Com atuação junto à sua comunidade interna e à população de Porto Alegre, a Federal da Saúde prestou diversos serviços e hoje contribui para a produção de conhecimento sobre as emergências climáticas

Há exatamente um ano, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) emitia um primeiro comunicado à sua comunidade sobre a ocorrência de fortes chuvas na região metropolitana e as providências internas. Dali em diante, pelas semanas que se seguiram em maio de 2024, o Rio Grande do Sul viveu situações extremas, registradas como as mais intensas do país por diversos órgãos, como o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).
Maio de 2025 marca, portanto, um ano da emergência climática que afetou diretamente 476 municípios. Com mais de 2,3 milhões de pessoas impactadas e 172 mortes registradas. As enchentes exigiram respostas imediatas e duradouras do poder público e da sociedade civil. Desde os primeiros dias, a UFCSPA se mobilizou com apoio humanitário, assistência em saúde, prestação de informações confiáveis e iniciativas científicas voltadas à reconstrução das áreas atingidas.
"Lembrar de nossa atuação é reviver nosso papel ativo no cuidado à saúde da população, e foi isso que a nossa universidade fez durante as enchentes. Com o Grupo de Enfrentamento a Emergências Climáticas nós agimos rapidamente, mobilizando toda a comunidade acadêmica. Este é um momento de expressar nossa gratidão e reconhecimento a quem pôde atuar naquele momento e reafirmar nosso compromisso social", destaca a reitora Jenifer Saffi.

A instituição organizou, em abril de 2024, o Grupo de Enfrentamento a Emergências Climáticas, que centralizou ações como atendimento em abrigos, mutirões de limpeza, distribuição de medicamentos, apoio psicológico e arrecadação de doações. A comunidade interna da UFCSPA, fortemente atingida, também foi acompanhada por voluntários e pela gestão da universidade junto a parceiros, como a FundMed, no Recomeça UFCSPA.
A coordenadora da Assessoria de Ação Social e Mediação da UFCSPA, professora Alice Zelmanowicz lembra que "desde o início das notícias de que ocorria um evento climático extraordinário e com necessidade de recursos humanos excepcionais para o enfrentamento do que viria, a Reitoria da UFCSPA se colocou à disposição da Secretaria de Saúde do Município de Porto Alegre para, sob sua coordenação, oferecer os recursos que estivessem ao alcance da universidade naquele momento para se somar ao atendimento às
demandas que apareceriam".
Voluntários atuaram nos abrigos da Sogipa, Paróquia São Martinho e Foro do Partenon, com foco especial em mulheres e crianças. O abrigo foi considerado modelo pela Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre (SMS) por integrar atendimento médico, com atividades de recreação, acolhimento psicológico, entre outros.

Os cursos de Gastronomia, Nutrição e Tecnologia em Alimentos se uniram para produzir pães para abrigos e voluntários. Em Eldorado do Sul, a farmácia básica foi reestruturada com ajuda de estudantes e docentes da UFCSPA.

A articulação entre acolhimento, comunicação pública e ciência aplicada marcou a presença da UFCSPA no maior desastre ambiental da história recente do estado. Hoje, um ano depois, a instituição segue envolvida nos esforços de reconstrução e na produção de conhecimento para prevenir e mitigar novos eventos extremos.
"As enchentes trouxeram muito sofrimento, mas também muita solidariedade. Talvez o mais importante - e urgente - seja avançarmos de uma cultura de reação para uma cultura de prevenção", aconselha a ex-reitora Lucia Campos Pellanda, que coordenava a universidade durante o período das enchentes.

Confira as ações realizadas pela UFCSPA:
- Atendimento médico, de enfermagem, psicológico, farmacêutico, nutricional e recreativo em três abrigos: Sogipa, Paróquia São Martinho e Foro do Partenon
- Organização e manutenção da farmácia básica de Eldorado do Sul
- Criação da Central do Voluntariado para triagem e distribuição de doações
- Produção de pães e alimentos no projeto UFCSPão, com distribuição em abrigos
- Arrecadação de recursos via FundMed para compra de suprimentos
- Desenvolvimento do site “TamoJuntoRS” para gestão de medicamentos em abrigos
- Atendimentos psicoterapêuticos e assistência emergencial com o programa “Recomeça UFCSPA”
- Mutirões de limpeza e recuperação de moradias
- Apoio logístico à recepção de doações de universidades como UNESC, UDESC e UFERSA
- Participação no desafio ReMakeRS para criação de mobiliário de baixo custo
- Voluntariado em comunidades periféricas e quilombolas de Porto Alegre (Projeto PretoPod)
- Parcerias com SMS/POA, UFMG, UFRGS e outras instituições para ações coordenadas
Confira aqui o vídeo com as ações realizadas pela UFCSPA nas enchentes:
Um ano depois
Em 2025, dados da Defesa Civil do RS indicam que ainda há cerca de 8 mil pessoas vivendo em abrigos ou moradias temporárias em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e outras cidades da região metropolitana. O Governo do Estado relata que mais de 20 mil unidades habitacionais foram danificadas ou destruídas, e parte significativa da infraestrutura urbana segue em reconstrução. As obras de reassentamento e drenagem urbana ainda avançam lentamente em áreas como o Vale do Taquari e a bacia do Guaíba, segundo boletins do Plano Rio Grande.
No campo científico, dois projetos da UFCSPA foram aprovados no edital FAPERGS 06/2024, com foco em soluções sustentáveis. Um deles, liderado pela professora Elizandra Braganhol, trabalha com biotecnologia e economia sustentável na reconstrução. O outro, conduzido pelo professor Josias Merib, estuda poluentes em áreas alagadas, com uso de manufatura aditiva para monitoramento ambiental. Na próxima semana, falaremos com mais detalhes sobre os projetos.
A universidade também participou da organização do seminário “A Ciência no Enfrentamento ao Desastre de 2024 no RS”, realizado com o governo estadual e outras instituições de ensino. A professora Lucia Pellanda apresentou reflexões sobre os impactos sociais do desastre e o papel da saúde coletiva em contextos de crise climática.





