Publicação ocorreu em revista do grupo Lancet.

Nesta quinta-feira, 12, foi publicado pela revista  The Lancet Health - Americas, um artigo de autoria do egresso do doutorado da UFCSPA Diego R. Falci, da doutoranda Daiane F. Dalla Lana e do professor Alessandro Pasqualotto. A revista faz parte do grupo Lancet e tem foco em problemas de saúde pública, especificamente no continente americano.

A publicação segue o formato de point of view paper, ou artigo de opinião de especialistas, abordando a histoplasmose, doença causada por um fungo e que muito acomete o continente americano. O problema é muito presente na América Central e do Sul, contrariando a antiga crença de que a doença era encontrada em maior quantidade, apenas, nos Estados Unidos.

No Brasil a histoplasmose é uma doença endêmica e embora demande muitos cuidados tem sido negligenciada pelas autoridades sanitárias. A publicação discorre sobre o cenário brasileiro, onde pouco é conhecido sobre a ocorrência dessa enfermidade e inclusive faltam testes para diagnóstico apropriado. Mesmo com registro na Anvisa, o sistema público brasileiro não dá acesso aos medicamentos para tratar a enfermidade.

A crítica do artigo é sobre a falta de recursos destinados ao teste, diagnóstico e medicação para os pacientes. "O Programa Brasileiro de Aids é referência mundial fornecendo, gratuitamente, o tratamento antirretroviral para quem tem HIV, no entanto, a doença que mais mata as pessoas soropositivas é, justamente, a histoplasmose", explica o professor Alessandro Pasqualotto. Ele completa explicando que há uma compreensão de que o problema deve ficar associado ao programa de micoses do Governo Federal, porém esse programa não fornece remédios para pessoas com AIDS, porque entende que essa situação deve ser acompanhada dentro do Programa Brasileiro de Aids. "A doença não está no foco de nenhuma agência governamental e continua sendo negligenciada diante da sociedade”, acrescenta.

Os autores apresentam dados de estudos brasileiros que mostram os percentuais de pessoas soropositivas internadas com histoplasmose em algumas cidades do Brasil. No Rio Grande do Sul e São Paulo a quantidade é menos de 10%, em Minas Gerias chega a até 5%, já no Ceará, Rio Grande do Norte e Goiás, mais de 40% de todos os indivíduos com AIDS, apresentando febre no hospital, estão com histoplasmose, o que mostra a relevância da doença e o quanto ela não tem recebido a devida importância..

O artigo se propõe abordar o tema para chamar atenção da comunidade e daqueles que tomam as decisões no sistema de saúde, para que prestem atenção na doença, destinando recursos para resolver o problema. Nos Estados Unidos o diagnóstico é obtido em dois dias, devido aos recursos alocados para a causa. No Brasil são cerca de três semanas para o paciente receber o diagnóstico. “Tem que esperar o fungo crescer num exame de cultivo e nos Estados Unidos eles possuem um exame mais rápido para fazer diagnóstico. Teste esse, que já está no Brasil, mas não foi incorporado no sistema de saúde", revela o professor Pasqualotto. Também existe uma opção de medicamento menos tóxico para os pacientes de histoplasmose com AIDS, porém não é empregado devido ao custo mais alto, fazendo as pessoas usarem um medicamento mais tóxico, que pode resultar na necessidade de diálise ou até levar o indivíduo a óbito.  

A íntegra do artigo pode ser conferida neste link.