Inova UFCSPA

As equipes EXinTIME, Capiravas da Sarmento e FlowIn foram as vencedoras da segunda fase da 1ª edição do Desafio de Inovação em Saúde da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e agora iniciam uma nova etapa da jornada de inovação. Ao longo dos próximos meses, os grupos desenvolverão e validarão suas soluções em ambiente real, junto ao Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre, com acompanhamento técnico, mentorias e acesso a programas de aceleração e consultorias especializadas.
Promovido pela INOVA UFCSPA em parceria com o Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre e o SEBRAE/RS, o programa foi criado para aproximar estudantes, pesquisadores, docentes e profissionais da saúde do desenvolvimento de soluções para desafios reais enfrentados pelo sistema de saúde. “Mais do que uma competição, o desafio busca estimular a cultura da inovação, do empreendedorismo e da colaboração interdisciplinar, proporcionando aos participantes uma experiência prática de construção, validação e desenvolvimento de tecnologias e novos modelos de solução para demandas reais na área de saúde”, ressalta o diretor da INOVA UFCSPA, Hélio Hey.
A classificação das equipes foi definida após as etapas de Imersão e Desenvolvimento, quando os seis grupos finalistas apresentaram seus projetos para uma banca formada por representantes das instituições parceiras e especialistas convidados. As propostas foram avaliadas quanto à viabilidade técnica, potencial de aplicação no contexto da saúde, consistência da solução e qualidade da apresentação.
A equipe EXinTIME conquistou o primeiro lugar. O grupo é formado por Pedro Henrique Rosa da Silva e Arthur Denardin, do curso de Informática Biomédica; Priscila Mesquita Serafim e Lisiani Moraes Alves, do Programa de Pós-Graduação em Patologia; e Lucia Terra Seibt Garcia, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias da Informação e Gestão em Saúde (PPGTIG). Em segundo lugar ficou a equipe Capiravas da Sarmento, composta por Mell Amisa Matsuda, Nátally Martins da Costa, Carlise Vitória Reis Sebastiany, Ricardo Souza Maia e Handriel Scheffer, do curso de Informática Biomédica, além da professora Mara Rúbia André Alves de Lima, do curso de Medicina. A terceira colocação foi conquistada pela equipe FlowIn, representada por Maria Carolina Miranda de Jesus, estudante do curso de Física Médica. Além da premiação das equipes, a doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Patologia Priscila Mesquita Serafim, integrante da equipe EXinTIME, recebeu o reconhecimento de Participante Destaque, em homenagem ao seu engajamento, espírito colaborativo, protagonismo e contribuição ao longo do programa.
Uma jornada de inovação colaborativa
As atividades da primeira edição do Desafio de Inovação em Saúde tiveram início em junho e reuniu 51 participantes, distribuídos em nove equipes multidisciplinares. Durante a etapa de Imersão, realizada nos dias 19 e 20 de junho, estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, docentes e profissionais da saúde participaram de uma intensa programação voltada à construção de soluções para três desafios estratégicos apresentados pelo Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre.
Ao longo das atividades, os participantes trabalharam em equipes utilizando metodologias empregadas em ambientes de inovação, como Design Thinking, modelagem de negócios, validação de soluções e construção de pitches. Além das oficinas práticas, receberam mentorias de especialistas e tiveram contato com os desafios enfrentados pelos serviços de saúde, com o intuito de aproximar o ambiente acadêmico das necessidades reais do setor.
Encerrada a etapa de Imersão, as nove equipes apresentaram suas primeiras propostas a uma banca avaliadora. Seis grupos foram selecionados para avançar para a fase de Desenvolvimento, período em que aprofundaram a viabilidade técnica das soluções, revisaram seus modelos de negócio e aperfeiçoaram os projetos com o apoio de mentores e especialistas. A apresentação final dessa etapa definiu as três equipes que agora seguem para a última fase do programa.
Desenvolvimento e validação em ambiente real
Na terceira etapa, as equipes terão até seis meses para desenvolver e validar suas soluções junto ao Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre, verificando sua aplicabilidade prática, viabilidade técnica e aderência às necessidades do sistema de saúde. Durante esse período, os participantes poderão contar com bolsas de Iniciação Tecnológica e Industrial (ITI), acompanhamento de orientadores da UFCSPA e supervisores clínicos da Santa Casa, além de acesso a programas de aceleração do SEBRAE/RS e consultorias especializadas em propriedade intelectual e transferência de tecnologia promovidas pela Inova UFCSPA. Ao final da etapa, os projetos serão apresentados em um Demoday, evento institucional no qual serão apresentadas as soluções desenvolvidas demonstrando aspectos como relevância e grau de inovação das soluções e suas viabilidades técnicas e operacionais.
Uma experiência que transforma
Entre as equipes classificadas para a terceira fase está a FlowIn, cuja proposta busca tornar mais ágil e eficiente o fluxo de atendimento de pacientes em centros de diagnóstico por imagem. A solução utiliza o WhatsApp como ferramenta para automatizar o cadastro do paciente, confirmar sua chegada por meio de QR Code e organizar a fila de atendimento conforme critérios de prioridade, oferecendo aos profissionais uma visão em tempo real do fluxo de pacientes.
Para Maria Carolina Miranda de Jesus, integrante da equipe, a experiência foi muito além do desenvolvimento de uma solução tecnológica. "Minha experiência no desafio foi ótima. No início tive algumas dificuldades, mas acho que o mais valioso que pude aprender é que, se você teve uma ideia e vê potencial, você deve ir até o fim com ela. Empreender com inovação exige que você se arrisque, insista e persista." Segundo ela, trabalhar a partir de desafios reais apresentados pela Santa Casa foi um dos diferenciais do programa. "Os problemas que foram abordados todos nós vivenciamos de alguma forma ao longo do tempo. Acho que por isso conseguimos pensar em uma solução. A partir do momento em que você sente a dor, é uma espécie de empatia. Sempre nessas situações podemos nos perguntar: 'Se eu tivesse o poder de mudar...'. O desafio trouxe justamente essa oportunidade de sermos a mudança. Foi gratificante perceber que a minha solução poderia ajudar e transformar o sistema. Me senti parte de um todo."
Maria destaca ainda que a etapa de Imersão foi essencial para transformar uma ideia inicial em uma proposta estruturada. "A cada palestra eu ouvia com atenção e anotava os ensinamentos que me ajudaram muito na estruturação da ideia, porque quando desenvolvemos uma solução surgem muitas dúvidas sobre como fazer dar certo." Ao explicar a proposta desenvolvida pela equipe, a estudante ressalta que a inspiração surgiu de uma situação comum vivenciada por pacientes. "Quando chegamos a uma clínica ou consultório, muitas vezes surge a dúvida: 'É para pegar senha ou ir direto à recepção?'. Pensando nisso, desenvolvemos uma solução simples, intuitiva e de baixo custo utilizando o WhatsApp. O paciente faz seu cadastro, confirma sua chegada por meio de um QR Code e passa a integrar automaticamente uma fila organizada conforme critérios de prioridade. Além de tornar o atendimento mais fluido para os profissionais, a solução também melhora a experiência do paciente." Para ela, o aprendizado adquirido durante o programa permanecerá ao longo de sua trajetória acadêmica e profissional. "Vou levar tudo o que aprendi no desafio para a minha vida e recomendo muito a participação dos estudantes da UFCSPA. É uma experiência inesquecível que vale a pena ser vivida. Sou muito grata pela oportunidade de participar. Podemos ser a diferença, e a próxima ideia que pode revolucionar a saúde pode ser a sua.".
Ricardo Sousa Maia, estudante do curso de Informática Biomédica da UFCSPA e integrante do grupo Capivaras, da Sarmento, destaca que participar do Desafio de Inovação em Saúde foi uma experiência enriquecedora para toda a equipe. "Tivemos a oportunidade de conhecer de perto a realidade do hospital e compreender os desafios enfrentados pelos profissionais de saúde, identificando também oportunidades de melhoria. A solução que desenvolvemos busca otimizar o fluxo desde a chegada da paciente até a realização de exames, combinando o retrofit de equipamentos analógicos com tecnologias digitais e um sistema inteligente de priorização dos casos mais urgentes. Além do desenvolvimento da proposta, o Desafio proporcionou um aprendizado valioso sobre inovação, trabalho em equipe e desenvolvimento de soluções centradas nas necessidades dos usuários. Estamos muito felizes por termos participado da primeira edição e, ainda mais, por conquistarmos um lugar no pódio."
As informações sobre a Primeira Edisção do Desafio de Inovação em Saúde da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) podem ser consultadas no site do Programa.





