29/05/2021 – BBC Brasil e Estado de Minas

Link: https://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2021/05/29/interna_nacional,1271640/fungo-negro-circula-no-brasil-mas-nao-e-ameaca-como-na-india-entenda.shtml

'Fungo negro' circula no Brasil, mas não é ameaça como na Índia; entenda

Primeiras notícias sobre casos 'fungo negro' entre indianos assustaram, mas especialistas dizem que probabilidade de cenário se repetir no Brasil é muito baixa

"Um pesadelo dentro da pandemia". Essa foi a frase usada por alguns médicos para descrever o crescimento vertiginoso de casos de mucormicose na Índia, uma infecção provocada por fungos que já acometeu quase 9 mil pacientes com COVID-19 nesse país do Sudeste Asiático.

Conhecido popularmente como "fungo negro", o quadro mata mais de 50% dos acometidos. Muitos precisam passar por cirurgias mutilantes, que retiram partes do corpo afetadas pelo micro-organismo, como os olhos.

Embora os relatos vindos da Índia sejam preocupantes e precisem ser acompanhados de perto, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil entendem que eles não são motivo de grande alarme e é improvável que um cenário parecido se repita no Brasil ou em outros lugares do mundo.

"Essa situação local não constitui uma ameaça à saúde pública global", tranquiliza o infectologista Alessandro Comarú Pasqualotto, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

 "A mucormicose não é algo que vai se espalhar pelo mundo", concorda o também infectologista Flávio de Queiroz Telles Filho, professor da Universidade Federal do Paraná.

E esse baixo potencial de perigo pode ser explicado por dois motivos. Em primeiro lugar, esses fungos são conhecidos e estudados desde o final do século 19. Segundo, eles já circulam livremente por boa parte do mundo, inclusive no Brasil.

Um reino diverso e fascinante

"Os fungos não são assassinos", defende Pasqualotto, que também é membro da Confederação Europeia de Micologia Medicinal (micologia é a especialidade da biologia que estuda os fungos).

Ao lado dos animais, dos vegetais, dos protistas e das bactérias, os fungos constituem um dos reinos da natureza, como costumamos aprender na escola.

As espécies que fazem parte dessa turma são muito diversas e podem ser encontradas nos mais diferentes formatos e tamanhos.

Os cogumelos são um tipo de fungo, bem como aquele bolor cinza ou verde que se forma na superfície de frutas, verduras e pães em estado de decomposição.

Os fungos também foram grandes parceiros da humanidade ao longo da história: a espécie Saccharomyces cerevisiae, por exemplo, é a levedura que faz o pão crescer e a cerveja fermentar.

Já o primeiro antibiótico, a penicilina, foi obtido em 1928 a partir de uma substância secretada pelo fungo Penicillium.

Muitos desses micro-organismos vivem dentro de nosso próprio corpo, numa relação amistosa e sem causar problema algum. Partes do nosso sistema respiratório e digestivo, inclusive, são colonizadas por diversas espécies de fungos.

A questão é quando acontece algum desequilíbrio no nosso organismo ou no ambiente ao redor: disfunções no sistema imune, tratamentos medicamentosos e até uma condição sanitária ruim podem servir de pretexto para esses seres microscópicos saírem do controle.

E isso pode levar às chamadas infecções oportunistas. Elas podem ser menos sérias, como uma micose na unha ou na pele, ou evoluírem para quadros graves e potencialmente mortais, como uma infecção sanguínea ou pulmonar.

Por que o 'fungo negro' ganhou terreno?

No atual momento, a Índia reúne uma série de condições que ajudam a explicar o aumento dos casos de mucormicose.

"Os agentes causadores da doença estão no ar e tiram vantagem da umidade alta e da temperatura quente daquele país", contextualiza Pasqualotto.

Vale reforçar que os fungos que provocam essa condição, conhecidos como Rhizopus, Rhizomucor e Mucor, estão presentes em muitos países (incluindo o Brasil) e podem ser observados no bolor do pão e das frutas, por exemplo.

Mas se eles são tão comuns assim, por que só causam estragos em algumas poucas pessoas, enquanto outras sequer são afetadas?

A explicação está na condição de saúde de cada um.

Telles Filho explica que existem três situações que facilitam o desenvolvimento da mucormicose: ter diabetes descontrolado, ser portador de doenças oncohematológicas (como a leucemia), que requerem transplante de medula óssea, ou fazer uso de altas doses de remédios da classe dos corticóides, que possuem ação anti-inflamatória.

"A Índia é um dos países com maior quantidade de diabéticos do mundo e vive atualmente um descontrole da pandemia de COVID-19, com um alto número de pacientes internados que necessitam tomar corticoides", diz o médico, que também coordena o Comitê de Micologia da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Para completar, em muitos locais mais afastados desse país, as condições sanitárias dos hospitais e das enfermarias não são as ideais, o que facilita o risco de contaminação por fungos.

Ou seja, falamos de uma situação que reúne uma série de pacientes vulneráveis, com o sistema imunológico combalido pela COVID-19, que muitas vezes apresentam doenças prévias (como o diabetes) e precisam de remédios que afetam ainda mais o funcionamento das células de defesa (caso dos corticóides). E eles são mantidos em locais que podem não apresentar a higiene adequada.

Esse é o cenário perfeito para que fungos como Rhizopus, Rhizomucor e Mucor tomem conta.

E o que isso representa para o Brasil?

Na quinta-feira (27/05), o Uruguai confirmou oficialmente o primeiro caso de mucormicose em seu território.

Isso alarmou ainda mais os brasileiros: será que esse fungo poderia pular a fronteira e agravar ainda mais a crise sanitária que acomete o país?

Esse temor, que é absolutamente compreensível quando pensamos em novos vírus e suas variantes, não faz sentido algum no caso dessas infecções fúngicas: falamos de micro-organismos que já estão aqui e até podem causar problemas se alguns cuidados básicos não forem tomados.

"Quando a COVID-19 chegou, nós já antecipávamos que doenças sérias provocadas por fungos poderiam aumentar", conta Pasqualotto.

Até o momento, o Brasil não possui registros de pacientes com mucormicose durante ou após uma infecção pelo coronavírus.

Mas há relatos publicados de brasileiros que foram acometidos por outras espécies de fungos durante o período que ficaram internados com COVID-19.

"No Hospital de Clínicas de Curitiba, onde trabalho, acompanhei nos últimos meses alguns casos de aspergilose em pessoas que estavam na Unidade de Terapia Intensiva (UTI)", relata Telles Filho.

"Mas isso não é uma coisa alarmante: nós temos meios para diagnosticar e tratar essa complicação", completa.

A aspergilose mencionada pelo médico é provocada pelo fungo Aspergillus, que costuma brotar e se desenvolver em pacientes que fazem tratamentos para tumores hematológicos e estão com a imunidade enfraquecida.

Outra figurinha preocupante no ambiente hospitalar é a Candida — você já deve ter ouvido falar dela como a causadora de uma infecção muito frequente na região genital das mulheres, a candidíase.

Uma das integrantes dessa família é a temida Candida auris, que teve seus primeiros casos detectados no Brasil em dezembro de 2020, em dois pacientes com covid-19 internados num hospital de Salvador (BA).

Portas de entrada

Mas como esses seres microscópicos invadem o corpo humano?

No geral, eles podem ser aspirados pelo próprio paciente ou entrar através dos tubos e cateteres que ficam ligados nas veias.

Outra origem é o intestino: como os fungos colonizam boa parte do sistema digestivo junto com as bactérias, eles podem aproveitar um desequilíbrio na microbiota (causada pelo uso de antibióticos, por exemplo) para ganhar terreno ali mesmo ou até invadir a circulação sanguínea.

Cada um desses fungos pode afetar uma parte específica do organismo: a mucormicose, que ganhou destaque nos últimos tempos, costuma entrar pelo nariz e logo invade os vasos sanguíneos do rosto, criando manchas escuras por onde passa (daí a alcunha "fungo negro").

Numa situação normal, é bem provável que o sistema imunológico consiga lidar com esses avanços fúngicos para evitar repercussões maiores.

Mas, num momento de fragilidade causado pela COVID-19, esse mecanismo natural de defesa pode não funcionar tão bem e permitir que Mucor, Aspergillus, Candida e companhia limitada causem estragos.

"É como se o coronavírus começasse o serviço e os fungos completassem a tarefa", compara Pasqualotto.

E como evitar isso?

Tudo começa com a prevenção. "As equipes de saúde precisam ter muito cuidado com a higiene e a lavagem das mãos, principalmente quando vão mexer nos cateteres e demais dispositivos que estão próximos do paciente", orienta Telles Filho.

Desse modo, já é possível evitar a contaminação desses materiais e a entrada de fungos pela respiração ou pelos vasos sanguíneos.

Outra tática usada em hospitais, especialmente nas alas que recebem os pacientes com sistema imune muito comprometido (como aqueles que passaram por um transplante de medula óssea, por exemplo) é a instalação de filtros Hepa nos sistemas de ventilação.

Esse material tem fibras capazes de reter partículas muito pequenas — entre elas, esporos de Aspergillus que poderiam invadir o organismo das pessoas mais debilitadas.

Uma terceira estratégia é lançar mão de remédios antifúngicos de forma profilática, para evitar que uma infecção oportunista apareça.

"Isso vale para alguns casos de câncer, mas não se encaixaria em quadros de COVID-19", entende Telles Filho.

Do ponto de vista individual, vale sempre tomar cuidado com a própria saúde e manter doenças crônicas, como o diabetes, sob controle.

"Também precisamos pensar no ambiente em que vivemos. Hoje em dia, passamos boa parte de nosso tempo em lugares fechados, então precisamos nos preocupar com a umidade e a ventilação", recomenda Pasqualotto.

O médico chama a atenção para o acúmulo de água e matéria orgânica em decomposição na geladeira e na despensa e diz que precisamos ficar atentos ao aparecimento de mofo nas paredes ou dentro de armários na cozinha e no banheiro.

"Precisamos tirar o alimento para que os fungos não se desenvolvam", observa.

Demora na detecção

Pasqualotto também destaca a necessidade de aumentar a disponibilidade de métodos para o diagnóstico dessas moléstias.

"Mesmo em grandes cidades, ainda lidamos com a falta de equipamentos e materiais para fazer a detecção desses casos", lamenta.

Sem a identificação adequada, perde-se um tempo valioso em que o paciente já poderia ser tratado com os antifúngicos antes que o quadro evoluísse para estágios mais avançados.

"As pessoas precisam entender que as enfermidades provocadas por fungos são comuns e custam muitas vidas", apela o infectologista.

Infelizmente, o Brasil não possui registros oficiais sobre o número de casos dessas doenças.

Mas um trabalho publicado em 2016 calcula que mais de 3,8 milhões de brasileiros sofram de infecções fúngicas sérias, "a maioria deles pacientes com cânceres malignos, asma, tuberculose, portadores de HIV, transplantados e aqueles que vivem em áreas endêmicas de fungos patogênicos", escrevem os autores.

"A comunidade científica e as agências governamentais precisam trabalhar em conjunto para reduzir o fardo dessas doenças, de diagnóstico complexo e difíceis de tratar", completam.

A culpa é das tulipas

Do ponto de vista do tratamento, há uma enorme preocupação mundial sobre o aumento da resistência fúngica.

A exemplo das bactérias, que desenvolveram métodos para "driblar" o efeito dos antibióticos, muitos fungos se tornaram resistentes aos antifúngicos.

Sem esses remédios, as opções para combater essas infecções ficam escassas, ou praticamente deixam de existir.

A Candida, encontrada naqueles pacientes de Salvador, é uma das espécies que mais se adaptaram e conseguiram escapar das opções terapêuticas disponíveis hoje.

Talles Filho explica que esse fenômeno está associado ao uso maciço e indiscriminado de fungicidas nas lavouras.

Essas substâncias têm princípios ativos muito similares àqueles que são usados na medicina, para tratar seres humanos.

"Na Europa, o Aspergillus já se mostra resistente e isso se deve ao uso dos tais fungicidas na agricultura, especialmente para proteger as plantações de tulipas na Holanda", revela.

Para evitar que esse problema cresça ainda mais, é preciso seguir por dois caminhos: incentivar o uso consciente desses fármacos e investir na pesquisa e no desenvolvimento de novas soluções.

A propósito, os fungos que atualmente causam o problema da mucormicose na Índia também já se mostram resistentes aos remédios e sinalizam um problema que pode afetar toda a humanidade nas próximas décadas.

28/05/2021 – Matinal Jornal – Roger Lerina

Link:https://www.matinaljornalismo.com.br/rogerlerina/agenda/america-latina-e-tema-do-coral-virtual-ufcspa-2021/

“América Latina é tema do Coral Virtual UFCSPA 2021

América Latina será o tema do Coral Virtual UFCSPA em 2021. Nesta segunda-feira (31/5), às 19h, acontece uma live em que o regente Marcelo Rabello dos Santos falará sobre os projetos do coral e os desafios técnicos e humanos de transformar um coral presencial em virtual. A transmissão será no canal do YouTube do Núcleo Cultural da UFCSPA

A viagem cultural começa pelo Uruguai. A canção Mi voz, tu voz, da compositora Mariana Ingold, com arranjo do regente Marcelo Rabello dos Santos, será apresentada no dia 1º de junho, nas redes sociais do Núcleo Cultural e do Coral UFCSPA.

Ingold é uma reconhecida instrumentista e cantora popular uruguaia, agraciada com diversos prêmios por suas obras. Autora de dezenas de discos de canções e de música instrumental para o público adulto e infantil, realizou ainda composições para teatro e vídeos educativos.

A canção Mi voz, tu voz, que inaugura as apresentações sobre a América Latina, é um exemplo de candombe, ritmo ouvido nas ruas e no carnaval uruguaio, no qual os tambores são predominantes. Marcante na cultura do país desde o século XVIII, quando colônia espanhola, surgiu no Uruguai com o tráfico de escravos vindos da África.

O Coral UFCSPA, desde o início da pandemia, exerce sua arte cantando virtualmente. Desde então, já foram realizadas sete apresentações com cerca de 100 participantes, que integraram pelo menos um dos vídeos produzidos. O regente do grupo reflete: “A abordagem do coral virtual, mantém a coesão e o compromisso com a música, ao invés de desagregar o grupo”.

28/05/2021 – Deutsche Welle (DW)

Link: https://www.dw.com/pt-br/%C3%A9-poss%C3%ADvel-participar-de-manifesta%C3%A7%C3%B5es-de-forma-segura-na-pandemia/a-57707183

“É possível participar de manifestações de forma segura na pandemia?

Organizações convocam protestos contra Jair Bolsonaro neste sábado. Participação em meio à pandemia provoca dilema entre ativistas. À DW Brasil, epidemiologistas avaliam o risco de contágio.

Movimentos sociais, centrais sindicais, políticos e ativistas do campo antibolsonarista convocaram para este sábado (29/05) atos em mais de cem cidades do país para pedir o impeachment do presidente e um auxílio emergencial de no mínimo R$ 600, após se debruçarem ao longo de meses sobre um dilema: deve-se abrir uma exceção ao isolamento social e ir às ruas contra Jair Bolsonaro durante a pandemia?

Guilherme Boulos, candidato a presidente em 2018 pelo PSOL e um dos defensores do ato, resumiu a decisão dizendo que "o governo mata mais que o vírus". Os organizadores definiram protocolos para orientar quem pode ou não ir aos protestos e lembram que as manifestações do movimento Black Lives Matter, que tomaram as ruas nos Estados Unidos após a morte de George Floyd, também ocorreram durante a pandemia.

Mas muitas pessoas que se opõem o presidente preferem não se arriscar agora, com receio de serem expostos ao vírus e contaminarem a si e a outras pessoas, em um momento em que o Brasil vive uma aceleração da pandemia  em todas as regiões do país e já tem um elevado número de novos casos e mortes diários e altas taxas de ocupação de leitos hospitalares. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Haddad, candidato a presidente em 2018, não se manifestaram sobre os atos deste sábado em suas redes sociais nesta semana.

Parte do campo contrário a Bolsonaro também receia que um eventual esvaziamento das manifestações seja usado pelo presidente a seu favor, quando a rejeição ao governo está em alta e alcançou um recorde de 59%, segundo pesquisa realizada pelo PoderData em 24 a 26 de maio – outros 35% aprovam o seu governo e 6% não opinaram.

Risco sanitário

Em condições ideais, ir a um espaço aberto com uma máscara de qualidade e bem ajustada ao rosto, mantendo o distanciamento social e sem falar alto nem gritar, expõe a pessoa um risco muito baixo de contaminação. Porém, é difícil garantir que esses procedimentos sejam seguidos durante uma manifestação com milhares de pessoas, diz Mel Markoski, professora de biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e integrante da Rede Análise Covid-19.

A chave nesses casos é o "comprometimento" das pessoas que irão às ruas, afirma, lembrando que após os protestos Black Lives Matter nos Estados Unidos, onde em geral as pessoas usavam máscaras, houve uma pequena alta de transmissão  da covid-19 no período posterior, "mas não de maneira tão drástica como se imaginava".

O risco de ir aos protestos é agravado pela atual situação da pandemia no Brasil, diz Markoski. "Estamos começando a entrar em uma onda muito perigosa, teríamos que esperar uma descida dela", afirma. Ela concorda com a pauta das manifestações e diz que é "direito da população fazer protestos", mas afirma que, do ponto de vista sanitário, este não é o melhor momento, e ficará em casa no sábado.

Comportamento ideal

A epidemiologista Carolina Coutinho, pesquisadora da EAESP/FGV, também afirma que ir a atos agora é "bastante complicado", especialmente nas cidades onde o número de casos e mortes está em patamar alto e têm seu sistema de saúde próximo do limite, mas "existem situações em que eles vão ser realizados".

Para quem for aos protestos consiga "evitar problemas para si e para sua comunidade", ela afirma ser necessário tomar diversas medidas, começando pela preparação. No cenário ideal, as pessoas deveriam fazer quarentena de 14 dias antes do evento, para diminuir a chance de se contaminar nesse período e passar o vírus para outras pessoas.

No deslocamento e durante o ato, usar uma máscara do tipo N95 ou PFF2 e não a retirar – "há máscaras do tipo bem baratas atualmente, entre R$ 2 e R$ 3". Também é importante manter o distanciamento social e ficar perto apenas das pessoas que moram no mesmo domicílio. "O ideal é que a manifestação ocorra em espaços muito grandes para que o distanciamento possa de fato ocorrer", diz. Ela recomenda levar álcool em gel para higienizar as mãos com frequência.

A pesquisadora também afirma que quem apresentou sintomas de covid-19 nos dias anteriores ao protesto não deve ir, assim como quem testou positivo há menos de dez dias. Após o ato, o ideal é quem for à manifestação fazer uma nova quarentena de 14 dias, para, caso tenha sido contaminado, não passar o vírus adiante. Orientações similares estão circulando entre os movimentos que convocam os atos.

"Mas, em um protesto, teremos muitas pessoas que não necessariamente vão atender a todas essas recomendações, e haverá pessoas concentradas em espaços pequenos", diz Coutinho.

Dilema político

O objetivo de reunir pessoas na rua em torno de uma causa ou pessoa é demonstrar a sua força, e apoiadores de Jair Bolsonaro têm feito isso frequentemente durante a pandemia, como em 15 de maio, em Brasília, ou no Rio de Janeiro no último domingo. O presidente é crítico às restrições ao isolamento social, e muitos participantes desses atos também não usam máscaras ou mantêm distanciamento.

A parcela antibolsonarista, porém, tende a aderir mais aos protocolos de cuidado com a pandemia e se preocupa mais com o risco de contaminação, o que prejudicará a comparação de forças, diz a cientista política Márcia Ribeiro Dias, professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). Ele vê um risco de que a manifestação do próximo sábado reúna poucas pessoas, e que isso será explorado por Bolsonaro.

"Pode ser que milhões quisessem ir às ruas, mas não irão por medo da contaminação. Pode ser um tiro pela culatra e revelar uma fragilidade que não existe, quando as pesquisas mostram que existe grande insatisfação na sociedade", diz Dias. "O presidente vai tentar passar uma ideia de 'Olha lá, tá vendo? Não tem ninguém insatisfeito, as pessoas não vão pra rua'."

Já para o cientista político Henrique Carlos de O. de Castro, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e coordenador da Pesquisa Mundial de Valores (World Values Survey) no Brasil, ir às ruas seria algo "imperativo" diante da conduta do governo no enfrentamento à pandemia e de um presidente "desrespeitoso com a vida".

Ele afirma que a presença dos jovens deverá definir o sucesso ou fracasso dos atos. "Os jovens têm como característica o desprendimento e a disposição de se doar por causas. Isso acontece no mundo inteiro. No Chile, foram os estudantes nas ruas, durante a pandemia, que estão ajudando a mudar a política daquele país", diz.

Para Castro, no momento em que o Brasil ruma para meio milhão de mortos pela covid-19, e com a "irresponsabilidade completa deste governo, não me parece que seja irresponsável jovens irem para as ruas protestar". O perigo maior, para ele, seria deixar o país seguir "da maneira que está andando".

27/05/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/05/reabilitacao-respiratoria-e-desafio-para-pacientes-pos-covid-ckp7a2rnr008j018m7dohadq8.html

"Reabilitação respiratória é desafio para pacientes pós-covid

Quem desenvolve a doença pode ter sintomas persistentes mesmo quando os quadros são leves

O conhecimento sobre a covid-19 avança com a pandemia, que já soma mais de 14 meses desde o decreto oficial da Organização Mundial de Saúde (OMS). Da pneumonia de origem viral verificada nos primeiros registros, a doença logo se provou uma ameaça ainda maior, classificada como sistêmica — enfermidade que pode acometer gravemente, além do pulmão, diversos outros órgãos, tecidos e funções. Restabelecer o bom funcionamento do aparelho respiratório está entre os grandes desafios dos profissionais da saúde na etapa da reabilitação.

Personagem essencial nas equipes multidisciplinares que assistem os infectados pelo coronavírus, o fisioterapeuta atua desde a admissão do paciente em ambiente hospitalar, no manejo dos suportes ventilatórios que auxiliam na respiração. O foco se amplia, ao longo da internação — monitorando também a ventilação invasiva, como o uso de respirador artificial, e não invasiva — e especialmente após o período na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para a recuperação funcional.

Quem desenvolve a covid-19 pode ter sintomas persistentes mesmo quando os quadros são leves. Hospitais e clínicas já organizam setores específicos para o tratamento pós-covid, focado no atendimento dos sintomas persistentes mais comuns: fadiga, dispneia (falta de ar), tosse, fraqueza, dores articulares, musculares, de cabeça e no peito. A fraqueza muscular pode ser periférica (braços e pernas) e respiratória, explica a fisioterapeuta Graciele Sbruzzi, chefe do Serviço de Fisioterapia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).

— O que interfere muito no período pós-alta é se o paciente passou ou não pela UTI. Quanto maiores o tempo de internação, o uso de ventilação mecânica, o uso de sedativos, bloqueadores neuromusculares e corticoides, tudo isso contribui para que ele tenha um quadro de fraqueza muscular mais acentuado do que os pacientes que não passaram pela UTI — destaca Graciele.

Rodrigo Plentz, professor do curso de Fisioterapia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UCSPA) e coordenador do Serviço de Fisioterapia da Santa Casa da Capital, explica que a musculatura respiratória também perde força e fica enfraquecida. O que faz o ar entrar e sair da caixa torácica são os músculos, que, debilitados, precisam ser recuperados.

— A capacidade de respirar fica menor, o paciente ventila menos. Percebe-se isso muito claramente quando a pessoa faz um esforço e precisa respirar, ventilar mais. Ela cansa mais, tem falta de ar — diz Plentz.

A maior parte dos pacientes apresenta redução na força muscular respiratória e na função pulmonar. No exame de espirometria, que verifica a quantidade de ar que uma pessoa consegue inspirar ou expirar, é muito frequente o resultado de distúrbio respiratório restritivo (redução na capacidade pulmonar). Estudo realizado no HCPA, em fase de finalização, apontou que 72% dos pacientes que têm alta hospitalar (todos com passagem por UTI) apresentam esse distúrbio e também fraqueza muscular respiratória e periférica.

— É muito alto — comenta Graciele sobre o percentual.

O plano terapêutico parte de uma avaliação do estado geral do indivíduo. Considerando-se todas as sequelas mais comuns, a reabilitação se baseia em uma tríade de treinos: aeróbio (caminhada leve ou bicicleta), de força (neuromuscular, com pesos ou caneleiras) e da musculatura respiratória (um equipamento faz o paciente inspirar oferecendo alguma resistência, sendo ajustável de acordo com a força muscular respiratória de cada um). A frequência e o tipo de abordagem também dependerão de como a pessoa se sente e do que pode fazer.

— Para alguns, uma caminhada de cinco minutos é muito esforço. Às vezes, tem pacientes tão graves que, ao começar a fisioterapia, dessaturam (sofrem redução na saturação de oxigênio no sangue). Tem quem faz o treino aeróbio em um dia e o de força no outro, enquanto outros conseguem tudo em um mesmo dia — exemplifica a fisioterapeuta.

A evolução do tratamento de reabilitação depende da gravidade do quadro — há escalas para medir esse fator.

— Quanto mais grave o paciente estiver ao chegar, mais tempo leva na recuperação. Os resultados podem demorar a aparecer, dependendo do caso. Tem que olhar como está a parte cardíaca, pedir hemograma para ver se não tem uma anemia, que interfere no exercício, perda de peso. Um profissional de nutrição pode ter que acompanhar. Também temos visto muito a prevalência de distúrbios neuropsiquiátricos, como depressão, ansiedade, estresse pós-traumático, alteração de sono. Se não tratar a parte neuropsíquica, vai interferir no exercício também — comenta Graciele.

