31/07/2021 – Diário Gaúcho
Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2021/07/casas-de-festas-de-porto-alegre-registram-procura-por-eventos-para-os-proximos-meses-ckrmfi4p3003l0193se8o454b.html
“Casas de festas de Porto Alegre registram procura por eventos para os próximos meses
Há estabelecimentos que já estão com a agenda aquecida, mas infectologista pede cautela
Primeiros a terem os estabelecimentos fechados e uns dos últimos a retomarem as atividades por conta da pandemia de coronavírus, os proprietários de casas de festas percebem uma retomada, ainda que tímida, pela procura de agendamento de eventos em Porto Alegre.
Na terça-feira (27), a prefeitura da Capital anunciou um conjunto de medidas para incentivar o setor de eventos, um dos mais prejudicados pela pandemia. A redução do Imposto Sobre Serviços (ISS) de 5% para 2% e a extinção da Taxa de Fiscalização da Localização e do Funcionamento (TFLF) serão protocoladas como projetos de lei na Câmara Municipal. Já a isenção das taxas para eventos sem cobrança de ingressos e redução pela metade para aqueles com venda será implementada via decreto municipal. E o plano de retomada gradual de grandes eventos é uma proposta de alinhamento com o governo estadual, que foi apresentada no dia 14 de julho ao Gabinete de Crise.
Apesar de admitir que há procura por orçamentos, a proprietária da Toy House, no bairro Menino Deus, Rosângela Cardoso, segue a rotina do cancelamento de festas que haviam sido transferidas de 2020 para 2021, a partir do início da pandemia. Só nesta segunda-feira (26), foram três pedidos de devolução do dinheiro. Sem caixa, a empresária tem negociado o parcelamento dos valores.
— Hoje, 90% das festas que haviam sido repassadas para este ano estão sendo reagendadas para o próximo ano ou canceladas. Por exemplo, o cliente comprou a festa em 2019 para fazer em 2020, quando a criança completaria sete anos. Em 2022, a criança já não terá mais interesse e a família ainda não se sente confortável para fazer a festa em 2021 — revela a empresária.
Para retomar o negócio, Rosângela tem apostado em divulgação nas redes sociais. Mas as famílias ainda seguem apenas orçando para festas a partir de outubro e novembro deste ano:
— O mercado ainda está lento. As pessoas estão com vontade de fazer o evento, mas ao mesmo tempo seguem preocupadas neste momento.
Ao contrário de Rosângela, depois de aberturas e fechamentos ao longo do último ano, Bruno Centeno, um dos sócios da Ioiô Casa de Festas Infantis, afirma que o empreendimento voltou a ser procurado por clientes antigos e novos desde a retomada, em maio deste ano.
A Ioiô tem duas unidades, no Moinhos de Vento e no bairro Três Figueiras. Inaugurada no mês passado, a Ioiô Três Figueiras teve sete eventos neste mês e já conta com agendamentos para os próximos meses. Na outra unidade, existente desde 2019, há 14 eventos confirmados para agosto.
— Num único dia é possível fazer até três festas, com duas horas de intervalo entre uma e outra para a realização da higienização, que também é feita durante todo o evento. Temos clientes que haviam reagendado do ano passado para este e novos, que acabam vindo depois de participarem das festas que já estão ocorrendo — conta, entusiasmado.
Parceira de casas de festas da Capital, Ana Eliza Motta Costa, proprietária da Festa Pronta Personalizações e Eventos, que produz e decora eventos infantis, adultos e empresariais, também percebe um reaquecimento no mercado das festas infantis. Para se manter ao longo da pandemia, Ana Eliza precisou se reinventar inúmeras vezes. Com o fechamento das casas, em março do ano passado, ela criou o Festa Pronta Inbox, que consistia em uma minifesta enviada numa caixa para a casa dos consumidores. Em agosto do ano passado, a empresária criou o Festa em Casa, quando oferecia os kits prontos para os eventos familiares. Com a chegada do calor, Ana criou a Festa Piquenique, organizando os eventos em locais abertos, como parques, pátios de casa e praças. Agora, já tem procura pelas festas em áreas fechadas.
— Antes da pandemia, costumávamos decorar até 10 festas num único final de semana. Depois, parou tudo. Agora, já percebo um recomeço. Num único final de semana, decorei quatro festas num mesmo empreendimento — comemora Ana Eliza.
Ainda há empresários que optaram por manter as portas fechadas até a porcentagem de vacinação alcançar números maiores no Estado. É o caso de João Batista Bertagnolli, proprietário da Party Room Espaço de Eventos, no bairro Cascata. Ele aproveitou este momento para reformar o ambiente e prepará-lo para os eventos que já estão sendo orçados.
— Os orçamentos estão entrando para festas nos próximos meses, porque as pessoas acreditam que alcançaremos um maior número de vacinados. Já saímos do momento trágico e é possível enxergar uma luz no final do túnel, a partir de setembro — projeta, esperançoso, o empresário.
Infectologista pede cautela
De acordo com o coordenador da Vigilância em Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter, por enquanto, eventos infantis, sociais e de entretenimento (em bufês, casas de festas, casas de shows, casas noturnas, restaurantes, bares e similares) na Capital devem seguir os protocolos determinados pelo Sistema 3As de Monitoramento, criado pelo governo do Estado.
O médico Alessandro Pasqualotto, chefe do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), pondera que ainda é preciso cautela com festas infantis:
— Peço um pouco de calma à população porque logo chegará o equilíbrio com base na vacinação. Não sei se é o melhor momento para começarmos a ter tamanha abertura. Acho que alguma abertura é necessária, porque a vacinação é crescente e o número de casos de covid-19 tem reduzido. Mas festas infantis significam que estaremos expondo populações não vacinadas, como os menores de idade, a um risco de ter e transmitir covid-19.
Para Pasqualotto, qualquer iniciativa neste sentido tem que ser vista como um experimento social. Ou seja, controlado. Se vai ocorrer a festa, aponta o médico, todos os participantes deveriam ser testados com PCR antes do evento, para detectar a infecção em assintomáticos.
O cenário mais seguro, de acordo com o especialista, seria um encontro social apenas entre vacinados e testados, o que não incluiria crianças. O cenário menos seguro é a reunião de pessoas não testadas e vacinadas. E o cenário sem qualquer segurança é o encontro de pessoas não testadas e não vacinadas, que inclui as festas infantis.
— Teria que se manter um período de vigilância depois destas festas e, de preferência, com testagem após o encontro. É assim num experimento, como tem sido feito em diferentes partes do mundo — justifica.
Dicas para comemorar o aniversário
- Evite reuniões que durem muitas horas.
- Limite o número de pessoas. O risco aumenta quanto maior for a quantidade de convidados.
- Evite compartilhar alimentos em tigelas, onde todos colocam a mão. Use prato único, descartável, para cada convidado.
- Se a festa for em local fechado, mantenha janelas e portas abertas e ar-condicionado desligado.
- Mantenha o distanciamento, evitando beijos e abraços. A troca de aerossóis ocorre a partir de gestos de proximidade, pois uma pessoa pode estar, sem saber, no início da infecção ou assintomática.
- Só retire a máscara quando for ingerir bebidas e alimentos, mantendo o distanciamento das demais pessoas.”
29/07/2021 – Zero Hora
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"Mudanças no intervalo entre doses tem gerado dúvidas
Zero Hora29 Jul 2021
Reforço da Astrazeneca deve ser substituído pelo da Pfizer em grávidas
Na segunda-feira, o secretário executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, anunciou que o intervalo entre as doses da vacina da Pfizer diminuirá de três meses para 21 dias, como estabelece a bula. No Brasil, a pasta estendeu o tempo com a justificativa de que ajudaria a vacinar mais pessoas com a primeira dose em um intervalo de tempo menor.
– Finalmente, iremos seguir o que é preconizado no protocolo original da vacina. A decisão é ainda mais importante do ponto de vista que permite avançar mais rápido para uma imunização completa, o que parece ser muito relevante para um controle adequado, seja da variante Delta, ou mesmo de outras variantes conhecidas – diz Fernando Spilki, coordenador da Rede Corona-ômica BR-MCTI.
Outra alteração ocorreu no âmbito estadual, na semana passada, quando a Secretaria Estadual da Saúde (SES) acatou pedido feito pelo Conselho dos Secretários Municipais da Saúde (Cosems) para que o intervalo de 12 semanas entre a primeira e a segunda dose da Astrazeneca fosse retomado. Uma volta atrás na decisão anunciada no dia 12, quando a SES havia encurtado o intervalo para 10 semanas como ação preventiva frente à suspeita de dois casos da variante Delta, confirmados nesta semana.
Segundo Spilki, independentemente de 10 ou 12 semanas entre as doses de Astrazeneca, os intervalos são próximos, do ponto de vista da resposta imunológica. A variação neste caso, se houver, deve ser muito reduzida.
Spilki ressalta que o vaivém das informações relacionadas às vacinas depende muito mais do conhecimento que vem sendo produzido, da disponibilidade delas e do momento de pandemia que cada localidade está vivendo.
– Como as coisas estão sendo feitas a toque de caixa, muitas das decisões e das condutas são baseadas numa única evidência, e depois vão se construindo outras evidências. E há diversos cenários. Por exemplo, se não há um número expressivo de vacinas, vale a pena espaçar as doses porque se ganha tempo para receber novas doses. Uma estratégia para que não falta vacinas seria a extensão do prazo. Mas, se há um pico no número de casos, tenho que dar a vacina para o maior número de pessoas e que seja a que protege mais rapidamente – destaca Sprinz, do Hospital de Clínicas.
Atenção
Para o médico Alessandro Pasqualotto, chefe do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a população precisa aderir às recomendações, à medida que os estudos vão mostrando a melhor maneira de se imunizar.
– Não há um limitante, mas uma modernização da informação. Cabe à população ficar atenta às recomendações oficiais do Ministério da Saúde, que deve seguir as recomendações científicas – finaliza."
29/07/2021 – Jornal Correio da Bahia
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“Mortes em julho superam o pior mês do ano passado
Correio da Bahia29 Jul 2021
COVID-19 O Brasil registrou, do dia 1º de julho até essa terça-feira (27), 33.660 mortes por covid-19, segundo dados apurados pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias de Saúde do país. Mesmo com queda em relação aos últimos meses, o número já é maior do que o de julho de 2020 – pior mês da pandemia no ano passado –, que teve 32.912 mortes.
Na média móvel, as mortes no país vinham em tendência de queda até o dia 22. Desde o dia 23, entretanto, vêm mostrando estabilidade. O número de mortes visto neste mês é, até agora – considerando apenas os dados parciais –, 39% menor do que o de mortes em junho.
Considerando a comparação com abril - pior mês da pandemia no Brasil -, a queda nas mortes é, até agora, de 59%.
Para a epidemiologista Lucia Pellanda, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a queda nas mortes é um efeito positivo da vacinação – como outros especialistas já haviam apontado no início do mês – mas a reabertura e a retomada de atividades ainda estão sendo feitas antes da hora. mil mortes foram registradas de1ºa27 de julho número maior do que o de julho de 2020 – pior mês da pandemia no ano passado
“Essa parece uma lição muito explícita que o vírus quer nos ensinar e a gente se recusa a aprender – a gente sempre flexibiliza antes da hora. Tanto no Brasil quanto globalmente. O grande risco é que, quando começa a melhorar, a gente começa a liberar tudo antes da hora. Todas as vezes aconteceu isso: cada descenso de pico a gente liberou antes da hora e acabou ficando num patamar alto”, alertou ela no portal G1.
A pesquisadora lembra que, nos países ricos – onde não há falta de vacinas, como no Brasil, e a cobertura vacinal é maior –, o que há agora é uma “epidemia dos não vacinados”. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Centro de Controle de Doenças (CDC) voltou a recomendar o uso de máscaras.
Ela critica o fato de taxas de ocupação de leitos de UTI estarem sendo usadas para medir a situação da pandemia – como os índices estão baixos, há a crença de que há “mais espaço para as pessoas adoecerem”. Com a reabertura neste momento, entretanto, há o risco de surgimento de novas variantes, aponta o epidemiologista Ethel Maciel, da Ufes – e de mais casos, internações e óbitos.”
29/07/2021 – Segs Portal
Link:https://www.segs.com.br/eventos/302272-webinar-discutira-sobre-o-futuro-do-ensino-na-saude
“Webinar discutirá sobre o futuro do Ensino na Saúde
Na próxima sexta-feira, dia 30 de julho, às 17h, a Iniciativa FIS (Fórum Inovação e Saúde) realizará o Webinar O Futuro do Ensino na Saúde – o que a pandemia tem ensinado. A proposta do evento é trazer um debate sobre os caminhos que o ensino no setor irá tomar na pós-pandemia da Covid-19 e quais lições podem ser tiradas para a Educação da Saúde.
A educação remota começou a ser uma tendência desde o ano passado. Ela foi um caminho utilizado para continuar com as aulas que antes eram presenciais e sofrem restrições por conta da pandemia. Para o pesquisador Associado ao Centro de Estudos e Estratégicos da Fiocruz, Luiz Santini, a incorporação de novas tecnologias podem representar um aliado importante no avanço da educação na área de Saúde, mas tendo também sempre uma visão adequada de sua utilização e disponibilidade de recursos.
Para o VP Innovation & Digital Services AFYA, Julio De Angeli, acredita numa tendência em juntar as práticas médicas tanto presenciais quanto um aprendizado mais virtual. “A pandemia mostrou que, cada vez mais, a gente está caminhando para um formato híbrido de ensino. Prática médica acontece, tem que acontecer, mas tendo o aluno a oportunidade de olhar conteúdos online, sendo videoaulas, podcasts, simulados e questões”, concluiu.
O neurocientista e pesquisador do Instituto D’Or, Roberto Lent, disse que a discussão sobre o que será feito no final da pandemia é essencial. Segundo Lent, avaliar as perdas, ganhos e planejar uma saída da crise é importante para dar a “volta por cima”. E segue o mesmo pensamento de Julio De Angeli, que a migração para uma modalidade híbrida pode ser o caminho a ser utilizado daqui para frente. Mas ressalva que o ensino presencial seja composto por competências socioemocionais e humanas. Já a modalidade remota, seria para a aquisição de informações de conteúdo cognitivo.
De acordo com o presidente da Iniciativa FIS,Dr.Josier Vilar, a atual situação mostrou uma necessidade de melhorar o setor e ,ao mesmo tempo, um desafio para o ensino na Saúde. “O maior desafio que a pandemia de Covid-19 nos revelou, foi superar a deficiência de qualificação profissional na saúde brasileira. Então, qualificar profissionais de Saúde para o mundo digital é o maior desafio que o setor exige de todos nós”, enfatizou.
Vale ressaltar que o Webinar será gratuito e contará com a presença da médica e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Lúcia Pellanda, Julio De Angeli, Luiz Santini e Roberto Lent. O mediador será o Dr.Josier Vilar.”
29/07/2021 – Diário Gaúcho
Link: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/07/autorizacao-para-vacinar-adolescentes-permitira-que-85-dos-gauchos-sejam-imunizados-20641205.html
“Autorização para vacinar adolescentes permitirá que 85% dos gaúchos sejam imunizados
Especialistas estimam que cerca de 70% da população com duas doses deve garantir o controle da pandemia
Com o aval conferido pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (27) para vacinar adolescentes contra a covid-19, o Rio Grande do Sul poderá vacinar 85% de toda a sua população. A ampliação do público apto a receber um imunizante deve auxiliar para a conquista da imunidade coletiva, quando entre 70% e 75% da população tiver recebido as duas doses, uma projeção para controlar a pandemia.
A inclusão dos adolescentes e o aval para aplicar a segunda dose da AstraZeneca e da Pfizer em três semanas em vez de três meses são dois esforços do Ministério da Saúde para evitar uma nova onda da pandemia causada pela variante Delta, altamente transmissível. Não há previsão de vacinação no Rio Grande do Sul ainda, segundo o governo do Estado.
Cálculos da Secretaria Estadual da Saúde (SES) apontam que há 862.658 jovens de 12 a 17 anos no Rio Grande do Sul. Descontados os 43.133 com comorbidades que já podem se vacinar em solo gaúcho desde a semana passada, a expectativa é de que 819.525 mil adolescentes sem doenças crônicas estejam aptos a se vacinar no Estado com a liberação do governo federal.
Com a inclusão desse novo grupo, o Rio Grande do Sul amplia a população apta a se vacinar – passando de 8.931.116 para 9.750.641 gaúchos vacináveis. Agora, 85,3% de toda população do Estado está liberada para receber um imunizante no braço
— Mesmo que alguns recusem a vacinação, com mais pessoas se vacinando atingiremos, em algum momento, a imunidade de rebanho. Vacinar uma parcela adicional de pessoas que têm grande contato social é muito importante. Quanto mais rapidamente ampliarmos a cobertura, mais rapidamente controlaremos a epidemia. Estamos nos dirigindo para o fim da epidemia — analisa o médico Alessandro Pasqualotto, chefe da Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
No Brasil, a vacina da Pfizer é a única liberada para aplicação em adolescentes. Mas o cenário pode mudar no futuro: a farmacêutica estuda a aplicação em crianças de cinco a 11 anos. Além disso, estudo feito com a CoronaVac na China mostrou que o imunizante é seguro e eficaz para aplicação em crianças dos três aos 17 anos. A análise foi publicada neste mês no periódico The Lancet Infectious Diseases.
Analistas destacam que adolescentes, apesar de terem menor risco para o coronavírus, podem contribuir para a disseminação viral por conta dos encontros sociais, típicos da idade, e pela presença em sala de aula. Imunizá-los serve, portanto, para bloquear a transmissão da covid-19 entre diferentes "bolhas".
— Apesar de adolescentes apresentarem menos sintomas e risco, teremos essa população imune e com menor chance de serem potenciais transmissores a professores ou familiares. Assim, paramos mais efetivamente a cadeia de transmissão da covid e teremos cada vez mais espaços seguros para retomar nossos hábitos — afirma Cezar Riche, médico infectologista do Hospital Mãe de Deus.
Contatada pela reportagem, a Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul (SES-RS) afirmou que ainda não há previsão para o início da vacinação de adolescentes sem comorbidades.
A pasta também não mencionou se a oferta será dada logo após o fim da aplicação da primeira dose em adultos, estimada para 7 de setembro, ou se haverá intervalo maior em função da necessidade de aplicar a segunda dose em adultos.
Em São Paulo, o governador João Doria, rival de Eduardo Leite nas prévias para concorrer à Presidência pelo PSDB, anunciou que a primeira dose em todos os adultos paulistas será aplicada até 16 de agosto e que a vacinação de adolescentes será em 18 de agosto – antes, os jovens começariam a receber imunizantes em 23 de agosto. A antecipação ocorre porque o Palácio dos Bandeiras comprou 4 milhões de doses da CoronaVac que já chegaram e foram distribuídas para adultos.
Diferentemente de São Paulo, o Rio Grande do Sul começou a vacinar adolescentes com comorbidades desde a semana passada, a despeito de o Ministério da Saúde não ter dado o aval. A liberação do governo federal permite a inclusão, em território gaúcho, de jovens sem doenças crônicas.
— Os adolescentes têm uma tendência, pela idade, a se encontrar e ter maior interação social. Com a abertura das escolas, acabam se aglomerando, apesar das regras rígidas nas aulas. Vacinar adolescentes protege para que haja menos surtos nas escolas. Está provado que adolescentes contaminam mais do que crianças jovens. A variante Delta está entrando no Brasil e tem alto potencial de transmissibilidade. É muito importante que a maior parte da população esteja vacinada. Isso faz uma barreira para evitar um novo pico de doentes — afirma Benjamin Roitman, médico e membro da diretoria da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul.”
28/07/2021 – Zero Hora
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PANDEMIA DEVE TER POUCA CIRCULAÇÃO DO VÍRUS E CASOS GRAVES ISOLADOS EM 2022
Zero Hora28 Jul 2021MARCELO GONZATTO Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Especialistas em saúde e estatística projetam cenário provável para o ano que vem com base em avanço da vacinação e ameaças como a variante Delta.
Profissionais de saúde e estatística avaliam que os brasileiros ainda terão de conviver com o coronavírus em 2022, mas a hipótese mais cogitada pelos especialistas consultados por ZH é de que o avanço da imunização ajude a derrubar índices de contaminação e permita um cenário de maior normalidade.
O nível de otimismo varia em razão de incertezas como adesão às vacinas, manutenção de medidas preventivas mínimas e eventual avanço de novas variantes. Uma das possibilidades é de que a covid-19 persista por meio de surtos principalmente entre populações com menor cobertura vacinal.
Artigo recente de uma publicação científica da Associação Médica Americana cogita quatro cenários para o futuro da pandemia: erradicação (redução global do vírus), eliminação (redução regional, com zonas livres da doença), coabitação (menos transmissão e poucos casos graves) ou conflagração (semelhante ao cenário atual).
Na avaliação majoritária de cinco especialistas ouvidos por ZH, a maior probabilidade para o Brasil seria de coabitação.
– A doença seguirá existindo, mas com pouquíssima circulação e casos graves muito isolados. É o cenário que considero mais provável, mas precisamos manter nosso ritmo atual de vacinação – diz Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL).
O pesquisador em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Diego Ricardo Xavier aposta, caso se atinjam as metas de vacinação neste ano, em um panorama favorável a surtos localizados:
– Ainda precisaremos combinar estratégias como aumento de testagem e rastreio de casos, ou teremos surtos, sim, com aumento de casos (nos locais de ocorrência).
Em grande parte, o cenário em 2022 será determinado por medidas que dependem da disposição dos brasileiros em seguir se vacinando, da garantia de doses suficientes por parte do governo federal e da preservação de ações como distanciamento e uso de máscaras.
– Ainda estamos muito distantes da cobertura vacinal que efetivamente reduz a circulação do vírus, que exige duas doses ou vacinas de dose única. Até lá, a alta circulação do vírus favorece o surgimento de variantes como a Delta, que podem colocar a perder muito do que já avançamos – explica o epidemiologista do Hospital de Clínicas Ricardo Kuchenbecker.
Recuo
Mesmo parcial, a vacinação tem ajudado a reduzir a média móvel de mortes diárias (calculada com base nos sete dias anteriores), que segue em tendência de queda no país. Em duas semanas, até segunda-feira houve recuo de 15% – de 1.303 para 1.107. A avaliação sobre a evolução recente de novos casos foi prejudicada pela inclusão, na sexta-feira, de mais de 60 mil exames positivos que estavam represados no Estado. Apesar disso, com base nas tendências das últimas semanas, o doutor em matemática da UFRGS Álvaro Krüger Ramos acredita em uma evolução:
– Com a vacinação, será possível reduzir o número de óbitos para um cenário compatível com o da gripe sazonal.
Há especialistas menos otimistas. – Enquanto não aprendermos que a pandemia é um problema global, vamos perpetuar essa situação. Não adianta ter vacinação nos países ricos e não nos pobres, porque vão se desenvolver novas variantes – alerta Lucia Pellanda, professora de Epidemiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
28/07/2021 – Grupo Independente
Link:https://independente.com.br/mortes-por-covid-em-julho-de-2021-superam-as-de-julho-de-2020-pior-mes-do-ano-passado/
“Mortes por covid em julho de 2021 superam as de julho de 2020, pior mês do ano passado
Dados foram apurados pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias de Saúde do país
O Brasil registrou, do dia 1º de julho até esta terça-feira (27), 33.660 mortes pela covid-19, segundo dados apurados pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias de Saúde do país. Mesmo com queda em relação aos últimos meses, o número já é maior do que o de julho de 2020 – pior mês da pandemia no ano passado –, que teve 32.912 mortes. Na média móvel, as mortes no país vinham em tendência de queda até o dia 22.
Desde o dia 23, entretanto, vêm mostrando estabilidade. Para a epidemiologista Lucia Pellanda, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a queda nas mortes é um efeito positivo da vacinação – como outros especialistas já haviam apontado no início do mês – mas a reabertura e a retomada de atividades ainda estão sendo feitas antes da hora.
Ela lembra que, nos países ricos – onde não há falta de vacinas, como no Brasil, e a cobertura vacinal é maior – para a pesquisadora, o que há agora é uma “epidemia dos não vacinados”. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Centro de Controle de Doenças (CDC) voltou a recomendar o uso de máscaras.”
28/07/2021 – Gazeta RS
Link: http://gazeta-rs.com.br/especialistas-projetam-cenarios-de-atuacao-do-coronavirus-em-2022/
“Especialistas projetam cenários de atuação do coronavírus em 2022
Ritmo de vacinação e medidas de prevenção serão determinantes para controle da pandemia
Especialistas em saúde e estatística projetam que os brasileiros ainda terão de conviver com o coronavírus em 2022. Porém, o avanço da imunização deve ajudar a derrubar os índices de contaminação e permitir um cenário de maior normalidade.
O nível de otimismo varia em razão de incertezas como a adesão da população às vacinas, a manutenção de medidas preventivas mínimas e o eventual avanço de novas variantes como a Delta. Uma das possibilidades é de que a covid-19 persista por meio de surtos registrados, principalmente, entre populações com menor cobertura vacinal.
“A doença seguirá existindo, mas com pouquíssima circulação e casos graves muito isolados. É o cenário que considero mais provável, mas precisamos manter nosso ritmo atual de vacinação”, observou o epidemiologista da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pedro Hallal.
Um artigo recente de uma publicação científica da Associação Médica Americana cogita quatro cenários para o futuro da pandemia: erradicação (redução global do vírus), eliminação (redução regional, com zonas livres da doença), coabitação (menos transmissão e poucos casos graves) ou conflagração (semelhante ao cenário atual).
O pesquisador em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Diego Ricardo Xavier, aposta, caso se atinjam as metas de vacinação neste ano, em um panorama favorável a surtos localizados em vez de um descontrole generalizado.
População
Projeções mais exatas são dificultadas pelo desafio de prever não o comportamento do vírus, mas das pessoas. Em grande parte, o cenário em 2022 será determinado por medidas que dependem da disposição dos brasileiros em seguir se vacinando, da garantia de doses suficientes por parte do governo federal e da preservação de ações como distanciamento e uso de máscaras até que a transmissão do vírus seja derrubada de fato.
Mas há especialistas bem menos otimistas em relação aos próximos meses. Professora de Epidemiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda não crê em uma saída que não envolva um esforço internacional ainda ausente.
“Enquanto não aprendermos que a pandemia é um problema global, vamos perpetuar essa situação. Não adianta ter vacinação nos países ricos e não nos países pobres, porque vão se desenvolver novas variantes”, defende Lucia.
Medidas de prevenção
Tudo indica que, apesar do avanço da vacinação e de recuos recentes em taxas de novos casos e óbitos por covid-19, os brasileiros precisarão manter algumas medidas de prevenção para evitar novos saltos de contaminação ao menos em parte do ano que vem.
Par o epidemiologista Pedro Hallal, talvez seja possível dispensar o uso de máscara entre o final deste ano e o começo do próximo. “A retirada das máscaras se dará entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022, se tudo continuar na mesma”, aposta.
Há colegas que preferem manter maior cautela. Especialista em Saúde Pública da Fiocruz, Diego Ricardo Xavier lembra que outros países, mesmo com imunização muito mais avançada, ainda não puderam desconsiderar completamente ações de prevenção.
Caso se atinjam as metas de vacinação neste ano, em um panorama favorável a surtos localizados em vez de um descontrole generalizado.”
27/07/2021 – G1
Link:https://g1.globo.com/fato-ou-fake/coronavirus/noticia/2021/07/27/e-fake-que-queda-de-mortes-por-covid-19-no-brasil-seja-por-causa-de-ciclo-natural-do-virus.ghtml
“É #FAKE que queda de mortes por Covid-19 no Brasil seja por causa de 'ciclo natural' do vírus
Especialistas refutam alegação que circula em redes sociais. Boletim da Fiocruz aponta que a melhoria do quadro pandêmico no país é uma consequência direta do aumento no número de imunizados.
Circula pelas redes sociais uma mensagem que sugere que o coronavírus está seguindo o seu ciclo natural e que a queda de mortes por Covid-19 no Brasil e o arrefecimento da pandemia ocorrem sem que isso tenha ligação com a taxa de vacinação da população. É #FAKE.
Professor titular de saúde coletiva da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e médico de família e comunidade do Grupo Hospitalar Conceição, Airton Tetelbom Stein afirma que a informação de que o vírus segue um ciclo natural não é validada cientificamente.
Citando o livro "Epidemiologia", de Roberto Medronho, ele aponta que os surtos acabam nas seguintes situações:
Quando todos os que eram suscetíveis adoeceram
Quando não há mais exposição à fonte de contaminação
Quando a fonte de contaminação acabou
Quando os indivíduos diminuíram sua suscetibilidade, tornaram-se imunizados (vacinados) ou usaram medidas preventivas para evitar a doença
Quando os patógenos tornaram-se menos patogênicos
Ele sustenta que, para responder à alegação contida na mensagem falsa, vários elementos devem ser considerados: a patogenecidade das variantes, a cobertura vacinal, os fatores de risco da população, determinantes sociais e a curva epidêmica no local. Ou seja, a situação é muito mais complexa do que apenas o "ciclo natural" do vírus.
A pesquisadora Ligia Kerr, integrante da comissão de epidemiologia da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e professora da Universidade Federal do Ceará, concorda. "O vírus não está seguindo um ciclo natural. Ele está seguindo o ciclo do que nós, como seres humanos, estamos permitindo que siga", diz.
A ideia de que a queda nas mortes não tem ligação com a taxa de vacinação também é desmentida por Kerr. "Isso é fake. Hoje, nós temos uma queda nos óbitos principalmente por causa da vacinação. E uma queda nos casos também", diz. "Se a gente não tomar uma providência, nós vamos seguir o rumo que os Estados Unidos estão seguindo. Eu estou aqui na Califórnia, que tem uma grande taxa de vacinação, e os casos e hospitalizações estão aumentando porque tem muita gente ainda que não quer e se recusa a tomar a vacina", diz.
Kerr, presidente do 11º Congresso Brasileiro de Epidemiologia, que acontecerá em novembro em plataforma virtual, afirma que o Brasil é um país que tradicionalmente toma a vacina, mas enfrenta o problema de falta de imunizante. E recomenda: "A gente tem que andar com todas essas ações ao mesmo tempo, vacinação, uso de máscara, distanciamento na medida do possível. Tem que ser tudo junto, senão, a gente corre o risco de passar pela mesma situação [dos EUA]."
A especialista acrescenta ainda que o Brasil não tem feito o diagnóstico e rastreamento dos casos, medida que ela afirma serem absolutamente fundamentais. "Se a gente não fizer isso, não conseguiremos barrar a infecção."
Além disso, a pesquisadora alerta que, se tiver bolsões onde a doença possa se replicar com facilidade, o vírus vai tentar escapar à nossa imunidade natural e à nossa imunidade vacinal. "Se você pegar os países pobres, a taxa de vacinação está em torno de 1% da população. Isso não pode acontecer. Os países desenvolvidos têm que produzir vacina e vacinar os países mais pobres. Está crescendo na África, está crescendo em vários lugares da Ásia. Isso é que não podemos permitir. Temos de avançar na vacinação no mundo", afirma.
De acordo com o boletim Observatório Covid-19 da Fiocruz para o período de 4 a 17 de julho, o avanço da vacinação no Brasil tem ocorrido de forma mais lenta do que esejável, mas, ainda assim, a melhoria do quadro pandêmico no país é uma consequência direta do aumento no número de imunizados.
O documento alerta que, embora os dados tragam algum alento, o país permanece ainda em um patamar muito crítico, com uma média diária de 39.064 casos e 1.196 óbitos. E lembra que continuam pertinentes as preocupações quanto à possibilidade de piora no quadro pandêmico, especialmente frente à propagação da variante Delta.
Especialistas ouvidos pelo G1 apontam que os números da queda da média móvel de mortes estão entre os dados que já mostram a efetividade da vacina em grupos que estão totalmente imunizados (sobretudo idosos). Apesar disso, eles alertam que a pandemia não está controlada e que a chegada da variante delta ainda é um risco para aqueles que não tomaram as duas doses da vacina.”
27/07/2021 – GZH
Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/07/brasileiros-deverao-conviver-com-o-coronavirus-em-2022-mas-sob-menos-contaminacoes-e-mortes-ckrmdftfd002d01930wc04pvq.html
“Brasileiros deverão conviver com o coronavírus em 2022, mas sob menos contaminações e mortes
Especialistas traçam cenário mais provável para a covid-19 no ano que vem com base em avanço da vacinação e ameaças como a variante Delta
Profissionais de saúde e estatística avaliam que os brasileiros ainda terão de conviver com o coronavírus em 2022, mas a hipótese mais cogitada pelos especialistas consultados por GZH é de que o avanço da imunização ajude a derrubar os índices de contaminação e permita um cenário de maior normalidade.
O nível de otimismo varia em razão de incertezas como a adesão da população às vacinas, a manutenção de medidas preventivas mínimas e o eventual avanço de novas variantes como a Delta. Uma das possibilidades é de que a covid-19 persista por meio de surtos registrados principalmente entre populações com menor cobertura vacinal.
Um artigo recente de uma publicação científica da Associação Médica Americana cogita quatro cenários para o futuro da pandemia: erradicação (redução global do vírus), eliminação (redução regional, com zonas livres da doença), coabitação (menos transmissão e poucos casos graves) ou conflagração (semelhante ao cenário atual).
Na avaliação majoritária de cinco especialistas em saúde ou estatísticas da pandemia ouvidos por GZH, a maior probabilidade para o Brasil seria de coabitação, com níveis de transmissão, casos graves e óbitos bem menores do que os atuais.
— A doença seguirá existindo, mas com pouquíssima circulação e casos graves muito isolados. É o cenário que considero mais provável, mas precisamos manter nosso ritmo atual de vacinação — observa o epidemiologista da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Pedro Hallal.
O pesquisador em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Diego Ricardo Xavier aposta, caso se atinjam as metas de vacinação neste ano, em um panorama favorável a surtos localizados em vez de um descontrole generalizado:
— Ainda precisaremos combinar estratégias como aumento de testagem e rastreio de casos, ou teremos surtos, sim, com aumento de casos (nos locais de ocorrência).
MORTES POR COVID-19 NO BRASIL
Média móvel (dos sete dias anteriores) de óbitos diários no país segue tendência de queda nas últimas semanas
(Verificar gráficos pelo link acima)
Comportamento humano
Projeções mais exatas são dificultadas pelo desafio de prever não o comportamento do vírus, mas dos seres humanos: em grande parte, o cenário em 2022 será determinado por medidas que dependem da disposição dos brasileiros em seguir se vacinando, da garantia de doses suficientes por parte do governo federal e da preservação de ações como distanciamento e uso de máscaras até que a transmissão do vírus seja derrubada de fato.
— Ainda estamos muito distantes da cobertura vacinal que efetivamente reduz a circulação do vírus, que exige duas doses ou vacinas de dose única. Estamos ao redor de 18% da população, enquanto é preciso algo em torno de 75%. Até lá, a alta circulação do vírus favorece o surgimento de variantes como a Delta, que podem colocar a perder muito do que já avançamos — explica o epidemiologista do Hospital de Clínicas da Capital Ricardo Kuchenbecker.
Mesmo parcial, a vacinação tem ajudado a reduzir a média móvel de mortes diárias (calculada com base nos sete dias anteriores), que segue em tendência de queda no país. Em duas semanas, até a segunda-feira (26) houve um recuo de 15% nesse número – variou de 1.303 para 1.107 ao longo desse período. A avaliação sobre a evolução recente de novos casos foi prejudicada pela inclusão, na sexta-feira (23), de mais de 60 mil exames positivos que estavam represados no Rio Grande do Sul. Isso gera um aumento artificial da média de contaminações.
Apesar disso, com base nas tendências gerais das últimas semanas, o doutor em matemática e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Álvaro Krüger Ramos, que monitora as estatísticas da pandemia, acredita em uma evolução no combate ao coronavírus em 2022.
— Minha expectativa, compatível com os números que temos visto, é de que 2022 seja o ano de nos readaptarmos à normalidade. Vamos ter de conviver com a pandemia, talvez a covid-19 não vá embora. Mas, com a vacinação, será possível reduzir o úmero de óbitos para um cenário compatível com o da gripe sazonal — analisa o matemático.
Mas há especialistas bem menos otimistas em relação aos próximos meses. Professora de Epidemiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda não crê em uma saída que não envolva um esforço internacional ainda ausente.
— Enquanto não aprendermos que a pandemia é um problema global, vamos perpetuar essa situação. Não adianta ter vacinação nos países ricos e não nos países pobres, porque vão se desenvolver novas variantes — acredita Lucia.
O mesmo problema, em sua avaliação, se repete no nível pessoal:
— Não adianta eu estar vacinada e ir a uma festa onde há não vacinados. Hoje, temos visto epidemias de não vacinados. Precisamos não só de vacina, mas também de cuidados de distanciamento, máscara e ventilação dos ambientes até interromper a circulação do vírus.
Medidas de prevenção ainda serão necessárias
Tudo indica que, apesar do avanço da vacinação e de recuos recentes em taxas de novos casos e óbitos por covid-19, os brasileiros precisarão manter algumas medidas de prevenção para evitar novos saltos de contaminação ao menos em parte do ano que vem.
Entre os mais otimistas, o epidemiologista Pedro Hallal acredita que talvez seja possível dispensar o uso de máscara entre o final deste ano e o começo do próximo:
— A retirada das máscaras se dará entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022, se tudo continuar na mesma.
Há colegas que preferem manter maior cautela. Especialista em Saúde Pública da Fiocruz, Diego Ricardo Xavier lembra que outros países, mesmo com imunização muito mais avançada, ainda não puderam desconsiderar completamente ações de prevenção.
— O uso de máscara e, principalmente, o hábito de evitar locais de aglomeração devem persistir mesmo com o aumento da vacinação. Na Europa e na Ásia, mesmo com imunização acelerada, vemos a adoção de medidas restritivas. Aqui, não tem por que ser diferente — observa Xavier.
Para a professora de Epidemiologia da UFCSPA Lucia Pellanda, ainda não há como prever a dispensa de medidas não farmacológicas de proteção contra a covid-19:
— Houve um otimismo exagerado de que só vacina sozinha vai resolver. Não resolve. Tem de ser vacina e cuidados, e alguns cuidados talvez a gente vá ter de manter por muito tempo mesmo.
Quanto tempo? Para o epidemiologista Ricardo Kuchenbecker, a resposta vai depender de dois itens fundamentais:
— O relaxamento do uso de máscaras depende de dois fatores: cobertura vacinal e baixas taxas de novas infecções. Ambos interdependentes.”
22/07/2021 – Diário de Viseu
Link:https://www.diarioviseu.pt/noticia/72595
"Portugal completa vacinação em finais de Setembro
A pandemia «tornar-se-á endémica», mas com a vacinação da população portuguesa, que deverá estar concluída em finais de Setembro, será possível «libertar a economia», disse ontem em Coimbra o vice-almirante Gouveia e Melo. O coordenador da task force para o plano de vacinação expôs, durante a conferência internacional "Saúde Global em Pós-Pandemia", os objectivos que nortearam o processo, dificuldades, metas a atingir, actual estado das coisas, identificando também algumas «nuvens negras» e «ameaças».
Primeiro orador, depois da sessão de abertura, da conferência organizada pela Academia Sino-Lusófona da Universidade de Coimbra (ASL-UC) em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Henrique Gouveia e Melo usou a «comunicação simples, directa e 100% honesta», que entende ser a correcta nos actos políticos e em particular na ligação da task force à população."
21/07/2021 – Veja Saúde
Link:https://saude.abril.com.br/medicina/sindromedeguillain-barre/
“Síndrome de Guillain-Barré: o que é e a relação com a vacina da Janssen
Essa doença pode ocorrer após quadros de infecção, mas é considerada rara. Recentemente, o quadro foi incluído na bula da vacina da Janssen. Saiba mais.
A síndrome de Guillain-Barré passou a ser noticiada em todo o mundo após ser incluída entre as possíveis reações adversas na bula da vacina da Janssen contra o coronavírus. Mas já cabe frisar: o quadro, que é associado à ocorrência de infecções, como a provocada pelo vírus da gripe ou o zika, é raro.
“Cada nervo tem uma fita isolante protetora, a bainha de mielina. Em uma situação de infecção, ela pode ficar exposta, como um fio desencapado. Aí, os anticorpos que lutariam contra os vírus também atacam os nervos”, ensina a professora de neurologia Arlete Hilbig, da Universidade Federal de Ciências de Porto Alegre (UFCSPA).
“A síndrome ocorre quando há distúrbios capazes de mexer com as defesas do organismo”, resume Francisco de Assis Gondim, ex-coordenador do Departamento Científico de Neuropatias Periféricas da Academia Brasileira de Neurologia (Abneuro).
A doença acomete diversas raízes nervosas do corpo e é aguda, porque ocorre de uma hora para a outra, segundo Arlete. Fraqueza muscular e paralisia nos membros estão entre as consequências desse ataque aos nervos. No entanto, a maior parte das pessoas se recupera do problema.
“Não há estudos que associem a própria infecção pelo coronavírus à essa síndrome, embora alguns casos tenham ocorrido. No entanto, é muito mais arriscado desenvolver um quadro grave de Covid-19 do que apresentar uma reação adversa à vacina”, frisa Arlete. Ou seja, não faz sentido ter medo de receber o imunizante.
A empresa Jonhson & Johnson passou a colocar a síndrome de Guillain-Barré na bula após o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, relatar que 100 pessoas desenvolveram a doença entre 12,5 milhões de vacinados com o imunizante. Como se vê, a incidência é muito baixa. E, na verdade, esses casos ainda não foram comprovadamente ligados à picada. Mexer na bula representa uma atitude preventiva.
Essa não é a primeira vez que se considera uma relação entre a síndrome e a aplicação de vacinas, como a da gripe. Mas, de acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações, desde 1976 são conduzidos muitos estudos sobre o tema, mas nenhum cravou que a associação existe.
Sintomas, evolução e tratamento
Os primeiros sintomas da síndrome de Guillain-Barré podem ser formigamento nas pernas e depois perda de força nas extremidades. “Essa sensação vai em direção ao tronco e pode chegar à musculatura da face, dificultando a ação de engolir, já que a garganta é feita de músculos. Também há possibilidade de atingir o sistema respiratório”, descreve Arlete.
Quando a doença evolui dessa maneira, a pessoa precisa ser acompanhada na UTI, onde contará com a ajuda de um respirador para se manter bem até o distúrbio ser resolvido. A fisioterapia também é um dos tratamentos de suporte para quem passa pela doença.
Em casos mais graves, procedimentos como a plasmaférese também são indicados. Trata-se de um processo de filtração do sangue que “limpa” os anticorpos que estão atacando os nervos. “A recuperação pode ser total ou deixar algumas sequelas”, informa Arlete. Agora, quando o quadro é leve, muitas vezes os músculos reagem sem a ajuda de nenhum tipo de tratamento.
Não há consenso, ainda, sobre quanto tempo leva para esses sintomas aparecerem após uma infecção, mas fala-se entre duas semanas a um mês.
O diagnóstico pode ser feito pelo médico a partir da observação do indivíduo. Se o especialista julgar necessário, há a coleta do líquor, um líquido retirado da espinha dorsal, e a realização de exames de imagem.
Qual a frequência da doença?
A síndrome é considerada rara, pois acomete uma ou duas pessoas em um universo de 100 000 indivíduos, segundo artigo da revista Nature publicado em novembro de 2019. De acordo com o FDA, a agência reguladora de medicamentos nos Estados Unidos, ocorrem de 3 mil a 6 mil casos todos os anos em território norte-americano.
Não existem dados específicos no Brasil, apenas observações isoladas. “Em São Paulo, um estudo conduzido no Hospital Santa Marcelina apontou uma taxa de incidência do quadro de 0,6 a cada 100 000 pessoas. Apesar de ser um dado pequeno, tirado de um hospital, é semelhante à prevalência mundial”, relata Gondim.
Há alguns anos, quando houve um surto de zika no Brasil, notou-se uma alta de casos nas regiões mais afetadas por essa infecção, como o Nordeste do país. A primeira associação entre a síndrome e o zika foi feita em 2013 em um estudo na Polinésia Francesa: quase todos os indivíduos pesquisados que desenvolveram a Guillain-Barré haviam sido infectados por esse agente infeccioso.”
20/07/2021 – Resende News
https://resende.com.br/noticias/63563/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=delta-e-mais-transmissivel-mas-estudos-nao-apontam-elo-com-casos-mais-severos-dizem-especialistas
"Delta é mais transmissível, mas estudos não apontam elo com casos mais severos, dizem especialistas
Variante tem provocado aumento de casos pelo mundo. Especialistas ouvidos pelo G1 explicam que maior transmissibilidade não significa, necessariamente, que quadro de Covid será mais grave. A variante delta do coronavírus já foi detectada em pelo menos 111 países, segundo o mais recente boletim epidemiológico da Organização Mundial da Saúde (OMS). Assim como as outras variantes de preocupação (alpha, beta e gamma), ela é mais transmissível. Entretanto, ainda não é possível afirmar se as variantes provocam casos mais graves ou se são mais letais.
“Por enquanto, o que sabemos é que a variante delta é mais transmissível, mas ainda não conseguimos definir exatamente quão mais grave é. Isso vem desde a alpha”, diz a imunologista Ester Sabino.
Como a variante delta avança pelo mundo e quais as perspectivas para o Brasil
O infectologista da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, também destaca que, até aqui, só está comprovada a alta transmissibilidade das variantes.
“Ainda não há comprovação que as variantes, inclusive a delta, tenham uma taxa de virulência maior entre os infectados. O que acontece é que, como elas são mais transmissíveis, há chances da população, caso infectada, desenvolva a doença, seja casos leves, moderados ou graves”, explica Kfouri.
Veja 5 pontos sobre a variante delta
Potencial de contágio
Em um artigo publicado na revista científica Eurosurveillance, pesquisadores ligados à OMS e ao Imperial College London apontam que a variante delta foi a que teve o maior aumento na taxa de reprodução em relação ao coronavírus original.
Enquanto a alfa (B.1.1.7, responsável pelo primeiro surto no Reino Unido) teve aumento de 29% na transmissibilidade, os pesquisadores apontam que a delta chegou a 97% de incremento em relação ao vírus original.
Potencial de transmissão da variante delta
Guilherme Luiz Pinheiro/Arte G1
A pesquisadora Melissa Markoski, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e pós-doutora em imunologia, explica que uma das formas de visualizar a transmissibilidade é através do seu R0 (lê-se ‘R’ -zero), que mede a taxa de reprodução do agente.
Em outras palavras, o R0 é o número médio de pessoas que cada indivíduo infectado com um vírus consegue contaminar, considerando que as pessoas não estão vacinadas e nem utilizaram métodos de se proteger do contágio.
“Quando a R0 é menor que 1, significa que o agente está controlado, explica Markoski. Entre as variantes da Covid-19, a variante delta é a mais contagiosa, apresentando R0 entre 5 a 8.
Uma taxa maior de contágio, contudo, não significa maior taxa de mortalidade. Markoski explica que embora sejam conceitos diferentes, muitas vezes maior taxa de contágio é relacionado à maior gravidade de uma determinada doença. Isso acontece porque, se uma doença for mais contagiosa, haverá mais casos na população, o que pode ocasionar em um aumento no número bruto de hospitalizações e mortes.
Mutação do vírus é comum
Uma variante é resultado de modificações genéticas que o vírus sofre durante seu processo de replicação. Isso ocorre de maneira aleatória. “Variantes aparecem todos os dias, centenas ou milhares, eu diria. A cada vez que o vírus se copia, ele sofre mutações”, explica Kfouri.
Um único vírus pode ter inúmeras variantes. Quanto mais o vírus circula – é transmitido de uma pessoa para outra –, mais ele faz replicações, e maior é a probabilidade de modificações no seu material genético que vão dar origem a novas variantes.
“Existem milhares de variantes, todos os dias surgem novas. E no meio de milhares de novas variantes aparece uma com capacidade maior de transmissão, que toma conta da epidemia. Quanto mais damos chances, mais variantes piores aparecem”, diz Sabino.
Por isso, Raquel Muarrek, infectologista do Hospital São Luiz e do Emilio Ribas, ressalta que é importante avançarmos na vacinação da população para evitar que o vírus continue tenso sucesso em suas mutações.
“Qual é o problema: temos combinações dessas mutações. Pessoas vacinadas apenas com uma dose ou não vacinadas fazem uma combinação ou uma mutação do vírus”, afirma Muarrek.
Impacto na vacinação
O especialista André Bon, médico infectologista do Hospital Sírio-Libanês, aponta que a circulação de variantes com maior transmissibilidade vai exigir que mais pessoas sejam vacinadas para a obtenção da chamada “imunidade coletiva”.
“Pode interferir muito em alguns sentidos. Com a variante original, uma pessoa infectava duas a três pessoas. Isso faz com que a gente precisasse de uma cobertura vacinal entre 60% e 70%. Com a variante delta, uma pessoa infecta 5 a 8 pessoas diferentes, então, você precisa de uma proporção muito maior de vacinados para reduzir a circulação do vírus de forma sustentável”.
19/07/2021 – Jornal de Brasília
Link:https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/saude/rio-grande-do-sul-confirma-os-dois-primeiros-casos-da-variante-delta-do-coronavirus/
Rio Grande do Sul confirma os dois primeiros casos da variante delta do coronavírus
Trata-se de dois moradores de Gramado, na Serra Gaúcha, sem histórico recente de viagens nacionais ou internacionais
O governo do Rio Grande do Sul confirmou nesta segunda-feira (19) os dois primeiros casos da variante delta do coronavírus no estado. Um dos casos foi confirmado por sequenciamento genético realizado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e o outro por sequenciamento parcial pelo Cevs (Centro Estadual de Vigilância em Saúde). Trata-se de dois moradores de Gramado, na Serra Gaúcha, sem histórico recente de viagens nacionais ou internacionais. Eles fazem parte de uma mesma cadeia de transmissão, ou seja, eram contactantes.
A Secretaria Estadual de Saúde diz que há ainda outros cinco casos suspeitos da variante delta no estado também sob investigação da Fiocruz. Uma pessoa também é de Gramado e teve contato com um dos casos confirmados, e as outras três são de municípios da região metropolitana de Porto Alegre –dois de Sapucaia do Sul, um em Esteio e um em Canoas. Os resultados devem sair ainda esta semana.
Gramado é um destino turístico procurado especialmente na temporada de inverno, o que aumenta as probabilidades de aglomeração. A cidade registrou o primeiro caso da variante gama (P.1) no estado, em fevereiro deste ano. Hoje ela é identificada na maioria dos casos em território gaúcho. O secretário municipal de Saúde, Jeferson Moschen, afirmou em vídeo publicado em rede social da Prefeitura de Gramado que deve pedir reforço nas remessas de vacinas como medida de contenção contra a nova variante.
Enquanto Porto Alegre, que tem cerca de 1,4 milhão de habitantes, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), está vacinando pessoas na faixa de 34 anos, Gramado, com cerca de 36,5 mil moradores, vacina pessoas com 39 anos ou mais a partir desta terça. “Todas as medidas sanitárias, de isolamento e condicionamento dos pacientes, já foram feitas. Tomamos todas as providências e até então não houve nenhuma alteração significativa, tanto no número de casos como nas questões de internações hospitalares”, disse o secretário.
“Temos um perfil de receber muitos turistas, então eles vêm com carga viral diferente da que nós estamos acostumados, com tipos de vírus diferentes. Por isso nós recebemos variantes aqui na região. Então, você que atende turista, tenha mais consciência ainda do autocuidado, de manter distanciamento, do uso da máscara e da vacina”, diz a enfermeira da vigilância em saúde, Ellen Regina Pedroso, também no vídeo da prefeitura. “Esses casos preocupam principalmente com base no que vemos em outros países”, avalia Isaac Schrarstzhaupt, coordenador de dados da Rede Análise Covid-19. “Onde a delta chega ela se torna dominante e de forma muito rápida”.
O Cosems (Conselho das Secretarias Municipais de Saúde) se reuniu no fim da tarde para avaliar o novo cenário e diz que pode ser considerado aumento da vigilância. Com queda na taxa de ocupação geral de UTIs nas últimas semanas, o Rio Grande do Sul registrou, nesta segunda-feira, ocupação de 72,7% nos 3.415 leitos disponíveis nas redes pública e privada (2.531 deles no SUS).
Em Gramado, segundo o painel do estado, atualizado no fim da tarde, dos 15 leitos do SUS, oito estão ocupados, enquanto na rede privada há sete pacientes para três leitos. “O perigo de olhar só a questão de leitos é que a vacina não interrompe a transmissão, então a transmissão cresce até o ponto em que pode surgir uma nova variante”, explica Lucia Pellanda, médica, professora de epidemiologia e reitora da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre). “Neste momento, é muito provável que quem não está vacinado está em mais risco do que jamais esteve em toda a pandemia. Estamos começando a ter uma epidemia dos não vacinados”.
17/07/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/07/festas-de-aniversario-aumentam-em-31-a-chance-de-pegar-covid-19-diz-estudo-ckr6tadlw00aa0193nzc0l0ai.html
“Festas de aniversário aumentam em 31% a chance de pegar covid-19, diz estudo
Pesquisa reforça papel de eventos em ambientes fechados no aumento do número de casos, sobretudo para o público infantil
Um estudo produzido por cientistas da Universidade de Harvard, do Hospital Geral de Massachusetts e de outras instituições dos Estados Unidos mostra que festas de aniversário aumentam em 31% o risco de pegar coronavírus. A pesquisa foi publicada no início de junho no prestigioso periódico científico Jama Internal Medicine.
O estudo, afirmam médicos, reforça o entendimento de que o Sars-CoV-2 não é transmitido apenas em grandes aglomerações ou festas, mas também em encontros privados, com poucas pessoas – momentos nos quais os indivíduos relaxam, retiram as máscaras, comem, bebem e deixam de praticar o distanciamento.
Os pesquisadores analisaram dados de planos de saúde privados de 2,9 milhões de famílias norte-americanas, identificaram os pedidos de reembolso para teste de coronavírus com resultado positivo e cruzaram com as datas de aniversário dos familiares assegurados. Os dados são de janeiro a novembro do ano passado.
A conclusão é de que havia 31% mais resultados positivos de coronavírus nas famílias nas quais um dos integrantes havia completado o aniversário em até 14 dias antes do pedido de reembolso para teste. O aumento leva em conta o índice de transmissão na semana da região onde as famílias moravam.
O estudo ainda averiguou se a transmissão era maior em aniversários comuns, de crianças ou de grandes datas, como de 50 anos de idade; e identificou o nível de chuva (o que levaria as pessoas a se resguardarem dentro de casa).
“Este estudo sugere que eventos que levem a encontros pequenos e informais, como festas de aniversário e, em particular, festas de aniversário infantis, são uma fonte potencialmente importante de transmissão de Sars-CoV-2”, escrevem os cientistas.
— O estudo mostra que a transmissão não acontece só em grandes eventos. Aglomeração é também com poucas pessoas que não convivem na mesma bolha. A covid é transmitida em pequenos encontros, até mesmo em um almoço de duas pessoas. Quando saímos de nossa bolha, precisamos manter o distanciamento e o uso de máscara — pontua o médico Alessandro Pasqualotto, chefe da Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
O médico infectologista Cezar Vinicius Riche, do serviço de qualidade do Hospital Mãe de Deus, observa que muitos pacientes chegam à instituição relatando que se infectaram depois de uma janta entre amigos ou em contato com colega de trabalho.
Um dos possíveis motivos para que as festas de aniversário infantis tenham maior risco de transmissão, sugere Riche, é a predisposição dos pais em assegurar alguma comemoração para não deixar a data passar em branco – um pequeno “sofrimento” ao qual os adultos evitam submeter os filhos.
— É mais fácil não ter festa de aniversário de adulto do que de criança. Ou, quando é adulto, se faz algo menor e mais restrito. Outro fator é que criança tem dificuldade de usar máscara e fazer distanciamento social. Em uma festa de criança, elas se reúnem. Vão as crianças, os pais das crianças, então há mais núcleos familiares se agrupando do que em uma reunião de adultos — diz o infectologista do Mãe de Deus.
Apesar de o estudo ter sido feito em um momento no qual os Estados Unidos ainda não tinham população vacinada, os resultados se aplicam ao Brasil, onde grande parcela dos habitantes sequer recebeu uma dose e segue desprotegida. Dados do Portal Covid-19 no Brasil mostram que cerca de 41,5% dos brasileiros receberam a primeira dose e 15,7%, a segunda.
A análise é importante para todas as famílias nas quais haja integrantes que ainda não receberam o esquema vacinal completo. Vale, ainda, para qualquer tipo de reunião mais íntima, entre amigos ou familiares, além de aniversários.
— Na medida em que temos poucos vacinados, uma pessoa ou outra pode ter o vírus e transmitir. Fazer festa dentro de casa, em ambiente fechado, sem máscara, é arriscado enquanto a população não estiver mais vacinada. Peço um pouco mais de paciência à população. A vacinação melhorou muito nas últimas semanas. Teremos melhores momentos até o fim do ano. Precisamos aguentar um pouco mais — pede o médico infectologista Alessandro Pasqualotto.
Dicas para comemorar o aniversário
- Marque o encontro em um ambiente ao ar livre, como um parque, uma praça ou o pátio de casa. Evite lugares pouco arejados, sobretudo com janelas fechadas.
- Limite o número de pessoas. Quanto mais convidados, maior o risco de alguém trazer coronavírus sem saber.
- Reduza o horário do encontro. Evite reuniões que durem muitas horas.
- Evite abraços e beijos. Gestos de proximidade são propícios para troca de aerossóis. Uma pessoa pode ter covid-19 sem saber, estar assintomática ou no início da infecção.
- Use máscara. O risco de transmissão ocorre ao comer ou beber, então ingira alimentos e bebidas com distância de outras pessoas.
- Evite petiscos e comidinhas compartilhadas em potes ou tigelas, onde todos colocam a mão.
- Não compartilhe copos, pratos e talheres.
- O Rio Grande do Sul está caminhando para atingir a imunidade coletiva e controlar a pandemia em seu território. Quando isso ocorrer, o Estado viverá cenário parecido ao de outros países, com uma normalidade mais próxima. Então, os encontros serão mais seguros.”
17/07/2021 – Portal Notícias de Coimbra
Link:https://www.noticiasdecoimbra.pt/gouveia-e-melo-em-coimbra-para-falar-da-saude-global-em-pos-pandemia/
“Gouveia e Melo em Coimbra para falar da “Saúde Global em Pós-Pandemia”
A Academia Sino-Lusófona da Universidade de Coimbra (ASL-UC) organiza na próxima quarta-feira (dia 21), em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a conferência internacional “Saúde Global em Pós-Pandemia”. A iniciativa decorre em formato híbrido (presencial e online), a partir da Sala do Senado da Reitoria da Universidade de Coimbra.
Depois da sessão de abertura, com as intervenções do Presidente da Academia Sino-Lusófona da UC, Rui de Figueiredo Marcos, e do Vice-Reitor da UC para as Relações Externas e Alumni da UC, João Nuno Calvão da Silva, a conferência inaugural, pelas 14h15 (10h15 de Brasília) – com moderação do Diretor da Faculdade de Farmácia da UC, Francisco Veiga –, será proferida pelo Vice-Almirante Henrique Gouveia e Melo, Coordenador da Task Force para a elaboração do Plano de vacinação contra a COVID-19 em Portugal.
Após dois painéis de debate, com a participação de oradores nacionais e internacionais e especialistas em saúde epidemiológica e saúde mental, como os Diretores das Faculdades de Medicina e de Psicologia e Ciências da Educação da UC (respetivamente, Carlos Robalo Cordeiro e António Gomes Ferreira), a conferência final do evento será proferida pelo Presidente do Conselho de Administração da Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, Luís Goes Pinheiro – com a moderação do Pró-Reitor da Universidade de Coimbra para a Saúde e Bioética, José Pedro Figueiredo.
Após a sessão de encerramento, pelas 16h15 (12h15 de Brasília), com as intervenções da Reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Lucia Campos Pellanda, e do Reitor Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, serão celebrados protocolos de cooperação entre as duas instituições.
A conferência internacional “Saúde Global em Pós-Pandemia” pode ser acompanhada em direto no canal de YouTube do Escritório de Internacionalização da UFCSPA, em https://www.youtube.com/channel/UCqsj5aj8NbCKi8kN3nbn8Lw.”
15/07/2021 – Superinteressante
Link:https://super.abril.com.br/especiais/inimigo-intimo-quando-seu-corpo-se-volta-contra-voce/
Inimigo íntimo: quando seu corpo se volta contra você
O sistema imunológico é uma obra-prima da evolução. Você só existe, e está vivo, graças a ele. Mas esse aliado também pode detonar síndromes autoimunes, agravar infecções virais e desencadear a temível tempestade de citocinas – que está por trás dos casos mais graves de Covid-19.
Se você pegar coronavírus, duas coisas podem acontecer. O seu sistema imunológico acionará um mecanismo chamado hipermutação somática, em que as pontas dos anticorpos sofrem modificações aceleradíssimas, 1 milhão de vezes mais rápidas que as mutações no resto do organismo, até chegar a um formato que se encaixe perfeitamente ao Sars-CoV-2, neutralizando-o. Dessa forma, a infecção será contida, e você sobreviverá a ela sem nada além de uma perda temporária de olfato. Mas dependendo de alguns fatores, como idade, a presença de comorbidades (diabetes, pressão alta, obesidade e outras), a quantidade e a variante de vírus que você pegou e fatores genéticos ainda pouco compreendidos, o desfecho pode ser outro.
O corpo não conseguirá frear o coronavírus, que continuará se replicando – e uma semana após ser infectado, em média, você começará a sentir falta de ar. O organismo vai tentar desesperadamente combater o vírus, enviando cada vez mais anticorpos e células de defesa para os pulmões. Se mesmo assim a infecção persistir, algo incrível pode acontecer: o sistema imunológico passa a jogar contra você. Ele perde a mão e desencadeia um fenômeno, conhecido como tempestade de citocinas, que lesiona tecidos e obstrui os alvéolos pulmonares – até que a vítima morre sufocada. Não pela ação direta do vírus (que, nesse estágio da doença, já foi contido), mas pelo descontrole do próprio sistema de defesa.
Desde o início da pandemia, vários estudos foram demonstrando que há uma relação direta, e intensa, entre a tempestade de citocinas e as mortes por Covid-19. Um dos mais impressionantes, que acompanhou 235 pacientes internados na UTI do maior hospital de Dubai (1), constatou que 95% deles apresentavam sinais típicos desse fenômeno – quanto mais acentuados, menor a chance de sobrevivência. Mas por que a Covid tem o poder de descontrolar o sistema imunológico, uma máquina afinada ao longo de milhões de anos de evolução? E como ela faz isso? A ciência está começando a descobrir as respostas – e elas são surpreendentes.
15 TRILHÕES DE CÉLULAS
O corpo humano é formado por cerca de 15 trilhões de células, de 200 tipos diferentes. É absolutamente espantoso que essa multidão de entidades biológicas passe décadas trabalhando em equipe direitinho, sem se autodestruir e resistindo a todo tipo de ameaça externa. Nossa trajetória evolutiva de 4 bilhões de anos começou com células isoladas, como as de muitas bactérias hoje em dia. Para construir corpos multicelulares, relativamente grandes e complicados, como o nosso, foi preciso desenvolver mecanismos para que muitas células distintas soubessem que suas vizinhas também fazem parte do “eu” do organismo, tal como elas próprias.
A primeira e mais fundamental tarefa do sistema imunológico é separar esse “eu” coletivo das mais variadas formas de “não eu” – substâncias tóxicas inoculadas por uma picada de inseto, farpinhas de madeira, vírus, bactérias e fungos patogênicos (causadores de doenças), entre inúmeras outras coisas.
Mas nossa tropa de segurança também precisa ser respeitosa com os convidados. Isto é, os micro-organismos que vivem em simbiose benéfica conosco, como as bactérias da flora intestinal que ajudam na absorção de uma série de nutrientes. Ou, no caso das grávidas, o embrião em desenvolvimento – que poderia ser visto como um corpo estranho, e atacado pelo sistema imunológico, mas não é.
Para complicar as coisas, alguns dos presentes parecem ser da família, mas estão com um coquetel Molotov escondido no bolso. São as células cancerosas, que muitas vezes escapam à vigilância do organismo justamente por terem uma “assinatura” molecular quase idêntica à das células saudáveis do próprio indivíduo. Diante de tarefas tão complicadas, até uma obra-prima como o sistema imunológico pode meter os pés pelas mãos de vez em quando. É então que esse companheiro de vida pode se voltar contra nós – e, às vezes, isso acontece nos momentos em que mais precisamos dele.
Quando algum vírus ou bactéria entra no seu corpo, o sistema imune aciona uma bateria de defesas. Entre as primeiras estão as células T, que organizam o ataque contra o invasor. Elas fazem isso liberando citocinas, proteínas que servem para dosar a resposta imunológica. Existem mais de 100 citocinas diferentes, divididas em várias categorias (como interleucinas, interferons, quimiocinas e TNFs, ou fatores de necrose tumoral), que desempenham diversas funções no organismo. Existem citocinas pró-inflamatórias, que ativam mais células de defesa, e citocinas anti-inflamatórias, que freiam esse processo. O sistema imunológico depende do equilíbrio entre elas.
Mas o coronavírus tem o poder de alterar essa soma, e mudar o resultado da conta. Isso porque, quando as células epiteliais (de revestimento) do pulmão são infectadas, elas também começam a liberar citocinas. Esse fenômeno, que em 2009 foi associado (2) ao Sars-CoV-1 e também é provocado pelo Sars-CoV-2, desequilibra totalmente a reação do organismo. As células do pulmão liberam citocinas porque estão pedindo socorro. Elas precisam que o corpo envie leucócitos, monócitos, macrófagos e outros soldados para combater a infecção.
Só que o resultado é um dilúvio: as células T, as células do pulmão e outras células de defesa soltam níveis exagerados de 14 citocinas inflamatórias (3). E isso gera um efeito dominó, em que o excesso de citocinas provoca a liberação de mais citocinas, até que o corpo perde o controle da situação. Mais e mais células de defesa continuam indo até o pulmão, que fica lotado de citocinas, células (vivas e mortas), ferido pela inflamação e com os alvéolos pulmonares entupidos. O resultado é morte por falência respiratória.
“Na Covid, várias vezes o organismo do paciente controla a infecção, ou seja, já não tem mais vírus, mas o sistema imune continua atacando e gerando essa tempestade de citocinas”, explica o imunologista Dario Zamboni, professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto e autor de estudos sobre o descontrole imunológico associado ao Sars-CoV-2. Outros vírus, como o influenza, também podem desencadear essa tempestade. Mas a Covid é diferente. “Estamos comparando pacientes que faleceram por influenza com outros que faleceram por Covid-19. E é impressionante, porque, ao que tudo indica, a Covid ativa muito mais o inflamassoma [complexo responsável pela ativação de processos inflamatórios e citocinas] do que outras doenças virais pulmonares”, diz Zamboni.
A tempestade de citocinas pode explicar por que a Gripe Espanhola de 1918, que matou cerca de 50 milhões de pessoas mundo afora, foi especialmente terrível entre jovens saudáveis: na faixa etária de 30 anos, a taxa de mortalidade chegava a ser dez vezes maior do que entre idosos (4). Quando você é mais jovem, o seu sistema imunológico é mais forte – e o eventual descontrole dele, induzido por vírus, pode ser mais letal.
O fenômeno costuma ser tratado com anti-inflamatórios como a dexametasona – cuja adoção nas UTIs reduziu em quase 30% a taxa de mortalidade de pacientes intubados (5). Eles só funcionam se forem administrados no momento exato, que é difícil de determinar (se o anti-inflamatório for usado cedo demais, inibe as defesas do organismo e favorece a multiplicação do Sars-CoV-2; se vier tarde demais, o pulmão já estará excessivamente lesionado).
Mas podem surgir terapias mais eficazes. Zamboni lidera uma pesquisa que analisou 2.300 medicamentos, todos já aprovados para uso humano, e identificou algumas moléculas capazes de inibir a tempestade de citocinas. Elas estão sendo testadas em culturas de células humanas; se mostrarem eficácia, passarão aos testes clínicos, em pessoas. “O desdobramento dessa pesquisa, que ainda é básica, pode ser a descoberta de drogas que realmente funcionem para Covid-19”, afirma.
Um dos sintomas mais comuns e perigosos da Covid é a trombose: formação de coágulos na corrente sanguínea, que afeta em média 21% das pessoas internadas com a doença (na UTI, 31%) (6). E o sistema imunológico pode estar envolvido nisso também. Um estudo avaliou 172 pacientes hospitalizados com Covid na Bélgica (7) e constatou que 52% tinham um determinado tipo de “autoanticorpos”, ou seja, que atacam o próprio organismo. E eles eram especializados em neutralizar fosfolipídeos: um tipo de molécula que regula, justamente, a coagulação do sangue.
Esse fenômeno imunológico, bem como os outros relacionados à Covid, se manifesta durante a doença. Mas a resposta anormal do organismo também pode estourar como uma bomba de efeito retardado, depois que o paciente já se curou. É o caso da Síndrome Inflamatória Multissistêmica Infantil (MIS-C, na sigla em inglês), uma condição rara e misteriosa que foi descoberta durante a pandemia e afeta crianças e adolescentes – duas faixas etárias que não costumam ter quadros graves de Covid.
A MIS-C aparece um mês depois que a vítima se curou do Sars-CoV-2, e é caracterizada por uma inflamação violenta que pode afetar cérebro, coração, pulmões, rins, pele e olhos. Ela também ataca os vasos sanguíneos. Isso reduz a pressão sanguínea, o coração dispara para tentar compensar (chega a 165 batimentos por minuto com a pessoa em repouso), e a vítima pode morrer de falência cardíaca (8). No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, houve 736 casos de MIS-C até fevereiro deste ano, com 46 mortes.
COMO VENCER UMA INFECÇÃO
Para vencer uma infecção, o corpo faz duas coisas: neutraliza os vírus com anticorpos e mata as células infectadas. Tudo isso vira lixo, que alguém precisa recolher depois. A tarefa cabe aos macrófagos, os “garis” do organismo. Mas a Covid também interfere com eles. Outro estudo da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, coordenado pela bióloga Larissa Cunha, constatou que os macrófagos que fagocitam (engolem) células infectadas pelo Sars-CoV-2 ficam alterados: perdem a capacidade de engolir mais células, deixando de fazer seu trabalho, e começam a liberar citocinas (9) – o que contribui para o descontrole do sistema imunológico.
Os macrófagos também são o elemento central de um fenômeno diabólico: a “potencialização dependente de anticorpos” (ADE, na sigla em inglês). Nesse processo, alguns vírus se aproveitam de uma particularidade do sistema imunológico – e o transformam numa arma, extremamente eficiente, contra o próprio organismo. É o que acontece com a dengue, por exemplo.
Que ela é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, todo mundo sabe. Mas você sabe qual vírus esse inseto carrega, e é efetivamente responsável pela doença? Ele se chama Denv, e tem quatro subtipos: Denv-1, Denv-2, Denv-3 e Denv-4. Quando alguém é infectado por um deles, e tem dengue pela primeira vez, a doença geralmente se manifesta com sintomas moderados (cansaço, febre, dor no corpo) e o vírus acaba eliminado pelo organismo. Você desenvolve imunidade àquele subtipo do vírus – mas, eis aqui o pulo do gato, somente a ele.
Alguns vírus, como o da dengue, o da Aids e o Sars-CoV-1, são capazes de se esconder dentro dos macrófagos – e usá-los para se propagar, disfarçadamente, pelo organismo.
Vamos supor que você pegue Denv-1, se recupere e depois venha a ser infectado por Denv-3, por exemplo. O organismo vai produzir anticorpos, só que eles não neutralizam o Denv-3 (afinal, foram desenvolvidos para combater outro subtipo, o Denv-1). Os anticorpos até se conectam ao vírus, mas não bloqueiam seus pedacinhos mais críticos, que ele usa para se acoplar a células humanas. Por isso, o vírus continua ativo e infectante.
Só que os macrófagos não percebem isso: eles “acham” que os vírions (as unidades) de Denv-3 foram neutralizados pelos anticorpos, e simplesmente engolem o conjunto – querem fazer seu trabalho e levar o lixo embora. E aí algo terrível acontece: os macrófagos passam a transportar o vírus pelo organismo e também protegem o invasor, impedindo que ele seja enxergado e atacado pelo sistema imunológico.
É como um filme em que os bandidos roubam os carros dos policiais. Depois de um certo tempo, os vírions saem dos macrófagos e a infecção recomeça. Agora bem mais forte, distribuída por vários pontos do corpo. Essa é a tal potencialização dependente de anticorpos (ADE). Os vírus da dengue, da aids e da gripe são capazes de desencadeá-la. E alguns coronavírus, como o Sars-CoV-1, o Mers e o FCoV (que provoca uma doença fatal em felinos) também.
Há suspeitas, ainda não confirmadas, de que o Sars-CoV-2 possa fazer o mesmo – e a chave disso estaria, justamente, na reação imunológica violenta que ele provoca. “Quando você tem um estímulo muito forte, muito inflamatório, as células B, que produzem os anticorpos, podem acabar não tendo tempo para amadurecer e gerar anticorpos de qualidade. Acaba saindo um anticorpo ruim, que gruda do mesmo jeito no vírus, mas sem conseguir neutralizá-lo”, explica o imunologista Rafael Polidoro, pesquisador de pós-doutorado da Universidade de Indiana (EUA).
Essa transformação dos macrófagos em “cavalos de Troia”, que passam a espalhar a doença pelo corpo em vez de combatê-la, talvez não se limite a infecções virais. Em junho deste ano, cientistas do hospital Mount Sinai, um dos mais importantes dos EUA, descobriram que o tipo mais comum de câncer de pulmão (o “carcinoma de não pequenas células”, ou NSCLC) também é capaz de cooptar os macrófagos – e usá-los, nos primeiros estágios da doença, para se multiplicar mais facilmente nos tecidos pulmonares (10). Os macrófagos acabam protegendo as células tumorais, evitando que elas sejam atacadas (e eliminadas) pelo sistema imunológico.
Isso é uma má notícia, mas também tem seu lado positivo: abre caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos, potencialmente mais eficazes, contra esse tipo de câncer. A tempestade de citocinas, o aprimoramento dependente de anticorpos e a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Infantil (MIS-C), principais consequências imunológicas do coronavírus, também podem ser tratadas ou simplesmente evitadas, freando a circulação do vírus. Mas, mesmo depois que a pandemia terminar, continuaremos convivendo com outra grande questão relacionada ao sistema de defesa do organismo: as doenças autoimunes.
Tanto fatores genéticos quanto ambientais, muitos deles ainda pouco compreendidos, interagem para produzir uma variedade imensa de problemas de saúde nos quais o sistema imunológico reage de maneira descontrolada ou começa a destruir células do próprio organismo. Na primeira categoria estão as diferentes formas de alergia, das alimentares à asma e à dermatite atópica (que afeta a pele). Todas elas envolvem essencialmente uma resposta inflamatória desproporcional quando o corpo entra em contato com o chamado alérgeno – que pode ser poeira, pólen ou um saboroso camarão na moranga, entre diversos outros. No segundo caso incluem-se as doenças autoimunes propriamente ditas, uma lista com mais de uma centena de enfermidades capazes de afetar profundamente a qualidade de vida de quem as tem, e até levar à morte.
Pense, por exemplo, na diabetes tipo 1, em que o sistema imune resolve se voltar contra as células beta do pâncreas – justamente as responsáveis por produzir insulina, a molécula que regula os níveis de açúcar no sangue. Antes que fosse possível produzir insulina em grandes quantidades, esse problema frequentemente matava crianças e adultos jovens (como a mãe do escritor J.R.R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis, que morreu aos 34 anos, em 1904).
Já na doença celíaca, o organismo perde a capacidade de tolerar a presença do glúten (componente de cereais como o trigo) e reage danificando o revestimento do intestino delgado, o que atrapalha a absorção de nutrientes. É por isso que os celíacos precisam tirar o glúten da dieta (para pessoas que não têm a doença, ele é perfeitamente seguro, ao contrário do que dizem certos modismos nutricionais). Também existem doenças inflamatórias intestinais crônicas, como a colite ulcerativa e a doença de Crohn.
O sistema nervoso tampouco está a salvo desse tipo de guerra civil dentro do organismo. Na esclerose múltipla, a vítima é a bainha de mielina, revestimento dos neurônios que, em condições normais, ajuda a aumentar a velocidade da transmissão de impulsos elétricos ao longo dos “fios” das células nervosas. Quando a bainha de mielina é danificada, o resultado são sintomas como visão dupla, problemas de coordenação motora, fraqueza muscular e dor crônica.
No caso de outra enfermidade, o lúpus eritematoso sistêmico, os efeitos podem se manifestar no sistema nervoso também – incluindo episódios de ansiedade e depressão –, mas, como indica o próprio nome da doença, os sintomas costumam ser sistêmicos, em diversos lugares do corpo. Pode se formar uma área vermelha no rosto e no nariz, a chamada erupção malar (ou “asa de borboleta”). São frequentes as dores nas juntas; podem ocorrer ainda anemia e problemas no coração, rins e pulmões.
