31/07/2021 – Diário Gaúcho
Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2021/07/casas-de-festas-de-porto-alegre-registram-procura-por-eventos-para-os-proximos-meses-ckrmfi4p3003l0193se8o454b.html
“Casas de festas de Porto Alegre registram procura por eventos para os próximos meses
Há estabelecimentos que já estão com a agenda aquecida, mas infectologista pede cautela
Primeiros a terem os estabelecimentos fechados e uns dos últimos a retomarem as atividades por conta da pandemia de coronavírus, os proprietários de casas de festas percebem uma retomada, ainda que tímida, pela procura de agendamento de eventos em Porto Alegre.
Na terça-feira (27), a prefeitura da Capital anunciou um conjunto de medidas para incentivar o setor de eventos, um dos mais prejudicados pela pandemia. A redução do Imposto Sobre Serviços (ISS) de 5% para 2% e a extinção da Taxa de Fiscalização da Localização e do Funcionamento (TFLF) serão protocoladas como projetos de lei na Câmara Municipal. Já a isenção das taxas para eventos sem cobrança de ingressos e redução pela metade para aqueles com venda será implementada via decreto municipal. E o plano de retomada gradual de grandes eventos é uma proposta de alinhamento com o governo estadual, que foi apresentada no dia 14 de julho ao Gabinete de Crise.
Apesar de admitir que há procura por orçamentos, a proprietária da Toy House, no bairro Menino Deus, Rosângela Cardoso, segue a rotina do cancelamento de festas que haviam sido transferidas de 2020 para 2021, a partir do início da pandemia. Só nesta segunda-feira (26), foram três pedidos de devolução do dinheiro. Sem caixa, a empresária tem negociado o parcelamento dos valores.
— Hoje, 90% das festas que haviam sido repassadas para este ano estão sendo reagendadas para o próximo ano ou canceladas. Por exemplo, o cliente comprou a festa em 2019 para fazer em 2020, quando a criança completaria sete anos. Em 2022, a criança já não terá mais interesse e a família ainda não se sente confortável para fazer a festa em 2021 — revela a empresária.
Para retomar o negócio, Rosângela tem apostado em divulgação nas redes sociais. Mas as famílias ainda seguem apenas orçando para festas a partir de outubro e novembro deste ano:
— O mercado ainda está lento. As pessoas estão com vontade de fazer o evento, mas ao mesmo tempo seguem preocupadas neste momento.
Ao contrário de Rosângela, depois de aberturas e fechamentos ao longo do último ano, Bruno Centeno, um dos sócios da Ioiô Casa de Festas Infantis, afirma que o empreendimento voltou a ser procurado por clientes antigos e novos desde a retomada, em maio deste ano.
A Ioiô tem duas unidades, no Moinhos de Vento e no bairro Três Figueiras. Inaugurada no mês passado, a Ioiô Três Figueiras teve sete eventos neste mês e já conta com agendamentos para os próximos meses. Na outra unidade, existente desde 2019, há 14 eventos confirmados para agosto.
— Num único dia é possível fazer até três festas, com duas horas de intervalo entre uma e outra para a realização da higienização, que também é feita durante todo o evento. Temos clientes que haviam reagendado do ano passado para este e novos, que acabam vindo depois de participarem das festas que já estão ocorrendo — conta, entusiasmado.
Parceira de casas de festas da Capital, Ana Eliza Motta Costa, proprietária da Festa Pronta Personalizações e Eventos, que produz e decora eventos infantis, adultos e empresariais, também percebe um reaquecimento no mercado das festas infantis. Para se manter ao longo da pandemia, Ana Eliza precisou se reinventar inúmeras vezes. Com o fechamento das casas, em março do ano passado, ela criou o Festa Pronta Inbox, que consistia em uma minifesta enviada numa caixa para a casa dos consumidores. Em agosto do ano passado, a empresária criou o Festa em Casa, quando oferecia os kits prontos para os eventos familiares. Com a chegada do calor, Ana criou a Festa Piquenique, organizando os eventos em locais abertos, como parques, pátios de casa e praças. Agora, já tem procura pelas festas em áreas fechadas.
— Antes da pandemia, costumávamos decorar até 10 festas num único final de semana. Depois, parou tudo. Agora, já percebo um recomeço. Num único final de semana, decorei quatro festas num mesmo empreendimento — comemora Ana Eliza.
Ainda há empresários que optaram por manter as portas fechadas até a porcentagem de vacinação alcançar números maiores no Estado. É o caso de João Batista Bertagnolli, proprietário da Party Room Espaço de Eventos, no bairro Cascata. Ele aproveitou este momento para reformar o ambiente e prepará-lo para os eventos que já estão sendo orçados.
— Os orçamentos estão entrando para festas nos próximos meses, porque as pessoas acreditam que alcançaremos um maior número de vacinados. Já saímos do momento trágico e é possível enxergar uma luz no final do túnel, a partir de setembro — projeta, esperançoso, o empresário.
Infectologista pede cautela
De acordo com o coordenador da Vigilância em Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter, por enquanto, eventos infantis, sociais e de entretenimento (em bufês, casas de festas, casas de shows, casas noturnas, restaurantes, bares e similares) na Capital devem seguir os protocolos determinados pelo Sistema 3As de Monitoramento, criado pelo governo do Estado.
O médico Alessandro Pasqualotto, chefe do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), pondera que ainda é preciso cautela com festas infantis:
— Peço um pouco de calma à população porque logo chegará o equilíbrio com base na vacinação. Não sei se é o melhor momento para começarmos a ter tamanha abertura. Acho que alguma abertura é necessária, porque a vacinação é crescente e o número de casos de covid-19 tem reduzido. Mas festas infantis significam que estaremos expondo populações não vacinadas, como os menores de idade, a um risco de ter e transmitir covid-19.
Para Pasqualotto, qualquer iniciativa neste sentido tem que ser vista como um experimento social. Ou seja, controlado. Se vai ocorrer a festa, aponta o médico, todos os participantes deveriam ser testados com PCR antes do evento, para detectar a infecção em assintomáticos.
O cenário mais seguro, de acordo com o especialista, seria um encontro social apenas entre vacinados e testados, o que não incluiria crianças. O cenário menos seguro é a reunião de pessoas não testadas e vacinadas. E o cenário sem qualquer segurança é o encontro de pessoas não testadas e não vacinadas, que inclui as festas infantis.
— Teria que se manter um período de vigilância depois destas festas e, de preferência, com testagem após o encontro. É assim num experimento, como tem sido feito em diferentes partes do mundo — justifica.
Dicas para comemorar o aniversário
- Evite reuniões que durem muitas horas.
- Limite o número de pessoas. O risco aumenta quanto maior for a quantidade de convidados.
- Evite compartilhar alimentos em tigelas, onde todos colocam a mão. Use prato único, descartável, para cada convidado.
- Se a festa for em local fechado, mantenha janelas e portas abertas e ar-condicionado desligado.
- Mantenha o distanciamento, evitando beijos e abraços. A troca de aerossóis ocorre a partir de gestos de proximidade, pois uma pessoa pode estar, sem saber, no início da infecção ou assintomática.
- Só retire a máscara quando for ingerir bebidas e alimentos, mantendo o distanciamento das demais pessoas.”
29/07/2021 – Zero Hora
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"Mudanças no intervalo entre doses tem gerado dúvidas
Zero Hora29 Jul 2021
Reforço da Astrazeneca deve ser substituído pelo da Pfizer em grávidas
Na segunda-feira, o secretário executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, anunciou que o intervalo entre as doses da vacina da Pfizer diminuirá de três meses para 21 dias, como estabelece a bula. No Brasil, a pasta estendeu o tempo com a justificativa de que ajudaria a vacinar mais pessoas com a primeira dose em um intervalo de tempo menor.
– Finalmente, iremos seguir o que é preconizado no protocolo original da vacina. A decisão é ainda mais importante do ponto de vista que permite avançar mais rápido para uma imunização completa, o que parece ser muito relevante para um controle adequado, seja da variante Delta, ou mesmo de outras variantes conhecidas – diz Fernando Spilki, coordenador da Rede Corona-ômica BR-MCTI.
Outra alteração ocorreu no âmbito estadual, na semana passada, quando a Secretaria Estadual da Saúde (SES) acatou pedido feito pelo Conselho dos Secretários Municipais da Saúde (Cosems) para que o intervalo de 12 semanas entre a primeira e a segunda dose da Astrazeneca fosse retomado. Uma volta atrás na decisão anunciada no dia 12, quando a SES havia encurtado o intervalo para 10 semanas como ação preventiva frente à suspeita de dois casos da variante Delta, confirmados nesta semana.
Segundo Spilki, independentemente de 10 ou 12 semanas entre as doses de Astrazeneca, os intervalos são próximos, do ponto de vista da resposta imunológica. A variação neste caso, se houver, deve ser muito reduzida.
Spilki ressalta que o vaivém das informações relacionadas às vacinas depende muito mais do conhecimento que vem sendo produzido, da disponibilidade delas e do momento de pandemia que cada localidade está vivendo.
– Como as coisas estão sendo feitas a toque de caixa, muitas das decisões e das condutas são baseadas numa única evidência, e depois vão se construindo outras evidências. E há diversos cenários. Por exemplo, se não há um número expressivo de vacinas, vale a pena espaçar as doses porque se ganha tempo para receber novas doses. Uma estratégia para que não falta vacinas seria a extensão do prazo. Mas, se há um pico no número de casos, tenho que dar a vacina para o maior número de pessoas e que seja a que protege mais rapidamente – destaca Sprinz, do Hospital de Clínicas.
Atenção
Para o médico Alessandro Pasqualotto, chefe do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a população precisa aderir às recomendações, à medida que os estudos vão mostrando a melhor maneira de se imunizar.
– Não há um limitante, mas uma modernização da informação. Cabe à população ficar atenta às recomendações oficiais do Ministério da Saúde, que deve seguir as recomendações científicas – finaliza."
29/07/2021 – Jornal Correio da Bahia
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“Mortes em julho superam o pior mês do ano passado
Correio da Bahia29 Jul 2021
COVID-19 O Brasil registrou, do dia 1º de julho até essa terça-feira (27), 33.660 mortes por covid-19, segundo dados apurados pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias de Saúde do país. Mesmo com queda em relação aos últimos meses, o número já é maior do que o de julho de 2020 – pior mês da pandemia no ano passado –, que teve 32.912 mortes.
Na média móvel, as mortes no país vinham em tendência de queda até o dia 22. Desde o dia 23, entretanto, vêm mostrando estabilidade. O número de mortes visto neste mês é, até agora – considerando apenas os dados parciais –, 39% menor do que o de mortes em junho.
Considerando a comparação com abril - pior mês da pandemia no Brasil -, a queda nas mortes é, até agora, de 59%.
Para a epidemiologista Lucia Pellanda, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a queda nas mortes é um efeito positivo da vacinação – como outros especialistas já haviam apontado no início do mês – mas a reabertura e a retomada de atividades ainda estão sendo feitas antes da hora. mil mortes foram registradas de1ºa27 de julho número maior do que o de julho de 2020 – pior mês da pandemia no ano passado
“Essa parece uma lição muito explícita que o vírus quer nos ensinar e a gente se recusa a aprender – a gente sempre flexibiliza antes da hora. Tanto no Brasil quanto globalmente. O grande risco é que, quando começa a melhorar, a gente começa a liberar tudo antes da hora. Todas as vezes aconteceu isso: cada descenso de pico a gente liberou antes da hora e acabou ficando num patamar alto”, alertou ela no portal G1.
A pesquisadora lembra que, nos países ricos – onde não há falta de vacinas, como no Brasil, e a cobertura vacinal é maior –, o que há agora é uma “epidemia dos não vacinados”. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Centro de Controle de Doenças (CDC) voltou a recomendar o uso de máscaras.
Ela critica o fato de taxas de ocupação de leitos de UTI estarem sendo usadas para medir a situação da pandemia – como os índices estão baixos, há a crença de que há “mais espaço para as pessoas adoecerem”. Com a reabertura neste momento, entretanto, há o risco de surgimento de novas variantes, aponta o epidemiologista Ethel Maciel, da Ufes – e de mais casos, internações e óbitos.”
29/07/2021 – Segs Portal
Link:https://www.segs.com.br/eventos/302272-webinar-discutira-sobre-o-futuro-do-ensino-na-saude
“Webinar discutirá sobre o futuro do Ensino na Saúde
Na próxima sexta-feira, dia 30 de julho, às 17h, a Iniciativa FIS (Fórum Inovação e Saúde) realizará o Webinar O Futuro do Ensino na Saúde – o que a pandemia tem ensinado. A proposta do evento é trazer um debate sobre os caminhos que o ensino no setor irá tomar na pós-pandemia da Covid-19 e quais lições podem ser tiradas para a Educação da Saúde.
A educação remota começou a ser uma tendência desde o ano passado. Ela foi um caminho utilizado para continuar com as aulas que antes eram presenciais e sofrem restrições por conta da pandemia. Para o pesquisador Associado ao Centro de Estudos e Estratégicos da Fiocruz, Luiz Santini, a incorporação de novas tecnologias podem representar um aliado importante no avanço da educação na área de Saúde, mas tendo também sempre uma visão adequada de sua utilização e disponibilidade de recursos.
Para o VP Innovation & Digital Services AFYA, Julio De Angeli, acredita numa tendência em juntar as práticas médicas tanto presenciais quanto um aprendizado mais virtual. “A pandemia mostrou que, cada vez mais, a gente está caminhando para um formato híbrido de ensino. Prática médica acontece, tem que acontecer, mas tendo o aluno a oportunidade de olhar conteúdos online, sendo videoaulas, podcasts, simulados e questões”, concluiu.
O neurocientista e pesquisador do Instituto D’Or, Roberto Lent, disse que a discussão sobre o que será feito no final da pandemia é essencial. Segundo Lent, avaliar as perdas, ganhos e planejar uma saída da crise é importante para dar a “volta por cima”. E segue o mesmo pensamento de Julio De Angeli, que a migração para uma modalidade híbrida pode ser o caminho a ser utilizado daqui para frente. Mas ressalva que o ensino presencial seja composto por competências socioemocionais e humanas. Já a modalidade remota, seria para a aquisição de informações de conteúdo cognitivo.
De acordo com o presidente da Iniciativa FIS,Dr.Josier Vilar, a atual situação mostrou uma necessidade de melhorar o setor e ,ao mesmo tempo, um desafio para o ensino na Saúde. “O maior desafio que a pandemia de Covid-19 nos revelou, foi superar a deficiência de qualificação profissional na saúde brasileira. Então, qualificar profissionais de Saúde para o mundo digital é o maior desafio que o setor exige de todos nós”, enfatizou.
Vale ressaltar que o Webinar será gratuito e contará com a presença da médica e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Lúcia Pellanda, Julio De Angeli, Luiz Santini e Roberto Lent. O mediador será o Dr.Josier Vilar.”
29/07/2021 – Diário Gaúcho
Link: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/07/autorizacao-para-vacinar-adolescentes-permitira-que-85-dos-gauchos-sejam-imunizados-20641205.html
“Autorização para vacinar adolescentes permitirá que 85% dos gaúchos sejam imunizados
Especialistas estimam que cerca de 70% da população com duas doses deve garantir o controle da pandemia
Com o aval conferido pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (27) para vacinar adolescentes contra a covid-19, o Rio Grande do Sul poderá vacinar 85% de toda a sua população. A ampliação do público apto a receber um imunizante deve auxiliar para a conquista da imunidade coletiva, quando entre 70% e 75% da população tiver recebido as duas doses, uma projeção para controlar a pandemia.
A inclusão dos adolescentes e o aval para aplicar a segunda dose da AstraZeneca e da Pfizer em três semanas em vez de três meses são dois esforços do Ministério da Saúde para evitar uma nova onda da pandemia causada pela variante Delta, altamente transmissível. Não há previsão de vacinação no Rio Grande do Sul ainda, segundo o governo do Estado.
Cálculos da Secretaria Estadual da Saúde (SES) apontam que há 862.658 jovens de 12 a 17 anos no Rio Grande do Sul. Descontados os 43.133 com comorbidades que já podem se vacinar em solo gaúcho desde a semana passada, a expectativa é de que 819.525 mil adolescentes sem doenças crônicas estejam aptos a se vacinar no Estado com a liberação do governo federal.
Com a inclusão desse novo grupo, o Rio Grande do Sul amplia a população apta a se vacinar – passando de 8.931.116 para 9.750.641 gaúchos vacináveis. Agora, 85,3% de toda população do Estado está liberada para receber um imunizante no braço
— Mesmo que alguns recusem a vacinação, com mais pessoas se vacinando atingiremos, em algum momento, a imunidade de rebanho. Vacinar uma parcela adicional de pessoas que têm grande contato social é muito importante. Quanto mais rapidamente ampliarmos a cobertura, mais rapidamente controlaremos a epidemia. Estamos nos dirigindo para o fim da epidemia — analisa o médico Alessandro Pasqualotto, chefe da Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
No Brasil, a vacina da Pfizer é a única liberada para aplicação em adolescentes. Mas o cenário pode mudar no futuro: a farmacêutica estuda a aplicação em crianças de cinco a 11 anos. Além disso, estudo feito com a CoronaVac na China mostrou que o imunizante é seguro e eficaz para aplicação em crianças dos três aos 17 anos. A análise foi publicada neste mês no periódico The Lancet Infectious Diseases.
Analistas destacam que adolescentes, apesar de terem menor risco para o coronavírus, podem contribuir para a disseminação viral por conta dos encontros sociais, típicos da idade, e pela presença em sala de aula. Imunizá-los serve, portanto, para bloquear a transmissão da covid-19 entre diferentes "bolhas".
— Apesar de adolescentes apresentarem menos sintomas e risco, teremos essa população imune e com menor chance de serem potenciais transmissores a professores ou familiares. Assim, paramos mais efetivamente a cadeia de transmissão da covid e teremos cada vez mais espaços seguros para retomar nossos hábitos — afirma Cezar Riche, médico infectologista do Hospital Mãe de Deus.
Contatada pela reportagem, a Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul (SES-RS) afirmou que ainda não há previsão para o início da vacinação de adolescentes sem comorbidades.
A pasta também não mencionou se a oferta será dada logo após o fim da aplicação da primeira dose em adultos, estimada para 7 de setembro, ou se haverá intervalo maior em função da necessidade de aplicar a segunda dose em adultos.
Em São Paulo, o governador João Doria, rival de Eduardo Leite nas prévias para concorrer à Presidência pelo PSDB, anunciou que a primeira dose em todos os adultos paulistas será aplicada até 16 de agosto e que a vacinação de adolescentes será em 18 de agosto – antes, os jovens começariam a receber imunizantes em 23 de agosto. A antecipação ocorre porque o Palácio dos Bandeiras comprou 4 milhões de doses da CoronaVac que já chegaram e foram distribuídas para adultos.
Diferentemente de São Paulo, o Rio Grande do Sul começou a vacinar adolescentes com comorbidades desde a semana passada, a despeito de o Ministério da Saúde não ter dado o aval. A liberação do governo federal permite a inclusão, em território gaúcho, de jovens sem doenças crônicas.
— Os adolescentes têm uma tendência, pela idade, a se encontrar e ter maior interação social. Com a abertura das escolas, acabam se aglomerando, apesar das regras rígidas nas aulas. Vacinar adolescentes protege para que haja menos surtos nas escolas. Está provado que adolescentes contaminam mais do que crianças jovens. A variante Delta está entrando no Brasil e tem alto potencial de transmissibilidade. É muito importante que a maior parte da população esteja vacinada. Isso faz uma barreira para evitar um novo pico de doentes — afirma Benjamin Roitman, médico e membro da diretoria da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul.”
28/07/2021 – Zero Hora
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PANDEMIA DEVE TER POUCA CIRCULAÇÃO DO VÍRUS E CASOS GRAVES ISOLADOS EM 2022
Zero Hora28 Jul 2021MARCELO GONZATTO Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Especialistas em saúde e estatística projetam cenário provável para o ano que vem com base em avanço da vacinação e ameaças como a variante Delta.
Profissionais de saúde e estatística avaliam que os brasileiros ainda terão de conviver com o coronavírus em 2022, mas a hipótese mais cogitada pelos especialistas consultados por ZH é de que o avanço da imunização ajude a derrubar índices de contaminação e permita um cenário de maior normalidade.
O nível de otimismo varia em razão de incertezas como adesão às vacinas, manutenção de medidas preventivas mínimas e eventual avanço de novas variantes. Uma das possibilidades é de que a covid-19 persista por meio de surtos principalmente entre populações com menor cobertura vacinal.
Artigo recente de uma publicação científica da Associação Médica Americana cogita quatro cenários para o futuro da pandemia: erradicação (redução global do vírus), eliminação (redução regional, com zonas livres da doença), coabitação (menos transmissão e poucos casos graves) ou conflagração (semelhante ao cenário atual).
Na avaliação majoritária de cinco especialistas ouvidos por ZH, a maior probabilidade para o Brasil seria de coabitação.
– A doença seguirá existindo, mas com pouquíssima circulação e casos graves muito isolados. É o cenário que considero mais provável, mas precisamos manter nosso ritmo atual de vacinação – diz Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL).
O pesquisador em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Diego Ricardo Xavier aposta, caso se atinjam as metas de vacinação neste ano, em um panorama favorável a surtos localizados:
– Ainda precisaremos combinar estratégias como aumento de testagem e rastreio de casos, ou teremos surtos, sim, com aumento de casos (nos locais de ocorrência).
Em grande parte, o cenário em 2022 será determinado por medidas que dependem da disposição dos brasileiros em seguir se vacinando, da garantia de doses suficientes por parte do governo federal e da preservação de ações como distanciamento e uso de máscaras.
– Ainda estamos muito distantes da cobertura vacinal que efetivamente reduz a circulação do vírus, que exige duas doses ou vacinas de dose única. Até lá, a alta circulação do vírus favorece o surgimento de variantes como a Delta, que podem colocar a perder muito do que já avançamos – explica o epidemiologista do Hospital de Clínicas Ricardo Kuchenbecker.
Recuo
Mesmo parcial, a vacinação tem ajudado a reduzir a média móvel de mortes diárias (calculada com base nos sete dias anteriores), que segue em tendência de queda no país. Em duas semanas, até segunda-feira houve recuo de 15% – de 1.303 para 1.107. A avaliação sobre a evolução recente de novos casos foi prejudicada pela inclusão, na sexta-feira, de mais de 60 mil exames positivos que estavam represados no Estado. Apesar disso, com base nas tendências das últimas semanas, o doutor em matemática da UFRGS Álvaro Krüger Ramos acredita em uma evolução:
– Com a vacinação, será possível reduzir o número de óbitos para um cenário compatível com o da gripe sazonal.
Há especialistas menos otimistas. – Enquanto não aprendermos que a pandemia é um problema global, vamos perpetuar essa situação. Não adianta ter vacinação nos países ricos e não nos pobres, porque vão se desenvolver novas variantes – alerta Lucia Pellanda, professora de Epidemiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
28/07/2021 – Grupo Independente
Link:https://independente.com.br/mortes-por-covid-em-julho-de-2021-superam-as-de-julho-de-2020-pior-mes-do-ano-passado/
“Mortes por covid em julho de 2021 superam as de julho de 2020, pior mês do ano passado
Dados foram apurados pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias de Saúde do país
O Brasil registrou, do dia 1º de julho até esta terça-feira (27), 33.660 mortes pela covid-19, segundo dados apurados pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias de Saúde do país. Mesmo com queda em relação aos últimos meses, o número já é maior do que o de julho de 2020 – pior mês da pandemia no ano passado –, que teve 32.912 mortes. Na média móvel, as mortes no país vinham em tendência de queda até o dia 22.
Desde o dia 23, entretanto, vêm mostrando estabilidade. Para a epidemiologista Lucia Pellanda, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a queda nas mortes é um efeito positivo da vacinação – como outros especialistas já haviam apontado no início do mês – mas a reabertura e a retomada de atividades ainda estão sendo feitas antes da hora.
Ela lembra que, nos países ricos – onde não há falta de vacinas, como no Brasil, e a cobertura vacinal é maior – para a pesquisadora, o que há agora é uma “epidemia dos não vacinados”. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Centro de Controle de Doenças (CDC) voltou a recomendar o uso de máscaras.”
28/07/2021 – Gazeta RS
Link: http://gazeta-rs.com.br/especialistas-projetam-cenarios-de-atuacao-do-coronavirus-em-2022/
“Especialistas projetam cenários de atuação do coronavírus em 2022
Ritmo de vacinação e medidas de prevenção serão determinantes para controle da pandemia
Especialistas em saúde e estatística projetam que os brasileiros ainda terão de conviver com o coronavírus em 2022. Porém, o avanço da imunização deve ajudar a derrubar os índices de contaminação e permitir um cenário de maior normalidade.
O nível de otimismo varia em razão de incertezas como a adesão da população às vacinas, a manutenção de medidas preventivas mínimas e o eventual avanço de novas variantes como a Delta. Uma das possibilidades é de que a covid-19 persista por meio de surtos registrados, principalmente, entre populações com menor cobertura vacinal.
“A doença seguirá existindo, mas com pouquíssima circulação e casos graves muito isolados. É o cenário que considero mais provável, mas precisamos manter nosso ritmo atual de vacinação”, observou o epidemiologista da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pedro Hallal.
Um artigo recente de uma publicação científica da Associação Médica Americana cogita quatro cenários para o futuro da pandemia: erradicação (redução global do vírus), eliminação (redução regional, com zonas livres da doença), coabitação (menos transmissão e poucos casos graves) ou conflagração (semelhante ao cenário atual).
O pesquisador em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Diego Ricardo Xavier, aposta, caso se atinjam as metas de vacinação neste ano, em um panorama favorável a surtos localizados em vez de um descontrole generalizado.
População
Projeções mais exatas são dificultadas pelo desafio de prever não o comportamento do vírus, mas das pessoas. Em grande parte, o cenário em 2022 será determinado por medidas que dependem da disposição dos brasileiros em seguir se vacinando, da garantia de doses suficientes por parte do governo federal e da preservação de ações como distanciamento e uso de máscaras até que a transmissão do vírus seja derrubada de fato.
Mas há especialistas bem menos otimistas em relação aos próximos meses. Professora de Epidemiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda não crê em uma saída que não envolva um esforço internacional ainda ausente.
“Enquanto não aprendermos que a pandemia é um problema global, vamos perpetuar essa situação. Não adianta ter vacinação nos países ricos e não nos países pobres, porque vão se desenvolver novas variantes”, defende Lucia.
Medidas de prevenção
Tudo indica que, apesar do avanço da vacinação e de recuos recentes em taxas de novos casos e óbitos por covid-19, os brasileiros precisarão manter algumas medidas de prevenção para evitar novos saltos de contaminação ao menos em parte do ano que vem.
Par o epidemiologista Pedro Hallal, talvez seja possível dispensar o uso de máscara entre o final deste ano e o começo do próximo. “A retirada das máscaras se dará entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022, se tudo continuar na mesma”, aposta.
Há colegas que preferem manter maior cautela. Especialista em Saúde Pública da Fiocruz, Diego Ricardo Xavier lembra que outros países, mesmo com imunização muito mais avançada, ainda não puderam desconsiderar completamente ações de prevenção.
Caso se atinjam as metas de vacinação neste ano, em um panorama favorável a surtos localizados em vez de um descontrole generalizado.”
27/07/2021 – G1
Link:https://g1.globo.com/fato-ou-fake/coronavirus/noticia/2021/07/27/e-fake-que-queda-de-mortes-por-covid-19-no-brasil-seja-por-causa-de-ciclo-natural-do-virus.ghtml
“É #FAKE que queda de mortes por Covid-19 no Brasil seja por causa de 'ciclo natural' do vírus
Especialistas refutam alegação que circula em redes sociais. Boletim da Fiocruz aponta que a melhoria do quadro pandêmico no país é uma consequência direta do aumento no número de imunizados.
Circula pelas redes sociais uma mensagem que sugere que o coronavírus está seguindo o seu ciclo natural e que a queda de mortes por Covid-19 no Brasil e o arrefecimento da pandemia ocorrem sem que isso tenha ligação com a taxa de vacinação da população. É #FAKE.
Professor titular de saúde coletiva da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e médico de família e comunidade do Grupo Hospitalar Conceição, Airton Tetelbom Stein afirma que a informação de que o vírus segue um ciclo natural não é validada cientificamente.
Citando o livro "Epidemiologia", de Roberto Medronho, ele aponta que os surtos acabam nas seguintes situações:
Quando todos os que eram suscetíveis adoeceram
Quando não há mais exposição à fonte de contaminação
Quando a fonte de contaminação acabou
Quando os indivíduos diminuíram sua suscetibilidade, tornaram-se imunizados (vacinados) ou usaram medidas preventivas para evitar a doença
Quando os patógenos tornaram-se menos patogênicos
Ele sustenta que, para responder à alegação contida na mensagem falsa, vários elementos devem ser considerados: a patogenecidade das variantes, a cobertura vacinal, os fatores de risco da população, determinantes sociais e a curva epidêmica no local. Ou seja, a situação é muito mais complexa do que apenas o "ciclo natural" do vírus.
A pesquisadora Ligia Kerr, integrante da comissão de epidemiologia da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e professora da Universidade Federal do Ceará, concorda. "O vírus não está seguindo um ciclo natural. Ele está seguindo o ciclo do que nós, como seres humanos, estamos permitindo que siga", diz.
A ideia de que a queda nas mortes não tem ligação com a taxa de vacinação também é desmentida por Kerr. "Isso é fake. Hoje, nós temos uma queda nos óbitos principalmente por causa da vacinação. E uma queda nos casos também", diz. "Se a gente não tomar uma providência, nós vamos seguir o rumo que os Estados Unidos estão seguindo. Eu estou aqui na Califórnia, que tem uma grande taxa de vacinação, e os casos e hospitalizações estão aumentando porque tem muita gente ainda que não quer e se recusa a tomar a vacina", diz.
Kerr, presidente do 11º Congresso Brasileiro de Epidemiologia, que acontecerá em novembro em plataforma virtual, afirma que o Brasil é um país que tradicionalmente toma a vacina, mas enfrenta o problema de falta de imunizante. E recomenda: "A gente tem que andar com todas essas ações ao mesmo tempo, vacinação, uso de máscara, distanciamento na medida do possível. Tem que ser tudo junto, senão, a gente corre o risco de passar pela mesma situação [dos EUA]."
A especialista acrescenta ainda que o Brasil não tem feito o diagnóstico e rastreamento dos casos, medida que ela afirma serem absolutamente fundamentais. "Se a gente não fizer isso, não conseguiremos barrar a infecção."
Além disso, a pesquisadora alerta que, se tiver bolsões onde a doença possa se replicar com facilidade, o vírus vai tentar escapar à nossa imunidade natural e à nossa imunidade vacinal. "Se você pegar os países pobres, a taxa de vacinação está em torno de 1% da população. Isso não pode acontecer. Os países desenvolvidos têm que produzir vacina e vacinar os países mais pobres. Está crescendo na África, está crescendo em vários lugares da Ásia. Isso é que não podemos permitir. Temos de avançar na vacinação no mundo", afirma.
De acordo com o boletim Observatório Covid-19 da Fiocruz para o período de 4 a 17 de julho, o avanço da vacinação no Brasil tem ocorrido de forma mais lenta do que esejável, mas, ainda assim, a melhoria do quadro pandêmico no país é uma consequência direta do aumento no número de imunizados.
O documento alerta que, embora os dados tragam algum alento, o país permanece ainda em um patamar muito crítico, com uma média diária de 39.064 casos e 1.196 óbitos. E lembra que continuam pertinentes as preocupações quanto à possibilidade de piora no quadro pandêmico, especialmente frente à propagação da variante Delta.
Especialistas ouvidos pelo G1 apontam que os números da queda da média móvel de mortes estão entre os dados que já mostram a efetividade da vacina em grupos que estão totalmente imunizados (sobretudo idosos). Apesar disso, eles alertam que a pandemia não está controlada e que a chegada da variante delta ainda é um risco para aqueles que não tomaram as duas doses da vacina.”
27/07/2021 – GZH
Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/07/brasileiros-deverao-conviver-com-o-coronavirus-em-2022-mas-sob-menos-contaminacoes-e-mortes-ckrmdftfd002d01930wc04pvq.html
“Brasileiros deverão conviver com o coronavírus em 2022, mas sob menos contaminações e mortes
Especialistas traçam cenário mais provável para a covid-19 no ano que vem com base em avanço da vacinação e ameaças como a variante Delta
Profissionais de saúde e estatística avaliam que os brasileiros ainda terão de conviver com o coronavírus em 2022, mas a hipótese mais cogitada pelos especialistas consultados por GZH é de que o avanço da imunização ajude a derrubar os índices de contaminação e permita um cenário de maior normalidade.
O nível de otimismo varia em razão de incertezas como a adesão da população às vacinas, a manutenção de medidas preventivas mínimas e o eventual avanço de novas variantes como a Delta. Uma das possibilidades é de que a covid-19 persista por meio de surtos registrados principalmente entre populações com menor cobertura vacinal.
Um artigo recente de uma publicação científica da Associação Médica Americana cogita quatro cenários para o futuro da pandemia: erradicação (redução global do vírus), eliminação (redução regional, com zonas livres da doença), coabitação (menos transmissão e poucos casos graves) ou conflagração (semelhante ao cenário atual).
Na avaliação majoritária de cinco especialistas em saúde ou estatísticas da pandemia ouvidos por GZH, a maior probabilidade para o Brasil seria de coabitação, com níveis de transmissão, casos graves e óbitos bem menores do que os atuais.
— A doença seguirá existindo, mas com pouquíssima circulação e casos graves muito isolados. É o cenário que considero mais provável, mas precisamos manter nosso ritmo atual de vacinação — observa o epidemiologista da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Pedro Hallal.
O pesquisador em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Diego Ricardo Xavier aposta, caso se atinjam as metas de vacinação neste ano, em um panorama favorável a surtos localizados em vez de um descontrole generalizado:
— Ainda precisaremos combinar estratégias como aumento de testagem e rastreio de casos, ou teremos surtos, sim, com aumento de casos (nos locais de ocorrência).
MORTES POR COVID-19 NO BRASIL
Média móvel (dos sete dias anteriores) de óbitos diários no país segue tendência de queda nas últimas semanas
(Verificar gráficos pelo link acima)
Comportamento humano
Projeções mais exatas são dificultadas pelo desafio de prever não o comportamento do vírus, mas dos seres humanos: em grande parte, o cenário em 2022 será determinado por medidas que dependem da disposição dos brasileiros em seguir se vacinando, da garantia de doses suficientes por parte do governo federal e da preservação de ações como distanciamento e uso de máscaras até que a transmissão do vírus seja derrubada de fato.
— Ainda estamos muito distantes da cobertura vacinal que efetivamente reduz a circulação do vírus, que exige duas doses ou vacinas de dose única. Estamos ao redor de 18% da população, enquanto é preciso algo em torno de 75%. Até lá, a alta circulação do vírus favorece o surgimento de variantes como a Delta, que podem colocar a perder muito do que já avançamos — explica o epidemiologista do Hospital de Clínicas da Capital Ricardo Kuchenbecker.
Mesmo parcial, a vacinação tem ajudado a reduzir a média móvel de mortes diárias (calculada com base nos sete dias anteriores), que segue em tendência de queda no país. Em duas semanas, até a segunda-feira (26) houve um recuo de 15% nesse número – variou de 1.303 para 1.107 ao longo desse período. A avaliação sobre a evolução recente de novos casos foi prejudicada pela inclusão, na sexta-feira (23), de mais de 60 mil exames positivos que estavam represados no Rio Grande do Sul. Isso gera um aumento artificial da média de contaminações.
Apesar disso, com base nas tendências gerais das últimas semanas, o doutor em matemática e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Álvaro Krüger Ramos, que monitora as estatísticas da pandemia, acredita em uma evolução no combate ao coronavírus em 2022.
— Minha expectativa, compatível com os números que temos visto, é de que 2022 seja o ano de nos readaptarmos à normalidade. Vamos ter de conviver com a pandemia, talvez a covid-19 não vá embora. Mas, com a vacinação, será possível reduzir o úmero de óbitos para um cenário compatível com o da gripe sazonal — analisa o matemático.
Mas há especialistas bem menos otimistas em relação aos próximos meses. Professora de Epidemiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda não crê em uma saída que não envolva um esforço internacional ainda ausente.
— Enquanto não aprendermos que a pandemia é um problema global, vamos perpetuar essa situação. Não adianta ter vacinação nos países ricos e não nos países pobres, porque vão se desenvolver novas variantes — acredita Lucia.
O mesmo problema, em sua avaliação, se repete no nível pessoal:
— Não adianta eu estar vacinada e ir a uma festa onde há não vacinados. Hoje, temos visto epidemias de não vacinados. Precisamos não só de vacina, mas também de cuidados de distanciamento, máscara e ventilação dos ambientes até interromper a circulação do vírus.
Medidas de prevenção ainda serão necessárias
Tudo indica que, apesar do avanço da vacinação e de recuos recentes em taxas de novos casos e óbitos por covid-19, os brasileiros precisarão manter algumas medidas de prevenção para evitar novos saltos de contaminação ao menos em parte do ano que vem.
Entre os mais otimistas, o epidemiologista Pedro Hallal acredita que talvez seja possível dispensar o uso de máscara entre o final deste ano e o começo do próximo:
— A retirada das máscaras se dará entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022, se tudo continuar na mesma.
Há colegas que preferem manter maior cautela. Especialista em Saúde Pública da Fiocruz, Diego Ricardo Xavier lembra que outros países, mesmo com imunização muito mais avançada, ainda não puderam desconsiderar completamente ações de prevenção.
— O uso de máscara e, principalmente, o hábito de evitar locais de aglomeração devem persistir mesmo com o aumento da vacinação. Na Europa e na Ásia, mesmo com imunização acelerada, vemos a adoção de medidas restritivas. Aqui, não tem por que ser diferente — observa Xavier.
Para a professora de Epidemiologia da UFCSPA Lucia Pellanda, ainda não há como prever a dispensa de medidas não farmacológicas de proteção contra a covid-19:
— Houve um otimismo exagerado de que só vacina sozinha vai resolver. Não resolve. Tem de ser vacina e cuidados, e alguns cuidados talvez a gente vá ter de manter por muito tempo mesmo.
Quanto tempo? Para o epidemiologista Ricardo Kuchenbecker, a resposta vai depender de dois itens fundamentais:
— O relaxamento do uso de máscaras depende de dois fatores: cobertura vacinal e baixas taxas de novas infecções. Ambos interdependentes.”
22/07/2021 – Diário de Viseu
Link:https://www.diarioviseu.pt/noticia/72595
"Portugal completa vacinação em finais de Setembro
A pandemia «tornar-se-á endémica», mas com a vacinação da população portuguesa, que deverá estar concluída em finais de Setembro, será possível «libertar a economia», disse ontem em Coimbra o vice-almirante Gouveia e Melo. O coordenador da task force para o plano de vacinação expôs, durante a conferência internacional "Saúde Global em Pós-Pandemia", os objectivos que nortearam o processo, dificuldades, metas a atingir, actual estado das coisas, identificando também algumas «nuvens negras» e «ameaças».
Primeiro orador, depois da sessão de abertura, da conferência organizada pela Academia Sino-Lusófona da Universidade de Coimbra (ASL-UC) em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Henrique Gouveia e Melo usou a «comunicação simples, directa e 100% honesta», que entende ser a correcta nos actos políticos e em particular na ligação da task force à população."
21/07/2021 – Veja Saúde
Link:https://saude.abril.com.br/medicina/sindromedeguillain-barre/
“Síndrome de Guillain-Barré: o que é e a relação com a vacina da Janssen
Essa doença pode ocorrer após quadros de infecção, mas é considerada rara. Recentemente, o quadro foi incluído na bula da vacina da Janssen. Saiba mais.
A síndrome de Guillain-Barré passou a ser noticiada em todo o mundo após ser incluída entre as possíveis reações adversas na bula da vacina da Janssen contra o coronavírus. Mas já cabe frisar: o quadro, que é associado à ocorrência de infecções, como a provocada pelo vírus da gripe ou o zika, é raro.
“Cada nervo tem uma fita isolante protetora, a bainha de mielina. Em uma situação de infecção, ela pode ficar exposta, como um fio desencapado. Aí, os anticorpos que lutariam contra os vírus também atacam os nervos”, ensina a professora de neurologia Arlete Hilbig, da Universidade Federal de Ciências de Porto Alegre (UFCSPA).
“A síndrome ocorre quando há distúrbios capazes de mexer com as defesas do organismo”, resume Francisco de Assis Gondim, ex-coordenador do Departamento Científico de Neuropatias Periféricas da Academia Brasileira de Neurologia (Abneuro).
A doença acomete diversas raízes nervosas do corpo e é aguda, porque ocorre de uma hora para a outra, segundo Arlete. Fraqueza muscular e paralisia nos membros estão entre as consequências desse ataque aos nervos. No entanto, a maior parte das pessoas se recupera do problema.
“Não há estudos que associem a própria infecção pelo coronavírus à essa síndrome, embora alguns casos tenham ocorrido. No entanto, é muito mais arriscado desenvolver um quadro grave de Covid-19 do que apresentar uma reação adversa à vacina”, frisa Arlete. Ou seja, não faz sentido ter medo de receber o imunizante.
A empresa Jonhson & Johnson passou a colocar a síndrome de Guillain-Barré na bula após o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, relatar que 100 pessoas desenvolveram a doença entre 12,5 milhões de vacinados com o imunizante. Como se vê, a incidência é muito baixa. E, na verdade, esses casos ainda não foram comprovadamente ligados à picada. Mexer na bula representa uma atitude preventiva.
Essa não é a primeira vez que se considera uma relação entre a síndrome e a aplicação de vacinas, como a da gripe. Mas, de acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações, desde 1976 são conduzidos muitos estudos sobre o tema, mas nenhum cravou que a associação existe.
Sintomas, evolução e tratamento
Os primeiros sintomas da síndrome de Guillain-Barré podem ser formigamento nas pernas e depois perda de força nas extremidades. “Essa sensação vai em direção ao tronco e pode chegar à musculatura da face, dificultando a ação de engolir, já que a garganta é feita de músculos. Também há possibilidade de atingir o sistema respiratório”, descreve Arlete.
Quando a doença evolui dessa maneira, a pessoa precisa ser acompanhada na UTI, onde contará com a ajuda de um respirador para se manter bem até o distúrbio ser resolvido. A fisioterapia também é um dos tratamentos de suporte para quem passa pela doença.
Em casos mais graves, procedimentos como a plasmaférese também são indicados. Trata-se de um processo de filtração do sangue que “limpa” os anticorpos que estão atacando os nervos. “A recuperação pode ser total ou deixar algumas sequelas”, informa Arlete. Agora, quando o quadro é leve, muitas vezes os músculos reagem sem a ajuda de nenhum tipo de tratamento.
Não há consenso, ainda, sobre quanto tempo leva para esses sintomas aparecerem após uma infecção, mas fala-se entre duas semanas a um mês.
O diagnóstico pode ser feito pelo médico a partir da observação do indivíduo. Se o especialista julgar necessário, há a coleta do líquor, um líquido retirado da espinha dorsal, e a realização de exames de imagem.
Qual a frequência da doença?
A síndrome é considerada rara, pois acomete uma ou duas pessoas em um universo de 100 000 indivíduos, segundo artigo da revista Nature publicado em novembro de 2019. De acordo com o FDA, a agência reguladora de medicamentos nos Estados Unidos, ocorrem de 3 mil a 6 mil casos todos os anos em território norte-americano.
Não existem dados específicos no Brasil, apenas observações isoladas. “Em São Paulo, um estudo conduzido no Hospital Santa Marcelina apontou uma taxa de incidência do quadro de 0,6 a cada 100 000 pessoas. Apesar de ser um dado pequeno, tirado de um hospital, é semelhante à prevalência mundial”, relata Gondim.
Há alguns anos, quando houve um surto de zika no Brasil, notou-se uma alta de casos nas regiões mais afetadas por essa infecção, como o Nordeste do país. A primeira associação entre a síndrome e o zika foi feita em 2013 em um estudo na Polinésia Francesa: quase todos os indivíduos pesquisados que desenvolveram a Guillain-Barré haviam sido infectados por esse agente infeccioso.”
20/07/2021 – Resende News
https://resende.com.br/noticias/63563/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=delta-e-mais-transmissivel-mas-estudos-nao-apontam-elo-com-casos-mais-severos-dizem-especialistas
"Delta é mais transmissível, mas estudos não apontam elo com casos mais severos, dizem especialistas
Variante tem provocado aumento de casos pelo mundo. Especialistas ouvidos pelo G1 explicam que maior transmissibilidade não significa, necessariamente, que quadro de Covid será mais grave. A variante delta do coronavírus já foi detectada em pelo menos 111 países, segundo o mais recente boletim epidemiológico da Organização Mundial da Saúde (OMS). Assim como as outras variantes de preocupação (alpha, beta e gamma), ela é mais transmissível. Entretanto, ainda não é possível afirmar se as variantes provocam casos mais graves ou se são mais letais.
“Por enquanto, o que sabemos é que a variante delta é mais transmissível, mas ainda não conseguimos definir exatamente quão mais grave é. Isso vem desde a alpha”, diz a imunologista Ester Sabino.
Como a variante delta avança pelo mundo e quais as perspectivas para o Brasil
O infectologista da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, também destaca que, até aqui, só está comprovada a alta transmissibilidade das variantes.
“Ainda não há comprovação que as variantes, inclusive a delta, tenham uma taxa de virulência maior entre os infectados. O que acontece é que, como elas são mais transmissíveis, há chances da população, caso infectada, desenvolva a doença, seja casos leves, moderados ou graves”, explica Kfouri.
Veja 5 pontos sobre a variante delta
Potencial de contágio
Em um artigo publicado na revista científica Eurosurveillance, pesquisadores ligados à OMS e ao Imperial College London apontam que a variante delta foi a que teve o maior aumento na taxa de reprodução em relação ao coronavírus original.
Enquanto a alfa (B.1.1.7, responsável pelo primeiro surto no Reino Unido) teve aumento de 29% na transmissibilidade, os pesquisadores apontam que a delta chegou a 97% de incremento em relação ao vírus original.
Potencial de transmissão da variante delta
Guilherme Luiz Pinheiro/Arte G1
A pesquisadora Melissa Markoski, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e pós-doutora em imunologia, explica que uma das formas de visualizar a transmissibilidade é através do seu R0 (lê-se ‘R’ -zero), que mede a taxa de reprodução do agente.
Em outras palavras, o R0 é o número médio de pessoas que cada indivíduo infectado com um vírus consegue contaminar, considerando que as pessoas não estão vacinadas e nem utilizaram métodos de se proteger do contágio.
“Quando a R0 é menor que 1, significa que o agente está controlado, explica Markoski. Entre as variantes da Covid-19, a variante delta é a mais contagiosa, apresentando R0 entre 5 a 8.
Uma taxa maior de contágio, contudo, não significa maior taxa de mortalidade. Markoski explica que embora sejam conceitos diferentes, muitas vezes maior taxa de contágio é relacionado à maior gravidade de uma determinada doença. Isso acontece porque, se uma doença for mais contagiosa, haverá mais casos na população, o que pode ocasionar em um aumento no número bruto de hospitalizações e mortes.
Mutação do vírus é comum
Uma variante é resultado de modificações genéticas que o vírus sofre durante seu processo de replicação. Isso ocorre de maneira aleatória. “Variantes aparecem todos os dias, centenas ou milhares, eu diria. A cada vez que o vírus se copia, ele sofre mutações”, explica Kfouri.
Um único vírus pode ter inúmeras variantes. Quanto mais o vírus circula – é transmitido de uma pessoa para outra –, mais ele faz replicações, e maior é a probabilidade de modificações no seu material genético que vão dar origem a novas variantes.
“Existem milhares de variantes, todos os dias surgem novas. E no meio de milhares de novas variantes aparece uma com capacidade maior de transmissão, que toma conta da epidemia. Quanto mais damos chances, mais variantes piores aparecem”, diz Sabino.
Por isso, Raquel Muarrek, infectologista do Hospital São Luiz e do Emilio Ribas, ressalta que é importante avançarmos na vacinação da população para evitar que o vírus continue tenso sucesso em suas mutações.
“Qual é o problema: temos combinações dessas mutações. Pessoas vacinadas apenas com uma dose ou não vacinadas fazem uma combinação ou uma mutação do vírus”, afirma Muarrek.
Impacto na vacinação
O especialista André Bon, médico infectologista do Hospital Sírio-Libanês, aponta que a circulação de variantes com maior transmissibilidade vai exigir que mais pessoas sejam vacinadas para a obtenção da chamada “imunidade coletiva”.
“Pode interferir muito em alguns sentidos. Com a variante original, uma pessoa infectava duas a três pessoas. Isso faz com que a gente precisasse de uma cobertura vacinal entre 60% e 70%. Com a variante delta, uma pessoa infecta 5 a 8 pessoas diferentes, então, você precisa de uma proporção muito maior de vacinados para reduzir a circulação do vírus de forma sustentável”.
19/07/2021 – Jornal de Brasília
Link:https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/saude/rio-grande-do-sul-confirma-os-dois-primeiros-casos-da-variante-delta-do-coronavirus/
Rio Grande do Sul confirma os dois primeiros casos da variante delta do coronavírus
Trata-se de dois moradores de Gramado, na Serra Gaúcha, sem histórico recente de viagens nacionais ou internacionais
O governo do Rio Grande do Sul confirmou nesta segunda-feira (19) os dois primeiros casos da variante delta do coronavírus no estado. Um dos casos foi confirmado por sequenciamento genético realizado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e o outro por sequenciamento parcial pelo Cevs (Centro Estadual de Vigilância em Saúde). Trata-se de dois moradores de Gramado, na Serra Gaúcha, sem histórico recente de viagens nacionais ou internacionais. Eles fazem parte de uma mesma cadeia de transmissão, ou seja, eram contactantes.
A Secretaria Estadual de Saúde diz que há ainda outros cinco casos suspeitos da variante delta no estado também sob investigação da Fiocruz. Uma pessoa também é de Gramado e teve contato com um dos casos confirmados, e as outras três são de municípios da região metropolitana de Porto Alegre –dois de Sapucaia do Sul, um em Esteio e um em Canoas. Os resultados devem sair ainda esta semana.
Gramado é um destino turístico procurado especialmente na temporada de inverno, o que aumenta as probabilidades de aglomeração. A cidade registrou o primeiro caso da variante gama (P.1) no estado, em fevereiro deste ano. Hoje ela é identificada na maioria dos casos em território gaúcho. O secretário municipal de Saúde, Jeferson Moschen, afirmou em vídeo publicado em rede social da Prefeitura de Gramado que deve pedir reforço nas remessas de vacinas como medida de contenção contra a nova variante.
Enquanto Porto Alegre, que tem cerca de 1,4 milhão de habitantes, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), está vacinando pessoas na faixa de 34 anos, Gramado, com cerca de 36,5 mil moradores, vacina pessoas com 39 anos ou mais a partir desta terça. “Todas as medidas sanitárias, de isolamento e condicionamento dos pacientes, já foram feitas. Tomamos todas as providências e até então não houve nenhuma alteração significativa, tanto no número de casos como nas questões de internações hospitalares”, disse o secretário.
“Temos um perfil de receber muitos turistas, então eles vêm com carga viral diferente da que nós estamos acostumados, com tipos de vírus diferentes. Por isso nós recebemos variantes aqui na região. Então, você que atende turista, tenha mais consciência ainda do autocuidado, de manter distanciamento, do uso da máscara e da vacina”, diz a enfermeira da vigilância em saúde, Ellen Regina Pedroso, também no vídeo da prefeitura. “Esses casos preocupam principalmente com base no que vemos em outros países”, avalia Isaac Schrarstzhaupt, coordenador de dados da Rede Análise Covid-19. “Onde a delta chega ela se torna dominante e de forma muito rápida”.
O Cosems (Conselho das Secretarias Municipais de Saúde) se reuniu no fim da tarde para avaliar o novo cenário e diz que pode ser considerado aumento da vigilância. Com queda na taxa de ocupação geral de UTIs nas últimas semanas, o Rio Grande do Sul registrou, nesta segunda-feira, ocupação de 72,7% nos 3.415 leitos disponíveis nas redes pública e privada (2.531 deles no SUS).
Em Gramado, segundo o painel do estado, atualizado no fim da tarde, dos 15 leitos do SUS, oito estão ocupados, enquanto na rede privada há sete pacientes para três leitos. “O perigo de olhar só a questão de leitos é que a vacina não interrompe a transmissão, então a transmissão cresce até o ponto em que pode surgir uma nova variante”, explica Lucia Pellanda, médica, professora de epidemiologia e reitora da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre). “Neste momento, é muito provável que quem não está vacinado está em mais risco do que jamais esteve em toda a pandemia. Estamos começando a ter uma epidemia dos não vacinados”.
17/07/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/07/festas-de-aniversario-aumentam-em-31-a-chance-de-pegar-covid-19-diz-estudo-ckr6tadlw00aa0193nzc0l0ai.html
“Festas de aniversário aumentam em 31% a chance de pegar covid-19, diz estudo
Pesquisa reforça papel de eventos em ambientes fechados no aumento do número de casos, sobretudo para o público infantil
Um estudo produzido por cientistas da Universidade de Harvard, do Hospital Geral de Massachusetts e de outras instituições dos Estados Unidos mostra que festas de aniversário aumentam em 31% o risco de pegar coronavírus. A pesquisa foi publicada no início de junho no prestigioso periódico científico Jama Internal Medicine.
O estudo, afirmam médicos, reforça o entendimento de que o Sars-CoV-2 não é transmitido apenas em grandes aglomerações ou festas, mas também em encontros privados, com poucas pessoas – momentos nos quais os indivíduos relaxam, retiram as máscaras, comem, bebem e deixam de praticar o distanciamento.
Os pesquisadores analisaram dados de planos de saúde privados de 2,9 milhões de famílias norte-americanas, identificaram os pedidos de reembolso para teste de coronavírus com resultado positivo e cruzaram com as datas de aniversário dos familiares assegurados. Os dados são de janeiro a novembro do ano passado.
A conclusão é de que havia 31% mais resultados positivos de coronavírus nas famílias nas quais um dos integrantes havia completado o aniversário em até 14 dias antes do pedido de reembolso para teste. O aumento leva em conta o índice de transmissão na semana da região onde as famílias moravam.
O estudo ainda averiguou se a transmissão era maior em aniversários comuns, de crianças ou de grandes datas, como de 50 anos de idade; e identificou o nível de chuva (o que levaria as pessoas a se resguardarem dentro de casa).
“Este estudo sugere que eventos que levem a encontros pequenos e informais, como festas de aniversário e, em particular, festas de aniversário infantis, são uma fonte potencialmente importante de transmissão de Sars-CoV-2”, escrevem os cientistas.
— O estudo mostra que a transmissão não acontece só em grandes eventos. Aglomeração é também com poucas pessoas que não convivem na mesma bolha. A covid é transmitida em pequenos encontros, até mesmo em um almoço de duas pessoas. Quando saímos de nossa bolha, precisamos manter o distanciamento e o uso de máscara — pontua o médico Alessandro Pasqualotto, chefe da Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
O médico infectologista Cezar Vinicius Riche, do serviço de qualidade do Hospital Mãe de Deus, observa que muitos pacientes chegam à instituição relatando que se infectaram depois de uma janta entre amigos ou em contato com colega de trabalho.
Um dos possíveis motivos para que as festas de aniversário infantis tenham maior risco de transmissão, sugere Riche, é a predisposição dos pais em assegurar alguma comemoração para não deixar a data passar em branco – um pequeno “sofrimento” ao qual os adultos evitam submeter os filhos.
— É mais fácil não ter festa de aniversário de adulto do que de criança. Ou, quando é adulto, se faz algo menor e mais restrito. Outro fator é que criança tem dificuldade de usar máscara e fazer distanciamento social. Em uma festa de criança, elas se reúnem. Vão as crianças, os pais das crianças, então há mais núcleos familiares se agrupando do que em uma reunião de adultos — diz o infectologista do Mãe de Deus.
Apesar de o estudo ter sido feito em um momento no qual os Estados Unidos ainda não tinham população vacinada, os resultados se aplicam ao Brasil, onde grande parcela dos habitantes sequer recebeu uma dose e segue desprotegida. Dados do Portal Covid-19 no Brasil mostram que cerca de 41,5% dos brasileiros receberam a primeira dose e 15,7%, a segunda.
A análise é importante para todas as famílias nas quais haja integrantes que ainda não receberam o esquema vacinal completo. Vale, ainda, para qualquer tipo de reunião mais íntima, entre amigos ou familiares, além de aniversários.
— Na medida em que temos poucos vacinados, uma pessoa ou outra pode ter o vírus e transmitir. Fazer festa dentro de casa, em ambiente fechado, sem máscara, é arriscado enquanto a população não estiver mais vacinada. Peço um pouco mais de paciência à população. A vacinação melhorou muito nas últimas semanas. Teremos melhores momentos até o fim do ano. Precisamos aguentar um pouco mais — pede o médico infectologista Alessandro Pasqualotto.
Dicas para comemorar o aniversário
- Marque o encontro em um ambiente ao ar livre, como um parque, uma praça ou o pátio de casa. Evite lugares pouco arejados, sobretudo com janelas fechadas.
- Limite o número de pessoas. Quanto mais convidados, maior o risco de alguém trazer coronavírus sem saber.
- Reduza o horário do encontro. Evite reuniões que durem muitas horas.
- Evite abraços e beijos. Gestos de proximidade são propícios para troca de aerossóis. Uma pessoa pode ter covid-19 sem saber, estar assintomática ou no início da infecção.
- Use máscara. O risco de transmissão ocorre ao comer ou beber, então ingira alimentos e bebidas com distância de outras pessoas.
- Evite petiscos e comidinhas compartilhadas em potes ou tigelas, onde todos colocam a mão.
- Não compartilhe copos, pratos e talheres.
- O Rio Grande do Sul está caminhando para atingir a imunidade coletiva e controlar a pandemia em seu território. Quando isso ocorrer, o Estado viverá cenário parecido ao de outros países, com uma normalidade mais próxima. Então, os encontros serão mais seguros.”
17/07/2021 – Portal Notícias de Coimbra
Link:https://www.noticiasdecoimbra.pt/gouveia-e-melo-em-coimbra-para-falar-da-saude-global-em-pos-pandemia/
“Gouveia e Melo em Coimbra para falar da “Saúde Global em Pós-Pandemia”
A Academia Sino-Lusófona da Universidade de Coimbra (ASL-UC) organiza na próxima quarta-feira (dia 21), em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a conferência internacional “Saúde Global em Pós-Pandemia”. A iniciativa decorre em formato híbrido (presencial e online), a partir da Sala do Senado da Reitoria da Universidade de Coimbra.
Depois da sessão de abertura, com as intervenções do Presidente da Academia Sino-Lusófona da UC, Rui de Figueiredo Marcos, e do Vice-Reitor da UC para as Relações Externas e Alumni da UC, João Nuno Calvão da Silva, a conferência inaugural, pelas 14h15 (10h15 de Brasília) – com moderação do Diretor da Faculdade de Farmácia da UC, Francisco Veiga –, será proferida pelo Vice-Almirante Henrique Gouveia e Melo, Coordenador da Task Force para a elaboração do Plano de vacinação contra a COVID-19 em Portugal.
Após dois painéis de debate, com a participação de oradores nacionais e internacionais e especialistas em saúde epidemiológica e saúde mental, como os Diretores das Faculdades de Medicina e de Psicologia e Ciências da Educação da UC (respetivamente, Carlos Robalo Cordeiro e António Gomes Ferreira), a conferência final do evento será proferida pelo Presidente do Conselho de Administração da Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, Luís Goes Pinheiro – com a moderação do Pró-Reitor da Universidade de Coimbra para a Saúde e Bioética, José Pedro Figueiredo.
Após a sessão de encerramento, pelas 16h15 (12h15 de Brasília), com as intervenções da Reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Lucia Campos Pellanda, e do Reitor Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, serão celebrados protocolos de cooperação entre as duas instituições.
A conferência internacional “Saúde Global em Pós-Pandemia” pode ser acompanhada em direto no canal de YouTube do Escritório de Internacionalização da UFCSPA, em https://www.youtube.com/channel/UCqsj5aj8NbCKi8kN3nbn8Lw.”
15/07/2021 – Superinteressante
Link:https://super.abril.com.br/especiais/inimigo-intimo-quando-seu-corpo-se-volta-contra-voce/
Inimigo íntimo: quando seu corpo se volta contra você
O sistema imunológico é uma obra-prima da evolução. Você só existe, e está vivo, graças a ele. Mas esse aliado também pode detonar síndromes autoimunes, agravar infecções virais e desencadear a temível tempestade de citocinas – que está por trás dos casos mais graves de Covid-19.
Se você pegar coronavírus, duas coisas podem acontecer. O seu sistema imunológico acionará um mecanismo chamado hipermutação somática, em que as pontas dos anticorpos sofrem modificações aceleradíssimas, 1 milhão de vezes mais rápidas que as mutações no resto do organismo, até chegar a um formato que se encaixe perfeitamente ao Sars-CoV-2, neutralizando-o. Dessa forma, a infecção será contida, e você sobreviverá a ela sem nada além de uma perda temporária de olfato. Mas dependendo de alguns fatores, como idade, a presença de comorbidades (diabetes, pressão alta, obesidade e outras), a quantidade e a variante de vírus que você pegou e fatores genéticos ainda pouco compreendidos, o desfecho pode ser outro.
O corpo não conseguirá frear o coronavírus, que continuará se replicando – e uma semana após ser infectado, em média, você começará a sentir falta de ar. O organismo vai tentar desesperadamente combater o vírus, enviando cada vez mais anticorpos e células de defesa para os pulmões. Se mesmo assim a infecção persistir, algo incrível pode acontecer: o sistema imunológico passa a jogar contra você. Ele perde a mão e desencadeia um fenômeno, conhecido como tempestade de citocinas, que lesiona tecidos e obstrui os alvéolos pulmonares – até que a vítima morre sufocada. Não pela ação direta do vírus (que, nesse estágio da doença, já foi contido), mas pelo descontrole do próprio sistema de defesa.
Desde o início da pandemia, vários estudos foram demonstrando que há uma relação direta, e intensa, entre a tempestade de citocinas e as mortes por Covid-19. Um dos mais impressionantes, que acompanhou 235 pacientes internados na UTI do maior hospital de Dubai (1), constatou que 95% deles apresentavam sinais típicos desse fenômeno – quanto mais acentuados, menor a chance de sobrevivência. Mas por que a Covid tem o poder de descontrolar o sistema imunológico, uma máquina afinada ao longo de milhões de anos de evolução? E como ela faz isso? A ciência está começando a descobrir as respostas – e elas são surpreendentes.
15 TRILHÕES DE CÉLULAS
O corpo humano é formado por cerca de 15 trilhões de células, de 200 tipos diferentes. É absolutamente espantoso que essa multidão de entidades biológicas passe décadas trabalhando em equipe direitinho, sem se autodestruir e resistindo a todo tipo de ameaça externa. Nossa trajetória evolutiva de 4 bilhões de anos começou com células isoladas, como as de muitas bactérias hoje em dia. Para construir corpos multicelulares, relativamente grandes e complicados, como o nosso, foi preciso desenvolver mecanismos para que muitas células distintas soubessem que suas vizinhas também fazem parte do “eu” do organismo, tal como elas próprias.
A primeira e mais fundamental tarefa do sistema imunológico é separar esse “eu” coletivo das mais variadas formas de “não eu” – substâncias tóxicas inoculadas por uma picada de inseto, farpinhas de madeira, vírus, bactérias e fungos patogênicos (causadores de doenças), entre inúmeras outras coisas.
Mas nossa tropa de segurança também precisa ser respeitosa com os convidados. Isto é, os micro-organismos que vivem em simbiose benéfica conosco, como as bactérias da flora intestinal que ajudam na absorção de uma série de nutrientes. Ou, no caso das grávidas, o embrião em desenvolvimento – que poderia ser visto como um corpo estranho, e atacado pelo sistema imunológico, mas não é.
Para complicar as coisas, alguns dos presentes parecem ser da família, mas estão com um coquetel Molotov escondido no bolso. São as células cancerosas, que muitas vezes escapam à vigilância do organismo justamente por terem uma “assinatura” molecular quase idêntica à das células saudáveis do próprio indivíduo. Diante de tarefas tão complicadas, até uma obra-prima como o sistema imunológico pode meter os pés pelas mãos de vez em quando. É então que esse companheiro de vida pode se voltar contra nós – e, às vezes, isso acontece nos momentos em que mais precisamos dele.
Quando algum vírus ou bactéria entra no seu corpo, o sistema imune aciona uma bateria de defesas. Entre as primeiras estão as células T, que organizam o ataque contra o invasor. Elas fazem isso liberando citocinas, proteínas que servem para dosar a resposta imunológica. Existem mais de 100 citocinas diferentes, divididas em várias categorias (como interleucinas, interferons, quimiocinas e TNFs, ou fatores de necrose tumoral), que desempenham diversas funções no organismo. Existem citocinas pró-inflamatórias, que ativam mais células de defesa, e citocinas anti-inflamatórias, que freiam esse processo. O sistema imunológico depende do equilíbrio entre elas.
Mas o coronavírus tem o poder de alterar essa soma, e mudar o resultado da conta. Isso porque, quando as células epiteliais (de revestimento) do pulmão são infectadas, elas também começam a liberar citocinas. Esse fenômeno, que em 2009 foi associado (2) ao Sars-CoV-1 e também é provocado pelo Sars-CoV-2, desequilibra totalmente a reação do organismo. As células do pulmão liberam citocinas porque estão pedindo socorro. Elas precisam que o corpo envie leucócitos, monócitos, macrófagos e outros soldados para combater a infecção.
Só que o resultado é um dilúvio: as células T, as células do pulmão e outras células de defesa soltam níveis exagerados de 14 citocinas inflamatórias (3). E isso gera um efeito dominó, em que o excesso de citocinas provoca a liberação de mais citocinas, até que o corpo perde o controle da situação. Mais e mais células de defesa continuam indo até o pulmão, que fica lotado de citocinas, células (vivas e mortas), ferido pela inflamação e com os alvéolos pulmonares entupidos. O resultado é morte por falência respiratória.
“Na Covid, várias vezes o organismo do paciente controla a infecção, ou seja, já não tem mais vírus, mas o sistema imune continua atacando e gerando essa tempestade de citocinas”, explica o imunologista Dario Zamboni, professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto e autor de estudos sobre o descontrole imunológico associado ao Sars-CoV-2. Outros vírus, como o influenza, também podem desencadear essa tempestade. Mas a Covid é diferente. “Estamos comparando pacientes que faleceram por influenza com outros que faleceram por Covid-19. E é impressionante, porque, ao que tudo indica, a Covid ativa muito mais o inflamassoma [complexo responsável pela ativação de processos inflamatórios e citocinas] do que outras doenças virais pulmonares”, diz Zamboni.
A tempestade de citocinas pode explicar por que a Gripe Espanhola de 1918, que matou cerca de 50 milhões de pessoas mundo afora, foi especialmente terrível entre jovens saudáveis: na faixa etária de 30 anos, a taxa de mortalidade chegava a ser dez vezes maior do que entre idosos (4). Quando você é mais jovem, o seu sistema imunológico é mais forte – e o eventual descontrole dele, induzido por vírus, pode ser mais letal.
O fenômeno costuma ser tratado com anti-inflamatórios como a dexametasona – cuja adoção nas UTIs reduziu em quase 30% a taxa de mortalidade de pacientes intubados (5). Eles só funcionam se forem administrados no momento exato, que é difícil de determinar (se o anti-inflamatório for usado cedo demais, inibe as defesas do organismo e favorece a multiplicação do Sars-CoV-2; se vier tarde demais, o pulmão já estará excessivamente lesionado).
Mas podem surgir terapias mais eficazes. Zamboni lidera uma pesquisa que analisou 2.300 medicamentos, todos já aprovados para uso humano, e identificou algumas moléculas capazes de inibir a tempestade de citocinas. Elas estão sendo testadas em culturas de células humanas; se mostrarem eficácia, passarão aos testes clínicos, em pessoas. “O desdobramento dessa pesquisa, que ainda é básica, pode ser a descoberta de drogas que realmente funcionem para Covid-19”, afirma.
Um dos sintomas mais comuns e perigosos da Covid é a trombose: formação de coágulos na corrente sanguínea, que afeta em média 21% das pessoas internadas com a doença (na UTI, 31%) (6). E o sistema imunológico pode estar envolvido nisso também. Um estudo avaliou 172 pacientes hospitalizados com Covid na Bélgica (7) e constatou que 52% tinham um determinado tipo de “autoanticorpos”, ou seja, que atacam o próprio organismo. E eles eram especializados em neutralizar fosfolipídeos: um tipo de molécula que regula, justamente, a coagulação do sangue.
Esse fenômeno imunológico, bem como os outros relacionados à Covid, se manifesta durante a doença. Mas a resposta anormal do organismo também pode estourar como uma bomba de efeito retardado, depois que o paciente já se curou. É o caso da Síndrome Inflamatória Multissistêmica Infantil (MIS-C, na sigla em inglês), uma condição rara e misteriosa que foi descoberta durante a pandemia e afeta crianças e adolescentes – duas faixas etárias que não costumam ter quadros graves de Covid.
A MIS-C aparece um mês depois que a vítima se curou do Sars-CoV-2, e é caracterizada por uma inflamação violenta que pode afetar cérebro, coração, pulmões, rins, pele e olhos. Ela também ataca os vasos sanguíneos. Isso reduz a pressão sanguínea, o coração dispara para tentar compensar (chega a 165 batimentos por minuto com a pessoa em repouso), e a vítima pode morrer de falência cardíaca (8). No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, houve 736 casos de MIS-C até fevereiro deste ano, com 46 mortes.
COMO VENCER UMA INFECÇÃO
Para vencer uma infecção, o corpo faz duas coisas: neutraliza os vírus com anticorpos e mata as células infectadas. Tudo isso vira lixo, que alguém precisa recolher depois. A tarefa cabe aos macrófagos, os “garis” do organismo. Mas a Covid também interfere com eles. Outro estudo da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, coordenado pela bióloga Larissa Cunha, constatou que os macrófagos que fagocitam (engolem) células infectadas pelo Sars-CoV-2 ficam alterados: perdem a capacidade de engolir mais células, deixando de fazer seu trabalho, e começam a liberar citocinas (9) – o que contribui para o descontrole do sistema imunológico.
Os macrófagos também são o elemento central de um fenômeno diabólico: a “potencialização dependente de anticorpos” (ADE, na sigla em inglês). Nesse processo, alguns vírus se aproveitam de uma particularidade do sistema imunológico – e o transformam numa arma, extremamente eficiente, contra o próprio organismo. É o que acontece com a dengue, por exemplo.
Que ela é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, todo mundo sabe. Mas você sabe qual vírus esse inseto carrega, e é efetivamente responsável pela doença? Ele se chama Denv, e tem quatro subtipos: Denv-1, Denv-2, Denv-3 e Denv-4. Quando alguém é infectado por um deles, e tem dengue pela primeira vez, a doença geralmente se manifesta com sintomas moderados (cansaço, febre, dor no corpo) e o vírus acaba eliminado pelo organismo. Você desenvolve imunidade àquele subtipo do vírus – mas, eis aqui o pulo do gato, somente a ele.
Alguns vírus, como o da dengue, o da Aids e o Sars-CoV-1, são capazes de se esconder dentro dos macrófagos – e usá-los para se propagar, disfarçadamente, pelo organismo.
Vamos supor que você pegue Denv-1, se recupere e depois venha a ser infectado por Denv-3, por exemplo. O organismo vai produzir anticorpos, só que eles não neutralizam o Denv-3 (afinal, foram desenvolvidos para combater outro subtipo, o Denv-1). Os anticorpos até se conectam ao vírus, mas não bloqueiam seus pedacinhos mais críticos, que ele usa para se acoplar a células humanas. Por isso, o vírus continua ativo e infectante.
Só que os macrófagos não percebem isso: eles “acham” que os vírions (as unidades) de Denv-3 foram neutralizados pelos anticorpos, e simplesmente engolem o conjunto – querem fazer seu trabalho e levar o lixo embora. E aí algo terrível acontece: os macrófagos passam a transportar o vírus pelo organismo e também protegem o invasor, impedindo que ele seja enxergado e atacado pelo sistema imunológico.
É como um filme em que os bandidos roubam os carros dos policiais. Depois de um certo tempo, os vírions saem dos macrófagos e a infecção recomeça. Agora bem mais forte, distribuída por vários pontos do corpo. Essa é a tal potencialização dependente de anticorpos (ADE). Os vírus da dengue, da aids e da gripe são capazes de desencadeá-la. E alguns coronavírus, como o Sars-CoV-1, o Mers e o FCoV (que provoca uma doença fatal em felinos) também.
Há suspeitas, ainda não confirmadas, de que o Sars-CoV-2 possa fazer o mesmo – e a chave disso estaria, justamente, na reação imunológica violenta que ele provoca. “Quando você tem um estímulo muito forte, muito inflamatório, as células B, que produzem os anticorpos, podem acabar não tendo tempo para amadurecer e gerar anticorpos de qualidade. Acaba saindo um anticorpo ruim, que gruda do mesmo jeito no vírus, mas sem conseguir neutralizá-lo”, explica o imunologista Rafael Polidoro, pesquisador de pós-doutorado da Universidade de Indiana (EUA).
Essa transformação dos macrófagos em “cavalos de Troia”, que passam a espalhar a doença pelo corpo em vez de combatê-la, talvez não se limite a infecções virais. Em junho deste ano, cientistas do hospital Mount Sinai, um dos mais importantes dos EUA, descobriram que o tipo mais comum de câncer de pulmão (o “carcinoma de não pequenas células”, ou NSCLC) também é capaz de cooptar os macrófagos – e usá-los, nos primeiros estágios da doença, para se multiplicar mais facilmente nos tecidos pulmonares (10). Os macrófagos acabam protegendo as células tumorais, evitando que elas sejam atacadas (e eliminadas) pelo sistema imunológico.
Isso é uma má notícia, mas também tem seu lado positivo: abre caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos, potencialmente mais eficazes, contra esse tipo de câncer. A tempestade de citocinas, o aprimoramento dependente de anticorpos e a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Infantil (MIS-C), principais consequências imunológicas do coronavírus, também podem ser tratadas ou simplesmente evitadas, freando a circulação do vírus. Mas, mesmo depois que a pandemia terminar, continuaremos convivendo com outra grande questão relacionada ao sistema de defesa do organismo: as doenças autoimunes.
Tanto fatores genéticos quanto ambientais, muitos deles ainda pouco compreendidos, interagem para produzir uma variedade imensa de problemas de saúde nos quais o sistema imunológico reage de maneira descontrolada ou começa a destruir células do próprio organismo. Na primeira categoria estão as diferentes formas de alergia, das alimentares à asma e à dermatite atópica (que afeta a pele). Todas elas envolvem essencialmente uma resposta inflamatória desproporcional quando o corpo entra em contato com o chamado alérgeno – que pode ser poeira, pólen ou um saboroso camarão na moranga, entre diversos outros. No segundo caso incluem-se as doenças autoimunes propriamente ditas, uma lista com mais de uma centena de enfermidades capazes de afetar profundamente a qualidade de vida de quem as tem, e até levar à morte.
Pense, por exemplo, na diabetes tipo 1, em que o sistema imune resolve se voltar contra as células beta do pâncreas – justamente as responsáveis por produzir insulina, a molécula que regula os níveis de açúcar no sangue. Antes que fosse possível produzir insulina em grandes quantidades, esse problema frequentemente matava crianças e adultos jovens (como a mãe do escritor J.R.R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis, que morreu aos 34 anos, em 1904).
Já na doença celíaca, o organismo perde a capacidade de tolerar a presença do glúten (componente de cereais como o trigo) e reage danificando o revestimento do intestino delgado, o que atrapalha a absorção de nutrientes. É por isso que os celíacos precisam tirar o glúten da dieta (para pessoas que não têm a doença, ele é perfeitamente seguro, ao contrário do que dizem certos modismos nutricionais). Também existem doenças inflamatórias intestinais crônicas, como a colite ulcerativa e a doença de Crohn.
O sistema nervoso tampouco está a salvo desse tipo de guerra civil dentro do organismo. Na esclerose múltipla, a vítima é a bainha de mielina, revestimento dos neurônios que, em condições normais, ajuda a aumentar a velocidade da transmissão de impulsos elétricos ao longo dos “fios” das células nervosas. Quando a bainha de mielina é danificada, o resultado são sintomas como visão dupla, problemas de coordenação motora, fraqueza muscular e dor crônica.
No caso de outra enfermidade, o lúpus eritematoso sistêmico, os efeitos podem se manifestar no sistema nervoso também – incluindo episódios de ansiedade e depressão –, mas, como indica o próprio nome da doença, os sintomas costumam ser sistêmicos, em diversos lugares do corpo. Pode se formar uma área vermelha no rosto e no nariz, a chamada erupção malar (ou “asa de borboleta”). São frequentes as dores nas juntas; podem ocorrer ainda anemia e problemas no coração, rins e pulmões.
Apesar da tremenda variedade de sintomas e causas que acabamos de mencionar, muitas dessas enfermidades possuem intrigantes pontos em comum. Os primeiros sinais, por exemplo, podem ser muito parecidos, independentemente da doença (e pouco específicos, o que pode dificultar o diagnóstico): fadiga e mal-estar, febre baixa e persistente, manchas vermelhas na pele, dores musculares.
Também existe uma associação entre diversas doenças autoimunes e o surgimento de câncer, provavelmente porque reações inflamatórias intensas e persistentes possam acabar danificando o material genético das células – e dar origem a tumores. É mais ou menos o mesmo princípio que costuma aumentar o risco de câncer em locais do corpo que ficam sofrendo repetidas lesões ao longo do tempo (como o pulmão de um fumante). Paradoxalmente, em alguns casos, o efeito é o inverso – menor chance de câncer –, talvez porque o sistema imunológico hiperativo aumente sua vigilância também contra o início de tumores.
Somadas, as doenças autoimunes afetam uma parte considerável da população mundial. Só nos EUA, estima-se que esse número esteja em torno de 25 milhões de pessoas (não há estatísticas comparáveis no Brasil, mas tudo indica que também seriam dezenas de milhões de casos). E há boas razões para acreditar que a proporção de afetados por esses problemas esteja crescendo.
É o que indica um estudo (11) dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, que analisou mais de 14 mil pacientes americanos para quantificar a presença dos chamados ANAs (anticorpos antinucleares). O nome é esquisito, mas quer dizer simplesmente que esses anticorpos atacam o núcleo das células humanas – algo que, de modo geral, é ruim. A presença de ANAs no corpo é considerada um sinal de problemas autoimunes.
O estudo mostrou que, entre 1988 e 1991, 11% das pessoas tinham ANAs. A porcentagem cresceu para 15,9% entre os anos de 2011 e 2012. Parece pouco (mesmo que, em números absolutos, seja muita gente: 41 milhões de americanos, ao todo, carregam esses anticorpos), mas o aumento não ocorreu de forma igual em todas as faixas etárias. Nas pessoas entre 12 e 19 anos, a elevação foi muito maior: quase 300%.
Esses dados confirmam a percepção dos médicos em geral, que têm visto um aumento expressivo desses problemas – tanto as doenças autoimunes propriamente ditas quanto as diversas formas de alergia – ao longo das últimas décadas. A questão é saber por que diabos isso está acontecendo agora, levando em conta que o aumento em si certamente não tem causas genéticas (o genoma das populações humanas não teria como mudar de maneira tão significativa em apenas uma ou duas gerações).
Na maioria dos casos, o sistema imune ganha o jogo. Mas isso requer esforço duplo: além de vencer o invasor, ele tem de superar seus próprios deslizes.
Na maioria dos casos, o sistema imune ganha o jogo. Mas isso requer esforço duplo: além de vencer o invasor, ele tem de superar seus próprios deslizes. Thobias Daneluz/Superinteressante
Uma possível explicação, ainda muito popular, é a chamada “hipótese da higiene”. Grosso modo, a ideia é que o estilo de vida moderno, no qual predominam ambientes urbanos limpos, alimentação industrializada e pouco contato com animais e com a terra, entre outros fatores, teria reduzido nossa exposição a micro-organismos. Isso estaria deixando o sistema imunológico sem muito o que fazer – até que ele se voltaria contra o próprio organismo.
No papel, isso parece fazer um bocado de sentido, mas as evidências a favor da hipótese da higiene são fracas ou inexistentes, diz a imunologista Cristina Bonorino, professora da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre). “No caso das alergias, há evidências de que o contato com parasitas [vermes, por exemplo] pode ser benéfico. Mas em doenças autoimunes isso não tem nada a ver”, afirma. Ou seja: o excesso de limpeza não tem o poder de desencadear reações autoimunes – e, portanto, não explica o aumento delas nas últimas décadas. “Não há relação com a hipótese [da higiene]. Já tirei esse slide das minhas aulas faz tempo”, brinca.
Há outros suspeitos, claro – o estresse, a falta de sono e o fumo também podem desregular o sistema imune. Mas um desses fatores adicionais tem sido investigado mais intensamente pelos cientistas, em parte porque sua presença atingiu proporções globais mais ou menos ao mesmo tempo que a das doenças autoimunes. Estamos falando da obesidade, uma situação que corresponde, entre outras coisas, a um estado constante de inflamação no corpo. O tecido adiposo (gorduroso) do organismo, aliás, produz suas próprias citocinas – também chamadas de adipocinas –, e diversos estudos mostram uma associação entre a obesidade e diversas alergias e doenças autoimunes.
Se tudo isso parece complicado, é porque é mesmo. “É importante deixar de pensar no sistema imunológico apenas como um sistema bélico”, diz Verônica Coelho, pesquisadora do Laboratório de Imunologia do InCor (USP). “Ele é muito mais do que isso. É o sistema de vigilância e manutenção do equilíbrio entre os vários tipos de células e moléculas do organismo.”
Nosso sistema de defesa não serve só para nos proteger de ameaças externas. Também é o responsável por evitar ataques internos, permitindo que todos os elementos do corpo humano coexistam em paz – e transformem o que poderia ser uma briga com trilhões de participantes na máquina biológica mais complexa que existe."
15/07/2021 – Matinal Jornalismo
Link: https://www.matinaljornalismo.com.br/rogerlerina/agenda/coral-ufcspa-lanca-cancao-chilena-todos-juntos/
Coral UFCSPA lança canção chilena “Todos Juntos”
O Coral Virtual UFCSPA segue suas andanças pela América Latina, com o lançamento, nesta sexta-feira (16/7), da canção Todos Juntos, da banda chilena Los Jaivas, no canal do Coral no YouTube e nas redes sociais do Núcleo Cultural.
Composta por Los Jaivas e com novo arranjo do regente Marcelo Rabello dos Santos, esta é a segunda apresentação com a temática América Latina, trabalhada pelo grupo em 2021. A união dos povos latino-americanos inspira a canção gravada em 1972, no segundo álbum do grupo. Todos Juntos foi o primeiro grande sucesso da Banda e depois transformou-se em uma espécie de hino do povo chileno, cantado em vários momentos históricos do país. Sensibilizada pelo momento político da época, a letra clamava pelo sonho de todos no planeta viverem harmonicamente, sem conflito.
A trajetória da banda chilena perpassa a história recente do Chile. Los Javias é um dos grupos mais importantes do país, criado em 1963 e atuante até hoje. A banda se consagrou por seu estilo peculiar de fundir o rock com as raízes das músicas folclóricas latino-americanas, mesclando instrumentos distintos como guitarra, baixo, piano, flauta com ocarina, charango e bongo.Desde o início da pandemia, o Coral tem realizado apresentações virtuais. Em 2020, o tema escolhido foi Esperança e em 2021 o concerto traz canções dos países da América Latina, com uma apresentação virtual mensal. Em junho, o grupo apresentou a canção uruguaia Tu voz, mi voz, de Mariana Ingold.
15/07/2021 – G1 RS
Link: https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2021/07/15/impacto-da-delta-e-maior-por-ser-mais-transmissivel-estudos-ainda-nao-a-ligam-a-casos-mais-severos-dizem-especialistas.ghtml
Delta é mais transmissível, mas estudos não apontam elo com casos mais severos, dizem especialistas
Variante tem provocado aumento de casos pelo mundo. Especialistas ouvidos pelo G1 explicam que maior transmissibilidade não significa, necessariamente, que quadro de Covid será mais grave.
A variante delta do coronavírus já foi detectada em pelo menos 111 países, segundo o mais recente boletim epidemiológico da Organização Mundial da Saúde (OMS). Assim como as outras variantes de preocupação (alpha, beta e gamma), ela é mais transmissível. Entretanto, ainda não é possível afirmar se as variantes provocam casos mais graves ou se são mais letais.
O infectologista da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, também destaca que, até aqui, só está comprovada a alta transmissibilidade das variantes.
Potencial de contágio
Em um artigo publicado na revista científica Eurosurveillance, pesquisadores ligados à OMS e ao Imperial College London apontam que a variante delta foi a que teve o maior aumento na taxa de reprodução em relação ao coronavírus original.
A pesquisadora Melissa Markoski, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e pós-doutora em imunologia, explica que uma das formas de visualizar a transmissibilidade é através do seu R0 (lê-se 'R' -zero), que mede a taxa de reprodução do agente.
Em outras palavras, o R0 é o número médio de pessoas que cada indivíduo infectado com um vírus consegue contaminar, considerando que as pessoas não estão vacinadas e nem utilizaram métodos de se proteger do contágio.
"Quando a R0 é menor que 1, significa que o agente está controlado, explica Markoski. Entre as variantes da Covid-19, a variante delta é a mais contagiosa, apresentando R0 entre 5 a 8.
Uma taxa maior de contágio, contudo, não significa maior taxa de mortalidade. Markoski explica que embora sejam conceitos diferentes, muitas vezes maior taxa de contágio é relacionado à maior gravidade de uma determinada doença. Isso acontece porque, se uma doença for mais contagiosa, haverá mais casos na população, o que pode ocasionar em um aumento no número bruto de hospitalizações e mortes.
Mutação do vírus é comum
Uma variante é resultado de modificações genéticas que o vírus sofre durante seu processo de replicação. Isso ocorre de maneira aleatória. “Variantes aparecem todos os dias, centenas ou milhares, eu diria. A cada vez que o vírus se copia, ele sofre mutações”, explica Kfouri.
Um único vírus pode ter inúmeras variantes. Quanto mais o vírus circula – é transmitido de uma pessoa para outra –, mais ele faz replicações, e maior é a probabilidade de modificações no seu material genético que vão dar origem a novas variantes.
“Existem milhares de variantes, todos os dias surgem novas. E no meio de milhares de novas variantes aparece uma com capacidade maior de transmissão, que toma conta da epidemia. Quanto mais damos chances, mais variantes piores aparecem”, diz Sabino.
Por isso, Raquel Muarrek, infecologista da Rede D'or, ressalta que é importante avançarmos na vacinação da população para evitar que o vírus continue tenso sucesso em suas mutações.
"Qual é o problema: temos combinações dessas mutações. Pessoas vacinadas apenas com uma dose ou não vacinadas fazem uma combinação ou uma mutação do vírus", afirma Muarrek.
Impacto na vacinação
O especialista André Bon, médico infectologista do Hospital Sírio-Libanês, aponta que a circulação de variantes com maior transmissibilidade vai exigir que mais pessoas sejam vacinadas para a obtenção da chamada "imunidade coletiva".
“Pode interferir muito em alguns sentidos. Com a variante original, uma pessoa infectava duas a três pessoas. Isso faz com que a gente precisasse de uma cobertura vacinal entre 60% e 70%. Com a variante delta, uma pessoa infecta 5 a 8 pessoas diferentes, então, você precisa de uma proporção muito maior de vacinados para reduzir a circulação do vírus de forma sustentável”.
14/07/2021 – G1 /Globoplay
Link: https://globoplay.globo.com/v/9686175/
Projeto da UFCSPA leva aulas lúdicas sobre o coronavírus para alunos do ensino fundamental
Iniciativa acontece de maneira remota.
14/07/2021 – GZH
Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/07/ufrgs-e-a-8a-melhor-universidade-da-america-latina-aponta-ranking-britanico-ckr3k49vg001u0193nfgrxqd7.html
"UFRGS é a 8ª melhor universidade da América Latina, aponta ranking britânico
Levantamento da Times Higher Education mostra ainda que instituições brasileiras também são maioria no top 10 das mais conceituadas entre 13 países latino-americanos.
O Brasil permanece despontando nos rankings internacionais que elencam as melhores universidades da América Latina. Desta vez, o país teve o maior número de instituições de nível superior no levantamento feito pela revista britânica Times Higher Education (THE), um dos principais indicadores de educação superior do mundo. Além de se destacar como nação, oito instituições gaúchas também figuram no ranking internacional que avaliou 177 universidades latino-americanas.
Entre as 10 primeiras universidades da lista, sete são brasileiras. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) ocupa o oitavo lugar, sendo a única gaúcha no top 10 das latinas. (Veja a listagem abaixo). A posição é cinco degraus acima do registrado ano passado, quando a UFRGS estava em 13º. Confira aqui.
Outras instituições de nível superior do Estado também se destacaram no ranking. A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) surge em 14º lugar, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em 29º, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) em 39º, a Unisinos em 46º, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) em 85º.
Após o 100º lugar, as universidades são classificadas em faixas. A Universidade de Passo Fundo (UPF) aparece na faixa dos 101-125 e a Universidade de Caxias do Sul (UCS), por sua vez, aparece na faixa entre 126-150.
Os destaques nacionais ficam para a Universidade de São Paulo (USP), que ocupou o segundo lugar na classificação geral, e para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na terceira posição da listagem entre instituições da América Latina. O ranking é liderado pela Pontifícia Universidade Católica do Chile, que manteve a primeira posição pelo terceiro ano consecutivo. O ranking completo pode ser acessado neste link.
Esse é o quarto ano consecutivo em que as instituições brasileiras predominam, em número, no top 10 do ranking que considera 177 universidades de 13 países latino-americanos. Desse total, 67 são brasileiras. Depois aparece o Chile, com 28; a Colômbia, com 24; México, com 23; o Equador, com 11; a Argentina, com nove; e, por fim, o Peru com oito.
Os critérios usados pelo THE, tanto para o ranking global - liderado pelas universidades de Oxford, Stanford e Harvard - quanto para o latino-americano, são divididos em cinco áreas: ensino – que tange o ambiente de aprendizado -, pesquisas - em volume, investimentos e reputação-, citações - quer dizer, a influência destes trabalhos no ambiente acadêmico-, perspectivas internacionais - de docentes, estudantes e pesquisas - e renda gerada com transferência de tecnologia produzida dentro da universidade.
Gaúchas no ranking global
O levantamento da THE, publicado em setembro passado, revelou que a UFRGS manteve a mesma colocação dos últimos cinco anos no ranking global, na faixa das 601-800 melhores instituições. A UFPel e a PUCRS ficaram na faixa das 801-1000 melhores do mundo. Entre as 2 mil melhores, constaram na lista mundial ainda a UCS, a UFCSPA, a UFSM e a Unisinos.
Confira o top 10 das melhores universidades da América Latina
Pontifícia Universidade Católica do Chile
Universidade de São Paulo (USP)
Universidade de Campinas (Unicamp)
Instituto de Tecnologia de Monterrey (México)
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Universidade do Chile
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)"
13/07/2021 – Portal Extra Classe
Link: https://www.extraclasse.org.br/educacao/2021/07/angustias-e-desafios-marcam-aulas-presenciais-no-rs/
“Angústias e desafios marcam aulas presenciais no RS
O trabalho em dobro para manter a segurança e garantir a qualidade do ensino na pandemia deixa pais, educadores, alunos e gestores em alerta e interfere no processo de ensino e aprendizagem
Passados mais de dois meses desde que o Rio Grande do Sul retomou as atividades presenciais de ensino no momento mais agudo da crise sanitária, quando começavam a ser identificadas novas variantes do coronavírus, diante do ritmo lento da imunização e do avanço da pandemia, o cenário ainda é de muita preocupação.
Em 3 de maio, quando as escolas reabriram, a vacinação de trabalhadores da educação, hoje em avanço, não passava de promessa, e, diante do quadro, educadores, servidores e alunos não ficaram incólumes às estatísticas, embora baixas, de contaminação pela covid-19. Ao longo desse período, a comunidade escolar vem driblando dificuldades, angústias e se adaptando para manter a rotina o mais próximo da normalidade.
Pelo último levantamento da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), divulgado no começo de junho, 1.118 pessoas foram infectadas entre as mais de 2,2 mil instituições em funcionamento.
Desse total, foram 564 educadores, 121 servidores e 433 alunos, “casos isolados”, segundo a secretária Raquel Teixeira. Enquanto os números não são atualizados, relatos de contaminação seguem chegando às entidades representativas da educação.
Contágios em escolas municipais, comunitárias e privadas
Na Capital, o mais recente boletim da situação da covid-19 nas escolas foi publicado em 15 de junho, com base nos formulários de monitoramento das instituições de ensino. Na semana epidemiológica de referência (30 de maio a 5 de junho), houve 40 casos positivos em escolas municipais, comunitárias e privadas. Nesse período, a prefeitura contabilizou mais de 37,6 mil alunos e cerca de 9 mil professores e funcionários em atividade presencial.
De acordo com a presidente do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers-Sindicato), Helenir Schürer, o retorno ocorreu de forma arbitrária, em função do quadro da pandemia no RS, o qual já ultrapassou mais de 1 milhão de contaminados e a triste marca de 30 mil mortos.
“Mantemos a preocupação, apesar do início da vacinação da categoria e de os pais terem atendido ao nosso chamado e enviado poucos alunos à rede pública. O que fizemos, desde então, foi reforçar as informações às escolas, acompanhar o cumprimento de protocolos e colocar à sociedade que esse retorno não ocorreu em momento adequado”, salienta a dirigente.
A diretora do Sindicato dos Professores do Ensino Privado (Sinpro/RS) Cecília Farias destaca que a categoria começou 2021 sob forte pressão para a retomada das atividades presenciais, embora a entidade considere o cenário desfavorável.
“Tivemos o agravamento da pandemia a partir de fevereiro, e não houve melhora significativa. A situação até pode ter estabilizado um pouco, mas em patamar muito alto. Por isso, fizemos um movimento de resistência muito forte à retomada”, enfatiza.
No entanto, em meio à batalha de liminares e processo de mediação judicial, o governo estadual publicou decreto liberando as escolas, no final de abril, e, com o início da imunização dos profissionais da educação, na primeira semana de junho, a campanha contra a retomada perdeu força.
“Este Termo de Compromisso responsabiliza Sinpro/RS e Sinepe/RS pela fiscalização do cumprimento dos protocolos sanitários. A vacinação dos professores foi um grande avanço no enfrentamento do covid-19, mas são fundamentais esses cuidados”, alerta Cecília.
Conforme ela, há poucos relatos de contaminação nas escolas privadas e, de forma geral, obediência aos protocolos.
Contudo, a condição de liberação da totalidade de alunos em sala de aula preocupa, junto com a falsa sensação de normalidade que veio com a imunização.
Uma das coordenadoras do grupo Direito ao Ensino Não Presencial na Pandemia, a advogada Cassiana Lipp reforça o alerta para os riscos da reabertura das escolas neste momento.
“As escolas estão abertas, mas não de uma forma segura. É por isso que se tenta minimizar eventuais casos de covid-19. Continuamos pleiteando para que os pais, que possam, permaneçam com os filhos em casa, pois o risco existe e é alto”, aponta.
Mediação e mais rigor nos protocolos sanitários
Em 14 de junho, o judiciário encerrou a mediação sobre a volta às aulas, propondo um acordo com os sindicatos de professores e das instituições de ensino privadas. O documento reforça o compromisso de alertar a comunidade escolar dos riscos e da necessidade de rigor com as medidas de proteção e procedimentos diante de suspeitas e contágios. O Cpers-Sindicato não havia firmado o acordo até o final de junho.
Professora de Biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Melissa Markoski reforça que a retomada das aulas ocorreu em um período adverso. Entretanto, pondera que o cumprimento de protocolos parece ter contribuído para que os índices de contaminação não fossem alarmantes. “De positivo, há o registro de que não ocorreram óbitos relacionados à retomada das aulas. Além disso, nas últimas seis semanas, os casos de covid nas escolas não chegaram a assustar”, avalia.
Melissa comenta, porém, que a chegada do inverno pede atenção à circulação de ar nas salas e reforço ao distanciamento e uso de máscaras bem ajustadas.
“A orientação é para que se mantenha a boa circulação de ar, com janelas abertas, mesmo com uso de ar-condicionado. E quando os alunos não estiverem em sala, o ideal é provocar o deslocamento do ar, ligando ventiladores e mantendo janelas e portas abertas”, justifica.
Dificuldades com a rotina de enfrentamento à covid-19
Três professoras de diferentes instituições de ensino expressam suas percepções sobre os desafios da docência neste novo momento em sala de aula – com a condição do anonimato.
Uma delas, docente de Língua Estrangeira de uma tradicional escola privada da Capital, relata que os protocolos de enfrentamento à pandemia têm sido seguidos à risca, e que não houve contaminação no grupo. Lecionando para adolescentes, ela cita, no entanto, a resistência em manterem o distanciamento, e conta que, mais do que se adaptar a medidas como dar aula de máscara e com uso de microfone, tem dificuldade é com a nova rotina de ensino.
“Está tudo muito diferente, a aula virou uma palestra, sem participação dos alunos nem interação com os que estão em casa. Estamos nos adequando, mas é um jeito muito diferente de ensinar”, desabafa.
Outra educadora, de uma escola pública da Região Metropolitana, reclama da falta de testagem, mesmo após contaminação de funcionários. Também revela que, apesar de as salas serem higienizadas a cada troca de turmas, terem álcool gel e adotarem o distanciamento adequado, as máscaras oferecidas não são de boa qualidade. A falta de fiscalização na escola, onde há casos de colegas com máscara no queixo, também é relatada. “Precisamos trabalhar, mas tem ainda muito descaso e falta de cumprimento dos protocolos”, alerta.
Apesar da angústia com o retorno presencial, uma professora da educação infantil ressalta que a adequação às medidas preventivas já foi incorporada à rotina. Segundo ela, houve apenas casos isolados de contaminação na escola, e os alunos se adaptaram rapidamente. “O que mais sentem é falta de compartilhar brinquedos e objetos, o que está totalmente proibido”, acrescenta.”
09/07/2021 – GZH
Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/07/com-apenas-nove-resultados-positivos-testagem-para-covid-19-e-encerrada-na-estacao-mercado-da-trensurb-ckqx05hgh00e90193e8m7w9uf.html
“Com apenas nove resultados positivos, testagem para covid-19 é encerrada na Estação Mercado da Trensurb
Secretaria de Saúde da Capital realizou 138 testes rápidos em duas semanas.
Após duas semanas de trabalho, foi encerrada nesta sexta-feira (9) a operação que realizava testagem para covid-19 nos usuários que circulavam pela Estação Mercado da Trensurb, em Porto Alegre. Conforme a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), foram realizados 138 testes rápidos e, do total, nove tiveram resultado positivo.
Das confirmações, dois passageiros eram de Porto Alegre e os demais residiam em municípios da Região Metropolitana.
A diretora da Atenção Primária à Saúde, Caroline Schirmer, confirmou que não ocorrerão novas ações do tipo, mas que considera bom o resultado.
— O propósito da ação era verificar a positividade que circula no trem, sendo que foi menor do que verificamos no município. No entanto, ainda precisamos reforçar as medidas de proteção, como uso de máscara e álcool gel — avaliou.
A intenção do controle sanitário foi identificar, a partir de câmeras com sensores instaladas no local pela empresa, passageiros com temperatura corporal igual ou superior a 37,5°C, oferecendo a testagem na própria estação e, na confirmação de caso positivo, orientar a pessoa a cumprir isolamento.
Além disso, a iniciativa teve como objetivo orientar os usuários sobre a prevenção contra o coronavírus. A operação foi coordenada pela Diretoria de Atenção Primária à Saúde da SMS em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde (UFCSPA) e a escola Factum e com o apoio da Trensurb.”
07/07/2021 – Los Angeles Times
Link:https://www.latimes.com/world-nation/story/2021-07-07/how-the-copa-america-soccer-tournament-in-brazil-is-spreading-covid-19
How the Copa America soccer tournament in Brazil is spreading COVID-19
RIO DE JANEIRO — Just after nightfall about 60 miles north of Rio de Janeiro, Marlus Jesus was whisked into a hospital after hours to verify that he didn’t have coronavirus, then ushered into a hotel room.
His secret mission? The Brazilian soccer star Neymar da Silva Santos Júnior and several teammates wanted haircuts.
“I started cutting hair at about 8 p.m. and finished after midnight,” said the 32-year-old barber. “I cut the hair of seven or eight players.”
He couldn’t resist posting a selfie with Neymar on Instagram.
The haircuts, which quickly became national news, burst a strict “sanitary bubble” meant to keep COVID-19 out of the Copa America, the premier soccer tournament on the continent.
The event has been shrouded in controversy since organizers hurriedly moved it to virus-stricken Brazil in early June, less than two weeks before kickoff. The original co-hosts, Argentina and Colombia, had suddenly bowed out, citing an alarming rise in coronavirus cases.
Brazil, where COVID-19 has claimed at least 525,000 lives, a toll second only to the United States, was a curious second choice. Infections were surging to unprecedented levels as the country entered a devastating third wave. But, to the shock of many, President Jair Bolsonaro enthusiastically agreed that Brazil be the host.
“From the beginning I have been saying, when it comes to the pandemic: I am sorry for the deaths, but we have to live,” said the far-right populist, who is being investigated by a congressional committee for his handling of the pandemic, including possible corruption related to the purchase of vaccines.
Government health authorities and Copa America’s organizers say those taking part of the tournament are following strict protocols to avoid infections, as 10 teams compete in four Brazilian cities. Crowds are barred from stadiums and players must stay in their rooms when not training or playing matches. Nearly 26,000 coronavirus tests had been administered as of this week.
But outside health experts say the event is complicating Brazil’s fight against the virus.
At least 165 new cases have been linked directly to the tournament. A total of 37 were players, coaches, trainers and other team personnel, while 125 were drivers, caterers, cleaners and others providing services for the tournament. Three work for Conmebol, the South American soccer federation, which provides medics and referees to the tournament.
“We’ve seen that the majority of cases were not among players — they were the people providing them with services,” said Dr. Lucia Campos Pellanda, an epidemiologist and dean of Porto Alegre’s Federal University of Health Sciences. “It’s really cruel — to expose people who are already vulnerable.”
Without systematic contact tracing, authorities are unable to determine how those infections may have spread coronavirus into the wider population.
Enforcing protocols — and controlling the players off the field — has proved challenging. Members of Chile’s team were accused of partying and inviting prostitutes to their hotel. Venezuelan team members infected with the coronavirus allegedly broke quarantine, sneaking out of their rooms. Hotel workers who came in contact with the rogue players complained that their pleas for testing were ignored for days.
With the Tokyo Olympics just over two weeks away, Brazil may serve as a grim bellwether on whether behemoth multinational sporting events can be held safely as the pandemic still rages on. Already, the Summer Games have sparked protests, as coronavirus cases surge across Asia.
“Even if the risk is minimal, even if an event like this results in a single death — is it worth it?” Pellanda asked.
Outraged Brazilians have dubbed the tournament “Cova America,” rebranding it using the Portuguese word for “grave.” Memes of a coffin kicking a coronavirus have swept through social media.
Brazil has advanced to the final, scheduled for Saturday. But many fans say that even if it wins and retains the title it captured in 2019, there will be little to celebrate.
“There just isn’t that same joy that the game usually brings,” said Júlia Passos, a 21-year-old food service worker. “This time, it brings a lot of sadness. Because it can’t erase what happened, how many people have died.”
Her family, like so many others, saw the devastation of COVID-19 up close. Her stepfather spent a week in hospital, struggling to breathe.
“With all the pain Brazil is going through, that we’re going through,” Passos said. “It is not the time to host a huge sporting event like this.”
Still, she couldn’t turn down a gig in one Rio stadium hosting some of the matches. Out of work since March, the young mother needed the income. On game days, she earns $20 serving food and drinks to the coaches, organizers and security staff.
Passos managed to get one dose of COVID-19 vaccine, and she and her colleagues are tested for coronavirus every other day. Nonetheless, she said, the job feels risky, starting with her 25-mile commute from the outskirts of the city.
“We end up so exposed. We take trains packed full of people to get to work,” she said. “But I really needed the work.”
Her stepbrother, Júnior Campos, needed money too and also jumped at the chance to nab a job at the stadium. Yet, even as a soccer fan, the tournament left a bitter taste.
“I lost my uncle and, just last week, I lost my best friend too,” said Campos, 21, who was applying to colleges when the pandemic struck. “We’ve lost so many people to the virus. And so many are still dying. It’s absurd to have this event, to pretend like life is back to normal here, like in Europe.”
The Euro Cup, which is being held in 11 countries across the continent, kicked off in June amid easing lockdowns and ramped-up vaccination campaigns in many of the host nations. But even with reduced stadium capacity and rigid travel restrictions, the tournament has failed to fully avoid infection. The World Health Organization sounded an alarm recently, pointing to overcrowding and clusters of cases.
Health experts warn the risks are even greater in Brazil, where just over 13% of the population is fully vaccinated. One particular worry is that highly contagious new variants could gain traction. The Delta strain — first discovered in India — was spotted in one city hosting Copa America matches, though authorities are still unsure if it infected tournament participants.
In the last two weeks, daily coronavirus cases have eased from June’s record peaks. But health experts still fear spikes. And with the lag between infections and illness and hospitalization, they warn that the tournament’s full effects may not become clear for weeks.
Unlike much of the world, Brazil never closed down to contain the virus. All along, Bolsonaro downplayed COVID-19 and urged Brazilians to keep working. Lockdowns, he insisted, kill more people than the virus by hurting the economy.
Brazil ultimately lost out on both fronts. As the virus ripped through the country undeterred, the pandemic decimated the economy. A welfare scheme helped keep informal workers afloat last year, but the aid was slashed significantly as public spending ballooned.
Angry Brazilians have taken to the streets, calling for vaccines, economic aid and impeachment of the president. Nearly 15 million are out of jobs and hunger has almost doubled, with 19 million routinely going without food during the pandemic.
Faced with economic need, millions risk their health in search of work, including in the Copa America.
On a recent morning, Viviane Azevedo served breakfast to the Copa America delegations at a ritzy hotel in Rio’s wealthy south zone. Still waiting for her second dose of vaccine, she was happy for extra shifts at the hotel that came with the influx of guests.
“It’s a disgrace really, hosting this tournament now,” said Azevedo, 43, who went back to waitressing after being laid off from a piercing studio early in the pandemic. “But for us, there’s no other way. In today’s Brazil, if you don’t take the risk, you’ll go hungry.”
Murilo Castro Vianna, 61, waited outside the same hotel in a white shuttle bus, ready to drive Uruguay’s team to training. Earlier in his 12-hour shift, he had dropped off an injured player at the airport. A few days earlier, a fellow driver had been sickened by COVID-19.
“I’ve spent every day of this pandemic on the street, working,” he said. Before this, he had driven around linesmen working for an electricity company. “Here, I’m being tested. I wear my mask, I try to be careful. That’s all you can do.”
Back at the barber shop he owns in Belford Roxo, a working-class neighborhood on the northern fringe of Rio, Jesus was clad in a face mask as he swiftly razed a little boy’s hair into a mullet, like the ones worn by soccer stars.
One chair over, an unmasked employee trimmed a client’s beard, then doused it in a fragrant spray. Stand-up comedy blared from the television.
Jesus’ secret mission last month wasn’t the first time he cut the hair of Brazil’s soccer elite. But the Copa America job was a chance he couldn’t pass up.
The tiny, bright shop had remained shut for much of the pandemic. Jesus kept cutting hair in the homes of clients, to stay afloat.
“Are we afraid of the virus?” Jesus said. “Of course we’re afraid. But we have to work.”
Ionova is a special correspondent.
06/07/2021 – GZH
Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/07/estudantes-do-ensino-fundamental-tem-aulas-sobre-virus-e-vacinas-em-projeto-da-ufcspa-ckqsrzeg400cm013bnuna3m5v.html
Estudantes do Ensino Fundamental têm aulas sobre vírus e vacinas em projeto da UFCSPA
Iniciativa trabalha temas complexos de forma lúdica e atende crianças do 1º ao 9º ano da Escola Vicente da Fontoura, na zona sul de Porto Alegre
Explicar para crianças temas como a composição dos vírus, a transmissão de doenças e a ação das vacinas no corpo humano pode ser uma tarefa complexa, que requer recursos lúdicos e criativos. Por este motivo, um projeto da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) utiliza jogos, animações, protótipos e uma linguagem simplificada para fazer com que alunos do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental aprimorem seus conhecimentos científicos.
Professor da instituição e idealizador da iniciativa, Luiz Carlos Rodrigues afirma que o Aprendendo sobre Vírus e Vacinas foi criado em 2019 especialmente para a Feira de Saúde, evento da UFCSPA que leva trabalhos de alunos e professores para escolas da Capital, a fim de abordar assuntos relacionados à saúde pública. A partir dessa apresentação inicial, foi constatada a necessidade de tornar o projeto uma atividade contínua.
— Observamos que existia um desconhecimento por parte das crianças sobre vacinação, o que são vírus, como ocorre a contaminação. Eles não sabiam, por exemplo, para que servia cada vacina, achavam que se fossem imunizados para HPV também estariam imunes à gripe ou ao HIV — relata.
Em 2020, a iniciativa virou um projeto de extensão que envolve alunos dos cursos de graduação e de pós-graduação da UFCSPA, mas, devido à pandemia, não foi possível colocar em prática todo o planejamento. Mesmo assim, a equipe coordenada por Rodrigues produziu dois livros digitais sobre o tema, sendo um infantil e um infantojuvenil, e utilizou o período para modificar o projeto, adaptando-o ao formato virtual, com aulas remotas.
Atualmente, o Aprendendo sobre Vírus e Vacinas atende 10 turmas da Escola Estadual de Ensino Fundamental Vicente da Fontoura, da zona sul de Porto Alegre, com os estudantes divididos em três níveis, de acordo com o ano em que estão matriculados. Para colocar o projeto em prática com a instituição, foi realizado um diagnóstico inicial para verificar o conhecimento das crianças sobre vírus e vacinas. De acordo com o professor, muitos estudantes sabem bastante sobre o coronavírus, mas a maioria desconhece outros vírus e formas de prevenção e contaminação:
— Perguntamos as formas de transmissão dos vírus e todos responderam “pelo espirro, passar as mãos nos olhos, na boca, contato”, mas outras formas eles não sabem. E é isso que a gente quer ensinar, o nosso projeto vai além do coronavírus, então trazemos o conteúdo de uma forma bem lúdica para que eles possam entender, fazemos jogos e aulas práticas.
Os encontros virtuais, de até uma hora, ocorrem semanalmente em dias e horários combinados com a escola. A iniciativa prevê ainda a montagem de um laboratório dentro da instituição, com protótipos e equipamentos que a universidade não utiliza mais. Além disso, há seminários com os professores para a transferência das metodologias adotadas durante as aulas.
Maria Berenice Brandli Pereira, coordenadora pedagógica da Escola Vicente da Fontoura, comenta que a iniciativa está tendo um retorno bastante positivo por parte dos alunos, que ficam empolgados e ansiosos pelas próximas aulas:
— É algo que está acrescentando muito na vida deles, eles adoram as aulas online, e são atividades diferenciadas que o projeto faz, então as crianças se envolvem e participam muito.
Para Rodrigues, o Aprendendo sobre Vírus e Vacinas tem uma grande importância social, pois impacta diretamente na formação de crianças em relação a questões de saúde pública e ajuda a disseminar conhecimentos fundamentais. O professor considera essencial essa aproximação entre universidade e escola e acredita que o projeto possa ser utilizado para ampliar assuntos de outras áreas que são pouco abordadas nas instituições de ensino.
— As universidades têm condições de proporcionar muito mais do que a escola em termos de amplitude dos assuntos. As escolas seriam beneficiadas nesses projetos e os alunos das universidades também, porque aprenderiam a ter esse contato com a sociedade em que eles efetivamente vão trabalhar depois — defende.
A previsão é de que, no final deste ano, o projeto seja transformado em um programa para que possa contemplar mais escolas. Os livros produzidos pela equipe da UFCSPA estão disponíveis para download por meio deste link.
06/07/2021 – Tribuna de Jundiaí
Link: https://tribunadejundiai.com.br/saude/coronavirus/e-possivel-ter-covid-mesmo-com-as-duas-doses-da-vacina/
É possível ter Covid mesmo com as duas doses da vacina?
Cada medida de prevenção adotada é uma “camada extra” de proteção
Apesar de já ter tomado as duas doses da vacina contra a Covid-19, a apresentadora Ana Maria Braga informou, nesta segunda-feira (5) que contraiu o vírus. A notícia repercutiu e fez surgir a dúvida no público: é possível ter a infecção mesmo após ter completado o esquema vacinal? Segundo os estudos conduzidos com cada uma das vacinas em uso contra a Covid-19, sim, uma vez que os imunizantes evitam os casos graves da doença, mas não o contágio.
O objetivo principal das vacinas, neste momento, é evitar formas graves da Covid-19, e não necessariamente o contágio pela doença (ainda que algumas vacinas já tenham se mostrado capazes de evitar também a transmissão e a infecção). Nas pesquisas, as vacinas são testadas para sua capacidade de evitar contágio, casos sintomáticos, moderados e graves e morte pela Covid. Até agora, todas as vacinas que estão sendo aplicadas no Brasil – CoronaVac, AstraZeneca/Oxford, Pfizer e Johnson – foram capazes de evitar internações e mortes pela doença.
Cada medida de prevenção adotada – como se vacinar, usar máscaras, evitar aglomerações e lugares fechados – é uma “camada extra” de proteção. Por isso é necessário combiná-las com a imunização.
Apesar de já ter tomado as duas doses da vacina contra a Covid-19, a apresentadora Ana Maria Braga informou, nesta segunda-feira (5) que contraiu o vírus. A notícia repercutiu e fez surgir a dúvida no público: é possível ter a infecção mesmo após ter completado o esquema vacinal? Segundo os estudos conduzidos com cada uma das vacinas em uso contra a Covid-19, sim, uma vez que os imunizantes evitam os casos graves da doença, mas não o contágio.
O objetivo principal das vacinas, neste momento, é evitar formas graves da Covid-19, e não necessariamente o contágio pela doença (ainda que algumas vacinas já tenham se mostrado capazes de evitar também a transmissão e a infecção). Nas pesquisas, as vacinas são testadas para sua capacidade de evitar contágio, casos sintomáticos, moderados e graves e morte pela Covid. Até agora, todas as vacinas que estão sendo aplicadas no Brasil – CoronaVac, AstraZeneca/Oxford, Pfizer e Johnson – foram capazes de evitar internações e mortes pela doença.
Cada medida de prevenção adotada – como se vacinar, usar máscaras, evitar aglomerações e lugares fechados – é uma “camada extra” de proteção. Por isso é necessário combiná-las com a imunização.
“Mesmo ao ar livre, de máscara, se tiver 100 pessoas, o risco vai ser maior do que se tiver duas pessoas. Não adianta ‘estou ao ar livre, não preciso de máscara’. Precisa. ‘Eu estou ao ar livre, não preciso ficar à distância’. Precisa. ‘Ah, eu estou de máscara, não preciso manter a distância’. Precisa”, explica Lucia Pellanda, cardiopediatra e professora de epidemiologia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
“Quando a gente faz todas as coisas, vai diminuindo bastante o risco. As pessoas têm ideia de que é tudo ou nada. O risco é contínuo”, reforça Pellanda.
Veja as taxas de eficácia contra casos graves alcançadas durante os testes em cada vacina usada no Brasil até o momento:
Johnson: 85% eficaz
Coronavac: entre 83,7% e 100% eficaz
Pfizer: 92% eficaz
AstraZeneca: 100% eficaz
A taxa mais alta de imunização somente é alcançada após a segunda dose. Das quatro vacinas aplicadas no Brasil, apenas a da Johnson/Janssen alcança a sua taxa máxima de eficácia em apenas uma dose, então, é necessário estar completamente vacinado, com as doses necessárias.
Especialistas são unânimes ao dizer que não se deve escolher vacina, já que é muito melhor tomar qualquer uma disponível do que ficar vulnerável à Covid-19. E, ao se vacinar, você ajuda a aumentar a cobertura vacinal, que é o mais importante neste momento.
06/07/2021 – Diário Gaúcho
Link:http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/07/sete-casos-positivos-em-seis-dias-veja-o-balanco-da-acao-de-controle-sanitario-em-estacao-da-trensurb-20640491.html
“Sete casos positivos em seis dias: veja o balanço da ação de controle sanitário em estação da Trensurb
Prefeitura de Porto Alegre está convidando passageiros sintomáticos a realizarem testes rápidos para detecção da covid-19
A prefeitura de Porto Alegre divulgou nesta segunda-feira (5) que mais dois casos positivos de covid-19 foram detectados na ação de controle sanitário realizada na Estação Mercado da Trensurb. Desde 28 de junho, foram sete casos confirmados da doença após 78 testes rápidos realizados.
Os passageiros que tiveram resultado positivo nesta segunda-feira são de Porto Alegre e Alvorada. Ambos assinaram termo se comprometendo a cumprir isolamento, segundo a Secretaria Municipal da Saúde. A prefeitura divulgou que o passageiro de Porto Alegre retornou à residência em veículo da Trensurb. O de Alvorada, em veículo próprio.
A prefeitura utiliza imagens da câmeras da Trensurb que possuem sensor térmico. Os passageiros que apresentam sintomas de covid-19, ou que tem temperatura corporal acima de 37,5 °C, são convidados a realizar o teste.
O trabalho é realizado de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
A prefeitura ainda não detalhou como será o protocolo para retomar a ação de controle sanitário no Aeroporto Internacional Salgado Filho. Na semana passada, foi divulgado que uma nova medida será adotada, oferecendo testes do tipo RT-PCR para quem desembarcar no aeroporto e ficar na Capital por ao menos quatro dias.”
05/07/2021 – ZH
Versão Impressa
Apoio psicológico paraos60+
Mesmos os vacinados da população 60+ seguem tomando uma série de cuidados. Entre eles, a manutenção do distanciamento, que resulta em menor interação social. O isolamento, necessário para evitar o contágio pela covid-19, também fez aparecer sequelas emocionais. A percepção deste problema levou à criação do projeto Acolhendo Idosos na Pandemia, oferecido pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em parceria com a Santa Casa. O amparo psicológico gratuito está à disposição desde o início de abril, mas agora a divulgação da iniciativa é ampliada.
O apoio está aberto para pessoas acima de 60 anos que estiverem se sentido sozinhas, tristes, ansiosas ou passaram a ter problemas com o álcool. O serviço é gratuito, nos sete dias da semana, das 8h às 19h. Para ser atendido, basta ligar para o número 0800 760 5151. Quem procurar ajuda, de qualquer parte do país, será avaliado e poderá receber intervenções psicoterápicas durante um mês, com um atendimento por semana.
Até agora, cem idosos passaram pelo projeto e 25 seguem em acompanhamento. Dos que buscaram apoio, 77% apresentaram sintomas de ansiedade e 73% de depressão.
05/07/2021 – GZH
Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2021/07/sete-casos-positivos-em-seis-dias-veja-o-balanco-da-acao-de-controle-sanitario-em-estacao-da-trensurb-ckqradwkt0025013b4ckjtreo.html
“Sete casos positivos em seis dias: veja o balanço da ação de controle sanitário em estação da Trensurb
Prefeitura de Porto Alegre está convidando passageiros sintomáticos a realizarem testes rápidos para detecção da covid-19
A prefeitura de Porto Alegre divulgou nesta segunda-feira (5) que mais dois casos positivos de covid-19 foram detectados na ação de controle sanitário realizada na Estação Mercado da Trensurb. Desde 28 de junho, foram sete casos confirmados da doença após 78 testes rápidos realizados.
Os passageiros que tiveram resultado positivo nesta segunda-feira são de Porto Alegre e Alvorada. Ambos assinaram termo se comprometendo a cumprir isolamento, segundo a Secretaria Municipal da Saúde. A prefeitura divulgou que o passageiro de Porto Alegre retornou à residência em veículo da Trensurb. O de Alvorada, em veículo próprio.
A prefeitura utiliza imagens da câmeras da Trensurb que possuem sensor térmico. Os passageiros que apresentam sintomas de covid-19, ou que tem temperatura corporal acima de 37,5 °C, são convidados a realizar o teste.
O trabalho é realizado de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
A prefeitura ainda não detalhou como será o protocolo para retomar a ação de controle sanitário no Aeroporto Internacional Salgado Filho. Na semana passada, foi divulgado que uma nova medida será adotada, oferecendo testes do tipo RT-PCR para quem desembarcar no aeroporto e ficar na Capital por ao menos quatro dias.”
05/07/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/07/hospitais-do-rs-participam-de-mais-de-um-terco-das-pesquisas-para-medicamentos-contra-a-covid-19-no-brasil-ckqr2lbt4000b013bg6nr9sya.html
“Hospitais do RS participam de mais de um terço das pesquisas para medicamentos contra a covid-19 no Brasil
Estado é reconhecido em nível nacional pela excelência das instituições e pela qualificação de trabalhadores da saúde
Reconhecido em nível nacional pela excelência de hospitais e qualificação de trabalhadores da saúde, o Rio Grande do Sul vem se destacando no Brasil por conduzir estudos que buscam remédios para combater ou curar a covid-19.
Hoje, 89 pesquisas clínicas (feitas com pessoas) para investigar possíveis medicações contra o coronavírus ocorrem no país, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Dados do site Clinical Trials, onde são registrados os estudos no mundo todo, mostram que ao menos 33 – mais de um terço – ocorrem no Rio Grande do Sul.
— A indústria procura centros de excelência e em que protocolos internacionais serão facilmente cumpridos à risca. São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul têm os centros de pesquisa melhor montados. O Rio Grande do Sul sempre foi tido como um Estado de excelência na área da saúde e na incorporação de novas tecnologias. Isso não é de hoje, com a covid, mas de um investimento feito no passado — resume Nelson Mussolini, presidente-executivo do Sindicato da Indústria dos Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma).
Estudos foram ou estão sendo conduzidos em praticamente todos os grandes hospitais gaúchos: Clínicas de Porto Alegre e de Passo Fundo, Conceição, Moinhos de Vento, Santa Casa de Misericórdia, São Lucas da PUCRS, Mãe de Deus, Ernesto Dornelles e Universitário de Santa Maria são algumas das instituições.
Além de coroar a qualidade desses hospitais, a alta concentração de pesquisas clínicas coloca médicos gaúchos em contato com as mais recentes discussões sobre covid-19 do mundo.
A maioria das pesquisas é de fase 3 (para analisar a segurança e eficácia da medicação), patrocinadas por laboratórios estrangeiros e multicêntricas – isto é, integram iniciativas internacionais que recrutam milhares de voluntários de diversos países para assegurar que a medicação possa ser usada em diferentes perfis etários e étnicos.
— O Rio Grande do Sul tem centros de excelência, grandes hospitais e equipes qualificadas. Há muitos hospitais universitários e muitos centros de especialidades, o que facilita a execução de protocolos — resume o médico infectologista Alessandro Pasqualotto, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
Os estudos buscam remédios em diversas frentes: para uso de forma precoce nos primeiros dias de sintoma; para evitar que pessoas que entraram em contato com algum caso positivo adoeçam; e para hospitalizados, no esforço de evitar a piora do quadro e a morte, explica o médico infectologista Eduardo Sprinz, coordenador de estudos para vacina e medicações no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).
Nesse quesito, destaca Sprinz, a alta circulação viral no Rio Grande do Sul também dá um empurrão na escolha do Estado para testar os remédios – é preciso ter pessoas adoecidas para checar se uma fórmula funciona.
Em fevereiro, o HCPA começou a fase 3 de uma pesquisa para avaliar os efeitos de um remédio francês, chamado de ABX464, em pacientes hospitalizados. A pesquisa também é conduzida em outros 13 hospitais brasileiros, além de instituições da Europa e da Ásia.
— A gente tenta achar medicamentos que façam pessoas gravemente doentes melhorarem. Tem estudos para evitar ventilação mecânica e, mais recentemente, para evitar que a pessoa recentemente diagnosticada progrida a casos mais graves. Hoje, os remédios disponíveis são para dar suporte a hospitalizados e há o uso do corticoide, para pessoas com comprometimento do pulmão, com os quais a gente quer evitar que a doença progrida — resume Sprinz.
De todos os estudos em solo gaúcho, os mais promissores são para avaliar o uso de anticorpos monoclonais em pacientes hospitalizados. A ideia é pegar anticorpos gerados por pessoas já infectadas, purificá-los e inseri-los em pessoas hospitalizadas com covid-19 de forma a ensinar o sistema imune dos doentes mais graves a lutar contra o coronavírus.
Nos Estados Unidos, remédios com anticorpos monoclonais já foram aprovados pela agência reguladora para uso emergencial. A expectativa é de que o pedido seja feito também à Anvisa nos próximos meses.
— Conseguimos retirar do plasma o anticorpo que funciona contra covid, multiplicá-lo e transformá-lo em remédio para outras pessoas. São anticorpos que tentam impedir o vírus e a inflamação do vírus de agredir o pulmão do paciente — explica o médico Claudio Stadnik, coordenador do Centro de Pesquisa em Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.
A Santa Casa conduz ao menos 11 estudos em busca de um remédio para o coronavírus, segundo registros no Clinical Trials. Um deles investiga o uso de gotas de cloridrato de tetraciclina no nariz de indivíduos contra a contaminação por coronavírus. Dois investigam possíveis remédios, em pílula, para uso de forma precoce – sem dados preliminares, ainda.
Outra referência é o Moinhos de Vento, que participa da Coalizão Covid Brasil, uma frente de hospitais do país que toca diferentes estudos em busca de medicações contra a doença. Fazem parte Sírio-Libanês, Albert Einstein, Oswaldo Cruz, HCor, Beneficência Portuguesa de São Paulo e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), junto ao Ministério da Saúde.
Até agora, a Coalizão já iniciou 10 pesquisas. O melhor resultado mostrou que o uso do corticoide dexametasona em pacientes hospitalizados reduziu o tempo de internação e o número de mortes. Outros estudos mostraram que a hidroxicloroquina e a azitromicina não tiveram efeito em pacientes estudados.
— A Coalizão já finalizou cinco ensaios clínicos randomizados. Avaliamos a hidroxicloroquina, que não demonstrou benefício em pacientes hospitalizados. Também avaliamos o antibiótico azitromicina, que não demonstrou benefícios. No estudo com o dexametasona, houve benefício para pacientes em ventilação mecânica, e os resultados foram unidos a outros estudos do mundo e revisados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o que contribuiu de maneira importante para gerar evidência a um dos poucos medicamentos que existem hoje para a covid — diz Regis Goulart Rosa, médico intensivista e pesquisador do Hospital Moinhos de Vento.
No Mãe de Deus, um estudo multicêntrico, que ocorria em 22 países, foi encerrado no ano passado – os resultados estão sendo consolidados. Hoje, há uma pesquisa com anticorpo monoclonal, realizada em 26 nações. No Brasil, foram escolhidos apenas três outros hospitais: dois em São Paulo e um no Rio de Janeiro.
— Desvendar a covid, esse mistério, é muito importante para os pacientes que têm a oportunidade de usar essa medicação e para todos nós que nos beneficiaremos dos resultados — afirma Rodrigo Boldo, médico intensivista e pesquisador do Mãe de Deus.
O Grupo Hospitalar Conceição (GHC) participou do estudo Pioneer, que avaliou o uso de um antiviral em pessoas internadas – os resultados ainda não foram divulgados. A pesquisa foi patrocinada pelo NHS, o Sistema Único de Saúde (SUS) do Reino Unido.
Em junho, a instituição começou a fase 3 de uma nova pesquisa, com anticorpos monoclonais, em pessoas nos primeiros dias de sintomas com covid-19. O estudo ocorre em vários países e é organizado pelo National Institutes of Health (NIH, ou Instituto Nacional de Saúde na sigla em inglês), com a Universidade da Califórnia (UCLA) e o Instituto de Pesquisa em Aids do Rio Grande do Sul (Ipargs).
— Há um protocolo-base que, ao longo do tempo, elimina do estudo remédios que se provem não serem bons. Agora, estamos na fase seis. Ou seja, cinco outros remédios não deram resultado. O protocolo vem fechado para um local capacitado a desenvolver esse protocolo. E isso depende de o local ter capacidade técnica, organização, local para conduzir o estudo, equipe e voluntários — diz o médico infectologista Breno Riegel, líder da pesquisa no GHC.
O Hospital Ernesto Dornelles, a Santa Casa da capital e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre estudam em voluntários internados o uso do remdesivir associado a três moduladores do sistema imune – Infliximabe, Abatacept e Cenicriviroque.
A ideia é entender como esse coquetel pode controlar o avanço da doença, acelerar a recuperação e diminuir o risco de morte por coronavírus. A pesquisa, organizada pelo Duke Clinical Research Institute e supervisionada pelo NIH, vai acompanhar 2,1 mil adultos hospitalizados em Estados Unidos, Brasil, Peru e Argentina.
— Fazer pesquisa exige organização, comitê de ética e patrocínio. O Rio Grande do Sul é um celeiro de oportunidades para jovens médicos e pesquisadores. A pós-graduação na área da saúde é muito forte aqui, o que incentiva a ter projetos. Há centros para captar pacientes, registros informatizados e tradição em pesquisa há décadas — diz a médica pneumologista Juliana Cardozo Fernandes, coordenadora do estudo no Hospital Ernesto Dornelles.
Ela dá um exemplo pessoal para resumir como o investimento de anos em ciência traz resultados para o futuro:
— Eu mesma, 20 anos trás, fui bolsista de pesquisa da UFCSPA. Isso colocou uma pulga atrás da minha orelha. Hoje, sou uma pesquisadora.”
03/07/2021 – Portal Cidade Marketing
Link:https://www.cidademarketing.com.br/marketing/2021/07/03/pesquisa-apoiada-pela-brf-que-identificou-109-mutacoes-no-sars-cov-e-publicada-em-periodico-cientifico-internacional/
“Pesquisa apoiada pela BRF, que identificou 109 mutações no SARS-CoV, é publicada em periódico científico internacional
Estudo da Univates, universidade de Lajeado (RS), pode contribuir para o desenvolvimento de fármacos para tratar a Covid-19
Uma pesquisa apoiada pela BRF e coordenada pela Universidade do Vale do Taquari – Univates, de Lajeado (RS), foi publicada na revista Scientific Reports, jornal científico internacional, do grupo Nature. O trabalho da Universidade do Vale do Taquari contou com uma doação de R$ 100 mil da BRF e identifica mutações no vírus SARS-CoV, num esforço para identificar mecanismos para o desenvolvimento de fármacos para tratar a Covid-19.
Liderado pelo professor Luis Fernando Saraiva Macedo Timmers, o estudo analisou 627 sequenciamentos genéticos de amostras do SARS-CoV-2 coletadas no Brasil e identificou 109 mutações no vírus causador da Covid-19. O estudo dá aos pesquisadores condições de avaliar mecanismos de evolução viral, ou seja, quais proteínas estão sofrendo mutações e em quais elas são mais prevalentes. “Podemos ter indícios de como o vírus está se adaptando ao meio”, explica Timmers.
A pesquisa é uma visão geral sobre as mutações que aconteceram no Brasil e, ao estar agora disponível à comunidade científica internacional, contribui para a adoção de diferentes abordagens possíveis no campo do desenvolvimento de fármacos para o tratamento da Covid-19. Além da Univates, participam da pesquisa a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e a Universidade de Tübingen (Alemanha).
Outras pesquisas da Univates com apoio da BRF
Esse não é o único projeto da Univates em desenvolvimento que utiliza recursos doados pela BRF.
Diagnóstico mais rápido e barato – Em um projeto sob o título Detecção do vírus da Síndrome Respiratória Corona Vírus-2 por Espectroscopia no Infravermelho com Transformada de Fourier, a professora Daiane Heidrich, doutora em Medicina, procura um exame mais rápido e barato, e com menor impacto ambiental, para detectar o vírus pela saliva, em vez da secreção coletada do nariz e da garganta utilizada pelo RT-PCR. O objetivo é desenvolver uma tecnologia alternativa que possa ser utilizada pela população do Vale do Taquari, por meio do apoio e interesse das redes municipais de saúde, e mesmo fora da região onde se situa a Univates.
Ozônio para a desinfecção e sanitização – A diretora de Inovação e Sustentabilidade da Univates, professora Simone Stülp, doutora em Engenharia de Minas, Metalúrgica e de Materiais, coordena um projeto, em conjunto com uma startup instalada no Tecnovates, a Alvap, que investiga a adoção do ozônio para a desinfecção e sanitização. O manejo do ozônio, pela Alvap, é usado para a limpeza de frutas, purificação de água, principalmente na indústria e na agricultura. A professora Simone Stülp ressalta que o investimento da BRF para o Tecnovates é uma aproximação com o Hub de Inovação da BRF, conectado com as áreas prioritárias do Parque Tecnológico, e bem-vindo em área de extrema necessidade neste momento de emergência sanitária. O BrfHub é o braço de inovação aberta da BRF, que procura diariamente conectar a empresa com novos estudos e tecnologias.
As doações no combate à Covid
A doação para a Univates faz parte de um conjunto de R$ 50 milhões anunciados pela BRF em abril de 2020, utilizados em distribuição de alimentos, insumos médicos e apoio a fundos de pesquisa e desenvolvimento social, para contribuir com os esforços de combate aos efeitos da pandemia. A iniciativa alcança hospitais, organizações de assistência social e profissionais de saúde nos estados e municípios em que a empresa possui operação. Dentre os contemplados, além da Univates, estão a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, o Instituto Butantan e o Hospital das Clínicas, em São Paulo.
Em março deste ano, a BRF anunciou a doação de mais R$ 50 milhões, que contempla ações em 15 estados brasileiros e em países onde a BRF tem unidades produtivas, centros de distribuição e escritórios corporativos.
As doações e demais ações da BRF no combate ao Coronavírus podem ser acompanhadas pelo site https://www.brf-global.com/sobre/seguranca/comunicado-coronavirus”
01/07/2021 – Jornal do Comércio
Link:https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/especiais/coronavirus/2021/07/799706-porto-alegre-tera-servico-de-acompanhamento-a-pacientes-em-recuperacao-pos-covid.html
“Porto Alegre terá serviço de acompanhamento a pacientes em recuperação pós-Covid
A partir da próxima segunda-feira (5), a Secretaria Municipal de Saúde da Capital, em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), oferecerá acompanhamento a pessoas que necessitam de auxílio no período de recuperação pós-Covid. A partir de triagem em uma unidade de saúde será iniciado o processo de assistência ao paciente, que contará com apoio do Centro de Saúde IAPIe do HCPA.
Segundo a prefeitura, o primeiro passo é procurar a unidade de saúde, onde a equipe de enfermagem será responsável pelo plano de cuidado do paciente e encaminhamentos às especialidades. A partir desta primeira análise, será feita a inserção no sistema que administra o fluxo de consultas na rede pública. Dependendo do caso, a pessoa poderá ter o acompanhamento na unidade de saúde de sua referência.
Casos mais complexos serão encaminhados ao Centro de Saúde IAPI, e situações mais graves, que exijam avaliações mais complexas com tomografias e outros exames, contarão com o apoio do HCPAo.
Nesta primeira etapa do serviço serão disponibilizadas dez consultas semanais, com equipe de enfermagem, nutrição, fisioterapia, psicologia, fonoaudioaudiologia, fisiatria e educador físico. A partir de agosto, se somarão ao projeto alunos e professores da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFSCPA) e da Unisinos.
A recuperação de pessoas que foram contaminadas com a Covid-19 e necessitaram de atendimento médico muitas vezes exige um acompanhamento mais demorado no período de recuperação, dependendo da gravidade das intercorrências. O tratamento após a donça é especialmente importante para os que passaram longos períodos em leitos clínicos ou internados em UTI.”
01/07/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2021/07/porto-alegre-dara-inicio-a-servico-de-acompanhamento-para-recuperacao-pos-covid-na-segunda-feira-ckqlfavh000ab013b0ugashdf.html
Porto Alegre dará início a serviço de acompanhamento para recuperação pós-covid na segunda-feira
Atendimento será direcionado para as pessoas que ainda enfrentam sequelas da doença
A partir da próxima segunda-feira (5), as pessoas que já são consideradas curadas da covid-19, mas que ainda enfrentam sequelas da doença poderão buscar um atendimento específico em Porto Alegre. O serviço de acompanhamento para recuperados do coronavírus será oferecido pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).
O primeiro passo para buscar o auxílio é seguir até uma unidade de saúde da Capital. Lá, a equipe de enfermagem será responsável pelo plano de cuidado do paciente e encaminhamentos às demais especialidades.
Dependendo do caso, a pessoa poderá ter o acompanhamento na própria unidade de saúde. Em ocorrências mais complexas, os pacientes serão encaminhados ao Centro de Saúde IAPI. Situações que exijam avaliações mais detalhadas, como tomografias e outros exames, contarão com o apoio do Hospital de Clínicas — que já tem este serviço em atividade há mais tempo.
Nesta primeira etapa, o atendimento será feito em 10 consultas semanais. Serão oferecidas especialidades como nutrição, fisioterapia, psicologia, fonoaudiologia, fisiatria e educador físico, este último com o apoio dos profissionais da Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Juventude.
A partir de agosto, o serviço ganhará o reforço de alunos e professores da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFSCPA) e Unisinos.
Conforme a SMS, o tratamento pós-covid é especialmente importante para os que passaram longos períodos em leitos clínicos e mais ainda para aqueles que estiveram internados em UTIs.





