30/08/2022 – Matinal Jornalismo
Agenda (Cultura)
Disputa se acirra pela Câmara e ameniza para a Assembleia - Matinal Jornalismo
A dança e suas vertentes serão abordadas no ciclo de debates virtuaisCorpo em Movimento – A Dança Como Ferramenta de Transformação Social, promovido pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, sempre às terças-feiras, às 19h30, em quatro encontros mensais, de hoje a novembro.
30/08/2022 – GHZ
Link: Negro, indígena, de baixa renda e com deficiência: as histórias de pessoas contempladas pela Lei de Cotas | GZH (clicrbs.com.br)
Negro, indígena, de baixa renda e com deficiência: as histórias de pessoas contempladas pela Lei de Cotas
Estudantes oriundos de escolas públicas relatam sua trajetória no Ensino Superior e a importância da política pública para suas vidas
Ano após ano, a Lei de Cotas foi dando outro perfil ao Ensino Superior brasileiro. São mais estudantes de baixa renda, negros, indígenas e pessoas com deficiência circulando pelos corredores das universidades federais. Além do histórico parecido — todos são oriundos de escolas públicas —, eles têm, em comum, uma trajetória de poucas oportunidades e muitas limitações. Leia, abaixo, histórias de quatro pessoas que foram contempladas pela lei 12.711, que completa 10 anos.
"O ensino é elitizado"
Lucas da Silva Barcelos Pinto, 27 anos, cotista de baixa renda da UFRGS
Lucas da Silva Barcelos Pinto sofreu um baque quando foi demitido de uma loja de informática. Ele tinha 23 anos e seu currículo só exibia o Ensino Médio completo em uma escola pública de Porto Alegre. Bateu o medo de que, com aquele nível de escolaridade, não fosse conseguir nada melhor do que o emprego que havia perdido. Se quisesse prosperar, concluiu ele, precisaria de mais um diploma.
Conseguiu um bico de garçom e usou o dinheiro da rescisão para pagar um cursinho preparatório para o vestibular. Dedicado, foi aprovado no curso de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Filho de um chapeador de carros aposentado e de uma balconista de farmácia, ambos com Ensino Fundamental incompleto, Lucas entrou na vaga de cotista de baixa renda, destinada a quem pertence a famílias cujos proventos não passam de um salário mínimo e meio por pessoa.
Na busca pela identidade profissional, acabou mudando de rota — hoje cursa Publicidade e Propaganda na UFRGS —, mas já teve algumas conquistas. Aos 27 anos, Lucas trabalha a distância para uma agência de conteúdo de São Paulo. Saiu da casa da mãe, no bairro Belém Novo, zona sul da Capital, para morar sozinho em um apartamento de 18 metros quadrados no Centro Histórico, com aluguel pago com o próprio salário.
O imóvel fica próximo ao restaurante universitário (RU) da universidade, onde almoça e janta de graça todos os dias, benefício concedido a cotistas de baixa renda. Apesar da satisfação em estudar em uma instituição reconhecida como a UFRGS, sente um choque de realidade toda vez que fala com os colegas sobre a vida pessoal.
— Tenho colegas com dinheiro, gente que vai com carrão para a aula, que mora sozinho porque os pais pagam o aluguel. Chega o final de semana e alguns colegas falam: “Vamos para a festa tal, a balada tal, com ingresso de R$ 60”. Com R$ 60, eu compro comida para o final de semana inteiro — reflete.
Tem grande afinidade com o irmão, Guilherme, de quem é colega de curso na UFRGS. Aos 25 anos, o caçula também é cotista de baixa renda, mas ainda está lutando pela própria independência — ganha dinheiro vendendo doces nos corredores da universidade. Quando formados, serão os primeiros, pela parte da família da mãe, a ostentar um diploma de Ensino Superior.
Pelo desejo de Guilherme, as universidades teriam mais pessoas como eles, jovens que tiveram nas cotas uma oportunidade:
— As universidades públicas deveriam ser compostas por pessoas que precisam, que não têm condições de pagar por uma universidade privada. Mesmo com as cotas, o ensino, no meu ponto de vista, é elitizado.
"Tu te sente um intruso”
Antônio Augusto Firmo Tietböhl, 19 anos, cotista negro da UFCSPA
Os versos da música Um Dia de Injúria, do cantor Amiri, foram lembrados com frequência pelo estudante Antônio Augusto Firmo Tietböhl, 19 anos, nos primeiros dias na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Prestes a iniciar o segundo semestre do curso de Gastronomia, o jovem conta que ele e o irmão foram os primeiros da família a ingressarem no Ensino Superior. A conquista veio pelo desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que possibilitou entrar na reserva de quase 5% das vagas a candidatos autodeclarados pretos, pardos ou indígenas que, independentemente da renda, tenham feito integralmente o Ensino Médio em escolas públicas.
Augusto sempre foi incentivado pela família a estudar. O pai não completou o Ensino Fundamental e é dono de um bar. Já a mãe é empregada doméstica e concluiu o Ensino Médio. Morando nas proximidades da Vila Cruzeiro, em Porto Alegre, o estudante explica que sua trajetória ainda é uma exceção dentro da comunidade.
— Eu tinha quatro amigos quando era criança. Com 12 anos, tive uma escolha. Meus pais sempre me falaram que eu tinha que fazer o correto (...). Dá para ver que o caminho que alguns se deixaram levar foi bem ruim. Tive um amigo que faleceu, outro que está preso, outro que é viciado. Eu sei que houve um livramento para mim.
Augusto diz que seu círculo social é formado, em maioria, por pessoas negras, mas que na faculdade o contexto é outro. Ele desabafa que a falta de representatividade dentro da universidade é desanimadora, porque há poucos colegas e professores negros.
— Tu te sente um intruso, basicamente. A gente anda por aqui e as únicas pessoas negras que vê são funcionários. Aqui predomina a elite, ninguém é favelado (...). O que recorri foi conversar com uma professora (que é negra) e me firmar nas minhas raízes. Saber onde eu estou. Querendo ou não, é uma oportunidade — relata.
A presença pouca expressiva de negros no setor gastronômico também motivou o jovem a querer mudar o futuro. Augusto diz que percebe poucos chefs pretos no Rio Grande do Sul e sonha em seguir os passos do pai abrindo um estabelecimento e ajudando a mãe a reformar a casa.
— Precisamos ter informação para que as outras pessoas saibam que não estão sozinhas.
A professora Monica de Oliveira, que coordena a Comissão de Heteroidentificação e está no grupo de nove docentes negros da UFCSPA, reconhece que há um desafio na inclusão de alunos negros e pardos, principalmente com o distanciamento social que houve na pandemia. No entanto, ela salienta que estão programadas novas ações para os próximos meses, como a atuação do coletivo negro da universidade e de grupos de estudo que se reúnem para debater essas questões.
"Medicina sempre foi um sonho, mas não era uma realidade"
Laura Feliciana Paulo, 29 anos, cotista indígena, a primeira a se formar em Medicina na UFSM
A família Paulo foi transformada pela Lei de Cotas. Filhas de uma professora e de um pastor de origem indígena, da etnia Terena, as irmãs Laura Feliciana Paulo, 29 anos, e Larissa Emile Paulo, 27, foram as primeiras formadas na universidade. Elas deixaram as raízes no Mato Grosso do Sul para cursar Medicina na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Hoje, são médicas e atuam em Campo Grande.
Graduada em dezembro de 2016, Laura foi a primeira indígena a se formar em Medicina pela UFSM. Depois disso, voltou para seu Estado, onde fez especialização em cirurgia geral. Desde abril, atua em um hospital do Exército como militar temporária. Mais do que realizar o sonho de ser médica, as cotas abriram uma porta que até então era inédita para seus familiares: o acesso ao Ensino Superior.
— Medicina sempre foi um sonho, mas não era uma realidade. Não tinha condições de pagar um cursinho. Fui - de ambos lados da família, do meu pai, que veio da aldeia, e da minha mãe, da favela de São Paulo - a primeira a entrar na faculdade. Graças ao sistema de cotas — frisa Laura.
Larissa formou-se dois anos depois, em 2018. Assim como a irmã mais velha, voltou para o Mato Grosso do Sul após a conclusão do curso. Atualmente, faz residência em clínica médica em Campo Grande.
"Não consigo competir de igual para igual com todo mundo"
Patrick Schnvendler, 24 anos, cotista com deficiência da Furg
Patrick Schnvendler ingressou na Universidade Federal do Rio Grande (Furg) em 2017 por dois motivos: recomendação da irmã, que já estudava na instituição, e pelo fato da Furg ser uma das poucas instituições que já ofereciam a cota para pessoas com deficiência. Patrick tem uma limitação que afeta a coordenação motora e dificulta a leitura e a escrita.
— A política das cotas faz toda a diferença. Algumas pessoas não entendem isso. Nem todas as pessoas têm as mesmas oportunidades, os mesmos privilégios, as mesmas circunstâncias de estudo, de capacitação — afirma o estudante do curso de bacharelado em Química.
Com 24 anos, Patrick, que é paulista, encarou o desafio de viajar até o sul do Rio Grande do Sul em busca do sonho. Na universidade, ele encontrou condições favoráveis à permanência. Ele conta com apoio de um bolsista da instituição para auxiliar nos estudos.
— Meu ritmo de estudo é mais lento do que as pessoas que não têm a mesma deficiência. Eu não consigo competir de igual para igual com todo mundo. A política das cotas é algo necessário — complementa.
Patrick planeja conquistar o diploma no ano que vem. A ideia é seguir na área acadêmica e cursar mestrado e doutorado. Embora os planos ainda sejam incertos, o estudante pensa na possibilidade de ser professor.
30/08/2022 – GHZ
Link: Os avanços e desafios após 10 anos da Lei de Cotas | GZH (clicrbs.com.br)
Os avanços e desafios após 10 anos da Lei de Cotas
Lei federal de 2012 ampliou o acesso à universidade, mas ainda tem obstáculos a superar
A Lei de Cotas completa 10 anos como um marco no acesso ao Ensino Superior, garantindo metade das vagas nas universidades e institutos federais para quem estudou em escolas públicas, com reserva para pessoas de baixa renda, negros, indígenas e pessoas com deficiência. Conforme seu texto original, deveria sofrer uma revisão até o final de agosto deste ano, mas ela ficou para depois.
Sem o cumprimento deste prazo legal, nada mudará no programa de ações afirmativas, conforme especialistas ouvidos por GZH. No Congresso Nacional, tramitam mais de 70 propostas sugerindo modificações na lei, sendo que 31 preveem a restrição das cotas. A expectativa é de que o tema seja retomado somente após as eleições de outubro.
Um dos diretores da Associação Brasileira de Pesquisadores e Pesquisadoras Negros (ABNP), Delton Aparecido Felipe critica o fato de que metade das propostas dos parlamentares busca limitar as cotas a estudantes de escolas públicas, sem o recorte racial.
— O problema de uma revisão da Lei de Cotas é o contexto em que vivemos, em que o governo federal e parte dos congressistas entende que as cotas não deveriam ser aplicadas à população negra. Temos de lembrar que, entre os objetivos da lei, está o combate ao racismo e, consequentemente, alcançar a redução das desigualdades sociais — pondera Felipe, que é professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Coordenadora do Grupo de Trabalho de Políticas Etnorraciais da Defensoria Pública da União (DPU), Rita Cristina de Oliveira lembra que o Brasil é signatário da Convenção Interamericana Contra o Racismo, que estabelece a aplicação de políticas afirmativas em caráter temporário. No entanto, segundo ela, os indicadores mostram que há um longo caminho a percorrer até que as cotas não sejam mais necessárias.
— Tivemos um aumento expressivo de estudantes cotistas nesses 10 anos. Não temos, no entanto, um aumento suficiente para dizer que a desigualdade de acesso foi superada — reforça.
O que mudou em 10 anos
Em 2010, quando ainda não havia a Lei de Cotas no Brasil e algumas universidades federais tinham seus próprios programas de reserva de vagas, 90% dos estudantes entravam por ampla concorrência e apenas 10% pelas ações afirmativas. Em 2019, com a vigência da lei, o ingresso por ampla concorrência caiu para 61% e, pela reserva de vagas, subiu para 39%.
Os dados são da pesquisa Avaliação das políticas de ação afirmativa no Ensino Superior no Brasil: resultados e desafios futuros, realizada pela ONG Ação Afirmativa em parceria com o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Educação Superior da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que se baseou no Censo da Educação Superior.
Na avaliação da educadora Denise Carreira, coordenadora institucional da ONG e uma das responsáveis pela coordenação da pesquisa, o principal benefício da lei foi implementar a reserva de vagas com o recorte racial:
— Antes de 2010, havia pouca reserva de vagas para negros. A maioria das ações afirmativas das universidades era destinada a alunos de escolas públicas. Somente em 2012, com a Lei de Cotas, começamos a observar maior entrada de estudantes pretos e pardos.
Considerando o período entre 2013 e 2019, a pesquisa mostra que houve um aumento de 205% no ingresso do tipo de estudante tido como mais vulnerável: aquele que, além de ser egresso de escola pública, é negro ou indígena e pertencente a família de baixa renda. Já a participação dos egressos de escolas públicas e integrantes de famílias de baixa renda, sem recorte racial, aumentou 105%. As taxas de evasão têm pouca diferença: 10% dos não cotistas abandonaram os estudos superiores nos anos iniciais, enquanto o índice de desistência dos cotistas é de 9%.
Desempenho acadêmico
O desempenho acadêmico dos cotistas é um argumento da parte dos opositores da lei que alega que os estudantes não teriam o conhecimento necessário para acompanhar as aulas das universidades federais. Segundo o pesquisador do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Adriano Senkevics, essa hipótese não se confirmou.
— De fato, os cotistas entram com uma nota um pouco mais baixa, o que é natural, porque o objetivo da cota é possibilitar que aquela pessoa ingresse. Ao longo do curso, as trajetórias convergem e cotistas e não cotistas vão terminar o curso com notas similares — salienta Senkevics.
O desafio de permanecer na universidade
Além de dar acesso ao Ensino Superior, é importante que a lei, se for revista, garanta que o cotista tenha como custear a alimentação, o transporte e o material para conseguir dar sequência aos estudos, observa Wilson Mesquita de Almeida, professor de Políticas Públicas da Universidade Federal do ABC e especialista em Ensino Superior no Brasil.
— A política de acesso deve ser pensada junto com a de permanência. Não se pode deixar o aluno de baixa renda que entrou em Medicina na UFRGS ir embora, porque ele vai mudar a família dele, a irmãzinha vai querer estudar. Ao mesmo tempo, é um prejuízo financeiro e de geração, porque ele não vai trabalhar, não vai ter produtividade para o país — explica.