Apesar da tremenda variedade de sintomas e causas que acabamos de mencionar, muitas dessas enfermidades possuem intrigantes pontos em comum. Os primeiros sinais, por exemplo, podem ser muito parecidos, independentemente da doença (e pouco específicos, o que pode dificultar o diagnóstico): fadiga e mal-estar, febre baixa e persistente, manchas vermelhas na pele, dores musculares.
Também existe uma associação entre diversas doenças autoimunes e o surgimento de câncer, provavelmente porque reações inflamatórias intensas e persistentes possam acabar danificando o material genético das células – e dar origem a tumores. É mais ou menos o mesmo princípio que costuma aumentar o risco de câncer em locais do corpo que ficam sofrendo repetidas lesões ao longo do tempo (como o pulmão de um fumante). Paradoxalmente, em alguns casos, o efeito é o inverso – menor chance de câncer –, talvez porque o sistema imunológico hiperativo aumente sua vigilância também contra o início de tumores.
Somadas, as doenças autoimunes afetam uma parte considerável da população mundial. Só nos EUA, estima-se que esse número esteja em torno de 25 milhões de pessoas (não há estatísticas comparáveis no Brasil, mas tudo indica que também seriam dezenas de milhões de casos). E há boas razões para acreditar que a proporção de afetados por esses problemas esteja crescendo.
É o que indica um estudo (11) dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, que analisou mais de 14 mil pacientes americanos para quantificar a presença dos chamados ANAs (anticorpos antinucleares). O nome é esquisito, mas quer dizer simplesmente que esses anticorpos atacam o núcleo das células humanas – algo que, de modo geral, é ruim. A presença de ANAs no corpo é considerada um sinal de problemas autoimunes.
O estudo mostrou que, entre 1988 e 1991, 11% das pessoas tinham ANAs. A porcentagem cresceu para 15,9% entre os anos de 2011 e 2012. Parece pouco (mesmo que, em números absolutos, seja muita gente: 41 milhões de americanos, ao todo, carregam esses anticorpos), mas o aumento não ocorreu de forma igual em todas as faixas etárias. Nas pessoas entre 12 e 19 anos, a elevação foi muito maior: quase 300%.
Esses dados confirmam a percepção dos médicos em geral, que têm visto um aumento expressivo desses problemas – tanto as doenças autoimunes propriamente ditas quanto as diversas formas de alergia – ao longo das últimas décadas. A questão é saber por que diabos isso está acontecendo agora, levando em conta que o aumento em si certamente não tem causas genéticas (o genoma das populações humanas não teria como mudar de maneira tão significativa em apenas uma ou duas gerações).
Na maioria dos casos, o sistema imune ganha o jogo. Mas isso requer esforço duplo: além de vencer o invasor, ele tem de superar seus próprios deslizes.
Na maioria dos casos, o sistema imune ganha o jogo. Mas isso requer esforço duplo: além de vencer o invasor, ele tem de superar seus próprios deslizes. Thobias Daneluz/Superinteressante
Uma possível explicação, ainda muito popular, é a chamada “hipótese da higiene”. Grosso modo, a ideia é que o estilo de vida moderno, no qual predominam ambientes urbanos limpos, alimentação industrializada e pouco contato com animais e com a terra, entre outros fatores, teria reduzido nossa exposição a micro-organismos. Isso estaria deixando o sistema imunológico sem muito o que fazer – até que ele se voltaria contra o próprio organismo.
No papel, isso parece fazer um bocado de sentido, mas as evidências a favor da hipótese da higiene são fracas ou inexistentes, diz a imunologista Cristina Bonorino, professora da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre). “No caso das alergias, há evidências de que o contato com parasitas [vermes, por exemplo] pode ser benéfico. Mas em doenças autoimunes isso não tem nada a ver”, afirma. Ou seja: o excesso de limpeza não tem o poder de desencadear reações autoimunes – e, portanto, não explica o aumento delas nas últimas décadas. “Não há relação com a hipótese [da higiene]. Já tirei esse slide das minhas aulas faz tempo”, brinca.
Há outros suspeitos, claro – o estresse, a falta de sono e o fumo também podem desregular o sistema imune. Mas um desses fatores adicionais tem sido investigado mais intensamente pelos cientistas, em parte porque sua presença atingiu proporções globais mais ou menos ao mesmo tempo que a das doenças autoimunes. Estamos falando da obesidade, uma situação que corresponde, entre outras coisas, a um estado constante de inflamação no corpo. O tecido adiposo (gorduroso) do organismo, aliás, produz suas próprias citocinas – também chamadas de adipocinas –, e diversos estudos mostram uma associação entre a obesidade e diversas alergias e doenças autoimunes.
Se tudo isso parece complicado, é porque é mesmo. “É importante deixar de pensar no sistema imunológico apenas como um sistema bélico”, diz Verônica Coelho, pesquisadora do Laboratório de Imunologia do InCor (USP). “Ele é muito mais do que isso. É o sistema de vigilância e manutenção do equilíbrio entre os vários tipos de células e moléculas do organismo.”
Nosso sistema de defesa não serve só para nos proteger de ameaças externas. Também é o responsável por evitar ataques internos, permitindo que todos os elementos do corpo humano coexistam em paz – e transformem o que poderia ser uma briga com trilhões de participantes na máquina biológica mais complexa que existe."
15/07/2021 – Matinal Jornalismo
Link: https://www.matinaljornalismo.com.br/rogerlerina/agenda/coral-ufcspa-lanca-cancao-chilena-todos-juntos/
Coral UFCSPA lança canção chilena “Todos Juntos”
O Coral Virtual UFCSPA segue suas andanças pela América Latina, com o lançamento, nesta sexta-feira (16/7), da canção Todos Juntos, da banda chilena Los Jaivas, no canal do Coral no YouTube e nas redes sociais do Núcleo Cultural.
Composta por Los Jaivas e com novo arranjo do regente Marcelo Rabello dos Santos, esta é a segunda apresentação com a temática América Latina, trabalhada pelo grupo em 2021. A união dos povos latino-americanos inspira a canção gravada em 1972, no segundo álbum do grupo. Todos Juntos foi o primeiro grande sucesso da Banda e depois transformou-se em uma espécie de hino do povo chileno, cantado em vários momentos históricos do país. Sensibilizada pelo momento político da época, a letra clamava pelo sonho de todos no planeta viverem harmonicamente, sem conflito.
A trajetória da banda chilena perpassa a história recente do Chile. Los Javias é um dos grupos mais importantes do país, criado em 1963 e atuante até hoje. A banda se consagrou por seu estilo peculiar de fundir o rock com as raízes das músicas folclóricas latino-americanas, mesclando instrumentos distintos como guitarra, baixo, piano, flauta com ocarina, charango e bongo.Desde o início da pandemia, o Coral tem realizado apresentações virtuais. Em 2020, o tema escolhido foi Esperança e em 2021 o concerto traz canções dos países da América Latina, com uma apresentação virtual mensal. Em junho, o grupo apresentou a canção uruguaia Tu voz, mi voz, de Mariana Ingold.
15/07/2021 – G1 RS
Link: https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2021/07/15/impacto-da-delta-e-maior-por-ser-mais-transmissivel-estudos-ainda-nao-a-ligam-a-casos-mais-severos-dizem-especialistas.ghtml
Delta é mais transmissível, mas estudos não apontam elo com casos mais severos, dizem especialistas
Variante tem provocado aumento de casos pelo mundo. Especialistas ouvidos pelo G1 explicam que maior transmissibilidade não significa, necessariamente, que quadro de Covid será mais grave.
A variante delta do coronavírus já foi detectada em pelo menos 111 países, segundo o mais recente boletim epidemiológico da Organização Mundial da Saúde (OMS). Assim como as outras variantes de preocupação (alpha, beta e gamma), ela é mais transmissível. Entretanto, ainda não é possível afirmar se as variantes provocam casos mais graves ou se são mais letais.
O infectologista da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, também destaca que, até aqui, só está comprovada a alta transmissibilidade das variantes.
Potencial de contágio
Em um artigo publicado na revista científica Eurosurveillance, pesquisadores ligados à OMS e ao Imperial College London apontam que a variante delta foi a que teve o maior aumento na taxa de reprodução em relação ao coronavírus original.
A pesquisadora Melissa Markoski, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e pós-doutora em imunologia, explica que uma das formas de visualizar a transmissibilidade é através do seu R0 (lê-se 'R' -zero), que mede a taxa de reprodução do agente.
Em outras palavras, o R0 é o número médio de pessoas que cada indivíduo infectado com um vírus consegue contaminar, considerando que as pessoas não estão vacinadas e nem utilizaram métodos de se proteger do contágio.
"Quando a R0 é menor que 1, significa que o agente está controlado, explica Markoski. Entre as variantes da Covid-19, a variante delta é a mais contagiosa, apresentando R0 entre 5 a 8.
Uma taxa maior de contágio, contudo, não significa maior taxa de mortalidade. Markoski explica que embora sejam conceitos diferentes, muitas vezes maior taxa de contágio é relacionado à maior gravidade de uma determinada doença. Isso acontece porque, se uma doença for mais contagiosa, haverá mais casos na população, o que pode ocasionar em um aumento no número bruto de hospitalizações e mortes.
Mutação do vírus é comum
Uma variante é resultado de modificações genéticas que o vírus sofre durante seu processo de replicação. Isso ocorre de maneira aleatória. “Variantes aparecem todos os dias, centenas ou milhares, eu diria. A cada vez que o vírus se copia, ele sofre mutações”, explica Kfouri.
Um único vírus pode ter inúmeras variantes. Quanto mais o vírus circula – é transmitido de uma pessoa para outra –, mais ele faz replicações, e maior é a probabilidade de modificações no seu material genético que vão dar origem a novas variantes.
“Existem milhares de variantes, todos os dias surgem novas. E no meio de milhares de novas variantes aparece uma com capacidade maior de transmissão, que toma conta da epidemia. Quanto mais damos chances, mais variantes piores aparecem”, diz Sabino.
Por isso, Raquel Muarrek, infecologista da Rede D'or, ressalta que é importante avançarmos na vacinação da população para evitar que o vírus continue tenso sucesso em suas mutações.
"Qual é o problema: temos combinações dessas mutações. Pessoas vacinadas apenas com uma dose ou não vacinadas fazem uma combinação ou uma mutação do vírus", afirma Muarrek.
Impacto na vacinação
O especialista André Bon, médico infectologista do Hospital Sírio-Libanês, aponta que a circulação de variantes com maior transmissibilidade vai exigir que mais pessoas sejam vacinadas para a obtenção da chamada "imunidade coletiva".
“Pode interferir muito em alguns sentidos. Com a variante original, uma pessoa infectava duas a três pessoas. Isso faz com que a gente precisasse de uma cobertura vacinal entre 60% e 70%. Com a variante delta, uma pessoa infecta 5 a 8 pessoas diferentes, então, você precisa de uma proporção muito maior de vacinados para reduzir a circulação do vírus de forma sustentável”.
14/07/2021 – G1 /Globoplay
Link: https://globoplay.globo.com/v/9686175/
Projeto da UFCSPA leva aulas lúdicas sobre o coronavírus para alunos do ensino fundamental
Iniciativa acontece de maneira remota.
14/07/2021 – GZH
Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/07/ufrgs-e-a-8a-melhor-universidade-da-america-latina-aponta-ranking-britanico-ckr3k49vg001u0193nfgrxqd7.html
"UFRGS é a 8ª melhor universidade da América Latina, aponta ranking britânico
Levantamento da Times Higher Education mostra ainda que instituições brasileiras também são maioria no top 10 das mais conceituadas entre 13 países latino-americanos.
O Brasil permanece despontando nos rankings internacionais que elencam as melhores universidades da América Latina. Desta vez, o país teve o maior número de instituições de nível superior no levantamento feito pela revista britânica Times Higher Education (THE), um dos principais indicadores de educação superior do mundo. Além de se destacar como nação, oito instituições gaúchas também figuram no ranking internacional que avaliou 177 universidades latino-americanas.
Entre as 10 primeiras universidades da lista, sete são brasileiras. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) ocupa o oitavo lugar, sendo a única gaúcha no top 10 das latinas. (Veja a listagem abaixo). A posição é cinco degraus acima do registrado ano passado, quando a UFRGS estava em 13º. Confira aqui.
Outras instituições de nível superior do Estado também se destacaram no ranking. A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) surge em 14º lugar, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em 29º, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) em 39º, a Unisinos em 46º, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) em 85º.
Após o 100º lugar, as universidades são classificadas em faixas. A Universidade de Passo Fundo (UPF) aparece na faixa dos 101-125 e a Universidade de Caxias do Sul (UCS), por sua vez, aparece na faixa entre 126-150.
Os destaques nacionais ficam para a Universidade de São Paulo (USP), que ocupou o segundo lugar na classificação geral, e para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na terceira posição da listagem entre instituições da América Latina. O ranking é liderado pela Pontifícia Universidade Católica do Chile, que manteve a primeira posição pelo terceiro ano consecutivo. O ranking completo pode ser acessado neste link.
Esse é o quarto ano consecutivo em que as instituições brasileiras predominam, em número, no top 10 do ranking que considera 177 universidades de 13 países latino-americanos. Desse total, 67 são brasileiras. Depois aparece o Chile, com 28; a Colômbia, com 24; México, com 23; o Equador, com 11; a Argentina, com nove; e, por fim, o Peru com oito.
Os critérios usados pelo THE, tanto para o ranking global - liderado pelas universidades de Oxford, Stanford e Harvard - quanto para o latino-americano, são divididos em cinco áreas: ensino – que tange o ambiente de aprendizado -, pesquisas - em volume, investimentos e reputação-, citações - quer dizer, a influência destes trabalhos no ambiente acadêmico-, perspectivas internacionais - de docentes, estudantes e pesquisas - e renda gerada com transferência de tecnologia produzida dentro da universidade.
Gaúchas no ranking global
O levantamento da THE, publicado em setembro passado, revelou que a UFRGS manteve a mesma colocação dos últimos cinco anos no ranking global, na faixa das 601-800 melhores instituições. A UFPel e a PUCRS ficaram na faixa das 801-1000 melhores do mundo. Entre as 2 mil melhores, constaram na lista mundial ainda a UCS, a UFCSPA, a UFSM e a Unisinos.
Confira o top 10 das melhores universidades da América Latina
Pontifícia Universidade Católica do Chile
Universidade de São Paulo (USP)
Universidade de Campinas (Unicamp)
Instituto de Tecnologia de Monterrey (México)
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Universidade do Chile
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)"
13/07/2021 – Portal Extra Classe
Link: https://www.extraclasse.org.br/educacao/2021/07/angustias-e-desafios-marcam-aulas-presenciais-no-rs/
“Angústias e desafios marcam aulas presenciais no RS
O trabalho em dobro para manter a segurança e garantir a qualidade do ensino na pandemia deixa pais, educadores, alunos e gestores em alerta e interfere no processo de ensino e aprendizagem
Passados mais de dois meses desde que o Rio Grande do Sul retomou as atividades presenciais de ensino no momento mais agudo da crise sanitária, quando começavam a ser identificadas novas variantes do coronavírus, diante do ritmo lento da imunização e do avanço da pandemia, o cenário ainda é de muita preocupação.
Em 3 de maio, quando as escolas reabriram, a vacinação de trabalhadores da educação, hoje em avanço, não passava de promessa, e, diante do quadro, educadores, servidores e alunos não ficaram incólumes às estatísticas, embora baixas, de contaminação pela covid-19. Ao longo desse período, a comunidade escolar vem driblando dificuldades, angústias e se adaptando para manter a rotina o mais próximo da normalidade.
Pelo último levantamento da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), divulgado no começo de junho, 1.118 pessoas foram infectadas entre as mais de 2,2 mil instituições em funcionamento.
Desse total, foram 564 educadores, 121 servidores e 433 alunos, “casos isolados”, segundo a secretária Raquel Teixeira. Enquanto os números não são atualizados, relatos de contaminação seguem chegando às entidades representativas da educação.
Contágios em escolas municipais, comunitárias e privadas
Na Capital, o mais recente boletim da situação da covid-19 nas escolas foi publicado em 15 de junho, com base nos formulários de monitoramento das instituições de ensino. Na semana epidemiológica de referência (30 de maio a 5 de junho), houve 40 casos positivos em escolas municipais, comunitárias e privadas. Nesse período, a prefeitura contabilizou mais de 37,6 mil alunos e cerca de 9 mil professores e funcionários em atividade presencial.
De acordo com a presidente do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers-Sindicato), Helenir Schürer, o retorno ocorreu de forma arbitrária, em função do quadro da pandemia no RS, o qual já ultrapassou mais de 1 milhão de contaminados e a triste marca de 30 mil mortos.
“Mantemos a preocupação, apesar do início da vacinação da categoria e de os pais terem atendido ao nosso chamado e enviado poucos alunos à rede pública. O que fizemos, desde então, foi reforçar as informações às escolas, acompanhar o cumprimento de protocolos e colocar à sociedade que esse retorno não ocorreu em momento adequado”, salienta a dirigente.
A diretora do Sindicato dos Professores do Ensino Privado (Sinpro/RS) Cecília Farias destaca que a categoria começou 2021 sob forte pressão para a retomada das atividades presenciais, embora a entidade considere o cenário desfavorável.
“Tivemos o agravamento da pandemia a partir de fevereiro, e não houve melhora significativa. A situação até pode ter estabilizado um pouco, mas em patamar muito alto. Por isso, fizemos um movimento de resistência muito forte à retomada”, enfatiza.
No entanto, em meio à batalha de liminares e processo de mediação judicial, o governo estadual publicou decreto liberando as escolas, no final de abril, e, com o início da imunização dos profissionais da educação, na primeira semana de junho, a campanha contra a retomada perdeu força.
“Este Termo de Compromisso responsabiliza Sinpro/RS e Sinepe/RS pela fiscalização do cumprimento dos protocolos sanitários. A vacinação dos professores foi um grande avanço no enfrentamento do covid-19, mas são fundamentais esses cuidados”, alerta Cecília.
Conforme ela, há poucos relatos de contaminação nas escolas privadas e, de forma geral, obediência aos protocolos.
Contudo, a condição de liberação da totalidade de alunos em sala de aula preocupa, junto com a falsa sensação de normalidade que veio com a imunização.
Uma das coordenadoras do grupo Direito ao Ensino Não Presencial na Pandemia, a advogada Cassiana Lipp reforça o alerta para os riscos da reabertura das escolas neste momento.
“As escolas estão abertas, mas não de uma forma segura. É por isso que se tenta minimizar eventuais casos de covid-19. Continuamos pleiteando para que os pais, que possam, permaneçam com os filhos em casa, pois o risco existe e é alto”, aponta.
Mediação e mais rigor nos protocolos sanitários
Em 14 de junho, o judiciário encerrou a mediação sobre a volta às aulas, propondo um acordo com os sindicatos de professores e das instituições de ensino privadas. O documento reforça o compromisso de alertar a comunidade escolar dos riscos e da necessidade de rigor com as medidas de proteção e procedimentos diante de suspeitas e contágios. O Cpers-Sindicato não havia firmado o acordo até o final de junho.
Professora de Biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Melissa Markoski reforça que a retomada das aulas ocorreu em um período adverso. Entretanto, pondera que o cumprimento de protocolos parece ter contribuído para que os índices de contaminação não fossem alarmantes. “De positivo, há o registro de que não ocorreram óbitos relacionados à retomada das aulas. Além disso, nas últimas seis semanas, os casos de covid nas escolas não chegaram a assustar”, avalia.
Melissa comenta, porém, que a chegada do inverno pede atenção à circulação de ar nas salas e reforço ao distanciamento e uso de máscaras bem ajustadas.
“A orientação é para que se mantenha a boa circulação de ar, com janelas abertas, mesmo com uso de ar-condicionado. E quando os alunos não estiverem em sala, o ideal é provocar o deslocamento do ar, ligando ventiladores e mantendo janelas e portas abertas”, justifica.
Dificuldades com a rotina de enfrentamento à covid-19
Três professoras de diferentes instituições de ensino expressam suas percepções sobre os desafios da docência neste novo momento em sala de aula – com a condição do anonimato.
Uma delas, docente de Língua Estrangeira de uma tradicional escola privada da Capital, relata que os protocolos de enfrentamento à pandemia têm sido seguidos à risca, e que não houve contaminação no grupo. Lecionando para adolescentes, ela cita, no entanto, a resistência em manterem o distanciamento, e conta que, mais do que se adaptar a medidas como dar aula de máscara e com uso de microfone, tem dificuldade é com a nova rotina de ensino.
“Está tudo muito diferente, a aula virou uma palestra, sem participação dos alunos nem interação com os que estão em casa. Estamos nos adequando, mas é um jeito muito diferente de ensinar”, desabafa.
Outra educadora, de uma escola pública da Região Metropolitana, reclama da falta de testagem, mesmo após contaminação de funcionários. Também revela que, apesar de as salas serem higienizadas a cada troca de turmas, terem álcool gel e adotarem o distanciamento adequado, as máscaras oferecidas não são de boa qualidade. A falta de fiscalização na escola, onde há casos de colegas com máscara no queixo, também é relatada. “Precisamos trabalhar, mas tem ainda muito descaso e falta de cumprimento dos protocolos”, alerta.
Apesar da angústia com o retorno presencial, uma professora da educação infantil ressalta que a adequação às medidas preventivas já foi incorporada à rotina. Segundo ela, houve apenas casos isolados de contaminação na escola, e os alunos se adaptaram rapidamente. “O que mais sentem é falta de compartilhar brinquedos e objetos, o que está totalmente proibido”, acrescenta.”
09/07/2021 – GZH
Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/07/com-apenas-nove-resultados-positivos-testagem-para-covid-19-e-encerrada-na-estacao-mercado-da-trensurb-ckqx05hgh00e90193e8m7w9uf.html
“Com apenas nove resultados positivos, testagem para covid-19 é encerrada na Estação Mercado da Trensurb
Secretaria de Saúde da Capital realizou 138 testes rápidos em duas semanas.
Após duas semanas de trabalho, foi encerrada nesta sexta-feira (9) a operação que realizava testagem para covid-19 nos usuários que circulavam pela Estação Mercado da Trensurb, em Porto Alegre. Conforme a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), foram realizados 138 testes rápidos e, do total, nove tiveram resultado positivo.
Das confirmações, dois passageiros eram de Porto Alegre e os demais residiam em municípios da Região Metropolitana.
A diretora da Atenção Primária à Saúde, Caroline Schirmer, confirmou que não ocorrerão novas ações do tipo, mas que considera bom o resultado.
— O propósito da ação era verificar a positividade que circula no trem, sendo que foi menor do que verificamos no município. No entanto, ainda precisamos reforçar as medidas de proteção, como uso de máscara e álcool gel — avaliou.
A intenção do controle sanitário foi identificar, a partir de câmeras com sensores instaladas no local pela empresa, passageiros com temperatura corporal igual ou superior a 37,5°C, oferecendo a testagem na própria estação e, na confirmação de caso positivo, orientar a pessoa a cumprir isolamento.
Além disso, a iniciativa teve como objetivo orientar os usuários sobre a prevenção contra o coronavírus. A operação foi coordenada pela Diretoria de Atenção Primária à Saúde da SMS em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde (UFCSPA) e a escola Factum e com o apoio da Trensurb.”
07/07/2021 – Los Angeles Times
Link:https://www.latimes.com/world-nation/story/2021-07-07/how-the-copa-america-soccer-tournament-in-brazil-is-spreading-covid-19
How the Copa America soccer tournament in Brazil is spreading COVID-19
RIO DE JANEIRO — Just after nightfall about 60 miles north of Rio de Janeiro, Marlus Jesus was whisked into a hospital after hours to verify that he didn’t have coronavirus, then ushered into a hotel room.
His secret mission? The Brazilian soccer star Neymar da Silva Santos Júnior and several teammates wanted haircuts.
“I started cutting hair at about 8 p.m. and finished after midnight,” said the 32-year-old barber. “I cut the hair of seven or eight players.”
He couldn’t resist posting a selfie with Neymar on Instagram.
The haircuts, which quickly became national news, burst a strict “sanitary bubble” meant to keep COVID-19 out of the Copa America, the premier soccer tournament on the continent.
The event has been shrouded in controversy since organizers hurriedly moved it to virus-stricken Brazil in early June, less than two weeks before kickoff. The original co-hosts, Argentina and Colombia, had suddenly bowed out, citing an alarming rise in coronavirus cases.
Brazil, where COVID-19 has claimed at least 525,000 lives, a toll second only to the United States, was a curious second choice. Infections were surging to unprecedented levels as the country entered a devastating third wave. But, to the shock of many, President Jair Bolsonaro enthusiastically agreed that Brazil be the host.
“From the beginning I have been saying, when it comes to the pandemic: I am sorry for the deaths, but we have to live,” said the far-right populist, who is being investigated by a congressional committee for his handling of the pandemic, including possible corruption related to the purchase of vaccines.
Government health authorities and Copa America’s organizers say those taking part of the tournament are following strict protocols to avoid infections, as 10 teams compete in four Brazilian cities. Crowds are barred from stadiums and players must stay in their rooms when not training or playing matches. Nearly 26,000 coronavirus tests had been administered as of this week.
But outside health experts say the event is complicating Brazil’s fight against the virus.
At least 165 new cases have been linked directly to the tournament. A total of 37 were players, coaches, trainers and other team personnel, while 125 were drivers, caterers, cleaners and others providing services for the tournament. Three work for Conmebol, the South American soccer federation, which provides medics and referees to the tournament.
“We’ve seen that the majority of cases were not among players — they were the people providing them with services,” said Dr. Lucia Campos Pellanda, an epidemiologist and dean of Porto Alegre’s Federal University of Health Sciences. “It’s really cruel — to expose people who are already vulnerable.”
Without systematic contact tracing, authorities are unable to determine how those infections may have spread coronavirus into the wider population.
Enforcing protocols — and controlling the players off the field — has proved challenging. Members of Chile’s team were accused of partying and inviting prostitutes to their hotel. Venezuelan team members infected with the coronavirus allegedly broke quarantine, sneaking out of their rooms. Hotel workers who came in contact with the rogue players complained that their pleas for testing were ignored for days.
With the Tokyo Olympics just over two weeks away, Brazil may serve as a grim bellwether on whether behemoth multinational sporting events can be held safely as the pandemic still rages on. Already, the Summer Games have sparked protests, as coronavirus cases surge across Asia.
“Even if the risk is minimal, even if an event like this results in a single death — is it worth it?” Pellanda asked.
Outraged Brazilians have dubbed the tournament “Cova America,” rebranding it using the Portuguese word for “grave.” Memes of a coffin kicking a coronavirus have swept through social media.
Brazil has advanced to the final, scheduled for Saturday. But many fans say that even if it wins and retains the title it captured in 2019, there will be little to celebrate.
“There just isn’t that same joy that the game usually brings,” said Júlia Passos, a 21-year-old food service worker. “This time, it brings a lot of sadness. Because it can’t erase what happened, how many people have died.”
Her family, like so many others, saw the devastation of COVID-19 up close. Her stepfather spent a week in hospital, struggling to breathe.
“With all the pain Brazil is going through, that we’re going through,” Passos said. “It is not the time to host a huge sporting event like this.”
Still, she couldn’t turn down a gig in one Rio stadium hosting some of the matches. Out of work since March, the young mother needed the income. On game days, she earns $20 serving food and drinks to the coaches, organizers and security staff.
Passos managed to get one dose of COVID-19 vaccine, and she and her colleagues are tested for coronavirus every other day. Nonetheless, she said, the job feels risky, starting with her 25-mile commute from the outskirts of the city.
“We end up so exposed. We take trains packed full of people to get to work,” she said. “But I really needed the work.”
Her stepbrother, Júnior Campos, needed money too and also jumped at the chance to nab a job at the stadium. Yet, even as a soccer fan, the tournament left a bitter taste.
“I lost my uncle and, just last week, I lost my best friend too,” said Campos, 21, who was applying to colleges when the pandemic struck. “We’ve lost so many people to the virus. And so many are still dying. It’s absurd to have this event, to pretend like life is back to normal here, like in Europe.”
The Euro Cup, which is being held in 11 countries across the continent, kicked off in June amid easing lockdowns and ramped-up vaccination campaigns in many of the host nations. But even with reduced stadium capacity and rigid travel restrictions, the tournament has failed to fully avoid infection. The World Health Organization sounded an alarm recently, pointing to overcrowding and clusters of cases.
Health experts warn the risks are even greater in Brazil, where just over 13% of the population is fully vaccinated. One particular worry is that highly contagious new variants could gain traction. The Delta strain — first discovered in India — was spotted in one city hosting Copa America matches, though authorities are still unsure if it infected tournament participants.
In the last two weeks, daily coronavirus cases have eased from June’s record peaks. But health experts still fear spikes. And with the lag between infections and illness and hospitalization, they warn that the tournament’s full effects may not become clear for weeks.
Unlike much of the world, Brazil never closed down to contain the virus. All along, Bolsonaro downplayed COVID-19 and urged Brazilians to keep working. Lockdowns, he insisted, kill more people than the virus by hurting the economy.
Brazil ultimately lost out on both fronts. As the virus ripped through the country undeterred, the pandemic decimated the economy. A welfare scheme helped keep informal workers afloat last year, but the aid was slashed significantly as public spending ballooned.
Angry Brazilians have taken to the streets, calling for vaccines, economic aid and impeachment of the president. Nearly 15 million are out of jobs and hunger has almost doubled, with 19 million routinely going without food during the pandemic.
Faced with economic need, millions risk their health in search of work, including in the Copa America.
On a recent morning, Viviane Azevedo served breakfast to the Copa America delegations at a ritzy hotel in Rio’s wealthy south zone. Still waiting for her second dose of vaccine, she was happy for extra shifts at the hotel that came with the influx of guests.
“It’s a disgrace really, hosting this tournament now,” said Azevedo, 43, who went back to waitressing after being laid off from a piercing studio early in the pandemic. “But for us, there’s no other way. In today’s Brazil, if you don’t take the risk, you’ll go hungry.”
Murilo Castro Vianna, 61, waited outside the same hotel in a white shuttle bus, ready to drive Uruguay’s team to training. Earlier in his 12-hour shift, he had dropped off an injured player at the airport. A few days earlier, a fellow driver had been sickened by COVID-19.
“I’ve spent every day of this pandemic on the street, working,” he said. Before this, he had driven around linesmen working for an electricity company. “Here, I’m being tested. I wear my mask, I try to be careful. That’s all you can do.”
Back at the barber shop he owns in Belford Roxo, a working-class neighborhood on the northern fringe of Rio, Jesus was clad in a face mask as he swiftly razed a little boy’s hair into a mullet, like the ones worn by soccer stars.
One chair over, an unmasked employee trimmed a client’s beard, then doused it in a fragrant spray. Stand-up comedy blared from the television.
Jesus’ secret mission last month wasn’t the first time he cut the hair of Brazil’s soccer elite. But the Copa America job was a chance he couldn’t pass up.
The tiny, bright shop had remained shut for much of the pandemic. Jesus kept cutting hair in the homes of clients, to stay afloat.
“Are we afraid of the virus?” Jesus said. “Of course we’re afraid. But we have to work.”
Ionova is a special correspondent.
06/07/2021 – GZH
Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/07/estudantes-do-ensino-fundamental-tem-aulas-sobre-virus-e-vacinas-em-projeto-da-ufcspa-ckqsrzeg400cm013bnuna3m5v.html
Estudantes do Ensino Fundamental têm aulas sobre vírus e vacinas em projeto da UFCSPA
Iniciativa trabalha temas complexos de forma lúdica e atende crianças do 1º ao 9º ano da Escola Vicente da Fontoura, na zona sul de Porto Alegre
Explicar para crianças temas como a composição dos vírus, a transmissão de doenças e a ação das vacinas no corpo humano pode ser uma tarefa complexa, que requer recursos lúdicos e criativos. Por este motivo, um projeto da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) utiliza jogos, animações, protótipos e uma linguagem simplificada para fazer com que alunos do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental aprimorem seus conhecimentos científicos.
Professor da instituição e idealizador da iniciativa, Luiz Carlos Rodrigues afirma que o Aprendendo sobre Vírus e Vacinas foi criado em 2019 especialmente para a Feira de Saúde, evento da UFCSPA que leva trabalhos de alunos e professores para escolas da Capital, a fim de abordar assuntos relacionados à saúde pública. A partir dessa apresentação inicial, foi constatada a necessidade de tornar o projeto uma atividade contínua.
— Observamos que existia um desconhecimento por parte das crianças sobre vacinação, o que são vírus, como ocorre a contaminação. Eles não sabiam, por exemplo, para que servia cada vacina, achavam que se fossem imunizados para HPV também estariam imunes à gripe ou ao HIV — relata.
Em 2020, a iniciativa virou um projeto de extensão que envolve alunos dos cursos de graduação e de pós-graduação da UFCSPA, mas, devido à pandemia, não foi possível colocar em prática todo o planejamento. Mesmo assim, a equipe coordenada por Rodrigues produziu dois livros digitais sobre o tema, sendo um infantil e um infantojuvenil, e utilizou o período para modificar o projeto, adaptando-o ao formato virtual, com aulas remotas.
Atualmente, o Aprendendo sobre Vírus e Vacinas atende 10 turmas da Escola Estadual de Ensino Fundamental Vicente da Fontoura, da zona sul de Porto Alegre, com os estudantes divididos em três níveis, de acordo com o ano em que estão matriculados. Para colocar o projeto em prática com a instituição, foi realizado um diagnóstico inicial para verificar o conhecimento das crianças sobre vírus e vacinas. De acordo com o professor, muitos estudantes sabem bastante sobre o coronavírus, mas a maioria desconhece outros vírus e formas de prevenção e contaminação:
— Perguntamos as formas de transmissão dos vírus e todos responderam “pelo espirro, passar as mãos nos olhos, na boca, contato”, mas outras formas eles não sabem. E é isso que a gente quer ensinar, o nosso projeto vai além do coronavírus, então trazemos o conteúdo de uma forma bem lúdica para que eles possam entender, fazemos jogos e aulas práticas.
Os encontros virtuais, de até uma hora, ocorrem semanalmente em dias e horários combinados com a escola. A iniciativa prevê ainda a montagem de um laboratório dentro da instituição, com protótipos e equipamentos que a universidade não utiliza mais. Além disso, há seminários com os professores para a transferência das metodologias adotadas durante as aulas.
Maria Berenice Brandli Pereira, coordenadora pedagógica da Escola Vicente da Fontoura, comenta que a iniciativa está tendo um retorno bastante positivo por parte dos alunos, que ficam empolgados e ansiosos pelas próximas aulas:
— É algo que está acrescentando muito na vida deles, eles adoram as aulas online, e são atividades diferenciadas que o projeto faz, então as crianças se envolvem e participam muito.
Para Rodrigues, o Aprendendo sobre Vírus e Vacinas tem uma grande importância social, pois impacta diretamente na formação de crianças em relação a questões de saúde pública e ajuda a disseminar conhecimentos fundamentais. O professor considera essencial essa aproximação entre universidade e escola e acredita que o projeto possa ser utilizado para ampliar assuntos de outras áreas que são pouco abordadas nas instituições de ensino.
— As universidades têm condições de proporcionar muito mais do que a escola em termos de amplitude dos assuntos. As escolas seriam beneficiadas nesses projetos e os alunos das universidades também, porque aprenderiam a ter esse contato com a sociedade em que eles efetivamente vão trabalhar depois — defende.
A previsão é de que, no final deste ano, o projeto seja transformado em um programa para que possa contemplar mais escolas. Os livros produzidos pela equipe da UFCSPA estão disponíveis para download por meio deste link.
06/07/2021 – Tribuna de Jundiaí
Link: https://tribunadejundiai.com.br/saude/coronavirus/e-possivel-ter-covid-mesmo-com-as-duas-doses-da-vacina/
É possível ter Covid mesmo com as duas doses da vacina?
Cada medida de prevenção adotada é uma “camada extra” de proteção
Apesar de já ter tomado as duas doses da vacina contra a Covid-19, a apresentadora Ana Maria Braga informou, nesta segunda-feira (5) que contraiu o vírus. A notícia repercutiu e fez surgir a dúvida no público: é possível ter a infecção mesmo após ter completado o esquema vacinal? Segundo os estudos conduzidos com cada uma das vacinas em uso contra a Covid-19, sim, uma vez que os imunizantes evitam os casos graves da doença, mas não o contágio.
O objetivo principal das vacinas, neste momento, é evitar formas graves da Covid-19, e não necessariamente o contágio pela doença (ainda que algumas vacinas já tenham se mostrado capazes de evitar também a transmissão e a infecção). Nas pesquisas, as vacinas são testadas para sua capacidade de evitar contágio, casos sintomáticos, moderados e graves e morte pela Covid. Até agora, todas as vacinas que estão sendo aplicadas no Brasil – CoronaVac, AstraZeneca/Oxford, Pfizer e Johnson – foram capazes de evitar internações e mortes pela doença.
Cada medida de prevenção adotada – como se vacinar, usar máscaras, evitar aglomerações e lugares fechados – é uma “camada extra” de proteção. Por isso é necessário combiná-las com a imunização.
Apesar de já ter tomado as duas doses da vacina contra a Covid-19, a apresentadora Ana Maria Braga informou, nesta segunda-feira (5) que contraiu o vírus. A notícia repercutiu e fez surgir a dúvida no público: é possível ter a infecção mesmo após ter completado o esquema vacinal? Segundo os estudos conduzidos com cada uma das vacinas em uso contra a Covid-19, sim, uma vez que os imunizantes evitam os casos graves da doença, mas não o contágio.
O objetivo principal das vacinas, neste momento, é evitar formas graves da Covid-19, e não necessariamente o contágio pela doença (ainda que algumas vacinas já tenham se mostrado capazes de evitar também a transmissão e a infecção). Nas pesquisas, as vacinas são testadas para sua capacidade de evitar contágio, casos sintomáticos, moderados e graves e morte pela Covid. Até agora, todas as vacinas que estão sendo aplicadas no Brasil – CoronaVac, AstraZeneca/Oxford, Pfizer e Johnson – foram capazes de evitar internações e mortes pela doença.
Cada medida de prevenção adotada – como se vacinar, usar máscaras, evitar aglomerações e lugares fechados – é uma “camada extra” de proteção. Por isso é necessário combiná-las com a imunização.
“Mesmo ao ar livre, de máscara, se tiver 100 pessoas, o risco vai ser maior do que se tiver duas pessoas. Não adianta ‘estou ao ar livre, não preciso de máscara’. Precisa. ‘Eu estou ao ar livre, não preciso ficar à distância’. Precisa. ‘Ah, eu estou de máscara, não preciso manter a distância’. Precisa”, explica Lucia Pellanda, cardiopediatra e professora de epidemiologia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
“Quando a gente faz todas as coisas, vai diminuindo bastante o risco. As pessoas têm ideia de que é tudo ou nada. O risco é contínuo”, reforça Pellanda.
Veja as taxas de eficácia contra casos graves alcançadas durante os testes em cada vacina usada no Brasil até o momento:
Johnson: 85% eficaz
Coronavac: entre 83,7% e 100% eficaz
Pfizer: 92% eficaz
AstraZeneca: 100% eficaz
A taxa mais alta de imunização somente é alcançada após a segunda dose. Das quatro vacinas aplicadas no Brasil, apenas a da Johnson/Janssen alcança a sua taxa máxima de eficácia em apenas uma dose, então, é necessário estar completamente vacinado, com as doses necessárias.
Especialistas são unânimes ao dizer que não se deve escolher vacina, já que é muito melhor tomar qualquer uma disponível do que ficar vulnerável à Covid-19. E, ao se vacinar, você ajuda a aumentar a cobertura vacinal, que é o mais importante neste momento.
06/07/2021 – Diário Gaúcho
Link:http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/07/sete-casos-positivos-em-seis-dias-veja-o-balanco-da-acao-de-controle-sanitario-em-estacao-da-trensurb-20640491.html
“Sete casos positivos em seis dias: veja o balanço da ação de controle sanitário em estação da Trensurb
Prefeitura de Porto Alegre está convidando passageiros sintomáticos a realizarem testes rápidos para detecção da covid-19
A prefeitura de Porto Alegre divulgou nesta segunda-feira (5) que mais dois casos positivos de covid-19 foram detectados na ação de controle sanitário realizada na Estação Mercado da Trensurb. Desde 28 de junho, foram sete casos confirmados da doença após 78 testes rápidos realizados.
Os passageiros que tiveram resultado positivo nesta segunda-feira são de Porto Alegre e Alvorada. Ambos assinaram termo se comprometendo a cumprir isolamento, segundo a Secretaria Municipal da Saúde. A prefeitura divulgou que o passageiro de Porto Alegre retornou à residência em veículo da Trensurb. O de Alvorada, em veículo próprio.
A prefeitura utiliza imagens da câmeras da Trensurb que possuem sensor térmico. Os passageiros que apresentam sintomas de covid-19, ou que tem temperatura corporal acima de 37,5 °C, são convidados a realizar o teste.
O trabalho é realizado de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
A prefeitura ainda não detalhou como será o protocolo para retomar a ação de controle sanitário no Aeroporto Internacional Salgado Filho. Na semana passada, foi divulgado que uma nova medida será adotada, oferecendo testes do tipo RT-PCR para quem desembarcar no aeroporto e ficar na Capital por ao menos quatro dias.”
05/07/2021 – ZH
Versão Impressa
Apoio psicológico paraos60+
Mesmos os vacinados da população 60+ seguem tomando uma série de cuidados. Entre eles, a manutenção do distanciamento, que resulta em menor interação social. O isolamento, necessário para evitar o contágio pela covid-19, também fez aparecer sequelas emocionais. A percepção deste problema levou à criação do projeto Acolhendo Idosos na Pandemia, oferecido pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em parceria com a Santa Casa. O amparo psicológico gratuito está à disposição desde o início de abril, mas agora a divulgação da iniciativa é ampliada.
O apoio está aberto para pessoas acima de 60 anos que estiverem se sentido sozinhas, tristes, ansiosas ou passaram a ter problemas com o álcool. O serviço é gratuito, nos sete dias da semana, das 8h às 19h. Para ser atendido, basta ligar para o número 0800 760 5151. Quem procurar ajuda, de qualquer parte do país, será avaliado e poderá receber intervenções psicoterápicas durante um mês, com um atendimento por semana.
Até agora, cem idosos passaram pelo projeto e 25 seguem em acompanhamento. Dos que buscaram apoio, 77% apresentaram sintomas de ansiedade e 73% de depressão.
05/07/2021 – GZH
Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2021/07/sete-casos-positivos-em-seis-dias-veja-o-balanco-da-acao-de-controle-sanitario-em-estacao-da-trensurb-ckqradwkt0025013b4ckjtreo.html
“Sete casos positivos em seis dias: veja o balanço da ação de controle sanitário em estação da Trensurb
Prefeitura de Porto Alegre está convidando passageiros sintomáticos a realizarem testes rápidos para detecção da covid-19
A prefeitura de Porto Alegre divulgou nesta segunda-feira (5) que mais dois casos positivos de covid-19 foram detectados na ação de controle sanitário realizada na Estação Mercado da Trensurb. Desde 28 de junho, foram sete casos confirmados da doença após 78 testes rápidos realizados.
Os passageiros que tiveram resultado positivo nesta segunda-feira são de Porto Alegre e Alvorada. Ambos assinaram termo se comprometendo a cumprir isolamento, segundo a Secretaria Municipal da Saúde. A prefeitura divulgou que o passageiro de Porto Alegre retornou à residência em veículo da Trensurb. O de Alvorada, em veículo próprio.
A prefeitura utiliza imagens da câmeras da Trensurb que possuem sensor térmico. Os passageiros que apresentam sintomas de covid-19, ou que tem temperatura corporal acima de 37,5 °C, são convidados a realizar o teste.
O trabalho é realizado de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
A prefeitura ainda não detalhou como será o protocolo para retomar a ação de controle sanitário no Aeroporto Internacional Salgado Filho. Na semana passada, foi divulgado que uma nova medida será adotada, oferecendo testes do tipo RT-PCR para quem desembarcar no aeroporto e ficar na Capital por ao menos quatro dias.”
05/07/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/07/hospitais-do-rs-participam-de-mais-de-um-terco-das-pesquisas-para-medicamentos-contra-a-covid-19-no-brasil-ckqr2lbt4000b013bg6nr9sya.html
“Hospitais do RS participam de mais de um terço das pesquisas para medicamentos contra a covid-19 no Brasil
Estado é reconhecido em nível nacional pela excelência das instituições e pela qualificação de trabalhadores da saúde
Reconhecido em nível nacional pela excelência de hospitais e qualificação de trabalhadores da saúde, o Rio Grande do Sul vem se destacando no Brasil por conduzir estudos que buscam remédios para combater ou curar a covid-19.
Hoje, 89 pesquisas clínicas (feitas com pessoas) para investigar possíveis medicações contra o coronavírus ocorrem no país, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Dados do site Clinical Trials, onde são registrados os estudos no mundo todo, mostram que ao menos 33 – mais de um terço – ocorrem no Rio Grande do Sul.
— A indústria procura centros de excelência e em que protocolos internacionais serão facilmente cumpridos à risca. São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul têm os centros de pesquisa melhor montados. O Rio Grande do Sul sempre foi tido como um Estado de excelência na área da saúde e na incorporação de novas tecnologias. Isso não é de hoje, com a covid, mas de um investimento feito no passado — resume Nelson Mussolini, presidente-executivo do Sindicato da Indústria dos Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma).
Estudos foram ou estão sendo conduzidos em praticamente todos os grandes hospitais gaúchos: Clínicas de Porto Alegre e de Passo Fundo, Conceição, Moinhos de Vento, Santa Casa de Misericórdia, São Lucas da PUCRS, Mãe de Deus, Ernesto Dornelles e Universitário de Santa Maria são algumas das instituições.
Além de coroar a qualidade desses hospitais, a alta concentração de pesquisas clínicas coloca médicos gaúchos em contato com as mais recentes discussões sobre covid-19 do mundo.
A maioria das pesquisas é de fase 3 (para analisar a segurança e eficácia da medicação), patrocinadas por laboratórios estrangeiros e multicêntricas – isto é, integram iniciativas internacionais que recrutam milhares de voluntários de diversos países para assegurar que a medicação possa ser usada em diferentes perfis etários e étnicos.
— O Rio Grande do Sul tem centros de excelência, grandes hospitais e equipes qualificadas. Há muitos hospitais universitários e muitos centros de especialidades, o que facilita a execução de protocolos — resume o médico infectologista Alessandro Pasqualotto, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
Os estudos buscam remédios em diversas frentes: para uso de forma precoce nos primeiros dias de sintoma; para evitar que pessoas que entraram em contato com algum caso positivo adoeçam; e para hospitalizados, no esforço de evitar a piora do quadro e a morte, explica o médico infectologista Eduardo Sprinz, coordenador de estudos para vacina e medicações no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).
Nesse quesito, destaca Sprinz, a alta circulação viral no Rio Grande do Sul também dá um empurrão na escolha do Estado para testar os remédios – é preciso ter pessoas adoecidas para checar se uma fórmula funciona.
Em fevereiro, o HCPA começou a fase 3 de uma pesquisa para avaliar os efeitos de um remédio francês, chamado de ABX464, em pacientes hospitalizados. A pesquisa também é conduzida em outros 13 hospitais brasileiros, além de instituições da Europa e da Ásia.
— A gente tenta achar medicamentos que façam pessoas gravemente doentes melhorarem. Tem estudos para evitar ventilação mecânica e, mais recentemente, para evitar que a pessoa recentemente diagnosticada progrida a casos mais graves. Hoje, os remédios disponíveis são para dar suporte a hospitalizados e há o uso do corticoide, para pessoas com comprometimento do pulmão, com os quais a gente quer evitar que a doença progrida — resume Sprinz.
De todos os estudos em solo gaúcho, os mais promissores são para avaliar o uso de anticorpos monoclonais em pacientes hospitalizados. A ideia é pegar anticorpos gerados por pessoas já infectadas, purificá-los e inseri-los em pessoas hospitalizadas com covid-19 de forma a ensinar o sistema imune dos doentes mais graves a lutar contra o coronavírus.
Nos Estados Unidos, remédios com anticorpos monoclonais já foram aprovados pela agência reguladora para uso emergencial. A expectativa é de que o pedido seja feito também à Anvisa nos próximos meses.
— Conseguimos retirar do plasma o anticorpo que funciona contra covid, multiplicá-lo e transformá-lo em remédio para outras pessoas. São anticorpos que tentam impedir o vírus e a inflamação do vírus de agredir o pulmão do paciente — explica o médico Claudio Stadnik, coordenador do Centro de Pesquisa em Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.
A Santa Casa conduz ao menos 11 estudos em busca de um remédio para o coronavírus, segundo registros no Clinical Trials. Um deles investiga o uso de gotas de cloridrato de tetraciclina no nariz de indivíduos contra a contaminação por coronavírus. Dois investigam possíveis remédios, em pílula, para uso de forma precoce – sem dados preliminares, ainda.
Outra referência é o Moinhos de Vento, que participa da Coalizão Covid Brasil, uma frente de hospitais do país que toca diferentes estudos em busca de medicações contra a doença. Fazem parte Sírio-Libanês, Albert Einstein, Oswaldo Cruz, HCor, Beneficência Portuguesa de São Paulo e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), junto ao Ministério da Saúde.
Até agora, a Coalizão já iniciou 10 pesquisas. O melhor resultado mostrou que o uso do corticoide dexametasona em pacientes hospitalizados reduziu o tempo de internação e o número de mortes. Outros estudos mostraram que a hidroxicloroquina e a azitromicina não tiveram efeito em pacientes estudados.
— A Coalizão já finalizou cinco ensaios clínicos randomizados. Avaliamos a hidroxicloroquina, que não demonstrou benefício em pacientes hospitalizados. Também avaliamos o antibiótico azitromicina, que não demonstrou benefícios. No estudo com o dexametasona, houve benefício para pacientes em ventilação mecânica, e os resultados foram unidos a outros estudos do mundo e revisados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o que contribuiu de maneira importante para gerar evidência a um dos poucos medicamentos que existem hoje para a covid — diz Regis Goulart Rosa, médico intensivista e pesquisador do Hospital Moinhos de Vento.
No Mãe de Deus, um estudo multicêntrico, que ocorria em 22 países, foi encerrado no ano passado – os resultados estão sendo consolidados. Hoje, há uma pesquisa com anticorpo monoclonal, realizada em 26 nações. No Brasil, foram escolhidos apenas três outros hospitais: dois em São Paulo e um no Rio de Janeiro.
— Desvendar a covid, esse mistério, é muito importante para os pacientes que têm a oportunidade de usar essa medicação e para todos nós que nos beneficiaremos dos resultados — afirma Rodrigo Boldo, médico intensivista e pesquisador do Mãe de Deus.
O Grupo Hospitalar Conceição (GHC) participou do estudo Pioneer, que avaliou o uso de um antiviral em pessoas internadas – os resultados ainda não foram divulgados. A pesquisa foi patrocinada pelo NHS, o Sistema Único de Saúde (SUS) do Reino Unido.
Em junho, a instituição começou a fase 3 de uma nova pesquisa, com anticorpos monoclonais, em pessoas nos primeiros dias de sintomas com covid-19. O estudo ocorre em vários países e é organizado pelo National Institutes of Health (NIH, ou Instituto Nacional de Saúde na sigla em inglês), com a Universidade da Califórnia (UCLA) e o Instituto de Pesquisa em Aids do Rio Grande do Sul (Ipargs).
— Há um protocolo-base que, ao longo do tempo, elimina do estudo remédios que se provem não serem bons. Agora, estamos na fase seis. Ou seja, cinco outros remédios não deram resultado. O protocolo vem fechado para um local capacitado a desenvolver esse protocolo. E isso depende de o local ter capacidade técnica, organização, local para conduzir o estudo, equipe e voluntários — diz o médico infectologista Breno Riegel, líder da pesquisa no GHC.
O Hospital Ernesto Dornelles, a Santa Casa da capital e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre estudam em voluntários internados o uso do remdesivir associado a três moduladores do sistema imune – Infliximabe, Abatacept e Cenicriviroque.
A ideia é entender como esse coquetel pode controlar o avanço da doença, acelerar a recuperação e diminuir o risco de morte por coronavírus. A pesquisa, organizada pelo Duke Clinical Research Institute e supervisionada pelo NIH, vai acompanhar 2,1 mil adultos hospitalizados em Estados Unidos, Brasil, Peru e Argentina.
— Fazer pesquisa exige organização, comitê de ética e patrocínio. O Rio Grande do Sul é um celeiro de oportunidades para jovens médicos e pesquisadores. A pós-graduação na área da saúde é muito forte aqui, o que incentiva a ter projetos. Há centros para captar pacientes, registros informatizados e tradição em pesquisa há décadas — diz a médica pneumologista Juliana Cardozo Fernandes, coordenadora do estudo no Hospital Ernesto Dornelles.
Ela dá um exemplo pessoal para resumir como o investimento de anos em ciência traz resultados para o futuro:
— Eu mesma, 20 anos trás, fui bolsista de pesquisa da UFCSPA. Isso colocou uma pulga atrás da minha orelha. Hoje, sou uma pesquisadora.”
03/07/2021 – Portal Cidade Marketing
Link:https://www.cidademarketing.com.br/marketing/2021/07/03/pesquisa-apoiada-pela-brf-que-identificou-109-mutacoes-no-sars-cov-e-publicada-em-periodico-cientifico-internacional/
“Pesquisa apoiada pela BRF, que identificou 109 mutações no SARS-CoV, é publicada em periódico científico internacional
Estudo da Univates, universidade de Lajeado (RS), pode contribuir para o desenvolvimento de fármacos para tratar a Covid-19
Uma pesquisa apoiada pela BRF e coordenada pela Universidade do Vale do Taquari – Univates, de Lajeado (RS), foi publicada na revista Scientific Reports, jornal científico internacional, do grupo Nature. O trabalho da Universidade do Vale do Taquari contou com uma doação de R$ 100 mil da BRF e identifica mutações no vírus SARS-CoV, num esforço para identificar mecanismos para o desenvolvimento de fármacos para tratar a Covid-19.
Liderado pelo professor Luis Fernando Saraiva Macedo Timmers, o estudo analisou 627 sequenciamentos genéticos de amostras do SARS-CoV-2 coletadas no Brasil e identificou 109 mutações no vírus causador da Covid-19. O estudo dá aos pesquisadores condições de avaliar mecanismos de evolução viral, ou seja, quais proteínas estão sofrendo mutações e em quais elas são mais prevalentes. “Podemos ter indícios de como o vírus está se adaptando ao meio”, explica Timmers.
A pesquisa é uma visão geral sobre as mutações que aconteceram no Brasil e, ao estar agora disponível à comunidade científica internacional, contribui para a adoção de diferentes abordagens possíveis no campo do desenvolvimento de fármacos para o tratamento da Covid-19. Além da Univates, participam da pesquisa a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e a Universidade de Tübingen (Alemanha).
Outras pesquisas da Univates com apoio da BRF
Esse não é o único projeto da Univates em desenvolvimento que utiliza recursos doados pela BRF.
Diagnóstico mais rápido e barato – Em um projeto sob o título Detecção do vírus da Síndrome Respiratória Corona Vírus-2 por Espectroscopia no Infravermelho com Transformada de Fourier, a professora Daiane Heidrich, doutora em Medicina, procura um exame mais rápido e barato, e com menor impacto ambiental, para detectar o vírus pela saliva, em vez da secreção coletada do nariz e da garganta utilizada pelo RT-PCR. O objetivo é desenvolver uma tecnologia alternativa que possa ser utilizada pela população do Vale do Taquari, por meio do apoio e interesse das redes municipais de saúde, e mesmo fora da região onde se situa a Univates.
Ozônio para a desinfecção e sanitização – A diretora de Inovação e Sustentabilidade da Univates, professora Simone Stülp, doutora em Engenharia de Minas, Metalúrgica e de Materiais, coordena um projeto, em conjunto com uma startup instalada no Tecnovates, a Alvap, que investiga a adoção do ozônio para a desinfecção e sanitização. O manejo do ozônio, pela Alvap, é usado para a limpeza de frutas, purificação de água, principalmente na indústria e na agricultura. A professora Simone Stülp ressalta que o investimento da BRF para o Tecnovates é uma aproximação com o Hub de Inovação da BRF, conectado com as áreas prioritárias do Parque Tecnológico, e bem-vindo em área de extrema necessidade neste momento de emergência sanitária. O BrfHub é o braço de inovação aberta da BRF, que procura diariamente conectar a empresa com novos estudos e tecnologias.
As doações no combate à Covid
A doação para a Univates faz parte de um conjunto de R$ 50 milhões anunciados pela BRF em abril de 2020, utilizados em distribuição de alimentos, insumos médicos e apoio a fundos de pesquisa e desenvolvimento social, para contribuir com os esforços de combate aos efeitos da pandemia. A iniciativa alcança hospitais, organizações de assistência social e profissionais de saúde nos estados e municípios em que a empresa possui operação. Dentre os contemplados, além da Univates, estão a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, o Instituto Butantan e o Hospital das Clínicas, em São Paulo.
Em março deste ano, a BRF anunciou a doação de mais R$ 50 milhões, que contempla ações em 15 estados brasileiros e em países onde a BRF tem unidades produtivas, centros de distribuição e escritórios corporativos.
As doações e demais ações da BRF no combate ao Coronavírus podem ser acompanhadas pelo site https://www.brf-global.com/sobre/seguranca/comunicado-coronavirus”
01/07/2021 – Jornal do Comércio
Link:https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/especiais/coronavirus/2021/07/799706-porto-alegre-tera-servico-de-acompanhamento-a-pacientes-em-recuperacao-pos-covid.html
“Porto Alegre terá serviço de acompanhamento a pacientes em recuperação pós-Covid
A partir da próxima segunda-feira (5), a Secretaria Municipal de Saúde da Capital, em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), oferecerá acompanhamento a pessoas que necessitam de auxílio no período de recuperação pós-Covid. A partir de triagem em uma unidade de saúde será iniciado o processo de assistência ao paciente, que contará com apoio do Centro de Saúde IAPIe do HCPA.
Segundo a prefeitura, o primeiro passo é procurar a unidade de saúde, onde a equipe de enfermagem será responsável pelo plano de cuidado do paciente e encaminhamentos às especialidades. A partir desta primeira análise, será feita a inserção no sistema que administra o fluxo de consultas na rede pública. Dependendo do caso, a pessoa poderá ter o acompanhamento na unidade de saúde de sua referência.
Casos mais complexos serão encaminhados ao Centro de Saúde IAPI, e situações mais graves, que exijam avaliações mais complexas com tomografias e outros exames, contarão com o apoio do HCPAo.
Nesta primeira etapa do serviço serão disponibilizadas dez consultas semanais, com equipe de enfermagem, nutrição, fisioterapia, psicologia, fonoaudioaudiologia, fisiatria e educador físico. A partir de agosto, se somarão ao projeto alunos e professores da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFSCPA) e da Unisinos.
A recuperação de pessoas que foram contaminadas com a Covid-19 e necessitaram de atendimento médico muitas vezes exige um acompanhamento mais demorado no período de recuperação, dependendo da gravidade das intercorrências. O tratamento após a donça é especialmente importante para os que passaram longos períodos em leitos clínicos ou internados em UTI.”
01/07/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2021/07/porto-alegre-dara-inicio-a-servico-de-acompanhamento-para-recuperacao-pos-covid-na-segunda-feira-ckqlfavh000ab013b0ugashdf.html
Porto Alegre dará início a serviço de acompanhamento para recuperação pós-covid na segunda-feira
Atendimento será direcionado para as pessoas que ainda enfrentam sequelas da doença
A partir da próxima segunda-feira (5), as pessoas que já são consideradas curadas da covid-19, mas que ainda enfrentam sequelas da doença poderão buscar um atendimento específico em Porto Alegre. O serviço de acompanhamento para recuperados do coronavírus será oferecido pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).
O primeiro passo para buscar o auxílio é seguir até uma unidade de saúde da Capital. Lá, a equipe de enfermagem será responsável pelo plano de cuidado do paciente e encaminhamentos às demais especialidades.
Dependendo do caso, a pessoa poderá ter o acompanhamento na própria unidade de saúde. Em ocorrências mais complexas, os pacientes serão encaminhados ao Centro de Saúde IAPI. Situações que exijam avaliações mais detalhadas, como tomografias e outros exames, contarão com o apoio do Hospital de Clínicas — que já tem este serviço em atividade há mais tempo.
Nesta primeira etapa, o atendimento será feito em 10 consultas semanais. Serão oferecidas especialidades como nutrição, fisioterapia, psicologia, fonoaudiologia, fisiatria e educador físico, este último com o apoio dos profissionais da Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Juventude.
A partir de agosto, o serviço ganhará o reforço de alunos e professores da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFSCPA) e Unisinos.
Conforme a SMS, o tratamento pós-covid é especialmente importante para os que passaram longos períodos em leitos clínicos e mais ainda para aqueles que estiveram internados em UTIs.
30/06/2021 – BBC Brasil
Link: https://www.bbc.com/portuguese/geral-57660043
Não mexe no DNA nem causa câncer: entenda como a vacina da Pfizer age no corpo
Apesar de serem pesquisadas há décadas, as vacinas de mRNA fizeram sua "estreia" em larga escala entre o final de 2020 e o início de 2021, como uma das opções para prevenir a covid-19 e ajudar a acabar com a pandemia.
Mas a chegada de produtos novos baseados em informações genéticas, como os imunizantes desenvolvidos pelas farmacêuticas Pfizer/BioNTech e Moderna, deixou algumas pessoas com a pulga atrás da orelha: será que eles não podem mexer no nosso DNA ou causar efeitos colaterais de longo prazo, como o surgimento de um câncer?
Vacinação por comorbidade no Brasil 'foi maluquice' e encorajou fraudes, diz epidemiologista Paulo Lotufo
Como saber se um estudo científico de tratamento para covid é confiável ou não
Embora essas perguntas sejam legítimas e a ciência já tenha respostas bastante satisfatórias para elas, esse cenário de incertezas serviu de pretexto para o surgimento de boatos, que chegam até a desencorajar algumas pessoas a tomarem essas doses.
"Não adianta: quem é contra as vacinas sempre vai achar algum argumento ou teoria da conspiração para lançar dúvidas na cabeça das pessoas", lamenta a imunologista Cristina Bonorino, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
Mas não precisa ficar preocupado: essas vacinas não chegam nem perto do nosso DNA e os estudos demonstram que elas são bastante seguras, afirmam especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.
Mas para entender como os cientistas conseguem fazer afirmações do tipo, é preciso dar alguns passos para trás e explicar um aspecto bem interessante sobre o funcionamento de nosso corpo.
A receita da vida
Todas as nossas características físicas (e até algumas psicológicas) são determinadas pelo DNA, um conjunto de bilhões e bilhões de bases nitrogenadas organizadas em 46 cromossomos, que estão guardados no núcleo de todas as células que compõem nosso corpo.
E nosso genoma é dotado de uma simplicidade fascinante: ele é composto de apenas quatro tipos diferentes de bases nitrogenadas (conhecidas pelas letras A, T, C, G), que geram sequências intermináveis e determinam a cor do cabelo, a altura, o funcionamento do intestino grosso e até a propensão a desenvolver um tumor ou uma doença neurodegenerativa.
O funcionamento do nosso corpo é basicamente regido pelo código genético: quando uma célula do estômago precisa secretar uma substância ácida, que vai ajudar na digestão de um alimento, por exemplo, a sequência de genes responsável por essa função se manifesta no local e dita o que deve ser feito.
Para que isso ocorra dentro do esperado, esse pequeno trecho do código genético responsável por essa "tarefa" cria uma fita de RNA mensageiro, que sai do núcleo da célula e se dirige para uma estrutura chamada ribossomo.
É justamente ali que esse tal de RNA mensageiro (ou mRNA para os íntimos) é interpretado e gera uma reação em cadeia para chegar a uma resposta adequada — seguindo no nosso exemplo anterior, será a partir daqui que a célula gástrica vai produzir o ácido digestivo.
Mas o que isso tem a ver com as vacinas? Bem, você se lembra que os imunizantes de Pfizer/BioNTech e Moderna se baseiam justamente na tecnologia de mRNA?
É isso mesmo: esses produtos são feitos a partir de uma fita de RNA mensageiro criada em laboratório.
Os especialistas montaram uma sequência genética com instruções detalhadas para que as nossas próprias células, a partir do contato com esse mRNA específico, sejam capazes de fabricar a proteína S, que está presente na espícula do coronavírus.
Essa espícula (ou spike, em inglês, de onde deriva o "S") é uma estrutura que fica na superfície do vírus e permite que ele se conecte com receptores das nossas células e dê início à infecção.
O que acontece na vacinação?
Quando tomamos as doses dessas vacinas, portanto, esse mRNA entra nas células e vai até o ribossomo, que lê aqueles comandos e desencadeia a produção da proteína S.
"É como se essas vacinas trouxessem uma receita, que ensina nossas células a preparar um determinado produto", compara o imunologista Carlos Zárate-Bladés, pesquisador do Laboratório de Imunorregulação da Universidade Federal de Santa Catarina.
Quando está pronta, essa proteína S sai das células e é detectada pelo sistema imunológico, que vai gerar anticorpos contra ela.
Assim, o organismo fica "treinado" e sabe como reagir numa situação real: caso um coronavírus de verdade apareça, as células de defesa já conhecem a espícula e sabem como lidar com ela antes que a invasão seja consumada.
E isso, por sua vez, vai prevenir o surgimento dos sintomas ou a evolução do quadro para estágios mais complicados da covid-19, que exigem internação e intubação.
Toda essa explicação nos sinaliza uma coisa muito importante: o RNA mensageiro da vacina de Pfizer/BioNTech ou Moderna não chega nem perto do núcleo de nossas células, onde está guardado nosso DNA.
"Depois de usadas, essas moléculas [o mRNA] acabam degradadas e não são mais encontradas no organismo após dois a sete dias", estima Zárate-Bladés
"E não há risco nenhum de interação entre esse mRNA e nosso DNA, pois o genoma está protegido no núcleo das células", reforça Bonorino, que também integra a Sociedade Brasileira de Imunologia.
Considerando então que essas vacinas não interagem diretamente no nosso código genético, também não há perigo de elas provocarem o surgimento de um câncer, como acusam algumas das teorias da conspiração divulgadas por aí.
Tecnologia nova?
Outro argumento comum em correntes de WhatsApp e conteúdos falsos nas redes sociais é o de que esses produtos são muito novos e a ciência não possui experiência suficiente para justificar seu uso em bilhões de seres humanos.
Sim, é verdade que essa é a primeira vez que as vacinas de mRNA são aprovadas para uso em larga escala e seu processo de desenvolvimento e aprovação aconteceu em tempo recorde.
Mas pouca gente sabe que essa tecnologia é estudada há muitas décadas.
"Nos anos 1950, quando se descobriu a estrutura do DNA, alguns grupos de pesquisa já avaliavam a possibilidade de manipular material genético e, a partir disso, obter tratamentos, imunizantes e maneiras de consertar mutações", recapitula Zárate-Bladés.
As vacinas de mRNA se tornaram uma realidade palpável ainda na década de 1990 e diversos protótipos já foram desenvolvidos para fazer frente a outras doenças, como gripe, zika, raiva, catapora e herpes.
O grande desafio, explica Bonorino, era desenvolver uma fórmula estável e com capacidade de gerar uma resposta imune forte e duradoura.
Isso só foi obtido mais recentemente, graças aos esforços de inúmeros cientistas e aos investimentos em pesquisa.
Mas a infectologia não é a única área a se beneficiar dessa ferramenta: desde 2010, especialistas em oncologia estão criando terapias baseadas no RNA mensageiro para tratar alguns tipos de câncer.
Os especialistas, portanto, possuem muita experiência nessa área.
Outro ponto que traz alívio é o fato de diferentes agências regulatórias, como a Anvisa do Brasil, terem aprovado as vacinas e se mostrado bastante confiantes sobre seu uso nas campanhas.
Apesar de todas essas informações, os envolvidos nesse processo seguem atentos e acompanham dezenas milhares de pessoas já vacinadas.
Essa é a chamada fase 4 da pesquisa clínica e acontece depois da liberação para uso em diferentes países.
Caso qualquer efeito colateral seja notado, os especialistas e os órgãos de controle e fiscalização serão os primeiros a saber e notificar para toda a sociedade.
Mas tudo indica que um cenário desses é bastante improvável diante de todas as evidências disponíveis até o momento.
Reações esperadas
Um último ponto importante para entender as vacinas de mRNA é saber os efeitos colaterais que ela pode causar no nosso corpo.
No geral, as reações mais comuns são dor no local da aplicação e um pouco de febre. Algumas pessoas também podem sentir calafrios, dor de cabeça e incômodos musculares.
Mas a boa notícia é que essas sensações costumam durar no máximo dois ou três dias e logo se resolvem.
Vale notar, inclusive, que um cenário muito parecido se repete com outros tipos de imunizantes, como aqueles de vírus inativados, caso da CoronaVac, e os de vetor viral não replicante, como a AZD1222, de AstraZeneca e Universidade de Oxford.
Por isso, nem adianta escolher ou preferir algum tipo de vacina: quando chegar a sua vez, tome a dose que estiver disponível na hora, é o que recomendam especialistas da saúde. Todas as opções tiveram a eficácia e a segurança comprovadas e foram liberadas pela Anvisa.
Essas reações pós-vacinação podem até não ser muito agradáveis, mas elas representam um sinal de que o sistema imune está reagindo e gerando uma resposta satisfatória.
É por isso que os médicos só sugerem o uso de remédios, como anti-inflamatórios e antitérmicos, quando os sintomas estão muito fortes mesmo — uma febre baixa não justifica o uso de dipirona, por exemplo.
"E aquelas pessoas que foram imunizadas e não sentem nenhum incômodo também não precisam ficar preocupadas. Isso não significa que a vacina não funcionou nelas, pois cada sistema imune reage de uma maneira diferente", esclarece Bonorino.
E, claro, aquela clássica recomendação do final das propagandas de medicamentos continua a valer: se persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado.
Ou seja, caso os incômodos não melhorem após dois ou três dias, ou se surgirem outras manifestações, vale procurar um especialista ou o posto de saúde onde você tomou a dose para uma investigação mais detalhada e para receber orientações personalizadas.
30/06/2021 – GZH
Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/06/abstencao-de-485-mil-pessoas-para-segunda-dose-da-vacina-contra-a-covid-19-preocupa-prefeitura-de-porto-alegre-ckqjv9avh006s013b2y14m5eb.html
Abstenção de 48,5 mil pessoas para segunda dose da vacina contra a covid-19 preocupa prefeitura de Porto Alegre
Número dificulta o atingimento da meta de pelo menos 70% da população completamente protegida do coronavírus
Apesar da disponibilidade de imunizantes e dos apelos de profissionais de saúde, cerca de 48,5 mil pessoas deixaram de tomar a segunda dose da vacina contra a covid-19 no prazo previsto até esta quarta-feira (30) em Porto Alegre.
A proporção de moradores que não completaram o esquema vacinal, após esforços oficiais para regularizar a oferta de produtos, agilizar o registro das aplicações no sistema informatizado e reduzir a subnotificação, preocupa a Secretaria Municipal da Saúde (SMS). A elevada abstenção dificulta o atingimento da meta de pelo menos 70% da população completamente protegida para interromper a transmissão do coronavírus.
Conforme os dados atualizados até o começo da tarde, ao redor de 30,4 mil pessoas que tomaram CoronaVac não apareceram no prazo para receber o reforço que garante a produção máxima de anticorpos. Outras 16,4 mil pessoas que contaram com o produto da Oxford/AstraZeneca estavam em atraso, aproximadamente, além de 1,6 mil beneficiados com apenas uma injeção da Pfizer.
— Equalizamos o problema da falta de registro no sistema. Hoje, as unidades de saúde e as farmácias estão notificando a aplicação das doses em tempo real. Ou essas pessoas estão se vacinando em algum outro lugar, ou estão deixando de ir. Por isso, essa situação nos preocupa bastante — afirma o diretor da Vigilância em Saúde da Capital, Fernando Ritter.
O alerta se deve à proporção de gente que está deixando a proteção imunológica pelo meio do caminho – sob risco aumentado de contrair, de desenvolver e de transmitir a covid-19. Essas 48,5 mil pessoas equivalem a 13,5% de todos os 359,7 mil moradores da Capital com o esquema vacinal completo, e a 3,3% de toda a população da cidade.
— Isso vai repercutir na nossa busca pela imunidade coletiva, que exige 70% de vacinados integralmente para impedir a transmissão sustentada do vírus — alerta Ritter.
Não há uma explicação consolidada para esse problema, até o momento. Entre as hipóteses cogitadas pela SMS estão o descuido dos vacinados com a dose inicial em completar o esquema ou a decisão de não tomar a injeção complementar com a expectativa de mudar o tipo de imunizante.
— Há uma possibilidade de que parte dessas pessoas esteja querendo escolher a vacina (de reforço), esperando que seja permitida a possibilidade de intercambiar vacinas, usando para segunda dose uma diferente da que foi usada para a primeira, conforme uma discussão que está havendo internacionalmente — avalia Ritter.
O diretor da Vigilância em Saúde lembra que pessoas que porventura estejam agindo dessa forma estão colocando em risco a sua própria saúde e a do restante da população.
— Pode ser que algumas pessoas estejam esperando para tomar a segunda dose com a justificativa de que querem uma vacina que permita viajar, por exemplo, contando que será possível essa intercambialidade em algum momento. É importante ressaltar que todas as vacinas em uso no Brasil, aprovadas pela Anvisa, são eficazes contra a covid-19 — destaca Ritter.
A imunologista e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Cristina Bonorino lembra que ainda faltam estudos mais amplos e duradouros sobre a possibilidade de se usar vacinas diferentes entre as duas aplicações. Por isso, não se deve contar com essa possibilidade para breve no Brasil, onde o cenário do coronavírus é um dos mais graves do planeta.
A SMS afirma que já iniciou uma operação de busca ativa de pessoas com a imunização em atraso, mobilizando as unidades de saúde para tentar localizar e entrar em contato com quem não compareceu na data prevista para receber a injeção de reforço.
Rio Grande do Sul
No Estado, o percentual de pessoas com segunda dose atrasada é menor do que na Capital, 10,58%, mas também suscitou medidas para tentar reduzir o contingente. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), 199.358 pessoas não buscaram a segunda dose ou não tiveram a aplicação da vacina registrada no sistema de informações do Plano Nacional de Imunizações (SI-PNI). Do total, 121.908 são referentes à CoronaVac, 77.357 à AstraZeneca e 21 à Pfizer. No total, 1.883.366 imunizações foram completadas no RS.
Para tentar reduzir o contingente em atraso, a SES realiza busca ativa por nome dos faltantes. Para isso, está enviando listas atualizadas com esses nomes para cada município. Outra medida sugerida aos municípios é mobilizar as associações comunitárias espalhadas por todos os bairros e ampliar a divulgação dos públicos definidos para receber os imunizantes e dos locais de aplicação das doses em cada cidade.
— Não temos falta de vacina no Estado. As doses estão nas geladeiras das salas de vacina esperando os cidadãos para completar o esquema vacinal. Não podemos deixar doses paradas. Quem receber só uma dose de vacina que requer reforço não está ainda imunizado. É como se tivesse tomado apenas metade de um medicamento — disse a secretária adjunta da SES, Ana Costa.
A abstenção da dose de reforço se concentra, na ordem, nos grupos prioritários das pessoas entre 65 a 69 anos (46.230) e dos trabalhadores da saúde (41.947), seguido pelo grupo das pessoas entre 60 e 64 anos (21.778) e do grupo das pessoas com 80 anos ou mais (21.414).
Como proceder
O prazo para segunda dose da CoronaVac é de até 28 dias. No caso da Pfizer e da AstraZeneca, é de 12 semanas (a Capital usava 21 dias para a Pfizer até 15 de junho, quando mudou a orientação). A Janssen é de dose única.
A data de retorno vem indicada no cartão de vacinação recebido após a aplicação inicial.
Para tomar a segunda dose, devem ser apresentados documento de identidade e cartão de vacinação recebido na primeira aplicação.
Quem perdeu o prazo para aplicação da dose 2 deve retornar à unidade de saúde indicada no momento da aplicação da primeira dose ou procurar os drive-thrus.
Quem perdeu o cartão de vacinação deve procurar uma unidade de saúde antes de ir ao ponto de vacinação. Na unidade, a equipe acessa o sistema, confere o registro da primeira dose e fornece um novo cartão.
