31/08/2021 – Zero Hora

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Reforço ainda não é consenso

Zero Hora31 Aug 2021

A terceira dose é defendida porque pesquisas mostram que o reforço eleva o nível dos anticorpos no organismo, o que seria especialmente benéfico para pessoas com sistema imune deficiente, como idosos e imunossuprimidos (transplantados e pessoas com câncer, por exemplo).

– A gente vai perdendo a parte da medula óssea que faz a produção dessas células ao longo dos anos. Idosos e imunossuprimidos possuem uma proporção muito menor de células B, então não têm a capacidade de gerar anticorpos na mesma taxa de uma pessoa jovem. O reforço da vacina estimularia as células B que existem a produzir anticorpos contra o vírus – explica a imunologista Melissa Markoski, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

A inclusão do resto da população na terceira dose ainda não tem base científica, destaca Mônica Levi, diretora da SBIM.

– A discussão de terceira dose é para imunossuprimidos e idosos. Hipertenso, por exemplo, tem mais risco de evoluir de forma grave, mas ele responde à vacina – diz.

A manutenção dos linfócitos B é um dos indícios de que a proteção contra o coronavírus se mantém, diz a biomédica Mellanie Fontesdutra, coordenadora da Rede Análise Covid-19 e integrante do Comitê Científico do Palácio Piratini:

– Você criou anticorpos em resposta à vacina, e eles têm uma “meia-vida”. Só que quem produz anticorpos (ou seja, os linfócitos B) está circulando ou na medula, esperando. Mesmo com a queda de anticorpos, não significa que não se esteja protegido. A ideia é, a partir da dose adicional, aumentar o tempo em que essa onda de anticorpos perduraria na circulação, porque isso pode ajudar a evitar a infecção, relevante principalmente para populações mais vulneráveis .

Exterior

Em Israel, o reforço é aplicado em idosos acima dos 60 anos desde o fim de julho. O ministério da saúde local divulgou no último domingo que a terceira dose da Pfizer aumentou significativamente a proteção contra infecções e casos graves em idosos. Para essa população, a proteção contra infecções gerada 10 dias após a terceira dose foi quatro vezes maior do que após duas doses. Já a proteção contra casos graves e hospitalizações foi de cinco a seis vezes maior também 10 dias após a terceira dose.

Mas, dado o pouco tempo, não se sabe ainda se terceira dose será necessária para todos e qual a frequência a ser adotada.

– Vacinas recém estão chegando a um ano de avaliação. Há dúvida sobre o tempo que se permanece imune e que se perde eficácia. Israel foi um dos primeiros países a vacinar toda a população adulta, então têm a disponibilidade de lançar a campanha de terceira dose, estão todos vacinados – afirma Rodrigo Boldo, médico intensivista e pesquisador do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre.

31/08/2021 – Revista News

Link:https://revistanews.com.br/2021/08/30/esteio-faz-testes-de-covid-19-em-trabalhadores-da-expointer/

Esteio faz testes de covid-19 em trabalhadores da Expointer

A Prefeitura de Esteio está fazendo testes para detectar possíveis casos de covid-19 em expositores e trabalhadores que vão participar da 44ª Expointer, evento realizado no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil e que começa no próximo sábado (4).

Os exames, do tipo RT-PCR nasal rápido/antígeno, cujos resultados são divulgados na hora, estão sendo oferecidos para pessoas que vão trabalhar na Feira. No último domingo (29), primeiro dia da ação, foram 266 testes realizados, três deles com resultados positivos para o novo coronavírus. Com isso, as pessoas com a doença foram orientadas a procurar atendimento médico e não poderão atuar na Expointer.

Os exames seguem até a próxima segunda-feira (6) e estão voltados apenas para expositores e trabalhadores que ainda não tiverem sido testados antes de entrar no Parque no primeiro dia de participação no evento. Os testes estão sendo feitos por profissionais da Secretaria Municipal da Saúde, do Hospital São Camilo e alunos dos cursos de graduação de Enfermagem, Medicina e Farmácia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), da Unisinos e da Ulbra.

Nesta segunda-feira (30), após a abertura dos portões para a chegada dos primeiros animais na Feira, o prefeito Leonardo Pascoal e a secretária estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Silvana Covatti, foram à Central de Testagem acompanhar parte do trabalho e conversar com os servidores que estão atuando na testagem.

30/08/2021 –  Zero Hora

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Ambulatório pós-covid dobra atendimento

Zero Hora 30 Aug 2021KARINE DALLA VALLE Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Criado exclusivamente para tratar as sequelas da covid-19, demanda cada vez maior nos hospitais e unidades de saúde, o ambulatório de reabilitação do Centro de Saúde IAPI, na zona norte de Porto Alegre, dobrou o atendimento em apenas um mês e já conta com reforço de professores universitários e estagiários.

Quando foi inaugurado, ao lado do setor de fisioterapia, em julho deste ano, o ambulatório acolhia 10 pacientes por semana, atendidos pelos profissionais da casa. São enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionista e até psicólogo que tratam os traumas físicos e emocionais deixados pela doença. A agenda ficou mais cheia a partir de agosto. Agora, atende 20 pessoas por semana. No total, são 53 pacientes vinculados.

A ampliação só foi possível com o auxílio de estudantes e professores universitários. O ambulatório já inaugurou com parceria firmada com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Recentemente, também abriu as portas para receber sete estudantes de fisioterapia e enfermagem da Unisinos, que são guiados por um professor.

– Os profissionais da Unisinos já começaram com vários pacientes agendados, que estavam esperando esse atendimento. Com a vinda dos alunos, conseguimos acolher mais pacientes – conta a fisioterapeuta Aline Casaril, coordenadora do ambulatório.

Há dois lugares que atendem sequelas da covid-19 pela rede municipal de saúde da Capital, e a porta de entrada são as unidades básicas. Se a pessoa apresenta um caso mais complexo, como problemas cardíacos, é encaminhada ao Hospital de Clínicas. Se for mais simples, pode seguir para o IAPI, onde a maioria chega reclamando de fadiga, que permanece após a doença.

– São pessoas que levantam da cadeira, caminham 20 metros e se cansam. Chegam no consultório já sem ar. Não conseguem fazer coisas básicas, precisam de ajuda para tomar banho ou até conseguem fazer sua higiene, mas não conseguem fazer comida, limpar a casa. Não têm fôlego – diz Aline.

Psicóloga

Nessas situações, o paciente é encaminhado para fisioterapia. Pode acontecer de apresentar outros problemas provocados pela covid-19, como perda de massa muscular ou mesmo aflições emocionais, atendimento integral que o ambulatório do IAPI busca suprir. Quem faz essa triagem é um profissional da enfermagem, que observa cada situação e faz os encaminhamentos.

Depois de ficar entubada por quase 20 dias por causa da covid-19, Solange Terezinha Fogaça, 57 anos, teve o lado direito do corpo afetado. Perdeu o movimento da perna e de dois dedos da mão. Passou a fazer fisioterapia no ambulatório do IAPI e recebeu até sessões de acupuntura, pelas mãos da própria Aline.

Ao contar aos profissionais sobre o que viveu na cama do hospital, a experiência do isolamento e a incerteza sobre a vida, Solange foi convidada a ter um encontro com a psicóloga. E gostou.

– Tem coisas que ficam, que a gente precisa conversar com alguém. A gente passa por um período difícil. Depois que tu sai do coma, que tu é desentubado, fica sozinho muito tempo dentro do hospital, precisando de familiar, e não podia por causa da covid... Tudo isso deixa traumas na gente – afirma.

Diante de um vírus que não dá sinais de ir embora, o ambulatório do IAPI vai ganhar mais um tipo de atendimento a partir de setembro – o de fonoaudiólogo – e não há qualquer previsão para encerrar o serviço especializado para quem sofreu com a covid-19. – Não imagino que em menos de um ano a demanda de pacientes com sequelas pós-covid-19 diminua. Vai levar um bom tempo ainda – projeta Aline.

30/08/2021 –  Aos Fatos

Link: https://www.aosfatos.org/noticias/e-falso-que-estudo-concluiu-que-carga-viral-do-sars-cov-2-e-251-vezes-maior-em-vacinados/

É falso que estudo concluiu que carga viral do Sars-CoV-2 é 251 vezes maior em vacinados

Publicações nas redes sociais falseiam os resultados de um estudo feito no Vietnã ao alegar que os cientistas identificaram em vacinados contra a Covid-19 uma carga viral do novo coronavírus 251 vezes maior que a de pessoas que não foram imunizadas (veja aqui). Na realidade, a pesquisa comparou a quantidade de cópias do Sars-CoV-2 encontrada em indivíduos que pegaram a variante delta com a de infectados por cepas anteriores do vírus.

Publicações com o conteúdo enganoso somavam centenas de compartilhamentos no Facebook nesta segunda-feira (30) e foram sinalizadas por Aos Fatos como FALSO na ferramenta de verificação da plataforma (saiba como funciona). Publicações semelhantes também circularam no Instagram e no Twitter.

Não é verdade que pessoas vacinadas que pegaram Covid-19 apresentam nível de carga viral do novo coronavírus 251 vezes superior ao de indivíduos que não foram imunizados, como alegam postagens nas redes sociais com base em um estudo vietnamita. A pesquisa, porém, compara a quantidade de cópias do Sars-CoV-2 entre indivíduos contaminados pela variante delta e infectados com outras cepas do vírus.

O estudo analisou um surto de 62 infecções pela Covid-19 em junho deste ano no Hospital para Doenças Tropicais de Ho Chi Minh, no Vietnã. Os pesquisadores constataram que a carga viral de profissionais de saúde que pegaram a variante delta foi 251 vezes maior que a taxa de trabalhadores infectados com as cepas mais comuns entre março e abril de 2020. O pré-print — artigo ainda não revisado por outros cientistas — está no repositório do periódico científico The Lancet desde o dia 10 de agosto.

Apesar de relatar que os profissionais haviam tomado as duas doses da vacina AstraZeneca, a pesquisa não atribuiu a alta carga viral à imunização, mas à maior capacidade de transmissão da delta em relação à cepa original do Sars-CoV-2. Para os pesquisadores, o avanço da variante torna necessária a manutenção de medidas de higienização e distanciamento mesmo em áreas onde a cobertura vacinal é mais alta.

Mel Markoski, professora de Biossegurança da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre), afirmou ao Aos Fatos que, embora o estudo cite a vacinação entre os profissionais de saúde, “em nenhum momento o artigo faz essa comparação de imunizados ou não contra a Covid-19. O dado se refere a casos pela Delta em relação ao vírus original”, diz Markoski.

Tampouco procede a alegação de que os próprios imunizantes aumentariam a carga viral, de acordo com Letícia Sarturi, mestre em imunologia pela USP (Universidade de São Paulo): “As pessoas que tomam a vacina não terão carga viral devido ao imunizante. Isso acontece pela infecção” Segundo ela, ainda que infectados pela delta, vacinados apresentam mais mecanismos de defesa para prevenir a evolução da doença, como a resposta imunocelular, do que quem não se vacinou.

28/08/2021 –  Viva Bem UOL

Link: uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/08/28/consumo-excessivo-de-acucar-eleva-os-riscos-de-inflamacao-no-organismo.htm

Comer muito açúcar pode causar inflamação, que aumenta risco de doenças

O bem-estar físico está associado, em grande parte, ao que consumimos como alimento. O corpo humano demanda muita energia, que pode ser encontrada, principalmente, nos carboidratos, incluindo os açúcares, alimentos que trazem grande prazer e disposição ao organismo. Porém, se consumidos em excesso, acabam provocando efeito reverso, deixando o corpo mais pesado e cansado, e desencadeando processos inflamatórios prejudiciais ao organismo.

Um estudo publicado no periódico Nutrients em 2018 investigou se o consumo de açúcares contribui para o aumento dos processos inflamatórios e níveis de biomarcadores de inflamação. "Muito embora não foi possível determinar se a frutose/sacarose causou mais danos do que a glicose na dieta para promover a inflamação em estudos humanos, os autores discorrem, a partir da literatura publicada, alguns prováveis mecanismos relacionados ao consumo desses componentes com a inflamação", afirma a nutricionista Clarissa Hiwatashi Fujiwara.

A inflamação acontece em resposta a estímulos agressivos, causados por alimentos que alteram o metabolismo e aumentam a liberação de substâncias inflamatórias. Tratam-se de vários mecanismos bioquímicos, com alterações de microbiota e parede intestinal, levando ao aumento na liberação de citocinas (proteínas que regulam a resposta imunológica) inflamatórias. Há também redução da sensibilidade à insulina, que faz os níveis séricos aumentarem, além da elevação nos níveis de reserva de ferro e alterações nas funções de coagulação. "A esse estado damos o nome de inflamação subclínica ou de baixo grau, que aumenta os riscos de doenças metabólicas, cardiovasculares, degenerativas e neoplásicas", informa a nutróloga Marcella Garcez. "Normalmente assintomática, a inflamação crônica é capaz de gerar substâncias responsáveis pela deterioração de diversos tecidos do organismo", diz.

De fato, a inflamação crônica de baixo grau/subclínica (diferentemente da inflamação aguda) é um fator chave no estudo das doenças cardiovasculares e está relacionada a um maior risco de mortalidade. "Portanto, a identificação de fatores de risco modificáveis —como a alimentação — podem contribuir para a redução do risco dessas doenças", diz Fujiwara.

Entre os principais alimentos que contribuem para o desenvolvimento e a manutenção do estado inflamatório estão os açúcares, o consumo excessivo de carnes, principalmente as processadas, os alimentos industrializados ultraprocessados —que trazem grandes quantidades de açúcares —, sal, gorduras modificadas e substâncias químicas, as frituras de imersão, além dos refrigerantes e bebidas alcoólicas.

Todos os tipos de açúcar fazem mal em excesso? Não há como negar que o açúcar refinado é um dos principais vilões da saúde. Extremamente calórico, ele leva ao aumento do peso e à predisposição de eventos cardiovasculares. "Isso acontece por dois motivos: primeiro, pelo aumento da obesidade, que por si só é um processo inflamatório. Além disso, o açúcar aumenta a produção de ácidos graxos no fígado. O metabolismo dessas substâncias leva à criação de compostos químicos que induzem o processo inflamatório no corpo todo", destaca Airton Golbert, professor de endocrinologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

Os açúcares mais prejudiciais e que devem ser reduzidos ou evitados são aqueles encontrados em doces e guloseimas, mas também os embutidos em vários alimentos processados e ultraprocessados. Eles aparecem com vários nomes, como xarope de milho, dextrose, frutose, maltose, galactose, maltodextrina, sacarose, glicose, suco de cana evaporado, caramelo, xarope de alfarroba, xarope de arroz, melaço, néctar, xarope de agave, extrato de malte, manitol, amido, glucose de milho, açúcar invertido, lactose, xarope de glicose, xarope de malte, entre outros. Por isso, fique de olho no rótulo.

Segundo Fujiwara, o açúcar de mesa (sacarose) consiste em 50% de glicose e 50% de frutose (isso inclui não somente o açúcar refinado, mas açúcares menos processados, como mascavo e demerara). Já o xarope de milho, rico em frutose e utilizado pela indústria alimentícia, apresenta, em geral, cerca de 42 a 55% de frutose e o restante de glicose.

"Tanto a sacarose quanto o xarope de milho rico em frutose são os dois principais tipos de açúcares empregados na culinária e na indústria de doces, e que estão distribuídos em ampla gama de produtos industrializados, a exemplo de bebidas açucaradas, como refrigerantes, refresco e néctares de frutas e bebidas energéticas. Encontram-se presentes também em alimentos, como biscoitos, massas, cereais adoçados, balas, sorvete e molhos prontos como ketchup", aponta a nutricionista.

Se o açúcar industrializado é o grande vilão, os açúcares naturais também não ficam atrás. Garcez lembra que mascavo, demerara, agave, alfarroba, de coco e mel também são açúcares e, se consumidos em excesso, causam aumento dos perfis inflamatórios no organismo.

Qual o limite de consumo? Para uma dieta rica e saudável, não é preciso cortar de vez o açúcar, e, embora não existam limites rígidos estabelecidos, pode-se ingerir em torno de 55 a 60% de carboidratos no valor calórico da dieta, devendo a maior parte ser de carboidratos complexos, como amido e outros que existem nos cereais e farináceos.

A recomendação atual é de que o consumo de açúcares, adicionados a alimentos e bebidas, não ultrapasse 10% do total das calorias ingeridas diariamente. Além disso, maiores benefícios à saúde podem ser obtidos se o limite de consumo for reduzido para até 5% das calorias ingeridas. "Numa dieta de 2.000 kcal diárias, por exemplo, o limite de açúcar de 10% e 5% da ingestão, respectivamente representa 50 e 25 g, ou 10 e cinco colheres (de chá) de açúcar" assinala Fujiwara.

Uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2008-2009, estima que no Brasil o consumo de açúcar excessivo seja apresentado por cerca de 61,3% da população. Ou seja, de acordo com o limite máximo de consumo de açúcar estabelecido pela OMS (Organização Mundial de Saúde), especialmente advindos de bebidas adoçadas com açúcar.

Golbert, entretanto, lembra que o açúcar refinado e os doces feitos a partir dele não são alimentos necessários para o ser humano. "Podemos viver sem açúcar. Isso quer dizer que quando cortamos este alimento teremos uma melhora significativa na saúde, com perda de peso, melhores taxas metabólicas, diminuição de substâncias inflamatórias circulando pelo corpo. Junto com o açúcar, as carnes processadas nos embutidos, como linguiça, salsicha e salame, são alimentos que podem aumentar o colesterol e o risco cardiovascular. Portanto, devem ser consumidos com moderação", ressalta.

Como reduzir ou prevenir a inflamação O estado inflamatório de baixo grau geralmente não é percebido, mas pode ser diagnosticado por meio de exame clínico e laboratorial. "Se diagnosticada a inflamação subclínica (ou para preveni-la), o ideal é evitar o consumo de açúcares, gorduras modificadas, carnes processadas, frituras de imersão, ultraprocessados, refrigerantes e bebidas alcoólicas em excesso", orienta Garcez.

