
O webinário “Por uma universidade antirracista” promoveu uma discussão fundamental na UFCSPA, na noite de quarta-feira, 3. Para debater o tema “Se o novembro é negro, o resto do ano é branco? Pensando os privilégios da branquitude” participaram duas especialistas: a professora da Faculdade de Educação da UFRGS Gladis Kaercher e a psicóloga, formada pela UFCSPA e mestranda em Psicologia Social (UFRGS), Roberta Gomes. O evento está disponível no YouTube da UFCSPA.
A professora Gladis destacou que os 365 dias do ano são brancos e que a branquitude vive uma cidadania que é negada para as pessoas negras. Neste sentido, apresenta como tema de casa, para a branquitude, o enfrentamento do racismo que se perpetua. “O sujeito branco não pode mais ignorar nem a existência do racismo por ele praticado, nem os efeitos que este racismo produz. É preciso educar para o desconforto. Brancos não podem mais dormir tranquilamente achando que sua piada no churrasco, que sua onipresença no restaurante caro, que sua onipresença na chefia dos departamentos da universidade seja um concessão divina por superioridade”.
Roberta questionou a ideia de racialização, carimbada exclusivamente em negros e índios. “Por mais que as pessoas brancas pensem que elas não são racializadas da mesma forma que as pessoas negras e indígenas, elas são sim. Com a diferença que a racialização de vocês serve para manter os privilégios e não para segregar, oprimir e matar”, afirmou.
A psicóloga acrescenta que branquitude é uma identidade racial que vai ocupar determinado lugar social e que por sua vez vai carregar privilégios simbólicos como a representatividade em espaços midiáticos e a liberdade de ir e vir, além de atribuições positivas como ser inteligente e bonito.
Salienta ainda, que isto não é um fato recente, foi constituído há muito tempo, mas mesmo no período da “pseudoabolição”, já havia um criminoso e um não criminoso antes do crime. O criminoso era o preto e o não criminoso o branco. E estes fatos se repetem na atualidade.
Outro tema abordado é a necessidade de inclusão das relações étcnico-raciais nos currículos das universidades, fundamentalmente nas da área da saúde, além da utilização de obras africanas e não européias nas disciplinas. Roberta, como ex-aluna da UFCSPA, lembra que foi a segunda aluna negra formada no curso de Psicologia e que estes temas não foram abordados em sua graduação.
Assista no YouTube da UFCSPA esta e as próximas edições que ocorrerão nos dias 10, 16 e 23 de novembro. Ainda dá tempo de se inscrever no SIUR para receber o certificado.