29/06/2021 – Portal Revista Expansão
Link:https://expansao.co/iniciou-nesta-semana-a-acao-de-controle-sanitario-na-estacao-mercado/
Iniciou nesta semana a ação de controle sanitário na estação mercado
A partir desta segunda-feira (28), usuários do metrô que desembarcam na Estação Mercado da Trensurb e apresentam temperatura acima de 37,5ºC são convidadas a fazer teste rápido de antígeno (TR Ag) para diagnóstico de Covid-19. A ação de controle sanitário é uma parceria da empresa metroviária com a Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). O objetivo é detectar pessoas com sintomas compatíveis com a Covid-19. A previsão é de realizar o monitoramento por pelo menos duas semanas, sempre de segunda a sexta-feira, inicialmente das 9h às 17h e, após integração da equipe da UFCSPA, das 7h às 19h. Após esse período de duas semanas, a continuidade das atividades será avaliada.
Para o diretor-presidente da Trensurb, Pedro Bisch Neto, a ação “contribui para criar um ambiente mais seguro para os usuários do metrô e também para a população de Porto Alegre”. Bisch também destaca a iniciativa da prefeitura da capital: “Essa ação só é possível graças à atuação da Prefeitura de Porto Alegre e à parceria da UFCSPA”.
A parceria entre a Prefeitura e a Trensurb foi firmada na quarta-feira (23) com o início do monitoramento. Anteriormente, em caso de necessidade de testagem, os usuários eram encaminhados a unidades de saúde próximas. A temperatura corporal é medida por câmeras com sensores térmicos, cedidas para testes pelo Grupo Amper e monitoradas por agentes da segurança metroviária. Além da testagem para Covid-19 realizada na estação, também é feita orientação aos passageiros do metrô sobre prevenção à doença causada pelo novo coronavírus.
“Estamos tomando todas as providências para que Porto Alegre possa superar esse momento difícil e possa voltar a sua normalidade”
O prefeito da capital, Sebastião Melo, afirmou que o objetivo da ação é “proteger a nossa cidade contra a Covid”. “Estamos tomando todas as providências para que Porto Alegre possa superar esse momento difícil e possa voltar a sua normalidade”, disse.
Na segunda-feira, a operação foi realizada por equipe técnica da Secretaria de Saúde com apoio de acadêmicos da Factum. Técnicos e estudantes da UFCSPA serão integrados à atividade após capacitação técnica sobre a coleta do exame, a ser realizada pela Secretaria.
O teste do tipo TR-Ag detecta uma proteína presente no vírus. O resultado positivo significa infecção viral ativa. Casos positivos serão encaminhados para avaliação em serviço de pronto atendimento.
29/06/2021 – Folha do Mate
Link: https://folhadomate.com/livre/pesquisa-coordenada-pela-univates-e-publicada-na-scientific-reports-nature/
“Pesquisa coordenada pela Univates é publicada na Scientific Reports Nature
Uma pesquisa coordenada pela Universidade do Vale do Taquari (Univates) foi recentemente publicada na revista científica Scientific Reports, um megajornal científico do grupo Nature. O trabalho, que lança luz sobre mutações no vírus SARS-CoV-2, é um esforço na tentativa de identificar mecanismos envolvidos em processos virais que podem contribuir para o desenvolvimento futuro de fármacos para tratar a Covid-19.
O trabalho liderado pelo professor Luis Fernando Saraiva Macedo Timmers analisou 627 sequenciamentos genéticos de amostras do SARS-CoV-2 coletadas no Brasil e identificou 109 mutações no vírus causador da Covid-19. O estudo dá aos pesquisadores condições de avaliar mecanismos de evolução viral, ou seja, quais proteínas estão sofrendo mutações e em quais elas são mais prevalentes. “Podemos ter indícios de como o vírus está se adaptando ao meio”, explica Timmers.
O estudo é uma visão geral sobre as mutações que aconteceram no Brasil e, ao estar agora disponível à comunidade científica internacional, contribui para a adoção de diferentes abordagens possíveis no campo do desenvolvimento de fármacos para o tratamento da Covid-19. Devido ao alto índice de transmissibilidade, o Brasil se tornou um epicentro de Covid-19 no mundo e, desde então, vem sendo monitorado para entender onde ocorrem as mutações no genoma do SARS-CoV-2 e como essas variações se disseminam.
“Combinamos análises genômicas e estruturais para avaliar genomas isolados de diferentes regiões do Brasil e mostrar que as mutações mais prevalentes estavam localizadas nos genes S, N, ORF3a e ORF6, que estão envolvidos em diferentes estágios do ciclo de vida viral e sua interação com células hospedeiras”, descreve o docente. Esses dados mostram como a biologia estrutural, combinada com a genômica, pode ser aplicada para entender melhor a variabilidade viral e ser útil em estudos de descoberta de fármacos com base na estrutura e desenvolvimento de vacinas.
A análise estrutural realizada na pesquisa evidenciou as posições dessas mutações nas estruturas das proteínas. “Essas informações podem ajudar a entender o impacto das mutações sobre a estabilidade das proteínas virais, a eficácia das vacinas e também monitorar o quão diferentes os vírus são no Brasil quando comparados a outras regiões”, revela o pesquisador.
Sequência dos estudos
O mundo está numa corrida para tentar encontrar fármacos desde o começo da pandemia, mesmo que a atenção internacional tenha se voltado inicialmente para os imunizantes. “A partir do momento em que a pessoa está doente, também vamos precisar de remédios eficazes, um tratamento farmacológico”, relata Timmers.
Nessas condições, o estudo tem a perspectiva de continuar. A doutoranda Débora Bublitz Anton, do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPGBiotec) da Univates, orientada pelo professor Timmers e coorientada pela professora Márcia Inês Goettert, está trabalhando na prospecção de moléculas que possam ser usadas como inibidores com características antivirais e anti-inflamatórias contra o SARS-CoV-2, utilizando técnicas de biologia molecular e bioinformática.
“O SARS-CoV-2 apresenta a enzima 3CL protease (3CLpro), a qual é responsável por clivar as poliproteínas formadas após a tradução do RNA viral, que são essenciais para o seu processo de replicação. Se impedirmos que essa proteína funcione, o vírus não vai se formar e replicar”, explica Timmers. Outra possibilidade do estudo é analisar se existem mutações na proteína 3CLpro, a protease principal do SARS-CoV-2.
“Se aconteceram mutações nessa proteína, precisamos levar o fato em consideração, porque os fármacos em estudo podem interagir de forma diferente com elas”, analisa o pesquisador. “O interessante de modular a atividade dessa proteína em específico é que ela é importante para a replicação viral, ou seja, se conseguirmos impedir a replicação, podemos parar o vírus”. Essa poderia ser uma abordagem para tratamento farmacológico antiviral para a Covid-19.
O trabalho desenvolvido vai além. Os pesquisadores da Univates estão na busca por uma molécula que, além de antiviral, possa ser anti-inflamatória. “Se conseguirmos encontrar uma molécula que funcione nessas duas áreas, teremos uma vantagem muito grande em relação ao vírus. Um dos maiores problemas da Covid-19 reside em decidir quando iniciar o tratamento”, acrescenta Timmers. “Identificar uma molécula antiviral que auxilie na modulação do processo inflamatório no organismo do hospedeiro seria muito vantajoso para nós, além de abrir mais uma porta para o desenvolvimento de fármacos”.
Este é o primeiro trabalho de Timmers como autor principal publicado em uma revista científica de grande prestígio internacional. “É uma satisfação constatar o respaldo da comunidade científica no nosso trabalho, publicado agora na Scientific Reports. O trabalho colaborativo é essencial para que as pesquisas aconteçam. Não se faz ciência sozinho. Só podemos entregar um trabalho como esse com colaboração”, explica o professor.
Time
Além da Univates, participam da pesquisa a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e a Universidade de Tübingen (Alemanha).
O artigo é assinado por Luis Fernando Saraiva Macedo Timmers, Julia Vasconcellos Peixoto, Rodrigo Gay Ducati, José Fernando Ruggiero Bachega, Leandro de Mattos Pereira, Rafael Andrade Caceres, Fernanda Majolo, Guilherme Liberato da Silva, Débora Bublitz Anton, Odir Antônio Dellagostin, João Antônio Pegas Henriques, Léder Leal Xavier, Márcia Inês Goettert e Stefan Laufer.
A pesquisa tem fomento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da BRF.”
29/06/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/06/combinacao-de-vacinas-diferentes-contra-a-covid-19-ganha-forca-no-mundo-veja-pros-e-contras-ckqil3frs00bi0180qvvzhq5e.html
“Combinação de vacinas diferentes contra a covid-19 ganha força no mundo; veja prós e contras
Ainda não há sinalização de que novo modelo de imunização será adotado no Brasil
Uma nova estratégia de combate ao coronavírus vem ganhando impulso em diferentes países após estudos iniciais indicarem bons resultados.
A combinação de imunizantes produzidos por diferentes laboratórios entre a primeira e a segunda dose, como AstraZeneca e Pfizer, tem desempenho promissor e já é admitida por governos como os de Alemanha, Canadá, Espanha e França. Mas há especialistas que consideram as pesquisas disponíveis sobre isso ainda insuficientes e avaliam como precoce e arriscada a adoção dessa estratégia – ainda não cogitada no Brasil ou pela Secretaria Estadual da Saúde (SES) do Rio Grande do Sul.
Um estudo pré-print (anterior à avaliação por outros cientistas), divulgado na sexta-feira (25) e sob análise da revista científica Lancet, aumentou o interesse internacional sobre essa nova abordagem: os pesquisadores compararam a resposta imunológica produzida por quem tomou duas doses da vacina de Oxford/AstraZeneca e quem recebeu duas aplicações da Pfizer com voluntários que tomaram Pfizer e depois AstraZeneca ou o inverso.
Em caráter preliminar, a análise conclui que o nível de anticorpos produzido em quem contou com uma dose de cada fabricante em intervalos de quatro semanas foi superior em comparação a quem foi contemplado somente com AstraZeneca, por exemplo. O texto do trabalho, que reuniu 830 voluntários, aponta que "essas informações apoiam a flexibilização na vacinação heteróloga (que usa produtos diferentes) das doses inicial e de reforço”.
— Essa é uma boa notícia por mostrar que todas as possíveis combinações envolvendo Oxford/AstraZeneca e Pfizer/BioNTech geram uma forte resposta imune contra a covid-19 — avaliou a integrante da força-tarefa de covid-19 da Sociedade Britânica de Imunologia, Deborah Dunn-Walters, conforme o site Science Media Centre.
A partir de agora, uma nova etapa vai analisar a combinação entre produtos de outros laboratórios, como Moderna e Novavax, e testar outros intervalos, como períodos de 12 semanas. Ao mesmo tempo, entre outras iniciativas, pesquisadores russos estão testando a mescla da Sputnik V com o imunizante de Oxford.
No Rio, a prefeitura autorizou gestantes que tomaram a primeira dose com AstraZeneca a receberem reforço com Pfizer (em razão de questões de segurança envolvendo o imunizante de Oxford para as grávidas). Mas há cientistas, como a imunologista e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Cristina Bonorino, que recomendam maior prudência em relação ao cruzamento desses produtos.
— A maior parte dos estudos já feitos sobre isso é observacional, com base em pessoas que tomaram a segunda dose de forma equivocada com outra vacina, e com amostras ainda pequenas em comparação aos ensaios clínicos feitos pelos laboratórios de cada vacina com 40 mil, 50 mil pessoas e por períodos de tempo mais longos — argumenta Cristina, que também integra o comitê científico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI).
A imunologista avalia que não é hora de os gestores da saúde brasileiros fazerem “apostas”. Ela entende que o melhor é aguardar resultados mais robustos de análises em andamento:
— Seria uma irresponsabilidade fazermos isso agora (mudar o regime de vacinação), quando enfrentamos uma das piores situações em relação à pandemia no mundo. A hora é de seguir os protocolos estabelecidos.
Consultada por GZH, a SES informou que, até o momento, “o RS segue a recomendação do Ministério da Saúde de que as gestantes e puérperas vacinadas com AstraZeneca não devem receber a segunda dose com nenhuma vacina”. A prefeitura da Capital disse que qualquer mudança dependeria do envio de uma nota técnica da SES ou do governo federal.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se manifestou por meio de nota informando que “a decisão de utilizar diferentes vacinas combinadas no esquema vacinal é uma estratégia do PNI. Assim, o protocolo de imunização não é definido pela Anvisa, mas deve levar em consideração as informações conhecidas sobre cada vacina e seu perfil de segurança e eficácia”.
O órgão regulador sustenta ainda que “este é um tema de interesse para as estratégias de vacinação pública coordenadas pelos governos e não é, no momento, tema de discussão de agências regulatórias. Todas as vacinas analisadas e autorizadas pela Anvisa possuem perfil de segurança bem estabelecido”. Procurado, o Ministério da Saúde não se manifestou até a publicação desta reportagem.
Estudos promissores
A biomédica Mellanie Fontes-Dutra, integrante dos grupos Rede Análise Covid-19, equipe Halo da ONU, InfoVid, Todos Pelas Vacinas e União Pró-Vacina, vê um bom potencial nas primeiras pesquisas sobre a combinação de produtos de laboratórios diversos em duas aplicações:
— É uma estratégia interessante, que tem trazido resultados sólidos de segurança e resposta imunológica. Ainda faltam mais estudos complementares com dados de eficácia, mas pesquisas de imunogenicidade (capacidade de estimular a geração de anticorpos) e segurança são promissores.
Uma possibilidade aberta por essa frente de pesquisa é permitir flexibilizações no plano de imunização para obter melhores resultados, seja pelo indicativo de maior geração de anticorpos ou para compensar a eventual escassez de um produto específico. Ainda assim, Mellanie não acredita que seja uma fórmula a ser colocada em prática imediatamente no país:
— Acho complicado fazer isso no Brasil porque falta uma maior coordenação. Seria mais um regime diferenciado de aplicação de vacinas. Pode ser algo a ser visto até no contexto de, mais adiante, se oferecer uma terceira dose.
A oferta de uma terceira aplicação, com um imunizante diferente (para quem tomou as duas doses inicialmente previstas com um mesmo produto), é outro ponto em discussão em países como a Inglaterra – onde pesquisadores seguem estudando esse novo front de combate à pandemia.
Tire suas dúvidas
O que é a vacinação cruzada, combinada ou heteróloga?
É a utilização de um imunizante para uma dose inicial e de um produto de outro laboratório para a dose de reforço ou, até, para a aplicação de uma terceira dose.
Onde já vem sendo utilizada?
Países como Espanha, Inglaterra, Itália, Alemanha, Canadá, Coreia do Sul, Chile, França, Finlândia, Noruega, Portugal, Suécia e Emirados Árabes recomendam ou autorizam a combinação de vacinas de AstraZeneca e Pfizer. Outras combinações, envolvendo imunizantes da Moderna e Novavax, por exemplo, também serão estudadas. Os EUA, por enquanto, preveem essa possibilidade apenas para casos excepcionais.
Qual o intervalo?
Ainda estão sendo estudados os melhores intervalos entre as doses. Um dos estudos mais recentes, feito na Inglaterra, utilizou inicialmente quatro semanas, e agora vai empregar 12 semanas.
Quais as vantagens?
Há indícios preliminares de que a resposta imunológica pode ser até melhor com a mistura de laboratórios do que com o uso de um mesmo produto. Uma das possibilidades é de que as vacinas estimulem setores um pouco diferentes do sistema imunológico ou ajudem os anticorpos a reconhecer o vírus de maneira mais ampla. Isso também ode facilitar estratégias nacionais de imunização ao possibilitar a substituição de uma vacina escassa por outra.
Quais as desvantagens?
Há especialistas que consideram os estudos ainda muito preliminares, alguns deles observacionais (sem tanto rigor quanto estudos mais estruturados) e com muito menos participantes do que os ensaios clínicos que levam à liberação das vacinas (com dezenas de milhares de voluntários em diferentes países). Nem sempre resultados iniciais se confirmam, na prática, quando um número muito maior de pessoas é envolvido. Isso poderia levar a prejuízos nas campanhas de vacinação em andamento.
Além disso, um estudo em fase de preprint (preliminar) enviado à revista Lancet informa que foram detectadas reações colaterais um pouco mais intensas à vacina quando há a mistura de imunizantes – como febre, fadiga e dor de cabeça. Esses sintomas geralmente desapareceram em até 48 horas.
Qual a perspectiva para entrar em uso no Brasil?
A prefeitura do Rio decidiu por conta própria admitir essa possibilidade no caso das gestantes que tomaram primeira dose com AstraZeneca (que tem questões de segurança em relação à gestação), mas ainda não há mudança à vista no plano nacional de imunização. Seria necessário que o Ministério da Saúde incluísse essa nova estratégia nas orientações nacionais a Estados e municípios. As secretarias de saúde do Rio Grande do Sul e de Porto Alegre informaram não ter qualquer mudança de posicionamento à vista nesse sentido.”
29/06/2021 – Portal Folha Z
https://folhaz.com.br/opiniao/estudante-de-medicina-de-aparecida/
“ESTUDANTE DE MEDICINA DE APARECIDA PARTICIPA DO CONGRESSO PAULISTA DE NEUROLOGIA
Evento é um dos maiores do gênero no Brasil
Aluna do 3º período de Medicina do Centro Universitário Alfredo Nasser (Unifan), Alice Campos Meneses foi uma das participantes da 13ª edição do Congresso Paulista de Neurologia, um dos maiores eventos do gênero no Brasil.
Este ano ele aconteceu entre os dias 27 e 29 de maio totalmente por via eletrônica, dados os riscos impostos pela pandemia de Covid-19 e a necessidade de distanciamento social.
Conforme explica o Presidente da Associação Paulista de Neurologia (Apan), Dr. Rubens José Gagliardi, “as atividades focaram em discutir os principais temas da atualidade, debatendo os grandes ensaios clínicos, as políticas de Saúde, os aspectos culturais da especialidade – sempre com as principais autoridades do País conduzindo as conversas”, disse.
Também foram temas: AVCs, epilepsias, novidades sobre a doença de Parkinson, o mundo crescente das demências, muitas pesquisas, testes e medicamentos que estão chegando, neuroinfecções, cefaleias, doenças periféricas musculares, distúrbios do sono, todas as formas de reabilitação, simulação magnética.
A relação da Covid-19 e da Neurologia, evidentemente, também foi abordada.
A acadêmica do terceiro período de Medicina do Centro Universitário Alfredo Nasser, Alice Campos Meneses, foi uma das participantes da 13ª edição do Congresso Paulista de Neurologia.
Alice apresentou dois trabalhos no Congresso.
Um deles abordou o impacto do COVID-19 na cognição de pacientes que tiveram a doença e o outro artigo discorreu sobre as consequências do isolamento social em idosos com e sem demência durante a pandemia do coronavírus.
“A busca e a leitura dos artigos das bases de dados foram divididas entre os integrantes do grupo, o qual foi composto por mim (estado de Goiás), outros cinco acadêmicos de outras Faculdades de Medicina ao redor do Brasil, dos estados de Minas Gerais, Amazonas e Rio Grande do Sul, e pela nossa orientadora, Neurologista e professora associada à Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)”, destaca Alice Meneses.
A discente explica ainda que participar desse Congresso foi o passo inicial para a realização do seu sonho de ser cientista.
Para a coordenação de Pesquisas da Unifan a participação dos acadêmicos em Seminários, Fóruns Congressos e eventos similares, além de ampliar os conhecimentos em suas áreas, eles têm a oportunidade de interagir com pesquisadores que lhe proporcionarão o ingresso à comunidade científica.
“A permuta de conhecimentos motiva os acadêmicos ao estudo e à superação dos obstáculos naturais do caminho do saber. A aluna Alice Campos Meneses, notável acadêmica de Medicina, muito nos honrou com a sua participação valiosa nesse evento internacional de Neurologia”, ressalta o coordenador, professor Emídio Silva Falcão Brasileiro.
Ao longo dos anos, o Centro Universitário Alfredo Nasser (Unifan) tem proporcionado oportunidades aos seus acadêmicos com o propósito de facultar a formação necessária para os seus desenvolvimentos científico e profissional.
A Unifan tem patrocinado cursos de Formação e de Pós-Graduação aos seus docentes e egressos tanto no lato sensu (especialização) quanto no stricto sensu (mestrado e doutorado).”
28/06/2021 – GZH
Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2021/06/trensurb-tem-primeira-manha-de-testes-para-covid-19-em-porto-alegre-ckqgs1kmm000t0180ckp1fnkm.html
“Trensurb tem primeira manhã de testes para covid-19 em Porto Alegre
Câmera com sensor térmico identifica temperatura corporal; se for superior a 37,2°, pessoal é convidada a fazer o exame
A manhã desta segunda-feira (28) marcou o início da fase de aplicação de testes para detecção de covid-19 na Estação Mercado da Trensurb, no centro de Porto Alegre. O objetivo da ação, feita em parceria pela prefeitura da Capital, Trensurb e universidades, é identificar o percentual de positividade para a doença entre os usuários do trem.
A ideia principal é testar as pessoas que desembarcam na estação. Uma câmera com sensor térmico instalada em um dos corredores detecta os rostos dos passageiros e também a temperatura corporal de cada um - assim, se for superior a 37,2°, a pessoa é convidada a fazer o teste.
Das 8h até as 11h, 1885 haviam sido monitoradas pelo sensor. No entanto, o total de pessoas que desembarcou do trem no mesmo período era superior a este número. Isso porque são dois corredores de desembarque, e a câmera está posicionada somente em um. Além disso, como o fluxo de passageiros é grande, nem sempre é possível identificar todos.
Além das pessoas identificadas por meio do sensor térmico, também são testadas aquelas que voluntariamente procuram as equipes e que estejam com sintomas. Foi o caso de Fabrício dos Anjos Fidelis, 23 anos, o primeiro a procurar o local desde as 9h, quando a testagem começou. Como a mãe dele havia testado positivo para a doença e ele apresentou sintomas semelhantes, decidiu se prevenir.
— Passei uma semana com ela e apresentei sintomas semelhantes, como tosse, dor de cabeça e coriza. Como estava disponível o teste, decidi fazer — contou o estudante de Ciências Contábeis, que recebeu resultado negativo.
Até as 11h30, o movimento era tímido — e apenas Fabrício havia sido testado no local. Outras pessoas paravam e perguntavam sobre a testagem. A atendente de Educação Infantil Carla Gonçalves Moreira, de 37 anos, parou para tentar fazer o teste, mas, por falta de tempo, não ficou para finalizar o processo — já que as equipes ainda aplicavam o teste no primeiro passageiro.
— Vi na internet e decidi passar aqui. A gente tem bastante contato com as crianças, então achei melhor prevenir.
O teste
O teste do tipo TR-Ag detecta uma proteína presente no vírus e fica pronto em 15 minutos. O resultado positivo significa infecção viral ativa.
Em caso positivo, a pessoa precisa assinar um termo de isolamento e é levada em casa por transporte da Trensurb, se necessário.
— Quando a pessoa receber o teste positivo, ela deve deixar de circular. Neste caso, assim um termo de isolamento e vai para casa — explica a diretora da Atenção Primária da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
A ação conta com a parceria da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Nesta manhã, também contou com apoio da Factum.
Nesta segunda, a atividade segue até 17h. Após a integração da equipe da universidade, o horário será das 7h às 19h, sempre de segunda a sexta-feira. A previsão é realizar o monitoramento por um período mínimo de 14 dias, quando a continuidade será avaliada.
Segundo a Trensurb, as prefeituras de Canoas e de Esteio também demonstraram interesse em realizar a ação. A empresa informou que oferece a estrutura da estação, mas que o município precisa ter testes e profissionais habilitados. “
28/06/2021 – Revista News
Link:https://revistanews.com.br/2021/06/28/porto-alegre-inicia-testagem-para-covid-19-no-trensurb/
“Porto Alegre inicia testagem para covid-19 no Trensurb
A partir desta segunda-feira (28), passageiros que desembarcarem do trem na Estação Mercado da Trensurb com temperatura acima de 37,5ºC serão convidadas a fazer teste rápido de antígeno (TR Ag) para diagnóstico de covid-19.
A ação da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) será coordenada pela Atenção Primária à Saúde, em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
O objetivo é detectar pessoas com sintomas compatíveis com a Covid-19. A atividade na segunda-feira será das 9h às 17h. Após a integração da equipe da universidade, o horário será das 7h às 19h, sempre de segunda a sexta-feira. A previsão é de realizar o monitoramento por um período mínimo de 14 dias, quando a continuidade será avaliada.
A parceria entre a prefeitura e a Trensurb foi firmada na quarta-feira (23). A temperatura corporal é medida por câmeras com sensores térmicos instaladas no local pela Trensurb. Além da testagem, haverá orientação aos usuários do modal de transporte coletivo sobre prevenção à doença causada pelo novo coronavírus.
Na segunda-feira, a operação será realizada com equipe técnica da APS/SMS, com apoio de acadêmicos da Factum. Técnicos e estudantes UFCSPA serão integrados à atividade após capacitação técnica sobre a coleta do exame, a ser realizada pela Diretoria de Vigilância em Saúde da SMS.
O teste do tipo TR-Ag detecta uma proteína presente no vírus. O resultado positivo significa infecção viral ativa. O chefe de gabinete da SMS, Gilvane da Silva, enfatiza que casos positivos serão encaminhados para avaliação em um serviço de Pronto Atendimento pela Trensurb, que destinará um veículo para o transporte do paciente.”
28/06/2021 – Jornal O Sul
Link:https://www.osul.com.br/primeiro-dia-de-testagem-de-passageiros-no-trensurb-em-porto-alegre-confirma-dois-casos-de-coronavirus/
“Primeiro dia da testagem de passageiros no Trensurb em Porto Alegre confirma dois casos de coronavírus
Anunciado recentemente, monitoramento de coronavírus junto aos passageiros que desembarcam na Estação Mercado do Trensurb, no Centro Histórico de Portoi Alegre, teve nesta segunda-feira (28) o seu primeiro dia de operação, com dois casos positivos detectados por teste rápido de antígeno (TR Ag). Um deles é de Cachoeirinha (Região Metropolitana).
Trata-se da principal parada (de um total de 23) e a última da capital gaúcha para quem chega dos demais municípios contemplados pelo transporte ferroviário, inaugurado em 1985. Os exames – voluntários, a partir da abordagem de pessoas cuja temperatura corporal é medida à distância por um equipamento – totalizaram até agora sete procedimentos.
O serviço controle sanitário no local realizada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), sob coordenação da Diretoria de Atenção Primária à Saúde (Daps) e em parceria com a Escola Factum de graduação e cursos técnicos. O local foi escolhido devido à alta circulação de pessoas de diferentes cidades na Região Metropolitana.
A partir desta terça-feira (29), professores de cursos da área da saúde da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e acadêmicos da instituição se somam à equipe que já está na Estação Mercado para a tarefa.
Os agentes atuarão no local de segunda a sexta-feira, também prestando orientações aos passageiros. No primeiro o horário foi das 9h às 17h, horário que nesta terça-feira será expandido até as 19h e deve ser ampliado nos próximos dias. O monitoramento deve prosseguir ao longo de pelo menos duas semanas.
A intenção é abordar pessoas com temperatura acima de 37,5ºC ou que apresentem sintomas compatíveis com a covid. Com esses critérios, as pessoas são convidadas a passar pela testagem, podendo recusar o procedimento.
A parceria entre a prefeitura e a Trensurb foi firmada na semana passada. A temperatura corporal é medida por câmeras com sensores térmicos instaladas no local pela Trensurb. Além da testagem, haverá orientação aos usuários do transporte coletivo ferroviário sobre medidas de prevenção à doença.
Capacitação
Nesta segunda-feira, enfermeiras da Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS) da prefeitura de Portoi Alegre promoveram uma atividade de capacitação para professores e acadêmicos da UFCSPA que atuarão no local.
Dentre os itens abordados estavam a notificação de dados das pessoas testadas por meio da plataforma “E-SUS Notifica”, a aplicação dos testes “TR Ag” e os procedimentos corretos de colocação e retirada dos equipamentos de proteção individual que devem ser usados pelas pessoas responsáveis pela coleta das amostras.”
28/06/2021 – Jornal O Sul
Link: https://www.osul.com.br/em-porto-alegre-acao-de-controle-sanitario-na-estacao-mercado-da-trensurb-detecta-dois-casos-positivos-de-covid/
“Em Porto Alegre, ação de controle sanitário na Estação Mercado da Trensurb detecta dois casos positivos de Covid
Nesta segunda-feira (28), dois casos positivos de Covid-19 foram detectados por teste rápido de antígeno (TR Ag) na Estação Mercado da Trensurb, em Porto Alegre.
Os passageiros tinham como origem o município de Cachoeirinha, na Zona Metropolitana da Capital. Este foi o primeiro dia da operação de controle sanitário no local realizada pela SMS (Secretaria Municipal de Saúde), com coordenação da Daps (Diretoria de Atenção Primária à Saúde) e em parceria com a escola de graduação e cursos técnicos Factum. Entre 9h e 17h, sete testes de TR Ag foram feitos no local.
A partir de terça-feira (29), professores de cursos da área da saúde da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre) e acadêmicos da instituição se somam à equipe da APS na tarefa. As equipes atuarão no local de segunda a sexta-feira, também prestando orientações aos usuários do serviço. Na terça (29), o atendimento será das 9h às 19h. O horário será ampliado nos próximos dias.
A intenção é abordar pessoas com temperatura acima de 37,5ºC ou que apresentem sintomas compatíveis com a Covid-19. Com esses critérios, as pessoas serão convidadas a passar pela testagem.
Nesta segunda-feira, enfermeiras da DVS (Diretoria de Vigilância em Saúde) da SMS promoveram capacitação para professores e acadêmicos da UFCSPA que atuarão no local. Os itens abordados foram a notificação de dados das pessoas testadas no E-SUS Notifica, a utilização dos TR Ag e procedimentos corretos para colocação e retirada dos equipamentos de proteção individual que devem ser usados pelas pessoas que farão a coleta das amostras.”
28/06/2021 – Jornal O Sul
Link: https://www.osul.com.br/comeca-o-monitoramento-da-temperatura-corporal-e-a-testagem-para-o-coronavirus-na-estacao-mercado-do-trensurb/
“Começa o monitoramento da temperatura corporal e a testagem para o coronavírus na Estação Mercado do trensurb
A partir desta segunda-feira (28), pessoas com temperatura corporal acima de 37,5ºC que desembarcarem na Estação Mercado do trensurb, em Porto Alegre, são convidadas a fazer teste rápido de antígeno (TR Ag) para diagnóstico da Covid-19.
A ação da Secretaria Municipal de Saúde é feita em parceria com a UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre) e a Trensurb. O monitoramento ocorrerá das 7h às 19h, de segunda a sexta-feira. A previsão é realizar a ação por um período mínimo de 14 dias, quando a continuidade será avaliada.
A temperatura corporal é medida por câmeras com sensores térmicos instaladas no local. As pessoas que testarem positivo para a Covid-19 serão encaminhados para avaliação em um serviço de pronto-atendimento pela Trensurb, que destinará um veículo para o transporte dos pacientes.”
26/06/2021 – Portal Campos 24 horas
Link: https://www.campos24horas.com.br/noticia/cpi-da-covid-como-saber-se-um-estudo-cientifico-para-tratar-doenca-e-confiavel-ou-nao
“CPI da Covid: Como saber se um estudo para tratar doença é confiável
Senadores e depoentes da CPI da Covid costumam citar pesquisas com os mais diversos resultados para embasar seus argumentos. Saiba como diferenciar as evidências científicas
A microbiologista Natalia Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência, acredita que ninguém precisa ser especialista em método científico para separar o joio do trigo e diferenciar um estudo confiável de outro com conclusões duvidosas.
"É possível, sim, desenvolver o mínimo de senso crítico para não aceitar todas as informações que são divulgadas", diz.
Esse, inclusive, foi o tema principal da participação dela na CPI da Covid, numa sessão realizada no dia 11 de junho: Pasternak contextualizou como as pesquisas são feitas, quais são os resultados mais confiáveis e como se constroem os consensos científicos.
Mas mesmo com toda a explicação da microbiologista, os senadores continuaram a citar trabalhos controversos e com falhas graves, especialmente quando o tema era o "tratamento precoce" da Covid-19 e o uso de remédios como a hidroxicloroquina e a ivermectina, cuja ineficácia está mais que comprovada.
Essa, aliás, tem sido a tônica dos debates entre os membros da comissão parlamentar: não raro, uma pessoa cita o estudo X e outra se lembra da pesquisa Y, que apresenta resultados contraditórios.
No meio disso, participantes e espectadores ficam perdidos: afinal, em quem (ou no quê) acreditar?
O primeiro passo para não cair em armadilhas é entender direitinho o que é um estudo observacional.
O pontapé inicial
Você já deve ter ouvido essa frase por aí: tal cidade/estado/país usou o medicamento A, B ou C e os casos ou as mortes por Covid-19 "despencaram" por lá.
Na CPI, locais como Rancho Queimado (SC), Porto Feliz (SP) ou Porto Seguro (BA) sempre aparecem como cases de sucesso no combate à pandemia por supostamente terem usado o tal "kit Covid" nos pacientes infectados com o coronavírus.
O problema é que exemplos como esses estão cercados de armadilhas e têm pouco valor científico. Eles se encaixam nos chamados estudos observacionais: são trabalhos em que os especialistas olham para o que aconteceu com determinado grupo de pessoas após uma intervenção.
Muitas vezes, como parece ser o caso dessas três cidades citadas anteriormente, as análises também não levam em conta toda a realidade, e chegam a omitir fatos, números ou a verdadeira situação da pandemia. Para compreender melhor esse conceito, vamos usar uma situação hipotética: suponha que a prefeitura de São Paulo tenha instalado aparelhos de musculação numa praça localizada num bairro da Zona Leste da cidade.
Passados alguns meses, o posto de saúde que atende a região começa a reparar que os moradores da vizinhança emagreceram, estão com a pressão arterial mais baixa e até tiveram uma redução nos níveis de colesterol. Um estudo observacional, portanto, poderia relacionar os dois eventos (novos equipamentos de ginástica e melhora nos indicadores de saúde cardiovascular) e chegar à conclusão de que uma coisa está ligada à outra.
Ou seja: a disponibilidade dos aparelhos incentivou a prática de atividade física na comunidade e isso, por sua vez, repercutiu bem e pode até reduzir o número de infartos e derrames futuramente entre esses paulistanos. O problema é que essa relação de causa e efeito nem sempre é 100% verdadeira: será que não aconteceram outras coisas que ajudem a justificar e dar sentido a essa observação?
Ainda nesse nosso exemplo fictício, o cancelamento de uma linha de ônibus que levava os moradores do bairro até o centro da cidade pode ter exigido que as pessoas caminhassem por mais tempo. Ou a morte repentina de uma pessoa famosa após um ataque cardíaco deixou todo mundo mais preocupado com a própria saúde.
"Os estudos observacionais são válidos, mas eles não trazem conclusões. Na verdade, eles nos oferecem perguntas, que poderão ser respondidas por outros tipos de pesquisa", resume Pasternak.
Confusão de conceitos
Seguindo essa linha de raciocínio, o que aconteceu (ou não) em Rancho Queimado, Porto Feliz ou Porto Seguro não deveria servir como argumento para embasar o uso de um remédio ou outro.
Ao mesmo tempo em que estimularam a prescrição de um fármaco para seus cidadãos, esses mesmos municípios podem, em tese, ter feito um lockdown mais rigoroso, ou possuir uma população mais jovem e menos suscetível às complicações da infecção pelo coronavírus.
Um terceiro fator que entra nessa conta: a maioria dos acometidos por Covid-19 melhora após algum tempo, independentemente de qualquer fármaco. Será que esses indivíduos "curados" não relacionaram a melhora ao tratamento, quando o resultado seria o mesmo se eles não tivessem tomado nada?
Logo, é impossível separar fatores de confusão que podem estar camuflados numa observação que a princípio parece tão óbvia e certeira.
Há outros exemplos cômicos de como pesquisas desse tipo podem levar a conclusões precipitadas: em 2012, um grupo da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, publicou um artigo num importante periódico científico relacionando o consumo de chocolate com a quantidade de prêmios Nobel de diversos países.
Em resumo, a conclusão era: as nações cujos cidadãos comem uma maior quantidade desse alimento possuem mais medalhas da prestigiada premiação.
Não demorou muito para que manchetes e reportagens de todo o mundo cravassem "certezas" do tipo "coma chocolate para ficar mais inteligente".
A grande questão era que o "experimento" não passava de uma piada: os autores queriam justamente chamar a atenção para o fato de como os estudos observacionais podem levar a uma série de conclusões precipitadas (e erradas).
Para que essa relação entre chocolate e inteligência fosse mais confiável, seria necessário investir num outro tipo de trabalho: o teste randomizado, duplo cego, controlado por placebo, sobre o qual falaremos mais adiante.
Da bancada do laboratório à prateleira da farmácia
Se os estudos observacionais levantam as perguntas, as respostas serão obtidas a partir dos ensaios pré-clínicos e clínicos.
A diferença aqui está no papel do cientista: no primeiro tipo de pesquisa, ele é apenas um coadjuvante que analisa um fenômeno que já aconteceu, faz conjecturas e elabora questões a partir disso.
Na segunda, ele é o protagonista responsável por fazer acontecer, dar início a uma intervenção, controlar possíveis vieses e obter os resultados após algum tempo. No caso de um medicamento ou uma vacina, esse processo se inicia nas bancadas dos laboratórios: a nova molécula é testada em culturas de células para ver quais reações acontecem ali.
Se os resultados forem bons, é possível partir para a próxima etapa: as análises com cobaias. "Geralmente são usados animais que mimetizam nossa anatomia e fisiologia, como ratos, camundongos, coelhos, porcos, ovelhas e primatas", detalha o médico intensivista Luciano Cesar Pontes de Azevedo, professor da Faculdade de Medicina da USP.
O objetivo é avaliar os potenciais daquele candidato a remédio e como ele interage e funciona num organismo mais complexo. Caso o experimento caminhe bem, os especialistas dão o próximo passo e partem para os estudos clínicos, que envolvem seres humanos. Essa etapa costuma ser dividida em três partes: as fases 1, 2 e 3.
"Na fase 1, testamos a nova molécula num pequeno grupo de voluntários saudáveis, para entender os efeitos fisiológicos daquele composto e como ele se distribui pelo organismo", diz Azevedo, que também integra o Coalizão Covid-19 Brasil, um grupo de pesquisadores que busca descobrir e validar novos tratamentos para a doença responsável pela atual pandemia.
A fase 2, por sua vez, envolve um grupo ligeiramente maior de participantes, que têm a enfermidade para qual o novo remédio é avaliado. A meta aqui é determinar a dose ideal da medicação capaz de trazer o melhor resultado com a menor proporção de efeitos colaterais. Detalhe importante: a progressão das pesquisas está necessariamente vinculada aos resultados obtidos até então. Se uma molécula foi bem em cobaias, mas apresentou resultados frustrantes, preocupantes ou fora do esperado na fase 1, não há razão para seguir adiante.
Prova de fogo
E aí vem a tão esperada fase 3, que pode envolver até dezenas de milhares de participantes com algumas características em comum. "Esses estudos costumam ser multicêntricos, randomizados, duplo-cegos e controlados", conta Azevedo.
Vamos por partes: multicêntrico quer dizer que ele é realizado por vários institutos de pesquisa, que muitas vezes estão espalhados por mais de um país. Randomizado significa que os voluntários são divididos em diferentes grupos, ou "braços" de pesquisa. Essa separação é feita por um programa de computador.
Duplo-cego é um jargão científico para indicar que nem os participantes e muito menos os cientistas sabem quem faz parte de qual grupo — isso ajuda a prevenir vieses ou o popular efeito placebo.
Para fechar, o termo "controlado" serve para indicar que um desses tais grupos randomizados não receberá o candidato a remédio, mas, sim, uma substância sem efeito nenhum no corpo (chamada de placebo) ou o melhor tratamento disponível para aquela doença até o momento.
Vamos a mais um exemplo hipotético: imagine que o medicamento X foi muito bem na etapa pré-clínica (células e cobaias) e nas fases 1 e 2 dos estudos clínicos.
Na fase 3, os responsáveis recrutaram mil pessoas de uma mesma faixa etária e com condições parecidas, que foram divididas de forma aleatória e secreta em dois grupos: 500 delas receberam o remédio e as outras 500 tomaram o placebo.
Só a partir daí será possível determinar de verdade a segurança e a eficácia do remédio X.
Na sequência, os autores escrevem e publicam nas revistas especializadas da área artigos relatando todo o procedimento, os métodos e os resultados.
Depois (ou de forma concomitante) acontece o pedido de aprovação para o uso comercial nas agências regulatórias, como a Anvisa do Brasil.
Um rito complicado
Como você já deve estar imaginando, esse caminho das pedras é muito rigoroso e são pouquíssimas as candidatas bem-sucedidas nessa maratona que vai do experimento com células até a fase 3.
"De cada 30 moléculas avaliadas nos ensaios pré-clínicos, só uma chega aos estudos clínicos. E das 100 substâncias que partem para as fases 1, 2 e 3, só uma é aprovada para utilização na vida real", calcula Azevedo.
E não pense que o processo está finalizado após o ok das agências regulatórias: os laboratórios ainda ficam responsáveis por conduzir a fase 4, que monitora o aparecimento de efeitos colaterais inesperados na população.
Pode acontecer de uma droga se mostrar segura nos testes clínicos, mas causar algum evento adverso quando prescrita para centenas de milhares ou milhões de pessoas.
Ainda nesse universo da ciência, há ainda dois termos muito batidos nas sessões da CPI: a revisão sistemática com metanálise.
Em resumo, trata-se de uma técnica em que os cientistas coletam diversos estudos que investigaram a mesma questão e tentam "unificar" suas conclusões num artigo só.
Esses resultados da revisão sistemática, portanto, são ainda mais confiáveis, já que trazem a melhor evidência científica, com a ponderação de diversas fontes e grupos de pesquisa.
Mas há um porém: se a metanálise for mal feita, ela também pode levar a uma série de conclusões erradas. Para que isso aconteça, basta que os autores incluam estudos ruins, que usaram métodos equivocados ou que "forçaram a barra" em seus resultados.
Numa série de postagens no Twitter, a médica Lucia Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, usou uma analogia culinária para explicar como a seleção das evidências científicas numa revisão dessas é fundamental:
"Revisão sistemática é como fazer torta de maçã. Se colocar uma maçã estragada, estraga a torta. Por isso, é preciso avaliar os métodos de cada artigo de uma forma padronizada. Ou seja, olhar cada maçã e não só atirar tudo na torta. Se não tem [esse cuidado], não é uma revisão sistemática."
É por isso que os cientistas criam critérios de seleção de pesquisa muito bem definidos para evitar qualquer desvio das interpretações e conclusões.
Fontes confiáveis
Vale ponderar que, para quem não é especialista no assunto, identificar se uma metanálise selecionou estudos confiáveis ou não pode ser algo um tanto difícil.
Mas há alguns truques para saber se trabalhos do tipo (e mesmo aquelas pesquisas clínicas que explicamos mais acima) foram bem conduzidos.
Uma boa dica é ficar atento ao local em que eles foram publicados.
Isso porque no mundo acadêmico há revistas que são mais respeitadas do que as outras. (leia mais abaixo)
Na área da medicina, periódicos como The Lancet, The New England Journal of Medicine (NEJM), Journal of the American Medical Association (Jama) e British Medical Journal (BMJ) são muito reconhecidos.
Essas publicações adotam um sistema chamado "revisão por pares", em que cada artigo enviado é analisado e editado por um grupo de cientistas independentes, que não trabalharam diretamente com aquela pesquisa. (leia mais abaixo)
"Isso significa que colegas da área poderão ler, levantar dúvidas e fazer críticas antes de o trabalho sair efetivamente na revista", complementa Azevedo.
Essa checagem é um cuidado extra, que dá mais confiabilidade àquelas informações.
"As boas revistas não são infalíveis e já erraram no passado, mas um estudo publicado ali pelo menos tem a garantia de ter passado por uma revisão qualificada", acrescenta Pasternak. (leia mais abaixo)
Ainda nessa seara, tome cuidado com os chamados "pré-prints", que são trabalhos divulgados na internet antes da revisão por pares: eles são ótimos para acelerar o compartilhamento de informações na comunidade acadêmica durante uma pandemia, mas seus resultados não devem servir para tirar conclusões ou sustentar políticas públicas.
Uma outra maneira de saber se um trabalho científico é confiável ou não está em notar o quanto ele é citado por instituições de referência. (leia mais abaixo)
Autoridades como o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido e a Organização Mundial da Saúde lançam diretrizes sobre a prevenção e o tratamento de doenças como a Covid-19.
No contexto da pandemia, esses órgãos possuem profissionais gabaritados para analisar as pesquisas e utilizá-las como base para tomar as decisões alinhadas com a evidência científica, que atestam a importância do uso de máscara, do distanciamento físico e da vacinação, por exemplo. (leia mais abaixo)
É importante então ficar de olho no que essas instituições dizem e que estudos são utilizados para embasar as recomendações.
No caso do tratamento precoce contra a Covid-19 que mencionamos no início do texto, nenhuma dessas entidades concluiu que hidroxicloroquina, ivermectina ou outros medicamentos trazem algum benefício. (leia mais abaixo)
Para chegar a essa conclusão, elas levaram em conta os melhores estudos disponíveis, que seguiram e respeitaram todo aquele caminho que explicamos mais acima.
Dicas e ensinamentos
Se você considerar que é difícil guardar tantas informações no dia a dia, Pasternak entende que há pelo menos dois detalhes que são decisivos para que qualquer pessoa fique com o pé atrás ao ouvir falar de uma pesquisa. (leia mais abaixo)
Em primeiro lugar, tenha sempre em mente que um estudo observacional não permite estabelecer relação de causa e efeito", recomenda.
Ou seja: se ouvir alguém dizer que tomou um medicamento e ficou melhor, ou que determinada cidade fez uso desse remédio e controlou uma doença, fique com a pulga atrás da orelha.
"Segundo, estudos in vitro ou feitos com cobaias não permitem tirar qualquer conclusão sólida", completa. (leia mais abaixo)
Em outras palavras, caso você leia em sites e redes sociais que tal fármaco inibiu um vírus numa cultura de células ou em ratinhos de laboratório, lembre-se sempre que não é possível extrapolar esses resultados para seres humanos: há ainda um longo caminho a ser percorrido antes que essa substância tenha a segurança e a eficácia comprovadas. (leia mais abaixo)
E todo esse cuidado, empenho e organização dos cientistas permitem saber quais remédios funcionam de verdade e como construir políticas públicas na área da saúde realmente capazes de salvar vidas.”
25/06/2021 – Jornal Matinal / Roger Lerina
Link: https://www.matinaljornalismo.com.br/rogerlerina/agenda/banda-virtual-da-ufcspa-faz-pre-estreia-de-nova-musica-em-live/
“Banda Virtual da UFCSPA faz pré-estreia de nova música em live
Nesta segunda-feira (28/6), às 19h, ocorre a live Banda Comunitária da UFCSPA: Muita História Pra Contar no canal do YouTube do Núcleo Cultural da UFCSPA. Participam do evento o maestro do grupo Marcelo Rabello dos Santos e os instrumentistas Rô Santos e Sérgio Nunes Antonio, com mediação do educador Léo Rocha. Os músicos discutirão sobre a experiência da banda em tempos de pandemia e isolamento físico.
Durante a live haverá a pré-estreia de Wave, nova gravação da banda que vem atuando, em formato virtual, desde abril de 2020. A música, em estilo bossa nova, é um dos clássicos de Antônio Carlos Jobim. Wave é a primeira música do álbum homônimo, gravado em 1967, nos Estados Unidos. A interpretação da banda terá arranjo do maestro do grupo. No dia 29 de junho haverá o lançamento oficial em todas as redes sociais do Núcleo Cultural e da Banda Comunitária da UFCSPA.
Nesta apresentação participaram 22 instrumentistas que tocam: flauta doce, clarinete, saxofones, escaleta, trompete, trombone, bombardino, violinos, violão, baixo elétrico, tamborim, metalofone, cajón, pandeiro, chocalho e bateria. Atualmente, as apresentações não são ao vivo. São gravadas individualmente e depois reunidas em um vídeo único.
A Banda Virtual é um projeto que tem como característica a inclusão social. Nasce em 2013, atuando na região central, no campus da UFCSPA, e no Bairro Rubem Berta, onde ensaiava presencialmente até a pandemia. A grande maioria dos músicos são da Zona Norte da capital. Com um repertório eclético, o grupo interpreta músicas de diferentes estilos e nacionalidades, desde a tradicional de banda até a popular.”
24/06/2021 – Aos Fatos
Link:https://www.aosfatos.org/noticias/video-nao-mostra-vermes-dentro-de-mascaras-cirurgicas-vindas-da-china/
“Vídeo não mostra vermes dentro de máscaras cirúrgicas vindas da China
Um vídeo que circula nas redes sociais e no WhatsApp engana ao sustentar que máscaras cirúrgicas vindas da China estariam contaminadas com vermes que poderiam ser engolidos por quem as usa (veja aqui). O experimento feito na gravação, em que o equipamento é posicionado sobre uma tigela com água fervente, mostra apenas filamentos do tecido de fibra sintética que se movem após contato com o vapor.
Os pedidos de checagem deste conteúdo foram enviados por leitores ao Aos Fatos pelo WhatsApp (Fale com a Fátima). Devido à natureza da plataforma, não é possível estimar o alcance do conteúdo. No Facebook, o vídeo reunia centenas de compartilhamentos nesta sexta-feira (25) e recebeu selo FALSO na ferramenta de verificação (saiba como funciona).
Não é verdade que um vídeo que circula nas redes sociais provaria que máscaras cirúrgicas vindas da China contém vermes que podem contaminar quem as usa. No experimento da gravação, um equipamento de proteção novo é posicionado sobre uma tigela com água quente e, após contato com o vapor, pequenos fios começam a se mexer. Os elementos mostrados nas imagens são fios de TNT (Tecido Não Tecido), material plástico com que a máscara é confeccionada, não parasitas.
Fernando Kokubun, professor de física da FURG (Universidade Federal do Rio Grande), explica que a temperatura e o vapor “empurram” as moléculas dos filamentos do tecido, que passam a se mover. Tal fenômeno também não se repetiria durante a respiração com a máscara, como alega o narrador do vídeo, porque o ar exalado dos pulmões tem uma temperatura muito mais baixa que a do vapor gerado por água fervente, segundo Carlos R. Zárate-Bladés, pesquisador do Laboratório de Imunorregulação da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).
Vermes também não sobrevivem ao transporte de longa distância em locais lacrados e sem oxigênio, como ocorre com máscaras importadas da China. “São organismos que existem em situações extremamente controladas. Não tem como manter onde há variação de temperatura, pressão, umidade e falta de oxigênio”, disse Melissa Markoski, professora de biossegurança da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre).
Aos Fatos não localizou a origem do vídeo, mas verificou que já circulou em outros países com esta alegação falsa, tendo sido checado por AFP, Maldita, Polígrafo e Myth Detector.”
24/06/2021 – ZH
Versão Impressa
"Trensurb começa a medir temperatura por câmera
Zero Hora24 Jun 2021TIAGO BITENCOURT Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Teve início de forma parcial o controle sanitário na estação Mercado da Trensurb, em Porto Alegre, ontem. A câmera que indica a temperatura corporal de quem chega à estação funciona desde às 5h, no entanto, os testes rápidos de coronavírus só devem começar a ser aplicados na próxima semana.
Até as 11h, 2.532 pessoas tiveram a temperatura medida, e nenhuma apresentou elevação e necessitou ser abordada. Por enquanto, quem for flagrado com temperatura elevada será orientado por agentes da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) a procurar um local para teste e realizar consulta.
No final da manhã, houve um encontro entre integrantes da SMS e da Trensurb para acertar os últimos detalhes. Três estagiárias da secretaria ficarão junto à sala de testes e serão avisadas caso a temperatura de alguma pessoa esteja elevada.
As imagens da câmera estarão disponibilizadas em tempo real nas telas de computadores, que ficam em uma sala logo depois das catracas da estação Mercado. Um funcionário da Trensurb ficará responsável por monitorar em tempo integral.
A tecnologia da câmera térmica permite medir a temperatura de cerca de 5 mil pessoas em 30 minutos. Além disso, segundo a Trensurb, o equipamento é capaz de verificar a utilização de máscara, entre outros dados dos passageiros.
A empresa já disponibilizou a estrutura do controle sanitário para outras cidades como Canoas e Esteio. Se for de interesse das prefeituras, as estações localizadas nestes municípios também podem receber o controle sanitário. A tendência é de que, devido à Expointer em setembro, Esteio também passe a ter o controle.
O serviço conta ainda com a participação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), prefeitura da Capital e Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). A expectativa é de que essa barreira sanitária seja realizada por aproximadamente 30 dias."
23/06/2021 – Gazeta do Sul
Link: https://www.gaz.com.br/alivio-nas-restricoes-para-conter-a-covid-19-ainda-deve-demorar-no-brasil/
“Alívio nas restrições para conter a Covid-19 ainda deve demorar no Brasil
Especialista afirma que pode ser necessária cobertura vacinal de até 85%, com duas doses, para que a população esteja segura
Diferente do que já ocorre nos Estados Unidos e em diversos países da Europa, a redução ou mesmo a extinção das medidas de segurança para conter a Covid-19 ainda deve demorar para acontecer no Brasil. Isso porque, além do ritmo lento de imunização da população, as vacinas utilizadas no País têm menor eficiência, exigindo que uma porcentagem maior de pessoas seja imunizada para que as restrições possam ser aliviadas. A avaliação é da professora Melissa Markoski, que ministra a disciplina de biossegurança na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (Ufcspa) e é especialista em imunologia.
“Se você tem uma cobertura vacinal de em torno de 70% para uma vacina de alta eficácia é uma coisa, você já pode começar a pensar em colocar as medidas preventivas em segundo plano porque a cobertura está protegendo a população”, disse Melissa em entrevista à Rádio Gazeta FM 107,9. Ao analisar o contexto brasileiro, contudo, ela salientou que a situação é diferente. “As vacinas mais aplicadas na nossa população até o momento são a Coronavac e a Covishield (AstraZeneca), então a nossa eficácia de vacinação é bem mais baixa em comparação aos Estados Unidos.”
Melissa explicou que essa menor eficiência tem reflexo direto na cobertura vacinal, que precisa ser maior para que se obtenha o mesmo efeito prático. “Para a nossa população, 70% talvez ainda seja muito pouco, talvez tenhamos que atingir 80% ou 85%.”
Ela lembrou ainda que essas porcentagens se referem ao esquema vacinal completo. “A primeira dose não é suficiente para garantir a imunização. Hoje nós temos no Brasil 30% com primeira dose e beirando os 12% com a segunda. Então estamos ainda muito, muito longe de atingir a cobertura vacinal para que tenhamos uma população em sua maioria protegida e possamos abandonar as medidas preventivas”, afirmou.
A especialista alertou que enquanto isso não ocorrer, a população não pode deixar de se prevenir, visto que os descuidos podem fazer a pandemia durar ainda mais tempo. Além de novas ondas, aumento das restrições e das hospitalizações, o surgimento de novas variantes mais transmissíveis é um risco.
“Nós estamos na iminência dessa variante Delta, que surgiu na Índia, então precisamos ter cuidado com isso também. Daqui a pouco, tem alta transmissibilidade e isso aumenta os casos de pessoas que vêm a falecer em decorrência da taxa de transmissão”, disse. Acrescentou que uma quantidade maior de casos está diretamente ligada a uma maior quantidade de mortos.
A importância da imunização
Ao comentar sobre a importância da vacinação, Melissa Markoski relembrou que doenças como a hanseníase (lepra), peste bubônica, varíola e paralisia infantil, entre outras, foram combatidas e erradicadas pelas vacinas. “São doenças gravíssimas, e a a vacinação livrou a população de altas taxas de mortalidade nos séculos 20 e 21. Então nós precisamos ter fé, acreditar que as vacinas funcionam como elas sempre funcionaram, fazendo o seu papel de proteção”, ressaltou. A decisão de não se vacinar não é apenas individual, pois causa redução na cobertura vacinal da população como um todo e também acaba influenciando outras pessoas que têm dúvidas.”
23/06/2021 – Correio do Povo
Link:https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/esta%C3%A7%C3%A3o-da-trensurb-recebe-instala%C3%A7%C3%A3o-de-bloqueio-sanit%C3%A1rio-em-porto-alegre-1.642218
"Estação da Trensurb recebe instalação de bloqueio sanitário em Porto Alegre
Bloqueio conta com o uso de uma câmera térmica capaz de verificar a temperatura corporal
A Estação Mercado da Trensurb recebeu, nesta quarta-feira, a instalação de um bloqueio sanitário com o objetivo de realizar testes para Covid-19 em passageiros que desembarcam em Porto Alegre. O bloqueio conta com o uso de uma câmera térmica capaz de verificar a temperatura corporal e uma estrutura para realização de testagem rápida dos usuários do metrô. Com duração inicial prevista de 30 dias, a ação é uma iniciativa da administração municipal da Capital em parceria com a Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Com a tecnologia da câmera térmica, em 30 minutos, podem ser feitas cerca de 5 mil medições de temperatura corporal. Além disso, o equipamento, cedido para testes pelo Grupo Amper, é capaz de verificar informações como utilização de máscara, gênero e idade do passageiro.
As imagens da câmera serão controladas por empregados da Trensurb na Estação Mercado. Aqueles que apresentarem alta temperatura corporal devem ser abordados e encaminhados para um teste rápido de Covid-19, feito pela Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre em parceria com a UFCSPA, dentro da própria estação.
Além disso, também devem ser realizados testes aleatórios nos passageiros, buscando contemplar até 10% dos usuários que desembarcam na estação. Caso teste positivo, o passageiro será encaminhado para atendimento médico.
Os testes passarão a ser feitos na Estação a partir de segunda-feira, mas desde ontem as abordagens e orientações já estão sendo realizadas pela SMS e, antes disso, os passageiros que apresentarem sintomas da Covid-19 serão encaminhados para realização de testagem na Unidade de Saúde Santa Marta, próximo À Estação Mercado."
22/06/2021 – Jornal Matinal
Link: https://www.matinaljornalismo.com.br/matinal/newsletter/com-avanco-da-vacinacao-covid-afeta-faixa-etaria-mais-jovem/
"Com avanço da vacinação, Covid afeta faixa etária mais jovem
Enquanto os números da pandemia se mantêm em um patamar alto no Rio Grande do Sul, a face das vítimas mudou. E essa situação fica mais clara com a análise de dados recentes sobre os impactos da Covid-19 nos hospitais: os pacientes – e as vítimas – estão mais jovens, o que pode ser um reflexo do avanço e da eficiência da vacinação, que já provocam “um resultado incontestável”, na opinião do presidente da Sociedade Paulista de Infectologia, Carlos Fortaleza.
O boletim da Secretaria Estadual da Saúde atesta o cenário de rejuvenescimento. Se até fevereiro, a faixa etária que predominava as estatísticas tanto de hospitalizações quanto de óbitos relacionados ao coronavírus era aquela dos que tem a partir de 70 anos, agora é o público entre 50 e 59 anos que está sendo mais afetado. Uma em cada cinco pessoas que morrem de Covid no RS tem essa idade. Além disso, a faixa é a mais hospitalizada dentre os casos confirmados.
“Certamente isso tem relação com a vacinação com duas doses dos idosos, que já impactou em um menor número dessa população em UTI”, afirmou a GZH a coordenadora do grupo de trabalho de enfrentamento ao coronavírus no Hospital de Clínicas, Beatriz Schaan. Ontem, o RS tornou-se o primeiro estado do Brasil a alcançar o índice de 15% da população com ciclo vacinal completo – isto é, com as duas doses já aplicadas. Se considerar a fatia da população vacinável, sobe para 19,1%. Porto Alegre ainda está um pouco na frente, com quase 30% dos adultos tendo recebido as duas injeções.
No entanto, ela faz coro ao alerta de outros especialistas sobre a alta circulação do vírus, algo notado pela quinta alta consecutiva do total de surtos ativos da doença no Estado. Ou seja, o ritmo acelerado da vacinação não deve ser acompanhado de relaxamento nas medidas, como também frisou o professor UFCSPA, Alessandro Pasqualotto, ao Correio do Povo: “Hoje vivo uma fase muito otimista e até o final do ano, vamos superar. Mas até lá muita gente ainda vai sucumbir”."
21/06/2021 – Correio do Povo
Link:https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/porto-alegre-supera-marca-dos-cinco-mil-mortos-por-covid-19-1.641123
"Porto Alegre supera marca dos cinco mil mortos por Covid-19
Número de infectados pelo coronavírus já ultrapassou os 155 mil na Capital gaúcha
Em 24 de março de 2020, Porto Alegre teve a sua primeira morte por Covid-19. A vítima era mulher de 91 anos e estava internada no Hospital Moinhos de Vento. Mas 454 dias depois, a Capital passou a contar mais cinco mil vidas perdidas por esta doença. É como se o município de Brochier, no Vale do Caí, ou de Erval Grande, no Norte do Rio Grande do Sul, simplesmente desaparecesse.
Quando a primeira pessoa morreu na pandemia na Capital, a cidade tinha pouco mais de 100 casos. Mas nesta segunda-feira, além da enorme quantidade de infectados, que já bateu nos 155 mil, mudou também o perfil das vítimas, agora mais jovens, devido ao avanço da vacinação sobre os mais idosos. O que não mudou foi o nível de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que ainda segue num patamar muito alto, acima dos 80%, e portanto, muito suscetível a qualquer aumento súbito de internações.
Até o início da noite desta segunda, Porto Alegre soma 5.004 mortes, o que dá 11 mortes por dia, em média. Mas não se engane. Durante a pandemia, houve dias em que a situação foi dramática, como em 16 de março, quando 65 vidas foram perdidas em um intervalo de 24 horas. A terceira onda de contágios, que coincidiu com os dias de maior mortalidade, também foi um divisor de águas.
Faixa etária
Na comparação deste começo de junho com o mês de janeiro, o percentual de vítimas com idades entre 70 e 79 anos vem dando sinais de redução, com uma queda de 0,27%. No mesmo período, ainda se manteve um crescimento de 1,47% na faixa etária dos 60 aos 69 anos, mas disparou nos adultos com idades dos 50 aos 59 anos, com uma alta de 2,86% na participação dos óbitos. Justamente a faixa etária que ainda não está plenamente imunizada, principalmente os homens, que com 52%, são as maiores vítimas desta pandemia.
"O número é alto e impressiona”, pontua o chefe do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor na Universidade Federal de Ciências de Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Alessandro Pasqualotto. “É lamentável termos essa quantidade de mortes. Lamento por todos que perderam seus entes queridos. Mesmo com esse processo de vacinação, com 53% na primeira fase, a pandemia continua com dados ainda impactantes”, afirmou o secretário de Saúde da Capital, Mauro Sparta.
"Mundo poderia ter feito a diferença"
O infectologista acredita que não apenas Porto Alegre, mas o mundo todo poderia ter feito diferente para evitar um número tão expressivo de vidas perdidas. “Mas o que porto Alegre tinha que ter feito, é ter reconhecido mais cedo a relevância da doença e ter tomado as medidas que realmente previnem a transmissão do vírus, como o distanciamento social, o uso de máscaras e a testagem. Fazendo buscas e testes por suspeitos com a doença. Nós teríamos contido mais as pessoas que estariam espalhando a doença”, avaliou.
Os números sobre a situação da pandemia na Capital têm figurado com diferenças entre o que a Prefeitura e o Governo do Estado divulgam. Hoje, o Município informou 155.948 casos acumulados, mais que os 133.727 reportados pelo Piratini. Em relação aos óbitos, o quadro é oposto, com a Prefeitura contabilizando 4.993 mortes e o Estado, 5.004. “Os hospitais, quando fazem a notificação do óbito, fazem primeiro para a Secretaria Estadual de Saúde e depois para a gente. E nos casos, é porque o Município é notificado antes”, explicou o secretário, que já começa a ver uma luz no fim do túnel, ao observar apenas um terço dos leitos de UTI ocupados por doentes da Covid-19."
21/06/2021 – Veja Saúde - portal
Link: https://saude.abril.com.br/medicina/por-que-as-vacinas-contra-o-coronavirus-tem-efeitos-colaterais-diferentes/
“Por que as vacinas contra o coronavírus têm efeitos colaterais diferentes
Cada imunizante provoca o sistema imunológico de um jeito. Mas todos são seguros e têm como objetivo proteger o organismo contra a Covid-19
Lembra quando diziam que aquela febre depois de determinada vacina é sinal de que ela “pegou”? É sabido que alguns imunizantes provocam mais sintomas que outros, e a história não é diferente em relação aos que protegem contra o coronavírus. Por isso, não é preciso temer as reações causadas por uma vacina ou outra. Conversamos com especialistas para entender essas particularidades.
"O papel das vacinas é justamente provocar um processo inflamatório, fazendo com que o sistema imunológico responda a esse ataque. Esse acontecimento pode ser dolorido ou não, gerar sintomas ou não", resume o biomédico Daniel Bargieri, professor e pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).
Cada pessoa reage de forma distinta às vacinas, e não é possível prever qual terá mais ou menos efeito. Mas há algumas probabilidades.
Uma vacina como a Covishield, da AstraZeneca, por exemplo, pode causar sintomas mais intensos porque foi produzida por meio de um adenovírus, causador de resfriados em humanos. Vale frisar que esse vírus, apesar de teoricamente estar “vivo”, é modificado para não conseguir se replicar. Ou seja, não existe a possibilidade de ele se reproduzir no organismo humano.
A vacina da AstraZeneca recorre a um tipo de adenovírus de chimpanzés – e isso não deve ser encarado como um problema. “Vírus de resfriado são comuns em humanos e chimpanzés. Esses que são utilizados não causam doença nas pessoas”, reforça o professor.
A vacina da Janssen segue a mesma lógica. “Ela usa o adenovírus humano 26, também alterado para não se replicar”, ressalta Daniel. Trata-se do mesmo vetor utilizado na Sputnik Light e na primeira dose da Sputnik V, complementada na segunda dose com o adenovírus 5.
A CoronaVac, do Instituto Butantan, tende a provocar menos o organismo porque é produzida com o vírus morto. “Para que a inflamação ocorra, ele é combinado com um adjuvante, o hidróxido de alumínio. É essa substância que dá o alerta ao sistema imunológico”, ensina Daniel.
Já o imunizante do laboratório Pfizer é feito à base de RNA (ácido ribonucleico), e o nosso sistema imune foi treinado para encará-lo como sinal de perigo. “Nesse caso, a sirene que toca no organismo para informar que uma inflamação está ocorrendo é bem alta”, compara Daniel. Mas esse processo é controlado, isto é, o RNA é modificado para manter a resposta no nível desejado.
A Covaxin, vacina indiana já comprada pelo Ministério da Saúde, promete menos reações, já que sua fórmula é bem semelhante à da CoronaVac. A resposta inflamatória é parte da construção da imunidade e não é preocupante. “A gente começa a perceber esses sintomas em cerca de 24 horas, e eles podem durar até três dias. Depois, quem assume é a resposta adaptativa, que gera uma memória específica do vírus, consolidando-se em cerca de 14 dias”, afirma a imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Vacinas devem provocar menos efeitos no futuro
Embora as vacinas tenham sido desenvolvidas em tempo recorde, é crucial lembrar que houve muita pesquisa antes de cada lançamento. “Nada é descartado. Se o participante do estudo espirrou ou teve uma unha encravada, tudo é investigado”, tranquiliza o pesquisador da USP.
A partir de agora, as farmacêuticas devem focar na produção de vacinas com menos efeitos colaterais. “Nunca tivemos tantas opções para uma doença só. Então, daqui para frente os laboratórios vão se concentrar na redução das reações adversas”, diz Cristina.
A evolução dos imunizantes faz parte da rotina da ciência. “Antes, a tríplice bacteriana, que age contra coqueluche, difteria e tétano, deixava a perna dos bebês dolorida. O médico até pedia para manter a fralda mais solta”, lembra Cristina. Hoje, essa injeção já conseguiu ser modulada para causar menos sintomas na criançada.
"Ainda estamos aprendendo muito com as vacinas. Mas uma certeza nós temos: elas não fazem mal", assinala a imunologista.”
19/06/2021 – Jornal Correio do Povo
Link: https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/mais-de-3-7-mil-pessoas-recebem-a-segunda-dose-da-coronavac-em-mutir%C3%A3o-em-porto-alegre-1.640328
"Mais de 3,7 mil pessoas recebem a segunda dose da Coronavac em mutirão em Porto Alegre
Nos três drive-thrus, foram mais 2.010 doses aplicadas
Um mutirão de vacinação contra a Covid-19 foi realizado neste sábado em Porto Alegre, priorizando a conclusão do esquema vacina com a aplicação da Coronavac. Segundo a prefeitura de Porto Alegre, 3.750 pessoas receberam a segunda dose do imunizante. Nas quatro unidades de saúde que abriram até as 15h, foram aplicadas 1.740 doses. Nos três drive-thrus, foram mais 2.010 doses.
O enfermeiro e responsável pela imunização da D2 da Unidade de Saúde Jardim Leopoldina, Gustavo Scaravonanatti, afirmou que mil doses foram destinadas para o estabelecimento. Scaravonatti contou que foram distribuídas senhas para organizar o atendimento. Até às 10h30min, 200 doses foram aplicadas. “Recebemos reforços de outras unidades de saúde e 25 profissionais trabalharam no sábado”, explica.
A educadora física Sosi Santana, de 40 anos, recebeu a primeira dose em 19 de abril. No dia em que fechou dois meses de atraso, concluiu a imunização. “Estou aliviada porque a gente vê toda a conscientização na mídia, mas não tem vacina para todos”, comentou.
A atendente de farmácia de, Ana Carolina Lima, de 22 anos, que realizou a primeira dose no dia 20 de abril, relata que foi até a unidade de saúde IAPI para tentar a segunda dose, mas não teve êxito. “Graças a Deus eu consegui, é uma preocupação a menos”, destacou.
Drive-Thru
Filas de carros se formaram no drive-thru do Big Sertório. A enfermeira e responsável pela ação, Marilene Lopes Vieira, disse que o movimento no começo da manhã era regular, que já houve dias bem mais intensos. “Nossa expectativa é vacinar duas mil pessoas”, ressaltou. Além dos servidores municipais, acadêmicos da área da saúde da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), integrantes da Farmácia São João e militares do Exército Brasileiro (EB).
O motorista Eliseu Sousa de Britto, de 48 anos, e mais quatro colegas de trabalho receberam a D2. “Estou muito satisfeito”, enfatizou, dizendo que fez a primeira dose em abril. A assistente administrativa Maria Fernanda Gonçalves Vargas, de 19 anos, que também fez a primeira dose em abril, lembra que contraiu Covid-19 em agosto de 2020 e, por isso, a segunda dose tem um sentimento especial. “Gratidão”, definiu.
O técnico de enfermagem Jonas Amaral, de 23 anos, que recebeu a primeira dose em 1º de abril, estava feliz com a finalização do processo. “Tinha procurando em outros postos e não tinha conseguido”, disse.
O mutirão foi realizado pela Secretaria Municipal de Saúde com coordenação da Atenção Primária à Saúde, e apoio da Equipe G, farmácias Panvel, Droga Raia e São João, Exército Brasileiro e Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs). Os locais de vacinação também contaram neste sábado com a atuação voluntária de servidores de diversas secretarias, gabinetes e de outros órgãos da prefeitura.
A iniciativa para a aplicação da segunda dose seguirá neste domingo para as pessoas que receberam a primeira aplicação há mais de 28 dias. A unidade móvel da SMS que estará na Escola Educação Infantil Portal Encantado (rua Jaime Lino dos Santos, 604, Quinta do Portal, na Lomba do Pinheiro), das 9h às 13h. É necessário levar documento de identidade com CPF e carteira com registro da primeira dose no local de vacinação. Não haverá aplicação da primeira dose da vacina AstraZeneca. Será oferecida somente a primeira dose da Pfizer.
Domingo
O quê: Dose 1 Pfizer
Público: Gestantes e puérperas, pessoas com 51 anos ou mais, sem comorbidades; trabalhadores da educação no ensino superior, profissionais da educação infantil, fundamental e médio do ensino municipal, estadual e rede privada e profissionalizante da rede estadual; pessoas com deficiência permanente e comorbidades a partir de 18 anos.
O quê: Dose 2 de Astrazeneca/Oxford
Público: Pessoas que receberam a primeira dose de Astrazeneca/Oxford há mais de 12 semanas.
O quê: Dose 2 Coronavac
Público: Pessoas com D1 há mais de 28 dias.
Onde: Unidade móvel da SMS na Escola Educação Infantil Portal Encantado
Endereço: Rua Jaime Lino dos Santos 604. Quinta do Portal, Lomba do Pinheiro
Horário: 9h às 13h"
16/06/2021 – G1 RS
Link? https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/06/16/estudantes-de-enfermagem-vacinam-os-pais-contra-a-covid-em-porto-alegre.ghtml
"Estudantes de enfermagem vacinam os pais contra a Covid em Porto Alegre
Três colegas de curso puderam imunizar a família no mesmo dia na PUCRS, que aplicou a primeira doses para funcionários nesta semana. E na UFCSPA, uma estudante aplicou a vacina na mãe pelo critério de idade.
A chegada do momento para vacinação contra a Covid foi ainda mais emocionante para quatro famílias de Porto Alegre. Pais e mães puderam receber a imunização contra a doença da próprias filhas, que são estudantes de enfermagem.
Amigas e colegas de classe, Giullia Sisto Poersch, Jennifer Lipert e Brenda Lopes Pereira dividiram esse momento na última segunda-feira (14). Alunas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, elas atuam como voluntárias da vacinação no local.
Ela vacinou o pai Adriano Alves dos Santos Poersch, que atua como vigilante na PUCRS há 8 anos e sempre sonhou com a formação das filhas na universidade.
Já Brenda pôde vacinar a mãe, Carla, contra o coronavírus. "Foi um momento que nenhuma de nós duas esperávamos que pudesse acontecer, mas aconteceu e foi muito emocionante", afirma Brenda.
Carla também atua como vigilante da instituição (veja vídeo abaixo do momento da vacina). E Jennifer pôde imunizar o padrasto, que ela considera pai. O momento foi uma mistura de sentimentos. Ela afirma ainda que na hora conseguiu conter as lágrimas, mas depois acabou chorando: "Foi emocionante".
Vacinação na UFCSPA
A pouco mais de três quilômetros da PUCRS, a estudante do curso de Enfermagem da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Alessandra Luiza Tolentino da Silva teve a felicidade de vacinar a sua própria mãe.
A imunização aconteceu na unidade móvel de vacinação, estacionada na Escola Estadual de Ensino Médio Antão de Faria, no bairro Bom Jesus, no domingo (13).
A mãe de Alessandra, Denize Tolentino da Silva, foi vacinada pelo critério de idade, pois tem 54 anos.
Nesta quarta-feira (16), a campanha de vacinação alcança a faixa etária de 52 anos completos para homens e mulheres na Capital. A imunização será feita em 12 unidades de saúde, das 8h às 17h, e no drive-thru da PUCRS, das 9h às 17h (confira aqui)."
16/06/2021 – GZH
Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/06/sistema-3as-completa-um-mes-com-14-areas-em-alerta-e-dificuldades-para-reverter-crises-regionais-ckpzxqd6l00750180qnopwbai.html
"Sistema 3As completa um mês com 14 áreas em alerta e dificuldades para reverter crises regionais
Em oito regiões, governo do Estado tenta convencer prefeitos a adotarem medidas mais duras para reverter indicadores críticos
Criado às pressas pelo governo do Rio Grande do Sul para viabilizar a volta das aulas presenciais, o sistema 3As de gestão da pandemia completa nesta quarta-feira (16) um mês de aplicação colhendo, por um lado, maior agilidade na análise dos indicadores e, por outro, dificuldades regionais para reverter cenários de crise. Das 21 regiões do Estado, 14 estão em alerta (nível máximo de risco), e oito delas sofrem cobranças do Palácio Piratini para que adotem restrições mais efetivas.
Desde a última sexta-feira (11), o Palácio Piratini passou a cobrar diretamente dos prefeitos medidas mais duras nessas regiões em alerta e que não estão tendo sucesso na reversão da crise sanitária.
— Tivemos, de fato, planos de ação em nível local que não satisfizeram, sob o olhar técnico, diante da gravidade do que a gente observa nas regiões. Por isso, determinei que as nossas equipes se reunissem com os grupos de prefeitos dessas regiões mais críticas. Até aqui, estou satisfeito com o modelo — avaliou o governador Eduardo Leite sobre o primeiro mês do novo sistema.
Já receberam o “puxão de orelha” do Palácio Piratini os gestores das regiões de Cachoeira do Sul, Cruz Alta, Erechim, Palmeira das Missões, Passo Fundo, Santa Rosa e Ijuí. Na sexta-feira (18), será a vez dos prefeitos da região de Caxias do Sul.
No sistema 3As, o governo do Estado foca a sua energia na análise diária dos indicadores, emitindo dois comunicados de risco: os avisos para as regiões com leve piora e os alertas para as zonas de crise sanitária. Diferentemente do modelo anterior, agora a decisão sobre quais medidas adotar para frear o coronavírus cabe aos prefeitos, e não mais ao governador do Estado.
