A coordenação e o corpo docente do Curso Superior Tecnológico de Toxicologia Analítica se preparam para iniciar o Bacharelado em 2026
O Conselho Universitário (Consun) da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) aprovou na sua última sessão ordinária, no dia 3 de outubro, a criação do Curso de Bacharelado em Toxicologia, como alteração ao Curso Superior Tecnológico de Toxicologia Analítica. A partir de 2025, as vagas para o curso tecnológico não serão mais ofertadas. As disciplinas continuarão sendo ofertadas até que todos os alunos matriculados na modalidade tecnológica possam concluir seus estudos. Em paralelo, a coordenação e o corpo docente se preparam para iniciar o bacharelado em 2026, em um período de transição, no qual algumas disciplinas do curso tecnológico ainda estarão em vigor.
A substituição do curso de tecnólogo para bacharelado envolve a ampliação da carga horária total, com o aumento de um ano na duração do curso (que passa para quatro anos) e a inclusão do trabalho de conclusão de curso (TCC) na grade curricular. Além disso, será possível a atualização do currículo com novas disciplinas e áreas da toxicologia que não estão contempladas no curso tecnológico, como a de Toxicologia Regulatória.
Do tecnológico ao bacharelado: qual a história da mudança?
A Pró-Reitora de Graduação, Márcia Rosa da Costa, e a professora e coordenadora do curso de Tecnologia em Toxicologia Analítica, Vanusa Regina Lando, compartilham que a necessidade de transição do curso Tecnológico para Bacharelado foi identificada pela primeira vez em 2017, a partir de uma demanda dos próprios alunos. “Eles perceberam que concursos públicos na área de perícia exigiam uma carga horária maior do que a oferecida pelo curso tecnólogo para que pudessem ocupar determinadas vagas”, conta Márcia da Costa.
Um exemplo é o concurso do Instituto Geral de Perícias de Santa Catarina (IGP-SC) de 2017 para o cargo de Papiloscopista, que requisitava "curso de nível superior completo, currículo mínimo de quatro anos, reconhecido pelo MEC, em qualquer área de formação", o que excluía os cursos tecnólogos com duração de dois a três anos. Alguns programas de pós-graduação na área de Toxicologia também não aceitam candidatos com diploma de tecnólogo. O edital da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (USP), por exemplo, ainda veta a inscrição de alunos de cursos de curta duração.
Desde então, a Coordenação do Curso iniciou discussões com os Núcleos Docentes Estruturantes (NDE) para avaliar as possibilidades de mudança. Em março de 2024, a coordenação do curso e o NDE organizaram um levantamento com alunos egressos. Os dados coletados mostram que 90% daqueles que responderam ao questionário afirmaram que voltariam à UFCSPA para cursar o Bacharelado em Toxicologia.
Essa necessidade se tornou ainda mais urgente após a publicação da Portaria nº 514, em 6 de junho de 2024, que aprovou a 4ª edição do Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia (CNCST). O novo catálogo recomenda que o curso de Toxicologia Analítica seja adaptado para outro perfil já existente, como o Tecnólogo em Saneamento Ambiental, “um curso com proposta completamente diversa ao que temos em nossa instituição”, ressalta a pró-reitora de graduação.
Em 30 de julho de 2024, a Portaria nº 375 estabeleceu as regras de transição para a nova edição. “Por essa portaria, o curso de Toxicologia Analítica deve fazer as alterações decorrentes da atualização do novo CNCST”, explica a coordenadora Vanusa.

Proposta estrutural do novo curso
O estudo da Toxicologia consiste na análise dos efeitos das diversas substâncias químicas sobre os organismos vivos e suas consequências na saúde humana e no meio ambiente. A Toxicologia abrange também a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de intoxicações, que compreende o entendimento de mecanismos de toxicidade, a avaliação de risco, o estudo de antídotos e a realização de diagnósticos clínicos, utilizando as análises toxicológicas em diferentes matrizes.
O profissional de toxicologia pode atuar em laboratórios de análises toxicológicas e análises clínicas, na indústria de medicamentos, alimentos e química, em perícia, em área clínica e em instituições de Ensino Superior, públicas ou privadas.
O curso de Toxicologia Bacharelado na UFCSPA será predominantemente noturno, com turmas de 24 vagas para alunos ingressantes. Terá duração de quatro anos, com uma carga horária de até 3.500h, das quais 10% será em em atividades ou disciplinas de extensão. A carga horária de estágios permanecerá de 540h e haverá a inclusão do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
Será utilizada como base a matriz curricular do curso Tecnológico de Toxicologia Analítica, com a inserção de disciplinas como Biossegurança, Ecotoxicologia, Toxicinética e Toxidinâmica, Avaliação de Risco, Hematologia e Bioquímica Clínica. No Núcleo Docente Estruturante estão as professoras Vanusa Regina Lando (coordenadora), Sandra Manoela Dias Macedo (vice-Coordenadora), Denise Conceição Mesquita Dantas, Eliane Dallegrave, Helena Terezinha Hubert Silva, Josias de Oliveira Merib, Márcia Vignoli da Silva, Marisa Tsao, Sheila Bünecker Lecke e o professor Tiago Franco de Oliveira.
A coordenadora conta, ainda, que a equipe está na expectativa pela construção do novo Projeto Pedagógico do Curso e pelo ingresso dos primeiros alunos em 2026, “mas também por viabilizar que os atuais alunos do curso de Toxicologia Analítica, se desejarem, possam retornar e concluir o bacharelado, ampliando assim o acesso à diferentes cargos no mercado de trabalho da área”. Sobre essa fase, a pró-reitora Márcia assegura: “Nosso objetivo é garantir uma transição organizada e de qualidade, mantendo o compromisso com a excelência na formação e proporcionando aos nossos alunos uma formação mais robusta, alinhada às exigências do mercado e das pós-graduações. Dessa maneira, a universidade reforçará sua contribuição para a formação de profissionais qualificados e preparados para enfrentar os desafios de uma área em constante crescimento”.