Uma dieta equilibrada, variada e o mais natural possível contribui com a redução de marcadores inflamatórios. Porém, existem inúmeros alimentos e ingredientes alimentares que apresentam funcionalidades anti-inflamatórias entre as suas propriedades e podem ser incluídos no hábito alimentar de todos, entre eles Garcez destaca:

  • Peixes de água fria ricos em ômega 3, como atum, sardinha, cavala e salmão;
  • Linhaça, chia, semente de abóbora ou gergelim;
  • Nozes, amêndoas e castanhas; Frutas frescas como as cítricas, abacate, frutas vermelhas, uva, tomate;
  • Alimentos probióticos, como os iogurtes enriquecidos, kombucha e kefir;
  • Verduras e legumes como brócolis, couve-flor, repolho, espinafre, alface, cenoura, cebola;
  • Azeite de oliva;
  • Ervas aromáticas, como orégano, tomilho, coentro, salsa, hortelã e alecrim;
  • Especiarias como açafrão, canela, alho, cravo, gengibre, páprica e pimentas

Até hoje a ciência já demonstrou que os alimentos ricos em polifenois (azeite de oliva, por exemplo) têm propriedades anti-inflamatórias. "É fato que existe uma série de alimentos que se propõem a também desempenhar esse papel, porém é importante que pesquisas sejam realizadas para comprovação da eficácia do efeito benéfico desses alimentos", adverte Golbert.

É importante frisar que a inflamação crônica subclínica é uma consequência de várias causas cotidianas às quais o organismo é exposto. Sem dúvida, os maus hábitos alimentares são a principal causa, mas estresse, poluentes e toxinas são fatores importantes.

27/08/2021 – GHZ

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/08/contrario-a-medicamentos-do-chamado-kit-covid-comite-cientifico-do-tce-emite-primeiro-parecer-cksupavfb006c0193taerswtx.html

Contrário a medicamentos do chamado “kit covid”, Comitê Científico do TCE emite primeiro parecer

A pedido da diretoria que coordena o trabalho dos auditores, grupo de pesquisadores elaborou documento a respeito de cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina e vitamina D

O Comitê Científico do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) emitiu seu primeiro parecer desde que foi instituído, em maio. A pedido da Direção de Controle e de Fiscalização, que coordena o trabalho dos auditores, o grupo se manifestou contrariamente sobre a eficácia e a efetividade de medicamentos do chamado "kit covid", suposto tratamento precoce contra a covid-19 — cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina e vitamina D —, “abordando questões relacionadas à mitigação dos efeitos causados pelo coronavírus e aos eventuais danos à saúde da população, especialmente quanto aos possíveis efeitos colaterais”, conforme a requisição.

Independente e de caráter consultivo, o comitê é formado por especialistas da área da saúde ligados a universidades gaúchas e tem como missão amparar com argumentos científicos a tomada de decisões em temas relacionados à pandemia. Há profissionais representando áreas como neurologia, odontologia, bioética, epidemiologia, química e farmácia. De acordo com o TCE-RS, trata-se de iniciativa inédita no Brasil, no âmbito dos tribunais de contas.

O documento deve subsidiar a instrução de processos relacionados à compra de medicamentos pelas administrações públicas. Desde o começo da crise sanitária, o TCE-RS monitora as aquisições em caráter emergencial referentes ao enfrentamento da doença, o que deverá ser discutido no conselho no momento de julgar as contas dos gestores. 

No parecer de 15 páginas, o Comitê Científico informou ter realizado busca direta na base de dados PubMed e consultado diretrizes dos principais organismos nacionais e internacionais que tratam da prevenção e do tratamento da covid-19. Como conclusão, os membros afirmaram que “há evidência de alta qualidade metodológica sustentando que o uso de cloroquina e hidroxicloroquina é ineficaz” para prevenir e tratar a infecção por coronavírus. “Pessoas expostas a esses medicamentos têm maior risco de efeitos adversos e alguns estudos sugerem até mesmo aumento da mortalidade, especialmente em pacientes hospitalizados e em uso de doses elevadas”, lê-se no texto. 

Quanto à ivermectina e à vitamina D, “não existem estudos de qualidade metodológica suficientes para afirmar ou negar a eficácia dessas intervenções na prevenção e no tratamento da covid-19”, destaca o relatório. “O uso clínico-assistencial desses dois medicamentos não se justifica, exceto em protocolos de pesquisas.”

Ao final, Artur Francisco Schumacher Schuh, Carlos Heitor Cunha Moreira, José Roberto Goldim, Lucia Campos Pellanda, Nádya Pesce da Silveira, Pedro Curi Hallal, Priscila de Arruda Trindade, Simone Dalla Pozza Mahmud e Thiago Machado Ardenghi ressaltam que o parecer foi elaborado com a finalidade de responder ao questionamento do TCE, não se referindo a prescrições individuais de médicos. Mas alerta: “As evidências atuais não justificam a utilização dos fármacos analisados em qualquer política pública ou protocolo assistencial para a covid-19”. 

Lucia, médica e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), detalhou, em entrevista a GZH, a diferença entre a prescrição individual e o uso de recursos para uma recomendação de saúde pública:

— Na prescrição individual, no encontro entre médico e paciente, o médico sempre vai fazer uma relação entre os riscos e os benefícios para cada situação. O médico nunca teve autonomia para prescrever algo sem evidências ou que pudesse ser prejudicial, mas a relação é diferente porque leva em conta vários fatores individuais e também os valores e as preferências do paciente. Mas quando é uma questão populacional, precisamos ter um nível de evidência muito maior. Com recursos escassos para a saúde, sempre que você aplicar em uma intervenção, vai estar deixando de aplicar em outra. Precisávamos de uma campanha de comunicação efetiva, um componente fundamental na gestão de uma pandemia para o engajamento da população. Medidas de prevenção são muito mais custo-efetivas do que insistir em um tratamento que não tinha absolutamente nenhuma evidência de que funcionasse.

Presidente do TCE-RS, Estilac Xavier se diz honrado com a participação voluntária de alguns dos nomes mais proeminentes da pesquisa no Rio Grande do Sul para nortear as decisões que demandarem conhecimento especializado em saúde.

— Em um tempo de negacionismo e obscurantismo, é preciso, mais do que nunca, valorizar a ciência na construção de políticas públicas exitosas — disse Xavier.

27/08/2021 – Diário Gaúcho

Link: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/08/em-apenas-um-mes-ambulatorio-pos-covid-19-do-iapi-dobra-atendimento-e-ganha-reforco-de-estagiarios-20642669.html

Em apenas um mês, ambulatório pós-covid-19 do IAPI dobra atendimento e ganha reforço de estagiários

Espaço criado para tratar os traumas deixados pela doença conta com fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo e, em setembro, deve oferecer fonoaudiólogo

Criado exclusivamente para tratar as sequelas da covid-19, demanda cada vez maior nos hospitais e unidades de saúde, o ambulatório de reabilitação do Centro de Saúde IAPI, na zona norte de Porto Alegre, dobrou o atendimento em apenas um mês e já conta com reforço de professores universitários e estagiários.

Quando foi inaugurado, ao lado do setor de fisioterapia, em julho deste ano, o ambulatório acolhia 10 pacientes por semana, atendidos pelos profissionais da casa. São enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionista e até psicólogo que tratam os traumas físicos e emocionais deixados pela doença. A agenda ficou mais cheia a partir de agosto. Agora, atende 20 pessoas por semana. No total, são 53 pacientes vinculados.

A ampliação só foi possível com o auxílio de estudantes e professores universitários. O ambulatório já inaugurou com parceria firmada com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Recentemente, também abriu as portas para receber sete estudantes de fisioterapia e enfermagem da Unisinos, que são guiados por um professor.

— Os profissionais da Unisinos já começaram com vários pacientes agendados, que estavam esperando esse atendimento. Com a vinda dos alunos, conseguimos acolher mais pacientes — conta a fisioterapeuta Aline Casaril, coordenadora do ambulatório.

Há dois lugares que atendem sequelas da covid-19 pela rede municipal de saúde da Capital e a porta de entrada são as unidades básicas. Se a pessoa apresenta um caso mais complexo, como problemas cardíacos, é encaminhada ao Hospital de Clínicas. Se for mais simples, pode seguir para o IAPI, onde a maioria chega reclamando de fadiga, que permanece após a doença.

— São pessoas que levantam da cadeira, caminham 20 metros e se cansam. Chegam no consultório já sem ar. Não conseguem fazer coisas básicas, precisam de ajuda para tomar banho ou até conseguem fazer sua higiene, mas não conseguem fazer comida, limpar a casa. Não têm fôlego — diz Aline.

Nessas situações, o paciente é encaminhado para a fisioterapia. Pode acontecer de apresentar outros problemas provocados pela covid-19, como perda de massa muscular ou mesmo aflições emocionais, atendimento integral que o ambulatório do IAPI busca suprir. Quem faz essa triagem é um profissional da enfermagem, que observa cada situação e faz os encaminhamentos.

Depois de ficar entubada por quase 20 dias por causa da covid-19, Solange Terezinha Fogaça, 57 anos, ficou com o lado direito do corpo afetado. Perdeu o movimento da perna e de dois dedos da mão. Passou a fazer fisioterapia no ambulatório do IAPI e recebeu até sessões de acupuntura, pelas mãos da própria Aline.

Ao contar aos profissionais sobre o que viveu na cama do hospital, a experiência do isolamento e a incerteza sobre a vida, Solange foi convidada a ter um encontro com a psicóloga. E gostou.

— Tem coisas que ficam, que a gente precisa conversar com alguém. A gente passa por um período difícil. Depois que tu sai do coma, que tu é desentubado, fica sozinho muito tempo dentro do hospital, precisando de familiar, e não podia por causa da covid... Tudo isso deixa traumas na gente — confessa.

Diante de um vírus que não dá sinais de ir embora, o ambulatório do IAPI vai ganhar mais um tipo de atendimento a partir de setembro — o de fonoaudiólogo — e não há qualquer previsão para encerrar o serviço especializado para quem sofreu com a covid-19.

— Não imagino que em menos de um ano a demanda de pacientes com sequelas pós-covid-19 diminua. Vai levar um bom tempo ainda — projeta Aline.

26/08/2021 – Matinal Jornalismo

Link: https://www.matinaljornalismo.com.br/rogerlerina/notas/nucleo-cultural-da-ufcspa-lanca-projeto-videopoesia/

Núcleo Cultural da UFCSPA lança projeto Videopoesia

Existem várias formas de mostrar e expressar a poesia. Videopoema, videoarte e poesia eletrônica são meios que permitem, cada vez mais, levar o texto poético a um número maior de pessoas. O Núcleo Cultural da UFCSPA criou o projeto Videopoesia com o intuito de estimular e divulgar a produção criativa.

O projeto chama o público para escolher sua poesia predileta, aquela escrita num momento de muita inspiração, ou selecionar uma do seu escritor favorito e transformar o poema em vídeo.

Cada participante pode se filmar declamando o poema ou gravar a declamação e, sobre sua voz, usar diferentes imagens. A intenção é dar espaço para a criatividade e possibilitar o florescimento de novas perspectivas, cenários, ângulos e olhares.

 Os vídeos serão divulgados no Instagram do Núcleo Cultural e, a partir de outubro, serão publicados no YouTube. As inscrições podem ser feitas por este link. O Núcleo Cultural produziu também um vídeo no YouTube com todas as orientações.

25/08/2021 – Diário Gaúcho

Link: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/08/perguntas-e-respostas-sobre-a-terceira-dose-da-vacina-contra-a-covid-19-20642584.html

“Perguntas e respostas sobre a terceira dose da vacina contra a covid-19

Ministério da Saúde afirma que vacinação de adolescentes sem comorbidades não será prejudica devido à expectativa de novas remessas nas próximas semanas

O Brasil vai aplicar a terceira dose de vacinas contra a covid-19 em idosos acima dos 70 anos e imunossuprimidos (pessoas com deficiência no sistema imunológico) a partir de 15 de setembro, anunciou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga nesta quarta-feira (25). Adotada em diferentes países, a medida buscará elevar a proteção desses brasileiros e evitar o avanço da variante Delta, altamente contagiosa.

Segundo Queiroga, até 10 de setembro todos os Estados terão recebido doses necessárias para vacinar brasileiros com 18 anos ou mais. Portanto, em 15 de setembro, já haverá tempo para começar a aplicação da terceira dose nos mais idosos e imunossuprimidos sem prejuízo à primeira dose da população adulta.

Ainda conforme o governo federal, a aplicação de reforço não vai prejudicar a vacinação de adolescentes. Veja perguntas e respostas sobre o tema:

Quando começará a aplicação?

Doses para o reforço serão distribuídas aos Estados a partir de 15 de setembro, portanto a aplicação deve começar logo em seguida. Alguns governos estaduais decidiram permitir antes, como Goiás, para idosos em asilos a partir da semana que vem, e São Paulo, para a população acima dos 70 anos a partir de 6 de setembro.

Quem poderá tomar o reforço?

Imunossuprimidos que tomaram duas doses há 28 dias e idosos a partir dos 70 anos que completaram o esquema vacinal há mais de seis meses. A convocação será gradual, dos mais velhos para os mais novos.

Quem são imunossuprimidos?

São pessoas cujo sistema imune tem problemas. O grupo envolve transplantados, indivíduos com HIV, pessoas com câncer que realizaram imunoterapia e quimioterapia nos últimos seis meses, brasileiros com neoplasias hematológicas, com doenças inflamatórias imunomediadas e mais imunodeficiências, segundo o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO).

Só quem tomou CoronaVac vai precisar de reforço?

Não. Todos os brasileiros acima dos 70 anos e imunossuprimidos precisarão tomar uma nova vacina, seja quem recebeu duas doses de CoronaVac, AstraZeneca e Pfizer ou quem tomou a dose única da Janssen.

A terceira dose vai ser com qual vacina?

Preferencialmente, com Pfizer, mas, na falta desse marca, também poderão ser usadas AstraZeneca e Janssen.

Por que a preferência será com Pfizer?

Pela logística: é a vacina que mais será recebida pelo governo federal. Das 358,2 milhões de doses a serem distribuídas entre agosto e dezembro, 170,8 milhões serão Pfizer. Além disso, o Ministério da Saúde afirma que a Pfizer é o imunizante que mais teve estudos apontando que o uso cruzado com outras marcas funciona bem.

Por que é preciso tomar a terceira dose? Duas doses são ineficazes?

Não. As vacinas funcionam contra a covid-19, mas estudos vêm sugerindo que, a partir de seis meses, a proteção é reduzida, sobretudo em idosos, cujo sistema imune é mais fraco. Pesquisas também indicam que uma terceira dose reforça as defesas do organismo.

Além disso, idosos possuem mais doenças crônicas, o que eleva o risco para casos graves de coronavírus. Os imunossuprimidos também têm resposta reduzida pelas deficiências no sistema imunológico. Por fim, pesa na decisão o aumento nas hospitalizações de idosos nas últimas semanas no Brasil.

Quantas pessoas há acima dos 70 anos e imunodeprimidos?

No Brasil, são 13.464.087 idosos acima dos 70 anos. No Rio Grande do Sul, são 976.956 gaúchos e, em Porto Alegre, 144.989. Os dados constam nos planos de vacinação de cada ente, com base nas estimativas para 2020 do DataSUS.

O Ministério da Saúde, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-RS) e a Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre não forneceram a GZH estimativa de quantos imunossuprimidos há em seus territórios.

Vai ter vacina para aplicar terceira dose?

O governo federal diz que sim. Tendo em vista as próximas remessas e a perspectiva de vacinar adultos acima dos 18 anos até metade de setembro, será possível avançar aos adolescentes no geral enquanto se aplica o reforço em idosos e a segunda dose em adultos, assegurou o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, nesta quarta-feira (25).

A pasta estima que 1,1 milhão de brasileiros receberiam o reforço em setembro, 7 milhões em outubro e 1,6 milhão em novembro. Além disso, estimativas do DataSUS apontam que há 30,6 milhões de brasileiros entre 10 e 19 anos – o Ministério da Saúde autorizou que adolescentes entre 12 e 18 anos recebam Pfizer.

Para dar conta da demanda, a previsão é de que o Ministério receba 68,8 milhões de doses em agosto - a maior parte, 37,5 milhões, será Pfizer, imunizante que o Ministério orienta para ser usado na terceira dose e o único liberado a adolescentes. Em setembro, serão mais 62,6 milhões.

Já entre outubro, novembro e dezembro, o governo federal prevê receber 226,7 milhões de doses - para além de 13,4 milhões de brasileiros acima dos 70 anos, há 16,7 milhões entre 60 e 69 anos, segundo o PNO.

Como fica a vacinação dos adolescentes sem comorbidades?

O Ministério da Saúde garantiu que, com a quantidade de doses a serem recebidas em agosto e nos próximos meses, será possível aplicar o reforço em idosos e imunossuprimidos enquanto se inicia a vacinação de adolescentes no geral. O governo destacou que os mais jovens devem ser vacinados após todos os adultos acima dos 18 anos terem recebido a primeira dose.

— Não vai atrapalhar a vacinação de adolescentes — afirmou a secretária Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde, Rosana Leite.

O Brasil vai aplicar a terceira dose em toda a população?

Não há nenhum anúncio, mas é possível. Em coletiva na tarde desta quarta-feira (25), a secretária extraordinária de enfrentamento à covid-19 do Ministério da Saúde, Rosana Leite de Melo, afirmou que os estudos atuais sustentam a necessidade de terceira dose na faixa etária escolhida pelo Ministério da Saúde.

Ao mesmo tempo, a secretária afirmou que, se saírem mais pesquisas indicando a terceira dose para brasileiros abaixo dos 70 anos, o governo federal pode permitir a medida para a população. Ela citou a expectativa pelo estudo conduzido pelo Ministério sobre a duração da proteção da CoronaVac e a intercambialidade com outros imunizantes.

Há países que estão revacinando toda a população por entender que três aplicações oferecem maior proteção contra a covid-19. Israel, mais avançado neste sentido, já oferece para pessoas acima dos 40 anos, grávidas, professores e profissionais de saúde com idade inferior.

— O que a gente tem nesse momento é um anúncio de algo que pode ser interessante para as pessoas. Há evidências favoráveis em termos individuais, inclusive em termos de combinação de vacinas — afirmou Cynthia Molina Bastos, diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde do Rio Grande do Sul, em entrevista à Rádio Gaúcha nesta quarta-feira.

E no Rio Grande do Sul?

GZH questionou a Secretaria de Estado da Saúde (SES-RS) quando começará a vacinação de adolescentes e se a terceira dose não atrapalhará a aplicação de segunda de adultos, mas não obteve resposta aos questionamentos. O Estado afirmou que “não recebeu orientação oficial sobre a terceira dose”.

Quais países já aplicam terceira dose?

Israel aplica a terceira dose para quem recebeu Pfizer e Moderna. Chile e Uruguai oferecem terceira aplicação de Pfizer para quem recebeu CoronaVac. Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Espanha, França e Rússia também já começaram ou começarão em setembro a aplicar a terceira dose na população.

É seguro aplicar a terceira dose?

