29/04/2022 – Portal Simers
Link: https://www.simers.org.br/noticia?name=trote-solidario-2022/1-e-sucesso-e-arrecada-24,6-toneladas-de-alimentos-no-rs
Trote Solidário 2022/1 é sucesso e arrecada 24,6 toneladas de alimentos no RS
A ação que já é marca registrada entre os calouros de Medicina do Estado, mais uma vez, garantiu excelentes resultados. A edição 2022/1 do Trote Solidário, promovido pelo Núcleo Acadêmico do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (NAS - Simers), arrecadou 24,6 toneladas de alimentos na Capital e em mais 13 municípios gaúchos, incluindo doações on-line.
De acordo com o diretor de Políticas Estratégicas do Simers, Vinícius de Souza, os donativos vão ser encaminhados às entidades cadastradas junto à Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul. Para se ter uma ideia da força da ação, dados fornecidos pela Rede apontam que uma tonelada de alimentos alimenta 80 pessoas em 30 dias, em todas as refeições.
“Desde 2008, o Trote Solidário vem beneficiando mais de 700 mil famílias. O que nos dá muito orgulho em saber que mudar a realidade nos ritos de recepção aos novos universitários, dando lugar para ações de caráter social, tem ajudado muita gente”, afirma.
Doses de solidariedade
Mas a campanha não contou apenas com a doação de alimentos. Também foram arrecadadas 1,5 toneladas de tampinhas plásticas e 23.322 livros. Além disso, voluntários foram responsáveis em garantir 566 bolsas de sangue, mostrando que as boas ações valem a pena.
Para o presidente do Núcleo Acadêmico do Simers, Gustavo Pizzuti, o sucesso do Trote Solidário do NAS – Simers se deve tanto devido ao engajamento dos alunos, como pela participação da comunidade. “A população já conhece a nossa iniciativa e tem sido muito participativa, assim como os estudantes, cada vez mais, têm aderido e se mobilizado”, destaca.
Ao todo, 2.224 futuros médicos de 19 universidades participaram da ação, em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Santa Maria, Pelotas, Erechim, Santa Cruz do Sul, Passo Fundo, Uruguaiana, Lajeado, Caxias do Sul e Ijuí. Sem falar na parceria com a Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais, os hemocentros do Estado, o Instituto da Criança com Câncer e o curso Fleming.
Troféu Trote Solidário
Dentro do Trote Solidário promovido pelo NAS – Simers, ainda acontece o reconhecimento às universidades que mais arrecadaram donativos. Na edição 2022/1, os alunos de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) saíram na frente e alcançaram o primeiro lugar, seguida da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
Já no interior, a campeã foi a Universidade Franciscana (UFN), de Santa Maria. Em segundo ficou a Universidade do Vale do Taquari (Univates) e a Universidade de Passo Fundo (UPF) em terceiro. Todas vão receber o Troféu Trote Solidário, com data de entrega ainda a ser definida.
28/04/2022 – Correio do Povo
Link: https://www.correiodopovo.com.br/blogs/planodecarreira/comiss%C3%A3o-avaliadora-escolher%C3%A1-os-melhores-projetos-na-%C3%A1rea-da-sa%C3%BAde-na-south-summit-brazil-1.813220
Comissão avaliadora escolherá os melhores projetos na área da saúde na South Summit Brazil
Quatro vencedores do programa receberão suas premiações e terão seus trabalhos premiados durante evento que será realizado em Porto Alegre
Na próxima segunda-feira, às 13h, em evento presencial, o Unicred Porto Alegre Health Alliance – Programa de Inovação e Empreendedorismo na área da Saúde – reúne a banca que escolherá as quatro melhores equipes entre os 10 finalistas que apresentarão seus projetos no Pitch Day durante a South Summit Brazil Porto Alegre. Participam da avaliação grandes nomes na área da Saúde, como os médicos Fernando Kreutz, Gilberto Schwartsmann e Marcos Mendonça; o advogado Francisco Milman; e o Gerente Executivo da Panvel Saúde Empresarial, Marcelo Anjos.
Os vencedores receberão os seguintes prêmios em dinheiro: R$ 10 mil (1º lugar), R$ 7 mil (2º lugar) e R$ 3 mil (3º lugar) para que possam investir no desenvolvimento de seus projetos. Além disso, outras premiações disponíveis aos vencedores incluem: horas de mentorias sobre empreendedorismo, inovação, negócios, mercado financeiro; participação em eventos; e capacitações em empreendedorismo e inovação.
Os ganhadores também terão acesso a programas de incubação e aceleração, mentoria e consultoria em programas de desenvolvimentos de startups, conexão entre projetos, especialistas da saúde e investidores; ambiente hospitalar e/ou educacional para rodar o MVP; apoio em pesquisa aplicada e logística administrativa; apoio na construção de banco de dados; parecer técnico científico; e apoio na implementação do projeto.
Soluções em diversas áreas
Conforme o regulamento, participaram do programa equipes formadas por estudantes de graduação e pós-graduação, que apresentaram em seus projetos soluções para problemas dentro de sete áreas específicas da cadeia de valor da saúde: desenvolvimento e conhecimento; fornecimento de tecnologias e serviços; serviços de Saúde; intermediação financeira; financiamento da saúde; consumo e distribuição de produtos e serviços de saúde.
O Coordenador de Marketing e Comunicação da Unicred Porto Alegre, Diego Rassier, ressalta o sucesso da iniciativa que avaliou 19 projetos, dos quais 10 terão a oportunidade de estarem presentes na South Summit Brazil. “Com o programa Unicred Porto Alegre Health Alliance, a Cooperativa e seus parceiros alcançam seus objetivos que são, justamente, desenvolver e revelar soluções inovadoras na área da saúde que tenham potencial de negócio, oferecer capacitação quanto a metodologias de desenvolvimento de inovações, além de apoiar o sucesso profissional, com impacto positivo na sociedade”, considera.
Rassier lembra a importância da comunhão de esforços para a concretização do programa, citando nominalmente todos os parceiros que de forma colaborativa se envolveram no processo: Aliança para a Inovação (UFRGS, PUCRS e UNISINOS), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Hospital São Lucas da PUCRS (HSL), Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Hospital Ernesto Dornelles (HED), Fundação Médica do Rio Grande do Sul (Fundmed), GROW+, Ventiur, o movimento Pacto Alegre e a Associação Gaúcha de Startups (AGS).
- A banca avaliadora será formada pelos seguintes nomes:
Fernando Thome Kreutz é médico. Doutor em Biotecnologia pela University of Alberta Canadá e pesquisador do CNPq. Atuou como professor de graduação e Pós-graduação em diferentes universidades no Brasil e no Canadá (1997-2020). É diretor da FK-Biotecnologia S.A. (Brasil) e Cellvax Therapeutics (USA). Consultor ad hoc para projetos de inovação no Brasil e Canadá. Investidor anjo e mentor de novos empreendedores;
Marcos Mendonça é médico de Família e Comunidade e especialista em administração em saúde. Consultor em telemedicina. Atualmente é médico da healthtech Alice (SP) e mestrando em TI e Gestão em Saúde (UFCSPA);
Francisco Milman é israelense, empresário e advogado pós-graduado em Israel pela universidade Hebraica de Jerusalém em Direito Internacional. Fundador da Gesher Trade - empresa de consultoria para Startups Israelenses;
Marcelo Anjos é Gerente Executivo da Panvel Saúde Empresarial, com experiência de18 anos na área comercial, envolvendo estratégia de comunicação empresarial, planejamento, manutenção do índice de satisfação dos clientes e desenvolvimento de projetos para as Operadoras de Planos de Habilidade no relacionamento interpessoal com fornecedores e clientes.
Gilberto Schwartsmann é professor de Oncologia no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É membro titular da Academia Nacional de Medicina e ex-presidente da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina. Além disso, é diretor do Instituto de Oncologia Kaplan e do Centro do Câncer do Hospital Ernesto Dornelles.
22/04/2022 – Informa Araguaia
Link: https://informaaraguaia.com.br/saude/5-fatores-que-podem-ameacar-o-fim-da-emergencia-de-saude-publica-anunciado-no-brasil/
5 fatores que podem ameaçar o fim da emergência de saúde pública anunciado no Brasil
Já em relação à terceira dose, São Paulo é o único Estado a ter mais de 50% dos adultos com o reforço contra o coronavírus
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, declarou no domingo (17/4) que a covid-19 não será mais considerada uma emergência de saúde pública no Brasil.
A decisão, que vai revogar uma série de regulamentações e leis que marcaram os últimos dois anos, gerou controvérsia entre especialistas.
“Me preocupa o fim da emergência nacional num momento em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda entende que estamos diante de uma pandemia, ou uma emergência de saúde pública internacional”, critica a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
“E ainda não está claro o que isso vai significar na prática e qual será o plano se as coisas voltarem a piorar”, chama a atenção Leonardo Bastos, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz).
O anúncio do Ministério da Saúde acontece num momento em que as médias móveis de casos e mortes por covid-19 estão em queda no país — e o relaxamento das políticas preventivas, como o uso de máscaras e a prevenção de aglomerações, já estava em prática há semanas em diversas cidades e Estados.
Vale destacar que a revogação da Emergência em Saúde Pública de Interesse Nacional (Espin) não significa o fim da pandemia, como explicado pelo próprio ministro Queiroga.
“Continuaremos a conviver com o vírus. O Ministério da Saúde permanece vigilante e preparado para adotar todas as ações necessárias para garantir a saúde dos brasileiros em total respeito à Constituição Federal”, afirmou.
Mas e se os casos, as hospitalizações e as mortes por covid-19 voltarem a subir em alguma parte do país? Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil listam os cinco fatores que podem ameaçar o fim da emergência de saúde pública anunciada pelo governo — e o que deveria ser feito para combatê-los.
- Temporada de frio
Todos os anos, a chegada do outono e do inverno costuma vir acompanhada de um aumento nos casos de infecções respiratórias, como gripe e resfriado.
E isso está mais relacionado ao comportamento das pessoas do que aos vírus em si: no frio, costumamos ficar mais tempo em lugares fechados, com pouca circulação de ar, e próximos uns dos outros.
Esse é o cenário perfeito para a transmissão de patógenos como o influenza, o causador da gripe, e do vírus sincicial respiratório, do bocavírus ou do rinovírus, que estão por trás do resfriado.
A flutuação de casos de doenças respiratórias de acordo com a estação do ano, aliás, é um fator determinante nas políticas públicas de saúde.
A campanha de vacinação contra a gripe, por exemplo, sempre começa no início de outono na maioria das regiões brasileiras. O objetivo é garantir, antes de o influenza circular com mais intensidade, uma maior proteção contra os casos graves da doença, especialmente nos grupos vulneráveis.
Em relação à covid-19, ainda não foi possível estabelecer quando ocorrerão os aumentos e as diminuições na taxa de infecção — como estamos no meio de uma pandemia de um vírus absolutamente novo, para o qual não tínhamos imunidade alguma, essas curvas sobem e descem em qualquer estação do ano.
“Não temos uma resposta muito clara se o coronavírus vai ter esse padrão parecido com o que vemos em outras infecções respiratórias”, entende Bastos.
“Mas é natural pensar que algo similar, com aumento de casos em épocas de frio, também venha a acontecer com a covid”, complementa.
E boa parte do Brasil está entrando justamente agora neste período de queda nas temperaturas. Será que isso influenciará na transmissão do coronavírus? Só o acompanhamento das estatísticas nas próximas semanas poderá responder essa questão.
- Surtos em outros lugares
Como fenômeno global, a pandemia tem repercussões em todos os continentes — e o que acontece do outro lado do mundo pode respingar aqui de alguma maneira.
Isso foi observado diversas vezes ao longo dos últimos dois anos. É só lembrar que os primeiros casos de covid foram observados na China e logo apareceram na Europa. Na sequência, o coronavírus foi detectado na América do Norte e, depois, no Brasil.
Entre 2020 e 2021, esse fluxo se repetiu algumas vezes: ondas de casos e mortes que começaram em alguma parte da Europa logo se repetiram nos Estados Unidos ou na América Latina (e vice-versa).
A própria variante ômicron, detectada originalmente na África do Sul em novembro do ano passado, se espalhou com uma velocidade sem precedentes e provocou recordes de infecções nos meses seguintes em várias partes do mundo.
Vale notar que, com o avanço da vacinação e o alto número de indivíduos que tiveram covid, a influência da situação internacional no contexto de cada país se torna menos relevante — uma população com alto grau de imunidade tende a sofrer menos com novos surtos do que os moradores de um local que não experimentou grandes ondas recentemente.
Mesmo assim, os especialistas consideram prematuro ignorar completamente uma piora dos números em qualquer parte do mundo, ainda mais num momento de abandono das medidas restritivas e de aumento na circulação de pessoas.
Maciel explica que, dentro de uma pandemia, existem alguns momentos de crise e outros de calmaria.
“Nós temos as ondas e períodos interpandêmicos, marcados pela diminuição de casos, hospitalizações e mortes”, diz.
“E ainda é cedo para dizer se o que vivemos agora é justamente esse período interpandêmico, e logo veremos um novo aumento nos números, ou vamos passar realmente para a endemia, com uma estabilização do cenário”, continua a epidemiologista.
O caminho para determinar onde estamos atualmente envolve monitorar o que acontece em todo o mundo, especialmente nos países com os quais os brasileiros têm mais contato e um fluxo constante de viagens.
Caso a situação aperte nesses locais, pode ser necessário fazer novas restrições e aprimorar o controle de casos positivos de covid em portos, aeroportos e fronteiras.
- Desestruturação do sistema
Maciel também teme que o fim da emergência de saúde pública nacional desmonte serviços de vigilância e de atendimento aos pacientes que foram criados nesses últimos dois anos.
“O decreto de Espin permite uma série de compras, licitações e normas para responder à crise sanitária que envolve a remessa de vacinas, a ampliação de leitos hospitalares, a distribuição de insumos…”, lista.
“O Governo Federal não pode acabar com o decreto sem fazer um período de transição, para que Estados e municípios planejem as ações dali em diante.”
A professora da Ufes ressalta que é hora de manter os serviços de saúde e até reforçar o sistema de vigilância de casos e hospitalizações por covid.
É justamente esse monitoramento contínuo que permite identificar um crescimento nas infecções de forma prematura, antes que o problema se espalhe, e tomar as ações para contê-lo.
“E se passarmos por uma nova mudança de cenário, em que os casos, hospitalizações e mortes por covid voltem a aumentar?”, questiona Bastos.
“É preciso deixar claro o que será feito se a situação da covid piorar novamente”, completa o pesquisador.
- Aparecimento de novas variantes
Um dos grandes temores dos especialistas é o surgimento de uma nova versão do coronavírus ainda mais transmissível, agressiva ou com capacidade de “driblar” a imunidade obtida com a vacinação ou com as infecções prévias.
“Esse é um risco que está posto e com o qual já lidamos algumas vezes nesta pandemia”, aponta o virologista Fernando Spilki, professor da Universidade Feevale, no Rio Grande do Sul.
As variantes de preocupação registradas até o momento apareceram em locais onde havia uma alta taxa de transmissão do patógeno. Foi o caso da variante alfa, no Reino Unido, da gama, no Brasil, da delta, na Índia e da ômicron, na África do Sul.
Nada garante que esse fenômeno volte a se repetir nos meses que virão, ainda mais num cenário em que o vírus circula livremente e sem restrições.
A boa notícia é que, pelo observado até agora, as vacinas continuam a oferecer um bom nível de proteção contra as formas mais graves de covid, que causam hospitalização e morte.
“Vemos também que há uma espécie de convergência e similaridade entre as variantes que identificamos até agora: algumas mutações apareceram de forma simultânea e independente em lugares diferentes”, analisa Spilki, que também coordena a Rede Corona-ômica do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações.
“A tendência é que, com o passar do tempo, tenhamos cada vez menos mortes por covid. Mas também podemos sofrer surtos de proporções elevadas, especialmente se surgirem variantes mais diversas e que consigam escapar da imunidade”, complementa o especialista.
Para evitar que essa possibilidade pessimista vire realidade, o caminho é fazer a vigilância genômica e identificar precocemente as novas variantes que surgirem.
- Queda da proteção
Para completar, ainda não está 100% claro quanto tempo dura a imunidade após a vacinação ou a infecção pelo coronavírus.
Essa proteção, inclusive, deve variar de acordo com uma série de características. Indivíduos mais jovens, por exemplo, podem estar bem resguardados da infecção (ou de suas repercussões mais graves) após tomarem três doses do imunizante.
Já pessoas mais velhas, ou aquelas que passaram por um transplante ou fazem tratamento contra o câncer, costumam ter um sistema imunológico mais debilitado, que não responde tão bem às ameaças infecciosas.
E isso, por sua vez, pode impactar os números da covid: se a imunidade diminui mesmo ao longo dos meses, é possível que ocorra um novo aumento de casos, hospitalizações e até mortes, principalmente nos grupos que são mais vulneráveis.
Esse fenômeno, aliás, já foi visto em outros momentos da pandemia: quando as primeiras vacinas foram aprovadas, preconizava-se duas doses para todo mundo. Após algum tempo, os cientistas começaram a notar uma queda nos anticorpos e um aumento nas taxas de infecções e internações.
Houve um consenso, então, de que era preciso ofertar uma terceira aplicação do imunizante — primeiro em idosos e imunossuprimidos, depois para todos aqueles com mais de 18 anos.
“Pelos estudos que temos até agora, três doses são suficientes para proteger um adulto saudável de todas as variantes em circulação”, informa a imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
“Já para indivíduos com imunidade mais baixa, como idosos, pacientes oncológicos, e transplantados, uma quarta dose já é necessária”, complementa.
