Pesquisa com participação do professor da UFCSPA Marcelo Faria Silva conquistou o Prêmio Readers’ Choice do Journal of Physiotherapy
Uma pesquisa desenvolvida pelo Grupo de Estudos em Fisioterapia Traumato-Ortopédica da UFCSPA (GEFITO) conquistou nesta semana o Prêmio Readers’ Choice do Journal of Physiotherapy. Com mais de 15 mil downloads, o artigo “In people with shoulder pain, mobilisation with movement and exercise improves function and pain more than sham mobilisation with movement and exercise: a randomised trial” foi o texto mais acessado da revista nos seis meses seguintes à sua publicação.
Liderado por Rafael Baeske (Faccat), com coautoria de Toby Hall (Curtin University - Austrália), Rafael Rodrigues Dall’Olmo (Feevale) e Marcelo Faria Silva (PPG-Ciências da Reabilitação - UFCSPA), o estudo demonstrou que, em pessoas com dor no ombro relacionada ao manguito rotador (um grupo de músculos e tendões do ombro), a combinação de mobilização com movimento (MWM) com exercícios foi mais efetiva que intervenções placebo. A pesquisa avaliou o impacto dos tratamentos em questão de dor, função, amplitude de movimento e dor noturna.
O interesse em investigar a combinação de MWM e exercícios terapêuticos surgiu da observação clínica, segundo o professor Marcelo. Ele explica que, embora a MWM já apresentasse resultados promissores no alívio rápido da dor no ombro, havia uma carência de estudos que refletissem a prática habitual, ou seja, a aplicação conjunta da técnica com exercícios. A equipe buscou, assim, responder se essa associação realmente traria benefícios adicionais aos pacientes.
O ensaio clínico envolveu 70 pessoas, com idade entre 18 e 65 anos, com dor unilateral no ombro atribuída ao manguito rotador. Os participantes foram acompanhados por cinco semanas, em sessões regulares de fisioterapia. Marcelo destaca que o recrutamento foi dificultado pelos critérios de elegibilidade e pelas interrupções causadas pela pandemia de Covid-19, o que exigiu persistência da equipe para garantir a qualidade do estudo.
O pesquisador descreve a MWM como uma manobra realizada pelo fisioterapeuta no ombro do paciente durante o movimento que normalmente causa dor. “Durante o procedimento, o profissional aplica uma pressão suave em determinadas direções, posicionando a articulação de modo que o movimento volte a ocorrer de forma confortável”, detalha Marcelo. Já os exercícios convencionais, segundo ele, promovem adaptações nos tendões, músculos e no sistema nervoso central, consolidando os ganhos obtidos com a mobilização.
Os resultados do estudo mostraram que a combinação de MWM e exercícios proporcionou melhoras consistentes em dor e função, superando as intervenções placebo. O docente ressalta que, embora nem todos os pacientes respondessem igualmente ao tratamento, os resultados foram superiores em comparação ao tratamento convencional. “Existe uma variabilidade individual, mas ainda assim, o impacto global permaneceu superior ao tratamento convencional, indicando que a técnica oferece benefícios clínicos adicionais relevantes”, salienta.
Para as pessoas que sofrem com dores nos ombros, Marcelo faz algumas recomendações. “Se a dor persistir por mais de quatro a seis semanas ou estiver piorando em vez de melhorar, já é um sinal de alerta”, indica. Outro sinal a ser considerado é a perda de função, como não conseguir erguer o braço acima da altura do ombro, abotoar a roupa ou apoiar-se para levantar-se do sofá. “Da mesma forma, quando a dor atrapalha o sono, vale a pena buscar ajuda profissional, porque isso costuma indicar um quadro mais irritado e limitante”, alerta.
O indivíduo também precisa estar atento à dor iniciada depois de uma queda ou impacto direto, pois existe o risco de lesão que precisa ser avaliada e tratada. “Em resumo, quanto mais cedo um fisioterapeuta avaliar esses sinais, maiores as chances de intervir com tratamento adequado, inclusive exercícios graduados e, quando indicado, a MWM antes que a condição se agrave”, recomenda.





