçamento e a alta do dólar inviabilizam grandes soluções.

Sem o subsídio do CNPQ, produtos ficam até 60% mais caros, um resultado “dramático” na visão de Elizandra Braganhol, próreitora-adjunta de Pesquisa e Pós-graduação da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA):

– A gente tenta contornar buscando recurso de outros lugares, mas os editais estão cada vez mais reduzidos. Outra forma seria usar recurso de custeio para pagar pesquisa e comprar insumos. Mas o orçamento da universidade é cada ano menor.

Reflexos

Uma das pesquisadoras afetadas na UFCSPA é a imunologista Cristina Bonorino, que conduz dois estudos para aplicar imunoterapia em pacientes hospitalizados por covid-19 e com diferentes tipos de câncer. Esse tipo de tratamento de ponta, altamente usado na Europa e nos Estados Unidos, é caríssimo no Brasil. Cristina quer desenvolver uma alternativa nacional para oferecê-la pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Com a redução do subsídio do CNPQ para importar insumos e equipamentos, Cristina afirma que não poderá continuar com a pesquisa no ano que vem e sequer dar a largada no estudo para desenvolver a versão nacional contra o câncer. Isso porque é preciso comprar já os reagentes para 2022, dada a burocracia de até seis meses para a chegada de produtos importados:

– Não existem insumos e máquinas na área da saúde para comprar no Brasil. Basicamente, tudo é importado. Ter essa subvenção para importar é o que garante que exista alguma pesquisa no país. Se o corte da cota de importação não reverter neste ano, meu projeto inviabiliza. Não tem ninguém fazendo isso para o SUS. A gente já precisa esperar seis meses para importar um reagente.

A menor cota de importação se dá em meio às combalidas finanças do CNPQ. Neste ano, o orçamento da agência foi de R$ 1,2 bilhão, o menor em 21 anos, segundo cálculo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado. O valor, corrigido pela inflação, é metade do destinado à agência no ano 2000.

A gente tenta contornar buscando recurso de outros lugares, mas os editais estão cada vez mais reduzidos. Outra forma seria usar recurso de custeio para pagar pesquisa e comprar insumos. Mas o orçamento da universidade é cada ano menor.

ELIZANDRA BRAGANHOL Pró-reitora-adjunta de Pesquisa e Pós-graduação da UFCSPA"

08/08/2021 – GZH

Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/08/corte-em-subsidio-federal-a-importacao-de-insumos-e-equipamentos-trava-ciencia-e-afeta-pesquisas-cks0c6wnz002v013b4g03sy8j.html

Corte em subsídio federal à importação de insumos e equipamentos trava ciência e afeta pesquisas

Cota de isenção do CNPq para compra no Exterior acabou em maio; pesquisadores aguardam liberação para reduzir prejuízos

Pesquisas de universidades brasileiras, incluindo sobre covid-19, estão sendo prejudicadas pelo fim do subsídio oferecido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) a cientistas para baratear a importação de insumos e equipamentos. Seis das sete universidades federais gaúchas foram afetadas pela falta do incentivo.

O governo federal aplica impostos na importação de produtos estrangeiros para proteger o mercado nacional. Mas, com base na premissa de que há materiais e equipamentos produzidos apenas no Exterior e de que a ciência beneficia a sociedade, há uma cota de isenção oferecida para pesquisadores importarem produtos que permitam a realização de estudos de ponta.

O valor é oferecido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), uma das principais agências de fomento de pesquisa do país, ligada ao MCTI. Em 2020, o subsídio fora de US$ 300 milhões, mas, neste ano, caiu para US$ 93,2 milhões, valor que terminou em maio.

Com a reclamação de pesquisadores, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, anunciou no fim de julho (30) que o governo liberará em agosto mais US$ 100 milhões, ampliando a cota de isenção de 2021 para US$ 193,2 milhões. Quantia que ainda não está disponível, segundo cientistas.

O valor final para o ano ficaria 35,6% abaixo do disponibilizado em 2020 e duraria no máximo até outubro, conforme estimativa otimista de universidades. Pontes diz que tentará junto ao Ministério da Economia outros US$ 107 milhões para completar US$ 300 milhões em 2021, mas não há garantias.

As pesquisas mais afetadas são em saúde e ciências biológicas, incluindo estudos para mapear variantes e encontrar remédios para a covid-19. Na falta de verba, universidades recorrem ao caixa próprio, mas o corte no orçamento e a alta do dólar inviabilizam grandes soluções.

Sem o subsídio do CNPq, produtos ficam até 60% mais caros, um resultado “dramático” na visão de Elizandra Braganhol, pró-reitora-adjunta de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

— A gente tenta contornar buscando recurso de outros lugares, mas os editais estão cada vez mais reduzidos. Outra forma seria usar recurso de custeio para pagar pesquisa e comprar insumos. Mas o orçamento da universidade é cada ano menor — diz Braganhol.

Uma das pesquisadoras afetadas na UFCSPA é a imunologista Cristina Bonorino, que conduz dois estudos para aplicar imunoterapia em pacientes hospitalizados por covid-19 e com diferentes tipos de câncer. Esse tipo de tratamento de ponta, altamente usado na Europa e nos Estados Unidos, é caríssimo no Brasil. Bonorino quer desenvolver uma alternativa nacional para oferecê-la pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Com a redução do subsídio do CNPq para importar insumos e equipamentos, Cristina afirma que não poderá continuar com a pesquisa sobre o uso da imunoterapia contra o coronavírus ano que vem e sequer dar a largada na pesquisa para desenvolver a versão nacional contra o câncer. Isso porque é preciso comprar já os reagentes para 2022, dada a burocracia de até seis meses para a chegada de produtos importados.

— Não existem insumos e máquinas na área da saúde para comprar no Brasil. Basicamente, tudo é importado. Ter essa subvenção para importar é o que garante que exista alguma pesquisa no país. Se o corte da cota de importação não reverter neste ano, meu projeto inviabiliza. Não tem ninguém fazendo isso para o SUS. A gente já precisa esperar seis meses para importar um reagente — diz a cientista.

A menor cota de importação se dá em meio às combalidas finanças do CNPq. Neste ano, o orçamento da agência foi de R$ 1,2 bilhão, o menor em 21 anos, segundo cálculo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado. O valor, corrigido pela inflação, é metade do destinado à agência no ano 2000.

UFCSPA

Estudos para rastreamento de variantes da covid-19 também estão prejudicados em outras universidades gaúchas. Quanto mais amostras estudadas, maior o mapeamento. Mas, com menos verba, menos análises serão feitas. Na UFCSPA, a bióloga molecular Ana Gorini da Veiga realizou, desde o ano passado, cerca de 90 amostras. Se houvesse mais verba, o ideal seriam 200 para cada onda epidêmica vivida no Estado, diz a professora.

(...)

Contraponto

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Ministério da Economia e o CNPq não responderam aos questionamentos da reportagem feitos na segunda-feira passada (2)  sobre os valores da cota de isenção de importação dos últimos anos nem perspectivas de liberação de maior verba para os próximos meses.

Entenda a cota de importação do CNPq

A cota de isenção de importação permite a pesquisadores solicitarem ao CNPq um valor que ajude a comprar produtos do Exterior para realizar pesquisa de ponta.

O subsídio é essencial para universidades produzirem ciência, uma vez que a maioria dos insumos na área da saúde, química e biológicas é importado.

O CNPq avalia a proposta e autoriza.

Em maio, os US$ 92,3 milhões para subsídio do CNPq acabaram. Nenhum pesquisador pôde solicitar o auxílio.

Junho e julho: universidades ficaram sem o benefício.

Agosto: CNPq deverá oferecer mais US$ 100 milhões

Até o fim de 2021: expectativa de o CNPq oferecer outros US$ 107 milhões, para atingir US$ 300 milhões no ano, o que depende de aval do ministro Paulo Guedes.

06/08/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/08/variante-delta-do-coronavirus-ganha-espaco-no-brasil-e-pode-dificultar-imunidade-coletiva-cks0smrla009n0193xwy8erbt.html

"Variante Delta do coronavírus ganha espaço no Brasil e pode dificultar imunidade coletiva

Maior transmissibilidade exigiria percentual maior de vacinados para interromper cadeia de transmissão da covid-19, mas impacto no país ainda é incerto

Nas últimas semanas, a variante Delta do coronavírus ganhou terreno no Brasil. A cepa já soma 15% das amostras analisadas no Rio Grande do Sul, 23% na Grande São Paulo e 26% no Estado do Rio de Janeiro – índice que pula para 45% na capital fluminense.

Um dos riscos do avanço dessa mutação, que sugere ser mais transmissível em comparação a outras, é dificultar o atingimento da imunidade coletiva por meio da vacinação. Mas especialistas apontam que ainda não se pode garantir qual será o impacto e o poder de disseminação dessa nova forma do vírus no país.

O nível de adesão a medidas preventivas, como o uso de máscara, a “disputa” com a variante Gama (P.1), ainda predominante, e o ritmo da vacinação podem aliviar ou agravar os efeitos da cepa de origem indiana e definir o futuro da pandemia no Brasil.

Um dos prejuízos que o espalhamento da Delta pode provocar é alterar o patamar necessário para se alcançar a imunidade de rebanho. Até agora, se estimava que a imunização completa de 70% a 75% da população seria suficiente para cortar a cadeia de contaminação do vírus e permitir o retorno a uma maior normalidade. 

— A provável disseminação da Delta, em função da sua maior transmissibilidade, implicará que brevemente assuma a liderança nos novos casos de infecções, sobretudo em indivíduos sem esquema vacinal completo. Nesse caso, percentuais maiores de pessoas vacinadas serão necessários: 100% das populações prioritárias, que são adultos e pessoas com doenças crônicas, e mais do que 70% a 75% da população em geral — avalia o epidemiologista do Hospital de Clínicas Ricardo Kuchenbecker.

Já há especialistas que consideram necessário vacinar por completo pelo menos 90% da população e quem até deixou de cogitar metas diante da dificuldade de enfrentar mutações cada vez mais transmissíveis. Defendem simplesmente imunizar o maior número de pessoas no prazo mais curto possível.

— São estimativas muito teóricas, e elas podem variar muito dependendo da eficácia das vacinas e do surgimento de novas variantes. A melhor mensagem que podemos passar é a de se vacinar o máximo possível, sem estabelecer nenhum percentual como meta — afirmou o pesquisador do King’s College de Londres José Jiménez em entrevista recente ao jornal espanhol El País.

Ainda é cedo para dizer se o Brasil vai seguir o mesmo caminho em comparação a outros países, como os EUA, onde a Delta vem provocando novos saltos da pandemia. Uma das diferenças é que ela avançou mais em locais onde a maior parte das restrições, como distanciamento social e uso de máscaras, já havia sido abandonada.

— Essa mutação chegou com força principalmente em populações que já haviam voltado a viver uma vida normal, sem máscara, participando de eventos. Nossa vantagem foi ter mantido o uso de máscara e o distanciamento. Por isso, pode ter força menor aqui — acredita a professora de Epidemiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Suzi Camey.

Outro fator a ser considerado, conforme o mestre em Saúde Pública pela Universidade de Harvard (EUA) Marcio Sommer Bittencourt, é a relação da Delta com a Gama, atual cepa mais comum no país.

— Se um vírus transmite mais, o limiar (da imunidade coletiva) sobe. Matematicamente, não tem dúvida. Mas não sei se a Delta é mais transmissível do que a P.1 (Gama) — avalia Bittencourt.

Na vida real, isso será demonstrado ao longo das próximas semanas. Se a mutação indiana tomar rapidamente o espaço da Gama, será um indício de que contamina mais rapidamente no contexto brasileiro. No México, foi isso que ocorreu: a Delta ganhou terreno sobre a mutação identificada originalmente no Amazonas. Por isso, é fundamental aumentar o máximo possível o ritmo de imunização, segundo Kuchenbecker:

— Quanto mais tempo o calendário vacinal demorar para atingir esses níveis (necessários para a imunidade coletiva), maior a probabilidade de que a Delta assuma a liderança das infecções no Brasil. Isso implica reforçar a necessidade de duas doses para todos e, talvez, até antecipar intervalos maiores de vacinação. Isso é diferente das demais variantes até aqui.

Ameaça aos avanços obtidos contra a pandemia

Outra questão que deverá ser respondida em um futuro próximo é se uma eventual nova onda impulsionada pela cepa recém-chegada colocará a perder o avanço conquistado até o momento contra a pandemia no Brasil. O virologista da Universidade Feevale Fernando Spilki afirma que a vacinação segue eficaz para evitar formas graves da doença e é capaz de conter boa parte dos possíveis estragos. Mas, para isso, é fundamental que a população complete o esquema vacinal.

— Como em outros momentos, vemos a dispersão da variante ocorrendo de forma assíncrona no país (maior em algumas regiões do que em outras). O que está segurando (novo aumento de contaminações e internações) até agora? Muito provavelmente, a vacinação parcial que temos, pois outras estratégias estão sustadas — sustenta Spilki.

A imunologista da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Cristina Bonorino acredita que o alcance de percentuais intermediários, como algo ao redor de 50% da população integralmente imunizada, mesmo que não interrompa a cadeia de transmissão da pandemia, já será suficiente para fazer uma diferença “gigante” no impacto do coronavírus sobre os brasileiros, independentemente das variantes existentes hoje que predominem.

O maior risco, em sua avaliação, é de que falhas na cobertura vacinal permitam o surgimento contínuo de novas mutações até conseguirem driblar com maior eficiência os imunizantes disponíveis."

05/08/2021 – ZH e GZH

Versão Impressa e online

Link GZH: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/08/debate-sobre-terceira-dose-de-vacina-contra-a-covid-19-ganha-forca-no-mundo-tire-suas-duvidas-ckrxu97ig000d013buhlxcwn3.html

"DEBATE SOBRE A TERCEIRA DOSE CRESCE, E AO MENOS 10 NAÇÕES JÁ ADOTAM MEDIDA

Pelo menos 10 nações já adotaram a estratégia, e Brasil deve tomar uma decisão sobre eventual reforço ainda neste ano

Zero Hora5 Aug 2021MARCELO GONZATTO Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Pesquisas indicam que reforço multiplica produção de anticorpos, mas cientistas avaliam ser mais importante agora imunizar número maior de pessoas.

Nas últimas semanas, a oferta de uma terceira dose de vacina contra a covid-19 ganhou força no mundo por meio da adoção dessa estratégia em pelo menos 10 países e da realização de um número crescente de estudos sobre o impacto desse reforço.

Pesquisas preliminares indicam que o acréscimo de outra injeção de Coronavac ou Pfizer, por exemplo, multiplica a produção de anticorpos, mas cientistas avaliam que ainda é mais importante imunizar um número maior de pessoas com as aplicações já previstas em países como o Brasil do que alterar o plano de combate ao vírus. A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu que os governos adiem a inclusão dessa terceira etapa pelo menos até setembro a fim de permitir melhor distribuição dos estoques disponíveis em nível global.

Diante da ameaça representada pela variante Delta, países como Israel, França e Rússia já adotaram a dose extra para, pelo menos, parte da população como pessoas mais vulneráveis a complicações de saúde. Reino Unido e Alemanha anunciaram que vão seguir o mesmo caminho. Entre as razões para esses ajustes estão indícios de redução de eficácia dos imunizantes ao longo do tempo, como sugerido por um estudo chileno recente. A pesquisa feita no país sul-americano, onde 65% da população já foi imunizada por completo, indicou que a eficácia da Coronavac para conter casos sintomáticos variou de 67% em abril para 58,49% agora. A taxa da Pfizer, analisada pela primeira vez, ficou em 87,69% enquanto estudos internacionais anteriores indicavam índice superior a 90%.

A imunologista e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Cristina Bonorino destaca que o ponto fundamental do estudo é ter demonstrado que as vacinas seguem eficientes contra casos graves e óbitos – a Coronavac manteve 86% de capacidade de evitar mortes, e a Pfizer, 100%:

– Muitos países estão adotando a terceira dose por medo da variante Delta. Mas não são decisões baseadas em racionalidade ou princípios científicos, já que as vacinas seguem protegendo contra casos graves e óbitos.

O mais importante, nesse momento, ainda é imunizar todo mundo pelo esquema já existente. Se chegarmos ao final do ano sem vacinação em massa, teremos um terceiro ano de pandemia e risco de que novas variantes escapem do sistema imune.

CRISTINA BONORINO Professora da UFCSPA

Estudos

Outro ponto importante do debate internacional é a necessidade de mais estudos para entender quais seriam os prazos adequados para o reforço, qual o resultado de usar um imunizante igual ou diferente do anterior e quem precisaria de fato de uma complementação vacinal – quem tomou determinada vacina, todos os idosos, pessoas com imunidade baixa ou outro perfil populacional. O Ministério da Saúde já anunciou que vai realizar pesquisa em parceria com a Universidade de Oxford até o final do ano para investigar questões como essas, com foco em pessoas que tomaram uma dose inicial de Coronavac. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou um estudo da Astrazeneca para avaliar a segurança e a eficácia de uma injeção extra desse produto.

– Há estudos que vão ocorrer utilizando a mesma vacina ou combinação heteróloga (com um produto diferente do anterior) .Já temos alguns resultados positivos, mas a discussão é quando adotar essa nova estratégia com base em dados científicos. Muitas pessoas ainda não estão imunizadas em países como o Brasil – observa a biomédica Mellanie Fontes-dutra.

O presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), Juarez Cunha, afirma que é fundamental a realização de mais pesquisas para definir qual a melhor estratégia a ser adotada em um futuro próximo.

– Adotar uma terceira dose no Brasil agora seria precoce. Mas é importantíssimo desenvolver esses estudos para avaliar a necessidade de mais uma aplicação, quanto tempo depois da segunda, e para quais pessoas – sustenta Cunha."

04/08/2021 – Aos Fatos (aosfatos.org)

Link: https://www.aosfatos.org/noticias/cdc-nao-disse-que-teste-rt-pcr-e-ineficaz-para-diagnosticar-covid-19/

“CDC não disse que teste RT-PCR é ineficaz para diagnosticar Covid-19

É falso que o CDC (Centers for Disease Control, órgão de saúde do governo dos EUA) fez um alerta de que o teste RT-PCR seria ineficaz para diagnosticar o novo coronavírus, como alegam postagens nas redes (veja aqui). Na realidade, em comunicado recente, a entidade apenas recomendou aos laboratórios do país o uso de um novo modelo de exame, que tem o mesmo método do RT-PCR, mas é capaz ainda de detectar os vírus influenza A e B. A mudança busca economizar tempo e recursos, de acordo com o CDC.

Posts com o conteúdo enganoso acumulavam ao menos 2.000 compartilhamentos nesta quarta-feira (4) e foram marcados com o selo FALSO na plataforma de verificação do Facebook (saiba como funciona).

Não é verdade que o CDC (Centers for Disease Control, órgão de saúde do governo dos EUA) teria feito um alerta de que os exames RT-PCR são ineficazes para detectar o novo coronavírus e que isso provaria que houve uma supernotificação de casos de Covid-19, como alegam as postagens checadas.

Em um comunicado feito em julho, o CDC recomendou aos laboratórios americanos a substituição do exame RT-PCR regular pelo CDC Influenza SARS-CoV-2 (Flu SC2) Multiplex Assay. Esse teste, desenvolvido pelo órgão, utiliza o mesmo método do RT-PCR, mas é capaz também de identificar na mesma amostra os vírus influenza A e B, causadores da gripe.

A mudança na orientação do órgão não se deu por uma suposta ineficácia do exame RT-PCR, que, segundo o CDC informou ao Aos Fatos, "é altamente preciso", mas pela possibilidade de economia de recursos e tempo ao se diagnosticar Covid-19 e gripe com apenas uma amostra coletada das vias respiratórias do paciente.

Além disso, a hipótese levantada pelas postagens checadas, de que uma confusão com diagnósticos de influenza possa ter inflado as notificações de Covid-19, não se sustenta porque os testes verificam diferentes regiões de um vírus para ter confiabilidade, segundo Melissa Markoski, professora de biossegurança da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre). "O Sars-Cov-2 e o influenza são vírus de estruturas muito diferentes, não há como fazer confusão”, afirmou a professora.

O RT-PCR é o teste considerado padrão-ouro por autoridades sanitárias brasileiras, como a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e internacionais, como ECDC (Centro Europeu de Prevenção e Controle das Doenças). O exame é capaz de detectar o material genético do coronavírus na fase aguda da doença, identificando a presença do RNA do SARS-CoV-2 em amostra obtida por meio de swab (cotonete) na mucosa da nasofaringe (nariz e garganta).