Os estudos feitos até agora vêm apontando que é seguro aplicar a terceira dose. Imunologistas e médicos infectologistas destacam que o sistema imune está acostumado a lidar com diferentes estímulos no dia a dia, o que inclui vacinas.

Tomar a terceira dose protege mais?

Há cada vez mais estudos apontando que a terceira dose pode ser benéfica, sobretudo na geração de anticorpos. A terceira dose da vacina da Pfizer aumenta em até seis vezes o número dessa proteína de defesa entre idosos acima dos 60 anos e comparação a quem recebeu duas aplicações, mediu estudo de Israel, por exemplo.

O reforço, no entanto, ainda não é consenso. As principais críticas é que faltam pesquisas com mais voluntários e análises que comparem, fora de laboratório, se a proteção de terceira dose é maior do que com duas aplicações. Também não há muitos estudos mostrando que o aumento de anticorpos eleve a eficácia (em %) das vacinas.

Em Israel, saiu um dos poucos estudos mostrando que a terceira dose funciona na vida real, fora de análises em laboratório. No país, o reforço é aplicado em idosos acima dos 60 anos desde o fim de julho.

O Ministério da Saúde israelense divulgou no último domingo (22) que a terceira dose da Pfizer aumentou significativamente a proteção contra infecções e casos graves de covid-19 em idosos. Para essa população, a proteção contra infecções gerada 10 dias após a terceira dose foi quatro vezes maior do que após duas doses. Já a proteção contra casos graves e hospitalizações foi de cinco a seis vezes maior também 10 dias após a trceira dose.

A imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e colunista de GZH, é contra a aplicação de terceira dose porque diz não haver estudos provando a necessidade. Aliás, observa, pesquisas apontam que duas doses da Pfizer e da AstraZeneca seguem efetivas contra a Delta.

Uma nova injeção sempre estimula a produção de mais anticorpos, mas o contato com o vírus também estimula a produção de proteínas de defesa, diz Bonorino. No caso da CoronaVac, ela observa que eventual queda de anticorpos não deve afetar a proteção.

É seguro tomar vacinas diferentes?

Estudos vêm indicando que sim, ainda que parcela dos especialistas diga que seria importante haver mais pesquisas. A tese mais aceita entre médicos e imunologistas é de que imunizantes distintos ensinam o sistema imunológico a se defender de maneiras diferentes contra a covid-19, o que fortaleceria nossas defesas.

— Não existe evento adverso a mais, somente aquele associado à vacina tomada. Cada imunizante tem uma forma de estimular as defesas, então, do ponto de vista de anticorpo, é mais lógico estimular com uma vacina e depois com outra. Estudos de laboratório mostram que a intercambialidade entre AstraZeneca e Pfizer é, no mínimo, tão boa quanto duas delas. E o benefício de tomar CoronaVac e depois Pfizer ou AstraZeneca é superior a CoronaVac mais CoronaVac — diz o médico Eduardo Sprinz, chefe da Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).”

24/08/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/08/combinacao-de-vacinas-diferentes-ganha-terreno-em-meio-a-avanco-da-delta-e-confirmacao-de-terceira-dose-cksqmj08h00a701936kocke3i.html

“Combinação de vacinas diferentes ganha terreno em meio a avanço da Delta e confirmação de terceira dose

Já adotada em diferentes países, medida tem aprovação do Ministério da Saúde para gestantes e para a aplicação da dose de reforço

Implementada no Exterior para frear a covid-19, a vacinação feita com imunizantes diferentes vem se tornando cada vez mais alvo de discussões no Brasil. A medida, chamada de intercambialidade vacinal, ganha força em meio ao avanço da Delta - e está sendo estudada pelo Ministério da Saúde e pelo governo do Rio Grande do Sul.

O assunto voltou à discussão em um momento no qual a produção de AstraZeneca pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está abaixo do esperado e no qual cada vez mais estudos sugerem que todas as vacinas, meses após a segunda aplicação, reduzem a eficácia, o que indicaria necessidade de terceira dose e consequente maior demanda por imunizantes.

Entre os pontos positivos da intercambialidade, estão evitar o atraso da segunda dose, controlar o avanço da Delta e, conforme sugerem alguns estudos, estimular ainda mais a resposta do sistema imune contra o coronavírus. Contra, no entanto, está a falta de estudos com número maior de voluntários e mais análises comparando o uso cruzado com o uso normal.

Nesta quarta-feira (25), o Ministro da Saúde confirmou a aplicação de uma dose reforço para idosos com mais de 70 anos e imunossuprimidos (pessoas que têm o sistema imunológico comprometido).  A ação começa em 15 de setembro, preferencialmente, com uma dose da Pfizer, ou de maneira alternativa, com a vacina de vetor viral da Janssen ou da AstraZeneca, afirmou o MS.

No Brasil, a pasta também autorizou em julho o uso de duas vacinas diferentes apenas para poucas exceções. Grávidas que tomaram a primeira dose de AstraZeneca podem tomar a segunda de Pfizer. A opção também é oferecida aos raríssimos casos de pessoas que desenvolveram reação alérgica na primeira dose de algum imunizante.

Afora casos excepcionais, a orientação é seguir o Plano Nacional de Imunização (PNI) e completar o esquema com o mesmo imunizante, ainda que o Ministério permita outras decisões. "A recomendação da pasta é de que os entes federados sigam à risca as estratégias definidas em reunião entre representantes dos estados e municípios para que o esquema vacinal seja completo", diz a Saúde por e-mail.

A intercambialidade começa a ser adotada à revelia do que diz a União. O governo do Estado do Rio de Janeiro autorizou, na terça passada (17), que prefeituras apliquem a segunda dose da Pfizer para quem tomou a primeira dose de AstraZeneca se o município não possuir o produto da Fiocruz em estoque. Já na capital carioca, a prefeitura foi além e permitiu que qualquer pessoa que tomou a primeira dose de AstraZeneca receba a segunda aplicação da Pfizer.

A Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul (SES-RS) afirmou por e-mail que segue a recomendação do Ministério da Saúde, mas confirmou que avalia internamente o uso cruzado.

Neste momento, o Ministério da Saúde conduz um estudo para avaliar a duração da proteção da CoronaVac e a possibilidade de oferecer, a quem tomou duas doses dessa vacina, uma terceira aplicação da própria da CoronaVac ou da Pfizer, AstraZeneca e Janssen. Os resultados devem sair em novembro. O ministro Marcelo Queiroga declarou no dia 18 que a intercambialidade é possível, se a ciência atestar.

A medida é adotada em países com diferentes imunizantes. Nos Estados Unidos, quem tomou a primeira dose de Pfizer pode tomar a segunda de Moderna, e vice-versa. Nações como Reino Unido, França, Espanha, Canadá, Noruega e Alemanha oferecem, a quem tomou a primeira dose de AstraZeneca, a segunda de Pfizer. No Chile, a terceira aplicação de Pfizer é disponível a quem recebeu duas de CoronaVac, medida criticada por especialistas pela falta de evidências robustas.

Analistas destacam que há pesquisas sugerindo que o uso cruzado é positivo - a maior parte dos estudos foi feita no Exterior e envolveu AstraZeneca com Pfizer. No entanto, reconhecem que é preciso análises mais robustas, sobretudo com a CoronaVac.

Os estudos e o que está em debate

Os estudos apontam que a intercambialidade é segura. Uma pesquisa feita por cientistas da Universidade de Oxford e publicada na prestigiosa revista The Lancet mostrou que uma segunda dose de Pfizer depois da AstraZeneca teve, em intervalo de quatro semanas, mais resposta imune do que quem tomou apenas AstraZeneca. Houve mais casos de efeitos colaterais, como febre, mas nenhum grave e todos dissipados rapidamente.

Outro estudo, do Instituto de Saúde Carlos III, da Espanha, mostrou que a segunda dose de Pfizer após a AstraZeneca gerou de 30 a 40 vezes mais anticorpos do que uma segunda dose de AstraZeneca e provocou efeitos adversos dentro do esperado, que desapareceram de dois a três dias.

Não existe risco na intercambialidade, tranquiliza o médico Eduardo Sprinz, chefe da Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ele observa que, como cada vacina tem uma tecnologia e estimula o sistema imunológico de forma distinta contra a covid-19, o uso cruzado é boa opção para elevar nossas defesas.

— Não existe evento adverso a mais, somente aquele associado à vacina tomada. Cada imunizante tem uma forma de estimular as defesas, então, do ponto de vista de anticorpo, é mais lógico estimular com uma vacina e depois com outra. Estudos de laboratório mostram que a intercambialidade entre Astrazeneca e Pfizer é, no mínimo, tão boa quanto duas delas. E o benefício de tomar CoronaVac e depois Pfizer ou Astrazeneca é superior a CoronaVac mais CoronaVac — afirma Sprinz.

A imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e integrante do comitê científico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), é contra a intercambialidade porque diz não haver estudos de qualidade o suficiente embasando a decisão. Se houver comprovação de necessidade da terceira dose, ela defende que os brasileiros tomem duas doses de uma nova vacina, começando o esquema do zero.

— A decisão de dar uma dose de uma ou de outra vacina não é realmente baseada em dados clínicos, mas em possíveis correlatos de proteção (estimativa de quantidade mínima de anticorpos necessária para estar imunizado), que na verdade não são consensuais. Existe alguma base científica para a intercambialidade, afinal o alvo da resposta é o mesmo. Mas a gente não deveria fazer isso sem um estudo clínico. As pessoas têm que fazer pressão é para receber a segunda dose de sua vacina — diz a imunologista.

Para produtos há mais anos no mercado, a recomendação é completar o esquema vacinal com a mesma vacina. Se não houver disponibilidade ou não sabendo qual foi a vacina aplicada, está permitida a intercambialidade, pontua o médico Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Com base nos estudos já existentes, ele é favorável à intercambialidade entre AstraZeneca e Pfizer, e vice-versa. Entre CoronaVac e outros imunizantes, Cunha diz ser necessário aguardar novos estudos, como o conduzido pelo Ministério da Saúde. O uso cruzado de vacinas, diz, é inevitável, sobretudo em países mais pobres, onde há escassez.

— Tem-se observado uma menor resposta com idosos e uma proteção por menos tempo. Isso preocupa por causa da Delta. E não é uma preocupação porque a CoronaVac tenha um problema, já que Israel dá a terceira dose para quem recebeu Pfizer. A questão é que temos poucos produtores de vacinas e uma inequidade no mundo. A intercambialidade vai acontecer inevitavelmente, especialmente em países mais pobres com menor acesso. Isso facilita a logística e para não haver atraso da vacinação — afirma o presidente da SBIm.

A biomédica Mellanie Fontes-Dutra, integrante do Comitê Científico do governo do Estado, afirma que os dados atuais e o uso em outros países levam a crer que o uso cruzado seria positivo no Brasil.

— Há alguns estudos principalmente focando na intercambialidade de AstraZeneca e Pfizer. E alguns países aplicam segunda dose da Pfizer para quem recebeu AstraZeneca. É seguro e gera resposta imunológica significativa, mas não temos ainda dados sobre impacto na efetividade. Pode ser interessante não só como estratégia de estimular o sistema imunológico de diferentes formas, mas também na flexibilidade de dar a segunda dose no tempo adequado mesmo se faltar dose no regime homólogo (doses iguais) — diz Mellanie, também coordenadora da Rede Análise Covid-19.

O que dizem os produtores das vacinas

A Pfizer afirmou a GZH por e-mail que não comenta estudos de terceiros e que "a utilização e disponibilização da vacina no país segue sob os critérios de recomendação do Programa Nacional de Imunizações". O Instituto Butantan afirmou que não conduz estudo sobre intercambialidade da CoronaVac com outras vacinas.

A Fiocruz enviou nota por e-mail na qual afirma que a intercambialidade deve ser usada apenas em caso de emergência e que, "embora existam dados potencialmente importantes sobre o uso de sistemas heterólogos de vacinação, não existem dados ainda sobre a duração da resposta imune com o uso de duas vacinas diferentes". Diz ainda que dados de vida real mostram que a proteção da AstraZeneca dura mais do que a de outros imunizantes.

A Fiocruz também afirmou que o adiamento da segunda dose da AstraZeneca é benéfico - cita estudo publicado na revista The Lancet mostrando que "a primeira dose pode sustentar uma eficácia de 80% por até 10 meses até a segunda dose e que esse intervalo poderia conferir uma resposta imunológica ainda mais robusta após o esquema vacinal completo".”

23/08/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/08/terceira-dose-em-idosos-ou-vacinar-adolescentes-entenda-o-debate-que-divide-especialistas-e-governos-cksp6aj0v008x0193t4wgveyt.html

“Terceira dose em idosos ou vacinar adolescentes? Entenda o debate que divide especialistas e governos

Ministério da Saúde estuda reforço nos mais velhos para evitar hospitalizações e óbitos, enquanto cidade do Rio anunciou aplicação em setembro; RS diz aguardar decisão federal

Com o avanço da variante Delta da covid-19 no Brasil e o gradual aumento de hospitalizações em diferentes regiões, incluindo Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, uma nova discussão divide especialistas e governos: para conter a piora da epidemia, é melhor aplicar a terceira dose em idosos ou finalmente vacinar adolescentes? 

A eventual aplicação da terceira dose já era esperada por cientistas, mas o dilema surge em aplicá-la agora, com escassez no mercado - hoje, apenas adolescentes com comorbidades podem ser imunizados em alguns Estados. Em Porto Alegre, a campanha chegou à população com 18 anos nesta segunda-feira (23).

Não há consenso sobre a melhor saída - de quatro imunologistas e infectologistas ouvidos por GZH, dois são a favor da terceira dose em idosos e dois, contra neste momento. De modo geral, o argumento a favor de aplicação nos mais velhos é a expectativa de protegê-los contra o risco de morte. Contra, está a constatação de que faltam evidências robustas para a decisão, algo reconhecido por todos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) é contra a terceira dose para que ingredientes da indústria cheguem a países pobres onde sequer 2% dos habitantes foram imunizados. Mas o apelo vem sendo ignorado por alguns países, que passaram a aplicar a terceira dose em quem recebeu qualquer tipo de vacina.

Israel e Chile já adotaram a medida, países como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França e Alemanha anunciaram a terceira dose para setembro, assim como a prefeitura do Rio de Janeiro. O Estado de São Paulo também estuda aplicar terceira dose.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou na semana passada que a terceira dose deve ser aplicada no Brasil em idosos e imunodeprimidos (como transplantados ou pessoas com câncer), mas apenas após os maiores de 18 anos terem sido imunizados. Ele não especificou se o reforço ocorrerá para uma vacina específica.

Também na semana passada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou a terceira dose para idosos e imunodeprimidos vacinados com a CoronaVac. Estudo conduzido pelo médico Júlio Croda, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostrou que a proteção do imunizante é menor conforme mais velho o indivíduo - a eficácia contra infecções varia de 28% para idosos com mais de 80 anos a 61,8% para pessoas de 70 a 74 anos, patamar ainda acima da proteção oferecida pela vacina da gripe.

Já estudo da Universidade de Oxford mostrou que, três meses após a segunda dose, a eficácia da Pfizer caiu para 75% e da AstraZeneca, para 61%. A avaliação é de que, entre quatro e cinco meses depois da segunda dose, a proteção oferecida pelas duas vacinas será semelhante.

Ainda não há estudos cravando que a terceira dose de qualquer vacina eleve porcentagens de proteção, e sim que aumente, em laboratório, os anticorpos. A SinoVac divulgou estudo apontando que a terceira dose da CoronaVac de seis a oito meses após a segunda injeção pode aumentar em até sete vezes a taxa de anticorpos neutralizantes, responsáveis por bloquear a entrada do vírus nas células.

Ao mesmo tempo, as vacinas também estimulam uma segunda linha de defesa contra a covid-19, a produção de células T. Pesquisas mostram que anticorpos caem com o passar do tempo, mas as células T, também importantes na proteção, se mantêm.

A imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e colunista de GZH, é contra a aplicação de terceira dose porque diz não haver estudos provando a necessidade. Aliás, observa, pesquisas apontam que duas doses da Pfizer e da AstraZeneca seguem efetivas contra a Delta.

Uma nova injeção sempre estimula a produção de mais anticorpos, mas o contato com o vírus também estimula a produção de proteínas de defesa, diz Bonorino. No caso da CoronaVac, ela observa que eventual queda de anticorpos não deve afetar a proteção.

— Há dados claros mostrando que não precisa de terceira dose porque, ainda que a resposta com anticorpos fique menos eficaz, a resposta T, que também atua na defesa, não é afetada. A CoronaVac não protege com o estímulo de anticorpos, e sim com linfócitos T. O que o Chile está fazendo é sem nenhuma evidência. Não dá para dirigir um país no achômetro. Quanto mais pessoas não vacinadas, mais vão se contaminar e mais variantes vão surgir — afirma a imunologista.

O médico Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), defende que idosos sejam revacinados antes da primeira dose em adolescentes saudáveis porque os mais velhos correm mais risco de adoecer gravemente.

No entanto, diz que o número de doses a serem recebidas pelo Ministério da Saúde em setembro deve permitir ao menos a terceira dose para idosos acima de 90 anos, imunodeprimidos e adolescentes. O Ministério da Saúde prevê receber 62,6 milhões de doses em setembro, das quais 37,5 serão Pfizer.

Kfouri lembra que o governo federal precisará decidir entre aplicar a terceira dose da mesma vacina ou de outro imunizante. Como os mais velhos foram vacinados com CoronaVac e AstraZeneca, uma terceira dose das mesmas marcas implicaria sobra de Pfizer, a única disponível para adolescentes.

— O que temos lacuna de conhecimento é em relação a qual vacina dar para quem tomou AstraZeneca ou CoronaVac. O Chile decidiu dar Pfizer e bancou. Como vai ser aqui? De toda forma, não precisaremos fazer escolhas até o fim de setembro. Devem ter mais de 60 milhões de vacinas no mês que vem. Dá pra começar o reforço com os primeiros idosos vacinados, acima dos 90 anos. Depois que chegar mais vacina, vai baixando a idade — diz.

Exemplo de Israel

O ministério da Saúde de Israel anunciou neste domingo (22) estudo apontando que a terceira dose da Pfizer aumentou significativamente a proteção contra infecções e casos graves de covid-19 em idosos. A medida começou a ser aplicada em israelenses a partir de 60 anos em 30 de julho.

Para essa população, a proteção contra infecções gerada 10 dias após a terceira dose foi quatro vezes maior do que após duas doses. Já a proteção contra casos graves e hospitalizações foi de cinco a seis vezes maior também 10 dias após a terceira dose. Agora, a terceira dose também está sendo oferecida em Israel para pessoas com mais de 40, grávidas, professores e profissionais de saúde com idade inferior.

