Em um bate-papo descontraído, a segunda edição do curso literário realizado pelo Núcleo Cultural da UFCSPA (NCULT) em parceria com o Programa de Línguas Adicionais  (PLA) chegou ao fim na noite de quarta-feira (11). Com uma sala virtual cheia, a aula de encerramento do curso semanal contou com a participação dos professores Ana Boff de Godoy, Ana Rachel Salgado, Luciana Boose Pinheiro e Rodrigo de Lemos, que conduziram as aulas de literatura italiana, espanhola, brasileira e francesa, respectivamente, ao longo desta edição. 

O curso contou com dez encontros semanais, de 9/06 a 11/08, com um total de 20 horas de duração e teve seu desfecho em um debate acalorado sobre cultura popular, referências literárias e a celeridade da vida moderna, além, é claro, de muita leitura. A professora Luciana Boose Pinheiro recitou poemas da escritora e dramaturga paulistana Hilda Hilst, uma das autoras trabalhadas no programa de literatura brasileira. A leitura trouxe à tona a quebra de estereótipos de gênero, característica marcante da poetisa do século XX que deixou sementes para muitas outras artistas brasileiras. Diante da discussão, Luciana destacou a necessidade de “nos encharcar” de outras vivências sem preconceitos e aceitar “viver em outras peles”. “Acho que é disso que se faz a literatura, ver realidades e possibilidades que os outros não veem. Que além de admiradores da arte, possamos nos tornar admiradores da vida” - acrescentou. 

Outras mulheres que marcaram a literatura e a arte para além de seu tempo foram as espanholas conhecidas como “Las Sinsombrero”. A professora Ana Rachel Salgado falou sobre esse grupo de mulheres que, ao tirarem os chapéus em praça pública em 1927, fundaram um movimento de resistência feminina em todos os setores culturais. “Muitas dessas artistas, como Margarita Manso e Concha Mendéz, por exemplo, são contemporâneas do Lorca (Federico García Lorca), que trabalhamos em aula, mas não tiveram o mesmo reconhecimento” - enfatizou Ana Salgado.

Ao longo do curso, que carrega a desafiadora proposta de despertar o interesse pela leitura de obras atemporais, o diálogo se torna uma ponte entre as vivências de autores e alunos. O professor de literatura francesa Rodrigo de Lemos faz questão de lembrar que essas obras serviram e ainda servem de inspiração para futuras gerações. “As experiências de Rimbaud, por exemplo, também ecoaram na geração dos anos 60, influenciando a poesia, a  música e o cinema. É esse espírito que devemos incentivar na produção criativa, sobretudo nos tempos atuais, pautados no imediatismo. “A nossa cultura hoje, como um todo, está muito pautada nas sensações imediatas que o simbólico pode causar” - apontou a professora de literatura italiana, Ana Boff de Godoy.  

Para os participantes, a aula acaba por se tornar um refúgio mental em meio à vida cotidiana. Além do certificado de participação, os alunos deixaram a sala com uma bagagem de leitura maior e mais diversa, como afirma a aluna Fernanda Bordignon Nunes: "Achei muito interessante o curso, é o único final de dia que me permito sair da caixinha...desligo da minha área de conforto e acabo viajando na fala de cada um de vocês! Fiquei curiosa sobre várias peças! Obrigada pela descontração proporcionada!” Fique atento às nossas redes sociais e acompanhe as novidades do NCULT. A aula inaugural desta edição está disponível no canal do Núcleo Cultural no YouTube. 

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