Em checagens anteriores, Aos Fatos já verificou que o exame RT-PCR não causa inflamação no cérebro de pacientes, e que não gera 97% de falsos positivos para Covid-19.

Esta peça de desinformação também foi checada pelo Estadão Verifica.”

02/08/2021 – GZH

Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/08/saiba-como-e-quando-voltam-as-aulas-nas-universidades-do-rs-ckrv2415i0079013b2v2nww0a.html

“Saiba como e quando voltam as aulas nas universidades do RS

Boa parte das instituições inicia o segundo semestre nesta semana

As aulas serão retomadas em boa parte das universidades gaúchas nesta semana. Com a interrupção das atividades causada pela pandemia, algumas instituições federais sofreram alterações no calendário acadêmico – a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), por exemplo, teve atraso de um semestre inteiro e iniciou nesta segunda-feira (2) o primeiro semestre letivo de 2021. Já a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) encerrará o primeiro semestre em 18 de setembro e começará o segundo em 18 de outubro.

A maioria das universidades deve funcionar, ao longo deste semestre, em formato de ensino híbrido, com aulas teóricas remotas e presencialidade em parte das aulas práticas. Entretanto, cada instituição tem suas especificidades e a maioria indica que os planos podem mudar, no decorrer dos meses, a depender da situação pandêmica no Estado.

(...)

UFCSPA

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) sofreu alterações no seu calendário acadêmico. A instituição encerrará o primeiro semestre em 18 de setembro e começará o segundo em 18 de outubro.

Por enquanto, a previsão é de retorno de grupos pequenos, só com pessoas que querem voltar ao formato presencial, e exclusivamente em atividades práticas. Na quinta-feira, haverá uma sessão dos Conselhos Universitários para discutir a volta das aulas práticas presenciais. Por enquanto, seguem apenas online.”

(...)

01/08/2021 – Rádio Guaíba

Link:https://guaiba.com.br/2021/08/01/covid-19-aplicadas-621-doses-de-vacina-neste-domingo-em-porto-alegre/

“Covid-19: aplicadas 621 doses de vacina neste domingo em Porto Alegre

Unidade móvel da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) ficou estacionada até às 13h, no bairro hípica

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) divulgou balanço da vacinação contra o coronavírus deste domingo em Porto Alegre. Segundo a pasta, 621 doses de vacina foram aplicadas, sendo 461 de primeira e 160 de segunda dose.

A unidade móvel da SMS ficou instalada na Escola Cesi, localizada na avenida Juca Batista, bairro Hípica, das 9h às 13h.

Nesta tarde, receberam o imunizante pessoas de 30 anos ou mais e demais grupos já contemplados na campanha. No local, além da primeira dose, o público teve acesso a  segunda dose de AstraZeneca e Coronavac para quem fez a primeira aplicação há dez semanas ou 28 dias, respectivamente.

A iniciativa contou com o apoio dos alunos dos cursos de enfermagem, medicina e biomedicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Factum Faculdade.

Cobertura vacinal

Atualmente, Porto Alegre já imunizou, com a primeira dose, 74,82% de um total de 1.103.717 pessoas que compõem a população apta a receber a vacina contra a doença. Enquanto 45,77% dos cidadãos que fazem parte deste grupo já estão com o esquema vacinal completo, ou seja, já receberam as duas doses ou a aplicação do imunizante de dose única.”

31/07/2021 – Diário Gaúcho

Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2021/07/casas-de-festas-de-porto-alegre-registram-procura-por-eventos-para-os-proximos-meses-ckrmfi4p3003l0193se8o454b.html

“Casas de festas de Porto Alegre registram procura por eventos para os próximos meses

Há estabelecimentos que já estão com a agenda aquecida, mas infectologista pede cautela

Primeiros a terem os estabelecimentos fechados e uns dos últimos a retomarem as atividades por conta da pandemia de coronavírus, os proprietários de casas de festas percebem uma retomada, ainda que tímida, pela procura de agendamento de eventos em Porto Alegre.

Na terça-feira (27), a prefeitura da Capital anunciou um conjunto de medidas para incentivar o setor de eventos, um dos mais prejudicados pela pandemia. A redução do Imposto Sobre Serviços (ISS) de 5% para 2% e a extinção da Taxa de Fiscalização da Localização e do Funcionamento (TFLF) serão protocoladas como projetos de lei na Câmara Municipal. Já a isenção das taxas para eventos sem cobrança de ingressos e redução pela metade para aqueles com venda será implementada via decreto municipal. E o plano de retomada gradual de grandes eventos é uma proposta de alinhamento com o governo estadual, que foi apresentada no dia 14 de julho ao Gabinete de Crise.

Apesar de admitir que há procura por orçamentos, a proprietária da Toy House, no bairro Menino Deus, Rosângela Cardoso, segue a rotina do cancelamento de festas que haviam sido transferidas de 2020 para 2021, a partir do início da pandemia. Só nesta segunda-feira (26), foram três pedidos de devolução do dinheiro. Sem caixa, a empresária tem negociado o parcelamento dos valores.

— Hoje, 90% das festas que haviam sido repassadas para este ano estão sendo reagendadas para o próximo ano ou canceladas. Por exemplo, o cliente comprou a festa em 2019 para fazer em 2020, quando a criança completaria sete anos. Em 2022, a criança já não terá mais interesse e a família ainda não se sente confortável para fazer a festa em 2021 — revela a empresária.

Para retomar o negócio, Rosângela tem apostado em divulgação nas redes sociais. Mas as famílias ainda seguem apenas orçando para festas a partir de outubro e novembro deste ano:

— O mercado ainda está lento. As pessoas estão com vontade de fazer o evento, mas ao mesmo tempo seguem preocupadas neste momento.

Ao contrário de Rosângela, depois de aberturas e fechamentos ao longo do último ano, Bruno Centeno, um dos sócios da Ioiô Casa de Festas Infantis, afirma que o empreendimento voltou a ser procurado por clientes antigos e novos desde a retomada, em maio deste ano.

A Ioiô tem duas unidades, no Moinhos de Vento e no bairro Três Figueiras. Inaugurada no mês passado, a Ioiô Três Figueiras teve sete eventos neste mês e já conta com agendamentos para os próximos meses. Na outra unidade, existente desde 2019, há 14 eventos confirmados para agosto.

— Num único dia é possível fazer até três festas, com duas horas de intervalo entre uma e outra para a realização da higienização, que também é feita durante todo o evento. Temos clientes que haviam reagendado do ano passado para este e novos, que acabam vindo depois de participarem das festas que já estão ocorrendo — conta, entusiasmado.

Parceira de casas de festas da Capital, Ana Eliza Motta Costa, proprietária da Festa Pronta Personalizações e Eventos, que produz e decora eventos infantis, adultos e empresariais, também percebe um reaquecimento no mercado das festas infantis. Para se manter ao longo da pandemia, Ana Eliza precisou se reinventar inúmeras vezes. Com o fechamento das casas, em março do ano passado, ela criou o Festa Pronta Inbox, que consistia em uma minifesta enviada numa caixa para a casa dos consumidores. Em agosto do ano passado, a empresária criou o Festa em Casa, quando oferecia os kits prontos para os eventos familiares. Com a chegada do calor, Ana criou a Festa Piquenique, organizando os eventos em locais abertos, como parques, pátios de casa e praças. Agora, já tem procura pelas festas em áreas fechadas.

— Antes da pandemia, costumávamos decorar até 10 festas num único final de semana. Depois, parou tudo. Agora, já percebo um recomeço. Num único final de semana, decorei quatro festas num mesmo empreendimento — comemora Ana Eliza.

Ainda há empresários que optaram por manter as portas fechadas até a porcentagem de vacinação alcançar números maiores no Estado. É o caso de João Batista Bertagnolli, proprietário da Party Room Espaço de Eventos, no bairro Cascata. Ele aproveitou este momento para reformar o ambiente e prepará-lo para os eventos que já estão sendo orçados.

— Os orçamentos estão entrando para festas nos próximos meses, porque as pessoas acreditam que alcançaremos um maior número de vacinados. Já saímos do momento trágico e é possível enxergar uma luz no final do túnel, a partir de setembro — projeta, esperançoso, o empresário.

Infectologista pede cautela

De acordo com o coordenador da Vigilância em Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter, por enquanto, eventos infantis, sociais e de entretenimento (em bufês, casas de festas, casas de shows, casas noturnas, restaurantes, bares e similares) na Capital devem seguir os protocolos determinados pelo Sistema 3As de Monitoramento, criado pelo governo do Estado.

O médico Alessandro Pasqualotto, chefe do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), pondera que ainda é preciso cautela com festas infantis:

— Peço um pouco de calma à população porque logo chegará o equilíbrio com base na vacinação. Não sei se é o melhor momento para começarmos a ter tamanha abertura. Acho que alguma abertura é necessária, porque a vacinação é crescente e o número de casos de covid-19 tem reduzido. Mas festas infantis significam que estaremos expondo populações não vacinadas, como os menores de idade, a um risco de ter e transmitir covid-19.

Para Pasqualotto, qualquer iniciativa neste sentido tem que ser vista como um experimento social. Ou seja, controlado. Se vai ocorrer a festa, aponta o médico, todos os participantes deveriam ser testados com PCR antes do evento, para detectar a infecção em assintomáticos.

O cenário mais seguro, de acordo com o especialista, seria um encontro social apenas entre vacinados e testados, o que não incluiria crianças. O cenário menos seguro é a reunião de pessoas não testadas e vacinadas. E o cenário sem qualquer segurança é o encontro de pessoas não testadas e não vacinadas, que inclui as festas infantis.

—  Teria que se manter um período de vigilância depois destas festas e, de preferência, com testagem após o encontro. É assim num experimento, como tem sido feito em diferentes partes do mundo —  justifica.

Dicas para comemorar o aniversário

  • Evite reuniões que durem muitas horas.
  • Limite o número de pessoas. O risco aumenta quanto maior for a quantidade de convidados.
  • Evite compartilhar alimentos em tigelas, onde todos colocam a mão. Use prato único, descartável, para cada convidado.
  • Se a festa for em local fechado, mantenha janelas e portas abertas e ar-condicionado desligado.
  • Mantenha o distanciamento, evitando beijos e abraços. A troca de aerossóis ocorre a partir de gestos de proximidade, pois uma pessoa pode estar, sem saber, no início da infecção ou assintomática.
  • Só retire a máscara quando for ingerir bebidas e alimentos, mantendo o distanciamento das demais pessoas.”

29/07/2021 – Zero Hora

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"Mudanças no intervalo entre doses tem gerado dúvidas

Zero Hora29 Jul 2021

Reforço da Astrazeneca deve ser substituído pelo da Pfizer em grávidas

Na segunda-feira, o secretário executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, anunciou que o intervalo entre as doses da vacina da Pfizer diminuirá de três meses para 21 dias, como estabelece a bula. No Brasil, a pasta estendeu o tempo com a justificativa de que ajudaria a vacinar mais pessoas com a primeira dose em um intervalo de tempo menor.

– Finalmente, iremos seguir o que é preconizado no protocolo original da vacina. A decisão é ainda mais importante do ponto de vista que permite avançar mais rápido para uma imunização completa, o que parece ser muito relevante para um controle adequado, seja da variante Delta, ou mesmo de outras variantes conhecidas – diz Fernando Spilki, coordenador da Rede Corona-ômica BR-MCTI.

Outra alteração ocorreu no âmbito estadual, na semana passada, quando a Secretaria Estadual da Saúde (SES) acatou pedido feito pelo Conselho dos Secretários Municipais da Saúde (Cosems) para que o intervalo de 12 semanas entre a primeira e a segunda dose da Astrazeneca fosse retomado. Uma volta atrás na decisão anunciada no dia 12, quando a SES havia encurtado o intervalo para 10 semanas como ação preventiva frente à suspeita de dois casos da variante Delta, confirmados nesta semana.

Segundo Spilki, independentemente de 10 ou 12 semanas entre as doses de Astrazeneca, os intervalos são próximos, do ponto de vista da resposta imunológica. A variação neste caso, se houver, deve ser muito reduzida.

Spilki ressalta que o vaivém das informações relacionadas às vacinas depende muito mais do conhecimento que vem sendo produzido, da disponibilidade delas e do momento de pandemia que cada localidade está vivendo.

– Como as coisas estão sendo feitas a toque de caixa, muitas das decisões e das condutas são baseadas numa única evidência, e depois vão se construindo outras evidências. E há diversos cenários. Por exemplo, se não há um número expressivo de vacinas, vale a pena espaçar as doses porque se ganha tempo para receber novas doses. Uma estratégia para que não falta vacinas seria a extensão do prazo. Mas, se há um pico no número de casos, tenho que dar a vacina para o maior número de pessoas e que seja a que protege mais rapidamente – destaca Sprinz, do Hospital de Clínicas.

Atenção

Para o médico Alessandro Pasqualotto, chefe do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a população precisa aderir às recomendações, à medida que os estudos vão mostrando a melhor maneira de se imunizar.

– Não há um limitante, mas uma modernização da informação. Cabe à população ficar atenta às recomendações oficiais do Ministério da Saúde, que deve seguir as recomendações científicas – finaliza."

29/07/2021 – Jornal Correio da Bahia

Versão Impressa

“Mortes em julho superam o pior mês do ano passado

Correio da Bahia29 Jul 2021

COVID-19 O Brasil registrou, do dia 1º de julho até essa terça-feira (27), 33.660 mortes por covid-19, segundo dados apurados pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias de Saúde do país. Mesmo com queda em relação aos últimos meses, o número já é maior do que o de julho de 2020 – pior mês da pandemia no ano passado –, que teve 32.912 mortes.

Na média móvel, as mortes no país vinham em tendência de queda até o dia 22. Desde o dia 23, entretanto, vêm mostrando estabilidade. O número de mortes visto neste mês é, até agora – considerando apenas os dados parciais –, 39% menor do que o de mortes em junho.

Considerando a comparação com abril - pior mês da pandemia no Brasil -, a queda nas mortes é, até agora, de 59%.

Para a epidemiologista Lucia Pellanda, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a queda nas mortes é um efeito positivo da vacinação – como outros especialistas já haviam apontado no início do mês – mas a reabertura e a retomada de atividades ainda estão sendo feitas antes da hora. mil mortes foram registradas de1ºa27 de julho número maior do que o de julho de 2020 – pior mês da pandemia no ano passado

“Essa parece uma lição muito explícita que o vírus quer nos ensinar e a gente se recusa a aprender – a gente sempre flexibiliza antes da hora. Tanto no Brasil quanto globalmente. O grande risco é que, quando começa a melhorar, a gente começa a liberar tudo antes da hora. Todas as vezes aconteceu isso: cada descenso de pico a gente liberou antes da hora e acabou ficando num patamar alto”, alertou ela no portal G1.

A pesquisadora lembra que, nos países ricos – onde não há falta de vacinas, como no Brasil, e a cobertura vacinal é maior –, o que há agora é uma “epidemia dos não vacinados”. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Centro de Controle de Doenças (CDC) voltou a recomendar o uso de máscaras.

Ela critica o fato de taxas de ocupação de leitos de UTI estarem sendo usadas para medir a situação da pandemia – como os índices estão baixos, há a crença de que há “mais espaço para as pessoas adoecerem”. Com a reabertura neste momento, entretanto, há o risco de surgimento de novas variantes, aponta o epidemiologista Ethel Maciel, da Ufes – e de mais casos, internações e óbitos.”

29/07/2021 – Segs Portal

Link:https://www.segs.com.br/eventos/302272-webinar-discutira-sobre-o-futuro-do-ensino-na-saude

“Webinar discutirá sobre o futuro do Ensino na Saúde

Na próxima sexta-feira, dia 30 de julho, às 17h, a Iniciativa FIS (Fórum Inovação e Saúde) realizará o Webinar O Futuro do Ensino na Saúde – o que a pandemia tem ensinado. A proposta do evento é trazer um debate sobre os caminhos que o ensino no setor irá tomar na pós-pandemia da Covid-19 e quais lições podem ser tiradas para a Educação da Saúde.

A educação remota começou a ser uma tendência desde o ano passado. Ela foi um caminho utilizado para continuar com as aulas que antes eram presenciais e sofrem restrições por conta da pandemia. Para o pesquisador Associado ao Centro de Estudos e Estratégicos da Fiocruz, Luiz Santini, a incorporação de novas tecnologias podem representar um aliado importante no avanço da educação na área de Saúde, mas tendo também sempre uma visão adequada de sua utilização e disponibilidade de recursos.

Para o VP Innovation & Digital Services AFYA, Julio De Angeli, acredita numa tendência em juntar as práticas médicas tanto presenciais quanto um aprendizado mais virtual. “A pandemia mostrou que, cada vez mais, a gente está caminhando para um formato híbrido de ensino. Prática médica acontece, tem que acontecer, mas tendo o aluno a oportunidade de olhar conteúdos online, sendo videoaulas, podcasts, simulados e questões”, concluiu.

O neurocientista e pesquisador do Instituto D’Or, Roberto Lent, disse que a discussão sobre o que será feito no final da pandemia é essencial. Segundo Lent, avaliar as perdas, ganhos e planejar uma saída da crise é importante para dar a “volta por cima”. E segue o mesmo pensamento de Julio De Angeli, que a migração para uma modalidade híbrida pode ser o caminho a ser utilizado daqui para frente. Mas ressalva que o ensino presencial seja composto por competências socioemocionais e humanas. Já a modalidade remota, seria para a aquisição de informações de conteúdo cognitivo.

De acordo com o presidente da Iniciativa FIS,Dr.Josier Vilar, a atual situação mostrou uma necessidade de melhorar o setor e ,ao mesmo tempo, um desafio para o ensino na Saúde. “O maior desafio que a pandemia de Covid-19 nos revelou, foi superar a deficiência de qualificação profissional na saúde brasileira. Então, qualificar profissionais de Saúde para o mundo digital é o maior desafio que o setor exige de todos nós”, enfatizou.

Vale ressaltar que o Webinar será gratuito e contará com a presença da médica e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Lúcia Pellanda, Julio De Angeli, Luiz Santini e Roberto Lent. O mediador será o Dr.Josier Vilar.”

29/07/2021 – Diário Gaúcho

Link: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/07/autorizacao-para-vacinar-adolescentes-permitira-que-85-dos-gauchos-sejam-imunizados-20641205.html

“Autorização para vacinar adolescentes permitirá que 85% dos gaúchos sejam imunizados

Especialistas estimam que cerca de 70% da população com duas doses deve garantir o controle da pandemia

Com o aval conferido pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (27) para vacinar adolescentes contra a covid-19, o Rio Grande do Sul poderá vacinar 85% de toda a sua população. A ampliação do público apto a receber um imunizante deve auxiliar para a conquista da imunidade coletiva, quando entre 70% e 75% da população tiver recebido as duas doses, uma projeção para controlar a pandemia.

A inclusão dos adolescentes e o aval para aplicar a segunda dose da AstraZeneca e da Pfizer em três semanas em vez de três meses são dois esforços do Ministério da Saúde para evitar uma nova onda da pandemia causada pela variante Delta, altamente transmissível. Não há previsão de vacinação no Rio Grande do Sul ainda, segundo o governo do Estado.

Cálculos da Secretaria Estadual da Saúde (SES) apontam que há 862.658 jovens de 12 a 17 anos no Rio Grande do Sul. Descontados os 43.133 com comorbidades que já podem se vacinar em solo gaúcho desde a semana passada, a expectativa é de que 819.525 mil adolescentes sem doenças crônicas estejam aptos a se vacinar no Estado com a liberação do governo federal. 

Com a inclusão desse novo grupo, o Rio Grande do Sul amplia a população apta a se vacinar – passando de 8.931.116 para 9.750.641 gaúchos vacináveis. Agora, 85,3% de toda população do Estado está liberada para receber um imunizante no braço

— Mesmo que alguns recusem a vacinação, com mais pessoas se vacinando atingiremos, em algum momento, a imunidade de rebanho. Vacinar uma parcela adicional de pessoas que têm grande contato social é muito importante. Quanto mais rapidamente ampliarmos a cobertura, mais rapidamente controlaremos a epidemia. Estamos nos dirigindo para o fim da epidemia — analisa o médico Alessandro Pasqualotto, chefe da Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

No Brasil, a vacina da Pfizer é a única liberada para aplicação em adolescentes. Mas o cenário pode mudar no futuro: a farmacêutica estuda a aplicação em crianças de cinco a 11 anos. Além disso, estudo feito com a CoronaVac na China mostrou que o imunizante é seguro e eficaz para aplicação em crianças dos três aos 17 anos. A análise foi publicada neste mês no periódico The Lancet Infectious Diseases.