Sobre a reabilitação respiratória, Plentz complementa:

— Se teve forma leve de covid-19, o paciente se recupera mais rápido, em torno de quatro semanas. Forma moderada, oito semanas. Forma grave, meses. Isso se ele aderir ao tratamento. A grande maioria não faz."

26/05/2021 – Diário Gaúcho

http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/05/para-conter-nova-onda-de-covid-19-rs-pretende-ampliar-testagem-e-rastrear-contatos-de-doentes-19940150.html

“Para conter nova onda de covid-19, RS pretende ampliar testagem e rastrear contatos de doentes

Iniciativa destinada a reforçar controle sobre a pandemia deverá começar em 1º de junho

Marcelo Gonzatto

Diante do risco de outra onda da pandemia, o governo do Estado pretende colocar em prática novas medidas de combate ao coronavírus, como ampliar o monitoramento de novos casos de covid-19 nas regiões mais atingidas e sobre a circulação de variantes.

Uma das iniciativas, a ser implantada a partir do dia 1º de junho, é um programa de reforço na testagem com rastreamento das pessoas que tiveram contato com os doentes identificados. A intenção é interromper a cadeia de contágio por meio do isolamento desses indivíduos.

 Segundo a secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, a aplicação dessa metodologia será feita inicialmente com 35 mil testes rápidos de antígeno — que permitem resultado em poucos minutos, mas são menos sensíveis do que outro exame disponível, chamado PCR. Esse lote inicial, que equivale a pouco menos de 1% de todos os testes aplicados desde o começo da pandemia, será enviado principalmente para regiões que estejam enfrentando um avanço mais acelerado da covid-19, como cidades do Noroeste.

— Vamos enviar os testes para regiões com maior aumento (de casos), para testar os sintomáticos e monitorar os contatantes. Esperamos que esse projeto possa ir além dos municípios e alcançar também algum setor específico que queiramos, como a educação, conforme a importância epidemiológica — revela Arita.

Segundo a Secretaria Estadual da Saúde (SES), além dos 35 mil kits iniciais, o Estado deverá receber uma parcela ainda não definida de um estoque de 2,4 milhões do Ministério da Saúde e adquirir outros por conta própria. O rastreamento de quem teve contato com pessoas com coronavírus é uma antiga recomendação feita por especialistas em saúde como forma de ampliar o controle sobre a pandemia e interromper a cadeia de transmissão da doença.

O infectologista Ronaldo Hallal, membro do Comitê Covid-19 da Sociedade Riograndense de Infectologia, lembra que os testes de antígeno têm uma sensibilidade inferior em comparação aos exames de PCR.

— Ele é menos sensível que o PCR principalmente em assintomáticos e nos primeiros três a cinco dias do início dos sintomas. O recomendável é usar a metodologia PCR não só para populações específicas, mas na rede de saúde como um todo — observa.

Para reduzir o risco de falsos resultados negativos, a secretária de Saúde garante que serão realizados exames mais precisos de PCR em todos aqueles que o teste rápido não reconhecer o coronavírus, mas demonstrarem sintomas compatíveis. Hallal avalia como fundamental que esse segundo nível de verificação seja feito, além da ampla disponibilidade de testes na rede de saúde.

A estratégia da SES para tentar conter uma nova onda da covid-19 inclui ainda um reforço já realizado nos exames genéticos feitos por amostragem para identificar a eventual presença de novas variantes em circulação no Rio Grande do Sul, como a cepa indiana encontrada há pouco no Brasil e em países próximos como a Argentina.

A nova edição do boletim genômico estadual, com divulgação prevista para esta quarta-feira (26), já traz resultados desse maior esforço para tentar identificar precocemente novas variações do vírus no Estado. Foram analisadas 516 amostras de regiões de “especial interesse”, que alcançaram 112 municípios gaúchos — boa parte deles em zona de fronteira, por onde podem chegar essas variantes, e cidades do Noroeste já com crescimento significativo de casos.

O documento, conforme informações preliminares obtidas por GZH, indica que, em relação ao mês de maio, “a totalidade dos exames avaliados são atribuíveis à VOC (variantes de preocupação) P.1”. Ou seja, a mutação que começou a se alastrar em solo gaúcho no final do ano passado e foi vinculada ao pico da pandemia registrado entre fevereiro e março, hoje é praticamente absoluta. A possibilidade de um maior controle sanitário nas áreas de fronteiras seria discutida em uma reunião entre representantes da SES e de prefeituras gaúchas também nesta quarta.

Em relação à capacidade hospitalar, caso o número de internações siga subindo no RS, Arita sustenta que o Estado voltará a colocar em prática o nível 4 do plano estadual de contingência se a ocupação das UTIs novamente ultrapassar 90% de uso (nesta quarta, estava em 82%). Isso resultaria em ações como o cancelamento de cirurgias eletivas e o uso de estruturas como salas de recuperação para atender pacientes graves de covid-19.

A secretária informa ainda que serão adquiridos novos kits de medicamentos para intubação por meio da assinatura de um convênio com o Unops, um braço da ONU especializado em infraestrutura, compras e gestão, na próxima semana. 

Especialistas destacam importância de barrar circulação do vírus

Além de ações como ampliação de testagem, especialistas em saúde consideram fundamental a adoção de restrições à circulação nas áreas mais afetadas pelo vírus para evitar que se consolide uma nova onda da pandemia no Estado.

A avaliação é de que os gaúchos seguem sob a ameaça do coronavírus porque jamais conseguiram reduzir a transmissão do vírus a níveis minimamente seguros antes de retomar atividades e a mobilidade. Por isso, o Estado já passou por três ciclos de crescimento da doença (embora, em nível nacional, sejam dois) e corre risco de um quarto repique.

— Ainda sofremos as consequências da falta de uma resposta vigorosa à pandemia. Nunca reduzimos a contaminação de forma intensa, como é recomendado, para retomar atividades econômicas e escolares — observa o infectologista Ronaldo Hallal.

Nós costumamos agir tarde e flexibilizar as medidas de restrição muito cedo

LUCIA PELLANDA

Professora de Epidemiologia

Para voltar às atividades cotidianas sem agravamento da covid-19, o ideal é derrubar significativamente o grau de transmissão do vírus ao longo de duas a três semanas, ou contar com uma proporção de exames positivos inferior a 5%. No Estado, esse percentual costuma variar sempre acima de 20%.

Professora de Epidemiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda afirma que a hora de se adotar medidas mais duras contra a covid-19 era duas semanas atrás, quando os indicadores de novos casos já apontavam para a retomada do crescimento.

— Nós costumamos agir tarde e flexibilizar as medidas de restrição muito cedo. A questão é que as pessoas precisariam ter maior suporte econômico para poder ficar em casa mais tempo antes de reabrir tudo. Não adianta só falar que precisa ficar em casa — pondera Lucia.

A secretária estadual de Saúde, Arita Bergmann, afirma que o Estado mantém o monitoramento constante da situação epidemiológica de todas as regiões e, pelo novo sistema 3 As, emite avisos e alertas de agravamento que podem exigir a apresentação de planos de ação por parte das prefeituras — em um modelo de gestão mais compartilhada com os gestores locais em comparação ao antigo modelo de distanciamento controlado.

— Cada região tem de mostrar as medidas que vai adotar para restringir a propagação do vírus, além de seguir protocolos mínimos — diz Arita.”

26/05/2021 – Sul 21

https://www.sul21.com.br/ultimas-noticias/geral/2021/05/professores-reclamam-de-mascaras-contra-a-covid-19-distribuidas-pelo-governo-do-estado/

“Professores reclamam de máscaras contra a covid-19 distribuídas pelo governo do Estado

Luciano Velleda

Há cerca de um mês, quando o governador Eduardo Leite (PSDB) mudou todas as regiões do Rio Grande do Sul da bandeira preta para a vermelha com a finalidade de driblar a Justiça e retomar as aulas presencias, a comunidade escolar já reclamava das difíceis condições que enfrentaria na reabertura das escolas. Entre questões de ventilação e higienização, as máscaras eram um dos principais problemas apontados por professores e funcionários de escola, junto com a vacinação. A reclamação se referia à baixa qualidade dos equipamentos distribuídos pelo governo estadual na rede pública.

“Tem escolas com janela emperrada, com basculantes que não são apropriadas para a circulação do ar. O governo nos entregou máscaras de péssima qualidade e tapete sanitizante, como se isso bastasse pra evitar o contágio. O governo simplesmente nos joga, junto com os alunos, pra dentro das salas de aula”, afirmou, na ocasião, Helenir Aguiar Schürer, presidenta do Cpers.

Um mês depois, a insatisfação permanece a mesma. Nas redes sociais, professores criticam a qualidade das máscaras de pano oferecidas pelo governo Leite. No dia 6 de maio, a deputada estadual Luciana Genro (PSOL) enviou ofício à secretária estadual da Educação, Raquel Teixeira, solicitando a distribuição de máscaras do modelo PFF2 ou N95 para professores e funcionários de escola.

“Segundo estudos, as máscaras PFF2/N95 são consideradas as mais seguras, por garantir uma maior vedação do rosto, conseguindo filtrar de maneira eficaz as partículas do vírus que, normalmente, se espalham pelo ar, quando há tosses ou espirros”, justificou a deputada no documento.

Cerca de 20 dias depois, a parlamentar ainda não recebeu resposta oficial da Secretaria Estadual de Educação (Seduc). Em contato com a reportagem do Sul21, a Seduc confirmou, nesta quarta-feira (26), não haver novidade com relação à demanda dos educadores pelo recebimento de máscaras melhores.

“É um descaso com a comunidade escolar depois da pressão pela volta às aulas e todo o discurso das medidas sanitárias”, critica Luciana Genro. “Quando se vê as máscaras, que é o principal instrumento de prevenção, são máscaras frouxas de pano que não adiantam, o resultado é muito diferente de uma máscara de qualidade.”

Luciana acredita que o único caminho para o governo rever sua posição é a pressão constante dos professores, Cpers e parlamentares. A deputada até considera não ser uma PFF2, desde que sejam máscaras de melhor qualidade.

Usar máscara boa foi a opção da secretária Raquel Teixeira, quando visitou duas escolas estaduais em Porto Alegre, no começo de maio. Na ocasião, ela esteve na Escola Duque de Caxias, localizada no bairro Azenha, e na Escola Gomes Carneiro, na Zona Norte, para conferir os preparativos nos primeiros dias de retorno das aulas presenciais.

“Nós queremos mostrar para a sociedade que a escola pode ser um ambiente controlado”, disse a secretária, destacando os protocolos sanitários, o uso de máscaras e o distanciamento.

Opções de proteção

A reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda, pondera que por não haver recomendação oficial de nenhum órgão sobre o uso de máscara PFF2 para a comunidade escolar, pode haver dificuldade da compra via licitação. Todavia, diz ser importante informar os professores e funcionários de escola de que o modelo é a opção mais segura, tem baixo preço e uma produção nacional suficiente.

“É a melhor opção, mas outras opções são bem razoáveis também. O bom da PFF2 é que ela realmente protege a pessoa que usa. Então, numa situação como numa escola, que tem uma certa aglomeração e contato com muitas pessoas, muitas vezes em ambiente fechado e, principalmente, em transporte público, ela é a melhor opção”, explica.

Se não for possível usar uma PFF2, a reitora da UFCSPA sugere como opção a máscara cirúrgica, com o devido cuidar em ajustar bem no rosto para não deixar passar o ar. Se o ajuste for difícil, a dica é colocar uma de pano por cima da cirúrgica. “Essa seria uma segunda opção bem boa”, diz.

A terceira opção, explica Lucia, é uma máscara de pano tripla, igualmente bem ajustada no rosto. “De todas as variáveis da máscara, a mais importante é essa, não deixar escapar o ar, não ficar espaço entre o rosto e a máscara que permita a passagem do vírus.”

26/05/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/05/para-conter-nova-onda-de-covid-19-rs-pretende-ampliar-testagem-e-rastrear-contatos-de-doentes-ckp5scwyx004r0180ne91urm8.html

"Para conter nova onda de covid-19, RS pretende ampliar testagem e rastrear contatos de doentes

Iniciativa destinada a reforçar controle sobre a pandemia deverá começar em 1º de junho

Diante do risco de outra onda da pandemia, o governo do Estado pretende colocar em prática novas medidas de combate ao coronavírus, como ampliar o monitoramento de novos casos de covid-19 nas regiões mais atingidas e sobre a circulação de variantes.

Uma das iniciativas, a ser implantada a partir do dia 1º de junho, é um programa de reforço na testagem com rastreamento das pessoas que tiveram contato com os doentes identificados. A intenção é interromper a cadeia de contágio por meio do isolamento desses indivíduos.

Segundo a secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, a aplicação dessa metodologia será feita inicialmente com 35 mil testes rápidos de antígeno — que permitem resultado em poucos minutos, mas são menos sensíveis do que outro exame disponível, chamado PCR. Esse lote inicial, que equivale a pouco menos de 1% de todos os testes aplicados desde o começo da pandemia, será enviado principalmente para regiões que estejam enfrentando um avanço mais acelerado da covid-19, como cidades do Noroeste.

— Vamos enviar os testes para regiões com maior aumento (de casos), para testar os sintomáticos e monitorar os contatantes. Esperamos que esse projeto possa ir além dos municípios e alcançar também algum setor específico que queiramos, como a educação, conforme a importância epidemiológica — revela Arita.

Segundo a Secretaria Estadual da Saúde (SES), além dos 35 mil kits iniciais, o Estado deverá receber uma parcela ainda não definida de um estoque de 2,4 milhões do Ministério da Saúde e adquirir outros por conta própria. O rastreamento de quem teve contato com pessoas com coronavírus é uma antiga recomendação feita por especialistas em saúde como forma de ampliar o controle sobre a pandemia e interromper a cadeia de transmissão da doença.

O infectologista Ronaldo Hallal, membro do Comitê Covid-19 da Sociedade Riograndense de Infectologia, lembra que os testes de antígeno têm uma sensibilidade inferior em comparação aos exames de PCR.

— Ele é menos sensível que o PCR principalmente em assintomáticos e nos primeiros três a cinco dias do início dos sintomas. O recomendável é usar a metodologia PCR não só para populações específicas, mas na rede de saúde como um todo — observa.

Para reduzir o risco de falsos resultados negativos, a secretária de Saúde garante que serão realizados exames mais precisos de PCR em todos aqueles que o teste rápido não reconhecer o coronavírus, mas demonstrarem sintomas compatíveis. Hallal avalia como fundamental que esse segundo nível de verificação seja feito, além da ampla disponibilidade de testes na rede de saúde.

A estratégia da SES para tentar conter uma nova onda da covid-19 inclui ainda um reforço já realizado nos exames genéticos feitos por amostragem para identificar a eventual presença de novas variantes em circulação no Rio Grande do Sul, como a cepa indiana encontrada há pouco no Brasil e em países próximos como a Argentina.

A nova edição do boletim genômico estadual, com divulgação prevista para esta quarta-feira (26), já traz resultados desse maior esforço para tentar identificar precocemente novas variações do vírus no Estado. Foram analisadas 516 amostras de regiões de “especial interesse”, que alcançaram 112 municípios gaúchos — boa parte deles em zona de fronteira, por onde podem chegar essas variantes, e cidades do Noroeste já com crescimento significativo de casos.

O documento, conforme informações preliminares obtidas por GZH, indica que, em relação ao mês de maio, “a totalidade dos exames avaliados são atribuíveis à VOC (variantes de preocupação) P.1”. Ou seja, a mutação que começou a se alastrar em solo gaúcho no final do ano passado e foi vinculada ao pico da pandemia registrado entre fevereiro e março, hoje é praticamente absoluta. A possibilidade de um maior controle sanitário nas áreas de fronteiras seria discutida em uma reunião entre representantes da SES e de prefeituras gaúchas também nesta quarta.

Em relação à capacidade hospitalar, caso o número de internações siga subindo no RS, Arita sustenta que o Estado voltará a colocar em prática o nível 4 do plano estadual de contingência se a ocupação das UTIs novamente ultrapassar 90% de uso (nesta quarta, estava em 82%). Isso resultaria em ações como o cancelamento de cirurgias eletivas e o uso de estruturas como salas de recuperação para atender pacientes graves de covid-19.

A secretária informa ainda que serão adquiridos novos kits de medicamentos para intubação por meio da assinatura de um convênio com o Unops, um braço da ONU especializado em infraestrutura, compras e gestão, na próxima semana. 

Especialistas destacam importância de barrar circulação do vírus

Além de ações como ampliação de testagem, especialistas em saúde consideram fundamental a adoção de restrições à circulação nas áreas mais afetadas pelo vírus para evitar que se consolide uma nova onda da pandemia no Estado.

A avaliação é de que os gaúchos seguem sob a ameaça do coronavírus porque jamais conseguiram reduzir a transmissão do vírus a níveis minimamente seguros antes de retomar atividades e a mobilidade. Por isso, o Estado já passou por três ciclos de crescimento da doença (embora, em nível nacional, sejam dois) e corre risco de um quarto repique.

— Ainda sofremos as consequências da falta de uma resposta vigorosa à pandemia. Nunca reduzimos a contaminação de forma intensa, como é recomendado, para retomar atividades econômicas e escolares — observa o infectologista Ronaldo Hallal.

Para voltar às atividades cotidianas sem agravamento da covid-19, o ideal é derrubar significativamente o grau de transmissão do vírus ao longo de duas a três semanas, ou contar com uma proporção de exames positivos inferior a 5%. No Estado, esse percentual costuma variar sempre acima de 20%.

Professora de Epidemiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda afirma que a hora de se adotar medidas mais duras contra a covid-19 era duas semanas atrás, quando os indicadores de novos casos já apontavam para a retomada do crescimento.

— Nós costumamos agir tarde e flexibilizar as medidas de restrição muito cedo. A questão é que as pessoas precisariam ter maior suporte econômico para poder ficar em casa mais tempo antes de reabrir tudo. Não adianta só falar que precisa ficar em casa — pondera Lucia.

A secretária estadual de Saúde, Arita Bergmann, afirma que o Estado mantém o monitoramento constante da situação epidemiológica de todas as regiões e, pelo novo sistema 3 As, emite avisos e alertas de agravamento que podem exigir a apresentação de planos de ação por parte das prefeituras — em um modelo de gestão mais compartilhada com os gestores locais em comparação ao antigo modelo de distanciamento controlado.

— Cada região tem de mostrar as medidas que vai adotar para restringir a propagação do vírus, além de seguir protocolos mínimos — diz Arita."

25/05/2021 – Revista News

https://revistanews.com.br/2021/05/25/medico-gaucho-e-destaque-em-congresso-internacional/

Médico gaúcho é destaque em Congresso Internacional

Neste domingo (23/05), o médico Júlio Pereira Lima, chefe do serviço de endoscopia SUS da Santa Casa e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), foi responsável por mais um grande momento para a medicina gaúcha, ao ministrar uma aula em um dos mais importantes eventos de gastroeterologia do mundo.

Para Pereira Lima, “é uma honra participar como professor num evento da envergadura da Semana Americana de Doenças Digestivas, promovida pela Sociedade Americana de Endoscopia Biliar e Sociedade Interamericana de Endoscopia, um privilégio que apenas cinco médicos brasileiros tiveram”. Neste ano, o evento, que ocorre anualmente, foi realizado na modalidade digital, reunindo em torno de 15 mil pessoas.

24/05/2021 – Portal Setor Saúde

https://setorsaude.com.br/medico-da-santa-casa-e-destaque-em-congresso-internacional-de-gastroenterologia/

“Médico da Santa Casa é destaque em Congresso Internacional de Gastroenterologia

"É uma honra participar como professor num evento da envergadura da Semana  Americana de Doenças Digestivas", diz o médico Júlio Pereira Lima

Neste domingo (23/05), o médico Júlio Pereira Lima, chefe do serviço de endoscopia SUS da Santa Casa e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), foi responsável por mais um grande momento para a medicina gaúcha, ao ministrar uma aula em um dos mais importantes eventos de gastroenterologia do mundo.

Para Pereira Lima, “é uma honra participar como professor num evento da envergadura da Semana Americana de Doenças Digestivas, promovida pela Sociedade Americana de Endoscopia Biliar e Sociedade Interamericana de Endoscopia, um privilégio que apenas cinco médicos brasileiros tiveram”.

Neste ano, o evento, que ocorre anualmente, foi realizado na modalidade digital, reunindo em torno de 15 mil pessoas entre os dias 21 e 23 de maio.”

20/05/2021 – G1 | Globoplay - TV

Link para o vídeo: https://globoplay.globo.com/v/9531364/

Entidades oferecem teleatendimento para pessoas com sintomas de Covid-19 em Porto Alegre

Médicos da Santa Casa de Misericórdia e UFCSPA vão esclarecer dúvidas sobre os sintomas e auxiliar pacientes para condutas adequadas referentes ao coronavírus.

20/05/2021 – UOL | Blog da Lúcia Helena

Link:https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/lucia-helena/2021/05/20/3-grandes-avancos-e-9-tremendos-enigmas-da-imunologia-diante-da-pandemia.htm

"2 grandes avanços e 4 tremendos enigmas da imunologia diante da pandemia

Linfócitos, neutrófilos, anticorpos, IgG, IgM, imunidade celular, memória imunológica, antígeno, tempestade de citocinas...

De repente, expressões usadas por quem sempre investigou as nossas defesas caíram na boca do povo. Dá até a impressão de que quase não se fala de outra coisa.

Em qualquer roda de conversa, se duvidar, logo alguém começa a comparar a porcentagem de eficácia das vacinas com ares de doutor — fenômeno surpreendente, porque não me lembro de termos a mínima curiosidade sobre quantos por cento funcionaria aquela picadinha tomada na infância e, diga-se, ela não traiu a nossa confiança, então alheia aos números. Mas o que uma pandemia não faz, não é mesmo?

O fato é que a covid-19 colocou uma área das ciências da saúde sob holofotes: a imunologia. Hoje, todos se interessam pelas últimas que os imunologistas têm para nos contar, o que é compreensível. Diria mais: é merecido.

A avalanche de notícias sobre pesquisas é porção ínfima do que está sendo publicado sobre essa praga provocada pelo novo coronavírus. E a contribuição da ciência brasileira tem feito total diferença, reconhecida mundo afora.

"Por isso, já estava mais do que na hora de ter um evento científico reunindo tudo o que estamos fazendo em várias frentes — da epidemiologia à pesquisa de vacinas nacionais, passando pelo entendimento do que acontece com o organismo, pelos testes de diagnóstico, pelos novos tratamentos e muito mais", conta Ricardo Gazzinelli, presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia, que resolveu organizar o workshop on-line "A pandemia covid-19: o que os cientistas brasileiros estão fazendo".

O evento, que está com inscrições abertas, acontecerá entre os dias 31 deste mês e 2 de junho e contará com os principais nomes da imunologia no país, a começar pelo próprio Gazzinelli, que é pesquisador da Fiocruz, além de professor da Universidade Federal de Minas Gerais e da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP).

Em vez de antecipar o que será apresentado, resolvi perguntar o seguinte ao imunologista e a três de seus colegas que estarão no workshop: quais seriam bons exemplos de avanços, desses que chegam para ficar? E que enigmas ainda quebram as maiores cabeças da imunologia?

Vacinas para várias outras doenças

As novas vacinas foram citadas por todos os imunologistas como o maior avanço nestes tempos. E não só pelo motivo óbvio, que é o de elas serem ferramenta fundamental para derrubarmos a transmissão da covid-19 e terem sido desenvolvidas em um zás-trás.

Segundo Ricardo Gazzinelli, se ficar comprovado que as vacinas de RNA, como a da Pfizer, estão funcionando bem — e tudo indica que sim —, será mais fácil produzir imunizantes daqui para a frente. "Ora, é bem mais simples sintetizar uma fita de RNA do que fazer um vírus, como a influenza da gripe, crescer em laboratório, precisando de milhões de ovos para isso", justifica. "Daí que muitas vacinas já existentes deverão ser substituídas por outras, que usarão essa tecnologia."

E não só isso, como lembra o imunologista Luiz Vicente Rizzo, diretor superintendente do Instituto de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, em São Paulo: "Com essas plataformas de agora, que usam informação genética, podemos esperar vacinas não só contra infecções por vírus, protozoários e bactérias, mas também contra o câncer e as doenças autoimunes", acredita.

"O que torna tudo mais emocionante é que, no fundo, nunca achamos que as vacinas de RNA mensageiro dariam certo", admite a professora Cristina Bonorino, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Ela explica por que ninguém botava fé: "O RNA costuma ser tão instável que, como a gente brinca, só de olhar para ele, já era".

A instabilidade foi solucionada colocando essa molécula dentro de uma cápsula nanométrica de lipídeo. "Ela o protege e o conduz para dentro das nossas células", descreve a imunologista. "Sem contar que existe uma possibilidade de que a própria cápsula atice as nossas defesas, melhorando ainda mais a resposta à vacina."

Anticorpos monoclonais contra vírus

Já estão em reta final os testes para aplicar anticorpos criados em laboratório, os tais monoclonais, que no caso são sob medida para se ligarem ao Sars-CoV 2. "Os remédios antivirais que já existiam nas prateleiras não funcionaram tão bem na covid-19", lamenta Ricardo Gazzinelli. "Portanto, tudo leva a crer que os primeiros medicamentos efetivos para barrar o vírus serão esses anticorpos, que devem ser prescritos no momento da hospitalização", afirma.

