Mulheres têm fatores de risco elevados por problemas relacionados à saúde mental

Celebrando o Mês da Mulher, a equipe de jornalismo da Assessoria de Comunicação Social da UFCSPA realiza uma série de conteúdos voltados para a saúde da mulher. Nesta segunda semana de março, o tema é Saúde Cardiovascular. Para entender os riscos e as peculiaridades desse público, conversamos com a médica cardiologista, professora e reitora da UFCSPA Lucia Campos Pellanda.

Conforme a Sociedade Brasileira de Cardiologia, as doenças cardiovasculares representam a principal causa de morte entre as mulheres no Brasil. O infarto entre mulheres jovens tem crescido mais do que entre os homens na mesma faixa etária, com um aumento de 62% nos casos registrados em mulheres de 15 a 49 anos nas últimas três décadas.

A professora Lucia alerta que, para além dos fatores de risco comuns – tais como hipertensão arterial, obesidade, diabetes, colesterol elevado, sedentarismo, tabagismo, alimentação inadequada e histórico familiar – outras origens têm sido causa de problemas no coração entre mulheres. Estresse, ansiedade, depressão, insônia e exposição à violência ou assédio são alguns dos fatores que mais têm contribuído para a ocorrência de infartos entre mulheres. Outros indicadores de risco específicos do público feminino são: menopausa, uso de alguns anticoncepcionais, distúrbios hipertensivos da gestação, diabetes gestacional, doenças autoimunes e tratamentos contra o câncer de mama.

Um fator preocupante, segundo a professora Lucia, é a maior demora entre as mulheres do que entre os homens na busca por ajuda durante crises cardiovasculares. “Por tentarem parecer fortes, muitas vezes as mulheres suportam mais a dor e deixam para procurar ajuda médica somente quando o quadro está ficando grave”.

Dessa forma, é necessário estar atenta aos sintomas, como dor no peito que irradia para o braço esquerdo, náuseas, tontura, dificuldade para respirar e suor frio. Outros sinais podem ser dor nas costas, desconforto no pescoço e ombros, fadiga extrema e sensação de queimação no peito.

Também é importante realizar ações de prevenção, como manter uma alimentação equilibrada, praticar regularmente atividade física, cuidar da saúde mental, evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool. Pessoas com fatores de risco elevados devem consultar periodicamente um médico cardiologista.