Analistas destacam que adolescentes, apesar de terem menor risco para o coronavírus, podem contribuir para a disseminação viral por conta dos encontros sociais, típicos da idade, e pela presença em sala de aula. Imunizá-los serve, portanto, para bloquear a transmissão da covid-19 entre diferentes "bolhas".

— Apesar de adolescentes apresentarem menos sintomas e risco, teremos essa população imune e com menor chance de serem potenciais transmissores a professores ou familiares. Assim, paramos mais efetivamente a cadeia de transmissão da covid e teremos cada vez mais espaços seguros para retomar nossos hábitos — afirma Cezar Riche, médico infectologista do Hospital Mãe de Deus.

Contatada pela reportagem, a Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul (SES-RS) afirmou que ainda não há previsão para o início da vacinação de adolescentes sem comorbidades.

A pasta também não mencionou se a oferta será dada logo após o fim da aplicação da primeira dose em adultos, estimada para 7 de setembro, ou se haverá intervalo maior em função da necessidade de aplicar a segunda dose em adultos.

Em São Paulo, o governador João Doria, rival de Eduardo Leite nas prévias para concorrer à Presidência pelo PSDB, anunciou que a primeira dose em todos os adultos paulistas será aplicada até 16 de agosto e que a vacinação de adolescentes será em 18 de agosto – antes, os jovens começariam a receber imunizantes em 23 de agosto. A antecipação ocorre porque o Palácio dos Bandeiras comprou 4 milhões de doses da CoronaVac que já chegaram e foram distribuídas para adultos.

Diferentemente de São Paulo, o Rio Grande do Sul começou a vacinar adolescentes com comorbidades desde a semana passada, a despeito de o Ministério da Saúde não ter dado o aval. A liberação do governo federal permite a inclusão, em território gaúcho, de jovens sem doenças crônicas.

— Os adolescentes têm uma tendência, pela idade, a se encontrar e ter maior interação social. Com a abertura das escolas, acabam se aglomerando, apesar das regras rígidas nas aulas. Vacinar adolescentes protege para que haja menos surtos nas escolas. Está provado que adolescentes contaminam mais do que crianças jovens. A variante Delta está entrando no Brasil e tem alto potencial de transmissibilidade. É muito importante que a maior parte da população esteja vacinada. Isso faz uma barreira para evitar um novo pico de doentes — afirma Benjamin Roitman, médico e membro da diretoria da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul.”

28/07/2021 – Zero Hora

Versão Impressa

PANDEMIA DEVE TER POUCA CIRCULAÇÃO DO VÍRUS E CASOS GRAVES ISOLADOS EM 2022

Zero Hora28 Jul 2021MARCELO GONZATTO Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Especialistas em saúde e estatística projetam cenário provável para o ano que vem com base em avanço da vacinação e ameaças como a variante Delta.

Profissionais de saúde e estatística avaliam que os brasileiros ainda terão de conviver com o coronavírus em 2022, mas a hipótese mais cogitada pelos especialistas consultados por ZH é de que o avanço da imunização ajude a derrubar índices de contaminação e permita um cenário de maior normalidade.

O nível de otimismo varia em razão de incertezas como adesão às vacinas, manutenção de medidas preventivas mínimas e eventual avanço de novas variantes. Uma das possibilidades é de que a covid-19 persista por meio de surtos principalmente entre populações com menor cobertura vacinal.

Artigo recente de uma publicação científica da Associação Médica Americana cogita quatro cenários para o futuro da pandemia: erradicação (redução global do vírus), eliminação (redução regional, com zonas livres da doença), coabitação (menos transmissão e poucos casos graves) ou conflagração (semelhante ao cenário atual).

Na avaliação majoritária de cinco especialistas ouvidos por ZH, a maior probabilidade para o Brasil seria de coabitação.

– A doença seguirá existindo, mas com pouquíssima circulação e casos graves muito isolados. É o cenário que considero mais provável, mas precisamos manter nosso ritmo atual de vacinação – diz Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL).

O pesquisador em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Diego Ricardo Xavier aposta, caso se atinjam as metas de vacinação neste ano, em um panorama favorável a surtos localizados:

– Ainda precisaremos combinar estratégias como aumento de testagem e rastreio de casos, ou teremos surtos, sim, com aumento de casos (nos locais de ocorrência).

Em grande parte, o cenário em 2022 será determinado por medidas que dependem da disposição dos brasileiros em seguir se vacinando, da garantia de doses suficientes por parte do governo federal e da preservação de ações como distanciamento e uso de máscaras.

– Ainda estamos muito distantes da cobertura vacinal que efetivamente reduz a circulação do vírus, que exige duas doses ou vacinas de dose única. Até lá, a alta circulação do vírus favorece o surgimento de variantes como a Delta, que podem colocar a perder muito do que já avançamos – explica o epidemiologista do Hospital de Clínicas Ricardo Kuchenbecker.

Recuo

Mesmo parcial, a vacinação tem ajudado a reduzir a média móvel de mortes diárias (calculada com base nos sete dias anteriores), que segue em tendência de queda no país. Em duas semanas, até segunda-feira houve recuo de 15% – de 1.303 para 1.107. A avaliação sobre a evolução recente de novos casos foi prejudicada pela inclusão, na sexta-feira, de mais de 60 mil exames positivos que estavam represados no Estado. Apesar disso, com base nas tendências das últimas semanas, o doutor em matemática da UFRGS Álvaro Krüger Ramos acredita em uma evolução:

– Com a vacinação, será possível reduzir o número de óbitos para um cenário compatível com o da gripe sazonal.

Há especialistas menos otimistas. – Enquanto não aprendermos que a pandemia é um problema global, vamos perpetuar essa situação. Não adianta ter vacinação nos países ricos e não nos pobres, porque vão se desenvolver novas variantes – alerta Lucia Pellanda, professora de Epidemiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

28/07/2021 – Grupo Independente

Link:https://independente.com.br/mortes-por-covid-em-julho-de-2021-superam-as-de-julho-de-2020-pior-mes-do-ano-passado/

“Mortes por covid em julho de 2021 superam as de julho de 2020, pior mês do ano passado

Dados foram apurados pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias de Saúde do país

O Brasil registrou, do dia 1º de julho até esta terça-feira (27), 33.660 mortes pela covid-19, segundo dados apurados pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias de Saúde do país. Mesmo com queda em relação aos últimos meses, o número já é maior do que o de julho de 2020 – pior mês da pandemia no ano passado –, que teve 32.912 mortes. Na média móvel, as mortes no país vinham em tendência de queda até o dia 22.

Desde o dia 23, entretanto, vêm mostrando estabilidade. Para a epidemiologista Lucia Pellanda, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a queda nas mortes é um efeito positivo da vacinação – como outros especialistas já haviam apontado no início do mês – mas a reabertura e a retomada de atividades ainda estão sendo feitas antes da hora.

Ela lembra que, nos países ricos – onde não há falta de vacinas, como no Brasil, e a cobertura vacinal é maior – para a pesquisadora, o que há agora é uma “epidemia dos não vacinados”. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Centro de Controle de Doenças (CDC) voltou a recomendar o uso de máscaras.”

28/07/2021 – Gazeta RS

Link: http://gazeta-rs.com.br/especialistas-projetam-cenarios-de-atuacao-do-coronavirus-em-2022/

“Especialistas projetam cenários de atuação do coronavírus em 2022

Ritmo de vacinação e medidas de prevenção serão determinantes para controle da pandemia

Especialistas em saúde e estatística projetam que os brasileiros ainda terão de conviver com o coronavírus em 2022. Porém, o avanço da imunização deve ajudar a derrubar os índices de contaminação e permitir um cenário de maior normalidade.

O nível de otimismo varia em razão de incertezas como a adesão da população às vacinas, a manutenção de medidas preventivas mínimas e o eventual avanço de novas variantes como a Delta. Uma das possibilidades é de que a covid-19 persista por meio de surtos registrados, principalmente, entre populações com menor cobertura vacinal.

“A doença seguirá existindo, mas com pouquíssima circulação e casos graves muito isolados. É o cenário que considero mais provável, mas precisamos manter nosso ritmo atual de vacinação”, observou o epidemiologista da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pedro Hallal.

Um artigo recente de uma publicação científica da Associação Médica Americana cogita quatro cenários para o futuro da pandemia: erradicação (redução global do vírus), eliminação (redução regional, com zonas livres da doença), coabitação (menos transmissão e poucos casos graves) ou conflagração (semelhante ao cenário atual).

O pesquisador em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Diego Ricardo Xavier, aposta, caso se atinjam as metas de vacinação neste ano, em um panorama favorável a surtos localizados em vez de um descontrole generalizado.

População

Projeções mais exatas são dificultadas pelo desafio de prever não o comportamento do vírus, mas das pessoas. Em grande parte, o cenário em 2022 será determinado por medidas que dependem da disposição dos brasileiros em seguir se vacinando, da garantia de doses suficientes por parte do governo federal e da preservação de ações como distanciamento e uso de máscaras até que a transmissão do vírus seja derrubada de fato.

Mas há especialistas bem menos otimistas em relação aos próximos meses. Professora de Epidemiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda não crê em uma saída que não envolva um esforço internacional ainda ausente.

“Enquanto não aprendermos que a pandemia é um problema global, vamos perpetuar essa situação. Não adianta ter vacinação nos países ricos e não nos países pobres, porque vão se desenvolver novas variantes”, defende Lucia.

Medidas de prevenção

Tudo indica que, apesar do avanço da vacinação e de recuos recentes em taxas de novos casos e óbitos por covid-19, os brasileiros precisarão manter algumas medidas de prevenção para evitar novos saltos de contaminação ao menos em parte do ano que vem.

Par o epidemiologista Pedro Hallal, talvez seja possível dispensar o uso de máscara entre o final deste ano e o começo do próximo. “A retirada das máscaras se dará entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022, se tudo continuar na mesma”, aposta.

Há colegas que preferem manter maior cautela. Especialista em Saúde Pública da Fiocruz, Diego Ricardo Xavier lembra que outros países, mesmo com imunização muito mais avançada, ainda não puderam desconsiderar completamente ações de prevenção.

Caso se atinjam as metas de vacinação neste ano, em um panorama favorável a surtos localizados em vez de um descontrole generalizado.”

27/07/2021 – G1              

Link:https://g1.globo.com/fato-ou-fake/coronavirus/noticia/2021/07/27/e-fake-que-queda-de-mortes-por-covid-19-no-brasil-seja-por-causa-de-ciclo-natural-do-virus.ghtml

“É #FAKE que queda de mortes por Covid-19 no Brasil seja por causa de 'ciclo natural' do vírus

Especialistas refutam alegação que circula em redes sociais. Boletim da Fiocruz aponta que a melhoria do quadro pandêmico no país é uma consequência direta do aumento no número de imunizados.

Circula pelas redes sociais uma mensagem que sugere que o coronavírus está seguindo o seu ciclo natural e que a queda de mortes por Covid-19 no Brasil e o arrefecimento da pandemia ocorrem sem que isso tenha ligação com a taxa de vacinação da população. É #FAKE.

Professor titular de saúde coletiva da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e médico de família e comunidade do Grupo Hospitalar Conceição, Airton Tetelbom Stein afirma que a informação de que o vírus segue um ciclo natural não é validada cientificamente.

Citando o livro "Epidemiologia", de Roberto Medronho, ele aponta que os surtos acabam nas seguintes situações:

Quando todos os que eram suscetíveis adoeceram

Quando não há mais exposição à fonte de contaminação

Quando a fonte de contaminação acabou

Quando os indivíduos diminuíram sua suscetibilidade, tornaram-se imunizados (vacinados) ou usaram medidas preventivas para evitar a doença

Quando os patógenos tornaram-se menos patogênicos

Ele sustenta que, para responder à alegação contida na mensagem falsa, vários elementos devem ser considerados: a patogenecidade das variantes, a cobertura vacinal, os fatores de risco da população, determinantes sociais e a curva epidêmica no local. Ou seja, a situação é muito mais complexa do que apenas o "ciclo natural" do vírus.

A pesquisadora Ligia Kerr, integrante da comissão de epidemiologia da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e professora da Universidade Federal do Ceará, concorda. "O vírus não está seguindo um ciclo natural. Ele está seguindo o ciclo do que nós, como seres humanos, estamos permitindo que siga", diz.

A ideia de que a queda nas mortes não tem ligação com a taxa de vacinação também é desmentida por Kerr. "Isso é fake. Hoje, nós temos uma queda nos óbitos principalmente por causa da vacinação. E uma queda nos casos também", diz. "Se a gente não tomar uma providência, nós vamos seguir o rumo que os Estados Unidos estão seguindo. Eu estou aqui na Califórnia, que tem uma grande taxa de vacinação, e os casos e hospitalizações estão aumentando porque tem muita gente ainda que não quer e se recusa a tomar a vacina", diz.

Kerr, presidente do 11º Congresso Brasileiro de Epidemiologia, que acontecerá em novembro em plataforma virtual, afirma que o Brasil é um país que tradicionalmente toma a vacina, mas enfrenta o problema de falta de imunizante. E recomenda: "A gente tem que andar com todas essas ações ao mesmo tempo, vacinação, uso de máscara, distanciamento na medida do possível. Tem que ser tudo junto, senão, a gente corre o risco de passar pela mesma situação [dos EUA]."

A especialista acrescenta ainda que o Brasil não tem feito o diagnóstico e rastreamento dos casos, medida que ela afirma serem absolutamente fundamentais. "Se a gente não fizer isso, não conseguiremos barrar a infecção."

Além disso, a pesquisadora alerta que, se tiver bolsões onde a doença possa se replicar com facilidade, o vírus vai tentar escapar à nossa imunidade natural e à nossa imunidade vacinal. "Se você pegar os países pobres, a taxa de vacinação está em torno de 1% da população. Isso não pode acontecer. Os países desenvolvidos têm que produzir vacina e vacinar os países mais pobres. Está crescendo na África, está crescendo em vários lugares da Ásia. Isso é que não podemos permitir. Temos de avançar na vacinação no mundo", afirma.

De acordo com o boletim Observatório Covid-19 da Fiocruz para o período de 4 a 17 de julho, o avanço da vacinação no Brasil tem ocorrido de forma mais lenta do que esejável, mas, ainda assim, a melhoria do quadro pandêmico no país é uma consequência direta do aumento no número de imunizados.

O documento alerta que, embora os dados tragam algum alento, o país permanece ainda em um patamar muito crítico, com uma média diária de 39.064 casos e 1.196 óbitos. E lembra que continuam pertinentes as preocupações quanto à possibilidade de piora no quadro pandêmico, especialmente frente à propagação da variante Delta.

Especialistas ouvidos pelo G1 apontam que os números da queda da média móvel de mortes estão entre os dados que já mostram a efetividade da vacina em grupos que estão totalmente imunizados (sobretudo idosos). Apesar disso, eles alertam que a pandemia não está controlada e que a chegada da variante delta ainda é um risco para aqueles que não tomaram as duas doses da vacina.”

27/07/2021 – GZH

Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/07/brasileiros-deverao-conviver-com-o-coronavirus-em-2022-mas-sob-menos-contaminacoes-e-mortes-ckrmdftfd002d01930wc04pvq.html

“Brasileiros deverão conviver com o coronavírus em 2022, mas sob menos contaminações e mortes

Especialistas traçam cenário mais provável para a covid-19 no ano que vem com base em avanço da vacinação e ameaças como a variante Delta

Profissionais de saúde e estatística avaliam que os brasileiros ainda terão de conviver com o coronavírus em 2022, mas a hipótese mais cogitada pelos especialistas consultados por GZH é de que o avanço da imunização ajude a derrubar os índices de contaminação e permita um cenário de maior normalidade.

O nível de otimismo varia em razão de incertezas como a adesão da população às vacinas, a manutenção de medidas preventivas mínimas e o eventual avanço de novas variantes como a Delta. Uma das possibilidades é de que a covid-19 persista por meio de surtos registrados principalmente entre populações com menor cobertura vacinal.

Um artigo recente de uma publicação científica da Associação Médica Americana cogita quatro cenários para o futuro da pandemia: erradicação (redução global do vírus), eliminação (redução regional, com zonas livres da doença), coabitação (menos transmissão e poucos casos graves) ou conflagração (semelhante ao cenário atual).

Na avaliação majoritária de cinco especialistas em saúde ou estatísticas da pandemia ouvidos por GZH, a maior probabilidade para o Brasil seria de coabitação, com níveis de transmissão, casos graves e óbitos bem menores do que os atuais.

— A doença seguirá existindo, mas com pouquíssima circulação e casos graves muito isolados. É o cenário que considero mais provável, mas precisamos manter nosso ritmo atual de vacinação — observa o epidemiologista da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Pedro Hallal.

 

O pesquisador em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Diego Ricardo Xavier aposta, caso se atinjam as metas de vacinação neste ano, em um panorama favorável a surtos localizados em vez de um descontrole generalizado:

— Ainda precisaremos combinar estratégias como aumento de testagem e rastreio de casos, ou teremos surtos, sim, com aumento de casos (nos locais de ocorrência).

MORTES POR COVID-19 NO BRASIL

Média móvel (dos sete dias anteriores) de óbitos diários no país segue tendência de queda nas últimas semanas

(Verificar gráficos pelo link acima)

Comportamento humano

Projeções mais exatas são dificultadas pelo desafio de prever não o comportamento do vírus, mas dos seres humanos: em grande parte, o cenário em 2022 será determinado por medidas que dependem da disposição dos brasileiros em seguir se vacinando, da garantia de doses suficientes por parte do governo federal e da preservação de ações como distanciamento e uso de máscaras até que a transmissão do vírus seja derrubada de fato.

— Ainda estamos muito distantes da cobertura vacinal que efetivamente reduz a circulação do vírus, que exige duas doses ou vacinas de dose única. Estamos ao redor de 18% da população, enquanto é preciso algo em torno de 75%. Até lá, a alta circulação do vírus favorece o surgimento de variantes como a Delta, que podem colocar a perder muito do que já avançamos — explica o epidemiologista do Hospital de Clínicas da Capital Ricardo Kuchenbecker.

Mesmo parcial, a vacinação tem ajudado a reduzir a média móvel de mortes diárias (calculada com base nos sete dias anteriores), que segue em tendência de queda no país. Em duas semanas, até a segunda-feira (26) houve um recuo de 15% nesse número – variou de 1.303 para 1.107 ao longo desse período. A avaliação sobre a evolução recente de novos casos foi prejudicada pela inclusão, na sexta-feira (23), de mais de 60 mil exames positivos que estavam represados no Rio Grande do Sul. Isso gera um aumento artificial da média de contaminações.

Apesar disso, com base nas tendências gerais das últimas semanas, o doutor em matemática e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Álvaro Krüger Ramos, que monitora as estatísticas da pandemia, acredita em uma evolução no combate ao coronavírus em 2022.

— Minha expectativa, compatível com os números que temos visto, é de que 2022 seja o ano de nos readaptarmos à normalidade. Vamos ter de conviver com a pandemia, talvez a covid-19 não vá embora. Mas, com a vacinação, será possível reduzir o úmero de óbitos para um cenário compatível com o da gripe sazonal — analisa o matemático.

Mas há especialistas bem menos otimistas em relação aos próximos meses. Professora de Epidemiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda não crê em uma saída que não envolva um esforço internacional ainda ausente.

— Enquanto não aprendermos que a pandemia é um problema global, vamos perpetuar essa situação. Não adianta ter vacinação nos países ricos e não nos países pobres, porque vão se desenvolver novas variantes — acredita Lucia.

O mesmo problema, em sua avaliação, se repete no nível pessoal:

— Não adianta eu estar vacinada e ir a uma festa onde há não vacinados. Hoje, temos visto epidemias de não vacinados. Precisamos não só de vacina, mas também de cuidados de distanciamento, máscara e ventilação dos ambientes até interromper a circulação do vírus.

Medidas de prevenção ainda serão necessárias

Tudo indica que, apesar do avanço da vacinação e de recuos recentes em taxas de novos casos e óbitos por covid-19, os brasileiros precisarão manter algumas medidas de prevenção para evitar novos saltos de contaminação ao menos em parte do ano que vem.