A limitação é que anticorpos monoclonais, como os usados no tratamento de alguns cânceres, costumam ser bem caros.

Como então poderiam ser úteis em uma situação de pandemia? "Existe a questão de preço, mas lembre-se que, no câncer, a pessoa precisa receber anticorpos monoclonais por um longo período, a cada semana ou a cada duas semanas ", compara o professor. "Mas, no caso da covid-19, serão duas ou três doses apenas."

Quanto tempo dura a memória das defesas? Eis aí um belo enigma. "Esta é a minha maior curiosidade", afirma Ricardo Gazzinelli. Entenda: os imunologistas sempre olharam para os anticorpos, deduzindo pela sua presença que uma pessoa já estaria protegida contra determinada infecção. "Mas, no caso da covid-19, já vimos indivíduos que, depois de um tempo, não apresentavam mais anticorpos e que continuavam imunes", conta.

Luiz Vicente Rizzo. "Afinal, estimamos que nenhum ser humano nascido vivo nos próximos oito anos deixará de ser infectado."

Um dos motivos por que ninguém sabe quanto tempo dura a imunidade depois da infecção ou até após a vacina é fácil de entender: não correu tempo suficiente para a gente ver no que vai dar. Uma outra razão, porém, é mais complexa: "É possível que, em alguns indivíduos, o vírus dê um jeito de escapar das células que poderiam gerar a memória da infecção", diz Rizzo. Por enquanto, não há certezas.

Dá para confiar em imunidade de rebanho?

Ninguém crava o número mágico de pessoas que precisariam ter sido infectadas para reestabelecer uma certa tranquilidade. Se esse número de fato existe, ele continua sendo um mistério.

Vice-diretor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, o biólogo Helder Nakaya tem lá suas dúvidas. "Quando o organismo é infectado uma primeira vez, ele forma anticorpos que desaparecem depois de algum tempo. Mas o bom é que o sistema imune aproveita o contato com o agente infeccioso para formar a famosa memória e, se houver uma segunda infecção, ele armará suas defesas depressa", explica. "No entanto, já existem evidências de que o Sars-CoV 2 é capaz de, em alguns casos, infectar as próprias células imunológicas que ajudariam a formar a tal memória."

Ou seja, se essa hipótese se confirmar, quem é infectado pelo coronavírus voltaria sempre à estaca zero em matéria de risco de pegar a covid-19. E só a vacina, então, daria jeito pra valer.

Existiriam sequelas no sistema imune?

Mais um enigma: "Muito se fala dos efeitos da covid-19 a longo prazo no coração, nos pulmões, em diversos órgãos", diz o professor Nakaya. "No entanto, falta saber se existiriam sequelas imunológicas."

Elas acontecem em outros quadros infecciosos. O sarampo, por exemplo, é capaz de provocar uma espécie de amnésia imunológica. "Se alguém tem caxumba, adquire uma imunidade de longo prazo contra essa doença. Mas o sarampo é capaz de apagar essa memória, correndo o risco de a pessoa, um dia, pegar caxumba de novo."

Já quem sofreu um choque séptico por causa de alguma infecção grave pode até sobreviver e voltar para casa, só que carregando uma imunossupressão e tornando-se vulnerável a todo tipo de doença infecciosa. "Claro que é pura especulação dizer que algo assim pode acontecer com a covid-19. Mas o fato é que essa hipótese ainda precisa ser investigada", diz o professor.

Para Luiz Vicente Rizzo, porém, a probabilidade de isso acontecer é pequena e outras sequelas — as cardíacas e as neurológicas — deveriam preocupar bem mais. "Afinal, elas aparecem em cerca de 30% dos pacientes", informa.

O que as crianças têm de especial?

Esta é a pergunta que a professora Cristina Bonorino vem se fazendo há algum tempo — inclusive, ela desenvolve pesquisas para tentar respondê-la. Muitos nutriram a fantasia de que a criançada não pegava a covid-19. "Com essa ideia, há relatos de pais que tiveram a infecção, mas que na ocasião nem levaram os filhos pequenos para fazer o teste", conta a imunologista.

Na realidade, as crianças costumam ter uma carga viral bastante alta do Sars-CoV 2 quando são infectadas. Por que razão, então, não manifestam a doença? Quem souber explicar achará um caminho para novos tratamentos. Por enquanto, só resta esperar a imunologia traçá-lo."

20/05/2021 – Portal Camaquã

Link:https://www.portaldecamaqua.com.br/noticias/29460/nota-das-universidades-pu-769-blicas-e-dos-institutos-federais-gau-769-chos-a-768-sociedade.html

"Nota das universidades públicas e dos institutos federais gaúchos à sociedade

Enfrentamento da COVID-19

As universidades e os institutos federais gaúchos estão contribuindo de forma intensiva para o enfrentamento da pandemia relacionada à COVID-19 em nosso estado. Uma grande parte de nossas comunidades está envolvida diretamente na assistência em saúde, em pesquisas essenciais, produção de testes e equipamentos, além de ações educativas para toda a sociedade.

Os hospitais universitários e de ensino são fundamentais para a assistência à saúde de nossa população, assim como a nossa presença em diversos outros pontos da rede do Sistema Único de Saúde.

Nos países que conseguiram obter melhor controle da pandemia, foi fundamental o  engajamento da população em medidas de distanciamento, uso de máscaras e outros cuidados de prevenção. Isso demonstra a importância da educação pública de qualidade e acessível a todos para o desenvolvimento do país.

Temos continuamente apontado a necessidade de ampliar os investimentos em Educação e Ciência, que vêm sendo drasticamente reduzidos, como forma de fortalecer o protagonismo internacional do País na produção de tecnologia e em inovação,  possibilitando o enfrentamento de grandes problemas nacionais. O grupo de universidades e institutos federais gaúchos vem, também, enfatizando a importância de nossas instituições para o desenvolvimento regional.

Apesar de todas as dificuldades políticas, econômicas, sociais e sanitárias dos últimos anos, continuamos cumprindo a nossa missão institucional e promovendo a necessária transformação social do Brasil. No entanto, os cortes orçamentários sofridos em

2021 nas áreas de Educação, Ciência e Tecnologia colocam em sério risco a própria viabilidade das nossas instituições. Neste momento, conclamamos a sociedade para defender a necessária recomposição do orçamento, pois as universidades e os institutos federais não podem parar.

A retomada das atividades presenciais de universidades e institutos federais, pela característica de promover o deslocamento de estudantes de muitos municípios, estados e até países diferentes, pode trazer, neste momento, riscos adicionais ao recrudescimento da COVID-19 para o estado. Por isso, o retorno gradativo deverá ser planejado com segurança e com protocolos atualizados, embasados cientificamente, e de acordo com as condições epidemiológicas e sanitárias.

Ressaltamos que o momento é de cuidado, pois o estado está vivendo uma possível reversão de tendência, com aumento dos indicadores de novos casos, sintomas e internações clínicas.

Embora com melhora dos indicadores de ocupação de UTIs e óbitos, esses são indicadores mais tardios, e continuamos em níveis preocupantes, acima dos picos observados em 2020 e com a transmissão do vírus ainda distante de ser controlada.

O aumento da mobilidade nas últimas semanas e a exaustão de muitos segmentos da sociedade, com consequente relaxamento das medidas preventivas, podem levar a um recrudescimento do quadro epidemiológico. É importante manter a comunicação intensiva em saúde para a redução do risco, especialmente enfatizando a importância da prevenção da transmissão respiratória, o que inclui uso de máscaras, distanciamento e ventilação dos ambientes.

As reitoras e os reitores unem-se ao apelo da sociedade para uma vacinação rápida para todas as pessoas, associada à manutenção das medidas de distanciamento, testagem, isolamento e comunicação.

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha – IFFAR

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – IFRS

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense – IFSul

Universidade Estadual do Rio Grande do Sul – UERGS

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre – UFCSPA

Universidade Federal do Rio Grande – FURG

Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS

Universidade Federal de Santa Maria – UFSM

Universidade Federal de Pelotas – UFPel

Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA"

19/05/2021 – O Sul

Link:https://www.osul.com.br/porto-alegre-passa-a-oferecer-teleconsultas-gratuitas-para-pessoas-com-suspeita-de-coronavirus/

“Porto Alegre passa a oferecer teleconsultas gratuitas para pessoas com suspeita de coronavírus

A partir desta quinta-feira (20), a prefeitura de Porto Alegre oferece gratuitamente orientações e consultas à distância para pessoas com sintomas de contágio por coronavírus. O atendimento será prestado por equipes multidisciplinares formadas por médicos da Santa Casa de Misericórdia e acadêmicos da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), parceiras da iniciativa.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), serão disponibilizados suporte pela Vigilância em Saúde e acesso ao sistema de gerenciamento de consultas (Gercon), possibilitando assim a emissão de “vouchers” que autorizam a realização de exames em laboratórios credenciados, quando necessário. A despesa será coberta pela pasta.

Todo o sistema é baseado na plataforma Conexão Santa Casa, ferramenta de telemedicina desenvolvida pela instituição. O sistema tem registro digital apropriado e seguro, seguindo as regras do Conselho Federal de Medicina quanto à confidencialidade, privacidade e garantia de sigilo profissional das informações. Os dados são compartilhados com a Secretaria Municipal de Saúde.

Como funciona

Ao acessar o site Conexão Santa Casa (telemedicina.santacasa.org.br), a pessoa faz o cadastro e passa primeiro pela teleorientação, em formato de videoconferência. Por celular, notebook ou computador comum, por exemplo. O atendimento das teleconsultas e teleorientações será feito de segunda a sexta-feira, sempre das 8h às 20h.

Nesta etapa, são compartilhadas informações gerais sobre o coronavírus e uma primeira entrevista é realizada por acadêmicos de cursos de graduação na área da saúde, supervisionados por professores da Universidede. Ou seja, ainda não se trata da consulta propriamente dita.

O passo seguinte é a teleconsulta, com atendimento feito à distância por médicos, em sistema de videoconferência. São avaliadas as queixas e sintomas e realizada avaliação médica à distância. É feito então diagnóstico inicial, estabelecido o encaminhamento médico, e se for o caso, serão solicitados exames laboratoriais.

A expectativa é de prestar até 180 atendimentos por dia na modalidade, com 96 consultas diárias executadas por profissionais voluntários, tanto da UFCSPA quanto da Santa Casa. As prescrições de medicamentos seguirão a política municipal de Assistência Farmacêutica, priorizando medicamentos disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).”

19/05/2021 – Jornal do Comércio

Link:https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/especiais/coronavirus/2021/05/793158-pessoas-com-sintomas-de-covid-19-terao-teleconsulta-gratuita-em-porto-alegre.html

Pessoas com sintomas de Covid-19 terão teleconsulta gratuita em Porto Alegre

A partir desta quinta-feira (20), a população de Porto Alegre terá mais uma ferramenta para o cuidado com a saúde em meio à pandemia do novo coronavírus. A prefeitura de Porto Alegre, em parceria com a Santa Casa de Misericórdia e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), passará a oferecer orientações e consultas à distância para pessoas com sintomas de Covid-19.

O atendimento será prestado por médicos e acadêmicos de medicina da UFCSPA e da Santa Casa, com equipes multidisciplinares. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) disponibilizará suporte da Vigilância em Saúde e acesso ao sistema de gerenciamento de consultas (Gercon), que possibilitará, quando necessário, a emissão de vouchers (autorizações) para realização de exames em laboratórios credenciados. O custo dos exames será coberto pelo SUS.

Conforme a prefeitura, todo o sistema é baseado na plataforma Conexão Santa Casa, ferramenta de telemedicina desenvolvida pela instituição. O sistema tem registro digital e os dados são compartilhados com a Secretaria Municipal de Saúde.

A expectativa é realizar até 180 teleorientações por dia e 96 consultas diárias executadas por profissionais voluntários da UFCSPA e Santa Casa. As prescrições de medicamentos seguirão a política municipal de Assistência Farmacêutica, priorizando medicamentos disponibilizados pelo SUS.

O atendimento das teleconsultas e teleorientações será feito de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h. O serviço é gratuito.

Como funciona o serviço

Ao acessar o site Conexão Santa Casa, a pessoa faz o cadastro e passa primeiro pela teleorientação, em formato de videoconferência. Nesta etapa, são passadas informações gerais sobre a Covid-19. Esta primeira entrevista é feita por acadêmicos de cursos de graduação da área da saúde, supervisionados por professores da UFCSPA, ou seja, não é uma consulta.

A etapa seguinte é a teleconsulta. O atendimento à distância é feito por médicos, também por videoconferência. São avaliadas as queixas e sintomas e realizada avaliação médica à distância. É feito, então, diagnóstico inicial, estabelecido o encaminhamento médico, e se for o caso, serão solicitados exames laboratoriais.”

19/05/2021 – Jornal Boa Vista

https://jornalboavista.com.br/19052021nota-das-universidades-publicas-e-dos-institutos-federais-gauchos-a-sociedade

Nota das universidades públicas e dos institutos federais gaúchos à sociedade

Enfrentamento da COVID-19

As universidades e os institutos federais gaúchos estão contribuindo de forma intensiva para o enfrentamento da pandemia relacionada à COVID-19 em nosso estado. Uma grande parte de nossas comunidades está envolvida diretamente na assistência em saúde, em pesquisas essenciais, produção de testes e equipamentos, além de ações educativas para toda a sociedade. Os hospitais universitários e de ensino são fundamentais para a assistência à saúde de nossa população, assim como a nossa presença em diversos outros pontos da rede do Sistema Único de Saúde.

Nos países que conseguiram obter melhor controle da pandemia, foi fundamental o engajamento da população em medidas de distanciamento, uso de máscaras e outros cuidados de prevenção. Isso demonstra a importância da educação pública de qualidade e acessível a todos para o desenvolvimento do país.

Temos continuamente apontado a necessidade de ampliar os investimentos em Educação e Ciência, que vêm sendo drasticamente reduzidos, como forma de fortalecer o protagonismo internacional do País na produção de tecnologia e em inovação, possibilitando o enfrentamento de grandes problemas nacionais. O grupo de universidades e institutos federais gaúchos vem, também, enfatizando a importância de nossas instituições para o desenvolvimento regional.

Apesar de todas as dificuldades políticas, econômicas, sociais e sanitárias dos últimos anos, continuamos cumprindo a nossa missão institucional e promovendo a necessária transformação social do Brasil. No entanto, os cortes orçamentários sofridos em 2021 nas áreas de Educação, Ciência e Tecnologia colocam em sério risco a própria viabilidade das nossas instituições. Neste momento, conclamamos a sociedade para defender a necessária recomposição do orçamento, pois as universidades e os institutos federais não podem parar.

A retomada das atividades presenciais de universidades e institutos federais, pela característica de promover o deslocamento de estudantes de muitos municípios, estados e até países diferentes, pode trazer, neste momento, riscos adicionais ao recrudescimento da COVID-19 para o estado. Por isso, o retorno gradativo deverá ser planejado com segurança e com protocolos atualizados, embasados cientificamente, e de acordo com as condições epidemiológicas e sanitárias.

Ressaltamos que o momento é de cuidado, pois o estado está vivendo uma possível reversão de tendência, com aumento dos indicadores de novos casos, sintomas  e internações clínicas. Embora com melhora dos indicadores de ocupação de UTIs e óbitos, esses são indicadores mais tardios, e continuamos em níveis preocupantes, acima dos picos observados em 2020 e com a transmissão do vírus ainda distante de ser controlada.

O aumento da mobilidade nas últimas semanas e a exaustão de muitos segmentos da sociedade, com consequente relaxamento das medidas preventivas, podem levar a um recrudescimento do quadro epidemiológico. É importante manter a comunicação intensiva em saúde para a redução do risco, especialmente enfatizando a importância da prevenção da transmissão respiratória, o que inclui uso de máscaras, distanciamento e ventilação dos ambientes.

As reitoras e os reitores unem-se ao apelo da sociedade para uma vacinação rápida para todas as pessoas, associada à manutenção das medidas de distanciamento, testagem, isolamento e comunicação.

18 de maio de 2021

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha – IFFAR

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – IFRS

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense – IFSul

Universidade Estadual do Rio Grande do Sul – UERGS

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre – UFCSPA

Universidade Federal do Rio Grande – FURG

Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS

Universidade Federal de Santa Maria – UFSM

Universidade Federal de Pelotas – UFPel

Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA”

18/05/2021 – Jornal Matinal

https://www.matinaljornalismo.com.br/matinal/newsletter/internacoes-rs/

RS vê nova alta de internações de Covid-19

Ao menos quatro regiões gaúchas operam no limite ou acima de 100% da capacidade em leitos de UTI. São os casos de Cachoeira do Sul, Palmeira das Missões, Santo Ângelo e Uruguaiana. A situação preocupa prefeitos das regiões. Em Cachoeira, sequer houve flexibilização das normas, mesmo com o novo decreto estadual. Em nível regional, as internações diárias apresentaram nova alta no RS. Para a reitora da UFCSPA, Lucia Pellanda, o indicador deve ser tomado como um motivo de alerta. Ela enfatizou que a vacinação sem os cuidados não basta. Em Porto Alegre, a ocupação segue num patamar alto, acima dos 80%, mas há uma boa notícia: em uma semana, ocorreu uma redução de 50% na fila de espera por leito de UTI, caindo de 32 para 16.

18/05/2021 – Diário Popular

Link: https://www.diariopopular.com.br/geral/instituicoes-federais-de-ensino-lancam-nota-a-sociedade-160996/

“Instituições federais de ensino lançam nota à sociedade

Carta que foi assinada pela UFPel, Furg e IFSul trata do enfrentamento da Covid-19.

Nesta terça-feira (18), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) e a Universidade Federal do

Rio Grande (Furg), em parceria com outras sete instituições federais de ensino lançaram uma nota a respeito do enfrentamento da Covid19 no Rio Grande do Sul. O documento fala sobre ações estratégias de combate à pandemia, principalmente no que se refere a superação de dificuldades para frear o avanço do vírus.

Confira a nota na íntegra abaixo:

"Nota das universidades públicas e dos institutos federais gaúchos à sociedade

Enfrentamento da COVID-19

As universidades e os institutos federais gaúchos estão contribuindo de forma intensiva para o enfrentamento da pandemia relacionada à COVID19 em nosso estado. Uma grande parte de nossas comunidades está envolvida diretamente na assistência em saúde, em pesquisas essenciais, produção de testes e equipamentos, além de ações educativas para toda a sociedade. Os hospitais universitários e de ensino são fundamentais para a assistência à saúde de nossa população, assim como a nossa presença em diversos outros pontos da rede do Sistema Único de Saúde.

Nos países que conseguiram obter melhor controle da pandemia, foi fundamental o engajamento da população em medidas de distanciamento, uso de máscaras e outros cuidados de prevenção. Isso demonstra a importância da educação pública de qualidade e acessível a todos para o desenvolvimento do país.

Temos continuamente apontado a necessidade de ampliar os investimentos em Educação e Ciência, que vêm sendo drasticamente reduzidos, como forma de fortalecer o protagonismo internacional do País na produção de tecnologia e em inovação, possibilitando o enfrentamento de grandes problemas nacionais. O grupo de universidades e institutos federais gaúchos vem, também, enfatizando a importância de nossas instituições para o desenvolvimento regional.

Apesar de todas as dificuldades políticas, econômicas, sociais e sanitárias dos últimos anos, continuamos cumprindo a nossa missão institucionale promovendo a necessária transformação social do Brasil. No entanto, os cortes orçamentários sofridos em 2021 nas áreas de Educação, Ciência e Tecnologia colocam em sério risco a própria viabilidade das nossas instituições. Neste momento, conclamamos a sociedade para defender a necessária recomposição do orçamento, pois as universidades e os institutos federais não podem parar.

A retomada das atividades presenciais de universidades e institutos federais, pela característica de promover o deslocamento de estudantes de muitos municípios, estados e até países diferentes, pode trazer, neste momento, riscos adicionais ao recrudescimento da COVID-19 para o estado.

Por isso, o retorno gradativo deverá ser planejado com segurança e com protocolos atualizados, embasados cientificamente, e de acordo com as condições epidemiológicas e sanitárias.

Ressaltamos que o momento é de cuidado, pois o estado está vivendo uma possível reversão de tendência, com aumento dos indicadores de novos casos, sintomas e internações clínicas. Embora com melhora dos indicadores de ocupação de UTIs e óbitos, esses são indicadores mais tardios, e continuamos em níveis preocupantes, acima dos picos observados em 2020 e com a transmissão do vírus ainda distante de ser controlada.

O aumento da mobilidade nas últimas semanas e a exaustão de muitos segmentos da sociedade, com consequente relaxamento das medidas preventivas, podem levar a um recrudescimento do quadro epidemiológico. É importante manter a comunicação intensiva em saúde para a redução do risco, especialmente enfatizando a importância da prevenção da transmissão respiratória, o que inclui uso de máscaras, distanciamento e ventilação dos ambientes.

As reitoras e os reitores unem-se ao apelo da sociedade para uma vacinação rápida para todas as pessoas, associada à manutenção das medidas de distanciamento, testagem, isolamento e comunicação.

18 de maio 2021

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha – IFFAR

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – IFRS

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense – IFSul

Universidade Estadual do Rio Grande do Sul – UERGS

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre – UFCSPA

Universidade Federal do Rio Grande – FURG

Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS

Universidade Federal de Santa Maria – UFSM

Universidade Federal de Pelotas – UFPel

Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA"

18/05/2021 – Diário Popular

Link: https://www.diariopopular.com.br/politica-eleicoes/tce-rs-instala-comite-cientifico-para-analisar-procedimentos-relacionados-ao-combate-a-pandemia-160994/

“TCE-RS instala Comitê Científico para analisar procedimentos relacionados ao combate à pandemia

De caráter consultivo, o grupo é composto por especialistas com experiência na área médica.

Em reunião virtual realizada na manhã desta terça-feira (18), o Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS) instalou seu Comitê Científico de apoio à tomada de decisão nos processos que envolvam medidas de enfrentamento à pandemia de Covid-19. De caráter consultivo, o grupo é composto por especialistas com notório conhecimento técnico-científico e experiência na área médica.

Conforme esclareceu o presidente do TCE-RS, conselheiro Estilac Xavier, os integrantes do Comitê terão ampla autonomia e independência em relação às suas manifestações e serão acionados sempre que a Direção de Controle e de Fiscalização do Tribunal identificar, nos

procedimentos de auditoria que realiza, eventuais inconsistências nas medidas adotadas pelos órgãos e agentes políticos no enfrentamento à pandemia. “Este é o primeiro Comitê Científico de apoio a um Tribunal de Contas do Brasil com a responsabilidade de emitir pareceres que atestarão o mérito dos procedimentos e atitudes adotadas pelos administradores responsáveis pelas ações da pandemia nos municípios e no estado”, armou o presidente, acrescentando que o Tribunal de Contas do Estado é um forte ponto de resistência e de ação para a valorização da Ciência e para o combate à pandemia.

Estilac Xavier defendeu, ainda, que todas as instituições precisam do olhar atento da sociedade e de outros órgãos para moldar e qualificar seus objetivos, a m de prover à sociedade aquilo que ela mais precisa: Saúde, Educação e serviços de qualidade. “O fato de o TCE ter constituído um Comitê Científico para análise de atos e procedimentos, na área das ciências médicas, pode ajudar os gestores na condução da administração da pandemia. A existência deste Comitê, portanto, tem caráter preventivo e pedagógico”, explicou o presidente, salientando que “o objetivo maior é fazer com que os julgamentos das gestões sejam adequados, corretos e correspondam aos anseios da sociedade”, complementou.

Integram o Comitê Científico de apoio ao TCE-RS em processos que envolvam medidas de enfrentamento à pandemia de Covid-19 o Neurologista, Professor do Departamento de Farmacologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, Artur Francisco Schumacher Schuh; o Cirurgião Dentista, Professor do Departamento de Estomatologia da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, Carlos Heitor Cunha Moreira; o Biólogo, Professor da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS e Professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, José Roberto Goldim; a Epidemiologista, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre – UFCSPA, Lucia Campos Pellanda; a Doutora em Química Industrial, professora do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, Nádya Pesce da Silveira; o Doutor em Epidemiologia, Professor da Universidade Federal de Pelotas – UFPel, Pedro Curi Hallal; a Farmacêutica-Bioquímica, Professora do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, Priscila de Arruda Trindade; a Farmacêutica, gestora de Suprimentos do Hospital de Clínicas de Porto Alegre – HCPA, Simone Dalla Pozza Mahmud; e o Professor do curso de Odontologia e Pró-Reitor Adjunto de Pós-graduação e pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, Thiago Machado Ardenghi.”

17/05/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/05/agravamento-da-pandemia-no-interior-amplia-risco-de-nova-onda-no-rs-ckot4jee000as018moahgln10.html

Agravamento da pandemia no Interior amplia risco de nova onda no RS

Retomada das atividades sob prevenção insuficiente pode levar a nova sincronização do coronavírus entre as regiões, apontam especialistas.

Após superlotar hospitais em uma onda que teve como um de seus focos de origem a Região Metropolitana, entre fevereiro e março, a pandemia volta a ganhar força no Rio Grande do Sul agora a partir do aumento de casos e internações no Interior.