A pandemia e a redução de recursos destinados ao Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), que oferece assistência a estudantes de baixa renda, como moradia, transporte e alimentação, são fatores que impactam na permanência dos cotistas, lamenta a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz:
— Há muita dificuldade em fazer com que esses estudantes permaneçam no Ensino Superior porque os subsídios que eram dados estão sendo cortados e eliminados do orçamento, e isso nos preocupa bastante.
A Lei de Cotas nas Universidades Federais do Rio Grande do Sul
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Nos 10 anos da Lei de Cotas, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) formou 3.601 cotistas. Destes, 1.118 se identificavam como pretos, pardos e indígenas (31%). Atualmente, 7.475 alunos com matrícula ativa na instituição são cotistas, sendo que 2.428 se identificam como pretos, pardos e indígenas (32,4%).
Desde 2008, a UFRGS tem, por iniciativa própria, reserva de vagas para egressos de escolas públicas e autodeclarados negros. Em 2018, foi criada uma comissão para entrevistar os candidatos para essas vagas, uma medida que busca evitar fraudes.
Na avaliação do coordenador da Coordenadoria de Acompanhamento do Programa de Ações Afirmativas (CAF) da UFRGS, o sociólogo Edilson Nabarro, o receio de especialistas em educação é que a revisão da lei encerre a oferta de vagas destinadas a negros e indígenas, pauta de quem defende que as cotas sejam somente para estudantes de escolas públicas, sem o recorte racial.
— Aí teríamos um retrocesso da presença de pretos e pardos nas universidades públicas. Não há dúvida de que o perfil das universidades mudou. A diversidade aumentou e é esse o objetivo da implantação de medidas compensatórias, reparadoras. Não podemos tratar como iguais os que vivem em desigualdade — pondera.
Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)
Após a Lei de Cotas, 326 alunos de ações afirmativas se formaram na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Atualmente, a faculdade conta com 988 estudantes cotistas matriculados.
O acolhimento destes acadêmicos é um desafio, de acordo com a professora Monica de Oliveira, que coordena, dentro da UFCSPA, a Comissão de Heteroidentificação para verificar os requisitos das cotas e promover formações a professores e funcionários.
Monica faz parte do grupo de nove docentes que se autodeclaram negros ou pardos no quadro de 387 professores da instituição. Um aluno negro, 34 anos, que é cotista e não quis se identificar, contou a GZH que ainda sente falta de representatividade:
— A universidade praticamente não tem professores negros, é difícil se enxergar como parte da UFCSPA dessa forma. Os negros são vistos como extraterrestres lá dentro. Eles falam em um projeto de acolhimento de alunos negros, fazem algumas palestras no início do semestre, porém, depois não é feita uma manutenção disso, sabe?
A professora Monica reconhece que a pandemia foi um problema para seguir nesse trabalho de acolhimento porque as atividades presenciais só foram retomadas em maio deste ano. No entanto, ela salienta que estão programadas novas ações para os próximos meses, como a atuação do coletivo negro da universidade e de grupos de estudo que se reúnem para debater essas questões.
— Sabemos que existe um racismo estrutural, mas há um envolvimento para que ações sejam desencadeadas e se entenda que esse aluno seja respeitado. Cota não é esmola — enfatiza.
Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)
Com três campi no Rio Grande do Sul, a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) formou 1.164 estudantes cotistas desde a implantação da lei, em 2013. Foram 550 no Campus Cerro Largo, 503 no de Erechim e 111 no de Passo Fundo.
Conforme o diretor de registro da UFFS, Maiquel Tesser, a maioria dos estudantes da instituição já vem da escola pública, ocupando cerca de 85% a 90% das vagas. No Rio Grande do Sul, são 2.117 alunos cotistas e 976 não cotistas estudando nos 20 cursos disponíveis atualmente.
— Temos dificuldades em conseguir preencher as vagas de autodeclarados, com exceção dos cursos mais procurados. A instituição também teve que passar por um processo de readaptação para receber pessoas com deficiência — avalia Tesser.
O diretor ainda destaca a comprovação de renda exigida pela legislação como uma dificuldade encontrada na hora da matrícula:
— A renda é complexa, por exemplo, para o servidor público é uma coisa, o agricultor é outra, o assalariado, o microempreendedor... as universidades tiveram que criar as suas normas internas para coibir fraudes.
Universidade Federal do Pampa (Unipampa)
Aproximadamente 34% das matrículas ativas na Universidade Federal do Pampa (Unipampa) são de cotistas. O dado pode variar para mais, já que apenas a partir de 2017 o sistema da universidade passou a oferecer o campo para registro da modalidade de ingresso no momento da matrícula. O problema também impede que se chegue ao número exato de cotistas graduados na universidade desde o início da sua fundação, em 2008. A estimativa é de que pelo menos 942 cotistas tenham se diplomado entre 2017 e 2021, o que representa 17,9% dos graduados nesse período.
Com 10 campi espalhados pela Campanha, Fronteira Oeste e sul do Estado, a Unipampa também criou, em 2019, via resolução própria, outras duas reservas de vagas para autodeclarados negros e pessoas com deficiência, independentemente de serem oriundos de escola pública. No mesmo ano, uma comissão foi formada para evitar fraudes entre os cotistas, realizando entrevistas e avaliações.
Segundo a assessora para Ações Afirmativas, Diversidade e Inclusão do Gabinete do Reitor da Unipampa, Marta Camargo, é importante que as instituições garantam que as cotas sejam destinadas a quem realmente precisa, para que a validade da política pública não seja posta em questionamento.
— A comissão de verificação é importante porque checa se a pessoa de fato se enquadra. Infelizmente, temos estudos que mostram que parcela dos autodeclarados negros não era signatária das políticas de cotas — diz.
Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Além de cumprir o seu papel, a Lei de Cotas provocou uma revolução nas universidades federais. É esse o entendimento da coordenadora de Diversidade e Inclusão da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Airi Sacco. Atualmente, dos 18.513 estudantes matriculados na instituição, 8.212 são cotistas. A universidade reserva 50% das vagas para as cotas, como determina a lei, e também promove processos seletivos específicos para indígenas e quilombolas. O percentual reservado é ainda maior pelo Programa de Avaliação da Vida Escolar (Pave). O candidato inscrito no programa realiza uma prova ao final de cada ano do Ensino Médio. Neste processo, a reserva de vagas chega a 90%.
— A universidade, se a gente pensar em termos históricos, sempre foi uma fotografia bastante fiel da desigualdade racial no nosso país. Temos uma maioria da população negra, mas quem ocupa os espaços de poder são as pessoas brancas. E conhecimento é poder. Quando a gente passa a ter a implementação da Lei de Cotas, abrimos a universidade para esses grupos — analisa Airi.
Desde a implantação da reserva de vagas, a UFPel formou 3.533 estudantes oriundos da ampla concorrência. No mesmo período, o número de cotistas formados foi de 2.593. Assim, como outras universidades, a instituição também enfrenta problemas de recursos.
— A situação das universidades para fechar o ano é dramática. A gente não tem dinheiro para terminar o ano. E quem mais sofre com isso, evidentemente, são as pessoas mais vulneráveis. As universidades precisam ter as condições necessárias para garantir a permanência dos estudantes — pontua.
Universidade Federal de Rio Grande (Furg)
Na Universidade Federal de Rio Grande (Furg), a discussão de reserva de vagas já existia antes mesmo da integralização da Lei de Cotas na instituição, em 2014. Em 2009, a Furg contava com um programa de ação inclusiva que destinava bônus para estudantes de escolas públicas. A avaliação da política de cotas é positiva, mas a universidade observa que pode avançar ainda mais.
— Precisamos de mais investimentos, principalmente para que a gente possa dar conta da permanência dos estudantes — avalia a pró-reitora de Graduação, Sibele da Rocha Martins.
Em 2021, a Furg formou 1.162 estudantes. A maior parte, 629, são da ampla concorrência. Os demais, que somam 533, são cotistas. Em 2022, a instituição ofertou 2.740 vagas para ingresso. Destas, 1.370 são vagas reservadas em cotas e distribuídas de forma igualitária nos cursos de graduação. A Furg também realiza um processo seletivo específico para estudantes indígenas e quilombolas.
Conforme a instituição, a média de nota é maior entre cotistas do que entre estudantes que ingressaram na ampla concorrência. A média de notas dos cotistas é de 5,6, enquanto que a da ampla concorrência é de 5,3.
Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) tem 19,3 mil alunos regularmente matriculados. Destes, 8.079 são estudantes que ingressaram pelo sistema de cotas, o que representa 42% do total.
O pró-reitor de graduação da UFSM, Jerônimo Siqueira Tybusch, explica que 50% das vagas ofertadas na instituição são para cotistas. No entanto, nem sempre esse quantitativo é preenchido completamente por estes estudantes. Com isso, as vagas migram para a ampla concorrência.
A UFSM foi uma das pioneiras para o ingresso de indígenas no Ensino Superior. Desde que o vestibular deu lugar ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu), os candidatos indígenas passam por uma seleção específica com uma prova aplicada pela pró-reitoria de graduação.
— Nós fomos uma das precursoras. Começamos a trabalhar com ações afirmativas a partir do ano de 2007. Esses processos já se desenvolviam na UFSM. Em 2012, implementada a Lei, antes do prazo, já implementamos os 50% de cotas por decisão do nosso Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão — explica Tybush.
25/08/2022 – Jornal da USP
Link: Atuação da perícia no caso Bruno e Dom abre evento de ciências forenses em Ribeirão Preto – Jornal da USP
Atuação da perícia no caso Bruno e Dom abre evento de ciências forenses em Ribeirão Preto
Encontro Nacional de Ciências Forenses e Encontro da Sociedade Brasileira de Ciências Forenses serão realizados, de 5 a 8 de setembro, em Ribeirão Preto
A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP e a Sociedade Brasileira de Ciências Forenses promovem, de 5 a 8 de setembro, o oitavo Encontro Nacional de Ciências Forenses (ENQFor) e o quinto Encontro da Sociedade Brasileira de Ciências Forenses (SBCF), no Centro de Convenções de Ribeirão Preto.
O tema deste ano, Conectando Ciência e Justiça, pretende discutir as atualidades em química e ciências forenses e suas aplicações interdisciplinares. O objetivo do evento é promover a interação entre pesquisadores, profissionais e estudantes para construção de vínculos e apresentação dos avanços mais recentes na área.
Serão quatro dias com sessões temáticas, conferências plenárias, apresentações orais e de pôsteres, premiações, minicursos e uma cena de crime a ser elucidada. O intuito é proporcionar um ambiente de interação e futuras colaborações para que seja desenvolvida ciência de qualidade, que é fundamental e necessária para a área forense.
A conferência de abertura, Caso Bruno e Dom: a importância da atuação pericial multidisciplinar e tempestiva para compreensão da dinâmica do crime, vai ser apresentada pelo perito criminal federal Carlos Eduardo Palhares Machado, da Polícia Federal.
Outros palestrantes confirmados são o perito criminal federal Lehi Sudy dos Santos, que vai ministrar a palestra Sistema Nacional de Análise Balística; o professor Tiago Franco de Oliveira, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), com a palestra Novos materiais e tecnologias inovadoras para o preparo de amostras em toxicologia post-mortem.
Já o professor Rafael Linden, da Universidade Feevale, vai ministrar a palestra Epidemiologia baseada em águas residuais como uma ferramenta para avaliar o consumo populacional de drogas de abuso usando amostradores passivos; Paulo Soares Oliveira Filho, da Embraer, com a palestra Investigação de acidentes aeronáuticos; e a advogada Maria Eduarda Azambuja Amaral, pós-doutoranda na FFCLRP da USP, a palestra Os erros forenses e a sua importância no Processo Penal.
O professor Tales Giuliano Vieria, da Polícia Civil de Minas Gerais e do Centro Universitário de Lavras (Unilavras), vai apresentar a palestra Investigação forense como itinerário formativo para o novo ensino médio; Luiz Spricigo Jr., do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a palestra Os desafios de construção da Carteira Nacional de Identidade; Luciano Arantes, da Polícia Civil do Distrito Federal, a palestra Análise de substâncias termolábeis e de baixa voltatização por GC-MS de coluna curta; e o perito criminal federal Gustavo P. Vilar, da Polícia Federal da Paraíba, a palestra Conectando Ciência e Justiça: materialidade, autoria e dinâmica em crimes virtuais.
Profissionais, alunos de pós-graduação e alunos de graduação podem inscrever trabalhos. As inscrições podem ser realizadas neste link.
24/08/2022 – Portal do Ministério Público Federal
Link: Agroecologia e saúde foi tema de debate realizado pelo Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos — Procuradoria da República no Rio Grande do Sul (mpf.mp.br)
Agroecologia e saúde foi tema de debate realizado pelo Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos
Evento ocorrido na capital teve transmissão pelo YouTube e cobrou políticas públicas de incentivo à produção agroecológica
Com o tema Cultivando Alimentos e Produzindo Saúde, o Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos (FGCIA) realizou o 2º Seminário Agroecologia e Saúde nessa terça-feira (23). O evento, que ocorreu no auditório do Ministério Público Federal (MPF), em Porto Alegre, teve transmissão ao vivo pelo canal do MPF no RS (MPF/RS) no YouTube. O primeiro ciclo de debates ocorreu em 2019, também na capital.
Fizeram parte da mesa de abertura do seminário o procurador-chefe da Procuradoria da República no Rio Grande do Sul (PR/RS), Felipe da Silva Müller; o procurador do Trabalho Noedi Rodrigues da Silva; e o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, integrante da Associação Brasileira de Agroecologia e representante da sociedade civil na coordenação do FGCIA.
Noedi falou sobre a criação do Fórum, em 2013, exaltando que o seu objetivo vai além do debate de questões relacionadas aos agrotóxicos. “É também fomentar ações concretas. Articular com órgãos governamentais, não governamentais, com a população em geral e a comunidade científica na busca de soluções, de ações de combate a esses impactos nocivos sobre a saúde, sobre o meio ambiente”, acrescentou.
Frequentador das feiras orgânicas ao lado da família, o procurador-chefe Felipe Müller destacou a importância dos temas do evento, especialmente por serem focos de atuação da instituição. “E essa troca de experiências, de ideias, é muito enriquecedora para membros, servidores e sociedade em geral”, afirmou. Para Melgarejo, o Fórum vem trabalhando de uma maneira decisiva no combate à desinformação relacionada aos agrotóxicos e à saúde pública. Disse ainda ver com satisfação a participação do grupo de entidades no FGCIA atraídos pela ação dos membros do Ministério Público. “Isso significa para a sociedade uma atitude de acolhida, de estímulo”, acrescentou o representante da sociedade civil na coordenação do Fórum.
Assista ao vídeo com a íntegra do seminário
O diálogo Políticas Públicas para a Agroecologia, na parte da manhã, foi apresentado por Domingos Antonio Velho Lopes, secretário da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do RS, tendo como mediadora a procuradora da República Ana Paula de Medeiros, integrante do FGCIA. Ana Paula ponderou a necessidade de políticas públicas de incentivo à produção agroecológica e orgânica no estado – a partir da descontinuidade do Plano estadual de agroecologia e produção orgânica em 2019 –, avançando em direção a uma agricultura que promova a saúde dos trabalhadores, consumidores, bem como proteja a água, o solo e as espécies.
Nesse mesmo sentido, o secretário da Agricultura abordou algumas das ações realizadas no âmbito do governo estadual como estímulo à produção orgânica, destacando que “o Plano Plurianual (abrangendo o período de 2022 a 2023), que está sendo construído, terá, sim, um novo plano de agroecologia e produção orgânica”.
No seminário também foram discutidas outras temáticas. O painel Cultivando Alimentos e Produzindo Saúde teve a participação da engenheira agrônoma Maria José Guazzelli, do Centro Ecológico; de Nelson Angnes, presidente da Associação de Meliponicultores do Vale do Alto Taquari; e de Simone Dal Bosco, nutricionista, docente e pesquisadora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (Ufcspa). Já o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Clima Temperado) João Carlos Costa Gomes; o engenheiro agrônomo Adrik Richter, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag): e Andreia Araújo, superintendente da Unidade de Agronegócio do Banrisul, deram continuidade ao assunto Políticas Públicas para a Agroecologia.
Abordaram o tópico Experiências Exitosas na Agroecologia, a bióloga Simone Azambuja, vice-presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan); a cacica Guarani e guardiã de sementes Talcira Gomes; o agricultor ecológico de Pelotas Nilo Schiavon; a nutricionista Samantha Desidério, que trabalha junto à Prefeitura Municipal de Itati; e Franciele Bellé, da Feira dos Agricultores Ecologistas. O evento foi uma realização do FGCIA, com apoio do MPF, MPT, Conselho Regional de Nutrição, UFRGS, Conselho Estadual de Saúde, Agapan, Fetag, Secretaria de Saúde de Porto Alegre e UFPel.
FGCIA – O Fórum Gaúcho de Combate ao Impacto dos Agrotóxicos é uma iniciativa multidisciplinar que reúne entidades como o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Ministério Público Estadual (MPRS) para combater os efeitos danosos de produtos agrotóxicos para a população e os recursos naturais. Formado por 73 instituições, é coordenado pelo procurador do Trabalho Noedi Rodrigues da Silva (MPT/RS), tendo como adjuntos a procuradora da República Ana Paula Carvalho de Medeiros (MPF), a procuradora da República Suzete Bragagnolo (MPF), a conselheira do Conselho Regional de Química 5ª Região, Raquel Fiori (CRQ-V e União Gaúcha em Defesa da Previdência Social e Pública); e o representante da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) Leonardo Melgarejo.
24/08/2022 – UFRGS Notícias
Link: UFRGS participa de lançamento de eventos de inovação na área da saúde — UFRGS | Universidade Federal do Rio Grande do Sul
UFRGS participa de lançamento de eventos de inovação na área da saúde
Nesta quinta-feira, 25, quinta-feira, ocorre em Porto Alegre, o lançamento dos eventos Health Meeting – Encontro de Startups, que acontecerá em outubro de 2022, e Business & Innovation, marcada para outubro de 2023. Entre os objetivos dos eventos, destacam-se a promoção do acesso aos profissionais e gestores da saúde das inovações científicas e tecnológicas do setor; a aproximação de compradores e fornecedores nesse segmento, e a apresentação de soluções inovadoras que atendam aos principais desafios das instituições de saúde.
A UFRGS participa das iniciativas como apoiadora, por meio da Aliança para Inovação (UFRGS-PUCRS-Unisinos) e da Pró-Reitoria de Inovação e Relações Institucionais (PROIR), que participa da Comissão Organizadora e da curadoria dos eventos.
Também são apoiadores do Health Meeting – Encontro de Startups e do Business & Innovation a Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul; o Gabinete de Inovação de Porto Alegre; a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA); o Sindihospa; o Sebrae; o Tecnopuc; a Grow; a Ventiur; e a Wow.
A apresentação dos eventos será realizada no Hotel Plaza São Rafael para um grupo de convidados que reúne gestores, instituições e profissionais do setor de saúde.
24/08/2022 – Sul 21
Link: Toma posse a nova diretoria da ADUFRGS-Sindical - Sul 21
Toma posse a nova diretoria da ADUFRGS-Sindical
Jairo Bolter, ex-diretor de Relações Sindicais da entidade, assume a presidência para o próximo triênio
Nesta terça-feira (23), a nova diretoria da ADUFRGS-Sindical tomou posse em solenidade na sede da entidade, em Porto Alegre. Eleita em chapa única para o triênio 2022-2025, a diretoria tem como presidente Jairo Alfredo Genz Bolter, diretor de Relações Sindicais na última gestão e professor do Departamento Interdisciplinar da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Campus Litoral Norte, e como vice-presidenta Ana Boff de Godoy, vice-presidenta do Conselho de Representantes na última gestão e chefe do Departamento de Educação e Humanidades da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). A transmissão dos cargos foi feita durante uma Assembleia Geral, com a apresentação da prestação de contas do último período seguida da posse da nova diretoria e do Conselho de Representantes.
Ao tomar posse, Jairo Bolter afirmou que seguirá os passos da gestão anterior e destacou a importância da educação no contexto das eleições. “Nos próximos dias teremos que intensificar nosso trabalho dentro das nossas limitações para ajudarmos a reconstruir o estado e o país. Vamos trabalhar para eleger políticos que valorizam a educação e a ciência e que acreditam que o desenvolvimento da nossa nação se constrói com fortes investimentos na educação pública e na ciência, e não os que atacam as nossas instituições. Vamos atuar fortemente para convencer a nossa base que todos precisam votar neste momento, não podemos deixar de ir às urnas. O país precisa de nós, as nossas instituições de ensino precisam de nós e o povo precisa de nós.”
Amarildo Pedro Cenci, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Rio Grande do Sul, também esteve presente na cerimônia e reforçou a importância da luta sindical, desejando êxito para a diretoria empossada. “A gente precisa afirmar essa luta sindical, essa luta civilizatória, estando à frente, coordenando junto com os colegas que compõem essa direção, fortalecendo esse tecido social para que garanta as mudanças e as transformações que tanto nós precisamos para a sociedade e para o nosso país”, afirmou.
Também prestigiou o evento Airton Santos, presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) do Rio Grande do Sul, que renovou a parceria entre as entidades para assuntos que tangem as instituições públicas de ensino. “Nós temos uma boa relação com a ADUFRGS por tudo que travamos, contra os cortes, a favor da autonomia universitária. Esses são momentos em que a gente unifica as pautas. É a luta dos trabalhadores com os estudantes para conseguirmos avançar e ampliar nossa rede de influência.”
Novos diretores:
Presidente: Jairo Alfredo Genz Bolter/UFRGS – Campus Litoral Norte
Graduado, mestre e doutor em Desenvolvimento Rural. Professor do Departamento Interdisciplinar da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS – Campus Litoral Norte. É coordenador da Especialização em Cooperativismo e professor do PGDREDES. Foi membro do Conselho Universitário – CONSUN (2017/2020). Foi diretor de Assuntos de Aposentadoria e Previdência da ADUFRGS-Sindical na gestão 2015/2018 e diretor de Relações Sindicais na gestão 2019/2022, e membro do Conselho Deliberativo – CD do PROIFES-Federação.
Vice-Presidenta: Ana Boff de Godoy/UFCSPA – Departamento de Educação e Humanidades
Licenciada, mestre e doutora em Letras. Atual chefe do Departamento de Educação e Humanidades da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre – UFCSPA, em segundo mandato. Membro do CONSEPE e CPPD. Foi conselheira do Conselho Universitário – CONSUN por dois mandatos consecutivos. Vice-presidente do Conselho de Representantes – CR da ADUFRGS-Sindical na gestão 2019/2022.
1º Secretária: Regina Rigatto Witt/UFRGS – Escola de Enfermagem (Aposentada)
Graduada em Enfermagem, mestre em Saúde Pública, doutora em Enfermagem. Foi credenciada no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. Exerceu a função de vice-diretora da Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS de 2013 a 2016. Foi membro da diretoria da ADUFRGS-Sindical em duas gestões.
2º Secretário e Diretor Social e Cultural: Adauto Locatelli Taufer/UFRGS – Colégio de Aplicação
Graduado, mestre e doutor em Letras. Docente do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS e integrante da equipe de coordenação no curso de especialização em Ensino de Língua Inglesa e Literatura (CAp/UFRGS). Membro do GT de Direitos Humanos da ADUFRGS-Sindical e do PROIFES-Federação.
1º Tesoureiro: Eduardo Rolim de Oliveira/UFRGS – Instituto de Química
Graduado e mestre em Química, doutor em Farmacoquímica pela Université Paris XI. Professor do Departamento de Química Orgânica. Foi presidente da ADUFRGS (2005-2009) e presidente do PROIFES (2012-2018). Tesoureiro da ADUFRGS-Sindical na gestão 2019/2022 e atual diretor de Relações Internacionais do PROIFES-Federação e diretor de Previdência Complementar da ANAPAR.
2º Tesoureiro e Diretor de Assuntos Jurídicos: Paulo Artur Konzen Xavier de Mello e Silva/IFRS
Licenciado e bacharel em Ciências Biológicas, mestre em Genética e Biologia Molecular e doutor em Fitotecnia. Professor titular do Instituto Federal do Rio Grande do Sul – IFRS – Campus Porto Alegre. Foi 1º Tesoureiro da ADUFRGS-Sindical na gestão 2009-2011. Presidiu a comissão fiscal da ADUFRGS por dois mandatos consecutivos (2016-2019 e 2020-2022). Membro da Comissão Executiva do Conselho Fiscal do PROIFES-Federação (2016-2022) e do Conselho de Representantes – CR da ADUFRGS-Sindical.
Diretor de Assuntos da Carreira do MS – Magistério Superior: Elizabeth de Carvalho Castro/UFCSPA – Departamento de Ciências Básicas da Saúde
Graduada em Ciências Biológicas e mestre em Genética e Biologia Molecular. Foi coordenadora do curso de Biomedicina noturno da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre – UFCSPA e atualmente é chefe do Departamento de Ciências Básicas da Saúde da mesma universidade e membro do CONEPE. Integrou a diretoria da ADUFRGS-Sindical (2009-2011).
Diretor de Assuntos da Carreira do EBTT – Ensino Básico, Técnico e Tecnológico: Roger Sauandaj Elias/IFSUL – Campus Sapucaia do Sul
Mestre e licenciado em História, professor do Instituto Federal Sul-rio-grandense – IFSul – Campus Sapucaia do Sul. Responsável pelo Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas (NEABI) desse campus de 2015 a 2021. Atualmente coordena o curso FIC EJA/EPT de Monitoramento Individual. Membro do Conselho de Representantes – CR da ADUFRGS-Sindical, triênio 2019-2021.
Diretora de Comunicação: Ana Karin Nunes/UFRGS – Fabico
Graduada em Comunicação Social/Relações Públicas, especialista em Gestão Universitária, mestre em Comunicação Social, doutora em Educação. Professora da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico), pesquisadora e extensionista em temas relacionados ao planejamento estratégico de comunicação e relações públicas, comunicação para gestão de crise e gestão de riscos.
Diretor de Assuntos de Aposentadoria e Previdência: Mariliz Gutterres/UFRGS – Escola de Engenharia (Aposentada)
Graduada em Engenharia Química, mestre em Engenharia de Materiais, doutora em Química pela TU Bergakademie Freiberg, professora titular (aposentada) na Escola de Engenharia (EE) da UFRGS no Departamento de Engenharia e Química e Programa de Pós-graduação. Foi coordenadora do Programa de Pós-graduação e da Comissão de Pesquisa da EE. É docente convidada e bolsista de Produtividade do CNPq.
Diretor de Relações Sindicais: Maria Cristina Martins/UFRGS – Instituto de Letras
Graduada, mestre e doutora em Letras. É professora de latim do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas. Integra o Programa de Pós-Graduação em Letras Clássicas da UFRJ. Membro titular da CPPD (2020-2022). Membro do CR e do Conselho Fiscal da ADUFRGS-Sindical (2019-2022). Participou da diretoria da ADUFRGS-Sindical (2009-2011).
22/08/2022 – Portal GHC – Grupo Hospitalar Conceição
Link: Grupo Hospitalar Conceição (ghc.com.br)
Profissionais do GHC participam do Curso de Comunicação Escrita em Ciências da Saúde: do Protocolo à Publicação
Na última semana, preceptores dos programas das residências médicas e multiprofissional, docentes da Escola GHC e pesquisadores do Grupo Hospitalar Conceição participaram do Curso de Comunicação Escrita em Ciências da Saúde: do Protocolo à Publicação, ministrado pelos docentes convidados da Santa Casa de Misericórdia e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Freddy Perez (OPAS/OMS) e Elizabeth Macias Rojo (University of Califórnia, San Francisco/USA).
22/08/2022 – O Tempo
Link: Universidades têm número insuficiente de corpos para estudos, em Minas | SUPER NOTICIA (otempo.com.br)
Universidades têm número insuficiente de corpos para estudos, em Minas
UFMG tem o programa de doação mais antigo do Brasil; desde 1999, recebeu 150 cadáveres
Auxiliar outras vidas mesmo após já ter dado seu último suspiro. Promover os sonhos de jovens estudantes e ajudar a encontrar a cura para diversas doenças até quando já não há força física, um coração batendo no peito e um cérebro coordenando as ações e pensamentos. É esse o destino dos corpos doados para estudos em universidades.
A atitude nobre, destacada por professores, é de suma importância para a formação na saúde e para o aprofundamento do conhecimento sobre as estruturas humanas e suas complexidades. Porém, a prática ainda não é comum no Brasil, já que muitos a relacionam à morte e não à vida que pode gerar. Por isso, universidades de Minas Gerais e de todo o país têm buscado conscientizar e sensibilizar as pessoas em relação à doação, já que o número de corpos disponíveis para estudos ainda é insuficiente.
Não há, atualmente, dados centralizados sobre quantas doações são feitas anualmente no Brasil. Cada local que os recebe faz seu próprio balanço. Segundo a Sociedade Brasileira de Anatomia, são 36 programas de doação no País. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) tem o mais antigo, desde 1999, e foi batizado de “Vida Após a Vida”.