A especialista, que também representa a Sociedade Brasileira de Imunologia, entende que só saberemos sobre a relevância de novos reforços vacinais a partir de estudos científicos, que avaliarão como a imunidade se comporta daqui em diante.
“É hora de monitorar, testar e acompanhar o que está acontecendo no mundo e também no Brasil.”
“Pode ser que, daqui a seis meses, apareçam tantos casos que seja preciso instituir uma quarta dose para todo mundo. Por ora, ainda não há essa necessidade”, conclui a imunologista.
Por fim, é preciso notar que, no caso do Brasil, a cobertura da vacinação contra a covid segue desigual em muitas partes do país: enquanto São Paulo, Piauí, Paraíba e Ceará apresentam mais de 80% da população imunizada, Amapá, Roraima, Acre e Maranhão não atingiram uma cobertura de 60%.
Já em relação à terceira dose, São Paulo é o único Estado a ter mais de 50% dos adultos com o reforço contra o coronavírus.
Fonte: BBC
20/04/2022 – Veja Saúde
Link: https://saude.abril.com.br/medicina/no-primeiro-carnaval-pos-isolamento-ganha-o-bloco-dos-vacinados/
No primeiro Carnaval pós-isolamento, ganha o bloco dos vacinados
Especialistas ainda temem que decisão sobre a festa dê chance ao coronavírus e pedem cautela aos foliões
Depois de dois anos de interrupção, teremos Carnaval no feriado de Tiradentes. Nos próximos dias, ocorrem os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo. Blocos também planejam sair às ruas, ainda que sem a organização das prefeituras.
Considerando que a pandemia não acabou, como deve ficar, então, a etiqueta sanitária de quem vai para as festas?
“Na resposta sobre ter Carnaval ou não existem muitas variáveis difíceis de controlar”, afirma o infectologista Jaime Rocha, professor da Escola de Medicina da PUCPR.
Em primeiro lugar, a festa é mais segura se as pessoas que participarem estiverem plenamente vacinadas contra a Covid-19 e sem sintomas respiratórios. Isso dentro de um contexto epidemiológico de baixa transmissão do vírus e poucas hospitalizações, que pode mudar a qualquer momento, na visão do especialista.
As organizações dos desfiles de Rio e São Paulo vão exigir o passaporte da vacina para entrar no sambódromo. A imunização no Brasil vai bem, e passou dos 80%, considerando as crianças com mais de 5 anos.
Mas quem já tomou as duas injeções há quatro meses ou mais precisa de reforço. Neste quesito, estamos deixando a desejar. Apenas metade da população adulta aderiu a essa dose. Mesmo que isso não seja uma exigência do evento, o ideal é ir com a terceira injeção no braço.
“O principal problema são os imunossuprimidos, porque estudos vêm mostrando, cada vez mais, que nem com quatro doses de vacina eles estão totalmente protegidos”, afirma Cristina Bonorino, que é bióloga, imunologista e professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
“Entende-se que essas pessoas não vão ao Carnaval, mas quem vai pode ter pais, avós com mais de 80 anos ou pessoas com comorbidades em casa. Existe o risco de infectar esses familiares”, esclarece a bióloga.
Por que ainda precisamos nos proteger?
Estar vacinado é importante, mas não é suficiente para impedir totalmente a circulação do vírus, lembra Cristina.
“Não está claro o suficiente para as pessoas que a vacina não impede que a pessoa seja infectada. Ela vai ficar protegida contra casos graves, pois as doses inibem a multiplicação do vírus, mas ainda terá sintomas mais leves e há chances de transmitir”, afirma a biológa.
E não é só isso. “Há muitos relatos de Covid Longa, mesmo entre quem tem quadros brandos, com pessoas que ainda não recuperaram olfato e paladar, ou ficaram com sintomas respiratórios e outras queixas por meses”, afirma Cristina.
A falta de cuidado com si mesmo pode ter efeitos no outro, afirma Rocha.
“Infelizmente doenças de transmissão rápida têm consequências sociais. A pessoa que carrega o vírus pode nem saber que está contaminada, mas transmitir para o pai, o irmão, o vizinho… Esse raciocínio de não ter medo da Covid faz com que a doença continue circulando”, avalia o infectologista.
O surgimento de novas variantes é outra preocupação dos especialistas, e é o que pode fazer mudar o status epidemiológico. “Acabei de voltar da Inglaterra. Lá a BA.2 se expandiu e já representa 98% do dos testes realizados”, afirma Cristina.
Por enquanto, no Brasil, ainda prevalece a BA.1, e o número de casos está em queda há semanas. Todo o esforço pedido pelos especialistas aos foliões é para que o panorama siga o mesmo após as festas.
Outras doenças em evidência
A pandemia deve servir de aprendizado para nos proteger de outros males, reforçam os médicos e cientistas. Por isso, é importante entender qualquer sinal de gripe como aviso para ficar em casa ou usar máscara.
Aliás, a máscara é bem-vinda principalmente em festas que vão acontecer em ambientes fechados. Os modelos PFF2 ou cirúrgica são os mais seguros, e com muito suor e falação é aconselhável trocá-la trocá-la quando perceber que ela está úmida ou suja.
“Temos outros vírus respiratórios circulando que podem provocar grandes estragos, como o vírus sincicial respiratório (VSR), que afeta crianças, e o influenza, que também provoca casos graves”, lembra Rocha.
Além das doenças respiratórias, ainda estão por aí o HIV e a sífilis, lembra o infectologista. Ou seja, se a festa empolgar, use camisinha!
Dicas para um Carnaval seguro:
- Se estiver com sintomas respiratórios, o melhor é ficar em casa. Na dúvida sobre seu estado de saúde, use máscara
- Leve álcool gel e higienize as mãos o tempo todo
- No Carnaval de rua, o ideal é fugir de grandes aglomerações ou usar máscara se encher demais
- Não vá se não estiver, ao menos, com o primeiro esquema vacinal completo
- Use protetor solar
- Seja moderado na bebida, hidrate-se e coma bem durante esses dias
- Lembre-se das doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis e o HIV, e não deixe o preservativo de lado
19/04/2022 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/04/saiba-quais-sao-os-principais-riscos-durante-a-gestacao-e-o-parto-de-gemeos-cl26u4te8004l017c8vdlahib.html
Saiba quais são os principais riscos durante a gestação e o parto de gêmeos
Morte de um dos filhos do jogador Cristiano Ronaldo chamou a atenção para o assunto; confira o que dizem especialistas
O anúncio da morte de um dos filhos gêmeos do jogador Cristiano Ronaldo com a esposa, Georgina Rodríguez, na segunda-feira (18) chamou a atenção para os riscos de uma gestação gemelar. Em comunicado publicado nas redes sociais, o casal não informou detalhes sobre o falecimento do bebê, que era um menino, mas deixou claro que a outra criança, uma menina, está viva.
"É com a mais profunda tristeza que comunicamos o falecimento do nosso bebê. É a maior dor que quaisquer pais podem sentir. Só o nascimento da nossa bebé nos dá forças para viver este momento com alguma esperança e felicidade”, diz um trecho do texto. A rede de TV portuguesa SIC informou que a morte do menino ocorreu durante o parto das crianças.
Apesar de não serem tão incomuns, gestações múltiplas são rodeadas por mitos que colaboram para a disseminação de informações incorretas sobre o tema. De acordo com especialistas, gestações gemelares sempre são consideradas de alto risco, mas alguns fatores determinam a elevação dos principais perigos no decorrer da gravidez e do parto, tanto para as mães quanto para os bebês. Entenda:
Tipos de gravidez gemelar
Há três tipos de gravidez gemelar: monocoriônica-monoamniótica, em que os gêmeos dividem uma placenta e um saco amniótico; monocoriônica-diamniótica, em que os bebês dividem a placenta, mas estão em dois sacos separados; e dicoriônica-diamniótica, em que cada feto tem sua placenta e seu saco amniótico. O mais complicado é o primeiro, em que o óvulo é fecundado por um espermatozoide e, depois, se divide em dois. Já o mais tranquilo é o terceiro, em que os gêmeos são gerados a partir de dois óvulos fecundados por dois espermatozoides, explica Maria Lúcia da Rocha Oppermann, chefe do Centro Obstétrico do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
— A monocoriônica é de muito mais risco, porque existe uma série de complicações típicas desse tipo, que não é frequente no outro (dicoriônica). Tem muito mais complicações no período do pré-natal e, às vezes, os bebês têm que nascer bem antes do tempo por conta disso — afirma.
Nas gestações dicoriônicas, as complicações são menores. Eventualmente, as crianças crescem um pouco abaixo da média, mas nenhuma delas costuma ter comprometimentos graves, destaca Maria Lúcia. A professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e supervisora do Programa de Residência Médica em Medicina Fetal da Santa Casa de Porto Alegre Patrícia El Beitune concorda que esse tipo de gravidez representa o melhor cenário dentre as gestações múltiplas e comenta que, felizmente, ele corresponde a 75% das gestações gemelares.
— Mesmo considerando um melhor prognóstico na gestação dicoriônica, ainda existe maior risco (em comparação às gestações de apenas um bebê) porque o espaço compartilhado intraútero é limitado. Então, à medida que a gravidez vai evoluindo, o útero vai ficando distendido e isso já faz com que haja um risco maior de parto prematuro — alerta Patrícia, ressaltando que os bebês também podem acabar desenvolvendo uma restrição de crescimento intrauterino, devido ao espaço limitado.
Principais complicações
As gestações monocoriônicas, que são as mais preocupantes e representam cerca de 25% das gestações gemelares, podem evoluir com graves comprometimentos, dentre os quais destaca-se a restrição de crescimento fetal e o parto prematuro (bem mais comuns do que nas gestações dicoriônicas), além de transfusão feto fetal (quando um bebê vira doador do outro) e morte de ambas crianças.
— Em uma placenta só, eles têm uma anastomose de artérias e veias muito grande, então um deles pode começar a doar sangue para o outro e os dois ficam mal. O que está doando fica muito pequeno e o que está recebendo fica pletórico, cheio de sangue, e isso pode ocasionar insuficiência cardíaca e uma série de complicações — aponta Maria Lúcia, que também é membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Rio Grande do Sul (Sogirgs).
Nesses casos, quando um dos fetos morre, também é perigoso, porque ele pode transmitir para a circulação sanguínea do irmão substâncias danosas, que podem causar inclusive sequelas neurológicas e óbito. Isso gera, ainda, risco de coagulopatia — um quadro de coagulação intracelular disseminada — para a mãe, salienta Patrícia. Além disso, Maria Lúcia complementa que tanto a diabetes gestacional quanto a pré-eclâmpsia são mais comuns em gestações gemelares e, no pós-parto, mães de gêmeos correm maior risco de ter hemorragia severa, devido à distensão do útero.
Em relação ao risco de morte, a professora da UFCSPA aponta que, em uma gravidez de feto único, sem comorbidades associadas, sete em cada mil nascidos vivos morrem. Então, em uma gestação gemelar, esse risco é aumentado significativamente. No entanto, ela salienta que, atualmente, ocorrem bem menos óbitos do que no passado, devido aos avanços da obstetrícia, da medicina fetal e da neonatologia, e também que, nestes casos, o maior problema está relacionado às complicações — que podem ser identificadas de forma precoce com um pré-natal de qualidade, iniciado antes das 14 semanas de gestação.
— Se conseguimos ter indícios de problemas em um estágio inicial, já podemos encaminhar a paciente para centros especializados para manter esses bebês saudáveis. Mas, se perdemos esse momento, em casos complicados pela transfusão feto-fetal, por exemplo, cerca de 50% a 100% dessas crianças acabam evoluindo com sintomas neurológicos graves e até com morte de uma ou ambas — afirma Patrícia, reforçando que o cuidado deve ser redobrado em gestações gemelares, com consultas a cada duas semanas a partir da segunda metade da gravidez.
Riscos do parto
Segundo as especialistas, é muito difícil uma gestação gemelar chegar até 38 ou 40 semanas, que é o considerado ideal em uma gravidez de feto único. Patrícia acrescenta que alguns estudos inclusive recomendam que os partos dicoriônicos sejam feitos com 37 semanas, porque existe um risco maior de perder os bebês caso espere até o final dessas gestações. Mas, quando há somente uma placenta para os dois fetos, a antecipação do nascimento tem que ser ainda mais precoce, com cerca de 36 semanas para as diamnióticas (dois sacos) e com 32 ou 34 semanas para as monoamniótica (um saco). Nesses casos, também podem haver complicações decorrentes da prematuridade, destaca Maria Lúcia.
Já no momento do parto em si, o risco pode estar relacionado à demora do processo e, geralmente, pode afetar mais o bebê que nasce por último. A decisão entre cesárea ou parto normal, explicam as especialistas, varia de acordo com o tipo de gestação gemelar e com a situação dos fetos. Nos casos de gravidez monocoriônica, costuma-se optar por cesarianas, porque existe a possibilidade de que os cordões umbilicais estejam entrelaçados e essa é uma complicação relevante.
— Depois do nascimento do primeiro, intensificamos mais a monitoração dos sinais vitais do segundo, porque, caso se identifique que ele não vai suportar por mais tempo, convertemos o parto para cesárea — finaliza Patrícia.
18/04/2022 – Folha de São Paulo
Link: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2022/04/covid-5-fatores-que-podem-ameacar-o-fim-da-emergencia-de-saude-publica-anunciado-no-brasil.shtml
Covid: 5 fatores que podem ameaçar o fim da emergência de saúde pública anunciado no Brasil
Chegada do inverno, surtos em outros países e desestruturação dos serviços precisam ser observados de perto
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, declarou no domingo (17) que a Covid-19 não será mais considerada uma emergência de saúde pública no Brasil.
A decisão, que vai revogar uma série de regulamentações e leis que marcaram os últimos dois anos, gerou controvérsia entre especialistas.
"Me preocupa o fim da emergência nacional num momento em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda entende que estamos diante de uma pandemia, ou uma emergência de saúde pública internacional", critica a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, participa de entrevista coletiva em Brasília - Antonio Molina/Folhapress
"E ainda não está claro o que isso vai significar na prática e qual será o plano se as coisas voltarem a piorar", chama a atenção Leonardo Bastos, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz).
O anúncio do Ministério da Saúde acontece num momento em que as médias móveis de casos e mortes por Covid-19 estão em queda no país –e o relaxamento das políticas preventivas, como o uso de máscaras e a prevenção de aglomerações, já estava em prática há semanas em diversas cidades e Estados.
Vale destacar que a revogação da Emergência em Saúde Pública de Interesse Nacional (Espin) não significa o fim da pandemia, como explicado pelo próprio ministro Queiroga.
"Continuaremos a conviver com o vírus. O Ministério da Saúde permanece vigilante e preparado para adotar todas as ações necessárias para garantir a saúde dos brasileiros em total respeito à Constituição Federal", afirmou.
Mas e se os casos, as hospitalizações e as mortes por covid-19 voltarem a subir em alguma parte do país? Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil listam os cinco fatores que podem ameaçar o fim da emergência de saúde pública anunciada pelo governo - e o que deveria ser feito para combatê-los.
- Temporada de frio
Todos os anos, a chegada do outono e do inverno costuma vir acompanhada de um aumento nos casos de infecções respiratórias, como gripe e resfriado.
E isso está mais relacionado ao comportamento das pessoas do que aos vírus em si: no frio, costumamos ficar mais tempo em lugares fechados, com pouca circulação de ar, e próximos uns dos outros.
Esse é o cenário perfeito para a transmissão de patógenos como o influenza, o causador da gripe, e do vírus sincicial respiratório, do bocavírus ou do rinovírus, que estão por trás do resfriado.
A flutuação de casos de doenças respiratórias de acordo com a estação do ano, aliás, é um fator determinante nas políticas públicas de saúde.
A campanha de vacinação contra a gripe, por exemplo, sempre começa no início de outono na maioria das regiões brasileiras. O objetivo é garantir, antes de o influenza circular com mais intensidade, uma maior proteção contra os casos graves da doença, especialmente nos grupos vulneráveis.
Em relação à Covid-19, ainda não foi possível estabelecer quando ocorrerão os aumentos e as diminuições na taxa de infecção –como estamos no meio de uma pandemia de um vírus absolutamente novo, para o qual não tínhamos imunidade alguma, essas curvas sobem e descem em qualquer estação do ano.
"Não temos uma resposta muito clara se o coronavírus vai ter esse padrão parecido com o que vemos em outras infecções respiratórias", entende Bastos.
"Mas é natural pensar que algo similar, com aumento de casos em épocas de frio, também venha a acontecer com a covid", complementa.
E boa parte do Brasil está entrando justamente agora neste período de queda nas temperaturas. Será que isso influenciará na transmissão do coronavírus? Só o acompanhamento das estatísticas nas próximas semanas poderá responder essa questão.
- Surtos em outros lugares
Como fenômeno global, a pandemia tem repercussões em todos os continentes –e o que acontece do outro lado do mundo pode respingar aqui de alguma maneira.
Isso foi observado diversas vezes ao longo dos últimos dois anos. É só lembrar que os primeiros casos de Covid foram observados na China e logo apareceram na Europa. Na sequência, o coronavírus foi detectado na América do Norte e, depois, no Brasil.
Entre 2020 e 2021, esse fluxo se repetiu algumas vezes: ondas de casos e mortes que começaram em alguma parte da Europa logo se repetiram nos Estados Unidos ou na América Latina (e vice-versa).
