Atividade aconteceu durante o UFCSPA Acolhe, em 23 de maio

A Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Assuntos Estudantis (Prae), em parceria com a ADUFRGS Sindical, promoveu durante o UFCSPA Acolhe, no último sábado, 23, uma ação extensionista voltada à participação de estudantes de cursinhos populares preparatórios ao ENEM. A iniciativa buscou aproximar a universidade pública de juventudes periféricas, negras/quilombolas e oriundas de escolas públicas, fortalecendo o pertencimento universitário e a democratização do acesso à informação. A proposta articula os eixos de Educação para as Relações Étnico-Raciais, Diversidade e Saúde da População Negra, partindo da compreensão de que o acesso à educação superior também é um determinante social de saúde.

Marcaram presença representantes do Quilombo Vila Miloca, de Lagoão (RS), e dos cursos populares Emancipa Viamão, Emancipa Porto Alegre, Emancipa Cachoeirinha, Minervino de Oliveira, TransEnem, Kilombapvp, Popular Livre, que foram recepcionados pelos integrantes do NEABI (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas) e AfirmaSUS (programa de extensão focado na equidade em saúde e no combate ao racismo institucional).

"Eu via esse movimento de aproximação e fortalecimento acontecendo com cursos privados, e isso me estimulou a pensar na construção dessa mesma ponte com os cursinhos populares. Afinal, a maior parte da população está nas escolas públicas e nas periferias; por que esses estudantes ainda não são vistos, de forma central, como público da universidade pública? Com o apoio da professora Caroline Silva, coordenadora das Ações Afirmativas da UFCSPA, e de tantas outras professoras engajadas, essa ideia ganhou força. Ver mais pluralidades ocupando os espaços universitários é libertador”, destaca Jeniffer Alvarez, estudante de Medicina da UFCSPA, egressa de cursinho popular Emancipa Porto Alegre, bolsista de extensão do AfirmaSUS e do NEABI.

“Quando atravessamos o muro do vestibular, aqui dentro da universidade existem portas que nos auxiliam a permanecer, como os projetos de extensão e bolsas permanência. Isso faz toda diferença na nossa formação, já que partimos de lugares diferentes da grande maioria”, afirma Pakiza Santos da Silva, estudante de Nutrição da UFCSPA e bolsista de extensão do NEABI, também egressa do curso popular Emancipa.

Pensar em acesso à educação também é pensar em saúde mental, perspectiva de futuro e redução das desigualdades. Ações como essa, estimulam a universidade a pensar em políticas de ação afirmativa para garantir acesso, permanência e pertencimento.