Na avaliação de infectologistas e epidemiologistas, tendências de agravamento da covid-19 verificadas em áreas como as de Santo Ângelo, Cruz Alta e Passo Fundo podem provocar um novo ciclo de avanço generalizado do coronavírus em solo gaúcho. Esse cenário é favorecido pela retomada de atividades com a circulação do vírus elevada, percentual ainda baixo de vacinação e insuficiência de testagem e rastreamento de casos. A chegada do frio, que pode reduzir a ventilação em ambientes fechados, é outro possível complicador.

Embora o Estado ainda apareça, na média, com tendência de queda em casos ou óbitos e pequeno crescimento no uso de leitos clínicos (veja abaixo), os números gerais escondem situações específicas muito diferentes. Conforme os dados da versão desta segunda-feira (17) do boletim diário de monitoramento da covid-19, que serve de base para a emissão de recomendações por parte do Piratini, 11 das 21 regiões gaúchas havia apresentado aumento no acumulado semanal de novos casos da doença, e nove tiveram crescimento na demanda por UTIs.

CENÁRIO DA PANDEMIA NO RS

RS vê aumento de internações em leitos clínicos e focos de agravamento em algumas regiões

(Ver gráfico na matéria original pelo link acima)

PACIENTES INTERNADOS EM LEITOS CLÍNICOS AUMENTA

A situação é ainda mais preocupante quando se analisa a variação nas internações em leitos clínicos — doentes que, nas semanas seguintes, podem demandar UTI ou acabar morrendo. O boletim estadual registrou avanço da pandemia por esse critério em 14 das subdivisões do Estado, o equivalente a dois terços.

— Esses aumentos já eram esperados, já que paramos de ter queda nos indicadores da pandemia desde abril. Agora, embora a média geral ainda seja de declínio, em algumas regiões já há aumento. A expectativa, infelizmente, é de que a tendência anterior de queda se reverta e, em algum momento, a pandemia volte a entrar em sincronia em todo o Estado — avalia o infectologista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Alexandre Zavascki.

As Missões são uma das atuais zonas de atenção. Santo Ângelo e Palmeira das Missões, por exemplo, registraram 62,9% e 47,10% de crescimento de novos casos em uma semana, respectivamente — e tiveram quase um terço de subida nas mortes no mesmo período. Cachoeira do Sul, Uruguaiana, Palmeira das Missões e Santo Ângelo já apareciam com taxas de ocupação de UTI iguais ou superiores a 100%, o que aumenta as preocupações com a estrutura de atendimento.

Segundo Zavascki, a Região Metropolitana, que antes empurrava as estatísticas estaduais para cima, agora ajuda a manter os indicadores gerais do Estado sob controle graças a números moderados de internações em UTIs, por exemplo (a taxa estava em 72% conforme o boletim desta segunda). Como é uma área muito populosa, tem um peso significativo na composição da média geral.

Se houver uma nova sincronização do agravamento do coronavírus a exemplo do que ocorreu na mais recente onda da doença, quando todas as regiões foram sobrecarregadas de forma concomitante, as estatísticas piorariam bastante.

É possível que isso ocorra, conforme o integrante do Comitê Covid-19 da Sociedade Riograndense de Infectologia, Ronaldo Hallal, em razão de os gaúchos terem retomado a mobilidade com proporção de vacinados baixa (10% da população com esquema de imunização completo), e circulação do vírus ainda elevada, sem a adoção de medidas compensatórias como ampliação massiva da testagem com rastreamento, isolamento de casos e quarentena de pessoas que tiveram contato com doentes.

— Não conseguimos reduzir de forma mais intensa a circulação do vírus (antes de retomar atividades). Considera-se que é possível flexibilizar medidas de isolamento quando a taxa de positividade dos exames (percentual dos testes que dá resultado positivo) fica abaixo de 5%. No começo do mês, estávamos ao redor de 40% — compara Hallal.

Vacinação pode ajudar a reduzir níveis de internação hospitalar

O infectologista Alexandre Zavascki avalia que, embora a vacinação ainda seja insuficiente para gerar imunidade coletiva, pode contribuir com outros fatores, como o fato de parte da população infectada anteriormente estar com alguma imunidade residual, para reduzir a velocidade de uma eventual nova curva de aceleração da pandemia e o impacto dessa reversão de tendência.

Cerca de 10% dos gaúchos já tomaram as duas doses necessárias para máxima eficácia, enquanto é necessário algo em torno de 70% para barrar a circulação do vírus. Mas, individualmente, o risco de desenvolver a forma mais grave da doença é menor após a imunização.

— Como parte da população mais vulnerável está imunizada, é possível que ocorra um nível menos elevado de hospitalizações do que já tivemos entre fevereiro e março — projeta Zavascki.

A professora de Epidemiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA, Lucia Pellanda, concorda que a vacinação pode amenizar o problema, mas não seria capaz de evitar um novo ciclo da pandemia. Além disso, enquanto a transmissão do vírus não é controlada, há sempre o risco de que uma nova variante mude completamente o cenário provoque uma nova subida vertiginosa, como quando a P.1 entrou em solo gaúcho:

— Tudo vai depender de fatores como o comportamento da população, evitando aglomerações que podem resultar no superespalhamento do vírus, e de questões como a penetração de novas variantes. Há pouco foi identificada a presença de uma variante da Índia na Argentina — sustenta Lucia.

O gabinete de crise do governo do Estado vai analisar, ao longo desta semana, os sete avisos (patamar mais baixo de perigo entre os três níveis existentes pelo Sistema 3As) e os cinco alertas (intermediários) já emitidos pelo setor técnico da gestão da pandemia no Rio Grande do Sul. Na primeira avaliação, o grupo alertou para as seguintes regiões: Santo Ângelo, Cruz Alta, Ijuí, Passo Fundo e Cachoeira do Sul.

17/05/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/05/imunidade-de-rebanho-por-infeccao-nao-encontra-respaldo-entre-cientistas-entenda-ckot4gamg00ar018mdh19san8.html

Imunidade de rebanho por infecção não encontra respaldo entre cientistas; entenda

Se a estratégia fosse mantida, quase 1,5 milhão de brasileiros morreriam de coronavírus.

No início da pandemia, com um coronavírus ainda desconhecido, a tese de imunidade de rebanho causada por infecções, atingida sem vacinas e sem restrições à mobilidade, chegou a ser cogitada por autoridades brasileiras e um grupo minoritário de cientistas em alguns países, como no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Mas hoje, com mais de 435 mil brasileiros mortos pela covid-19 até esta segunda-feira (17), a expectativa de chegar a 70% da população com uma imunidade natural gerada por infecção é rechaçada pela comunidade científica, que vê a estratégia como antiética, devido ao grande saldo de vítimas que pode gerar.

— Não faz nenhum sentido, com o conhecimento sobre o vírus e o risco de mortalidade dessa doença em alguns grupos, defender a imunidade por infecção. Em março do ano passado, alguns países consideravam isso, como Reino Unido. Mas, hoje, se entende que é um crime defender imunidade de rebanho por infecção da doença. Se a gente normaliza isso, vamos normalizar mais mortes, mais demanda hospitalar. Nenhum país sério considera essa teoria, hoje. Essa doença não é uma gripe comum — diz Fábio Lopes, gerente de Atenção à Saúde do Hospital Universitário da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).

O que é a imunidade de rebanho?

A perspectiva da imunidade de rebanho – ou, como alguns analistas preferem, imunidade coletiva – prevê conter o vírus quando grande parte da população estiver protegida.

Se você mora em uma casa com quatro pessoas e duas delas trabalham na rua, mas já estão imunizadas contra a covid-19, é mais difícil que os outros dois moradores sejam infectados. Agora, projete esse cenário para a sua rua, bairro ou cidade: quanto mais pessoas imunes, mais você está protegido por um “cordão natural”.

Biologicamente, os anticorpos podem ser adquiridos pela infecção natural ou pela vacinação, mas a ideia de imunidade de rebanho surgiu para se referir à proteção gerada por vacinas, e não pela doença em si, sublinha a imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

— O termo foi mal apropriado, ele vem da vacinologia e é usado para falar dos efeitos das vacinas na população. Enquanto não existiu vacina para a varíola, o vírus matou a cada ano milhões de pessoas — diz a imunologista.

Nos Estados Unidos, um dos conselheiros do ex-presidente Donald Trump, Scott Atlas, defendeu a imunidade de rebanho – além de dizer que máscaras são ineficazes. O Reino Unido deixou o vírus circular com esse objetivo – mas, ao longo dos meses, o primeiro-ministro Boris Johnson, que foi internado por covid-19, abandonou a ideia em meio a um cenário de sistema de saúde colapsado e ao alto número de mortes.

Quanto é preciso para chegar à imunidade de rebanho?

A porcentagem de no mínimo 70% foi estimada com base na taxa de transmissão da covid-19. Quanto mais transmissível é um vírus, mais alta precisa ser a porcentagem – o sarampo, bem mais contagioso do que o coronavírus, exige 95% da população vacinada.

No Brasil, em tese, esse cenário será atingido quando 69,3% dos brasileiros estiverem vacinados – ou seja, 145,6 milhões de pessoas, segundo estudo publicado no ano passado no Journal of Infection, da British Infection Association. Para o Rio Grande do Sul, seriam mais de 7,8 milhões de pessoas. Mas a estimativa muda conforme a vacina usada, destaca a imunologista Cristina Bonorino.

— Baseada nos dados atuais, qualquer vacina com eficácia acima de 85% vai permitir chegar à imunidade coletiva mais rápido. Não ter comprado várias vacinas no ano passado vai afetar o país nisso também — diz Cristina, colunista de GZH.

17/05/2021 – G1 RS

https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/05/17/internacoes-diarias-por-covid-voltam-a-subir-no-rs-regioes-registram-superlotacao-de-utis.ghtml

Internações diárias por Covid voltam a subir no RS; regiões registram superlotação de UTIs

Há nove dias, total de pacientes internados com Covid é maior do que os que recebem alta. Cidades como Cachoeira do Sul e Vacaria alertam para esgotamento da capacidade de atendimento.

O número de pacientes com Covid internados em leitos clínicos e de unidades de terapia intensiva (UTIs) voltou a subir no Rio Grande do Sul. De acordo com o Comitê de Dados do governo do estado, a média de novas hospitalizações chegou a oito por dia no domingo (16).

O indicador é baixo. Entretanto, há nove dias, entram mais pacientes com coronavírus do que saem no sistema hospitalar do RS - o que não ocorria desde 16 de março. Veja gráfico abaixo.

Para a professora de epidemiologia e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda, o momento exige atenção e cuidado. Mesmo o RS tendo indicadores de casos e internações mais baixos do que os vistos em março, eles seguem em um patamar elevado, apontou.

Pellanda ainda ressalta que o avanço da vacinação pode evitar que o estado volte a ter curvas exponenciais de casos e internações. Todavia, a imunização sem cuidados não basta.

"Como a vacinação avançou nos grupos de mais idade, isso pode ter um impacto mais positivo na ocupação de leitos, esses grupos mais vulneráveis terem menos internações. Só que, em outros países, em que a gente observa só a vacinação sem os cuidados da sociedade, o número de casos subiu igual. É um elemento bom, porém a gente não sabe se vai ser suficiente", comentou.

Na tarde desta segunda-feira (17), o RS tinha 4.355 pessoas com coronavírus internadas, sendo 1.714 em UTIs e 2.641 em leitos clínicos. O número é quase duas vezes maior do que o registrado em fevereiro, antes do terceiro pico de agravamento da pandemia no estado.

Superlotação de UTIs

Nas UTIs, a taxa de ocupação de leitos, que soma pessoas com e sem coronavírus, é de 78% em todo o estado. Ainda que esteja distante do esgotamento, cenário visto em março no RS, a situação de algumas regiões preocupa.

A região de Cachoeira do Sul, que compreende 12 municípios, opera com ocupação de 150% das 20 vagas críticas disponíveis em oito hospitais. O nível de atendimento chegou a baixar do limite na segunda quinzena de abril, mas voltou a crescer em maio.

A Prefeitura de Cachoeira do Sul decidiu não flexibilizar as normas de distanciamento, mesmo com o novo decreto estadual em vigor. O superintendente do Hospital de Caridade e Beneficência do município, Luciano Morschel, teme que novas contaminações por coronavírus prejudiquem o atendimento na unidade.

As regiões de Palmeira das Missões, Santo Ângelo e Uruguaiana também operam no limite ou acima de 100% da capacidade.

Na cidade de Vacaria, na Região dos Campos de Cima da Serra, havia 19 pacientes internados em 18 leitos de UTI no início da tarde desta segunda. Nas vagas clínicas, são 124 hospitalizados.

A cidade registrou a maior taxa de infectados desde o início da pandemia, com 935 pessoas em isolamento domiciliar. O secretário de Saúde, Alaídes Paim, pede que os pacientes do município sejam transferidos para outras regiões.

"Nós, enquanto administração municipal, estamos muito preocupados com a situação. Estamos com o hospital praticamente com sua estrutura toda lotada, bem como a nossa UPA também. Está com o atendimento sobrecarregado, além da sua capacidade técnica", disse.

15/05/2021 – GZH Impresso

As universidades são patrimônio seu

Zero Hora15 May 2021 LUCIA CAMPOS PELLANDA Reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. Artigos devem ter até 2.000 caracteres. Os textos assinados não representam a opinião do Grupo RBS. bit.ly/opiniaogauchazh artigozh@

Se você fosse o dono de um empreendimento de alto retorno, como trataria o seu investimento?

Pois você possui 69 universidades e 41 institutos federais (IFS), que dão enorme retorno para a sociedade mensurável em geração de riqueza para o país e em qualidade de vida para você.

Quanto mais educação, mais atraente é o país para investimentos de alta densidade tecnológica, justamente os que mais impactam o PIB.

As instituições públicas são responsáveis por mais de 90% da pesquisa no país, o que é fundamental para a soberania e também dá retorno econômico. Sem pesquisa, o país se torna dependente de tecnologia de outros países. Na agricultura, a pesquisa pode gerar um retorno de 20 vezes o valor investido. Na saúde, além de salvar vidas, pode economizar bilhões para o país, ao estudar intervenções mais efetivas e mais acessíveis.

Os hospitais universitários e de ensino são fundamentais na assistência à saúde, como ficou muito evidente durante a pandemia, e as universidades estão presentes na atenção primária, na prevenção e nas comunidades.

Os campi das universidades e IFS, capilarizados em todo o país, são fundamentais para o desenvolvimento regional, trazendo mais oportunidades para a população local e movimentando a economia.

Mas, para além de todos esses retornos concretos, não há como contabilizar todo o benefício intangível. A universidade muda histórias de vida. A universidade promove cultura. A universidade forma os professores para o ensino básico e qualifica a educação.

O investimento em educação e ciência significa reter os jovens talentos, que, do contrário, migram para locais com melhores condições de trabalho e deixam de contribuir com o desenvolvimento do país.

Justamente em épocas de crise, é ainda mais importante investir em educação e ciência, porque daí podem surgir soluções e melhores perspectivas. As universidades e IFS são patrimônio seu. Um investimento que vale a pena cuidar e multiplicar.

A ciência salva vidas, e a educação salva o futuro.

14/05/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/05/corte-em-universidades-federais-afeta-pesquisa-auxilio-a-alunos-carentes-e-combate-ao-coronavirus-ckoot95w90004018mkt244jr1.html

"Corte em universidades federais afeta pesquisa, auxílio a alunos carentes e combate ao coronavírus

Instituições afirmam que precisam de mais verba para não paralisar ciência e para assegurar a permanência de estudantes de baixa renda

Se mantido, o corte no orçamento de universidades federais poderá impedir o retorno às aulas presenciais, afetar auxílios a alunos carentes e prejudicar a ciência brasileira e o combate à covid-19 no país, relatam reitores, pesquisadores e estudantes. 

Em meio à pressão que passou a sofrer após a redução de 20% do orçamento das federais em 2021, o Ministério da Educação (MEC) enviou, na quinta-feira (13), ofício ao Ministério da Economia solicitando desbloqueio de R$ 2,7 bilhões e complementação de R$ 2,6 bilhões para evitar o fim de “diversas demandas essenciais à área da educação”, segundo o jornal O Estado de São Paulo.

Estão em risco o pagamento de água, eletricidade, limpeza e segurança das universidades, além da realização do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) e a quitação, para além de setembro, da assistência a estudantes de baixa renda e das bolsas de 92 mil cientistas, incluindo pesquisadores da covid-19. Os cortes ocorreram em meio à crise econômica e após o repasse de bilhões de reais para emendas de parlamentares – dinheiro que saiu do orçamento dos ministérios.

A despeito de o MEC ter liberado, na quinta-feira (13), 46% dos 60% de verbas bloqueadas, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) afirma que a situação segue crítica e que o caixa das universidades deixou de terminar em maio para se esgotar entre agosto e outubro. A liberação de mais recursos depende do Congresso e do governo federal.

Os cortes repercutem na vida de milhões de brasileiros, como a estudante de Gestão em Saúde Gisele Jardim Garcia, 39 anos. Não houve nada de natural na trajetória dela até o Ensino Superior: para sustentar dois filhos adolescentes e o marido, que realizou várias cirurgias após ter a coluna desgastada em trabalho pesado, ela atuava como empregada doméstica enquanto vendia doces, estofava sofás e produzia artesanato. O retorno aos estudos ocorreu, anos após os livros terem ficado de lado, por conta do incentivo dos filhos e dos patrões, um casal de professores universitários.

— Vim do Interior, casei aos 17 anos e não tinha nem o Ensino Fundamental. Depois tive filho e trabalhava no comércio. Comecei a estudar para o Enem sozinha, ouvia vídeos do YouTube enquanto passava roupas e limpava a casa. Tinha vergonha de falar que estava estudando. Mas, no ambiente onde eu estava inserida, eu via o quão meus patrões eram prósperos, a educação que tinham, via as meninas deles estudando, e isso acendeu uma luz em mim. Pensei: “Eu também posso, vou me esforçar” — afirma Gisele, moradora do bairro Mato Grande, em Canoas.

O esforço resultou na aprovação para a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Mas, assim como para outros alunos de baixa renda, permanecer é uma luta – vencida com o apoio dos patrões, que concedem folgas e flexibilizam o horário de trabalho de Gisele, e o suporte da universidade. Com R$ 400 mensais de auxílio-permanência, R$ 300 para alimentação e auxílio-transporte para ir às aulas, Gisele deixou os bicos de lado para se dedicar ao emprego, à faculdade e à família.

— Tenho uma casa para cuidar, tenho filhos. Meu salário é pouco para dar conta de tudo. Se eu não recebesse auxílio da universidade, teria que trabalhar mais e não teria tempo para estudar. A universidade já ampliou meus contatos e minha visão de mundo. A gente pode mudar nossa história com os estudos — diz Gisele.

O Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), que financia o auxílio de bolsistas como Gisele, sofreu redução de 17% de de 2020 para 2021, a despeito de reitores terem solicitado mais verba para dar conta do aumento de pedidos de ajuda financeira, devido ao empobrecimento das famílias de universitários com a pandemia.

Universidades já usavam dinheiro do próprio caixa para complementar as reduções anuais em assistência estudantil, mas, com corte no orçamento das instituições, elas apontam que não há mais como dar conta. Para tentar mitigar a situação, a UFCSPA arrecada alimentos para distribui-los a alunos, mas a ação é insuficiente: de abril para maio, mais do que triplicaram as solicitações de ajuda.

— Alguns alunos estão em situação bem penosa: entraram na universidade, mas dependem do auxílio para permanecer. Muitos têm pais que perderam emprego durante a pandemia ou, pior, perderam os pais para a covid e ficaram sozinhos com os irmãos. Imagina o desespero de uma pessoa em talvez não conseguir terminar a graduação, a única forma de ter uma vida mais digna — diz Ana Boff de Godoy, chefe do Departamento de Educação e Humanidades da UFCSPA e organizadora da campanha.

Na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), 30% das 3,7 mil bolsas são pagas pelo caixa da instituição – o resto vem do Pnaes. O corte orçamentário ameaça a assistência mantida com verba própria e impede incluir os 600 novos alunos que pediram ajuda neste ano. São pessoas em situação semelhante à do estudante de Engenharia Civil Victor Hugo de Oliveira, 21, e da noiva, a estudante de Medicina Ana Caroline de Sene Bernasconi, 23.

O casal veio da cidade de São Paulo para Pelotas a fim de se tornarem os primeiros da família a cursar o Ensino Superior em uma universidade federal. Sem o suporte financeiro, jamais conseguiriam manter os estudos.

— A gente, enquanto estudante, fica em desespero por não saber o que vai acontecer daqui para frente. Não temos condições de pagar aluguel sem auxílio. Fazemos cursos de turno integral, não tem como trabalhar. O que não levou a gente a desistir é a família ter depositado na gente a esperança de uma melhora de vida com o Ensino Superior — diz Victor.

Pesquisa impactada no país

As verbas de órgãos de pesquisa vêm caindo ano a ano, o que reduz a atratividade da atuação em ciência no Brasil e elitiza a carreira, afirmam especialistas. O orçamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), uma das principais entidades de fomento de pesquisa, que é mantida pelo MEC, é o menor em 10 anos. Como consequência, as universidades vêm complementando com o próprio orçamento as bolsas de pesquisa, algo que fica inviabilizado com o corte nos recursos.

São afetados estudos como o do grupo liderado por Carmem Gottfried, professora de Bioquímica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenadora do Laboratório de Pesquisa em Transtorno do Espectro Autista. No local, 13 pesquisadores estudam as origens da condição desse público e possíveis medicações.

— Se houver esse corte tão dramático, a universidade não consegue manter as condições mínimas para retornar aos laboratórios. Corta bolsa, não tem pós-graduando; corta dinheiro para pesquisa, não tem insumo; corta recurso, não tem as condições mínimas. É dramático. Um país sem pesquisa não tem condições de avanço — afirma Carmem.

Atividades ligadas ao combate à covid-19 são financiadas por verba específica vinda do governo federal, mas a perspectiva de ter a eletricidade cortada assusta cientistas, uma vez que amostras e insumos de pesquisa caros são refrigerados, exemplifica Thiago Ardenghi, pró-reitor adjunto de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

— Trabalhamos com pesquisas de ponta que precisam de freezers e máquinas de alta capacidade para funcionar. Não posso parar a luz de um laboratório de cultura de células. Um dos campos de testagem da vacina de Oxford é aqui na UFSM. Se você acaba com a luz ou a segurança da universidade, esse tipo de pesquisa com impacto populacional enorme é perdido. Sem limpeza em laboratório, como fazer pesquisa em animais? Ter aulas remotas não quer dizer que as pesquisas pararam. Sem mínimas condições de manter o campus, os laboratórios acabam. Fora o descrédito: ao reduzir o investimento em educação, que incentivo damos para a próxima geração que quer ser cientista? — questiona.

Na pandemia, a UFCSPA, que é dedicada a cursos na área da saúde, passou a complementar com orçamento próprio estudos sobre novas variantes do coronavírus e a produção de álcool gel e face shield. Com a queda no orçamento, tudo está ameaçado, inclusive as bolsas, alerta a instituição.

— É provável que a gente vá ter que cortar bolsas. As mais caras são as de pós-doutorado, então talvez comecemos por aí. Quem já tem a bolsa, vamos manter porque temos o planejamento, mas não vamos dar mais. E mesmo renová-la, algo que ocorre no geral, fica difícil — diz a reitora da UFCSPA, Lucia Pellanda.

Contatado pela reportagem, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) afirma que faz um esforço com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira para o Progresso e a Ciência (SBPC) para sensibilizar o Congresso Nacional e garantir recursos orçamentários adequados.

Em nota, o MEC comentou sobre a situação. Confira a íntegra:

"A portaria do ME nº 5.545, de 11/05/2021, disponibilizou para as unidades do MEC todo o valor das despesas discricionárias que estavam bloqueados no órgão 93000, condicionado ao dispositivo “regra de ouro”, inciso III do caput do art. 167 CF. Não se trata, portanto, de crédito adicional, pois o orçamento já estava alocado nas unidades, apenas não estava disponível para empenho.

Importante considerar que, até o dia 21/05/2021, o Decreto de programação orçamentária e financeira deve ser publicado e pode limitar o empenho dessas despesas no MEC.

Valor total do Orçamento Disponibilizado para o MEC em Custeio (Em R$)

Direta 265.883.504,00  

CAPES 1.083.917.216,00  

INEP 493.752.434,00  

FNDE 184.483.376,00  

FIES 325.625.911,00  

INES/IBC/FUNDAJ 37.895.749,00  

INSTITUTOS 1.119.807.565,00  

UNIVERSIDADE 2.592.436.661,00  

Total 6.103.802.416,00 

A medida não altera o valor do bloqueio de R$ 2,7 bi em atendimento ao Decreto 10.686, de 22/04/2021.

O MEC está atento a situação que preocupa suas unidades vinculadas e, na expectativa de uma evolução positiva do cenário fiscal, seguirá envidando esforços para reduzir o máximo que for possível os impactos na LOA 2021."

Quer ajudar?

Você pode auxiliar os alunos carentes da UFCSPA entrando em contato com a professora Ana Godoy pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. para doar alimentos e cestas básicas."

14/05/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/05/vida-sem-mascara-para-os-vacinados-brasileiros-permanece-fora-de-cogitacao-dizem-especialistas-ckooohy5m001p018mlcxdb587.html

"Vida sem máscara para os vacinados brasileiros permanece fora de cogitação, dizem especialistas

País não vai conseguir, por enquanto, imitar os EUA, onde aqueles que cumpriram o ciclo vacinal estão livres para andar sem máscara em locais públicos.