A própria variante ômicron, detectada originalmente na África do Sul em novembro do ano passado, se espalhou com uma velocidade sem precedentes e provocou recordes de infecções nos meses seguintes em várias partes do mundo.
Vale notar que, com o avanço da vacinação e o alto número de indivíduos que tiveram Covid, a influência da situação internacional no contexto de cada país se torna menos relevante –uma população com alto grau de imunidade tende a sofrer menos com novos surtos do que os moradores de um local que não experimentou grandes ondas recentemente.
Mesmo assim, os especialistas consideram prematuro ignorar completamente uma piora dos números em qualquer parte do mundo, ainda mais num momento de abandono das medidas restritivas e de aumento na circulação de pessoas.
Maciel explica que, dentro de uma pandemia, existem alguns momentos de crise e outros de calmaria.
"Nós temos as ondas e períodos interpandêmicos, marcados pela diminuição de casos, hospitalizações e mortes", diz.
"E ainda é cedo para dizer se o que vivemos agora é justamente esse período interpandêmico, e logo veremos um novo aumento nos números, ou vamos passar realmente para a endemia, com uma estabilização do cenário", continua a epidemiologista.
O caminho para determinar onde estamos atualmente envolve monitorar o que acontece em todo o mundo, especialmente nos países com os quais os brasileiros têm mais contato e um fluxo constante de viagens.
Caso a situação aperte nesses locais, pode ser necessário fazer novas restrições e aprimorar o controle de casos positivos de Covid em portos, aeroportos e fronteiras.
- Desestruturação do sistema
Maciel também teme que o fim da emergência de saúde pública nacional desmonte serviços de vigilância e de atendimento aos pacientes que foram criados nesses últimos dois anos.
"O decreto de Espin permite uma série de compras, licitações e normas para responder à crise sanitária que envolve a remessa de vacinas, a ampliação de leitos hospitalares, a distribuição de insumos...", lista.
"O Governo Federal não pode acabar com o decreto sem fazer um período de transição, para que estados e municípios planejem as ações dali em diante."
A professora da Ufes ressalta que é hora de manter os serviços de saúde e até reforçar o sistema de vigilância de casos e hospitalizações por Covid.
É justamente esse monitoramento contínuo que permite identificar um crescimento nas infecções de forma prematura, antes que o problema se espalhe, e tomar as ações para contê-lo.
"E se passarmos por uma nova mudança de cenário, em que os casos, hospitalizações e mortes por Covid voltem a aumentar?", questiona Bastos.
"É preciso deixar claro o que será feito se a situação da Covid piorar novamente", completa o pesquisador.
- Aparecimento de novas variantes
Um dos grandes temores dos especialistas é o surgimento de uma nova versão do coronavírus ainda mais transmissível, agressiva ou com capacidade de "driblar" a imunidade obtida com a vacinação ou com as infecções prévias.
"Esse é um risco que está posto e com o qual já lidamos algumas vezes nesta pandemia", aponta o virologista Fernando Spilki, professor da Universidade Feevale, no Rio Grande do Sul.
As variantes de preocupação registradas até o momento apareceram em locais onde havia uma alta taxa de transmissão do patógeno. Foi o caso da variante alfa, no Reino Unido, da gama, no Brasil, da delta, na Índia, e da ômicron, na África do Sul.
Nada garante que esse fenômeno volte a se repetir nos meses que virão, ainda mais num cenário em que o vírus circula livremente e sem restrições.
A boa notícia é que, pelo observado até agora, as vacinas continuam a oferecer um bom nível de proteção contra as formas mais graves de Covid, que causam hospitalização e morte.
"Vemos também que há uma espécie de convergência e similaridade entre as variantes que identificamos até agora: algumas mutações apareceram de forma simultânea e independente em lugares diferentes", analisa Spilki, que também coordena a Rede Corona-ômica do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações.
"A tendência é que, com o passar do tempo, tenhamos cada vez menos mortes por Covid. Mas também podemos sofrer surtos de proporções elevadas, especialmente se surgirem variantes mais diversas e que consigam escapar da imunidade", complementa o especialista.
Para evitar que essa possibilidade pessimista vire realidade, o caminho é fazer a vigilância genômica e identificar precocemente as novas variantes que surgirem.
- Queda da proteção
Para completar, ainda não está 100% claro quanto tempo dura a imunidade após a vacinação ou a infecção pelo coronavírus.
Essa proteção, inclusive, deve variar de acordo com uma série de características. Indivíduos mais jovens, por exemplo, podem estar bem resguardados da infecção (ou de suas repercussões mais graves) após tomarem três doses do imunizante.
Já pessoas mais velhas, ou aquelas que passaram por um transplante ou fazem tratamento contra o câncer, costumam ter um sistema imunológico mais debilitado, que não responde tão bem às ameaças infecciosas.
E isso, por sua vez, pode impactar os números da Covid: se a imunidade diminui mesmo ao longo dos meses, é possível que ocorra um novo aumento de casos, hospitalizações e até mortes, principalmente nos grupos que são mais vulneráveis.
Esse fenômeno, aliás, já foi visto em outros momentos da pandemia: quando as primeiras vacinas foram aprovadas, preconizava-se duas doses para todo mundo. Após algum tempo, os cientistas começaram a notar uma queda nos anticorpos e um aumento nas taxas de infecções e internações.
Houve um consenso, então, de que era preciso ofertar uma terceira aplicação do imunizante –primeiro em idosos e imunossuprimidos, depois para todos aqueles com mais de 18 anos.
"Pelos estudos que temos até agora, três doses são suficientes para proteger um adulto saudável de todas as variantes em circulação", informa a imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
"Já para indivíduos com imunidade mais baixa, como idosos, pacientes oncológicos, e transplantados, uma quarta dose já é necessária", complementa.
A especialista, que também representa a Sociedade Brasileira de Imunologia, entende que só saberemos sobre a relevância de novos reforços vacinais a partir de estudos científicos, que avaliarão como a imunidade se comporta daqui em diante.
"É hora de monitorar, testar e acompanhar o que está acontecendo no mundo e também no Brasil."
"Pode ser que, daqui a seis meses, apareçam tantos casos que seja preciso instituir uma quarta dose para todo mundo. Por ora, ainda não há essa necessidade", conclui a imunologista.
Por fim, é preciso notar que, no caso do Brasil, a cobertura da vacinação contra a Covid segue desigual em muitas partes do país: enquanto São Paulo, Piauí, Paraíba e Ceará apresentam mais de 80% da população imunizada, Amapá, Roraima, Acre e Maranhão não atingiram uma cobertura de 60%.
Já em relação à terceira dose, São Paulo é o único estado a ter mais de 50% dos adultos com o reforço contra o coronavírus.
18/04/2022 – UOL Viva Bem
Link: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/bbc/2022/04/18/covid-19-5-fatores-que-podem-ameacar-o-fim-da-emergencia-de-saude-publica-anunciado-no-brasil.htm
Covid-19: 5 fatores que podem ameaçar o fim da emergência de saúde pública anunciado no Brasil
Chegada do inverno, descoberta de novas variantes, surtos em outros países, desestruturação dos serviços e queda de proteção da vacina são alguns dos ingredientes que precisam ser observados de perto nas próximas semanas. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, declarou no domingo (17/4) que a covid-19 não será mais considerada uma emergência de saúde pública no Brasil. A decisão, que vai revogar uma série de regulamentações e leis que marcaram os últimos dois anos, gerou controvérsia entre especialistas.
"Me preocupa o fim da emergência nacional num momento em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda entende que estamos diante de uma pandemia, ou uma emergência de saúde pública internacional", critica a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). "E ainda não está claro o que isso vai significar na prática e qual será o plano se as coisas voltarem a piorar", chama a atenção Leonardo Bastos, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz). O anúncio do Ministério da Saúde acontece num momento em que as médias móveis de casos e mortes por covid-19 estão em queda no país —e o relaxamento das políticas preventivas, como o uso de máscaras e a prevenção de aglomerações, já estava em prática há semanas em diversas cidades e Estados.
Vale destacar que a revogação da Emergência em Saúde Pública de Interesse Nacional (Espin) não significa o fim da pandemia, como explicado pelo próprio ministro Queiroga. "Continuaremos a conviver com o vírus. O Ministério da Saúde permanece vigilante e preparado para adotar todas as ações necessárias para garantir a saúde dos brasileiros em total respeito à Constituição Federal", afirmou. Mas e se os casos, as hospitalizações e as mortes por covid-19 voltarem a subir em alguma parte do país? Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil listam os cinco fatores que podem ameaçar o fim da emergência de saúde pública anunciada pelo governo —e o que deveria ser feito para combatê-los.
- Temporada de frio
Todos os anos, a chegada do outono e do inverno costuma vir acompanhada de um aumento nos casos de infecções respiratórias, como gripe e resfriado.
E isso está mais relacionado ao comportamento das pessoas do que aos vírus em si: no frio, costumamos ficar mais tempo em lugares fechados, com pouca circulação de ar, e próximos uns dos outros.
Esse é o cenário perfeito para a transmissão de patógenos como o influenza, o causador da gripe, e do vírus sincicial respiratório, do bocavírus ou do rinovírus, que estão por trás do resfriado.
A flutuação de casos de doenças respiratórias de acordo com a estação do ano, aliás, é um fator determinante nas políticas públicas de saúde.
A campanha de vacinação contra a gripe, por exemplo, sempre começa no início de outono na maioria das regiões brasileiras. O objetivo é garantir, antes de o influenza circular com mais intensidade, uma maior proteção contra os casos graves da doença, especialmente nos grupos vulneráveis.
Em relação à covid-19, ainda não foi possível estabelecer quando ocorrerão os aumentos e as diminuições na taxa de infecção —como estamos no meio de uma pandemia de um vírus absolutamente novo, para o qual não tínhamos imunidade alguma, essas curvas sobem e descem em qualquer estação do ano.
"Mas é natural pensar que algo similar, com aumento de casos em épocas de frio, também venha a acontecer com a covid", complementa. E boa parte do Brasil está entrando justamente agora neste período de queda nas temperaturas. Será que isso influenciará na transmissão do coronavírus? Só o acompanhamento das estatísticas nas próximas semanas poderá responder essa questão.
- Surtos em outros lugares
Como fenômeno global, a pandemia tem repercussões em todos os continentes —e o que acontece do outro lado do mundo pode respingar aqui de alguma maneira.
Isso foi observado diversas vezes ao longo dos últimos dois anos. É só lembrar que os primeiros casos de covid foram observados na China e logo apareceram na Europa. Na sequência, o coronavírus foi detectado na América do Norte e, depois, no Brasil.
Entre 2020 e 2021, esse fluxo se repetiu algumas vezes: ondas de casos e mortes que começaram em alguma parte da Europa logo se repetiram nos Estados Unidos ou na América Latina (e vice-versa).
A própria variante ômicron, detectada originalmente na África do Sul em novembro do ano passado, se espalhou com uma velocidade sem precedentes e provocou recordes de infecções nos meses seguintes em várias partes do mundo.
Vale notar que, com o avanço da vacinação e o alto número de indivíduos que tiveram covid, a influência da situação internacional no contexto de cada país se torna menos relevante —uma população com alto grau de imunidade tende a sofrer menos com novos surtos do que os moradores de um local que não experimentou grandes ondas recentemente.
Mesmo assim, os especialistas consideram prematuro ignorar completamente uma piora dos números em qualquer parte do mundo, ainda mais num momento de abandono das medidas restritivas e de aumento na circulação de pessoas.
Maciel explica que, dentro de uma pandemia, existem alguns momentos de crise e outros de calmaria. "Nós temos as ondas e períodos interpandêmicos, marcados pela diminuição de casos, hospitalizações e mortes", diz. "E ainda é cedo para dizer se o que vivemos agora é justamente esse período interpandêmico, e logo veremos um novo aumento nos números, ou vamos passar realmente para a endemia, com uma estabilização do cenário", continua a epidemiologista.
O caminho para determinar onde estamos atualmente envolve monitorar o que acontece em todo o mundo, especialmente nos países com os quais os brasileiros têm mais contato e um fluxo constante de viagens. Caso a situação aperte nesses locais, pode ser necessário fazer novas restrições e aprimorar o controle de casos positivos de covid em portos, aeroportos e fronteiras.
- Desestruturação do sistema
Maciel também teme que o fim da emergência de saúde pública nacional desmonte serviços de vigilância e de atendimento aos pacientes que foram criados nesses últimos dois anos. "O decreto de Espin permite uma série de compras, licitações e normas para responder à crise sanitária que envolve a remessa de vacinas, a ampliação de leitos hospitalares, a distribuição de insumos...", lista. "O Governo Federal não pode acabar com o decreto sem fazer um período de transição, para que Estados e municípios planejem as ações dali em diante."
A professora da Ufes ressalta que é hora de manter os serviços de saúde e até reforçar o sistema de vigilância de casos e hospitalizações por covid. É justamente esse monitoramento contínuo que permite identificar um crescimento nas infecções de forma prematura, antes que o problema se espalhe, e tomar as ações para contê-lo. "E se passarmos por uma nova mudança de cenário, em que os casos, hospitalizações e mortes por covid voltem a aumentar?", questiona Bastos. "É preciso deixar claro o que será feito se a situação da covid piorar novamente", completa o pesquisador.
- Aparecimento de novas variantes
Um dos grandes temores dos especialistas é o surgimento de uma nova versão do coronavírus ainda mais transmissível, agressiva ou com capacidade de "driblar" a imunidade obtida com a vacinação ou com as infecções prévias. "Esse é um risco que está posto e com o qual já lidamos algumas vezes nesta pandemia", aponta o virologista Fernando Spilki, professor da Universidade Feevale, no Rio Grande do Sul. As variantes de preocupação registradas até o momento apareceram em locais onde havia uma alta taxa de transmissão do patógeno. Foi o caso da variante alfa, no Reino Unido, da gama, no Brasil, da delta, na Índia e da ômicron, na África do Sul.
Nada garante que esse fenômeno volte a se repetir nos meses que virão, ainda mais num cenário em que o vírus circula livremente e sem restrições. A boa notícia é que, pelo observado até agora, as vacinas continuam a oferecer um bom nível de proteção contra as formas mais graves de covid, que causam hospitalização e morte. "Vemos também que há uma espécie de convergência e similaridade entre as variantes que identificamos até agora: algumas mutações apareceram de forma simultânea e independente em lugares diferentes", analisa Spilki, que também coordena a Rede Corona-ômica do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações.
"A tendência é que, com o passar do tempo, tenhamos cada vez menos mortes por covid. Mas também podemos sofrer surtos de proporções elevadas, especialmente se surgirem variantes mais diversas e que consigam escapar da imunidade", complementa o especialista. Para evitar que essa possibilidade pessimista vire realidade, o caminho é fazer a vigilância genômica e identificar precocemente as novas variantes que surgirem.
- Queda da proteção
Para completar, ainda não está 100% claro quanto tempo dura a imunidade após a vacinação ou a infecção pelo coronavírus. Essa proteção, inclusive, deve variar de acordo com uma série de características. Indivíduos mais jovens, por exemplo, podem estar bem resguardados da infecção (ou de suas repercussões mais graves) após tomarem três doses do imunizante.
Já pessoas mais velhas, ou aquelas que passaram por um transplante ou fazem tratamento contra o câncer, costumam ter um sistema imunológico mais debilitado, que não responde tão bem às ameaças infecciosas. E isso, por sua vez, pode impactar os números da covid: se a imunidade diminui mesmo ao longo dos meses, é possível que ocorra um novo aumento de casos, hospitalizações e até mortes, principalmente nos grupos que são mais vulneráveis. Esse fenômeno, aliás, já foi visto em outros momentos da pandemia: quando as primeiras vacinas foram aprovadas, preconizava-se duas doses para todo mundo. Após algum tempo, os cientistas começaram a notar uma queda nos anticorpos e um aumento nas taxas de infecções e internações. Houve um consenso, então, de que era preciso ofertar uma terceira aplicação do imunizante —primeiro em idosos e imunossuprimidos, depois para todos aqueles com mais de 18 anos.
"Pelos estudos que temos até agora, três doses são suficientes para proteger um adulto saudável de todas as variantes em circulação", informa a imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. "Já para indivíduos com imunidade mais baixa, como idosos, pacientes oncológicos, e transplantados, uma quarta dose já é necessária", complementa. A especialista, que também representa a Sociedade Brasileira de Imunologia, entende que só saberemos sobre a relevância de novos reforços vacinais a partir de estudos científicos, que avaliarão como a imunidade se comporta daqui em diante.
"É hora de monitorar, testar e acompanhar o que está acontecendo no mundo e também no Brasil." "Pode ser que, daqui a seis meses, apareçam tantos casos que seja preciso instituir uma quarta dose para todo mundo. Por ora, ainda não há essa necessidade", conclui a imunologista. Por fim, é preciso notar que, no caso do Brasil, a cobertura da vacinação contra a covid segue desigual em muitas partes do país: enquanto São Paulo, Piauí, Paraíba e Ceará apresentam mais de 80% da população imunizada, Amapá, Roraima, Acre e Maranhão não atingiram uma cobertura de 60%. Já em relação à terceira dose, São Paulo é o único Estado a ter mais de 50% dos adultos com o reforço contra o coronavírus.
