Resultados mostram que cerca de 608 milhões de mulheres com 15 anos ou mais já foram expostas à violência por parceiro íntimo, e mais de um bilhão sofreram violência sexual na infância

A mestranda Aliscia Vieira, do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da Informação e Gestão em Saúde (PPG TIGSaúde) da UFCSPA, é uma das autoras de um artigo publicado recentemente na revista científica The Lancet que aborda os impactos globais da violência por parceiro íntimo contra mulheres e da violência sexual na infância.

O estudo integra o Global Burden of Disease Study 2023 e foi desenvolvido por um grupo internacional de pesquisadores da Universidade de Washington. O objetivo foi gerar estimativas robustas e comparáveis, em escala global, sobre a exposição a essas formas de violência e a carga de doença associada a elas, considerando dados por país, sexo e faixa etária entre 1990 e 2023.

A metodologia consistiu em uma análise sistemática com dados de 204 países e territórios. Foram estimadas a prevalência da exposição à violência por parceiro íntimo, como agressões físicas, sexuais ou psicológicas dentro de relacionamentos, e à violência sexual na infância. Em seguida, os pesquisadores calcularam a carga de doença atribuível a essas violências por meio dos DALYs (medida que soma os anos de vida perdidos por morte precoce e os anos vividos com incapacidade). O processo envolveu revisão sistemática de evidências sobre os desfechos em saúde relacionados às violências, modelagem estatística da prevalência, estimativas de risco relativo e cálculo de frações atribuíveis populacionais.

Os resultados mostram que cerca de 608 milhões de mulheres com 15 anos ou mais já foram expostas à violência por parceiro íntimo, e mais de um bilhão sofreram violência sexual na infância. Esses dados resultaram, respectivamente, em 18,5 milhões e 32,2 milhões de DALYs. Entre mulheres de 15 a 49 anos, essas violências estão entre os principais fatores de risco globais para perda de saúde.

Grande parte do impacto se manifesta em forma de transtornos mentais. No caso da violência por parceiro íntimo, os principais desfechos estão associados à ansiedade e à depressão. Já a violência sexual na infância apresenta forte relação com autoagressão e transtornos mentais graves, além de outras consequências à saúde ao longo da vida.

A publicação reforça que essas violências não são apenas problemas sociais ou de segurança, mas fatores de risco relevantes para a saúde pública, exigindo ações de prevenção, proteção e cuidado integral às pessoas afetadas.

A íntegra do artigo está disponível em: https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(25)02503-6/fulltext