Professor e coordenador do programa, Kennedy Oliveira afirma que foram recebidos, desde o início do projeto, 150 corpos. O número, porém, não é ideal. O especialista lembra que vários cursos da área da saúde utilizam cadáveres, como medicina, odontologia, fisioterapia e nutrição. Além disso, o ideal seria que os alunos pudessem se dividir em grupos, de 5 ou no máximo 10 pessoas, para manipulá-los nas aulas - só o curso de medicina tem cerca de 160 alunos por semestre.
“O Brasil tem questões muito particulares em relação ao assunto. Há, por exemplo, em geral, bastante resistência para falar acerca da morte. Muitas pessoas têm medo de fazer a doação, apego ao corpo… Além disso, também tem a questão da desinformação”, diz Oliveira.
A questão da desinformação é mesmo um desafio. Muita gente não sabe, mas qualquer pessoa maior de 18 anos pode declarar sua vontade de doar o corpo para estudos. Os processos podem variar um pouco de universidade para universidade, mas são bem semelhantes. No caso da UFMG, por exemplo, é só ir até o local, passar por uma entrevista e receber a carteirinha de doador.
Com o documento em mãos, é preciso avisar a família sobre o desejo, para que ela comunique ao programa quando o doador morrer e, assim, todos os procedimentos sejam feitos. Não há praticamente nenhuma limitação: de jovens a idosos, todos podem doar. Há algumas exceções quando o falecimento ocorre por motivo violento ou por uma doença muito contagiosa, como a Covid-19.
Há também espaço para arrependimento. O artigo 14 da Lei 10,406/ 2002 do Código Civil brasileiro diz que: “É válida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte. O ato de disposição pode ser livremente revogado a qualquer tempo”. Porém, esse arrependimento não costuma acontecer.
A UFMG, ao longo dos anos, registrou apenas um caso, de uma idosa que, ao contar para a família que era doadora, não recebeu a concordância do netinho. Ela, então, preferiu voltar atrás.
A IMPORTÂNCIA DE UM CORPO REAL
Outro programa bem-sucedido de doação de corpos é o da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. À frente está Andrea Oxley, também vice-presidente da Sociedade Brasileira de Anatomia. Lançado em 2008, o programa já recebeu cerca de 130 corpos.
Andrea Oxley explica que, apesar de atualmente existirem recursos tecnológicos, com modelos de corpos em 3D de excelente qualidade, nada substitui os corpos reais. Algumas questões, explica ela, como a textura dos órgãos e as estruturas internas, não se consegue ver utilizando material artificial. Além disso, muitas cirurgias são feitas em cadáveres, inclusive para o treinamento de técnicas especiais.
“Há, também, o desenvolvimento da questão ético-humanística. Os alunos entram jovens na universidade e se confrontam com a morte, têm a percepção da finitude da vida. Eles aprendem a lidar com um corpo que não pode se defender, aprendem a lidar com a vulnerabilidade”, diz ela.
Andrea também lembra como é importante o gesto de quem doa o corpo para a ciência. “A pessoa que doa não recebe nada em troca; doa acreditando na formação dos profissionais, contribuindo para a qualificação”, salienta.
FUTURO A SER DESCOBERTO
Doar um corpo, muitas vezes, significa ser responsável, mesmo que indiretamente, por descobertas que vão ajudar muitas pessoas no futuro. A Universidade Federal de São João del-Rei iniciou o programa de doação em 2015. De lá para cá, três corpos foram recebidos, inclusive o de um bebê, doado pela família. A criança foi vítima de uma doença rara e, agora, o caso dela poderá ser estudado de maneira mais aprofundada.
“É muito importante a gente ter os corpos. É difícil ter uma representação fidedigna das estruturas do corpo humano com as peças sintéticas que são vendidas; é difícil ter peças que representem a realidade. Além disso, é muito importante o aluno conhecer as variações anatômicas”, afirma Laila Damázio, professora da Universidade Federal de São João del-Rei e do Centro Universitário Presidente Tancredo de Almeida Neves.
Laila também destaca a importância da atitude dos doadores, de “fazer o bem mesmo após a morte”.
DESPEDIDA
Não há como saber por quanto tempo um corpo será utilizado para estudos. Segundo o professor e coordenador do programa “Vida Após a Vida”, da UFMG, Kennedy Oliveira, o prazo varia. Aqueles que são submetidos a cirurgias, em geral, são substituídos após 12 ou 13 anos, em média. Os demais costumam ser estudados por um período maior, em torno de 60 anos.
Quando o prazo “chega ao fim”, esses corpos são enterrados para continuarem descansando em paz, após terem feito o bem.
17/08/2022 – Portal InfoDIRETAS
Link: Cura do câncer? Primeiros imunoterápicos oncológicos brasileiros são pesquisados na Santa Casa (infodiretas.com)
Cura Do Câncer? Primeiros Imunoterápicos Oncológicos Brasileiros São Pesquisados Na Santa Casa
O projeto terá um financiamento de cerca de R$ 4,55 milhões do Ministério da Saúde/Pronon.
A pesquisa que pode representar um marco para a oncologia brasileira já deu o pontapé inicial na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Atualmente, o Brasil importa 100% dos imunoterápicos oncológicos consumidos no país, fazendo com que a pesquisa seja uma possível mudança de cenário para os próximos anos.
A realização do projeto de pesquisa “Desenvolvimento de imunoterápicos oncológicos e seus testes preditivos de resposta para o SUS” deve contar com o financiamento de algo em torno de R$ 4,55 milhões do Ministério da Saúde através do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon).
A pesquisa, que teve apoio confirmado do Ministério da Saúde e representa um dos mais abrangentes estudos já realizados nesta área no país, será conduzida por pesquisadores da Santa Casa de Porto Alegre e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
Os pesquisadores principais do projeto são: Antonio Nocchi Kalil, professor da UFCSPA e diretor médico e de ensino e pesquisa da Santa Casa, e Cristina Bonorino, imunologista e professora da UFCSPA.
O coordenador afirma: “este é um projeto de pesquisa muito bem estruturado que, embora ainda em fase inicial, abre uma importante perspectiva, uma vez que tem como principal objetivo o desenvolvimento de insumos fundamentais para o tratamento da maioria das doenças oncológicas, que hoje são encontrados somente no exterior. Num futuro não muito distante, esperamos poder comemorar resultados que trarão imensos benefícios para toda a oncologia e principalmente para o nosso Sistema Único de Saúde”.
17/08/2022 – Portal Pronatec
Link: Ministério da Saúde oferece mais de 100 cursos online e com CERTIFICADO: inscreva-se gratuitamente! (pronatec.pro.br)
Ministério da Saúde oferece mais de 100 cursos online e com CERTIFICADO: inscreva-se gratuitamente!
Interessados podem participar das formações até o ano de 2023.
Depois que uma pessoa termina o processo de estudo em uma universidade pode pensar que não será mais necessário voltar a aprender. Contudo, a grande questão é que um profissional nunca deixa de buscar novos conhecimentos.
Por esse motivo, é sempre muito importante buscar outras opções para integrar os conhecimentos que já possui. Esse processo pode ser realizado através de cursos oferecidos, muitas vezes, pela internet e de maneira gratuita.
Cursos abertos
Atualmente o Ministério da Saúde está oferecendo uma grande quantidade de oportunidades de cursos utilizando a plataforma do UNA-SUS. As modalidades são voltadas para a área da saúde e conseguem integrar diversos ramos de conhecimento.
Dentre as opções disponíveis é possível ver assuntos na área da geriatria, nutrição, enfermagem, medicina familiar, odontologia, neurologia, oftalmologia, obstetrícia, dentre outras opções.
No geral são 124 cursos que podem ser cursados de maneira online e possuem certificado desde que concluídos corretamente.
Vale lembrar também que as formações são desenvolvidas por diversas instituições renomadas. São elas:
- Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz);
- Universidade Federal de Pelotas (UFPEL);
- Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC);
- Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA);
- Universidade Federal do Maranhão (UFMA);
- Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP);
- Universidade Federal de Goiás (UFG);
- Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG);
- Universidade Federal de São Paulo (Unifesp);
- Universidade de Brasília (UNB);
- Universidade Federal do Piauí (UFPI);
- Universidade Ibirapuera (UNIB).
16/08/2022 – Portal dos Hospitais do Brasil
Link: Primeiros imunoterápicos oncológicos brasileiros para o SUS são objeto de pesquisa da Santa Casa e UFCSPA - HOSPITAIS BRASIL (portalhospitaisbrasil.com.br)
Primeiros imunoterápicos oncológicos brasileiros para o SUS são objeto de pesquisa da Santa Casa e UFCSPA
Uma importante pesquisa, que pode representar um marco para a oncologia brasileira, está dando os primeiros passos na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre (RS).
A realização do projeto de pesquisa “Desenvolvimento de imunoterápicos oncológicos e seus testes preditivos de resposta para o SUS” teve o apoio confirmado pelo Ministério da Saúde e deverá iniciar nos próximos dias, sendo um dos mais abrangentes estudos já realizados nesta área no país. Hoje o Brasil importa 100% dos imunoterápicos oncológicos consumidos no país, tornando a pesquisa uma esperança de mudança no cenário para os próximos anos.
A pesquisa, conduzida por pesquisadores da Santa Casa de Porto Alegre e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), tem como pesquisadores principais Antonio Nocchi Kalil, professor da UFCSPA e diretor médico e de ensino e pesquisa da Santa Casa, e Cristina Bonorino, imunologista e professora da UFCSPA, e terá financiamento em torno de R$ 4,55 milhões do Ministério da Saúde (MS) através do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon).
Para o coordenador, “este é um projeto de pesquisa muito bem estruturado que, embora ainda em fase inicial, abre uma importante perspectiva, uma vez que tem como principal objetivo o desenvolvimento de insumos fundamentais para o tratamento da maioria das doenças oncológicas, que hoje são encontrados somente no exterior. Num futuro não muito distante, esperamos poder comemorar resultados que trarão imensos benefícios para toda a oncologia e principalmente para o nosso Sistema Único de Saúde”, afirma.
Para a pesquisadora Cristina Bonorino, é importante salientar a importância do surgimento dos imunoterápicos. “Estas drogas, que começaram a ser utilizadas em larga escala apenas em 2010, valeram o prêmio Nobel em 2018 aos seus pesquisadores e representam uma revolução no tratamento dos cânceres, mas ainda são extremamente caras, movimentando em torno de 70 bilhões de dólares ao ano no mundo. Uma pesquisa como a nossa coloca a perspectiva de um grande avanço na utilização destes medicamentos, numa escala muito maior e com menores custos, para os pacientes do SUS”.
De acordo com o protocolo aprovado, a pesquisa tem prazo de execução de 36 meses, com início imediato após a liberação dos recursos pelo MS.
16/08/2022 – GZH
Link: Órgão gaúcho de fomento à pesquisa não recebe recursos previstos na Constituição há pelo menos 27 anos | GZH (clicrbs.com.br)
Órgão gaúcho de fomento à pesquisa não recebe recursos previstos na Constituição há pelo menos 27 anos
Fapergs teria direito a 1,5% do valor arrecadado pelo Estado com impostos, mas não obteve nem um terço desse valor desde 1995
Celeiro de mestres e doutores, o Rio Grande do Sul não investe tudo o que deveria em seu órgão estadual de fomento à pesquisa. E não é de hoje – a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), que tem previsto na Constituição gaúcha um orçamento anual de 1,5% do valor arrecadado pelo governo com impostos, há pelo menos 27 anos não recebe esse percentual.
A não aplicação da taxa mínima tem sido alvo de recomendações do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Em seus relatórios e pareceres prévios anuais sobre as contas dos governadores do RS, o órgão repete a proposição de que o Executivo tome providências para cumprir o que está previsto na Constituição. A proposta, no entanto, não foi seguida — o índice máximo já alcançado na série histórica, iniciada em 1995, foi em 2001, quando menos de um terço do 1,5% dos impostos originalmente previsto realmente chegou aos cofres da fundação, de acordo com dados apresentados pela própria Fapergs.
ORÇAMENTO DA FAPERGS X RECURSO PREVISTO NA CONSTITUIÇÃO
Repasses para o órgão não acompanharam o crescimento da receita arrecadada com impostos
(valores em milhões)
Ver no gráfico (link acima)
Em 2022, a fundação recebeu o maior orçamento da série histórica, de R$ 84 milhões, graças ao programa Avançar, que acrescentou R$ 54 milhões no que estava previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA). Ainda assim, o valor representa menos de 20% do previsto na Constituição. A diretoria da Fapergs apresentou ao governo uma proposta de recomposição com um aumento de 15% ao ano, para, até 2040, o repasse constitucional ser alcançado.
— O Rio Grande do Sul tem uma robustez muito grande na área acadêmica. Se o Estado conseguir colocar mais recursos em pesquisas científicas, tecnologia e inovação, teremos um retorno muito expressivo. Temos conseguido sensibilizar o governo quanto a isso e temos a expectativa de um orçamento pelo menos no mesmo nível deste ano para 2023, talvez até mais — projeta o diretor-presidente da fundação, Odir Dellagostin.
Secretário estadual de Planejamento, Governança e Gestão, Claudio Gastal salienta que o descumprimento do percentual previsto na Constituição não é exclusividade do RS, ainda que haja outros Estados, como São Paulo, que conseguem cumprir. No entanto, aponta que o governo faz esforços para, no ano que vem, manter o valor repassado em 2022.
— O que procuramos neste governo é a manutenção desse valor, que já é bem acima do destinado em outros anos. Em paralelo, temos uma discussão interna de trabalhar na previsão do escalonamento do recurso, até chegar ao valor orçamentário previsto na Constituição. Mas isso tem que ser olhado pensando no regime de recuperação fiscal, no teto de gastos e na situação financeira do Estado — pontua o secretário.
Gastal ressalta, por outro lado, a capacidade de execução da Fapergs, que tem utilizado todo o recurso que recebe para abrir editais e financiar projetos de pesquisa de diferentes áreas. Entre eles, o mais recente é o programa Doutor Empreendedor, que visa estimular o empreendedorismo entre pesquisadores com título de doutorado. A fundação também aumentará, a partir de setembro, o valor das bolsas de Iniciação Científica e de Iniciação Tecnológica e Inovação, voltadas para graduandos, de R$ 400 para R$ 500. Já as bolsas de pós-doutorado empresarial receberão reajuste de R$ R$ 4,1 mil para R$ 5 mil.
Pior orçamento da região Sul
Considerando a média dos orçamentos obtidos entre 2018 e 2020 pelas fundações de amparo à pesquisa dos três Estados da região Sul, o Rio Grande do Sul, mesmo tendo uma população maior do que Santa Catarina e Paraná, recebeu os repasses mais baixos. Em média, a Fapergs ganhou R$ 29,5 milhões anuais no período, enquanto em SC o recurso foi de R$ 38,1 milhões e no PR foi de R$ 47,5 milhões. A liderança absoluta em termos de investimentos é de São Paulo, que repassou uma média de R$ 1,4 bilhão por ano à Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) – mais da metade dos R$ 2,6 bilhões registrados pelas fundações do Brasil inteiro.
— Há quem diga que a Fapesp é forte porque São Paulo é forte, mas eu acredito que é o contrário: São Paulo é forte e cresce cada vez mais porque tem uma Fapesp forte. O investimento em ciência, tecnologia e inovação dá muito retorno — defende Dellagostin.
O perfil das fundações de amparo é diferente em cada Estado. No RS, a decisão foi de não conceder bolsas da própria Fapergs para mestrandos e doutorandos, como é feito, por exemplo, em Santa Catarina e São Paulo. A razão disso, segundo o diretor-presidente da Fapergs, é que o sistema de pós-graduações gaúcho já é muito robusto e qualificado e, por isso, não há falta de bolsas para estudantes gaúchos dos principais órgãos de fomento, que são federais: a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
— O percentual de alunos que recebem bolsas na pós-graduação aqui no RS está acima da média nacional. Em outros Estados, quando ainda há necessidade de formação de mestres e doutores, o governo investe muito em bolsas — explica, citando como exemplo o Amazonas e o Maranhão, onde as fundações de amparo tem uma participação significativa na concessão de bolsas.
Considerando-se os recursos recebidos por instituições e pesquisadores da fundação de amparo estadual, da Capes e do CNPq, o RS é a terceira unidade federativa com menos contribuição de verba estadual nesse setor, atrás apenas de Rio Grande do Norte e Roraima. O principal investimento da Fapergs é em programas de Iniciação Científica, como forma de incentivo a alunos de graduação que queiram seguir seus estudos no mestrado e no doutorado, e em projetos de pesquisa. Em abril deste ano, quase 1,3 mil projetos estavam sendo financiados pela agência gaúcha de fomento.
Áreas com mais pesquisas
A grande área de conhecimento com mais pesquisas sendo feitas no Rio Grande do Sul é a das Ciências da Saúde — de toda a produção científica realizada, conforme a plataforma SciVal, que reúne estudos feitos em 20 mil instituições de ensino do mundo, 24% são em Medicina. O segundo maior campo de pesquisas é o de Ciências Biológicas e Agrárias, com 19% da produção.
Especializada nessa área de conhecimento, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) é uma das que recebe suporte da Fapergs em suas pesquisas — no edital do programa Pesquisador Gaúcho mais recente, que concede verba para todos os campos de estudo, das 31 propostas submetidas pela instituição de ensino, 11 foram contempladas.
— É claro que, se o recurso fosse maior, teríamos demanda para competir, mas, com o governo federal no status que está, a Fapergs tem financiado grande parte das nossas pequisas — comenta a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UFCSPA, Dinara Moura.
Entre os projetos não contemplados, estão uma pesquisa sobre o canabidiol, substância derivada da maconha, e um trabalho de avaliação da suplementação de zinco para pessoas obesas. Por outro lado, receberam verba, por exemplo, estudos sobre imunoterapia para o tratamento de doenças virais e oncológicas, o uso de nanotecnologia para prevenir e tratar o Herpes Simplex Vírus-2, o impacto da proteína de reparo do DNA no tratamento de glioblastoma, a relação entre o distúrbio comportamental do sono RBD e o desenvolvimento da doença de Parkinson e a influência dos mecanismos de reparo de DNA sobre a resposta à quimioterapia em linhagens de câncer colorretal.
Dinara ressalta outra qualidade da gestão da Fapergs: a organização. A pesquisadora relata que, algumas vezes, órgãos de fomento lançam editais que dificultam a submissão de trabalhos, como aqueles voltados para áreas muito específicas ou com prazo muito curto, o que não ocorre na Fapergs.
— Em termos de organização, para os pesquisadores, o prazo curto é um complicador. Já a Fapergs vem cumprindo seu calendário de editais com previsibilidade. Se tivéssemos um aporte maior de recursos seria excelente, até por essa organização que conseguimos enxergar — elogia a pró-reitora.
O mesmo foi dito pelo secretário Claudio Gastal, que destacou que a boa gestão faz com que a capacidade de execução da Fapergs chegue a quase 100% — ou seja: quase tudo o que recebe de orçamento, a fundação consegue reverter em investimentos em ciência, tecnologia e inovação.
16/08/2022 – Rádio Aratiba
Link: Psicólogas de Mariano Moro participam de Seminário Intersetorial em Porto Alegre - Rádio Aratiba Am 900 de Aratiba - RS - Brasil (radioaratiba.com.br)
Psicólogas de Mariano Moro participam de Seminário Intersetorial em Porto Alegre
Tendo em vista o Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio, Porto Alegre sediou o 6º Seminário Intersetorial de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio. O evento, realizado na última semana, contou com a presença de profissionais da área da psicologia de Mariano Moro e aconteceu no teatro Moacyr Scliar, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
A programação começou com palestra da médica Marilise Fraga de Souza, da Secretaria Estadual da Saúde (SES), apresentando o Plano Estadual de Promoção da Vida e Prevenção ao Suicídio e compartilhando estratégicas para o enfrentamento do fenômeno. Na sequência, foram abordados assuntos como campanhas seguras de valorização da vida e ações da sociedade civil organizada, incluindo o Centro de Valorização da Vida, a Cruz Vermelha Brasileira e a Associação Médico Espírita do Rio Grande do Sul.
Dentre as principais pautas, foram apresentadas campanhas de prevenção alusivas ao Setembro Amarelo, o plano estadual como modelo proposto de referência na elaboração e implementação de um plano a nível municipal e estratégias de trabalho em rede intersetorial.
Participaram deste seminário as psicólogas Camila Benincá, Kelin Rosetti, Markelli Machry e a estagiária em Psicologia, Gabrieli Pinto.
16/08/2022 – Sul 21
Link: IBGE realiza nesta quarta (17) Dia de Mobilização do Censo Quilombola - Sul 21
IBGE realiza nesta quarta (17) Dia de Mobilização do Censo Quilombola
Haverá atividades em oito territórios quilombolas do país, incluindo o Quilombo dos Alpes, em Porto Alegre
O IBGE promove nesta quarta-feira (17) o Dia de Mobilização do Censo Quilombola. A ação pretende sensibilizar a população quilombola para responder ao censo que, pela primeira vez na história, terá a pergunta “você se considera quilombola?”, com a finalidade de produzir informações específicas sobre estas comunidades.
Haverá atividades em oito territórios quilombolas do país, incluindo o Quilombo dos Alpes, em Porto Alegre, onde a presidente da Associação Quilombo dos Alpes, Rosângela da Silva Ellias, vai receber o IBGE para marcar simbolicamente o início da coleta no território.
No dia 1º de agosto, o IBGE deu início à coleta domiciliar do Censo Demográfico 2022. No Rio Grande do Sul, a estimativa é de mais de 4 milhões de domicílios visitados por cerca de 11 mil recenseadores. Programado para ser realizado inicialmente em 2020, mas adiado devido à pandemia, e em 2021 por questões orçamentárias, o Censo 2022 marca 150 anos do primeiro recenseamento feito no país.
No Censo 2022, há dois tipos de questionário: o básico, com 26 quesitos, leva em torno de 5 minutos para ser respondido. Já o questionário ampliado, com 77 perguntas e respondido por cerca de 11% dos domicílios, leva cerca de 16 minutos. A seleção da amostra que irá responder o questionário ampliado é aleatória e feita automaticamente no Dispositivo Móvel de Coleta (DMC) do recenseador.
População quilombola no RS
A inserção de perguntas específicas sobre as populações quilombola e indígena no censo deste ano deve ajudar a produzir políticas públicas que atendam as necessidades desses cidadãos.
Em setembro de 2020, primeiro ano da pandemia de covid-19, uma pesquisa elaborada por estudantes da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e divulgada pela Frente Quilombola do Rio Grande do Sul (FQ/RS) indicou, por exemplo, as desigualdade de condições econômicas e sanitárias enfrentadas por famílias que vivem nos quilombos urbanos da Capital para manter o distanciamento social em comparação com outros moradores da cidade.
De acordo com a FQ/RS, 750 famílias viviam naquele momento nos oito quilombos urbanos de Porto Alegre: Silva (Três Figueiras), Alpes e Flores (Glória), Areal e Fidélix (Centro), Machado (Sarandi), Lemos (Morro Santana) e Família Ouro (Mapa/Lomba do Pinheiro). O estudo apontou que apenas 21,8% dos moradores dos territórios estavam conseguindo manter o isolamento durante a pandemia. Entre os motivos para saídas, 77% disseram que precisavam trabalhar fora. No mesmo levantamento, quase 80% disseram estar inscritos no Cadastro Único do governo federal.
16/08/2022 – Zero Hora
Versão Impressa
Um sopro de esperança para o tratamento do câncer
Um dos mais abrangentes estudos já realizados para a criação de imunoterápicos contra o câncer no Brasil dá os primeiros passos no Rio Grande do Sul. Com financiamento de R$ 4,5 milhões do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon), ligado ao Ministério da Saúde, pesquisadores da Santa Casa e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) irão desenvolver medicamentos que ainda não são produzidos no país. E o melhor: com foco voltado ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Hoje, o Brasil importa 100% dos fármacos usados nos tratamentos de imunoterapia oncológica. Essa nova forma de combate à doença vem provocando uma revolução na área, basicamente por envolver a ativação do próprio sistema de defesa do paciente no combate às células tumorais. Se os cientistas gaúchos tiverem sucesso (e terão), será possível baratear custos e ampliar o acesso a esses remédios.
À frente do grupo, estão dois professores da UFCSPA: a imunologista Cristina Bonorino e o diretor médico de ensino e pesquisa da Santa Casa, Antônio Kalil.
- Estamos muito otimistas. Em um futuro não muito distante, esperamos poder comemorar resultados que trarão imensos benefícios à sociedade - diz Kalil.
Especialista no tema, Cristina explica que os imunoterápicos começaram a ser utilizados em larga escala em 2010 e renderam o prêmio Nobel de 2018 aos seus criadores. Apesar disso, ainda são drogas caríssimas.
- Hoje, uma dose custa R$20 mil, algo impensável para o SUS. Nossa pesquisa vai criar um biofármaco nacional e abrir novas perspectivas - destaca Cristina.
De onde vem o dinheiro
Com prazo de 36 meses, o estudo receberá recursos do que se pode chamar "Lei Rouanet" da oncologia. Sancionada em 2012, a legislação criou o Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon) e permite que empresas e pessoas físicas destinem parte do imposto de renda a projetos na área. Ou seja: a pesquisa só está sendo possível, graças ao apoio de gente que compreendeu o seu papel.
Inteligência coletiva
Com apoio do projeto Porto Alegre: Cidade Educadora, que integra o Pacto alegre e busca tornar a Capital uma referência na área, cinco instituições de ensino da cidade preparam mais uma edição do evento Inteligência Coletiva, nos dias 24 e 27. Fruto de parceria entre os colégios Farroupilha (que sediará o encontro), Marista Rosário, Monteiro Lobato, Giordano Bruno e Dr. Liberato Salzano Vieira da Cunha, a ação é voltada à formação de docentes em tempos de transformação.
A palestra de abertura será com Celso Vasconcellos, autor do livro Para Onde Vai o Professor. Mais detalhes em professoresinquietos.com.br.
12/08/2022 – Grupo Hospitalar Conceição
Grupo Hospitalar Conceição (ghc.com.br)
GEP/GHC convida para a palestra “Humildade cultural para profissionais de saúde pública”
A Gerência de Ensino e Pesquisa do Grupo Hospitalar Conceição, em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, promove a palestra “Cultural Humility for Public Helath Professionals” (Humildade cultural para profissionais de saúde pública), proferida por Elizabeth Rojo, M.A., da University of California (EUA). Será nesta quarta-feira, 17 de agosto, às 17h, no TeatroMoacyr Scliar, no prédio 2 da UFCSPA. A palestra será em inglês.
A humildade cultural é a pedra angular de todo o trabalho global de saúde e uma competência central crucial. Indivíduos que trabalham em diferentes culturas devem estar cientes das maneiras pelas quais suas próprias experiências vividas influenciam sua abordagem ao trabalho.
Todos nós chegamos com preconceitos explícitos e implícitos que podem resultar em impactos não intencionais de nossas palavras ou ações. Da mesma forma, nossa equipe e parceiros também vêm com suas experiências vividas.
A humildade cultural nos leva a ser eficazes em nossa comunicação e em nosso trabalho, manter parcerias bem-sucedidas e satisfatórias e alcançar resultados positivos mensuráveis. A humildade cultural foi cunhada pela primeira vez pelo Dr. Jann Murray-Garcia e pelo Dr. Melanie Tervalon.
Eles definem a humildade cultural como “um processo contínuo, ao longo da vida, onde o indivíduo examina suas próprias crenças, identidades culturais, preconceitos e valores, bem como as crenças e culturas dos outros”.
Três princípios fundamentais da humildade cultural incluem:
- Responsabilidade institucional;
- Reconhecer e desafiar os desequilíbrios de poder;
- Aprendizagem ao longo da vida e auto-reflexão crítica.
Nesta palestra introdutória, serão revisados os Princípios de Humildade Cultural.
11/08/2022 – Portal Profissão Biotec
Link: Como conquistei uma viagem aos EUA com meu projeto de mestrado - uma entrevista com primeira vencedora do Prêmio Jovem Pesquisador Promega - Profissão Biotec (profissaobiotec.com.br)
Como conquistei uma viagem aos EUA com meu projeto de mestrado – uma entrevista com primeira vencedora do Prêmio Jovem Pesquisador Promega
Quem já está há algum tempo na carreira científico-acadêmica sabe que a jornada profissional de um pesquisador raramente apresenta o formato de uma linha reta. Para ser mais realista, na maioria dos casos, nossas carreiras estão mais próximas mesmo de um emaranhado, repleto de idas e vindas, altos e baixos, períodos de frustração e momentos de sucesso.
O caso de Josiane Trevisol não é diferente: foi cerca de um ano e meio de muita dedicação e expectativa, desde que ela ficou sabendo do Prêmio Jovem Pesquisador Promega, até o momento de embarcar para os Estados Unidos.
Segundo a Promega, este prêmio foi criado para reconhecer e incentivar o trabalho dos pesquisadores brasileiros em início de carreira, através de uma imersão internacional de alto nível, com treinamentos práticos e networking. O objetivo é expandir os horizontes desses pesquisadores, possibilitando novos aprendizados, trocas, e um senso de otimismo – tanto a respeito suas trajetórias pessoais, quanto sobre o futuro de suas respectivas áreas.
A seguir, Josiane conta um pouco para a gente sobre como foi toda essa experiência, e oferece algumas orientações e recomendações para você que tem interesse em participar da segunda edição do Prêmio, que está com as inscrições abertas.
[Josiane Trevisol]: Olá! Tudo bem! Então, eu sou gaúcha, nascida em Porto Alegre. Em 2013 iniciei o curso de Biomedicina na Ulbra/Canoas, onde consegui conquistar uma bolsa Prouni. Em janeiro de 2018, me formei e em março deste mesmo ano já iniciei o Mestrado em Ciências da Saúde, com ênfase em Epidemiologia e Métodos Diagnósticos pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Foi no mestrado que iniciei o projeto vencedor do Prêmio Jovem Pesquisador. Estudei fatores de virulência de Streptococcus pneumoniae utilizando um modelo animal alternativo, larvas de Galleria mellonella, um invertebrado que é uma praga na apicultura. Atualmente, sou Doutoranda em Infectologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), fazendo parte da equipe do Laboratório ALERTA.
[PB]: Quando e como você ficou sabendo do Prêmio Jovem Pesquisador Promega?
[Josiane]: Eu estava no processo de me aprofundar no entendimento da técnica de PCR em tempo real, pois usaria no meu mestrado, e comecei a assistir videoaulas. Com isso, cheguei em um canal no Youtube chamado Universo da Biologia Molecular, administrado pelo professor Eduardo Castan. Em uma dessas videoaulas, ele divulgou sobre a edição aberta do Prêmio Jovem Pesquisador Promega. Como eu já utilizaria produtos da Promega e meu trabalho tinha cunho inovador, minhas colegas me incentivaram e eu me inscrevi (detalhe: submeti nos últimos minutos que faltavam para fechar a inscrição, porque eu achava que fecharia no outro dia, mas deu tudo certo!).
[PB]: Como foi o processo de escrever o resumo do projeto para a inscrição no prêmio?
[Josiane]: Sempre é muito difícil explicar em poucas palavras um trabalho científico. Então, comecei a pensar em como eu conseguiria chamar atenção e divulgar meu trabalho de uma forma que fosse atrativa. Por isso, primeiro eu trouxe a problemática que temos com a bactéria S. pneumoniae: porque devemos estudar ela; o que ela causa; porque temos falha na vacinação. Depois eu linkei tudo isso com a importância de termos um modelo animal alternativo, como as larvas, em estudos intermediários, e o quanto isso pode reduzir o número de animais mamíferos utilizados na pesquisa científica, de forma fácil e promissora. E, por fim, eu descrevi todos os materiais que eu utilizaria da Promega para chegar ao meu objetivo.
[PB]: Como você preparou o seu vídeo de divulgação?
[Josiane]: Primeiro, estruturei o que eu precisava falar, depois pensei em como eu iria falar tudo aquilo em 3 minutos e reduzi de uma forma que ficasse de fácil acesso não só para cientistas, mas também para o público em geral. Eu iniciei o vídeo já com uma frase de impacto, tentando de alguma forma atrair meu público até o final. Também utilizei de uma didática que tivesse bastante imagens, montei as figuras e animações no próprio PowerPoint. Outra coisa muito importante que inseri no vídeo foi o charme do meu gato para chamar a atenção, porque afinal ninguém resiste a um gatinho fofo! (Eu juro que paguei ele com sachê e trouxe biscoitinhos dos EUA) (Risos) Mais um segredo sobre o meu vídeo: o fundo preto do vídeo é o fundo da minha cama! (Risos)
O vídeo de divulgação do projeto de Josiane (https://youtu.be/mv3oO8JiPC4)
[PB]: Como você se sentiu quando ficou sabendo do resultado?
[Josiane]: Surpresa! Apesar de eu ter me dedicado muito para divulgar e angariar votos, eu tinha plena consciência de que eu estava concorrendo com gente grande, gente com trabalho tão bom e importante quanto o meu, eu sabia que seria uma disputa acirrada.
[PB]: O que mais te marcou na viagem aos EUA?
[Josiane]: Difícil escolher essa viu?! A viagem foi tão intensa, que costumávamos dizer que cada dia que passava equivalia a 5 anos de vida, de tanto que vivemos e aprendemos.
Mas, acho que entre tudo o que mais marcou é ter descoberto que existem lugares para ser ocupados por nós também, nós pesquisadores brasileiros… Sabe aqueles laboratórios impressionantes de filmes? Pois é, eles existem na vida real e tem cientistas felizes trabalhando lá, dá para acreditar? (Risos)
A Promega proporcionou trazer isso para a nossa realidade, abrir nossa mente, tirou um pouco daquela nossa frustração de pesquisador brasileiro que nunca sabe para onde vai depois que terminar um mestrado, doutorado ou pós-doutorado… Existem alvos que podemos mirar, e que são alcançáveis.
Finalistas da 1ª Edição do Prêmio em visita à sede da Promega nos EUA, em Junho de 2022
[PB]: Gostaria de deixar algum recado para os colegas da biotecnologia que estão pensando em participar desse Prêmio?
[Josiane]: O primeiro e mais importante: Façam com amor e sejam vocês mesmos! Não tem como dar errado quando é com amor. Se dediquem para deixar o resumo de vocês o mais chamativo possível, não subestimem a pesquisa de vocês, mostrem o diferencial, tragam frases de impacto e sejam sempre transparentes. E independente de ganhar o prêmio ou não, invistam no inglês, a possibilidade de conversar e trocar ideias com pessoas de fora é um presente que vocês não devem menosprezar. E se você ainda não sabe inglês e por isso está com receio de submeter, submete com medo mesmo, mas não perde essa oportunidade! Eu também não falava praticamente nada de inglês até uns meses atrás, e foi ter ganhado o prêmio que me impulsionou a querer aprender mais e me ajudou a expandir esse idioma que muitas vezes parece nosso inimigo, mas não é.
Como participar do Prêmio Jovem Pesquisador Promega
Para se inscrever na 2ª Edição do Prêmio Jovem Pesquisador Promega, basta preencher o formulário e enviar o resumo, através deste link. Podem se inscrever alunos/pesquisadores nos níveis de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado, e o vencedor ganhará uma viagem com tudo pago aos EUA para conhecer a sede da Promega em Madison, Wisconsin e participar de um congresso científico à sua escolha. As inscrições vão até o dia 14 de Agosto de 2022. Boa sorte!
09/08/2022 – Mídia Ninja
Link: Assim como outras 16 instituições, UFPA corre risco de fechar até o fim do ano (midianinja.org)
Assim como outras 16 instituições, UFPA corre risco de fechar até o fim do ano
A Universidade do Pará (UFPA), que sediou a 10ª edição do Fórum Social Pan-Amazônico se mantem na resistência, assim como outras 16 instituições que foram apontadas por recente levantamento do Globo. Por cortes do orçamento em 2022, correm o risco de interromper suas atividades até o fim do ano. Assim como na Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ) e de Juiz de Fora (UFJF), na universidade amazônica falta dinheiro para pagar contas básicas como água e luz.
“Não há mais o que cortar, o que reduzir de despesas”, informou a UFPA à reportagem. Outra universidade paraense, a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, afirmou que “já foram realizados todos os ajustes internos possíveis”, afirmou a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, que trabalha em 2022 com o segundo menor orçamento de sua história.
As universidades recebem recursos discricionários e obrigatórios. Neste ano, mais de R$ 400 milhões foram cortados em recursos discricionários. Se antes poderiam ser usados em outras áreas, hoje só têm sido direcionados para que as instituições não fechem, pagando contas básicas como água, luz, limpeza, segurança e manutenção predial, além das bolsas, auxílio estudantil, equipamentos e insumos. Já os obrigatórios, entre outras necessidades, pagam salários.
Sobre acolher um evento da envergadura do Fospa em meio a tantas dificuldades de manter as atividades, o reitor da UFPA, Emmanuel Tourinho disse à Mídia Ninja que “as universidades públicas brasileiras têm estado empenhadas em interagir com os setores da sociedade que trabalham pelas transformações que são necessárias para fazer do Brasil um lugar com justiça e cidadania para todas as pessoas”.
E avalia que a disposição em resistir incomoda também.
“Por isso temos sido muito perseguidos, inclusive com os cortes orçamentários que tentam inviabilizar o nosso trabalho cotidiano, mas as universidades perseveram resistem e acolhem as populações, os movimentos sociais”.
E afirmou ainda que as universidades inseridas no bioma, são importantes para garantir que a floresta fique de pé, assim como os povos e suas culturas.
“O que nós vemos hoje é um projeto de nação sem ciência, sem conhecimento sem educação, sem cidadania para todas as pessoas e as universidades trabalham num projeto completamente diferente disso, as universidades são parte de um projeto civilizatório com inclusão, respeito aos direitos de todas as pessoas, com apropriação do conhecimento na educação e na ciência para criar condições de vida para toda a população”, desabafou.
“Somos instituições que hoje resistem à cultura da barbárie”, arrematou.
Situação crítica em várias regiões do país
Para realizar o levantamento sobre os impactos dos cortes orçamentários no ensino superior do Brasil, o Globo procurou todas as 63 universidades federais do país, durante um mês e destas, 54 responderam aos questionamentos.
A reportagem destaca que as universidades federais têm sido alvo constante dos contingenciamentos e cortes do governo Bolsonaro. E que o orçamento discricionário, que já foi R$ 12 bilhões em 2011, caiu até 2021, quando chegou a R$ 4,4 bilhões.
Os efeitos não vinham sendo sentidos de maneira mais intensa, pois afinal, todas as universidades estavam atuando no sistema remoto e por consequência, as despesas tinham diminuído.
Mas com a retomada das aulas presenciais, o investimento – ou a falta dele – continuou o mesmo. “A volta presencial não garantiu uma recomposição adequada, apesar do crescimento para R$ 5,1 bilhões. Ao contrário do que prevê a projeto de lei orçamentária para o ano que vem, os reitores afirmam que o orçamento precisa subir, pelo menos a níveis de 2019, quando as instituições tiveram R$ 5,7 bilhões para gastos discricionários”, alerta a reportagem.
Algumas universidades acumulam dívidas. Em entrevista ao Globo, o pró-reitor Pró Tempore de Administração e Finanças da Universidade Federal de Jataí, em Goiás, disse que a situação ainda pode piorar. “Fomos informados, por meio do Fórum de Pró-Reitores de Administração e Finanças e Planejamento, que haverá novo corte de 12% para o projeto de lei orçamentário de 2023. Dessa forma, não há universidade pública federal que consiga sobreviver”.
Questionado, o Ministério da Educação não respondeu sobre os cortes já realizados, mas afirmou que os novos bloqueios previstos pelo Ministério da Economia não vão acarretar em impactos financeiros nas instituições federais de ensino.
Confira mais detalhes sobre a situação dessas universidades na reportagem de O Globo.
Esta é a lista completa de instituições que passam por dificuldades:
UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro
UFPA – Universidade Federal do Pará
UFJF – Universidade Federal de Juiz de Fora
UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina
Unifessp – Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará
Unifal – Universidade Federal de Alfenas
UFLA – Universidade Federal de Lavras
UFGD – Universidade Federal da Grande Dourados
UFS – Universidade Federal de Sergipe
UNB – Universidade de Brasília
UFRRJ – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
UFAL – A Universidade Federal de Alagoas
Unila – Universidade Federal para a Integração Latino-Americana
UFCSPA – Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
FURG – Universidade Federal do Rio Grande
UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte
UFJ – Universidade Federal de Jataí
09/08/2022 – AFP Checamos
Link: Checamos as principais alegações de Bolsonaro sobre a covid-19 em entrevista ao podcast Flow | Checamos (afp.com)
Checamos as principais alegações de Bolsonaro sobre a covid-19 em entrevista ao podcast Flow
Em entrevista concedida ao podcast Flow em 8 de agosto de 2022, o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a repetir desinformações sobre a pandemia de covid-19 e os imunizantes criados para combater a doença. Dentre outras alegações, o mandatário disse que as vacinas são experimentais e que “você não vê criança internada por covid”. Confira a seguir a verificação das principais falas do governante sobre o tema.
“Tiraram de mim o poder de conduzir essas medidas da pandemia”: Enganoso
Na fala, o presidente se referia a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) tomadas em 2020. Na ocasião, a corte entendeu que tanto o governo federal quanto estados, municípios e o Distrito Federal tinham responsabilidade de adotarem medidas relacionadas à pandemia de covid-19.
Em uma decisão de março de 2020, por exemplo, o então ministro Marco Aurélio Mello deixou explícita a competência concorrente de estados e municípios com relação às medidas de enfrentamento, como de isolamento e quarentena. A decisão foi posteriormente acatada em plenário pela corte.
O STF já rebateu em mais de uma ocasião a afirmação de que isso teria impedido a atuação do governo federal na pandemia (1, 2). “Conforme as decisões, é responsabilidade de todos os entes da federação adotarem medidas em benefício da população brasileira no que se refere à pandemia”, resumiu a corte.
"Essa agora é uma vacina experimental”: Enganoso
Em verificações anteriores (1, 2), especialistas já explicaram à AFP que não é correto dizer que as vacinas contra covid-19 são experimentais, já que passaram por todas as fases de desenvolvimento para imunizantes, além de diversas etapas de controle.
Dada a emergência sanitária, essas fases foram desenvolvidas simultaneamente e as tecnologias utilizadas foram baseadas em estudos anteriores para o desenvolvimento de vacinas contra a SARS e a MERS, por exemplo.
Por ser um processo rigoroso, e por já haver dados confiáveis coletados sobre os imunizantes em uso no Brasil, “colocar que as vacinas [atualmente aplicadas] são experimentais é uma grande falácia” disse o imunologista e professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, Eduardo Silveira, à AFP em julho de 2021.
“O Agnaldo Timóteo não tava vacinado? Morreu do quê? Tarcísio Meira tava vacinado? Morreu do que?”: Enganoso
Embora seja verdade que indivíduos vacinados possam vir a óbito por conta da covid-19, especialistas e estudos já mostraram que os vacinados têm muito menos probabilidade de morrerem. A possibilidade de desenvolver um quadro grave também pode ser influenciada por fatores como idade e imunossupressão. Saiba mais nesta verificação da AFP.
"Agora respeitem quem não quer tomar a vacina. Se você tá vacinado, você não vai ser contaminado”: Falso
Além de nenhuma vacina ser 100% eficaz para evitar a contaminação, a vacinação é uma estratégia de proteção coletiva, e não somente individual. Isso significa que a recusa à vacinação por parte de grupos de indivíduos pode levar a surtos da doença e é uma ameaça ao controle epidemiológico.