18/04/2022 – Extra Classe
Link: https://www.extraclasse.org.br/saude/2022/04/cresce-movimento-pela-inclusao-da-doacao-e-transplantes-de-orgaos-nas-graduacoes-da-saude/
Cresce movimento pela inclusão da doação e transplante de órgãos nas graduações da Saúde
A Associação Brasileira de Transplante de Órgãos promove na próxima quarta-feira, 20, seminário para definir estratégicas para a inserção do tema nos currículos da medicina e da enfermagem, entre outros
O coordenador da comissão de retirada de órgãos da ABTO, Bernardo David Sabat, diz que o seminário pretende estimular conteúdos informativos, formativos e estratégicos sobre o tema nas faculdades de medicina, enfermagem, psicologia, fisioterapia, nutrição, entre outros ligados à área da saúde.
“Não há um levantamento preciso da quantidade de disciplinas sobre transplantes nos cursos de graduação, mas sabemos que são poucas. E majoritariamente informativas. Não se trata de resistência por parte das faculdades, mas sim desconhecimento sobre a possibilidade de formar profissionais desde a graduação”, expõe Sabat, que também atua como professor-adjunto de cirurgia na Universidade Estadual de Pernambuco.
A disciplina mais antiga e uma das raras sobre esta temática é a do curso de medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), liderada pela professora Clotilde Druck Garcia desde 2006. A disciplina Doação de Órgãos e Transplante I é opcional e também acabou replicada na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e na Universidade Católica de Pelotas (UCPel).
“A disciplina motiva os alunos, enfatiza a necessidade de uma responsabilidade civil e ética e ensina todo o processo de doação sobre todos os tipos de transplantes realizados nos hospitais da Santa Casa, especialmente coração, rim, rim-pâncreas, pele, medula, córnea e fígado. Nosso objetivo é educar para doação e para transplante”, explica a professora Clotilde, médica nefrologista com mais de 800 transplantes de rins no seu currículo. Segundo ela, as 40 vagas oferecidas pela Universidade a cada semestre são integralmente ocupadas.
Clotilde, que atua na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, será painelista do seminário virtual da ABTO ao lado dos médicos Agnaldo Soares Lima (Santa Casa BH/MG) e Ilka Boin (Unicamp/SP) e do deputado Ricardo Izar (SP).
Campanha aborda coordenações dos cursos
A iniciativa da ABTO se soma a de outras organizações civis que lutam na mesma frente. Com dez anos de atividades ininterruptas, o projeto Cultura Doadora, da Fundação Ecarta, de Porto Alegre (RS), lançou também neste ano a campanha +Doação e Transplante nos Currículos da Saúde. Dentre as ações para sensibilizar para a inclusão do tema nos currículos, está a abordagem direta das coordenações dos cursos de medicina.
“Para além da disposição doadora na sociedade, existem outros problemas que precisam ser enfrentados para qualificar o sistema de transplantes no país e salvar milhares de pessoas. Um desses problemas é justamente a falta de capacitação de profissionais da saúde para atuarem nessa área”, destaca o professor Marcos Fuhr, presidente da Fundação Ecarta.
No documento entregue às coordenações, a Ecarta salienta que “é fundamental que os profissionais tenham clareza sobre a ética no processo, o funcionamento do Sistema Nacional de Transplantes e sua rede de centrais estaduais, da constituição de Organizações de Procura de órgãos (OPOs), da criação e manutenção de Comissões Intra Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTTs), dos potenciais doadores e os órgãos que podem ser doados, da doação inter vivos, da capacitação para o diagnóstico de morte encefálica, da manutenção do potencial doador e da comunicação para a família enlutada”.
Já foram realizadas reuniões com as direções dos cursos de medicina das universidades do Rio Grande do Sul Feevale, Unisinos, Unijuí e Unisc. “Todas as instituições foram bastante receptivas até o momento e estão avaliando a proposta”, afirma Glaci Borges, coordenadora do Cultura Doadora.
Em lista de espera
O Brasil possui o maior programa público de transplante de órgãos, tecidos e células do mundo, que é garantido a toda a população por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), responsável pelo financiamento de cerca de 95% dos procedimentos no país. Apesar do grande volume de cirurgias realizadas, a quantidade de pessoas em lista de espera para receber um órgão ainda é grande.
No final do ano passado, a lista de transplantes do Ministério da Saúde contava com mais de 50 mil pessoas à espera de um órgão ou tecido. A maioria aguardam por rins e córneas. Além da resistência familiar, outro empecilho é a baixa taxa de identificação de mortes encefálicas nos hospitais. Segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes, 23% dos casos não são notificados.
17/04/2022 – Jornal O Povo
Link: https://www.opovo.com.br/coronavirus/2022/04/17/como-estao-as-medidas-contra-covid-pelo-mundo-e-o-que-podemos-aprender.html
Como estão as medidas contra Covid pelo mundo e o que podemos aprender
Nos últimos meses, países flexibilizaram medidas contra a Covid-19. Processo ocorreu em paralelo ao surgimento e disseminação da sublinhagem BA.2 do vírus
Com o arrefecimento da pandemia pelo mundo, muitos países começaram a abandonar as medidas de proteção contra a Covid-19. Liberação do uso de máscara em locais abertos e fechados. Dispensa do passaporte vacinal. Alguns até não recomendam mais o isolamento em casos de diagnóstico positivo. Certos países registraram novo aumento de casos da infecção. Para os especialistas, é difícil identificar o que causou o recrudescimento em cada caso, visto que o aumento também está associado à disseminação da nova sublinhagem BA.2.
Na Europa, por exemplo, houve uma forte onda de casos no início do ano causada pela variante Ômicron (BA.1), seguida de queda e posterior repique nas últimas semanas. No Brasil, a terceira onda foi registrada no início do ano. Com redução dos indicadores, estados começaram a afrouxar medidas. Atualmente, todos os estados desobrigaram o uso de máscara em espaços abertos. Alguns também retiraram a obrigatoriedade em locais fechados, incluindo o Ceará, desde a última sexta-feira, 15.
"É muito complexo tentar achar o motivo da curva de casos em cada país. Cada um vai ter a sua peculiaridade. Quando a gente fala da China, a gente tem uma população muito grande que no curso da pandemia foi pouco exposta ao vírus. Por mais que tenha uma cobertura vacinal ampla, é mais baixa entre a população mais idosa. Isso junta também com a chegada de uma variante mais transmissível como a Ômicron e a sublinhagem BA.2", analisa o físico Vitor Mori, pesquisador da Universidade de Vermont, nos EUA, e integrante do Observatório Covid-19 Brasil.
De acordo com ele, é difícil colocar o "peso relativo" de todos os fatores. Ou seja, especificar em que medida o relaxamento das medidas ou a introdução da nova variante causam um novo aumento de casos em determinado local. O percentual de vacinados e a quantidade de habitantes que foram infectados previamente também interferem nesse balanço, Mori acrescenta.
O cientista de dados Domingos Alves, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) e membro do Covid-19 Brasil, compartilha da avaliação. "A história no mundo inteiro vai ficar 'mal contada'. Porque concomitantemente os países começaram a diminuir as restrições mas teve o surgimento da Ômicron. Durante esse aumento, o relaxamento das medidas se manteve", afirma.
O movimento de retirada das restrições pelo mundo vem acontecendo desde meados de fevereiro, começo de março ainda com alta circulação da Ômicron. Ele relaciona que houve repique de casos em vários países, inclusive, desses que adotaram medidas restritivas mais leves.
"O que a gente viu é que a retirada da obrigatoriedade da máscara, claro, aumenta o potencial de transmissão. Mas há muitos outros fatores. É difícil fazer relação direta", diz Mori. "É importante acompanhar a variação e reversão de tendência para se tomar medidas antes que se tenha um pico muito grande", aconselha o pesquisador.
Apesar da dificuldade em especificar a parcela de contribuição de cada fator, Airton T. Stein, professor titular de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e médico de família e comunidade do Grupo Hospitalar Conceição, salienta a relação entre o uso da máscara e a transmissão da doença.
"Como o vírus SARS-CoV-2 é transmitido por gotículas, o contato direto entre indivíduos, levou a uma maior interação entre as pessoas e consequentemente um maior número de infecções", afirma. "Em vários estudos da curva epidêmica do Covid-19 é demonstrado que com o aumento da circulação do vírus na comunidade leva a um maior número de casos, principalmente caso a vacinação completa não tem uma boa cobertura, especialmente para a variante Ômicron é essencial incentivar a população ser vacinada com três doses", alerta.
Na avaliação do professor Domingos Alves, a desobrigação do uso de máscaras principalmente em locais fechados no Brasil é precipitada. "Ainda está se morrendo bastante gente e ainda tem muitos casos. Em comparação à Europa e aos países asiáticos, que controlaram a pandemia antes, o Brasil deveria ficar esperto", compara.
Ele alerta para a falta de homogeneidade na cobertura vacinal contra a Covid-19 entre os estados. Alguns estados apresentam taxa de cobertura vacinal da segunda dose abaixo de 60%, como Maranhão, Acre, Roraima, Amapá. Os estados cuja cobertura figura entre 60% e 65%, como Alagoas, Rondônia, Amazonas e Tocantins "também não deveriam estar adotando essas medidas de relaxamento dessa maneira".
Segundo ele, há risco de repique de casos para os estados com menos de 30% da população vacinada com a terceira dose, mesmo que estejam com mais de 60% com a segunda dose. "São Paulo, que tem maior cobertura, 85% de segunda dose e 54% de terceira dose. Assim como Piauí, Paraíba, Ceará, Rio Grande do Sul, que passaram de 40% da terceira dose, estão em situação melhor frente à circulação do vírus", opõe.
O professor Airton T. Stein considera a liberação do uso da máscara em locais abertos acertada e concorda que a retirada da medida em espaços fechadas é "equivocada". Ele aponta para a limitação no manejo da epidemia do Covid-19 no Brasil, que é uma vigilância genômica das variantes não abrangente.
"Em outros países, onde essa vigilância é realizada em maior número, tem a constatação do aumento da variante BA.2, que tem uma característica de ser mais transmissível". Por isso, ele considera que "é muito possível a ocorrência de um maior número de BA.2 no Brasil".
RESTRIÇÕES NOS PAÍSES
Estados UnidosEm maio de 2021, o País deixou de exigir a proteção para pessoas vacinadas em locais públicos abertos e fechados, com exceção do transporte público. Alguns meses depois, voltaram atrás. O uso de máscaras em locais fechados foi desobrigado novamente em fevereiro de 2022, após o fim da onda de Covid-19 impulsionada pela variante Ômicron.
InglaterraO uso de máscaras ao ar livre foi liberado em julho de 2021 e não voltou a ser exigida após a chegada da Ômicron. No caso do uso em ambientes fechados, a proteção deixou de ser obrigatória no fim de janeiro de 2022. Domingos Alves lembra que desde meados de fevereiro, o Reino Unido (que também inclui Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) vinha anunciando diminuição das restrições e a ideia de um plano de convivência com a Covid-19, retirando o auto isolamento em casos positivos.
PortugalEm 13 de setembro de 2021, parou de exigir máscaras ao ar livre, medida que não modificou a estabilização da curva de casos.
ChinaChina foi o único que voltou a ter medidas restritivas mais severas. Países asiáticos como China, Coréia do Sul e outros que tinham "controlado" a pandemia anteriormente tiveram aumento importante associado à Ômicron e a sublinhagem BA.2. O repique de casos não foi acompanhado de aumento de internações.
DinamarcaPor outro lado, Dinamarca suspendeu todas as restrições contra a Covid-19, pois consideraram que a Covid-19 não era mais socialmente crítica. Flexibilização ocorreu ainda em momento de alta de casos. Governo argumentou alta cobertura vacinal com dose de reforço e queda nas hospitalizações. Áustria e Holanda também retiraram a grande maioria das medidas restritivas.
FrançaNa França, o uso de máscaras também em locais fechados não é mais obrigatório desdeo fim de fevereiro, com exceção para o transporte público.
EspanhaPaís desobrigou o uso de máscaras ao ar livre pela primeira vez em maio de 2020. Em junho de 2021, a medida foi suspensa, mas retornou antes do Natal de 2021, com a chegada da Ômicron. Com a melhora dos indicadores, a Espanha desobrigou a medida em público novamente em fevereiro.
16/04/2022 – Bella Mais / Correio do Povo
Link: https://bellamais.correiodopovo.com.br/bemestar/saude/limitar-o-uso-de-telas-no-dia-a-dia-pode-melhorar-a-sa%C3%BAde-mental-1.806063
Limitar o uso de telas no dia a dia pode melhorar a saúde mental
Estabelecer limites ao utilizar celulares e computadores é necessário para evitar prejuízos e manter o bem-estar
Você já se perguntou quanto tempo gasta em frente às telas? Um levantamento da consultoria AppAnnie mostrou que, em 2021, o Brasil foi o país em que as pessoas passam mais horas no celular, uma média diária de 5,4 horas.
Aparelhos como celulares, tablets e computadores fazem parte da nossa rotina e concentram em suas telas, parte da nossa vida. Por isso, parece quase impossível se desconectar deles, porém, deve-se estabelecer limites para o seu uso e evitar assim, criar um tipo de dependência.
Prejuízos trazidos pelo uso excessivo de telas
Conforme explica o doutor em Psicologia e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Alcyr Alves de Oliveira, o que traz prejuízos para a saúde mental de uma pessoa não é a tela em si. “O que mais pode produzir algum tipo de estresse, mal estar ou desconforto são os conteúdos que são disponibilizados”, esclarece.
Por exemplo, se um indivíduo passa muitas horas em frente ao computador resolvendo pendências do trabalho, pode acabar se sentindo muito cansado ou estressado. Alcyr menciona ainda as notícias. “Vemos inúmeras situações que são ansiogênicas, ou seja, produzem ansiedade, desde notícias sobre o aumento da gasolina, dos preços dos alimentos e sobre a criminalidade. Somos pessoas que se preocupam com estas questões e precisam superar estes problemas”, comenta.
Segundo o professor, é possível, ainda, desenvolver um tipo de dependência dos aparelhos eletrônicos, sem falar, é claro, dos prejuízos à saúde física, principalmente dos olhos.
“Os equipamentos de hoje em dia são menos nocivos, mas ainda assim, uma parte da literatura científica aponta para prejuízos no sono. Todavia, muitos estudos sobre a perturbação antes de dormir estão relacionados com o tipo de luz e o tipo de conteúdo consumido”, explica.
Limites são necessários, mas é difícil colocá-los
Apesar de ser importante limitar o uso das telas, fazer isso na prática pode não ser tão simples, isso porque não existe uma quantidade de tempo determinada que configure ou caracterize a dependência.
Então, conforme afirma Alcyr, é difícil estabelecer qual é o limite. Isso dependerá da rotina de cada um e da presença e importância das telas em sua vida.
Uma sugestão do professor é fazer uma substituição. Ele lembra que hoje em dia, até as leituras são feitas através de telas. Que tal, então, trocar o livro digital por um físico? Esse pode ser um primeiro passo para passar menos tempo em aparelhos eletrônicos. Ele também recomenda que evite-se e que se reduza o consumo de conteúdos que reconhecidamente causem alterações de humor ou ansiedade.
Já nos casos em que a pessoa trabalha com esses equipamentos, a dica de Alcyr é realizar alguns intervalos. “A cada 50 minutos, pode-se fazer uma pequena pausa de 10 minutos, levantar, sair da cadeira, alongar os braços e as costas”, sugere.
Ele lembra que em alguns casos, para manter a concentração e foco no que está sendo feito, às vezes é melhor primeiro terminar a tarefa e depois se alongar. Já em outros momentos, o intervalo pode ajudar a pensar melhor. O importante é sempre equilibrar períodos de tempo junto às telas, com atividades longe delas.
15/04/2022 – Portal Camaquã
Link: https://www.portaldecamaqua.com.br/noticias/45572/grupo-sao-pietro-saude-aborda-conscientizacao-sobre-cegueira-pelo-abril-marrom-no-dia-19-de-abril.html
Grupo São Pietro Saúde aborda conscientização sobre cegueira pelo Abril Marrom no dia 19 de abril
Live especial do mês de combate e prevenção à cegueira reúne especialistas na terça-feira, 19/04, às 19h30, com transmissão no YouTube
O Grupo São Pietro Saúde irá realizar um evento especial alusivo ao Abril Marrom, considerado o mês de combate e prevenção à cegueira. Com transmissão gratuita no YouTube e transmitida do auditório do Hospital Banco de Olhos (HBO), a live será norteada pelo tema "É possível prevenir a cegueira?". A ação está prevista para terça-feira, dia 19 de abril, a partir das 19h30.
O Abril Marrom é uma campanha que foca na saúde ocular, especialmente na temática da cegueira. O mês foi escolhido devido ao Dia Nacional do Braille, celebrado em 08/04 em homenagem ao nascimento de José Álvares de Azevedo, professor responsável por trazer, em 1850, o alfabeto Braille ao Brasil. Já o marrom remete à cor de íris mais comum nos olhos dos brasileiros.
A campanha é uma oportunidade para ampliar a conscientização da população sobre a saúde ocular - uma vez que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 60% a 80% dos casos de cegueira são evitáveis. Alguns dos especialistas do Grupo São Pietro Saúde e do HBO irão levar informações sobre o tema e fomentar debates pertinentes à área.
Com mediação do Dr. Luciano Zuffo, sócio-fundador do Grupo São Pietro Saúde, a live de Abril Marrom irá contar com os seguintes médicos oftalmologistas: Dra. Paula Fernandes; Dr. Eduardo Mick Harter; Dr. Felipe Fernandes Nicola; Dr. Fausto Stangler (diretor técnico HBO); e Dr. Ricardo Mörschbächer (diretor de Ensino HBO). A conversa será transmitida no YouTube São Pietro Saúde: www.youtube.com/c/SãoPietroSaúde.
