José Francisco Bernardes Milanez, abriu as atividades do turno da tarde desta quarta-feira, 18

A conferência "Alimentos em transformação: diferentes caminhos e suas consequências", do professor José Francisco Bernardes Milanez, abriu as atividades do turno da tarde desta quarta-feira, 18. O diretor da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) abordou a relação entre a toxicidade dos alimentos e a qualidade de vida na contemporaneidade. A mediação foi realizada pela professora Daniela Cardoso Tietzman.

Conforme Milanez, os principais problemas enfrentados atualmente para alimentação no Brasil são o abuso do uso de agrotóxicos e a expansão do consumo de ultraprocessados. Enquanto os defensivos agrícolas contaminam solo, água e insumos com metais pesados e outros produtos químicos, os ultraprocessados atuam junto à dopamina, estimulando sensações de satisfação e recompensa, mesmo sendo alimentos de baixíssima qualidade e valor nutricional. "Abstrair é, para mim, a essência do pensar e a capacidade de abstração está sendo bastante prejudicada pelos alimentos que estão sendo ingeridos hoje", alertou.

O diretor da Agapan defendeu que a comunidade científica volte a teorizar e pare de aplicar formulações prontas de pesquisas realizadas no exterior e que não se aplicam à realidade brasileira. Como exemplo ele falou de marcadores de biodiversidade de espécies da Europa, que são incapazes de englobar a enorme diversidade existente nos biomas brasileiros. Ele também acredita que a ciência deve passar a enxergar o ser humano como um todo, analisando aspectos físicos, racionais, emocionais e transcedentais. 

Milanez lembrou que a alimentação humana no contemporâneo é baseada em seis tipos de grãos, que são explorados internacionalmente por duas ou três grandes multinacionais que controlam o mercado mundialmente. Estas empresas transformam alimentos em commodities e gerenciam uma alimentação baseada no consumo de ultraprocessados de baixa qualidade, vendidos a altos preços para a população. "A lógica da indústria é quanto pior, melhor", afirmou.

O ambientalista encerrou a palestra defendendo que a população atente e divulgue a alimentação orgânica e natural. Que cuide também a água que consome, para que não esteja contaminada com metais pesados oriundos dos agrotóxicos aplicados nas plantações. 

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