Pesquisa de ciência básica coordenada pela docente Monique Deon envolve professores da UFCSPA e UFRGS
O projeto “Quais características de uma nanopartícula inorgânica controlam a profundidade com que ela pode penetrar na pele?”, coordenado pela professora da UFCSPA Monique Deon, foi contemplado na 8ª Chamada Pública do Instituto Serrapilheira. Realizado no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Biociências, o trabalho receberá um investimento de R$ 250 mil para a realização de ensaios, análises computacionais e preparo das partículas, além de apoiar estudantes de pós-graduação.
A professora explica que as nanopartículas são estruturas extremamente pequenas e, especialmente as de natureza inorgânica, apresentam propriedades únicas que têm permitido avanços em áreas como terapias e diagnósticos. “Este projeto, desenvolvido na área de Química, se insere no campo da ciência básica e busca compreender, de forma mais profunda, como determinadas partículas interagem com a pele”, detalha.
A importância de entender até onde essas partículas penetram no corpo, detalha a professora, reside no fato de que a pele não é apenas uma barreira física, mas possui uma composição química complexa, organizada em diferentes camadas: “Entender até que ponto essa nanopartícula pode penetrar, e por quê, é fundamental para aprofundar o conhecimento sobre os mecanismos que regem essa interação”. Monique aponta que esse conhecimento pode, no futuro, não apenas apoiar avanços em diferentes áreas, como nanomedicina, mas também contribuir para estratégias de avaliação e segurança de diferentes nanomateriais que entram em contato com a pele.
Um dos objetivos da pesquisa é entender o que faz com que uma determinada nanopartícula permaneça na superfície da pele ou avance para camadas mais internas, fornecendo dados confiáveis que apoiem tanto a inovação quanto a segurança dos pacientes. “O comportamento dessas partículas depende de muitos fatores, como sua composição, superfície, tamanho e forma”, detalha a pesquisadora.
Em relação à aplicação dos recursos, a professora salienta que os valores serão direcionados ao preparo de nanopartículas inorgânicas de interesse e aos ensaios em modelos estabelecidos de avaliação em pele, que requerem um conjunto de técnicas de caracterização, tanto experimentais quanto computacionais, para um estudo integral dos sistemas.
A equipe envolvida no projeto ainda conta com os professores Tiago Espinosa de Oliveira e Henrique Trombini (UFCSPA) e Karina Paese (UFRGS). O projeto será desenvolvido no Grupo de Pesquisa em NanoBio Interfaces da UFCSPA, que atua no desenvolvimento de nanomateriais voltados à interface com sistemas biológicos. “Esse conhecimento amplia as bases científicas sobre nanomateriais que já fazem parte da inovação tecnológica atual e pavimenta o caminho para o desenvolvimento de novos”, projeta Monique.