Diferentemente do cenário da pandemia no Brasil, os norte-americanos estão próximos de voltar à vida normal. Com 35% da população imunizada (ou seja, com as duas doses) e 46% com ao menos uma aplicação de vacina contra a covid-19, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos determinou que todos os cidadãos completamente vacinados não precisam mais usar máscaras em ambientes externos.

Foi sinalizado ainda que o uso das proteções faciais pode ser evitado em ambientes internos na maior parte dos lugares. O órgão disse também que as pessoas totalmente vacinadas não precisam praticar o distanciamento físico na maioria dos lugares. Porém, a atualização no protocolo não foi bem aceita por todos. Há um receio entre uma parcela da comunidade médica que teme que a desobrigação do uso de máscara possa encaminhar o país a uma nova onda de casos, com as novas variantes do coronavírus que surgem ao redor do mundo. 

Para Pedro Hallal, epidemiologista da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a decisão do CDC é correta e compatível com a realidade de cobertura vacinal do país norte-americano. 

— Ela é decorrente da alta taxa de vacinação no país. Sempre dissemos que a vacinação tem um efeito individual, na pessoa vacinada, e um efeito coletivo, na população. Essa medida do CDC é decorrente das evidências de um efeito coletivo — afirma. 

Paulo Petry, professor de Epidemiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), diz que a realidade americana não se aplica ao Brasil, apesar da vacinação em curso, porque o número de pessoas imunizadas é muito baixo em território nacional:

— Para se ter uma ideia, nós vacinamos 23 pessoas a cada cem. Nos Estados Unidos, a proporção é de 80 para cem, eles estão muito mais avançados, chegaram na faixa etária de 12 anos. Além disso, há uma diferença nos imunizantes usados. Lá prevalece o da Pfizer/BioNTech e o da Moderna, que têm eficácia acima dos 90%, apesar de as nossas terem um bom índice. E essa vacinação em massa estava fortemente apoiada no reforço das medidas de prevenção. Isso ajudou a reduzir a circulação do vírus nos Estados Unidos. Quadro bem diferente do brasileiro.

Vacinação a passos lentos

Segundo dados do Ministério da Saúde (MS) atualizados na quinta-feira (13), aproximadamente 15,6% dos brasileiros tomaram a primeira dose da vacina. E somente cerca de 7,4% completaram o ciclo vacinal. 

Hallal reforça que para alcançar a realidade dos EUA é preciso avançar na vacinação e investir na adoção das medidas de distanciamento social e de proteção. Ele aponta ainda que, se o público brasileiro já vacinado relaxar nos cuidados, poderemos entrar em novas ondas de coronavírus porque há muitas pessoas suscetíveis a pegar a doença. 

Ao citar os resultados da última etapa da pesquisa Epicovid, que estuda a prevalência do coronavírus no Estado, o professor da UFPel afirma que a cada 10 pessoas, três já têm anticorpos contra a covid-19, seja pela vacina, seja por infecção. Logo, as outras sete estão vulneráveis a desenvolver a doença. 

— A gente vive uma pandemia descontrolada no Brasil e repete os mesmos erros do ano passado. A população se cuida nos momentos mais perigosos. Quando os números se estabilizam, a gente se descuida e os dados param em patamares muito elevados. Nos acostumamos a ouvir que 2 mil pessoas morreram de covid em nosso território. Isso não é tolerável, não é aceitável, mas a gente se acostumou — pontua. 

Imunização acelerada e distanciamento social

O professor de Epidemiologia da UFRGS observa que para se ver livre do uso da máscara o país deve imunizar, no mínimo, 70% da população. Contudo, Fernanda Varela, membro da Sociedade Riograndense de Infectologia (SRGI), afirma que o Brasil parece andar na contramão do avanço. Ela observa que o modo como o país lida com a pandemia abre margem para que surjam mais problemas:

— É perigoso porque damos tempo para que o vírus circule, sofra mutações e que a gente registre aumento no número de positivados. Estamos muito longe do que os EUA vivem e o maior indicativo disso são os números de novos casos (na quinta-feira, o Brasil registrou 74.592 novos positivados). A questão é que, quando estimulamos essa circulação, damos chance para que o coronavírus continue mutando, e isso é ruim, porque poderemos chegar a um ponto em que as vacinas não sejam mais eficazes. Por isso, temos que vacinar aos montes e rápido para quebrar esse ciclo.

Lucia Pellanda, professora de Epidemiologia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), alerta que não há estudos nacionais de que os imunizantes aplicados no Brasil, de fato, reduzam a transmissão do vírus. Ou seja, forçar uma volta à normalidade dentro do atual contexto brasileiro, segundo ela, é colocar em risco outras pessoas, já que a maioria da população não está vacinada. 

— Além disso, a vacina reduz o risco de pegar a doença, mas não a nível zero. O nosso risco coletivo é muito alto. Imunizar pessoas nos Estados Unidos é diferente de vacinar as daqui porque partimos de um risco inicial mais elevado — explica Lucia.

De acordo com dados divulgados nesta semana pelo Imperial College de Londres, a taxa de transmissão do coronavírus no Brasil está em alta. Isso porque, agora, o índice está em 0,96. No estudo anterior, de 27 de abril, esse dado estava em 0,93."

13/05/2021 – G1 RS

https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/05/13/faixa-etaria-vacinada-registra-queda-na-proporcao-de-mortes-por-covid-em-relacao-a-media-da-pandemia-no-rs.ghtml

Faixa etária vacinada registra queda na proporção de mortes por Covid em relação à média da pandemia no RS

Proporção de óbitos da população mais jovem, principalmente entre 20 e 69 anos, aumentou. Especialistas apontam que vacina associada à maior circulação de jovens levam à mudança no cenário. Levantamento foi feito com base nos dados do Portal da Transparência do Registro Civil.

Embora tenha sido o segundo mês com mais mortes por Covid-19 no Rio Grande do Sul, abril apresentou uma tendência: enquanto o percentual de vítimas acima de 70 anos diminuiu em relação à média dos meses anteriores, a proporção de óbitos da população mais jovem, principalmente entre 20 e 69 anos, aumentou.

Os idosos ainda são a maioria das vítimas, mas a redução nos óbitos em relação aos meses anteriores à Campanha Nacional de Imunização sugere a eficácia das vacinas contra o coronavírus nos grupos prioritários atendidos até o momento. (Veja o gráfico abaixo)

Os registros constam no Portal da Transparência do Registro Civil, base de dados abastecida em tempo real pelos Cartórios de Registro Civil do país, administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), e cruzados com os dados históricos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a imunologista Lúcia Pellanda acredita que a vacinação tenha efeito nesses dados. Porém, ela acrescenta a isso a maior mobilidade — e consequente exposição — da população mais jovem e os cuidados tomados pela população mais velha.

"A vacinação é uma estratégia que requer uma ampla cobertura, ou seja, que muitas pessoas se vacinem para que a gente amplie ainda mais essa proteção, inclusive para aqueles que ainda são suscetíveis na população", completa Mellanie Fontes-Dutra, pesquisadora da Rede Análise Covid-19.

Mortes dobraram entre 20 e 29 anos

A faixa etária que registrou o maior percentual de aumento em relação à média desde o início da pandemia foi a da população entre 20 e 29 anos. Em abril a faixa etária representou 1,39% do total de óbitos, cerca de 101% a mais do que a média dos meses anteriores (0,69%).

Da mesma forma, a população de 40 a 49 anos registrou crescimento de 94%. Se, na média, a faixa etária representava 5,33% das mortes em geral, no mês passado passou a representar 10,33% dos óbitos.

Entre as pessoas com 50 a 59 anos, o aumento foi de 80%, passando de uma média 10,45% para 18,8% em abril.

Comparação das mortes em abril x média de óbitos na pandemia no RS

Em azul, a proporção de mortes em abril de 2021; em vermelho, a proporção de óbitos, em média, de março de 2020 a março de 2021

(Ver mapa na matéria. Link acima.)

Na contramão disso, as faixas etárias acima de 70 anos diminuíram progressivamente a proporção de óbitos conforme o avanço na idade.

Nas faixas etárias priorizadas na campanha de vacinação, o número de óbitos caiu em relação à média desde o início da pandemia. Houve redução de 5% na faixa entre 70 e 79 anos, baixando de 25,48% para 24,09%.

Na faixa entre 80 e 89 anos, a queda foi de 63%, passando de uma média de 24,7% para 9,12%, em abril. Na população entre 90 e 99 anos, reduziu 64%, de 6,64% para 2,37%. E acima de 100 anos, baixou de 0,26% para 0,07%, uma diminuição de 74%.

'Não tem como explicar', lamenta filha de vítima

A estudante Isadora Sanabria perdeu a mãe, Evanise, que tinha 42 anos. Ela teve complicações após ser diagnosticada com a Covid-19, ficar nove dias na UTI, três dos quais intubada, e não ter tido a chance de se vacinar.

O principal alerta que as pesquisadoras fazem, entretanto, é que a vacinação é uma estratégia coletiva. Não serve apenas para imunizar cada indivíduo, mas para reduzir a taxa de contágio entre as pessoas em um grupo.

"A vacinação é uma estratégia que requer uma ampla cobertura, ou seja, que muitas pessoas se vacinem para que a gente amplie ainda mais essa proteção, inclusive para aqueles que ainda são suscetíveis na população", destaca.

Entre outras razões, a pesquisadora Mellanie destaca que a aceleração na vacinação, além de proteger o público atual para os riscos existentes, previne que surjam novas variantes, como aconteceu com a P.1, cepa identificada no Norte do Brasil no fim de 2020 e que é a predominante no estado atualmente.

"Em um ritmo lento de vacinação, nós vamos ter uma transmissão aumentada. Caso a sociedade não faça uma boa adesão às medidas de enfrentamento ou não implemente restrições adequadas pra controlar essa transmissão, a gente pode ter um aumento na transmissão. Com o aumento da transmissão, a gente vai ter mais pessoas se infectando e, à medida que mais pessoas se infectam, a gente vai ter uma sobrecarga do sistema de saúdem que tem um limite para conseguir atender a essas demandas, e a gente vai invariavelmente com uma maior transmissão ver mais hospitalizações, agravamentos e também mais óbitos, infelizmente", conclui.

Vacinação precisa acelerar

Até a tarde desta quinta-feira (13), o Rio Grande do Sul já havia imunizado 2.627.436 pessoas com a primeira dose e, dessas, 1.084.745 com ambas de quaisquer das três vacinas disponíveis no mercado brasileiro.

Isto equivale a 23% da população com a uma dose e mais de 9,5% com a imunização completa, o que coloca o estado entre os primeiros do ranking de vacinação nos dois casos. Porém, com a reabertura das atividades econômicas e a retomada da circulação de pessoas, há aumento do risco de contágio mesmo entre os vacinados, aponta Mellanie.

Vacinar-se, ressalta Pellanda, não significa abandonar todos os cuidados com higiene pessoal e distanciamento, além do uso de máscaras e outros equipamentos de segurança individual adotados desde o começo da pandemia.

"O que pode realmente interromper a transmissão é a vacinação rápida de todo mundo. Quanto maior a proporção de pessoas vacinadas, melhor vai ser esse resultado. Mas, enquanto isso, a gente precisa manter os cuidados. Os países que conseguiram interromper foi com cuidado mais vacina. Só vacina não é um passaporte para se liberar, para não cuidar mais", alerta a imunologista.

13/05/2021 – GZH Impresso

UFCSPA

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) injetava dinheiro próprio para compensar a pouca verba para estudantes carentes, pesquisa e extensão, mas, após sofrer corte de cerca de 20% neste ano, será impossível criar mais auxílios estudantis, diz a reitora, Lucia Pellanda. Como forma de resolver a situação, a UFCSPA está arrecadando doações de comida para estudantes (interessados podem enviar e-mail para Ana Godoy no Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.).

– Em 2020, observamos aumento das necessidades das famílias, com muita gente perdendo emprego e mais gente precisando de auxílio. O que sempre fizemos foi, com recursos da instituição, complementar essas ações de apoio com bolsas institucionais de pesquisa e extensão. Agora, com esse corte violento que estamos sofrendo, não vamos conseguir destinar verbas extras – afirma Lucia.

Ela diz que a UFCSPA teria orçamento para o retorno presencial, mas apenas se o Congresso liberar os outros 60% das verbas:

– Se não houver complemento, fica inviável funcionar.

13/05/2021 – Rádio Gaúcha

https://soundcloud.com/radiogaucha/reitora-da-universidade-federal-de-ciencias-da-saude-de-porto-alegre-lucia-pellanda-13052021

Reitora Lucia Pellanda fala sobre cortes orçamentário na educação.

12/05/2021 – Sul 21

https://www.sul21.com.br/ultimas-noticias/politica/2021/05/ameacadas-universidades-federais-gauchas-nao-tem-recursos-para-fechar-as-contas/

Ameaçadas: universidades federais gaúchas não têm recursos para fechar as contas

A direção da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vem alertando desde o final da semana passada para o risco da instituição fechar as portas por falta de recursos de custeio no segundo semestre de 2021. Nesta quarta-feira (12), a reitoria da UFRJ informou que o orçamento discricionário da universidade, isto é, os recursos disponíveis para manutenção e investimento, caíram R$ 340 milhões em 10 anos, de R$ 639 milhões, em 2011, para 299 milhões neste ano. A situação, no entanto, não é vivenciada apenas na federal do Rio de Janeiro. Levantamento feito pelo Sul21 junto a universidades federais gaúchas aponta que todas estão enfrentando dificuldades financeiras para arcar com despesas básicas.

Reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Paulo Afonso Burmann diz que a instituição chefiada por ele sofreu uma redução de 20% no orçamento em relação a 2020. “Nós estamos em meio à pandemia. No entanto, a universidade não parou, pelo contrário, ela intensifica suas atividades e mantém o seu nível de despesas, com pequenas reduções, por exemplo, por conta do consumo de energia, mas isso não é significativo ao ponto de justificar uma redução de 20% no orçamento da universidade em relação a 2020”, diz.

Além disso, destaca que uma parte do que está previsto permanece bloqueado aguardando autorização do Congresso Nacional para poder ser acessado. Segundo o reitor, em 2020, a UFSM operou com um orçamento de custeio de R$ 95 milhões. Até este momento, a universidade só teve liberados R$ 39 milhões, que, segundo ele, já foram comprometidos e que irão se esgotar em maio.

“Se o Congresso não liberar, qual a saída que a UFRJ apontou? Fechamento. A universidade não vai fechar, vai comprometer alguns projetos e vai deixar de oferecer alguns serviços. Por exemplo, a UFSM já fez 70 mil exames RT-PCR. É um serviço de saúde pública, não é para a universidade. Isso é um serviço que nós não vamos ter como fazer mais, porque não vai ter recursos. A população que paga impostos vai deixar de ter o serviço”, diz Burmann.

Presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira afirma que a situação das instituições federais de ensino superior, o que inclui os institutos federais, vem se agravando anualmente desde 2016.

“Desde essa época, os orçamentos das universidades vêm sendo mantidos em valores nominais e até reduzidos, como no ano passado, que a gente perdeu em torno de 9% do orçamento. Para 2021, esse orçamento foi cortado em 18%”, afirma.

Madureira destaca que, em 2014, o orçamento discricionário de todas as 63 universidades federais somava R$ 7,4 bilhões. Na ocasião, as universidades tinham 1,2 milhão de estudantes de graduação e pós-graduação. Para 2021, esse valor caiu para R$ 4,3 bilhões, enquanto o número de estudantes subiu para 1,35 milhão.

“Mas você não pode comparar os 7 bilhões com os 4,3, porque, nesse período, como esse dinheiro é utilizado para despesas do dia a dia, essas despesas têm uma correção, inclusive por força de contrato. Empresas de vigilância, de limpeza, etc. Aplicando o IPCA [inflação] nesse valor, o orçamento de 2021, para ser igual ao de 2014, deveria ser R$ 10,7 bilhões. Então, nós estamos operando com um orçamento que é quase 40% daquele que a gente tinha em 2014 e com um número maior de estudantes”, afirma.

Situação das universidades gaúchas*

Em nota, a administração da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) informou que sofreu uma redução no orçamento discricionário de 20% em relação a 2020. Além disso, assim como ocorreu com a UFSM e com as demais universidades, 55% do orçamento previsto para este ano ainda precisa da aprovação de uma legislação específica pelo Congresso para ser disponibilizado para a Unipampa. Isso ocorre devido à chamada Regra de Ouro do Orçamento, mecanismo que impede que o governo faça dívidas para pagar despesas correntes sem autorização do Congresso.

“Atualmente os recursos de custeio/manutenção geral da instituição envolvem em torno de R$ 24 milhões, que teve redução de 20% relativo ao valor de 2020. Esse recurso é destinado às despesas de água, energia elétrica, telefonia, internet, contratos e serviços da instituição, incluindo despesas com limpeza, motoristas, vigilantes, portaria, auxiliares de manutenção, entre outras despesas. Com as reduções e bloqueios previstos, apresenta-se a possível inviabilidade de funcionamento da instituição nos próximos meses”, diz a universidade em nota.

Também por meio de nota, a Gestão Central da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) informou que o Orçamento do governo federal aprovado pelo Congresso determinou que a instituição deve operar em 2021 com 75% dos recursos de custeio recebidos em 2019, quando fechou as contas sem déficit. Em 2020, apesar de ter recebido um valor 4% menor do que em 2019, a universidade também encerrou o ano sem déficit.

Na mesma linha das demais universidades, até o momento, a UFPel recebeu apenas 40,1% do orçamento previsto, já com a redução em relação aos anos anteriores. Mesmo em caso de liberação do restante, a universidade estima encerrar o ano com déficit entre R$ 10,5 milhões e R$ 21 milhões. “Em outras palavras, a Universidade não poderá cobrir todas as suas despesas de custeio a partir do mês de outubro, provavelmente”, diz a nota.

No caso da Universidade Federal de Ciências da Saúde (UFCSPA), o corte de cerca de 20% no orçamento discricionário representa uma perda de R$ 6 milhões em relação a 2020 (ver gráfico abaixo). Além disso, dos R$ 22,68 milhões previstos para 2021, apenas R$ 9,1 milhões já foram repassados para a universidade. “Há preocupação com a manutenção básica da universidade em caso de não liberação dos valores condicionados (pagamento de terceirizados, água, luz etc.). Além disso, mesmo com a liberação dos valores condicionados, já haverá dificuldades para o planejamento”, diz Leandro Mateus Silva de Souza, pró-reitor de Administração da UFCSPA.

Já no caso do orçamento de capital, que envolve recursos para investimentos em obras e compras de equipamento, a UFCSPA tem a previsão de receber, em 2021, R$ 350 mil a mais do que no ano passado. Contudo, o valor destinado para estas despesas foi, em 2020, apenas 10% do que havia sido destinado em 2015 e 2016.

A reitoria da Universidade Federal de Rio Grande (FURG) informou que, no orçamento de 2021, a instituição teve uma redução de 20,33% nos recursos para funcionamento e de 23,11% nos recursos de capital (para investimentos). “Desde 2016, a FURG vem reduzindo a sua despesa fixa e é essa gestão orçamentária que vem mantendo as contas da universidade em dia, embora às custas de severos prejuízos no desenvolvimento do ensino, pesquisa e extensão, assim como nas próprias atividades de manutenção e infraestrutura da universidade”, disse, em nota, o reitor da FURG, Danilo Giroldo.

Consequência dos cortes

De acordo com o presidente da Andifes, para se adequar aos cortes, as universidades precisaram reduzir despesas, o que inclui cancelar obras que estavam previstas e não fazer manutenção predial. “O que é um perigo, porque sem manutenção predial você começa a ter infiltração, problema elétrico, risco de incêndio”, diz.

No caso da UFG, Madureira destaca que foi necessário inclusive diminuir a iluminação, a segurança e a limpeza dos campi. “Chega num ponto que a gente tentou, nesse período, preservar minimamente o funcionamento dos laboratórios e das salas de aula. Com esse corte [de 2021], a gente não consegue mais blindar a sala de aula e os laboratórios, porque as universidades já fecharam o ano passado em dificuldades, algumas já deixando contas como energia, limpeza e segurança sem pagar. Você imagina uma universidade sem energia. Com esse orçamento, vai chegar a um ponto que a gente vai atrasar tanto algumas despesas que o fornecedor vai interromper o funcionamento. Por isso que a gente escuta que a UFRJ pode paralisar em julho. A UFRJ é apenas um exemplo do que está acontecendo no Brasil inteiro”, diz.

No caso da UFG, da qual é reitor, Madureira diz que a universidade encerrou 2020 com R$ 8 milhões em despesas em aberto e que, para 2021, este orçamento já deficitário foi reduzido em mais R$ 20 milhões. “A gente começou devendo 8 e, se o orçamento se repetisse, a gente ia encerrar o ano devendo mais 8, mas reduziu mais 20. Então, numa projeção simples, a gente vai chegar no final do ano com R$ 36 milhões em aberto, o que, certamente, os fornecedores não suportam e esses serviços serão interrompidos”, diz o presidente da Andifes.

Assim como Burmann, Madureira destaca ainda que todos os serviços prestados pelas universidades no enfrentamento da pandemia de covid-19 estão com a continuidade ameaçada. “Os serviços que as universidades prestaram e continuam prestando de forma exemplar para a sociedade, seja na testagem, nos estudos clínicos, no desenvolvimento de medicamentos, no desenvolvimento de vacinas, as outras pesquisas importantes, todas elas têm ameaças concretas de descontinuidade, com prejuízos incalculáveis”, afirma.

Outra área que está sendo drasticamente atingida nas universidades é a de assistência estudantil, que reúne as políticas voltadas para a permanência dos estudantes de baixa renda nas instituições, como bolsas e outros benefícios. Na UFSM, o orçamento da assistência estudantil sofreu um corte R$ 5 milhões em 2021 (de R$ 18 milhões para R$ 13 milhões).

“Nós temos, hoje, pelo menos 600 estudantes moradores de residência estudantil que não conseguiram voltar para suas casas, ou porque é uma distância muito longe ou porque suas residências não ofereciam condições para a sua manutenção por lá. E tem mais um volume muito significativo que está pedindo para voltar”, afirma Burmann.

Vice-reitor da FURG, Renato Dias disse, em nota, que a universidade precisou realizar um corte significativo nos recursos destinados à assistência estudantil, que deveriam financiar as Casas do Estudante Universitário, a oferta de refeições a baixo custo nos Restaurantes Universitários e subsídios que permitem a estudantes de baixa renda familiar manterem-se na universidade.

“A assistência estudantil é uma política recente, mas que tem repercutido positivamente, tanto na democratização da educação superior como na redução das desigualdades socioeducacionais. Inúmeros indicadores demonstram que o investimento feito em assistência estudantil reverte-se numa substantiva melhora nos processos de ensino da graduação. Esses avanços poderiam se consolidar, caso o governo federal reconhecesse a importância do papel da universidade pública para o país”, disse o vice-reitor da FURG.

Madureira diz que a Andifes e os reitores das universidades federais se reuniram na semana passada com representantes do Ministério da Educação e que uma nova reunião deve ocorrer nesta quinta-feira (13). A expectativa é que seja elaborada uma agenda para sensibilizar o Ministério da Economia e o Congresso Nacional da necessidade de suplementação orçamentária para as universidades e institutos federais.

*A reportagem esteve em contato com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) para obter informações sobre a situação da instituição, o que não foi possível até o fechamento desta matéria. Ela será atualizada assim que isso ocorrer.

12/05/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/05/corte-de-quase-20-no-orcamento-afeta-o-funcionamento-de-universidades-federais-no-rs-ckom0ob6s00aj018m5xymph5f.html

Corte de quase 20% no orçamento afeta o funcionamento de universidades federais no RS

UFRGS, UFSM, UFPel e Furg afirmam que conseguem pagar as contas somente se não houver retorno às aulas presenciais neste ano.

O Ministério da Educação (MEC) destinou R$ 4,5 bilhões para as 69 instituições mantidas pelo governo federal aplicarem em despesas do dia a dia ao longo de 2021, um repasse 18,4% menor do que em 2020 e o menor valor nominal em 10 anos, segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Como consequência, quatro das sete universidades federais do Rio Grande do Sul afirmam que só conseguirão pagar as contas de 2021 se o ensino remoto for mantido. E assim mesmo, com sacrifícios, como menos dinheiro para manutenção de laboratórios, projetos com a comunidade, segurança e até limpeza.

Os cortes são rotineiros ao longo dos últimos cinco anos, mas reitores afirmam que a situação jamais foi tão dramática. Um agravante é que apenas 40% do orçamento do ano está liberado — os outros 60% estão bloqueados e dependem de liberação no Congresso.

O presidente da Andifes, Edward Madureira, diz que todas as federais sofreram corte e que, para muitas, a redução "inviabiliza o funcionamento a partir de setembro".

— Depois, se endivida. Além disso, há um bloqueio que depende do Congresso. Sem o desbloqueio, o horizonte de funcionamento é até junho. Nosso orçamento vem sendo congelado nos últimos anos. Isso impede serviços de manutenção, o que leva a problemas de vazamento e elétricos e a uma decadência da infraestrutura. Grande parte da ciência brasileira é feita em universidades federais. Entraremos em defasagem na formação de estudantes e na inovação de ciência e tecnologia. O que está em jogo é o futuro do país, que passa pelo desenvolvimento de profissionais e da ciência — acrescenta Madureira.

