Estudo foi realizado 632 alunos dos cursos de graduação e pós-graduação da UFCSPA.

Um grupo de pesquisadoras da UFCSPA publicou na Revista do Centro de Educação da UFSM o artigo "Espiritualidade no ensino: a perspectiva dos discentes de uma universidade pública da área da saúde". O estudo aplicou um questionário a 632 alunos dos cursos de graduação e pós-graduação da UFCSPA, com o objetivo de investigar a compreensão dos estudantes a respeito do tema espiritualidade na educação e na saúde, questionando a presença ou ausência da abordagem do assunto no currículo acadêmico, bem como a percepção dos mesmos sobre a pertinência do estudo do tema espiritualidade em sua formação. 

A metodologia utilizada foi a de pesquisa de delineamento exploratória, quantitativa e de cunho transversal. O cenário de realização do estudo foi a Universidade Federal de Ciência da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), tendo sido o instrumento aplicado a alunos de seus 16 cursos de graduação e também aos da pós-graduação. Conforme as autoras, "a espiritualidade é a forma como cada indivíduo conecta-se com o sagrado, sendo várias as formas desta conexão, podendo ocorrer por práticas integrativas (ioga, meditação etc), ou pela arte, dança, o trabalho e tantas outras possibilidades que farão a diferença na qualidade de vida dos sujeitos".

Como resultados, a pesquisa destacou que 65,7% dos alunos da UFCSPA que responderam o questionário entendem que é pertinente abordar aspectos relacionados à espiritualidade na formação acadêmica. A maioria dos analisados (87,9%) entende a espiritualidade conforme a definição proposta pela literatura, ou seja, como uma conexão com o universo, um propósito de vida independente de religião e uma busca pessoal pelo sentido e significado da vida. Outros resultados encontrados foram:

  • 9,3% entende espiritualidade, religião e religiosidade como sinônimos, embora a literatura aponte o contrário;
  • 71,1% apontaram que a formação universitária não fornece informações suficientes sobre a temática;
  • 59,3% não abordariam o tema por medo de impor pontos de vista religiosos aos pacientes e medo de ofendê-los;
  • 14,6% afirmaram que não faz parte do seu trabalho;
  • 11,1% apresentaram desconforto com o assunto;
  • 3,2% disseram que não faz parte do cuidado;
  • 2,2% têm medo de que os colegas não aprovem;
  • a população estudada busca conhecimentos sobre o tema “Saúde e Espiritualidade” por meio de leitura de livros e artigos científicos (24,7%);
  • 20,6% o fazem por meio da própria religião;
  • 33,4% não buscam conhecimento, demonstrando que apesar dos alunos reconheceram a pertinência do tema, a busca por conhecimentos nessa área é pouco difundida.
  • 20,9% consideram que deve ser abordado como um tema obrigatório (disciplinas obrigatórias);
  • 45,1% acreditam que o tema deva ser abordado como um tema opcional (disciplina eletiva/PDCI e atividades de extensão/pesquisa);
  • 48,1% dos participantes não possuíam crença/religião.

A íntegra do artigo pode ser conferida neste link.

São autoras da pesquisa:

  • Lahanna da Silva Ribeiro - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
  • Émilly Giacomelli Bragé - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
  • Bruna Luísa Ribeiro de Almeida - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
  • Eliane Goldberg Rabin - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre