Crédito da foto de destaque: Marco Favero / Agência RBS

Um estudo desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Biociências, iniciado no mês de setembro em Capão da Canoa (RS), pretende levantar respostas a respeito das diferentes reações dos pacientes à Covid-19. O projeto, intitulado "Comparação entre as abordagens diagnósticas de RT-PCR e teste sorológico rápido de pacientes com suspeita de covid-19: Influência de variantes genéticas no diagnóstico, duração da resposta sorológica e desfechos clínicos da doença", visa a acompanhar 500 indivíduos submetidos ao teste RT-PCR na unidade de isolamento localizada no município do litoral norte gaúcho.

"Vemos os pacientes responderem de formas muito diversas a esta infecção, alguns evoluindo muito bem e outros muito mal. Embora parte desta diversidade se deva à condição adjacente de saúde-doença do indivíduo, como a existência de comodidades e idade avançada, esta condição não consegue explicar toda a variação apresentada no quadro dos pacientes", explica a autora do estudo, a mestranda Giulia Souza da Costa. "Também vemos indivíduos que dividem o mesmo ambiente de modo muito intenso, por vezes, não contaminarem um ao outro. Acreditamos que parte das explicações a estas situações possam estar na genética dos indivíduos, por isso elaboramos o estudo", complementa.

A acadêmica também detalha que o projeto visa a comparar os resultados do RT-PCR com os testes rápidos. "Embora o teste molecular de RT-PCR seja o padrão ouro para o diagnóstico, vemos os testes rápidos sendo usados amplamente fora da assistência, por serem mais práticos e mais baratos. Entretanto não temos respaldo científico para sua aplicação no diagnóstico, principalmente no sentido de conter a propagação do vírus, já que ele detecta estágios mais tardios da contaminação. Quando um indivíduo testa positivo, ele já pode ter contaminado muita gente. Então também queríamos ver a relação destes testes com os resultados da PCR", detalha.

Desenvolvido sob a orientação da professora da UFCSPA, Júlia Pasqualini Genro, o trabalho foi viabilizado com o apoio da instituição. “Mesmo em um cenário desfavorável em nível nacional, a universidade lançou editais de fomento interno para os quais projetos como o nosso puderam concorrer. Este tipo de investimento oferece perspectivas e impulsiona a busca de respostas neste momento crítico em que vivemos”, afirma Giulia.