Caso o governo do Estado entenda que alguma das regiões não está dando conta de reverter a crise local, pode aplicar a chamada “intervenção” e retomar o controle sanitário da região. Por ora, o governo do Estado evita trabalhar com esse cenário, que geraria conflito junto aos prefeitos.
— Não trabalhamos com intervenção até que esteja esgotada a possibilidade de entendimento (com prefeitos). Espero que não seja o caso de o Estado intervir — disse Leite.
Ocupação das UTIs acima de 90%
O primeiro mês do sistema 3As se completa com 11 das 21 regiões do Estado com ocupação de unidades de terapia intensiva (UTIs) acima de 90%. Estão no nível crítico as zonas de Cachoeira do Sul, Palmeira das Missões, Passo Fundo, Caxias do Sul, Santo Ângelo, Uruguaiana, Lajeado, Santa Cruz do Sul, Erechim, Santa Rosa e Guaíba. O boletim emitido na tarde desta quarta-feira pelo governo também mostra 19 das 21 regiões com agravamento no indicador semanal de novos casos.
Enquanto o antigo modelo de bandeiras atualizava o mapa de risco uma vez por semana, o atual sistema 3As revisa os indicadores diariamente. Lucia Pellanda, epidemiologista da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), comemora esse avanço na avaliação dos indicadores, mas aponta que o novo sistema não está dando conta de reverter os cenários críticos.
— A qualidade da informação melhorou bastante. Mas isso não está chegando na ponta, na ação. Só a informação, sem ação, não é suficiente para melhorar a realidade. Comparando o sistema 3As a um paciente, é como se fizéssemos um bom diagnóstico mas não fizéssemos nada para tratar o paciente. Em termos de resultados, não estamos vendo uma mudança importante nas regiões com alerta — avalia a epidemiologista.
Lucia também diz que o novo sistema falha na comunicação dos níveis de risco:
— Minha maior preocupação, de novo, é na comunicação. As pessoas não estão se dando conta da gravidade da situação. Praticamente todas as regiões estão no que antigamente seria a bandeira preta. E agora, sem a comunicação por bandeiras, as pessoas pensam que o risco passou. Temos que ver redução de novos casos e de internações.
O infectologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre Alexandre Zavascki alerta que, após um mês de novo sistema, os indicadores seguem em patamar elevadíssimo no Estado. Para ele, um modelo eficiente precisaria ter metas claras de redução de casos.
— O sucesso, entre aspas, do novo sistema foi normalizar os casos e mortes por covid-19 na vida das pessoas. Se pegar qualquer indicador, a gente vai ver que está pior do que os piores momentos de 2020. Lamento esta estabilização em níveis tão ruins. Temos níveis de casos, de hospitalizações e de mortes muito altos. O modelo precisa estabelecer metas, onde quer chegar. E, aparentemente, esse modelo caminha sem uma direção. A única direção é não piorar muito, aparentemente. Vai se mantendo em nível estável e vai se tocando a vida. Parece que estão apostando todas as fichas na vacinação — afirma Zavascki.
Em termos de indicadores estaduais, são mais de 2,5 mil pacientes com covid-19 internados em leitos clínicos. Esse número subiu cerca de 50% desde a metade de maio e, na última semana, dá sinais de recuo."
16/06/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2021/06/nem-dolar-em-alta-freia-a-procura-pelo-turismo-da-vacina-que-tem-pacotes-a-partir-de-r-20-mil-ckpzn1rb6002x0180ospa1oq4.html
"Nem dólar em alta freia a procura pelo "turismo da vacina", que tem pacotes a partir de R$ 20 mil
Procura por passagens aéreas para os Estados Unidos vem crescendo. No país, turistas podem fazer a imunização contra o coronavírus
Com a vacinação contra a covid-19 a passos miúdos no Brasil – em razão da demora na aquisição dos imunizantes e também por conta do atraso no envio das doses –, quem tem dinheiro passou a fazer as malas em busca da imunização. Países que estão com a vacinação mais adiantada e liberada até mesmo para turistas passaram a receber um grande fluxo de brasileiros. Entre as opções mais procuradas estão os Estados Unidos, já que para receber a imunização, o turista não precisa comprovar residência ou qualquer outro elo fixo com a localidade.
Roberto Nedelciu, presidente da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), afirma que a procura por passagens aéreas para o país norte-americano vem crescendo, mesmo com o preço do dólar nas alturas, quando comparado ao real.
— Essa procura é real, diversos associados vêm relatando essa situação ao longo dos meses e pude perceber essa movimentação do turista brasileiro até mesmo na minha empresa. Quem nos procura, geralmente, são pessoas que já se vacinaram, mas que estão preocupadas com os filhos, que por não serem do grupo prioritário, não foram imunizados ainda e estão lá atrás na fila. São pessoas ricas que unem o útil ao agradável. Ou seja, a vacinação e a vontade de viajar — relata.
Nedelciu destaca, contudo, que a compra de um pacote de viagem em direção aos EUA não garante a vacinação. Ele relembra ainda que, para entrar em território norte-americano, os brasileiros precisam passar por uma quarentena de 14 dias em alguma localidade que já tenha acesso livre ao país, visto que os EUA não permitem a entrada de pessoas que tenham passado pelo Brasil 14 dias antes do desembarque.
Por isso, é realizado teste PCR antes de sair do Brasil. Depois, as pessoas fazem quarentena de 15 dias em países como México, República Dominicana, Costa Rica ou outros países do Caribe. Por fim, eles ingressam pela Flórida, pela Califórnia ou por Nova York. Essa viagem, incluindo todas as etapas, parte de valores entreR$ 20 e R$ 25 mil e pode ficar mais cara dependendo dos outros confortos que o turista vai exigir, diz o presidente da Braztoa.
Locais como Rússia, Ilhas Maldivas, San Marino, Romênia também oferecem imunizante aos turistas, diz Nedelciu. Inclusive, um dos postos de vacinação dos viajantes que estão na Romênia fica no "Castelo do Drácula", famoso ponto turístico do país. Para o presidente da entidade, a imunização virou atrativo:
— Eles usam a vacina como ferramenta para atrair turistas. Acredito que não seja um problema porque a dose dessa pessoa aqui no país será dada para outro indivíduo com mais celeridade. Teremos mais pessoas imunizadas e mais rápido.
Aumento da injustiça social
Paulo Leivas, professor de Biotética na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), avalia que a opção de viajar a outro lugar para garantir a vacina não é ilegal, porém ela colabora para o aumento e solidificação da injustiça no Brasil e no mundo. Ele relembra que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a vacina contra o coronavírus um bem público mundial.
— Decorrente disso, podemos entender que ela deve ser um bem de acesso universal. Mas, na medida em que se abre possibilidade para que pessoas ricas acessem as vacinas em outros países, essa declaração cai por terra porque revela ainda mais a desigualdade em que estamos mergulhados — pontua.
Ele ainda complementa:
— Além disso, esse turismo em busca da vacina não impacta nem a camada mais externa da vacinação no Brasil porque o número de pessoas que têm condições de pagar por essa viagem é ínfimo. E os que podem arcar com esse turismo geralmente são os que têm a oportunidade de cuidar da sua saúde, de ficar trabalhando de casa, de diminuírem suas chances de serem infectados, logo, de esperarem por sua vez na fila de vacinação.
Impacto na campanha brasileira
O baque sofrido pelo setor do turismo afetou todos os países do mundo. De acordo com levantamento da Organização Mundial do Turismo (OMT), devido à pandemia, as viagens internacionais registraram uma queda de 70% nos oito primeiros meses de 2020, em relação ao mesmo período de 2019.
Para Aluísio Barros, médico epidemiologista e professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a prática não resolve o problema da imunização no Brasil.
— Essa é uma solução para o turismo dos EUA, não para a vacinação do Brasil porque abrange um punhado de gente abastada que vai para os EUA a trabalho ou turismo. A nossa solução para esse problema, como país, é investir na compra de vacinas e acelerar a imunização por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). O SUS tem seus problemas, mas promove a imunização de maneira muito eficiente há anos. Nós temos a estrutura para acelerar esse processo, mas falta a vacina — avalia.
Outro ponto de atenção, segundo Barros, é o alto índice de prevalência do coronavírus no Brasil. Para isso, ele faz um recorte. Conforme a 10ª fase da Epicovid-19, 18,1% da população gaúcha têm anticorpos contra a covid-19. Isso quer dizer que 80% da população do Rio Grande do Sul está suscetível a contrair a doença:
— O risco de contaminação no Brasil continua alto mesmo para vacinados, isso indica que o perigo ainda ronda. Os imunizados podem não agravar, mas podem ser infectados. Se os vacinados vierem para cá e começarem a forçar uma vida normal, sem uso de máscara e promovendo aglomerações teremos mais um elemento que vai reforçar o período de outro pico de casos em nosso país."
15/06/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/06/vacinacao-de-professores-e-de-funcionarios-nao-deve-alterar-calendario-universitario-a-curto-prazo-ckpydpoa30061018m36v1mvvf.html
"Vacinação de professores e de funcionários não deve alterar calendário universitário a curto prazo
Algumas universidades preveem retomada presencial de parte das atividades quando for finalizado o ciclo vacinal
A pandemia alterou o calendário letivo das universidades, que tiveram as aulas presenciais interrompidas em março de 2020. Desde a semana passada, professores e funcionários de universidades de Porto Alegre e de São Leopoldo passaram a receber a imunização contra o coronavírus.
Porém, a chegada da vacinação não significa, necessariamente, a retomada das aulas presenciais de imediato nas instituições de ensino. Esse é um plano ainda a médio prazo para algumas universidades.
Confira abaixo como ficará o calendário acadêmico em algumas instituições:
UFRGS
Com a imunização de professores e servidores iniciada nesta terça-feira, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) afirmou que “o início da vacinação de profissionais do ensino superior, com a primeira dose, não muda a programação da graduação da UFRGS”.
Afirmou ainda que os planejamentos de ensino para 2021/1 “estão sendo aprovados no formato Ensino Remoto Emergencial (ERE) e as aulas estão previstas para início em 2 de agosto, nesse formato” e seguem até 4 de dezembro.
UFSCPA
A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) informa que, após a segunda etapa de vacinação, prevista para setembro, e o prazo necessário para imunização dos servidores (docentes e técnicos), “devem ser reiniciadas, de forma escalonada, algumas atividades administrativas e acadêmicas”.
Por enquanto, não há mudanças. O atual semestre segue até 18 de setembro. O período 2021/2 terá início no dia 10 de outubro com término previsto para 1º de março de 2022.
Por enquanto, as atividades de estágio dos últimos anos dos cursos de graduação também não sofrem alteração, “pois continuaram a ser realizadas de forma prática mesmo durante o período da pandemia, devido à sua importância para a formação profissional dos estudantes e pelo serviço prestado à sociedade”, afirma a instituição.
E as atividades práticas elencadas como prioritárias pelas coordenações dos cursos de graduação, que foram interrompidas em março deste ano, pico da pandemia no Estado, seguem sendo realizadas por meio de gravações e aulas teóricas continuam de forma totalmente online, no formato EAD emergencial.
PUCRS
Para a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), “a vacinação é uma premissa para ampliar ainda mais atividades presenciais no campus, então, isso deve se confirmar”. Contudo, foi informado que o calendário previsto pela universidade para o semestre corrente se mantém. Porém, foi dado o alerta de que, na semana que vem, será anunciado o modelo de aulas planejado para 2021/2.
No momento, o funcionamento prioriza as aulas teóricas online, dá continuidade às atividades de estágios obrigatórios e práticas para a conclusão de cursos na área da saúde em regime especial, prossegue com as pesquisas relacionadas à covid-19 e as daqueles estudantes que precisam concluir seus cursos e tenham atividades inviabilizadas de maneira remota.
Além disso, segue a retomada das demais práticas assistidas e de laboratórios dos diversos níveis de cursos na área da saúde, estágios e práticas individuais ou em pequenos grupos. Por fim, os serviços de atendimento ficam em regime de plantão.
Unisinos
Segundo Cristiano Richter, diretor da Unidade de Apoio de Operações e Serviços da Universidade do Vale do Sinos (Unisinos), o avanço da vacinação trouxe uma nova perspectiva para a abertura dos campi no segundo semestre:
— Atualmente, estamos com 82% de todos colaboradores vacinados com a primeira dose da AstraZeneca. A perspectiva é termos o esquema vacinal individual completo no início de setembro, o que traz a possibilidade de um incremento gradual das atividades presenciais nos campi ao longo do semestre.
As aulas do período de 2021/2 se iniciam no dia 9 de agosto na Unisinos. O esquema, por ora, permanece o mesmo. Com atividades presenciais em laboratórios e sendo realizadas na sala de aula simultânea, com a opção facultativa para os alunos estarem presentes nos campi ou assistirem de forma remota.
UniRitter
Por meio de nota, a UniRitter informa que "em momento oportuno, avaliaremos e compartilharemos com a comunidade acadêmica as orientações para o próximo semestre". No momento, não há qualquer mudança nos protocolos adotados pela universidade."
14/06/2021 – GZH
Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2021/06/vacinacao-de-homens-de-54-anos-comeca-com-poucas-filas-e-movimento-tranquilo-em-porto-alegre-ckpwq3mr0002k018m0ktz9zp2.html
“Vacinação de homens de 54 anos começa com poucas filas e movimento tranquilo em Porto Alegre
Novo público pode se vacinar em 12 unidades de saúde e no drive-thru da PUCRS. Mulheres da mesma faixa etária e trabalhadores do Ensino Superior também estão sendo imunizados
A abertura da vacinação contra a covid-19 para homens a partir de 54 anos, nesta segunda-feira (14), teve movimento tranquilo e poucas filas durante a manhã em Porto Alegre. Este novo público, além de mulheres da mesma faixa etária, trabalhadores da educação do Ensino Superior e os outros grupos prioritários que já vinham sendo atendidos podem se vacinar em 12 unidades de saúde e no drive-thru da PUCRS até as 17h (veja o serviço abaixo).
No Centro de Saúde IAPI, na Zona Norte, por volta das 8h15min, havia 20 pessoas na fila e o atendimento era rápido. A diarista Maria do Socorro Procedômio da Silva, 48 anos, tem comorbidades e levou 40 minutos para tomar a primeira dose.
— Eu cheguei às 7h50min, e 8h30min já estou saindo feliz e aliviada. Espero que daqui a pouco estejamos todos vacinados — disse.
No único drive-thru em operação nesta segunda-feira, no estacionamento da PUCRS, uma fila de cerca de 40 veículos se formou antes das 9h. Mas, assim que a vacinação teve início, ela diminuiu.
Na Igreja Nossa Senhora da Glória, na Avenida Oscar Pereira, havia 20 pessoas na fila às 10h30min, e o tempo de espera era de 30 minutos. A mesma situação era vista no Centro de Saúde Modelo, na Avenida João Pessoa: fila pequena e tempo de espera entre 30 e 40 minutos.
A Universidade de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UCSPA), a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) optaram por fazer a vacinação nos próprios locais. Para isso, contam com apoio da Secretaria Municipal da Saúde, que fornece vacinas e insumos.
As vacinas oferecidas nas 12 unidades de saúde e no drive-thru são da Oxford/AstraZeneca, para primeira e segunda dose. A da Pfizer também está disponível, segundo a prefeitura, especificamente para gestantes e puérperas — contudo, o imunizante foi aplicado em professores, em alguns locais, durante a manhã.
Já a segunda dose da Pfizer pode ser aplicada em três unidades de saúde (Panorama, Belém Novo e Assis Brasil) por pessoas que receberam a primeira há mais de 21 dias. Não há aplicação de doses da CoronaVac.
Veja os locais de vacinação nesta segunda-feira (14):
Primeira e segunda dose de Oxford/AstraZeneca
Onde: no drive-thru da PUCRS e em 12 unidades de saúde.
Público:
Primeira dose - homens e mulheres com 54 anos ou mais, funcionários e professores de escolas de nível superior, profissionais da educação infantil, fundamental e do ensino médio e profissionalizante das redes municipal, estadual e privada, pessoas com deficiência permanente e com comorbidades a partir de 18 anos.
Segunda dose - pessoas que tomaram a primeira dose do imunizante há mais de 12 semanas
Horários: 9h às 17h no drive-thru; 8h às 15h nas unidades de saúde
Endereços:
Drive-thru da PUCRS - Acesso pela Avenida Ipiranga, 6.681 - entrada ao lado do Museu da PUCRS - Bairro Partenon
US Álvaro Difini - Rua Álvaro Difini, 520 - Bairro Restinga
US Belém Novo - Rua Florêncio Farias, 195 - Bairro Belém Novo
US Camaquã - Rua Professor Dr. Pitta Pinheiro Filho, 176 - Bairro Camaquã
US Glória - Av. Professor Oscar Pereira, 3.229 - Bairro Glória
US IAPI - Rua Três de Abril, 90 - Bairro Passo das Pedras
US Moab Caldas - Av. Moab Caldas, 400 - Bairro Santa Tereza
US Modelo - Rua Jerônimo de Ornelas, 55 - Bairro Santana
US Morro Santana - Rua Marieta Menna Barreto, 210 - Bairro Protásio Alves
US Assis Brasil - Avenida Assis Brasil, 6.615 - Sarandi
US Santa Cecília - Rua São Manoel, 543 - Bairro Santa Cecília
US Santa Marta - Rua Capitão Montanha, 27 - Centro
US São Carlos - Av. Bento Gonçalves, 6.670 - Bairro Partenon
Primeira dose da Pfizer
Público: gestantes e puérperas.
Onde: nas 12 unidades de saúde listadas acima.
Horário: 8h às 17h
Segunda dose da Pfizer
Público: indivíduos que receberam a primeira dose desse imunizante há mais de 21 dias (até 23 de maio)
Onde: em três unidades de saúde (Panorama, Assis Brasil e Belém Novo)
Horário: das 8h às 17h
Endereços:
US Panorama - Rua Rômulo da Silva Pinheiro, s/nº - Bairro Lomba do Pinheiro
US Assis Brasil - Avenida Assis Brasil, 6.615 - Bairro Sarandi
US Belém Novo - Rua Florêncio Faria, 195 - Bairro Belém Novo
Vacinação da população em situação de rua
Onde: Consultório na Rua, no Centro de Saúde Santa Marta (rua Capitão Montanha, 27, térreo, Centro Histórico). Equipes da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) estão fazendo a abordagem a esse público e orientando para a necessidade da imunização.”
13/06/2021 – Jornal do Comércio
Link: https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/especiais/coronavirus/2021/06/796752-porto-alegre-amplia-vacinacao-contra-covid-19-para-homens-de-54-anos-e-outros-grupos-nesta-segunda.html
"Porto Alegre amplia vacinação contra Covid-19 para homens de 54 anos e outros grupos nesta segunda
A prefeitura de Porto Alegre irá ampliar o público que pode se vacinar contra a Covid-19 nesta segunda-feira (14). A primeira dose da vacina estará disponível para homens de 54 anos, que se unem às mulheres da mesma idade na imunização, contempladas desde o último sábado.
A imunização também será estendida a funcionários e professores de escolas de nível superior. O atendimento será realizado por equipes da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) em 12 postos, das 8h às 17h, e no drive-thru da PUCRS, das 9h às 17h.
Veja o serviço completo abaixo.
A imunização segue para profissionais da educação infantil, fundamental e do ensino médio e profissionalizante das redes municipal, estadual e privada, pessoas com deficiência permanente de 18 anos ou mais, pessoas com comorbidades a partir de 18 anos e população de rua.
Documentos - Para receber a vacina, pessoas com 54 anos ou mais precisam apresentar documento de identidade com CPF e comprovante de residência em Porto Alegre. Para profissionais da educação e funcionários, é necessário documento de identidade com foto e CPF, contracheque ou crachá e declaração da instituição ao qual o profissional está vinculado. No caso da segunda dose, precisa levar documento de identidade e carteira de vacinação com registro da primeira aplicação.
A Universidade de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UCSPA), Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) optaram por fazer a vacinação nos próprios locais. Para isso, contam com apoio da SMS, que fornece vacinas e insumos.
As vacinas oferecidas são AstraZeneca (todos os públicos, exceto gestantes e puérperas) e Pfizer, cuja primeira dose está disponível especificamente para gestantes e puérperas. Já a segunda dose de Pfizer pode ser aplicada em três unidades de saúde por pessoas que receberam a dose 1 há mais de 21 dias.
Locais de vacinação nesta segunda-feira, 14:
D1 e D2 da vacina AstraZeneca/Oxford
Público D1: homens e mulheres com 54 anos ou mais, funcionários e professores de escolas de nível superior, profissionais da educação infantil, fundamental e do ensino médio e profissionalizante das redes municipal, estadual e privada, pessoas com deficiência permanente de 18 anos ou mais, pessoas com comorbidades a partir de 18 anos
Público D2: quem tomou a primeira dose há mais de 12 semanas
Onde: Drive-thru da PUCRS
Horário: 9h às 17h
Endereço: Acesso pela av. Ipiranga, 6681 - entrada ao lado do Museu da PUCRS – Partenon
Onde: 12 unidades de saúde
Horário: 8h às 17h
Endereços:
Álvaro Difini - Rua Álvaro Difini, 520 - Bairro Restinga
Belém Novo - Rua Florêncio Farias,195 – Bairro Belém Novo Camaquã - Rua Professor Dr. Pitta Pinheiro Filho, 176 - Bairro Camaquã
Glória - Av. Professor Oscar Pereira, 3229 - Bairro Glória
IAPI - Rua Três de Abril, 90 - Bairro Passo das Pedras
Moab Caldas - Av. Moab Caldas, 400 - Bairro Santa Tereza
Modelo - Rua Jerônimo de Ornelas, 55 - Bairro Santana
Morro Santana - Rua Marieta Menna Barreto, 210 - Bairro Protásio Alves
Assis Brasil - Avenida Assis Brasil, 6615 – Sarandi
Santa Cecília - Rua São Manoel, 543 - Bairro Santa Cecília
Santa Marta - Rua Capitão Montanha, 27 – Centro
São Carlos - Av. Bento Gonçalves, 6670 - Bairro Partenon
D1 da vacina Pfizer
Público: gestantes e puérperas
Onde: 12 unidades de saúde
Horário: 8h às 17h
Endereços: mesmas unidades listadas acima
D2 da vacina Pfizer
Público: pessoas que receberam a dose 1 há mais de 21 dias (até 23 de maio)
Onde: três unidades de saúde (Panorama, Rubem Berta e Belém Novo)
Horário: das 8h às 17h
Endereços:
US Panorama - Rua Rômulo da Silva Pinheiro, s/nº - Lomba do Pinheiro
US Rubem Berta Rua Wolfram Metzler, 675 - Bairro Rubem Berta
US Belém Novo - Rua Florêncio Faria, 195
Comprovação:
Pessoas com comorbidades: atestado médico, laudo médico, prescrição de medicamentos de uso contínuo, de acordo com o agravo.
Pessoas com deficiência (PCD): documento que comprove a deficiência. Além de laudo médico, pode ser cartão de transporte público especial, cartão de estacionamento para PCD.
Gestantes e puérperas com comorbidades: carteira da gestante.
Gestantes e puérperas sem comorbidades: atestado médico.
Gripe - Pessoas que receberam a dose da vacina contra gripe devem aguardar 14 dias para fazer a primeira ou segunda dose da vacina Covid-19. O primeiro dia a ser contado é o seguinte ao da aplicação.
População de rua - A partir desta semana, a vacinação contra a Covid-19 para a população em situação de rua prossegue no Consultório na Rua, que fica no Centro de Saúde Santa Marta (rua Capitão Montanha, 27, térreo, Centro Histórico). Equipes da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) estão fazendo a abordagem e orientando para a necessidade da imunização. É necessário apresentar documento de identificação com foto ou cópia. Caso não tenha, pode informar o nome completo, pois as equipes de saúde pesquisam no sistema o número do CPF ou CNS. O Plano Municipal de Vacinação prevê o total de 3 mil doses em Porto Alegre para esse público."
13/06/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/coronavirus-servico/noticia/2021/06/vacinacao-teve-movimento-tranquilo-neste-domingo-em-porto-alegre-ckpvigmkr0024018mvrp80qan.html
"Vacinação teve movimento tranquilo neste domingo em Porto Alegre
Houve registro de filas somente no início da manhã no único ponto de imunização disponível, a unidade móvel no bairro Bom Jesus
A vacinação contra a covid-19 se deu sem atropelos neste domingo (13) em Porto Alegre. O único local a fazer a imunização foi a unidade móvel de saúde, um ônibus estacionado junto à Escola Estadual de Ensino Médio Antão de Faria (rua Bom Jesus, 505), no bairro Bom Jesus
A vacinação transcorreu entre 9h e 13h e foi aplicada em mulheres de 54 anos ou mais e homens, dos 55 anos em diante. A faixa etária se somou aos grupos que vêm sendo imunizados pela Secretaria Municipal de Saúde: profissionais da educação infantil, fundamental e do ensino médio e profissionalizante das redes municipal, estadual e privada, pessoas com deficiência permanente de 18 anos ou mais e pessoas com comorbidades a partir de 18 anos.
Foram aplicadas 188 vacinas em primeira dose e sete de segunda dose. A imunização foi feita por seis vacinadores e teve também apoio da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), que enviou residentes para ajudar. Muita gente procurou esse único posto, e chegaram a se formar filas no início da manhã, mas o movimento diminuiu depois."
12/06/2021 – GZH
https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/06/especialistas-apontam-razoes-para-aumento-da-mortalidade-por-covid-19-no-estado-ckpu9nb8u001v0180gax5nh26.html
"Especialistas apontam razões para aumento da mortalidade por covid-19 no Estado
Mudança no comportamento da população e o afrouxamento nos protocolos de distanciamento social são tidos como os principais fatores
O avanço da pandemia fez do Rio Grande do Sul um dos locais de maior mortalidade por covid-19 no país. A curva de contágio se acentuou nos últimos meses, levando o território gaúcho para o grupo dos 10 Estados com maior número de mortes por 100 mil habitantes.
Em maio de 2020, o Rio Grande do Sul ocupava o 21º lugar nessa lista, exibindo um controle invejável da circulação do vírus. Atualmente, o Estado é o nono nesse ranking, com 259,15 mortos a cada grupo de 100 mil pessoas.
Se o período de tempo analisado for somente os últimos sete dias, o desempenho é ainda mais triste, com o RS no sexto lugar em mortalidade, com quociente de 7,22 óbitos, atrás apenas de Mato Grosso, Paraná, Goiás, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Os números foram compilados pelo comitê de dados que assessora o governo do Estado.
Especialistas consultados por GZH apontam várias razões para o aumento da mortalidade. A mudança no comportamento da população e o afrouxamento nos protocolos de distanciamento social são tidos como os principais fatores.
— As pessoas cansaram, deixaram de seguir as medidas que a gente propõe. Esse crescimento se deu justamente no final do ano passado, com as férias, quando houve um aumento maciço da mobilidade, com aglomerações. O vírus não viaja, mas pessoas viajam com o vírus. Não sobrou um canto do Estado onde o vírus não tenha circulado mais — afirma o infectologista Eduardo Sprinz, chefe do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
Responsável pelo Epicovid, o maior estudo sobre a disseminação do coronavírus no país, o epidemiologista Pedro Hallal salienta que a estratégia gaúcha para contenção da pandemia funcionou bem enquanto a população respeitou o antigo modelo de bandeiras adotado pelo governo do Estado. A partir do momento em que o Piratini passou a flexibilizar o cumprimento das regras, permitindo aos municípios adotarem protocolos mais brandos, a situação teria piorado.
— Nós vínhamos bem, mas houve a politização do modelo de bandeiras, com a cogestão. Daí a população parou de levar a sério. Se tu perguntasse para alguém na rua sob qual bandeira estava sua cidade, quase ninguém sabia. E também não sabiam a diferença entre uma bandeira vermelha e laranja, por exemplo. Pra piorar, criaram um novo sistema mais permissivo ainda — critica Hallal.
Tal entendimento é compartilhado pela reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lúcia Pelllanda. Médica e epidemiologista, Lúcia diz que as pessoas foram perdendo a percepção dos riscos acarretados pela contaminação. A sucessiva liberação de inúmeras atividades e o comportamento equivocado de celebridades e ídolos da música e do esporte, flagrados em festas e aglomerações, também teriam colaborado para a sensação de que o pior já havia passado. Segundo Lúcia, o avanço da vacinação também provoca a adoção de comportamentos de riscos.
— Vacinação é uma coisa maravilhosa, mas, quando não é feita com a rapidez necessária, traz problemas. Os vacinados se sentem com passaporte liberado para fazer qualquer coisa. Claro que há menos pressão sobre o sistema de saúde, mas há a probabilidade de surgirem novas variantes. Vai cada vez ficando mais difícil controlar a transmissão — explica.
Um dos coordenadores do estudo da vacina de Oxford feito no Estado, Sprinz lembra que a cepa Gama, mais agressiva e contaminante, se disseminou no Estado justamente no período do Carnaval, quando houve grande mobilidade da população. O infectologista diz que o avanço da imunização deve provocar um novo fenômeno nas próximas semanas, sobretudo em Porto Alegre. Com 30% da população da Capital já tendo recebido duas doses, é provável ocorram menos mortes, a despeito de um crescimento no número de casos a partir de uma mobilidade social maior, aponta.
— O vírus vai se especializando. As pessoas geram anticorpos, mas ele acumula mutações, vai evoluindo em função da circulação maior — argumenta o médico.
Veja o ranking da mortalidade
Estado Taxa de mortalidade por covid-19
RO 332,2
MT 320,65
AM 316,77
RJ 304,88
DF 295,93
RR 276,84
ES 276,71
MS 265,06
RS 259,15
SP 255,55
GO 254,52
PR 244,19
SE 232,48
CE 231,11
SC 221,85
AP 207,04
MG 201,19
PB 200,54
AC 1 92,87
TO 190,61
PI 188,77
RN 183,1
PE 174,75
PA 173,43
BA 150,08
AL 148,74
MA 119,74
Fonte: Comitê de Dados"
11/06/2021 – Jornal ZH
Versão Impressa
"Especialistas reagem
Para não usar máscara, precisamos ter menos incidência de casos, menos pessoas internadas. A gente precisa ter a pandemia controlada.
JERUZA NEYELOFF Médica epidemiologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre
A recomendação da OMS e dos especialistas continua a mesma: use máscara. Máscara salva.
PORTAL DRAUZIO Do médico Drauzio Varella
Segura, barata e protege muito. Por que não usar? É um hábito de saúde importante.
LUCIA PELLANDA Médica e reitora da UFCSPA
Se (o ministro da Saúde) deixar de recomendar o uso (de máscara), vai mostrar claramente quem manda na saúde e promove o contágio.
ÁTILA IAMARINO Biólogo e divulgador científico"
11/06/2021 – Jornal do Comércio
Link:https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/geral/2021/06/796568-universidades-gauchas-vacinam-professores-e-colaboradores-das-instituicoes-veja-os-calendarios.html
“Universidades do RS vacinam professores e colaboradores; veja os calendários
Algumas das maiores universidades gaúchas dão início este mês à aplicação das vacinas contra Covid-19 em professores e trabalhadores da educação. Até esta quinta-feira (10), o Rio Grande do Sul já havia aplicado a primeira dose do imunizante em 136,6 mil trabalhadores da área.
A primeira cidade da Região Metropolitana a realizar a vacinação desse grupo foi São Leopoldo. Entre os dias 7 e 8 de junho, 1.382 colaboradores da Unisinos e de outras instituições de ensino superior da cidade receberam a vacina. Por lá, essa etapa da campanha já foi encerrada.
A vacinação contra a Covid-19 dos profissionais da comunidade interna da UFCSPA, em Porto Alegre, começa nesta sexta-feira (11). Docentes, técnico-administrativos, terceirizados, bolsistas de apoio técnico e institucional e estagiários serão vacinados na Praça dos Cubos da universidade (R. Sarmento Leite, 245).
A escala será dividida por faixas etárias para evitar aglomerações no campus. O Grupo 1, formado por pessoas acima de 50 anos, se vacina entre 9h e 10h. As pessoas acima de 40 anos (Grupo 2) devem comparecer ao local entre 10h e 12h.
À tarde (12h – 15h) começa a aplicação das doses em pessoas acima de 30 anos na UFCSPA (Grupo 3). Pessoas entre 18 e 30 anos (Grupo 4) devem se vacinar das 15h às 17h.
Para servidores da universidade, a documentação necessária será crachá ou documento com foto. Para bolsistas de apoio técnico e institucional, estagiários e terceirizados é essencial documento com foto e CPF. A vacina disponibilizada pela SMS é a da Oxford/AstraZeneca.
Como alternativa, também haverá aplicação da vacina no drive-thru da PUCRS, do Barra Shopping e da Sertório. Neste caso, os servidores devem levar comprovação funcional e documento de identidade.
UFRGS inicia vacinação de mais de 6 mil pessoas nesta terça-feira
A partir desta terça-feira (15) até sexta-feira (18), a UFRGS vacinará todos os seus servidores contra a Covid-19. A vacinação será feita das 9h às 16h, na Escola de Enfermagem (Rua São Manoel, 963 – Campus Saúde). No local, haverá aplicação de doses pelo sistema drive-thru e também para as pessoas que comparecerem a pé.
Serão vacinados técnicos administrativos, professores e trabalhadores terceirizados, sendo que a aplicação será organizada por ordem alfabética, conforme escalonamento a ser divulgado pela Superintendência de Gestão de Pessoas (Sugesp) nesta sexta-feira.
Para receberem a vacina, os servidores devem apresentar documento com foto e documento que comprove vínculo (Cartão UFRGS, contracheque ou impressão/print da aba "Vínculos", em "Informações Funcionais" presente no Portal do Servidor). Conforme a superintendente de Gestão de Pessoas da UFRGS, Marília Borges Hackmann, serão imunizados nesta etapa em torno de 1,3 mil trabalhadores terceirizados e 5 mil servidores técnico-administrativos e docentes.
Imunização de profissionais da PUCRS será nos dias 14 e 15 de junho
Na segunda e terça-feira (14 e 15), os colaboradores vinculados às atividades acadêmicas da PUCRS serão vacinados com a primeira dose da vacina contra a Covid-19. A aplicação será feita no hall da Biblioteca, da seguinte forma:
De 46 a 59 anos – dia 14/6, pela manhã;
De 38 a 45 anos – dia 14/6, à tarde;
De 29 a 37 anos – dia 15/6, pela manhã;
De 18 a 28 anos – dia 15/6, à tarde.
Os horários de cada turno serão informados em breve pela universidade. Não serão contemplados os colaboradores com menos de 18 anos ou acima de 60 anos, já considerados no cronograma da SMS. Além disso, quem enviou a carteirinha de vacinação à Gerência de Gestão de Pessoas (GePes), ou informou que já recebeu a 1ª dose, também não será vacinado.
No dia e turno correspondente à aplicação da vacina para a sua faixa etária, o colaborador deverá comparecer ao hall da Biblioteca levando o seu crachá e o documento de identidade – esses serão os documentos necessários para garantir a 1ª dose. Caso o colaborador não compareça na data da aplicação para a sua faixa etária, não haverá segundo momento para aplicação da 1ª dose na PUCRS. Quem não puder comparecer, deverá seguir as orientações do seu município para vacinação, conforme calendários municipais de imunização estipulados.”
10/06/2021 – Sul 21
https://www.sul21.com.br/ultimas-noticias/coronavirus/2021/06/vacinacao-em-universidades-de-porto-alegre-comeca-pela-ufcspa-nesta-sexta-feira-11/
Vacinação em universidades de Porto Alegre começa pela UFCSPA, nesta sexta-feira (11)
A Universidade Federal de Ciências da Saúde (UFCSPA) será a primeira das principais instituições de ensino superior de Porto Alegre a vacinar seus funcionários contra a covid-19. A imunização vai acontecer nesta sexta-feira (11) e será dividida por faixas etárias, entre 9h e 17h, para evitar aglomerações no campus. Docentes, técnico-administrativos, terceirizados, bolsistas de apoio técnico e institucional e estagiários poderão se vacinar, de acordo com a escala divulgada pela UFCSPA.
A Universidade Federal de Ciências da Saúde (UFCSPA) será a primeira das principais instituições de ensino superior de Porto Alegre a vacinar seus funcionários contra a covid-19. A imunização vai acontecer nesta sexta-feira (11) e será dividida por faixas etárias, entre 9h e 17h, para evitar aglomerações no campus. Docentes, técnico-administrativos, terceirizados, bolsistas de apoio técnico e institucional e estagiários poderão se vacinar, de acordo com a escala divulgada pela UFCSPA.
Já a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) confirmou nesta quinta (10) que irá imunizar a partir da próxima terça-feira (15) todos os seus servidores contra a covid-19. Serão vacinados técnicos, professores e trabalhadores terceirizados. A aplicação será organizada por ordem alfabética, conforme escalonamento a ser divulgado pela Superintendência de Gestão de Pessoas (SUGESP) na sexta (11). Para receberem a vacina, os servidores devem apresentar documento com foto e cartão da universidade.
Conforme a superintendente de Gestão de Pessoas da UFRGS, Marília Borges Hackmann, serão imunizados nesta etapa em torno de 1.300 trabalhadores terceirizados e 5.000 servidores técnicos e docentes. “Estamos ultimando a listagem única com base nas informações recebidas pelas unidades, excluindo da lista aqueles servidores que já receberam alguma dose de imunizante. No primeiro dia, estimamos vacinar cerca de 1.000 pessoas”, informou.
O atendimento será das 9h às 16h, na Escola de Enfermagem (Rua São Manoel, 963 – Campus Saúde). No local haverá aplicação de doses pelo sistema drive-thru e também para as pessoas que comparecerem a pé.
Em reunião na manhã desta quinta com a presença de representantes das universidades e do coordenador da Vigilância em Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter, o superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUCRS, Luis Audy, informou que, na instituição, a vacinação deve ocorrer nos dias 14 e 15 de junho, e imunizar cerca de 2,7 mil pessoas.
10/06/2021 – GZH
https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/06/mascara-ainda-e-importante-para-ajudar-a-controlar-pandemia-no-brasil-dizem-especialistas-ckprmdalv00d2018020fpddv7.html
"Máscara ainda é importante para ajudar a controlar pandemia no Brasil, dizem especialistas
Mesmo que país tenha alta taxa de contágio, presidente manifestou intenção de fazer com que o acessório deixe de ser obrigatório para vacinados e pessoas que já tiveram a doença
A máscara deve continuar no rosto dos brasileiros mesmo que o país esteja avançando na vacinação contra a covid-19. Para especialistas, o Brasil ainda não vive um cenário tranquilo na pandemia, com poucos casos de contágio e muitas pessoas imunizadas, como os Estados Unidos, onde a obrigatoriedade do acessório foi retirada, conforme deseja fazer o presidente Jair Bolsonaro.
Em cerimônia nesta quinta-feira (10), Bolsonaro informou que pediu ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para assinar um parecer desobrigando a máscara para quem se vacinou ou já foi contaminado pelo coronavírus. Em ambos os casos, segundo a médica epidemiologista Jeruza Lavanholi Neyeloff, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, o acessório ainda é importante, pois o Brasil segue registrando uma alta taxa de contágio. Nos Estados Unidos, a obrigatoriedade caiu em maio para algumas situações, depois de os americanos virem a incidência de casos despencar.
— Os Estados Unidos têm registrado menos de 50 casos a cada milhão de pessoas por dia. Baixou muito. Isso dá liberdade para tirar medidas de proteção. Nós, no Brasil, temos uma incidência maior de casos. Temos cerca de 300 novos casos por milhão de habitantes por dia. É cinco vezes mais casos por dia do que os Estados Unidos. Ainda precisamos de todas as medidas de proteção e ainda não é o momento de liberar — pontua.
Bolsonaro nunca escondeu sua contrariedade com a máscara. Diversas vezes foi criticado por circular sem o acessório mesmo em eventos públicos, com aglomeração. Em julho do ano passado, no entanto, sancionou, com vetos, uma lei que tornou o item obrigatório em ruas e lugares públicos, inclusive no transporte coletivo.
Se usada corretamente, a máscara reduz em 87% a chance de contaminação pelo Sars-CoV-2, segundo um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre (SMS).
Médica epidemiologista que participou dos testes, a professora e reitora da UFCSPA Lucia Pellanda diz que o acessório ainda é fundamental porque as infecções estão em um patamar elevado e não temos um número alto de imunizados. No Brasil, 23,3 mil pessoas já tomaram as duas doses da vacina contra o coronavírus, ou seja, 11,1% da população. Nos Estados Unidos, são 43%.
Lucia gosta de fazer uma certa analogia para explicar como a vacina contra a covid-19 funciona em um momento em que a pandemia ainda não foi controlada:
— Se tu vais comprar uma camiseta que custa R$ 10 e o desconto é de 50%, a camiseta vai custar R$ 5. Agora, se tu comprares uma camiseta de R$ 1 mil com o mesmo desconto de 50%, mesmo assim ela vai ficar muito cara. Uma camiseta caríssima mesmo com um superdesconto. A vacina é como um desconto, ela reduz o risco. Só que a gente está num preço muito alto, em que, mesmo com o desconto, temos um risco grande de contágio.
Símbolo de proteção de uma doença que mudou o mundo no último ano, a máscara só deve ser deixada de lado quando houver um equilíbrio entre muitos indicadores.
— Para não usar máscara, precisamos ter menos incidência de casos, menos pessoas internadas. A gente precisa ter a pandemia controlada. Não tem como prometer para a população que será com tal número de vacinados. A gente tem que olhar para os dados. Reduziu casos, número de internados, temos leitos nos hospitais? Vamos começar a levantar restrições para ver se conseguimos manter a pandemia sob controle, e não ao contrário, levantar as restrições e torcer para os casos não subirem — frisa Jeruza.
Vacinados podem circular sem máscara? E quem já pegou coronavírus?
Quem já tomou as duas doses da vacina precisa seguir usando a máscara porque ainda tem chance de se contaminar e de passar o vírus adiante, mesmo que o risco seja baixo, lembra Jeruza:
— O risco dessa pessoa se contaminar é muito menor com a vacina porque a vacina funciona. Só que, como temos muitos casos circulando ainda, muitos infectados, mesmo que essa pessoa tenha risco reduzido, ainda não é zero.
Achar que vai se livrar do vírus porque já se contaminou uma vez é uma ilusão, dizem as duas médicas. A máscara, para o grupo dos que já pegaram a doença, mas não se vacinaram, é ainda mais importante do que para quem já tomou as duas doses.
— Segura, barata e protege muito. Por que não usar? Tem culturas, principalmente na Ásia, em que qualquer pessoa com sintoma de doença já põe a máscara para proteger os outros. É um hábito de saúde importante — reflete Lucia."
10/06/2021 – GZH
https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/06/queremos-que-seja-o-mais-rapido-possivel-mas-precisamos-vacinar-a-populacao-diz-queiroga-sobre-desobrigacao-de-mascaras-ckprhfnqx00bm0180qhm426x3.html
"Queremos que seja o mais rápido possível, mas precisamos vacinar a população", diz Queiroga sobre desobrigação de máscaras
Ministro afirmou que medida é estudada por sua equipe
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse nesta quinta-feira (10) que realizará um estudo para analisar se o uso de máscara pode ser desobrigado para pessoas vacinadas contra covid-19 ou que já tenham contraído o vírus. O pedido, de acordo com o ministro, partiu do presidente Jair Bolsonaro que, mais cedo, afirmou que Queiroga assinaria um parecer liberando a utilização do equipamento para esse grupo.
— Queremos que (a liberação das máscaras) seja o mais rápido possível, mas precisamos vacinar a população — afirmou o cardiologista à CNN.
Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre (SMS) apontou que o uso de máscaras reduz em 87% a chance de ser infectado pelo SARS-CoV-2.
Em evento em Brasília, na tarde desta quinta, Bolsonaro afirmou:
— Acabei de conversar com o (ministro da Saúde) Queiroga e ele vai ultimar um parecer visando a desobrigar o uso de máscara por parte daqueles que já foram vacinados ou que já foram contaminados, para tirar essa... Esse símbolo que, obviamente, tem a sua utilidade, para quem está infectado.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou que, no atual contexto de grande circulação da covid-19 em muitos países, mesmo os vacinados contra o vírus devem manter os cuidados recomendados, como uso de máscaras e distanciamento social. Diretora do Departamento de Imunização, Vacinas e Biológicos da OMS, Kate O'Brien, lembrou que nenhuma das vacinas disponíveis é 100% eficaz.
Além disso, ela comentou que os vacinados podem desenvolver apenas casos leves da doença, mas ainda assim contaminar outras pessoas:
— Não sabemos o quanto as vacinas protegem da infecção contra a covid-19.
O'Brien advertiu que, quanto mais o vírus circular, maior o risco de surgirem cepas resistentes a alguma vacina."
10/06/2021 – GZH
https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/geral/noticia/2021/06/chegada-do-inverno-acende-alerta-para-doencas-respiratorias-em-caxias-ckprcw1ue004e018mrxbzkzql.html
"Chegada do inverno acende alerta para doenças respiratórias em Caxias
Em abril e maio, atendimentos de crianças com doenças respiratórias nas UBSs da cidade aumentaram 170% em comparação com 2020
A chegada do inverno no próximo dia 21 reforça um alerta para as famílias: a estação mais fria do ano traz consigo o período mais crítico para doenças respiratórias, principalmente, entre crianças. Neste ano, a preocupação é ainda maior diante da retomada das aulas presenciais em todas as esferas do ensino básico e a propagação do coronavírus, que continua lotando leitos em hospitais da região, e outras doenças.
Para profissionais da área de saúde, 2020 foi um ano atípico de atendimentos infantis relacionados a doenças virais, em sua maior parte, respiratórias. Uma das hipóteses para a redução de procura em serviços públicos e particulares está relacionada ao fechamento das escolas e, por consequência, a permanência das crianças em casa. Ou seja, em resumo: menos circulação, menos contágio.
Dados da Secretaria Municipal da Saúde de Caxias do Sul revelam que a procura por atendimentos de doenças respiratórias nas unidades básicas de saúde (UBSs) aumentou mais de 170%, comparando-se os meses de abril e maio de 2020 com o mesmo período deste ano. O levantamento leva em consideração consultas para crianças de 0 a 12 anos. Em abril e maio de 2020, foram registrados 855 atendimentos deste tipo. Já no mesmo período deste ano, as consultas de crianças até 12 anos por doenças do aparelho respiratório chegaram a 2.312.
Não é somente no sistema público que o aumento de atendimento foi percebido. O pediatra Marcelo Saldanha, que atende em consultório particular de Caxias, também notou maior procura entre os seus pacientes no último mês, principalmente, após a volta das crianças para as escolas. Ele comenta que 2020 foi um ano totalmente fora do padrão de internações infantis:
— Estou há mais de 25 anos em UTI pediátrica e ano passado foi totalmente atípico, o inverno mais calmo que eu já vi. Isso se deve pelo distanciamento social, não teve escolinha aberta, as escolas fundamentais estavam fechadas. A gente até brincava que os plantões eram moleza porque não havia crianças internadas por doenças respiratórias. Acontece que o inverno é um período que nós esperamos com intensa atividade, com muitas crianças graves e lotação de emergências e UTIs pediátricas. Agora, esse ano já está entrando num padrão normal, como sempre foi. Em abril, já começaram as doenças respiratórias. E, sem dúvida, o retorno das escolas está intensificando os casos de doenças respiratórias entre crianças. Na minha cartela de mais de 2 mil pacientes, aumentou muito a quantidade de doentes, com sintomas de resfriados — avalia o médico que também atende as UTIs pediátricas do Hospital Geral e do Círculo.
Embora tenha notado o aumento da procura por atendimento nesse último mês, Saldanha revela que os casos graves de doenças respiratórias ainda são em baixo número. Ele também não vê um cenário de lotação de emergências e UTIs pediátricas por conta de casos de covid-19. Segundo o médico, o mais preocupante, na sua opinião, são os outros vírus já conhecidos.
— Notei que houve mais infecção por covid nos meses de abril e maio. Só que as crianças não costumam fazer um quadro grave. Elas cursam, geralmente, como uma doença respiratória mais leve. Mas eu acho que a covid não vai mudar seu padrão nas crianças nesse inverno. Pode ser que seja mais lesivo, sim, mas não neste momento. O que a gente já sabe é que vai ser um inverno típico e o que, provavelmente, vai incomodar mais as nossas crianças são as doenças respiratórias habituais, como a bronquiolite, o adenovírus e os (vírus) influenza, que tradicionalmente lotam nossos atendimentos no inverno — explica o pediatra.
Janelas abertas são desconfortáveis, mas necessárias
Entre os protocolos firmados e documentados pelas secretarias estaduais de Saúde e Educação para a volta às aulas presenciais, estão a obrigatoriedade de uso de máscara para trabalhadores e alunos (exceto situações específicas como para crianças menores de dois anos), distanciamento entre os estudantes nas salas de aula, além da higienização mãos e ventilação dos ambientes.
São justamente essas as medidas principais que a médica e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda, acredita serem as mais importantes para evitar novos picos de contágio a partir da permanência do ensino presencial:
_ Sabemos que é frio e pode ser um pouco desconfortável, mas é fundamental manter os ambientes bem ventilados. A principal forma de transmissão da covid-19 é respiratória, assim, as três principais formas de prevenção são a máscara bem ajustada, o distanciamento e a ventilação dos ambientes. A ocorrência de novas ondas de contágio também vai depender do comportamento das pessoas — avalia Lucia.
Diante da orientação de manter portas e janelas abertas para circulação do ar, o pediatra Marcelo Saldanha explica que os pais devem agasalhar as crianças para manter o conforto térmico:
— Nos períodos que as crianças não estão na escola a orientação é não expô-las ao frio e, quando forem à aula, que sejam bem agasalhadas — orienta o médico.
Família da pequena Maitê teve que testar para covid-19 após resfriado
Logo que Maitê, de um ano e oito meses, voltou para a escolinha, em maio, sofreu com um resfriado. O quadro, felizmente, não evoluiu para uma complicação mais grave, mesmo assim deixou a mãe dela, a consultora de imagem Juliana Monjardim, apreensiva.
— Mesmo sabendo que isso aconteceria, a gente está vivendo em uma pandemia e o medo da covid sempre estará presente. Logo que ela apresentou os primeiros sintomas, eu informei a escola e deixei ela em casa para observar. Como eles persistiram, resolvemos fazer o teste em todos aqui em casa e, de fato, era só um resfriado, todos testamos negativo — explica Juliana.
A consultora de imagem diz que sentiu que a instituição que Maitê frequenta estreitou ainda mais os laços com as famílias para monitorar possíveis casos de resfriados e viroses e proteger as demais crianças. Natural do Rio de Janeiro, ela também não tem rede de apoio na cidade, por isso, precisou optar pelo retorno da filha à escolinha.
— Vejo a escola fazer tudo o que é possível e necessário para proteger as crianças e seus funcionários. Senti a necessidade de matricular a Maitê, primeiramente, para o desenvolvimento dela. Em um segundo momento, pesou muito o fato de não termos nenhuma rede de apoio em Caxias, somos do Rio de Janeiro e estamos sozinhos aqui. Era bem exaustivo dar conta de tudo sozinha com ela, pois o meu marido é atleta e fica muito tempo fora de casa. Eu precisava ter tempo de qualidade nas minhas funções. Acho que fizemos a melhor escolha e essa resposta vem através dela que mudou completamente com a rotina de escola — conta Juliana.
DICAS PARA PROTEGER SEU FILHO
- Oferecer alimentação saudável para as crianças.
- Manter o aleitamento materno até os dois anos ou mais.
- Evitar aglomerações familiares e não expor as crianças ao contato com pessoas resfriadas.
- Melhorar os hábitos de vida da família, como ter um bom período de sono e hidratação adequada.
- Crianças e bebês, principalmente, não devem ter contato com a fumaça de cigarro.
- Higienização das mãos com água e sabão antes de tocar no bebê.
- A bronquiolite é uma doença com sintomas como tosse, congestão nasal, dificuldade respiratória, chiado no peito e febre. Pais e responsáveis devem ficar atentos a esses sinais."
09/06/2021 – Jornal do Comércio – Programa Direto ao Ponto
https://www.correiodopovo.com.br/podcasts/direto-ao-ponto/entenda-o-que-%C3%A9-fungo-preto-e-sua-rela%C3%A7%C3%A3o-com-a-covid-19-1.634190
"Entenda o que é "fungo preto" e sua relação com a Covid-19
Enfermidade tem alta letalidade e acomete principalmente pacientes com baixa imunidade
A mucormicose, uma doença provocada por um fungo, causou uma explosão de casos na Índia, sobretudo em pacientes com Covid-19, e já registra diagnósticos em diversos outros países, dentre eles o Brasil. Até o momento, Pernambuco e Rio Grande do Norte possuem pacientes com o "fungo preto", como popularmente é chamada a enfermidade. Além da alta letalidade que pode chegar até 70%, o fungo provoca casos de mutilação. Nesta quarta-feira, a Secretaria de Saúde afirmou que não há registro de mucormicose no Rio Grande do Sul.
O Direto ao Ponto desta quarta-feira vai explicar o que é o "fungo preto" e sua relação com a pandemia de coronavírus. Para isso, conversamos com o Alessandro Pasqualotto, médico infectologista e professor da UFCSPA, e com a Kelly Ishida, professora e pesquisadora líder do Laboratório de Quimioterapia Antifúngica no Departamento de Microbiologia da USP."
09/06/2021 – Jornal ZH
Versão impressa
"O que se sabe sobre as vacinas Sputnik V, Covaxin e GSK
Doses russas e indianas serão distribuídas no país. Fórmula de companhias canadense e britânica vai realizar estudos no Brasil
Zero Hora9 Jun 2021MARCEL HARTMANN* Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Primeira vacina do mundo autorizada para uso contra covid-19, a russa Sputnik V recebeu liberação parcial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), na última sexta-feira, para ser distribuída sob condições específicas e em quantidade limitada em seis Estados (Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí e Sergipe). Poderão ser importadas doses para 1% da população de cada um dos Estados, totalizando 928 mil vacinas, incluindo a segunda aplicação.
Hoje, a Sputnik V é usada em mais de 60 países. A temperatura de armazenamento necessária é de -18ºc, mas, durante a aplicação da vacina, as doses podem ficar entre 2ºc e 8ºc, tal como para a vacina da Pfizer. Os ensaios de fase 3 estão sendo realizados em Emirados Árabes Unidos, Índia, Venezuela e Belarus, segundo o fabricante, o Instituto Gamaleya.
O imunizante usa tecnologia de vetor viral, que insere um pedacinho do coronavírus dentro de um adenovírus (vírus de resfriado), que funciona como vetor (veículo de carregamento) para ensinar o sistema imune a se proteger contra o Sars-cov-2. No caso da Astrazeneca e da Janssen, é um adenovírus humano e, na Sputnik V, dois adenovírus diferentes.
Quando o sistema imune identifica o pedacinho de coronavírus e o adenovírus que funciona como vetor, as células de defesa atacam ambos os invasores, o que em última instância reduz a eficácia da vacina. A Sputnik V usa um vetor diferente em cada dose (chamados de D-26 e D-5) para que, na segunda aplicação, o sistema imune não tenha tanta força para atacar o adenovírus – essa sacada parece estar ligada à maior eficácia do imunizante russo, acima de 90%. – Sabemos que o corpo pode realizar uma resposta contra o vetor adenoviral. A combinação de dois diferentes pode ser uma estratégia para minimizar isso – afirma a biomédica Mellanie Fontes-dutra, coordenadora da Rede Análise Covid-19.
Distribuição
Também aprovada de forma excepcional, na sexta-feira, a vacina indiana Covaxin, que poderá ser distribuída pelo país sob condições específicas e em quantidade limitada: 4 milhões de doses – o suficiente para 2 milhões de brasileiros.
Ainda não há data para a chegada deste primeiro lote, importado diretamente do laboratório Bharat Biotech, da Índia. Se for seguida a regra de distribuição que ocorre até agora, o Rio Grande do Sul receberá cerca de 120 mil doses para 60 mil gaúchos.
A Covaxin já havia tido solicitação de uso emergencial negada em março pela Anvisa, mas o órgão alegou, à época, falta de dados e ausência de certificado de boas práticas na fabricação.
Segundo a agência reguladora, as condições de produção melhoraram, conforme atestou visita de inspetores no laboratório na Índia, o que ajudou na liberação parcial das 4 milhões de doses. Contou a favor, também, a liberação para que a Bharat Biotech conduza estudo de fase 3 no Brasil – o que ocorrerá em São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Bahia. Ainda assim, a Anvisa fez série de ressalvas, como a exigência de que os lotes a serem enviados passem pelo controle de qualidade brasileiro.
Mais de 12 países utilizam a Covaxin, aplicada em quase 25 milhões de pessoas, segundo o laboratório Precisa Medicamentos, representante do Instituto Bharat Biotech no Brasil baseado em Barueri, interior de São Paulo.
A Covaxin usa o coronavírus inativado, assim como a Coronavac.
Sabemos que o corpo pode realizar uma resposta contra o vetor adenoviral. A combinação de dois diferentes pode ser uma estratégia para minimizar isso.
MELLANIE FONTES-DUTRA Doutora em Neurociências sobre o imunizante russo e já se mostrou efetiva contra a variante britânica. A eficácia e a segurança foram testadas em grande estudo feito na Índia.
Os resultados de segurança de ambas as vacinas foram publicados em revista de prestígio, mas a imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e integrante do comitê científico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), estranha a aprovação parcial por parte da Anvisa:
– Quem decide se a fabricação está nos padrões aceitáveis do Brasil é a Anvisa. E isso a Anvisa ainda não fez. Ela parece ter sofrido pressão forte para aprovar.
Questionado por GZH, o Ministério da Saúde afirmou por meio de nota que está em contato com governadores e com os laboratórios fabricantes das vacinas Covaxin e Sputnik. O governo ressalta que “as vacinas são seguras e eficazes, no entanto, esses imunizantes serão usados de forma mais restrita e monitorados, seguindo as recomendações da Anvisa”.
O Ministério da Saúde também se colocou à disposição dos Estados para elaborar estudos de efetividade e acompanhar as pessoas que receberem esses imunizantes. “Em breve, a pasta fará uma reunião com os gestores estaduais para discutir os próximos passos para aplicação da Sputnik. Quanto à Covaxin, a pasta está em contato com o laboratório para agilizar a importação e o cronograma de recebimento das doses”, diz o texto.
A Secretaria da Saúde (SES) do Rio Grande do Sul não respondeu aos questionamentos de GZH sobre o impacto da aprovação da Sputnik V e da Covaxin para a vacinação no Estado e se o governo gaúcho aproveitará a liberação para o consórcio de governadores do Nordeste para solicitar, também, a importação da Sputnik V."
07/06/2021 – GZH
Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/06/teste-apos-a-vacina-contra-a-covid-19-o-que-voce-precisa-saber-antes-de-realizar-qualquer-testagem-ckpinmo2n005u018mi01tev7t.html
"Teste após a vacina contra a covid-19? O que você precisa saber antes de realizar qualquer testagem
Especialistas e entidades médicas não recomendam fazer os exames
Usados largamente para indicar a infecção pelo coronavírus ou o contato prévio com ele, os testes disponíveis no mercado têm ganhado outro viés. Recentemente, algumas pessoas com o esquema vacinal completo contra a covid-19 têm lançado mão dessa estratégia para, supostamente, atestar o potencial protetor dos imunizantes. O que especialistas ouvidos por GZH afirmam, porém, é que esses exames são desnecessários neste momento. Contudo, testes adequados para este fim podem avaliar a resposta pós-vacina.
Uma das razões para não se fazer um teste é que eles usam um antígeno diferente daquele que está disponível na vacina. Acontece que a maioria dos exames foi desenvolvida para identificar a proteína N do coronavírus, e não a S, que é a que está presente em grande parte dos imunizantes.
A proteína N é aquela que está dentro do vírus e que enrola o RNA viral. Já a proteína S está na superfície. Para infectar uma pessoa, é necessário que a proteína S se ligue à célula humana. A escolha pela proteína N se deu porque é mais fácil e barato de produzir testes com ela, explica o médico e doutor em biotecnologia Fernando Kreutz, professor licenciado da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e diretor-técnico da Imunobiotech.
— A N me dá a informação se a pessoa entrou em contato com o vírus ou não. Todas as vacinas foram desenvolvidas com alvo na S. Eu ter anticorpos contra a N não me protege em nada. Anticorpos protetores são, obrigatoriamente, contra a proteína S, que é a que se liga na nossa célula — justifica.
Kreutz, também aponta que a eficácia das vacinas está correlacionada diretamente com a quantidade de anticorpos gerados contra a proteína S. As vacinas com maior eficácia produzem quantidades maiores de anticorpos.
A imunologista Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro do comitê científico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), dá um exemplo:
— Se compararmos uma pessoa que fez a (vacina) CoronaVac com outra que fez a Pfizer, veremos que quem tomou a segunda fez muito mais anticorpo para a proteína S, pois o imunizante só a usa. A CoronaVac utiliza o vírus inteiro, e a gente ainda não sabe o que protege mais desse imunizante: se é "essa célula" ou "esse anticorpo".
Isso significa que nosso sistema imunológico é muito complexo e não reage ao "invasor" apenas por meio de anticorpos (a chamada imunidade humoral), podendo haver, também, uma resposta celular. No caso da CoronaVac, como explicou Cristina, esse mecanismo de proteção ainda não é conhecido. Portanto, medir anticorpos, com os testes disponíveis no mercado, ainda não apresenta resultados fidedignos.
— Nesse momento, o grande interesse em pesquisa é descobrir quais são os correlatos de proteção, ou seja, o que a pessoa efetivamente vacinada tem que a protege — afirma Fernando Spilki, professor da Universidade Feevale.
Kit de detecção
Embora os testes rápidos ou sorológicos não sejam recomendados para pessoas pós-vacina, Kreutz destaca que um ensaio foi feito exatamente para essa finalidade: o ImunoScov19, que usa como alvo a proteína S total. O exame pode ser feito em casa com uma amostra de sangue colocada em um papel filtro — aos moldes do teste do pezinho — que é remetido ao laboratório. Além de identificar a proteção, o teste ainda consegue quantificar a resposta imune. Para isso, foi criado um valor de referência com base no perfil de resposta de pessoas recuperadas da covid-19.
— Atribuímos valores aos pacientes que tiveram covid-19 e se recuperaram. Assim, definimos unidades. Quando eu faço uma vacina, espero atingir esse nível compatível com a imunidade pós-covid. Tem que testar, mas com o teste correto — argumenta o pesquisador, responsável pelo desenvolvimento do exame. — Além disso, temos observado que alguns pacientes pós-vacina não desenvolvem o nível de resposta humoral (anticorpos) esperado. Precisamos avaliar o que fazer com estes pacientes — afirma Kreutz.
A testagem pós-vacina é algo que já foi utilizado em outras doenças como por exemplo a Hepatite B, completa o especialista.
Em contrapartida, a docente da UFCSPA refuta a ideia da testagem. Para ela, o sucesso do processo de vacinação é conquistado pelo coletivo, e não o individual, a exemplo do que foi visto no município de Serrana, em São Paulo. Por lá, 75% da população tomou as duas doses da CoronaVac, que resultou em uma queda de 95% das mortes, 86% das internações e 80% dos casos sintomáticos.
— Se fosse assim que a gente estudasse a imunidade das pessoas para a vacina, cada vacinado precisaria medir o Igg e diríamos: "tu estás protegido, tu não estás, tem que vacinar de novo". Mas não é assim. A proteção é vista na população. Estamos vendo o que a Organização Mundial da Saúde previu há um ano: uma vacina com eficácia de 50% e, se 70% da população for imunizada, a pandemia é controlada — defende.
Cuidados permanecem
Spilki acrescenta dois aspectos que também precisam ser levados em conta antes de fazer um teste após a vacina. Primeiro, é que um resultado negativo pode gerar a falsa sensação de insegurança. Por outro lado, um possível positivo pode trazer uma segurança exacerbada.
— Então, não há grande utilidade em fazer esses testes nesse momento. Ele não é definidor de nenhuma situação. O mais importante é tomar as duas doses do imunizante, isso está muito claro, e a continuar tomando os mesmos cuidados. Como nossa cobertura vacinal é baixa, usar máscara e evitar aglomerações.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, da sigla em inglês) não recomenda a testagem de pessoas completamente vacinadas e sem sintomas mesmo após a exposição a um indivíduo com covid-19. Segundo Kreutz, isso ocorre justamente em razão de os testes detectarem a proteína N sem conseguir quantificar a resposta imune.
A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) também emitiu, em março deste ano, uma nota técnica desaconselhando a realização de sorologia para avaliar a resposta imunológica às vacinas.
No texto, assinado pelos médicos Mônica Levi e José Eduardo Levi, sublinham que "A complexidade que envolve a proteção contra a doença torna desaconselhável a dosagem de anticorpos neutralizantes com o intuito de se estabelecer um correlato de proteção clínica, pois certamente não se avalia a proteção desenvolvida após vacinação apenas por testes laboratoriais "in vitro" através da dosagem de anticorpos neutralizantes".
07/06/2021 – O Matinal
https://www.matinaljornalismo.com.br/rogerlerina/agenda/classicos-da-literatura-mundial-sao-tema-de-aula-gratuita-e-acessivel-em-libras/
Clássicos da literatura mundial são tema de aula gratuita e acessível em Libras
A UFCSPA realiza nesta quarta-feira (9/6), às 18h, a aula aberta “Por que ler os clássicos”, ministrada por quatro especialistas em literatura. Para participar não é necessário fazer inscrição. A aula gratuita será transmitida pelo canal do YouTube do Núcleo Cultural da UFCSPA e contará com intérpretes de Libras para tornar acessível a mais participantes.
Os palestrantes serão os docentes da UFCSPA Ana Boff de Godoy (Língua e Cultura Italiana – doutora em Teorias do Texto e do Discurso); Luciana Boose Pinheiro (Literatura – doutora em Literatura Brasileira); Rodrigo de Lemos (Literatura francesa – doutor em Literaturas Francesa e Francófonas) e Ana Rachel Salgado (Língua Espanhola e doutora em Linguística Aplicada).
O encontro aberto antecede o curso “Por que ler os clássicos”, que ocorre entre 16 de junho e 11 de agosto. Para este as vagas já foram preenchidas, mas ainda é possível se inscrever na lista de suplentes pelo link.
07/06/2021 – Sul 21
https://www.sul21.com.br/ultimas-noticias/coronavirus/2021/06/professores-da-unisinos-comecam-a-ser-vacinados-ufrgs-ufcspa-e-puc-imunizam-na-proxima-semana/
Professores da Unisinos começam a ser vacinados. UFRGS, UFCSPA e PUC imunizam na próxima semana
Professores e funcionários da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) começaram a ser vacinados contra a covid-19 nesta segunda-feira (7). A imunização ocorreu no saguão da biblioteca e movimentou o campus da universidade.
O reitor Marcelo Fernandes de Aquino considerou o momento histórico. “É um processo que nos traz grande alegria desde que nos chegou a notícia. Está tudo muito bem-organizado. Isso mostra o bom entendimento entre a instituição e o poder público”, disse. A vacinação dos funcionários e docentes da Unisinos continua nesta terça-feira (8).
Em Porto Alegre, professores e funcionários da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) serão vacinados contra a covid-19 provavelmente partir do dia 14 de junho.
A imunização foi acordada com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e a Vigilância em Saúde de Porto Alegre, mas pode haver alteração da data conforme disponibilidade de doses.
Na UFCSPA, a vacinação está prevista para será realizada no próprio campus. A universidade diz estar com a logística organizada. Para receber a vacina, a documentação necessária será crachá da UFCSPA ou documento com foto. Para bolsistas e terceirizados, é essencial documento com foto e CPF. A lista até o momento inclui 587 pessoas. O total ainda pode mudar em função de muitos servidores e alunos estarem atuando em serviços de saúde e já terem sido vacinados.
Na UFRGS, os docentes e técnicos-administrativos devem preencher formulário até esta quarta-feira (09). Os servidores que atuam em outros municípios também serão contemplados com a vacinação, desde que se desloquem até o campus central em Porto Alegre. Os funcionários terceirizados que prestam serviço na universidade igualmente serão imunizados.
A aplicação das vacinas no campus central da UFRGS está sendo planejada para ocorrer por meio de drive-thru, em frente à Faculdade de Educação (FACED), enquanto para servidores a pé haverá um posto no prédio atrás da Faculdade de Direito.
07/06/2021 – GZH
Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/06/o-que-se-sabe-sobre-a-vacina-indiana-covaxin-ckpn79wkn00c9018mfq781jad.html
“O que se sabe sobre a vacina indiana Covaxin
Imunizante será distribuído no Brasil em condições específicas e limitação de 4 milhões de doses
Aprovada de forma excepcional na sexta-feira (4) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a vacina indiana Covaxin poderá ser distribuída pelo país sob condições específicas e em quantidade limitada: 4 milhões de doses — o suficiente para 2 milhões de brasileiros.
Ainda não há data para a chegada deste primeiro lote, importado diretamente do laboratório Bharat Biotech, da Índia. Se for seguida a regra de distribuição que ocorre até agora, o Rio Grande do Sul receberá cerca de 120 mil doses para 60 mil gaúchos.
As 4 milhões de doses da Covaxin fazem parte das 20 milhões de doses compradas pelo Ministério da Saúde para este ano. Mas a distribuição em massa das outras 16 milhões segue em aberto.
A autorização da Anvisa de sexta-feira é apenas parcial, referente às 4 milhões de doses, e não configura aprovação para uso emergencial nem definitivo, o que permitiria o uso disseminado.
Para aprovar o uso das outras 16 milhões de doses, a Anvisa precisa aprovar o uso emergencial das doses compradas pelo governo federal, algo que a agência reguladora ainda não fez. Isso envolve receber mais informações e “analisar os dados de monitoramento do uso da vacina para poder avaliar os próximos quantitativos a serem importados”, informou a agência reguladora em nota.
A Covaxin já havia tido solicitação de uso emergencial negada em março pela Anvisa, mas o órgão alegou, à época, falta de dados e ausência de certificado de boas práticas na fabricação.
Segundo a agência reguladora, as condições de produção melhoraram, conforme atestou visita de inspetores no laboratório na Índia, o que ajudou na liberação parcial das 4 milhões de doses. Contou a favor, também, a liberação para que a Bharat Biotech conduza estudo de fase 3 no Brasil — o que ocorrerá em São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Bahia.
Ainda assim, a Anvisa fez uma série de ressalvas, como a exigência de que os lotes a serem enviados passem pelo controle de qualidade brasileiro. O órgão ainda afirma que a responsabilidade pela eficácia e segurança será compartilhada com a fabricante e o Ministério da Saúde, responsável pela compra.
Caso o uso emergencial seja negado ou se houver parecer contrário da Organização Mundial da Saúde (OMS), a aplicação das 4 milhões de doses pode ser suspensa.
Uso restrito
Neste primeiro momento, o uso será focado em adultos saudáveis, entre 18 e 60 anos. Ficarão de fora gestantes, puérperas (mulheres em até 45 dias após o parto), lactantes e mulheres em idade fértil que planejem engravidar nos próximos meses e pessoas com comorbidades graves ou não controladas.
Também não receberão a Covaxin pessoas que receberam outra vacina contra a covid-19, pessoas com HIV, hepatite B ou C, quem tomou alguma vacina quatro semanas antes, quem recebeu imunoglobina ou imunoderivados três meses antes e quem realizou tratamento com imunossupressores, citotóxicos, quimioterapia ou radiação 36 meses antes.
— Não estamos atestando qualidade, segurança e eficácia dessas vacinas. Existem pendências técnicas que precisam ser resolvidas. Contudo, a Lei 14.124/2021, que abre espaço para importação excepcional existe e foi pensada no contexto da pandemia, por isso há recomendação de que esse uso seja controlado — afirmou, na sexta-feira, o gerente-geral de medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes.
Mais de 12 países utilizam a Covaxin, aplicada em quase 25 milhões de pessoas, segundo afirma o laboratório Precisa Medicamentos, representante do Instituto Bharat Biotech no Brasil baseado em Barueri, interior de São Paulo.
A Covaxin usa o coronavírus inativado, assim como a CoronaVac, e já se mostrou efetiva contra a variante britânica. A eficácia e a segurança foram testadas em grande estudo feito na Índia.
Os resultados de segurança foram publicados em revista de prestígio, mas a imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e integrante do comitê científico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), estranha a aprovação parcial por parte da Anvisa.
— Acho estranho a Anvisa ter liberado sem a empresa ter completado os requisitos básicos para a liberação. Existem dados de que é segura. Agora, quem decide se a fabricação está nos padrões aceitáveis do Brasil é a Anvisa. E isso a Anvisa ainda não fez. Ela parece ter sofrido pressão forte para aprovar — diz Cristina.
A biomédica Mellanie Fontes-Dutra, doutora em Neurociências e coordenadora da Rede Análise Covid-19, avalia que as condições levantadas pela Anvisa garantem segurança no processo.
Ela reconhece que a aprovação parcial pode levantar dúvidas, mas destaca que a pandemia é uma situação excepcional e que o uso das 4 milhões de doses deste primeiro lote será acompanhado.
— Uma vez que, neste momento, não foi feita a análise de segurança e eficácia, as condicionantes devem ser atendidas, somadas a um monitoramento pela agência e pela assinatura de termos de compromissos pelas farmacêuticas para garantir um processo seguro. A aprovação é para esse lote em específico, o qual será monitorado e pode ser suspenso na menor intercorrência. As condicionantes vão nos auxiliar para que, nessa situação, possamos colher o melhor custo-benefício enquanto a aprovação para uso emergencial tramita — diz Fontes-Dutra.
Questionado por GZH, o Ministério da Saúde não informou quando as doses da Covaxin poderão ser entregues. A pasta afirmou, por meio de nota, que está em contato com o laboratório fabricante “para agilizar a importação e o cronograma de recebimento das doses”.
O governo ressalta que a Covaxin e a Sputnik V “são seguras e eficazes, no entanto, esses imunizantes serão usados de forma mais restrita e monitorados, seguindo as recomendações da Anvisa”.
O Ministério da Saúde também se colocou à disposição dos Estados para elaborar estudos de efetividade e acompanhar as pessoas que receberem esses dois imunizantes. “Em breve, a pasta fará uma reunião com os gestores estaduais para discutir os próximos passos para aplicação da Sputnik”, diz o texto. A Secretaria da Saúde (SES) do Rio Grande do Sul não respondeu aos questionamentos de GZH.
A Precisa Medicamentos enviou nota à reportagem na qual afirma que as 4 milhões de doses autorizadas pela Anvisa estão prontas para sair da Índia e embarcarem para o Brasil, “assim que os trâmites de importação, que incluem a emissão da Licença de Importação, estiverem concluídos”.
Ficha técnica da Covaxin
Número de doses: 2
Intervalo entre as doses: 28 dias
Taxa de eficácia: 78%
Laboratório produtor: Bharat Biotech (Índia) e Precisa Medicamentos (Brasil)
Tipo de tecnologia: vírus inativado
Países em que foi aprovada: Índia, Filipinas, Mongólia, Mianmar, Bahrein, Mongólia, Sri Lanka, Omã, Ilhas Maldivas e Ilhas Maurício
Quantas doses o Brasil contratou: 20 milhões
Temperatura de armazenamento: entre 2ºC e 8ºC (freezers comuns em postos de saúde)
Capacidade de produção do laboratório: 560 milhões de doses por ano
Estágio de aprovação: lotes específicos liberados, em análise para uso emergencial
Público-alvo: adultos saudáveis entre 18 e 60 anos”
07/06/2021 – Sul 21
Link:https://www.sul21.com.br/ultimas-noticias/geral/2021/06/vereador-propoe-homenagear-reitora-da-ufcspa-com-a-mais-alta-honraria-da-camara/
"Vereador propõe homenagear reitora da UFCSPA com a mais alta honraria da Câmara
O mandato do vereador Giovani Culau (PCdoB) propôs homenagear com a comenda Porto do Sol a professora Lúcia Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). A iniciativa faz referência ao papel desempenhado pela reitora como defensora da ciência no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. Além de integrar o comitê científico criado pelo governo estadual, Lúcia tem sido uma voz ativa em suas redes sociais ao comunicar e explicar como se proteger da crise sanitária que já dura mais de um ano.
O vereador, que assumiu o mandato após pedido de licença temporária da vereadora Bruna Rodrigues (PCdoB), destaca a homenagem no contexto do momento pelo qual passa o Brasil, em que a defesa da ciência é necessária para enfrentar a pandemia e a onda negacionista e de notícias falsas que circulam no País. Culau integra o mandato coletivo intitulado Movimento Coletivo.
“Ela é uma grande referência. A homenagem se refere ao papel individual e também a tudo o que ela representa como defensora do SUS, da ciência, da educação e da universidade pública”, explica Culau.
Para ele, a defesa enfática destes outros temas muito antes da pandemia também colabora para o necessário debate público com a sociedade.