Conheça o currículo dos participantes da live:
Dr. Eduardo Mick Härter: Graduado em Medicina para UNISC. Possui residência em oftalmologia pelo IPSEMG-BH. É especialista em Cirurgia de Catarata e em Retina Cirúrgica e Vítreo. Coordena também a residência médica de oftalmologia do Hospital Nossa Senhora das Graças de Canoas.
Dr. Felipe Fernandes Nicola: Médico formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, especialista em oftalmologia pelo Instituto Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Concluiu fellowship no Hospital Banco de Olhos de Sorocaba e atua como cirurgião nas áreas de córnea, catarata e cirurgia refrativa.
Dra. Paula Fernandes: Médica pela Faculdade de Ciências Médicas de Juiz de Fora, realizou residência em oftalmologia no Instituto Benjamin Constant no Rio de Janeiro. Possui especializações em oftalmologia, cirurgia de catarata e retina clínica por renomadas instituições, tais como Conselho Brasileiro de Oftalmologia e Hospital Federal dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro.
Dr. Ricardo Morschbacher: Formado em medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), médico oftalmologista coordenador de ensino Hospital Banco de Olhos de Porto Alegre (HBO), professor adjunto de Oftalmologia da UFCSPA e ex-presidente da Sociedade de Cirurgia Plástica Ocular.
Dr. Fausto Stangler: Médico pela Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre (UFCSPA), diretor técnico do Hospital Banco de Olhos de Porto Alegre (HBO), especialista em Estrabismo pela Faculdade de Medicina do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto da USP e preceptor do Setor de Refração do HBO.
Dr. Luciano Zuffo: Sócio-fundador do Grupo São Pietro Saúde, MBA em Executivo em Saúde pela FVG São Paulo, Presidente da Associação Médica de Canoas (SOMEDICA), Mestrando em Gestão e Negócios pela Escola de Gestão e Negócios, Unisinos e Universidade Poitier- França.
14/04/2022 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/04/especialistas-entendem-que-ha-epidemia-de-dengue-mas-prefeitura-da-capital-e-governo-do-rs-nao-elevam-status-da-doenca-cl1zg9ra3007b017cncpy0xa3.html
Especialistas entendem que há epidemia de dengue, mas prefeitura da Capital e governo do RS não elevam status da doença
Disseminação em quase todo o Estado e aumento no número de casos em relação ao ano passado preocupam autoridades e especialistas em saúde; veja o que fazer
O aumento vertiginoso de casos de dengue no Rio Grande do Sul e em Porto Alegre neste início de 2022 vem preocupando autoridades e levou a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) a iniciar análises sobre os indicadores da doença na capital gaúcha. Assim, era esperado que o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde apresentasse nesta quinta-feira (14) um parecer quanto à elevação do status da doença na cidade de "surto" para "epidemia" — o que não ocorreu.
Em nota, a SMS informou que não houve avanço na avaliação nesta quinta e que as análises seguirão em andamento na próxima semana. De acordo com o texto, estão sendo levados em consideração aspectos técnicos sobre infestação vetorial, incidência de casos no território e gravidade dos mesmos, além de dados referentes à capacidade assistencial da rede de saúde.
Diferentemente do coronavírus, a dengue não é transmitida entre humanos, mas por meio da picada do mosquito Aedes aegypti. A doença cresce no fim do verão, uma vez que o mosquito gosta de temperaturas moderadas e de chuva. Este ano já registrou mais do que o dobro do número de casos no Rio Grande do Sul no mesmo período de 2021.
De acordo com dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES-RS), 7.982 casos de dengue foram contabilizados em 2022 no Estado até 12 de abril — cinco pessoas já morreram. No mesmo intervalo do ano passado, foram 3,9 mil casos, com três mortes. Atualmente, 435 dos 497 municípios gaúchos já registraram casos de dengue, o maior número desde que o governo estadual começou a monitorar a doença, em 2000.
Sozinha, Porto Alegre concentra 1.069 infecções, conforme nota divulgada pela SMS nesta quinta, o que representa cerca de 13% do total de todo o Rio Grande do Sul. A maior parte dos casos está nas zonas Leste e Centro-Sul da capital gaúcha. Isso inclui os bairros Bom Jesus, Chácara das Pedras, Jardim Carvalho, Jardim do Salso, Jardim Sabará, São José (Morro Santana), Três Figueiras, Vila Jardim, Camaquã, Campo Novo, Cavalhada, Nonoai, Teresópolis e Vila Nova.
O médico Eduardo Sprinz, chefe da Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), afirma que tanto o Rio Grande do Sul quanto a capital gaúcha enfrentam epidemia de dengue. Para ele, as autoridades devem focar em campanhas de conscientização e em visitar domicílios para dedetizar e orientar – já a população deve evitar focos de água parada.
— Temos um número recorde de dengue em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul, com diversos focos da doença. Isso é uma epidemia. Estamos em um pico muito importante. O surto é quando há casos isolados em determinado local. Seria surto se houvesse dois ou três casos em um bairro específico. Mas não é o que vemos, casos existem em quase todas as cidades do Estado. Se há diversos surtos, é uma epidemia — diz Sprinz.
Mesma visão adota a bióloga Ana Gorini da Veiga, professora de Biologia Molecular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e pesquisadora de infecções virais:
— Entendo que o Estado está em epidemia porque um número considerável de municípios está com casos de dengue. Surto é quando há aumento repentino no número de casos de uma doença em um local específico, como creche, hospital ou um bairro. É epidemia quando a doença começa a aparecer em vários bairros de uma cidade ou em várias cidades de um Estado — diz Gorini.Mas o governo do Estado não deve declarar epidemia de dengue no RS e tampouco investir em campanhas de conscientização. Há regiões com pouquíssimos casos, e a temporada de dengue já está no final, com previsão de término em maio, diz Tani Ranieri, chefe da Vigilância em Saúde da SES. Todavia, ela diz que a Região Metropolitana vive epidemia de dengue.
— A região de Pelotas tem um caso confirmado de dengue. Osório, dois casos confirmados. Na região de Bagé, zero casos confirmados de dengue. Qual a diferença entre surto e epidemia? Hoje, para a Região Metropolitana, temos uma epidemia, porque quase a totalidade de bairros de Porto Alegre tem casos confirmados. Isso é uma epidemia para a região. Mas, para o Estado inteiro, precisaríamos de um maior registro em todas as regiões — afirma.
Por que tantos casos de dengue?
O número elevado de casos de dengue em comparação a anos anteriores ocorre por uma mistura de fatores. Tani Ranieri cita que o verão passado já havia registrado recorde de casos de dengue.
Quando há aumento de casos, existe proliferação do mosquito Aedes aegypti, o que exige trabalho de prevenção das autoridades e da população para acabar com focos de água parada para o próximo verão. No entanto, Ranieri reconhece que governos e população focaram a preocupação na covid-19 e deixaram a dengue de lado, o que abriu espaço para o mosquito se reproduzir ao longo de 2021.
— A população não pensava em dengue, até mesmo os gestores, todos os nossos olhares estavam voltados para a pandemia. A dengue passou desapercebida de maneira geral — explica.
O aumento de casos de dengue neste ano, portanto, já era esperado: como o mosquito se proliferou no ano passado, ao longo do período ficou adormecido e, no verão de 2022, já estava em maior quantidade para proliferar e provocar aumento de casos. Tani Ranieri afirma que, como a temporada de dengue deve acabar em maio, o Estado não deve investir em campanhas publicitárias de conscientização para este ano, mas deve fazê-lo para evitar uma disparada maior de dengue no próximo verão:
— Se a população não se cuidar neste ano e não evitar focos de água parada, no próximo verão a dengue pode ser ainda pior — diz a chefe da Vigilância em Saúde.
A médica Rafaela Mafaciolli, infectologista na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e diretora da Sociedade Gaúcha de Infectologia (SGI), cita ainda que, para além do descuido em relação à dengue, a retomada em peso do trabalho presencial pode ter contribuído para o esquecimento de focos de água parada nas residências.
— As pessoas se preocupam tanto com covid que deixaram de prestar atenção em outros cuidados. Antes da covid, a campanha da dengue era muito mais forte, as visitas dos agentes de saúde também. Os agentes de saúde iam mais presencialmente nas casas, mas agora estão ocupados com a covid e a vacinação — diz a médica.
Analistas consideram baixa a probabilidade de aumento dos casos de zika e chikungunya, também transmitidos pelo mosquito da dengue. As chances de o inseto transmitir as três doenças ao mesmo tempo são reduzidas. Além disso, zika e chikungunya são pouco presentes no Rio Grande do Sul e mais comuns no Norte e Nordeste do país.
Em Porto Alegre, não há casos registrados de zika e chikungunya neste ano – em 2021, a Capital teve um caso importado de chikungunya. No Estado, são 18 casos da doença neste ano, sendo 16 no município de Água Santa, no Norte.
Quais os sintomas da dengue?
Fortes dores no corpo, cansaço e febre. Em casos graves, há risco de hemorragia interna.
Há remédios para a dengue?
Não há medicações específicas para a dengue, apenas para combater os sintomas causados pelo vírus.
Como se prevenir contra a dengue?
A dengue é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti sobretudo nesta época do ano, quando há uma combinação de temperaturas ainda elevadas e aumento da chuva. Acabe com focos de água parada, onde o mosquito deixa larvas e se reproduz, como vasos de plantas, pneus, caixas d’água, vidros, toldos, marquises, canos, calhas e piscinas.
Denúncias de locais com água parada podem ser feitas pelos telefones 3289-2471 ou 3289-2472 em horário comercial ou pelo 156, incluindo finais de semana e feriados.
Como é o mosquito da dengue?
O Aedes aegypti tem menos de um centímetro de diâmetro, é escuro, com riscos brancos nas patas, na cabeça e no corpo.
13/04/2022 – Portal da Câmara Municipal de Jataí
Link: https://www.jatai.go.leg.br/galerias/videos/programa-doacao-de-corpos-para-a-ciencia-profa-dra-andrea-oxley
Programa doação de corpos para a ciência (profa. dra. Andrea Oxley)
Primeira entrevista sobre programas de doação de corpos no Brasil: informações para os doadores com a profa. dra. Andrea Oxley da Rocha (UFCSPA)
Telefone de Contato: (51) 33038727
https://www.ufcspa.edu.br/vida-no-campus/doacao-de-corpos
E- mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Professora Dra. Andrea Oxley da Rocha,
Possui graduação em Medicina pela Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (1988), especialista em Cirurgia Geral, mestrado em Medicina: Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2003) e doutorado em Medicina: Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2006).
Atualmente é professora associada de anatomia da Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Coordenadora do Programa de Doação de Corpos para o Ensino em Pesquisa em Anatomia da UFCSPA.
Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Anatomia (SBA), (2018-2022) e cirurgiã do Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Mãe de Deus.
13/04/2022 – Portal Extra Classe
Link: https://www.extraclasse.org.br/geral/2022/04/o-apagao-de-dados-das-pessoas-trans-no-ensino-superior/
O apagão de dados das pessoas trans no ensino superior
86% das instituições da região metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, não sabem ou não revelam os números de estudantes transgêneros
“Eu não retirava livro na biblioteca porque não queria fazer o cartão da universidade com o meu nome errado”, conta André*, que se sentia inseguro em conversar com outras pessoas enquanto a instituição não reconhecesse o seu nome social (que já consta em sua carteira de identidade). O estudante faz parte dos 0,3% da população universitária federal do país que se identifica como pessoa trans, de acordo com a V Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico e Cultural dos(as) Graduandos(as) das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes), de 2018.
A história de André não é única, o relato do universitário de 20 anos expõe a face pouco visível da situação dos jovens trans no ensino superior brasileiro. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e do Ministério da Educação (MEC), solicitados via Lei de Acesso à Informação (LAI) para a reportagem, mostram que o Governo Federal não possui informações acerca dessa população. No entanto, a invisibilidade desses estudantes também está presente no dia a dia das instituições privadas de ensino.
Levantamento feito pela reportagem com 50 instituições das cinco cidades mais populosas da região metropolitana do Porto Alegre (Canoas, Gravataí, Novo Hamburgo, Porto Alegre e São Leopoldo), Rio Grande do Sul, mostra que 86% dos centros universitários, faculdades e universidades pesquisadas não possuem informações sobre essa parcela dos alunos.
A pesquisa começou a ser feita em setembro e consistiu no envio de duas perguntas simples: o número de estudantes matriculados na graduação, e o de estudantes trans (transexuais, transgêneros, travestis, pessoas não binárias) matriculados na instituição.
Das 22 instituições que responderam ao contato feito por e-mail e telefone, 86% alegaram não ter dados sobre esses estudantes. As principais justificativas recebidas para a falta de informações sobre este grupo foram a “não obrigatoriedade (do levantamento) por parte da legislação educacional”, o fato desta questão de gênero não estar incluída no questionário do Censo, ou ainda, o argumento de que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) (13.709/2018) “não permite o compartilhamento deste tipo de informação”. Abaixo, alguns exemplos.
Aproximadamente 30% das IES não compartilharam seus dados
Uma instituição, por exemplo, informa que não faz perguntas sobre o gênero dos estudantes. Quando o aluno tem o documento de nome social, ela faz o cadastro conforme a informação que está no documento. Porém, essa mesma instituição não tem informações de quantos estudantes fazem o uso do documento de nome social.
Das 50 instituições, 4 informaram que não podem enviar os dados por causa da LGPD. Porém, como explica o professor do Mestrado Profissional em Direito da Empresa e dos Negócios da Unisinos Cristiano Colombo, as instituições podem fornecer os dados com base no artigo 7 da Lei, que assegura: O tratamento de dados pessoais somente poderá ser realizado nas seguintes hipóteses: IV — para a realização de estudos por órgão de pesquisa, garantida, sempre que possível, a anonimização dos dados pessoais.
“Dados que envolvem questões de gênero são considerados sensíveis pela LGPD. No entanto, há uma ressalva para órgãos de pesquisa, como aponta o artigo. Atualmente, está havendo uma cautela por parte das organizações para evitar multas. Ninguém quer ser o ‘caso líder’”, explica.
Colombo ainda lembra que as instituições também podem fornecer os dados com base no artigo 4 da lei, que considera os veículos jornalísticos, sempre levando em conta que as informações não devem especificar pessoas. O entendimento também vale para o artigo 7. O que diz o Art. 4º da LGPD: Esta Lei não se aplica ao tratamento de dados pessoais: I — realizado por pessoa natural para fins exclusivamente particulares e não econômicos; II — realizado para fins exclusivamente: a) jornalístico e artísticos; ou b) acadêmicos, aplicando-se a esta hipótese os arts. 7º e 11 desta Lei.
Das 50 instituições, 10 encaminharam os dados com a totalidade de estudantes, mas apenas seis revelaram o número de estudantes trans. Os dados podem ser conferidos aqui. Pelo levantamento, são 117 o total de estudantes transgêneros identificados pelas instituições de ensino superior.
O maior número está na Universidade Federal do rio Grande dos Sul (Ufrgs), 98, logo em seguida vem a Unisinos, 12, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), 3, a Estácio/Fargs, 2, a Factum e a Famaqui, com 1. Juntos, estes seis cursos somam 57.911 estudantes.
Políticas públicas inexistentes, evasão escolar e baixa expectativa de vida
A falta de dados é, também, uma consequência da inexistência de políticas públicas que defendam as pessoas transexuais. O IBGE, que existe há mais de 80 anos e tem como função coletar e compartilhar dados e informações sobre o país, desconhece essa parcela da população. Segundo a Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (Antra), cerca de 2% da população brasileira integra a população trans do país.
Para o Censo de 2022, o Instituto informou, em nota, que perguntas sobre a identidade de gênero e a orientação sexual dos brasileiros são um tema sensível. Sobre a população trans, o IBGE disse que, por questões técnicas, não é possível coletar esse tipo de informação no Censo Demográfico.
Múltiplos fatores podem ser levados em conta para a invisibilidade da população trans no ensino superior. Os números mostram que há uma alta evasão do público trans no ensino básico. Uma pesquisa, da Rede Nacional de Pessoas Trans no Brasil, de 2017, aponta que 82% dos transexuais abandonam o ensino médio entre os 14 e os 18 anos. Entre as principais causas estão o preconceito e as agressões sofridas por esses estudantes.
Somado a isso, essa parcela da população também sofre com uma expectativa de vida de 35 anos, podendo estes serem o resultado da pequena porcentagem de pessoas trans no ensino superior. A inexistência de dados e informações colabora para a falta de políticas públicas voltadas a essa parcela da população — seja para o ingresso na faculdade ou para a proteção e segurança.
Para a diretora de Promoção de Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais do Ministério da Mulher, da Família, e Direitos Humanos, Marina Reidel, essa falta de informações é autoexplicativa. “As instituições simplesmente não têm os dados”, afirma.
Marina, que também é mestra em Educação pela Ufrgs e mulher trans, explica que o baixo número de estudantes transgêneros no ensino superior é um problema muito maior. “A questão vai além da universidade. O problema da falta dessa população é justamente pela exclusão escolar no período regimental, no período de ensino fundamental e médio. Quando uma pessoa transgênero se assume muito jovem, já na sua adolescência, ela vai começar a ter vários enfrentamentos.”, afirma.
Ela ainda fala sobre como isso pode ser prejudicial para o estudante trans em todo seu ciclo acadêmico. “Todos esses fatores vão levar à exclusão e a não ter um currículo que possa competir no mercado de trabalho. Às vezes não é só a questão da discriminação e o preconceito, é a falta de currículo mínimo para você poder disputar uma vaga”, contextualiza.