Confira a situação em cada universidade afetada:

UFSM

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) tem previstos R$ 107,7 milhões para este ano – 20,5% a menos do que em 2020 –, mas só recebeu R$ 39,4 milhões até agora. A instituição afirma que o dinheiro acaba neste mês. Para dar conta do aperto financeiro, foram reduzidos o número de terceirizados em limpeza e segurança, as diárias de viagem e os custos com água em luz devido às aulas remotas, e agora não teria mais onde cortar.

— A redução de 20% no orçamento de 2021 em comparação ao ano passado é catastrófica para nós. Mas temos um fator mais cruel: 64% do orçamento autorizado na lei orçamentária anual para este ano está bloqueado. Estamos na metade de maio e, em tese, o orçamento disponível já vai estar comprometido no fim de maio. Estamos apostando que o Congresso Nacional reveja sua posição no sentido de desbloquear o orçamento para as universidades. Ainda assim, com este orçamento, é inviável terminarmos o ano. Conseguiremos retomar as aulas, mas não mantê-las na presencialidade para além de setembro — diz Paulo Burmann, reitor da UFSM.

UFPel

Com os recursos que tem em mãos, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) informa que funciona até junho, após perder 20,6% do orçamento no comparativo a 2020. Caso o Congresso desbloqueie os 60% de verba retidos, a instituição contará com R$ 58,9 milhões – o suficiente para funcionar presencialmente até setembro, segundo a reitora, Isabela Andrade. Ela diz que é o pior momento da universidade, em termos orçamentários, nos últimos anos.

— Esses R$ 58,9 milhões não atendem à demanda da universidade. No ano passado, fechamos as contas. O orçamento precisa ser recomposto pelo menos ao de 2020. Só o desbloqueio não garante o funcionamento até o fim de 2021. Temos uma previsão de investimentos necessários em função da pandemia. Sem limpeza, neste momento, é inviável retomar atividades porque precisamos prezar pela segurança das pessoas. Trabalharemos até o orçamento acabar. Não queremos abrir mão de desenvolver as atividades na universidade, que teve um papel importante no enfrentamento da pandemia — diz Isabela.

UFRGS

Se as aulas presenciais retornassem nas próximas semanas, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) não teria dinheiro suficiente para manter as atividades até o fim do ano, mesmo com liberação de mais verba pelo Congresso, aponta a instituição. O funcionamento poderia ser mantido somente com o ensino remoto.

A UFRGS conta com uma previsão de R$ 131,2 milhões para pagar água, eletricidade, terceirizados de segurança e limpeza e outras verbas do dia a dia – 18% menos do que no ano anterior. Mas, por causa do bloqueio orçamentário, só R$ 52,6 milhões estão garantidos.

A redução orçamentária é mais profunda se uma lupa for jogada para o passado: o orçamento de 2021 da UFRGS é 30% abaixo de cinco anos atrás. Nesse meio tempo, o número de estudantes passou de 40,3 mil para 43,9 mil. Além disso, segundo a universidade, não chegou verba para investimento em obras – no ano passado, havia R$ 4,3 milhões disponíveis para esse fim.

— Hoje, se tiver uma determinação para voltarem todos a trabalhar e todos os alunos a estudar, não conseguiremos tocar. Aí faltaria dinheiro. Vieram R$ 52 milhões até agora, o que representa 40% (da verba prevista para o ano). Mas o que está bloqueado vai ser liberado, pode ter certeza. Isso é uma tranquilidade. Não tem como não aprovar no Congresso. Se não liberar, fecha a instituição — diz Geraldo Jotz, pró-reitor de Inovação e de Relações Institucionais da UFRGS.

A universidade garante que não reduzirá o número de bolsas ou de auxílios para estudantes carentes, mas não há como incluir mais pessoas. Hoje, 3,8 mil alunos recebem auxílio-financeiro para pagamento de material, transporte ou moradia.

— A priorização é manter esses alunos com auxílio-estudantil. Em continuando a pandemia até o fim do ano, acreditamos que se chegue no limite de não fazer alguns cortes. O ensino remoto emergencial foi muito bem avaliado e vai perdurar para o segundo semestre de 2021. No futuro próximo, o ensino híbrido veio para ficar — acrescenta Jotz.

Furg

A Universidade Federal do Rio Grande (Furg), que perdeu 19% do dinheiro em comparação ao ano passado e quase 40% frente a cinco anos atrás, garante as atividades até junho se o Congresso não liberar os outros 60% do orçamento. Caso isso aconteça e as aulas presenciais sejam retomadas, a Furg calcula que aguenta até outubro.

— Estamos com cortes quando deveríamos estar pensando em reforço orçamentário. Sem a recomposição dos cortes, laboratórios e pesquisas ficam com risco de inviabilização — diz o reitor da Furg, Danilo Giroldo.

UFCSPA

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) injetava dinheiro próprio para compensar a pouca verba para estudantes carentes, pesquisa e extensão, mas, após sofrer corte de cerca de 20% no orçamento deste ano, será impossível criar mais auxílios estudantis, diz a reitora, Lucia Pellanda. Como forma de resolver a situação, a UFCSPA está arrecadando doações de comida para estudantes (interessados podem enviar e-mail para Ana Godoy no Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.).

— Em 2020, observamos aumento das necessidades das famílias, com muita gente perdendo emprego e mais gente precisando de auxílio. O que sempre fizemos foi, com recursos da instituição, complementar essas ações de apoio com bolsas institucionais de pesquisa e extensão. Agora, com esse corte violento que estamos sofrendo, não vamos conseguir destinar verbas extras — afirma Lucia.

Ela diz que a UFCSPA teria orçamento para o retorno presencial, mas apenas se o Congresso liberar os outros 60% das verbas.

— Se não houver complemento para o orçamento, fica inviável funcionar — diz a reitora da UFCSPA.

UFFS

Na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), o corte foi de 20% em comparação ao ano anterior. O reitor, Marcelo Recktenvald, diz que algumas obras acabaram travadas, mas a instituição consegue manter as atividades com o retorno presencial até o fim de 2021. Ao contrário dos colegas, ele vê a redução de repasse com naturalidade.

— Uma perda orçamentária impede algumas ações e investimentos, e a universidade precisa se reorganizar. Mas era previsível diante da paralisação da economia. Depois de um ano de fique em casa, qual seria a alternativa viável? Seria egoísmo da parte da universidade fazer reclamação. Espero que a sociedade brasileira supere a narrativa e dê as mãos para enfrentarmos a pandemia com o que todos podem contribuir. Infelizmente, se criou um campo de batalha ideológica em que alguns aproveitam para bater ou defender o governo. A imprensa, às vezes, toma um lado. Mas dinheiro não dá em arvore: se todo mundo para, não adianta cobrar recursos para si. Temos que ser pragmáticos — afirma Recktenvald.

Unipampa

A Universidade Federal do Pampa (Unipampa) respondeu por meio de nota em nome do reitor, Roberlaine Ribeiro Jorge. Segundo o documento, o impacto será de R$ 12,3 milhões em recursos de custeio, fomento e capital, o que corresponde a uma redução média de 20% dos recursos. "Esse recurso é destinado as despesas de água, energia elétrica, telefonia, internet, contratos e serviços da instituição, incluindo despesas com limpeza, motoristas, vigilantes, portaria auxiliares de manutenção, entre outras despesas. Com as reduções e bloqueios previstos apresenta-se a possível inviabilidade de funcionamento da instituição nos próximos meses", aponta o reitor.

Entenda a situação

O orçamento das universidades federais brasileiras foi sendo desidratado ao passar por diferentes canetaços em Brasília. Segundo o MEC, a verba para a rede federal sofreu redução de 16,5% no Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) enviado pelo governo Jair Bolsonaro ao Congresso – o documento funciona como uma previsão de gastos da União, que o Parlamento aprova ou não.

No Congresso, parlamentares cortaram mais 4% do dinheiro do MEC. Quando o documento voltou ao presidente Bolsonaro, a pasta ainda sofreu um bloqueio de R$ 2,7 bilhões e terminou com R$ 9,9 bilhões para manter toda a educação brasileira.

Segundo a Instituição Fiscal Independente do Senado (IFI), o MEC teve o maior baque entre todos os ministérios. As universidades federais, por consequência, perderam R$ 1 bilhão para as verbas discricionárias, segundo a Andifes, um valor destinado às contas do dia a dia, além de ações de extensão, manutenção de prédios e de laboratórios. 

Houve ainda queda de recursos para obras – ou seja, investimento – e para auxílio a estudantes carentes, um dinheiro que, segundo reitores, deveria ter sido reforçado para este ano, em meio ao empobrecimento da população com a pandemia.

A verba aos mais carentes, que vem de uma ação chamada Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnae), caiu de R$ 1 bilhão em 2020 para R$ 830 milhões neste ano — sendo que apenas R$ 100 milhões foram liberados, segundo a Andifes.

O MEC afirma, por nota, que “não tem medido esforços nas tentativas de recomposição e/ou mitigação das reduções orçamentárias” das instituições federais e que “está promovendo ações junto ao Ministério da Economia para que as dotações sejam desbloqueadas e o orçamento seja disponibilizado em sua totalidade para a pasta”.

A Educação diz que o bloqueio orçamentário (o que depende de aval do Congresso) não é novo e foi adotado em anos anteriores. Informa que foram realizadas análises estimadas das despesas que possuem execução mais significativa apenas no segundo semestre, a fim de reduzir os impactos da execução dos programas no primeiro semestre – veja a nota na íntegra logo abaixo.

Visita do ministro

Em visita à UFSM nesta quarta-feira (12), o ministro da Educação, Milton Ribeiro, declarou que os cortes no orçamento são "para colocar comida no prato de brasileiros".

— Ser ministro de um Ministério da Educação quando não há crise de recebimentos de tributos e impostos, como foi em anos passados, é fácil. Nesse tempo em que o governo federal é obrigado a selecionar se ele constrói um prédio a mais na educação ou se ele coloca um pouco mais de comida no prato de brasileiros que estão morrendo de fome, é muito difícil. E foi isso que o presidente Bolsonaro me disse: "Milton, vou ter que cortar porque eu faço isso ou não coloco comida no prato de um brasileiro que está faminto" — afirmou o ministro.

Reitores, no geral, refutam o argumento oficial de crise econômica. O reitor da UFSM, que recebeu institucionalmente o ministro Ribeiro nesta quarta-feira, pediu, em entrevista a GZH na terça-feira (11), que “a população faça uma leitura de contexto”.

— Tirar R$ 28 bilhões do orçamento discricionário de ministérios para dar a emendas parlamentares é uma escolha política. Não podemos encarar isso com naturalidade. O desbloqueio depende da vontade política. Das universidades, saiu R$ 1 bilhão, sem falar da educação básica. Qual parlamentar vai abrir abrir mão de R$ 1 bilhão em emendas, considerando que temos eleições no ano que vem? Sem contar os R$ 3 bilhões do orçamento paralelo. Mas tenho otimismo — diz Paulo Burmann, reitor da UFSM.

Leia na íntegra a nota do MEC:

“O Ministério da Educação (MEC) informa que, para encaminhamento da Proposta de Lei Orçamentária Anual referente ao exercício financeiro de 2021, houve situação de redução dos recursos discricionários da pasta para 2021, em relação à LOA 2020, e consequente redução orçamentária dos recursos discricionários da Rede Federal de Ensino Superior, de forma linear, na ordem de 16,5%.    

Durante a tramitação da PLOA 2021, em atenção à necessidade de observância ao Teto dos Gastos, houve novo ajuste pelo Congresso Nacional, bem como posteriores vetos nas dotações. 

Não obstante a situação colocada, O MEC tem não tem medido esforços nas tentativas de recomposição e/ou mitigação das reduções orçamentárias das IFES. 

O Ministério esclarece ainda que, em observância ao Decreto nº 10.686, de 22 de abril de 2021, foram realizados os bloqueios orçamentários, conforme disposto no anexo do referido decreto. 

Para as universidades e institutos federais, o bloqueio foi de 13,8% e reflete exatamente o mesmo percentual aplicado sobre o total de despesas discricionárias, sem emendas discricionárias, sancionado e publicado na Lei nº 14.144, de 22 de abril de 2021 – LOA 2021. Importa lembrar que o bloqueio de dotação orçamentária não se trata de um procedimento novo, tendo sido adotado em anos anteriores, a exemplo de 2019 (Decreto nº 9.741, de 28 de março de 2019, e da Portaria nº 144, de 2 de maio de 2019). 

Com relação aos demais bloqueios deste Ministério, foram realizadas análises estimadas das despesas que possuem execução mais significativa apenas no segundo semestre, a fim de reduzir os impactos da execução dos programas no primeiro semestre. 

O MEC está promovendo ações junto ao Ministério da Economia para que as dotações sejam desbloqueadas e o orçamento seja disponibilizado em sua totalidade para a pasta. 

Ressalte-se que não houve corte no orçamento das unidades por parte do Ministério da Educação. O que ocorreu foi o bloqueio de dotações orçamentárias para atendimento ao Decreto. Na expectativa de uma evolução do cenário fiscal no segundo semestre, essas dotações poderão ser desbloqueadas e executadas. 

Cumpre destacar que as universidades federais gozam de autonomia em três dimensões: didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, garantidos constitucionalmente, sendo que cabe à universidade a gestão e destinação dos créditos, inclusive eventuais alterações orçamentárias, conforme necessidade. A IFES e o Conselho do próprio hospital são responsáveis pela gestão do mesmo.”

12/05/2021 – G1

https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/05/12/universidades-federais-do-rs-tem-cortes-orcamentarios-de-ate-20percent-para-2021.ghtml

Universidades federais do RS têm cortes orçamentários de até 20% para 2021

UFSM e Furg estão entre as instituições que podem ter as atividades inviabilizadas devido à queda nos repasses federais.

As universidades federais do RS têm redução de até 20% nos orçamentos de custeio para o ano de 2021, conforme levantamento do G1. Os valores destinados pelo governo federal ao ensino superior, vêm caindo, e desde 2010 retraíram 37%.

Com a verba escassa, as instituições afirmam que podem interromper as atividades nos próximos meses, assim como anunciado nesta semana pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Em nota, o MEC informou que reduziu recursos discricionários da rede federal de ensino superior no orçamento de 2021, sancionado no final de abril, “na ordem de 16,5%” e que "não tem medido esforços nas tentativas de recomposição e/ou mitigação das reduções orçamentárias" (leia a nota na íntegra ao fim da reportagem).

Durante passagem pelo RS, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirmou que os cortes "devem adiar projetos", e apontou que a necessidade de pagamento do auxílio emergencial acarretou na redução dos repasses às universidades.

"Nesse tempo em que o governo federal é obrigado a selecionar se constrói um prédio a mais na educação ou coloca um prato a mais de comida na mesa dos brasileiros, é muito difícil", disse o ministro, durante solenidade de inauguração de salas na Universidade Federal de Santa Maria (USFM), na manhã de quarta-feira (12).

A UFSM é uma das universidades que sofreu corte de 20% no orçamento para esse ano.

Dificuldade para manter as contas após maio

Os valores reduzidos para este ano comprometem despesas correntes das universidades. Além da queda, somente 40% do total aprovado foi repassado até o momento, e os 60% restantes dependem de nova aprovação do congresso.

Algumas instituições confirmaram ao G1 que podem ter as atividades acadêmicas e administrativas interrompidas a partir do fim do mês, uma vez que serviços como energia, luz e segurança devem ser afetados.

"Várias despesas sofreram atrasos no seu pagamento devido ao atraso na aprovação do orçamento pelo congresso nacional. Isso resultou no pagamento de multas e juros em várias das despesas da instituição", afirma o responsável pelo orçamento da UFPel, Denis Franco.

O pagamento de incentivos à permanência dos estudantes também está ameaçado. "Os valores totais foram reduzidos em R$ 400 mil. O corte no PNAES resulta em menos auxílios aos estudantes carentes e, consequentemente, aumenta o risco de evasão", observa nota da Universidade Federal de Ciências de Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Os novos investimentos também retraíram, e em alguns casos, foram cortados. A FURG afirma que o repasse de investimentos reduziu 80% desde 2015, o que dificulta a consolidação da infraestrutura dos campi de Santo Antônio da Patrulha, São Lourenço do Sul e Santa Vitória do Palmar, bem como no próprio Campus Carreiros e Unidade de Saúde, em Rio Grande.

Confira abaixo mais detalhes da situação das universidades

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

A UFSM contará com R$ 107 milhões, pouco mais de 20% a menos do que o ano passado, o que representa R4 27,7 milhões a menos para custeio. Não há previsão para recursos destinados a investimentos.

"A universidade vive um dilema em relação à continuidade das suas atividades. Para complicar um pouco mais a situação, nós temos zero de investimento previsto no orçamento de 2021. Isso é para compra de equipamentos conclusão de obras que estão em andamento. Obras paradas representam um grande prejuízo", afirma o reitor, Paulo Burmann.

As salas inauguradas nesta quarta-feira (12) pelo ministro da Educação, Milton Ribeiro, nas dependências da universidade, por exemplo, não têm previsão para receberem equipamentos.

Universidade Federal de Rio Grande do Sul (UFRGS)

Sem revelar o valor total do orçamento de custeio para este ano, a UFRGS, maior universidade federal do estado, afirma que não há perspectiva de paralisação de atividades por falta de recursos no final deste mês.

Em nota, a UFRGS diz que os pagamentos da universidades estão em dia. "Por outro lado, observamos que há mais de cinco anos que o orçamento do segundo semestre é liberado às vésperas do mesmo. Sendo assim, trabalhamos com esta previsão".

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

A UFSCPA conta com R$ 9,1 milhões liberados na lei orçamentária para despesas de custeio, e aguarda a liberação de mais R$ 13,5 milhões pelo Congresso. O valor total é cerca de R$ 6 milhões a menos do que o recebido em 2020.

"Até este momento estamos conseguindo manter a qualidade, com muito planejamento e direcionamento de recursos para áreas estratégicas, entretanto os investimentos ficam prejudicados", afirma, por nota, a instituição.

Universidade Federal do Pampa (Unipampa)

A Unipampa informa que terá corte de 20% em relação ao ano passado, com R$ 12 milhões a menos em caixa para custeio.

"Atualmente os recursos de custeio/manutenção geral da Instituição envolvem em torno de R$ 24 milhões", diz o reitor, Roberlaine Ribeiro Jorge. A Unipampa confirma que há possibilidade de inviabilidade das atividades nos próximos meses.

"A gestão da Unipampa, em conjunto com as demais instituições e por intermédio da Andifes, está mobilizando forças políticas para que sejam denunciadas e combatidas as reduções ao orçamento público da educação", prossegue o reitor.

Universidade Federal de Rio Grande (Furg)

A FURG conta com cerca de R$ 50 milhões de reais para custeio neste ano, redução de 20% em relação ao ano passado, conforme o reitor, Danilo Giroldo. Com 40% do valor liberado até o momento, os recursos são suficientes para pagar as contas até o final do mês.

"Se não houver a liberação dos 60% que dependem de aprovação pelo Congresso Nacional, a universidade começa a ter atividades inviabilizadas a partir de junho", afirma.

A universidade vem renegociando contratos e revendo despesas diante da baixa sucessivas dos repasses. "O pagamento de bolsas e auxílios para estudantes tem atrasado, assim como o pagamento aos fornecedores da universidade, principalmente pelo atraso no repasse dos recursos financeiros", afirma o reitor. Assista à entrevista com o reitor abaixo.

Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

A UFPel terá cerca de R$ 51 milhões para custeio em 2021, menos do que foi disponibilizado no ano passado, R$ 74 milhões, como explica o responsável pelo orçamento da universidade, Denis Franco.

A redução afetou atividades de manutenção e reformas no prédio, devido à falta de recursos para aquisição de materiais. Despesas também estão atrasadas. "Mas o maior impacto da falta de recursos ocorrerá nos próximos meses, quando a falta de orçamento impedirá completamente a cobertura das despesas de manutenção e serviços da instituição", afirma.

Com isso, tanto atividades acadêmicas quanto administrativas poderão ser interrompidas.

Nota do Ministério da Educação

O Ministério da Educação (MEC) informa que, para encaminhamento da Proposta de Lei Orçamentária Anual referente ao exercício financeiro de 2021, houve situação de redução dos recursos discricionários da pasta para 2021, em relação à LOA 2020, e consequente redução orçamentária dos recursos discricionários da Rede Federal de Ensino Superior, de forma linear, na ordem de 16,5%.

Durante a tramitação da PLOA 2021, em atenção à necessidade de observância ao Teto dos Gastos, houve novo ajuste pelo Congresso Nacional, bem como posteriores vetos nas dotações.

Não obstante a situação colocada, O MEC tem não tem medido esforços nas tentativas de recomposição e/ou mitigação das reduções orçamentárias das IFES.

O Ministério esclarece ainda que, em observância ao Decreto nº 10.686, de 22 de abril de 2021, foram realizados os bloqueios orçamentários, conforme disposto no anexo do referido decreto.

Para as universidades e institutos federais, o bloqueio foi de 13,8% e reflete exatamente o mesmo percentual aplicado sobre o total de despesas discricionárias, sem emendas discricionárias, sancionado e publicado na Lei nº 14.144, de 22 de abril de 2021 – LOA 2021. Importa lembrar que o bloqueio de dotação orçamentária não se trata de um procedimento novo, tendo sido adotado em anos anteriores, a exemplo de 2019 (Decreto nº 9.741, de 28 de março de 2019, e da Portaria nº 144, de 2 de maio de 2019).

Com relação aos demais bloqueios deste Ministério, foram realizadas análises estimadas das despesas que possuem execução mais significativa apenas no segundo semestre, a fim de reduzir os impactos da execução dos programas no primeiro semestre.

O MEC está promovendo ações junto ao Ministério da Economia para que as dotações sejam desbloqueadas e o orçamento seja disponibilizado em sua totalidade para a pasta.

Ressalte-se que não houve corte no orçamento das unidades por parte do Ministério da Educação. O que ocorreu foi o bloqueio de dotações orçamentárias para atendimento ao Decreto. Na expectativa de uma evolução do cenário fiscal no segundo semestre, essas dotações poderão ser desbloqueadas e executadas.

Cumpre destacar que as universidades federais gozam de autonomia em três dimensões: didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, garantidos constitucionalmente, sendo que cabe à universidade a gestão e destinação dos créditos, inclusive eventuais alterações orçamentárias, conforme necessidade. A IFES e o Conselho do próprio hospital são responsáveis pela gestão do mesmo.

12/05/2021 – portal O Documento - Cuiabá

https://odocumento.com.br/cuiaba-participa-de-pesquisa-nacional-sobre-impacto-da-vacina-do-hpv/

Cuiabá participa de pesquisa nacional sobre impacto da vacina do HPV

Começou nesta semana a realização da pesquisa nacional “Estudo de Prevalência do Papilomavírus no Brasil”, que visa conhecer o impacto da vacina contra o HPV (sigla em inglês para Papilomavírus) em pessoas entre 16 e 25 anos de idade e, no caso de mulheres, que não estejam gestantes.

A coordenadora nacional do estudo, Eliana Wendland, que é médica ginecologista e obstetra, pós-doutora em Epidemiologia, professora do departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, esteve em Cuiabá na semana passada e realizou o treinamento das enfermeiras, servidores da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) que vão atuar na pesquisa e conhecendo as unidades onde serão feitos os atendimentos.

Ela explica que o objetivo da pesquisa é avaliar o impacto da vacinação contra o HPV no Brasil, o que será feito comparando os resultados atuais com os da pesquisa realizada anteriormente. “Em 2016 e 2017, a gente fez uma primeira fase do projeto em que a gente avaliou os não vacinados. Agora a gente vai avaliar os vacinados pra saber se teve alguma diferença na proporção de pessoas que tem HPV entre os não vacinados e os vacinados porque, se tiver diferença, a gente vai mostrar que a vacina funciona e o quanto ela funciona, o quanto ela reduz a infecção por HPV nas pessoas”, afirma a pesquisadora.

Nos próximos dias, começará a pesquisa com o público-alvo da pesquisa, pelas enfermeiras capacitadas nas seguintes unidades: Serviço de Assistência Especializada (SAE) Grande Terceiro, USF Clínica da Família (CPA 1), UBS Grande Terceiro e USF Parque Ohara. Os interessados em participar devem ter entre 16 e 25 anos de idade e, se for mulher, não pode estar gestante. O voluntário passará por uma entrevista, assinará um termo de consentimento e depois fará a coleta de material genético.

Eliana Wendland informa que a pesquisa é importante para os participantes porque vai proporcionar a eles o exame de HPV, que não está disponível no Sistema Único de Saúde e que custa em média R$ 400 no mercado. Em alguns casos, também será feito o exame de sangue para mensurar a imunidade de quem já está vacinado. A vacina do HPV previne contra quatro tipos do Papilomavírus, que é o principal causador de alguns tipos de câncer, como colo-uterino, de garganta, de pênis e de ânus. “Basicamente, o que a gente está querendo evitar é o câncer. Então, vacinando as pessoas contra o HPV, a gente está prevenindo as pessoas, na verdade, contra o câncer”, explica a pós-doutora em Epidemiologia.

Referência nacional

A pesquisa sobre HPV no Brasil já foi coordenada pela mesma pesquisadora entre 2016 e 2017. Na ocasião, Cuiabá foi a capital brasileira que se destacou e chegou a ser premiada por ter sido a que mais realizou coletas em menos tempo. Foram mais de 7,6 mil coletas realizadas em todas as capitais e o Distrito Federal, sendo que Cuiabá foi a que mais contribuiu, com 609 amostras coletadas.