Entre os mais otimistas, o epidemiologista Pedro Hallal acredita que talvez seja possível dispensar o uso de máscara entre o final deste ano e o começo do próximo:

— A retirada das máscaras se dará entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022, se tudo continuar na mesma.

Há colegas que preferem manter maior cautela. Especialista em Saúde Pública da Fiocruz, Diego Ricardo Xavier lembra que outros países, mesmo com imunização muito mais avançada, ainda não puderam desconsiderar completamente ações de prevenção.

— O uso de máscara e, principalmente, o hábito de evitar locais de aglomeração devem persistir mesmo com o aumento da vacinação. Na Europa e na Ásia, mesmo com imunização acelerada, vemos a adoção de medidas restritivas. Aqui, não tem por que ser diferente — observa Xavier.

Para a professora de Epidemiologia da UFCSPA Lucia Pellanda, ainda não há como prever a dispensa de medidas não farmacológicas de proteção contra a covid-19:

— Houve um otimismo exagerado de que só vacina sozinha vai resolver. Não resolve. Tem de ser vacina e cuidados, e alguns cuidados talvez a gente vá ter de manter por muito tempo mesmo.

Quanto tempo? Para o epidemiologista Ricardo Kuchenbecker, a resposta vai depender de dois itens fundamentais:

— O relaxamento do uso de máscaras depende de dois fatores: cobertura vacinal e baixas taxas de novas infecções. Ambos interdependentes.”

22/07/2021 – Diário de Viseu

Link:https://www.diarioviseu.pt/noticia/72595

"Portugal completa vacinação em finais de Setembro

A pandemia «tornar-se-á endémica», mas com a vacinação da população portuguesa, que deverá estar concluída em finais de Setembro, será possível «libertar a economia», disse ontem em Coimbra o vice-almirante Gouveia e Melo. O coordenador da task force para o plano de vacinação expôs, durante a conferência internacional "Saúde Global em Pós-Pandemia", os objectivos que nortearam o processo, dificuldades, metas a atingir, actual estado das coisas, identificando também algumas «nuvens negras» e «ameaças».

Primeiro orador, depois da sessão de abertura, da conferência organizada pela Academia Sino-Lusófona da Universidade de Coimbra (ASL-UC) em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Henrique Gouveia e Melo usou a «comunicação simples, directa e 100% honesta», que entende ser a correcta nos actos políticos e em particular na ligação da task force à população."

21/07/2021 – Veja Saúde

Link:https://saude.abril.com.br/medicina/sindromedeguillain-barre/

“Síndrome de Guillain-Barré: o que é e a relação com a vacina da Janssen

Essa doença pode ocorrer após quadros de infecção, mas é considerada rara. Recentemente, o quadro foi incluído na bula da vacina da Janssen. Saiba mais.

A síndrome de Guillain-Barré passou a ser noticiada em todo o mundo após ser incluída entre as possíveis reações adversas na bula da vacina da Janssen contra o coronavírus. Mas já cabe frisar: o quadro, que é associado à ocorrência de infecções, como a provocada pelo vírus da gripe ou o zika, é raro.

“Cada nervo tem uma fita isolante protetora, a bainha de mielina. Em uma situação de infecção, ela pode ficar exposta, como um fio desencapado. Aí, os anticorpos que lutariam contra os vírus também atacam os nervos”, ensina a professora de neurologia Arlete Hilbig, da Universidade Federal de Ciências de Porto Alegre (UFCSPA).

“A síndrome ocorre quando há distúrbios capazes de mexer com as defesas do organismo”, resume Francisco de Assis Gondim, ex-coordenador do Departamento Científico de Neuropatias Periféricas da Academia Brasileira de Neurologia (Abneuro).

A doença acomete diversas raízes nervosas do corpo e é aguda, porque ocorre de uma hora para a outra, segundo Arlete. Fraqueza muscular e paralisia nos membros estão entre as consequências desse ataque aos nervos. No entanto, a maior parte das pessoas se recupera do problema.

“Não há estudos que associem a própria infecção pelo coronavírus à essa síndrome, embora alguns casos tenham ocorrido. No entanto, é muito mais arriscado desenvolver um quadro grave de Covid-19 do que apresentar uma reação adversa à vacina”, frisa Arlete. Ou seja, não faz sentido ter medo de receber o imunizante.

A empresa Jonhson & Johnson passou a colocar a síndrome de Guillain-Barré na bula após o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, relatar que 100 pessoas desenvolveram a doença entre 12,5 milhões de vacinados com o imunizante. Como se vê, a incidência é muito baixa. E, na verdade, esses casos ainda não foram comprovadamente ligados à picada. Mexer na bula representa uma atitude preventiva.

Essa não é a primeira vez que se considera uma relação entre a síndrome e a aplicação de vacinas, como a da gripe. Mas, de acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações, desde 1976 são conduzidos muitos estudos sobre o tema, mas nenhum cravou que a associação existe.

Sintomas, evolução e tratamento

Os primeiros sintomas da síndrome de Guillain-Barré podem ser formigamento nas pernas e depois perda de força nas extremidades. “Essa sensação vai em direção ao tronco e pode chegar à musculatura da face, dificultando a ação de engolir, já que a garganta é feita de músculos. Também há possibilidade de atingir o sistema respiratório”, descreve Arlete.

Quando a doença evolui dessa maneira, a pessoa precisa ser acompanhada na UTI, onde contará com a ajuda de um respirador para se manter bem até o distúrbio ser resolvido. A fisioterapia também é um dos tratamentos de suporte para quem passa pela doença.

Em casos mais graves, procedimentos como a plasmaférese também são indicados. Trata-se de um processo de filtração do sangue que “limpa” os anticorpos que estão atacando os nervos. “A recuperação pode ser total ou deixar algumas sequelas”, informa Arlete. Agora, quando o quadro é leve, muitas vezes os músculos reagem sem a ajuda de nenhum tipo de tratamento.

Não há consenso, ainda, sobre quanto tempo leva para esses sintomas aparecerem após uma infecção, mas fala-se entre duas semanas a um mês.

O diagnóstico pode ser feito pelo médico a partir da observação do indivíduo. Se o especialista julgar necessário, há a coleta do líquor, um líquido retirado da espinha dorsal, e a realização de exames de imagem.

Qual a frequência da doença?

A síndrome é considerada rara, pois acomete uma ou duas pessoas em um universo de 100 000 indivíduos, segundo artigo da revista Nature publicado em novembro de 2019. De acordo com o FDA, a agência reguladora de medicamentos nos Estados Unidos, ocorrem de 3 mil a 6 mil casos todos os anos em território norte-americano.

Não existem dados específicos no Brasil, apenas observações isoladas. “Em São Paulo, um estudo conduzido no Hospital Santa Marcelina apontou uma taxa de incidência do quadro de 0,6 a cada 100 000 pessoas. Apesar de ser um dado pequeno, tirado de um hospital, é semelhante à prevalência mundial”, relata Gondim.

Há alguns anos, quando houve um surto de zika no Brasil, notou-se uma alta de casos nas regiões mais afetadas por essa infecção, como o Nordeste do país. A primeira associação entre a síndrome e o zika foi feita em 2013 em um estudo na Polinésia Francesa: quase todos os indivíduos pesquisados que desenvolveram a Guillain-Barré haviam sido infectados por esse agente infeccioso.”

20/07/2021 – Resende News

https://resende.com.br/noticias/63563/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=delta-e-mais-transmissivel-mas-estudos-nao-apontam-elo-com-casos-mais-severos-dizem-especialistas

"Delta é mais transmissível, mas estudos não apontam elo com casos mais severos, dizem especialistas

Variante tem provocado aumento de casos pelo mundo. Especialistas ouvidos pelo G1 explicam que maior transmissibilidade não significa, necessariamente, que quadro de Covid será mais grave. A variante delta do coronavírus já foi detectada em pelo menos 111 países, segundo o mais recente boletim epidemiológico da Organização Mundial da Saúde (OMS). Assim como as outras variantes de preocupação (alpha, beta e gamma), ela é mais transmissível. Entretanto, ainda não é possível afirmar se as variantes provocam casos mais graves ou se são mais letais.

“Por enquanto, o que sabemos é que a variante delta é mais transmissível, mas ainda não conseguimos definir exatamente quão mais grave é. Isso vem desde a alpha”, diz a imunologista Ester Sabino.

Como a variante delta avança pelo mundo e quais as perspectivas para o Brasil

O infectologista da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, também destaca que, até aqui, só está comprovada a alta transmissibilidade das variantes.

“Ainda não há comprovação que as variantes, inclusive a delta, tenham uma taxa de virulência maior entre os infectados. O que acontece é que, como elas são mais transmissíveis, há chances da população, caso infectada, desenvolva a doença, seja casos leves, moderados ou graves”, explica Kfouri.

Veja 5 pontos sobre a variante delta

Potencial de contágio

Em um artigo publicado na revista científica Eurosurveillance, pesquisadores ligados à OMS e ao Imperial College London apontam que a variante delta foi a que teve o maior aumento na taxa de reprodução em relação ao coronavírus original.

Enquanto a alfa (B.1.1.7, responsável pelo primeiro surto no Reino Unido) teve aumento de 29% na transmissibilidade, os pesquisadores apontam que a delta chegou a 97% de incremento em relação ao vírus original.

Potencial de transmissão da variante delta

Guilherme Luiz Pinheiro/Arte G1

A pesquisadora Melissa Markoski, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e pós-doutora em imunologia, explica que uma das formas de visualizar a transmissibilidade é através do seu R0 (lê-se ‘R’ -zero), que mede a taxa de reprodução do agente.

Em outras palavras, o R0 é o número médio de pessoas que cada indivíduo infectado com um vírus consegue contaminar, considerando que as pessoas não estão vacinadas e nem utilizaram métodos de se proteger do contágio.

“Quando a R0 é menor que 1, significa que o agente está controlado, explica Markoski. Entre as variantes da Covid-19, a variante delta é a mais contagiosa, apresentando R0 entre 5 a 8.

Uma taxa maior de contágio, contudo, não significa maior taxa de mortalidade. Markoski explica que embora sejam conceitos diferentes, muitas vezes maior taxa de contágio é relacionado à maior gravidade de uma determinada doença. Isso acontece porque, se uma doença for mais contagiosa, haverá mais casos na população, o que pode ocasionar em um aumento no número bruto de hospitalizações e mortes.

Mutação do vírus é comum

Uma variante é resultado de modificações genéticas que o vírus sofre durante seu processo de replicação. Isso ocorre de maneira aleatória. “Variantes aparecem todos os dias, centenas ou milhares, eu diria. A cada vez que o vírus se copia, ele sofre mutações”, explica Kfouri.

Um único vírus pode ter inúmeras variantes. Quanto mais o vírus circula – é transmitido de uma pessoa para outra –, mais ele faz replicações, e maior é a probabilidade de modificações no seu material genético que vão dar origem a novas variantes.

“Existem milhares de variantes, todos os dias surgem novas. E no meio de milhares de novas variantes aparece uma com capacidade maior de transmissão, que toma conta da epidemia. Quanto mais damos chances, mais variantes piores aparecem”, diz Sabino.

Por isso, Raquel Muarrek, infectologista do Hospital São Luiz e do Emilio Ribas, ressalta que é importante avançarmos na vacinação da população para evitar que o vírus continue tenso sucesso em suas mutações.

“Qual é o problema: temos combinações dessas mutações. Pessoas vacinadas apenas com uma dose ou não vacinadas fazem uma combinação ou uma mutação do vírus”, afirma Muarrek.

Impacto na vacinação

O especialista André Bon, médico infectologista do Hospital Sírio-Libanês, aponta que a circulação de variantes com maior transmissibilidade vai exigir que mais pessoas sejam vacinadas para a obtenção da chamada “imunidade coletiva”.

“Pode interferir muito em alguns sentidos. Com a variante original, uma pessoa infectava duas a três pessoas. Isso faz com que a gente precisasse de uma cobertura vacinal entre 60% e 70%. Com a variante delta, uma pessoa infecta 5 a 8 pessoas diferentes, então, você precisa de uma proporção muito maior de vacinados para reduzir a circulação do vírus de forma sustentável”.

19/07/2021 – Jornal de Brasília

Link:https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/saude/rio-grande-do-sul-confirma-os-dois-primeiros-casos-da-variante-delta-do-coronavirus/

Rio Grande do Sul confirma os dois primeiros casos da variante delta do coronavírus

Trata-se de dois moradores de Gramado, na Serra Gaúcha, sem histórico recente de viagens nacionais ou internacionais

O governo do Rio Grande do Sul confirmou nesta segunda-feira (19) os dois primeiros casos da variante delta do coronavírus no estado. Um dos casos foi confirmado por sequenciamento genético realizado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e o outro por sequenciamento parcial pelo Cevs (Centro Estadual de Vigilância em Saúde). Trata-se de dois moradores de Gramado, na Serra Gaúcha, sem histórico recente de viagens nacionais ou internacionais. Eles fazem parte de uma mesma cadeia de transmissão, ou seja, eram contactantes.

A Secretaria Estadual de Saúde diz que há ainda outros cinco casos suspeitos da variante delta no estado também sob investigação da Fiocruz. Uma pessoa também é de Gramado e teve contato com um dos casos confirmados, e as outras três são de municípios da região metropolitana de Porto Alegre –dois de Sapucaia do Sul, um em Esteio e um em Canoas. Os resultados devem sair ainda esta semana.

Gramado é um destino turístico procurado especialmente na temporada de inverno, o que aumenta as probabilidades de aglomeração. A cidade registrou o primeiro caso da variante gama (P.1) no estado, em fevereiro deste ano. Hoje ela é identificada na maioria dos casos em território gaúcho. O secretário municipal de Saúde, Jeferson Moschen, afirmou em vídeo publicado em rede social da Prefeitura de Gramado que deve pedir reforço nas remessas de vacinas como medida de contenção contra a nova variante.

Enquanto Porto Alegre, que tem cerca de 1,4 milhão de habitantes, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), está vacinando pessoas na faixa de 34 anos, Gramado, com cerca de 36,5 mil moradores, vacina pessoas com 39 anos ou mais a partir desta terça. “Todas as medidas sanitárias, de isolamento e condicionamento dos pacientes, já foram feitas. Tomamos todas as providências e até então não houve nenhuma alteração significativa, tanto no número de casos como nas questões de internações hospitalares”, disse o secretário.

“Temos um perfil de receber muitos turistas, então eles vêm com carga viral diferente da que nós estamos acostumados, com tipos de vírus diferentes. Por isso nós recebemos variantes aqui na região. Então, você que atende turista, tenha mais consciência ainda do autocuidado, de manter distanciamento, do uso da máscara e da vacina”, diz a enfermeira da vigilância em saúde, Ellen Regina Pedroso, também no vídeo da prefeitura. “Esses casos preocupam principalmente com base no que vemos em outros países”, avalia Isaac Schrarstzhaupt, coordenador de dados da Rede Análise Covid-19. “Onde a delta chega ela se torna dominante e de forma muito rápida”.

O Cosems (Conselho das Secretarias Municipais de Saúde) se reuniu no fim da tarde para avaliar o novo cenário e diz que pode ser considerado aumento da vigilância. Com queda na taxa de ocupação geral de UTIs nas últimas semanas, o Rio Grande do Sul registrou, nesta segunda-feira, ocupação de 72,7% nos 3.415 leitos disponíveis nas redes pública e privada (2.531 deles no SUS).

Em Gramado, segundo o painel do estado, atualizado no fim da tarde, dos 15 leitos do SUS, oito estão ocupados, enquanto na rede privada há sete pacientes para três leitos. “O perigo de olhar só a questão de leitos é que a vacina não interrompe a transmissão, então a transmissão cresce até o ponto em que pode surgir uma nova variante”, explica Lucia Pellanda, médica, professora de epidemiologia e reitora da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre). “Neste momento, é muito provável que quem não está vacinado está em mais risco do que jamais esteve em toda a pandemia. Estamos começando a ter uma epidemia dos não vacinados”.

17/07/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/07/festas-de-aniversario-aumentam-em-31-a-chance-de-pegar-covid-19-diz-estudo-ckr6tadlw00aa0193nzc0l0ai.html

“Festas de aniversário aumentam em 31% a chance de pegar covid-19, diz estudo

Pesquisa reforça papel de eventos em ambientes fechados no aumento do número de casos, sobretudo para o público infantil

Um estudo produzido por cientistas da Universidade de Harvard, do Hospital Geral de Massachusetts e de outras instituições dos Estados Unidos mostra que festas de aniversário aumentam em 31% o risco de pegar coronavírus. A pesquisa foi publicada no início de junho no prestigioso periódico científico Jama Internal Medicine.

O estudo, afirmam médicos, reforça o entendimento de que o Sars-CoV-2 não é transmitido apenas em grandes aglomerações ou festas, mas também em encontros privados, com poucas pessoas – momentos nos quais os indivíduos relaxam, retiram as máscaras, comem, bebem e deixam de praticar o distanciamento.

Os pesquisadores analisaram dados de planos de saúde privados de 2,9 milhões de famílias norte-americanas, identificaram os pedidos de reembolso para teste de coronavírus com resultado positivo e cruzaram com as datas de aniversário dos familiares assegurados. Os dados são de janeiro a novembro do ano passado.

A conclusão é de que havia 31% mais resultados positivos de coronavírus nas famílias nas quais um dos integrantes havia completado o aniversário em até 14 dias antes do pedido de reembolso para teste. O aumento leva em conta o índice de transmissão na semana da região onde as famílias moravam.

O estudo ainda averiguou se a transmissão era maior em aniversários comuns, de crianças ou de grandes datas, como de 50 anos de idade; e identificou o nível de chuva (o que levaria as pessoas a se resguardarem dentro de casa).

“Este estudo sugere que eventos que levem a encontros pequenos e informais, como festas de aniversário e, em particular, festas de aniversário infantis, são uma fonte potencialmente importante de transmissão de Sars-CoV-2”, escrevem os cientistas.

— O estudo mostra que a transmissão não acontece só em grandes eventos. Aglomeração é também com poucas pessoas que não convivem na mesma bolha. A covid é transmitida em pequenos encontros, até mesmo em um almoço de duas pessoas. Quando saímos de nossa bolha, precisamos manter o distanciamento e o uso de máscara — pontua o médico Alessandro Pasqualotto, chefe da Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

O médico infectologista Cezar Vinicius Riche, do serviço de qualidade do Hospital Mãe de Deus, observa que muitos pacientes chegam à instituição relatando que se infectaram depois de uma janta entre amigos ou em contato com colega de trabalho.

Um dos possíveis motivos para que as festas de aniversário infantis tenham maior risco de transmissão, sugere Riche, é a predisposição dos pais em assegurar alguma comemoração para não deixar a data passar em branco – um pequeno “sofrimento” ao qual os adultos evitam submeter os filhos.

— É mais fácil não ter festa de aniversário de adulto do que de criança. Ou, quando é adulto, se faz algo menor e mais restrito. Outro fator é que criança tem dificuldade de usar máscara e fazer distanciamento social. Em uma festa de criança, elas se reúnem. Vão as crianças, os pais das crianças, então há mais núcleos familiares se agrupando do que em uma reunião de adultos — diz o infectologista do Mãe de Deus.

Apesar de o estudo ter sido feito em um momento no qual os Estados Unidos ainda não tinham população vacinada, os resultados se aplicam ao Brasil, onde grande parcela dos habitantes sequer recebeu uma dose e segue desprotegida. Dados do Portal Covid-19 no Brasil mostram que cerca de 41,5% dos brasileiros receberam a primeira dose e 15,7%, a segunda.

A análise é importante para todas as famílias nas quais haja integrantes que ainda não receberam o esquema vacinal completo. Vale, ainda, para qualquer tipo de reunião mais íntima, entre amigos ou familiares, além de aniversários.

— Na medida em que temos poucos vacinados, uma pessoa ou outra pode ter o vírus e transmitir. Fazer festa dentro de casa, em ambiente fechado, sem máscara, é arriscado enquanto a população não estiver mais vacinada. Peço um pouco mais de paciência à população. A vacinação melhorou muito nas últimas semanas. Teremos melhores momentos até o fim do ano. Precisamos aguentar um pouco mais — pede o médico infectologista Alessandro Pasqualotto.

Dicas para comemorar o aniversário

  • Marque o encontro em um ambiente ao ar livre, como um parque, uma praça ou o pátio de casa. Evite lugares pouco arejados, sobretudo com janelas fechadas.
  • Limite o número de pessoas. Quanto mais convidados, maior o risco de alguém trazer coronavírus sem saber.
  • Reduza o horário do encontro. Evite reuniões que durem muitas horas.
  • Evite abraços e beijos. Gestos de proximidade são propícios para troca de aerossóis. Uma pessoa pode ter covid-19 sem saber, estar assintomática ou no início da infecção.
  • Use máscara. O risco de transmissão ocorre ao comer ou beber, então ingira alimentos e bebidas com distância de outras pessoas.
  • Evite petiscos e comidinhas compartilhadas em potes ou tigelas, onde todos colocam a mão.
  • Não compartilhe copos, pratos e talheres.
  • O Rio Grande do Sul está caminhando para atingir a imunidade coletiva e controlar a pandemia em seu território. Quando isso ocorrer, o Estado viverá cenário parecido ao de outros países, com uma normalidade mais próxima. Então, os encontros serão mais seguros.”

17/07/2021 – Portal Notícias de Coimbra

Link:https://www.noticiasdecoimbra.pt/gouveia-e-melo-em-coimbra-para-falar-da-saude-global-em-pos-pandemia/

“Gouveia e Melo em Coimbra para falar da “Saúde Global em Pós-Pandemia”

A Academia Sino-Lusófona da Universidade de Coimbra (ASL-UC) organiza na próxima quarta-feira (dia 21), em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a conferência internacional “Saúde Global em Pós-Pandemia”. A iniciativa decorre em formato híbrido (presencial e online), a partir da Sala do Senado da Reitoria da Universidade de Coimbra.

Depois da sessão de abertura, com as intervenções do Presidente da Academia Sino-Lusófona da UC, Rui de Figueiredo Marcos, e do Vice-Reitor da UC para as Relações Externas e Alumni da UC, João Nuno Calvão da Silva, a conferência inaugural, pelas 14h15 (10h15 de Brasília) – com moderação do Diretor da Faculdade de Farmácia da UC, Francisco Veiga –, será proferida pelo Vice-Almirante Henrique Gouveia e Melo, Coordenador da Task Force para a elaboração do Plano de vacinação contra a COVID-19 em Portugal.

Após dois painéis de debate, com a participação de oradores nacionais e internacionais e especialistas em saúde epidemiológica e saúde mental, como os Diretores das Faculdades de Medicina e de Psicologia e Ciências da Educação da UC (respetivamente, Carlos Robalo Cordeiro e António Gomes Ferreira), a conferência final do evento será proferida pelo Presidente do Conselho de Administração da Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, Luís Goes Pinheiro – com a moderação do Pró-Reitor da Universidade de Coimbra para a Saúde e Bioética, José Pedro Figueiredo.

Após a sessão de encerramento, pelas 16h15 (12h15 de Brasília), com as intervenções da Reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Lucia Campos Pellanda, e do Reitor Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, serão celebrados protocolos de cooperação entre as duas instituições.

A conferência internacional “Saúde Global em Pós-Pandemia” pode ser acompanhada em direto no canal de YouTube do Escritório de Internacionalização da UFCSPA, em https://www.youtube.com/channel/UCqsj5aj8NbCKi8kN3nbn8Lw.”

15/07/2021 – Superinteressante

Link:https://super.abril.com.br/especiais/inimigo-intimo-quando-seu-corpo-se-volta-contra-voce/

Inimigo íntimo: quando seu corpo se volta contra você

O sistema imunológico é uma obra-prima da evolução. Você só existe, e está vivo, graças a ele. Mas esse aliado também pode detonar síndromes autoimunes, agravar infecções virais e desencadear a temível tempestade de citocinas – que está por trás dos casos mais graves de Covid-19.

Se você pegar coronavírus, duas coisas podem acontecer. O seu sistema imunológico acionará um mecanismo chamado hipermutação somática, em que as pontas dos anticorpos sofrem modificações aceleradíssimas, 1 milhão de vezes mais rápidas que as mutações no resto do organismo, até chegar a um formato que se encaixe perfeitamente ao Sars-CoV-2, neutralizando-o. Dessa forma, a infecção será contida, e você sobreviverá a ela sem nada além de uma perda temporária de olfato. Mas dependendo de alguns fatores, como idade, a presença de comorbidades (diabetes, pressão alta, obesidade e outras), a quantidade e a variante de vírus que você pegou e fatores genéticos ainda pouco compreendidos, o desfecho pode ser outro.

O corpo não conseguirá frear o coronavírus, que continuará se replicando – e uma semana após ser infectado, em média, você começará a sentir falta de ar. O organismo vai tentar desesperadamente combater o vírus, enviando cada vez mais anticorpos e células de defesa para os pulmões. Se mesmo assim a infecção persistir, algo incrível pode acontecer: o sistema imunológico passa a jogar contra você. Ele perde a mão e desencadeia um fenômeno, conhecido como tempestade de citocinas, que lesiona tecidos e obstrui os alvéolos pulmonares – até que a vítima morre sufocada. Não pela ação direta do vírus (que, nesse estágio da doença, já foi contido), mas pelo descontrole do próprio sistema de defesa.

Desde o início da pandemia, vários estudos foram demonstrando que há uma relação direta, e intensa, entre a tempestade de citocinas e as mortes por Covid-19. Um dos mais impressionantes, que acompanhou 235 pacientes internados na UTI do maior hospital de Dubai (1), constatou que 95% deles apresentavam sinais típicos desse fenômeno – quanto mais acentuados, menor a chance de sobrevivência. Mas por que a Covid tem o poder de descontrolar o sistema imunológico, uma máquina afinada ao longo de milhões de anos de evolução? E como ela faz isso? A ciência está começando a descobrir as respostas – e elas são surpreendentes.

15 TRILHÕES DE CÉLULAS

O corpo humano é formado por cerca de 15 trilhões de células, de 200 tipos diferentes. É absolutamente espantoso que essa multidão de entidades biológicas passe décadas trabalhando em equipe direitinho, sem se autodestruir e resistindo a todo tipo de ameaça externa. Nossa trajetória evolutiva de 4 bilhões de anos começou com células isoladas, como as de muitas bactérias hoje em dia. Para construir corpos multicelulares, relativamente grandes e complicados, como o nosso, foi preciso desenvolver mecanismos para que muitas células distintas soubessem que suas vizinhas também fazem parte do “eu” do organismo, tal como elas próprias.

A primeira e mais fundamental tarefa do sistema imunológico é separar esse “eu” coletivo das mais variadas formas de “não eu” – substâncias tóxicas inoculadas por uma picada de inseto, farpinhas de madeira, vírus, bactérias e fungos patogênicos (causadores de doenças), entre inúmeras outras coisas.

Mas nossa tropa de segurança também precisa ser respeitosa com os convidados. Isto é, os micro-organismos que vivem em simbiose benéfica conosco, como as bactérias da flora intestinal que ajudam na absorção de uma série de nutrientes. Ou, no caso das grávidas, o embrião em desenvolvimento – que poderia ser visto como um corpo estranho, e atacado pelo sistema imunológico, mas não é.

Para complicar as coisas, alguns dos presentes parecem ser da família, mas estão com um coquetel Molotov escondido no bolso. São as células cancerosas, que muitas vezes escapam à vigilância do organismo justamente por terem uma “assinatura” molecular quase idêntica à das células saudáveis do próprio indivíduo. Diante de tarefas tão complicadas, até uma obra-prima como o sistema imunológico pode meter os pés pelas mãos de vez em quando. É então que esse companheiro de vida pode se voltar contra nós – e, às vezes, isso acontece nos momentos em que mais precisamos dele.

Quando algum vírus ou bactéria entra no seu corpo, o sistema imune aciona uma bateria de defesas. Entre as primeiras estão as células T, que organizam o ataque contra o invasor. Elas fazem isso liberando citocinas, proteínas que servem para dosar a resposta imunológica. Existem mais de 100 citocinas diferentes, divididas em várias categorias (como interleucinas, interferons, quimiocinas e TNFs, ou fatores de necrose tumoral), que desempenham diversas funções no organismo. Existem citocinas pró-inflamatórias, que ativam mais células de defesa, e citocinas anti-inflamatórias, que freiam esse processo. O sistema imunológico depende do equilíbrio entre elas.

Mas o coronavírus tem o poder de alterar essa soma, e mudar o resultado da conta. Isso porque, quando as células epiteliais (de revestimento) do pulmão são infectadas, elas também começam a liberar citocinas. Esse fenômeno, que em 2009 foi associado (2) ao Sars-CoV-1 e também é provocado pelo Sars-CoV-2, desequilibra totalmente a reação do organismo. As células do pulmão liberam citocinas porque estão pedindo socorro. Elas precisam que o corpo envie leucócitos, monócitos, macrófagos e outros soldados para combater a infecção.

Só que o resultado é um dilúvio: as células T, as células do pulmão e outras células de defesa soltam níveis exagerados de 14 citocinas inflamatórias (3). E isso gera um efeito dominó, em que o excesso de citocinas provoca a liberação de mais citocinas, até que o corpo perde o controle da situação. Mais e mais células de defesa continuam indo até o pulmão, que fica lotado de citocinas, células (vivas e mortas), ferido pela inflamação e com os alvéolos pulmonares entupidos. O resultado é morte por falência respiratória.

“Na Covid, várias vezes o organismo do paciente controla a infecção, ou seja, já não tem mais vírus, mas o sistema imune continua atacando e gerando essa tempestade de citocinas”, explica o imunologista Dario Zamboni, professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto e autor de estudos sobre o descontrole imunológico associado ao Sars-CoV-2. Outros vírus, como o influenza, também podem desencadear essa tempestade. Mas a Covid é diferente. “Estamos comparando pacientes que faleceram por influenza com outros que faleceram por Covid-19. E é impressionante, porque, ao que tudo indica, a Covid ativa muito mais o inflamassoma [complexo responsável pela ativação de processos inflamatórios e citocinas] do que outras doenças virais pulmonares”, diz Zamboni.

A tempestade de citocinas pode explicar por que a Gripe Espanhola de 1918, que matou cerca de 50 milhões de pessoas mundo afora, foi especialmente terrível entre jovens saudáveis: na faixa etária de 30 anos, a taxa de mortalidade chegava a ser dez vezes maior do que entre idosos (4). Quando você é mais jovem, o seu sistema imunológico é mais forte – e o eventual descontrole dele, induzido por vírus, pode ser mais letal.

O fenômeno costuma ser tratado com anti-inflamatórios como a dexametasona – cuja adoção nas UTIs reduziu em quase 30% a taxa de mortalidade de pacientes intubados (5). Eles só funcionam se forem administrados no momento exato, que é difícil de determinar (se o anti-inflamatório for usado cedo demais, inibe as defesas do organismo e favorece a multiplicação do Sars-CoV-2; se vier tarde demais, o pulmão já estará excessivamente lesionado).

Mas podem surgir terapias mais eficazes. Zamboni lidera uma pesquisa que analisou 2.300 medicamentos, todos já aprovados para uso humano, e identificou algumas moléculas capazes de inibir a tempestade de citocinas. Elas estão sendo testadas em culturas de células humanas; se mostrarem eficácia, passarão aos testes clínicos, em pessoas. “O desdobramento dessa pesquisa, que ainda é básica, pode ser a descoberta de drogas que realmente funcionem para Covid-19”, afirma.

Um dos sintomas mais comuns e perigosos da Covid é a trombose: formação de coágulos na corrente sanguínea, que afeta em média 21% das pessoas internadas com a doença (na UTI, 31%) (6). E o sistema imunológico pode estar envolvido nisso também. Um estudo avaliou 172 pacientes hospitalizados com Covid na Bélgica (7) e constatou que 52% tinham um determinado tipo de “autoanticorpos”, ou seja, que atacam o próprio organismo. E eles eram especializados em neutralizar fosfolipídeos: um tipo de molécula que regula, justamente, a coagulação do sangue.

Esse fenômeno imunológico, bem como os outros relacionados à Covid, se manifesta durante a doença. Mas a resposta anormal do organismo também pode estourar como uma bomba de efeito retardado, depois que o paciente já se curou. É o caso da Síndrome Inflamatória Multissistêmica Infantil (MIS-C, na sigla em inglês), uma condição rara e misteriosa que foi descoberta durante a pandemia e afeta crianças e adolescentes – duas faixas etárias que não costumam ter quadros graves de Covid.

A MIS-C aparece um mês depois que a vítima se curou do Sars-CoV-2, e é caracterizada por uma inflamação violenta que pode afetar cérebro, coração, pulmões, rins, pele e olhos. Ela também ataca os vasos sanguíneos. Isso reduz a pressão sanguínea, o coração dispara para tentar compensar (chega a 165 batimentos por minuto com a pessoa em repouso), e a vítima pode morrer de falência cardíaca (8). No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, houve 736 casos de MIS-C até fevereiro deste ano, com 46 mortes.

COMO VENCER UMA INFECÇÃO

Para vencer uma infecção, o corpo faz duas coisas: neutraliza os vírus com anticorpos e mata as células infectadas. Tudo isso vira lixo, que alguém precisa recolher depois. A tarefa cabe aos macrófagos, os “garis” do organismo. Mas a Covid também interfere com eles. Outro estudo da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, coordenado pela bióloga Larissa Cunha, constatou que os macrófagos que fagocitam (engolem) células infectadas pelo Sars-CoV-2 ficam alterados: perdem a capacidade de engolir mais células, deixando de fazer seu trabalho, e começam a liberar citocinas (9)  – o que contribui para o descontrole do sistema imunológico.

Os macrófagos também são o elemento central de um fenômeno diabólico: a “potencialização dependente de anticorpos” (ADE, na sigla em inglês). Nesse processo, alguns vírus se aproveitam de uma particularidade do sistema imunológico – e o transformam numa arma, extremamente eficiente, contra o próprio organismo. É o que acontece com a dengue, por exemplo.

Que ela é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, todo mundo sabe. Mas você sabe qual vírus esse inseto carrega, e é efetivamente responsável pela doença? Ele se chama Denv, e tem quatro subtipos: Denv-1, Denv-2, Denv-3 e Denv-4. Quando alguém é infectado por um deles, e tem dengue pela primeira vez, a doença geralmente se manifesta com sintomas moderados (cansaço, febre, dor no corpo) e o vírus acaba eliminado pelo organismo. Você desenvolve imunidade àquele subtipo do vírus – mas, eis aqui o pulo do gato, somente a ele.

Alguns vírus, como o da dengue, o da Aids e o Sars-CoV-1, são capazes de se esconder dentro dos macrófagos – e usá-los para se propagar, disfarçadamente, pelo organismo.

Vamos supor que você pegue Denv-1, se recupere e depois venha a ser infectado por Denv-3, por exemplo. O organismo vai produzir anticorpos, só que eles não neutralizam o Denv-3 (afinal, foram desenvolvidos para combater outro subtipo, o Denv-1). Os anticorpos até se conectam ao vírus, mas não bloqueiam seus pedacinhos mais críticos, que ele usa para se acoplar a células humanas. Por isso, o vírus continua ativo e infectante.

Só que os macrófagos não percebem isso: eles “acham” que os vírions (as unidades) de Denv-3 foram neutralizados pelos anticorpos, e simplesmente engolem o conjunto – querem fazer seu trabalho e levar o lixo embora. E aí algo terrível acontece: os macrófagos passam a transportar o vírus pelo organismo e também protegem o invasor, impedindo que ele seja enxergado e atacado pelo sistema imunológico.

É como um filme em que os bandidos roubam os carros dos policiais. Depois de um certo tempo, os vírions saem dos macrófagos e a infecção recomeça. Agora bem mais forte, distribuída por vários pontos do corpo. Essa é a tal potencialização dependente de anticorpos (ADE). Os vírus da dengue, da aids e da gripe são capazes de desencadeá-la. E alguns coronavírus, como o Sars-CoV-1, o Mers e o FCoV (que provoca uma doença fatal em felinos) também.

Há suspeitas, ainda não confirmadas, de que o Sars-CoV-2 possa fazer o mesmo – e a chave disso estaria, justamente, na reação imunológica violenta que ele provoca. “Quando você tem um estímulo muito forte, muito inflamatório, as células B, que produzem os anticorpos, podem acabar não tendo tempo para amadurecer e gerar anticorpos de qualidade. Acaba saindo um anticorpo ruim, que gruda do mesmo jeito no vírus, mas sem conseguir neutralizá-lo”, explica o imunologista Rafael Polidoro, pesquisador de pós-doutorado da Universidade de Indiana (EUA).

Essa transformação dos macrófagos em “cavalos de Troia”, que passam a espalhar a doença pelo corpo em vez de combatê-la, talvez não se limite a infecções virais. Em junho deste ano, cientistas do hospital Mount Sinai, um dos mais importantes dos EUA, descobriram que o tipo mais comum de câncer de pulmão (o “carcinoma de não pequenas células”, ou NSCLC) também é capaz de cooptar os macrófagos – e usá-los, nos primeiros estágios da doença, para se multiplicar mais facilmente nos tecidos pulmonares (10). Os macrófagos acabam protegendo as células tumorais, evitando que elas sejam atacadas (e eliminadas) pelo sistema imunológico.

Isso é uma má notícia, mas também tem seu lado positivo: abre caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos, potencialmente mais eficazes, contra esse tipo de câncer. A tempestade de citocinas, o aprimoramento dependente de anticorpos e a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Infantil (MIS-C), principais consequências imunológicas do coronavírus, também podem ser tratadas ou simplesmente evitadas, freando a circulação do vírus. Mas, mesmo depois que a pandemia terminar, continuaremos convivendo com outra grande questão relacionada ao sistema de defesa do organismo: as doenças autoimunes.

Tanto fatores genéticos quanto ambientais, muitos deles ainda pouco compreendidos, interagem para produzir uma variedade imensa de problemas de saúde nos quais o sistema imunológico reage de maneira descontrolada ou começa a destruir células do próprio organismo. Na primeira categoria estão as diferentes formas de alergia, das alimentares à asma e à dermatite atópica (que afeta a pele). Todas elas envolvem essencialmente uma resposta inflamatória desproporcional quando o corpo entra em contato com o chamado alérgeno – que pode ser poeira, pólen ou um saboroso camarão na moranga, entre diversos outros. No segundo caso incluem-se as doenças autoimunes propriamente ditas, uma lista com mais de uma centena de enfermidades capazes de afetar profundamente a qualidade de vida de quem as tem, e até levar à morte.

Pense, por exemplo, na diabetes tipo 1, em que o sistema imune resolve se voltar contra as células beta do pâncreas – justamente as responsáveis por produzir insulina, a molécula que regula os níveis de açúcar no sangue. Antes que fosse possível produzir insulina em grandes quantidades, esse problema frequentemente matava crianças e adultos jovens (como a mãe do escritor J.R.R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis, que morreu aos 34 anos, em 1904).

Já na doença celíaca, o organismo perde a capacidade de tolerar a presença do glúten (componente de cereais como o trigo) e reage danificando o revestimento do intestino delgado, o que atrapalha a absorção de nutrientes. É por isso que os celíacos precisam tirar o glúten da dieta (para pessoas que não têm a doença, ele é perfeitamente seguro, ao contrário do que dizem certos modismos nutricionais). Também existem doenças inflamatórias intestinais crônicas, como a colite ulcerativa e a doença de Crohn.

O sistema nervoso tampouco está a salvo desse tipo de guerra civil dentro do organismo. Na esclerose múltipla, a vítima é a bainha de mielina, revestimento dos neurônios que, em condições normais, ajuda a aumentar a velocidade da transmissão de impulsos elétricos ao longo dos “fios” das células nervosas. Quando a bainha de mielina é danificada, o resultado são sintomas como visão dupla, problemas de coordenação motora, fraqueza muscular e dor crônica.

No caso de outra enfermidade, o lúpus eritematoso sistêmico, os efeitos podem se manifestar no sistema nervoso também – incluindo episódios de ansiedade e depressão –, mas, como indica o próprio nome da doença, os sintomas costumam ser sistêmicos, em diversos lugares do corpo. Pode se formar uma área vermelha no rosto e no nariz, a chamada erupção malar (ou “asa de borboleta”). São frequentes as dores nas juntas; podem ocorrer ainda anemia e problemas no coração, rins e pulmões.

Apesar da tremenda variedade de sintomas e causas que acabamos de mencionar, muitas dessas enfermidades possuem intrigantes pontos em comum. Os primeiros sinais, por exemplo, podem ser muito parecidos, independentemente da doença (e pouco específicos, o que pode dificultar o diagnóstico): fadiga e mal-estar, febre baixa e persistente, manchas vermelhas na pele, dores musculares.

