Pesquisa é resultante de uma dissertação de mestrado do PPG - Biociências.
A dissertação de mestrado de João Pedro Sagini, do PPG - Biociências, originou o artigo, "Encefalite por vírus Rocio: evidência computacional para reposicionamento de fármaco", de autoria do mestre em parceria com docentes das universidades da Califórnia e de Oxford, bem como da própria UFCSPA (conforme pode ser observado na lista de autores ao fim desta matéria). O estudo investigou como sistema de saúde do Brasil poderia estar mais preparado para caso uma infecção viral grave causada pelo vírus Rocio (re)surgisse de forma explosiva.
Segundo a pesquisa, o Brasil reúne todas as características consideradas ideais para o surgimento e ressurgimento de novas doenças infecciosas humanas (infecções emergentes, como foi o caso do SARS-CoV-2). Por isso, o trabalho identificou fármacos atualmente disponíveis no SUS que seriam excelentes candidatos na busca de tratamentos para a encefalite por vírus Rocio caso ela ressurja entre humanos. Conforme os autores, "o reposicionamento de fármacos permite acelerar o processo de descoberta de compostos, pois confere novo alvo biológico para um medicamento já disponível no mercado, e, portanto, já testado e aprovado quanto ao seu perfil toxicológico em humanos".
Para atingir aos objetivos do estudo, que seriam caracterizar estruturalmente todas as proteínas codificadas no genoma do vírus Rocio e identificar, entre os fármacos disponíveis no Sistema Único de Saúde, quais compostos seriam bons candidatos a inibidores de uma ou mais funções destas proteínas, atuando como antivirais, a pesquisa utilizou de metodologias inovadoras: técnicas computacionais (in silico) de bioinformática estrutural e quimioinformática (modelagem tridimensional de proteínas); estudos de atracamento molecular ("docking") em larga escala, que estimam a afinidade entre molécula e potencial alvo e; simulações de dinâmica molecular, capazes de avaliar a estabilidade do complexo fármaco-proteína ao longo do tempo.
Como resultados, o artigo identificou medicamentos que poderiam ser redirecionados para combater o vírus Rocio (simeprevir, daclatasvir, iloprost e itraconazol). Entre eles, o itraconazol se mostrou um candidato interessante, ao interagir tanto com proteínas estruturais e não estruturais do vírus, sendo um excelente ligante para a proteína NS1, como confirmado pelas simulações de dinâmica molecular.
A íntegra do artigo pode ser conferida neste link.
São autores do artigo:
- João Pedro Sagini (mestrando - PPG Biociências - UFCSPA)
- Pablo Ricardo Arantes (colaborador - Departamento de Bioengenharia, Universidade da Califórnia, Riverside)
- Conrado Pedebos (colaborador - Departamento de Bioquímica, Universidade de Oxford)
- Rodrigo Ligabue-Braun (docente UFCSPA - Departamento de Farmacociências e PPG Biociências)
- Veja mais notícias de divulgação científica
- Pesquisador da UFCSPA: solicite a divulgação de sua pesquisa