Naquela ocasião, Cuiabá também se destacou por ter a enfermeira coletadora mais eficiente dentre os mais de 200 profissionais, no Brasil, a enfermeira Divina Eterna Silva Freitas, que fez mais de 220 coletas entre os participantes.

Desta vez, a meta é coletar 15 mil amostras de exames de HPV no período de seis meses. Mas o coordenador da pesquisa em Cuiabá, o servidor da SMS e enfermeiro Odemir de Arruda Barbosa, afirma que a meta será batida em Cuiabá em menos de quatro meses. “Nossa meta de coleta é 718, mas tenho certeza absoluta que vamos fazer cerca de 1,6 mil”, disse.

Com os resultados da pesquisa anterior, o Ministério da Saúde realizou um seminário com as várias áreas da saúde (saúde da mulher, saúde do homem) para que todas as equipes tivessem acesso às informações, que subsidiaram campanhas de conscientização sobre o HPV e sobre a vacina. “O que se espera é que este ano tenha menos pessoas infectadas, por conta da vacina”, conclui Eliana Wendland.

10/05/2021 – BBC e Época Online via BBC

BBC: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-57033107
Época Online: https://epoca.globo.com/brasil/mais-de-16-mil-brasileiros-tomaram-doses-trocadas-da-vacina-contra-covid-19-saiba-os-riscos-25011613

Covid-19: mais de 16 mil brasileiros tomaram doses trocadas da vacina contra; quais são os riscos?

Todas as vacinas usadas na campanha de vacinação contra a covid-19 em andamento no Brasil exigem duas doses para conferir um nível suficiente de anticorpos.

Detalhe importante: a primeira e a segunda aplicação precisam ser feitas com o mesmo tipo de imunizante.

Portanto, quem começou com a CoronaVac deve finalizar com esse mesmo produto, que foi desenvolvido e fabricado por Sinovac e Instituto Butantan.

Essa mesma regra vale para a AZD1222, de AstraZeneca, Universidade de Oxford e FioCruz, e para a Cominarty, de Pfizer e BioNTech, que começou a ser usada no país nos últimos dias.

Só que tal orientação não foi obedecida em pelo menos 16 mil ocasiões: esse é o número de brasileiros que haviam recebido doses trocadas de vacinas contra o coronavírus até o final de abril.

Na maioria dos casos, a pessoa tomou a primeira dose da AZD1222 e depois recebeu a segunda da CoronaVac.

Essa informação foi divulgada numa reportagem da Folha de S.Paulo e depois confirmada pelo próprio Ministério da Saúde.

Mas o que acontece com quem foi vítima dessa confusão? A troca pode causar algum mal ou exige algum cuidado extra?

Sem diretrizes oficiais

Do ponto de vista individual, não há muitos motivos para preocupação: a troca não deve provocar nenhum efeito colateral ou prejuízos à saúde.

O maior risco é uma proteção incompleta: com uma dose de cada vacina, é possível que a produção de anticorpos não seja satisfatória para barrar a covid-19.

Mas e do ponto de vista coletivo? Como essa situação será resolvida?

Até o momento, ainda não existe nenhuma orientação oficial a respeito dessa situação.

A BBC News Brasil entrou em contato com o Ministério da Saúde, mas até a publicação desta reportagem não havia recebido nenhuma resposta.

A imunologista Cristina Bonorino, que integra o Comitê de Eventos Adversos das Vacinas da Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul, diz que essa questão está sendo discutida atualmente entre os especialistas.

"O que nós sugerimos ao ministério é que seja emitida uma nota técnica em que os casos de pessoas que receberam as doses trocadas sejam notificados como um erro vacinal e elas recebam uma terceira dose dentro do intervalo estabelecido", sugere a especialista, que também faz parte da Sociedade Brasileira de Imunologia.

Vamos pegar o exemplo de um indivíduo que recebeu a primeira dose da CoronaVac e, por algum erro, tomou a segunda da AZD1222.

Segundo essa proposta do comitê gaúcho, ele deveria esperar os três meses preconizados para levar uma terceira picada no braço com a AZD1222 e, assim, ter a certeza de que completou o esquema vacinal contra a covid-19.

Já o pediatra e infectologista Renato Kfouri, da Sociedade Brasileira de Imunizações, tem uma posição diferente sobre o assunto: na visão dele, mesmo que a pessoa tenha tomado vacinas trocadas, o processo deve ser encerrado, até porque não se sabe a segurança de tomar três doses na sequência.

"O ideal é que isso não aconteça. Mas, se ocorrer, o esquema está encerrado e não se deve fazer mais nada", acredita o médico.

Ações práticas

Se você foi vítima dessa confusão, vale voltar ao posto de saúde e informar os responsáveis para que eles possam notificar o caso nos sistemas do Ministério da Saúde.

"Nessa hora, esperamos que o centro vacinal possa dar alguma orientação para a pessoa", pensa Bonorino, que é professora titular da Universidade Federal de Ciência da Saúde de Porto Alegre.

E, para aqueles que ainda vão tomar a segunda dose, vale ter atenção redobrada: leia e leve consigo aquele comprovante da primeira aplicação na hora de ir ao posto de saúde.

Neste papel, deve estar escrito qual vacina foi usada anteriormente.

Converse com o profissional da saúde que está realizando o atendimento e confira se o produto é do mesmo tipo utilizado na primeira ocasião.

Assim, você evita qualquer dor de cabeça futura e garante um bom nível de proteção contra o coronavírus.

Mas quais são os motivos que não permitem fazer esquemas vacinais com dois tipos de produtos?

Uma maratona concluída em tempo recorde

Antes de serem aprovadas pelas agências regulatórias de cada país, as vacinas passam por uma batelada de testes clínicos, que envolvem dezenas de milhares de voluntários.

Esses estudos ajudam a determinar a segurança e a eficácia desses produtos, para que eles possam ser usados com tranquilidade em milhões de pessoas.

A jornada da bancada dos laboratórios até os postos de saúde costuma levar muitos anos, até décadas.

Em razão da pandemia, os cientistas precisaram acelerar os processos sem perder o rigor da pesquisa — afinal, estamos em meio a uma pandemia que mata milhares de pessoas todos os dias.

Foi assim que diversos imunizantes foram estudados e chegaram ao público em tempo recorde, como é o caso daqueles já citados nesta reportagem.

Acontece que essa corrida pelas vacinas exigiu que os protocolos e os esquemas de imunização fossem bem definidos e bastante rígidos.

A partir deles, nós sabemos, por exemplo, que a Cominarty provê uma taxa de eficácia de 95% contra a covid-19 sintomática alguns dias após a segunda dose, com um intervalo de 21 dias entre as duas aplicações.

Os estudos promovidos por Pfizer e BioNTech foram desenhados e estruturados justamente para encontrar essas informações.

Mas o que acontece se aplicarmos só uma dose? E se aumentarmos o intervalo entre as aplicações para três ou quatro meses?

A ciência ainda não tem todas essas respostas e qualquer extrapolação no uso dessa e de outras vacinas entra no reino das incertezas.

O mesmo racional vale para essa "troca" nas doses: ninguém sabe ao certo os efeitos de tomar primeiro a CoronaVac e, depois, a AZD1222 (ou vice-versa).

"Ainda não temos estudos sobre o intercâmbio de vacinas contra a covid-19 finalizados e com resultados", admite Kfouri.

Em outras palavras, o conhecimento obtido até agora não permite estabelecer se essa mistura, feita de forma proposital ou sem querer, garante uma boa taxa de eficácia, capaz de proteger contra a covid-19 ou suas formas mais graves.

Cenas dos próximos capítulos

Essa possibilidade de intercalar os diferentes produtos é algo que começa a ser avaliado agora, por diversos grupos de pesquisa.

"Já temos estudos do tipo acontecendo nos Estados Unidos, que avaliam o uso conjunto das vacinas da Pfizer/BioNTech e da Moderna", conta Bonorino.

Outra iniciativa parecida está em andamento no Reino Unido: a pesquisa ComCov testa oito esquemas vacinais diferentes, com intervalos maiores ou menores entre as doses.

Os especialistas avaliam, por exemplo, a possibilidade de aplicar a Cominarty e depois a AZD1222, com uma espera de 28 dias ou 12 semanas entre cada dose.

A investigação conta com o investimento de 7 milhões de libras esterlinas do próprio governo britânico e deve ter seus resultados a partir de março de 2022.

"Essa troca de imunizantes que usam diferentes tecnologias pode até se mostrar interessante", observa Kfouri.

Vale lembrar que a CoronaVac se vale de vírus inativados, enquanto a AZD1222 é feita a partir de um vetor viral não-replicante e a Cominarty utiliza o princípio do mRNA.

Cada uma delas age de uma maneira diferente no organismo, com o mesmo objetivo no final: permitir que o sistema imune produza anticorpos capazes de barrar uma infecção pelo coronavírus.

A aplicação de doses com vacinas que se valem de diferentes tecnologias poderia, ao menos em tese, trazer uma resposta do sistema de defesa mais diversa e completa.

Mas, de novo, isso ainda precisa ser comprovado por essa nova leva de estudos que está em andamento.

12/05/2021 – Estado de Minas via BBC

https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/bbc/2021/05/12/interna_internacional,1265800/covid-19-mais-de-16-mil-brasileiros-tomaram-doses-trocadas-da-vacina-contr.shtml

Covid-19: mais de 16 mil brasileiros tomaram doses trocadas da vacina contra; quais são os riscos?

Até o final de abril, milhares de pessoas passaram por essa confusão nos postos de saúde. Para piorar, ainda não há uma definição oficial do que elas devem fazer para completar a proteção.

Todas as vacinas usadas na campanha de vacinação contra a covid-19 em andamento no Brasil exigem duas doses para conferir um nível suficiente de anticorpos.

Detalhe importante: a primeira e a segunda aplicação precisam ser feitas com o mesmo tipo de imunizante.

Portanto, quem começou com a CoronaVac deve finalizar com esse mesmo produto, que foi desenvolvido e fabricado por Sinovac e Instituto Butantan.

Essa mesma regra vale para a AZD1222, de AstraZeneca, Universidade de Oxford e FioCruz, e para a Cominarty, de Pfizer e BioNTech, que começou a ser usada no país nos últimos dias.

Só que tal orientação não foi obedecida em pelo menos 16 mil ocasiões: esse é o número de brasileiros que haviam recebido doses trocadas de vacinas contra o coronavírus até o final de abril.

Na maioria dos casos, a pessoa tomou a primeira dose da AZD1222 e depois recebeu a segunda da CoronaVac.

Essa informação foi divulgada numa reportagem da Folha de S.Paulo e depois confirmada pelo próprio Ministério da Saúde.

Mas o que acontece com quem foi vítima dessa confusão? A troca pode causar algum mal ou exige algum cuidado extra?

Sem diretrizes oficiais

Do ponto de vista individual, não há muitos motivos para preocupação: a troca não deve provocar nenhum efeito colateral ou prejuízos à saúde.

O maior risco é uma proteção incompleta: com uma dose de cada vacina, é possível que a produção de anticorpos não seja satisfatória para barrar a covid-19.

Mas e do ponto de vista coletivo? Como essa situação será resolvida?

Até o momento, ainda não existe nenhuma orientação oficial a respeito dessa situação.

A imunologista Cristina Bonorino, que integra o Comitê de Eventos Adversos das Vacinas da Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul, diz que essa questão está sendo discutida atualmente entre os especialistas.

"O que nós sugerimos ao ministério é que seja emitida uma nota técnica em que os casos de pessoas que receberam as doses trocadas sejam notificados como um erro vacinal e elas recebam uma terceira dose dentro do intervalo estabelecido", sugere a especialista, que também faz parte da Sociedade Brasileira de Imunologia.

Vamos pegar o exemplo de um indivíduo que recebeu a primeira dose da CoronaVac e, por algum erro, tomou a segunda da AZD1222.

Segundo essa proposta do comitê gaúcho, ele deveria esperar os três meses preconizados para levar uma terceira picada no braço com a AZD1222 e, assim, ter a certeza de que completou o esquema vacinal contra a covid-19.

Já o pediatra e infectologista Renato Kfouri, da Sociedade Brasileira de Imunizações, tem uma posição diferente sobre o assunto: na visão dele, mesmo que a pessoa tenha tomado vacinas trocadas, o processo deve ser encerrado, até porque não se sabe a segurança de tomar três doses na sequência.

"O ideal é que isso não aconteça. Mas, se ocorrer, o esquema está encerrado e não se deve fazer mais nada", acredita o médico.

Após a publicação da reportagem, a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde enviou uma nota para a BBC News Brasil em que detalha algumas informações a respeito do tema:

"O Ministério da Saúde distribui as vacinas contra a covid-19 para os entes federativos, com as respectivas notas técnicas, que têm responsabilidade de executar o Plano Nacional de Imunizações. A pasta acompanha os registros de casos de intercâmbio vacinal e recomenda aos estados e municípios o monitoramento dessas pessoas e reforça, ainda, a importância da atenção no processo de vacinação para evitar que erros ocorram. Além disso, é fundamental que a notificação da primeira dose da vacina seja registrada no cartão de vacinação com os dados relativos ao fabricante do imunizante, para garantir a correta aplicação da segunda dose."

Ações práticas

Se você foi vítima dessa confusão, vale voltar ao posto de saúde e informar os responsáveis para que eles possam notificar o caso nos sistemas do Ministério da Saúde.

"Nessa hora, esperamos que o centro vacinal possa dar alguma orientação para a pessoa", pensa Bonorino, que é professora titular da Universidade Federal de Ciência da Saúde de Porto Alegre.

E, para aqueles que ainda vão tomar a segunda dose, vale ter atenção redobrada: leia e leve consigo aquele comprovante da primeira aplicação na hora de ir ao posto de saúde.

Neste papel, deve estar escrito qual vacina foi usada anteriormente.

Converse com o profissional da saúde que está realizando o atendimento e confira se o produto é do mesmo tipo utilizado na primeira ocasião.

Assim, você evita qualquer dor de cabeça futura e garante um bom nível de proteção contra o coronavírus.

Mas quais são os motivos que não permitem fazer esquemas vacinais com dois tipos de produtos?

Uma maratona concluída em tempo recorde

Antes de serem aprovadas pelas agências regulatórias de cada país, as vacinas passam por uma batelada de testes clínicos, que envolvem dezenas de milhares de voluntários. Esses estudos ajudam a determinar a segurança e a eficácia desses produtos, para que eles possam ser usados com tranquilidade em milhões de pessoas.

A jornada da bancada dos laboratórios até os postos de saúde costuma levar muitos anos, até décadas. Em razão da pandemia, os cientistas precisaram acelerar os processos sem perder o rigor da pesquisa afinal, estamos em meio a uma pandemia que mata milhares de pessoas todos os dias.

Foi assim que diversos imunizantes foram estudados e chegaram ao público em tempo recorde, como é o caso daqueles já citados nesta reportagem. Acontece que essa corrida pelas vacinas exigiu que os protocolos e os esquemas de imunização fossem bem definidos e bastante rígidos.

A partir deles, nós sabemos, por exemplo, que a Cominarty provê uma taxa de eficácia de 95% contra a covid-19 sintomática alguns dias após a segunda dose, com um intervalo de 21 dias entre as duas aplicações.

Os estudos promovidos por Pfizer e BioNTech foram desenhados e estruturados justamente para encontrar essas informações. Mas o que acontece se aplicarmos só uma dose? E se aumentarmos o intervalo entre as aplicações para três ou quatro meses?

A ciência ainda não tem todas essas respostas e qualquer extrapolação no uso dessa e de outras vacinas entra no reino das incertezas.

O mesmo racional vale para essa "troca" nas doses: ninguém sabe ao certo os efeitos de tomar primeiro a CoronaVac e, depois, a AZD1222 (ou vice-versa)."Ainda não temos estudos sobre o intercâmbio de vacinas contra a covid-19 finalizados e com resultados", admite Kfouri.

Em outras palavras, o conhecimento obtido até agora não permite estabelecer se essa mistura, feita de forma proposital ou sem querer, garante uma boa taxa de eficácia, capaz de proteger contra a covid-19 ou suas formas mais graves.

Cenas dos próximos capítulos

Essa possibilidade de intercalar os diferentes produtos é algo que começa a ser avaliado agora, por diversos grupos de pesquisa."Já temos estudos do tipo acontecendo nos Estados Unidos, que avaliam o uso conjunto das vacinas da Pfizer/BioNTech e da Moderna", conta Bonorino. Guarde bem o comprovante de vacinação e leve-o ao posto de saúde na hora de tomar a segunda dose.

Outra iniciativa parecida está em andamento no Reino Unido:

a pesquisa ComCov testa oito esquemas vacinais diferentes, com intervalos maiores ou menores entre as doses. Os especialistas avaliam, por exemplo, a possibilidade de aplicar a Cominarty e depois a AZD1222, com uma espera de 28 dias ou 12 semanas entre cada dose.

A investigação conta com o investimento de 7 milhões de libras esterlinas do próprio governo britânico e deve ter seus resultados a partir de março de 2022. "Essa troca de imunizantes que usam diferentes tecnologias pode até se mostrar interessante", observa Kfouri.

Vale lembrar que a CoronaVac se vale de vírus inativados, enquanto a AZD1222 é feita a partir de um vetor viral não-replicante e a Cominarty utiliza o princípio do mRNA.

Cada uma delas age de uma maneira diferente no organismo, com o mesmo objetivo no final: permitir que o sistema imune produza anticorpos capazes de barrar uma infecção pelo coronavírus.

A aplicação de doses com vacinas que se valem de diferentes tecnologias poderia, ao menos em tese, trazer uma resposta do sistema de defesa mais diversa e completa. Mas, de novo, isso ainda precisa ser comprovado por essa nova leva de estudos que está em andamento.

10/05/2021 – Jornal Correio do Povo

https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/falta-de-imunizantes-evidencia-falso-avan%C3%A7o-na-vacina%C3%A7%C3%A3o-contra-a-covid-19-no-brasil-1.616928

Falta de imunizantes evidencia falso avanço na vacinação contra a Covid-19 no Brasil

Para especialistas, quem recebeu apenas uma aplicação não pode ser considerado vacinado, pois, conforme a eficácia informada pelos laboratórios, é necessário concluir a imunização com as duas doses

A paralisação da aplicação da segunda dose da Coronavac/Butantan revela que a sensação de avanço na vacinação não era real. O Rio Grande do Sul ganhou fama pelo país ao ser o estado com a situação mais adiantada, ao se considerar a aplicação da primeira dose, com 21,43% da população – mas, na verdade, fica em 4º lugar quando se vê que apenas 9% dos gaúchos estão com a segunda dose no braço. Para especialistas, quem recebeu apenas uma aplicação não pode ser considerado vacinado, pois, conforme a eficácia informada pelos laboratórios, é necessário concluir a imunização com as duas doses, como também é caso dos produtos Astrazeneca/Oxford e Pfizer/BioNTech.

Com a chegada das 63.600 doses neste final de semana, o RS ainda precisa de pelo menos 369.330 doses de Coronavac para concluir vacinação daqueles que foram vacinados com doses recebidas nos dias 20 e 26 de março e 2 de abril. E mesmo com a previsão da entrega ao Ministério da Saúde, nesta semana, de 4,1 milhões de doses pelo Butantan, não há garantia de que isso acabe com a espera de quem aguarda pela segunda dose.

Para dar uma impressão de celeridade, prefeituras e governos estaduais têm feito uma leitura equivocada do avanço da vacinação, segundo Cristina Bonorino, imunologista, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro dos comitês científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI). “Eles estão pensando no ‘vacinômetro’. Só primeira dose não vale como imunização”, garante. Não é o caso de Porto Alegre, especificamente, em que a aplicação das duas doses é documentada em dados em separado e sem percentuais.

Entretanto, quem conferia na última sexta-feira o painel disponibilizado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), por exemplo, observava que 74% das 4.672.337 doses distribuídas foram aplicadas. Mas quando o dado é desdobrado, se observa que apenas 41% dos vacinados com a 1ª dose tomaram a segunda, o que mostra o abismo entre uma fase e outra da campanha. 

Porto Alegre entre as 10 melhores com segunda dose

Na comparação entre as 12 principais capitais brasileiras, Porto Alegre fica em 9º lugar na aplicação da segunda dose, com 52,55% das 406.362 pessoas que tomaram a primeira dose, o que correspondia até a última sexta-feira a 213.562 imunizados por completo, de fato. E mesmo entre os estados da Região Sul, a Capital gaúcha fica em último lugar na comparação com Curitiba e Florianópolis. Lidera a lista a capital do Pará, Belém, com 70% de conclusão da aplicação das vacinas entre os que tomaram dose inicial.

Mas não guardar doses era uma opção que não precisava ser obrigatoriamente seguida. Foi o caso da capital fluminense, que decidiu reservar parte das doses de Coronavac e ficou em antepenúltimo entre as 12 cidades, com 46% das pessoas completamente vacinadas. “Apesar de ter tido uma liberação do Ministério da Saúde no sentido de que não se reservasse a segunda dose, tomamos o cuidado de fazer uma reserva técnica", disse o prefeito Eduardo Paes, no último dia 29. Mas mesmo assim, a medida não foi suficiente e a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro informou que, devido à falta de entrega de novas remessas da Coronavac, só pretende retomar a aplicação ao longo desta semana.

A semana passada terminou com uma revisão na estratégia da campanha em várias cidades do Rio Grande do Sul e do país. Na quinta-feira, o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, já havia anunciado que a Capital guardaria a 2ª dose das vacinas da Pfizer/BioNTech e da Coronavac para garantir a imunização completa de quem já começou o processo de proteção.

No mesmo dia, o prefeito de Belo Horizonte (MG), Alexandre Kalil, por exemplo, se arrependeu de ter seguido as orientações recebidas pelo Ministério da Saúde, de não reter doses, o que acarretou no adiamento da segunda aplicação nas pessoas com idades entre 64 e 67 anos. No dia seguinte, o próprio ministério já havia mudado de postura e determinou, por exemplo, que se reservasse as 243.400 doses da Astrazeneca/Oxford recebidas no dia 6 pelo Rio Grande do Sul e que serviriam para avançar a vacinação das comorbidades no estado.

Ao não se reservar vacina para a segunda dose, a ideia era acelerar a campanha, sem interrupções. A orientação partiu do Ministério da Saúde, ainda em fevereiro, sob a gestão de Eduardo Pazuello. Mas quase dois meses depois, com a falta de imunizantes, a medida se mostrou fracassada. “Fomos induzidos ao erro nessa matéria. Lá atrás, o Ministério da Saúde nos recomendou não guardar a segunda dose e aplicar todas as vacinas que chegassem e por isso aconteceu o episódio de ontem onde faltou vacina na Capital, no Estado e no Brasil. Por isso, essa alteração", afirmou Melo naquela ocasião.

“É óbvio que entre uma primeira dose e a segunda, deveriam guardar a segunda. Mas os estados e municípios entraram numa conversa desqualificada do Ministério da Saúde, de que viriam mais doses. Você não poderia ter liberado a primeira dose se não havia reposição. Foi uma gestão sanitária temerária”, aponta o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), enfermeiro, sanitarista e doutor em Saúde Coletiva, Dário Frederico Pasche. 

Estado tem falta generalizada de segunda dose

No Rio Grande do Sul, o problema não se concentra apenas em Porto Alegre. As faltas de doses também ocorrem no interior e nas diversas regiões. Em Caxias do Sul, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, estão faltando cerca de 11 mil doses de Coronavac. Mas com a remessa deste último sábado, o município da Serra vai receber apenas 1.380 doses. Em Pelotas, no sul do estado, o município precisa de 19 mil doses de Coronavac e 7 mil da Astrazeneca para concluir a vacinação das pessoas com idades entre 60 e 69 anos. Mas neste último carregamento, apenas 2.590 doses foram destinadas à cidade.

Em Santa Maria, na região Central, o déficit de Coronavac chega a 8 mil doses e o município receberá só 870 nesta segunda-feira. A tendência é que a situação se agrave. O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou recentemente que não deve ter mais doses da vacina a partir do dia 14 de maio. Ele atribui o atraso na chegada do insumo farmacêutico ativo (IFA), fundamental para a produção dos imunizantes, às críticas do governo federal à China, principal fornecedora desta matéria-prima. O Ministério da Saúde foi procurado, mas não se manifestou sobre o assunto até a publicação desta reportagem.

Ainda conforme a SES, as retenções de doses de todos os imunizantes, que vão começar a ser feitas desde esta semana, vai obrigar a secretaria a rever o planejamento para vacinar pessoas com comorbidades até os 33 anos. No caso, invés de avançar com a primeira dose para pessoas mais jovens com comorbidades, com a reserva da última remessa de Astrazeneca, a segunda dose está garantida para pessoas que receberam a primeira aplicação a partir das doses recebidas em 25 de fevereiro e 22 e 26 de março. A segunda dose para esses grupos está prevista para ser aplicada a partir dos dias 21 de maio e 14 e 18 de junho.

Estados em dificuldades

Maior parte dos estados têm enfrentado dificuldades para fazer a segunda dose (D2) da Coronavac/Butantan. Há relatos de problemas no Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Ceará e o envio das doses neste final de semana não resolve os problemas. A exceção foi Santa Catarina, que tinha uma carência de 47 mil doses e recebeu 55.800 e irá conseguir concluir a vacinação de todos ao longo desta semana, segundo a Secretaria Estadual de Saúde catarinense.