Também existe uma associação entre diversas doenças autoimunes e o surgimento de câncer, provavelmente porque reações inflamatórias intensas e persistentes possam acabar danificando o material genético das células – e dar origem a tumores. É mais ou menos o mesmo princípio que costuma aumentar o risco de câncer em locais do corpo que ficam sofrendo repetidas lesões ao longo do tempo (como o pulmão de um fumante). Paradoxalmente, em alguns casos, o efeito é o inverso – menor chance de câncer –, talvez porque o sistema imunológico hiperativo aumente sua vigilância também contra o início de tumores.

Somadas, as doenças autoimunes afetam uma parte considerável da população mundial. Só nos EUA, estima-se que esse número esteja em torno de 25 milhões de pessoas (não há estatísticas comparáveis no Brasil, mas tudo indica que também seriam dezenas de milhões de casos). E há boas razões para acreditar que a proporção de afetados por esses problemas esteja crescendo.

É o que indica um estudo (11) dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, que analisou mais de 14 mil pacientes americanos para quantificar a presença dos chamados ANAs (anticorpos antinucleares). O nome é esquisito, mas quer dizer simplesmente que esses anticorpos atacam o núcleo das células humanas – algo que, de modo geral, é ruim. A presença de ANAs no corpo é considerada um sinal de problemas autoimunes.

O estudo mostrou que, entre 1988 e 1991, 11% das pessoas tinham ANAs. A porcentagem cresceu para 15,9% entre os anos de 2011 e 2012. Parece pouco (mesmo que, em números absolutos, seja muita gente: 41 milhões de americanos, ao todo, carregam esses anticorpos), mas o aumento não ocorreu de forma igual em todas as faixas etárias. Nas pessoas entre 12 e 19 anos, a elevação foi muito maior: quase 300%.

Esses dados confirmam a percepção dos médicos em geral, que têm visto um aumento expressivo desses problemas – tanto as doenças autoimunes propriamente ditas quanto as diversas formas de alergia – ao longo das últimas décadas. A questão é saber por que diabos isso está acontecendo agora, levando em conta que o aumento em si certamente não tem causas genéticas (o genoma das populações humanas não teria como mudar de maneira tão significativa em apenas uma ou duas gerações).

Na maioria dos casos, o sistema imune ganha o jogo. Mas isso requer esforço duplo: além de vencer o invasor, ele tem de superar seus próprios deslizes.

Na maioria dos casos, o sistema imune ganha o jogo. Mas isso requer esforço duplo: além de vencer o invasor, ele tem de superar seus próprios deslizes. Thobias Daneluz/Superinteressante

Uma possível explicação, ainda muito popular, é a chamada “hipótese da higiene”. Grosso modo, a ideia é que o estilo de vida moderno, no qual predominam ambientes urbanos limpos, alimentação industrializada e pouco contato com animais e com a terra, entre outros fatores, teria reduzido nossa exposição a micro-organismos. Isso estaria deixando o sistema imunológico sem muito o que fazer – até que ele se voltaria contra o próprio organismo.

No papel, isso parece fazer um bocado de sentido, mas as evidências a favor da hipótese da higiene são fracas ou inexistentes, diz a imunologista Cristina Bonorino, professora da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre). “No caso das alergias, há evidências de que o contato com parasitas [vermes, por exemplo] pode ser benéfico. Mas em doenças autoimunes isso não tem nada a ver”, afirma. Ou seja: o excesso de limpeza não tem o poder de desencadear reações autoimunes – e, portanto, não explica o aumento delas nas últimas décadas. “Não há relação com a hipótese [da higiene]. Já tirei esse slide das minhas aulas faz tempo”, brinca.

Há outros suspeitos, claro – o estresse, a falta de sono e o fumo também podem desregular o sistema imune. Mas um desses fatores adicionais tem sido investigado mais intensamente pelos cientistas, em parte porque sua presença atingiu proporções globais mais ou menos ao mesmo tempo que a das doenças autoimunes. Estamos falando da obesidade, uma situação que corresponde, entre outras coisas, a um estado constante de inflamação no corpo. O tecido adiposo (gorduroso) do organismo, aliás, produz suas próprias citocinas – também chamadas de adipocinas –, e diversos estudos mostram uma associação entre a obesidade e diversas alergias e doenças autoimunes.

Se tudo isso parece complicado, é porque é mesmo. “É importante deixar de pensar no sistema imunológico apenas como um sistema bélico”, diz Verônica Coelho, pesquisadora do Laboratório de Imunologia do InCor (USP). “Ele é muito mais do que isso. É o sistema de vigilância e manutenção do equilíbrio entre os vários tipos de células e moléculas do organismo.”

Nosso sistema de defesa não serve só para nos proteger de ameaças externas. Também é o responsável por evitar ataques internos, permitindo que todos os elementos do corpo humano coexistam em paz – e transformem o que poderia ser uma briga com trilhões de participantes na máquina biológica mais complexa que existe."

15/07/2021 – Matinal Jornalismo

Link: https://www.matinaljornalismo.com.br/rogerlerina/agenda/coral-ufcspa-lanca-cancao-chilena-todos-juntos/

Coral UFCSPA lança canção chilena “Todos Juntos”

O Coral Virtual UFCSPA segue suas andanças pela América Latina, com o lançamento, nesta sexta-feira (16/7), da canção Todos Juntos, da banda chilena Los Jaivas, no canal do Coral no YouTube e nas redes sociais do Núcleo Cultural.

Composta por Los Jaivas e com novo arranjo do regente Marcelo Rabello dos Santos, esta é a segunda apresentação com a temática América Latina, trabalhada pelo grupo em 2021. A união dos povos latino-americanos inspira a canção gravada em 1972, no segundo álbum do grupo. Todos Juntos foi o primeiro grande sucesso da Banda e depois transformou-se em uma espécie de hino do povo chileno, cantado em vários momentos históricos do país. Sensibilizada pelo momento político da época, a letra clamava pelo sonho de todos no planeta viverem harmonicamente, sem conflito.

A trajetória da banda chilena perpassa a história recente do Chile. Los Javias é um dos grupos mais importantes do país, criado em 1963 e atuante até hoje. A banda se consagrou por seu estilo peculiar de fundir o rock com as raízes das músicas folclóricas latino-americanas, mesclando instrumentos distintos como guitarra, baixo, piano, flauta com ocarina, charango e bongo.Desde o início da pandemia, o Coral tem realizado apresentações virtuais. Em 2020, o tema escolhido foi Esperança e em 2021 o concerto traz canções dos países da América Latina, com uma apresentação virtual mensal. Em junho, o grupo apresentou a canção uruguaia Tu voz, mi voz, de Mariana Ingold.

15/07/2021 – G1 RS

 Link: https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2021/07/15/impacto-da-delta-e-maior-por-ser-mais-transmissivel-estudos-ainda-nao-a-ligam-a-casos-mais-severos-dizem-especialistas.ghtml

Delta é mais transmissível, mas estudos não apontam elo com casos mais severos, dizem especialistas

Variante tem provocado aumento de casos pelo mundo. Especialistas ouvidos pelo G1 explicam que maior transmissibilidade não significa, necessariamente, que quadro de Covid será mais grave.

A variante delta do coronavírus já foi detectada em pelo menos 111 países, segundo o mais recente boletim epidemiológico da Organização Mundial da Saúde (OMS). Assim como as outras variantes de preocupação (alpha, beta e gamma), ela é mais transmissível. Entretanto, ainda não é possível afirmar se as variantes provocam casos mais graves ou se são mais letais.

O infectologista da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, também destaca que, até aqui, só está comprovada a alta transmissibilidade das variantes.

Potencial de contágio

Em um artigo publicado na revista científica Eurosurveillance, pesquisadores ligados à OMS e ao Imperial College London apontam que a variante delta foi a que teve o maior aumento na taxa de reprodução em relação ao coronavírus original.

A pesquisadora Melissa Markoski, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e pós-doutora em imunologia, explica que uma das formas de visualizar a transmissibilidade é através do seu R0 (lê-se 'R' -zero), que mede a taxa de reprodução do agente.

Em outras palavras, o R0 é o número médio de pessoas que cada indivíduo infectado com um vírus consegue contaminar, considerando que as pessoas não estão vacinadas e nem utilizaram métodos de se proteger do contágio.

"Quando a R0 é menor que 1, significa que o agente está controlado, explica Markoski. Entre as variantes da Covid-19, a variante delta é a mais contagiosa, apresentando R0 entre 5 a 8.

Uma taxa maior de contágio, contudo, não significa maior taxa de mortalidade. Markoski explica que embora sejam conceitos diferentes, muitas vezes maior taxa de contágio é relacionado à maior gravidade de uma determinada doença. Isso acontece porque, se uma doença for mais contagiosa, haverá mais casos na população, o que pode ocasionar em um aumento no número bruto de hospitalizações e mortes.

Mutação do vírus é comum

Uma variante é resultado de modificações genéticas que o vírus sofre durante seu processo de replicação. Isso ocorre de maneira aleatória. “Variantes aparecem todos os dias, centenas ou milhares, eu diria. A cada vez que o vírus se copia, ele sofre mutações”, explica Kfouri.

Um único vírus pode ter inúmeras variantes. Quanto mais o vírus circula – é transmitido de uma pessoa para outra –, mais ele faz replicações, e maior é a probabilidade de modificações no seu material genético que vão dar origem a novas variantes.

“Existem milhares de variantes, todos os dias surgem novas. E no meio de milhares de novas variantes aparece uma com capacidade maior de transmissão, que toma conta da epidemia. Quanto mais damos chances, mais variantes piores aparecem”, diz Sabino.

Por isso, Raquel Muarrek, infecologista da Rede D'or, ressalta que é importante avançarmos na vacinação da população para evitar que o vírus continue tenso sucesso em suas mutações.

"Qual é o problema: temos combinações dessas mutações. Pessoas vacinadas apenas com uma dose ou não vacinadas fazem uma combinação ou uma mutação do vírus", afirma Muarrek.

Impacto na vacinação

O especialista André Bon, médico infectologista do Hospital Sírio-Libanês, aponta que a circulação de variantes com maior transmissibilidade vai exigir que mais pessoas sejam vacinadas para a obtenção da chamada "imunidade coletiva".

“Pode interferir muito em alguns sentidos. Com a variante original, uma pessoa infectava duas a três pessoas. Isso faz com que a gente precisasse de uma cobertura vacinal entre 60% e 70%. Com a variante delta, uma pessoa infecta 5 a 8 pessoas diferentes, então, você precisa de uma proporção muito maior de vacinados para reduzir a circulação do vírus de forma sustentável”.

14/07/2021 – G1 /Globoplay

Link: https://globoplay.globo.com/v/9686175/

Projeto da UFCSPA leva aulas lúdicas sobre o coronavírus para alunos do ensino fundamental

Iniciativa acontece de maneira remota.

14/07/2021 – GZH

Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/07/ufrgs-e-a-8a-melhor-universidade-da-america-latina-aponta-ranking-britanico-ckr3k49vg001u0193nfgrxqd7.html

"UFRGS é a 8ª melhor universidade da América Latina, aponta ranking britânico

Levantamento da Times Higher Education mostra ainda que instituições brasileiras também são maioria no top 10 das mais conceituadas entre 13 países latino-americanos.

O Brasil permanece despontando nos rankings internacionais que elencam as melhores universidades da América Latina. Desta vez, o país teve o maior número de instituições de nível superior no levantamento feito pela revista britânica Times Higher Education (THE), um dos principais indicadores de educação superior do mundo. Além de se destacar como nação, oito instituições gaúchas também figuram no ranking internacional que avaliou 177 universidades latino-americanas.

Entre as 10 primeiras universidades da lista, sete são brasileiras. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) ocupa o oitavo lugar, sendo a única gaúcha no top 10 das latinas. (Veja a listagem abaixo). A posição é cinco degraus acima do registrado ano passado, quando a UFRGS estava em 13º. Confira aqui.

Outras instituições de nível superior do Estado também se destacaram no ranking. A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) surge em 14º lugar, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em 29º, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) em 39º, a Unisinos em 46º, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) em 85º.

Após o 100º lugar, as universidades são classificadas em faixas. A Universidade de Passo Fundo (UPF) aparece na faixa dos 101-125 e a Universidade de Caxias do Sul (UCS), por sua vez, aparece na faixa entre 126-150. 

Os destaques nacionais ficam para a Universidade de São Paulo (USP), que ocupou o segundo lugar na classificação geral, e para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na terceira posição da listagem entre instituições da América Latina. O ranking é liderado pela Pontifícia Universidade Católica do Chile, que manteve a primeira posição pelo terceiro ano consecutivo.  O ranking completo pode ser acessado neste link.

Esse é o quarto ano consecutivo em que as instituições brasileiras predominam, em número, no top 10 do ranking que considera 177 universidades de 13 países latino-americanos. Desse total, 67 são brasileiras. Depois aparece o Chile, com 28; a Colômbia, com 24; México, com 23; o Equador, com 11; a Argentina, com nove; e, por fim, o Peru com oito. 

Os critérios usados pelo THE, tanto para o ranking global  - liderado pelas universidades de Oxford, Stanford e Harvard - quanto para o latino-americano, são divididos em cinco áreas: ensino – que tange o ambiente de aprendizado -, pesquisas - em volume, investimentos e reputação-, citações - quer dizer, a influência destes trabalhos no ambiente acadêmico-, perspectivas internacionais - de docentes, estudantes e pesquisas - e renda gerada com transferência de tecnologia produzida dentro da universidade.

Gaúchas no ranking global

O levantamento da THE, publicado em setembro passado, revelou que a UFRGS manteve a mesma colocação dos últimos cinco anos no ranking global, na faixa das 601-800 melhores instituições. A UFPel e a PUCRS ficaram na faixa das 801-1000 melhores do mundo. Entre as 2 mil melhores, constaram na lista mundial ainda a UCS, a UFCSPA, a UFSM e a Unisinos.

Confira o top 10 das melhores universidades da América Latina

Pontifícia Universidade Católica do Chile 

Universidade de São Paulo (USP)  

Universidade de Campinas (Unicamp) 

Instituto de Tecnologia de Monterrey (México) 

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) 

Universidade do Chile 

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) 

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) 

Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) 

Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)"

13/07/2021 – Portal Extra Classe

Link: https://www.extraclasse.org.br/educacao/2021/07/angustias-e-desafios-marcam-aulas-presenciais-no-rs/

“Angústias e desafios marcam aulas presenciais no RS

O trabalho em dobro para manter a segurança e garantir a qualidade do ensino na pandemia deixa pais, educadores, alunos e gestores em alerta e interfere no processo de ensino e aprendizagem

Passados mais de dois meses desde que o Rio Grande do Sul retomou as atividades presenciais de ensino no momento mais agudo da crise sanitária, quando começavam a ser identificadas novas variantes do coronavírus, diante do ritmo lento da imunização e do avanço da pandemia, o cenário ainda é de muita preocupação.

Em 3 de maio, quando as escolas reabriram, a vacinação de trabalhadores da educação, hoje em avanço, não passava de promessa, e, diante do quadro, educadores, servidores e alunos não ficaram incólumes às estatísticas, embora baixas, de contaminação pela covid-19. Ao longo desse período, a comunidade escolar vem driblando dificuldades, angústias e se adaptando para manter a rotina o mais próximo da normalidade.

Pelo último levantamento da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), divulgado no começo de junho, 1.118 pessoas foram infectadas entre as mais de 2,2 mil instituições em funcionamento.

Desse total, foram 564 educadores, 121 servidores e 433 alunos, “casos isolados”, segundo a secretária Raquel Teixeira. Enquanto os números não são atualizados, relatos de contaminação seguem chegando às entidades representativas da educação.

Contágios em escolas municipais, comunitárias e privadas

Na Capital, o mais recente boletim da situação da covid-19 nas escolas foi publicado em 15 de junho, com base nos formulários de monitoramento das instituições de ensino. Na semana epidemiológica de referência (30 de maio a 5 de junho), houve 40 casos positivos em escolas municipais, comunitárias e privadas. Nesse período, a prefeitura contabilizou mais de 37,6 mil alunos e cerca de 9 mil professores e funcionários em atividade presencial.

De acordo com a presidente do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers-Sindicato), Helenir Schürer, o retorno ocorreu de forma arbitrária, em função do quadro da pandemia no RS, o qual já ultrapassou mais de 1 milhão de contaminados e a triste marca de 30 mil mortos.

“Mantemos a preocupação, apesar do início da vacinação da categoria e de os pais terem atendido ao nosso chamado e enviado poucos alunos à rede pública. O que fizemos, desde então, foi reforçar as informações às escolas, acompanhar o cumprimento de protocolos e colocar à sociedade que esse retorno não ocorreu em momento adequado”, salienta a dirigente.

A diretora do Sindicato dos Professores do Ensino Privado (Sinpro/RS) Cecília Farias destaca que a categoria começou 2021 sob forte pressão para a retomada das atividades presenciais, embora a entidade considere o cenário desfavorável.

“Tivemos o agravamento da pandemia a partir de fevereiro, e não houve melhora significativa. A situação até pode ter estabilizado um pouco, mas em patamar muito alto. Por isso, fizemos um movimento de resistência muito forte à retomada”, enfatiza.

No entanto, em meio à batalha de liminares e processo de mediação judicial, o governo estadual publicou decreto liberando as escolas, no final de abril, e, com o início da imunização dos profissionais da educação, na primeira semana de junho, a campanha contra a retomada perdeu força.

“Este Termo de Compromisso responsabiliza Sinpro/RS e Sinepe/RS pela fiscalização do cumprimento dos protocolos sanitários. A vacinação dos professores foi um grande avanço no enfrentamento do covid-19, mas são fundamentais esses cuidados”, alerta Cecília.

Conforme ela, há poucos relatos de contaminação nas escolas privadas e, de forma geral, obediência aos protocolos.

Contudo, a condição de liberação da totalidade de alunos em sala de aula preocupa, junto com a falsa sensação de normalidade que veio com a imunização.

Uma das coordenadoras do grupo Direito ao Ensino Não Presencial na Pandemia, a advogada Cassiana Lipp reforça o alerta para os riscos da reabertura das escolas neste momento.

“As escolas estão abertas, mas não de uma forma segura. É por isso que se tenta minimizar eventuais casos de covid-19. Continuamos pleiteando para que os pais, que possam, permaneçam com os filhos em casa, pois o risco existe e é alto”, aponta.

Mediação e mais rigor nos protocolos sanitários

Em 14 de junho, o judiciário encerrou a mediação sobre a volta às aulas, propondo um acordo com os sindicatos de professores e das instituições de ensino privadas. O documento reforça o compromisso de alertar a comunidade escolar dos riscos e da necessidade de rigor com as medidas de proteção e procedimentos diante de suspeitas e contágios. O Cpers-Sindicato não havia firmado o acordo até o final de junho.

Professora de Biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Melissa Markoski reforça que a retomada das aulas ocorreu em um período adverso. Entretanto, pondera que o cumprimento de protocolos parece ter contribuído para que os índices de contaminação não fossem alarmantes. “De positivo, há o registro de que não ocorreram óbitos relacionados à retomada das aulas. Além disso, nas últimas seis semanas, os casos de covid nas escolas não chegaram a assustar”, avalia.

Melissa comenta, porém, que a chegada do inverno pede atenção à circulação de ar nas salas e reforço ao distanciamento e uso de máscaras bem ajustadas.

“A orientação é para que se mantenha a boa circulação de ar, com janelas abertas, mesmo com uso de ar-condicionado. E quando os alunos não estiverem em sala, o ideal é provocar o deslocamento do ar, ligando ventiladores e mantendo janelas e portas abertas”, justifica.

Dificuldades com a rotina de enfrentamento à covid-19

Três professoras de diferentes instituições de ensino expressam suas percepções sobre os desafios da docência neste novo momento em sala de aula – com a condição do anonimato.

Uma delas, docente de Língua Estrangeira de uma tradicional escola privada da Capital, relata que os protocolos de enfrentamento à pandemia têm sido seguidos à risca, e que não houve contaminação no grupo. Lecionando para adolescentes, ela cita, no entanto, a resistência em manterem o distanciamento, e conta que, mais do que se adaptar a medidas como dar aula de máscara e com uso de microfone, tem dificuldade é com a nova rotina de ensino.

“Está tudo muito diferente, a aula virou uma palestra, sem participação dos alunos nem interação com os que estão em casa. Estamos nos adequando, mas é um jeito muito diferente de ensinar”, desabafa.

