Viagem do professor Alessandro Pasqualotto para ministrar aulas em universidades norte-americanas é fruto da parceria global de combate à doença

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) está à frente do maior estudo global sobre a histoplasmose, doença fúngica que ameaça principalmente pessoas com baixa imunidade. O professor de Infectologia Alessandro Pasqualotto, coordenador do projeto, embarcou em agosto para um período de dois meses nos Estados Unidos, onde participará de encontros acadêmicos sobre temas como farmaeconomia, estudos clínicos e estatística nas Universidades de Indiana, Kansas, Minnesota e Duke.
A histoplasmose, presente em fezes de aves e morcegos, causa graves complicações, sobretudo em pessoas com HIV, transplantados ou usuários de medicamentos imunossupressores. “Nessas pessoas, o fungo entra pelo pulmão, se espalha por todo o corpo e é bastante fatal”, explica Pasqualotto.
A rede mundial de pesquisa sobre histoplasmose, sediada na UFCSPA, reúne colaboradores dos Estados Unidos, incluindo instituições como o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), e conta com participação ativa em projetos financiados internacionalmente. “Nosso grupo tem estabelecido há mais de dez anos parcerias com o CDC, com o fornecimento de testes para histoplasmose que permitem o diagnóstico no mesmo dia dessa doença”, contextualiza o professor.
Graças a essa parceria, foi possível introduzir testes diagnósticos até então indisponíveis no Brasil: “O diagnóstico da histoplasmose é um dos principais desafios, já que o fungo demora a aparecer em exames convencionais, exigindo métodos invasivos que podem atrasar o início do tratamento”. Assim, a ampliação da rede permitiu mapear a doença no Brasil e publicar achados em revistas de destaque.
Na atualidade, a UFCSPA lidera o maior ensaio clínico do mundo sobre a doença, com a participação de hospitais de norte a sul do Brasil. “Hoje a gente faz um estudo de fase 3 em histoplasmose, o maior do mundo. A UFCSPA é o centro, com o recrutamento de 16 hospitais do Brasil, e acabamos de pedir a entrada de mais 12 hospitais. É uma grande rede brasileira que está servindo de plataforma para novos estudos nessa área”, destaca.
Entre as inovações propostas pelo grupo, está uma modalidade de tratamento que utiliza quatro vezes menos droga - uma solução mais econômica e menos tóxica para pacientes. Segundo o docente, o trabalho chama a atenção de entidades como a Organização Mundial da Saúde, que aguarda os resultados para uma possível atualização de diretrizes globais no tratamento da histoplasmose.