“A atuação da reitora no combate ao desmonte e sucateamento da universidade pública é mais um dos motivos que justificam está homenagem. Em tempos em que a mentira de que as universidades promovem ‘balbúrdias’ circula livremente, defender seu caráter estratégico no desenvolvimento econômico, social e intelectual do país é um ato revolucionário”, justifica trecho da proposta de homenagem.
A comenda Porto do Sol é a mais alta honraria concedida pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre. A proposta para homenagear a reitora da UFCSPA será apreciada pela Comissão de Constituição e Justiça e pela Comissão de Educação. Culau diz não ter dúvida de que a proposta será aprovada."
06/06/2021 – GZH
Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/06/entenda-como-a-ciencia-quer-usar-vacinas-para-combater-o-cancer-ckpcvpuxq003o01806my1koc6.html
“Entenda como a ciência quer usar vacinas para combater o câncer
Conheça a terapia oncolítica viral
Os vírus se tornaram os grandes vilões deste planeta — um deles, aliás, o responsável pela maior pandemia do século, a de coronavírus —, mas essa classe de seres vivos também pode contribuir para o avanço na luta contra o câncer. A ideia, aqui, é colocá-los a nosso favor para atacar tumores.
Durante décadas, as terapias tradicionais contra o câncer se resumiam a cirurgia, quimioterapia e radioterapia — ou seja, usar fortes remédios para atacar o tumor ou extrair fisicamente o tecido maligno. Mas a ciência pesquisa outras saídas mais efetivas e capazes até de vencer metástases — nos últimos 10 anos, a mais promissora é a imunoterapia, que estimula o sistema imune a lutar contra as células cancerígenas.
Há diferentes tipos de imunoterapia, algumas das quais já em uso contra alguns cânceres, como de estômago, pele, pulmão, rim, cabeça e pescoço, e bexiga. Uma nova frente que vem recebendo mais atenção nos últimos anos, com o avanço da engenharia genética, é a terapia oncolítica viral (onco = câncer e lise = destruição), que pode até virar vacina.
A ciência sabe que alguns vírus naturalmente preferem se replicar dentro de células cancerígenas a fazê-lo dentro das saudáveis. Partindo dessa premissa, a ideia é injetar vírus manipulado geneticamente para atacar células cancerígenas, poupando as que não têm a ver com a história. Dentre os mais pesquisados, estão o vírus da herpes, o adenovírus (típico de resfriado) e o vaccinia (da varíola).
Os vírus oncolíticos costumam despertar a resposta do sistema imune por serem vistos como invasores. Cientistas descobriram que esses vírus, durante o ataque aos tumores, ainda convocam as células de defesa para brigar contra as células cancerígenas, no melhor estilo "o inimigo do meu inimigo é meu amigo".
— Faz tempo que sabemos que alguns vírus, quando entram no organismo, infectam preferencialmente células tumorais e podem até destrui-las. A ideia é sedutora: sempre tratamos vírus como um inimigo, mas aqui usamos algumas características dele a nosso favor. Quando o vírus entra na célula para se replicar, ele também se torna um vetor, então eu posso modificar esse vírus geneticamente e colocar algumas proteínas para ele levar coisas que queremos, mas sem se replicar, o que evita que cause doenças — explica o médico Sérgio Roithmann, chefe do Serviço de Oncologia do Hospital Moinhos de Vento de Porto Alegre.
T-VEC estás em uso nos Estados Unidos
Apenas uma terapia oncolítica viral está aprovada hoje, com efeitos interessantes, mas restritos a um tipo específico de câncer: a T-VEC, em uso nos Estados Unidos, que injeta diretamente no melanoma um vírus da herpes geneticamente modificado. Ao entrar nas células cancerígenas, o vírus as destrói — mas, como foi programado para não se replicar, poupa as células saudáveis. Além disso, chama células de defesa para combaterem o tumor.
Outra versão de terapia oncolítica viral em desenvolvimento, e ainda mais promissora, é uma potencial vacina contra o câncer. Há ao menos 3.233 estudos em andamento com vírus oncolítico, dos quais quase 500 estão em fase 3, conforme revisão publicada em 2020 no Journal of Immunotherapy of Cancer.
A ideia central é pegar o vírus programado para atacar tumores e modificá-lo geneticamente para levar proteínas presentes também nas células malignas, algo parecido com a tecnologia das vacinas de vetor viral usadas contra a covid-19, como o imunizante de Oxford/Fiocruz.
— A diferença entre a terapia oncolítica e a vacina de vetor viral é que a terapia oncolítica mata as células tumorais que infecta, enquanto que a vacina de vetor viral não causa dano às células do corpo do vacinado — esclarece a imunologista Cristina Bonorino, coordenadora do Laboratório de Imunologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
Ao entrar no organismo, o "invasor" ativa as células dendríticas, as primeiras guardas do sistema imune, responsáveis por encontrar um intruso, identificá-lo (é vírus? Bactéria? Parasita?) e instruir os linfócitos T a atacar as células cancerígenas que possuem a proteína inserida artificialmente no organismo.
Para além de matar o tumor em um local específico, o sistema imune fará uma varredura em todo o corpo para encontrar outros tumores com essa proteína, como um aspirador-robô autônomo, o que poderia encontrar e eliminar metástases. A médio prazo, o corpo também aprenderia a eliminar futuras células cancerígenas derivadas do primeiro tumor, caso haja recidiva — mas não de outros cânceres, vale destacar.
Gráficos (ver no link acima)
Personalização do tratamento
Um obstáculo é que cada indivíduo tem um tumor específico, com células distintas e proteínas únicas, o que reduz a eficácia de uma possível vacina que use proteínas vistas como "universais" para qualquer tumor. Em busca de personalizar o tratamento para aumentar a eficácia da vacina, cientistas estudam coletar uma amostra do tumor, sequenciar as células cancerígenas, reunir algumas proteínas presentes e modificar o vírus para trazer as substâncias específicas das células cancerígenas de cada paciente.
Manipular um vírus geneticamente é caro, complicado e exige laboratório equipado e barreiras sanitárias, então ainda se busca um atalho no processo: simplesmente colocar as proteínas do tumor sequenciado no líquido da vacina, ao lado do vírus. Em camundongos, essa solução funcionou bem, mostrou estudo do Centro de Pesquisas do Hospital da Universidade de Montréal, no Canadá, divulgado neste mês na revista Nature Communications.
Essa seletividade da terapia oncolítica viral é um dos grandes pontos fortes: o foco é apenas nas células cancerígenas, e não as sadias, que morrem na quimioterapia e radioterapia. Pacientes sofreriam menos efeitos colaterais (como queda na imunidade, fraqueza e perda de cabelos) e ainda estariam protegidos, no futuro, contra o aparecimento de novos tumores.
— O vírus oncolítico leva uma proteína do tumor na qual tu vai focar a resposta imune. A químio e a radioterapia simplesmente matam células que estão em divisão, incluindo as boas, causando todos aqueles efeitos adversos. Por enquanto, não existe terapia perfeita e única para ser usada. Mas a imunoterapia virou o jogo no combate ao câncer. É outro paradigma, assim como a vacina de RNA mudou a paisagem das vacinas. Câncer era a coisa mais complexa que existia e agora estamos nos aproximando da cura. É uma questão de tempo. E dinheiro — sintetiza a imunologista Cristina Bonorino.
Tire suas dúvidas
O que é um vírus oncolítico? É um vírus que mata células cancerígenas.
O que é a terapia de vírus oncolítico? É um tipo de imunoterapia que usa alguns vírus para atacar células de certos tipos de câncer.
O que é a imunoterapia? É um tipo de tratamento contra o câncer que estimula o sistema imunológico a combater as células cancerígenas.
O sistema imune não ataca, normalmente, o tumor? O sistema imune sabe que o tumor é um inimigo e que não deveria estar ali, mas as células cancerígenas conseguem escapar do ataque das células de defesa. O pulo da imunoterapia é adaptar nossa imunidade para impedir que as células cancerígenas escapem de nossas defesas.
Quais são os principais tipos de câncer? O Instituto Nacional de Câncer (Inca) aponta que os tipos mais comuns de câncer são de pulmão, próstata, intestino, estômago e fígado. Nas mulheres, a incidência maior é de mama, intestino e pulmão.
Não será a bala de prata
Especialistas observam que a terapia oncolítica viral não deve ser a bala de prata para resolver todos os cânceres, mas pode ser uma ótima opção para tratar tumores que, hoje, não têm cura. Vencidas as limitações estruturais de manipular um vírus dentro de hospital para personalizar o tratamento, o uso desse tratamento tem grande potencial, sobretudo ao lado de outras imunoterapias, diz Vladmir Lima, diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e coordenador do Comitê de Oncogenômica.
— A imunoterapia é um universo, o que inclui a terapia de vírus oncolítico. Provavelmente, ela terá, no futuro, uma aplicação cada vez maior e individualizada, usada com outras imunoterapias. Você pode pegar um câncer que não responde a inibidores de checkpoint (um tipo de imunoterapia que tenta estimular a resposta das células de defesa), infectar o tumor com vírus oncolítico para gerar uma resposta imune do organismo e aí adicionar o inibidor de checkpoint para aumentar a resposta imune. Muito provavelmente, é isso que vai acontecer — afirma Lima.
O médico Sérgio Roithmann, do Hospital Moinhos de Vento, projeta o dia em que será possível modular o sistema imune para o melhor tratamento.
— Quem sabe, no futuro, teremos a manipulação de nosso sistema imunológico para o tratamento contra o câncer. Acho que usaremos várias armas, dependendo do tipo de tumor e de onde ele está no corpo. O que a humanidade precisa é de mais cartas na manga. Acho que daqui a cinco anos vamos testar fortemente em seres humanos uma vacina contra o câncer — diz.”
05/06/2021 – Gazeta o Sul
Link:https://www.gaz.com.br/prolongamento-da-pandemia-testa-resistencia-de-pessoas-e-negocios/
"Prolongamento da pandemia testa resistência de pessoas e negócios
A imunização avança e traz esperança à população, mas pesquisadores apontam que os números e a dinâmica de casos das últimas semanas podem indicar nova onda da doença
Uma corrida de longa distância. Um percurso repleto de obstáculos, que exige esforço e superação. Mesmo distante, quando o atleta consegue avistar a linha de chegada, experimenta a sensação de alívio pelo que está prestes a alcançar. E, então, relaxa. Essa pode ser a descrição da etapa final de uma maratona, mas da mesma forma ilustra o sentimento da população que vislumbra o fim da pandemia pela proximidade da vacina.
No entanto, essa corrida ainda não chegou ao fim por aqui. A imunização avança e traz esperança à população, mas pesquisadores apontam que os números e a dinâmica de casos das últimas semanas podem indicar uma nova onda da doença. Para o infectologista do Hospital Moinhos de Vento, Paulo Gewehr, isso é resultado do relaxamento das medidas de prevenção. “A população jovem está se expondo mais e ainda não foi vacinada. Vê a vacina chegando e acha que a pande-mia está perto do fim. Somado a isso, há o esgota-mento emocional em relação ao confinamento, as questões econômicas e a cepa brasileira P.1, que é mais transmissível e causa doença grave nos jovens”, enumera o especialista em controle de infecção e em vacinas.
O caminho para brecar a chamada “quarta onda” do coronavírus, segundo o professor Fernando Spilki, da Universidade Feevale, é acelerar a vacinação. “A pandemia não acabou, em absoluto”, reforça. Ele destaca que houve investimentos dos municípios em unidades de terapia inten-siva (UTIs), o que permite lidar com o último estágio do processo. “Deveríamos estar mais atentos ao bloqueio da transmissão, evitando novos casos”, alerta ele, que é coordenador da Rede Corona-ômica.BR-MCTI.
Indefinição agrava a ansiedade
Com a pandemia chegando ao seu 15o mês, o quadro da saúde mental da população também requer cuidados. “As pessoas estão exauridas emocionalmente e, ao mesmo tempo, precisando manter os protocolos. A necessidade de cuidado consigo e com os outros persiste, e a insegurança quanto ao futuro causa um aumento diário da ansiedade”, observa a psiquiatra do Hospital Moinhos de Vento, Lorena Caleffi. Na avaliação dela, o aumento crônico de ansiedade traz consequências danosas para a saúde, sobretudo por desencadear reações inflamatórias no organismo, precursoras de diversas doenças clínicas.
Já no início da Covid-19, houve aumento na incidência de transtornos mentais: estudo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) revelou elevação de 90% nos casos de depressão, enquanto crises de ansiedade e sintomas de estresse agudo mais do que dobraram. “O prolongamento da pandemia trará mais casos dessa ordem, mas a progressão é aritmética, e não geométrica”, diz a doutora. Segundo ela, pessoas que já tinham predisposição são as que apresentarão sintomas, e quem já vinha em tratamento poderá piorar seu quadro.
De acordo com a psiquiatra, um importante sinal de alerta para depressão é quando o indivíduo perde a vontade de realizar as tarefas que antes eram prazerosas e percebe-se triste na maior parte do tempo. “Se esse estado é associado a um fator externo, podemos estar numa situação de luto, não necessariamente em um quadro depressivo. O luto tem sido muito mais comum no período da pandemia, tanto por perdas por falecimento, como por perdas de trabalho, financeiras e de convivência”, enumera. O abuso de álcool também é potencializado no cenário atual.
Nesse contexto, buscar a saúde mental é fundamental – e isso significa muito mais do que não ter uma doença, mas levar uma vida produtiva e com relacionamentos afetivos. “Conseguimos isso prestando atenção naqueles que são importantes para nós, exercendo atividades que nos tragam bem-estar físico e psíquico”, orienta Lorena.
A especialista é otimista ao pensar no futuro da sociedade pós-pandemia. “Mesmo em pequena escala, alguma mudança positiva sempre pode advir com a experiência”, afirma. Para a psiquiatra, a crise traz a oportunidade de modificar o comportamento. “Podemos deixar de ‘fazer por fazer’ ou dizer que ‘ sempre foi assim’, repensando atitudes antes automáticas. Dessa forma, poderemos ser pessoas mais autênticas, mais em harmonia com nosso jeito de ser.
Para evitar novos casos
Apesar do cenário desafiador, Paulo Gewehr avalia que as cidades gaúchas estão mais preparadas. “Há mais conhecimento sobre a doença, e parte importante da população está vacinada. Temos que evoluir para o uso da máscara e higienização das mãos, além do distanciamento social, da restrição de capacidade de estabelecimentos e da fiscalização”, defende.
Na interpretação da imunologista Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e integrante dos comitês científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), a sociedade ainda está no meio de uma terceira onda. A diferença em relação às anteriores é o fato de que parte da população está vacinada. “Na primeira onda, se fez isolamento. Agora, não temos isso”, destaca. A imunologista lembra que apenas o aumento do número de leitos não é o suficiente para enfrentar o quadro. É preciso ampliar o número de médicos, equipes de enfermagem, medicamentos e ventilação – além, é claro, de seguir vacinando.
Tecnologia, criatividade e gestão
“Já que o mundo está diferente, será que não temos de pensar diferente a operação dos negócios?”. A provocação de Eduardo Baltar, CEO da consultoria de gestão Merithu, faz ainda mais sentido diante do prolongamento da pandemia e da iminência de uma nova onda. Na avaliação dele, para fazer frente a esse momento, a tecnologia precisa estar inserida no contexto das organizações. Mas não basta a transformação digital: é preciso buscar a proximidade com o cliente e ter domínio da gestão. “Toda ameaça pode ser vista como oportunidade. É preciso ter visão e usar o poder mental do time, a criatividade. O que entrega resultado são os processos e como as pessoas estão organizadas”, observa.
Desde o início da pandemia, a Merithu vem monitorando os resultados de 300 empresas de capital aberto no País. O estudo da consultoria mostra que, no segundo trimestre de 2020, foi registrada uma queda de mais de 70% nos lucros. As adaptações foram feitas e, já no trimestre seguinte, houve uma clara recuperação. “E o quarto trimestre foi fantástico. Tudo isso mostra que essas companhias estão aprendendo a lidar com a pandemia”, esclarece Baltar.
Mesmo os pequenos negócios têm muito a aprender com essa lição, segundo o consultor. Gestão, governança, inovação e controle dos números são pontos em comum de todas as organizações que se sobressaíram. “É preciso ter a gestão na mão, ter dados”, reforça. Para chegar até aqui, os gestores precisaram apertar o cinto e criar processos para atender melhor os clientes e, assim, atravessar a turbulência. “As empresas fizeram tudo isso muito rápido. Certamente temos processos a otimizar, por isso é importante olhar para dentro. O mercado está reagindo, as empresas estão reagindo e, no pós-pandemia, todos estarão mais bem preparados.”
05/06/2021 – Portal Campos 24h
Link:https://www.campos24horas.com.br/noticia/obesidade-tem-inicio-no-primeiro-ano-de-vida-de-uma-crianca-diz-estudo
“Obesidade tem início no 1º ano de vida de uma criança, diz estudo
Alimentos como biscoitos, refrigerantes e doces não devem ser oferecidos às crianças menores de dois anos
Pesquisadores da Universidade de Columbia (Estados Unidos) e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA - Brasil) descobriram que quando os profissionais de saúde são capacitados para orientar sobre práticas de alimentação saudável infantil às gestantes, as crianças consomem menos gorduras e carboidratos aos três anos de idade e têm menores medidas de gordura corporal aos seis. (leia mais abaixo)
O estudo, publicado no Journal of Human Nutrition and Dietetics, é o primeiro a mostrar que as raízes da obesidade começam ainda no primeiro ano de vida de uma criança, logo após as mães pararem de amamentar. (leia mais abaixo)
De acordo com os autores, o primeiro ano após o nascimento é uma janela crítica e importante para o estabelecimento de hábitos que influenciarão os padrões de saúde ao longo de toda a vida. Além disso, os achados mostram que é possível mudar o comportamento de uma mãe e evitar a obesidade ajudando-as a alimentar bem seus filhos.
O mais surpreendente para a equipe foi observar que as mães participantes ofereceram alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar e gordura para as crianças com apenas seis meses de idade. Esse comportamento, para os pesquisadores, pode ser explicado pelas influências culturais e pela forte comercialização desse tipo de alimento para bebês em todo o mundo.
Visitas e orientações
A pesquisa foi realizada na cidade de Porto Alegre, no Brasil, em 31 centros que prestam serviços de pré-natal, infantil e outros atendimentos de atenção básica a famílias de baixa renda.
A intervenção foi baseada em nascimentos de maio de 2008 a fevereiro de 2009 e consistiu em um programa de treinamento centrado no “'Dez Passos para Alimentação Saudável para Crianças Brasileiras de Nascimento a Dois Anos de Idade” (diretriz alimentar brasileira) para ampliar o conhecimento dos profissionais de saúde da atenção básica.
Todas as famílias foram informadas sobre os alimentos complementares que não deveriam ser oferecidos às crianças menores de dois anos – como biscoitos, lanches, refrigerantes e doces – através de cartazes na sala de espera.
Os profissionais treinados mediram o crescimento das crianças e outros pontos aos seis meses, doze meses, três anos e seis anos por meio de visitas domiciliares. Os detalhes sobre os tipos de alimentos, quantidades e métodos de preparo também foram registrados.
Menor ingestão de calorias
Os achados revelaram que a ingestão de calorias em todas as idades foi menor no grupo de intervenção em comparação ao grupo controle, com uma diferença estatisticamente significativa aos três anos de idade. (leia mais abaixo)
Além disso, as crianças do grupo de intervenção nessa faixa etária apresentaram menor consumo de carboidratos e gordura total do que o grupo controle e, aos seis anos de idade, acumularam menos gordura corporal.
A ingestão de calorias em ambos os grupos estava acima da exigência em todas as idades, entretanto o excesso de consumo foi menor no grupo de intervenção. Segundo os pesquisadores, a diferença foi pequena no início, mas, em longo prazo, a redução de ingestão de 92 calorias por dia totaliza 33.000 por ano. Uma mudança dessa magnitude pode explicar alterações no ganho de peso durante a infância.
Os resultados foram particularmente marcantes em relação às calorias de biscoitos e chocolate em pó, ambos fontes importantes de gorduras e carboidratos. Durante a formação dos profissionais de saúde, açúcar, doces, refrigerantes, salgadinhos, biscoitos e alimentos ultraprocessados foram enfatizados como alimentos para as mães evitarem oferecer a seus bebês até os dois anos de idade.
7% menos sobrepeso
O grupo de intervenção aos seis anos apresentou menos gordura corporal em várias medidas, mas essa diferença não refletiu no Índice de Massa Corporal (IMC). No entanto, de acordo com os pesquisadores, a prevalência de sobrepeso no grupo de intervenção foi 7% menor quando comparada ao grupo controle, sugerindo um valioso impacto na saúde pública: estima-se que a redução de 1% da prevalência da obesidade entre crianças de até seis anos economize 1,7 bilhão de dólares em custos médicos.
Os pesquisadores enfatizaram a importância de uma alimentação saudável nos primeiros meses de vida dando o exemplo de pessoas notáveis como Alice Waters, Jamie Oliver e Michelle Obama, que dedicaram esforços para melhorar a merenda das instituições de ensino e os hábitos alimentares das crianças em idade escolar, ajudando na luta contra a obesidade.
Para os autores, todos esses esforços devem ser aplaudidos e encorajados, já que o estudo sugere que as práticas alimentares no início da vida já podem ter um impacto significativo no peso e na saúde das crianças em idade pré-escolar.”
04/06/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/coronavirus-servico/noticia/2021/06/professores-e-servidores-da-ufrgs-pucrs-e-ufcspa-serao-vacinados-nas-proprias-universidades-ckpj4w5qp00ax0180xrbtmvwg.html
“Professores e servidores da UFRGS, PUCRS e UFCSPA serão vacinados nas próprias universidades
Imunização deve começar na semana do dia 13 de junho
Universidades da capital gaúcha fecharam acordo com a prefeitura de Porto Alegre para vacinar em suas sedes professores e trabalhadores das instituições. O planejamento foi combinado em uma reunião realizada nesta semana entre a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), a Vigilância em Saúde da capital e as universidades.
Segundo o diretor da Vigilância em Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter, em um primeiro momento, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), e Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) farão parte do projeto.
— Nós conversamos com reitores e pró-reitores, e a previsão é de que a imunização dos trabalhadores do nível superior comece na semana do dia 13 de junho. Agora as universidades vão decidir em quais locais farão a vacinação — comenta Ritter.
As universidades entregarão listas à secretaria, com os nomes de quais profissionais deverão ser vacinados. A partir daí, a prefeitura poderá disponibilizar a quantidade de doses necessárias.
Segundo o pró-reitor de Inovação e Relações Institucionais da UFRGS e parcerias da Aliança para a Inovação, professor Geraldo Jotz, a UFRGS já decidiu que a imunização será realizada no Campus Central, no estacionamento da Faculdade de Educação. Somente na UFRGS, são 6550 profissionais, entre docentes, técnicos em educação e terceirizados, como servidores da limpeza e segurança.
— Cada unidade acadêmica vai fazer a sua lista, e a Superintendência de Gestão de Pessoas fará a lista com o pessoal terceirizados. Como há médicos e demais pessoas que trabalham na saúde entre os servidores, e já estão vacinados, nós vamos fornecer uma lista com os nomes de quem ainda precisa ser vacinado — afirma o professor Jotz.
A PUCRS terá uma reunião no início da próxima semana para definir onde realizará a vacinação. De acordo com o superintendente para inovação da universidade, Jorge Audy, os funcionários serão avisados sobre como proceder. A UFCSPA também vacinará em seu campus, no centro de Porto Alegre. A Universidade busca montar uma lista com os servidores que ainda não receberam imunizantes."
02/06/2021 – GZH
https://gauchazh.clicrbs.com.br/coronavirus-servico/noticia/2021/06/inicio-da-vacinacao-da-populacao-em-situacao-de-rua-tem-movimento-tranquilo-em-porto-alegre-ckpfm465h002v018mn73u6b96.html
“Início da vacinação da população em situação de rua tem movimento tranquilo em Porto Alegre
Ônibus da Guarda Municipal foi disponibilizado para levar pessoas até os locais
O primeiro dia da vacinação contra a covid-19 para a população de rua, iniciada nesta quarta-feira (2), tem movimento tranquilo em Porto Alegre. Nos três locais disponibilizados no Centro e Zona Sul não houve o registro de extensas filas.
A escola municipal Porto Alegre, na rua Washinton Luiz, no centro da Capital foi o ponto de maior movimento. Em alguns momentos filas se formaram. Entre 9h e 11h, cerca de 60 doses foram aplicadas.
Parte da população em situação de rua chegou a pé. Alguns vinham acompanhado de seus animais de estimação, outros chegavam carregando sacolas. Outros foram levados por um ônibus da guarda municipal, que através de convênio com a FASC passou nos locais de convivência da prefeitura.
Foi o caso do Carlos Renato dos Santos Rodrigues, 46 anos. Ele é ex-morador de rua, passa o dia trabalhando como vendedor ambulante e toma café da manhã no Espaço Ilê na rua Santo Antônio, seu local de referência. Foi ali que ele pegou o ônibus e foi se vacinar.
— Nem doeu nada. Agora é tomar a segunda é se livrar desse vírus.
A presidente da Fundação de Assistência Social e Cidadania (FASC) de Porto Alegre, Cátia Lara Martins, diz que o órgão vem trabalhando com a população de rua sobre a importância da vacina.
—A gente agora tem cópia das carteiras e vamos monitorar para que eles voltem para tomar a segunda dose.
Após receber a primeira dose da vacina, são entregues máscaras, um kit de higiene bucal e um tubo de plástico semelhante aos de ketchup. É álcool gel desenvolvido pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre em embalagens doadas pela empresa Oderich.
Marcone Lopes Fontoura, 27 anos, e Vívian François, 47 anos, dormem na rua, mas participam de oficinas e fazem refeições no POP RUA, Centro de Referência Especializado para essa População. Eles foram a pé até a escola.
—A gente sabia da vacinação. Agora vamos voltar lá no POP para tomar um banho e se alimentar— disse Marcone.
Houve aplicação de doses também na Unidade de Saúde Tristeza, Wenceslau Escobar. E na Sociedade Esportiva, Recreativa, Cultural e Comunitária Ervino de Assis, avenida Vicente Monteggia, bairro Vila Nova, das 8h às 10h30.
O Plano Municipal de Vacinação prevê o total de 3 mil doses para essa população até o dia 11 de junho. Amanhã, feriado de Corpus Christi, não haverá aplicação de doses para esse público, que será retomada na sexta-feira.”
01/06/2021 – Época Negócios via BBC
Link Época:https://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2021/06/fungo-negro-brasil-teve-29-casos-de-mucormicose-neste-ano.html
Link BBC Brasil: https://www.bbc.com/portuguese/geral-57317760
“Fungo negro: Brasil teve 29 casos de mucormicose neste ano
Conhecida popularmente como "fungo negro", a mucormicose é causada por fungos e vem registrando um crescimento vertiginoso na Índia
O Brasil registrou neste ano até agora 29 casos de mucormicose - infecção conhecida popularmente como "fungo negro" - comparado com 36 casos em todo o ano de 2020, informou o Ministério da Saúde à BBC News Brasil.
Os dados são baseados em notificações feitas pelos Estados.
O Ministério da Saúde esclarece, no entanto, que "não é possível relacionar, até o momento, os casos de mucormicose registrados no Brasil com a covid-19 e as variantes do vírus". Apesar disso, o número de casos só neste ano chama atenção, pois já está próximo do total em todo o ano passado, e coincide com o agravamento da pandemia de covid-19 no país. Conhecida popularmente como "fungo negro", a mucormicose é causada por fungos e vem registrando um crescimento vertiginoso na Índia, onde já acometeu quase 9 mil pacientes com covid-19. A doença mata mais de 50% dos acometidos. Muitos precisam passar por cirurgias mutilantes, que retiram partes do corpo afetadas pelo micro-organismo, como os olhos.
Em entrevista recente à BBC News Brasil, epidemiologistas disseram que, embora os relatos vindos da Índia sejam preocupantes e precisem ser acompanhados de perto, não são motivo de grande alarme. Eles acrescentaram ser improvável que um cenário parecido se repita no Brasil ou em outros lugares do mundo.
"Essa situação local não constitui uma ameaça à saúde pública global", disse o infectologista Alessandro Comarú Pasqualotto, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
"A mucormicose não é algo que vai se espalhar pelo mundo", acrescentou o também infectologista Flávio de Queiroz Telles Filho, professor da Universidade Federal do Paraná. E esse baixo potencial de perigo pode ser explicado por dois motivos. Em primeiro lugar, esses fungos são conhecidos e estudados desde o final do século 19. Segundo, eles já circulam livremente por boa parte do mundo, inclusive no Brasil.
Casos na Índia
Mas o que explica, então, o aumento de casos na Índia? No atual momento, a Índia reúne uma série de condições que ajudam a explicar o aumento dos casos de mucormicose. "Os agentes causadores da doença estão no ar e tiram vantagem da umidade alta e da temperatura quente daquele país", contextualiza Pasqualotto.
Vale reforçar que os fungos que provocam essa condição, conhecidos como Rhizopus, Rhizomucor e Mucor, estão presentes em muitos países (incluindo o Brasil) e podem ser observados no bolor do pão e das frutas, por exemplo. Mas se eles são tão comuns assim, por que só causam estragos em algumas poucas pessoas, enquanto outras sequer são afetadas?
A explicação está na condição de saúde de cada um.
Segundo explicou Telles Filho à BBC News Brasil, existem três situações que facilitam o desenvolvimento da mucormicose: ter diabetes descontrolado, ser portador de doenças oncohematológicas (como a leucemia), que requerem transplante de medula óssea, ou fazer uso de altas doses de remédios da classe dos corticoides, que possuem ação anti-inflamatória.
"A Índia é um dos países com maior quantidade de diabéticos do mundo e vive atualmente um descontrole da pandemia de covid-19, com um alto número de pacientes internados que necessitam tomar corticoides", disse o médico, que também coordena o Comitê de Micologia da Sociedade Brasileira de Infectologia.
Para completar, em muitos locais mais afastados desse país, as condições sanitárias dos hospitais e das enfermarias não são as ideais, o que facilita o risco de contaminação por fungos.
Ou seja, trata-se de uma situação que reúne uma série de pacientes vulneráveis, com o sistema imunológico combalido pela covid-19, que muitas vezes apresentam doenças prévias (como o diabetes) e precisam de remédios que afetam ainda mais o funcionamento das células de defesa (caso dos corticoides). E eles são mantidos em locais que podem não apresentar a higiene adequada.
Esse é o cenário perfeito para que fungos como Rhizopus, Rhizomucor e Mucor tomem conta. Na quinta-feira (27/05), o Uruguai confirmou oficialmente o primeiro caso de mucormicose em seu território.
Infecção
Mas como esses seres microscópicos invadem o corpo humano?
No geral, eles podem ser aspirados pelo próprio paciente ou entrar através dos tubos e cateteres que ficam ligados nas veias.
Outra origem é o intestino: como os fungos colonizam boa parte do sistema digestivo junto com as bactérias, eles podem aproveitar um desequilíbrio na microbiota (causada pelo uso de antibióticos, por exemplo) para ganhar terreno ali mesmo ou até invadir a circulação sanguínea.
Cada um desses fungos pode afetar uma parte específica do organismo: a mucormicose, que ganhou destaque nos últimos tempos, costuma entrar pelo nariz e logo invade os vasos sanguíneos do rosto, criando manchas escuras por onde passa (daí a alcunha "fungo negro").
Numa situação normal, é bem provável que o sistema imunológico consiga lidar com esses avanços fúngicos para evitar repercussões maiores.
Mas, em um momento de fragilidade causado pela covid-19, esse mecanismo natural de defesa pode não funcionar tão bem e permitir que Mucor, Aspergillus, Candida e companhia limitada causem estragos.
"É como se o coronavírus começasse o serviço e os fungos completassem a tarefa", disse Pasqualotto.
E como evitar isso?
Tudo começa com a prevenção. "As equipes de saúde precisam ter muito cuidado com a higiene e a lavagem das mãos, principalmente quando vão mexer nos cateteres e demais dispositivos que estão próximos do paciente", recomendou Telles Filho.
Desse modo, já é possível evitar a contaminação desses materiais e a entrada de fungos pela respiração ou pelos vasos sanguíneos.
Outra tática usada em hospitais, especialmente nas alas que recebem os pacientes com sistema imune muito comprometido (como aqueles que passaram por um transplante de medula óssea, por exemplo) é a instalação de filtros Hepa nos sistemas de ventilação.
Esse material tem fibras capazes de reter partículas muito pequenas — entre elas, esporos de Aspergillus que poderiam invadir o organismo das pessoas mais debilitadas.
Uma terceira estratégia é lançar mão de remédios antifúngicos de forma profilática, para evitar que uma infecção oportunista apareça.
"Isso vale para alguns casos de câncer, mas não se encaixaria em quadros de covid-19", explicou Telles Filho.
Do ponto de vista individual, vale sempre tomar cuidado com a própria saúde e manter doenças crônicas, como o diabetes, sob controle.
"Também precisamos pensar no ambiente em que vivemos. Hoje em dia, passamos boa parte de nosso tempo em lugares fechados, então precisamos nos preocupar com a umidade e a ventilação", recomendou Pasqualotto.
O médico chama a atenção para o acúmulo de água e matéria orgânica em decomposição na geladeira e na despensa e diz que precisamos ficar atentos ao aparecimento de mofo nas paredes ou dentro de armários na cozinha e no banheiro.”
01/06/2021 – UOL - BLOG DA LÚCIA HELENA
Link:https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/lucia-helena/2021/06/01/a-imunidade-das-criancas-o-que-acontece-se-elas-pegam-o-virus-da-covid-19.htm
"A imunidade das crianças: o que acontece se elas pegam o vírus da covid-19?
Desde o início da pandemia, a criançada põe os cientistas para brincar de quebra-cabeças. Mas a impressão é que as primeiras peças começam a se encaixar só agora.
Os números, um tanto desproporcionais, logo de cara apontaram para um enorme enigma. Nos Estados Unidos, por exemplo, as crianças são 22% da população. No entanto, se a gente olha para todo mundo que pegou a covid-19 por lá, apenas 1,7% é caso de pediatria. Ou seja, minoria absoluta.
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Por aqui, a situação é parecida. A população infantil gira em torno de 25% dos brasileiros, mas representa somente 1,9% dos diagnósticos de infecção pelo novo coronavírus no país e 0,5% das mortes causadas pela doença.
Estudos afirmam ainda que mais ou menos 6% dos pequenos infectados pelo Sars-CoV 2 desenvolvem quadros severos, enquanto os adultos nunca tiveram essa mesma sorte: entre eles, 26% acabam com formas mais graves da doença.
Daí que sobram pontos de interrogação. Por que, nas crianças, a infecção parece tão mais amena? Será que, nelas, a quantidade de vírus, ou carga viral, seria bem menor para justificar tanta diferença em relação à turma dos adultos? Ou será que guardam em seu organismo algum segredo capaz de levar a uma doença mais leve? E, se guardam, será que ele teria a ver com suas células de defesa?
A maior pergunta de todas, porém, talvez seja esta: será que, se esse segredo for decifrado, ele contribuirá para o surgimento de novos tratamentos ou até mesmo de vacinas?
A imunologista Cristina Bonorino, professora da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre) foi quem levantou todas essas indagações em sua apresentação, ontem, no primeiro dia do workshop "Pandemia de covid-19: o que os cientistas brasileiros estão fazendo", promovido pela Sociedade Brasileira de Imunologia.
Por falar no que está fazendo, ela e seus colegas da UFCSPA, ao lado de médicos do Hospital Moinhos de Vento, também da capital gaúcha, estão correndo justamente atrás dessas respostas.
Estudar o que acontece com a garotada infectada não tem sido moleza. "Os pais muitas vezes não autorizam", conta a professora. "Diga-se que, quando os adultos da casa pegam covid-19, eles em geral nem sequer testam as crianças para saber se elas também têm o vírus."
Apague conceitos ultrapassados
Parte dessa atitude se explica pela ideia, bastante disseminada no início da pandemia, de que as crianças nem sequer seriam infectadas pelo novo coronavírus. Trate de esquecê-la. Ela já caiu por terra. Crianças pegam a covid-19 com frequência provavelmente bem maior do que as aparências.
Aliás, também na abertura do evento, o virologista Eurico de Arruda Neto, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), contou uma experiência interessante. Ele e seus colegas fizeram PCR nas tonsilas — nome médico das populares amígdalas — de 25 crianças sem qualquer sintoma de covid-19 que operaram a garganta entre o final do ano passado e o início deste ano. Pois o material genético do Sars-CoV 2 estava lá, em um quarto delas.
Também se especulou, no comecinho da pandemia, que o público infantil estaria protegido da doença porque suas células teriam menos receptores da ECA-2. Ora, esses receptores são a fechadura que o coronavírus usa para invadi-las. "Mas esse argumento também pode não ser verdade", afirma Cristina Bonorino. Ou, vá lá, pode não ser toda a verdade.
Para a imunologista, o que faria a criançada não ter sintomas ou manifestar a infecção com maior suavidade seria o modo como suas células de defesa agiriam na presença do vírus. E a surpresa em seu trabalho é esta: a resposta imunológica do paciente pediátrico é diferente da dos adultos infectados, inclusive daqueles que também mal e mal apresentam sintomas.
Uma carga viral impressionante
No estudo liderado pela professora Cristina Bonorino, os cientistas compararam amostras de 33 adultos com manifestações severas de covid-19, de outros 34 com quadros brandos e de 25 crianças com idade média de 9 anos, sem qualquer comorbidade, que tinham apresentado sintomas leves da infecção, cerca de dez a 18 dias antes.
"O que nos chamou a atenção foram as cargas virais super altas, semelhantes às dos adultos", conta a imunologista. Ela ainda não concluiu outra pesquisa que poderá responder se, com uma carga viral dessas, os pequenos transmitiriam a doença tanto quanto os mais velhos. A lógica diz que sim.
Vale eu contar que, no mesmo dia, o virologista Fernando Spilki, professor da Universidade Feevale, em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, comentou no evento da SBI que ele e seus colegas estudam o caso de uma família em que vários integrantes foram infectados.
"De um lado, havia o núcleo dos pais e seus filhos. De outro, o núcleo dos avós e dos tios", descreveu. "Sequenciamos o genoma do coronavírus nos diversos indivíduos e, por esse exame, notamos que provavelmente uma criança acabou sendo a porta de entrada para a transmissão, quando foi levada de uma casa à outra, embora ela não tivesse permanecido muito tempo em contato com os adultos que terminaram contaminados", informou o virologista.
Diferenças fundamentais entre adultos e crianças
Se, por sua vez, os pesquisadores da UFCSPA não estão entrando no mérito da transmissão por enquanto, o que eles descobriram na intimidade do sistema imunológico das crianças foi impressionante.
É bom dizer que eles vasculharam as amostras de todos os participantes, adultos e crianças, examinando tipinho por tipinho de célula e de estratégia de defesa — resposta inata, monócitos, granulócitos, linfócitos B, CD-4, CD-8... Eu poderia escrever linhas e mais linhas de nomes que vivem na boca e no pensamento dos imunologistas. Enfim, os cientistas observaram o que acontecia com cada um deles.
"De modo geral, dizemos que a criança tem um sistema imune mais naive", ensina Cristina Bonorino. Naive, termo emprestado do inglês, quer dizer ingênuo. E, sim, são células de certa maneira ingênuas, que não exibem marcadores indicando que tiveram muitas experiências com agentes infecciosos até aquele momento.
"As infecções que temos ao longo da vida marcam as células imunes e, quanto mais marcadas, mais elas ficam ativas, o que pode ser bom em algumas situações e, em outras, nem tanto", explica a professora.
Segundo a imunologista, no caso do Sars-CoV 2, as células imunes das crianças estudadas mostraram total ingenuidade. Agiram como se, inexperientes, nem estivessem enxergando o vírus. Mas, surpreendentemente, apesar da pouca ativação, elas fizeram uma resposta muito forte à sua presença.
O que os cientistas então notaram: diferentemente do que ocorre com pessoas adultas, cujos anticorpos têm como alvo preferencial a proteína S que o vírus usa para infectar as células, as defesas das crianças miram em outro canto — na proteína N, que nem sequer está na superfície do Sars-CoV 2, mas em seu interior. Esta é a proteína mais produzida pelas nossas células ao serem dominadas pelo vírus invasor, chamando talvez a atenção de linfócitos encarregadas de destrui-las.
Outras integrantes do sistema imune, as células dendítricas, também agem de modo diverso do de gente grande. Isso porque as crianças têm uma expressão menor de uma molécula conhecida por CX3CR1. "Ela é como se fosse uma etiqueta com o endereço dos tecidos do corpo que estão inflamados", compara a imunologista.
Portanto, com muita CX3CR1 — que é o caso dos adultos —, as células dendríticas vão parar nos pulmões inflamados. Começa uma cascata — ali desencadeiam mais e mais inflamação. Nas crianças, porém, sem esse mesmo destino, as tais células dendrítricas vão parar mais em linfonodos, onde ajudam o sistema imune a criar a memória do invasor.
A mudança de destino pode fazer total diferença, é a hipótese. "Se isso ficar comprovado, no futuro poderão surgir tratamentos para bloquear o receptor da CX3CR1 nas células dendríticas a fim de diminuir a agressividade da doença", diz a professora, ilustrando uma das possibilidades de achados assim.
Do que já temos uma dose de certeza?
O recado certeiro é que as crianças precisam fazer o teste de covid-19, se há a menor suspeita dessa infecção. "Até porque não sabemos do amanhã", justifica Cristina Bonorino, que faz uma comparação com o HPV, o papilomavírus humano. "Levou um tempo, mas a ciência descobriu que esse vírus estava por trás de tumores no útero e de garganta. No caso do Sars-CoV 2, eu não falaria em câncer, mas não sabemos quais sequelas ele poderá provocar a longo prazo. E penso que só será possível evitá-las ou controlá-las sabendo quem contraiu o coronavírus", opina.
Se bem que, dizem, daqui a poucos anos não haverá um único sujeito na face da Terra que não terá conhecido de perto esse vírus da peste. Espero que, até lá, todos estejam vacinados. E que de algum modo, quem sabe, o nosso sistema imune tenha aprendido a lutar como o de uma criança."
01/06/2021 – Rádio Guaíba
Link:https://guaiba.com.br/2021/06/01/populacao-em-situacao-de-rua-comeca-a-ser-imunizada-em-porto-alegre/
“População em situação de rua começa a ser imunizada em Porto Alegre
Imunização ocorre, por enquanto, em três pontos da região central e da zona Sul da cidade
A Prefeitura de Porto Alegre confirmou, nesta terça-feira, o início da vacinação contra a Covid-19 em pessoas em situação de rua a partir desta quarta-feira. O período de imunização desse público, conforme a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), vai até 11 de junho. A estimativa é de que 3 mil doses sejam aplicadas para este grupo.
A imunização vai ser feita na região central e na Zona Sul, na Escola Municipal Porto Alegre (EPA), na rua Washington Luiz, 203, das 9h às 16h, no Centro; na Sociedade Esportiva, Recreativa, Cultural e Comunitária Ervino de Assis (SER Assis), na avenida Vicente Monteggia, 2709, no bairro Vila Nova, das 8h às 10h30min, e na Unidade de Saúde Tristeza, que fica na avenida Wenceslau Escobar, 2442, no bairro Tristeza, das 10h30min às 12h. A vacinação nas demais regiões distritais de saúde depende da chegada de novas doses de imunizantes.
Para receber a vacina, é necessário apresentar documento de identificação com foto ou cópia. Caso não tenha, o morador de rua pode informar o número do CPF ou Cartão Nacional de Saúde (CNS). Segundo a Prefeitura, as equipes de abordagem social da Fasc vêm orientando a população sobre os horários e locais de vacinação.
O processo de imunização da população em situação de rua é uma iniciativa da SMS, com o apoio da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e da rede alimentícia Oderich, que doaram 3 mil unidades de álcool em gel para distribuição após a aplicação da vacina.”
01/06/2021 – Correio do Povo
Link:https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/porto-alegre-come%C3%A7a-a-vacinar-popula%C3%A7%C3%A3o-em-situa%C3%A7%C3%A3o-de-rua-nesta-quarta-feira-1.629791
“Porto Alegre começa a vacinar população em situação de rua nesta quarta-feira
Imunização ocorrerá nas regiões Centro e Sul da Capital gaúcha
A Prefeitura de Porto Alegre confirmou, nesta terça-feira, o início da vacinação contra a Covid-19 em pessoas em situação de rua a partir desta quarta-feira, apenas nas regiões do Centro e Sul da Capital. Na região Central, a imunização será realizada na Escola Municipal Porto Alegre (EPA), na Rua Washington Luiz, 203, no horário das 9h às 16h.
Já na Região Sul Centro-Sul, a vacinação será na Sociedade Esportiva, Recreativa, Cultural e Comunitária Ervino de Assis (SER Assis), na avenida Vicente Monteggia, 2709, no bairro Vila Nova, das 8h às 10h30, e também na Unidade de Saúde Tristeza, na avenida Wenceslau Escobar, 2442, no bairro Tristeza, das 10h30 às 12h.
O Plano Municipal de Vacinação prevê a aplicação de total de 3 mil doses para este grupo. O período de imunização desta população ocorre de 2 a 11 de junho na Capital.
Segundo a Prefeitura, as equipes de abordagem social da Fasc estão orientando a população em situação de rua sobre os locais de vacinação e horários. Será necessário apresentar documento de identificação com foto ou cópia. Caso não tenha, poderá informar o número do CPF ou CNS.
A iniciativa da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) conta com apoio da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e da rede alimentícia Oderich, que doaram 3 mil unidades de álcool em gel para distribuição após a aplicação da vacina.
A vacinação nas demais regiões distritais de saúde depende da chegada de novas doses do imunológico."
01/06/2021 – O Sul
Link:https://www.osul.com.br/pessoas-em-situacao-de-rua-comecam-a-ser-imunizadas-contra-a-covid-em-porto-alegre/
"Pessoas em situação de rua começam a ser imunizadas contra a covid em Porto Alegre
A prefeitura de Porto Alegre abre nesta quarta-feira (2) a vacinação contra o coronavírus para as pessoas em situação de rua. Equipes da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) farão abordagens e orientações aos indivíduos desse segmento em vulnerabilidade – será solicitada a apresentação documento de identificação ou cópia – para quem não tiver, basta informar o número do CPF ou Cartão Nacional de Saúde (CNS).
Com previsão de 3 mil doses para esse segmento populacional, a aplicação dos imunizantes terá três endereços, com diferentes faixas de horários, até o final da semana que vem.
– Centro-Sul (8h-10h30min): Sociedade Esportiva, Recreativa, Cultural e Comunitária Ervino de Assis (SER Assis) – Avenida Vicente Monteggia nº 2.709 – Vila Nova;
– Sul: (10h30min ao meio-dia): posto de Saúde da avenida Wenceslau Escobar nº 2.442 – bairro Tristeza;
– Centro (9h-16h): Escola Municipal Porto Alegre (EPA) – Rua Washington Luiz nº 203, bairro Centro Histórico.
Já para as demais regiões distritais de saúde, o início da imunização de pessoas em situação de rua ainda depende da chegada de novas doses do imunológico.
Parcerias
Na Escola do Centro Histórico, o procedimento será realizado pela equipe do chamado “Consultório na Rua”. Durante a manhã, haverá apresentação cultural no pátio, a cargo do projeto “Acústico Ilê Mulher” e com a participação de educadores sociais e usuários do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos POP Rua, da Fasc.
A iniciativa da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) conta com apoio da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e da rede alimentícia Oderich, que doou 3 mil unidades de álcool-gel para distribuição após a aplicação da vacina. A Associação Brasileira de Odontologia também doou kits de saúde bucal."
01/06/2021 – BBC
Link: https://www.bbc.com/portuguese/geral-57317760
Fungo negro: Brasil teve 29 casos de mucormicose neste ano
O Brasil registrou neste ano até agora 29 casos de mucormicose - infecção conhecida popularmente como "fungo negro" - comparado com 36 casos em todo o ano de 2020, informou o Ministério da Saúde à BBC News Brasil.
Os dados são baseados em notificações feitas pelos Estados.
O Ministério da Saúde esclarece, no entanto, que "não é possível relacionar, até o momento, os casos de mucormicose registrados no Brasil com a covid-19 e as variantes do vírus".
Apesar disso, o número de casos só neste ano chama atenção, pois já está próximo do total em todo o ano passado, e coincide com o agravamento da pandemia de covid-19 no país.
Conhecida popularmente como "fungo negro", a mucormicose é causada por fungos e vem registrando um crescimento vertiginoso na Índia, onde já acometeu quase 9 mil pacientes com covid-19.
A doença mata mais de 50% dos acometidos. Muitos precisam passar por cirurgias mutilantes, que retiram partes do corpo afetadas pelo micro-organismo, como os olhos.
Em entrevista recente à BBC News Brasil, epidemiologistas disseram que, embora os relatos vindos da Índia sejam preocupantes e precisem ser acompanhados de perto, não são motivo de grande alarme.
Eles acrescentaram ser improvável que um cenário parecido se repita no Brasil ou em outros lugares do mundo.
"Essa situação local não constitui uma ameaça à saúde pública global", disse o infectologista Alessandro Comarú Pasqualotto, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
"A mucormicose não é algo que vai se espalhar pelo mundo", acrescentou o também infectologista Flávio de Queiroz Telles Filho, professor da Universidade Federal do Paraná.
E esse baixo potencial de perigo pode ser explicado por dois motivos.
Em primeiro lugar, esses fungos são conhecidos e estudados desde o final do século 19.
Segundo, eles já circulam livremente por boa parte do mundo, inclusive no Brasil.
Casos na Índia
Mas o que explica, então, o aumento de casos na Índia?
No atual momento, a Índia reúne uma série de condições que ajudam a explicar o aumento dos casos de mucormicose.
"Os agentes causadores da doença estão no ar e tiram vantagem da umidade alta e da temperatura quente daquele país", contextualiza Pasqualotto.
Vale reforçar que os fungos que provocam essa condição, conhecidos como Rhizopus, Rhizomucor e Mucor, estão presentes em muitos países (incluindo o Brasil) e podem ser observados no bolor do pão e das frutas, por exemplo.
Mas se eles são tão comuns assim, por que só causam estragos em algumas poucas pessoas, enquanto outras sequer são afetadas?
A explicação está na condição de saúde de cada um.
Segundo explicou Telles Filho à BBC News Brasil, existem três situações que facilitam o desenvolvimento da mucormicose: ter diabetes descontrolado, ser portador de doenças oncohematológicas (como a leucemia), que requerem transplante de medula óssea, ou fazer uso de altas doses de remédios da classe dos corticoides, que possuem ação anti-inflamatória.
"A Índia é um dos países com maior quantidade de diabéticos do mundo e vive atualmente um descontrole da pandemia de covid-19, com um alto número de pacientes internados que necessitam tomar corticoides", disse o médico, que também coordena o Comitê de Micologia da Sociedade Brasileira de Infectologia.
Para completar, em muitos locais mais afastados desse país, as condições sanitárias dos hospitais e das enfermarias não são as ideais, o que facilita o risco de contaminação por fungos.
Ou seja, trata-se de uma situação que reúne uma série de pacientes vulneráveis, com o sistema imunológico combalido pela covid-19, que muitas vezes apresentam doenças prévias (como o diabetes) e precisam de remédios que afetam ainda mais o funcionamento das células de defesa (caso dos corticoides). E eles são mantidos em locais que podem não apresentar a higiene adequada.
Esse é o cenário perfeito para que fungos como Rhizopus, Rhizomucor e Mucor tomem conta.
Na quinta-feira (27/05), o Uruguai confirmou oficialmente o primeiro caso de mucormicose em seu território.
Infecção
Mas como esses seres microscópicos invadem o corpo humano?
No geral, eles podem ser aspirados pelo próprio paciente ou entrar através dos tubos e cateteres que ficam ligados nas veias.
Outra origem é o intestino: como os fungos colonizam boa parte do sistema digestivo junto com as bactérias, eles podem aproveitar um desequilíbrio na microbiota (causada pelo uso de antibióticos, por exemplo) para ganhar terreno ali mesmo ou até invadir a circulação sanguínea.
Cada um desses fungos pode afetar uma parte específica do organismo: a mucormicose, que ganhou destaque nos últimos tempos, costuma entrar pelo nariz e logo invade os vasos sanguíneos do rosto, criando manchas escuras por onde passa (daí a alcunha "fungo negro").
Numa situação normal, é bem provável que o sistema imunológico consiga lidar com esses avanços fúngicos para evitar repercussões maiores.
Mas, em um momento de fragilidade causado pela covid-19, esse mecanismo natural de defesa pode não funcionar tão bem e permitir que Mucor, Aspergillus, Candida e companhia limitada causem estragos.
"É como se o coronavírus começasse o serviço e os fungos completassem a tarefa", disse Pasqualotto.
E como evitar isso?
Tudo começa com a prevenção. "As equipes de saúde precisam ter muito cuidado com a higiene e a lavagem das mãos, principalmente quando vão mexer nos cateteres e demais dispositivos que estão próximos do paciente", recomendou Telles Filho.
Desse modo, já é possível evitar a contaminação desses materiais e a entrada de fungos pela respiração ou pelos vasos sanguíneos.
Outra tática usada em hospitais, especialmente nas alas que recebem os pacientes com sistema imune muito comprometido (como aqueles que passaram por um transplante de medula óssea, por exemplo) é a instalação de filtros Hepa nos sistemas de ventilação.
Esse material tem fibras capazes de reter partículas muito pequenas — entre elas, esporos de Aspergillus que poderiam invadir o organismo das pessoas mais debilitadas.
Uma terceira estratégia é lançar mão de remédios antifúngicos de forma profilática, para evitar que uma infecção oportunista apareça.
"Isso vale para alguns casos de câncer, mas não se encaixaria em quadros de covid-19", explicou Telles Filho.
Do ponto de vista individual, vale sempre tomar cuidado com a própria saúde e manter doenças crônicas, como o diabetes, sob controle.
"Também precisamos pensar no ambiente em que vivemos. Hoje em dia, passamos boa parte de nosso tempo em lugares fechados, então precisamos nos preocupar com a umidade e a ventilação", recomendou Pasqualotto.
O médico chama a atenção para o acúmulo de água e matéria orgânica em decomposição na geladeira e na despensa e diz que precisamos ficar atentos ao aparecimento de mofo nas paredes ou dentro de armários na cozinha e no banheiro.
"Precisamos tirar o alimento para que os fungos não se desenvolvam", acrescentou.
30/04/2021 – GZH
https://www.correiodopovo.com.br/podcasts/direto-ao-ponto/protocolos-antigos-falta-de-monitoramento-e-a-chegada-do-inverno-o-cen%C3%A1rio-da-volta-%C3%A0s-aulas-no-rs-1.612272
Protocolos antigos, falta de monitoramento e a chegada do inverno: o cenário da volta às aulas no RS
Direto ao Ponto conversou com a Melissa Markoski, professora de Biossegurança da UFCSPA e membro da Rede Análise Covid-19
Após um extenso processo judicial, os estudantes gaúchos voltam a ocupar as salas de aulas. Máscaras, álcool em gel, termômetros são itens essenciais para o retorno e devem estar disponíveis a todos os profissionais da educação e alunos, conforme consta nos protocolos apresentados pelo governo do Rio Grande do Sul. Estas são algumas das medidas, além de limitações de espaço e testagem, que devem ser aplicadas nas escolas.
No entanto, a professora de Biossegurança da UFCSPA e membro da Rede Análise Covid-19, Melissa Markoski, ressalta que os protocolos solicitados hoje são os mesmos de setembro, quando a situação epidemiológica era outra. Para ela, o governo também deve atentar para a chegada do inverno e ao uso de modelos de máscaras adequadas em crianças.
Ao Direto ao Ponto, desta sexta-feira, ela comenta as condições apresentadas para o retorno presencial às salas de aulas, a necessidade de imunizar a comunidade acadêmica e os riscos aos quais crianças e adolescentes estão expostos.
29/04/2021 – Portal Brasil 61
https://brasil61.com/noticias/debate-sobre-fake-news-na-saude-e-promovido-pelo-mpf-e-ufcspa-bras214745
Debate sobre fake news na saúde é promovido pelo MPF e UFCSPA
Evento online acontecerá no dia 3 de maio. Inscrição prévia não é necessária
Na próxima segunda-feira (3), a partir das 10h, ocorrerá o debate online "Fake News em Saúde: como responsabilizar quem as divulga?", promovido pelo Departamento de Educação e Humanidades da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) em parceria com o Ministério Público Federal (MPF).
O vento contará com três palestrantes, a médica e professora, Lucia Campos Pellanda (UFCSPA), a juíza federal, Claudia Dadico e a jornalista e professora, Raquel Recuero (UFPEL). A discussão será acompanhada com tradução simultânea para Libras.
Para acompanhar, basta acessar o canal Furando Bolhas no YouTube. Não é necessária uma inscrição prévia, mas aqueles que desejarem obter certificado de participação devem preencher um formulário no site da Universidade.
29/04/2021 – Jornal Matinal
https://www.matinaljornalismo.com.br/matinal/newsletter/aulas-comecam-a-voltar-nesta-terca-feira/
Aulas começam a voltar nesta quinta-feira
Atenção aos cuidados – Com a volta às aulas confirmadas, integrantes do Comitê Científico agora tentam minimizar impactos na pandemia que podem ser causados pela grande movimentação que irá acontecer. Reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a médica e professora Lucia Pellanda alertou em entrevista ao Correio do Povo para a necessidade de atualização dos protocolos, que, conforme ela, precisam focar em uso de máscaras, ventilação adequada e distanciamento físico. “Embora o risco para as crianças seja menor, ele não é zero. E o risco de elas transmitirem para familiares e para pessoas que estão na escola é considerável”, afirmou.
29/04/2021 – GZH
https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2021/04/prefeitura-de-porto-alegre-comeca-a-testar-professores-da-rede-municipal-cko3ewicj00b5018m2os3m1xn.html
Prefeitura de Porto Alegre começa a testar professores da rede municipal
Infectologista questiona estratégia e diz que medida só tem efeito se testes ocorrerem com periodicidade
A prefeitura de Porto Alegre começou, nesta quinta-feira (29), a testagem para covid-19 que deverá ser feita com todos os professores e demais profissionais das escolas municipais, em meio à retomada das aulas presenciais na cidade. A estratégia utilizada pela prefeitura não é consenso entre especialistas consultados por GZH.
No início da tarde, equipes da Saúde municipal coletaram material de cinco dos 13 profissionais que atuam na Escola de Educação Infantil Padre Luiz Pedrollo, no bairro Partenon, zona Leste da cidade.
Apesar do ato simbólico dentro da escola, a testagem para os demais trabalhadores da rede municipal será feita em 24 postos de saúde e laboratórios indicadores pela prefeitura. Cada profissional da educação será comunicado pela sua instituição de ensino e receberá um tíquete que deverá apresentar no local de teste escolhido.
Segundo o diretor da Vigilância em Saúde de Porto Alegre, ainda está sendo avaliado se cada trabalhador será testado uma única vez ou se haverá testagem periódica.
– Ainda estamos avaliando. Provavelmente vai ter uma segunda rodada de testes. E, quando houver um caso confirmado, serão testados todos os contactantes (as pessoas com quem o infectado fez contato) – garantiu Ritter.
A estratégia utilizada pela prefeitura não é consenso entre especialistas consultados por GZH.
O teste realizado é do tipo RT-PCR, que detecta se a pessoa está com o vírus ativo no momento da testagem. A secreção naso-faríngea para análise laboratorial é coletada a partir da introdução de um cotonete nas narinas.
GZH ouviu dois estudiosos no assunto para avaliar o programa municipal de testagem. Eduardo Sprinz, chefe do serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, diz que considera a estratégia pouco eficiente. Ele defende que o melhor, nesse caso, seria utilizar testes rápidos que informam o resultado em 15 minutos e evitam que a pessoa contaminada siga circulando e contaminando outras.
Além disso, o infectologista aponta que é preciso testar os profissionais a cada três ou cinco dias para que a medida tenha efeito de longo prazo.
— Isso não serve para nada. Seria importante testar a cada três, cinco dias. E daqui a uma semana, e daqui a um mês, como vamos saber quem está contaminado? O ideal é testar com periodicidade. Testar uma vez só é como usar comprar um guarda-chuva falsificado, que usa uma vez e não funciona mais — afirma Sprinz.
A professora do Departamento de Saúde Coletiva da UFCSPA, Eliana Wendland, avalia que a testagem com RT-PCR iniciada pela prefeitura é uma estratégia possível, destacando que a testagem deve ocorrer antes de os profissionais iniciarem as atividades.
— Com os testes, vou ter a informação de que, neste momento, as pessoas não estão infectadas. Se retomamos as aulas hoje, com os testes feitos, posso garantir que um novo caso não foi resultado de uma transmissão dentro da escola. O ideal é que se implementem simultaneamente diferentes medidas de mitigação. Testagem e rastreamento são duas medidas possíveis — diz Eliana.
Tanto Sprinz quanto Eliana reforçam a importância das seguintes medidas: rastreio de contactantes dos casos positivos, uso de máscaras N95 (também chamadas de PFF2) e adoção de protocolos rígidos de distanciamento e ventilação.
29/04/2021 – Correio do Povo
https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/atraso-na-segunda-dose-n%C3%A3o-garante-efic%C3%A1cia-das-vacinas-alertam-especialistas-1.611639
Atraso na segunda dose não garante eficácia das vacinas, alertam especialistas
Preocupação com comprometimento da imunização iniciou após escassez da Coronavac no país
O Instituto Butantan recomenda que a segunda dose da Coronavac deve ser aplicada em um período entre 14 e 28 dias após a primeira. Já quem recebeu a dose da vacina AstraZeneca/Oxford (produzida no Brasil pela Fiocruz), o período recomendado é de 12 semanas. Mas o Rio Grande do Sul precisa de pelo menos 263.870 doses da Coronavac para poder realizar a segunda aplicação e concluir o ciclo de imunização daqueles que já receberam apenas primeira, o que tem feito os gaúchos esperarem além do prazo estipulado pelos laboratórios. Situação tem preocupado especialistas, que são categóricos ao afirmar não existir garantia da eficácia de proteção proposta pelas vacinas após o atraso na aplicação da segunda dose.
“Estamos verificando uma falta de planejamento estratégico preocupante. A comunidade científica séria, não comprometida com nenhum aspecto político, está bastante preocupada com o atraso na aplicação na aplicação das segundas doses da Coronavac. A realidade é que não há nenhum estudo que tenha avaliado o efeito de uma segunda dose após o 28º dia da primeira dose”, alerta o epidemiologista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Paulo Petry. “A resposta é bem objetiva e bem clara para esta situação: não existe estudo mostrando a resposta vacinal em diferentes intervalos”, ratifica o infectologista do Hospital Moinhos de Vento, Paulo Gewehr.
De acordo com Petry, todos os estudos que foram realizados e deram origem a todas estas vacinas, são ensaios clínicos randomizados. “São estudos muito bem feitos, muito bem conduzidos e são estudos padrão ouro da investigação epidemiológica e que atestaram a segurança e a eficácia da vacina. Mas atestaram a eficácia com a aplicação da segunda dose no máximo em 28 dias após a primeira dose.
E ao contrário do que afirma a Secretaria Estadual de Saúde (SES) e a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre, nós não sabemos o que pode acontecer com estas segundas doses aplicadas em atraso. É um salto no escuro”, critica o epidemiologista. “Qualquer estudo vacinal, para ser efetuado na população, ele é feito dentro de um protocolo. E o protocolo que foi estudado para a Coronavac são duas doses e o intervalo máximo, é 28 dias. Fora disso, a gente não sabe quanto tempo pode esperar”, lembra Cristina Bonorino, imunologista, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro dos comitês científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI).
Cristina explica que quando alguém recebe uma imunização, a primeira dose, o que acontece com a resposta imune, é que ela expande as células específicas para combater o vírus por uma semana e depois elas começam a reduzir. “Neste período em que elas começam a cair, é quando a gente dá o reforço, que a gente chama de segunda dose. Com este reforço, aquelas células que estavam morrendo, recebem um sinal de sobrevivência e aí elas conseguem sobreviver e se diferenciar, no que a gente chama de memória. Elas se mantêm por muitos anos. Se tu não receber o reforço, é que as células não recebem sinal de sobrevivência e morrem. E aí tem que começar tudo de novo o protocolo de vacinação”, detalha a professora.
Petry afirma que o cenário com os atrasos é de incerteza. “Existe até a possibilidade, sendo otimista, que incremente e melhore a resposta imunológica das pessoas. Mas está é uma visão romântica e otimista. Na verdade, nós não sabemos o que vai acontecer. E se acontecer que a vacina perca sua eficácia, as vacinas vacinadas em atraso elas estarão sendo prejudicadas e iludidas”, critica.
Gewehr acredita que o atraso pode prejudicar em outro aspecto. “Temos que fazer um esforço grande para que este desabastecimento não ocorra novamente. Porque começa a gerar incerteza, dúvidas e até esquecimento, refletindo na adesão vacinal, por procurarem a segunda dose na data indicada e acabarem achando que não é mais importante ao ver que não tem disponível”, frisa.
O Ministério da Saúde diz que é "improvável que intervalos aumentados entre as doses das vacinas ocasionem a redução na eficácia do esquema vacinal". Mas ressalta que os atrasos devem ser evitados "uma vez que não se pode assegurar a devida proteção do indivíduo até a administração da segunda dose".
A SES foi questionada, mas até o fechamento desta reportagem não informou uma posição, mas tem afirmado que não faltam doses da AstraZeneca/Oxford para a dose de reforço. Já a SMS, lembra que o próprio diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas já disse não ter problemas em atrasos de 10, 15 dias ou até de um mês na aplicação da segunda dose. “Intervalo pequeno, de alguns dias não tem problema. Mas uma semana ou duas pode fazer a diferença. Eles (autoridades) não podem garantir isso. Se falam isso, é sem nenhuma evidência”, critica Cristina.
28/04/2021 – Revista News
https://revistanews.com.br/2021/04/28/medicos-fernando-lucchese-e-jose-camargo-palestram-amanha-29/
Médicos Fernando Lucchese e José Camargo palestram amanhã (29)
Primeiro módulo do projeto Luzes da Ciência será integrado por palestras de personalidades com atuação na medicina, levando temas diversos para o debate da sociedade.
A Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre dão início, na próxima quinta-feira (29 de abril), às 20h, ao primeiro módulo do Luzes da Ciência, projeto online que contará com palestras de personalidades sobre temas como medicina, saúde e bem-estar.
A primeira palestra será do médico Fernando Lucchese, cirurgião cardiovascular e diretor médico do Hospital São Francisco e Hospital da Criança Santo Antônio, que falará sobre A interface entre felicidade e saúde. Na sequência, o médico José Camargo, cirurgião torácico e diretor médico do Hospital Dom Vicente Scherer, realizará a palestra Medicina: passado, presente e futuro.
O médico Ernani Rhoden, idealizador do projeto juntamente com os médicos Leandro Spinelli e Paulo Worm, explica que o Luzes da Ciência “busca trazer pensadores e intelectuais de destaque no Rio Grande do Sul e no Brasil para abordagens enriquecedoras de diversos temas relacionados com o mundo atual”. A atividade será mediada pela jornalista Laura Medina e transmitida pelas páginas do Facebook (SantaCasaPortoAlegre) e YouTube da Santa Casa (TVSantaCasa).
28/04/2021 – Revista News
https://revistanews.com.br/2021/04/28/medicos-fernando-lucchese-e-jose-camargo-palestram-amanha-29/
Médicos Fernando Lucchese e José Camargo palestram amanhã (29)
Primeiro módulo do projeto Luzes da Ciência será integrado por palestras de personalidades com atuação na medicina, levando temas diversos para o debate da sociedade.
A Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre dão início, na próxima quinta-feira (29 de abril), às 20h, ao primeiro módulo do Luzes da Ciência, projeto online que contará com palestras de personalidades sobre temas como medicina, saúde e bem-estar.
A primeira palestra será do médico Fernando Lucchese, cirurgião cardiovascular e diretor médico do Hospital São Francisco e Hospital da Criança Santo Antônio, que falará sobre A interface entre felicidade e saúde. Na sequência, o médico José Camargo, cirurgião torácico e diretor médico do Hospital Dom Vicente Scherer, realizará a palestra Medicina: passado, presente e futuro.
O médico Ernani Rhoden, idealizador do projeto juntamente com os médicos Leandro Spinelli e Paulo Worm, explica que o Luzes da Ciência “busca trazer pensadores e intelectuais de destaque no Rio Grande do Sul e no Brasil para abordagens enriquecedoras de diversos temas relacionados com o mundo atual”. A atividade será mediada pela jornalista Laura Medina e transmitida pelas páginas do Facebook (SantaCasaPortoAlegre) e YouTube da Santa Casa (TVSantaCasa).
28/04/2021 – Correio do Povo
https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/pol%C3%ADtica/reitora-alerta-protocolos-para-abrir-escolas-est%C3%A3o-defasados-1.610798
Reitora alerta: "protocolos para abrir escolas estão defasados"
Surpreendidos com anúncio do governo, integrantes do Comitê Científico se oferecem para auxiliar nas mudanças
Surpreendidos ao longo da terça-feira pelas medidas anunciadas pelo governador Eduardo Leite (PSDB) colocando, por decreto, todo o RS em bandeira vermelha, suspendendo a cogestão e permitindo o retorno das aulas presenciais em todos os níveis de ensino, integrantes do Comitê Científico passaram a se mobilizar para alertar tanto o Executivo como a população sobre o que, do ponto de vista do avanço da pandemia, as mudanças podem significar. Há um entendimento majoritário, por exemplo, de que o retorno às atividades presenciais na Educação não pode ser feito, no atual momento no RS, com protocolos construídos no ano passado, porque os mesmos estão defasados.
“Nossa posição inicial é de pelo menos tentar propor critérios para as escolas, porque os protocolos antigos não servem agora”, adianta a reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a médica e professora Lucia Pellanda. Lucia integra o Comitê Científico, um colegiado que mescla especialistas externos vinculados a diferentes instituições e áreas do conhecimento e corpos técnicos do governo. E que foi instituído no ano passado para assessorar o Executivo, a partir dos critérios técnicos e científicos, nas medidas de combate ao coronavírus.
Correio do Povo: Por que os protocolos estabelecidos em 2020 para reabertura das escolas não atendem as necessidades do atual momento?
Lucia Pellanda: Porque, durante todo este período, aprendemos com a pandemia. E hoje estão consolidadas a importância e o alto grau de transmissão pela via respiratória. É um vírus respiratório. No ano passado, havia toda uma atenção voltada para quantificar a transmissão por superfícies. Os protocolos foram construídos priorizando aquele entendimento. Hoje, já sabemos que a transmissão respiratória é a mais importante.
CP: Os protocolos precisam ser alterados?
LP: A base dos protocolos para evitar ou minimizar a transmissão respiratória é um tripé. Ele inclui, primeiro, máscaras de qualidade e bem ajustadas ao rosto. Então, por exemplo, todos os professores e trabalhadores das instituições de ensino deveriam usar máscaras PFF2. O segundo item do tripé é ventilação adequada. É fundamental existir uma ventilação que garanta a dispersão das partículas do vírus. E, dependendo do local, filtro especial para os aparelhos de ar-condicionado. Esta discussão nos Estados Unidos foi bem significativa mesmo, porque o custo da adaptação dos sistemas de ar é bastante elevado. Ou deixa o sistema desligado com todas as janelas abertas. Locais sem janelas ou onde elas não possam ser abertas não devem ser utilizados. E, terceiro, o distanciamento. Por exemplo: 10 pessoas que não são de uma mesma casa em uma sala já podem constituir, a depender das condições, uma aglomeração. Como vamos resolver isto? Considerando estes três itens, é possível garantir a segurança do retorno?
CP: Em fevereiro, poucos dias antes da bandeira preta, o governo estadual flexibilizou algumas medidas nas escolas. Elas acabaram por permitir, por exemplo, maior número de alunos em sala. Isto precisa ser revisto?
LP: É preciso haver dois metros de distância entre as crianças. Quando são crianças pequenas, que não usam máscara, provavelmente maior distância. Porque embora o risco para as crianças seja menor, ele não é zero. E o risco de elas transmitirem para familiares e para pessoas que estão na escola é considerável. É claro que entendo que escolas precisam, que devem abrir quando há segurança para isto. Só que não tenho certeza da existência desta segurança agora.
CP: Governantes, entidades e parte da população argumentam que, apesar da bandeira preta que estava em vigor, praticamente todos os setores estavam abertos, com exceção da Educação. E que, por isto, era contraditório manter escolas fechadas.
LP: É importante que as pessoas estejam cientes de que aumento na mobilidade, independente do setor, vai aumentar o número de casos, porque aumenta a transmissão. É óbvio que preferimos que a escola abra antes do bar. Mas se decidiram abrir o bar, é preciso tomar uma outra decisão: a de estabelecer o que vai fechar para que a escola possa abrir. A lógica correta, na prática, a que funciona, não é a de um setor abrir porque outro já está aberto, e assim abrir todos. É a de fazer escolhas sobre o que fechar para equilibrar a abertura das escolas. A máxima “já que está tudo aberto, vamos abrir as escolas também”, precisa vir acompanhada da consciência de que esta ação vai gerar aumento no número de casos. A pergunta é: estamos preparados para isto?
CP: Os protocolos anteriores também não levam em consideração a alta transmissibilidade da variante P1 do vírus, certo?
LP: Exatamente. Antes não conhecíamos tão bem a transmissão. Agora conhecemos muito melhor. E os protocolos não migraram de acordo com este conhecimento. Medir a temperatura de alunos na entrada da escola, por exemplo, é hoje uma das ações com menos impacto em todo o sistema de protocolos a serem adotados (parte das pessoas contaminadas sequer apresenta febre). Não estou dizendo que não é para ser feito. Estou falando de diferentes graus de efetividade a partir do que conhecemos sobre o vírus. É muito claro que precisamos ter um plano para como apoiar as crianças que precisam, que estão em situação de vulnerabilidade, para definir como vamos fazer para acolher estas crianças. Mas abrir a escola sem as condições adequadas de segurança não parece ser a solução neste momento. E, quero deixar muito claro isto: a Educação é a coisa mais importante que existe. Ela só não é mais importante do que a vida.
CP: Em que condições as escolas devem reabrir?
LP: Poderíamos estar abrindo neste momento se já tivessem sido adotadas uma série de medidas, mas elas não foram feitas. Não é que seja impossível, é que precisa primeiro ter as medidas de segurança funcionando. São mudanças nos protocolos conforme o que já citei, um planejamento de como será feita a volta, todo um plano de retorno.
CP: Os critérios científicos se perderam?
LP: É uma questão difícil. A sociedade democrática é formada por diferentes posições e é fundamental escutar a todas. Os argumentos, como o do prejuízo para as crianças, são muito importantes. Ninguém está fazendo pouco desta argumentação. É só uma questão de que este não é o momento para reabrir com os protocolos antigos. O prejuízo aos estudantes já está dado, é inegável, só que colocar todos em risco talvez cause mais prejuízo, porque é bastante provável que será necessário voltar atrás. É preciso considerar, por exemplo, para as crianças, o risco de perder um dos pais ou outro familiar. Isto, infelizmente, existe. É uma discussão que precisamos fazer com muita responsabilidade. Podemos começar agora. Mas, abrir intempestivamente, não.
CP: O Comitê Científico foi chamado para auxiliar na elaboração das mudanças?
LP: Não. Mas, mesmo assim, estamos nos oferecendo para contribuir. A mensagem da segurança é muito importante. Mudou a situação, mudou a compreensão a respeito da transmissão, e precisamos atualizar os protocolos. A questão da ventilação, por exemplo, é importante demais, e acredito que será bastante difícil de padronizar. Há uma heterogeneidade muito grande entre escolas. Por fim, teremos a chegada do inverno. E, ainda, a questão coletiva, a da transmissão global. Destaco isto porque a maioria dos estudos sobre o risco de transmissão de atividades não tem resultados em situações como a nossa: a situação crítica. Foram realizados em situações de transmissão bem mais baixa, não em cenário de transmissão descontrolada como este no qual ainda nos encontramos. Há pouquíssimos relatos, por exemplo, de escolas que abriram em situação semelhante à nossa. Mesmo que existam estudos que apontem risco baixo, eles não tratam de uma realidade que chegue sequer perto da nossa, é muito difícil de transpor as condições. Há algum tempo já assinalamos esta diferença.