Histórias da experiência trans
“O teu nome é a tua identidade e, no momento que ele tá errado em algum documento, é como se tu não fosse quem tu é”, conta André*, que esperou dois meses para que a universidade na qual estudava em 2019, a Unisinos, fizesse a troca do seu nome nos sistemas internos.
O estudante ainda fez um paralelo com pessoas cisgênero. “Às vezes as pessoas cis tem o nome digitado errado, mas não é um negócio que te constrange, porque não é uma coisa que tá te invalidando como pessoa. Se o teu nome é ‘Jones’ e tá escrito ‘Jonas’, tu não vai se sentir totalmente inseguro como pessoa porque o teu nome tá com uma letra errada”, afirma.
Essa é a realidade de muitos dos estudantes trans que utilizam a carteira do nome social e dependem da agilidade das instituições para fazerem a troca de nome nos sistemas internos. “Eu ia toda semana no atendimento da universidade reclamar, eles davam um número de telefone, aí eu ligava e não adiantava. Na Unisinos ninguém me tratou mal, nunca fui discriminado, só foi uma coisa que realmente demorou”, confirma.
Em alguns casos, o desejo de ser reconhecido com o próprio nome acaba na justiça. Bernardo, estudante da PUCRS de 21 anos, precisou buscar apoio no poder judiciário e, mesmo assim, o processo levou mais de dois anos. “Eu me formei em três anos, desses três, dois foram tentando ter o meu nome nos documentos da universidade”, conta.
O estudante recorda que só conseguiu que a universidade fizesse o uso do nome social após ele ser vencedor de um prêmio dentro da instituição. “Eu ganhei essa distinção, mas ainda não tinha o meu nome correto nos sistemas. Meu professor então comprou a minha briga e disse que não aceitaria eu receber um prêmio que estivesse com o nome errado”, lembra. Após um acordo com a PUCRS, Bernardo retirou o processo contra a universidade, teve seus documentos atualizados e, de acordo com o estudante, hoje a instituição tem uma legislação interna, que facilita o processo de utilização do nome social.
A reportagem entrou em contato com a PUCRS para saber mais sobre a política interna de utilização do nome social. De acordo com a universidade, as políticas que elas seguem são aquelas “expressas em resoluções e pareceres disponíveis no portal do MEC, para Instituições de Ensino”. Sobre a demora na resolução do caso a instituição respondeu que segue “o que está definido na política nacional, que define que o interessado deve solicitar a alteração de seu nome ao setor competente na IES. Nosso sistema de informação está totalmente adaptado para atender o registro do nome social”.
Rodrigo, de 20 anos, também estudante, aponta uma falta de preparo para a demora na troca de nomes. Para o estudante, não falar sobre as pessoas trans, oferecer capacitação sobre o nome social e qual a importância dessas mudanças pode gerar constrangimentos. “Se tu é uma pessoa que não tem entendimento do que é uma pessoa trans e o que é nome social, vai ser difícil entender porque um aluno precisa do nome social na chamada. Se eu nunca vi, não tenho noção do que é, não tem como entender porque é necessário”, explica. Ele afirma que, na universidade, é difícil ter pessoas com entendimento de que essa é uma questão que precisa ser atendida prontamente.
No entanto, o problema vai muito além de ter o nome correto nos sistemas das universidades. Uma simples ida até o banheiro também é um desafio para os alunos trans. “Eu não me sinto confortável em ir ao banheiro masculino, eu sei que é perigoso. A Unisinos todo semestre tem os questionários para dar nota ou ‘o que você acha que pode melhorar’ e eu já coloquei sobre o banheiro neutro”, conta Caleb, de 24 anos, outro estudante trans da universidade que espera por essas melhoras para conseguir aproveitar o campus com total segurança e dignidade.
Ele não é o único. Rodrigo* também relata esse medo, amplificado por já ter vivido situações de transfobia em outros locais. “O que eu tive dentro da instituição e acabo tendo é o medo de frequentar o banheiro masculino. Isso pode ser uma coisa de insegurança pessoal, mas ainda é a situação de uma pessoa que já passou por muita dificuldade, por medo de ser afrontado. Eu ainda acho que a universidade não é um lugar que tá seguro e que tá preparado para ter esse tipo de fala”, afirma.
Essa necessidade básica mobiliza os estudantes, mas ainda não é algo que faz as universidades agirem. Arthur*, estudante de 26 anos também da Unisinos, conta que em 2017 mobilizou um grupo de alunos para falar com a coordenação sobre os banheiros. O episódio ocorreu após uma ação da Semana Acadêmica do curso de Serviço Social, que teve como temática questões da comunidade LGBTQIAP+. No entanto, o assunto e as solicitações não tiveram andamento. “Eles só enrolaram, não deu em nada”, lembra Arthur.
As vivências na universidade têm grande impacto na vida acadêmica dos entrevistados. É unânime a ideia de que são incluídos, mas não representados. Arthur conta que em uma disciplina do curso, uma professora constantemente utilizava os pronomes errados quando se referia às pessoas trans. Para ele, a profissional não estava preparada para falar sobre o assunto, ainda que estivesse à frente de uma cadeira que tratasse sobre gênero.
Rodrigo ainda vai além e conta que, em alguns casos, as pessoas trans são tratadas como enciclopédias. O estudante lembra que já teve uma supervisora que ficava cuidando de suas ações e fazendo perguntas intrusivas, como, por exemplo, qual o motivo de ele utilizar o banheiro masculino. “Às vezes as pessoas confundem intimidade com um falso senso de que ‘Ok, tu é meu amigo e agora vai tirar minhas dúvidas“, afirma.
Ter um círculo de amigos próximos também não significa representatividade. Rodrigo explica que, quando está com seus colegas, se sente acolhido e tem uma rede de apoio. No entanto, em disciplinas ou outras ocasiões que não está com esse grupo de pessoas, não sente a mesma confiança de entrar em uma sala ou de ser mais aberto. “Eu não me sinto representado na Unisinos. Falta muita coisa. Eu encontrei duas pessoas que também são trans, dois homens, na universidade. Mas eu não posso dizer que encontrei uma mulher trans formada, uma pessoa não binária que já está mais adiante”, conta. O universitário aponta que essa falta de representatividade pode estar atrelada à falta de preparo psicológico da população trans, que é constantemente atacada e discriminada.
Assim como os demais, Caleb também se sente bem dentro do seu curso e afirma que consegue se expressar como pessoa trans nas atividades acadêmicas específicas da sua graduação. No entanto, aponta o despreparo dos professores que trabalham com as disciplinas abertas. “Em uma cadeira aberta, eu falo que meu nome é Caleb e me refiro no masculino, só que é muito comum professores de cursos abertos se referirem a mim com o pronome errado, super comum, só que eu não tenho forças pra corrigir”.
Sobre a representatividade, André explica que as consequências da pandemia deixaram essa questão ainda mais complicada. “Eu acho que o ensino à distância prejudica muito isso, porque a gente não vê as pessoas. Pode ser que eu tenha colegas trans e não sei”, conta.
De acordo com Caleb, algumas mudanças precisam acontecer para as pessoas trans se sentirem mais incluídas e representadas dentro do ambiente acadêmico. “Eu acho que primeiramente tornar o processo do nome uma coisa melhor. Todos os espaços têm que ter o teu nome, tinha que ser mais rápido. Ensinar os professores a lidar com essas coisas, você chega numa sala e você não sabe se o professor vai te chamar pelo pronome certo, se ele vai te ler errado”, explica. O estudante frisa que o despreparo foi uma das coisas que mais lhe afetou e também sente falta de um grupo de pessoas trans.
A reportagem entrou em contato com a Unisinos para saber mais sobre o processo de solicitação do nome social, a possibilidade de um banheiro de gênero neutro e o treinamento dos funcionários. A instituição informou que “respeita a igualdade de direitos e a individualidade da pessoa humana”. A instituição também afirmou que “a inclusão do nome social nos registros da Universidade acontece sob demanda, via Atendimento Unisinos, e é atendida com brevidade”. Sobre os funcionários e o banheiro neutro, a universidade informou que “oferece às pessoas colaboradoras capacitações sobre diversos temas durante o ano. No que trata de infraestrutura, a Unisinos pensa a criação de seus espaços de forma inclusiva”.
As dificuldades para a retirada do nome social dependem das condições financeiras da população trans
Não ter sua identidade reconhecida é um tipo de violação de direito frequente para pessoas transexuais e travestis. Ainda assim, em teoria, instituições públicas e privadas, inseridas no sistema federal de ensino, devem seguir o Decreto Federal nº 8.727/2016, e adotar o nome social da pessoa travesti e transexual. É bom lembrar que o Rio Grande do Sul foi o primeiro estado do país a adotar a carteira de nome social, em 2012.
O nome social é o modo como a pessoa se identifica, uma vez que o nome civil não reflete sua identidade de gênero. A partir do decreto de 2016, ele deveria estar, também, em formulários, registros e cadastros dos mais diversos serviços federais. No entanto, isso não é uma realidade. Em resposta a um pedido de informação, via Lei de Acesso, a Ouvidoria do Inep informou à reportagem que os dados sobre nome social não são coletados pelo Censo da Educação Básica, dessa forma não existe nenhum tipo de informação sobre a população trans no ensino superior.
O próprio pedido para a retirada do nome social não é algo fácil, mesmo com a legislação completando cinco anos. Os desafios enfrentados variam, também, de acordo com as condições financeiras de cada pessoa. Xuxa Malakoski é uma mulher trans e militante dos direitos das pessoas trans e travestis. Durante três anos, foi presidente do Grupo de Apoio à Diversidade (GAD) de São Leopoldo, mas, atualmente, está afastada do cargo. Xuxa ainda auxilia diversas meninas trans em situação de vulnerabilidade no município. Uma das ações desenvolvidas é auxiliar na retirada da carteira de nome social.
“Nós esbarramos em vários problemas. Sempre que vamos até o cartório, eles pedem quase 10 documentos e muitas mulheres não conseguem tirar, porque muitas têm restrições no Serasa, ou problemas na justiça por serem marginalizadas. E isso acontece porque a sociedade civil não nos deu um trabalho, para mostrarmos que também podemos fazer algo em prol da sociedade”, explica Xuxa. Mesmo com toda a burocracia, o nome social não altera documentos como RG e CPF. Ele é usado entre parênteses e ao lado do nome de batismo.
Para a militante, um dos principais problemas enfrentados pela população trans é a invisibilidade das pessoas e das lutas por direitos básicos. “É uma população invisibilizada e a pouca visibilidade que temos, querem apagar. Porque tem muitas pessoas cis que se promovem em cima da nossa população”, comenta. Xuxa acredita que o pedido para o uso do nome social deveria ser menos burocrático, em especial para as pessoas trans em situação de vulnerabilidade. “O que escreveram na legislação tá muito bonito, mas o governo esqueceu que temos que bater de porta em porta e elas não se abrem, é muito difícil”, finaliza.
Cotas no ensino superior
Sem incentivo e sem uma legislação que defenda os seus direitos, essa população fica refém de migalhas das instituições de ensino superior. Dos 50 centros universitários, faculdades e universidades contatadas, apenas uma possui cotas para pessoas trans, na pós-graduação. A Ufrgs é a única da Região Sul do país com essa modalidade de entrada — são apenas 16 em todo o Brasil. A raiz desse problema se encontra na invisibilização da população trans em todo o país.
Na federal, seis programas de pós-graduação (PPG) oferecem cotas, o mais antigo é o de Sociologia, que garante as vagas desde 2016. De acordo com a universidade, não existe uma norma reguladora sobre a criação de cotas para as pessoas trans, cada programa é autônomo nesse sentido. Ao todo, são 92 programas de pós-graduação na Ufrgs e somente 18 possuem alguma modalidade de cota, de acordo com o Departamento de Educação e Desenvolvimento Social (Deds) da Pró-reitoria de Extensão.
Em 2018, uma pesquisa do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (Gemaa) mostrou que apenas 18% dos PPGs de instituições públicas de ensino superior adotam ações afirmativas. Essas ações são políticas públicas que tem como objetivo corrigir desigualdades raciais presentes na sociedade, acumuladas ao longo dos anos, explica a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Amazonas. O levantamento também mostra que, dos estudantes contemplados por essas vagas, apenas 2,72% são trangêneros.
Dos 50 centros universitários, faculdades e universidades contatadas, apenas a Ufrgs possui cotas para pessoas trans, na pós-graduação.
Como fizemos
Tudo começou com uma hipótese e logo após uma simples pergunta. A hipótese é que basicamente existem pouquíssimos estudantes trans no ensino superior gaúcho, o que nos leva a pergunta: por que isso acontece e como é a situação desse grupo no contexto universitário? A equipe de reportagem não encontrou dados sobre a população em nível estadual, somente nacional. Por isso, resolvemos nós mesmos produzir estes dados.
Foram definidos cinco municípios, localizados na Região Metropolitana de Porto Alegre (Canoas, Gravataí, Novo Hamburgo, Porto Alegre e São Leopoldo) e a partir destes foram listados 50 instituições de ensino superior (faculdades, universidades e centros universitários).
Cada repórter ficou responsável por entrar em contato com um grupo de instituições e a forma de contato foi padronizada. Primeiro, entrávamos em contato via telefone, informando o que era a pauta e quem poderia responder por estes dados. Através do e-mail disponibilizado, eram enviadas as perguntas. Com isso, foram cerca de dois meses anotando e-mails, enviando perguntas e cobrando respostas. Após alguns retornos, mais respostas e questionamentos eram feitos.
O resultado final foi um levantamento com um resultado que corrobora com nossa hipótese inicial. Praticamente, não existe um levantamento institucional. Com isso, não existem políticas e ações internas voltadas para a diversidade. Por fim, todo este processo resulta em um número baixo de estudantes trans e um número menor ainda de estudantes que terminam a graduação.
Especialistas que tratam do tema e também pessoas que sentem o problema na pele ajudam a elucidar melhor o impacto dos números encontrados no levantamento. As vítimas foram descobertas através de uma chamada que a equipe fez nas redes sociais, perguntando se pessoas trans, que estudam no ensino superior da região, gostariam de participar da matéria contando suas histórias e suas experiências.
Para chegar até as histórias, inicialmente, o chamado foi feito através do DCE da Unisinos, que compartilhou o post criado pela reportagem. Após isso, o post foi compartilhado pelo DCE da UFRGS e, igualmente, pela União Estadual dos Estudantes (UEE). O post também foi compartilhado no Twitter pelo influencer Alan Dubox.
*Os nomes dos estudantes transgêneros entrevistados foram alterados para preservar a sua integridade.
Esta reportagem foi realizada na disciplina de Jornalismo Investigativo do curso de Jornalismo da Universidade do Vale do Rio do Sinos – Unisinos, sob a supervisão da professora Luciana Kraemer, no segundo semestre de 2021.
O Extra Classe e a Unisinos firmaram Termo de Cooperação, no início de 2022, para a veiculação no jornal de reportagens produzidas pelos estudantes da disciplina de Jornalismo Investigativo do curso de Jornalismo da instituição e o acompanhamento dos estudantes na produção das edições mensais impressas do Extra Classe.
11/04/2022 – Portal Extra Classe
Link: https://www.extraclasse.org.br/saude/2022/04/mobilizacao-pede-formacao-em-doacao-e-transplantes-de-orgaos-nos-curriculos-de-saude/
Mobilização pede a inclusão da doação e transplantes de órgãos nos currículos da saúde
Ação do projeto Cultura Doadora junto a instituições de ensino da educação superior no Rio Grande do Sul quer a capacitação de profissionais da saúde para atuarem no sistema de transplantes do país
“Para além do déficit de disposição doadora na sociedade, existem outros problemas que precisam ser enfrentados para qualificar o sistema de transplantes no país e salvar milhares de pessoas”, destaca o professor Marcos Fuhr, presidente da Fundação Ecarta, que há 10 anos mantém o projeto Cultura Doadora. “Um desses problemas é justamente a falta de capacitação de profissionais da saúde para atuarem nesta área”.
Na tarde desta segunda-feira, 11, Marcos Fuhr e a coordenadora do projeto Cultura Doadora, Glaci Borges, estiveram reunidos com o coordenador do curso de Medicina da Feevale, Pedro Beria, e a coordenadora do Instituto de Ciências da Saúde da instituição, Caren Mello Guimarães, para apresentar a campanha + Doação e Transplante nos Currículos da Saúde e defender o acolhimento da proposta pela instituição.
A proposta foi muito bem recebida pela equipe que propôs que o tema da doação de órgãos seja o assunto da aula inaugural do Instituto de Ciências da Saúde na abertura do segundo semestre, em agosto. “O projeto Cultura Doadora realizou palestra na Feevale em 2017 e foi muito marcante para os estudantes e a instituição. O assunto é muito importante para todas as áreas do conhecimento”, destacou Caren, que também realizou seus estudos do mestrado nesta temática.
Neste ano, já foram realizadas reuniões com as direções dos cursos da área da saúde da Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos), da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí) e da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), instituições que estão avaliando a operacionalização da proposta. “Todas as instituições foram bastante receptivas até o momento”, afirma Glaci Borges.
Área altamente especializada
O presidente da Fundação Ecarta destaca que a complexidade dessa modalidade terapêutica exige preparo especializado e constante das equipes de profissionais de saúde envolvidos no cuidado do paciente.
“Também, devido à grande rotatividade desses profissionais nos centros doadores (hospitais com emergência e UTIs) e transplantadores, as instituições formadoras têm um amplo potencial para o oferecimento de formação complementar e continuada de novos profissionais, inclusive no âmbito da pós-graduação lato e stricto senso”, observa Fuhr.
