Fomento viabilizará projeto de longo prazo sobre histoplasmose sob a coordenação do professor Alessandro Pasqualotto

A rede de pesquisa liderada pela UFCSPA para estudos sobre histoplasmose acaba de alcançar um feito: a conquista de um grant R01 do National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos, no valor superior a US$ 9,5 milhões. O montante viabilizará um estudo internacional de sete anos, coordenado pelo professor Alessandro Pasqualotto, para investigar a evolução e o tratamento da histoplasmose em pacientes com HIV - o maior projeto do mundo na área. Segundo o docente, a parceria com pesquisadores da Universidade de Minnesota permitirá recrutar cerca de 700 participantes de diversos países, envolvendo três ensaios clínicos randomizados com potencial para mudar as diretrizes globais da doença.

“Neste projeto, tenho a oportunidade especial de exercer a função de investigador principal, em parceria com meu colega Nathan Bahr, da Universidade de Minnesota. Um diferencial que muito me orgulha e que reflete a força da colaboração estabelecida”, afirmou. De acordo com Pasqualotto, a conquista do grant representa um novo patamar na cooperação internacional e pode facilitar parcerias ainda maiores, envolvendo outros pesquisadores da UFCSPA.

A trajetória da rede de histoplasmose liderada pela Federal da Saúde é pontuada por colaborações de fora do país, como a participação do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), que contribui com testes diagnósticos de ponta e apoio técnico. Graças a essas parcerias, o Brasil passou a contar com ferramentas até então indisponíveis para detectar em tempo real a doença, agilizando o atendimento e salvando vidas.

Além disso, a UFCSPA já coordena o maior ensaio clínico de fase 3 em histoplasmose, com recrutamento em mais de 16 hospitais brasileiros — número que deve crescer ainda mais com a entrada de novas instituições. As inovações propostas pelo grupo, entre elas um tratamento que utiliza quatro vezes menos medicação, chamaram a atenção internacional, com destaque para o possível impacto nas recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Entenda a doença

A histoplasmose é uma infecção fúngica grave, transmitida por fungos presentes em fezes de aves e morcegos. A doença costuma acometer pessoas com o sistema imunológico comprometido, como pacientes com HIV avançado, transplantados ou usuários de medicamentos imunossupressores. Nessas situações, a doença pode se espalhar rapidamente pelo organismo, levando a complicações graves e fatais.

Atualmente, a maior parte do diagnóstico depende de exames demorados e invasivos, o que dificulta o início precoce do tratamento. O novo projeto busca não apenas encontrar opções terapêuticas mais eficazes, mas também responder a questões cruciais sobre a duração ideal do tratamento e a melhor estratégia de indução e consolidação da terapia antifúngica.