Estudos sobre a viabilidade das novas graduações na UFCSPA foram apresentados nesta quinta-feira, 7 de maio

O Conselho Universitário da UFCSPA (Consun) reuniu-se nesta quinta-feira, 7, para analisar propostas de criação dos cursos de Terapia Ocupacional e Educação Física. A iniciativa busca aproveitar uma janela de oportunidade aberta pela Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), que sinalizou interesse em fomentar graduações que promovam a inclusão social e atendam a demandas represadas no Sistema Único de Saúde (SUS).

A proposta de Terapia Ocupacional foi detalhada pelo professor Marcelo Faria, que coordenou o grupo de trabalho da área. Ele destacou que Porto Alegre possui um déficit crítico, com apenas um profissional para cada 83 mil habitantes, enquanto a média global recomendada é de um para 10 mil. "Entendemos que os dois cursos são estratégicos na formação profissional capaz de atuar frente a essa demanda social contemporânea", afirmou o docente.

O curso de Terapia Ocupacional seria o primeiro em uma universidade federal na capital gaúcha, preenchendo uma lacuna histórica de assistência em saúde mental e envelhecimento populacional. A matriz curricular proposta prevê 3.600 horas, com 40 vagas anuais no turno tarde-noite e duração de nove semestres. Faria ressaltou que a formação teria foco em neurociência e prática baseada em evidências, com vivência prática precoce em estágios e contato comunitário.

Já o estudo sobre o curso de Educação Física foi apresentado pelo professor Alberto Reppold, coordenador do grupo de trabalho interdisciplinar. O projeto diferencia-se dos modelos tradicionais por focar na saúde coletiva e na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, sem deixar de contemplar os eixos do esporte e do lazer e cultura. Reppold destacou que a inatividade física é um fator de risco global e que o exercício deve ser encarado como estratégia estruturante de saúde pública.

O perfil de egresso proposto para a Educação Física é voltado à inserção no SUS e ao atendimento de populações vulneráveis e pessoas com deficiência. A graduação também prevê 40 vagas anuais no turno tarde-noite, com carga horária mínima de 3.200 horas distribuídas em oito semestres. "O foco central é a integração entre as áreas da saúde, aproveitando o ecossistema que a UFCSPA oferece", explicou Reppold.

Durante a sessão, os conselheiros levantaram preocupações quanto à necessidade de ampliação de recursos humanos e à infraestrutura de laboratórios de ciências básicas. A reitora Jenifer Saffi esclareceu que a gestão está ciente das limitações e trabalha junto ao MEC em busca de soluções. "Sempre defendo que a construção de novos cursos precisa ser coletiva. Não apenas um projeto da gestão, mas uma decisão do conselho máximo da universidade", ponderou.

A presidente do Consun reforçou que a decisão final sobre a abertura dos cursos cabe ao MEC, mas que a universidade deveria defender sua vocação de promover a inclusão por meio da saúde. Ela lembrou que a UFCSPA ficou dez anos sem expandir sua oferta de graduação e que o momento atual permite planejar o futuro institucional. O debate considerou também o potencial dos novos cursos em fomentar a interdisciplinaridade com as carreiras de saúde já existentes na universidade.

As discussões sobre a viabilidade e o impacto social das novas graduações serão estendidas para toda a comunidade acadêmica em breve, com a realização do Fórum PPI - Projeto Pedagógico Institucional em 13 de maio.

Novos cursos tecnológicos

A sessão desta quinta-feira, 7, dá sequência às discussões iniciadas pelo Consun no mês de abril, quando foram apresentadas propostas para três novas graduações na área de tecnologia: Engenharia de Sistemas de Saúde, Bacharelado em IA e Ciência de Dados na Saúde e Tecnólogo em IA na Saúde. O projeto prevê um modelo de "ecossistema compartilhado", buscando sinergia curricular com as formações já existentes na universidade.

De acordo com os estudos, a iniciativa representaria um aumento de 25% no número de ingressantes anuais, garantindo mais recursos financeiros à UFCSPA. Apesar do entusiasmo com o ineditismo dos cursos, conselheiros manifestaram preocupações com a falta de salas de aula no campus central e com o risco de evasão histórica em áreas de exatas.

Realizadas as apresentações de propostas dos cursos tecnológicos e inclusivos, o órgão colegiado deve deliberar sobre a adesão aos projetos na sessão de junho ou em caráter extraordinário. A decisão final dependerá dos prazos e demandas apresentados pelo Ministério da Educação.