Segundo a coordenadora do projeto Cultura Doadora, poucas instituições de educação superior mantém disciplinas com este conteúdo. “A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) é a única em Porto Alegre que tem uma disciplina eletiva voltada para todo o processo, da doação ao transplante”, destaca. Ela conta que em 2021 foi formalizada uma parceria com o Conselho Regional de Enfermagem (Coren) para que o tema esteja mais presente na categoria que representa 70% dos quadros técnicos que atuam nos transplantes.
A lista de espera por um órgão no país é de mais 50 mil pessoas, sendo cerca de 2.500 somente no Rio Grande do Sul. O estado já foi o primeiro em volume de doações e atualmente ocupa a oitava posição no país.
O projeto Cultura Doadora oferece suporte às instituições de ensino com sugestão de temas a serem abordados nas disciplinas, um rol de profissionais com amplo conhecimento na doação e transplantes de múltiplos órgãos, assim como transplantados, famílias doadoras, ativistas da área, entre outros palestrantes e subsídios para orientar a formação.
08/04/2022 – Escola Educação
Link: https://escolaeducacao.com.br/universidade-do-rs-tem-destaque-mundial-em-26-cursos/
Universidade do RS tem destaque mundial em 26 cursos
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) ganhou destaque mundial, após ter 26 dos seus cursos classificados como “melhores do mundo”.
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) ganhou destaque mundial, após ter 26 dos seus cursos classificados como “melhores do mundo”. O ranking foi desenvolvido pela QS World University Rankings by Subject 2022.
Conforme as informações foram considerados o desempenho do ensino superior, de acordo com a área de conhecimento. Dentre os que obtiveram mais destaque está o curso de Odontologia, simulando uma faixa de 51-70.
Mas, de um ângulo geral, a universidade se localiza na linha de 751-800 entre as melhores instituições do mundo.
Outro destaque foi o curso de Farmácia, o qual está localizado na faixa 151-200, já a medicina da faculdade encontra-se um pouco mais abaixo com 201-250.
Contudo, não foi somente a universidade gaúcha que obteve seu destaque, mas instituições como a Pontíficia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS), Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), além da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
No quesito medicina, as melhores notas estão para PUCRS, UFPel e UFSCPA. No entanto, para a UFSM o maior destaque encontra-se em Agricultura e Silvicultura.
Conheça as outras notas obtidas pela instituição UFRGS
Sociologia: 201-250
Linguística: 201-250
Psicologia: 251-300
Direito e Estudos Jurídicos: 301-340
Ciência da Computação: 301-350
Engenharia Química: 301-350
Engenharia Mecânica: 351-400
Química: 401-450
Ciências Sociais e Administração: 451-500
Matemática: 501-520
06/04/2022 – SB Comunicações
Link: https://sbcomunicacoes.com.br/ufrgs-tem-26-cursos-em-ranking-mundial-de-melhores-graduacoes/
UFRGS tem 26 cursos em ranking mundial de melhores graduações
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS) tem 26 cursos entre os melhores do mundo, conforme classificação do QS World University Rankings by Subject 2022, divulgado nesta quarta-feira. A avaliação leva em conta o desempenho do ensino superior, conforme área de conhecimento. A graduação da instituição com melhor resultado é Odontologia, figurando na faixa 51-70, as mais bem avaliadas em nível mundial.
De uma forma geral, a Ufrgs está classificada na faixa de 751-800 entre as melhores universidades do mundo. O curso de Farmácia da instituição de ensino é outro que está no ranking, aparecendo na faixa 151-200. Um pouco mais para baixo, a Medicina da universidade se mantém na faixa 201-250. O ranking pode ser conferido integralmente por meio deste link.
Além da Ufrgs, outras instituições gaúchas têm cursos entre os melhores do mundo: Pontíficia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS), Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
PUCRS, UFPel e UFSCPA aparecem no ranking das melhores graduações de Medicina. A UFSM, por sua vez, tem destaque no curso de Agricultura e Silvicultura (faixa 251-300).
Os analistas da empresa Quacquarelli Symonds (QS) avaliaram 62 disiplinas de 1.543 disciplinas. A metodologia para chegar nos resultados inclui fatores como reputação acadêmica, percepção do empregador e citações de pesquisa por publicação.
Confira outros dez cursos ou áreas de conhecimento da Ufrgs classificados entre os melhores do mundo:
Sociologia: 201-250
Linguística: 201-250
Psicologia: 251-300
Direito e Estudos Jurídicos: 301-340
Ciência da Computação: 301-350
Engenharia Química: 301-350
Engenharia Mecânica: 351-400
Química: 401-450
Ciências Sociais e Administração – 451-500
Matemática: 501-520
Fonte: Correio do Povo
06/04/2022 – Correio do Povo
Link: https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/ensino/ufrgs-tem-26-cursos-em-ranking-mundial-de-melhores-gradua%C3%A7%C3%B5es-1.801340
Ufrgs tem 26 cursos em ranking mundial de melhores graduações
Odontologia da universidade está entre as 100 melhores do mundo, conforme classificação
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) tem 26 cursos entre os melhores do mundo, conforme classificação do QS World University Rankings by Subject 2022, divulgado nesta quarta-feira. A avaliação leva em conta o desempenho do ensino superior, conforme área de conhecimento. A graduação da instituição com melhor resultado é Odontologia, figurando na faixa 51-70, as mais bem avaliadas em nível mundial.
De uma forma geral, a Ufrgs está classificada na faixa de 751-800 entre as melhores universidades do mundo. O curso de Farmácia da instituição de ensino é outro que está no ranking, aparecendo na faixa 151-200. Um pouco mais para baixo, a Medicina da universidade se mantém na faixa 201-250. O ranking pode ser conferido integralmente por meio deste link.
Além da Ufrgs, outras instituições gaúchas têm cursos entre os melhores do mundo: Pontíficia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS), Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
PUCRS, UFPel e UFSCPA aparecem no ranking das melhores graduações de Medicina. A UFSM, por sua vez, tem destaque no curso de Agricultura e Silvicultura (faixa 251-300).
Os analistas da empresa Quacquarelli Symonds (QS) avaliaram 62 disiplinas de 1.543 disciplinas. A metodologia para chegar nos resultados inclui fatores como reputação acadêmica, percepção do empregador e citações de pesquisa por publicação.
Confira outros dez cursos ou áreas de conhecimento da Ufrgs classificados entre os melhores do mundo:
Sociologia: 201-250
Linguística: 201-250
Psicologia: 251-300
Direito e Estudos Jurídicos: 301-340
Ciência da Computação: 301-350
Engenharia Química: 301-350
Engenharia Mecânica: 351-400
Química: 401-450
Ciências Sociais e Administração - 451-500
Matemática: 501-520
06/04/2022 – Portal UNA-SUS
Prevenção da Transmissão Vertical do HIV/AIDS, Hepatites Virais e Sífilis é tema de novo curso da UNA-SUS/UFCSPA
Com carga horária de 70h, o curso dá subsídios para a atuação na prevenção, rastreio, identificação e manejo desses agravos.
Profissionais de saúde e demais interessados já podem se inscrever no mais novo curso sobre prevenção da transmissão vertical do HIV/AIDS, hepatites virais e sífilis da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), instituição integrante da Rede UNA-SUS, em parceria com a OPAS/OMS.
Com carga horária de 70h, a capacitação oferece aos profissionais dos diferentes níveis de atenção à saúde as ferramentas necessárias para trabalharem alinhados e em sintonia com os processos, protocolos e as linhas de cuidado referentes à transmissão vertical da sífilis, hepatites virais e HIV.
Apesar de ter como público alvo, profissionais de nível superior, a capacitação é livre, gratuita e tem início imediato. As matrículas podem ser realizadas até o dia 31 de janeiro de 2023, pelo link.
De acordo com a professora e coordenadora geral da UNA-SUS/UFCSPA, Dra. Aline Corrêa de Souza, o curso dá subsídios para a atuação na prevenção, rastreio, identificação e manejo desses agravos.
"Todo o curso foi pensado para fortalecer a linha de cuidado, contribuindo para a integração dos serviços de assistência especializados com as unidades básicas de saúde, bem como as maternidades. Nele, os profissionais irão retomar as questões das políticas públicas e de gestão dos processos de trabalho nos diferentes níveis de atenção", destacou a coordenadora.
Dividido em quatro módulos, o conteúdo é apresentado de forma interativa, por meio de vídeos, podcast e casos complexos contextualizados em cidade virtual.
A unidade introdutória tem carga horária de 10h e aborda Políticas Públicas, Rede de Atenção e Processo de Trabalho; as demais, focam respectivamente na prevenção da transmissão vertical da Sífilis (20h), Hepatites Virais (15h) e HIV/AIDS (25h).
Para saber mais sobre este e outros cursos UNA-SUS, acesse www.unasus.gov.br/cursos
06/04/2022 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2022/04/com-destaque-para-odontologia-ufrgs-tem-21-cursos-em-ranking-que-avalia-os-melhores-do-mundo-cl1mn9xio007s017c273otu7b.html
Com destaque para Odontologia, UFRGS tem 21 cursos em ranking que avalia os melhores do mundo
QS World University Rankings by Subject 2022 mede o desempenho conforme a área de conhecimento
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) tem 21 cursos classificados no QS World University Rankings by Subject 2022 (quatro a mais do que no ano passado). Divulgado nesta quarta-feira (6), o levantamento mundial avalia o desempenho do Ensino Superior conforme a área de conhecimento.
Além da UFRGS, outras cinco graduações figuram na lista, sendo duas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e outras três dos programas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Para chegar aos resultados, a empresa de análise global de Ensino Superior Quacquarelli Symonds (QS) avaliou 51 disciplinas de 1.543 instituições. Na edição de 2022, os cursos de 32 universidades brasileiras estão na lista.
A graduação com melhor desempenho no Rio Grande do Sul foi a Odontologia da UFRGS, que estreou no top cem da disciplina, na faixa 51-70. O curso é um destaque nas instituições brasileiras. A Universidade de São Paulo (USP) se encontra no 15º lugar globalmente, caindo duas posições na comparação anual. Outras duas instituições também ficaram entre as 50 melhores nesta avaliação, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em 32º lugar, e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), em 36º.
A UFRGS também pontuou nas cinco grandes áreas de ensino que englobam vários cursos: Artes e Humanidades, Engenharia e Tecnologia, Ciências da Vida e Medicina, Ciências Naturais, Ciências Sociais e Administração (veja as notas na tabela abaixo).
Nestes critérios, o melhor desempenho da maior federal do Estado foi na área das Ciências da Vida e Medicina, ainda que tenha caído algumas posições. Em 2022, a UFRGS ficou em 272º lugar nessa área, e, em 2021, estava em 260º. O curso de Farmácia, que em 2021 estava entre os 150 melhores no ranking mundial (e foi a melhor posição entre as graduações gaúchas), foi para a faixa 151-200.
A Medicina da UFRGS se manteve na faixa dos 201-250. Já a da UFPel melhorou o desempenho e ficou na faixa 401-450 (em 2021, estava na 451-500). A graduação nesta área da PUCRS também subiu e ficou entre 451-500 (estava na 501-550). Já o curso da UFCSPA se manteve na faixa 501-550.
UNIVERSIDADES GAÚCHAS NO RANKING QS 2022
[Verificar tabela no link acima.]
A Medicina é um dos cursos em que o Brasil mais aparece no ranking, com 21 universidades incluídas. A USP lidera o ranking nacional, e subiu para 77ª no levantamento mundial. Se comparadas apenas com as brasileiras, a UFRGS fica em quinto, a UFPel, em 10º, a PUCRS, em 12º, e a UFSCPA, em 15º.
A relevância do setor agrícola no Brasil também se reflete no ranking da QS, com 18 universidades nacionais classificadas no curso Agricultura & Silvicultura. A UFSM está entre elas, mantendo-se na faixa 251-300 em relação ao ano passado.
O ranking completo pode ser conferido neste site.
Como funciona a avaliação
Os analistas globais de Ensino Superior da QS Quacquarelli Symonds realizam análises comparativas sobre o desempenho de 15,2 mil programas universitários individuais, oferecidos a estudantes em 1.543 universidades, que podem ser encontrados em 88 locais em todo o mundo, em 51 disciplinas acadêmicas e em cinco grandes áreas de ensino.
A metodologia dos avaliadores passa pela reputação acadêmica, reputação por parte do empregador, citações de pesquisa por publicação, produtividade e impacto do trabalho, e um indicador adicional, a Rede Internacional de Pesquisa, nas tabelas de áreas do ensino (Artes & Humanidades, Ciências da Vida e Medicina, Ciências Naturais, Engenharia & Tecnologia e Ciências Sociais e Administração).
O peso de cada critério varia conforme a especificidade do curso avaliado.
05/04/2022 – Rádio Difusora AM
Link: https://difusora890.com.br/instituicoes-publicas-criam-rede-para-combater-a-desinformacao-em-saude/
Instituições públicas criam rede para combater a desinformação em saúde
Assinatura de termo de cooperação e debate com pesquisadoras em Comunicação serão realizados em 8 de abril, no canal do MPF no YouTube
No próximo dia 8, das 13h30 às 15h30, oito instituições públicas sediadas no Rio Grande do Sul assinam termo de cooperação para criar a Rede Interinstitucional de Enfrentamento da Desinformação em Saúde. São três universidades federais, dois institutos federais de educação e três unidades do Ministério Público brasileiro, juntas para enfrentar o fenômeno da desinformação em saúde e seus impactos sobre os direitos dos cidadãos.
Além da assinatura e das manifestações dos representantes institucionais, o webinar Como enfrentar a desinformação em Saúde? Construindo soluções em rede reunirá duas pesquisadoras na área de Comunicação - Raquel Recuero (UFPEL) e Thaiane Moreira de Oliveira (UFF) - para uma análise do quadro atual e das perspectivas de ação por parte das instituições, dos profissionais da Ciência e da Comunicação e dos cidadãos.
O evento coroa oito meses de trabalho realizado em 2021 por estas e outras instituições, ao longo dos quais acompanhou-se o fenômeno da desinformação relacionada à pandemia de covid-19. A partir de uma iniciativa do Núcleo de Apoio Operacional à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão na 4ª Região, órgão do Ministério Público Federal, foram realizadas experiências de letramento digital e um curso sobre desinformação, voltados para o público interno das instituições. O amadurecimento dessa experiência resultou na decisão de criação da Rede, para contribuir para a reflexão, o debate e a ação das instituições para além de seus muros.
Para o procurador regional da República Paulo Gilberto Cogo Leivas, autor do Procedimento de Coordenação nº 1.04.000.000110/2021-18, que deu início a todo o processo, a desinformação é um dos grandes desafios de saúde pública a serem enfrentados no século XXI. "A rede está sendo construída por um conjunto de instituições a partir do entendimento de que a desinformação em saúde é um problema que deve ser enfrentado de modo cooperativo e coordenado", explica.
Saiba quais são as instituições signatárias:
- Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Farroupilha (IFFAR)
- Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS)
- Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP/RS)
- Procuradoria da República no Rio Grande do Sul (MPF - PR/RS)
- Procuradoria Regional da República na 4ª Região (MPF - PRR4)
- Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)
- Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
- Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)
Serviço
Evento: CRIAÇÃO DA REDE INTERINSTITUCIONAL DE ENFRENTAMENTO DA DESINFORMAÇÃO EM SAÚDE
Data: 8 de abril
Horário: 13h30 - 15h30
Local: Canal do MPF no YouTube (https://www.youtube.com/canalMPF)
Programação:
Das 13h30 às 14h15
APRESENTAÇÃO DA REDE & ASSINATURA DO TERMO DE COOPERAÇÃO
PAULO GILBERTO COGO LEIVAS (MPF - PRR4)
Procurador Regional da República na 4ª Região, membro do Núcleo de Apoio Operacional à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão na 4ª Região e titular do procedimento de coordenação que resultou na criação da Rede Interinstitucional de Enfrentamento da Desinformação em Saúde.
REPRESENTANTES DAS INSTITUIÇÕES SIGNATÁRIAS
Das 14h15 às 15h30
WEBINAR COMO ENFRENTAR A DESINFORMAÇÃO EM SAÚDE? CONSTRUINDO SOLUÇÕES EM REDE
04/04/2022 – BBC e Época Negócios
Link BBC: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-60946582
Link Época Negócios via BBC: https://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2022/04/covid-brasil-esta-pronto-para-declarar-o-fim-da-pandemia.html
Covid: Brasil está pronto para declarar o 'fim' da pandemia?
O Governo Federal estuda revogar nos próximos dias uma série de medidas que marcaram os últimos dois anos, como a obrigatoriedade do uso de máscaras em alguns estabelecimentos, as regras sanitárias para a entrada de estrangeiros e a restrição na exportação de insumos médicos e hospitalares.
Esse movimento de flexibilização, que ainda precisa ser confirmado pelo Ministério da Saúde, acontece na esteira do que foi feito em muitos países da Europa, como Reino Unido, Dinamarca, França e Espanha, que a partir de fevereiro e março começaram a relaxar muitas das políticas públicas de saúde que marcaram 2020 e 2021.
Ainda no cenário internacional, a ideia da "covid zero", que tentava acabar com qualquer surto da doença logo no início, foi praticamente abandonada em locais como Austrália, Nova Zelândia e Coreia do Sul — o último bastião desta política é a China, que ainda faz lockdowns rigorosos nas regiões em que é detectado um aumento de casos da infecção pelo coronavírus.
Nas últimas semanas, porém, é possível notar um aumento em casos, hospitalizações e mortes por covid em alguns desses países que reabriram completamente.