A imunologista Viviane Boaventura, pesquisadora da Fiocruz e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), defende aplicar a terceira dose em brasileiros acima dos 80 anos, depois vacinar pela primeira vez adolescentes saudáveis e só então retomar a terceira dose de idosos abaixo dos 80 anos.

— Vale priorizar a faixa etária acima de 80 anos frente a uma faixa etária de 12 anos. É preciso fazer a ponderação. A população mais velha, além da idade, tem comorbidades, então tem um risco de hospitalização muito maior do que jovens. Se temos uma chance de essa população estar novamente exposta, com a Delta, o risco é mais alto. A quantidade de idosos acima dos 80 anos é relativamente baixa — argumenta Boaventura.

O médico Alexandre Zavascki, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e chefe da Infectologia do Hospital Moinhos de Vento, tende a acreditar que o ideal é continuar a vacinação para tentar proteger o maior número de pessoas. Ele afirma que, a despeito de estudos em laboratório mostrarem que a terceira dose estimula o sistema imune, não se sabe se isso de fato se reverterá em redução de internações.

— Idosos estão indo mais para hospital porque há muita circulação de vírus. Mesmo que vacinas não impeçam completamente a circulação da Delta, elas diminuem. É uma decisão difícil. Se colocar entre dar a terceira para idosos e completar a segunda dose em adultos, a prioridade é completar a segunda em adultos, porque o esquema vacinal é de duas doses. A proteção com uma dose é bastante inferior, sobretudo para a variante Delta — afirma.

O que dizem governos

O Ministério da Saúde afirmou por e-mail que realiza estudo para avaliar a necessidade de terceira dose da vacina contra covid-19, sem afirmar se a oferta seria para imunizados com AstraZeneca, CoronaVac, Janssen ou Pfizer.

"A recomendação da pasta é de que os entes federados sigam à risca as estratégias definidas em reunião entre representantes dos estados e municípios para que o esquema vacinal seja completo", diz a nota.

GZH questionou quando a Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul (SES-RS) começará a vacinar adolescentes no geral. A pasta afirmou que o Ministério da Saúde não deu o aval para fazê-lo e que aguarda instruções e doses para incluir o grupo na campanha.

O Estado também ressalta que, segundo a OMS, "não há justificativa plausível em termos internacionais para priorizar terceira dose enquanto a maior parte da população mundial não estiver vacinada com duas doses".

A SES-RS diz ainda que "ações como terceira dose e diminuição do tempo de aplicação da segunda dose em detrimento de ampliação da primeira dose são movimentos que favorecem de forma natural novas variantes e a perpetuação" da epidemia. "Nesse sentido, o Estado segue as orientações do Ministério da Saúde, que tem competência para essa decisão e espaço, inclusive, para dialogar com outros países", finaliza a nota.”

20/08/2021 – UOL Confere

Link: https://noticias.uol.com.br/comprova/ultimas-noticias/2021/08/20/medico-engana-ao-dizer-que-vacinas-enlouquecem-sistema-imunologico.htm

"Médico engana ao dizer que vacinas 'enlouquecem' sistema imunológico

São enganosas as alegações do médico norte-americano Dan Stock de que vacinas de covid-19 confundem o sistema imunológico de pessoas imunizadas e as tornam suscetíveis a quadros mais severos da doença, em comparação com a infecção natural. Uma postagem que divulga o discurso do médico em audiência, na cidade de Fortville, Indiana, foi compartilhada mais de 10 mil vezes no Twitter. A plataforma adicionou um aviso ao conteúdo para alertar que o material é enganoso.

No vídeo, Stock cita um fenômeno conhecido, em inglês, como Antibody-Dependent Enhancement (ADE) que, segundo ele, agravaria casos de covid entre vacinados e poderia estar relacionado ao surto recente de casos da doença nos Estados Unidos. O país aplica os imunizantes da Pfizer/BioNtech (Comirnaty), Moderna e Janssen. Não há evidências, entretanto, que essa condição esteja associada com a doença, tampouco com as vacinas.

O médico ainda tira de contexto um estudo do Centro de Prevenção e Controle de Doenças Infecciosas (CDC) dos Estados Unidos que aponta a incidência de sintomas de covid em pessoas vacinadas em Barnstable, Massachusetts. O próprio estudo afirma que a pesquisa não deve sustentar conclusões sobre a efetividade das vacinas.

O vídeo também espalha desinformação ao sugerir que máscaras faciais são ineficazes para coibir a transmissão do novo coronavírus. As melhores evidências científicas indicam que a proteção é essencial para diminuir a exposição à doença. Por fim, Stock faz propaganda de um tratamento sem comprovação científica.

O Comprova considera enganosas as publicações cujos conteúdos confundem ou usam dados imprecisos, como faz Stock ao distorcer informações de estudos para atacar vacinas.

Como verificamos?

Para investigar o conteúdo, o Comprova apurou primeiramente a ocasião em que o discurso do médico foi gravado. A reportagem identificou que as alegações de Dan Stock ocorreram em 6 de agosto de 2021, durante uma audiência na Mount Vernon School Corporation, uma associação escolar que agrega instituições de ensino voltadas a crianças e adolescentes.

O passo seguinte foi investigar quem era o autor do discurso enganoso. O Comprova identificou que Dan Stock é um médico da família que diz praticar "medicina funcional". Trata-se de um modelo alternativo baseado em uma visão holística dos sistemas biológicos do corpo humano e na individualidade do paciente. Stock é proprietário de uma loja de suplementos.

Ao buscar pelo vídeo e o nome de Dan Stock no Google, o Comprova encontrou uma série de verificações de veículos estrangeiros (1, 2, 3, 4). Segundo uma verificação do site americano Politifact, o médico indicou por correio de voz que os documentos por ele apresentados aos diretores da associação escolar foram publicados em um blog conservador.

O Comprova analisou os 22 artigos listados no site e identificou estudos retratados por inconsistências técnicas, análises não científicas e até trabalhos que contradizem os próprios apontamentos do médico na audiência. Também consultamos o epidemiologista formado pela Universidade de São Paulo (USP) Julio Ponce, bem como a imunologista da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Cristina Bonorino para analisar as alegações de Stock na reunião.

A reportagem ainda recorreu a fontes documentais, como um editorial da revista Science que minimiza o risco de ADE em vacinas de covid, orientações do CDC e da Organização Mundial da Saúde (OMS) acerca de vacinas, bem como o painel de evidências de tratamentos para covid-19 dos Institutos Nacionais de Saúde americanos (NIH).

Contatamos o médico Dan Stock por um e-mail disponibilizado em seu perfil no Linkedin, mas não obtivemos resposta até o fechamento desta reportagem.

Verificação

  • Não há evidências de que vacinas causam ADE

Ao contrário do que sugere Stock, não há evidências de que vacinas de covid-19 favorecem uma exacerbação da doença mediada por anticorpos. Essa condição, mais conhecida na língua inglesa como Antibody-Dependent Enhancement, descreve um fenômeno em que anticorpos gerados anteriormente por uma infecção natural ou induzidos por vacinas não conseguem neutralizar o vírus em uma nova infecção, e podem facilitar o ataque do patógeno às células do hospedeiro.

Durante seu discurso, o médico sugere que o fenômeno poderia estar associado com aumentos recentes nos números de casos em algumas regiões dos Estados Unidos. Stock cita que foram observados sinais de ADE em estudos com animais durante o desenvolvimento de vacinas contra a Sars, outro coronavírus que foi pivô de uma epidemia em 2003, na China. De fato, a possibilidade de ocorrência dessa condição foi uma preocupação de cientistas no desenvolvimento de vacinas contra a covid, mas nem os estudos pré-clínicos com animais nem ensaios em humanos identificaram evidências do fenômeno, ressalta um editorial da revista Science sobre o assunto, publicado em fevereiro deste ano.

O artigo evidencia ainda que a hipótese levou cientistas a adotarem estratégias para minimizar os riscos de ADE no desenvolvimento das vacinas contra a covid.Também não há evidências de que novas variantes possam desencadear a condição, tampouco o monitoramento de efeitos adversos realizado por agências sanitárias indicou qualquer sinal do problema.

Outra evidência que torna a hipótese improvável é que experimentos com tratamentos baseados em plasma convalescente (com anticorpos contra covid-19) não provocaram exacerbação da doença em voluntários. Até o momento, as evidências da vacinação no 'mundo real' mostram que os imunizantes são eficazes em prevenir formas graves da doença. Cerca de 99% das mortes e hospitalizações por covid-19, nos Estados Unidos, ocorrem em pessoas não imunizadas.

Vale ressaltar que o compilado de evidências citado por Stock não contém nenhum estudo que prove a ocorrência de exacerbação de covid mediada por anticorpos. Uma das pesquisas analisou casos de covid em profissionais de saúde vacinados e apontou que a maioria teve sintomas leves ou quadros assintomáticos.

  • Aumento de casos não é consequência da vacina

Para atacar a vacinação, o médico cita que em Barnstable, cidade de aproximadamente 44 mil habitantes em Massachusetts, 75% dos novos casos de covid-19 ocorreram em pessoas vacinadas. A informação foi retirada de um estudo do CDC, divulgado no final de julho, que avaliou 469 ocorrências da doença na cidade americana.

Os autores da pesquisa, no entanto, destacam no próprio relatório que o levantamento é insuficiente para fornecer conclusões sobre a eficácia das vacinas de covid, incluindo a variante delta, que atualmente corresponde à cepa predominante no país.

"À medida que a cobertura vacinal a nível populacional aumenta, é esperado que as pessoas vacinadas representem uma proporção maior de casos de covid-19. Em segundo lugar, infecções assintomáticas podem estar subrepresentadas por causa do viés de detecção", explicam os autores no texto.

Entre as pessoas completamente vacinadas, apenas quatro tiveram que ser hospitalizadas e nenhuma morte foi registrada. O estudo ainda afirma que a "vacinação é a estratégia mais importante para prevenir casos graves e óbitos" e recomenda a expansão de estratégias não farmacológicas, como o uso de máscaras em locais fechados, independentemente do grau de vacinação do indivíduo.

Como já explicou o Comprova, os imunizantes já aprovados por agências de saúde nos Estados Unidos e no Brasil foram desenvolvidos para prevenir casos sintomáticos da doença. Nenhuma vacina elimina totalmente o risco de contrair covid, embora reduzam significativamente as chances do paciente desenvolver formas graves. Segundo o CDC, as vacinas também reduzem o risco de pessoas espalharem o novo coronavírus para outras, mas não excluem completamente essa possibilidade.

O doutor em epidemiologia da Universidade de São Paulo (USP) Julio Ponce lembra que os recentes aumentos de hospitalizações por covid nos EUA estão associados a pessoas não vacinadas. "Mesmo que consideremos que alguns vacinados peguem a doença, eles têm um risco diminuído de agravamento. Em Indiana, onde o vídeo foi gravado, 96% dos novos casos são de pessoas que não se vacinaram", afirma.

  • Alerta especial para variante delta

O CDC alerta, entretanto, para casos raros em que vacinados são infectados pela variante delta. Apesar das vacinas serem "altamente eficazes" em evitar o agravamento de infecções desta cepa do novo coronavírus, diferentemente de outras variantes, a delta parece produzir quantidades similares de vírus tanto em pessoas não vacinadas quanto em pessoas totalmente vacinadas.

Por outro lado, a carga viral produzida pelas infecções da variante delta em pessoas totalmente imunizadas diminui mais rapidamente do que as infecções naqueles que não tomaram esquema vacinal completo. "Isto significa que as pessoas totalmente vacinadas [transmitem o vírus] por menos tempo do que as pessoas não vacinadas.", afirma o CDC.

  • Melhores evidências indicam que uso de máscaras é eficaz

Stock acerta ao afirmar que o novo coronavírus é propagado por meio de pequenas gotículas chamadas aerossóis. Ele desinforma, no entanto, ao sugerir que devido ao tamanho das partículas, o uso de máscaras não seria eficaz para coibir a transmissão da covid-19. Embora parte dos aerossóis possam escapar das máscaras, o equipamento ainda é essencial para controlar a pandemia.

Segundo o epidemiologista Julio Ponce, trabalhos científicos mostram que o uso da máscara promove uma redução bastante sensível de infectados em contexto de surtos de coronavírus. Ele cita um artigo publicado na conceituada revista de medicina JAMA, o qual afirma que antes da pandemia de covid, o uso comunitário de máscaras para reduzir a transmissão de vírus respiratórios era controverso devido a falta de evidências relevantes sobre a prática.

Ao longo da crise sanitária, entretanto, as evidências científicas cresceram. O artigo pontua que em trabalhos recentes, máscaras de pano de várias camadas bloquearam de 50% até 70% das gotículas pequenas exaladas por uma pessoa infectada. O relatório explica que as máscaras ainda servem como uma barreira contra as gotículas maiores.

O compilado de documentos de Stock contra o uso de máscaras reúne desde análises informais de postagens em blogs, estudos retratados por inconsistências técnicas (1, 2), trabalhos não conclusivos sobre a eficácia da medida (1), até mesmo pesquisas que, na verdade, sugerem benefícios das máscaras. É o caso, por exemplo, deste artigo que conclui que a análise mostra evidências de que estados americanos com regras para uso da proteção registraram uma maior queda nas taxas de diárias de covid, em comparação a outros que não adotaram a medida.

"O que pode ser colocado em contexto é que há máscaras que protegem mais do que outras. Os estudos que o médico menciona parecem ser aqueles feitos com máscaras cirúrgicas, que são adequadas para limitar a projeção de gotículas e aerossóis de quem as usa, mas não são tão eficazes para proteger de aerossóis possivelmente contaminados no ambiente", afirma Ponce.

O especialista pontua que, por esse motivo, máscaras PFF2/N95 são mais recomendadas para locais de alta exposição, uma vez que os equipamentos são capazes de filtrar até 95% de partículas pequenas.

  • Vacinas são importantes mesmo para recuperados da covid

Outra informação enganosa do vídeo corresponde à alegação de Stock de que as vacinas de covid não promovem benefícios a quem já se recuperou da doença.

De acordo com o CDC, pesquisadores ainda não estabeleceram por quanto tempo dura a imunidade conferida pela infecção natural ou pelas vacinas. Por outro lado, a agência diz que estudos indicam que os imunizantes podem aprimorar a proteção de pessoas que já se recuperaram da infecção.

Já a OMS afirma que a "maioria das pessoas infectadas com Sars-CoV-2 desenvolvem uma resposta imune nas primeiras semanas, mas ainda estamos aprendendo o quão forte e duradoura é essa resposta imune, e como ela varia entre diferentes pessoas, acrescentando que "mesmo que você tenha tido uma infecção anterior, a vacina age como um reforço que fortalece a resposta imune."

Em entrevista ao Comprova, a professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre Cristina Bonorino explica que, no caso da infecção natural, o microorganismo evolui para escapar das respostas imunes do hospedeiro, e por isso nem sempre a imunidade deixada após a infecção é eficaz e duradoura.

"As vacinas, por outro lado, focam em estimular mecanismos importantes para controlar a multiplicação do microorganismo no indivíduo, sem a desvantagem do que acontece na infecção natural. Vacinas, portanto, geram respostas mais eficazes que a infecção natural", comenta a especialista.

A Agência Lupa fez uma verificação de boato semelhante

  • Tratamento divulgado pelo médico não tem comprovação científica

No vídeo, o médico faz propaganda de substâncias sem benefícios comprovados contra a covid-19 ao citar que tratou 15 pacientes com um protocolo de ivermectina, zinco e vitamina D. O relato de Stock, entretanto, não configura evidência de que o tratamento funcione.

Como já explicou o Comprova em outras verificações, para atestar a eficácia de um medicamento contra a covid, são necessários múltiplos ensaios clínicos randomizados com estrutura adequada e número extenso de participantes. O Painel de Diretrizes de Tratamentos para Covid, dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH), afirma que não há dados suficientes para recomendar a favor ou contra o uso da ivermectina para o tratamento da doença.

"São necessários resultados de ensaios clínicos adequadamente desenvolvidos, bem concebidos e bem conduzidos para fornecer orientações mais específicas e baseadas em evidências sobre o papel da ivermectina no tratamento da covid-19", diz o documento

No compilado de documentos de Stock constam estudos que sugerem potenciais benefícios da vitamina D no tratamento da covid-19. As diretrizes do NIH, entretanto, informam que também faltam mais dados para recomendar contra ou a favor do uso da suplementação da substância como terapia contra o novo coronavírus.

O órgão emitiu a mesma recomendação para o uso do Zinco, porém, o painel alerta contra a suplementação acima dos níveis de dieta recomendados, uma vez que o consumo excessivo da substância pode ocasionar deficiência de cobre no sangue e outras doenças.

  • Quem é Stock

Daniel "Dan" Stock se define no Linkedin como um médico de família experiente e com formação em medicina funcional, um ramo alternativo cujos métodos não têm comprovação científica. De acordo com a rede social, ele se formou na Indiana University School of Medicine em 1988.

Segundo o breve perfil de Dan Stock no Top NPI, um site pensado para auxiliar moradores dos Estados Unidos a encontrarem médicos próximos de onde moram, o profissional tem 33 anos de experiência na medicina e é licenciado para exercer a profissão pelo conselho estadual de Indiana.

Após falar ao conselho escolar da Mount Vernon School Corporation, no condado de Hancock, em Indiana, Stock publicou um texto no Linkedin para agradecer o "apoio esmagador de todos". O teor da mensagem sugere que as medidas adotadas no contexto do enfrentamento à covid-19 são atentatórias às liberdades individuais.

"Por favor, rezem por mim, por nossa própria liberdade que nosso próprio governo federal ameaça, mas como vocês, chamem vocês legisladores estaduais e locais e exijam que eles não sirvam aos especialistas selecionados pelos lobistas federais, mas a você", ele escreveu.

O Projeto Comprova enviou questionamentos ao profissional no endereço de e-mail disponibilizado por ele no Linkedin, mas não obteve retorno até a publicação desta checagem.

Por que investigamos?

Em sua quarta fase, o Comprova checa conteúdos suspeitos sobre o governo federal, eleições ou a pandemia que tenham atingido alto grau de viralização. A postagem verificada nesta matéria alcançou mais de 10 mil visualizações no Twitter. Segundo agências de checagem estrangeiras, o mesmo discurso enganoso de Dan Stock atingiu milhões de usuários em outros países.

As alegações do médico são perigosas ao espalhar informações falsas para atacar medidas essenciais para o combate à pandemia, como o uso de máscaras e a vacinação em massa. Essas práticas são recomendadas e defendidas pelas principais agências de saúde no Brasil e no exterior e têm respaldo em evidências científicas relevantes.