26/04/2021 – Portal da Cidade - Lucas do Rio Verde
https://lucasdorioverde.portaldacidade.com/noticias/saude/pesquisa-apoiada-pela-brf-identifica-109-mutacoes-do-virus-sars-cov-2-2655
Pesquisa apoiada pela BRF identifica 109 mutações do vírus Sars-CoV-2
Os resultados dessa primeira fase da pesquisa foram compartilhados em uma plataforma à disposição de pesquisadores de todo o mundo
Oito meses depois de a BRF doar R$ 100 mil à Universidade do Vale do Taquari - Univates, de Lajeado (RS), como apoio a pesquisas e projetos relacionados à Covid-19, entre os estudos da Instituição estão a identificação de mutações no genoma do vírus Sars-CoV-2 e a busca por compostos que possam inibir a replicação viral. O primeiro passo foi analisar 627 sequenciamentos genômicos do Sars-CoV-2 recolhidos a partir de amostras em diferentes regiões do País. A equipe identificou 109 mutações no vírus, que não significam novas variantes da doença, mas são uma descoberta importante para a melhor compreensão sobre o comportamento do Sars-CoV-2. O estudo também fornece suporte para um melhor entendimento sobre a eficácia das vacinas, perseguindo o objetivo de identificar compostos que possam ser utilizados para o enfrentamento da pandemia.
Os resultados dessa primeira fase da pesquisa foram compartilhados em uma plataforma à disposição de pesquisadores de todo o mundo para ajudá-los na busca coletiva pela cura e submetidos a uma das mais conceituadas revistas científicas do mundo, a Scientific Reports, do grupo Nature. A equipe é formada por seis pesquisadores, entre professores e alunos da Univates, dos quais uma bolsista de doutorado e uma pós-doutoranda. O professor Luís Fernando Saraiva Macedo Timmers, doutor em Biologia Celular e Molecular, coordenou a análise das mutações nos genomas, realizada de junho a dezembro do ano passado. Os dados para este estudo foram obtidos por meio do banco de dados público GISAID, da Alemanha, que inclui amostras recolhidas no Brasil e sequenciadas em um trabalho colaborativo envolvendo cientistas de todo o mundo.
Para avaliar a presença de mutações no genoma de Sars-CoV-2, os pesquisadores da Univates combinaram técnicas computacionais como a bioinformática estrutural e a genômica comparativa, com o objetivo de demonstrar quais são e onde, na estrutura do vírus, estão as mutações prevalentes. O estudo é destacado pela Univates como uma expansão no conhecimento sobre a interação do vírus da Covid-19 com o organismo humano.
“Nós concluímos a parte computacional e agora estamos iniciando a parte experimental”, explica Timmers, acrescentando que, com base nas descobertas desse trabalho, a doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPGBiotec) Débora Bublitz Anton concentrará a pesquisa em uma das proteínas do vírus, a 3CLpro, em busca de potenciais inibidores. “A pesquisa contribui para a comunidade científica, ao mostrar as mutações presentes no vírus, suas localizações nas estruturas das proteínas virais, abrindo caminho para a busca de novos compostos no combate ao vírus. É também um sinal de alerta para a sociedade, pois reforça a percepção de que se trata de um vírus com alto risco de mutação. Por isso são importantes as medidas protetivas”, destaca o pesquisador. Esta etapa de desenvolvimento de novos fármacos contra o vírus Sars-CoV-2 é encabeçada pelos professores doutores Márcia Inês Goettert e João Antônio Pêgas Henriques, que coordenarão os testes de cultivo celular dos compostos mais promissores.
Os esforços contaram com a colaboração de mais seis instituições: a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e a Universidade de Tübingen (Alemanha).
Outras pesquisas
Esse não é o único projeto da Univates em desenvolvimento que utiliza recursos doados pela BRF.
Diagnóstico mais rápido e barato – Em um projeto sob o título Detecção do vírus da Síndrome Respiratória Corona Vírus-2 por Espectroscopia no Infravermelho com Transformada de Fourier, a professora Daiane Heidrich, doutora em Medicina, procura um exame mais rápido e barato, e com menor impacto ambiental, para detectar o vírus pela saliva, em vez da secreção coletada do nariz e da garganta utilizada pelo RT-PCR. O objetivo é desenvolver uma tecnologia alternativa que possa ser utilizada pela população do Vale do Taquari, por meio do apoio e interesse das redes municipais de saúde, e mesmo fora da região onde se situa a Univates.
Ozônio para a desinfecção e sanitização – A diretora de Inovação e Sustentabilidade da Univates, professora Simone Stülp, doutora em Engenharia de Minas, Metalúrgica e de Materiais, coordena um projeto, em conjunto com uma startup instalada no Tecnovates, a Alvap, que investiga a adoção do ozônio para a desinfecção e sanitização. O manejo do ozônio, pela Alvap, é usado para a limpeza de frutas, purificação de água, principalmente na indústria e na agricultura. A professora Simone Stülp ressalta que o investimento da BRF para o Tecnovates é uma aproximação com o Hub de Inovação da BRF, conectado com as áreas prioritárias do Parque Tecnológico, e bem-vindo em área de extrema necessidade neste momento de emergência sanitária. O BrfHub é o braço de inovação aberta da BRF, que procura diariamente conectar a empresa com novos estudos e tecnologias.
As doações no combate à Covid
A doação para a Univates faz parte de um conjunto de R$ 50 milhões anunciados pela BRF em abril de 2020, utilizados em distribuição de alimentos, insumos médicos e apoio a fundos de pesquisa e desenvolvimento social, para contribuir com os esforços de combate aos efeitos da pandemia. A iniciativa alcança hospitais, organizações de assistência social e profissionais de saúde nos estados e municípios em que a empresa possui operação. Dentre os contemplados, além da Univates, estão a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, o Instituto Butantan e o Hospital das Clínicas, em São Paulo.
Há menos de um mês, em 31 de março, a BRF, anunciou a doação de mais R$ 50 milhões, que contempla ações em 15 estados brasileiros e em países onde a BRF tem unidades produtivas, centros de distribuição e escritórios corporativos. Os alimentos serão entregues a hospitais, organizações sociais e iniciativas de apoio a populações em vulnerabilidade. Insumos hospitalares e equipamentos médicos, como ventiladores, usinas de oxigênio e leitos de UTI, serão destinados a secretarias municipais, estaduais e entidades de saúde. Também está previsto o fomento a outras ações de desenvolvimento social e na área da saúde, bem como apoio a novas pesquisas científicas, visando contribuir com soluções para os desafios impostos pelo agravamento da pandemia.
As doações e demais ações da BRF no combate ao Coronavírus podem ser acompanhadas pelo site www.brf-global.com/sobre/seguranca/comunicado-coronavirus
25/04/2021 – Correio do Povo
https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/permanece-tend%C3%AAncia-de-pessoas-mais-jovens-hospitalizadas-pela-covid-19-1.608970
Permanece tendência de pessoas mais jovens hospitalizadas pela Covid-19
Especialistas alertam que predominância de pessoas com até 40 anos nas estatísticas da Covid-19 também deve migrar para a mortalidade
Dados divulgados pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), mostram que em março, pela primeira vez desde o início da pandemia, pacientes com menos de 40 anos são a maioria dos internados em unidades de terapia intensiva (UTI) do Brasil. O levantamento aponta que quase 60% dos que estiveram internados são de adultos com até 40 anos.
Em Porto Alegre, desde final do mês de fevereiro, hospitais também têm indicado esta mudança no perfil dos pacientes. Com o avanço da vacinação nos grupos prioritários, o que inclui pessoas acima dos 60 anos, especialistas afirmam que é questão de tempo que esta estatística se estenda à mortalidade.
O estudo da Amib revelou que, no último mês mais de 58,1% das internações em UTI foram de adultos com até 40 anos, num total que ultrapassa os 20 mil leitos. A pesquisa foi feita a partir de uma amostra que englobou 20.865 leitos de UTI no país, cerca de 25% de todas as unidades.
Quando feita uma comparação com os meses anteriores, os pacientes mais jovens representavam cerca de 45% dos internados. Enquanto isso, a ocupação de idosos acima dos 80 anos nas UTIs caiu 42%, aponta o estudo.
“Sim, no Rio Grande do Sul também ocorreu uma mudança na epidemiologia da Covid no RS, passando os jovens a ter uma participação maior nas internações hospitalares em relação aos períodos anteriores”, atesta o infectologista e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Alessandro Pasqualotto.
No Hospital de Clínicas de Porto Alegre, que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a média de idade de pacientes com Covid-19 admitidos em 2020 foi de 57,5 anos. Em 2021, janeiro apresentou média de 56 anos, fevereiro de 54,4 e culminando com março de 51,4 anos. Mas se considerando apenas aqueles admitidos em leitos do Centro de Terapia Intensiva (CTI), a queda é mais acentuada: enquanto a média de idade era próxima de 60 anos em 2020 e em janeiro de 2021, foi de 56,6 anos em fevereiro e de 50,7 em março. Ou seja, praticamente dez anos a menos.
No Hospital Moinhos de Vento, que atende particular e planos de saúde, a média geral de idades de todos os pacientes internados por Covid-19 passou de 61 anos em dezembro para 57 em abril. Na faixa etária dos 20 aos 40 anos, a quantidade de pacientes internados em enfermaria aumentou 78% e na UTI, 900%, quando havia apenas um paciente e aumentou para 10 entre novembro do ano passado e março deste ano.
23/04/2021 – Correio do Povo
https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/ensino/inep-aponta-que-43-das-institui%C3%A7%C3%B5es-p%C3%BAblicas-de-ensino-superior-t%C3%AAm-notas-altas-1.608189
Inep aponta que 43% das instituições públicas de ensino superior têm notas altas
UFCSPA e UFRGS estão dentre as universidades públicas com notas 4 e 5
Quatro em cada dez instituições públicas de ensino superior obtiveram as notas mais altas em uma avaliação federal de qualidade; já entre as privadas, 21% alcançaram esse patamar. No Rio Grande do Sul, fazem parte deste grupo a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFFRGS) e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Os dados sobre o desempenho das instituições de ensino superior foram divulgados nesta sexta-feira, 23, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC).
Foram avaliadas mais de 2 mil instituições em todo o País. Os indicadores de qualidade são expressos pelo Índice Geral de Cursos (IGC), em uma escala de 1 a 5, sendo 5 a nota máxima e as notas 1 e 2 consideradas "insuficientes".
Entre as 245 universidades públicas avaliadas, 107 (44%) alcançaram as notas 4 e 5 no IGC, as mais altas. Já entre as 1.821 instituições particulares de ensino avaliadas, 386 chegaram aos índices 4 e 5, o que corresponde a 21% dos cursos desse tipo avaliados. Só 28 das particulares alcançaram a nota máxima.
As instituições públicas federais são as que têm o melhor desempenho. Quase 71% das instituições de ensino superior desse tipo estão nas faixas 4 e 5. Nenhuma instituição pública obteve nota 1. Já entre as privadas, 6 ficaram com nota 1 e 232 tiveram nível 2.
Considerando a totalidade de instituições avaliadas, apenas 2% obtiveram nota máxima. Em números absolutos, 46 instituições alcançaram o maior IGC. A maior parte do total de instituições de instituições de ensino avaliadas (68%) ficou na faixa 3. A nota 4 abarcou um quinto (22%) das faculdades e universidades e a nota 2, 12,1%.
Em termos relativos, os Estados de Espírito Santo, Rio e Rio Grande do Norte tiveram os melhores resultados no IGC 2019. Eles obtiveram 9,2%, 6,7% e 4,2% de suas instituições, respectivamente, com nota 5. Já o Rio Grande do Sul, o Ceará e o Distrito Federal tiveram o maior número proporcional de instituições com IGC 4.
O cálculo para chegar ao IGC leva em conta a média do Conceito Preliminar de Curso (CPC), considerando o último Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), prova aplicada para quem está terminando o curso. Também foi considerada a média dos conceitos de avaliação dos programas de pós-graduação e a distribuição dos estudantes entre as diferentes etapas de ensino superior (graduação ou pós).
Os dados do IGC subsidiam a definição de políticas públicas para a área e podem servir de critério para a autorização de oferta de cursos de pós-graduação stricto sensu a distância.
Veja a lista das faculdades e universidades que obtiveram nota máxima:
Escola Brasileira de Economia e Finanças
Escola de Ciências Sociais
Escola de Economia de São Paulo
Instituto Militar de Engenharia
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas
Faculdade Fucape
Instituto Tecnológico de Aeronáutica
Escola de Direito de São Paulo - FGV Direito SP
Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Instituto Nacional de Ensino Superior e Pós-Graduação Padre Gervásio
Faculdades EST
Faculdade de Direito de Vitória
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
Escola de Matemática Aplicada
Faculdade Norte Capixaba de São Mateus
Faculdade São Leopoldo Mandic
Faculdade de Teologia de São Paulo da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Faculdade do Espírito Santo
Universidade Federal do Sul da Bahia
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp)
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Faculdade São Geraldo
Escola de Direito do Rio de Janeiro
Universidade Federal de Viçosa
Universidade Federal de São Carlos
Universidade Federal de Lavras
Escola de Administração de Empresas de São Paulo
Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
Faculdade Fipecafi
Faculdade de Balsas
Fundação Universidade Federal do ABC
Universidade Federal do Paraná
Faculdade Católica do Rio Grande do Norte
Faculdade Ari de Sá
Faculdade Cristã de Curitiba
Faculdade de Castelo - Multivix Castelo
Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro
Centro Universitário Brasileiro
Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa São Paulo
Faculdade Escola Paulista de Direito
Faculdade de Tecnologia Saint Paul
Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto.
23/04/2021 – Istoé Dinheiro
https://www.istoedinheiro.com.br/inep-43-das-instituicoes-publicas-de-ensino-superior-tem-notas-altas/
Inep: 43% das instituições públicas de ensino superior têm notas altas
Quatro em cada dez instituições públicas de ensino superior obtiveram as notas mais altas em uma avaliação federal de qualidade; já entre as privadas, 21% alcançaram esse patamar. Os dados sobre o desempenho das instituições de ensino superior foram divulgados nesta sexta-feira, 23, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC).
Foram avaliadas mais de 2 mil instituições em todo o País. Os indicadores de qualidade são expressos pelo Índice Geral de Cursos (IGC), em uma escala de 1 a 5, sendo 5 a nota máxima e as notas 1 e 2 consideradas “insuficientes”.
Entre as 245 universidades públicas avaliadas, 107 (44%) alcançaram as notas 4 e 5 no IGC, as mais altas. Já entre as 1.821 instituições particulares de ensino avaliadas, 386 chegaram aos índices 4 e 5, o que corresponde a 21% dos cursos desse tipo avaliados. Só 28 das particulares alcançaram a nota máxima.
As instituições públicas federais são as que têm o melhor desempenho. Quase 71% das instituições de ensino superior desse tipo estão nas faixas 4 e 5. Nenhuma instituição pública obteve nota 1. Já entre as privadas, 6 ficaram com nota 1 e 232 tiveram nível 2.
Considerando a totalidade de instituições avaliadas, apenas 2% obtiveram nota máxima. Em números absolutos, 46 instituições alcançaram o maior IGC. A maior parte do total de instituições de instituições de ensino avaliadas (68%) ficou na faixa 3. A nota 4 abarcou um quinto (22%) das faculdades e universidades e a nota 2, 12,1%.
Em termos relativos, os Estados de Espírito Santo, Rio e Rio Grande do Norte tiveram os melhores resultados no IGC 2019. Eles obtiveram 9,2%, 6,7% e 4,2% de suas instituições, respectivamente, com nota 5. Já o Rio Grande do Sul, o Ceará e o Distrito Federal tiveram o maior número proporcional de instituições com IGC 4.
O cálculo para chegar ao IGC leva em conta a média do Conceito Preliminar de Curso (CPC), considerando o último Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), prova aplicada para quem está terminando o curso. Também foi considerada a média dos conceitos de avaliação dos programas de pós-graduação e a distribuição dos estudantes entre as diferentes etapas de ensino superior (graduação ou pós).
Os dados do IGC subsidiam a definição de políticas públicas para a área e podem servir de critério para a autorização de oferta de cursos de pós-graduação stricto sensu a distância.
Veja a lista das faculdades e universidades que obtiveram nota máxima:
Escola Brasileira de Economia e Finanças
Escola de Ciências Sociais
Escola de Economia de São Paulo
Instituto Militar de Engenharia
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas
Faculdade Fucape
Instituto Tecnológico de Aeronáutica
Escola de Direito de São Paulo – FGV Direito SP
Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Instituto Nacional de Ensino Superior e Pós-Graduação Padre Gervásio
Faculdades EST
Faculdade de Direito de Vitória
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
Escola de Matemática Aplicada
Faculdade Norte Capixaba de São Mateus
Faculdade São Leopoldo Mandic
Faculdade de Teologia de São Paulo da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Faculdade do Espírito Santo
Universidade Federal do Sul da Bahia
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp)
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Faculdade São Geraldo
Escola de Direito do Rio de Janeiro
Universidade Federal de Viçosa
Universidade Federal de São Carlos
Universidade Federal de Lavras
Escola de Administração de Empresas de São Paulo
Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
Faculdade Fipecafi
Faculdade de Balsas
Fundação Universidade Federal do ABC
Universidade Federal do Paraná
Faculdade Católica do Rio Grande do Norte
Faculdade Ari de Sá
Faculdade Cristã de Curitiba
Faculdade de Castelo – Multivix Castelo
Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro
Centro Universitário Brasileiro
Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa São Paulo
Faculdade Escola Paulista de Direito
Faculdade de Tecnologia Saint Paul
Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto.
23/04/2021 – Revista Fórum
https://revistaforum.com.br/noticias/vacinacao-dos-grupos-prioritarios-so-deve-terminar-em-setembro/
Vacinação dos grupos prioritários só deve terminar em setembro
Dados do Ministério da Saúde revelam que mais de 16 mil pessoas receberam vacinas trocadas contra a Covid-19
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, revelou que a vacinação de todo o grupo prioritário só deve terminar em setembro. A declaração do ministro joga por terra o objetivo inicial do governo federal, que era concluir a vacinação deste grupo até o fim de maio.
Porém, a conclusão da imunização dos grupos prioritários deve terminar em setembro se não houver nenhum atraso na entrega de vacinas, caso isso ocorra, o prazo pode ser revisto.
“O processo de vacinação no Brasil tem ocorrido de forma cada vez mais célere. Se continuar nesse ritmo, até setembro vamos atingir a população prevista no PNI (Plano Nacional de Imunização”, declarou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.
Dados do sistema de informações do Ministério da Saúde revelam que, polo menos 16,5 mil pessoas vacinadas contra a Covid-19 no Brasil receberam imunizantes distintos, ou sejam, a primeira dose de Coronavac e a segunda da Oxford/AstraZeneca, ou vice-versa.
De acordo com informações da Folha de S. Paulo, a maioria das pessoas (14.791 pessoas) recebeu, primeiramente, uma dose do imunizante da Oxford/AstraZeneca e a segunda da Coronavac. Uma parte menor (1.735 pessoas) recebeu primeiro a coronavac e depois a Oxford/AstraZeneca.
Segundo o sistema de informação do Ministério da Saúde, essa troca de vacina se deu em quase todo o país, com exceção do Acre e do Rio Grande do Norte.
Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que “cabe aos estados e municípios o acompanhamento e monitoramento de possíveis eventos adversos a essas pessoas por, no mínimo, 30 dias”.
Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) disse que as pessoas que receberam vacinas trocadas “não tomou nenhuma dose completa”.
23/04/2021 – SBT Brasil
https://youtu.be/iC5akvLcCkc
Apenas 2 em cada 100 faculdades têm nota máxima na avaliação do MEC
Fonte: Reitora Lúcia Pellanda
23/04/2021 – Roma News via Istoé
https://istoe.com.br/mais-de-16-mil-pessoas-tomaram-doses-trocadas-de-vacina-contra-covid-diz-jornal/
Mais de 16 mil pessoas tomaram doses trocadas de vacina contra Covid, diz jornal
Pelo menos 16,5 mil pessoas foram vacinadas com doses trocadas de imunizantes diferentes contra a Covid-19 no Brasil, de acordo com o Datasus, sistema de informações do Ministério da Saúde. Os dados foram compilados pelo jornal Folha de S.Paulo.
Segundo a reportagem, essas pessoas tiveram registro de primeira dose com a vacina da Coronavac e da segunda dose da Oxford/AstraZeneca ou vice-versa. De acordo com os dados levantados, 14.791 pessoas iniciaram a imunização com esta última, e receberam uma segunda dose da Coronavac. Outras 1.735 pessoas fizeram a trajetória contrária.
Ainda de acordo com o jornal, a troca aconteceu em praticamente todo o país, com exceção dos estados do Acre e do Rio Grande do Norte. O levantamento levou em conta todos os vacinados no primeiro mês de vacinação, entre 17 de janeiro e 17 de fevereiro, que retornaram para a segunda dose até 8 de abril. No total, foram 3,5 milhões de pessoas. A maior parte das trocas ocorreu em profissionais de saúde.
Segundo a imunologista Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro dos comitês científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia, ouvida pela reportagem, “quem tomou uma dose de um fabricante e outra dose de outro, não tomou nenhuma dose completa da vacina”.
Os dois imunizantes, que são os únicos disponíveis no Brasil, possuem intervalos diferentes de aplicação, sendo o da Coronavac de até 28 dias e da Oxford/AstraZeneca, três meses, de acordo com a Fiocruz. Além disso, as duas vacinas foram desenvolvidas com tecnologias distintas.
23/04/2021 – Roma News via Istoé
https://www.romanews.com.br/noticias/mais-de-16-mil-vacinados-tomaram-doses-trocadas-no-brasil-diz-pesquis/116960/
Mais de 16 mil vacinados tomaram doses trocadas no Brasil, diz pesquisa
Esses casos tiveram registro de primeira dose com a vacina da Coronavac e da segunda dose da Oxford/AstraZeneca ou vice-versa
Ao menos 16,5 mil vacinados contra a covid-19 no Brasil tiveram doses trocadas, segundo o Datasus, sistema de informações do Ministério da Saúde. Os dados foram compilados pelo jornal Folha de S.Paulo.
De acordo com o periódico, esses casos tiveram registro de primeira dose com a vacina da Coronavac e da segunda dose da Oxford/AstraZeneca ou vice-versa. Segundo os dados levantados, 14.791 pessoas iniciaram a imunização com esta última, e receberam uma segunda dose da Coronavac. Outras 1.735 pessoas fizeram a trajetória contrária.
Conforme a pesquisa, a troca aconteceu em praticamente todo o país, com exceção dos estados do Acre e do Rio Grande do Norte. O levantamento levou em conta todos os vacinados no primeiro mês de vacinação, entre 17 de janeiro e 17 de fevereiro, que retornaram para a segunda dose até 8 de abril. No total, foram 3,5 milhões de pessoas. A maior parte das trocas ocorreu em profissionais de saúde.
A imunologista Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro dos comitês científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia, ouvida pela reportagem, “quem tomou uma dose de um fabricante e outra dose de outro, não tomou nenhuma dose completa da vacina”.
As duas vacinas, que são as únicas disponíveis no Brasil, possuem intervalos diferentes de aplicação, sendo o da Coronavac de até 28 dias e da Oxford/AstraZeneca, três meses, de acordo com a Fiocruz. Além disso, as duas vacinas foram desenvolvidas com tecnologias distintas.
23/04/2021 – Rádio Guaíba
https://guaiba.com.br/2021/04/23/71-das-instituicoes-federais-atingem-o-maximo-de-qualidade-no-igc-2019/
UFCSPA na imagem de destaque da matéria.
IGC 2019: 71% das instituições federais atingem o máximo de qualidade
Rio, Espírito Santo e Rio Grande do Norte tiveram melhores resultados no Índice de 2019
Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rio Grande de Norte são proporcionalmente os estados com os melhores resultados no Índice Geral de Cursos Avaliados da Instituição (IGC) 2019. O indicador, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), nesta sexta-feira, mede a qualidade das instituições de ensino superior. Nos três estados, respectivamente, 9,2%, 6,7% e 4,2% das instituições de educação superior atingiram faixa 5, que é a máxima no indicador. Do total de 2.070 instituições avaliadas, apenas 2,2% alcançaram essa faixa.
Já na faixa 4, segunda maior do IGC, Rio Grande do Sul (39,4%), Ceará (33,3%) e Distrito Federal (30,6%) foram os que obtiveram, proporcionalmente, o maior número de instituições. Considerando o total das instituições de educação superior avaliadas, 21,64% se enquadraram nessa faixa. A concentração na faixa 3 abarcou mais da metade das instituições avaliadas (63,77%).
Segundo o Inep, das 106 instituições de educação superior públicas federais com o Índice Geral de Cursos Avaliados da Instituição (IGC) 2019, 71% atingiram os conceitos 4 e 5 do indicador. Ao todo, os resultados foram calculados para 2.070 instituições (públicas e privadas), considerando os 24.145 cursos avaliados entre 2017 e 2019.
Do total de instituições que participaram da pesquisa, 87,1% (1.801) são privadas e 12,9% (269), públicas. A maioria (73,1%) é composta por faculdades, seguida dos centros universitários (15,6%) e das universidades (9,4%). Os institutos federais e centros federais de educação tecnológica, juntos, correspondem a 1,9% das instituições de ensino com o índice atribuído nesta edição.
Os dados divulgados hoje revelaram ainda que, das 1.507 faculdades com IGC, 83,4% ficaram nas faixas igual ou acima de 3. Já quando se trata dos 326 centros universitários, o índice correspondente às três faixas de maior desempenho é de 98,5% (321). No caso das 197 universidades, 99% (195) alcançaram desempenho nas faixas de 3 a 5. Dos 40 institutos federais e centros federais de educação tecnológica, 65% (26) ficaram na terceira e 35% (14) na quarta faixa do IGC.
Regiões
Quando levados em conta apenas valores absolutos, a Região Sudeste apresentou o maior número de instituições com faixa 5. A região também é a que contabiliza mais instituições com o IGC calculado, destacando-se Minas Gerais (265) e São Paulo (509). Este último lidera o conjunto de instituições mais bem avaliadas: são 16 na faixa 5 e 84 na faixa 4.
No Nordeste, Bahia e Ceará são os estados com a maior quantidade de instituições nas faixas 4 e 5 do indicador, sendo 27 e 19 instituições, respectivamente, participando desse processo avaliativo.
Já no Sul, destacaram-se, com conceitos nas faixas 4 e 5 do IGC 2019, os estados do Paraná (48) e do Rio Grande do Sul (46).
Nenhuma das instituições avaliadas das regiões Centro-Oeste e Norte atingiu a faixa 5 nesta edição. Contudo, o Distrito Federal é destaque no Centro-Oeste, com 15 instituições na faixa 4, enquanto o Pará é o estado da região Norte com maior quantidade de instituições nessa faixa.
O cálculo
Para o cálculo das 2.070 instituições de educação superior no IGC 2019, foram considerados os resultados do Conceito Preliminar de Curso (CPC) de 24.145 cursos avaliados entre 2017 e 2019 e os dados de 4.679 programas de mestrado e doutorado oferecidos pelas instituições em 2019.
A conta matemática para chegar ao IGC leva em conta os seguintes aspectos: a média do CPC, considerando o último ciclo do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) como referência; a média dos conceitos de avaliação dos programas de pós-graduação stricto sensu, atribuídos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) na última avaliação trienal; e a distribuição dos estudantes entre as diferentes etapas de ensino superior (graduação ou pós-graduação stricto sensu).
23/04/2021 – Portal NSC Total
https://www.nsctotal.com.br/noticias/e-falso-que-52-cidades-zeraram-numero-de-mortes-por-covid-19-com-o-chamado-tratamento
É falso que 52 cidades zeraram número de mortes por Covid-19 com o chamado 'tratamento precoce'
Números epidemiológicos dos municípios listados desmentem o boato
É falso que 52 municípios zeraram o número de mortes por covid-19 ao adotarem o chamado "tratamento precoce" com hidroxicloroquina e ivermectina contra a Covid-19, como sugerem mensagens nas redes sociais. Um levantamento do Comprova com dados do site SUSanalítico mostra que quase todas as cidades citadas registraram notificações de óbitos no mês de março.
Os benefícios das duas drogas não foram comprovados por pesquisas científicas confiáveis. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras entidades desaconselham o uso dos medicamentos para o tratamento da Covid-19, em qualquer estágio da infecção. Além disso, conforme especialistas consultados pelo Comprova, a conexão entre o tratamento precoce e supostas quedas nos números de óbitos nas cidades é insustentável, uma vez que outros fatores influenciam os índices epidemiológicos.
Essa verificação foi sugerida por leitores que receberam o conteúdo por WhatsApp. O mesmo conteúdo foi publicado no Twitter pelo perfil @DerlinRod. O Comprova tentou ouvir o autor dessa postagem, mas ele não respondeu até o fechamento da verificação.
Como verificamos?
Para verificar o conteúdo, o Comprova acessou os dados da plataforma SUSanálitico, do Ministério da Saúde. A pesquisa coletou informações sobre os óbitos por Covid-19 acumulados de cada um dos municípios mencionados até a data de referência do dia 15 de abril, a população estimada das cidades e a taxa de mortes por 100 mil habitantes.
Também aplicamos um filtro para comparar os números de óbitos registrados no dia 31 de março com as estatísticas do dia 1º de março. Isso permitiu à reportagem conferir a evolução das ocorrências durante aquele mês.
É importante ressaltar que o SUSanalítico informa a data de notificação dos óbitos, e não o dia exato em que ocorreram. Os dados da plataforma apresentam números distintos dos boletins epidemiológicos das prefeituras. Essa diferença, entretanto, não impacta no resultado da verificação ou na classificação do conteúdo, conforme verificado individualmente pelo Comprova.
Como os números desmentem a publicação, o Comprova não checou, de cidade a cidade, se elas usaram algum protocolo de tratamento precoce como política de atendimento para a Covid-19.
Após o levantamento, o Comprova consultou dois especialistas na área de epidemiologia para entender se a associação do tratamento precoce com supostas quedas nos números epidemiológicos de cidades é válida.
Marcio Sommer Bittencourt, do Centro de Pesquisa de Epidemiologia do Hospital Universitário da USP, e Airton Stein, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), no entanto, argumentam que os apontamentos do post não se sustentam.
Também contactamos o autor de uma postagem com o mesmo conteúdo no Twitter, que não respondeu até o fechamento da matéria.
O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a Covid-19 disponíveis no dia 21 de abril de 2021
Verificação
A mensagem enganosa menciona 51 cidades de diferentes proporções populacionais. O município de Uberaba (MG) é repetido duas vezes, nas numerações 15 e 31. O conteúdo ainda menciona uma cidade chamada Taquara, no Paraná, mas a região não configura oficialmente um município.
A publicação analisada pelo Comprova foi compartilhada no Twitter no dia 5 de abril. Um levantamento da reportagem com dados da plataforma SUSanalítico mostra que, no mês de março, somente os municípios de São Pedro dos Crentes (MA), Rancho Queimado (SC) e São Pedro do Paraná (PR) não registraram notificações de óbitos por Covid-19. As três cidades somam pouco menos de 10 mil habitantes.
Na outra ponta, Natal (RN), com população estimada em 884 mil habitantes, lidera o ranking com 385 notificações, seguida por Cascavel (PR) e Chapecó (SC), com 244 e 230, respectivamente. No município gaúcho de Taquara, que também consta da lista, o total de óbitos acumulados quase dobrou. A cidade registrava, em 1º de março, 67 óbitos e fechou o mês com 132 ocorrências acumuladas.
Além disso, até o dia 15 de abril, mais de 20 dos municípios listados apresentavam uma taxa de mortes de covid por 100 mil habitantes superior à média nacional de 178, segundo o SUSanalítico. É o caso de Itajubá (MG). Com cerca de 97 mil habitantes, a cidade mineira contabilizava 304 óbitos, aproximadamente 314 vítimas por 100 mil habitantes.
Conexão insustentável
Além de citar medicamentos sem eficácia comprovada para a Covid-19, a associação do uso do tratamento precoce com os números epidemiológicos não é correta, de acordo com especialistas ouvidos pelo Comprova.
O médico Márcio Sommer Bittencourt, do Centro de Epidemiologia do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo, destaca que outros fatores podem interferir nos números epidemiológicos de uma cidade, desde medidas de restrições adotadas para combater a pandemia até as características da população de cada município.
Bittencourt explica que não é possível aferir o impacto do tratamento precoce nas cidades sem um estudo controlado que compare um grupo de pacientes medicados com o protocolo contra um grupo de controle robusto – isto é, pacientes que não recebem os remédios, mas estão sob as mesmas condições do grupo de medicados. Ainda assim, o estudo teria limitações.
— Além das cidades não terem reduzido o número de mortes para nada substancial, elas podem estar em momentos de queda nas curvas por outras intervenções, que é o caso de Chapecó (SC), onde isso é muito claro — destaca o médico.
A cidade catarinense promoveu um lockdown parcial durante o mês de fevereiro. O método adequado para gerar evidências confiáveis acerca da eficácia de um medicamento corresponde aos estudos clínicos randomizados, defende Airton Stein, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e médico de família e comunidade do Grupo Hospitalar Conceição.
Ele destaca que esse tipo de trabalho estabelece grupos de controle e critérios de seleção para inibir possíveis fatores que possam confundir a análise dos resultados, o que não ocorre nas experiências clínicas individuais de médicos ou na análise proposta na mensagem enganosa. Stein ressalta que até mesmo as desigualdades nos sistemas de saúde poderiam “ser um fator de confusão”.
— Quando a cidade tem um serviço de saúde que funciona, acesso a tecnologia para atender casos graves e fatores socioeconômicos melhores, os indicadores podem ser mais positivos — diz o especialista.
As evidências da cloroquina e ivermectina
Até o momento, não há evidências confiáveis que confirmem a eficácia do uso da hidroxicloroquina ou ivermectina no tratamento da Covid-19, em qualquer estágio da doença. O painel de evidências da Organização Mundial da Saúde desaconselha a aplicação dos dois tratamentos no combate à infecção do novo coronavírus.
> Médicos de SC receitam nebulização com hidroxicloroquina para tratar Covid-19
No caso da ivermectina, a entidade diz que os benefícios e a segurança do tratamento permanecem incertos, ao passo que os dados disponíveis de estudos clínicos com a droga no contexto da Covid-19 têm um nível de confiança baixo. A Agência Europeia de Medicamentos também apresenta uma posição semelhante.
Os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), por sua vez, afirmam que há dados insuficientes para estabelecer uma recomendação a favor ou contra o uso da ivermectina no tratamento da Covid-19. A Food and Drugs Administration, órgão regulatório do país, alerta que a automedicação com o vermífugo é perigosa.
Já os tratamentos com cloroquina e a hidroxicloroquina são fortemente desaconselhados pelo painel da OMS. De acordo com o documento, evidências de nível de confiança moderado mostram que ambas substâncias “provavelmente não reduzem a mortalidade, ventilação mecânica e o tempo de hospitalização”.
Além disso, há preocupações em torno da segurança. Segundo a entidade, algumas evidências mostram que os remédios podem, na verdade, aumentar o risco de morte. "Os efeitos em outros resultados menos importantes, incluindo o tempo de resolução de sintomas, admissão hospitalar e o período de ventilação mecânica, seguem incertos", diz o painel.
O NIH desaconselha o uso da hidroxicloroquina isolada ou com outros medicamentos em pacientes hospitalizados com a Covid-19. A organização também é contra a aplicação do tratamento para pacientes não hospitalizados fora de estudos clínicos.
Por que investigamos?
O Comprova verifica conteúdos suspeitos sobre a pandemia que tenham obtido grande alcance nas redes sociais e em aplicativos de mensagens. O conteúdo analisado aqui foi sugerido via WhatsApp por leitores do Comprova e alcançou 544 interações no Twitter até o dia 21 de abril de 2021.
A mensagem promove desinformação ao espalhar o boato falso de que mais de 50 municípios teriam zerado o número de óbitos, graças ao uso de protocolos com ivermectina e hidroxicloroquina. As duas substâncias não têm eficácia e segurança comprovada no tratamento da Covid-19, tampouco podem ser relacionadas com a queda de números epidemiológicos dos municípios citados no post. O tratamento precoce já foi alvo de uma série de verificações do nosso projeto.
O boato é potencialmente perigoso porque pode confundir usuários e gerar uma falsa sensação de segurança de que esses medicamentos podem proteger pacientes na pandemia, quando não há evidências confiáveis de que eles realmente funcionem. A desinformação também pode atrapalhar gestores públicos na consolidação de políticas públicas efetivas para combater a crise sanitária.
23/04/2021 – Portal Bahia.ba
https://bahia.ba/covid19/registros-mostram-que-mais-de-16-mil-pessoas-tomaram-doses-trocadas-de-vacina/
Registros mostram que mais de 16 mil pessoas tomaram doses trocadas de vacina
Nenhum estudo testou eficácia e segurança de tomar primeira dose de um fabricante e segunda de outro
O Datasus, sistema de informações do Ministério da Saúde, indica que pelo menos 16,5 mil pessoas foram vacinadas contra a Covid-19 com doses trocadas do imunizante: tomaram a 1ª dose da CoronaVac e a 2ª da Oxford/AstraZeneca, ou vice-versa.
Desse total, a maioria (14.791) começou a trajetória vacinal contra Covid-19 com a Oxford/AstraZeneca e recebeu uma segunda dose da CoronaVac. Uma parte menor (1.735 pessoas) recebeu primeiro a CoronaVac e depois a vacina de Oxford/AstraZeneca, segundo o sistema. Até o momento somente, essas duas vacinas foram aprovadas para uso no Brasil.
Os registros mostram que a troca aconteceu em praticamente todo o país, com exceção do Acre e do Rio Grande do Norte. As informações foram tabuladas pela Folha no Datasus levando em conta todos os vacinados no país no primeiro mês da campanha vacinal (de 17 de janeiro a 17 de fevereiro) que retornaram para a segunda dose até 8 de abril. É um universo de 3,5 milhões de pessoas.
O protocolo nacional estabelece que os vacinados de grupos prioritários devem receber o imunizante disponível no posto no dia da vacinação (sem possibilidade de escolha). Na segunda dose, porém, a determinação é que o fabricante seja mantido.
Misturar dois fabricantes de uma mesma vacina é considerado um erro de imunização. “Quem tomou uma dose de um fabricante e outra dose de outro não tomou nenhuma dose completa da vacina”, afirma a imunologista Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro dos comitês científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia.
23/04/2021 – Folha de São Paulo
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2021/04/mais-de-16-mil-pessoas-tomaram-doses-trocadas-de-vacina-contra-covid-mostra-registro.shtml
Mais de 16 mil pessoas tomaram doses trocadas de vacina contra Covid, mostra registro
Nenhum estudo testou eficácia e segurança de tomar primeira dose de um fabricante e segunda de outro
Pelo menos 16,5 mil pessoas vacinadas contra a Covid-19 no Brasil têm registro de primeira dose da vacina da Coronavac e a segunda dose da Oxford/AstraZeneca ou vice-versa, de acordo com o Datasus, sistema de informações do Ministério da Saúde.
A maioria (14.791) começou a trajetória vacinal contra Covid-19 com a Oxford/AstraZeneca e recebeu uma segunda dose da Coronavac. Uma parte menor (1.735 pessoas) recebeu primeiro a Coronavac e depois a vacina de Oxford/AstraZeneca, segundo o sistema. A troca aconteceu em praticamente todo o país, com exceção do Acre e do Rio Grande do Norte.
No Brasil, essas são as duas únicas vacinas disponíveis contra Covid-19. O protocolo nacional estabelece que os vacinados de grupos prioritários devem receber o imunizante disponível no posto no dia da vacinação (sem possibilidade de escolha). Na segunda dose, porém, a determinação é que o fabricante seja mantido.
As informações foram tabuladas pela Folha no Datasus levando em conta todos os vacinados no país no primeiro mês da campanha vacinal (de 17 de janeiro a 17 de fevereiro) que retornaram para a segunda dose até 8 de abril. É um universo de 3,5 milhões de pessoas. Ao todo, 16.526 pessoas foram afetadas no período analisado. Os dados mostram ainda que 7 em cada 10 trocas de fabricantes na vacina contra Covid-19 ocorreram em profissionais de saúde. Esse rastreamento é possível porque cada pessoa vacinada é registrada no Datasus com um código de identificação, no qual há informações sobre cada dose recebida, incluindo fabricante e número do lote. Misturar dois fabricantes de uma mesma vacina é considerado um erro de imunização. "Quem tomou uma dose de um fabricante e outra dose de outro não tomou nenhuma dose completa da vacina", afirma a imunologista Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro dos comitês científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia.
As vacinas não só têm intervalos diferentes —o da Coronavac é de até 28 dias, e o da vacina de Oxford/AstraZeneca é de três meses, segundo recomendação da Fiocruz —como tecnologias distintas.
A Coronavac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, usa o vírus inativado para levar à produção de anticorpos, a mesma estratégia usada para fabricar as vacinas contra a gripe. Já a vacina de Oxford é do tipo vetor viral não replicante (no caso, um adenovírus de chimpanzé) capaz de infectar células humanas, mas que não forma novos vírus, impedindo que a infecção progrida. Não se sabe ainda se a aplicação de duas vacinas diferentes pode gerar efeitos colaterais distintos dos descritos nos testes de cada imunizante. Em nota à Folha, o Ministério da Saúde afirmou que foi notificado sobre 481 ocorrências de aplicação de doses de fabricantes diferentes das vacinas da Covid-19. "A pasta esclarece que cabe aos estados e municípios o acompanhamento e monitoramento de possíveis eventos adversos a essas pessoas por, no mínimo, 30 dias."
O órgão, no entanto, não respondeu aos pedidos da reportagem por mais esclarecimentos quanto aos mais de 16,5 mil registros de intercâmbio de fabricantes de vacina encontrados no Datasus.
Segundo a epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Instituto Sabin, erros de administração na vacina poderiam ser evitados ou minimizados com uma coordenação maior do PNI (Programa Nacional de Imunização) em termos de supervisão, treinamentos e registros da campanha.
"Tão sério quanto essa falta de coordenação é o fato de não haver orientação por parte do programa em como proceder quando essas situações ocorrem."
Há trocas de fabricantes entre as doses da vacina em 1.645 municípios brasileiros —quase um terço do total de municípios do país. Santo André (SP) lidera o ranking nacional com 2.747 casos. Quase todas as ocorrências (2.739) aconteceram em um único posto de vacinação, a UBS Espírito Santo.
A Folha esteve no local e contatou a Prefeitura de Santo André, que informou que teve problemas operacionais constantes. "Os mesmos referem-se ao sistema de migração dos dados e já foram reportados ao Programa Estadual de Imunização". Não ficou claro, no entanto, como esses problemas resultaram em registros trocados de lotes e fabricantes nos vacinados.
ENTENDA
O governo estadual São Paulo, por sua vez, disse, em nota, que não registrou problemas operacionais na migração de dados para o Datasus. "Desde a integração dos sistemas, a transmissão das informações recebidas pelo estado de doses aplicadas e registradas pelos municípios ocorre normalmente no repasse ao governo federal." O governo reforçou ainda que ministrar a vacina é responsabilidade dos municípios. Uma em cada quatro trocas de fabricantes na vacina da Covid-19 está no estado de São Paulo, num total de 4.471 ocorrências.
Entre as capitais, a cidade do Rio de Janeiro lidera as trocas de doses com 1.136 ocorrências — no estado, há 1.653 casos, de acordo com o Datasus. Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio disse à Folha que "não foi notificada sobre trocas de vacinas na segunda dose tanto pelo Ministério da Saúde quanto pelas secretarias municipais de Saúde".
Depois do Rio, as capitais com mais troca de fabricantes entre as doses são Goiânia (667 ocorrências) e Brasília (520 casos).
Os dados do Datasus são preenchidos pelos profissionais de saúde nos postos de vacinação, sob a responsabilidade dos municípios. O Plano Nacional de Operacionalização da Vacina Contra Covid-19 determina que todos os profissionais da saúde que tiverem conhecimento de erros de imunização "devem notificar os mesmos às autoridades de saúde".
O país tem experiência com vacinas com mais de uma dose. Antes da pandemia, pelo menos nove imunizantes disponíveis no calendário vacinal do SUS tinham mais de uma dose, como a meningocócica C (com duas doses) e a poliomielite (com três doses).
A Folha já havia mostrado que mais de meio milhão de brasileiros vacinados com a Coronavac no primeiro mês de vacinação no país não tinha recebido a segunda dose da vacina mais de 45 dias após a primeira dose, o que compromete a imunização.
Três dias depois da reportagem, o Ministério da Saúde anunciou em entrevista coletiva que ao menos 1,5 milhão de pessoas que tomaram a primeira dose da vacina contra a Covid desde o início da vacinação no país não completaram o esquema vacinal com a segunda dose, considerando apenas o intervalo mínimo para retorno.
22/04/2021 – Correio do Povo
https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/porto-alegre-vai-receber-30-mil-doses-da-vacina-pfizer-biontech-1.607600
Porto Alegre vai receber 30 mil doses da vacina Pfizer/BioNTech
Imunizante requer armazenamento em ultrafreezers e aplicação diferenciada das demais vacinas em uso no país
Depois do anúncio do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, no dia 14 de abril, de que o Brasil receberá antecipadamente, até junho, 15,5 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Pfizer/BioNTech, sendo pelo menos 1 milhão neste mês de abril, o Rio Grande do Sul se prepara para receber 30 mil doses do imunizante nesta primeira remessa, que deve chegar nos primeiros dias de maio, em data ainda a ser confirmada. Porto Alegre, assim como algumas outras capitais, serão os municípios contemplados neste primeiro instante, por causa da complexidade da estrutura para armazenamento, que requer ultrafreezers.
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde do RS (SES), a indicação do Ministério da Saúde é destinar as 15,5 milhões de vacinas para as capitais por questões de logística e conservação. As capitais deverão reservar 25% de suas salas de vacinas para estes produtos. “Vamos usar a estrutura de parceiros. Temos a UFRGS, a PUC e a UFCSPA e temos isso detalhado. E não há necessidade de comprar estes equipamentos”, garante o diretor da Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter.
Em dezembro do ano passado, a própria Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) fez um levantamento sobre a capacidade de colaborar com o armazenamento das doses Pfizer/BioNTech, que precisam ficar conservadas em temperaturas de até 80 graus negativos. Foram identificadas 15 unidades, sendo a maior parte localizada no Instituto de Ciências Básicas da Saúde e as demais no Instituto de Biociências, na Faculdade de Agronomia, na Faculdade de Veterinária, no Instituto de Física e na Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança.
Somam-se a essas mais cinco ultrafreezers que foram comprados e chegaram nos meses de janeiro e fevereiro à instituição. No total, dispondo de 20 equipamentos de 550 litros, a UFRGS poderá armazenar aproximadamente 4 milhões de doses. De acordo com o chefe de gabinete do reitor da UFRGS, Geraldo Jotz, os ultrafreezers continuam à disposição do Ministério da Saúde, conforme compromisso firmado pelo reitor Carlos André Bulhões Mendes em dezembro do ano passado.
De acordo com Ritter, estes imunizantes também podem permanecer sob refrigeração, entre 2 a 8 graus, por cinco dias. Mas além do armazenamento, a Prefeitura da capital está avaliando o manejo do imunizante. “Para nós é um pouquinho mais complicado em relação às outras vacinas. Muda porque tem que se usar com um diluente. Já revimos a questão dos flaconetes de soro fisiológico para esta diluição, que estão sendo providenciados. Cada frasco dá para aplicar seis doses”, adianta.
22/04/2021 – Estadão – Estadão Verifica
https://politica.estadao.com.br/blogs/estadao-verifica/e-falso-que-52-municipios-tenham-zerado-mortes-por-covid-19-ao-adotarem-tratamento-precoce/
É falso que 52 municípios zeraram o número de mortes por covid-19 ao adotarem o chamado ‘tratamento precoce’
Lista que circula no WhatsApp e nas redes sociais tem cidades que registraram sim óbitos causados pelo coronavírus em março
É falso que 52 municípios zeraram o número de mortes por covid-19 ao adotarem o chamado ‘tratamento precoce’ com hidroxicloroquina e ivermectina, como sugerem mensagens nas redes sociais. Um levantamento do Comprova com dados do site SUS analítico mostra que quase todas as cidades citadas registraram notificações de óbitos no mês de março.
Os benefícios das duas drogas não foram comprovados por pesquisas científicas confiáveis. A Organização Mundial da Saúde e outras entidades desaconselham o uso dos medicamentos para o tratamento da covid-19, em qualquer estágio da infecção. Além disso, conforme especialistas consultados pelo Comprova, a conexão entre o tratamento precoce e supostas quedas nos números de óbitos nas cidades é insustentável, uma vez que outros fatores influenciam os índices epidemiológicos.
Essa verificação foi sugerida por leitores que receberam o conteúdo por WhatsApp. O mesmo conteúdo foi publicado no Twitter pelo perfil @DerlinRod. O Comprova tentou ouvir o autor dessa postagem, mas ele não respondeu até o fechamento da verificação.
Como verificamos?
Para verificar o conteúdo, o Comprova acessou os dados da plataforma SUSanálitico, do Ministério da Saúde. A pesquisa coletou informações sobre os óbitos por covid-19 acumulados de cada um dos municípios mencionados até a data de referência do dia 15 de abril, a população estimada das cidades e a taxa de mortes por 100 mil habitantes.
Também aplicamos um filtro para comparar os números de óbitos registrados no dia 31 de março com as estatísticas do dia 1º de março. Isso permitiu à reportagem conferir a evolução das ocorrências durante aquele mês.
É importante ressaltar que o SUSanalítico informa a data de notificação dos óbitos, e não o dia exato em que ocorreram. Os dados da plataforma apresentam números distintos dos boletins epidemiológicos das prefeituras. Essa diferença, entretanto, não impacta no resultado da verificação ou na classificação do conteúdo, conforme verificado individualmente pelo Comprova.
Como os números desmentem a publicação, o Comprova não checou, de cidade a cidade, se elas usaram algum protocolo de tratamento precoce como política de atendimento para a covid-19.
Após o levantamento, o Comprova consultou dois especialistas na área de epidemiologia para entender se a associação do tratamento precoce com supostas quedas nos números epidemiológicos de cidades é válida.
Marcio Sommer Bittencourt, do Centro de Pesquisa de Epidemiologia do Hospital Universitário da USP, e Airton Stein, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), no entanto, argumentam que os apontamentos do post não se sustentam.
Também contactamos o autor de uma postagem com o mesmo conteúdo no Twitter, que não respondeu até o fechamento da matéria.
O Comprova fez esta verificação baseada em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 21 de abril de 2021.
Verificação
A mensagem enganosa menciona 51 cidades de diferentes proporções populacionais. O município de Uberaba (MG) é repetido duas vezes, nas numerações 15 e 31. O conteúdo ainda menciona uma cidade chamada Taquara, no Paraná, mas a região não configura oficialmente um município.
A publicação analisada pelo Comprova foi compartilhada no Twitter no dia 5 de abril. Um levantamento da reportagem com dados da plataforma SUSanalítico mostra que, no mês de março, somente os municípios de São Pedro dos Crentes (MA), Rancho Queimado (SC) e São Pedro do Paraná (PR) não registraram notificações de óbitos por covid-19. As três cidades somam pouco menos de 10 mil habitantes.
Na outra ponta, Natal (RN), com população estimada em 884 mil habitantes, lidera o ranking com 385 notificações, seguida por Cascavel (PR) e Chapecó (SC), com 244 e 230, respectivamente. Em Taquara (RS), o total de óbitos acumulados quase dobrou. A cidade gaúcha registrava, em 1º de março, 67 óbitos e fechou o mês com 132 ocorrências acumuladas.
Além disso, até o dia 15 de abril, mais de 20 dos municípios listados apresentavam uma taxa de mortes de covid por 100 mil habitantes superior à média nacional de 178, segundo o SUSanalítico. É o caso de Itajubá (MG). Com cerca de 97 mil habitantes, a cidade mineira contabilizava 304 óbitos, aproximadamente 314 vítimas por 100 mil habitantes.
Conexão insustentável
Além de citar medicamentos sem eficácia comprovada para a covid-19, a associação do uso do tratamento precoce com os números epidemiológicos não é correta, de acordo com especialistas ouvidos pelo Comprova.
O médico Márcio Sommer Bittencourt, do Centro de Epidemiologia do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo, destaca que outros fatores podem interferir nos números epidemiológicos de uma cidade, desde medidas de restrições adotadas para combater a pandemia até as características da população de cada município.
Bittencourt explica que não é possível aferir o impacto do tratamento precoce nas cidades sem um estudo controlado que compare um grupo de pacientes medicados com o protocolo contra um grupo de controle robusto – isto é, pacientes que não recebem os remédios, mas estão sob as mesmas condições do grupo de medicados. Ainda assim, o estudo teria limitações.
“Além das cidades não terem reduzido o número de mortes para nada substancial, elas podem estar em momentos de queda nas curvas por outras intervenções, que é o caso de Chapecó (SC), onde isso é muito claro”, destaca o médico. A cidade catarinense promoveu um lockdown parcial durante o mês de fevereiro.
O método adequado para gerar evidências confiáveis acerca da eficácia de um medicamento corresponde aos estudos clínicos randomizados, defende Airton Stein, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e médico de família e comunidade do Grupo Hospitalar Conceição.
Ele destaca que esse tipo de trabalho estabelece grupos de controle e critérios de seleção para inibir possíveis fatores que possam confundir a análise dos resultados, o que não ocorre nas experiências clínicas individuais de médicos ou na análise proposta na mensagem enganosa. Stein ressalta que até mesmo as desigualdades nos sistemas de saúde poderiam “ser um fator de confusão”.
“Quando a cidade tem um serviço de saúde que funciona, acesso a tecnologia para atender casos graves e fatores socioeconômicos melhores, os indicadores podem ser mais positivos.” diz o especialista.
As evidências da cloroquina e ivermectina
Até o momento, não há evidências confiáveis que confirmem a eficácia do uso da hidroxicloroquina ou ivermectina no tratamento da covid-19, em qualquer estágio da doença. O painel de evidências da Organização Mundial da Saúde desaconselha a aplicação dos dois tratamentos no combate à infecção do novo coronavírus.
No caso da ivermectina, a entidade diz que os benefícios e a segurança do tratamento permanecem incertos, ao passo que os dados disponíveis de estudos clínicos com a droga no contexto da covid-19 têm um nível de confiança baixo. A Agência Europeia de Medicamentos também apresenta uma posição semelhante.
Os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), por sua vez, afirmam que há dados insuficientes para estabelecer uma recomendação a favor ou contra o uso da ivermectina no tratamento da covid-19. A Food and Drugs Administration, órgão regulatório do país, alerta que a automedicação com o vermífugo é perigosa.
Já os tratamentos com cloroquina e a hidroxicloroquina são fortemente desaconselhados pelo painel da OMS. De acordo com o documento, evidências de nível de confiança moderado mostram que ambas substâncias “provavelmente não reduzem a mortalidade, ventilação mecânica e o tempo de hospitalização”.
Além disso, há preocupações em torno da segurança. Segundo a entidade, algumas evidências mostram que os remédios podem, na verdade, aumentar o risco de morte. “Os efeitos em outros resultados menos importantes, incluindo o tempo de resolução de sintomas, admissão hospitalar e o período de ventilação mecânica, seguem incertos”, diz o painel.
O NIH desaconselha o uso da hidroxicloroquina isolada ou com outros medicamentos em pacientes hospitalizados com a covid-19. A organização também é contra a aplicação do tratamento para pacientes não hospitalizados fora de estudos clínicos.
Por que investigamos?
O conteúdo analisado foi sugerido via WhatsApp por leitores do Comprova e possuía 544 interações no Twitter até o dia 21 de abril de 2021. A mensagem promove desinformação ao espalhar o boato falso de que mais de 50 municípios teriam zerado o número de óbitos, graças ao uso de protocolos com ivermectina e hidroxicloroquina. As duas substâncias não têm eficácia e segurança comprovada no tratamento da covid-19, tampouco podem ser relacionadas com a queda de números epidemiológicos dos municípios citados no post. O tratamento precoce já foi alvo de uma série de verificações do nosso projeto.
O boato é potencialmente perigoso porque pode confundir usuários e gerar uma falsa sensação de segurança de que esses medicamentos podem proteger pacientes na pandemia, quando não há evidências confiáveis de que eles realmente funcionem. A desinformação também pode atrapalhar gestores públicos na consolidação de políticas públicas efetivas para combater a crise sanitária.
Uma verificação da Agência Lupa a respeito do mesmo boato indica que o conteúdo falso também circula por grupos de WhatsApp. O Aos Fatos e o projeto Fato ou Fake, do G1, desmentiram uma mensagem semelhante, com parte dos municípios listados, que viralizou na plataforma de mensagens.
Falso, para o Comprova, é todo o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.
21/04/2021 – Revista Época – portal via BBC News
Época: https://epoca.globo.com/sociedade/pff2-os-voluntarios-que-ajudam-brasileiros-encontrar-mascaras-mais-eficazes-contra-covid-19-1-24981405
BBC News: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-56780405
PFF2: OS VOLUNTÁRIOS QUE AJUDAM BRASILEIROS A ENCONTRAR MÁSCARAS MAIS EFICAZES CONTRA A COVID-19
Equipamento de proteção é considerado o mais apropriado para prevenir a transmissão aérea do vírus; ele é feito com camadas de material com uma porosidade menor, que retém a maioria das partículas, além de vedar melhor o nariz e a boca
"Tenho dormido menos, mas dormido melhor, por saber que estou ajudando outras pessoas."
Professor, programador e estudante de direito, o carioca Bruno Carvalho, 34 anos, reserva até 4 horas do dia para se dedicar a uma atividade que tomou como missão: convencer os brasileiros a usarem máscaras do tipo PFF2 (ou padrão N95, como é chamada nos EUA), consideradas mais seguras contra a covid-19.
Desde fevereiro, em meio ao agravamento da pandemia no país, ele e uma colega resolveram criar um site para disponibilizar uma lista de lojas que vendem produtos testados e regularizados, o PFF Para Todos.
Mais de 800 mil usuários já acessaram a plataforma — sendo 100 mil só na última semana, segundo Bruno. A maior parte (40%) vem do WhatsApp, seguido da busca do Google e do Twitter.
"As máscaras não são a solução da pandemia, mas são importantes como uma proteção imediata, ainda mais nesse momento que vivemos", explica Bruno.
O Brasil vive o pior momento desde o início da pandemia e vem registrando uma média de mortes por covid-19 perto das 3 mil, até esta quarta-feira, 14.
Ainda em junho de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o uso de máscara em público. Em julho, reconheceu que o coronavírus podia ser transmitido não apenas por gotículas expelidas por tosse e espirros, mas também por partículas microscópicas liberadas por meio da respiração e da fala que ficam em suspensão no ar: os chamados aerossóis.
E as máscaras do tipo PFF2 são consideradas melhores para prevenir a transmissão aérea do vírus. Ela é feita com camadas de material com uma porosidade menor, que retém a maioria das partículas, além de vedar melhor o nariz e a boca.
ALERTA NECESSÁRIO
Mas, para Melissa Markoski, professora de biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), só a partir de dezembro que os brasileiros passaram a ficar mais atentos ao tipo de máscara que estavam usando.
Além de defender o uso de equipamentos profissionais, a cientista ressalta que máscaras de pano bem-feitas (com mais de uma camada e com diferentes tipos de tecido) e as cirúrgicas também são eficazes, dependendo do nível de exposição ao vírus. (Veja mais dicas no final desta reportagem.)
"Foi muito tardia essa preocupação. Os cientistas sempre falaram da importância do uso correto de máscaras, mas acho que não estava sendo suficiente. Faltou um movimento para levar esse apelo mais pra frente e também campanhas do governo como aquelas do 'não fume' e do 'use o cinto de segurança'", diz Markoski.
Foi diante desse cenário que Bruno Carvalho resolveu agir. Com problemas respiratórios e de alergia, ele já conhecia os benefícios das PFF2 há cerca de 14 anos, bem antes da pandemia — numa obra em casa, por exemplo, já a colocava no rosto.
Quando uma aluna — uma fisioterapeuta respiratória — morreu de covid-19, ele percebeu que precisava compartilhar informações.
"Ela havia treinado muita gente para cuidar dos outros na pandemia. Então a morte dela me deixou muito chateado, eu precisava fazer alguma coisa".
Estimulado pela busca dos usuários do Twitter por máscaras, ele decidiu criar uma plataforma independente, junto com a administradora do perfil Estoque PFF. Era sexta-feira de Carnaval. No sábado, o site estava no ar.
Desde então, os dias têm sido dedicados a ligar para especialistas, fornecedores, lojas, ler laudos para verificar se as máscaras foram aprovadas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e, ainda, responder dúvidas de seguidores nas redes sociais.
Para esta reportagem, Bruno preferiu não mostrar o rosto. O motivo? O receio de ataques de pessoas que não acreditam na pandemia ou na eficácia das máscaras.
'O PLANO É QUE O PERFIL FIQUE OBSOLETO'
O casal Beatriz Klimeck, 24 anos, e Ralph Rocha, 25, também tem dedicado os dias às máscaras.
Ela é antropóloga, doutoranda em saúde pública e mestranda em divulgação científica. Ele é administrador público e mestrando em comunicação. Juntos, gastam cerca de 4h diárias para atualizar os perfis do Qual Máscara nas redes sociais.
Criado em dezembro de 2020, após uma piora nos números da pandemia no país, o projeto já conta com quase 235 mil seguidores, somados Twitter e Instagram.
Em contato direto com médicos, especialistas e instituições, o casal passa horas se debruçando sobre artigos científicos e reportagens para criar um conteúdo visual e compartilhável — e que possa, assim, "furar a bolha" e chegar aos grupos de WhatsApp.
Os comentários e mensagens também são respondidos, deixando o casal acordado, muitas vezes, até de madrugada.
"A gente quer ser o contrário de um influenciador. O plano é que o perfil fique obsoleto, que não tenha mais relevância, seja pelo fim da pandemia ou porque as informações já chegaram a todo mundo", conta Beatriz.
Os posts do Qual Máscara são referenciados, com links para artigos científicos e entrevistas "para auxiliar as pessoas a fazerem escolhas informadas, não para dizer que é isso ou aquilo".
"Fizemos isso porque a comunicação do governo é ruim, a mensagem pública é ruim, o presidente já desestimulou o uso de máscaras… E as pessoas seguem usando a máscara com tecido ruim, no queixo", completa a Beatriz.
Ela se envolveu tanto no assunto que mudou até o tema do doutorado, antes sobre anorexia, para pesquisar a antropologia que envolve o uso coletivo de máscaras.
Tanto Bruno, do PFF para Todos, quanto Beatriz e Ralph já administram compromissos além dos perfis nas redes sociais e dos sites.
Em contato com fornecedores, Bruno tenta viabilizar campanhas de doação de máscaras para distribuir em espaços públicos.
O casal por trás do Qual Máscara já fez um abaixo-assinado para que a prefeitura do Rio de Janeiro, onde vive, distribua PFF2 para a população. Além disso, já foi procurado por vereadores de cidades como Belém (PA) e Florianópolis (SC) para auxiliar na elaboração de projetos de lei que envolvam o uso de máscaras.
"É um trabalho cansativo e nosso objetivo não é mudar tudo, a posição do governo sobre o tema. Mas cada pessoa que não se contamina porque estão bem informadas já valeu a pena", finaliza Beatriz.
Esse tipo de máscara segue padrões estabelecidos por normas técnicas para garantir um nível alto de proteção. A PFF2 filtra pelo menos 94% das partículas de 0,3 mícron de diâmetro, as mais difíceis de se capturar. N95 é a nomenclatura dos Estados Unidos. O padrão no Brasil é a PFF2. E, na Europa, é a FFP2. Esses padrões de respiradores, embora não sejam idênticos, são equivalentes.
"Elas são formuladas com diferentes de tipos tecido, com até 5 camadas. E esses tecidos conferem diferentes mecanismos para reter partículas de diferentes tamanhos. Cada uma possui uma ação eletrostática, atraindo partículas bem pequenas, coisa que muita máscara de pano não consegue fazer", explica Melissa Markoski, professora de biossegurança.
Além disso, essas máscaras profissionais se ajustam melhor ao rosto, com menos vazamento de ar pelas laterais e por cima.
Seguindo orientações da OMS, as máscaras profissionais podem ter um uso prolongado. Para quem não trabalha em áreas muito expostas ao vírus, como hospitais, elas podem ser utilizadas por até 8 vezes, diz Markoski.
Num único dia, ela pode ser utilizada até por 8h seguidas. Se ela ficar úmida ou se você precisou falar muito, é indicado realizar uma troca.
"Ao chegar em casa, deixe em algum lugar arejado por pelo menos 3 dias, para então reutilizá-las. Não pode lavá-las ou borrifar álcool"
NA FALTA DE PFF2, O QUE FAZER?
Com preços que partem dos R$ 3 a unidade, nem todos podem comprar os respiradores profissionais para a família.
Segundo Markoski, diante da gravidade da pandemia, profissionais que vão para ambientes de alto risco ou usam transporte coletivo cheio deveriam usar as PFF2.
Se não tem essa opção ou se você não está em contato com tantas pessoas durante o dia, a máscara cirúrgica tripla (descartável) também é indicada. Ela pode ser utilizada, inclusive, com uma de pano por cima. O importante é verificar se elas estão bem ajustadas ao rosto.
Quanto às de tecido, quanto mais camadas melhor. Por exemplo, pode ter uma camada de algodão, uma de poliéster, e outra de algodão - ou uma de seda: "Vai reter mais as partículas, porque cada um desses tecidos tem propriedade diferente".
"Mesmo protegido, evite conversar muito, falar alto. Se for guardar uma máscara, cuidado para não amassar. Se for lavar uma de pano, não torça. Isso pode danificá-las", sugere Markoski.
"Quem não usa máscara não associa o perigo que estão correndo. As pessoas precisam entender que a doença está no ar que a gente respira"
Antes da compra, é importante verificar se as máscaras PFF2 têm o selo do Inmetro É essa certificação que indica que o produto passou por auditorias no processo produtivo e ensaios envolvendo questões como inspeção visual, resistência à respiração, penetrações através do filtro e inflamabilidade. No site do Inmetro, é possível consultar os produtos certificados.
20/04/2021 – Diário Gaúcho
http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/04/apos-queda-pandemia-da-sinais-de-estabilizacao-em-nivel-elevado-no-rs-17309711.html
Após queda, pandemia dá sinais de estabilização em nível elevado no RS
Taxas de novos casos e óbitos, que vinham caindo no Estado, reduziram o ritmo de recuo
Os gaúchos testemunharam o número de novos casos e óbitos provocados por covid-19 entrar em tendência de declínio, nas últimas semanas, após uma nova onda do coronavírus ter superlotado hospitais. Os dados mais recentes, porém, indicam que essa queda perdeu velocidade e sinalizam uma estabilização da pandemia em patamar muito elevado — o que pode resultar em novo agravamento em um curto intervalo de tempo.
A média da taxa diária de crescimento dos casos chegou a superar 1% ao final da primeira semana de março no Rio Grande do Sul. Cerca de um mês depois, esse índice havia caído pela metade (veja gráfico). O problema é que, nos últimos dias, esse recuo perdeu velocidade e começou a dar lugar a indícios preliminares de estabilidade. Ao longo da semana, a média de avanço das contaminações passou a oscilar entre 0,47% e 0,51% (média diária de novos casos calculada ao longo de sete dias, para reduzir distorções).
— Nós vínhamos em uma tendência de queda. Essa queda entrou em desaceleração e começa a dar sinais de que pode estar se estabilizando. O problema é que estaria se estabilizando em um patamar ainda muito elevado — alerta o cientista de dados e coordenador da Rede Análise Covid-19, Isaac Schrarstzhaupt.
A média da taxa diária de novos óbitos, calculada pela data de registro da morte, apresenta comportamento semelhante. Chegou a superar 1,8% em meados de março, período em que entrou em declínio. Manteve-se abaixo de 1% ao dia desde 10 de abril — mas deixou de apresentar a mesma tendência clara de diminuição. Nos últimos dias, houve até uma ligeira oscilação para cima e passou de 0,7% para 0,8%.
Esse cenário é confirmado em um boletim Infogripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que analisou dados disponíveis até 12 de abril. O texto diz que “os Estados do Amazonas, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina apresentam indícios de que podem estar interrompendo a tendência de queda ainda em valores significativamente elevados”.
O texto conclui que as estimativas “reforçam a importância da cautela em relação a medidas de flexibilização das recomendações de distanciamento para redução da transmissão da COVID-19 enquanto a tendência de queda não tiver sido mantida por tempo suficiente para que o número de novos casos atinja valores significativamente baixos”.
Esse cenário deixa especialistas em alerta por uma razão: quando há novo aumento da mobilidade, como agora no Rio Grande do Sul em razão de flexibilizações na circulação, há uma ameaça muito maior de repique da pandemia se a taxa de contaminação ainda estiver elevada.
— Nossa situação atual é como andar em uma corda bamba. Qualquer coisa, (a pandemia) pode voltar a subir. Mesmo que a gente consiga se manter como está agora, é um sofrimento enorme. Estaríamos aceitando um número maior de mortes por não conseguirmos interromper a transmissão do vírus — afirma a professora de Epidemiologia e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda.
Schrarstzhaupt lembra que a Europa conseguiu reduzir “quase a zero” a taxa de contaminação após a adoção de lockdowns no ano passado. Por isso, uma segunda onda do coronavírus demorou meses até ganhar força. Isso pode ocorrer em menos tempo quando o coronavírus segue circulando em maior nível na sociedade.
— Quando você já tem uma circulação elevada do vírus e aumenta a mobilidade, a probabilidade de contaminação das pessoas que vão para a rua é muito maior, e, em consequência disso, a possibilidade de uma nova disparada da pandemia em um curto prazo — explica.
Depois de ficar semanas acima de 100%, a taxa geral de ocupação de unidades de terapia intensiva (UTIs) voltou a ficar abaixo da capacidade máxima no Estado. Mas ainda se encontra em um patamar de sobrecarga — na tarde desta segunda, estava em 87%.
20/04/2021 – Jornal Matinal
https://www.matinaljornalismo.com.br/matinal/newsletter/estudo-de-tres-universidades-do-rs-comprova-eficacia-de-uso-de-mascaras-e-distanciamento-social/
Estudo de três universidades do RS comprova eficácia de uso de máscaras e distanciamento social
Distanciamento social e uso correto de máscara. Esses são dois dos métodos eficazes contra a disseminação da Covid-19, segundo um estudo produzido por pesquisadores da UFRGS, UFPel, UFCSPA e da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre. A pesquisa foi elaborada a partir de uma lista cedida pela secretaria com mais de 3,4 mil pacientes da Capital que testaram positivo para a doença entre abril e junho de 2020. Deste grupo, 247 pessoas foram selecionadas para responder a um questionário sobre o uso de máscara, grau de adesão do distanciamento social e a rotina de atividades fora de casa. A conclusão dos pesquisadores foi que o uso de proteção facial reduz em 87% a chance de infecção. Além disso, o estudo indicou que aqueles que realizam o distanciamento, de forma moderada a intensa, têm entre 59% e 75% menos chances de contrair o vírus. O artigo está em fase preprint e precisa de avaliação de outros pesquisadores antes de ser publicado, mas já é considerado um estudo confiável. Em paralelo, especialistas ouvidos por GZH corroboram que o distanciamento social, causado pela bandeira preta a partir do fim de fevereiro, foi determinante para reduzir os casos e, posteriormente, as mortes por Covid-19 no RS.
15/04/2021 – GZH
https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/04/e-possivel-usar-vacinas-contra-a-covid-19-diferentes-para-a-primeira-e-segunda-doses-veja-perguntas-e-respostas-cknji9rof00by0198hga75ou0.html
É possível usar vacinas contra a covid-19 diferentes para a primeira e segunda doses? Veja perguntas e respostas
Quase 500 pessoas no país receberam aplicações de imunizantes distintos, apesar de governo e cientistas serem contra
Aplicar em uma mesma pessoa doses de vacinas contra a covid-19 de laboratórios diferentes pode ter alguma vantagem ou desvantagem? Há estudos no mundo que analisam a interação entre a vacina de Oxford e a Sputnik, a Pfizer e a Novavax. Mas não há, neste momento, pesquisas sobre a interação entre a CoronaVac e a vacina de Oxford, que são as duas em uso no Brasil e que funcionam com tecnologias diferentes.
A orientação oficial é de que a vacinação aconteça sempre com duas doses do mesmo laboratório. Aplicar vacinas diferentes pode ocorrer por desatenção do aplicador ou da pessoa vacinada, que não conferiu na carteira de vacinação qual foi a primeira dose injetada — daí a importância de levar o documento ao posto. Aplicar injeções cruzadas, a princípio, não faz mal à saúde, mas não se sabe se a combinação pode assegurar a proteção esperada.
De janeiro até esta quarta-feira (14), 481 brasileiros receberam erroneamente uma dose da CoronaVac e outra da vacina de Oxford, segundo o Ministério da Saúde. A despeito de considerar a aplicação cruzada um erro, a pasta diz que nada deve ser feito.
— Não temos estudos de intercambialidade das vacinas para a covid. A grande dúvida é se a pessoa ficará protegida utilizando vacinas de laboratórios diferentes — resume o médico Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
A situação deve se tornar cada vez mais comum com o avanço da campanha de imunização e a entrada de novas vacinas no Brasil. Até agora, estão aprovadas no país a CoronaVac, a vacina de Oxford/AstraZeneca e a da Pfizer (esta ainda não chegou efetivamente por aqui) – cada qual com uma tecnologia diferente para funcionamento, o que complica ainda mais a possibilidade de mistura.
O Ministério da Saúde orienta, no Plano Nacional de Imunizações (PNI), que a vacinação cruzada deve ser notificada como erro e que indivíduos que receberam doses de laboratórios diferentes "não poderão ser considerados como devidamente imunizados, no entanto, neste momento, não se recomenda a administração de doses adicionais de vacinas”.
Questionado sobre qual é a orientação para as pessoas que receberam doses de laboratórios distintos, o Ministério da Saúde afirma, em nota a GZH, que “cabe aos Estados e municípios o acompanhamento e monitoramento de possíveis eventos adversos a essas pessoas por, no mínimo, 30 dias”.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou a GZH que não recebeu estudos sobre a intercambialidade das vacinas nos pedidos de uso emergencial ou definitivo das farmacêuticas, mas que “o entendimento da Anvisa é que, com as informações conhecidas até o momento, as vacinas não são intercambiáveis. A orientação é que seja respeitado o esquema terapêutico e que seja tomada uma segunda dose da última vacina recebida, respeitando-se o intervalo recomendado entre as doses”, diz a entidade por e-mail.
A Secretaria Estadual da Saúde (SES) afirma por e-mail que “está aguardando retorno do Ministério da Saúde com orientação sobre esta questão”. A pasta não informou quantos gaúchos receberam vacinas de farmacêuticas diferentes.
A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) aponta que notifica esses casos no sistema em Porto Alegre e aguarda orientação da SES “para o desfecho das situações verificadas”.
Veja perguntas e respostas sobre o assunto:
Posso tomar vacinas contra o coronavírus de laboratórios diferentes?
Não. Em nota divulgada no fim de março, a Anvisa alerta que a aplicação deve ser feita com doses do mesmo laboratório e que “não há dados que sustentem que a troca de fabricantes de vacinas entre a primeira e a segunda dose produza resposta imune ao Sars-CoV-2”. O Ministério da Saúde considera o uso de vacinas diferentes um erro, e especialistas defendem que a aplicação seja sempre de uma mesma farmacêutica.
Tomei vacinas de diferentes laboratórios. O que faço?
Caso sua carteira de vacinação aponte uma dose da CoronaVac, do Instituto Butantan, e outra da vacina de Oxford, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), você deve comunicar ao posto de saúde e mostrar sua carteira de vacinação. A unidade de saúde, por sua vez, fará a notificação à Secretaria Municipal da Saúde. A despeito de não considerar esse caso como uma imunização efetiva, a orientação do Ministério da Saúde é de que a pessoa não tome uma terceira dose.
Faz mal misturar vacinas de laboratórios diferentes?
Não se sabe ainda, mas, a princípio, a mistura não faz mal à saúde. O sistema imunológico está acostumado a lidar com diferentes agentes diariamente em nosso corpo – é o que permite que estejamos vivos.
— Não existe nenhum estudo científico com resultado avaliando isso, mas, a principio, é seguro e não há motivo para imaginar que vá causar dano. Essas vacinas, já sabemos o que é demonstrado como efeito adverso. A avaliação é mais sobre a eficácia de misturar as vacinas, não tanto sobre a segurança. As vacinas vêm sendo utilizadas há mais de um século com muita segurança — diz a médica Viviane Boaventura, pesquisadora da Fiocruz e professora de Imunologia na Universidade Federal da Bahia (UFBA).
A pessoa que tomou doses de laboratórios diferentes estará imunizada?
Não se sabe. Há estudos sendo conduzidos para a aplicação de algumas vacinas, mas ainda não há conclusões. Analistas ouvidos por GZH divergem: de um lado, há a expectativa de que a prática possa reforçar o sistema imune, mas, por outro, também se imagina que possa despertar uma segunda onda de proteção que não reforce aquela gerada pela primeira dose.
Por que não se deve misturar, hoje, doses de laboratórios diferentes?
Porque não há estudos que embasem a decisão. As pesquisas feitas até agora comprovam eficácia e tempo de intervalo apenas para doses do mesmo laboratório, e não com cruzamento. O risco é gerar duas respostas imunes diferentes, em vez de um reforço da primeira. Além disso, caso haja um efeito colateral, não será possível saber a qual vacina ele pode estar conectado.
— A diferença é a forma como cada plataforma estimula o sistema imunológico. Temos respostas imunes diferentes a depender do produto utilizado. Se uma tem 50% de eficácia e a outra, de 90%, não significa que fazer intercâmbio terá uma eficácia meio termo de 75% — explica Juarez Cunha, médico e presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Qual é a solução? Manter como está ou oferecer uma terceira dose?
Não há resposta, ainda. O caso do Brasil é mais delicado porque a CoronaVac e a vacina de Oxford usam tecnologias diferentes para despertar a resposta imunológica contra a covid-19 – nos Estados Unidos, admite-se para casos excepcionais o uso da Pfizer e da Moderna porque ambas atuam de forma semelhante, com RNA mensageiro.
Eduardo Sprinz, médico infectologista, chefe do setor de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e coordenador dos estudos da Janssen e da vacina de Oxford na instituição:
“No Brasil, temos duas vacinas de plataformas diferentes. Uma é com vírus inativado (CoronaVac) e outra é com uma proteína do vírus, a proteína S (Oxford/AstraZeneca). Os anticorpos induzidos por uma não necessariamente serão os mesmos estimulados pela outra. Baseado nisso, provavelmente, quem fez a intercambialidade da CoronaVac e a de Oxford seria recomendado fazer o reforço de uma dessas duas. Por hipótese, o uso de vacinas de plataformas diferentes não funciona, mas de plataformas semelhantes, sim. Mas não temos resposta sobre isso, ainda.”
Viviane Boaventura, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e professora de Imunologia na Universidade Federal da Bahia (UFBA):
“Cada vacina monta uma resposta contra um material do vírus. Se você der uma segunda vacina, você estimularia a resposta contra uma outra parte do vírus. Então você potencializa diferentes braços da resposta de defesa do organismo. É como se ativasse diferentes componentes do sistema de defesa. Mas faltam estudos.”
Juarez Cunha, médico e presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm):
“Minha opinião é de que pessoas que receberam vacinas de plataformas diferentes deveriam tomar uma terceira dose de uma dessas vacinas. Isso porque os estudos que temos é de uma mesma vacina.”
Cristina Bonorino, professora de Imunologia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro de um grupo de trabalho da SES que estuda os efeitos de vacinas:
“A CoronaVac e a Oxford são contra o coronavírus, mas uma funciona com o vírus inteiro e a outra só para a proteína S do vírus. É possível funcionar (a mistura das duas), mas não sabemos quanto. A mistura está sendo considerada como erro pelo Ministério da Saúde, mas o ministério não diz o que fazer e é urgente que se manifeste. Eu sugiro que, se ainda está no prazo de uso de uma das duas vacinas, que se complemente com a que está no prazo. Mas, se passou o prazo de aplicação das duas, o que é possível só no futuro, já que agora Oxford sequer teve a segunda dose, que se comece o esquema de novo.”
Tomar uma terceira dose faria mal ao organismo?
Não – e talvez você já tenha feito isso com outra vacina, ao esquecer se tomou, anos atrás, a dose necessária. Assim como tomar uma dose de laboratório diferente, receber uma terceira injeção também não faz mal ao organismo. Tomar uma terceira dose é, inclusive, a solução oferecida pelo Ministério da Saúde para outro problema: quem toma a dose de reforço da CoronaVac antes do intervalo de 14 dias. Nota técnica de 8 de março da pasta diz que, para esses casos, "a segunda dose deverá ser desconsiderada e reagendada uma segunda dose conforme intervalo indicado da primeira vacina covid-19 recebida".
— Não vai sobrecarregar o corpo nem nada parecido. O sistema imune está acostumado a lidar com várias infecções e imunizações ao mesmo tempo. Todos os dias o sistema imune lida com patógenos e, graças a isso, estamos vivos — diz Cristina Bonorino, professora da UFCSPA.
Por que a vacinação cruzada tem mais chances de dar certo para algumas combinações de vacina?
A hipótese de cientistas é de que vacinas com a mesma tecnologia trabalhariam de forma semelhante para gerar uma resposta do sistema imune, então, o esforço de uma ajudaria a outra. No entanto, não é a realidade atual do Brasil, onde circulam dois imunizantes com plataformas distintas – CoronaVac com vírus inativado e Oxford/AstraZeneca com vetor viral.
É por isso que há estudos sobre o uso da AstraZeneca com a Sputnik (ambas de vetor viral que inserem um pedacinho do Sars-Cov-2 dentro de um vírus de resfriado que funciona como mensageiro) ou da AstraZeneca com a Pfizer (ambas com foco em uma proteína do coronavírus).
— Quando tomamos a AstraZeneca, o sistema imunológico monta resposta contra a covid, mas também contra o adenovírus que carrega um pedacinho da covid. Na segunda dose, o sistema combate o adenovírus antes de ele entregar as partes da covid. A ideia de usar a Sputnik na segunda dose é que, por ela usar outro vetor viral, nosso sistema imune não teria resposta montada com ele e, assim, o fragmento da covid chegaria ao destino para o sistema imune montar uma resposta — diz Viviane Boaventura, da Fiocruz.
Pelo mesmo raciocínio, o uso da Pfizer com a Moderna também poderia dar certo, porque ambas usam a tecnologia de RNA mensageiro. Mas não há, tampouco, estudos que comprovem a prática.
Se der certo, por que será bom misturar vacinas diferentes?
Para além da suposição de aumentar a eficácia, pela logística: se o país estiver em falta das doses de um laboratório, mas tiver estoque de outro, poderá aplicar na população as injeções que tiver disponíveis.
— O que se imagina é que possa ter um efeito de potencialização ao combinar duas vacinas, na expectativa de flexibilizar os usos. Se conseguirmos, isso ajudaria na questão logística. No caso do Brasil, por causa das novas variantes, dar mais de um tipo de vacina pode ser uma vantagem — diz Viviane Boaventura, pesquisadora da Fiocruz e professora de Imunologia na UFBA.
Como a situação é tratada em outros países?
A França decidiu que a população com menos de 55 anos que tiver tomado a primeira dose da vacina de Oxford deverá tomar, como segunda dose, a Pfizer ou a Moderna, mas o governo francês reconhece que não há estudos científicos comprovando que a estratégia funcione. A vacina de Oxford é feita com a tecnologia de vetor viral, enquanto que Pfizer e Moderna usam RNA mensageiro.
No início do ano, em meio à falta de doses, o Reino Unido decidiu autorizar a mistura de imunizantes – estavam à disposição a vacina de Oxford e a da Pfizer, ambas com tecnologias distintas, mas responsáveis por inserir no corpo uma proteína do coronavírus que, embora não seja infecciosa, ensina o organismo a lutar contra a covid-19.
— Todo esforço deve ser feito para dar a mesma vacina, mas, quando isso não for possível, é melhor dar uma segunda dose de outra vacina do que não dar — afirmou Mary Ramsay, chefe de imunizações da Public Health England.
Nos Estados Unidos, onde o uso massivo é das vacinas da Pfizer e da Moderna – ambas com a tecnologia de RNA mensageiro –, o governo desaconselha a vacinação cruzada, mas diz que, se não for possível saber qual foi a primeira dose, pode-se dar o reforço 28 dias depois com uma vacina da mesma tecnologia. Ao mesmo tempo, salienta que é preferível atrasar a aplicação da segunda dose se isso permitir vacinar com a injeção da mesma farmacêutica.
— Ter duas vacinas de uma mesma plataforma é uma coisa. Mas hoje temos no Brasil vacinas de plataformas distintas. Vacinadores e quem recebe a vacina precisam prestar atenção ao produto e ao que está registrado na carteira de vacinação — diz o médico Juarez Cunha.
A China avalia misturar vacinas para aumentar a eficácia ou mesmo aumentar o número de doses de um imunizante. O país conta com três vacinas, sendo uma delas a CoronaVac.
Qual é a regra para vacinas contra outras doenças?
Usar a vacina do mesmo laboratório, explica Juarez Cunha, médico e presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Em casos nos quais existe a intercambialidade, como a vacina contra a meningite, foram feitos estudos para atestar a segurança e a eficácia da prática.
15/04/2021 – Folha de São Paulo e DL News – via FolhaPress
https://dlnews.com.br/noticias?id=61308/porto-alegre-reabre-bares-apesar-da-taxa-de-ocupacao-de-utis-em-96%
Porto Alegre reabre bares apesar da taxa de ocupação de UTIs em 96%
Especialistas temem repique de casos
Após o colapso na rede de saúde em Porto Alegre no mês de março, o governo do Rio Grande do Sul reabriu bares, restaurante e o comércio de rua, ainda que com restrições de horário e de capacidade.
Nesta segunda-feira (11), a taxa de ocupação de UTIs em Porto Alegre ficou em 96%, pouco abaixo dos 100% que vinha registrando desde o começo de março. Especialistas alertam que os indicadores ainda estão bastante elevados e que a tendência de queda pode ser revertida com o aumento da mobilidade, que sempre segue o relaxamento de restrições.
Em meio ao caos em março com o alto número de mortos pela Covid-19, o principal hospital privado de Porto Alegre, o Moinhos de Vento, chegou a instalar contêiner para abrir corpos das vítimas. Um hospital de campanha foi montado pelo Exército junto ao Hospital da Restinga e Extremo Sul (HRES), na periferia, que registrou pacientes recebendo oxigênio de pé, nos corredores da emergência.
Porto Alegre entrou, em 22 de fevereiro, em bandeira preta, o mais alto grau de risco na Covid-19. Cinco dias depois, a medida se estendeu para o estado. Comércio não essencial e academias fecharam as portas.
Na semana seguinte, o governador Eduardo Leite (PSDB) decidiu proibir venda de itens não essenciais até nos supermercados, o que obrigou grandes redes a bloquear com sacos plásticos as gôndolas com produtos que não fossem de alimentação, higiene e limpeza. Leite foi criticado por bolsonaristas nas redes sociais por causa da medida.
No último dia 22, as restrições começaram a ser relaxadas. Atividades não essenciais puderam voltar a funcionar entre 5h e 20h nos dias úteis, o que permitiu a reabertura de bares, restaurantes, do comércio de rua, dos shoppings centers, entre outras atividades. Supermercados também puderam remover as lonas que bloqueavam corredores com produtos não essenciais.
Leite também permitiu que comércio, academias e espaços religiosos funcionem aos fins de semana. Bares e restaurantes, por exemplo, podem operar apenas até 16h nos sábados e domingos, com limitação de 25% da capacidade máxima. Durante a semana, tiveram o horário limite estendido até às 23h.
"A gente vê que os nossos clientes estão retornando aos pouquinhos, mas ainda um movimento muito aquém do necessário, diz Maria Fernanda Tartoni, da Abrasel (Asssociação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Sul).
Entre os comerciantes, a impressão ainda é de muita cautela do consumidor. "Os primeiros dias [de reabertura] foram muito fracos, acho que houve um certo receio das pessoas em voltar. O RS, de alguma maneira, foi o epicentro, uma nova Manaus. Então, é evidente que as pessoas têm medo", diz Irio Piva, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre.
Reitora da da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a epidemiologista Lucia Pellanda avalia que a "boa notícia" é que as restrições implementadas pelo governo do Estado tiveram efeito, reduzindo inicialmente o número de casos, depois a ocupação de leitos clínicos e de leitos de UTI.
"Talvez ainda tenhamos um pouco de aumento do número de mortes por um tempo, porque são óbitos de pessoas que internaram naquela época [no pico]. Então, a primeira notícia é que tem efeito. A má notícia é que eu acho que é insuficiente. A gente está numa situação muito crítica, ainda muito longe de estar confortável, apesar de estar reduzindo", diz.
Já o Secretário Municipal de Saúde, Mauro Sparta, diz estar otimista que a queda nos indicadores pode perdurar. Entre os pontos, cita o cenário de queda nas solicitações de internação nas quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
Contudo, para os que atuam nas UTIs, a situação atual ainda é crítica. Chefe do Serviço de Medicina Intensiva Adulto do Hospital Moinhos de Vento, um dos dois maiores hospitais privados da cidade, Roselaine Pinheiro de Oliveira afirma que a instituição continua operando acima da capacidade regular. Nesta quarta, o hospital registrava 86 pacientes internados na UTI para uma capacidade instalada oficialmente de 66 leitos, o que representa taxa de ocupação de 130%.
"Nós não temos tranquilidade, trabalhando a cada dia avaliando a situação. O que nós esperamos é que essa diminuição se sustente e que, com o aumento da vacinação, possamos começar a atender a maior demanda de outras doenças", afirma.
No Hospital Nossa Senhora da Conceição, um dos dois principais para pacientes do SUS, a taxa de ocupação era de 147% nesta terça.
"A UTI continua tensionada, mas o quantitativo está diminuindo e a gente tem um percentual de leitos que está começando a ser ocupado por outras enfermidades. Vaga livre não temos, porque sempre aparece alguém precisando. Mas, em relação à Covid, observamos que a tendência é diminuir", afirma Francisco Paz, diretor-técnico do Grupo Hospitalar Conceição.
Já o HCPA (Hospital de Clínicas de Porto Alegre), o maior em termos de leitos a atender exclusivamente pacientes do SUS na cidade, apresenta uma situação aparentemente melhor. Nesta terça, a taxa de ocupação de UTIs na instituição estava em 90%.
"Quando o sistema colapsou, nós tivemos uma ocupação de leitos de UTI próxima de 150%. Onde estão esses leitos? São leitos adaptados, leitos colocados na emergência. Todos com respirador, mas com profissionais que não são intensivistas", diz Beatriz Schaan, coordenadora do Grupo de Trabalho para a Preparação do Enfrentamento ao Coronavírus do HCPA.
14/04/2021 – Correio do Povo
https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/dia-da-voz-%C3%A9-celebrado-com-palestras-e-show-na-ufcspa-1.603267
Dia da Voz é celebrado com palestras e show na UFCSPA
Evento realizado há mais de dez anos na universidade ganha versão virtual
“A Musicalidade da Voz” é o tema do evento que celebrará, hoje, às 19h, o Dia da Voz na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), no canal do Youtube do Núcleo Cultural da universidade. Objetivando fazer uma interface entre música, voz e fonoaudiologia e demonstrar as relações existentes entre arte e ciência, a atividade realizada há mais de dez anos desta vez ganha versão virtual. A transmissão ao vivo contará com a participação de dois convidados: o fonoaudiólogo e músico Alexandre Lira e a cantora Angélica Nascimento.
Alexandre ministrará a palestra “Interfaces Entre Música, Canto e Fonoaudiologia: Práticas e Atuação”. O profissional abordará conceitos relacionados à música e a gêneros e estilos de canto, refletindo sobre a atuação fonoaudiológica no contexto do aprimoramento e da reabilitação vocal. Graduado em Música (UFAL) e Fonoaudiologia (UNCISAL), Alexandre Lira é especialista em voz (Centro de Estudos da Voz -CEV/SP) e mestre em Ciências da Reabilitação (UFCSPA). Após uma longa trajetória na música, dedicou-se à reabilitação vocal. Atuou em diversas instituições de reabilitação e atualmente trabalha em clínica com foco em profissionais da voz. Natural de Maceió, reside em Tubarão (SC).
Angélica fará um relato sobre seu processo de reabilitação vocal, seguido de uma apresentação musical. Devido a um desgaste vocal intenso, a cantora ficou três meses com dificuldade de cantar e falar. Com mais de 10 anos de experiência como cantora, integra um grupo musical e é regente do Coral Infantil da ONG Pilar Consciente (Alagoas). Desde cedo descobriu sua paixão pela música, aprendendo diferentes instrumentos até chegar ao canto. Natura
O evento tem coordenação da professora, fonoaudióloga e pesquisadora em voz Mauriceia Cassol, com mediação da fonoaudióloga e doutoranda Isadora de Oliveira Lemos. A campanha da voz de 2021 é organizada pelo Grupo de estudos e pesquisa A Nossa Voz em Pauta, em conjunto com o Núcleo Cultural – NCULT.
14/04/2021 – Correio do Povo
https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/dia-da-voz-%C3%A9-celebrado-com-palestras-e-show-na-ufcspa-1.603267
Dia da Voz é celebrado com palestras e show na UFCSPA
Evento realizado há mais de dez anos na universidade ganha versão virtual
“A Musicalidade da Voz” é o tema do evento que celebrará, hoje, às 19h, o Dia da Voz na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), no canal do Youtube do Núcleo Cultural da universidade. Objetivando fazer uma interface entre música, voz e fonoaudiologia e demonstrar as relações existentes entre arte e ciência, a atividade realizada há mais de dez anos desta vez ganha versão virtual. A transmissão ao vivo contará com a participação de dois convidados: o fonoaudiólogo e músico Alexandre Lira e a cantora Angélica Nascimento.
Alexandre ministrará a palestra “Interfaces Entre Música, Canto e Fonoaudiologia: Práticas e Atuação”. O profissional abordará conceitos relacionados à música e a gêneros e estilos de canto, refletindo sobre a atuação fonoaudiológica no contexto do aprimoramento e da reabilitação vocal. Graduado em Música (UFAL) e Fonoaudiologia (UNCISAL), Alexandre Lira é especialista em voz (Centro de Estudos da Voz -CEV/SP) e mestre em Ciências da Reabilitação (UFCSPA). Após uma longa trajetória na música, dedicou-se à reabilitação vocal. Atuou em diversas instituições de reabilitação e atualmente trabalha em clínica com foco em profissionais da voz. Natural de Maceió, reside em Tubarão (SC).
Angélica fará um relato sobre seu processo de reabilitação vocal, seguido de uma apresentação musical. Devido a um desgaste vocal intenso, a cantora ficou três meses com dificuldade de cantar e falar. Com mais de 10 anos de experiência como cantora, integra um grupo musical e é regente do Coral Infantil da ONG Pilar Consciente (Alagoas). Desde cedo descobriu sua paixão pela música, aprendendo diferentes instrumentos até chegar ao canto.
O evento tem coordenação da professora, fonoaudióloga e pesquisadora em voz Mauriceia Cassol, com mediação da fonoaudióloga e doutoranda Isadora de Oliveira Lemos. A campanha da voz de 2021 é organizada pelo Grupo de estudos e pesquisa A Nossa Voz em Pauta, em conjunto com o Núcleo Cultural – NCULT.
14/04/2021 – Jornal O Sul
https://www.osul.com.br/porto-alegre-passa-a-contar-a-partir-desta-segunda-com-mais-4-postos-de-saude-com-atendimento-ate-as-22h/
Porto Alegre passa a contar a partir desta segunda com mais 4 postos de saúde com atendimento até as 22h
A cidade de Porto Alegre passa a contar a partir desta segunda-feira (15) com 12 unidades de saúde com horário estendido até as 22 horas. As quatro novas unidades somam-se às oito que já funcionavam até este horário. A medida vigorará por duas semanas, com o objetivo de diminuir a pressão sobre os pronto-atendimentos na capital gaúcha. A novidade foi apresentada pelo prefeito Sebastião Melo durante a live Vozes da Cidade.
Confira as unidades que passam a atender até as 22h: US Moradas da Hípica (rua Geraldo Tollens Linck, 235, no bairro Aberta dos Morros); US Lomba do Pinheiro (Estrada João de Oliveira Remião, 6111, Parada 13, no bairro Lomba do Pinheiro); US Moab Caldas (avenida Moab Caldas, 400, no bairro Santa Tereza); US Assis Brasil (avenida Assis Brasil, 6615, no bairro Sarandi).
Outras unidades também até as 22h: US Belém Novo (rua Florencio Farias,195, no bairro Belém Novo); US Diretor Pestana (rua Dona Teodora, 1016, no bairro Farrapos); US Modelo (avenida Jerônimo de Ornelas, 55, no bairro Santana); US Morro Santana (rua Marieta Menna Barreto, 210, no bairro Protásio Alves); US Primeiro de Maio (avenida Professor Oscar Pereira, 6199, no bairro Cascata); US Ramos (rua K esquina Rua R C, S/N – Vila Nova Santa Rosa, no bairro Rubem Berta); US São Carlos (avenida Bento Gonçalves, 6670, no bairro Partenon); US Tristeza (avenida Wenceslau Escobar, 110, no bairro Tristeza).
Parcerias solidárias
Porto Alegre, assim como o Estado do Rio Grande do Sul, enfrenta o momento mais crítico da pandemia, com a rede de saúde trabalhando acima do limite e atividades econômicas sofrendo com restrições. A situação só não é pior porque os porto-alegrenses se uniram em parcerias solidárias para colaborar com o poder público e ajudar no enfrentamento ao coronavírus. Doações de pessoas físicas e empresas, de álcool gel a respiradores, chegam à prefeitura e são distribuídas para as áreas que mais necessitam.
O Gabinete da Primeira-Dama, Valéria Leopoldino, recebeu doações importantes nos últimos dias. O Grupo Pedrini contribuiu com 70 mil máscaras e a rede de farmácias São João com 100 unidades de álcool gel. A Secretaria Municipal de Educação também recebeu 2,4 mil frascos de 300 ml de álcool em gel 70% da São João e 2,5 mil unidades de 50 e 150 ml de álcool em gel 70% do Grupo Dimed.
Confira algumas das doações que a prefeitura recebeu:
Hospital de Campanha – O Exército Brasileiro começou a montar nesta sexta-feira, 12, a primeira parte das instalações de um hospital de campanha, que funcionará junto à entrada do Hospital Restinga Extremo-Sul. A estrutura terá três barracas que vão abrigar 20 leitos, sendo quatro de UTI. A prefeitura vai fornecer as equipes médicas e os equipamentos hospitalares.
Apoio na vacinação – A vacinação contra a Covid-19 em Porto Alegre começou em 19 de janeiro com o apoio de diversos setores da sociedade. O Comando Militar do Sul, por exemplo, colabora com pessoal e viaturas, e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com motoristas e carros. Os espaços para montagem dos drive-thrus só são possíveis graças ao apoio do Grupo BIG, Ministério Público, Sindicato Médico do RS (Simers), Shopping Iguatemi, Shopping Total, Sport Club Internacional e Tribunal de Justiça. Outros apoiadores já estão em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para colaborar com a gestão pública.
Na campanha de vacinação contra gripe do ano passado, a empresa de aplicativo 99 doou R$ 20 mil em vouchers que foram utilizados no transporte de profissionais para a imunização domiciliar de idosos contra a gripe. A medida evitou o deslocamento de pessoas do grupo de risco da Covid-19.
Campanha de conscientização – O apoio das entidades empresariais e comerciais tem sido constantes neste um de ano de pandemia. Uma das ações de maior impacto são as campanhas de conscientização. Com apoio da prefeitura, Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas), Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e Sindicato de Hospedagem e Alimentação de POA e Região (Sindha) lançaram peças publicitárias alertando sobre a importância de cumprir os protocolos sanitários de funcionamento e manter os cuidados de higienização.
Testes – Fundamentais no enfrentamento à pandemia, os testes também chegam por meio de empresas. O Grupo Big doou 1.720 testes PCR, a Receita Federal 5 mil testes e Grupo Iguatemi 2 mil kits de testes rápidos. Uma parceria da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) com a Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Assistência Laboratorial e Vigilância em Saúde, oferece drive-thru para coleta de exames RT-PCR no estacionamento da instituição (rua Sarmento Leite, 245, Centro Histórico).
14/04/2021 – Jornal O Sul
https://www.osul.com.br/ufcspa-uma-senhora-de-60-anos-uma-senhora-universidade/
Artigo do professor Carlos Roberto Schwartsmann – médico e professor
UFCSPA: Uma senhora de 60 anos!! Uma senhora Universidade!!
Em 1953 o Professor Rui Cirne Lima (Provedor da Santa Casa de Misericórdia) propôs em sessão administrativa a criação de uma faculdade de medicina, pois só havia uma única faculdade no RGS. Eram 23 em todo Brasil. Havia carência de médicos!
A proposta foi encaminhada ao Arcebispo de Porto Alegre, Dom Vicente Scherer, que a acatou e decretou a criação da Faculdade Católica de Medicina de Porto Alegre. Na ocasião foi nomeada uma comissão para organização da mesma presidida pelo Prof. Dr. Ivo Correa Meyer.
A pedra fundamental foi lançada em 1957. A fachada de 80 metros seria o semblante de um prédio de 10.000 metros com auditório para 900 pessoas e uma biblioteca com capacidade para 200.000 livros. O prédio da Rua Sarmento Leite, 245, teria 9 andares.
No estatuto da faculdade são citados como objetivos principais: “Não se limitará a formação de médicos e investigadores… mas também terá a função de modelar homens instruídos, educados, idôneos, cultos, dignos, retos, justiceiros e íntegros”. A primeira aula ocorreu em 1961. Os primeiros docentes recebiam compensações pecuniárias simbólicas.
O Brasil era presidido por Jânio Quadros e os Estados Unidos por John Fitzgerald Kennedy.
Neste ano começou a ser erguido o muro de Berlim!
Yuri Gagarin se tornou o 1º homem a dar uma volta na terra na nave Vostok 1 e comentou: “A terra é azul”.
Os Beatles se apresentaram pela 1ª vez no “Cavern Club” em Liverpool e os “Canhões de Navarone” lotava os cinemas.
No início das atividades o prédio está inacabado.
Nos dias de chuva eram colocadas pedras e pedaços de madeira na lama para poder se alcançar o portão principal. Não havia asfalto e a rua de chão batido terminava logo ali num pequeno morro. Em 1972, ele foi desfeito para dar origem ao “Túnel da Conceição”.
Os alunos eram estudiosos e desinteressados por política. Muitos trabalhavam durante a noite, pois não tinham nenhum sustento financeiro.
A maioria dos alunos era de família de classe média que reconheciam o esforço dos pais para mantê-los na faculdade e formarem um médico. A profissão naquela época ainda desfrutava de grande prestígio social.
Os Beatles influenciaram o uso de cabelos compridos e calças bocas de sino!
Poucos fumavam e não tínhamos muito contato com drogas. O máximo que poderia acontecer era embriaguez, por cerveja no centro acadêmico que ficava atrás do prédio central.
Até o ano de 2003 a FFFCMPA oferecia graduação apenas para o curso de medicina mas, devido a necessidade a um ensino especializado na área da saúde, a instituição iniciou cursos de Biomedicina e Nutrição (2004) e curso de Fonoaudiologia (2007) e Psicologia (2008).
Em 2008 adquiriu status de Universidade e passou a ser denominada Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
Na época 2008, o Brasil era governado por Luiz Inácio Lula da Silva (1º operário a se tornar presidente do Brasil) e os americanos elegeram Barack Obama (1º negro a se tornar presidente dos EUA).
— Fidel Castro renunciou ao comando de Cuba.
— Google lançou o sistema operacional androide.
— Os jogos olímpicos foram realizados em Pequim.
Aqui, nos nossos pagos a antiga Faculdade virou Universidade!!
O cargo de Reitor é político e executivo. A 1ª Reitora foi a Professora Miriam da Costa Oliveira. Já era a diretora da fundação desde 2004.
No discurso de posse disse “Nossa Universidade continuará crescendo e orgulhará o País”.
Em 2013 foi reconduzida ao Cargo após eleição onde participaram professores, alunos e técnicos da universidade. Durante sua gestão foram inaugurados 2 prédios no Campus Central de oito andares cada.
Em 2017 assume a reitoria a professora Lucia de Campos Pellanda após eleição deferida pelo Ministério da Educação.
Em 2019 a UFCSPA foi avaliada com a melhor nota de graduação de todo o País. No dia 30/3/21, foi reconduzida a Reitora da universidade por mais 4 anos.
No discurso de posse lembrou que como cardiologista “o meu destino era ter uma universidade no coração” e finaliza “AMOR VINCIT OMNIA”: o amor vence tudo!!
Coincidentemente a jovem universidade só foi comandada por reitoras!!
Hoje, a Senhora de 60 anos tem 16 cursos de graduação, 21 programas de pós-graduação, 64 programas de residência médica e um catálogo de produção científica que nos enche de orgulho e só pode ser comparado com as grandes universidades do mundo.
Uma Senhora de 60 anos!! Uma Senhora Universidade!!
13/04/2021 – Correio Braziliense
https://www.correiobraziliense.com.br/euestudante/ensino-superior/2021/04/4918020-especialistas-apresentam-panorama-da-pandemia-ao-conselho-da-andifes.html
Especialistas apresentam panorama da pandemia ao Conselho da Andifes
As professoras Ethel Maciel (UFES) e Lúcia Pellanda (UFCSPA) destacaram o colapso que o sistema de saúde brasileiro enfrenta e o surgimento das variantes
Durante a 140ª Reunião Extraordinária do Conselho Pleno da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), os reitores das universidades federais receberam as especialistas em epidemiologia Lúcia Campos Pellanda e Ethel Leonor Noia Maciel para que apresentassem um panorama da pandemia de covid-19.
As professoras destacaram as novas variantes, que vêm afetando a população mais jovem, além da necessidade de continuar com as medidas de segurança: evitar aglomerações e usar máscaras. A reunião foi feita virtualmente na última quinta-feira (8/4).
De acordo com Lúcia Pellanda professora do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a pandemia está descontrolada no Brasil e isso amplia a possibilidade de surgirem novas variantes em todos os estados. Segundo a especialista, o número de mortes pelo novo coronavírus mostra que 2021 começou de uma forma “bastante trágica”.
Para ela, ainda é delicado falar acerca das projeção de infectados, porque há diversos fatores envolvidos. Porém, o não cumprimento das medidas de segurança como o uso de máscaras e o distanciamento social pode fazer o Brasil chegar a mais de 500 mil mortes em julho.
A epidemiologista e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Ethel Maciel chama atenção ao fato de que as variantes têm causado novos sintomas e afetado à população mais jovem e, inclusive, levando a óbito pessoas sem doenças pré-existentes.
Especialista destaca ações dos países que conseguiram conter o vírus
Lúcia Pellanda afirmou que os países que têm se destacado na contenção das infecções pelo coronavírus têm características em comum, como comunicação unificada, decisões rápidas e baseadas na ciência, testagem e rastreamento para o rápido isolamento de infectados, isolamento social eficiente para prevenção da transmissão respiratória, além da vacinação.
A professora Lúcia Pellanda pondera que há duas estratégias básicas: prevenção e mitigação. A professora cita o caso da Nova Zelândia, que efetivou a contenção e não deixou a doença avançar no país. Para a estratégia da mitigação, é preciso aumentar o número de leitos hospitalares, por exemplo.
Pellanda reforçou que a estratégia mais eficaz na contenção da transmissão por vias respiratórias é o uso de máscaras de forma adequada, distanciamento interpessoal, proibição de aglomerações (encontro de pessoas que não morem juntas) e ventilação, pois ambientes fechados potencializam a possibilidade de transmissão do vírus.
Faltam insumos nos hospitais
Segundo Ethel Maciel, nesse momento, o Brasil vive um colapso generalizado com sistemas hospitalares incapazes de absorver o número de doentes, profissionais da saúde adoecendo por infecção pelo coronavírus ou por outros fatores, como estresse de jornadas múltiplas de trabalho.
Ela também destaca a falta de insumos para o tratamento adequado da população infectada, como medicamentos para sedação e equipamentos para ventilação mecânica, por exemplo.
Especialista pondera que o uso de vacinas de diferentes eficácias exigem uma estratégia de imunização diferente
Sobre as vacinas, Ethel explica que as duas disponíveis para aplicação hoje no Brasil têm eficácias diferentes e isso modifica a estratégia de vacinação da população. A epidemiologista afirma que a eficácia da vacina é um parâmetro para que possamos avaliar a imunidade coletiva. Como as vacinas têm eficácias distintas, é preciso vacinar mais pessoas para atingir um nível de imunidade seguro.
Os reitores lembraram que três vacinas foram desenvolvidas por universidades federais e estão em processo de pesquisa laboratorial. Se avançarem nos testes, poderão ir para as fases clínicas em breve. Desde o início da pandemia, a estrutura física e humana das instituições está à disposição da população no enfrentamento da pandemia.
13/04/2021 – SBT Portal
https://www.sbtnews.com.br/noticia/coronavirus/165547-covid19-medica-alerta-reitores-que-pais-pode-chegar-a-500-mil-mortes
Covid-19: médica alerta reitores que país pode chegar a 500 mil mortes
Especialistas em epidemiologia falaram sobre o atual cenário da pandemia em reunião da Andifes
As especialistas em epidemiologia Lúcia Pellanda, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), e Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), reforçaram a importância do uso de máscaras, do distanciamento social e da vacinação em massa para conter o avanço da Covid-19 no Brasil, durante reunião organizada pelo Conselho Pleno da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) na última semana.
Para ambas, o atual cenário da pandemia no país é de descontrole e colapso do sistema de saúde. Na visão de Pellanda, "se as pessoas continuarem não cumprindo as orientações, como usar adequadamente a máscara, podemos chegar ao mês de julho com mais de 500 mil mortes". Ainda de acordo com ela, apenas aumentar o número de leitos hospitalares não é suficiente para diminuir o impacto da pandemina na população, "porque trata-se de um recurso finito".
A especialista da UFCSPA avalia que o uso correto de máscaras, o distanciamento e a ventilação de ambientes configuram a melhor estratégia para evitar a propagação do novo coronavírus. Maciel, por sua vez, explicou que as variantes do Sars-CoV-2 causam novos sintomas e proporcionam quadros mais graves nas pessoas mais jovens do que o patógeno original. Para ela, visando a alcançar a imunidade coletiva, "precisamos considerar, pelo menos, 85% de brasileiros vacinados".
Nesta 3ª feira (13 abr.), o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 30 dias para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decida sobre o pedido de importação da vacina Sputnik V feito pelo governo do Maranhão. Ainda para tentar conseguir mais doses de imunizantes contra a Covid-19, o Fórum Nacional de Governadores se reunirá com secretária-geral adjunta da Organização das Nações Unidas (ONU), Amina Mohamed.
12/04/2021 – Jornal do Comércio
https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/especiais/coronavirus/2021/04/787295-comite-cientifico-reforca-recomendacao-para-uso-de-mascaras-de-boa-qualidade-e-bem-ajustadas.html
Comitê científico reforça recomendação para uso de máscaras de boa qualidade e bem ajustadas
Órgão consultivo às ações de enfrentamento da Covid-19 no Rio Grande do Sul, o Comitê Científico de Apoio ao Enfrentamento à Pandemia do Governo do Estado lançou nota técnica para reforçar as orientações sobre o uso de máscaras. O acessório, que há mais de um ano tornou-se peça fundamental para a proteção contra o coronavírus, segue sendo um dos grandes aliados no bloqueio diário à contaminação, no entanto, não tem sido usado corretamente nem adotado com a frequência necessária por muitos gaúchos.
Revisado no dia 6 de abril, o apontamento do Comitê lembra que a principal via de transmissão da Covid-19 é respiratória - que pode se dar através de gotículas ou aerossóis, que são partículas menores, mais leves, e que se mantêm no ar por mais tempo e distância -, e que, por conta disso, o vírus pode ser repassado tanto pela fala como por meio de tosse e espirros.
Dessa forma, as três principais medidas de prevenção contra a transmissão respiratória são: uso de máscaras com boa vedação, manutenção de distanciamento físico (no mínimo de 2 metros) e ventilação adequada dos ambientes, com preferência para atividades ao ar livre. "Os estudos científicos evidenciam que o uso de máscaras contribui para a redução da transmissão da infecção pelo vírus SARS-CoV-2. Máscaras bem utilizadas, acompanhadas de medidas de distanciamento físico e higiene são medidas importantes para evitar infecção", aponta o texto.
Nesse sentido, o Comitê recomenda na nota técnica o uso de máscaras de boa qualidade e bem ajustadas, de forma que ofereçam boa vedação. Segundo os especialistas que integram o colegiado, formado por pesquisadores de universidades gaúchas e autoridades científicas de diversas áreas do conhecimento, as melhores máscaras a serem utilizadas são: modelo PFF2 com selo do Inmetro ou certificado de avaliação, sem válvula; máscaras cirúrgicas com tripla camada e máscaras de pano com tripla camada.
"Também podem ser usadas duas máscaras sobrepostas, com o objetivo de melhorar o ajuste ao rosto, como no caso da máscara cirúrgica. Usar uma máscara de pano por cima pode ajudar a melhorar o ajuste no rosto e evitar escape de ar. Usar duas máscaras não é necessário no caso de uma máscara que filtra melhor e se ajusta bem, como a PFF2. Não se deve usar duas máscaras cirúrgicas ou qualquer tipo de máscara sobreposta à PFF2", alerta.
O grupo também avalia a conveniência do uso dos protetores faciais de acrílico, os face shields, que podem auxiliar na redução da transmissão da Covid-19, "pois ajudam a proteger os olhos das gotículas e do toque com mãos contaminadas", mas desde que utilizadas juntamente com as máscaras, para oferecer proteção adicional. "Estudos demonstram que - além do uso de máscaras, álcool gel e lavagem das mãos - os protetores faciais aumentam a proteção contra a infecção pelo SARS-CoV-2", destaca.
O Comitê elenca, ainda, cuidados que devem ser tomados no uso diário da máscara (ver lista abaixo) e enfatiza que sua utilização não exclui a necessidade de manter a higiene constante das mãos, o distanciamento físico adequado, - no mínimo 2 metros entre pessoas-, evitar ambientes fechados e mal ventilados, preferir atividades ao ar livre e manter o isolamento se apresentar sintomas gripais.
Reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro do Comitê, a médica Lucia Pellanda tem utilizado as redes sociais para dar dicas e orientações sobre cuidados e prevenção à Covid-19. Em uma série de postagens, inclusive, chegou a apontar os melhores tipos de máscaras e formas de uso. No entanto, segundo destaca: 'A máscara não é escudo mágico: usar máscara e ficar junto com um monte de gente não vai dar bom. O distanciamento ajuda muito, mas sem máscaras você precisaria se distanciar uns 100 metros pra ficar sem risco. Então, use máscara, some as proteções e faça sempre todas as medidas possíveis para aquele momento, e o risco pode diminuir muito", enfatiza.
Na sexta-feira (9), durante live para anúncio de novas flexibilizações, o governador Eduardo Leite também destacou a importância de reforçar os protocolos de proteção, entre eles o uso de máscaras, como a PFF2 e a sobreposição dos equipamentos de uso cirúrgico com as confeccionadas em tecido. "Orientamos o uso da PFF2 e o uso combinado de máscara cirúrgica mais a de pano", informou o chefe do Executivo gaúcho.
Cuidados no uso das máscaras*:
Não compartilhar a máscara com outras pessoas;
Tocar a máscara somente nas alças laterais, pois quando manipuladas de forma incorreta, podem dar falsa sensação de segurança e aumentar a possibilidade de contágio;
Não tocar na boca, no nariz e nos olhos;
Lavar as mãos com água e sabão por 20 segundos ou usar álcool 70% antes de colocar e logo após retirar a máscara;
Trocar a máscara por uma nova, sempre que estiver úmida;
Lavar máscaras caseiras com água e sabão;
Máscaras descartáveis devem ser depositadas em saco plástico selados e descartados no lixo doméstico não reciclável;
Quando não estiver utilizando a máscara, durante refeições, mantê-la em um saco plástico;
Não usar máscara em crianças menores de 2 anos.
Mesmo com uso frequente de máscaras, não esqueça:
de limpar as mãos com frequência, com água e sabão por 20 segundos e/ou uso de álcool gel 70%;
manter o distanciamento físico mínimo de 2 metros entre pessoas;
evitar ambientes fechados ou mal ventilados, manter os locais bem arejados com janelas abertas;
de dar preferência a atividades ao ar livre;
sempre que apresentar sintomas gripais, manter isolamento e buscar orientação dos serviços de saúde.
12/04/2021 – Jornal do Comércio
https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/especialistas-recomendam-observar-prazos-e-sintomas-para-n%C3%A3o-prejudicar-diagn%C3%B3sticos-na-vacina%C3%A7%C3%A3o-1.602299
Especialistas recomendam observar prazos e sintomas para não prejudicar diagnósticos na vacinação
Três meses após início do combate à Covid-19, país iniciou imunização contra gripe
No próximo domingo, o Rio Grande do Sul completa três meses desde a primeira aplicação da vacina contra a Covid-19. Mesmo trasncorrido este período, uma das dúvidas mais comuns é o que muda no caso de quem já teve a doença antes da aplicação da vacina ou poucos dias depois. Também há a questão da vacina contra a gripe – dos vírus Influenza e H1N1, por exemplo -, cuja campanha iniciou nesta segunda-feira, o que vem acrescentando dúvidas sobre como funcionam as imunizações nestes casos.
Infectologistas tratam de tranquilizar a população sobre os baixos riscos de se receber a aplicação de vacina juntamente com um caso de Covid-19 ou com a da vacina da gripe. Entretanto, estes especialistas recomendam respeitar a espera entre a aplicação de um imunizante e outro, bem como a recuperação de uma infecção por Covid-19.
Caso contrário, se torna mais difícil o diagnóstico pelos médicos, pois alguns dos sintomas de mal-estar podem mascarar os efeitos adversos causado por uma das vacinas ou até mesmo os estágios iniciais de um quadro de Covid-19.
Segundo o coordenador do núcleo de vacinas e supervisor médico do Hospital Moinhos de Vento, Paulo Gewer, quem já teve a covid-19 deve esperar ao menos um mês antes de tomar a vacina contra a doença. “Mesmo para quem pegou, precisa fazer vacina. Algumas pessoas adquirem proteção natural, outras não. Mas não dura muito. Por isso é necessário se vacinar”, reforça.
Esse intervalo é contado a partir da descoberta dos sintomas ou do diagnóstico por exame laboratorial, no caso de assintomáticos. “Pessoa que tenha sintomas de mal-estar, dor muscular, dor de cabeça e dor de garganta, o que pode ser uma pessoa com suspeita de Covid, não deve fazer a vacina. Tem que esperar”, observa.
O médico infectologista e professor da Universidade de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFSCPA), Alessandro Pasqualotto recomenda um intervalo de duas a quatro semanas para quem teve Covid-19 ou se vacinou contra a gripe. “Pessoas que tiveram Covid ficam protegidas por um tempo, de 3 a 6 meses, mas é uma imunidade que diminui com o tempo. É recomendado que a vacinação não ocorra próxima da doença, para que efeitos adversos não sejam mascarados”, orienta.
Pasqualotto garante que as vacinas desenvolvidas hoje são muito seguras e que não há interação entre os imunizantes contra gripe e Covid-19. “O ideal é priorizar a da Covid e depois a gripe, por causa da gravidade da primeira. Mas na prática, as pessoas devem se vacinar com o que aparecer na frente. Apenas respeitar o intervalo entre uma e outra”, pontua.
O médico do Moinhos de Vento avisa que a vacina pode causar efeitos adversos benignos, em geral, no local da aplicação, como inchaço, vermelhidão, e também febre ou indisposição, com duração entre 12 e 24 horas. Mas não é preciso se preocupar: não há chance da vacina causar outras doenças. Mesmo aquelas que utilizam vírus inativados não têm qualquer possibilidade de replicação do vírus no organismo.
Entretanto, o infectologista da UFCSPA lembra que mesmo quem já foi vacinado pode contrair a Covid-19. Se for nos dias seguintes à aplicação, é devido ao imunizante não ter efeito ainda, o que leva cerca de 30 dias. Mas depois deste período de resposta imunológica, mesmo quem foi vacinado pode desenvolver Covid-19, mas o quadro tende a ser leve. Isso porque a vacina CoronaVac, feita no Brasil pelo Instituto Butantan, tem eficácia de 50% para se evitar de contrair a doença, mas é 100% eficaz contra a ocorrência de um caso grave, que exige hospitalização.
Já a vacina da Oxford/AstraZeneca, produzida no país pela Fiocruz, é um pouco mais efetiva, com 70%, mas mesmo assim se permanece a possibilidade de contrair a doença. “Os vacinados também adoecem, principalmente depois da primeira dose, porque é na segunda dose que existe um ganho imunológico. Mesmo assim existe um risco de adoecimento, mas como a gente sabe, a vacina evita as formas graves da doença. Mas as formas mais brandas e assintomáticas seguem existindo”, esclarece Pasqualotto.
12/04/2021 – Jornal Matinal
https://www.matinaljornalismo.com.br/rogerlerina/agenda/evento-virtual-celebra-o-dia-da-voz-com-palestra-e-show/
Evento virtual celebra o Dia da Voz com palestra e show
A Musicalidade da Voz é o tema do evento que celebra, nesta quarta (14/4), às 19h, o Dia da Voz na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
A atividade, realizada há mais de 10 anos na universidade, desta vez será virtual, no canal do Núcleo Cultural da UFCSPA no YouTube.
Gratuita e aberta ao público, o encontro faz uma interface entre música, voz e fonoaudiologia e demonstra as relações existentes entre arte e ciência. O fonoaudiólogo e músico Alexandre Lira e a cantora Angélica Nascimento participam do encontro.
Alexandre ministrará a palestra Interfaces entre música, canto e fonoaudiologia: práticas e atuação. O profissional abordará conceitos relacionados à música e a gêneros e estilos de canto. Refletirá sobre a atuação fonoaudiológica no contexto do aprimoramento e da reabilitação vocal. Angélica fará um relato sobre seu processo de reabilitação vocal, seguido de uma apresentação musical. Devido a um desgaste vocal intenso, a cantora ficou três meses com dificuldade de cantar e falar.
O evento tem coordenação da professora, fonoaudióloga e pesquisadora em voz Mauriceia Cassol, com mediação da fonoaudióloga e doutoranda Isadora de Oliveira Lemos.
A campanha da voz de 2021 é organizada pelo Grupo de estudos e pesquisa A Nossa Voz em Pauta, em conjunto com o Núcleo Cultural – NCULT.
12/04/2021 – G1 RS
https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/04/12/vacina-contra-a-gripe-em-porto-alegre-veja-locais-e-calendario.ghtml
Vacina contra a gripe em Porto Alegre: veja locais e calendário
Primeira fase começa nesta segunda (12) e vai até 10 de maio. Público-alvo é composto por crianças de 6 meses a 6 anos, gestantes e puérperas, indígenas e trabalhadores da área de saúde.
A campanha nacional de vacinação contra a gripe (Influenza) começa nesta segunda-feira (12). Em Porto Alegre, o atendimento será feito em 40 unidades de saúde. (Veja a lista completa mais abaixo)
A primeira etapa vai até 10 de maio e prevê a imunização de crianças de seis meses a 6 anos, gestantes e puérperas (mulheres que deram à luz até 45 dias antes), indígenas e trabalhadores da área de saúde.
O objetivo é atingir, em todo o estado, 1,3 milhão de pessoas. Na Capital, a Secretaria Municipal de Saúde recebeu a primeira remessa de vacinas com 59 mil doses, o suficiente para imunizar, aproximadamente, 730 mil pessoas.
A segunda fase está programada para ocorrer entre 11 de maio e 8 de junho, quando serão imunizados idosos de 60 anos ou mais e professores.
Na terceira etapa, que vai de 9 de junho a 9 de julho, a vacinação será para pessoas com comorbidades, pessoas com deficiência, trabalhadores de transporte coletivo, trabalhadores portuários, forças de segurança e salvamento, Forças Armadas, funcionários do sistema prisional, população privada de liberdade e jovens em medidas socioeducativas.
Covid x gripe
Para quem também faz parte de um dos públicos da campanha de vacinação contra a Covid-19, como os idosos e profissionais de saúde, a orientação é que seja respeitado um intervalo mínimo de 14 dias entre as doses das vacinas contra a gripe e a do coronavírus.
Que não tem previsão de se vacinar contra a Covid neste intervalo ou já se vacinou há mais de 15 dias, pode tomar o imunizante contra o Influenza. Quem se vacinou contra a Covid recentemente ou aguarda a segunda dose, deve respeitar o período antes de tomar a vacina contra a gripe.
Na iminência do inverno, os especialistas reforçam sobre a necessidade de se vacinar contra ambas as doenças. No entanto, alertam: cada uma tem o imunizante equivalente, logo, a vacina contra a Covid não protege contra a gripe comum e vice-versa.
"Está na época de começar a circular o vírus. Até porque, se chegar à vez de tomar a vacina do coronavírus e estiver gripado, não pode tomar [a vacina da gripe]", comenta a professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde (UFCSPA), Cristina Bonorino.
Veja os locais de vacinação:
CENTRO | Unidade de Saúde Modelo | Av. Jerônimo de Ornellas, 55 - Bairro Santana
CENTRO | Unidade de Saúde Santa Marta | Rua Capitão Montanha, 27 - Bairro Centro Histórico
GCC | Unidade de Saúde Cruzeiro do Sul | Rua Dona Malvina, Acesso A, 195 - Bairro Santa Tereza
GCC | Unidade de Saúde Divisa | Rua Upamoroti, 735 - Bairro Cristal
GCC | Unidade de Saúde | Primeiro de Maio Av. Professor Oscar Pereira, 6199 - Bairro Cascata
GCC | Unidade de Saúde Rincão | Estrada Afonso Loureiro Mariante, 1394 - Bairro Belém Velho
GCC | Unidade de Saúde São Gabriel | Rua Gilberto Jaime, 65 B - Bairro Camaquã
LENO | Unidade de Saúde Bom Jesus | Rua Bom Jesus, 410 - Bairro Bom Jesus
LENO | Unidade de Saúde Divina Providência | Rua Saturnino de Brito, 1350 - Bairro Vila Jardim
LENO | Unidade de Saúde Jardim Carvalho | Rua 2 com Rua 3, número 10 - Cefer 1, Bairro Jardim Carvalho
LENO | Unidade de Saúde Jardim Protásio Alves | Rua das Violetas (Rua 4), 2 - esquina Rua Primavera - Jardim Protásio Alves
LENO | Unidade de Saúde Timbaúva | Rua Sebastião do Nascimento, 1.050 - Bairro Mário Quintana
NEB | Unidade de Saúde Assis | Brasil Av. Assis Brasil, 6.615 - Bairro Sarandi
NEB | Unidade de Saúde Nova Brasília | Rua Vieira da Silva, 1.016 - Bairro Sarandi
NEB | Unidade de Saúde Santa Fé | Rua Professor Álvaro Barcellos Ferreira, 520 - Bairro Rubem Berta
NEB | Unidade de Saúde Santa Rosa | Rua Donario Braga, SN, esquina Rua Heitor Souto - Bairro Rubem Berta
NEB | Unidade de Saúde São Cristóvão | Rua Coronel Ricardo Leal Kelleter, 137 - Bairro Rubem Berta
NHNI | Clínica da Família IAPI | Rua Três de Abril, 90 - Área 8, 9, 10, 11, 16 - Bairro Passo da Areia
NHNI | Unidade de Saúde Farrapos | Rua Graciano Camozzato, 185 - Bairro Farrapos
NHNI | Unidade de Saúde Floresta | Rua Conselheiro D'Ávila, 111 - Bairro Jardim Floresta
NHNI | Unidade de Saúde Fradique Vizeu | Rua Frederico Mentz, 374 - Bairro Navegantes
NHNI | Unidade de Saúde Ilha dos Marinheiros | Rua Santa Rita de Cássia, SN - Ilha dos Marinheiros
NHNI | Unidade de Saúde Jardim Itu | Rua Biscaia, 39 - Bairro Jardim Itu Sabará
NHNI | Unidade de Saúde Navegantes | Av. Presidente Franklin Roosevelt, 5 - Bairro São Geraldo
PLP | Clinica da Família Campo da Tuca | R. Cel. José Rodrigues Sobral, 958 - Vila São João - Bairro Partenon.
PLP | Unidade de Saúde Ceres | Av. Ceres, 329 - Bairro Partenon
PLP | Unidade de Saúde Ernesto Araújo | Rua Ernesto Araújo, 443 - Bairro Partenon
PLP | Unidade de Saúde Lomba do Pinheiro | Estrada João de Oliveira Remião, 6.111, Parada 13 - Bairro Lomba do Pinheiro
PLP | Unidade de Saúde Mapa | Rua Coronel Jaime Rolemberg de Lima, 92 - Bairro Lomba do Pinheiro
PLP | Unidade de Saúde Maria da Conceição Marcelo Martins Moreira | Rua Mário de Artagão, 13 - Bairro Partenon
RES | Clínica da Família José Mauro Ceratti Lopes | Estrada João Antônio da Silveira, 3.330 – Bairro Restinga
RES | Unidade de Saúde Chácara do Banco | Travessa F, 20 - Bairro Restinga - Vila Chácara do Banco
RES | Unidade de Saúde Chapéu do Sol | Rua Gomercindo de Oliveira, 75 - Bairro Chapéu do Sol
RES | Unidade de Saúde Lami | Rua Nova Olinda, 202 - Bairro Lami
RES | Unidade de Saúde Macedônia | Av Macedônia, 750 - Bairro Restinga
RES | Unidade de Saúde Ponta Grossa | Estrada da Ponta Grossa, 3.023 - Bairro Ponta Grossa
SCS | Unidade de Saúde Beco do Adelar | Av. Juca Batista, 3.480 - Bairro Campo Novo
SCS | Unidade de Saúde Calábria | Rua Gervásio da Rosa, 51 - Bairro Vila Nova
SCS | Unidade de Saúde Campo Novo | Rua Colina, 160 - Bairro Aberta dos Morros
SCS | Unidade de Saúde Cidade de Deus | Rua da Fé, 350 - Bairro Cavalhada
SCS | Unidade de Saúde Ipanema | Av. Tramandaí, 351 - Bairro Ipanema
SCS | Unidade de Saúde Nonoai | Rua Erechim, 985 - Bairro Nonoai
09/04/2021 – GZH Impresso
Versão Impresso
“Estou me sentindo sozinho, disse o paciente”
Artigo da professora ROSELAINE PINHEIRO DE OLIVEIRA, médica intensivista e chefe do Serviço de Medicina Intensiva Adulto do Hospital Moinhos de Vento.
Entre outubro e novembro de 2020, cheguei ao plantão. Entrei no boxe de um paciente que tinha sido extubado. Lúcido, tranquilo, evoluindo bem. Me apresentei: – Sou a Rose. Sou a médica que está aqui agora. Vou vê-lo, examiná-lo.
Ele começou a chorar. Perguntei: – O que aconteceu?
E ele:
– Estou me sentindo muito sozinho. A minha família me abandonou.
Começamos a conversar. Eu disse que a família não tinha abandonado ele, que só não podia visitá-lo presencialmente, mas que estava sempre presente, como podia. Disse que ele estava indo bem, que logo veria a família. Ele me falou que tinha um filho que estudava Medicina na UFCSPA. – Dou aula lá! – falei. Agora, neste ano. Tem uma disciplina em que, a cada dois meses, o grupo de alunos muda. Um me disse: – Acho que a senhora cuidou do meu pai. E, realmente, era o filho daquele paciente. Fiquei muito feliz. E disse: – Sim, lembro do teu pai. Foi muito emocionante. O pai dele está muito bem. Sempre digo que ninguém ensina, nós é que aprendemos.
09/04/2021 – GZH
https://gauchazh.clicrbs.com.br/coronavirus-servico/noticia/2021/04/epicovid-19-completa-um-ano-e-comeca-decima-etapa-de-coletas-no-rs-nesta-sexta-feira-cknalsty2006a0198rdn4jomw.html
Epicovid-19 completa um ano e começa décima etapa de coletas no RS nesta sexta-feira
Pesquisa já deve sinalizar alguns efeitos da vacinação do Estado, estima coordenador.
Neste fim de semana, o Epicovid-19, estudo sobre a prevalência de coronavírus na população gaúcha, completa um ano. A data será marcada pela décima ida dos pesquisadores a campo para entrevistas e coletas em nove municípios a fim de verificar o percentual de pessoas que já têm anticorpos contra o coronavírus. Iniciado menos de 20 dias depois do primeiro óbito por coronavírus no Estado, o Epicovid-19 já entrevistou, ao longo desse período, mais de 40 mil pessoas no Rio Grande do Sul e ganhou uma versão nacional.
Concebida a partir da observação dos dados de outros países, que na época registravam os maiores índices de mortos e infectados, a pesquisa surgiu da hipótese de que havia muito mais casos de pessoas com o vírus do que apresentavam as estatísticas oficiais. Esses indivíduos, por terem sintomas leves, não procuravam os sistemas de saúde e sequer eram testados. Assim, sob a coordenação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), formou-se uma força-tarefa, que contou com o apoio de outras universidades públicas e privadas gaúchas, da iniciativa privada e também do governo do Estado.
— Se me perguntassem há um ano, eu não tinha como imaginar que teríamos 10 etapas do estudo. É uma sensação de surpresa, mas também de dever cumprido. Dentro das nossas possibilidades e capacidades, conseguimos dar uma contribuição para a sociedade com aquilo que há de mais valioso: informação — avalia o coordenador da pesquisa, o epidemiologista Pedro Hallal, docente e ex-reitor da UFPel.
Hallal acrescenta que, além de abastecer os gaúchos com informações sobre a situação do vírus no Estado, o Epicovid-19 ganha importância pelo legado que deixa como patrimônio científico, afinal, nenhum outro estudo no mundo acompanhou a situação do coronavírus ao longo de 10 etapas.
Pesquisa aproximou gaúchos da ciência
Sem esconder a emoção, Hallal diz que um dos aspectos memoráveis do trabalho é o carinho com que a população recebe os entrevistadores, profissionais a quem o coordenador credita grande parte do sucesso do trabalho. Assim como os trabalhadores da saúde, que costumeiramente são agraciados com uma salva de palmas, os grupos de coleta da pesquisa frequentemente são homenageados por fileiras de moradores aplaudindo pelas ruas por onde passam. Sensibiliza, também, o reconhecimento do projeto por parte da população:
— O que me emociona é quando chamam o Epicovid de "a nossa pesquisa". Esse sentimento dos gaúchos de serem proprietários do trabalho é o grande destaque — comemora Hallal, acrescentando que a agilidade na divulgação dos dados, poucos dias após as coletas, ajudou a construir essa aproximação com a sociedade.
Ao contrário do que ocorre no Rio Grande do Sul, no âmbito nacional, algumas equipes de coleta foram agredidas e detidas em pelo menos sete Estados em 2020.
Fora isso, outro desafio seguidamente enfrentado são as incertezas do financiamento. Algumas etapas do levantamento gaúcho foram encerradas sem a convicção de que uma nova seria realizada, relata o líder do estudo.
— Não temos garantia da 11ª etapa, mas 11 é meu número da sorte, então não vamos parar na 10ª — ri Hallal.
Resultados
Ao longo desse um ano, a pesquisa acompanhou a evolução do coronavírus no Rio Grande do Sul. Para se ter uma ideia, no primeiro levantamento, feito entre 11 e 13 de abril de 2020, o percentual de pessoas com anticorpos era de 0,05%, ou um infectado a cada 2 mil habitantes. Já no último, apurado entre 5 e 8 de fevereiro, essa porcentagem subiu para 10%, ou um infectado para cada 10 habitantes.
— Em todas as fases anteriores, quando encontrávamos alguém com anticorpos era porque havia sido infectada. Agora, além desses, vamos identificar quem foi vacinado. Vai ser uma avaliação do mundo real da efetividade das vacinas. Esse será o grande destaque dessa décima fase — explica o epidemiologista.
Nesta etapa, que vai de sexta-feira (9) até segunda (12), os profissionais voluntários da área da saúde, sob coordenação do Instituto Pesquisas de Opinião (IPO), vão visitar 500 domicílios, em nove cidades gaúchas, totalizando 4,5 mil entrevistados. As coletas serão feitas em Pelotas, Uruguaiana, Santa Maria, Porto Alegre, Canoas, Caxias do Sul, Ijuí, Passo Fundo e Santa Cruz do Sul.
O Epicovid-19 conta com o apoio de 12 instituições de Ensino Superior: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA); Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos); Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc); Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí); Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); Universidade Federal do Pampa (Unipampa/Uruguaiana); Universidade de Caxias do Sul (UCS); IMED e Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS/Passo Fundo), Universidade de Passo Fundo (UPF) e Universidade La Salle (Unilasalle). Financiam o projeto o programa Todos pela Saúde, Banrisul, Instituto Serrapilheira, Unimed Porto Alegre e Instituto Cultural Floresta.
Serviço
A pesquisa tem apoio das secretarias de saúde e dos órgãos de segurança dos municípios e segue todos os protocolos de biossegurança para proteger a saúde dos entrevistadores e participantes.
Apesar de os entrevistadores usarem identificação, em caso de dúvidas, os moradores podem entrar em contato com a Guarda Municipal ou Brigada Militar para obter informações sobre as visitas às casas.
Nesta etapa, serão 500 entrevistados em cada município: Pelotas, Uruguaiana, Santa Maria, Porto Alegre, Canoas, Caxias do Sul, Ijuí, Passo Fundo e Santa Cruz do Sul.
09/04/2021 – GZH
https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/04/qual-e-a-causa-e-quais-sao-as-possiveis-solucoes-para-a-massiva-saida-de-pesquisadores-do-brasil-cknad8365002g0198q044rnuh.html
Qual é a causa e quais são as possíveis soluções para a massiva saída de pesquisadores do Brasil
Atraídos por melhores recursos e condições de trabalho, mestres e doutores cada vez mais deixam o país. Trata-se de um problema crescente, mas cujas saídas se mostram possíveis
Em um recente congresso científico realizado nos Estados Unidos, a imunologista e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Cristina Bonorino provocou espanto em um colega americano. Logo depois de falar com um pesquisador de destaque radicado em Saint Louis, no Missouri, ela comentou:
– Foi meu aluno no Brasil.
Minutos depois, após cumprimentar outro especialista em ascensão, baseado em Boston, Massachusetts, Cristina, que é colunista de GZH, completou:
– Também foi meu aluno.
– Quase todo mundo aqui foi seu aluno, aparentemente. Aquele outro lá também? – brincou o cientista dos EUA.
Não foi uma coincidência improvável. Dos seis últimos estudantes que completaram a pós-graduação em Porto Alegre sob a orientação de Cristina, cinco já embarcaram rumo ao Exterior levando uma bagagem inestimável de conhecimento acumulado no Brasil, mas que vai beneficiar empresas e países estrangeiros.
Há cerca de três anos, segundo relatos de acadêmicos da área de ciência e tecnologia, o fenômeno há muito tempo batizado como “fuga de cérebros” disparou e atingiu um novo patamar em razão de fatores como queda de investimento, falta de vagas de alto nível nos setores público e privado e excesso de burocracia na rotina de professores universitários dedicados à pesquisa. O aprofundamento da migração de mestres e doutores, se não for estancado a tempo de evitar a perda de uma geração inteira de jovens promessas, ameaça deixar o Brasil sob um apagão científico que exigiria décadas para ser revertido.
Conforme a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), é difícil quantificar o tamanho dessa diáspora intelectual por não haver uma centralização desse tipo de dado. Ao mesmo tempo, é fácil observar o impacto da marcha de talentos em qualquer instituição de ensino nacional.
Um levantamento realizado pelo Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 2019 revelou que nada menos do que 25% de 754 egressos em nível de graduação ou pós-graduação em Ciência ou Engenharia da Computação que responderam à pesquisa haviam deixado o país até aquele momento. Boa parte foi contratada por empresas de grande porte como Amazon, Facebook, Google, Intel ou Netflix, ou por universidades localizadas principalmente em EUA e Europa.
– Vemos com preocupação essa tendência crescente de fuga de cérebros, pois são profissionais formados com recursos públicos que deixam de contribuir diretamente com o crescimento do país. Por outro lado, não temos como impedir essas saídas – afirma o ex-coordenador do programa de Pós-Graduação em Computação na UFRGS e professor do Instituto de Informática João Comba.
A boa notícia é que ainda há tempo para implantar estratégias capazes de valorizar a produção científica e os profissionais brasileiros antes do colapso intelectual – e nem tudo depende somente de despejar mais dinheiro em laboratórios universitários, institutos de pesquisa ou empresas voltadas à inovação. Ações administrativas como aliviar a carga de burocracia imposta a pesquisadores, forçados a dividir seu tempo entre salas de aula, trabalho em laboratório e horas incontáveis preenchendo formulários, representaria um freio à corrida das melhores mentes do país para além das fronteiras.
Outros pontos de ancoragem para uma reação nacional são a existência de universidades e institutos de fomento de alto nível, fartura de publicações científicas de autores brasileiros (embora seja necessário aumentar o impacto delas, ou seja, o número de citações em outros artigos), recursos naturais favoráveis à pesquisa em áreas como biodiversidade e nichos de excelência, a exemplo do setor de saúde que une faculdades e hospitais de ponta em Porto Alegre.
Ou seja, há uma estrutura favorável à recuperação. E motivos para resolver essa equação não faltam: as estimativas variam, mas estudos sugerem que investimentos realizados no setor de ciência e tecnologia geram um retorno pelo menos seis a sete vezes maior – essa relação pode ser ainda mais vantajosa conforme a área específica. Conforme a SBPC, cada real aplicado na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por exemplo, é capaz de injetar R$ 12 na economia do país por meio de melhorias de produtividade no campo.
– Temos condições de superar esse momento conjuntural e mudar estruturalmente a ciência, a relação com o sistema produtivo e a economia. Temos potencialidades imensas no país. A biodiversidade é uma delas – assegura o presidente da SBPC, Ildeu Moreira (leia entrevista completa aqui).
A fórmula para tornar o Brasil outra vez atraente aos melhores profissionais disponíveis inclui alguns itens fundamentais: recuperação do nível de investimento em ciência, aumento do número e do valor das bolsas oferecidas a pesquisadores, redução na burocracia e estímulo à inovação nos setores público e privado. Falta colocá-la em prática.
Por que eles saem
Em uma palestra para empresários, há pouco mais de um ano, a professora do Instituto de Informática da UFRGS Luciana Buriol fez um apelo: que buscassem empregar em seus negócios os mestres e doutores de alta capacitação formados nas universidades brasileiras a fim de evitar que continuassem sumindo pela porta de embarque internacional dos aeroportos.
O apelo exercido por ofertas de emprego no Exterior, porém, fez com que a própria especialista em logística resolvesse deixar o país. Ela aguarda a concessão do visto de trabalho para iniciar seu contrato na gigante da tecnologia Amazon, nos EUA. O salário, 10 vezes superior ao que recebe como professora universitária no Brasil, é só um dos elementos da equação que resultou em sua iminente partida.
– O Brasil é um país que investe massivamente em burocracia. Sou professora e pesquisadora. Se preciso comprar um computador a mais para meus alunos, tenho de fazer três orçamentos cheios de detalhes, ler editais enormes para poder gastar valores minúsculos, sempre com medo de infringir alguma linha do edital, depois instalar, fazer o registro patrimonial, ao mesmo tempo em que tenho de dar aula, orientar os alunos, fazer pesquisa, escrever artigos. Colegas de outros países perguntam como nós conseguimos dar conta – explica Luciana.
Em outros países, há secretários que auxiliam pesquisadores em tarefas de gerência, logística ou até questões acadêmicas mais simples como revisar a gramática de artigos escritos por orientandos. Além disso, enquanto brasileiros costumam dedicar de oito a 16 horas semanais à sala de aula, instituições como Stanford, nos EUA, têm média de quatro horas. O restante do tempo é investido sobretudo em projetos científicos.
Essa é uma mudança de fundo administrativo que teria impacto moderado nos cofres públicos. Outras medidas capazes de revigorar a ciência brasileira dependem de aportes mais vultosos. É preciso recompor o orçamento voltado à tecnologia. Somente as verbas destinadas às três principais fontes de fomento no país – Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) – caíram de R$ 13,9 bilhões em 2015 para R$ 5 bilhões em 2020. No ano passado, dos R$ 5,2 bilhões previstos para o FNDCT, 90% foram contingenciados. As bolsas para mestrado e doutorado oferecidas pela União, congeladas desde 2013, pagam pouco para manter os intelectos mais brilhantes do país: R$ 1,5 mil e R$ 2,2 mil. O salário mínimo nacional, para comparação, é R$ 1,1 mil.
GZH entrou em contato com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, mas não obteve retorno.
Com poucos recursos, o número de bolsas para pós-graduandos e de concursos públicos para profissionais formados também cai. Os benefícios concedidos por Capes e CNPq, por exemplo, recuaram 14% em comparação com 2015.
– Hoje vivemos o pior momento que eu já vivenciei desde que comecei a fazer pesquisa. Estamos iguais há uns 30 anos. Mas, mesmo naquela época, tinha concurso público na área de ciência e tecnologia. O que ocorre é que o Brasil retira o seu PIB basicamente de commodities (matérias-primas pouco industrializadas), não investe em ciência e tecnologia, e suas empresas não são tecnológicas – observa Cristina Bonorino.
O problema é que, segundo a imunologista, ganhar R$ 1 bilhão vendendo boi é diferente de faturar o mesmo valor exportando produtos de alta sofisticação.
– Se tu crias um boi, ele vai crescer e pronto, termina ali. A tecnologia permite construir degraus cada vez mais sofisticados, tu abres novos mercados. A vacina de mRNA desenvolvida para combater o coronavírus é um exemplo. A vacina da Moderna teve 100% de investimento do governo americano – diz a professora gaúcha, fazendo referência a um novo padrão de imunizante desenvolvido durante a pandemia.
Notícias promissoras começam a surgir no horizonte. O Congresso proibiu que os recursos do FNDCT – uma das principais fontes de dinheiro para pesquisa no país – sejam retidos ou desviados daqui para frente. Porém, os cientistas ainda fazem pressão para que a mudança na lei seja contemplada já para o orçamento de 2021.
Essa alteração é capaz de injetar R$ 5 bilhões ao setor anualmente – um dos sinais mais promissores de uma possível retomada da ciência brasileira nos últimos anos.
A busca por talentos
A procura de empresas e universidades estrangeiras por profissionais de alto nível formando-se no Brasil cria situações curiosas como a do engenheiro Carlos Eduardo Duarte, 44 anos, que emigrou para a Holanda em fevereiro do ano passado. Somente na cidade onde ele passou a morar, Eidhoven, há oito ex-colegas com quem trabalhava no Rio Grande do Sul. A busca ativa feita por headhunters estrangeiros (responsáveis por selecionar pessoas com perfil adequado para uma determinada vaga em diferentes lugares do mundo) atrás de especialistas com perfil semelhante acaba facilitando, por exemplo, a criação de microcomunidades de expatriados.
– A empresa de headhunters primeiro achou um, depois foi puxando os outros. Hoje tem uns oito ex-colegas de empresa no Brasil morando na mesma cidade que eu. Mas, ao todo, tenho uns 50 conhecidos brasileiros que estão trabalhando fora do Brasil – diz Duarte, especialista em engenharia de software.
A tecnologia e as redes sociais facilitam essa procura pelas melhores mentes mundo afora. Os caçadores de talento o localizaram pela plataforma LinkedIn, realizaram uma entrevista por Skype e fecharam o contrato ainda do além-mar. As carreiras buscadas para trabalhar fora variam bastante, mas geralmente envolvem áreas de ponta, desde informática até biotecnologia.
O engenheiro começou a cogitar uma transferência internacional em 2017, quando passou a ver um número crescente de pessoas sendo demitidas e empresas encolhendo do dia para a noite em todo o Brasil. Enquanto isso, na Europa, os governos seguiam oferecendo vantagens para facilitar a atração de estrangeiros promissores como o abatimento na cobrança de Imposto de Renda por um período.
– A ideia é ficar uns três anos fora e depois reavaliar a situação – explica o engenheiro.
Cristina Bonorino acredita que a perda de profissionais só será estancada de fato quando o país apostar no investimento vultoso de recursos em ciência ao longo de vários anos e criar um ambiente favorável para a proliferação de empresas de tecnologia de médio e grande porte:
– No Brasil, as empresas farmacêuticas, por exemplo, não investem em inovação. Só sabem fazer genéricos. Agora está vindo essa nova tecnologia de vacinas de mRNA (desenvolvidas para combater a covid-19), toda uma terapia gênica que vem atrás disso. Nós precisamos de biotecnologia no Brasil e não temos recurso para isso – lamenta a cientista.
Pelo menos, a produção de novos talentos nacionais segue firme. Em fevereiro, a filha de Cristina, Julia Bondar, 24 anos, recém-formada em Medicina, recebeu um prêmio da SBPC por um trabalho de pesquisa envolvendo depressão.
Cristina, porém, não pôde estar ao lado da filha durante a entrega da distinção. Julia seguiu o caminho de muitos outros brasileiros e já está morando nos EUA, onde atua prestando consultoria a uma startup voltada à área da saúde.
08/04/2021 – G1 e RBS TV
https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/04/08/inovacao-e-proximidade-com-o-cliente-sao-saidas-para-driblar-efeitos-da-pandemia-no-comercio-dizem-especialistas-no-painel-rbs.ghtml
Inovação e proximidade com o cliente são saídas para driblar efeitos da pandemia no comércio, dizem especialistas no Painel RBS
Evento promovido pela RS TV e transmitido pelo G1, nesta quinta (8), reuniu representantes da Fecomércio, do Sebrae e universidades do Rio Grande do Sul.
A pandemia é real e o coronavírus permanecerá no ar por muito tempo. Com este entendimento unânime, o Painel RBS reuniu especialistas em diversos setores econômicos para debater, na tarde desta quinta-feira (8), como superar esta crise e fazer com que o comércio seja menos afetado.
A solução não é única, mas os especialistas ouvidos apontam para duas metas a serem buscadas: inovação e proximidade com os clientes.
"Quem era pequeno, mas próximo, conseguiu se defender, porque tinha essa ligação. Isso é um diferencial competitivo. Muitas vezes não compete em preço, em carta de opções, mas consegue entender a necessidade daquele cliente", diz a economista-chefe da Fecomércio, Patrícia Palermo.
De acordo com o especialista em Varejo e Consumo do Sebrae, Fabrício Zortéa, pesquisas apontam que o item número um de compra, neste momento, é a segurança. Para ele, o comerciante que conseguir demonstrar isso ao cliente está mais próximo da venda.
"E mostrar isso fica mais fácil no local, porque o bairro retomou uma força que é um lugar de relacionamento social", destaca.
Apostar no ambiente digital
Patrícia Palermo destacou que houve uma oligopolização dos negócios com a pandemia, com a presença de empresas maiores. Segundo ela, quem teve mais capacidade de se manter e de manter os negócios digitais, permaneceram, enquanto que os pequenos comércios fecharam.
Para o Sebrae, a prioridade da agenda são as ferramentas digitais e o capital de giro das empresas. Zortéa afirma que "digital não é a tecnologia, é gente com gente".
"Entender exatamente o que é necessário e o que é irrelevante na estrutura do meu negócio. Uma gestão de estoques, conhecer com profundidade o que está acontecendo com o consumo, adequar a equipe à necessidade, fazendo com que se modele com a demanda, e também olhar bem os canais de venda. Não estamos falando de site. Digital é estar disponível para o cliente, como a porta está aberta, no WhatsApp e em outras questões", explica.
A adaptação nos negócios pode fazer a diferença, segundo Patrícia Palermo. E a dica é inovar.
"Quem larga na frente consegue captar uma parcela de outros que ficaram para trás. Se permitir coisas novas vale para as pessoas e os negócios. Os pequenos comerciantes pensam que são pequenos demais para fazer algo que nunca fizeram, e isso não é verdade. Hoje tem uma tecnologia que coloca um poder imenso na mão dessas pessoas. O improvável é bem diferente do impossível, e para isso precisa ter planejamento."
Transição difícil, mas necessária
A transição, contudo, é difícil, principalmente para os pequenos comerciantes, e Patrícia reconhece. Por isso, a inserção neste novo mercado precisa ser profissional e rentável, com a aposta em vendas por plataformas de market place.
"As lojas físicas não vão morrer. Tem uma experiência que o varejo online nunca vai oferecer. Mas o digital veio, e veio para ficar. Por mais que seja muito difícil, ela tem que ser feita", defende.
A professora da UCS e integrante da Diretoria de Economia e Finanças da CIC de Caxias do Sul, Maria Carolina Gullo, cita que os comerciantes requerem o atendimento no balcão ou de pague e leve, pois temem custos com a taxa de entrega. Segundo ela, este problema não é apenas do empresário, mas dos governos, que deixam de arrecadar impostos, já que a tributação pode ir a grandes conglomerados que atuam em outras cidades e estados grandes.
A especialista em biossegurança da UFCSPA, Melissa Markoski, defende que o ideal é que as pessoas façam isolamento e ajudem a frear a transmissão do vírus. Porém, como entende que isso é muito difícil, a ideia é transmitir protocolos mais seguros e um entendimento único a todos.
"O empresário pode oferecer melhores máscaras aos funcionários e treinar para manter o distanciamento. Ele pode colaborar também com as campanhas de vacinação e ajudar que todas as pessoas tenham acesso", diz.
Outra sugestão é o agendamento dos serviços para evitar aglomerações em determinados horários próximo à abertura ou fechamento das atividades.
Apoio dos governos
A Fecomércio negocia uma retomada do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm), que, segundo Patrícia, beneficiaram cerca de 600 mil pessoas em 2020. O objetivo é permitir que empresários consigam suspender contratos de trabalho e reduzir a carga horário junto da diminuição dos salários temporariamente.
"As empresas têm dificuldade de enfrentar o colapso das receitas e manter as despesas, principalmente da folha salarial", indica.