“Pode ser que uma vacina não funcione tão bem em ti. Mas o fato é que, se todo mundo ao seu redor estiver vacinado, (...) a chance do patógeno circular ao seu redor é menor”, explicou Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), à AFP em setembro de 2020.
"Eu sempre falei que não podíamos fechar escolas. [...] Porque a criança, ela é assintomática, você não vê criança internada por covid": Falso
Embora os riscos da covid-19 sejam menores em crianças do que adultos, especialistas e organizações de saúde reforçam que a doença representa, sim, um perigo a esse grupo. Dados analisados pela Fiocruz revelaram que 1.439 crianças de até 5 anos morreram pela covid-19 em 2020 e 2021 no Brasil.
Um painel interativo da Unicef com dados de 102 países, consultado pela AFP em 9 de agosto de 2022, estima que 4.876 crianças de 0 a 4 anos de idade morreram devido à doença.
"Tem um estudo israelense que a Pfizer tem proteção de 4 semanas": Enganoso
Uma busca por palavras-chave em português e em inglês não localizou um estudo feito em Israel com a conclusão citada.
No entanto, a pesquisa trouxe como resultados notícias a respeito de um estudo israelense que concluiu que a proteção da vacina Pfizer contra infecção da variante ômicron cai após 4 semanas. A pesquisa, porém, destaca que a proteção contra casos graves não diminuiu após esse período.
“Falar sobre 'proteção' sem especificar sobre qual parâmetro pode trazer confusões. (...) A proteção contra a doença permanece por muitos meses após o recebimento da dose, por exemplo, enquanto que a proteção contra a infecção reduz de forma mais significativa”, disse à AFP a biomédica Mellanie Fontes-Dutra, em 9 de agosto de 2022.
“Quem se contaminou está melhor imunizado do que quem tomou a vacina. Por que o que é a vacina? É um vírus inativo”: Enganoso
“Infelizmente, isso não é uma realidade para todos os casos. Recuperados não-vacinados podem não ter uma proteção abrangente para as sub-linhagens da omicron, diferente do que se observa em recuperados que foram vacinados, que têm uma proteção mais abrangente para as variantes”, explicou Fontes-Dutra, citando esta pesquisa.
A OMS destaca também que as vacinas protegem contra a doença sem oferecer os riscos de uma infecção.
Esta verificação foi realizada com base em informações científicas e oficiais sobre o novo coronavírus disponíveis na data desta publicação.
05/08/2022 – Jornal da USP
Link: Perda do olfato pós-covid? USP busca voluntários com sintoma há no máximo 6 meses – Jornal da USP
Perda do olfato pós-covid? USP busca voluntários com sintoma há no máximo 6 meses
Participantes devem ter entre 18 e 60 anos e disponibilidade para realização de testes e retornos no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto
Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP buscam voluntários para estudo que vai avaliar o efeito de um medicamento anti-inflamatório corticoide em solução de lavagem nasal em casos de perda de olfato após a covid-19.
Para participar é preciso ter entre 18 e 60 anos, ter resultado de exame positivo para covid-19 nos últimos seis meses, ter perda de olfato após a infecção e ter disponibilidade de ir ao Hospital das Clínicas da FMRP para realização de testes e retornos uma vez ao mês durante dois meses.
A pesquisa Nasal irrigation with budesonide for the treatment of sudden anosmia by COVID-19: randomized, double-blind, controlled clinical trial é um projeto multicêntrico coordenado pela professora Wilma Terezinha Anselmo Lima, da FMRP.
Além de pesquisadores da FMRP, o estudo conta com participantes do Hospital Moriah, Faculdade de Medicina (FM) da USP, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Unicamp, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Hospital IPO, Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Universidade Federal de Brasília, Universidade Federal de Pernambuco, Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), Fundação Instituto de Moléstias do Aparelho Digestivo e da Nutrição, Hospital das Clínicas da UFMG, Hospital Universitário Walter Cantídio (UFCE), Universidade Estadual de Londrina, Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, Universidade de Fortaleza e Santa Casa de Misericórdia de Maceió.
Mais informações e pré-inscrição: (16) 98180-9990.
02/08/2022 – Portal do Governo do Estado do Rio Grande do Sul
Link: Prevenção ao suicídio é tema de seminário intersetorial - Portal do Estado do Rio Grande do Sul
Prevenção ao suicídio é tema de seminário intersetorial
Estão abertas as inscrições para o 6º Seminário Intersetorial de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio, na modalidade online. O evento será realizado em 9 de agosto no teatro Moacyr Scliar, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), das 8h30 às 17h. Na modalidade presencial as vagas já estão esgotadas.
A programação começa com a médica Marilise Fraga de Souza, da Secretaria da Saúde (SES), apresentando o Plano Estadual de Promoção da Vida e Prevenção ao Suicídio: compartilhando estratégicas para o enfrentamento do fenômeno.
Na continuação, serão abordados assuntos como campanhas seguras de valorização da vida e ações da sociedade civil organizada, incluindo o Centro de Valorização da Vida, a Cruz Vermelha Brasileira e a Associação Médico Espírita do Rio Grande do Sul.
Inscrições neste link.
Haverá transmissão simultânea no canal do CVV.
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02/08/2022 – Mossoró Hoje
Link: 17 instituições federais podem paralisar atividades devido a novos cortes nos orçamentos | NACIONAL | Mossoró Hoje - O portal de notícias de Mossoró (mossorohoje.com.br)
17 instituições federais podem paralisar atividades devido a novos cortes nos orçamentos
O levantamento foi realizado pelo GLOBO. As universidades federais tiveram, em 2022, mais de R$ 400 milhões cortados em recursos discricionários. Diferente dos gastos obrigatórios (que pagam os salários, por exemplo), estes podem ser remanejados para outras áreas. No entanto, pagam aspectos fundamentais para o funcionamento das instituições, como as contas de água, luz, limpeza, segurança e manutenção predial, além de bolsas, auxílio estudantil, equipamentos e insumos.
Um levantamento do GLOBO aponta que 17 instituições federais de ensino superior têm risco de interromper suas atividades até o fim do ano por falta de dinheiro para pagar contas básicas, como água e luz. Entre elas, estão as universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ), da Bahia (UFBA), do Pará (UFPA) e de Juiz de Fora (UFJF).
As universidades federais tiveram, em 2022, mais de R$ 400 milhões cortados em recursos discricionários.
Diferente dos gastos obrigatórios (que pagam os salários, por exemplo), estes podem ser remanejados para outras áreas. No entanto, pagam aspectos fundamentais para o funcionamento das instituições, como as contas de água, luz, limpeza, segurança e manutenção predial, além de bolsas, auxílio estudantil, equipamentos e insumos.
A UFRJ só consegue pagar as contas até setembro. “A expectativa é de que as empresas ainda prestem serviço no mês de outubro. Mas se nada acontecer em termos de recomposição orçamentária, em novembro e dezembro podemos ter que suspender contratos e interromper as atividades em toda universidade”, informou a instituição.
A Universidade Federal de Santa Catarina projetou as despesas da universidade até o final do ano. Após os bloqueios, “estaria com o seu funcionamento comprometido até meados do mês de novembro”, informou a instituição.
PREJUÍZOS
“Não há mais o que cortar, o que reduzir de despesas”, informou a UFPA. “Já foram realizados todos os ajustes internos possíveis”, afirmou a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, que trabalha em 2022 com o segundo menor orçamento de sua história.
A Universidade Federal de Alfenas vai precisar diminuir o número de bolsas acadêmicas, a compra de insumos para aulas práticas, obras em andamento e a quantidade de atendidos pela assistência estudantil.
Estudantes mais pobres poderão perder auxílios fundamentais para continuarem seus estudos. Mesmo assim, a instituição pode não conseguir chegar ao fim do ano com todos os seus serviços abertos.
A Universidade Federal de Lavras precisou demitir quase 150 funcionários terceirizados. Eles correspondiam a 25% dos que atuavam na limpeza, manutenção e segurança.
Sem dinheiro para combustível, a Universidade Federal da Grande Dourados informa que corre risco de não conseguir ofertar aulas a comunidades indígenas e camponeses que estudam na modalidade de alternância e precisam se deslocar de suas localidades.
A Universidade Federal de Sergipe proibiu o uso de ar-condicionado em todo o câmpus. A Universidade de Brasília cortou até em livros. A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro estuda diminuir o uso de recursos do portal de internet.
A situação dos prédios universitários também é prejudicada com os cortes, que atingem os orçamentos de manutenção. A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) ainda sofre com estragos de uma tempestade que atingiu Maceió em maio. Mas não há dinheiro para o conserto de telhados, infiltrações, paredes mofadas e salas interditadas.
A Universidade Federal para a Integração Latino-Americana (Unila), que está em fase de implantação, não vai conseguir avançar com as construções e licitações planejadas e continuará pagando aluguel.
A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre ganhou um prédio novo da União. Mas o imóvel só poderá ser usado após reformas, que não poderão ser feitas por conta da falta de dinheiro disponível.
Outra consequência dos cortes serão dívidas milionárias para 2023. A Universidade Federal do Rio Grande fechará o ano com um débito de R$ 9,6 milhões. A dívida da Ufal deve chegar a R$ 20 milhões.
A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) afirmou que, pela essencialidade do serviço, “essas instituições não podem considerar a interrupção de atividades como possibilidade”.
No entanto, afirmou que “após repetidos cortes orçamentários as universidades não têm como honrar com os compromissos assumidos para seu funcionamento”. Para piorar, o cenário que está sendo debatido no Congresso não é nada animador.
"Fomos informados, por meio do Fórum de Pró-Reitores de Administração e Finanças e Planejamento, que haverá novo corte de 12% para o projeto de lei orçamentário de 2023. Dessa forma, não há universidade pública federal que consiga sobreviver", afirmou Dyomar Toledo Lopes, Pró-Reitor Pró Tempore de Administração e Finanças da Universidade Federal de Jataí, em Goiás.
O levantamento de O GLOBO procurou todas as 63 universidades federais do país, durante um mês. Destas, 54 responderam aos questionamentos.
ROTINA DE APERTOS
As universidades federais têm sido alvo constante dos contingenciamentos e cortes do governo Bolsonaro. O orçamento discricionário, que já foi R$ 12 bilhões em 2011, caiu até 2021, quando chegou a R$ 4,4 bilhões.
Neste momento, todas as universidades estavam apenas no sistema remoto. Por isso, as despesas também diminuíram. Em 2022, porém, a volta presencial não garantiu uma recomposição adequada, apesar do crescimento para R$ 5,1 bilhões.
Ao contrário do que prevê a projeto de lei orçamentária para o ano que vem, os reitores afirmam que o orçamento precisa subir, pelo menos a níveis de 2019, quando as instituições tiveram R$ 5,7 bilhões para gastos discricionários.
Em nota, o MEC não respondeu sobre os cortes já realizados, mas afirmou que os novos bloqueios previstos pelo Ministério da Economia não vão acarretar em impactos financeiros nas instituições federais de ensino.
02/08/2022 – Portal Litorâneo
Link: Médica rio-grandina recebe reconhecimento internacional (olitoraneo.com.br)
Médica rio-grandina recebe reconhecimento internacional
A pneumologista Mara Rúbia André Alves de Lima entrou para a seleta lista do WIA Report, relatório que destaca mulheres de sucesso no mundo acadêmico
A médica rio-grandina Mara Rúbia André Alves de Lima entrou para a seleta lista do WIA Report, relatório que destaca mulheres de sucesso no mundo acadêmico. Formada na turma de 1981 pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG), e estudante desde o jardim de infância da escola Juvenal Muller, Mara Rúbia especializou-se em pneumologia, com área de interesse em doenças que se manifestam com tosse crônica, e em Educação Médica.
Professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a médica segue colhendo frutos da temporada de imersão na Rutgers University, nos Estados Unidos. Entre agosto de 2021 e fevereiro de 2022, a pesquisadora rio-grandina atuou como professora visitante do Programa Fulbright, na disciplina de Saúde Global. A médica também realizou intercâmbio na Universidade de Toronto, no Canadá. Em 2020 e 2021, foi mentora de dois grupos de estudantes que tiveram a oportunidade de participar de projeto da Yale University, nos Estados Unidos.
Em 2021, recebeu o primeiro lugar no Prêmio de Melhores Práticas em Medicina da AMRIGS, na categoria universidade pública, com projeto desenvolvido com estudantes da UFCSPA, incluindo um Programa de Iniciação à Docência.O reconhecimento internacional foi motivo de alegria e orgulho para a médica: "Para uma apaixonada por educação em saúde como eu, isto faz meu coração bater mais feliz ou faz meus pulmões respirarem mais profundamente, já que sou pneumologista", brinca Mara Rúbia.
Além de professora da UFCSPA, a pesquisadora é coordenadora da Liga de Pneumologia, professora do Projeto de Extensão de Combate ao Tabagismo, professora voluntária do Projeto Rondon, além de membro do Comitê de Internacionalização e do Núcleo de Inclusão e Diversidade da Universidade.
01/08/2022 – Portal CREMERS
Link: Médica gaúcha recebe reconhecimento internacional - Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (cremers.org.br)
Médica gaúcha recebe reconhecimento internacional
A médica gaúcha Mara Rúbia André Alves de Lima entrou para a seleta lista do WIA Report, relatório que destaca mulheres de sucesso no mundo acadêmico.
Formada pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Mara Rúbia especializou-se em pneumologia, com área de interesse em doenças que se manifestam com tosse crônica, e em Educação Médica.
Professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a médica segue colhendo frutos da temporada de imersão na Rutgers University, nos Estados Unidos. Entre agosto de 2021 e fevereiro de 2022, a pesquisadora gaúcha atuou como professora visitante do Programa Fulbright, na disciplina de Saúde Global.
A médica também realizou intercâmbio na Universidade de Toronto, no Canadá. Em 2020 e 2021, foi mentora de dois grupos de estudantes que tiveram a oportunidade de participar de projeto da Yale University, nos Estados Unidos.
Em 2021, recebeu o primeiro lugar no Prêmio de Melhores Práticas em Medicina da AMRIGS, na categoria universidade pública, com projeto desenvolvido com estudantes da UFCSPA, incluindo um Programa de Iniciação à Docência.
O reconhecimento internacional foi motivo de alegria e orgulho para a médica: “Para uma apaixonada por educação em saúde como eu, isto faz meu coração bater mais feliz ou faz meus pulmões respirarem mais profundamente, já que sou pneumologista”, brinca Mara Rubia.
Além de professora da UFCSPA, a pesquisadora é coordenadora da Liga de Pneumologia, professora do Projeto de Extensão de Combate ao Tabagismo, professora voluntária do Projeto Rondon, além de membro do Comitê de Internacionalização e do Núcleo de Inclusão e Diversidade da Universidade.