O mesmo conteúdo foi verificado por uma série de veículos estrangeiros, incluindo Politifact, Associated Press, Agência Reuters e Verify This. Conteúdos semelhantes já foram desmentidos por veículos brasileiros, como o Estadão Verifica, Aos Fatos e Agência Lupa.

O Comprova também já verificou outras afirmações equivocadas sobre a imunização em massa contra a covid. Um boato recente afirmava enganosamente que não há lógica por trás da vacinação para conter a pandemia. Outro conteúdo tirou de contexto uma entrevista de uma autoridade de saúde americana na tentativa de desqualificar a segurança dos imunizantes usados no país. Uma terceira postagem distorcia dados de efeitos adversos da vacina da Pfizer em adolescentes.

Enganoso, para o Comprova, são conteúdos retirados do contexto original e usados em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Este conteúdo foi investigado por O Estado de S. Paulo e O Povo, e verificado por Correio de Carajás, piauí, Folha, Correio Braziliense, GaúchaZH e Jornal Correio. A checagem foi publicada pelo projeto Comprova no dia 19 de agosto de 2021."

19/08/2021 – Estado de Minas Internacional

Link: https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2021/08/19/interna_internacional,1297585/medico-americano-engana-ao-dizer-que-vacinas-agravam-a-covid-19.shtml

"Médico americano engana ao dizer que vacinas agravam a COVID-19

O discurso do médico Dan Stock, propagado em publicação viral no Twitter, é enganoso ao associar vacinas ao aumento no números de casos nos Estados Unidos

São enganosas as alegações do médico norte-americano Dan Stock de que vacinas de covid-19 confundem o sistema imunológico de pessoas imunizadas e as tornam suscetíveis a quadros mais severos da doença, em comparação com a infecção natural. Uma postagem que divulga o discurso do médico em audiência, na cidade de Fortville, Indiana, foi compartilhada mais de 10 mil vezes no Twitter. A plataforma adicionou um aviso ao conteúdo para alertar que o material é enganoso.

No vídeo, Stock cita um fenômeno conhecido, em inglês, como Antibody-Dependent Enhancement (ADE) que, segundo ele, agravaria casos de covid entre vacinados e poderia estar relacionado ao surto recente de casos da doença nos Estados Unidos. O país aplica os imunizantes da Pfizer/BioNtech (Comirnaty), Moderna e Janssen. Não há evidências, entretanto, que essa condição esteja associada com a doença, tampouco com as vacinas.

O médico ainda tira de contexto um estudo do Centro de Prevenção e Controle de Doenças Infecciosas (CDC) dos Estados Unidos que aponta a incidência de sintomas de covid em pessoas vacinadas em Barnstable, Massachusetts. O próprio estudo afirma que a pesquisa não deve sustentar conclusões sobre a efetividade das vacinas.

O vídeo também espalha desinformação ao sugerir que máscaras faciais são ineficazes para coibir a transmissão do novo coronavírus. As melhores evidências científicas indicam que a proteção é essencial para diminuir a exposição à doença. Por fim, Stock faz propaganda de um tratamento sem comprovação científica.

O Comprova considera enganosas as publicações cujos conteúdos confundem ou usam dados imprecisos, como faz Stock ao distorcer informações de estudos para atacar vacinas.

Como verificamos?

Para investigar o conteúdo, o Comprova apurou primeiramente a ocasião em que o discurso do médico foi gravado. A reportagem identificou que as alegações de Dan Stock ocorreram em 6 de agosto de 2021, durante uma audiência na Mount Vernon School Corporation, uma associação escolar que agrega instituições de ensino voltadas a crianças e adolescentes.

O passo seguinte foi investigar quem era o autor do discurso enganoso. O Comprova identificou que Dan Stock é um médico da família que diz praticar "medicina funcional". Trata-se de um modelo alternativo baseado em uma visão holística dos sistemas biológicos do corpo humano e na individualidade do paciente. Stock é proprietário de uma loja de suplementos.

Ao buscar pelo vídeo e o nome de Dan Stock no Google, o Comprova encontrou uma série de verificações de veículos estrangeiros (1, 2, 3, 4). Segundo uma verificação do site americano Politifact, o médico indicou por correio de voz que os documentos por ele apresentados aos diretores da associação escolar foram publicados em um blog conservador.

O Comprova analisou os 22 artigos listados no site e identificou estudos retratados por inconsistências técnicas, análises não científicas e até trabalhos que contradizem os próprios apontamentos do médico na audiência. Também consultamos o epidemiologista da Universidade de São Paulo (USP) Julio Ponce, bem como a imunologista da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Cristina Bonorino para analisar as alegações de Stock na reunião.

A reportagem ainda recorreu a fontes documentais, como um editorial da revista Science que minimiza o risco de ADE em vacinas de covid, orientações do CDC e da Organização Mundial da Saúde (OMS) acerca de vacinas, bem como o painel de evidências de tratamentos para covid-19 dos Institutos Nacionais de Saúde americanos (NIH).

Contatamos o médico Dan Stock por um e-mail disponibilizado em seu perfil no Linkedin, mas não obtivemos resposta até o fechamento desta reportagem.

Não há evidências de que vacinas causam ADE

Ao contrário do que sugere Stock, não há evidências de que vacinas de covid-19 favorecem uma exacerbação da doença mediada por anticorpos. Essa condição, mais conhecida na língua inglesa como Antibody-Dependent Enhancement, descreve um fenômeno em que anticorpos gerados anteriormente por uma infecção natural ou induzidos por vacinas não conseguem neutralizar o vírus em uma nova infecção, e podem facilitar o ataque do patógeno às células do hospedeiro.

Durante seu discurso, o médico sugere que o fenômeno poderia estar associado com aumentos recentes nos números de casos em algumas regiões dos Estados Unidos. Stock cita que foram observados sinais de ADE em estudos com animais durante o desenvolvimento de vacinas contra a Sars, outro coronavírus que foi pivô de uma epidemia em 2003, na China. De fato, a possibilidade de ocorrência dessa condição foi uma preocupação de cientistas no desenvolvimento de vacinas contra a covid, mas nem os estudos pré-clínicos com animais nem ensaios em humanos identificaram evidências do fenômeno, ressalta um editorial da revista Science sobre o assunto, publicado em fevereiro deste ano.

O artigo evidencia ainda que a hipótese levou cientistas a adotarem estratégias para minimizar os riscos de ADE no desenvolvimento das vacinas contra a covid.Também não há evidências de que novas variantes possam desencadear a condição, tampouco o monitoramento de efeitos adversos realizado por agências sanitárias indicou qualquer sinal do problema.

Outra evidência que torna a hipótese improvável é que experimentos com tratamentos baseados em plasma convalescente (com anticorpos contra covid-19) não provocaram exacerbação da doença em voluntários. Até o momento, as evidências da vacinação no 'mundo real' mostram que os imunizantes são eficazes em prevenir formas graves da doença. Cerca de 99% das mortes e hospitalizações por covid-19, nos Estados Unidos, ocorrem em pessoas não imunizadas.

Vale ressaltar que o compilado de evidências citado por Stock não contém nenhum estudo que prove a ocorrência de exacerbação de covid mediada por anticorpos. Uma das pesquisas analisou casos de covid em profissionais de saúde vacinados e apontou que a maioria teve sintomas leves ou quadros assintomáticos.

Aumento de casos não é consequência da vacina

Para atacar a vacinação, o médico cita que em Barnstable, cidade de aproximadamente 44 mil habitantes em Massachusetts, 75% dos novos casos de covid-19 ocorreram em pessoas vacinadas. A informação foi retirada de um estudo do CDC, divulgado no final de julho, que avaliou 469 ocorrências da doença na cidade americana.

Os autores da pesquisa, no entanto, destacam no próprio relatório que o levantamento é insuficiente para fornecer conclusões sobre a eficácia das vacinas de covid, incluindo a variante delta, que atualmente corresponde à cepa predominante no país.

"À medida que a cobertura vacinal a nível populacional aumenta, é esperado que as pessoas vacinadas representem uma proporção maior de casos de covid-19. Em segundo lugar, infecções assintomáticas podem estar subrepresentadas por causa do viés de detecção", explicam os autores no texto.

Entre as pessoas completamente vacinadas, apenas quatro tiveram que ser hospitalizadas e nenhuma morte foi registrada. O estudo ainda afirma que a "vacinação é a estratégia mais importante para prevenir casos graves e óbitos" e recomenda a expansão de estratégias não farmacológicas, como o uso de máscaras em locais fechados, independentemente do grau de vacinação do indivíduo.

Como já explicou o Comprova, os imunizantes já aprovados por agências de saúde nos Estados Unidos e no Brasil foram desenvolvidos para prevenir casos sintomáticos da doença. Nenhuma vacina elimina totalmente o risco de contrair covid, embora reduzam significativamente as chances do paciente desenvolver formas graves. Segundo o CDC, as vacinas também reduzem o risco de pessoas espalharem o novo coronavírus para outras, mas não excluem completamente essa possibilidade.

O doutor em epidemiologia da Universidade de São Paulo (USP) Julio Ponce lembra que os recentes aumentos de hospitalizações por covid nos EUA estão associados a pessoas não vacinadas. "Mesmo que consideremos que alguns vacinados peguem a doença, eles têm um risco diminuído de agravamento. Em Indiana, onde o vídeo foi gravado, 96% dos novos casos são de pessoas que não se vacinaram", afirma.

Alerta especial para variante delta

O CDC alerta, entretanto, para casos raros em que vacinados são infectados pela variante delta. Apesar das vacinas serem "altamente eficazes" em evitar o agravamento de infecções desta cepa do novo coronavírus, diferentemente de outras variantes, a delta parece produzir quantidades similares de vírus tanto em pessoas não vacinadas quanto em pessoas totalmente vacinadas.

Por outro lado, a carga viral produzida pelas infecções da variante delta em pessoas totalmente imunizadas diminui mais rapidamente do que as infecções naqueles que não tomaram esquema vacinal completo. "Isto significa que as pessoas totalmente vacinadas [transmitem o vírus] por menos tempo do que as pessoas não vacinadas.", afirma o CDC.

Melhores evidências indicam que uso de máscaras é eficaz

Stock acerta ao afirmar que o novo coronavírus é propagado por meio de pequenas gotículas chamadas aerossóis. Ele desinforma, no entanto, ao sugerir que devido ao tamanho das partículas, o uso de máscaras não seria eficaz para coibir a transmissão da covid-19. Embora parte dos aerossóis possam escapar das máscaras, o equipamento ainda é essencial para controlar a pandemia.

Segundo o epidemiologista Julio Ponce, trabalhos científicos mostram que o uso da máscara promove uma redução bastante sensível de infectados em contexto de surtos de coronavírus. Ele cita um artigo publicado na conceituada revista de medicina JAMA, o qual afirma que antes da pandemia de covid, o uso comunitário de máscaras para reduzir a transmissão de vírus respiratórios era controverso devido a falta de evidências relevantes sobre a prática.

Ao longo da crise sanitária, entretanto, as evidências científicas cresceram. O artigo pontua que em trabalhos recentes, máscaras de pano de várias camadas bloquearam de 50% até 70% das gotículas pequenas exaladas por uma pessoa infectada. O relatório explica que as máscaras ainda servem como uma barreira contra as gotículas maiores.

O compilado de documentos de Stock contra o uso de máscaras reúne desde análises informais de postagens em blogs, estudos retratados por inconsistências técnicas (1, 2), trabalhos não conclusivos sobre a eficácia da medida (1), até mesmo pesquisas que, na verdade, sugerem benefícios das máscaras. É o caso, por exemplo, deste artigo que conclui que a análise mostra evidências de que estados americanos com regras para uso da proteção registraram uma maior queda nas taxas de diárias de covid, em comparação a outros que não adotaram a medida.

"O que pode ser colocado em contexto é que há máscaras que protegem mais do que outras. Os estudos que o médico menciona parecem ser aqueles feitos com máscaras cirúrgicas, que são adequadas para limitar a projeção de gotículas e aerossóis de quem as usa, mas não são tão eficazes para proteger de aerossóis possivelmente contaminados no ambiente", afirma Ponce.

O especialista pontua que, por esse motivo, máscaras PFF2/N95 são mais recomendadas para locais de alta exposição, uma vez que os equipamentos são capazes de filtrar até 95% de partículas pequenas.

Vacinas são importantes mesmo para recuperados da COVID

 Outra informação enganosa do vídeo corresponde à alegação de Stock de que as vacinas de covid não promovem benefícios a quem já se recuperou da doença.

De acordo com o CDC, pesquisadores ainda não estabeleceram por quanto tempo dura a imunidade conferida pela infecção natural ou pelas vacinas. Por outro lado, a agência diz que estudos indicam que os imunizantes podem aprimorar a proteção de pessoas que já se recuperaram da infecção.

Já a OMS afirma que a "maioria das pessoas infectadas com Sars-CoV-2 desenvolvem uma resposta imune nas primeiras semanas, mas ainda estamos aprendendo o quão forte e duradoura é essa resposta imune, e como ela varia entre diferentes pessoas, acrescentando que "mesmo que você tenha tido uma infecção anterior, a vacina age como um reforço que fortalece a resposta imune."

Em entrevista ao Comprova, a professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre Cristina Bonorino explica que, no caso da infecção natural, o microorganismo evolui para escapar das respostas imunes do hospedeiro, e por isso nem sempre a imunidade deixada após a infecção é eficaz e duradoura.

"As vacinas, por outro lado, focam em estimular mecanismos importantes para controlar a multiplicação do microorganismo no indivíduo, sem a desvantagem do que acontece na infecção natural. Vacinas, portanto, geram respostas mais eficazes que a infecção natural", comenta a especialista.

A Agência Lupa fez uma verificação de boato semelhante

Tratamento divulgado pelo médico não tem comprovação científica. No vídeo, o médico faz propaganda de substâncias sem benefícios comprovados contra a covid-19 ao citar que tratou 15 pacientes com um protocolo de ivermectina, zinco e vitamina D. O relato de Stock, entretanto, não configura evidência de que o tratamento funcione.

Como já explicou o Comprova em outras verificações, para atestar a eficácia de um medicamento contra a covid, são necessários múltiplos ensaios clínicos randomizados com estrutura adequada e número extenso de participantes. O Painel de Diretrizes de Tratamentos para Covid, dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH), afirma que não há dados suficientes para recomendar a favor ou contra o uso da ivermectina para o tratamento da doença.

"São necessários resultados de ensaios clínicos adequadamente desenvolvidos, bem concebidos e bem conduzidos para fornecer orientações mais específicas e baseadas em evidências sobre o papel da ivermectina no tratamento da covid-19", diz o documento

No compilado de documentos de Stock constam estudos que sugerem potenciais benefícios da vitamina D no tratamento da covid-19. As diretrizes do NIH, entretanto, informam que também faltam mais dados para recomendar contra ou a favor do uso da suplementação da substância como terapia contra o novo coronavírus.

O órgão emitiu a mesma recomendação para o uso do Zinco, porém, o painel alerta contra a suplementação acima dos níveis de dieta recomendados, uma vez que o consumo excessivo da substância pode ocasionar deficiência de cobre no sangue e outras doenças.

Quem é Stock

Daniel "Dan" Stock se define no Linkedin como um médico de família experiente e com formação em medicina funcional, um ramo alternativo cujos métodos não têm comprovação científica. De acordo com a rede social, ele se formou na Indiana University School of Medicine em 1988.

Segundo o breve perfil de Dan Stock no Top NPI, um site pensado para auxiliar moradores dos Estados Unidos a encontrarem médicos próximos de onde moram, o profissional tem 33 anos de experiência na medicina e é licenciado para exercer a profissão pelo conselho estadual de Indiana.

Após falar ao conselho escolar da Mount Vernon School Corporation, no condado de Hancock, em Indiana, Stock publicou um texto no Linkedin para agradecer o "apoio esmagador de todos". O teor da mensagem sugere que as medidas adotadas no contexto do enfrentamento à covid-19 são atentatórias às liberdades individuais.

"Por favor, rezem por mim, por nossa própria liberdade que nosso próprio governo federal ameaça, mas como vocês, chamem vocês legisladores estaduais e locais e exijam que eles não sirvam aos especialistas selecionados pelos lobistas federais, mas a você", ele escreveu.

O Projeto Comprova enviou questionamentos ao profissional no endereço de e-mail disponibilizado por ele no Linkedin, mas não obteve retorno até a publicação desta checagem.

Por que investigamos?

Em sua quarta fase, o Comprova checa conteúdos suspeitos sobre o governo federal, eleições ou a pandemia que tenham atingido alto grau de viralização. A postagem verificada nesta matéria alcançou mais de 10 mil visualizações no Twitter. Segundo agências de checagem estrangeiras, o mesmo discurso enganoso de Dan Stock atingiu milhões de usuários em outros países.

As alegações do médico são perigosas ao espalhar informações falsas para atacar medidas essenciais para o combate à pandemia, como o uso de máscaras e a vacinação em massa. Essas práticas são recomendadas e defendidas pelas principais agências de saúde no Brasil e no exterior e têm respaldo em evidências científicas relevantes.

O mesmo conteúdo foi verificado por uma série de veículos estrangeiros, incluindo Politifact, Associated Press, Agência Reuters e Verify This. Conteúdos semelhantes já foram desmentidos por veículos brasileiros, como o Estadão Verifica, Aos Fatos e Agência Lupa.

O Comprova também já verificou outras afirmações equivocadas sobre a imunização em massa contra a covid. Um boato recente afirmava enganosamente que não há lógica por trás da vacinação para conter a pandemia. Outro conteúdo tirou de contexto uma entrevista de uma autoridade de saúde americana na tentativa de desqualificar a segurança dos imunizantes usados no país. Uma terceira postagem distorcia dados de efeitos adversos da vacina da Pfizer em adolescentes.

Enganoso, para o Comprova, são conteúdos retirados do contexto original e usados em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano."

17/08/2021 – GZH

Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/08/projeto-oferece-atendimento-psicologico-gratuito-para-idosos-durante-a-pandemia-cksgjb7330097013brw26d0eh.html

"Projeto oferece atendimento psicológico gratuito para idosos durante a pandemia

Serviço é uma iniciativa da UFCSPA em parceria com a Santa Casa de Misericórdia e tem abrangência nacional

Lançado em abril deste ano, o projeto Acolhendo Idosos na Pandemia oferece atendimento psicológico gratuito para pessoas acima dos 60 anos com sinais de ansiedade, depressão ou uso excessivo de álcool. A iniciativa tem abrangência nacional e é resultado de uma parceria entre a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e a Santa Casa de Misericórdia.

