Encarregado pelas Relações Internacionais da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Rui Vicente Oppermann proferiu palestra durante o VI Seminário de Internacionalização da UFCSPA
A redução das assimetrias da pós-graduação brasileira, tanto em nível regional como internacional, foi um dos principais focos da fala do professor Rui Vicente Oppermann durante o VI Seminário de Internacionalização da UFCSPA ocorrido na manhã desta terça-feira, 17 de outubro. Ex-reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) no período 2016-2020 e atual diretor de Relações Internacionais da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Oppermann proferiu no palco do Teatro Moacyr Scliar palestra sobre o tema "Internacionalização como política de pós-graduação". A apresentação, acompanhada por alunos e docentes da universidade, foi mediada pela vice-reitora e coordenadora do Escritório de Internacionalização, Jenifer Saffi.
Em nível nacional, apontou o professor, a Capes vem enfrentando o desafio de atacar as desigualdades regionais da oferta e acesso aos programas de pós-graduação (PPGs). De acordo com os números trazidos pelo diretor, atualmente, os PPGs ofertados pelas instituições de ensino superior brasileiras estão concentrados nas regiões Sul e Sudeste, somando cerca de 2.900 programas, enquanto a menor parte dos cursos de mestrado e doutorado estão localizados nas regiões Nordeste (846), Norte (289) e Centro-Oeste (396). "Este é um desafio em um cenário de crise climática e da busca pela sustentabilidade, já que esses problemas estão concentrados especialmente no Cerrado e Amazônia, exigindo da pós-graduação brasileira a formação qualificada de recursos humanos para enfrentá-los", salientou Oppermann. Ele reforçou a importância de contemplar essas áreas estratégicas com uma perspectiva em rede visando aos objetivos de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).
Na sua fala, o ex-reitor da UFRGS também enfatizou o trabalho para reconstruir diversas iniciativas da Capes, como a recuperação do número e do valor de bolsas de mestrado e doutorado, mas também levantou preocupações em relação ao bloqueio de recursos à pós-graduação previsto no Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2024. "Espero que essa perspectiva seja atenuada com o aumento de receitas, liberando verbas para áreas estratégicas como a educação. Educação não é gasto, mas investimento", alertou. Ainda no âmbito interno, Opperman colocou como desafios à pós-graduação brasileira as desigualdades raciais e de gênero nas seleções para ingresso nos PPGs, o alto índice de evasão em determinadas áreas de formação, a demora para a formação de doutores que tem como resultado o comprometimento de empregabilidade, além da baixa aderência de profissionais com alta qualificação pelo setor produtivo nacional.
Direcionando o foco para o contexto internacional, o diretor também colocou as assimetrias como problemas a serem atacados pela Capes. "(Até então) ficamos de costas para a América Latina, a África e a Ásia. Nosso primeiro ato na gestão foi reatar parcerias com países em uma perspectiva Sul-Sul, reativando programas consolidados como o PEC-G e o PEC-PG", pontuou. Além de estimular o envio de acadêmicos ao exterior, acrescentou Oppermann, o Brasil também precisa promover a internacionalização em casa: "Se queremos nos colocar como um país parceiro, precisamos receber mais pesquisadores do exterior. Esta é uma batalha da Capes. Nosso sistema de pós-graduação é robusto o suficiente para receber nossos vizinhos latinos, caribenhos, africanos e asiáticos". Além da mobilidade física, ele também enfatizou a importância da cooperação internacional nas pesquisas científicas, visto que atualmente apenas uma minoria de artigos publicados conta com parcerias do exterior.
Outro ponto levantado durante a palestra foi a necessidade do estímulo à formação em "diplomacia científica" pelos pesquisadores brasileiros. Oppermann defendeu a criação de programas de pós-graduação com foco na temática: "A pós-graduação tem um papel estratégico nos esforços diplomáticos do país. Se queremos um Brasil protagonista, precisamos que esse protagonismo não seja sustentado sobre nossas belezas naturais ou nossas commodities, mas embasado no conhecimento científico e acadêmico, produzido principalmente pelas nossas universidades", defendeu.
Ao final da palestra, o representante da Capes apresentou as principais ações previstas para a internacionalização da pós-graduação brasileira no período 2023-2026. Entre as novidades está a criação de um novo programa internacional, que supera o antigo Programa Institucional de Internacionalização (Print), a ser implementado em breve com foco em redes de cooperação entre instituições nacionais e estrangeiras.