Outra educadora, de uma escola pública da Região Metropolitana, reclama da falta de testagem, mesmo após contaminação de funcionários. Também revela que, apesar de as salas serem higienizadas a cada troca de turmas, terem álcool gel e adotarem o distanciamento adequado, as máscaras oferecidas não são de boa qualidade. A falta de fiscalização na escola, onde há casos de colegas com máscara no queixo, também é relatada. “Precisamos trabalhar, mas tem ainda muito descaso e falta de cumprimento dos protocolos”, alerta.

Apesar da angústia com o retorno presencial, uma professora da educação infantil ressalta que a adequação às medidas preventivas já foi incorporada à rotina. Segundo ela, houve apenas casos isolados de contaminação na escola, e os alunos se adaptaram rapidamente. “O que mais sentem é falta de compartilhar brinquedos e objetos, o que está totalmente proibido”, acrescenta.”

09/07/2021 – GZH

Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/07/com-apenas-nove-resultados-positivos-testagem-para-covid-19-e-encerrada-na-estacao-mercado-da-trensurb-ckqx05hgh00e90193e8m7w9uf.html

“Com apenas nove resultados positivos, testagem para covid-19 é encerrada na Estação Mercado da Trensurb

Secretaria de Saúde da Capital realizou 138 testes rápidos em duas semanas.

Após duas semanas de trabalho, foi encerrada nesta sexta-feira (9) a operação que realizava testagem para covid-19 nos usuários que circulavam pela Estação Mercado da Trensurb, em Porto Alegre. Conforme a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), foram realizados 138 testes rápidos e, do total, nove tiveram resultado positivo.

Das confirmações, dois passageiros eram de Porto Alegre e os demais residiam em municípios da Região Metropolitana.

A diretora da Atenção Primária à Saúde, Caroline Schirmer, confirmou que não ocorrerão novas ações do tipo, mas que considera bom o resultado.

— O propósito da ação era verificar a positividade que circula no trem, sendo que foi menor do que verificamos no município. No entanto, ainda precisamos reforçar as medidas de proteção, como uso de máscara e álcool gel — avaliou.

A intenção do controle sanitário foi identificar, a partir de câmeras com sensores instaladas no local pela empresa, passageiros com temperatura corporal igual ou superior a 37,5°C, oferecendo a testagem na própria estação e, na confirmação de caso positivo, orientar a pessoa a cumprir isolamento.

Além disso, a iniciativa teve como objetivo orientar os usuários sobre a prevenção contra o coronavírus. A operação foi coordenada pela Diretoria de Atenção Primária à Saúde da SMS em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde (UFCSPA) e a escola Factum e com o apoio da Trensurb.”

07/07/2021 – Los Angeles Times

Link:https://www.latimes.com/world-nation/story/2021-07-07/how-the-copa-america-soccer-tournament-in-brazil-is-spreading-covid-19

How the Copa America soccer tournament in Brazil is spreading COVID-19

RIO DE JANEIRO — Just after nightfall about 60 miles north of Rio de Janeiro, Marlus Jesus was whisked into a hospital after hours to verify that he didn’t have coronavirus, then ushered into a hotel room.

His secret mission? The Brazilian soccer star Neymar da Silva Santos Júnior and several teammates wanted haircuts.

“I started cutting hair at about 8 p.m. and finished after midnight,” said the 32-year-old barber. “I cut the hair of seven or eight players.”

He couldn’t resist posting a selfie with Neymar on Instagram.

The haircuts, which quickly became national news, burst a strict “sanitary bubble” meant to keep COVID-19 out of the Copa America, the premier soccer tournament on the continent.

The event has been shrouded in controversy since organizers hurriedly moved it to virus-stricken Brazil in early June, less than two weeks before kickoff. The original co-hosts, Argentina and Colombia, had suddenly bowed out, citing an alarming rise in coronavirus cases.

Brazil, where COVID-19 has claimed at least 525,000 lives, a toll second only to the United States, was a curious second choice. Infections were surging to unprecedented levels as the country entered a devastating third wave. But, to the shock of many, President Jair Bolsonaro enthusiastically agreed that Brazil be the host.

“From the beginning I have been saying, when it comes to the pandemic: I am sorry for the deaths, but we have to live,” said the far-right populist, who is being investigated by a congressional committee for his handling of the pandemic, including possible corruption related to the purchase of vaccines.

Government health authorities and Copa America’s organizers say those taking part of the tournament are following strict protocols to avoid infections, as 10 teams compete in four Brazilian cities. Crowds are barred from stadiums and players must stay in their rooms when not training or playing matches. Nearly 26,000 coronavirus tests had been administered as of this week.

But outside health experts say the event is complicating Brazil’s fight against the virus.

At least 165 new cases have been linked directly to the tournament. A total of 37 were players, coaches, trainers and other team personnel, while 125 were drivers, caterers, cleaners and others providing services for the tournament. Three work for Conmebol, the South American soccer federation, which provides medics and referees to the tournament.

“We’ve seen that the majority of cases were not among players — they were the people providing them with services,” said Dr. Lucia Campos Pellanda, an epidemiologist and dean of Porto Alegre’s Federal University of Health Sciences. “It’s really cruel — to expose people who are already vulnerable.”

Without systematic contact tracing, authorities are unable to determine how those infections may have spread coronavirus into the wider population.

Enforcing protocols — and controlling the players off the field — has proved challenging. Members of Chile’s team were accused of partying and inviting prostitutes to their hotel. Venezuelan team members infected with the coronavirus allegedly broke quarantine, sneaking out of their rooms. Hotel workers who came in contact with the rogue players complained that their pleas for testing were ignored for days.

With the Tokyo Olympics just over two weeks away, Brazil may serve as a grim bellwether on whether behemoth multinational sporting events can be held safely as the pandemic still rages on. Already, the Summer Games have sparked protests, as coronavirus cases surge across Asia.

“Even if the risk is minimal, even if an event like this results in a single death — is it worth it?” Pellanda asked.

Outraged Brazilians have dubbed the tournament “Cova America,” rebranding it using the Portuguese word for “grave.” Memes of a coffin kicking a coronavirus have swept through social media.

Brazil has advanced to the final, scheduled for Saturday. But many fans say that even if it wins and retains the title it captured in 2019, there will be little to celebrate.

“There just isn’t that same joy that the game usually brings,” said Júlia Passos, a 21-year-old food service worker. “This time, it brings a lot of sadness. Because it can’t erase what happened, how many people have died.”

Her family, like so many others, saw the devastation of COVID-19 up close. Her stepfather spent a week in hospital, struggling to breathe.

“With all the pain Brazil is going through, that we’re going through,” Passos said. “It is not the time to host a huge sporting event like this.”

Still, she couldn’t turn down a gig in one Rio stadium hosting some of the matches. Out of work since March, the young mother needed the income. On game days, she earns $20 serving food and drinks to the coaches, organizers and security staff.

Passos managed to get one dose of COVID-19 vaccine, and she and her colleagues are tested for coronavirus every other day. Nonetheless, she said, the job feels risky, starting with her 25-mile commute from the outskirts of the city.

“We end up so exposed. We take trains packed full of people to get to work,” she said. “But I really needed the work.”

Her stepbrother, Júnior Campos, needed money too and also jumped at the chance to nab a job at the stadium. Yet, even as a soccer fan, the tournament left a bitter taste.

“I lost my uncle and, just last week, I lost my best friend too,” said Campos, 21, who was applying to colleges when the pandemic struck. “We’ve lost so many people to the virus. And so many are still dying. It’s absurd to have this event, to pretend like life is back to normal here, like in Europe.”

The Euro Cup, which is being held in 11 countries across the continent, kicked off in June amid easing lockdowns and ramped-up vaccination campaigns in many of the host nations. But even with reduced stadium capacity and rigid travel restrictions, the tournament has failed to fully avoid infection. The World Health Organization sounded an alarm recently, pointing to overcrowding and clusters of cases.

Health experts warn the risks are even greater in Brazil, where just over 13% of the population is fully vaccinated. One particular worry is that highly contagious new variants could gain traction. The Delta strain — first discovered in India — was spotted in one city hosting Copa America matches, though authorities are still unsure if it infected tournament participants.

In the last two weeks, daily coronavirus cases have eased from June’s record peaks. But health experts still fear spikes. And with the lag between infections and illness and hospitalization, they warn that the tournament’s full effects may not become clear for weeks.

Unlike much of the world, Brazil never closed down to contain the virus. All along, Bolsonaro downplayed COVID-19 and urged Brazilians to keep working. Lockdowns, he insisted, kill more people than the virus by hurting the economy.

Brazil ultimately lost out on both fronts. As the virus ripped through the country undeterred, the pandemic decimated the economy. A welfare scheme helped keep informal workers afloat last year, but the aid was slashed significantly as public spending ballooned.

Angry Brazilians have taken to the streets, calling for vaccines, economic aid and impeachment of the president. Nearly 15 million are out of jobs and hunger has almost doubled, with 19 million routinely going without food during the pandemic.

Faced with economic need, millions risk their health in search of work, including in the Copa America.

On a recent morning, Viviane Azevedo served breakfast to the Copa America delegations at a ritzy hotel in Rio’s wealthy south zone. Still waiting for her second dose of vaccine, she was happy for extra shifts at the hotel that came with the influx of guests.

“It’s a disgrace really, hosting this tournament now,” said Azevedo, 43, who went back to waitressing after being laid off from a piercing studio early in the pandemic. “But for us, there’s no other way. In today’s Brazil, if you don’t take the risk, you’ll go hungry.”

Murilo Castro Vianna, 61, waited outside the same hotel in a white shuttle bus, ready to drive Uruguay’s team to training. Earlier in his 12-hour shift, he had dropped off an injured player at the airport. A few days earlier, a fellow driver had been sickened by COVID-19.

“I’ve spent every day of this pandemic on the street, working,” he said. Before this, he had driven around linesmen working for an electricity company. “Here, I’m being tested. I wear my mask, I try to be careful. That’s all you can do.”

Back at the barber shop he owns in Belford Roxo, a working-class neighborhood on the northern fringe of Rio, Jesus was clad in a face mask as he swiftly razed a little boy’s hair into a mullet, like the ones worn by soccer stars.

One chair over, an unmasked employee trimmed a client’s beard, then doused it in a fragrant spray. Stand-up comedy blared from the television.

Jesus’ secret mission last month wasn’t the first time he cut the hair of Brazil’s soccer elite. But the Copa America job was a chance he couldn’t pass up.

The tiny, bright shop had remained shut for much of the pandemic. Jesus kept cutting hair in the homes of clients, to stay afloat.

“Are we afraid of the virus?” Jesus said. “Of course we’re afraid. But we have to work.”

Ionova is a special correspondent.

06/07/2021 – GZH

Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/07/estudantes-do-ensino-fundamental-tem-aulas-sobre-virus-e-vacinas-em-projeto-da-ufcspa-ckqsrzeg400cm013bnuna3m5v.html

Estudantes do Ensino Fundamental têm aulas sobre vírus e vacinas em projeto da UFCSPA

Iniciativa trabalha temas complexos de forma lúdica e atende crianças do 1º ao 9º ano da Escola Vicente da Fontoura, na zona sul de Porto Alegre

Explicar para crianças temas como a composição dos vírus, a transmissão de doenças e a ação das vacinas no corpo humano pode ser uma tarefa complexa, que requer recursos lúdicos e criativos. Por este motivo, um projeto da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) utiliza jogos, animações, protótipos e uma linguagem simplificada para fazer com que alunos do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental aprimorem seus conhecimentos científicos.

Professor da instituição e idealizador da iniciativa, Luiz Carlos Rodrigues afirma que o Aprendendo sobre Vírus e Vacinas foi criado em 2019 especialmente para a Feira de Saúde, evento da UFCSPA que leva trabalhos de alunos e professores para escolas da Capital, a fim de abordar assuntos relacionados à saúde pública. A partir dessa apresentação inicial, foi constatada a necessidade de tornar o projeto uma atividade contínua.

— Observamos que existia um desconhecimento por parte das crianças sobre vacinação, o que são vírus, como ocorre a contaminação. Eles não sabiam, por exemplo, para que servia cada vacina, achavam que se fossem imunizados para HPV também estariam imunes à gripe ou ao HIV — relata. 

Em 2020, a iniciativa virou um projeto de extensão que envolve alunos dos cursos de graduação e de pós-graduação da UFCSPA, mas, devido à pandemia, não foi possível colocar em prática todo o planejamento. Mesmo assim, a equipe coordenada por Rodrigues produziu dois livros digitais sobre o tema, sendo um infantil e um infantojuvenil, e utilizou o período para modificar o projeto, adaptando-o ao formato virtual, com aulas remotas. 

Atualmente, o Aprendendo sobre Vírus e Vacinas atende 10 turmas da Escola Estadual de Ensino Fundamental Vicente da Fontoura, da zona sul de Porto Alegre, com os estudantes divididos em três níveis, de acordo com o ano em que estão matriculados. Para colocar o projeto em prática com a instituição, foi realizado um diagnóstico inicial para verificar o conhecimento das crianças sobre vírus e vacinas. De acordo com o professor, muitos estudantes sabem bastante sobre o coronavírus, mas a maioria desconhece outros vírus e formas de prevenção e contaminação:

— Perguntamos as formas de transmissão dos vírus e todos responderam “pelo espirro, passar as mãos nos olhos, na boca, contato”, mas outras formas eles não sabem. E é isso que a gente quer ensinar, o nosso projeto vai além do coronavírus, então trazemos o conteúdo de uma forma bem lúdica para que eles possam entender, fazemos jogos e aulas práticas.

Os encontros virtuais, de até uma hora, ocorrem semanalmente em dias e horários combinados com a escola. A iniciativa prevê ainda a montagem de um laboratório dentro da instituição, com protótipos e equipamentos que a universidade não utiliza mais. Além disso, há seminários com os professores para a transferência das metodologias adotadas durante as aulas.

Maria Berenice Brandli Pereira, coordenadora pedagógica da Escola Vicente da Fontoura, comenta que a iniciativa está tendo um retorno bastante positivo por parte dos alunos, que ficam empolgados e ansiosos pelas próximas aulas:

— É algo que está acrescentando muito na vida deles, eles adoram as aulas online, e são atividades diferenciadas que o projeto faz, então as crianças se envolvem e participam muito.

Para Rodrigues, o Aprendendo sobre Vírus e Vacinas tem uma grande importância social, pois impacta diretamente na formação de crianças em relação a questões de saúde pública e ajuda a disseminar conhecimentos fundamentais. O professor considera essencial essa aproximação entre universidade e escola e acredita que o projeto possa ser utilizado para ampliar assuntos de outras áreas que são pouco abordadas nas instituições de ensino. 

— As universidades têm condições de proporcionar muito mais do que a escola em termos de amplitude dos assuntos. As escolas seriam beneficiadas nesses projetos e os alunos das universidades também, porque aprenderiam a ter esse contato com a sociedade em que eles efetivamente vão trabalhar depois — defende.

A previsão é de que, no final deste ano, o projeto seja transformado em um programa para que possa contemplar mais escolas. Os livros produzidos pela equipe da UFCSPA estão disponíveis para download por meio deste link.

06/07/2021 – Tribuna de Jundiaí

Link: https://tribunadejundiai.com.br/saude/coronavirus/e-possivel-ter-covid-mesmo-com-as-duas-doses-da-vacina/

É possível ter Covid mesmo com as duas doses da vacina?

Cada medida de prevenção adotada é uma “camada extra” de proteção

Apesar de já ter tomado as duas doses da vacina contra a Covid-19, a apresentadora Ana Maria Braga informou, nesta segunda-feira (5) que contraiu o vírus. A notícia repercutiu e fez surgir a dúvida no público: é possível ter a infecção mesmo após ter completado o esquema vacinal? Segundo os estudos conduzidos com cada uma das vacinas em uso contra a Covid-19, sim, uma vez que os imunizantes evitam os casos graves da doença, mas não o contágio.

O objetivo principal das vacinas, neste momento, é evitar formas graves da Covid-19, e não necessariamente o contágio pela doença (ainda que algumas vacinas já tenham se mostrado capazes de evitar também a transmissão e a infecção). Nas pesquisas, as vacinas são testadas para sua capacidade de evitar contágio, casos sintomáticos, moderados e graves e morte pela Covid. Até agora, todas as vacinas que estão sendo aplicadas no Brasil – CoronaVac, AstraZeneca/Oxford, Pfizer e Johnson – foram capazes de evitar internações e mortes pela doença.

Cada medida de prevenção adotada – como se vacinar, usar máscaras, evitar aglomerações e lugares fechados – é uma “camada extra” de proteção. Por isso é necessário combiná-las com a imunização.

Apesar de já ter tomado as duas doses da vacina contra a Covid-19, a apresentadora Ana Maria Braga informou, nesta segunda-feira (5) que contraiu o vírus. A notícia repercutiu e fez surgir a dúvida no público: é possível ter a infecção mesmo após ter completado o esquema vacinal? Segundo os estudos conduzidos com cada uma das vacinas em uso contra a Covid-19, sim, uma vez que os imunizantes evitam os casos graves da doença, mas não o contágio.

O objetivo principal das vacinas, neste momento, é evitar formas graves da Covid-19, e não necessariamente o contágio pela doença (ainda que algumas vacinas já tenham se mostrado capazes de evitar também a transmissão e a infecção). Nas pesquisas, as vacinas são testadas para sua capacidade de evitar contágio, casos sintomáticos, moderados e graves e morte pela Covid. Até agora, todas as vacinas que estão sendo aplicadas no Brasil – CoronaVac, AstraZeneca/Oxford, Pfizer e Johnson – foram capazes de evitar internações e mortes pela doença.

Cada medida de prevenção adotada – como se vacinar, usar máscaras, evitar aglomerações e lugares fechados – é uma “camada extra” de proteção. Por isso é necessário combiná-las com a imunização.

“Mesmo ao ar livre, de máscara, se tiver 100 pessoas, o risco vai ser maior do que se tiver duas pessoas. Não adianta ‘estou ao ar livre, não preciso de máscara’. Precisa. ‘Eu estou ao ar livre, não preciso ficar à distância’. Precisa. ‘Ah, eu estou de máscara, não preciso manter a distância’. Precisa”, explica Lucia Pellanda, cardiopediatra e professora de epidemiologia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

“Quando a gente faz todas as coisas, vai diminuindo bastante o risco. As pessoas têm ideia de que é tudo ou nada. O risco é contínuo”, reforça Pellanda.

Veja as taxas de eficácia contra casos graves alcançadas durante os testes em cada vacina usada no Brasil até o momento:

Johnson: 85% eficaz

Coronavac: entre 83,7% e 100% eficaz

Pfizer: 92% eficaz

AstraZeneca: 100% eficaz

A taxa mais alta de imunização somente é alcançada após a segunda dose. Das quatro vacinas aplicadas no Brasil, apenas a da Johnson/Janssen alcança a sua taxa máxima de eficácia em apenas uma dose, então, é necessário estar completamente vacinado, com as doses necessárias.

Especialistas são unânimes ao dizer que não se deve escolher vacina, já que é muito melhor tomar qualquer uma disponível do que ficar vulnerável à Covid-19. E, ao se vacinar, você ajuda a aumentar a cobertura vacinal, que é o mais importante neste momento.

06/07/2021 – Diário Gaúcho

Link:http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/07/sete-casos-positivos-em-seis-dias-veja-o-balanco-da-acao-de-controle-sanitario-em-estacao-da-trensurb-20640491.html

“Sete casos positivos em seis dias: veja o balanço da ação de controle sanitário em estação da Trensurb

Prefeitura de Porto Alegre está convidando passageiros sintomáticos a realizarem testes rápidos para detecção da covid-19

A prefeitura de Porto Alegre divulgou nesta segunda-feira (5) que mais dois casos positivos de covid-19 foram detectados na ação de controle sanitário realizada na Estação Mercado da Trensurb. Desde 28 de junho, foram sete casos confirmados da doença após 78 testes rápidos realizados.

Os passageiros que tiveram resultado positivo nesta segunda-feira são de Porto Alegre e Alvorada. Ambos assinaram termo se comprometendo a cumprir isolamento, segundo a Secretaria Municipal da Saúde. A prefeitura divulgou que o passageiro de Porto Alegre retornou à residência em veículo da Trensurb. O de Alvorada, em veículo próprio.

