Evento teve participação de professoras do Centro de Treinamento Innopeda 

Como parte da série de atividades que acontece nessa semana na universidade, o Teatro Moacyr Scliar recebeu nessa quinta-feira, 25, o I Colóquio em Ensino e Inovação Pedagógica em Saúde. O evento, aberto à comunidade, teve sua parte inicial conduzida pelas professoras Susanna Saari e Katja Heikkinen, da Turku University of Applied Sciences (TUAS), da Finlândia, e mediação da vice-reitora da UFCSPA Jenifer Saffi. 

Susanna Saari é diretora do Centro de Treinamento Innopeda que assessora o Programa de Formação em Pedagogia da Inovação da UFCSPA. A docente apresentou a TUAS, inovadora e multidisciplinar instituição de educação superior, e o Programa de Inovação Pedagógica Innopeda, desenvolvido na mesma universidade e baseado em extensa e contínua pesquisa. Susanna resgatou o histórico do desenvolvimento do programa e compartilhou um resumo de linha do tempo que se forma quando há a abertura à mudanças que visam a educação inovadora: a partir de pesquisa e revisão de pilares do aprendizado é que se constitui o processo que leva a resultados mais satisfatórios e de mais sucesso na vida e no trabalho. 

Katja Heikkinen falou logo após Susanna. A professora e enfermeira ressalta que falar sobre futuro da educação em saúde também é falar sobre mudanças em serviços em saúde, e que nesse processo o estudante deve ocupar um espaço central e contar com recursos que estimulem e mantenham sua participação. “Nós temos que dar suporte aos estudantes desde o início dos seus estudos”, ela comenta. Katja também expôs desafios e oportunidades. Pesquisas indicam que um aumento importante da população com 65 anos ou mais até 2070, o que aponta para a necessidade de pesquisas direcionadas e preparação para o cuidado desse público. A renovação contínua pela qual a educação e os serviços em saúde precisam passar deve acompanhar e aplicar novas tecnologias – e é isso que mostram algumas projeções para os próximos 25 anos em todas as regiões do mundo. 

Jenifer Saffi, antes de encerrar a primeira parte do colóquio, lembrou que Brasil e Finlândia têm suas diferenças não só em tamanho, como também sociais e culturais, porém compartilham similaridades e o trabalho que a UFCSPA e o Centro de Treinamento Innopeda fazem em conjunto é customizar as propostas de inovação ao nosso contexto. Susanna completa e reforça o protagonismo dos discentes na aplicação do programa: “Sempre escutamos os jovens estudantes porque são as novas gerações as mais interessadas em mudanças”. 

Na segunda metade do evento, a Pró-Reitora de Graduação Márcia Rosa da Costa abordou os passos da construção do Plano da Inovação Pedagógica 2023-2026, que tem como alguns dos principais eixos de ação a Extensão no currículo, a educação para a cidadania global e os processos de trabalho dos servidores. O Plano IP deve ser validado pela comunidade acadêmica e pelos Conselhos Superiores e após nova redação do PPI (Projeto Pedagógico Institucional), a UFCSPA passa a concretizar ações. Essa será assessorada por um Núcleo de Inovação Pedagógica, a ser criado, que terá o apoio de comitês em áreas aplicadas. 

O I Colóquio em Ensino e Inovação Pedagógica em Saúde encerrou com a apresentação de três experiências de ensino inovadoras na UFCSPA. No primeiro relato, as professoras Simone Amaral e Gisele Introini expuseram os projetos desenvolvidos no  Laboratório de Inovação, Prototipagem, Educação Criativa e Inclusiva (Lipecin), que trabalham diferentes formas de pensar, de trabalho e de viver o mundo. São projetos que criam e testam protótipos de novos materiais e ferramentas para trabalho e ensino. 

Na sequência, a professora de psicologia Joana Narvaez falou sobre suas vivências em sala de aula com a utilização de Jogos da Moral como pontos de partida para importantes discussões na área. Esses jogos são cenários extremados de dilemas que visam problematizar preceitos sociais subjacentes às tomadas de decisão éticas e de valoração da vida. Joana também compartilhou sobre o aproveitamento de Role Play Tribunal como ferramenta de avaliação protagonista. Esse recurso consiste numa dinâmica de tribunal em sala de aula, de um caso de dilema ético-profissional. 

O terceiro relato de iniciativa inovadora foi da professora de Biofísica Gisele Branchini, que explicou como conduz a disciplina eletiva Biofísica Aplicada: Resolução de problemas em Escape Room. Escape Room é uma metodologia ativa que une storytelling, desafios e cenários de prática num ambiente interativo entre pares, que coloca o aluno numa experiência gamificada enquanto o professor tem sua participação na escuta ativa. Esse modelo, que trabalha a discussão de problemas para um aprendizado construído em conjunto e desenvolve competências complexas, é uma interessante ferramenta para diversificação avaliativa.