Os atendimentos são realizados por telefone, mediante ligação gratuita para o número 0800-760-5151. De acordo com a professora Analuiza Camozzato, chefe do Serviço de Psiquiatria da Santa Casa e coordenadora do projeto, qualquer idoso que estiver se sentindo triste, sozinho, nervoso ou achar que está bebendo mais e que precisa de ajuda pode entrar em contato. O serviço está disponível todos os dias, inclusive aos sábados e domingos, das 8h às 19h.

Analuiza explica que, no primeiro contato, a pessoa responderá a algumas perguntas feitas por pesquisadores e alunos da universidade, a fim de avaliar se ela realmente apresenta um quadro depressivo ou ansioso e/ou problemas com o uso de álcool. Se o idoso tiver algum desses sintomas, passará a receber atendimento por telefone com médicos psiquiatras e psicólogos formados e treinados para atender esse tipo de demanda. 

As sessões de psicoterapia iniciam em até dois dias depois da primeira ligação, salienta a professora. No total, são oferecidas quatro consultas, que ocorrem uma vez por semana e têm duração de 30 a 40 minutos. Após o término dos atendimentos, é realizada uma nova avaliação para verificar a efetividade do tratamento.

— Acredito que estamos oferecendo um importante serviço para a população. Continuamos abertos para novos atendimentos, pois temos certeza de que ainda há muitas pessoas acima dos 60 anos que estão precisando de suporte psicológico — destaca Analuzia.

O projeto conta com uma equipe multidisciplinar com mais de 40 profissionais envolvidos, com supervisão permanente de professores da UFCSPA."

14/08/2021 – GZH

Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/08/uso-de-mascara-de-forma-correta-ainda-e-ferramenta-de-combate-ao-coronavirus-alertam-infectologistas-ckscb7uja003g013buya21cak.html

"Uso de máscara de forma correta ainda é ferramenta de combate ao coronavírus, alertam infectologistas

Quem utiliza o item sem cobrir corretamente nariz e boca não está se protegendo e não protege o outro

Um alerta para quem usa máscara de proteção respiratória sem cobrir o nariz: mais do que oferecer risco ao outro, a maior prejudicada é a própria pessoa que insiste em usar a proteção de forma incorreta. Infectologistas afirmam que o uso de máscara continua sendo uma das principais ferramentas no combate à pandemia de coronavírus.

O médico Alessandro Pasqualotto, chefe do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), reforça que, ao usar a máscara, a pessoa protege os demais da transmissão das suas partículas respiratórias, que são eliminadas pela boca e pelo nariz.

 — Não faz o menor sentido cobrir apenas a boca. Em proximidade com outras pessoas, o vírus tem menor chance de ser transmitido se todos estiverem usando a máscara de forma correta.

Símbolo de proteção na pandemia, máscaras reduzem em 87% a chance de contrair covid-19, aponta pesquisaSímbolo de proteção na pandemia, máscaras reduzem em 87% a chance de contrair covid-19, aponta pesquisa

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Pasqualotto lembra da queda no número de casos de covid-19 nos Estados Unidos e na Inglaterra, o relaxamento das medidas de proteção nestes países e o consequente aumento dos casos da doença. O médico admite estar receoso com o que identifica como "abertura acelerada" nas cidades gaúchas.

 — Acho que é preciso abrir, mas muito cuidado com ambientes fechados e com pessoas não usando máscara. Precisamos ter um pouco mais de atenção ao que ocorreu nos Estados Unidos e na Inglaterra, porque tudo pode voltar em grande escala. Podemos dar o exemplo, se mantivermos as medidas de uso de máscara e distanciamento social.

Chefe do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Eduardo Sprinz acrescenta que o nariz pode ser uma porta de entrada importante para o coronavírus.

 — A transmissão se dá por gotículas e por aerossol. Então, se a pessoa inspira o ar e nele tem o vírus, ela pode ser contaminada. Quando falamos que é preciso cobrir boca e nariz, é, justamente, porque o nariz tem secreções e onde a pessoa pode ser contaminada e pode transmitir ao outro  — esclarece.

Sprinz orienta que os vacinados mantenham o uso da máscara. O ideal, segundo ele, é que as pessoas usem, pelo menos, a máscara cirúrgica  — ela apresenta como diferencial um material que filtra partículas menores que os tecidos comuns. O infectologista do Clínicas também lembra da potência da variante Delta, mais transmissível do que outras variantes do coronavírus, que já circula no Estado.

— Quanto menos as pessoas se protegerem, maior será a chance da variante Delta circular no nosso meio. Baseado nos outros locais onde ela já existe, sabemos que o número de casos aumenta mesmo entre os vacinados — lembra Sprinz.

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre (SMS) apontou que o uso de máscaras reduz em 87% a chance de ser infectado pelo SARS-CoV-2. Além disso, o estudo concluiu que pessoas que aderem moderada a intensamente ao distanciamento social têm entre 59% e 75% menos chances de contrair o coronavírus.

O decreto estadual 55.882, que institui  o  Sistema  de  Avisos,  Alertas  e  Ações  para enfrentamento à pandemia no  Rio  Grande  do  Sul, prevê advertência ou multa, a partir de R$ 2 mil, para quem não usar máscara corretamente em espaços  públicos, espaços privados com acesso público e em transportes públicos coletivos."

16/08/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/08/nova-mutacao-do-coronavirus-delta-plus-passa-a-ganhar-a-atencao-de-pesquisadores-cksfaftfu00bk0193jf2dmet9.html

"Nova mutação do coronavírus, Delta Plus passa a ganhar a atenção de pesquisadores

Infectologistas e virologistas afirmam que relaxamento de medidas de prevenção aumenta o risco do surgimento de variantes

Detectada pela primeira vez no Nepal, uma subvariante da Delta, chamada de Delta Plus, começa a ganhar atenção dos cientistas. Ela já foi identificada em pelo menos 30 países — o Brasil não está na lista. Segundo o rastreador Outbreak.info do instituto de pesquisa Scripps Research, até a publicação desta matéria, 612 casos da subvariante do coronavírus haviam sido detectados, a maioria deles nos Estados Unidos.

De acordo com o coordenador da Rede Corona-Ômica BR-MCTI, Fernando Spilki, também professor do mestrado em Virologia da Universidade Feevale, a Delta Plus traz mais uma mutação na proteína spike (K417N), que também é encontrada em outras variantes e responsável por ajudar o coronavírus a entrar na célula.

— Há dúvidas sobre o quanto essa variante, de fato, traz uma preocupação mais alta — declara o especialista.

Spilki esclarece que, a cada nova infecção, o vírus sofre mutações, e muitas delas não permanecerão. Todavia, quando as alterações no genoma podem dar ao vírus uma vantagem, como uma maior transmissibilidade, essas mutações se acumulam. Essa condição é capaz de dar origem a novas variantes, que podem se disseminar.

— Como é um processo que se dá ao acaso, quanto mais casos de covid-19 ativos, mais chances do surgimento de novas variantes — alerta Spilki.

Para o médico Alessandro Pasqualotto, chefe do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Misericórdia da Capital e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), tem havido uma ênfase exagerada na importância das variantes por existir uma teoria de que elas sejam mais transmissíveis. Ele sugere que as variantes podem não estar transmitindo mais, mas sendo detectadas na presença de aglomerações populacionais.

— Da variante Delta, o que se diz é que ela é mais transmissível, mas essas variantes foram identificadas justamente no momento onde o comportamento humano propiciou o surgimento das variantes. Foram depois de grandes festividades, realizadas ao redor do mundo, que as variantes foram detectadas — explica.

Pasqualotto reforça a importância de não se relaxar as medidas de prevenção, e ele cita como exemplo os norte-americanos, europeus e israelenses, que, segundo ele, relaxaram em demasia, dando espaço para uma nova explosão de casos nesses países.

— A perda do controle da pandemia só ocorrerá se não tomarmos as medidas de precaução e não nos vacinarmos em massa. O Brasil tem tudo para dar o exemplo, mantendo as medidas de distanciamento, o que será difícil à medida que abrirem todas as atividades econômicas neste país — afirma Pasqualotto.

Spilki acrescenta que é necessário manter um ritmo acelerado de vacinação e uma adesão alta da população a esse processo.

— Ainda que estejamos bem longe de metas de vacinação completa, já vemos prováveis efeitos desse processo. Ainda assim, seria importante que tenhamos consciência de que, mesmo com casos em declínio, não estamos livres da possibilidade de uma ressurgência da pandemia — alerta Spilki."

16/08/2021 – GZH

Link: https://radios.ebc.com.br/tarde-nacional/2021/08/capes-financia-pesquisa-que-avalia-bem-estar-dos-brasileiros

"Capes financia pesquisa que avalia bem-estar dos brasileiros

Ouça a entrevista com psicóloga Prisla Ucker Cavalvetti

O Tarde Nacional conversou com Prisla Ücker Calvetti, doutora em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Ela falou sobre uma pesquisa do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), financiada pela Capes, que avalia o bem-estar de adultos brasileiros na pandemia de covid-19.

Ouça no player acima. (link acima)

A pesquisa foi iniciada em julho e vai até o final do mês de agosto. O levantamento ouve pessoas de todas as faixas do Brasil. Até o momento, mais de 2.200 pessoas responderam ao questionário online.

São vários os aspectos que podem caracterizar o bem-estar, como satisfação e estilo de vida, afirmou Prisla, que é bolsista de pós-doutorado da Capes.

Para participar da pesquisa, é só acessar este link.

O Tarde Nacional vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 13h às 15h, pela Nacional de Brasilia e Nacional do Rio de Janeiro."

13/08/2021 – GZH

Links:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/08/com-a-variante-delta-no-rs-cientistas-defendem-cautela-nas-flexibilizacoes-cksazsd8q00610193wybbbeap.html

Com a variante Delta no RS, cientistas defendem cautela nas flexibilizações

Número de casos e de hospitalizações pararam de cair no Estado, mas haviam levado a um afrouxamento de restrições

Após semanas de melhora nos números de casos e hospitalizações por covid-19, o momento é de recrudescimento da pandemia no Estado, o que tem preocupado cientistas no Rio Grande do Sul. A opinião de especialistas ouvidos por GZH é de que é necessário ter cautela nas flexibilizações de regras sanitárias, pelo menos até que se saiba mais sobre a variante Delta.

Para o epidemiologista Paulo Petry, que é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a sociedade gaúcha está em uma encruzilhada – ao mesmo tempo em que a vacinação está avançando, enfrenta-se a disseminação acelerada da variante Delta, o que demonstra sua alta transmissibilidade.

— É uma preocupação. Imagino que as flexibilizações tenham sido pensadas a partir do declínio que vínhamos observando nas internações, mas, agora, seria melhor esperar — analisa Petry, citando países como China, França e Estados Unidos, que chegaram a adotar flexibilizações, mas voltaram atrás, diante do aumento no número de casos com o surgimento da Delta.

Na última semana, o governo do Estado publicou decretos nos quais flexibiliza as regras para o funcionamento de diferentes estabelecimentos. Em escolas, por exemplo, a distância mínima entre classes diminuiu de 1,5 metro para um metro. Em restaurantes, a ventilação cruzada não é mais obrigatória. Nas academias, já não é necessário fazer agendamento prévio para realizar atividades presenciais.

Nos próximos dias, outro decreto deve ser publicado pelo Palácio Piratini. Neste, o foco são casas noturnas e eventos. Casas noturnas poderão receber até 350 pessoas, entre clientes e funcionários, que terão de estar de máscara e não poderão usar a pista de dança nem beber em pé. Também será determinado um distanciamento mínimo de um metro entre pessoas que não moram no mesmo domicílio. As restrições, porém, não são consideradas eficazes pelo epidemiologista.

— Na prática, a eficácia é zero. Numa confraternização, as pessoas vão beber, comer e, consequentemente, tirar as máscaras, e duvido que respeitem o distanciamento. Isso não acontece nem no transporte público, onde as pessoas não estão confraternizando, imagina em festas — observa Petry.

O infectologista Ronaldo Hallal, que é membro do Comitê Covid-19 da Sociedade Riograndense de Infectologia (SRGI), avalia que a expansão da Delta aumenta a incerteza quanto a qual o cenário pandêmico que irá se instaurar a partir dela, e que há indícios de que a variante possui “escapes imunológicos” à eficácia das vacinas hoje oferecidas.

— Mesmo com regras, as flexibilizações geram um aumento de aglomerações e, provavelmente, de exposição e transmissão da doença. Precisamos ter muita cautela neste momento, porque há dados mostrando que a detecção de casos e a ocupação hospitalar pararam de cair. Podemos ter uma nova onda, ainda que talvez não tão letal — salienta Hallal.

Reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e epidemiologista Lucia Pellanda reitera que a vacina, sozinha, não impede a transmissão da covid-19.

— A transmissão está muito alta, e isso proporciona o surgimento de novas variantes. Para mim, não é o momento de a gente flexibilizar, e sim de avançar na vacinação, manter os cuidados e, aí sim, poder abrir com mais segurança — conclui a reitora.

Pellanda alerta, ainda, para o alto perigo, hoje, para os não vacinados:

— Talvez os não vacinados estejam correndo mais risco do que nunca correram ao longo da pandemia, porque antes havia outras pessoas mais vulneráveis à doença, mas agora os grupos de risco já se vacinaram — pondera a epidemiologista.

Segundo Petry, as medidas para combater a variante são as mesmas de sempre: ampliar a cobertura vacinal e promover cuidados como distanciamento, uso adequado de máscaras e manter os ambientes com ventilação natural e cruzada. Petry também indica a necessidade de testagem em massa e rastreamento dos contactantes de pessoas positivadas, o que teria diminuído, desde o início, o número de mortos pela doença.

Projeções apontam que variante Delta deverá predominar no RS

Uma projeção feita pelo Comitê Científico de Apoio ao Enfrentamento à Pandemia da Covid-19, vinculado ao governo estadual, indica que o Rio Grande do Sul caminha para o predomínio da variante Delta – mais transmissível – sobre a Gama (antiga P.1, de Manaus), atualmente mais comum no Estado. A suspeita surgiu diante da tendência de leve aumento no número de casos e hospitalizações no Estado e da ocorrência de surtos de covid-19 em hospitais e municípios gaúchos.

— Infelizmente, neste momento, parecemos estar vivendo um cenário de Delta. Isso explica por que pararam de cair as internações e vemos um leve crescimento delas — relata a estatística em epidemiologia Suzi Camey, que também é professora da UFRGS.

Nos últimos dias, o Comitê Científico tem recomendado o reforço dos protocolos sanitários nas fronteiras, assim como sejam fortemente estimuladas medidas como fiscalização de ambientes públicos e o uso de máscaras. Com a confirmação da disseminação da variante Delta nas projeções, a indicação é de não reduzir o distanciamento entre as pessoas.

— Algo que terá impacto no controle da Delta é as pessoas entenderem que têm que parar de relaxar. As pessoas sabem se cuidar, mas pararam, por achar que estava mais tranquilo — pontua Suzi.

A estatística entende que, em um “mundo ideal”, a recomendação seria não reduzir a distância entre as pessoas, mas pondera a importância do retorno de atividades presenciais, por exemplo, nas escolas. No que se refere a eventos, porém, afirma que o Comitê Científico tem se posicionado repetidamente de forma contrária, devido à concentração de pessoas.

12/08/2021 – Zero Hora

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Impacto na imunidade coletiva

Zero Hora12 Aug 2021

 Outra questão em aberto é se uma maior transmissibilidade, que dificulta o atingimento da imunidade coletiva por meio das vacinas, exigirá novas doses de imunizante ou até mesmo vacinação contínua.

– Novas variantes vão surgir na medida em que se prolonguem os anos, embora não necessariamente enfrentemos desafios maiores (em termos de transmissibilidade). Mas parece que será necessário termos continuidade de vacinação, da mesma forma como lidamos com outras doenças ao longo do tempo. Tendo vacinação continuada de perto de 100% da população, a tendência é de que a gente não perceba tantos surtos e internações de forma sustentada – crê Fernando Spilki, da Feevale.

A imunologista da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Cristina Bonorino avalia, porém, que até o momento não há indicação de que será necessária uma revacinação periódica e universal:

– Se for vacina de MRNA (como Pfizer e Moderna), já sabemos que não precisamos de vacina todo ano. Só temos de vacinar todo mundo. Em relação à Coronavac, por exemplo, ainda não sabemos porque os estudos são insuficientes.

Presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), Juarez Cunha entende que não há como garantir, ainda, qual deverá ser a estratégia de vacinação mesmo na eventualidade de um platô.

12/08/2021 – G1 e Jornal Sudoeste Paulista

JSP:https://jornalsudoestepaulista.com.br/2021/08/12/vacina-tem-risco-minimo-de-nao-proteger-mesmo-com-duas-doses-especialistas-explicam/
G1: https://g1.globo.com/bemestar/vacina/noticia/2021/08/12/vacinacao-com-duas-doses-diminui-mortes-mas-imunizacao-nao-elimina-risco-de-morte-por-covid.ghtml

Vacina tem risco mínimo de não proteger mesmo com duas doses; especialistas explicam

O objetivo principal das vacinas é evitar casos graves da doença, mas contágio pode ocorrer; entenda mais sobre duas doses.

O ator Tarcísio Meira morreu na manhã desta quinta-feira (12), vítima da Covid-19, aos 85 anos, em São Paulo. Ele estava internado no hospital Albert Einstein, na Zona Sul da cidade, em tratamento contra a doença e havia tomado as duas doses da vacina. Diante desse fato, muitas pessoas ficaram em dúvida: é possível morrer de Covid ou se contaminar com o vírus mesmo após ter completado o esquema vacinal?

Segundo os estudos conduzidos com cada uma das vacinas em uso contra a Covid-19, sim, uma vez que os imunizantes diminuem, mas não zeram, a chance de casos graves e de morte pela doença. É por isso que, além de se vacinar, você deve manter as outras medidas de proteção contra a doença (Continue lendo para entender em detalhes).

"Uma boa vacina é como se fosse um bom goleiro. E como sabemos que o goleiro é bom? Vamos olhar o histórico dele. A frequência com a qual ele faz defesas. Se ele defende com frequência, ele é um bom goleiro. Isso não quer dizer que ele é invicto, que ele nunca vai deixar de tomar gol. Mas, mesmo se tomar gol, ele não deixa de ser um bom goleiro. Precisamos olhar o histórico dele", explica a a microbiologista Natalia Pasternak.

Especialistas ouvidos pelo G1 apontam que os números da queda de mortes estão entre os dados que já mostram a efetividade da vacina em grupos (sobretudo idosos) que estão totalmente imunizados. Apesar disso, eles alertam que a pandemia não está controlada e que a chegada da variante delta ainda é um risco para aqueles que não tomaram as duas doses da vacina.