O Cremers sente-se honrado em ter no seu quadro profissionais que se destacam mundialmente em prol da pesquisa e das boas práticas médicas.
01/08/2022 – O Globo
Link: Cortes deixam 17 universidades federais sob risco de parar em 2022 | Educação | O Globo
Cortes deixam 17 universidades federais sob risco de parar em 2022
UFRJ, por exemplo, afirma que tem verba para pagar servidores só até novembro
Um levantamento do GLOBO aponta que 17 instituições federais de ensino superior têm risco de interromper suas atividades até o fim do ano por falta de dinheiro para pagar contas básicas, como água e luz. Entre elas, estão as universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ), do Pará (UFPA) e de Juiz de Fora (UFJF).
As universidades federais tiveram, em 2022, mais de R$ 400 milhões cortados em recursos discricionários. Diferente dos gastos obrigatórios (que pagam os salários, por exemplo), estes podem ser remanejados para outras áreas. No entanto, pagam aspectos fundamentais para o funcionamento das instituições, como as contas de água, luz, limpeza, segurança e manutenção predial, além de bolsas, auxílio estudantil, equipamentos e insumos.
Prejuízos
“Não há mais o que cortar, o que reduzir de despesas”, informou a UFPA. “Já foram realizados todos os ajustes internos possíveis”, afirmou a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará , que trabalha em 2022 com o segundo menor orçamento de sua história.
A Universidade Federal de Alfenas vai precisar diminuir o número de bolsas acadêmicas, a compra de insumos para aulas práticas, obras em andamento e a quantidade de atendidos pela assistência estudantil. Estudantes mais pobres poderão perder auxílios fundamentais para continuarem seus estudos. Mesmo assim, a instituição pode não conseguir chegar ao fim do ano com todos os seus serviços abertos.
A Universidade Federal de Lavras precisou demitir quase 150 funcionários terceirizados. Eles correspondiam a 25% dos que atuavam na limpeza, manutenção e segurança.
Sem dinheiro para combustível, a Universidade Federal da Grande Dourados informa que corre risco de não conseguir ofertar aulas a comunidades indígenas e camponeses que estudam na modalidade de alternância e precisam se deslocar de suas localidades. A Universidade Federal de Sergipe proibiu o uso de ar-condicionado em todo o câmpus. A Universidade de Brasília cortou até em livros. A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro estuda diminuir o uso de recursos do portal de internet.
A situação dos prédios universitários também é prejudicada com os cortes, que atingem os orçamentos de manutenção. A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) ainda sofre com estragos de uma tempestade que atingiu Maceió em maio. Mas não há dinheiro para o conserto de telhados, infiltrações, paredes mofadas e salas interditadas.
A Universidade Federal para a Integração Latino-Americana (Unila), que está em fase de implantação, não vai conseguir conseguir avançar com as construções e licitações planejadas e continuará pagando aluguel.
A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre ganhou um prédio novo da União. Mas o imóvel só poderá ser usado após reformas, que não poderão ser feitas por conta da falta de dinheiro disponível.
Outra consequência dos cortes serão dívidas milionárias para 2023. A Universidade Federal do Rio Grande fechará o ano com um débito de R$ 9,6 milhões. A dívida da Ufal deve chegar a R$ 20 milhões. A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) afirmou que, pela essencialidade do serviço, “essas instituições não podem considerar a interrupção de atividades como possibilidade”. No entanto, afirmou que “após repetidos cortes orçamentários as universidades não têm como honrar com os compromissos assumidos para seu funcionamento”. Para piorar, o cenário que está sendo debatido no Congresso não é nada animador.
"Fomos informados, por meio do Fórum de Pró-Reitores de Administração e Finanças e Planejamento, que haverá novo corte de 12% para o projeto de lei orçamentário de 2023. Dessa forma, não há universidade pública federal que consiga sobreviver", afirmou Dyomar Toledo Lopes, Pró-Reitor Pró Tempore de Administração e Finanças da Universidade Federal de Jataí, em Goiás.
O levantamento de O GLOBO procurou todas as 63 universidades federais do país, durante um mês. Destas, 54 responderam aos questionamentos.
Rotina de apertos
As universidades federais têm sido alvo constante dos contingenciamentos e cortes do governo Bolsonaro. O orçamento discricionário, que já foi R$ 12 bilhões em 2011, caiu até 2021, quando chegou a R$ 4,4 bilhões. Neste momento, todas as universidades estavam apenas no sistema remoto. Por isso, as despesas também diminuíram. Em 2022, porém, a volta presencial não garantiu uma recomposição adequada, apesar do crescimento para R$ 5,1 bilhões. Ao contrário do que prevê a projeto de lei orçamentária para o ano que vem, os reitores afirmam que o orçamento precisa subir, pelo menos a níveis de 2019, quando as instituições tiveram R$ 5,7 bilhões para gastos discricionários.
Em nota, o MEC não respondeu sobre os cortes já realizados, mas afirmou que os novos bloqueios previstos pelo Ministério da Economia não vão acarretar em impactos financeiros nas instituições federais de ensino.
01/08/2022 – Aos Fatos
Link: O que é varíola dos macacos: sintomas, vacina e transmissão | Aos Fatos
O que é varíola dos macacos e o que se sabe sobre a doença
O aumento do número de casos da popularmente chamada varíola dos macacos, que registrou a primeira morte no Brasil na sexta-feira (29), vem alimentando a estigmatização e o preconceito contra pacientes infectados pela doença. Atores de desinformação têm compartilhado teorias da conspiração para alegar que o atual surto é restrito à população LGBTQIA+ e que os imunizantes contra a Covid-19 seriam os principais responsáveis pela doença.
O Aos Fatos consultou especialistas para esclarecer dúvidas sobre a doença. Confira a seguir:
A varíola dos macacos foi recentemente declarada uma emergência de saúde global pela OMS (Organização Mundial da Saúde).
1. O QUE É A VARÍOLA DOS MACACOS?
A varíola dos macacos é uma nomenclatura popular utilizada para se referir a uma doença infecciosa causada pelo vírus MPV (monkeypox virus), do gênero orthopoxvirus. No entanto, a doença não tem origem em macacos, como explicado pelo virologista Flávio Guimarães, presidente da SBV (Sociedade Brasileira de Virologia), ao Aos Fatos.
A doença é chamada assim, porque foi descrita originalmente na década de 1950 por afetar macacos, que são hospedeiros acidentais, como o ser humano. “É um vírus transmitido por roedor, que pode infectar macacos e seres humanos. Ele não é um vírus de macaco”, afirma Guimarães. Em julho, o Ministério da Saúde orientou o uso do nome em inglês da doença (Monkeypox), para evitar a estigmatização e possível discriminação contra macacos.
2. QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA DOENÇA?
A varíola dos macacos tem um período determinado de infecção com sintomas que duram de duas a quatro semanas. Casos mais graves ocorrem predominantemente entre crianças e também estão relacionados ao tempo de exposição ao vírus, estado de saúde do paciente e problemas imunológicos, segundo a OMS.
Há um período de incubação (intervalo entre o contato com o vírus até o início dos sintomas) que pode variar de 5 a 21 dias. Então, o paciente começa a sentir febre, dor de cabeça intensa, dor nas costas, dores musculares, inchaço dos gânglios linfáticos, além de fraqueza.
Manchas vermelhas lisas, que evoluem para feridas com bolhas repletas de líquidos e crostas, costumam aparecer entre um e três dias após o paciente apresentar febre, e se concentram na face e nas extremidades do corpo (palmas das mãos e plantas dos pés). Mucosas (oral, genital ou anal) e a região dos olhos também podem ser afetadas.
No surto atual, as feridas, estão mais restritas na região genital e perianal dos infectados. Além disso, as lesões podem doer, arder, coçar, e as regiões afetadas podem apresentar inchaço.
Ajuda médica. Em caso de suspeita, a infectologista e professora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Raquel Stucchi orienta que a pessoa procure ajuda médica. A especialista alerta que a varíola dos macacos pode ser concomitante, ou seja, infectar o corpo humano ao mesmo tempo que outras doenças com sintomas semelhantes. Portanto, ter um diagnóstico correto é fundamental.
3. COMO OCORRE A TRANSMISSÃO DO VÍRUS?
A varíola dos macacos é transmitida aos seres humanos por meio do contato próximo e prolongado com uma pessoa ou um animal infectado, ou por material contaminado com o vírus. A transmissão entre seres humanos ocorre por meio de secreções respiratórias, feridas na pele de uma pessoa infectada e objetos contaminados, como lençóis, roupas e toalhas utilizadas pelos infectados.
Distanciamento. A Covid-19 é transmitida por meio de aerossóis que podem viajar até 70 metros de distância. Já a varíola dos macacos é transmitida por partículas maiores (perdigotos), caso as lesões estejam na boca. “A distância é de 2 ou 3 metros, ou seja, é preciso um contato mais próximo com o infectado”, explica Guimarães.
Contato com feridas. A doença é transmitida até que a pele do paciente esteja completamente cicatrizada. Isso porque as crostas contêm material viral infeccioso, e contato com elas, ainda que estejam secas, transmite a doença.
4. A VARÍOLA DOS MACACOS AFETA SOMENTE A POPULAÇÃO LGBTQIA+?
Não. Especialistas consultados pelo Aos Fatos enfatizaram que o vírus pode infectar qualquer pessoa, e que não se trata de uma doença exclusiva de uma determinada parcela da população.
Um estudo publicado em julho no NEJM (New England Journal of Medicine) e relatórios sanitários de alguns países, a exemplo da Inglaterra, apontam que o risco maior de transmissão estaria entre a população HSH (homens que fazem sexo com outros homens) — que representa 98% dos casos ao redor do mundo, segundo a OMS.
Mel Markoski, professora de Biossegurança da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre), afirma que o principal apontamento é de que, na relação íntima, as bolhas que contêm as partículas do vírus seriam rompidas e contaminariam o parceiro.
IST. Até o momento,a doença não é classificada como IST (Infecção Sexualmente Transmissível). “Caracteriza-se como IST quando um microrganismo é encontrado em secreções sexuais [esperma ou secreção vaginal] e tem a capacidade de transmitir a doença”, afirmou Stucchi.
O estudo publicado no NEJM encontrou DNA viral do MPV em 29 das 32 amostras de sêmen de pacientes infectados. Não foi avaliado, no entanto, se o material genético encontrado tinha capacidade de se replicar de modo a causar a doença, segundo a especialista.
Assim como Stucchi, o infectologista José Davi Urbaez ressaltou que comportamentos da população HSH aumentam o risco da doença ser transmitida nesse grupo. Muitos fazem a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) de risco à infecção pelo HIV, vírus causador da Aids, e relaxam em medidas preventivas, por exemplo.
5. AS VACINAS CONTRA A COVID-19 CAUSARAM O ATUAL SURTO DA DOENÇA?
Não. Todos os especialistas consultados pelo Aos Fatos descartaram qualquer relação entre as vacinas contra a Covid-19 e o surto da varíola dos macacos. O infectologista José Davi Urbaez, por exemplo, afirmou que não há qualquer embasamento teórico ou observacional para estabelecer essa correlação.
Em maio, o Aos Fatos verificou ser falsa a alegação de que o adenovírus de chimpanzé usado na vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca seja o mesmo que transmite a varíola dos macacos. A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que produz a vacina no Brasil, informou que o adenovírus é de uma família diferente do causador da doença, e inócuo ao ser humano, como explicou Mellanie Fontes-Dutra, biomédica e pesquisadora da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).
“Há indicativos de que esse vírus [da varíola dos macacos] poderia estar circulando há algum tempo, de forma “silenciosa” na população (além de que sabemos que ele circula de forma endêmica em alguns países da África)”, concluiu Fontes-Dutra.
Também em checagem anterior, o Aos Fatos mostrou que as vacinas de vetor viral usam uma versão modificada de um vírus diferente (o vetor) para fornecer instruções importantes às células humanas, e produzir resposta imune. As vacinas com essa tecnologia não são capazes de nos infectar com o vírus da Covid-19, tampouco com aquele usado como vetor.
6. COMO TRATAR E PREVENIR A DOENÇA?
A varíola dos macacos tem um período limitado de infecção com sintomas que duram de duas a quatro semanas, e costumam desaparecer espontaneamente, sem necessidade de tratamento específico.
O tratamento costuma ser paliativo, ou seja, são remédios para tratar as dores e a febre. É preciso também manter as feridas limpas e cobertas para diminuir o risco de transmissão, além de garantir que o pacienten seja bem alimentado e se mantenha hidratado.
Casos mais graves e que necessitam de internação ocorrem com mais frequência entre crianças ou pessoas imunodeprimidas, segundo a OMS. Prevenção. Deve-se evitar compartilhar objetos usados pela pessoa infectada, como lençol, toalha, roupa de uso pessoal, talheres e copos, antes que sejam lavados de maneira adequada.
“Os mesmos hábitos adotados contra a Covid-19, como a higienização das mãos e uso de máscaras faciais, são pertinentes contra a varíola dos macacos, assim como evitar relações sexuais com múltiplos parceiros”, explica Urbaez.
Medicamentos. A EMA (Agência Europeia de Medicamentos) aprovou em janeiro de 2022 o uso do tecovirimat — medicamento antiviral utilizado contra a varíola humana (smallpox) para combater o atual surto. O uso da droga ainda não conta com a aprovação do FDA (Food and Drug Administration, agência reguladora americana) contra a doença. Já no caso da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o medicamento sequer tem aprovação contra a varíola humana.
Vacinas. Os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Europeia passaram a imunizar grupos da população com vacinas que foram inicialmente desenvolvidas contra a varíola humana. Entre eles estão o imunizante MVA-BN (comercializado também com os nomes de Imvanex, Imvamune e Jynneos) e o ACAM2000. Ambos não contém o vírus da varíola e não causam a doença. Eles são fabricados a partir do vírus vaccinia (VACV), da mesma família da varíola. A diferença é que a MVA-BN usa uma versão atenuada e outra usa o vírus “vivo”, que é contraindicada, por exemplo, a pacientes imunossuprimidos.
O uso de imunizantes contra varíola humana teria uma taxa de eficácia de aproximadamente 85% para a doença causada pelo vírus MPV, segundo a OMS. O percentual, no entanto, foi extraído a partir de estudos observacionais. A organização até o momento não recomenda a vacinação em massa contra a doença.
Ainda não há disponibilidade de vacina contra a varíola dos macacos no Brasil. O Ministério da Saúde informou que tem “articulado com a OPAS/OMS as tratativas para aquisição da vacina varíola dos macacos, de forma que o Programa Nacional de Imunizações (PNI) possa definir a estratégia de imunização para o Brasil”.





