Trabalho foi conduzido pelo professor da UFCSPA, Deivis de Campos, em parceria com a pesquisadora italiana Valentina Salerno

Um estudo conduzido pelo docente da Federal da Saúde, Deivis de Campos, em parceria com a pesquisadora italiana Valentina Salerno, revelou que o busto do Cristo Salvador é de autoria de Michelangelo Buonarroti. A obra localizada na Basílica de Sant’Agnese fuori le Mura, em Roma, havia sido originalmente catalogada como anônima do século XVI, passando agora por uma reatribuição com base no estudo interdisciplinar que uniu Itália e Brasil.

A confirmação da autoria foi possível graças à análise de um detalhe anatômico identificado na escultura: a veia jugular externa distendida, considerada uma "assinatura anatômica" de Michelangelo presente em obras famosas como DavidMoisesBruto e Cristo Giustiniani. Além dessas criações, o professor da UFCSPA salienta que muitos outros estudos e esboços de Michelangelo destacam esse detalhe anatômico, configurando uma característica distintiva das obras do artista.

De Campos afirma que a presença dessa veia permite distinguir o original do século XVI de cópias do século XIX, que possuem superfícies lisas e polidas. “O amplo estudo da anatomia por parte de Michelangelo é bem documentado, e tais características atestam seu profundo conhecimento dos sistemas muscular e vascular”, enfatiza.

O estudo dos aspectos anatômicos foi acompanhado de uma ampla pesquisa documental e histórica em arquivos, conduzida por Valentina ao longo de dez anos, para reconstruir a trajetória da obra. A estudiosa localizou, por exemplo, menção à autoria de Michelangelo no guia Il Mercurio Errante, de Pietro Rossini, datado de 1693, assim como a confirmação do material utilizado - mármore - em uma edição de 1715 do mesmo guia. Segundo a pesquisadora, as evidências descartam teorias anteriores de que a obra seria dos séculos XVIII ou XIX.

A colaboração entre Valentina e De Campos resultou em uma publicação na revista científica Ethics, Medicine and Public Health. “Nestes dez anos de pesquisa, mergulhei como em um poço; é preciso descer em profundidade para rastrear as fontes mais antigas e confiáveis. É preciso tempo e paciência, mas os resultados têm a solidez da pedra”, declara a pesquisadora de Roma.

Além do periódico científico, a descoberta também repercutiu em matérias transmitidas por emissoras italianas, como a TV Rai. Clique aqui para assistir (minuto 29:56).