"A vacinação com duas doses dos idosos (é a explicação para a queda). A cobertura já está bem elevada nesta faixa, acima dos 60%. Acima dos 70, 80 e 90 ainda é maior. No número de casos, o impacto só vai ser maior com o avanço da vacinação", afirma Julio Croda, infectologista e pesquisador da Fiocruz.

  1. Posso ter Covid mesmo após as duas doses da vacina?

Sim, pode. O objetivo principal das vacinas, neste momento, é evitar formas graves da Covid-19 – e não necessariamente o contágio pela doença (ainda que algumas vacinas já tenham se mostrado capazes de evitar também a transmissão e a infecção).

Nas pesquisas, as vacinas são testadas para sua capacidade de evitar contágio, casos sintomáticos, moderados e graves – que precisam de internação – e morte pela Covid.

Até agora, todas as vacinas que estão sendo aplicadas no Brasil – CoronaVac, AstraZeneca/Oxford, Pfizer e Johnson – foram capazes de evitar internações e mortes pela doença.

  1. Já que a vacina não necessariamente evita o contágio, eu devo me vacinar?

Sim. Mesmo que você se infecte, a chance de desenvolver um caso grave ou até morrer pela Covid-19 diminui após a imunização.

  1. Conheço pessoas que tomaram as duas doses e morreram ou tiveram quadro grave. A vacina funciona?

Sim, as vacinas funcionam. A questão é que elas diminuem, mas não zeram, a chance de casos graves e de morte pela Covid. É por isso que, além de se vacinar, você deve manter as outras medidas de proteção contra a doença (veja pergunta 7).

Cada medida de prevenção que você adota – como se vacinar, usar máscaras, evitar aglomerações e lugares fechados – é uma "camada extra" de proteção. Por isso é necessário combiná-las.

Veja as taxas de eficácia contra casos graves alcançadas durante os testes em cada vacina usada no Brasil até o momento:

Johnson: 85% eficaz

Coronavac: entre 83,7% e 100% eficaz

Pfizer: 92% eficaz

AstraZeneca: 100% eficaz

  1. Preciso tomar as duas doses da vacina?

Por que são necessárias 2 doses da vacina contra Covid; entenda

Por que são necessárias 2 doses da vacina contra Covid; entenda

Se ela for aplicada em duas doses, sim, pois a taxa mais alta de imunização somente é alcançada após a segunda dose.

Das quatro vacinas aplicadas no Brasil, apenas a da Johnson/Janssen alcança a sua taxa máxima de eficácia em apenas uma dose.

  1. A vacina que só tem uma dose 'protege menos' que as de duas doses?

Não. A decisão sobre dosagem e esquema vacinal (espaço entre as doses) é uma decisão do desenvolvedor da vacina ou de autoridades de saúde pública – e não tem a ver com uma vacina "proteger mais" ou "menos" do que outras.

Todas as vacinas reduzem o risco de você ter um caso grave ou morrer pela Covid-19.

  1. Devo escolher qual vacina tomar?

Especialistas são unânimes ao dizer que não, já que é muito melhor tomar qualquer vacina disponível do que ficar vulnerável à Covid-19. E, ao se vacinar, você ajuda a aumentar a cobertura vacinal, que é o mais importante neste momento. Entenda por quê.

  1. Preciso continuar usando máscara e evitando aglomerações mesmo depois da vacina?

Sim. Isso porque, quanto mais medidas de proteção você combina, mais protegido estará – e mais estará protegendo as pessoas ao seu redor que ainda não puderam se vacinar.

Vacina e Covid-19: Preciso usar máscara e evitar aglomerações mesmo depois de vacinado?

"Mesmo ao ar livre, de máscara, se tiver 100 pessoas, o risco vai ser maior do que se tiver duas pessoas. Não adianta 'estou ao ar livre, não preciso de máscara'. Precisa. 'Eu estou ao ar livre, não preciso ficar à distância'. Precisa. 'Ah, eu estou de máscara, não preciso manter a distância'. Precisa", explica Lucia Pellanda, cardiopediatra e professora de epidemiologia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Quando a gente faz todas as coisas, vai diminuindo bastante o risco. As pessoas têm ideia de que é tudo ou nada. O risco é contínuo", reforça Pellanda.

11/08/2021 – G1

Link: https://g1.globo.com/fato-ou-fake/coronavirus/noticia/2021/08/11/e-fake-que-cdc-disse-que-variante-do-coronavirus-e-a-propria-vacina.ghtml

“É #FAKE que CDC disse que variante do coronavírus é a própria vacina

Publicações de sites antivacina tiram de contexto orientações do CDC. O texto oficial do órgão diz que as vacinas são altamente eficazes contra doenças graves, mas a variante Delta causa mais infecções e se espalha mais rapidamente do que as formas iniciais do vírus que causa a Covid-19.

Circula pelas redes sociais uma publicação que diz que "a variante é a própria vacina" e que "o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos finalmente admitiu que pessoas totalmente vacinadas espalham variantes". É #FAKE.

Procurado pelo G1, o CDC nega o conteúdo da mensagem falsa. O órgão enviou um link com informações sobre as variantes. Em nenhum momento o texto afirma que a variante do coronavírus é a própria vacina nem admite que pessoas totalmente vacinadas espalham variantes.

O texto oficial do CDC diz que as vacinas são altamente eficazes contra doenças graves, mas a variante Delta causa mais infecções e se espalha mais rapidamente do que as formas iniciais do vírus que causa a Covid-19.

O CDC recomenda que as pessoas que estão totalmente vacinadas usem máscara em ambientes fechados em áreas de transmissão substancial ou alta.

Os rumores que atribuem ao CDC declarações infundadas começaram a partir de 27 de julho, quando o CDC atualizou sua orientação para pessoas totalmente vacinadas, recomendando que todos usassem máscara em ambientes públicos fechados em áreas de transmissão substancial e alta, independentemente do estado de vacinação.

Dados publicados no Relatório Semanal de Morbidez e Mortalidade (MMWR) do CDC demonstraram que a infecção por Delta resultou em cargas virais de Sars-CoV-2 igualmente altas em pessoas vacinadas e não vacinadas.

Professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Ana B. Gorini da Veiga explica que a variante Delta parece ter um pouco mais de resistência à vacina.

"Por isso que tem muita gente já vacinada que está se infectando com essa nova variante. Isso é comum que aconteça com os vírus. Principalmente por ser um vírus de RNA, o coronavírus está muito sujeito a mutações constantes; enquanto algumas mutações podem tornar o vírus mais patogênico, causando mais sintomas, outras mutações podem torná-lo mais transmissível, que é o caso observado até o momento para a variante Delta. Não necessariamente ele causa uma doença mais grave, mas ele é mais transmissível, e a maioria das vacinas tem uma eficiência, porém reduzida, em relação a essa nova variante. Ou seja, mesmo vacinada a pessoa pode se infectar. Vimos o número de casos cair muito, principalmente nos países em que uma grande parcela da população já está vacinada. Essas novas ondas que estão ocorrendo são, na maioria, devido à variante Delta, o que reflete justamente uma menor eficiência ou eficácia de algumas vacinas contra essa variante. Por outro lado, o número de óbitos não está aumentando, o que sugere que a variante Delta, apesar de muito transmissível, não parece ser tão patogênica. Isso também mostra que, apesar de não ser 100% eficaz, a vacina protege contra a doença grave."

A professora afirma que, assim como em todos os anos é preciso se vacinar de novo contra a gripe, provavelmente a mesma coisa deve acontecer com relação ao coronavírus. "As alterações (mutações) no vírus são eventos esperados, que ocorrem naturalmente. Para alguns vírus, principalmente os de RNA, essas mutações são mais frequentes, por isso as vacinas têm que ser atualizadas. Algumas vacinas conseguem dar uma cobertura (proteção) para eventuais alterações desses vírus, tanto é que, para as demais variantes, as vacinas funcionam bem, mas dependendo do número e tipo de mutação, a vacina pode perder eficácia. Por isso que novas vacinas são constantemente desenvolvidas. Ainda estamos aprendendo muito sobre o Sars-CoV-2 e a Covid-19, portanto é difícil saber exatamente como o vírus continuará circulando. No caso do vírus influenza, como o vírus influenza A H1N1 de 2009, com o tempo ele se tornou menos agressivo, portanto, as pessoas não têm mais um quadro tão grave de doença. Ou seja, ele se torna endêmico, mas mesmo assim vai continuar evoluindo. Tomando novamente o exemplo do H1N1, em 2016 tivemos um número altíssimo de casos – e óbitos – por esse vírus em todo o país."

Ana Gorini afirma que a alegação de que a variante é a própria vacina é totalmente descabida. "Existem diferentes tipos de vacina: há aquelas baseadas no vírus inativado ou atenuado, como por exemplo contra a polio (Sabin), caxumba, rubéola; há vacinas baseadas em vetor viral, que usam um vírus que não causa doença, com pedaços do vírus contra o qual a vacina é direcionada, para que nosso sistema imune produza anticorpos contra este último; há vacinas mais modernas, como as vacinas de RNA, que carregam um pedaço do genoma do vírus, portanto não é o vírus inteiro."

"Usando linguagem leiga, a vacina é praticamente um outro vírus, mas não tem como ser 'a variante'", diz.

"As variantes têm características que mostram que são decorrentes da evolução do vírus de Wuhan. Quem trabalha com sequenciamento genômico, evolução viral, dinâmica viral, entende muito disso. Temos como fazer análises do genoma para entender como se deu o caminho dessas mutações. Não tem como acertarmos qual será o próximo vírus, qual surgirá daqui a uma semana, daqui a mês, daqui a um ano. Por isso que tem que reduzir a transmissão. Qual que é a forma de reduzir a transmissão? Seguir usando máscara, seguir o distanciamento, evitar aglomerações, manter a higienização. Quando tivermos cerca de 80%, 90% das pessoas imunizadas, vacinadas, aí sim, aos poucos, poderemos relaxar mais, quando essa transmissão viral comunitária estiver mais controlada. Mas essa alegação de que a variante é a própria vacina não tem nada a ver. Nem sei de onde é que tiraram isso."

"Acho que existe aí um problema cognitivo das pessoas de acharem que, porque recebem uma vacina, vão transmitir o vírus. Não tem nada a ver, é uma ideia descabida. Elas podem, sim, causar algumas reações, geralmente leves e que duram algumas horas. E esses sintomas não são necessariamente sintomas respiratórios. Geralmente é uma dor no corpo, uma dor muscular, ou um pouco de febre, dor de cabeça, ou dor no local da injeção. São sintomas mais gerais, não são os sintomas típicos das infecções por vírus respiratórios como dor de garganta, tosse, coriza."

Uma das principais autoridades mundiais no controle da pandemia, o CDC tem sido vítima de mensagens falsas que atribuem ao órgão orientações que não emitiu. Recentemente, o Fato ou Fake desmentiu que o CDC tenha feito alerta para a ineficácia do teste PCR para Covid-19.”

09/08/2021 – ZH

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"UFCSPA

Zero Hora9 Aug 2021

UFCSPA tem estudos sobre imunoterapia contra covid-19 e câncer ameaçados

Estudos para rastreamento de variantes da covid-19 também estão prejudicados em outras universidades gaúchas. Quanto mais amostras estudadas, maior o mapeamento. Mas, com menos verba, menos análises serão feitas."

09/08/2021 – ZH

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"CORTE EM SUBSÍDIOS PARA A IMPORTAÇÃO DE INSUMOS E EQUIPAMENTOS TRAVA A PESQUISA BRASILEIRA

Cota de isenção do CNPQ para compras no Exterior acabou em maio e pesquisadores aguardam liberação para reduzir prejuízos

Zero Hora9 Aug 2021MARCEL HARTMANN Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Cota de isenção do CNPQ para compras no Exterior acabou em maio. Pesquisadores aguardam liberação para reduzir prejuízos.

Pesquisas de universidades brasileiras, incluindo estudos sobre covid-19, estão sendo prejudicadas pelo fim do subsídio oferecido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) a cientistas para baratear a importação de insumos e equipamentos. Seis das sete universidades federais gaúchas foram afetadas pela falta do incentivo.

O governo federal aplica impostos na importação de produtos estrangeiros para proteger o mercado nacional. Mas, com base na premissa de que há materiais e equipamentos produzidos apenas no Exterior e de que a ciência beneficia a sociedade, há uma cota de isenção oferecida para pesquisadores importarem produtos que permitam a realização de estudos de ponta. O valor é oferecido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), uma das principais agências de fomento a pesquisas do país, ligada ao MCTI. Em 2020, o subsídio foi de US$ 300 milhões, mas, neste ano, caiu para US$ 93,2 milhões, valor que terminou em maio.

Com a reclamação de pesquisadores, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, anunciou, no fim de julho, que o governo liberará em agosto mais US$ 100 milhões, ampliando a cota de isenção de 2021 para US$ 193,2 milhões. Quantia que ainda não está disponível, segundo cientistas.

O valor final para o ano ficaria 35,6% abaixo do disponibilizado em 2020 e duraria no máximo até outubro, conforme estimativa otimista de universidades. Pontes diz que tentará junto ao Ministério da Economia outros US$ 107 milhões para completar US$ 300 milhões em 2021, mas não há garantias.

As pesquisas mais afetadas são nas áreas de saúde e ciências biológicas, incluindo estudos para mapear variantes e encontrar remédios para a covid-19. Com a falta de verba, universidades recorrem ao caixa próprio, mas o corte no orçamento e a alta do dólar inviabilizam grandes soluções.

Sem o subsídio do CNPQ, produtos ficam até 60% mais caros, um resultado “dramático” na visão de Elizandra Braganhol, próreitora-adjunta de Pesquisa e Pós-graduação da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA):

– A gente tenta contornar buscando recurso de outros lugares, mas os editais estão cada vez mais reduzidos. Outra forma seria usar recurso de custeio para pagar pesquisa e comprar insumos. Mas o orçamento da universidade é cada ano menor.

Reflexos

Uma das pesquisadoras afetadas na UFCSPA é a imunologista Cristina Bonorino, que conduz dois estudos para aplicar imunoterapia em pacientes hospitalizados por covid-19 e com diferentes tipos de câncer. Esse tipo de tratamento de ponta, altamente usado na Europa e nos Estados Unidos, é caríssimo no Brasil. Cristina quer desenvolver uma alternativa nacional para oferecê-la pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Com a redução do subsídio do CNPQ para importar insumos e equipamentos, Cristina afirma que não poderá continuar com a pesquisa no ano que vem e sequer dar a largada no estudo para desenvolver a versão nacional contra o câncer. Isso porque é preciso comprar já os reagentes para 2022, dada a burocracia de até seis meses para a chegada de produtos importados:

– Não existem insumos e máquinas na área da saúde para comprar no Brasil. Basicamente, tudo é importado. Ter essa subvenção para importar é o que garante que exista alguma pesquisa no país. Se o corte da cota de importação não reverter neste ano, meu projeto inviabiliza. Não tem ninguém fazendo isso para o SUS. A gente já precisa esperar seis meses para importar um reagente.

A menor cota de importação se dá em meio às combalidas finanças do CNPQ. Neste ano, o orçamento da agência foi de R$ 1,2 bilhão, o menor em 21 anos, segundo cálculo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado. O valor, corrigido pela inflação, é metade do destinado à agência no ano 2000.

A gente tenta contornar buscando recurso de outros lugares, mas os editais estão cada vez mais reduzidos. Outra forma seria usar recurso de custeio para pagar pesquisa e comprar insumos. Mas o orçamento da universidade é cada ano menor.

ELIZANDRA BRAGANHOL Pró-reitora-adjunta de Pesquisa e Pós-graduação da UFCSPA"

08/08/2021 – GZH

Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/08/corte-em-subsidio-federal-a-importacao-de-insumos-e-equipamentos-trava-ciencia-e-afeta-pesquisas-cks0c6wnz002v013b4g03sy8j.html

Corte em subsídio federal à importação de insumos e equipamentos trava ciência e afeta pesquisas

Cota de isenção do CNPq para compra no Exterior acabou em maio; pesquisadores aguardam liberação para reduzir prejuízos

Pesquisas de universidades brasileiras, incluindo sobre covid-19, estão sendo prejudicadas pelo fim do subsídio oferecido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) a cientistas para baratear a importação de insumos e equipamentos. Seis das sete universidades federais gaúchas foram afetadas pela falta do incentivo.

O governo federal aplica impostos na importação de produtos estrangeiros para proteger o mercado nacional. Mas, com base na premissa de que há materiais e equipamentos produzidos apenas no Exterior e de que a ciência beneficia a sociedade, há uma cota de isenção oferecida para pesquisadores importarem produtos que permitam a realização de estudos de ponta.

O valor é oferecido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), uma das principais agências de fomento de pesquisa do país, ligada ao MCTI. Em 2020, o subsídio fora de US$ 300 milhões, mas, neste ano, caiu para US$ 93,2 milhões, valor que terminou em maio.

Com a reclamação de pesquisadores, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, anunciou no fim de julho (30) que o governo liberará em agosto mais US$ 100 milhões, ampliando a cota de isenção de 2021 para US$ 193,2 milhões. Quantia que ainda não está disponível, segundo cientistas.

O valor final para o ano ficaria 35,6% abaixo do disponibilizado em 2020 e duraria no máximo até outubro, conforme estimativa otimista de universidades. Pontes diz que tentará junto ao Ministério da Economia outros US$ 107 milhões para completar US$ 300 milhões em 2021, mas não há garantias.

As pesquisas mais afetadas são em saúde e ciências biológicas, incluindo estudos para mapear variantes e encontrar remédios para a covid-19. Na falta de verba, universidades recorrem ao caixa próprio, mas o corte no orçamento e a alta do dólar inviabilizam grandes soluções.

Sem o subsídio do CNPq, produtos ficam até 60% mais caros, um resultado “dramático” na visão de Elizandra Braganhol, pró-reitora-adjunta de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

— A gente tenta contornar buscando recurso de outros lugares, mas os editais estão cada vez mais reduzidos. Outra forma seria usar recurso de custeio para pagar pesquisa e comprar insumos. Mas o orçamento da universidade é cada ano menor — diz Braganhol.

Uma das pesquisadoras afetadas na UFCSPA é a imunologista Cristina Bonorino, que conduz dois estudos para aplicar imunoterapia em pacientes hospitalizados por covid-19 e com diferentes tipos de câncer. Esse tipo de tratamento de ponta, altamente usado na Europa e nos Estados Unidos, é caríssimo no Brasil. Bonorino quer desenvolver uma alternativa nacional para oferecê-la pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Com a redução do subsídio do CNPq para importar insumos e equipamentos, Cristina afirma que não poderá continuar com a pesquisa sobre o uso da imunoterapia contra o coronavírus ano que vem e sequer dar a largada na pesquisa para desenvolver a versão nacional contra o câncer. Isso porque é preciso comprar já os reagentes para 2022, dada a burocracia de até seis meses para a chegada de produtos importados.

