O estudo foi publicado na revista médica BMJ Open e contou com a colaboração do professor da UFCSPA Airton Tetelbom Stein.

A pesquisa “Quality of clinical practice guidelines for inadequate response to first-line treatment for depression according to AGREE II checklist and comparison of recommendations: a systematic review”, publicada na revista médica BMJ Open, contou com a colaboração do professor da UFCSPA, Airton Tetelbom Stein. O trabalho é conduzido pela doutoranda Franciele Cordeiro Gabriel, do Departamento de Farmácia, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo.

A pesquisa pretende avaliar as semelhanças e as diferenças nas recomendações de estratégias das diretrizes clínicas mais relevantes para o tratamento da depressão em adultos sobre as respostas inadequadas ao tratamento de primeira linha.

Segundo o professor Airton, as diretrizes clínicas são fundamentais para melhorar o impacto no atendimento na área de saúde mental, principalmente devido o aumento da incidência de depressão, pela pandemia de Covid-19. “Essas diretrizes contêm recomendações para otimizar o atendimento ao paciente, sendo desenvolvidas por meio da revisão de intervenções e análise de custo-benefício. Elas permitem o desenvolvimento de decisões clínicas objetivas, ajudam a diminuir a variabilidade clínica, educam pacientes e profissionais sobre as melhoras”, explica o docente do Departamento de Saúde Coletiva da UFCSPA e do PPG Ciências da Saúde e TIG.

Para a realização do estudo foi adotada uma estratégia de busca ampla, a fim de investigar a qualidade metodológica e a transparência das diretrizes clínicas para o tratamento farmacológico de doenças não transmissíveis, incluindo a depressão. “Foi realizada uma análise, em que foram avaliadas, especificamente, as diretrizes clínicas que podem ser usadas pelos profissionais de saúde para o tratamento farmacológico de adultos com depressão em ambientes ambulatoriais. Também foi utilizado o instrumento AGREE II  para avaliar a qualidade das diretrizes clínicas identificadas na pesquisa”, descreve Airton.

Ao abordar sobre os resultados encontrados, o professor também informa que, a maioria das diretrizes clínicas concorda com a necessidade de reavaliar o diagnóstico, avaliar a presença de comorbidades e adesão ao tratamento, ajustar a dosagem do antidepressivo e adicionar psicoterapia como os primeiros passos para quem não responde ao tratamento antidepressivo de primeira linha. “No entanto, nossos achados revelaram falhas consideráveis nas recomendações, incluindo não apresentar uma definição padronizada de resposta adequada/inadequada/parcial; não estabelecer o tempo de tratamento necessário para declarar uma resposta inadequada/parcial/não resposta; todas as diretrizes clínicas incluem a possibilidade de troca do antidepressivo, potencialização com outros medicamentos e combinação de antidepressivos, mas três diretrizes não recomendam uma sequência clara entre ele”, afirma Stein.

O pesquisador também acrescenta que embora existam diversas modalidades de tratamento da depressão, a farmacoterapia continua sendo a estratégia de primeira linha mais comum. Ele ressalta que a remissão clínica após o tratamento com antidepressivos de primeira linha é geralmente alcançada apenas em uma minoria de pacientes. “Nesta revisão comparamos as recomendações dos oito (cinco com pontuação de domínio 3 do AGREE II >80% e três mais utilizados/relevantes na prática clínica) as diretrizes clínicas mais relevantes para o tratamento da depressão em adultos que demonstraram uma resposta inadequada ao tratamento antidepressivo de primeira linha”, finaliza o docente.

 A íntegra do estudo pode ser acessada neste link.

São autores da pesquisa: