Programação contou com roda de samba, integração entre estudantes e homenagem à ativista Sônia Saraí Soares

O Núcleo de Estudos Africanos, Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) da UFCSPA promoveu, nesta quinta-feira, 19 de março, o Acolhimento Discente 2026. A atividade, realizada no hall térreo do Prédio 2 e na Praça dos Cubos, reuniu estudantes, docentes e gestores para apresentar as ações do núcleo e fortalecer o sentimento de pertencimento de alunos negros, indígenas, quilombolas e internacionais na instituição. O encontro buscou reafirmar o papel da universidade pública no enfrentamento ao racismo e na consolidação de políticas de acesso e permanência, servindo como um espaço de construção coletiva e esperança para a comunidade acadêmica.

Durante a abertura, a coordenadora do NEABI, professora Janine Bargas, destacou que o evento foi construído com cuidado para fortalecer vínculos institucionais. "Esse é um encontro construído com muito cuidado e compromisso para fortalecer vínculos, promover pertencimento e reafirmar o papel da universidade pública no enfrentamento ao racismo e na consolidação de políticas de acesso e permanência para esses grupos. Este acolhimento é um convite para que vocês ocupem, permaneçam e transformem essa universidade", afirmou.

A reitora Jenifer Saffi ressaltou a evolução histórica da representatividade racial no campus e o apoio da gestão às pautas de equidade. "Eu entrei na UFCSPA em 2009, sou professora e sou testemunha do quanto a diversidade melhora a nossa universidade. E isso só tem sido possível graças à instituição de determinadas políticas públicas que a gente vem honrando e vem tentando cada vez mais implementar, fortalecer e ampliar", declarou. A reitora também incentivou os estudantes a ocuparem lugares de decisão nos conselhos superiores, como o Consun e o Consepe.

Monica Oliveira, que assumirá a coordenação do NEABI na próxima semana, celebrou a realização desta segunda edição do evento de acolhimento, relembrando o sucesso do primeiro encontro ocorrido em 2025. A docente enfatizou que o núcleo mantém-se como um espaço aberto para ouvir as experiências de quem já está na instituição e acolher quem deseja descobrir a atuação do grupo.

O protagonismo estudantil foi reforçado por lideranças discentes que compartilharam suas trajetórias de articulação política e acadêmica. A estudante de Nutrição Alana Amorin, coordenadora geral do DCE e conselheira do Consun, enfatizou a importância de ocupar esses espaços para garantir que a universidade reflita a diversidade da sociedade. "Nós pessoas negras reconhecemos que a gente tem um papel dentro da universidade, que é também de falar por nós. Que a gente possa chegar cada vez mais e mais até esse espaço, e para isso, pessoas como nós têm que ocupar esses espaços e se colocar nessa posição de botar a cara a tapa, de levantar a mão e falar: 'eu vou falar'", ressaltou a acadêmica.

Um dos momentos centrais da tarde foi o lançamento do Grupo de Estudos Sônia Saraí Soares, que debaterá mensalmente temas voltados às relações étnico-raciais e saúde. A iniciativa homenageia a ativista e ex-vereadora de Porto Alegre, Sônia Saraí Soares, reconhecida por sua trajetória na defesa das mulheres, das crianças e das famílias das periferias. O grupo, que terá encontros na sala 134 do Prédio 2, propõe-se a ser um espaço contínuo de formação e escuta, utilizando a reflexão acadêmica para manter viva a história de luta e o compromisso social da liderança comunitária.

Presente no evento, o filho da homenageada, Deivison Saraí Soares, relatou a importância de manter vivo o legado de sua mãe como patrimônio de Porto Alegre. "A minha mãe foi um símbolo de luta na região periférica. Ela foi uma inspiração e é muito gratificante para nós da família ver isso. O sonho dela, que hoje a gente consegue realizar, era de colocar as comunidades quilombolas dentro do programa de aquisição de alimentos (PAA), fornecendo produtos da agroecologia. A Sarai era uma pessoa muito acolhedora; a casa dela não era só dela, era uma casa de todo mundo para quem chegasse naquele momento de vulnerabilidade", lembrou.

A coordenadora de Ações Afirmativas, professora Caroline Silva, destacou a carga simbólica da homenagem e a importância de reconhecer trajetórias de luta que servem de inspiração para as novas gerações da universidade. "A Sônia Saraí foi uma das pessoas que me ajudou a sonhar, que era possível mudar as coisas, que era necessário botar a cara a tapa quando fosse isso que a gente precisasse fazer para defender os nossos interesses, os interesses do nosso povo", recordou a docente.

O pró-reitor de Ações Afirmativas e Assuntos Estudantis, Rafael Cáceres, colocou a estrutura da Prae à disposição dos alunos para a garantia de direitos. "Eu tive o privilégio de ver o NEABI nascer a partir da necessidade de se criar um núcleo de estudos aqui na instituição. Coloco à disposição a estrutura da Prae para lutar junto com vocês para uma universidade mais inclusiva e mais igual, no sentido de representar a sociedade, de a gente se ver dentro da universidade e de a gente estar dentro da universidade", afirmou. O gestor reiterou que a pró-reitoria atua de forma transversal junto a outros órgãos da instituição para assegurar a diversidade.

Após as falas institucionais e homenagens, a comunidade acadêmica participou de uma integração com lanche no hall do Prédio 2. O encerramento da programação ocorreu na Praça dos Cubos com uma roda de samba conduzida pelo grupo Raiz do Gueto, celebrando a cultura afro-brasileira. As ações de confraternização foram viabilizadas com o apoio da ADUFRGS-Sindical e da empresa júnior Açafrão.