Por ora, Brasil vive uma situação relativamente estável em relação à pandemia. As médias móveis de casos e mortes estão em queda desde o início de fevereiro e, até agora, as aglomerações registradas no carnaval e a liberação do uso de máscaras em muitos Estados não resultaram numa reversão dessa tendência, com uma piora significativa dos índices.
Diante de todos esses elementos, será que é hora de declarar o fim da pandemia? E o que o Brasil (e os brasileiros) podem aprender com situação pós-abertura observada em outros países?
A palavra final é da OMS
A epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo, lembra que a prerrogativa de declarar o início e o fim de uma pandemia é da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Portanto, não são os países que vão "rebaixar" o status da covid-19 e definir que ela se tornou uma doença endêmica.
O que o Ministério da Saúde pode fazer é acabar com a Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (Espin), o que permitiria aliviar muitas das medidas adotadas desde que o coronavírus começou a se espalhar país adentro.
A BBC News Brasil entrou em contato com o Ministério da Saúde para ter um posicionamento oficial a respeito da discussão e saber se as medidas contra a covid-19 serão revogadas ou não. Como resposta, a assessoria de imprensa enviou um vídeo de um evento realizado em 30 de março.
Nele, o ministro Marcelo Queiroga diz que a decisão sobre o alívio de todas as restrições ainda "depende de uma série de análises".
"Primeiro, [precisamos analisar] o cenário epidemiológico, que felizmente ruma para um controle maior, com queda de casos e óbitos sustentadas na última quinzena. A segunda é a estrutura do nosso sistema hospitalar, da nossa atenção primária às unidades especializadas. [...] O terceiro ponto é ter determinados medicamentos que possuem ação mais eficaz no combate da covid-19 na sua fase inicial, para impedir que a doença evolua para formas graves", discursou.
"O presidente [Jair Bolsonaro] me pediu prudência. O que nós estamos fazendo é harmonizar as medidas que já estão sendo tomadas por Estados e municípios", complementou.
"Me parece complicado e preocupante acabar com decretos nacionais enquanto a OMS ainda classifica a situação toda como uma pandemia", avalia Maciel.
A OMS, inclusive, lançou na quarta-feira (30/3) um planejamento estratégico para o mundo conseguir alcançar o fim da fase aguda da pandemia ainda em 2022.
No documento, a instituição leva em conta três possibilidades para os meses que virão:
Cenário otimista: as próximas variantes do coronavírus serão significativamente menos severas e a proteção contra quadros mais graves de covid será mantido sem a necessidade de doses de reforço ou a atualização das vacinas já disponíveis.
Cenário pessimista: uma variante mais virulenta e com alta capacidade de transmissão aparecerá e conseguirá derrubar a efetividade das vacinas. A proteção contra quadros graves e mortes por covid despencará, especialmente nos grupos mais vulneráveis, o que demandará atualização dos imunizantes e novas doses de reforço nos grupos de risco.
Cenário realista: o coronavírus continuará a evoluir, porém a gravidade da infecção se reduzirá significativamente e haverá imunidade suficiente na população contra quadros mais graves e mortes, o que levará a surtos cada vez menos severos. Aumentos periódicos na transmissão viral continuarão a ocorrer, o que exigirá campanhas de vacinação ao menos para os grupos mais vulneráveis.
Para garantir que o cenário realista (ou até o otimista) se concretize e a pandemia chegue ao fim, a OMS destaca duas ações estratégicas básicas:
Reduzir a controlar a transmissão do coronavírus para proteger a população mais vulnerável e diminuir o risco de surgirem novas variantes agressivas
Prevenir, diagnosticar e tratar a covid-19 com medidas não farmacológicas, vacinas e remédios, para diminuir o máximo possível a mortalidade e as consequências de longo prazo da doença.
Maciel entende que o Brasil ainda precisa reforçar a resposta nos dois eixos estratégicos antes de pensar no fim da pandemia.
"Quando acabamos com todas as medidas preventivas e não promovemos campanhas de comunicação para conscientizar e proteger as pessoas, especialmente as mais vulneráveis, falhamos em reduzir a transmissão do coronavírus", diz.
"Para completar, nossa capacidade de testagem e vigilância continua ruim e só incorporamos o primeiro tratamento contra a covid-19 na rede pública esta semana", completa a especialista.
O remédio mencionado pela epidemiologista é o baracitinibe, da farmacêutica Eli Lilly. Ele começará a ser distribuído no Sistema Único de Saúde (SUS), mas só estará disponível para os casos mais graves, em que há necessidade de hospitalização e oxigenação complementar.
Ensinamentos que vêm da Ásia e da Europa
Países como Alemanha, Áustria, Reino Unido, Coreia do Sul e China registraram aumentos significativos de casos de covid nessas últimas semanas.
A retomada das infecções em alguns países europeus e asiáticos acontece em um momento em que a BA.2, uma variante "prima-irmã" da ômicron (a BA.1) se tornou dominante no mundo inteiro.
Para ter ideia, a BA.2 apareceu em 88,8% das amostras que foram sequenciadas no Reino Unido entre os dias 13 e 20 de março. A ômicron "original" representou 10,5% dos casos no mesmo período.
Esse padrão de crescimento da linhagem BA.2 pode ser observado em outros países, como Áustria, Coreia do Sul e Alemanha.
O mesmo fenômeno começa a ocorrer no Brasil: até fevereiro, a BA.2 aparecia em menos de 1% dos sequenciamentos genéticos. A partir de março, porém, o Instituto Todos pela Saúde observou um aumento significativo das amostras positivas para essa nova linhagem. Ela foi encontrada em 27,2% dos casos analisados em laboratório.
Há poucas semanas, a BA.1 reinava absoluta em muitos desses locais. Mas a variante perdeu a dianteira porque, de acordo com o Instituto Sorológico da Dinamarca, a BA.2 tem uma capacidade de transmissão 1,5 vez maior em comparação com a BA.1 — e olha que a BA.1 já era um dos vírus mais contagiosos que surgiram no último século.
"Todas as ondas que vimos nesta pandemia tiveram um componente em comum: o surgimento de uma nova variante do vírus", interpreta o médico Marcio Sommer Bittencourt, professor associado da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.
A BA.2 é mais agressiva?
A boa notícia é que a BA.2 não parece estar relacionada a um quadro mais grave do que o observado até agora com a BA.1.
"As análises preliminares não encontraram evidências de um risco maior de hospitalização após a infecção com a BA.2, em comparação com a BA.1", escreve a Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido num relatório publicado no dia 25 de março de 2022.
Vale lembrar que probabilidade de sofrer complicações da covid também está relacionada à quantidade de vacinas que um indivíduo tomou ou às infecções prévias.
Ou seja: quem tem pouca ou nenhuma imunidade contra o coronavírus pode experimentar consequências muito piores do que alguém que está com as doses em dia, especialmente se considerarmos os grupos de risco (como idosos e portadores de doenças crônicas).
Outro aspecto que traz uma perspectiva otimista para esse novo aumento de casos é que ele tende a subir e cair rapidamente, a exemplo do que ocorreu com a BA.1: em países onde a BA.2 virou dominante há algumas semanas, como Dinamarca e Holanda, o registro diário de infecções já entrou em queda novamente.
No entanto, uma elevação de casos também pode suscitar um aumento de hospitalizações e óbitos, ainda mais nos lugares com uma grande parcela da população suscetível pela baixa cobertura vacinal ou pela ausência de ondas maiores até então.
Em muitos dos países que tiveram aumento de casos recentemente, já é possível notar uma subida nas curvas de internações e mortes, embora elas estejam num patamar bem abaixo do observado em outros momentos mais graves da pandemia.
"Vemos que esse aumento de casos é mais intenso nos países que não têm uma taxa de vacinação adequada ou não tiveram grandes ondas anteriormente", observa Bittencourt. É o caso, por exemplo, de Alemanha e Coreia do Sul.
Já Portugal e Espanha, que estão com uma alta cobertura vacinal e tiveram mais casos de infecção prévia, parecem possuir uma "bagagem imunológica" maior e não experimentam um aumento de casos tão grande agora.
Os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil entendem que não dá pra dizer que esse mesmo cenário de aumento de casos pela BA.2 no exterior também se repetirá no país.
Em outros momentos da pandemia, coisas que impactaram profundamente o Brasil — como a variante gama — não tiveram o mesmo efeito no cenário internacional.
E o inverso também aconteceu: embora tenha sido avassaladora na Índia e nos Estados Unidos, a variante delta não foi tão desastrosa do ponto de vista da mortalidade nas cidades brasileiras.
"A gente precisa acompanhar de perto essa subida da BA.2, para ver como isso impacta o número de casos por aqui", conta Maciel. "As próximas duas ou três semanas serão importantes para observar como isso acontecerá na prática", complementa a epidemiologista.
Liberou geral
Embora a alta transmissibilidade da BA.2 seja a principal explicação para esse repique de casos em muitas partes do mundo, existe um segundo elemento que precisa ser considerado: o fim de quase todas as medidas restritivas que marcaram os últimos dois anos.
Em alguns países, o uso de máscaras deixou de ser obrigatório em lugares abertos e fechados, não há mais políticas de testagem em massa, nem a recomendação de que pacientes infectados com o coronavírus fiquem em isolamento.
A Áustria, inclusive, chegou a anunciar o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em locais fechados, mas voltou atrás no dia 18 de março. O ministro da Saúde local, Johannes Rauch, classificou como "prematura" a reabertura completa do país.
De forma geral, a mudança nas políticas públicas estimulou mais encontros e aglomerações, contextos onde o vírus consegue se espalhar em escala geométrica e criar novas cadeias de transmissão. E isso, junto com a maior taxa de contágio da BA.2, ajuda a explicar essa nova subida de casos em algumas partes do mundo.
É cedo ou chegou a hora?
Como citado anteriormente, a política de "covid zero", seguida à risca em lugares como Coreia do Sul, Vietnã, Taiwan, Austrália e Nova Zelândia, foi abandonada na maioria dos países. O único local que continua apostando nessa estratégia é a China, que recentemente chegou a decretar o confinamento de 25 milhões de habitantes de Xangai, uma das maiores cidades do país.
Mesmo entre os pesquisadores da área, soa quase como uma utopia a ideia de eliminar completamente a covid-19 de uma região através de medidas como o lockdown no atual contexto.
"Do ponto de vista da saúde pública, o fechamento total das atividades pode até fazer sentido. Mas o custo de parar tudo também traz custos sociais e econômicos muito grandes", pondera Bittencourt.
"No início da pandemia, com o risco da doença muito alto, o fechamento era necessário, por mais caro e custoso que isso fosse", diferencia o médico. "Atualmente temos vacinas e muitas pessoas foram infectadas, então o risco é menor, logo as medidas podem ser calibradas para essa situação."
Isso não significa que o extremo oposto dessa postura — a liberação completa de todas as restrições — faça sentido.
Para explicar esse ponto de vista, a médica Lucia Pellanda, professora de epidemiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, faz um paralelo entre a covid-19 e o futebol.
"Às vezes, sinto que a pandemia se assemelha a uma partida, em que estamos ganhando de 1 a 0 e simplesmente abandonamos o campo antes de o juiz dar o apito final", compra.
"Quando as coisas começam a melhorar um pouco, há uma pressa para dizer que a covid não é mais um problema e podemos acabar com todas as medidas preventivas."
"E o que a experiência nos mostra é que não existe uma solução simples para dar um fim de verdade à pandemia. Precisamos insistir com as vacinas, as máscaras e o cuidado com as aglomerações até o final desta partida", conclui a especialista.
Já o bioinformata Marcel Ribeiro-Dantas, pesquisador na área de saúde do Instituto Curie, na França, entende que muitos países fizeram tudo o que podiam e o relaxamento das medidas era um passo natural e razoável.
"Houve um esforço grande do governo e da população de muitos países europeus para conter a pandemia. Os primeiros lockdowns aqui na França foram drásticos e todo mundo ficou trancado em casa", lembra o pesquisador.
"Com a estafa natural após dois anos de restrições e a ampla disponibilidade de vacinas e tratamentos efetivos, parece inevitável que alguns países diminuam as restrições."
"A questão é conseguir transformar obrigações da lei em recomendações que as pessoas sigam no dia a dia. Quando você consegue conscientizar a população sobre a necessidade do uso de máscaras em alguns ambientes, por exemplo, isso passa a fazer parte de uma nova cultura daquele local", completa o especialista.
Como fica o Brasil no meio de tudo isso?
Trazendo todo esse debate sobre a reabertura para a realidade brasileira, Bittencourt entende que, diante de uma situação mais estável da pandemia, "é hora de discutir algumas medidas e ajustar a intensidade delas".
"É claro que isso não significa abandonar completamente o uso de máscaras. Elas são necessárias no transporte público, mas não precisam ser usadas em lugares abertos."
"Mas precisamos ter em mente também que o Brasil flexibilizou a maior parte das medidas há tempos. Shoppings, restaurantes e casas noturnas estão funcionando normalmente", completa.
Pellanda acredita que o desafio é fazer essa comunicação sobre o manejo e a prevenção da covid de forma adequada e contextualizada. "As pessoas precisam avaliar o risco individual e de cada local em que elas estiverem", diz.
"É errado encarar as máscaras como algo ruim e limitador. Elas precisam ser incorporadas em algumas situações, da mesma maneira que fizemos com o uso do cinto de segurança nos carros e com a proibição de fumar em estabelecimentos fechados", argumenta.
Maciel reforça que o momento atual exige campanhas para empoderar as pessoas sobre avaliação do risco de contágio para cada contexto
"Num momento em que o Estado retira as políticas públicas, a população precisa ser informada sobre como se proteger em algumas situações, especialmente quando pensamos em idosos e imunossuprimidos, que têm mais risco de sofrer com as complicações da covid", aponta.
Entre o fim da pandemia e uma nova piora no número de casos relacionada à BA.2 e ao relaxamento das medidas de prevenção, o caminho mais adequado e seguro em qualquer país do mundo continua bem parecido: acompanhar o que está acontecendo e adequar os cuidados à situação de momento.
04/04/2022 – Portal do MPF
Link: http://www.mpf.mp.br/regiao4/sala-de-imprensa/noticias-r4/instituicoes-publicas-criam-rede-para-combater-a-desinformacao-em-saude
Instituições públicas criam rede para combater a desinformação em Saúde
Assinatura de termo de cooperação e debate com pesquisadoras em Comunicação serão realizados em 8 de abril, no canal do MPF no YouTube
No próximo dia 8, das 13h30 às 15h30, oito instituições públicas sediadas no Rio Grande do Sul assinam termo de cooperação para criar a Rede Interinstitucional de Enfrentamento da Desinformação em Saúde. São três universidades federais, dois institutos federais de educação e três unidades do Ministério Público brasileiro, juntas para enfrentar o fenômeno da desinformação em saúde e seus impactos sobre os direitos dos cidadãos.
Além da assinatura e das manifestações dos representantes institucionais, o webinar Como enfrentar a desinformação em Saúde? Construindo soluções em rede reunirá duas pesquisadoras na área de Comunicação - Raquel Recuero (UFPEL) e Thaiane Moreira de Oliveira (UFF) - para uma análise do quadro atual e das perspectivas de ação por parte das instituições, dos profissionais da Ciência e da Comunicação e dos cidadãos.
O evento coroa oito meses de trabalho realizado em 2021 por estas e outras instituições, ao longo dos quais acompanhou-se o fenômeno da desinformação relacionada à pandemia de covid-19. A partir de uma iniciativa do Núcleo de Apoio Operacional à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão na 4ª Região, órgão do Ministério Público Federal, foram realizadas experiências de letramento digital e um curso sobre desinformação, voltados para o público interno das instituições. O amadurecimento dessa experiência resultou na decisão de criação da Rede, para contribuir para a reflexão, o debate e a ação das instituições para além de seus muros.
Para o procurador regional da República Paulo Gilberto Cogo Leivas, autor do Procedimento de Coordenação nº 1.04.000.000110/2021-18, que deu início a todo o processo, a desinformação é um dos grandes desafios de saúde pública a serem enfrentados no século XXI. "A rede está sendo construída por um conjunto de instituições a partir do entendimento de que a desinformação em saúde é um problema que deve ser enfrentado de modo cooperativo e coordenado", explica.
Saiba quais são as instituições signatárias:
- Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Farroupilha (IFFAR)
- Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS)
- Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP/RS)
- Procuradoria da República no Rio Grande do Sul (MPF - PR/RS)
- Procuradoria Regional da República na 4ª Região (MPF - PRR4)
- Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)
- Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
- Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)
Serviço
Evento: CRIAÇÃO DA REDE INTERINSTITUCIONAL DE ENFRENTAMENTO DA DESINFORMAÇÃO EM SAÚDE
Data: 8 de abril
Horário: 13h30 - 15h30
Local: Canal do MPF no YouTube (https://www.youtube.com/canalMPF)
Programação:
Das 13h30 às 14h15
APRESENTAÇÃO DA REDE & ASSINATURA DO TERMO DE COOPERAÇÃO
PAULO GILBERTO COGO LEIVAS (MPF - PRR4)
Procurador Regional da República na 4ª Região, membro do Núcleo de Apoio Operacional à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão na 4ª Região e titular do procedimento de coordenação que resultou na criação da Rede Interinstitucional de Enfrentamento da Desinformação em Saúde.
REPRESENTANTES DAS INSTITUIÇÕES SIGNATÁRIAS
Das 14h15 às 15h30
WEBINAR COMO ENFRENTAR A DESINFORMAÇÃO EM SAÚDE? CONSTRUINDO SOLUÇÕES EM REDE