— Não existem insumos e máquinas na área da saúde para comprar no Brasil. Basicamente, tudo é importado. Ter essa subvenção para importar é o que garante que exista alguma pesquisa no país. Se o corte da cota de importação não reverter neste ano, meu projeto inviabiliza. Não tem ninguém fazendo isso para o SUS. A gente já precisa esperar seis meses para importar um reagente — diz a cientista.

A menor cota de importação se dá em meio às combalidas finanças do CNPq. Neste ano, o orçamento da agência foi de R$ 1,2 bilhão, o menor em 21 anos, segundo cálculo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado. O valor, corrigido pela inflação, é metade do destinado à agência no ano 2000.

UFCSPA

Estudos para rastreamento de variantes da covid-19 também estão prejudicados em outras universidades gaúchas. Quanto mais amostras estudadas, maior o mapeamento. Mas, com menos verba, menos análises serão feitas. Na UFCSPA, a bióloga molecular Ana Gorini da Veiga realizou, desde o ano passado, cerca de 90 amostras. Se houvesse mais verba, o ideal seriam 200 para cada onda epidêmica vivida no Estado, diz a professora.

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Contraponto

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Ministério da Economia e o CNPq não responderam aos questionamentos da reportagem feitos na segunda-feira passada (2)  sobre os valores da cota de isenção de importação dos últimos anos nem perspectivas de liberação de maior verba para os próximos meses.

Entenda a cota de importação do CNPq

A cota de isenção de importação permite a pesquisadores solicitarem ao CNPq um valor que ajude a comprar produtos do Exterior para realizar pesquisa de ponta.

O subsídio é essencial para universidades produzirem ciência, uma vez que a maioria dos insumos na área da saúde, química e biológicas é importado.

O CNPq avalia a proposta e autoriza.

Em maio, os US$ 92,3 milhões para subsídio do CNPq acabaram. Nenhum pesquisador pôde solicitar o auxílio.

Junho e julho: universidades ficaram sem o benefício.

Agosto: CNPq deverá oferecer mais US$ 100 milhões

Até o fim de 2021: expectativa de o CNPq oferecer outros US$ 107 milhões, para atingir US$ 300 milhões no ano, o que depende de aval do ministro Paulo Guedes.

06/08/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/08/variante-delta-do-coronavirus-ganha-espaco-no-brasil-e-pode-dificultar-imunidade-coletiva-cks0smrla009n0193xwy8erbt.html

"Variante Delta do coronavírus ganha espaço no Brasil e pode dificultar imunidade coletiva

Maior transmissibilidade exigiria percentual maior de vacinados para interromper cadeia de transmissão da covid-19, mas impacto no país ainda é incerto

Nas últimas semanas, a variante Delta do coronavírus ganhou terreno no Brasil. A cepa já soma 15% das amostras analisadas no Rio Grande do Sul, 23% na Grande São Paulo e 26% no Estado do Rio de Janeiro – índice que pula para 45% na capital fluminense.

Um dos riscos do avanço dessa mutação, que sugere ser mais transmissível em comparação a outras, é dificultar o atingimento da imunidade coletiva por meio da vacinação. Mas especialistas apontam que ainda não se pode garantir qual será o impacto e o poder de disseminação dessa nova forma do vírus no país.

O nível de adesão a medidas preventivas, como o uso de máscara, a “disputa” com a variante Gama (P.1), ainda predominante, e o ritmo da vacinação podem aliviar ou agravar os efeitos da cepa de origem indiana e definir o futuro da pandemia no Brasil.

Um dos prejuízos que o espalhamento da Delta pode provocar é alterar o patamar necessário para se alcançar a imunidade de rebanho. Até agora, se estimava que a imunização completa de 70% a 75% da população seria suficiente para cortar a cadeia de contaminação do vírus e permitir o retorno a uma maior normalidade. 

— A provável disseminação da Delta, em função da sua maior transmissibilidade, implicará que brevemente assuma a liderança nos novos casos de infecções, sobretudo em indivíduos sem esquema vacinal completo. Nesse caso, percentuais maiores de pessoas vacinadas serão necessários: 100% das populações prioritárias, que são adultos e pessoas com doenças crônicas, e mais do que 70% a 75% da população em geral — avalia o epidemiologista do Hospital de Clínicas Ricardo Kuchenbecker.

Já há especialistas que consideram necessário vacinar por completo pelo menos 90% da população e quem até deixou de cogitar metas diante da dificuldade de enfrentar mutações cada vez mais transmissíveis. Defendem simplesmente imunizar o maior número de pessoas no prazo mais curto possível.

— São estimativas muito teóricas, e elas podem variar muito dependendo da eficácia das vacinas e do surgimento de novas variantes. A melhor mensagem que podemos passar é a de se vacinar o máximo possível, sem estabelecer nenhum percentual como meta — afirmou o pesquisador do King’s College de Londres José Jiménez em entrevista recente ao jornal espanhol El País.

Ainda é cedo para dizer se o Brasil vai seguir o mesmo caminho em comparação a outros países, como os EUA, onde a Delta vem provocando novos saltos da pandemia. Uma das diferenças é que ela avançou mais em locais onde a maior parte das restrições, como distanciamento social e uso de máscaras, já havia sido abandonada.

— Essa mutação chegou com força principalmente em populações que já haviam voltado a viver uma vida normal, sem máscara, participando de eventos. Nossa vantagem foi ter mantido o uso de máscara e o distanciamento. Por isso, pode ter força menor aqui — acredita a professora de Epidemiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Suzi Camey.

Outro fator a ser considerado, conforme o mestre em Saúde Pública pela Universidade de Harvard (EUA) Marcio Sommer Bittencourt, é a relação da Delta com a Gama, atual cepa mais comum no país.

— Se um vírus transmite mais, o limiar (da imunidade coletiva) sobe. Matematicamente, não tem dúvida. Mas não sei se a Delta é mais transmissível do que a P.1 (Gama) — avalia Bittencourt.

Na vida real, isso será demonstrado ao longo das próximas semanas. Se a mutação indiana tomar rapidamente o espaço da Gama, será um indício de que contamina mais rapidamente no contexto brasileiro. No México, foi isso que ocorreu: a Delta ganhou terreno sobre a mutação identificada originalmente no Amazonas. Por isso, é fundamental aumentar o máximo possível o ritmo de imunização, segundo Kuchenbecker:

— Quanto mais tempo o calendário vacinal demorar para atingir esses níveis (necessários para a imunidade coletiva), maior a probabilidade de que a Delta assuma a liderança das infecções no Brasil. Isso implica reforçar a necessidade de duas doses para todos e, talvez, até antecipar intervalos maiores de vacinação. Isso é diferente das demais variantes até aqui.

Ameaça aos avanços obtidos contra a pandemia

Outra questão que deverá ser respondida em um futuro próximo é se uma eventual nova onda impulsionada pela cepa recém-chegada colocará a perder o avanço conquistado até o momento contra a pandemia no Brasil. O virologista da Universidade Feevale Fernando Spilki afirma que a vacinação segue eficaz para evitar formas graves da doença e é capaz de conter boa parte dos possíveis estragos. Mas, para isso, é fundamental que a população complete o esquema vacinal.

— Como em outros momentos, vemos a dispersão da variante ocorrendo de forma assíncrona no país (maior em algumas regiões do que em outras). O que está segurando (novo aumento de contaminações e internações) até agora? Muito provavelmente, a vacinação parcial que temos, pois outras estratégias estão sustadas — sustenta Spilki.

A imunologista da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Cristina Bonorino acredita que o alcance de percentuais intermediários, como algo ao redor de 50% da população integralmente imunizada, mesmo que não interrompa a cadeia de transmissão da pandemia, já será suficiente para fazer uma diferença “gigante” no impacto do coronavírus sobre os brasileiros, independentemente das variantes existentes hoje que predominem.

O maior risco, em sua avaliação, é de que falhas na cobertura vacinal permitam o surgimento contínuo de novas mutações até conseguirem driblar com maior eficiência os imunizantes disponíveis."

05/08/2021 – ZH e GZH

Versão Impressa e online

Link GZH: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/08/debate-sobre-terceira-dose-de-vacina-contra-a-covid-19-ganha-forca-no-mundo-tire-suas-duvidas-ckrxu97ig000d013buhlxcwn3.html

"DEBATE SOBRE A TERCEIRA DOSE CRESCE, E AO MENOS 10 NAÇÕES JÁ ADOTAM MEDIDA

Pelo menos 10 nações já adotaram a estratégia, e Brasil deve tomar uma decisão sobre eventual reforço ainda neste ano

Zero Hora5 Aug 2021MARCELO GONZATTO Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Pesquisas indicam que reforço multiplica produção de anticorpos, mas cientistas avaliam ser mais importante agora imunizar número maior de pessoas.

Nas últimas semanas, a oferta de uma terceira dose de vacina contra a covid-19 ganhou força no mundo por meio da adoção dessa estratégia em pelo menos 10 países e da realização de um número crescente de estudos sobre o impacto desse reforço.

Pesquisas preliminares indicam que o acréscimo de outra injeção de Coronavac ou Pfizer, por exemplo, multiplica a produção de anticorpos, mas cientistas avaliam que ainda é mais importante imunizar um número maior de pessoas com as aplicações já previstas em países como o Brasil do que alterar o plano de combate ao vírus. A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu que os governos adiem a inclusão dessa terceira etapa pelo menos até setembro a fim de permitir melhor distribuição dos estoques disponíveis em nível global.

Diante da ameaça representada pela variante Delta, países como Israel, França e Rússia já adotaram a dose extra para, pelo menos, parte da população como pessoas mais vulneráveis a complicações de saúde. Reino Unido e Alemanha anunciaram que vão seguir o mesmo caminho. Entre as razões para esses ajustes estão indícios de redução de eficácia dos imunizantes ao longo do tempo, como sugerido por um estudo chileno recente. A pesquisa feita no país sul-americano, onde 65% da população já foi imunizada por completo, indicou que a eficácia da Coronavac para conter casos sintomáticos variou de 67% em abril para 58,49% agora. A taxa da Pfizer, analisada pela primeira vez, ficou em 87,69% enquanto estudos internacionais anteriores indicavam índice superior a 90%.

A imunologista e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Cristina Bonorino destaca que o ponto fundamental do estudo é ter demonstrado que as vacinas seguem eficientes contra casos graves e óbitos – a Coronavac manteve 86% de capacidade de evitar mortes, e a Pfizer, 100%:

– Muitos países estão adotando a terceira dose por medo da variante Delta. Mas não são decisões baseadas em racionalidade ou princípios científicos, já que as vacinas seguem protegendo contra casos graves e óbitos.

O mais importante, nesse momento, ainda é imunizar todo mundo pelo esquema já existente. Se chegarmos ao final do ano sem vacinação em massa, teremos um terceiro ano de pandemia e risco de que novas variantes escapem do sistema imune.

CRISTINA BONORINO Professora da UFCSPA

Estudos

Outro ponto importante do debate internacional é a necessidade de mais estudos para entender quais seriam os prazos adequados para o reforço, qual o resultado de usar um imunizante igual ou diferente do anterior e quem precisaria de fato de uma complementação vacinal – quem tomou determinada vacina, todos os idosos, pessoas com imunidade baixa ou outro perfil populacional. O Ministério da Saúde já anunciou que vai realizar pesquisa em parceria com a Universidade de Oxford até o final do ano para investigar questões como essas, com foco em pessoas que tomaram uma dose inicial de Coronavac. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou um estudo da Astrazeneca para avaliar a segurança e a eficácia de uma injeção extra desse produto.

– Há estudos que vão ocorrer utilizando a mesma vacina ou combinação heteróloga (com um produto diferente do anterior) .Já temos alguns resultados positivos, mas a discussão é quando adotar essa nova estratégia com base em dados científicos. Muitas pessoas ainda não estão imunizadas em países como o Brasil – observa a biomédica Mellanie Fontes-dutra.

O presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), Juarez Cunha, afirma que é fundamental a realização de mais pesquisas para definir qual a melhor estratégia a ser adotada em um futuro próximo.

– Adotar uma terceira dose no Brasil agora seria precoce. Mas é importantíssimo desenvolver esses estudos para avaliar a necessidade de mais uma aplicação, quanto tempo depois da segunda, e para quais pessoas – sustenta Cunha."

04/08/2021 – Aos Fatos (aosfatos.org)

Link: https://www.aosfatos.org/noticias/cdc-nao-disse-que-teste-rt-pcr-e-ineficaz-para-diagnosticar-covid-19/

“CDC não disse que teste RT-PCR é ineficaz para diagnosticar Covid-19

É falso que o CDC (Centers for Disease Control, órgão de saúde do governo dos EUA) fez um alerta de que o teste RT-PCR seria ineficaz para diagnosticar o novo coronavírus, como alegam postagens nas redes (veja aqui). Na realidade, em comunicado recente, a entidade apenas recomendou aos laboratórios do país o uso de um novo modelo de exame, que tem o mesmo método do RT-PCR, mas é capaz ainda de detectar os vírus influenza A e B. A mudança busca economizar tempo e recursos, de acordo com o CDC.

Posts com o conteúdo enganoso acumulavam ao menos 2.000 compartilhamentos nesta quarta-feira (4) e foram marcados com o selo FALSO na plataforma de verificação do Facebook (saiba como funciona).

Não é verdade que o CDC (Centers for Disease Control, órgão de saúde do governo dos EUA) teria feito um alerta de que os exames RT-PCR são ineficazes para detectar o novo coronavírus e que isso provaria que houve uma supernotificação de casos de Covid-19, como alegam as postagens checadas.

Em um comunicado feito em julho, o CDC recomendou aos laboratórios americanos a substituição do exame RT-PCR regular pelo CDC Influenza SARS-CoV-2 (Flu SC2) Multiplex Assay. Esse teste, desenvolvido pelo órgão, utiliza o mesmo método do RT-PCR, mas é capaz também de identificar na mesma amostra os vírus influenza A e B, causadores da gripe.

A mudança na orientação do órgão não se deu por uma suposta ineficácia do exame RT-PCR, que, segundo o CDC informou ao Aos Fatos, "é altamente preciso", mas pela possibilidade de economia de recursos e tempo ao se diagnosticar Covid-19 e gripe com apenas uma amostra coletada das vias respiratórias do paciente.

Além disso, a hipótese levantada pelas postagens checadas, de que uma confusão com diagnósticos de influenza possa ter inflado as notificações de Covid-19, não se sustenta porque os testes verificam diferentes regiões de um vírus para ter confiabilidade, segundo Melissa Markoski, professora de biossegurança da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre). "O Sars-Cov-2 e o influenza são vírus de estruturas muito diferentes, não há como fazer confusão”, afirmou a professora.

O RT-PCR é o teste considerado padrão-ouro por autoridades sanitárias brasileiras, como a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e internacionais, como ECDC (Centro Europeu de Prevenção e Controle das Doenças). O exame é capaz de detectar o material genético do coronavírus na fase aguda da doença, identificando a presença do RNA do SARS-CoV-2 em amostra obtida por meio de swab (cotonete) na mucosa da nasofaringe (nariz e garganta).

Em checagens anteriores, Aos Fatos já verificou que o exame RT-PCR não causa inflamação no cérebro de pacientes, e que não gera 97% de falsos positivos para Covid-19.

Esta peça de desinformação também foi checada pelo Estadão Verifica.”

02/08/2021 – GZH

Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/08/saiba-como-e-quando-voltam-as-aulas-nas-universidades-do-rs-ckrv2415i0079013b2v2nww0a.html

“Saiba como e quando voltam as aulas nas universidades do RS

Boa parte das instituições inicia o segundo semestre nesta semana

As aulas serão retomadas em boa parte das universidades gaúchas nesta semana. Com a interrupção das atividades causada pela pandemia, algumas instituições federais sofreram alterações no calendário acadêmico – a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), por exemplo, teve atraso de um semestre inteiro e iniciou nesta segunda-feira (2) o primeiro semestre letivo de 2021. Já a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) encerrará o primeiro semestre em 18 de setembro e começará o segundo em 18 de outubro.

A maioria das universidades deve funcionar, ao longo deste semestre, em formato de ensino híbrido, com aulas teóricas remotas e presencialidade em parte das aulas práticas. Entretanto, cada instituição tem suas especificidades e a maioria indica que os planos podem mudar, no decorrer dos meses, a depender da situação pandêmica no Estado.

(...)

UFCSPA

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) sofreu alterações no seu calendário acadêmico. A instituição encerrará o primeiro semestre em 18 de setembro e começará o segundo em 18 de outubro.

Por enquanto, a previsão é de retorno de grupos pequenos, só com pessoas que querem voltar ao formato presencial, e exclusivamente em atividades práticas. Na quinta-feira, haverá uma sessão dos Conselhos Universitários para discutir a volta das aulas práticas presenciais. Por enquanto, seguem apenas online.”

(...)

01/08/2021 – Rádio Guaíba

Link:https://guaiba.com.br/2021/08/01/covid-19-aplicadas-621-doses-de-vacina-neste-domingo-em-porto-alegre/

“Covid-19: aplicadas 621 doses de vacina neste domingo em Porto Alegre

Unidade móvel da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) ficou estacionada até às 13h, no bairro hípica

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) divulgou balanço da vacinação contra o coronavírus deste domingo em Porto Alegre. Segundo a pasta, 621 doses de vacina foram aplicadas, sendo 461 de primeira e 160 de segunda dose.

A unidade móvel da SMS ficou instalada na Escola Cesi, localizada na avenida Juca Batista, bairro Hípica, das 9h às 13h.

Nesta tarde, receberam o imunizante pessoas de 30 anos ou mais e demais grupos já contemplados na campanha. No local, além da primeira dose, o público teve acesso a  segunda dose de AstraZeneca e Coronavac para quem fez a primeira aplicação há dez semanas ou 28 dias, respectivamente.

A iniciativa contou com o apoio dos alunos dos cursos de enfermagem, medicina e biomedicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Factum Faculdade.

Cobertura vacinal

Atualmente, Porto Alegre já imunizou, com a primeira dose, 74,82% de um total de 1.103.717 pessoas que compõem a população apta a receber a vacina contra a doença. Enquanto 45,77% dos cidadãos que fazem parte deste grupo já estão com o esquema vacinal completo, ou seja, já receberam as duas doses ou a aplicação do imunizante de dose única.”