A prefeitura utiliza imagens da câmeras da Trensurb que possuem sensor térmico. Os passageiros que apresentam sintomas de covid-19, ou que tem temperatura corporal acima de 37,5 °C, são convidados a realizar o teste.

O trabalho é realizado de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

A prefeitura ainda não detalhou como será o protocolo para retomar a ação de controle sanitário no Aeroporto Internacional Salgado Filho. Na semana passada, foi divulgado que uma nova medida será adotada, oferecendo testes do tipo RT-PCR para quem desembarcar no aeroporto e ficar na Capital por ao menos quatro dias.”

05/07/2021 – ZH

Versão Impressa

Apoio psicológico paraos60+

Mesmos os vacinados da população 60+ seguem tomando uma série de cuidados. Entre eles, a manutenção do distanciamento, que resulta em menor interação social. O isolamento, necessário para evitar o contágio pela covid-19, também fez aparecer sequelas emocionais. A percepção deste problema levou à criação do projeto Acolhendo Idosos na Pandemia, oferecido pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em parceria com a Santa Casa. O amparo psicológico gratuito está à disposição desde o início de abril, mas agora a divulgação da iniciativa é ampliada.

O apoio está aberto para pessoas acima de 60 anos que estiverem se sentido sozinhas, tristes, ansiosas ou passaram a ter problemas com o álcool. O serviço é gratuito, nos sete dias da semana, das 8h às 19h. Para ser atendido, basta ligar para o número 0800 760 5151. Quem procurar ajuda, de qualquer parte do país, será avaliado e poderá receber intervenções psicoterápicas durante um mês, com um atendimento por semana.

Até agora, cem idosos passaram pelo projeto e 25 seguem em acompanhamento. Dos que buscaram apoio, 77% apresentaram sintomas de ansiedade e 73% de depressão.

05/07/2021 – GZH

Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2021/07/sete-casos-positivos-em-seis-dias-veja-o-balanco-da-acao-de-controle-sanitario-em-estacao-da-trensurb-ckqradwkt0025013b4ckjtreo.html

“Sete casos positivos em seis dias: veja o balanço da ação de controle sanitário em estação da Trensurb

Prefeitura de Porto Alegre está convidando passageiros sintomáticos a realizarem testes rápidos para detecção da covid-19

A prefeitura de Porto Alegre divulgou nesta segunda-feira (5) que mais dois casos positivos de covid-19 foram detectados na ação de controle sanitário realizada na Estação Mercado da Trensurb. Desde 28 de junho, foram sete casos confirmados da doença após 78 testes rápidos realizados.

Os passageiros que tiveram resultado positivo nesta segunda-feira são de Porto Alegre e Alvorada. Ambos assinaram termo se comprometendo a cumprir isolamento, segundo a Secretaria Municipal da Saúde. A prefeitura divulgou que o passageiro de Porto Alegre retornou à residência em veículo da Trensurb. O de Alvorada, em veículo próprio.

A prefeitura utiliza imagens da câmeras da Trensurb que possuem sensor térmico. Os passageiros que apresentam sintomas de covid-19, ou que tem temperatura corporal acima de 37,5 °C, são convidados a realizar o teste.

O trabalho é realizado de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

A prefeitura ainda não detalhou como será o protocolo para retomar a ação de controle sanitário no Aeroporto Internacional Salgado Filho. Na semana passada, foi divulgado que uma nova medida será adotada, oferecendo testes do tipo RT-PCR para quem desembarcar no aeroporto e ficar na Capital por ao menos quatro dias.”

05/07/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/07/hospitais-do-rs-participam-de-mais-de-um-terco-das-pesquisas-para-medicamentos-contra-a-covid-19-no-brasil-ckqr2lbt4000b013bg6nr9sya.html

“Hospitais do RS participam de mais de um terço das pesquisas para medicamentos contra a covid-19 no Brasil

Estado é reconhecido em nível nacional pela excelência das instituições e pela qualificação de trabalhadores da saúde

Reconhecido em nível nacional pela excelência de hospitais e qualificação de trabalhadores da saúde, o Rio Grande do Sul vem se destacando no Brasil por conduzir estudos que buscam remédios para combater ou curar a covid-19.

Hoje, 89 pesquisas clínicas (feitas com pessoas) para investigar possíveis medicações contra o coronavírus ocorrem no país, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Dados do site Clinical Trials, onde são registrados os estudos no mundo todo, mostram que ao menos 33 – mais de um terço – ocorrem no Rio Grande do Sul.

— A indústria procura centros de excelência e em que protocolos internacionais serão facilmente cumpridos à risca. São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul têm os centros de pesquisa melhor montados. O Rio Grande do Sul sempre foi tido como um Estado de excelência na área da saúde e na incorporação de novas tecnologias. Isso não é de hoje, com a covid, mas de um investimento feito no passado — resume Nelson Mussolini, presidente-executivo do Sindicato da Indústria dos Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma).

Estudos foram ou estão sendo conduzidos em praticamente todos os grandes hospitais gaúchos: Clínicas de Porto Alegre e de Passo Fundo, Conceição, Moinhos de Vento, Santa Casa de Misericórdia, São Lucas da PUCRS, Mãe de Deus, Ernesto Dornelles e Universitário de Santa Maria são algumas das instituições.

Além de coroar a qualidade desses hospitais, a alta concentração de pesquisas clínicas coloca médicos gaúchos em contato com as mais recentes discussões sobre covid-19 do mundo.

A maioria das pesquisas é de fase 3 (para analisar a segurança e eficácia da medicação), patrocinadas por laboratórios estrangeiros e multicêntricas – isto é, integram iniciativas internacionais que recrutam milhares de voluntários de diversos países para assegurar que a medicação possa ser usada em diferentes perfis etários e étnicos.

— O Rio Grande do Sul tem centros de excelência, grandes hospitais e equipes qualificadas. Há muitos hospitais universitários e muitos centros de especialidades, o que facilita a execução de protocolos — resume o médico infectologista Alessandro Pasqualotto, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Os estudos buscam remédios em diversas frentes: para uso de forma precoce nos primeiros dias de sintoma; para evitar que pessoas que entraram em contato com algum caso positivo adoeçam; e para hospitalizados, no esforço de evitar a piora do quadro e a morte, explica o médico infectologista Eduardo Sprinz, coordenador de estudos para vacina e medicações no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).

Nesse quesito, destaca Sprinz, a alta circulação viral no Rio Grande do Sul também dá um empurrão na escolha do Estado para testar os remédios – é preciso ter pessoas adoecidas para checar se uma fórmula funciona.

Em fevereiro, o HCPA começou a fase 3 de uma pesquisa para avaliar os efeitos de um remédio francês, chamado de ABX464, em pacientes hospitalizados. A pesquisa também é conduzida em outros 13 hospitais brasileiros, além de instituições da Europa e da Ásia.

— A gente tenta achar medicamentos que façam pessoas gravemente doentes melhorarem. Tem estudos para evitar ventilação mecânica e, mais recentemente, para evitar que a pessoa recentemente diagnosticada progrida a casos mais graves. Hoje, os remédios disponíveis são para dar suporte a hospitalizados e há o uso do corticoide, para pessoas com comprometimento do pulmão, com os quais a gente quer evitar que a doença progrida — resume Sprinz.

De todos os estudos em solo gaúcho, os mais promissores são para avaliar o uso de anticorpos monoclonais em pacientes hospitalizados. A ideia é pegar anticorpos gerados por pessoas já infectadas, purificá-los e inseri-los em pessoas hospitalizadas com covid-19 de forma a ensinar o sistema imune dos doentes mais graves a lutar contra o coronavírus.

Nos Estados Unidos, remédios com anticorpos monoclonais já foram aprovados pela agência reguladora para uso emergencial. A expectativa é de que o pedido seja feito também à Anvisa nos próximos meses.

— Conseguimos retirar do plasma o anticorpo que funciona contra covid, multiplicá-lo e transformá-lo em remédio para outras pessoas. São anticorpos que tentam impedir o vírus e a inflamação do vírus de agredir o pulmão do paciente — explica o médico Claudio Stadnik, coordenador do Centro de Pesquisa em Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.

A Santa Casa conduz ao menos 11 estudos em busca de um remédio para o coronavírus, segundo registros no Clinical Trials. Um deles investiga o uso de gotas de cloridrato de tetraciclina no nariz de indivíduos contra a contaminação por coronavírus. Dois investigam possíveis remédios, em pílula, para uso de forma precoce – sem dados preliminares, ainda.

Outra referência é o Moinhos de Vento, que participa da Coalizão Covid Brasil, uma frente de hospitais do país que toca diferentes estudos em busca de medicações contra a doença. Fazem parte Sírio-Libanês, Albert Einstein, Oswaldo Cruz, HCor, Beneficência Portuguesa de São Paulo e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), junto ao Ministério da Saúde.

Até agora, a Coalizão já iniciou 10 pesquisas. O melhor resultado mostrou que o uso do corticoide dexametasona em pacientes hospitalizados reduziu o tempo de internação e o número de mortes. Outros estudos mostraram que a hidroxicloroquina e a azitromicina não tiveram efeito em pacientes estudados.

— A Coalizão já finalizou cinco ensaios clínicos randomizados. Avaliamos a hidroxicloroquina, que não demonstrou benefício em pacientes hospitalizados. Também avaliamos o antibiótico azitromicina, que não demonstrou benefícios. No estudo com o dexametasona, houve benefício para pacientes em ventilação mecânica, e os resultados foram unidos a outros estudos do mundo e revisados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o que contribuiu de maneira importante para gerar evidência a um dos poucos medicamentos que existem hoje para a covid — diz Regis Goulart Rosa, médico intensivista e pesquisador do Hospital Moinhos de Vento.

No Mãe de Deus, um estudo multicêntrico, que ocorria em 22 países, foi encerrado no ano passado – os resultados estão sendo consolidados. Hoje, há uma pesquisa com anticorpo monoclonal, realizada em 26 nações. No Brasil, foram escolhidos apenas três outros hospitais: dois em São Paulo e um no Rio de Janeiro.

— Desvendar a covid, esse mistério, é muito importante para os pacientes que têm a oportunidade de usar essa medicação e para todos nós que nos beneficiaremos dos resultados — afirma Rodrigo Boldo, médico intensivista e pesquisador do Mãe de Deus.

O Grupo Hospitalar Conceição (GHC) participou do estudo Pioneer, que avaliou o uso de um antiviral em pessoas internadas – os resultados ainda não foram divulgados. A pesquisa foi patrocinada pelo NHS, o Sistema Único de Saúde (SUS) do Reino Unido.

Em junho, a instituição começou a fase 3 de uma nova pesquisa, com anticorpos monoclonais, em pessoas nos primeiros dias de sintomas com covid-19. O estudo ocorre em vários países e é organizado pelo National Institutes of Health (NIH, ou Instituto Nacional de Saúde na sigla em inglês), com a Universidade da Califórnia (UCLA) e o Instituto de Pesquisa em Aids do Rio Grande do Sul (Ipargs).

— Há um protocolo-base que, ao longo do tempo, elimina do estudo remédios que se provem não serem bons. Agora, estamos na fase seis. Ou seja, cinco outros remédios não deram resultado. O protocolo vem fechado para um local capacitado a desenvolver esse protocolo. E isso depende de o local ter capacidade técnica, organização, local para conduzir o estudo, equipe e voluntários — diz o médico infectologista Breno Riegel, líder da pesquisa no GHC.

O Hospital Ernesto Dornelles, a Santa Casa da capital e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre estudam em voluntários internados o uso do remdesivir associado a três moduladores do sistema imune – Infliximabe, Abatacept e Cenicriviroque.

A ideia é entender como esse coquetel pode controlar o avanço da doença, acelerar a recuperação e diminuir o risco de morte por coronavírus. A pesquisa, organizada pelo Duke Clinical Research Institute e supervisionada pelo NIH, vai acompanhar 2,1 mil adultos hospitalizados em Estados Unidos, Brasil, Peru e Argentina.

— Fazer pesquisa exige organização, comitê de ética e patrocínio. O Rio Grande do Sul é um celeiro de oportunidades para jovens médicos e pesquisadores. A pós-graduação na área da saúde é muito forte aqui, o que incentiva a ter projetos. Há centros para captar pacientes, registros informatizados e tradição em pesquisa há décadas — diz a médica pneumologista Juliana Cardozo Fernandes, coordenadora do estudo no Hospital Ernesto Dornelles.

Ela dá um exemplo pessoal para resumir como o investimento de anos em ciência traz resultados para o futuro:

— Eu mesma, 20 anos trás, fui bolsista de pesquisa da UFCSPA. Isso colocou uma pulga atrás da minha orelha. Hoje, sou uma pesquisadora.”

03/07/2021 – Portal Cidade Marketing

Link:https://www.cidademarketing.com.br/marketing/2021/07/03/pesquisa-apoiada-pela-brf-que-identificou-109-mutacoes-no-sars-cov-e-publicada-em-periodico-cientifico-internacional/

“Pesquisa apoiada pela BRF, que identificou 109 mutações no SARS-CoV, é publicada em periódico científico internacional

Estudo da Univates, universidade de Lajeado (RS), pode contribuir para o desenvolvimento de fármacos para tratar a Covid-19

Uma pesquisa apoiada pela BRF e coordenada pela Universidade do Vale do Taquari – Univates, de Lajeado (RS), foi publicada na revista Scientific Reports, jornal científico internacional, do grupo Nature. O trabalho da Universidade do Vale do Taquari contou com uma doação de R$ 100 mil da BRF e identifica mutações no vírus SARS-CoV, num esforço para identificar mecanismos para o desenvolvimento de fármacos para tratar a Covid-19.

Liderado pelo professor Luis Fernando Saraiva Macedo Timmers, o estudo analisou 627 sequenciamentos genéticos de amostras do SARS-CoV-2 coletadas no Brasil e identificou 109 mutações no vírus causador da Covid-19. O estudo dá aos pesquisadores condições de avaliar mecanismos de evolução viral, ou seja, quais proteínas estão sofrendo mutações e em quais elas são mais prevalentes. “Podemos ter indícios de como o vírus está se adaptando ao meio”, explica Timmers.

A pesquisa é uma visão geral sobre as mutações que aconteceram no Brasil e, ao estar agora disponível à comunidade científica internacional, contribui para a adoção de diferentes abordagens possíveis no campo do desenvolvimento de fármacos para o tratamento da Covid-19. Além da Univates, participam da pesquisa a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e a Universidade de Tübingen (Alemanha).

Outras pesquisas da Univates com apoio da BRF

Esse não é o único projeto da Univates em desenvolvimento que utiliza recursos doados pela BRF.

Diagnóstico mais rápido e barato – Em um projeto sob o título Detecção do vírus da Síndrome Respiratória Corona Vírus-2 por Espectroscopia no Infravermelho com Transformada de Fourier, a professora Daiane Heidrich, doutora em Medicina, procura um exame mais rápido e barato, e com menor impacto ambiental, para detectar o vírus pela saliva, em vez da secreção coletada do nariz e da garganta utilizada pelo RT-PCR. O objetivo é desenvolver uma tecnologia alternativa que possa ser utilizada pela população do Vale do Taquari, por meio do apoio e interesse das redes municipais de saúde, e mesmo fora da região onde se situa a Univates.

Ozônio para a desinfecção e sanitização – A diretora de Inovação e Sustentabilidade da Univates, professora Simone Stülp, doutora em Engenharia de Minas, Metalúrgica e de Materiais, coordena um projeto, em conjunto com uma startup instalada no Tecnovates, a Alvap, que investiga a adoção do ozônio para a desinfecção e sanitização. O manejo do ozônio, pela Alvap, é usado para a limpeza de frutas, purificação de água, principalmente na indústria e na agricultura. A professora Simone Stülp ressalta que o investimento da BRF para o Tecnovates é uma aproximação com o Hub de Inovação da BRF, conectado com as áreas prioritárias do Parque Tecnológico, e bem-vindo em área de extrema necessidade neste momento de emergência sanitária. O BrfHub é o braço de inovação aberta da BRF, que procura diariamente conectar a empresa com novos estudos e tecnologias.

As doações no combate à Covid

A doação para a Univates faz parte de um conjunto de R$ 50 milhões anunciados pela BRF em abril de 2020, utilizados em distribuição de alimentos, insumos médicos e apoio a fundos de pesquisa e desenvolvimento social, para contribuir com os esforços de combate aos efeitos da pandemia. A iniciativa alcança hospitais, organizações de assistência social e profissionais de saúde nos estados e municípios em que a empresa possui operação. Dentre os contemplados, além da Univates, estão a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, o Instituto Butantan e o Hospital das Clínicas, em São Paulo.

Em março deste ano, a BRF anunciou a doação de mais R$ 50 milhões, que contempla ações em 15 estados brasileiros e em países onde a BRF tem unidades produtivas, centros de distribuição e escritórios corporativos.

As doações e demais ações da BRF no combate ao Coronavírus podem ser acompanhadas pelo site https://www.brf-global.com/sobre/seguranca/comunicado-coronavirus

01/07/2021 – Jornal do Comércio

Link:https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/especiais/coronavirus/2021/07/799706-porto-alegre-tera-servico-de-acompanhamento-a-pacientes-em-recuperacao-pos-covid.html

“Porto Alegre terá serviço de acompanhamento a pacientes em recuperação pós-Covid

A partir da próxima segunda-feira (5), a Secretaria Municipal de Saúde da Capital, em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), oferecerá acompanhamento a pessoas que necessitam de auxílio no período de recuperação pós-Covid. A partir de triagem em uma unidade de saúde será iniciado o processo de assistência ao paciente, que contará com apoio do Centro de Saúde IAPIe do HCPA.

Segundo a prefeitura, o primeiro passo é procurar a unidade de saúde, onde a equipe de enfermagem será responsável pelo plano de cuidado do paciente e encaminhamentos às especialidades. A partir desta primeira análise, será feita a inserção no sistema que administra o fluxo de consultas na rede pública. Dependendo do caso, a pessoa poderá ter o acompanhamento na unidade de saúde de sua referência.

Casos mais complexos serão encaminhados ao Centro de Saúde IAPI, e situações mais graves, que exijam avaliações mais complexas com tomografias e outros exames, contarão com o apoio do HCPAo.

Nesta primeira etapa do serviço serão disponibilizadas dez consultas semanais, com equipe de enfermagem, nutrição, fisioterapia, psicologia, fonoaudioaudiologia, fisiatria e educador físico. A partir de agosto, se somarão ao projeto alunos e professores da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFSCPA) e da Unisinos.

A recuperação de pessoas que foram contaminadas com a Covid-19 e necessitaram de atendimento médico muitas vezes exige um acompanhamento mais demorado no período de recuperação, dependendo da gravidade das intercorrências. O tratamento após a donça é especialmente importante para os que passaram longos períodos em leitos clínicos ou internados em UTI.”

01/07/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2021/07/porto-alegre-dara-inicio-a-servico-de-acompanhamento-para-recuperacao-pos-covid-na-segunda-feira-ckqlfavh000ab013b0ugashdf.html

Porto Alegre dará início a serviço de acompanhamento para recuperação pós-covid na segunda-feira

Atendimento será direcionado para as pessoas que ainda enfrentam sequelas da doença

A partir da próxima segunda-feira (5), as pessoas que já são consideradas curadas da covid-19, mas que ainda enfrentam sequelas da doença poderão buscar um atendimento específico em Porto Alegre. O serviço de acompanhamento para recuperados do coronavírus será oferecido pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).

O primeiro passo para buscar o auxílio é seguir até uma unidade de saúde da Capital. Lá, a equipe de enfermagem será responsável pelo plano de cuidado do paciente e encaminhamentos às demais especialidades.

Dependendo do caso, a pessoa poderá ter o acompanhamento na própria unidade de saúde. Em ocorrências mais complexas, os pacientes serão encaminhados ao Centro de Saúde IAPI. Situações que exijam avaliações mais detalhadas, como tomografias e outros exames, contarão com o apoio do Hospital de Clínicas — que já tem este serviço em atividade há mais tempo.

Nesta primeira etapa, o atendimento será feito em 10 consultas semanais. Serão oferecidas especialidades como nutrição, fisioterapia, psicologia, fonoaudiologia, fisiatria e educador físico, este último com o apoio dos profissionais da Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Juventude.

A partir de agosto, o serviço ganhará o reforço de alunos e professores da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFSCPA) e Unisinos.

Conforme a SMS, o tratamento pós-covid é especialmente importante para os que passaram longos períodos em leitos clínicos e mais ainda para aqueles que estiveram internados em UTIs.