07/04/2021 – GZH Impresso
Versão Impressa
Artigo do professor ANTÔNIO NOCCHI KALIL Diretor médico da Santa Casa de Porto Alegre e professor da UFCSPA Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
“Nunca valorizamos tanto o ar que sentimos entrar em nossos pulmões.”
Desejar boa saúde àqueles que queremos bem pode até parecer um hábito antigo, mas a verdade é que nunca foi tão apropriado como ultimamente. Nunca valorizamos tanto o ar que sentimos entrar em nossos pulmões, os passos que conseguimos dar ou as atividades corriqueiras que fazemos de maneira natural e saudável. Isso, claro, sem contar os incontáveis abraços não dados e acumulados devido à necessidade de distanciamento social.
Desde março do ano passado, vivemos assombrados pelo medo de um vírus que até então era apenas uma ameaça distante, cuja força desconhecíamos e que, infelizmente, ainda segue avassalador. A saúde costuma ficar ali quietinha, nos acompanhando por toda a vida e quase nem lembramos da sua existência, exceto quando ela passa a emitir sinais importantes. Alertas que, desde a chegada do novo coronavírus, têm tido um peso ainda mais alarmante em nossas vidas.
Como os sintomas da covid-19 são incertos – por vezes claros, outras não –, ficamos desconfiados de estarmos recebendo esse hóspede non grato ao menor desconforto, o que tem gerado, também, um significativo aumento dos distúrbios de ordem emocional.
Neste Dia Mundial da Saúde, celebrado hoje em todo o mundo, a OMS traz como meta a construção de um mundo mais justo e saudável. De minha parte, celebro a proposta da OMS, entretanto percebo ainda mais nitidamente o papel humanitário que a nossa Santa Casa de Porto Alegre exerce quando, já há muitos anos, tem como seu propósito “construir um mundo em que todas as pessoas tenham acesso à saúde de qualidade”, uma clara demonstração de compreensão de sua função social.
A partir de iniciativas conjuntas com diversas entidades, como a UFCSPA, a Santa Casa vem agindo nesse sentido desde os seus primórdios, promovendo saúde de qualidade a todas as pessoas, sem distinção de classe social, com humanismo e excelência. Assim, mesmo parecendo fora de moda, aproveito este Dia Mundial da Saúde para, em nome da Santa Casa de Porto Alegre, desejar muita saúde a todos. Mas também lembrar que precisamos, mais do que nunca, de nossos esforços individuais para alcançarmos um mundo mais justo e saudável. Com vacinas, mas também com máscara, álcool gel e sem aglomerações.
Nunca valorizamos tanto o ar que sentimos entrar em nossos pulmões.
07/04/2021 – BBC Brasil
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-56671034
Vacina AstraZeneca/Oxford: risco de trombose é raríssimo e não há motivo para interromper imunização, avaliam cientistas
A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) publicou hoje (07/04) um relatório que confirma uma possível relação entre a vacina Vaxzevria, de AstraZeneca e Universidade de Oxford, e o risco de trombose.
De acordo com a entidade, "coágulos sanguíneos incomuns juntos com o baixo nível das plaquetas devem ser listados em bula como um possível efeito colateral muito raro do imunizante".
Apesar de admitir a probabilidade desse evento adverso acontecer, a EMA e outras instituições, como a Organização Mundial da Saúde, continuam a defender o uso da Vaxzevria, uma vez que os benefícios da vacina em prevenir a covid-19 superam em muitas vezes qualquer risco de efeito colateral.
Para o imunologista Gustavo Cabral, da Universidade de São Paulo, a descoberta tem um lado positivo. "Isso indica que as agências regulatórias estão cumprindo seu papel de investigar e fiscalizar. Isso só nos deixa tranquilos e nos dá mais segurança", comenta.
A imunologista Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, concorda. "Por ora, não temos nenhuma publicação científica que estabeleça esse vínculo entre vacinas e trombose. Precisamos de estudos mais criteriosos para entender como esse imunizante causaria isso e se ele realmente está por trás desses casos", aponta.
Mas como a vigilância sanitária europeia chegou a essas conclusões? E como isso pode afetar as campanhas de vacinação daqui pra frente?
Burburinho por semanas
As primeiras suspeitas de que a vacina de AstraZeneca e Universidade de Oxford poderiam estar relacionada a casos raros de trombose venosa começaram a pipocar entre o final de janeiro e início de fevereiro.
Primeiro, alguns países europeus anunciaram que não liberariam os imunizantes para indivíduos acima dos 55, 60 ou 65 anos.
O exemplo que gerou mais repercussão veio da Alemanha, que só aprovou a Vaxzevria para idosos no dia 4 de março, após várias semanas de discussão entre o governo local e a farmacêutica responsável pelo produto.
Quando o mundo todo estará vacinado contra a covid-19?
Ao longo do mês de março, as notificações de trombose venosa após a vacinação também aumentaram e chamaram a atenção: até 22/03, a EMA reuniu um total de 86 casos. Desses, 18 foram fatais.
As observações iniciais fizeram com que vários países, como França, Alemanha, Itália, Canadá e Holanda, interrompessem provisoriamente o uso desse imunizante.
Mas muitos deles retomaram as campanhas após alguns dias de paralisação.
O assunto ganhou ainda mais força ontem (06/04), quando Marco Cavaleri, presidente do Comitê de Avaliação de Vacinas da EMA, deu uma entrevista ao jornal italiano Il Messaggero dizendo que "está claro que há uma associação [da trombose] com a vacina".
A agência europeia, que já estava investigando o assunto nas últimas semanas, não confirmou de imediato a informação de Cavaleri. Mas o relatório publicado nesta quarta (07/04) dá mais detalhes sobre a fala do especialista.
As conclusões
Após coletar todas as evidências, os cientistas da EMA admitiram a probabilidade, mesmo que baixíssima, de a Vaxzevria ter algo a ver com coágulos sanguíneos.
Ainda não se sabe o mecanismo exato de como isso acontece, mas acredita-se que a vacina desencadeie, num grupo muito reduzido de indivíduos, uma reação imune inesperada, que levaria a distúrbios na circulação sanguínea.
"A reação imune à vacina causaria uma diminuição no número de plaquetas, as células responsáveis pela coagulação sanguínea, e isso facilitaria a formação de trombos", detalha a epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Instituto Sabin de Vacinas, nos Estados Unidos.
Esses trombos, por sua vez, poderiam entupir os vasos sanguíneos.
Essa explicação, vale reforçar, ainda é hipotética e precisa ser comprovada e detalhada por pesquisas criteriosas.
Até o momento, foram observados dois tipos de eventos adversos diferentes: 62 indivíduos desenvolveram uma trombose de seios venosos cerebrais, em que o coágulo bloqueia a passagem do sangue em uma veia do cérebro.
Essa condição é extremamente rara: de acordo com um levantamento da Santa Casa de Belo Horizonte, em Minas Gerais, menos de 1% de todos os casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) registrados no Brasil são provocados por esse fenômeno.
O segundo grupo de acometidos após a vacinação, que conta com 24 casos registrados na análise, sofreu uma trombose esplênica, em que o entupimento aconteceu numa veia do abdômen.
Como dito acima, a análise da EMA reuniu esses 68 casos, registrados até dia 22 de março.
Mas, nas últimas semanas, a entidade recebeu novas notificações: até 4 de abril, os números subiram para um total de 169 pessoas com trombose de seios venosos cerebrais e de 53 com trombose esplênica.
Ainda segundo o relatório da agência europeia, "a maioria dos casos reportados até agora aconteceram em mulheres abaixo dos 60 anos".
Cabral reforça, porém, que não é possível estabelecer com 100% de certeza a relação da vacina com a trombose. "Trata-se de um número muito baixo de casos, que não permite ligar as duas coisas com relevância estatística", diz.
Pode ser, portanto, que os distúrbios de coagulação estejam ocorrendo independentemente da aplicação das doses do imunizante.
Mas, como o problema aconteceu após a vacinação, é natural estabelecermos uma ligação de causa e efeito, que não necessariamente é verdadeira.
"Precisaríamos de um estudo que calcule a incidência desses tipos de trombose venosa na população que não foi vacinada. Assim, seria possível comparar com os números encontrados entre os imunizados e ver se há alguma diferença", explica Bonorino, que também é membro da Sociedade Brasileira de Imunologia.
A partir daí, imunologistas, hematologistas e outros especialistas poderiam estudar a questão mais a fundo, para entender quais células e moléculas estão envolvidas nesses processos que só são observados numa parcela bem pequena da população.
Uma gota no oceano
Apesar de a notificação de efeitos colaterais ser feita de rotina e todos os casos merecerem a investigação apropriada, o risco de trombose após tomar a vacina de AstraZeneca/Oxford é extremamente baixo pelo que se sabe até agora.
Se considerarmos os dados divulgados pela EMA, foram 222 notificações de trombose no cérebro ou no abdômen num universo de 34 milhões de pessoas vacinadas no Espaço Econômico Europeu e no Reino Unido.
Isso significa, portanto, que 0,0006% dos imunizados tiveram esse efeito colateral.
Em outras palavras, seriam seis casos de trombose a cada 1 milhão de vacinados.
Utilizando esse mesmo parâmetro, o perigo da covid-19 é muito maior. De acordo com o site Our World In Data, o Brasil tem uma taxa de 1,5 mil mortes pela doença por milhão de habitantes.
Portanto, num momento em que a pandemia está em plena ascensão e continua a afetar dezenas de milhares de pessoas todos os dias, as autoridades em saúde pública avaliam que a Vaxzevria continua como uma poderosa aliada para prevenir a covid-19 e suas formas mais graves, que exigem hospitalização e têm alto risco de morte.
A própria EMA afirma em seu relatório que os achados recentes não mudam em nada as recomendações já publicadas, que defendem e aprovam o uso desta vacina no continente.
Por ora, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária não se pronunciou sobre a análise feita na Europa e como isso pode afetar a imunização no Brasil.
Vale lembrar que a campanha de vacinação contra a covid-19 no país depende unicamente de Coronavac (Sinovac e Instituto Butantan) e de Vaxzevria (AstraZeneca/Oxford e Fundação Oswaldo Cruz).
"É preciso levar em conta que vários países diversificaram as fontes de vacina e têm como optar por outras que não sejam da AstraZeneca. O Brasil não fez isso e tem só dois fornecedores até agora", acrescenta Garrett.
Por enquanto, também não há registros confirmados de casos de trombose associados à vacinação no Brasil.
A BBC News Brasil procurou a Anvisa por meio da assessoria de imprensa, mas até a publicação desta reportagem não havia recebido nenhum retorno.
Mudanças práticas
Em seu relatório, a EMA defende que o risco de trombose seja incluído na lista de efeitos colaterais muito raros do imunizante de AstraZeneca/Oxford.
Mas essas informações coletadas até o momento não inviabilizam de maneira nenhuma as campanhas que utilizam as doses deste produto.
Portanto, se você faz parte do público-alvo da vacinação em sua cidade ou Estado, não há motivo para ter medo ou para postergar a ida ao posto de saúde: os estudos clínicos apontam que a Vaxzevria é segura e tem uma boa taxa de eficácia contra a covid-19.
Outra orientação da agência regulatória europeia é que todos os indivíduos que tomarem essa vacina procurem assistência médica se sentirem alguns dos sintomas da lista abaixo, até duas semanas após a vacinação:
-Dificuldade de respirar
-Dor no peito
-Inchaço na perna
-Dor abdominal persistente
-Dor de cabeça persistente
-Visão borrada
-Pequenas marcas avermelhadas na pele, próximas do local onde foi aplicada a dose
Bonorino lembra que é recomendação geral que todas as pessoas com sintomas persistentes após a vacinação procurem o serviço de saúde.
"Nós temos comitês que ficam o tempo inteiro monitorando e estudando essas notificações sobre eventos adversos após a vacinação", informa.
Cabral ressalta que a imunização é o melhor caminho para controlar e combater a covid-19. "Eu entendo o temor das pessoas, mas precisamos levar em conta a situação grave que vivemos e entender que só as vacinas, testadas com rigidez e aprovadas pelas agências regulatórias, nos devolverão a estabilidade no futuro", finaliza.
Visão dos responsáveis
Procura pela BBC News Brasil, a AstraZeneca enviou uma nota com esclarecimentos por e-mail.
Segundo a mensagem, a farmacêutica "tem colaborado ativamente com as agências reguladoras para implementar essas alterações na bula do produto e já está trabalhando para entender os casos individuais, a epidemiologia e os possíveis mecanismos que poderiam explicar esses eventos extremamente raros".
O texto continua: "Adicionalmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) disse hoje que, com base nas informações atuais, uma relação causal é considerada plausível, mas não é confirmada, acrescentando que mais estudos são necessários para compreender plenamente a relação potencial entre vacinação e possíveis fatores de risco. Além disso, a OMS observou que, embora preocupantes, os eventos sob avaliação são muito raros, com números baixos relatados entre os quase 200 milhões de pessoas que receberam a vacina de AstraZeneca em todo o mundo".
07/04/2021 – GZH
https://gauchazh.clicrbs.com.br/economia/noticia/2021/04/especialistas-debatem-solucoes-para-o-comercio-em-edicao-do-painel-rbs-noticias-ckn7kns99001x0198e9aeg9l6.html
Especialistas debatem soluções para o comércio em edição do Painel RBS Notícias
Evento ocorre nesta quinta-feira, às 15h, com transmissão ao vivo pela internet
Um dos setores da economia mais afetados pela pandemia de coronavírus, o comércio segue em busca de soluções para atenuar os prejuízos acumulados desde o início da crise sanitária. Diante desse cenário, a segunda edição do Painel RBS Notícias de 2021 discutirá alternativas para o setor no Rio Grande do Sul. O evento ocorre nesta quinta-feira (8), às 15h, e terá transmissão ao vivo pelo site G1 RS.
Com o Estado enfrentando o pior momento da pandemia, quatro especialistas participarão do debate e procurarão responder a seguinte indagação: que saídas propõem para que o setor de comércio reduza os prejuízos já tão acentuados desde 2020? A conversa terá mediação do jornalista Elói Zorzetto.
Participam do painel Fabiano Zortéa, especialista em Competitividade Setorial do Sebrae-RS, Maria Carolina Gullo, professora da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e diretora de Economia e Finanças da CIC Caxias, Melissa Markoski, especialista em biossegurança da UFCSPA e Patrícia Palermo, economista-chefe da Fecomércio-RS.
Eles abordarão temas como segurança sanitária, comércio eletrônico, linhas de crédito para pequenos negócios e uso de redes sociais. O público poderá interagir por mensagens de texto e através das redes sociais da RBS TV com a hastag #PainelRBSNoticias ou pelo Whatsapp (51) 99388-5555.
Serviço:
O quê: Painel RBS Notícias - Alternativas e soluções para o comércio durante a pandemia
Quando: Quinta-feira (8), a partir das 15h
Onde assistir: No site do G1 RS - https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/ao-vivo/assista-ao-painel-rbs-noticias.ghtml
Como participar: Por mensagens de texto e redes sociais da RBS TV, com a hashtag #PainelRBSNoticias, ou pelo Whatsapp (51) 99388-5555.
06/04/2021 – Sul 21
https://www.sul21.com.br/entrevistas-2/2021/04/as-universidade-publicas-sao-o-exemplo-de-instituicao-que-da-certo-no-brasil-diz-reitora-da-ufcspa/
‘As universidades públicas são o exemplo de instituição que dá certo no Brasil’, diz reitora da UFCSPA
A professora de epidemiologia Lucia Pellanda foi reconduzida ao cargo de reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) no último dia 30 de março. Foi uma longa e incerta espera até ter o nome confirmado pelo Ministério da Educação (MEC), depois de ter vencido a consulta interna à comunidade no final de novembro de 2020. A incerteza decorreu do fato de o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) não estar mantendo a tradição de empossar no cargo o reitor que efetivamente vence a disputa na universidade.
Mas Lucia tomou posse e terá pela frente mais quatro anos como reitora da UFCSPA. Um período de muitos desafios, a começar pelo corte de 18% no orçamento da universidade. Visto em perspectiva é mais fácil ter a dimensão das dificuldades econômicas: se em 2015 o orçamento de capital foi de R$ 20 milhões, em 2021 esse valor é inferior a R$ 1,5 milhão.
Nessa entrevista ao Sul21, a reitora comenta sobre as dificuldades do ensino remoto em cursos de saúde que tanto exigem a aula prática e prevê executar um projeto piloto de aula presencial quando as condições sanitárias melhorarem. “Todos os cursos fizeram sua priorização de quais são as disciplinas que trancam o curso se não forem feitas e estávamos começando quando veio a bandeira preta. Assim que a gente sair da bandeira preta, vamos retomar esse plano de retorno das aulas práticas, mas as aulas teóricas vão continuar em ensino à distância por bastante tempo ainda”, explica.
Integrante do comitê científico que assessora o governo de Eduardo Leite (PSDB), Lucia elogia o trabalho feito pelos diversos grupos técnicos que orbitam em torno das decisões do governador, sempre destacando o papel consultivo do comitê. Na prática, as decisões tomadas pelo governo nem sempre são aquelas sugeridas. Ainda assim, a reitora destaca a importância de ocupar o espaço e dizer o que deve ser dito, do ponto de vista científico, na gestão da pandemia.
A defesa veemente da educação é a principal característica que emerge durante a conversa por telefone, de cerca de 40 minutos, com Lucia Pellanda. “Eu não seria reitora se não acreditasse que a solução pro País é a educação. Somando quem faz pesquisa, quem faz extensão e quem forma profissionais de qualidade, são as universidades. O investimento de longo prazo nas universidades é o que pode nos tirar de qualquer crise”, afirma a reitora. E completa o pensamento citando um famoso discurso de Victor Hugo, na Assembleia de Paris, no século 19: “É justamente quando uma crise sufoca a nação que é preciso investir mais em educação, e não menos”.
Sobre a pandemia, a professora de epidemiologia brinca que cientistas estão acostumados a debater sobre o grau de incerteza das coisas, mas que a vacinação escapa dessa discussão. Vacinas funcionam e será com elas que o Rio Grande do Sul e o mundo se livrará da crise do coronavírus. O caminho até o tão esperado desfecho, no entanto, ainda será longo, principalmente no Brasil, com a contaminação fora de controle. “A gente vai precisar vacinar rapidamente e manter máscara, distanciamento e ventilação por um bom tempo, até que todo mundo seja vacinado, aí sim a gente consegue interromper a transmissão. A forma de sairmos dessa situação é com vacinação em massa e rápida.”
A professora de epidemiologia Lucia Pellanda foi reconduzida ao cargo de reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) no último dia 30 de março. Foi uma longa e incerta espera até ter o nome confirmado pelo Ministério da Educação (MEC), depois de ter vencido a consulta interna à comunidade no final de novembro de 2020. A incerteza decorreu do fato de o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) não estar mantendo a tradição de empossar no cargo o reitor que efetivamente vence a disputa na universidade.
Mas Lucia tomou posse e terá pela frente mais quatro anos como reitora da UFCSPA. Um período de muitos desafios, a começar pelo corte de 18% no orçamento da universidade. Visto em perspectiva é mais fácil ter a dimensão das dificuldades econômicas: se em 2015 o orçamento de capital foi de R$ 20 milhões, em 2021 esse valor é inferior a R$ 1,5 milhão.
Nessa entrevista ao Sul21, a reitora comenta sobre as dificuldades do ensino remoto em cursos de saúde que tanto exigem a aula prática e prevê executar um projeto piloto de aula presencial quando as condições sanitárias melhorarem. “Todos os cursos fizeram sua priorização de quais são as disciplinas que trancam o curso se não forem feitas e estávamos começando quando veio a bandeira preta. Assim que a gente sair da bandeira preta, vamos retomar esse plano de retorno das aulas práticas, mas as aulas teóricas vão continuar em ensino à distância por bastante tempo ainda”, explica.
Integrante do comitê científico que assessora o governo de Eduardo Leite (PSDB), Lucia elogia o trabalho feito pelos diversos grupos técnicos que orbitam em torno das decisões do governador, sempre destacando o papel consultivo do comitê. Na prática, as decisões tomadas pelo governo nem sempre são aquelas sugeridas. Ainda assim, a reitora destaca a importância de ocupar o espaço e dizer o que deve ser dito, do ponto de vista científico, na gestão da pandemia.
A defesa veemente da educação é a principal característica que emerge durante a conversa por telefone, de cerca de 40 minutos, com Lucia Pellanda. “Eu não seria reitora se não acreditasse que a solução pro País é a educação. Somando quem faz pesquisa, quem faz extensão e quem forma profissionais de qualidade, são as universidades. O investimento de longo prazo nas universidades é o que pode nos tirar de qualquer crise”, afirma a reitora. E completa o pensamento citando um famoso discurso de Victor Hugo, na Assembleia de Paris, no século 19: “É justamente quando uma crise sufoca a nação que é preciso investir mais em educação, e não menos”.
Sobre a pandemia, a professora de epidemiologia brinca que cientistas estão acostumados a debater sobre o grau de incerteza das coisas, mas que a vacinação escapa dessa discussão. Vacinas funcionam e será com elas que o Rio Grande do Sul e o mundo se livrará da crise do coronavírus. O caminho até o tão esperado desfecho, no entanto, ainda será longo, principalmente no Brasil, com a contaminação fora de controle. “A gente vai precisar vacinar rapidamente e manter máscara, distanciamento e ventilação por um bom tempo, até que todo mundo seja vacinado, aí sim a gente consegue interromper a transmissão. A forma de sairmos dessa situação é com vacinação em massa e rápida.”
Leia a seguir a entrevista completa:
Sul21: Como a senhora projeta a próxima gestão como reitora da UFCSPA?
Lucia Pellanda: Sabemos que os desafios vão ser grandes. Todo o processo da eleição foi muito importante pra comunidade da UFCSPA e para nós, porque o exercício da democracia é muito bom, a gente pode mostrar o trabalho, discutir, ouvir, foi um processo que nos fortaleceu em termos de projeto e planos. Então nesse sentido a gente começa energizado.
Sul21: Como tem sido para uma universidade de saúde enfrentar a pandemia?
Lucia Pellanda: Quando nós assumimos em 2017, sabíamos que seria uma época desafiadora por questão orçamentária e toda a crise que já se demonstrava no País. Houve uma série de situações bem críticas, depois os cortes no orçamento e, por último, uma pandemia. Só que na crise a gente também acaba descobrindo nossas forças e com quem podemos contar, e a UFCSPA tem sido incrível na pandemia, assumiu um protagonismo, as pessoas da comunidade universitária foram de uma coragem… Lá em março do ano passado, quando a gente não sabia nada sobre esse vírus, as pessoas se dispuseram a ser voluntárias em pesquisa…então acho que a UFCSPA cresceu muito durante a pandemia, porque ninguém ficou parado, todo mundo dobrou o seu trabalho. E depois de uma discussão muito madura decidimos voltar às aulas, em ensino à distância (Ead), que é uma coisa muito ruim pra saúde, porque a gente não acha que dê pra ter curso de saúde em Ead, mas é uma situação emergencial.
Sul21: Como foi a adaptação do presencial para o ensino à distância?
Lucia Pellanda: Os professores fizeram um esforço muito grande pra converter o que fosse possível. A gente teve uma formação com mais de 50 encontros. Esse ano as aulas teóricas vão ter que continuar em Ead, não tem jeito, só que a gente começa a ter muito atraso nas aulas práticas. Nós tínhamos começado ano passado um projeto piloto de aulas práticas em pequenos grupos e a ideia já era estender. Todos os cursos fizeram sua priorização de quais são as disciplinas que trancam o curso se não forem feitas e estávamos começando quando veio a bandeira preta. Assim que a gente sair da bandeira preta, vamos retomar esse plano de retorno das aulas práticas, mas as aulas teóricas vão continuar em Ead por bastante tempo ainda.
Sul21: Quais outros desafios pela frente a senhora vislumbra?
Lucia Pellanda: Um dos desafios é a complexidade desse retorno, porque nossos laboratórios já têm pouco espaço físico, vai caber um terço ou um quarto dos alunos, o mesmo professor vai ter que repetir três ou quatro vezes a aula. Outro desafio é a questão dos recursos, o orçamento foi cortado em 18%, quando a gente mais precisa de orçamento pra essa retomada e porque estamos trabalhando muito na pandemia. Pra ter ideia, em 2015, nosso orçamento de capital foi de R$ 20 milhões, e esse ano é menos de R$ 1,5 milhão.
Sul21: Há quanto tempo vem ocorrendo a redução do orçamento?
Lucia Pellanda: Desde 2016 começou uma pequena redução, aí em 2017, 2018, 2019 e 2020 foi bem brutal.
Sul21: Qual sua análise sobre as críticas dirigidas às universidade públicas nos últimos anos e a resposta das instituições nesse grave momento da história do Brasil?
Lucia Pellanda: As universidade públicas são o exemplo de instituição que dá certo no Brasil. Pode ter todas as críticas que for, e óbvio que sempre temos o que melhorar, mas se olhar indicadores objetivos, em todos os rankings as universidades públicas são sempre as melhores. No Rio Grande do Sul temos uma situação privilegiada de universidades comunitárias que são excelentes também, mas na maior parte do País, as universidades públicas são responsáveis por praticamente toda a pesquisa que é feita. Eu não seria reitora se não acreditasse que a solução pro País é a educação. Somando quem faz pesquisa, quem faz extensão e quem forma profissionais de qualidade são as universidades. O investimento de longo prazo nas universidades é o que pode nos tirar de qualquer crise. Há um famoso discurso do Victor Hugo, na Assembleia de Paris, no século 19, em que ele diz: ‘É justamente quando uma crise sufoca a nação que é preciso investir mais em educação, e não menos’.
Então não tenho dúvida de que a educação é a solução pro País. Em termos de pesquisa é a garantia da soberania. A gente tem laboratório, tem equipe, tem inteligência dentro das universidades e institutos de pesquisas federais e estaduais com condições de fazer a vacina brasileira. Podia já estar fazendo desde o começo (da pandemia), precisava era de investimento. O investimento em pesquisa é uma coisa que se faz por anos, e quando começa a dar retorno, precisa manter o investimento. Um projeto 95% completo dá zero resultado, ele precisa ser 100% completo. Então desinvestir gera um prejuízo enorme. Cada real investido em pesquisa retorna em muitos reais.
Sul21: O governo Bolsonaro não indicou para o cargo vários reitores que venceram as eleições internas nas universidades e isso não aconteceu com a senhora. Como foi passar pela incerteza se seria mesmo reconduzida ao cargo de reitora da UFCSPA?
Lucia Pellanda: Foi um período difícil, de muita tensão, que prejudica nosso planejamento e formação de equipe. Tem acontecido situações de não ser escolhido o primeiro da lista, mas também de ser. A gente não tem explicação. O que eu posso dizer é que talvez eu sempre tive uma postura institucional, separo muito o que eu penso como pessoa do que o que a reitora coloca institucionalmente, uma postura de proteger muito a instituição, muita conciliação, parcerias, talvez por isso, mas também não posso dizer com certeza.
Sul21: A senhora integra o comitê científico que auxilia o governo estadual. Como avalia o trabalho do comitê e as decisões do governador Eduardo Leite na pandemia?
Lucia Pellanda: A gente tem bastante consciência de que o comitê é consultivo. O comitê tem sido muito consistente em sempre dizer quais são as evidências científicas de manejo da pandemia. Acho que foi muito importante lá no começo pra gente ter os resultados muito bons que o Rio Grande do Sul teve nos primeiros meses, um resultado destacado em relação ao resto do País. Mas a gente entende que há uma série de outras variáveis e muitos membros do comitê estão ali representando a instituição. Então, como instituição, é importante ocupar os espaços e estar ali pra dizer o que a gente acredita.
Como pessoa, às vezes a gente gostaria de ser mais ouvida, mas é diferente a posição pessoal e a posição institucional. Como instituição, a gente precisa estar lá e dizer. Depois, quais são as decisões, isso já é além do comitê. É um comitê muito bem conduzido, o secretário de Ciência e Tecnologia valoriza muito o trabalho do comitê e a gente faz o possível, um trabalho muito sério de revisão das evidências, mas sem nenhum papel decisório. São vários comitês: tem o científico, formado por representantes das universidades; tem o conselho de especialistas; tem o comitê de dados, formado por técnicos das secretarias de Planejamento e de Saúde, e que é um comitê composto por pessoas excelentes. Por isso que algumas vezes, quando vejo umas críticas a esses comitês, fico chateada, porque são pessoas que trabalham com desprendimento e muita competência, e muitas coisas que são atribuídas ao comitê não têm nada a ver com o comitê.
Todos os dados dos comitês são discutidos no gabinete de crise, onde as decisões são tomadas e aí não é com a gente. Algumas vezes o governador faz o gabinete de crise ampliado e aí sim o comitê participa, a gente é ouvido e depois as decisões são tomadas independente da nossa fala, mas a gente ao menos é ouvido.
Sul21: O que podemos imaginar da pandemia no RS nos próximos meses?
Lucia Pellanda: A gente não precisaria ter chegado no ponto em que chegamos. Se tivéssemos tido uma consciência grande, se não tivesse havido tanta contradição entre as mensagens, não tivemos uma mensagem nacional unificada, foi muita contradição entre os poderes e setores, se tivéssemos tido um esforço conjunto como aconteceu em outros países, a gente não precisava ter tido medidas tão restritivas. Seguindo cuidados básicos como o uso de máscara, distanciamento e ventilação, é possível retomar muitas coisas sem crescimento grande dos casos. Agora depois que a transmissão está descontrolada, o remédio é muito mais amargo e demora muito mais para voltar ao normal.
Então a gente vai demorar pra voltar ao normal porque agora está descontrolado. Mesmo que a gente conseguisse um esforço muito grande, ainda iria demorar por uma certa inércia. É como um caminhão desgovernado, sem freio, lomba abaixo, até conseguir parar, demora, vai desacelerando, mas ainda anda um tempo. E com a adoção dos protocolos mais flexíveis desde a semana passada, a gente já tá sentindo uma pequena mudança na mobilidade e estamos em níveis muito críticos ainda. Embora tenha melhorado, as medidas restritivas funcionaram pra aliviar os leitos clínicos, só que ainda não é o momento de baixar a guarda. Se todo mundo se engajar, a gente consegue, mas tem que todo mundo se engajar. Essas mensagens contraditórias, as pessoas que não querem usar máscara, as aglomerações puxam muito a pandemia pra cima, os super-espalhadores têm papel importante nessa pandemia.
Sul21: Quando conseguiremos ver o controle da pandemia por meio da vacinação?
Lucia Pellanda: A vacinação é uma das poucas coisas que a gente tem certeza na ciência. Cientista sempre discute o grau de incerteza, mas a vacinação é uma das poucas coisas em que o grau de evidência é tão forte que é muito difícil contestar, então a vacinação funciona. Nós temos capacidade de organização pra vacinar muito rápido, já fizemos isso outras vezes. O fato da vacinação sozinha não estar mostrando um resultado espetacular quanto se imaginava, é que tem que ter vacinação mais os cuidados, até que um grande número de pessoas esteja vacinado, até que uma proporção suficiente de pessoas esteja vacinada, o resto tem que manter os cuidados. Aconteceu no começo de janeiro, com o pessoal que se vacinou e se descuidou e acabou se contaminando. A gente vai precisar vacinar rapidamente e manter máscara, distanciamento e ventilação por um bom tempo, até que todo mundo seja vacinado, aí sim a gente consegue interromper a transmissão. A forma de sairmos dessa situação é com vacinação em massa e rápida.
04/04/2021 – Correio do Povo
https://www.correiodopovo.com.br/blogs/di%C3%A1logos/segredos-na-mona-lisa-1.597567
Segredos na Mona Lisa
Doutor em Neurociências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), professor adjunto de Anatomia Humana na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Deivis de Campos, em trabalho conjunto com o pesquisador italiano Luciano Buso, mostrou novos detalhes sobre a Mona Lisa, obra mais célebre de Leonardo Da Vinci. O artigo foi publicado no ‘Journal of Medical Biography’.
Qual o significado da sua descoberta, não só no mundo da arte, mas também da Medicina?
O que foi apresentado de novo para o mundo das artes foi que a célebre obra de Leonardo da Vinci, conhecida como Mona Lisa ou La Gioconda, assim como outras obras de outros artistas da Renascença, também contém assinaturas/monogramas e datas ocultas, feitas pelo seu autor. Devemos ter em mente que na época em que viveu Leonardo da Vinci muitas proibições limitavam os artistas, talvez uma das fundamentais tenha sido o fato de que a maioria deles não tinha autorização para assinar suas obras. Acredita-se que esse era o principal motivo pelo qual vários artistas daquele período ocultavam assinaturas/monogramas/datas em algum ponto de suas obras. Nós demonstramos no artigo que, ao lado da assinatura de Leonardo, encontram-se as letras “FA”, as quais podem estar fazendo alusão à palavra em latim faciebat, que significa fazia. Essa palavra era frequentemente utilizada em obras no período renascentista, designava que a obra tinha sido, de fato, executada pelo artista.
Além do verbo faciebat designar autoria à obra, ele a classificava como inacabada, indicando um processo ainda em acontecimento. Isso era feito mesmo que o trabalho tivesse sido refinado no mais alto grau, como é o caso da Mona Lisa. Nesse contexto, a inscrição “FA Lionardo” encontrada na Mona Lisa poderia ser a representação da própria assinatura de Da Vinci em um momento que a obra não havia sido concluída, pois como a literatura especializada descreve, essa obra nunca foi entregue ao comerciante Francesco del Giocondo, que a encomendou e, tudo indica, que Leonardo trabalhou nela até os últimos dias de sua vida.
No que se refere à Medicina, podemos destacar aspectos sobre a caligrafia de Leonardo da Vinci. A literatura demonstra que ele era canhoto e, por isso, usualmente escrevia com a mão esquerda em formato espelhado, isto é, escrita da direita para a esquerda. Esse padrão de escrita era usado para não borrar a tinta no papel ao deslizar a mão esquerda enquanto escrevia da esquerda para a direita. Vale destacar que essa não era uma prática totalmente incomum. Quando seu amigo e matemático Luca Pacioli descreveu a escrita espelhada de Leonardo, observou que alguns outros canhotos também utilizavam tal técnica. Um popular livro de caligrafia do século XV, inclusive, ensinava aos leitores canhotos a melhor maneira de escrever em lettera mancina, ou escrita espelhada. Na cultura ocidental, aqueles que utilizam mais essa mão foram vítimas de preconceito cultural, social e religioso. As conotações pejorativas foram muito intensas na época de Da Vinci. No entanto, demonstramos no artigo que as inscrições “FA Lionardo”, a data “1503” e o seu monograma “LDV”, evidenciadas no retrato da Mona Lisa, estão escritas em um padrão convencional no qual o artista pode ter usado, pelo menos parcialmente, a mão direita para pintar sua obra prima. Portanto, é razoável inferir que Leonardo da Vinci nasceu canhoto e, com o passar dos anos, acabou aprendendo a escrever/pintar com a mão direita, tornando-se ambidestro. Essas informações são fundamentais para se compreender um pouco mais sobre os processos de desenvolvimento acerca da lateralidade de uma das figuras mais importantes do Alto Renascimento.
Como vocês chegaram às conclusões? Quanto tempo durou a pesquisa?
Todas as conclusões do estudo basearam-se em pesquisas bibliográficas feitas em artigos/livros científicos especializados na vida e obra de Leonardo da Vinci. Além disso, as assinaturas/monogramas e datas foram encontradas através de imagens fotográficas de alta resolução feitas por um dos autores do estudo, Luciano Buso. Entre a análise minuciosa das assinaturas/monogramas e a escrita do livro e artigo científico houve um tempo de aproximadamente 2 anos.
Por que e como o senhor decidiu investigar a Mona Lisa, já que é uma obra tão conhecida e exaustivamente pesquisada no mundo todo?
Todas as obras dos grandes pintores renascentistas, tais como Michelangelo Buonarroti, Rafael Sanzio, Sandro Botticelli e Leonardo da Vinci fazem parte das minhas linhas de pesquisa. Nos últimos dois anos, tenho mantido parcerias científicas acerca desses autores com o pesquisador italiano Luciano Buso, que já vinha analisando detalhes da Mona Lisa. Dessa forma, resolvemos reunir esforços no sentido de construirmos um trabalho que pudesse explicar a existência dessas assinaturas/monogramas.
O senhor também pesquisou sobre as obras de Michelangelo. Tem algum outro artista que pretende se dedicar no futuro?
Sim, a minha principal linha de estudo é de fato baseada nas obras de Michelangelo Buonarroti, pois nos últimos 5 anos tive mais de dez artigos publicados em revistas científicas demonstrando elementos até então não descritos na literatura, incluindo um autorretrato oculto do artista em uma obra feita por ele em 1525. Atualmente, além das obras de Michelangelo, estou me dedicando à análise iconográfica de algumas obras de Rafael Sanzio e Sandro Botticelli, que ainda não foram descritas. Espero em breve poder apresentar esses achados.
Qual o próximo passo?
Ainda temos muito a descobrir sobre as verdadeiras intenções de Leonardo da Vinci na execução dessa obra, especialmente sobre a identidade e vida da Mona Lisa, que a literatura descreve como sendo Lisa del Giocondo (1479-1542). Recentemente tivemos um artigo aceito em outra revista científica, na qual descrevemos um provável distúrbio neurológico que Lisa poderia ter e que nunca havia sido postulado na literatura. Em breve, esse artigo será publicado. A partir disso, é como se abrisse uma janela para o passado e, assim, surgem novamente vários elementos a serem elucidados.
Algum comentário final?
Eu gostaria de salientar que como professor de Anatomia Humana e aficionado pela história da arte é imprescindível lembrar que o estudo da Anatomia era indispensável na formação de qualquer artista, especialmente na Renascença. É nesse período que o retrato surge, então, como a expressão de identidade e a ciência recupera sua autonomia, tendo como diferencial o artista cientista. Nesse contexto, surge a necessidade de um olhar mais amplo e interdisciplinar nos diferentes contextos históricos, incluindo aqueles acerca da promoção da saúde, pois através desse conhecimento é possível perceber que várias obras de arte da Renascença apresentam diversas anormalidades anatômicas, que podem servir como indicativo de prováveis patologias existentes naquela época.
03/04/2021 – Diário Gaúcho
http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/04/em-um-ano-de-pandemia-regiao-metropolitana-realizou-842-mil-testes-de-covid-19-16826406.html
Em um ano de pandemia, Região Metropolitana realizou 842 mil testes de covid-19
Número é de 23.695 testes para cada 100 mil habitantes. Porém, nem todas cidades são exemplo. Em Viamão, taxa é de menos de 6 mil testes por 100 mil habitantes
No longínquo março de 2020, quando a pandemia surgiu, muito antes de pensar em vacina ou em controversos tratamentos precoces, a primeira discussão foi: como e quando testar a população? Hoje, um ano depois, vacinas já são realidade, tratamentos precoces seguem ineficazes e servem apenas como desinformação. Mas testar ainda é o principal meio de rastrear o coronavírus e a sua disseminação.
Dados obtidos pelo Diário Gaúcho junto as 12 prefeituras da Região Metropolitana mostram que em um ano de pandemia, foram realizados 842.465 testes — entre março do ano passado e a terceira semana de março de 2021. Juntos, os municípios têm 3,5 milhão de habitantes, o que representa uma média de 23.695 testes para cada 100 mil habitantes. O número é bem maior que a incidência de casos (6.842,3) e óbitos (206,9) por 100 mil moradores na região, conforme dados do Ministério da Saúde até o dia 24 de março.
Esse nível de testagem está bem acima da média nacional, como mostrou um estudo publicado no início do ano pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A pesquisa apontou que o Brasil fez, em média, 11,3 testes do tipo RT-PCR a cada 100 mil habitantes para detectar covid-19. O levantamento do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da instituição mostrou três fatores que indicam uma falha do país na estratégia de testagem: falta de planejamento para comprar, optar por testes rápidos no lugar dos do tipo RT-PCR, mais assertivos, além da ausência de indicadores confiáveis sobre os dados.
Esteio no topo
Colocando uma lupa sobre os dados, fica ainda mais perceptível a importância da testagem em massa das populações. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, Esteio é a cidade que, proporcionalmente, mais testou moradores. São 38.416 testes para cada 100 mil habitantes. Em números concretos, foram 31.963 testes realizados até o início da semana passada.
A população da cidade é de 83 mil pessoas, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A mesma pessoa pode ser testada mais de uma vez, claro, mas o número total de testes representa 38% da população da cidade. Não coincidentemente, o município também lidera os rankings da incidência de casos e óbitos. São 9.982,9 casos para cada 100 mil moradores e uma taxa
de 283,6 óbitos a cada 100 mil habitantes. Quando mais se testa, mais se tem real dimensão da penetração da doença naquela população.
Em Viamão, cenário inverso
O contrário também é verdadeiro. Olhemos para Viamão, a quarta cidade mais populosa da Região Metropolitana, com 255 mil moradores, segundo o IBGE. Lá, em toda pandemia, foram feitos 14.889 testes até o início desta semana. São apenas 5.834 testes a cada 100 mil habitantes. É a cidade com mais de 100 mil moradores que menos testou na Região Metropolitana. Eldorado do Sul, a menos populosa entre os 12 municípios, com 41 mil moradores, fez 12.152 testes, apenas 2,7 mil a menos que Viamão, onde a população é seis vezes maior.
Mais uma vez, não coincidentemente, Viamão figura positivamente no ranking de incidência de casos e óbitos, não por necessariamente por combater bem a pandemia, mas por testar pouco. É a cidade com menos casos para cada 100 mil habitantes, são 2.510. Fica bem atrás de Guaíba, com 4.632 caos por 100 mil moradores, mas apenas 98 mil moradores. E é a segunda com menor incidência de óbitos, 162,2 a cada 100 mil moradores, atrás apenas de São Leopoldo, que tem uma população parecida, 236,8 mil moradores, mas um nível de testagem bem superior aos 5,8 mil de Viamão. Lá, a média é de 24.070 testes para cada 100 mil moradores.
Capital lidera em número concretos
Em número absolutos, Porto Alegre lidera, claro, por ter mais moradores. A Capital realizou 452.842 testes até o início da semana passada. Na média, são cerca de 30.520 testes por 100 mil habitantes, a terceira colocada neste ranking, atrás de Canoas e da líder, Esteio. Em relação à incidência de casos e mortes, a Capital fica em quarto lugar na contaminação, são 7.535,9 casos a cada 100 mil moradores. E também em quarto lugar na incidência de vítimas da covid-19, são 216,5 mortes por 100 mil habitantes.
Comparando com a média nacional apontada no estudo da Fiocruz de janeiro deste ano, de 11,3 mil testes a cada 100 mil habitantes, nove cidades estão acima deste índice. As três abaixo são Gravataí (10.706 testes por 100 mil moradores), Guaíba (9.725) e a que menos testa, Viamão (5.834).
Foco em testes e estudos
Na cidade que lidera o índice de testagem para covid-19 na Região Metropolitana, a iniciativa de rastrear os casos vem desde o início da pandemia. Em Esteio, moradores que apresentam sintomas fazem contato com prefeitura e são orientados a agendar testes também de todos com quem convivem, mesmo que estas pessoas ainda não apresentem sintomas. Assim, o rastreamento da doença é mais preciso.
Foi o aconteceu com o bancário Sérgio Luís Garcia Vargas, 71 anos. Morador da cidade há quase seis décadas, ele testou positivo para covid-19 em janeiro. Ao entrar em contato com a prefeitura, foi orientado a agendar exames para esposa, filha e neto que vivem na mesma casa. Agora, cerca três meses depois, sua esposa é quem contraiu a doença. Novamente todos estão sendo testados, inclusive Sérgio. Mesmo que já tenha sido infectado, como já se passaram três meses e ainda não há informações exatas sobre a possibilidade de reinfecção, o morador foi orientado a fazer novamente o RT-PCR.
— Ligamos na quarta-feira (dia 24 de março) e marcaram para hoje (26 de março). Foi bem rápido, agora é esperar os resultados, o que leva cerca de uma semana. Fiz o teste na sede da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), foi bem tranquilo, ótimos profissionais — pontua Sérgio, que também está com a primeira dose da vacina já agendada.
Parceria com universidades
Esteio também fez parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Unisinos e Feevale para um estudo na cidade. O GPS Covid Esteio colocou cerca de 50 pesquisadores circulando pela cidade aplicando testes e coletando dados que têm por objetivo traçar um perfil epidemiológico, genômico e clínico do vírus na cidade.
Até o final de fevereiro, em 17 fases, foram aplicados 8.693 testes rápidos em moradores esteienses. Destes, 327 resultaram positivo para covid-19. A equipe dividiu os 13 bairros de Esteio em 149 setores, cada um com 177 domicílios em média. A cada fase, os setores eram sorteados e, neles, os pesquisadores definiam, aleatoriamente, as casas onde eram feitas as coletas.
— A importância de testar o maior número de pessoas na cidade é justamente para podermos ter efetividade nas ações de rastreamento dos casos positivos. O que permite que a gente tome as medidas de forma mais rápida e objetiva, evitando a disseminação dos casos pela cidade — pontua a secretária de Saúde em Esteio, Ana Boll.
Em Viamão, a busca pela virada
A nova gestão da prefeitura de Viamão não tem orgulho dos índices de testagem da cidade. E vem trabalhando para resolver isso. Somente nos primeiros três meses deste ano, foram 8.634 testes realizados — 58% do total. Ou seja, só em 2021, foram realizados mais testes do que durante todo ano passado. A cidade ainda tem um cenário diferente de outros municípios — o próprio prefeito, Valdir Bonatto, decidiu assumir também a pasta municipal da Saúde.
— O momento grave pelo qual Viamão passou em 2020 deixou a população desamparada e o sistema de saúde totalmente inoperante. Era necessário um choque de gestão e de comportamento. Entendi que cabia ao chefe do Executivo assumir essa responsabilidade, dando sustentação e liderando esse processo junto às equipes técnicas que estão desempenhando um excelente papel — diz o prefeito e secretário de Saúde.
Mudança
Um dos primeiros passos foi reformular a atenção em covid-19 na cidade. Nove Unidades Básicas de Saúde (UBSs) passaram a ser referência em coronavírus — atendendo, testando e vacinando. Antes, somente a única Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) e o único hospital da cidade atendiam e testavam. "Somente em março, foram atendidos 7.119 casos suspeitos de covid-19 nas UBSs, mais de 7 mil pessoas que deixaram de procurar a UPA, o hospital ou até a rede de Porto Alegre, por terem sido atendidas na sua região", pontua a prefeitura em nota.
Para acelerar o ritmo da testagem, a própria prefeitura também adquiriu 6 mil testes RT-PCR, não dependendo mais totalmente da testagem do Laboratório Central do Estado (Lacen-RS). "Com a demora do Lacen em informar resultados, entramos com testes nossos também, cujos resultados ficam prontos em até 48 horas depois da coleta. Os resultados passaram a ser entregues na própria UBS de referência, evitando deslocamentos desnecessários das pessoas testadas", diz o comunicado do município.
Fundamental para controlar a doença
Para o médico infectologista do Grupo Hospital Conceição (GHC), Luciano Lunardi, a média de testes por 100 mil habitantes é baixa. Segundo ele, países próximos, como Argentina e Colômbia, conseguiram taxas maiores. A nível mundial, Nova Zelândia e Canadá são exemplos. Em relação a Esteio, o médico aponta que a incidência de casos e óbitos na cidade está diretamente ligada com a testagem elevada dos moradores.
— Quanto mais a gente teste, mais acaba detectando. Isso também diminui a letalidade da doença, que é o número de mortos diante do de recuperados. Quando mais se testa, mais se rastreia casos e se isola estas pessoas.
Em relação a Viamão, acaba se tendo uma incidência menor, mas sem a real visão da situação da doença na cidade — aponta o infectologista do GHC.
Isso porque o nível de testagem pode estar contemplando somente doentes mais graves, que precisam do teste, e não contactantes que podem ter sintomas leves ou até serem assintomáticos.
Recomendação da OMS
Luciano explica que a OMS recomenda que pelo menos 3% a 12% do total de testes seja positiva para covid-19. Se a taxa é muito mais alta, pode representar que somente doentes mais graves estão sendo testados. Se ela é muito baixa, a estratégia de testagem pode estar incorreta.
— Por isso, testar pouco é uma estratégia arriscada, pois pode mascarar o verdadeiro quadro da pandemia naquele local. A testagem em massa identifica quem está com a doença, rastreia contatos e isola eles, diminuindo a disseminação. No início da pandemia, tínhamos poucos testes, então, testou-se só quem estava sendo hospitalizado. Isso impediu rastrear e isolar contactantes, por exemplo — pontua o infectologista.
O médico elogia o aumento na testagem em 2021 no Rio Grande do Sul. Na Região Metropolitana, 60,5% dos testes foram realizados somente neste ano — sem contar Eldorado do Sul, que não informou quando testes realizou desde janeiro de 2021:
— O Estado está testando mais sintomáticos gripais e de síndrome respiratória aguda grave. É uma estratégia fundamental para controlar a doença.
Conheça os testes
Na Região Metropolitana, são três os tipos de testes mais utilizados: RT-PCR, testes rápidos e testes sorológicos. Entenda a diferença entre eles.
O RT-PCR é considerado a melhor opção, constatando a presença do vírus no material genético do paciente. É colhida secreção respiratória por meio do swab (semelhante a um cotonete).
Os testes rápidos são normalmente coletados por meio de um gota de sangue num reagente, que muda de coloração com a presença do vírus. Entretanto, a confiabilidade varia muito, então ele é mais indicado para rastreamento, como estudos ou testes em massa, do que para diagnosticar pessoas contaminadas.
O teste sorológico não detecta o vírus, mas sim a presença de anticorpos. Ou seja, ele serve para saber se a pessoa já teve contato com o vírus ou já teve a doença covid-19.
O caminho da testagem nas cidades
Alvorada: Os testes são realizados no centro de enfrentamento ao covid-19 (Rua Wenceslau Fontoura, 240), e na unidade móvel de enfrentamento ao covid-19, no estacionamento da Escola Castro Alves. Para a realização do teste é necessário passar por avaliação médica e receber o encaminhamento por meio de requisição. Na unidade móvel, são feitos testes em pacientes vindos das unidades básicas de saúde bem como da rede privada.
Cachoeirinha: Os locais de testagem e atendimento médico são o Hospital de Campanha, no Ginásio Municipal, e o Hospital Padre Jeremias, no bairro Parque da Matriz. Na Unidade Básica Osvaldo Cruz é feita testagem de RT-PCR, conforme atendimento na rede pública e agendamento no aplicativo Cachoeirinha Contra o Coronavírus. O Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) também realiza o teste rápido de anticorpos nos contactantes domiciliares de casos positivos.
Canoas: A cidade tem cinco centros de testagem, distribuídos nos quatro quadrantes da cidade e na região central. Os centros funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com a oferta de dois tipos de teste: teste rápido de anticorpos e RT-PCR _ realizado apenas com requisição médica. Aos finais de semana, os testes podem ser realizados em uma das quatro unidades básicas de saúde onde funciona o Plantão Covid, destinado a pessoas com sintomas respiratórios ou suspeita de covid-19. Além de consultas com profissionais de saúde, é possível fazer nesses locais os testes rápidos e o RT-PCR. O Plantão Covid funciona sempre aos sábados e domingos, das 8h às 20h, na UBS Guajuviras (bairro Guajuviras), UBS União dos Operários (bairro Mathias Velho), UBS Primeiro de Maio (bairro Niterói) e UBS Imaculada (bairro Rio Branco).
Esteio: As testagens podem ser realizadas nas UBSs da cidade, em drive-thru na SMS, e/ou no Hospital São Camilo. A testagem é ofertada para pacientes que apresentem dois sintomas gripais ou contato com casos positivos.
Eldorado do Sul: Os moradores podem se dirigir a qualquer UBS do município para testes e triagem. Em casos graves, devem ir ao ao pronto-atendimento 24 horas, que é a unidade específica de enfrentamento à covid-19 e transformada em hospital de campanha na cidade.
Gravataí: É testado quem for encaminhado pelo hospital de campanha, pela UPA Abílio dos Santos ou de UBSs. Os testes são feitos no Quiosque da Cultura, na região central da cidade, próximo ao Hospital Dom João Becker, onde está instalada também a estrutura de campanha.
Guaíba: Os testes, seja rápido ou RT-PCR, são disponibilizados pelo município e podem ser realizados em cinco postos de saúde — Centro, Vila Iolanda, Columbia City, Cohab, Policlínica — e no Hospital Nelson Cornetet, antigo Berço Farroupilha. Para ser testado, o paciente deve passar por consulta médica e o médico solicitará o exame, que é agendado em até três dias.
Novo Hamburgo: Todas as UBS e Unidade de Saúde da Família (USF) realizam tanto teste rápido quanto RT-PCR. Além disso, há o Centro de Triagem Covid (CTC), no Hospital Municipal, que coleta RT-PCR. No laboratório municipal, também são agendados alguns testes rápidos.
Porto Alegre: Os testes de diagnóstico de covid-19 pelo SUS são disponibilizados por meio de voucher emitido pelo sistema da prefeitura. As pessoas com sintomas respiratórios devem buscar atendimento em uma unidade de saúde municipal para solicitar o tíquete, após avaliação médica. De posse do voucher, o teste RT-PCR poderá ser realizado em um dos laboratórios parceiros da SMS, em unidades de saúde com estrutura para a coleta e no drive-thru no estacionamento da UFCSPA (Rua Sarmento Leite, 245). No voucher, que pode ser apresentado impresso ou pelo código em smartphone, o paciente tem acesso aos locais onde poderá fazer a testagem.
São Leopoldo: Todas as UBSs, o Centro de Saúde Feitoria, Hospital Centenário e o Centro de Atendimento Covid, junto ao Ginásio Municipal Celso Morbach, realizam testes. O paciente pode ir ao local por demanda espontânea, desde que apresente, ao menos, dois sintomas de síndrome gripal: coriza, tosse, febre, dor de garganta. Ele passa por uma consulta/triagem e faz o teste, se for avaliada necessidade.
Sapucaia do Sul: Pacientes podem procurar atendimento em qualquer UBS da cidade. Segundo a prefeitura, todas estão capacitadas para a testagem. Assim, a população pode procurar a unidade mais próxima de sua casa.
Viamão: São nove UBS que podem testar na cidade: Esmeralda, São Lucas, São Tomé, Santa Isabel, Augusta Meneguine, Vila Elsa, Centro, Águas Claras e Itapuã. O município adquiriu mais 6 mil testes de RT-PCR para reforçar o trabalho em quatro unidades específicas: UBS São Lucas, São Tomé, Santa Isabel, Centro e na UPA. Nesses locais, o paciente pode saber do resultado em até 48 horas.
02/04/2021 – Globonews
https://g1.globo.com/google/amp/globonews/estudio-i/video/video-grupo-unidos-pela-saude-contra-o-colapso-conscientiza-populacao-sobre-combate-a-covid-9405852.ghtml
Grupo 'Unidos pela saúde contra o colapso' conscientiza população sobre combate à Covid
Mais uma vez o grupo de médicos produz um material para conscientizar a população sobre o momento de risco que estamos enfrentando. Dessa vez, às vésperas da Páscoa, o recado é para não regredir nos cuidados com a pandemia e não aglomerar. A médica e professora de epidemiologia Lucia Pellanda comenta a ação.
02/04/2021 – GZH
https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/04/rs-e-o-quarto-estado-que-mais-vacinou-a-populacao-contra-o-coronavirus-ckn0wbty5006a016u7bnp2m7l.html
RS é o quarto Estado que mais vacinou a população contra o coronavírus
Até a manhã desta sexta-feira (2), 1,48 milhão de doses haviam sido aplicadas em 23% dos grupos prioritários e 10% da população total do Estado
Ao mesmo tempo em que atingiu a oitava maior mortalidade do Brasil por coronavírus, o Rio Grande do Sul é o quarto Estado que, proporcionalmente, mais vacinou sua população contra a covid-19. Se o bom ritmo for mantido, afirmam analistas, há esperança de controle da pandemia, desde que mais pessoas possam ser imunizadas diariamente.
Até a manhã desta sexta-feira (2), 1,48 milhão de doses haviam sido aplicadas em 23% dos grupos prioritários e 10% da população total do Estado – há 11,4 milhões de habitantes no Rio Grande do Sul. A segunda dose foi recebida por 305 mil pessoas, ou 2,7% da população. À frente do Rio Grande do Sul, os melhores ritmos vacinação são de Mato Grosso do Sul, Bahia e Amazonas.
Os dados são do portal Covid-19 no Brasil, cujas estatísticas são utilizadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em site dedicado a monitorar o avanço da vacinação no país.
Apesar de ter a compra atrasada pelo governo federal em virtude da origem chinesa, a CoronaVac é o grande carro-chefe da campanha: a cada 10 vacinas aplicadas no Rio Grande do Sul, oito são CoronaVac, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES) disponibilizados em novo painel de transparência dedicado às estatísticas vacinais.
Em média, 20 mil injeções são aplicadas diariamente, mas o ritmo vem crescendo nas últimas semanas, conforme o repasse pelo Ministério da Saúde é intensificado. Em 25 de março, o Rio Grande do Sul vacinou um recorde de 62,8 mil pessoas.
O aumento na velocidade pode ser observado pela gradual redução na idade de corte para receber uma vacina. Em Porto Alegre, a cada dia que passa, a linha cai um ano. Neste feriado, podem se imunizar idosos com 66 anos na capital gaúcha. Ainda assim, está longe de ser uma velocidade suficiente para controlar a pandemia.
De todas as 2,86 milhões de doses enviadas pelo Ministério da Saúde ao governo do Estado, 62% foram aplicadas. São Paulo usou 88% das injeções. O Distrito Federal, 83%, e Mato Grosso do Sul, 82%. A Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul afirmou a GZH que o número de doses aplicadas é maior, mas que algumas prefeituras não atualizam as estatísticas no sistema.
Apesar das poucas doses disponíveis, analistas destacam que o Rio Grande do Sul é beneficiado pela herança de um fortalecido Sistema Único de Saúde (SUS) em comparação a outras regiões do Brasil e pela capilaridade da atenção básica – são 2,6 mil postos espalhados pelo Estado e milhares de clínicas particulares e farmácias de bairro que servem há anos como locais de imunização.
Especialistas apontam, ainda, a experiência de governos, prefeituras e, sobretudo, de profissionais da saúde gaúchos que, todos os anos, imunizam milhões de pessoas durante a campanha de vacinação contra a gripe.
— O Rio Grande do Sul está vacinando bem, dentro das possibilidades. Não é surpreendente: temos uma característica de eficiência em serviço público de saúde. Além disso, apesar de todos os Estados aplicarem vacina contra a gripe, no Rio Grande do Sul a gripe tende a ser, pela característica climática, mais grave, então há essa expertise em vacinar. Se continuarmos entre os que mais vacinam, talvez vejamos bons resultados — avalia Pedro Hallal, professor de Epidemiologia na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e membro do Comitê Científico do Palácio Piratini.
Como o inverno é rigoroso e o H1N1 é motivo de preocupação porque o Rio Grande do Sul é o Estado com, proporcionalmente, mais idosos no país (portanto, mais pessoas vulneráveis), são anos de prática em organizar uma imunização em massa e sensibilizar a população sobre a importância da vacina – sobretudo nos velhinhos.
— Muitas pessoas deixam de se vacinar simplesmente porque não têm o hábito de se vacinar. Mas, no Rio Grande do Sul, esse hábito existe, e inclusive o antivacinismo por aqui é menos evidente quando comparado a outros Estados. Isso está ligado ao clima e a termos uma época de influenza. Depois da influenza, as pessoas passaram a se vacinar mais, o que favorece outros programas de vacina, como o da covid — avalia André Luiz Machado da Silva, médico infectologista no Hospital Conceição.
Mas o médico epidemiologista Ricardo Kuchenbecker, gerente de risco do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, pondera que, por ser o Estado mais idoso do país, o Rio Grande do Sul recebe mais vacinas contra a covid. Com 11,4 milhões de habitantes, 45% da população – o equivalente a 5 milhões – faz parte dos grupos prioritários.
— Temos uma população que, na média, é mais velha do que no resto do país. Então, também conseguimos ter um percentual de população vacinada maior do que a média brasileira. Mas o Rio Grande do Sul tem historicamente uma capilaridade maior do que outros Estados para fazer a vacinação, o que pode estar fazendo diferença — afirma Kuchenbecker.
A agilidade gaúcha deve servir como motivo de esperança, mas a imunologista Cristina Bonorino, professora na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e colunista de GZH, alerta que o ritmo atual não é suficiente para o controle da epidemia e que a população deve manter as medidas de distanciamento social por uma razão: não há provas de que a CoronaVac e a vacina de Oxford evitem a transmissão do vírus em quem foi imunizado – apenas que evitam a hospitalização e a morte.
Como resultado, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) orienta que pequenas reuniões em ambientes fechados aconteçam apenas entre vacinados. Da mesma forma, se você visitar seus pais ou avós imunizados, a máscara deve ser utilizada porque, apesar de eles estarem protegidos, você pode pegar covid-19 deles e adoecer.
— Essas vacinas auxiliam ao proteger contra a doença, hospitalização e morte, mas não contra a transmissão. Por isso, vai demorar para vermos um efeito concreto na epidemia. À medida que começarmos a diversificar o portfólio de vacinas, conseguiremos controlar a transmissão — diz a professora da UFCSPA.
Na visão de Ana Costa, diretora do Departamento de Atenção Primária e Políticas de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde (SES), o bom desempenho gaúcho é explicado pela boa logística na distribuição das vacinas. É comum, ela diz, as vacinas chegarem pela manhã ao Estado e, no fim da tarde, já estarem nas prefeituras.
Ana Costa também cita que, para contornar a inexperiência de grande parte dos prefeitos que assumiram o primeiro mandato em janeiro deste ano, o governo do Estado treinou prefeituras sobre como conduzir uma campanha de vacinação. E ela destaca que Palácio Piratini transfere verbas para fortalecer a assistência básica em municípios do Estado.
— O SUS é forte no Estado, mas o Estado também investe na rede, então acaba existindo mais recurso para o posto de saúde aplicar recursos em equipe, material, insumo e qualificação. Além de receber o designado em portarias (do Ministério da Saúde), a rede também recebe incentivo às ações do SUS pelo Estado. Por exemplo, o Estado permitiu que municípios usassem o saldo de recursos repassados no ano anterior para ações de covid, tanto de fiscalização quanto de vacina. Isso possibilitou a contratação de novas pessoas — diz.
Mas Ana discorda da interpretação de que o Rio Grande do Sul estaria na frente por ter recebido do Ministério da Saúde mais doses de vacinas em virtude de ser o Estado mais idoso do país.
— Temos mais grupos prioritários porque temos uma população que envelhece mais, o que também traz mais comorbidades. Mas, ao mesmo tempo em que temos mais vacinas por isso, há mais equipes envolvidas em atendimento e mais idosos acamados e em ILPIs (instituições de longa permanência). Vaciná-los envolve ligar, marcar um horário, levar vacinadores ao local... O que é vantagem em número de vacinas pode ser desvantagem em tempo de atuação — afirma a diretora da Secretaria de Estado da Saúde.
01/04/2021 – Correio do Povo – Direto ao Ponto
https://www.correiodopovo.com.br/podcasts/os-cuidados-e-o-prolongamento-dos-sintomas-p%C3%B3s-covid-1.596023
Os cuidados e o prolongamento dos sintomas pós-Covid
Direto ao Ponto aborda possibilidades de reinfecção, duração de anticorpos e sequelas, e acompanhamento médico após a recuperação clínica
Após a infecção por Covid-19, a maioria das pessoas cria anticorpos que as impedem de contrair o vírus novamente. No entanto, há casos de reinfecção confirmados pelo mundo e estudos descrevendo que os sintomas podem continuar se arrastando por semanas ou até meses. De acordo com o infectologista e professor de medicina, Paulo Beher, esse quadro pós-Covid – também chamado de Covid Longa – chega a afetar até metade dos casos de infecções. O especialista frisou o acompanhamento médico após a recuperação é essencial também para os pacientes assintomáticos.
Todos estes pontos são abordados no Direto ao Ponto desta quinta-feira pelo Paulo Beher, professor na Universidade Federal de Ciência da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e médico do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.
01/04/2021 – GZH
https://gauchazh.clicrbs.com.br/coronavirus-servico/noticia/2021/04/internacoes-clinicas-em-hospitais-do-rs-caem-31-em-tres-semanas-ckmzehaxa008j016uoagm8hki.html
Internações clínicas em hospitais do RS caem 31% em três semanas
Já nas UTIs, não há esvaziamento e cenário ainda é de colapso
O Rio Grande do Sul tem, nesta quinta-feira (1º), mais um dia com queda no número de pacientes com covid-19 internados em leitos clínicos. No fim da tarde, havia 3,7 mil pessoas nesses leitos de baixa e média complexidade.
Apesar da redução, ela não ocorre na mesma velocidade com que, semanas atrás, se deu a subida. Ou seja, o sistema hospitalar lotou muito rapidamente, mas agora esvazia com lentidão.
O pico desse indicador foi registrado em 12 de março, com 5,4 mil pacientes com covid-19 internados em leitos clínicos. A queda, ao longo dessas três semanas, foi de 31%.
Para comparação, nas três semanas que antecederam o ápice, quando a curva ainda estava em ascensão, o aumento foi de 191%. Três semanas anteriores ao pico, o Estado registrava 1,9 mil pacientes com a doença em leitos clínicos.
A epidemiologista Lúcia Pellanda explica que a queda nas internações é proporcional às medidas que foram adotadas semanas atrás, com fechamento de parte das atividades essenciais e adesão parcial da população. De acordo com a epidemiologista, como não houve uma parada total na circulação das pessoas, também não há agora uma queda brusca nas contaminações e internações.
— A redução de internações é coerente com a redução de mobilidade que ocorreu no Rio Grande do Sul, e coerente com a redução no número de casos. Diferentemente do que fez Portugal, não temos no Rio Grande do Sul o mesmo rigor nas medidas, nem a mesma adesão da população. Assim, não conseguimos interromper a transmissão, conseguimos apenas amenizar. É cedo para sairmos do perigo, precisamos manter cuidados — explica a epidemiologista, que é também reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
Veja abaixo o comportamento recente da curva de pacientes com covid-19 internados em leitos clínicos no Estado. O gráfico mostra o período de 20 dias antes do pico e termina nesta quinta-feira, 20 dias depois.
UTIs seguem em colapso
Nas UTIs, a situação é mais grave. No fim da tarde desta quinta, havia 2,4 mil pacientes com covid-19 nesses leitos. Esse número tem oscilado, no alto da curva, entre 2,3 mil e 2,6 mil há três semanas, sem quedas consistentes.
Veja abaixo o comportamento da curva de internações em todos os tipos de leitos desde o início da pandemia. O gráfico abaixo mostra em março de 2020 e termina nesta quinta-feira.
01/04/2021 – GZH
https://gauchazh.clicrbs.com.br/coronavirus-servico/noticia/2021/04/rs-ultrapassa-20-mil-mortes-por-coronavirus-subindo-da-14a-para-oitava-pior-mortalidade-do-brasil-em-duas-semanas-ckmz8mt5h005j016u0wux4fu5.html
RS ultrapassa 20 mil mortes por coronavírus subindo da 14ª para oitava pior mortalidade do Brasil em duas semanas
Após apresentar, no ano passado, um dos melhores desempenhos do país, Estado vê conquista se esvair em poucos meses em meio à circulação de nova variante e retomada de atividades
O Rio Grande do Sul atingiu, nesta quinta-feira (1º), a marca de 20 mil mortes por coronavírus. Segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES), 20.063 pessoas morreram por causa do Sars-CoV-2 e mais de 850,2 mil se infectaram desde março do ano passado. É como se quase toda a população de Nova Petrópolis, na Serra, tivesse sido dizimada.
A marca de 20 mil vítimas da covid-19 ocorre em meio à constatação de que o Rio Grande do Sul, que já foi referência nacional no combate à pandemia e esteve, entre as 27 unidades da Federação, em 22º lugar no ranking de taxa de mortos por 100 mil habitantes, avançou para a oitava posição. Apenas duas semanas atrás, estava em 14º.
Nesse ínterim, o Rio Grande do Sul deu um salto de 15 mil óbitos para 20 mil, resultado do crescimento exponencial das infecções e do colapso hospitalar. Cada vez mais, o vírus se aproxima de nossas famílias, amigos e vizinhos, apesar de todos os avisos de médicos e cientistas, que clamam pelo distanciamento social e uso de máscara.
Especialistas entrevistados por GZH citam que a alta circulação do vírus entre o fim do ano passado e o início de 2021, as viagens e aglomerações do feriado, o avanço da cepa P1, originada em Manaus, e a briga política entre governo do Estado e prefeituras, ilustrada pelo desentendimento entre Eduardo Leite (PSDB) e Sebastião Melo (MDB) sobre fechar ou não o comércio explicam a piora gaúcha no combate à pandemia nos últimos meses.
— No começo, o Rio Grande do Sul estava muito melhor, mas degringolou rápido de outubro em diante. O erro é técnico, mas motivado por razões políticas: não praticar o isolamento e insistir para reabrir mesmo com cenário epidemiológico desfavorável. Os números estão assim pela nova variante, porque teve muita aglomeração no verão, o que infelizmente continua, pela pressão por flexibilização das medidas, porque o uso de máscara ainda não é universal e porque ainda tem gente que acredita que tomar ivermectina e cloroquina protege — avalia o epidemiologista Pedro Hallal, professor na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e integrante do Comitê Científico do Piratini.
Março termina como o mês mais letal da pandemia: concentra um terço de todas as mortes por coronavírus no Estado. O crescimento é consequência da transmissão descontrolada – muitas pessoas circulam nas ruas com o vírus ativo e contaminam outras, o que se reflete em grande número de hospitalizações e esgotamento do sistema de saúde.
Com hospitais superlotados, cresce a chance de um paciente morrer, mesmo que receba atendimento, já que será recebido em leito improvisado, por uma equipe sobrecarregada e não especializada, sob acompanhamento de equipamentos emprestados de outras alas, não ideais.
— Relaxamos as medidas de distanciamento. A cepa P1 também tem, definitivamente, um papel. Mas há um impacto das disputas entre prefeitos e governador para ter cogestão. Quando a população vê sinais trocados, é um convite à não adesão de medidas de distanciamento. Sem contar que a vacina passa uma falsa sensação de proteção, porque só estaremos protegidos quando o Estado tiver 80% de pessoas vacinadas — avalia o médico epidemiologista Ricardo Kuchenbecker, gerente de risco do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).
Adota compreensão semelhante o médico infectologista André Luiz Machado da Silva, que atua na linha de frente do tratamento de pacientes infectados no Hospital Conceição.
— Ao mesmo tempo em que o Rio Grande do Sul serviu de modelo quanto ao protocolo de bandeiras, temos um gestor municipal e um estadual que não se entendem. Essa dificuldade contribui sobremaneira para o aumento no número de casos porque não adianta ter uma orientação diferente da que o Estado orienta — diz.
Se, no início do ano passado, gaúchos assistiam com medo e espanto às mortes e ao colapso hospitalar na Itália, a realidade estrangeira deixou de ser distante: o Rio Grande do Sul tem hoje uma taxa de mortalidade de 173,5 mortes a cada 100 mil habitantes, muito próxima ao desempenho italiano, de 180,8.
Com a piora, o Rio Grande do Sul também superou a mortalidade de Portugal (165,2), país com população semelhante ao Estado, além de Espanha (161,4) e França (145,6).
As maiores vítimas são idosos de 70 a 79 anos, mas, em meio à retomada das atividades e o crescimento das infecções pela cepa P1, hospitais registram um aumento na internação de pacientes jovens e saudáveis, grávidas e, inclusive, crianças.
Uma lupa sobre a situação de municípios jogada pelo Comitê de Dados do Palácio Piratini mostra ainda que as cidades com a maior proporção de mortes por coronavírus são Canoas, Novo Hamburgo, Porto Alegre, Alvorada e Passo Fundo.
— Deixamos a situação descontrolar, demorou para tomarmos medidas. A P1 chegou aqui um pouco antes do que em outros Estados. Estamos mais adiantados na curva (da pandemia). Os outros Estados, ao verem o exemplo do Rio Grande do Sul, tomaram medidas mais precocemente. Além disso, infelizmente aqui surgiu um movimento contra medidas simples, como máscara e distanciamento — analisa a médica Lucia Pellanda, professora de Epidemiologia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro do Comitê Científico do Palácio Piratini.
Efeitos da bandeira preta
A bandeira preta, que começou em 27 de fevereiro, já começa a surtir efeitos no controle da pandemia. Após um pico de 10 mil novos casos em 1º de março, o dia 20 teve 2,5 mil novas infecções, muito abaixo das 8,4 mil que aconteceram um dia antes de a bandeira preta predominar no Rio Grande do Sul.
Após completar 28 dias consecutivos com as unidades de terapia intensiva (UTIs) acima de 100% de ocupação, em cenário descrito por médicos como “de guerra”, a lotação caiu, nesta quinta-feira, para 99,8%.
Nas últimas duas semanas, a soma de confirmados e suspeitos para coronavírus em leitos clínicos e de UTI no Rio Grande do Sul saiu de um patamar médio de 8,8 mil internados para cerca de 7 mil na quarta-feira (31) – a queda é mais acentuada nos leitos clínicos.
O número de mortes, o último indicador a sofrer atualização, ainda não teve tempo para melhorar. A média móvel de novas vítimas atualmente é quatro vezes maior do que na segunda onda da pandemia, em dezembro.
— É fato que, nos leitos de enfermaria, houve redução significativa no número de novas internações há pelo menos uma semana. E isso se reflete na ocupação dos leitos de UTI. Mas ainda não dá para dizer que a doença está controlada ou que estamos em queda. Seria irresponsável dizer que a pandemia está controlada no nosso Estado. Até porque houve redução na ocupação das UTIs, mas as emergências ainda têm um grande número de pacientes em ventilação mecânica aguardando leito de UTI — afirma o infectologista André Luiz Machado da Silva.
A aceleração no ritmo das vacinas é a esperança dos gaúchos. O Rio Grande do Sul já vacinou com a primeira dose mais de 1 milhão de pessoas e é o sexto Estado que mais imunizou, proporcionalmente, sua população.
A aplicação deve acelerar ainda mais com a chegada de 645 mil vacinas nos próximos dias, enviadas pelo Ministério da Saúde.
GZH solicitou entrevista ao governo do Estado, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
01/04/2021 – GZH
https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/04/vai-pedalar-com-bike-compartilhada-veja-como-evitar-o-coronavirus-ckmwmds0200ai016ul69kwrvl.html
Vai pedalar com bike compartilhada? Veja como evitar o coronavírus
Apesar de superfícies não serem o principal meio de contaminação, tocar em lugares onde muita gente colocou as mãos ainda pode ser um perigo
Muito populares entre os porto-alegrenses, as bicicletas compartilhadas podem ser uma boa alternativa para quem sente necessidade de sair de casa e esticar o corpo durante o distanciamento social. A vantagem é que pedalar é uma prática ao ar livre, o que reduz a chance de pegar coronavírus. Ainda assim, há a contaminação pelas superfícies — risco que ficou quase esquecido diante da forma mais grave, a de ficar frente a frente com uma pessoa infectada.
Especialistas consideram que, sim, a transmissão por gotículas expelidas no ar é o jeito mais comum de se contaminar — por isso, a recomendação é de se evitar aglomerações. Mas colocar a mão na boca ou no olho após tocar o guidão de uma bike usada por um estranho pode ser um perigo.
— As pessoas começaram a dar mais atenção ao contágio pela fala porque estavam desrespeitando o distanciamento físico. Logo, essa se tornou a principal forma de contágio. Mas a contaminação de superfícies continuou — observa a bióloga, imunologista e professora de biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Melissa Markoski, que atua na área de controle de riscos de agentes infecciosos.
Segundo Melissa, as gotículas projetadas por uma pessoa contaminada podem ter um alcance muito maior durante a prática de exercícios físicos, como pedalar. A estimativa é de que essas gotículas permaneçam nas superfícies durante dois ou três dias. No entanto, em ambientes abertos, com incidência de sol, devem secar em no máximo quatro horas.
O problema é justamente não saber quando a bicicleta retirada da estação foi usada pela última vez. Por isso, a dica é seguir investindo no paninho com desinfetante.
— O vírus pode ficar inerte na superfície. Se a pessoa for desinfetar o local em que for colocar as mãos, ou higienizar as mãos depois, não tem problema. O problema é esse costume ruim que a gente tem de levar mãos à boca, ao nariz e aos olhos — considera o médico infectologista Eduardo Sprinz, chefe do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
Uma dúvida surge também ao se chegar em casa: é necessário botar as roupas na máquina depois de horas em cima de uma bicicleta em que muita gente sentou?
— Se tu achas que ficou muito exposto a pessoas com potencial de estarem contaminadas, então faz uma higiene nas roupas. Ou deixa as peças separadas em determinado local. Caso contrário, não é necessário — diz o infectologista.





