Pesquisa relacionada ao desenvolvimento de novos antibióticos receberá cerca de 800 mil reais do órgão de fomento

Imagem da simulação do periplasma (região externa) de uma bactéria Gram-negativa. As GPOs estão representadas em esferas coloridas (azul, branco, vermelho).

Um projeto desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Biociências da UFCSPA, intitulado "Glicanas Periplasmáticas Osmorreguladas (GPOs): compreensão de suas bases moleculares para o desenvolvimento de novos antibacterianos", é uma das iniciativas selecionadas no Programa Conhecimento Brasil do CNPq e irá receber 795 mil reais para despesas de custeio, consumo e bolsas nos próximos quatro anos.

Desenvolvido pelo pós-doutor Conrado Pedebos, sob orientação do professor Rodrigo Ligabue Braun, o projeto tem potencial para contribuir ao enfrentamento das superbactérias, problema de saúde global causado pelo uso indiscriminado de antibióticos na saúde humana e pecuária. "As GPOs possuem um papel na resposta de bactérias a variações nas condições do ambiente. Foi observado nessas pesquisas que essas moléculas 'sequestram' antibióticos, sendo uma camada adicional de resistência bacteriana", explica o docente.

Desta forma, acrescenta Rodrigo, a compreensão fisiológica das GPOs representa um "passo fundamental" para modular sua atuação. Um exemplo de aplicação em potencial é o desenvolvimento de fármacos que atuam sobre essas moléculas, afetando a capacidade de bactérias em responder a condições adversas ou impedindo que elas atuem sobre outros antibióticos já existentes. "Um medicamento focado em GPOs poderia ser usado sozinho ou em conjunto com antibióticos já existentes, amplificando seu efeito", projeta.

O reconhecimento do CNPq ao projeto é visto pelo professor como uma resposta ao fenômeno da "fuga de cérebros". "A iniciativa estimula grandes pesquisadores a aprimorar a pesquisa científica no país, após um período no exterior", explica. É o caso de Conrado, que traz a experiência em diferentes institutos de pesquisa do Reino Unido para o Laboratório de Modelagem Molecular Aplicada à Saúde Única da UFCSPA.

"São anos de bagagem em centros de referência em computação de alto desempenho e simulação em larga escala da fisiologia de microrganismos, permitindo a formação de recursos humanos locais nos mesmos níveis encontrados no exterior", reconhece Rodrigo.

Foto: Rodrigo Braun