“Quando vem os imunizantes, vem muitas poucas doses. E elas ainda chegam a conta gotas. Isso abre um grande problema para as vigilâncias (epidemiológicas) dos municípios e dos estados, que é programar doses de vacinas entre uma e outra e públicos diferentes. Isso abre uma complexidade muito grande num programa de imunização que tem uma lógica programática, que trabalha com poucas variáveis”, explica o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), enfermeiro, sanitarista e doutor em Saúde Coletiva, Dário Frederico Pasche. 

Pelo menos 12 cidades do Paraná estavam com a aplicação da segunda dose da vacina contra a Covid-19 suspensa por falta de imunizantes. Em São Paulo, cerca de 25 cidades chegaram a suspender a imunização da segunda dose até receberem novos lotes da Coronavac. O secretário de Saúde paulista, Jean Gorinchteyn disse que governo envia aos municípios quantidades iguais para 1ª e 2ª doses, mas acusou as prefeituras de não seguirem a orientação de reservar os lotes. No Rio de Janeiro, são pelo menos 12 cidades sem conseguir concluir a vacinação daqueles que receberam a primeira dose do imunizante contra a Covid-19.

Em Minas Gerais, as 100.200 doses recebidas neste final de semana serão insuficientes para dar conta de atender a todos os municípios com falta da Coronavac. A aplicação da segunda dose da CoronaVac está suspensa em diversas cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte e do interior de Minas Gerais. Somente na capital mineira, 80 mil idosos de 64 a 67 anos que tomaram a primeira dose aguardavam o reforço vacinal. Mas a prefeitura pretende retomar a campanha nos próximos dias.

Na Bahia, as 60.200 serão insuficientes para atender a demanda reprimida apenas em Salvador, que tem 65 mil pessoas aguardando na fila para tomar a segunda dose da vacina Coronavac. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), desse total, 54 mil estão com o esquema vacinal atrasado desde 20 de abril e outras 11 mil sequer tem perspectiva da data em que vão receber o reforço do imunizante desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac em parceria, no Brasil, com o Instituto Butantan. 

Pernambuco tem uma situação bastante parecida com a do Rio Grande do Sul. Para completar a imunização, eles precisam de pelo menos 126 mil doses e receberam neste final de semana, apenas 16 mil doses da Coronavac. Recebendo menos vacinas do que era esperado, municípios do Grande Recife alteraram o esquema de imunização. A prefeitura da capital pernambucana inclusive remarcou todas as pessoas que estavam agendadas para receber a segunda dose de Coronavac entre 29 de abril e 9 de maio para datas a partir de hoje.

O governo estadual orientou aos municípios a utilizarem os estoques que restaram da Coronavac, prioritariamente como segunda dose, completando os esquemas vacinais já iniciados contra a Covid-19. No Ceará, pelo menos 15 cidades suspenderam a aplicação da segunda dose, entre elas, Fortaleza, que tem um déficit de 40 mil doses de vacina. O recebimento de 38 mil doses neste final de semana será insuficiente para resolver o problema por lá.

Aplicação da segunda dose nas principais capitais – ver matéria completa.

08/05/2021 – Correio Braziliense e BBC Brasil

Link Correio Braziliense: https://www.correiobraziliense.com.br/ciencia-e-saude/2021/05/4923112-desafios-da-butanvac-que-usara-20-milhoes-de-ovos-para-produzir-40-milhoes-de-vacinas.html
Link BBC: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-56988546

Desafios da ButanVac, que usará 20 milhões de ovos para produzir 40 milhões de vacinas

Ovos de galinha são uma presença constante no Instituto Butantan, em São Paulo: é neles que costumam ser injetados os vírus usados todos os anos na produção da vacina contra a influenza

Ovos de galinha são uma presença constante no Instituto Butantan, em São Paulo: é neles que costumam ser injetados os vírus usados todos os anos na produção da vacina contra a influenza, aplicadas na campanha de vacinação nacional contra a gripe.

Agora, a mesma técnica está sendo repetida na ButanVac, a vacina que o instituto paulista está desenvolvendo contra a covid-19, em um processo que visa produzir e entregar 40 milhões de doses a partir de julho - um prazo por enquanto considerado irreal por alguns especialistas independentes, uma vez que sequer foi testada a eficácia desse novo imunizante em humanos até o momento.

De qualquer modo, para fazer chegar a essa quantidade, terão de passar pelas instalações do Butantan cerca de 20 milhões de ovos de galinha especificamente para a ButanVac - e, em teoria, muitos milhões mais depois disso, quando houver resultados dos testes clínicos da vacina e informações mais concretas a respeito de quão amplo será seu uso contra a covid-19 no Brasil.

Em cada um desses ovos - por enquanto, são 521 mil já entregues ao laboratório paulista por granjas especializadas - está sendo injetada uma pequena quantidade do vírus da "doença de Newcastle", um mal aviário que é inofensivo em humanos.

Esse vírus foi geneticamente modificado para receber a "proteína S" do SARS-CoV-2, ou seja, a estrutura do coronavírus que se encaixa nas células humanas e as infecta, causando a covid-19.

A intenção é que, munido da proteína S do coronavírus, o vírus da doença de Newcastle seja capaz de estimular a produção de anticorpos contra a covid-19 no organismo humano.

E é aí que os ovos de galinha entram na história: é dentro de cada um deles, nos laboratórios do Butantan, que o vírus de Newcastle vai se alimentar e se multiplicar em nível suficiente para produzir (segundo estimativas) duas doses de vacina por ovo.

"O vírus usa as células do embrião do ovo para essa replicação", explica à BBC News Brasil Douglas Gonçalves de Macedo, gerente de produção da fábrica do Butantan onde será feita a ButanVac. "Deixamos o ovo na temperatura ideal, entre 35° e 40° Celsius, para o vírus crescer exponencialmente lá dentro. Depois de 72 horas, ele passa por um processo de purificação (que inclui a inativação do vírus e a diluição do produto final). E disso temos o IFA."

IFA é a sigla de Ingrediente Farmacêutico Ativo, que o Brasil tem por enquanto importado da Índia e da China para envasar aqui - especificamente os IFAs das vacinas CoronaVac e AstraZeneca, respectivamente no Butantan e na Fiocruz.

Extraído do ovo, esse IFA nacional será purificado, diluído e embalado na própria fábrica do Instituto Butantan, no que se espera que seja a primeira vacina integralmente produzida no Brasil contra a covid-19, mais barata e mais facilmente disponível por não depender desse IFA importado, atualmente escasso no mercado internacional.

Em teoria, essa tecnologia também será capaz de produzir vacinas eficazes contra as novas variantes do coronavírus, uma vez que se pode escolher de qual cepa (por exemplo, a brasileira P.1) será retirada a proteína S.

Mas para tudo isso se concretizar dentro do cronograma e volume esperados pelo governo paulista, muita coisa ainda falta acontecer: desde a aprovação pela Anvisa até testes clínicos que sejam bem-sucedidos. É aí que começa uma corrida de obstáculos.

Por enquanto, "é muita expectativa em cima de algo que ainda não tem nenhum estudo feito em humanos, que é quando teremos ideia de como a vacina funciona", adverte à BBC News Brasil a imunologista Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências de Porto Alegre e membro dos comitês científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia.

Testes de eficácia

O desenvolvimento da ButanVac foi anunciado pela primeira vez em 26 de março, pelo governador paulista João Doria e pelo presidente do Butantan, Dimas Covas (no mesmo dia, o Ministério da Ciência anunciou que também pediu aprovação na Anvisa para testes clínicos de outra vacina nacional, chamada Versamune, em desenvolvimento com a Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto).

"Este é um anúncio histórico para o Brasil e para o mundo. A Butanvac é a primeira vacina 100% nacional, integralmente desenvolvida e produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, que é um orgulho do Brasil", disse Doria na ocasião.

Os anúncios das vacinas nacionais foram recebidos com otimismo pelo público e por cientistas. É bom lembrar, porém, que naquele mesmo dia a Folha de S.Paulo publicou reportagem mostrando que, na verdade, a patente da vacina viera de um hospital americano e fora cedida ao Butantan.

O fato de isso não ter sido detalhado por Doria e Covas na entrevista coletiva impactou negativamente a credibilidade dos anúncios do Butantan perante os cientistas, diz Bonorino.

"Pegou supermal. A vacina não foi desenvolvida no Brasil - foi desenvolvida lá fora e daí foi cedida a patente."

À época, o Butantan confirmou à Folha que tinha obtido a "licença de exploração de parte da tecnologia desenvolvida pela Icahn School of Medicine do Hospital Mount Sinai de Nova York para obter o vírus (da 'doença de Newcastle') e a partir disso o desenvolvimento da vacina é feito completamente com tecnologia do Butantan".

Por conta desse episódio, de outros atrasos e de ausências de divulgação de dados relacionados aos testes e aos prazos de entrega da CoronaVac, Bonorino e outros especialistas veem com ceticismo também os prazos apresentados até agora para a ButanVac, de ter as 40 milhões de doses prontas e, sobretudo, devidamente aprovadas em tão poucos meses.

No momento, o Instituto Butantan ainda está em processo de entregar documentação para obter, perante a Anvisa, aprovação para realizar testes clínicos de fase 1, 2 e 3 com a ButanVac. E só nesses testes que serão analisadas a segurança, a melhor dosagem e qual é de fato a eficácia do imunizante contra a covid-19, ou seja, o quanto a ButanVac induz o corpo a produzir anticorpos e as células de defesa do organismo chamadas de linfócitos T.

"Otimisticamente, estamos falando de estudos que devem levar 8 ou 9 meses, com intervalos entre (as fases) dos estudos e a publicação dos dados", explica Bonorino.

Esses testes, diz a assessoria do Butantan, ainda estão sendo desenhados, enquanto se aguarda o aval da Anvisa.

Isso em tese pode tornar inviável o anúncio de João Doria, de ofertar "18 milhões de doses prontas na primeira quinzena de junho, quando o processo de aprovação da Anvisa for concluído".

Fornecimento e processo fabril

Uma curiosidade sobre os testes clínicos é que em ao menos um ponto importante eles devem ser diferentes dos feitos nas vacinas já feitas até agora: a ausência do uso de placebos.

Como agora já existem vacinas disponíveis e comprovadas contra a covid-19 (o que não era o caso quando foram testadas inicialmente a CoronaVac e a AstraZeneca, por exemplo), a ButanVac precisará ter sua eficácia testada em relação a esses imunizantes, e não em relação a placebos, explica Bonorino.

É só depois que esses testes - se bem-sucedidos - forem concluídos e validados que a ButanVac poderá, de fato, ser aplicada no braço dos brasileiros.

Mesmo enquanto isso não ocorre, o Butantan anunciou em 28 de abril que já havia recebido o lote inicial de 520 mil ovos para iniciar a produção de estimadas 1 milhão de doses de sua vacina, para chegar em junho aos 18 milhões anunciados por Doria.

Douglas Macedo, gerente de produção do Butantan, confirma que a principal incógnita são os testes clínicos. Do ponto de vista logístico, diz ele, a estrutura fabril do Instituto está preparada para atender a demanda e cumprir o cronograma mencionado pelo governador, uma vez que já conta com um suprimento constante de matérias-primas e que a produção da ButanVac pode ser facilmente intercalada com o processo de envase da CoronaVac.

"Tirando a parte clínica, a logística de encaixar (a produção) não tem complexidade alta por conta da nossa capacidade produtiva. Como o recebimento da CoronaVac tem janelas (ou seja, não ocorre o tempo todo), é tranquilo de encaixar a formulação e o envase da ButanVac, ou dedicar alguma linha de produção especificamente para ela, sem causar atrasos nem desabastecimento", diz Macedo.

Como os insumos básicos (desde ovos de galinha até frascos e embalagens) são os mesmos usados para fazer a vacina da gripe, "já temos um certo estoque, programação de recebimento de fornecedores que atendem o Butantan durante o ano todo. As aves já estão alojadas, eles (fornecedores) já têm processos de controle e caminhões de entrega", prossegue.

Trata-se de granjas específicas, explica Macedo, que passam por avaliações de qualidade para produzir "ovos embrionados controlados" a serem usados exclusivamente para a produção de vacinas.

Com base em projetos piloto, estima-se por enquanto que cada ovo tenha material suficiente para produzir duas doses de vacina.

Por enquanto, "um dia normal nosso realmente não tem hora para começar e terminar. Por mais que a fábrica tenha muita experiência com a plataforma de ovos com a vacina da influenza, (a ButanVac) é algo novo, que está sendo validado, testado, acompanhado de ponta a ponta. Cada passo e cada injeção de ovos e coleta depois têm que ser acompanhados, para vermos se tem alguma coisa a ser melhorada. Mas o pensamento é que é um produto que pode ajudar muito (o Brasil)", diz Macedo.

08/05/2021 – Correio do Povo

https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/nova-tenda-para-vacina%C3%A7%C3%A3o-inaugura-com-extensa-fila-em-porto-alegre-1.616454

Nova tenda para vacinação inaugura com extensa fila em Porto Alegre

Estrutura estará disponível até o dia 30 de maio e funcionará nos dias em que houver doses disponíveis para aplicação.

Uma tenda de 12 metros por 24 metros de comprimento, instalada no estacionamento do Bourbon Country, doada pela Associação dos Juízes do RS (Ajuris), Escola da Magistratura da Ajuris e Associação do Ministério Público e Fundação Escola Superior do Ministério Público, possibilitou a Prefeitura de Porto Alegre abrir uma nova frente de vacinação contra a Covid-19 desde este último final de semana. Sábado foi o primeiro dia em que a imunização ocorreu no local, montado no estacionamento externo do empreendimento, mas acessível apenas a pedestres. A estrutura estará disponível até o dia 30 de maio e funcionará nos dias em que houver doses disponíveis para aplicação.

A estrutura estreou às 9h, com 1 minuto de silêncio em homenagem às vítimas da Covid-19 e uma salva de palmas aos profissionais que estão atuando na vacinação. O terceiro sargento do Exército Brasileiro, Bruno Silva, tocando músicas brasileiras no trompete, dava boas-vindas aos vacinandos, que aguardavam numa extensa fila desde o final da madrugada. Os trabalhos no sábado encerram às 17h. No domingo, 9, a tenda funcionará das 9h às 13h.

Sob a tenda, que custou cerca de R$ 50 mil, pode trabalhar uma equipe de cerca de 50 pessoas, entre vacinadores, triagem e digitadores. “A ideia é conseguir atender um grande fluxo de pessoas, com a gente podendo aumentar nossa cobertura vacinal. No primeiro dia que a gente abriu o grupo das comorbidades, vacinamos cerca de 2.300, 3.600 no segundo e ontem (sexta-feira) a gente já conseguiu vacinar mais de 7 mil. Adicionando uma estrutura como esta, talvez a gente consiga ter uma maior cobertura vacinal”, projeta a diretora adjunta da Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Fernanda Fernandes.

O acesso pode ser feito pelas entradas das ruas Thadeu Onar e Dário Bittencourt.  O espaço foi cedido pelo Grupo Zaffari e conta com o apoio da Associação Médica do RS (Amrigs), Equipe G, universidades Factum, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), UniRitter e Unisinos, farmácias Panvel, Droga Raia e São João, Instituto do Câncer Infantil, Comando Militar do Sul, Brigada Militar, Guarda Municipal e Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).

08/05/2021 – G1 RS

https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2021/05/08/festa-virtual-comida-delivery-e-um-raro-reencontro-especialistas-contam-como-sera-o-dia-das-maes.ghtml

Festa virtual, comida delivery e um raro reencontro: especialistas contam como será o Dia das Mães

O G1 conversou com cinco especialistas que trabalham no enfrentamento da Covid-19. Eles falaram sobre o Dia das Mães e fizeram um alerta: ainda não é hora de aglomerar.

Em 2020, o Dia das Mães caiu bem no início da pandemia de Covid-19 no Brasil. Na época, o país tinha cerca de 11 mil mortes confirmadas pela doença e especialistas já alertavam que as pessoas deveriam ficar em casa, sem reuniões familiares.

Um ano depois, com mais de 410 mil brasileiros mortos pelo coronavírus, as recomendações seguem as mesmas. Mesmo com a campanha de vacinação já implementada, os encontros devem ser evitados e as medidas não farmacológicas não podem ser esquecidas: ambientes ventilados, uso de máscaras, distanciamento social e higiene das mãos.

O G1 perguntou a cinco especialistas como eles vão passar o Dia das Mães. Eles também fizeram um alerta sobre a pandemia: não é hora de aglomerar.

'Encontro na calçada'

Lucia Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e professora de epidemiologia, mora com a filha de 25 anos. Os pais moram no mesmo prédio e já estão vacinados. Mesmo assim não haverá encontro com toda a família.

“No ano passado a gente fez só por vídeo e esse ano será a mesma coisa. Toda a família vai se reunir por videoconferência. Eu estarei em casa, com a minha filha. Meus pais já estão vacinados e nós moramos no mesmo prédio, o que diminui a exposição, já que a mobilidade é menor. Vamos nos encontrar na rua, na calçada, de máscara e mantendo o distanciamento para conversar um pouquinho. Vou comemorar com a minha filha em casa e depois vamos encontrar a vó, mantendo a distância."

"Eu acho bem importante entender que o final dessa pandemia também depende de nós. Usar máscara, manter o distanciamento e cuidar da ventilação são as três coisas que nós podemos fazer. Quando aglomeramos, estamos colocando a mãe em risco. É muito importante que a gente expresse o amor de outras formas, não precisa da presença física. Você pode expressar o amor à distância. Se a gente quer evitar uma piora que está se configurando, eu acho que é muito importante a gente amar à distância nesse Dia das Mães", diz.

"Como mãe posso dizer que o melhor presente é ter os filhos em segurança."

A professora de epidemiologia também faz um alerta sobre os idosos que já foram vacinados. "A vacina reduz muito o risco de infecção. Mas como estamos em um contexto de muita transmissão ainda, o vírus está circulando muito, a vacina não reduz o risco para zero. Quem tomou a vacina não está liberado. Às vezes, o idoso fica com a ideia de estar livre para ver a família, os netinhos... Pode ver, mas com os cuidados: máscara, distanciamento, ventilação", finaliza.

Reencontro após 15 meses

Jamal Suleiman, infectologista do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, perdeu o irmão e a cunhada para a Covid-19. Ele conta que, depois de 15 meses, vai reencontrar a mãe, de 84 anos, neste domingo (9).

"Eu uso todos os EPIs, não circulo e estou imunizado. Minha mãe está isolada desde fevereiro/março do ano passado. Ela recebeu duas doses de vacina e segue mantendo o isolamento. Ela perdeu o filho mais velho, meu irmão, para a Covid-19 e não pudemos estar juntos nesse momento, como em todos os outros. Isso tem sido muito difícil para ela e eu vou ficar com ela esses dois dias. Eu estou deixando a minha mulher, que é avó também, minha neta, que será o primeiro Dia das Mães falando, mas a gente precisa fazer isso", conta o médico.

"Serão dois dias, mas o suficiente para a gente poder trocar afeto, que é o que interessa."

"Minha mãe faz tudo o que eu falo. Ela não tira a máscara em hipótese alguma. Ela é uma excelente cozinheira. E desde o ano passado, as amigas todas estão escondidas. Mesmo vacinadas, elas não se encontram. 'O Jamal fala que é pra ficar aqui', e elas ficam."

O infectologista lembra que o Dia das Mães é um evento social, por isso devemos minimizar os riscos.

"As pessoas mais velhas estão sendo imunizadas e isso reduz a chance de doença grave. Mas precisamos considerar que filhos e netos ainda não estão imunizados e é aqui que reside o risco. O Dia das Mães é um evento social, muita gente quer ver o sorriso da mãe, quer dar um beijo na mãe. Nesse contexto, você precisa entender que, se você tirar a máscara, e você for o portador do vírus, sua mãe está em risco."

"Se você está isolado e sua mãe isolada e imunizada, cria uma situação de mais conforto, risco menor. Não existe risco zero, mas é mínimo. Agora, se você não está isolado, o risco é muito alto. Qualquer aglomeração que coloca duas pessoas em uma proximidade menor que um metro, já é um risco. Você vai falar, comer, rir, cantar. É um encontro social. Isso é um risco grande", completa Suleiman.

O Dia das Mães pode dar início a uma nova onda de contaminações, diz o infectologista. "Todos os rituais que contam com pessoas representam riscos. Se as pessoas não entenderem a importância dessa mensagem, agora os pais vão passar a enterrar os filhos, que é tudo o que não queremos. Não se trata de restringir por restringir."

"Precisamos ter responsabilidade. Está com o desejo [de encontrar sua mãe]? Ele é válido. Agora, cuide-se, se organize. Nós já sabemos qual é o período de incubação, qual a margem de segurança para fazer esse encontro. Preste atenção nos detalhes e dá para fazer isso [encontrar a mãe] de maneira adequada", finaliza o infectologista.

Vacina não é passe livre para encontros

A infectologista do hospital Sírio Libanês, em São Paulo, Mirian Dal Ben, tem dois filhos e já está imunizada. Mas ela alerta que isso não é passe livre para os encontros. Assim como em 2020, o Dia das Mães desse ano será virtual.

"Minha mãe e minha sogra já tomaram a vacina. Eu estou vacinada, mas as crianças ainda não e estão indo para a escola. A doença está circulando bastante e a gente sabe que a vacina protege contra as formas graves da doença, mas mesmo assim você pode ter Covid assintomática e transmitir. Por isso, a gente vai continuar fazendo esse isolamento social. Vamos passar o Dia das Mães só na nossa bolha, no nosso núcleo familiar", conta a infectologista.

"Será mais um Dia das Mães sem ver minha mãe pessoalmente."

"Vamos falar por mensagem. Já encomendei um presente pra ela com recadinho e uma foto das crianças, mas optamos por passar um Dia das Mães um pouco mais seguro e sem dar chance para o vírus ser transmitido, não dar chance para essa cadeia de transmissão se perpetuar."

Ela alerta que o Dia das Mães em 2021 será em uma situação epidemiológica (os números no Brasil seguem altos) bem mais complicada do que 2020. "Não faz sentido a gente relaxar ainda, mesmo os pais já estando vacinados. Ainda temos que esperar um pouquinho."

"Se a pessoa fizer questão de ver a mãe, deve tentar minimizar os riscos: ver em um ambiente aberto, respeitando o distanciamento social, usando máscara, ficando distante na hora da alimentação. O risco é maior se você optar por ir ao restaurante, onde tem mais pessoas e, geralmente, o ambiente é fechado. É uma régua do risco: tem o risco menor e assumir o maior. Cabe a nós escolher qual o risco que vamos correr, estar ciente do risco, dentro das possibilidades que temos. Dar uma festa não é correto e nem permitido. Fazer uma festa com 20, 30 pessoas não é permitido", completa Dal Ben.

Comida de mãe delivery

Ethel Maciel, epidemiologista da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), também vai passar com o núcleo familiar. Ela tem três filhos – dois moram com ela e outro fora do país – e ainda não foi vacinada. Os pais, maiores de 85 anos, já tomaram as duas doses.

Ela conta que a família sempre foi adepta de grandes comemorações, mas que esse ano não será possível. "Sou a caçula de seis irmãos. E eu sou aquela que vai impedindo as pessoas de fazer as coisas. A família pergunta: a Ethel deixou? Não deixou. Cada um vai passar na sua casa."

"Minha mãe vai fazer o almoço e os filhos vão pegar a comida gostosa da mamãe."

"Meus pais sempre reuniram toda a família. Minha mãe sempre cozinha, tem 85 anos, mas sempre cozinhou e cozinha. Ela vai fazer o almoço e meus irmãos que moram próximo vão pegar a comida e levar para casa para comemorar com os filhos que moram com eles. É assim que a gente vai passar: sem aglomerar, mantendo o distanciamento físico e buscando a comida de máscara", diz a epidemiologista.

Maciel diz que é hora de proteger a família, mesmo que todos estejam imunizados. "Precisamos fazer assim [sem aglomerações] para proteger os nossos familiares, mesmo os que estão vacinados. Precisamos continuar com as medidas de prevenção."

Só o núcleo familiar

A mãe do médico Renato Kfouri, infectologista e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), faleceu no meio da pandemia de Covid-19. Ele mora com a esposa, a sogra e com uma das filhas. Neste ano, mesmo depois de ter tomado a vacina, a comemoração será só com o núcleo familiar.

"Nós já tomamos as duas doses da vacina [Kfouri, a mulher e a sogra]. Mesmo com a vacinação, não vamos aglomerar. Passaremos minha sogra, minha esposa e minhas duas filhas. Seremos só nós. Nosso núcleo doméstico e minha filha que vai vir, que está bem isolada. Ela é psicóloga e já tomou uma dose da vacina", conta.

Em outros anos, a reunião familiar era maior. "Minha esposa tem uma irmã, com três filhos que estão na escola. Então não vamos juntar. Se fosse antes, o almoço seria com a família inteira - meu irmão, minha sogra, cunhada. Esse ano ficaremos separados."

"Nós nos acostumamos com os números. Agora, estão morrendo três mil pessoas por dia. Em 2020, estávamos com 11mil [nessa época]."

Kfouri faz um alerta: não é hora de aglomerar.

"A experiência já mostrou: na hora que você fala 'podemos voltar a liberar o bar, vamos parar a restrição', isso é muito mal compreendido pela população. As pessoas enchem o bar, fazem festa, lotam as praias. Não tem uma volta escalonada e as recomendações não são obedecidas. Ainda estamos em um nível [de casos e mortes] muito alto. Daqui a pouco vamos estabilizar em um número perigoso. É muito alto para falar em relaxamento, movimentação. Tememos que o Dia das Mães seja mais um gatilho para outro crescimento de casos."

07/05/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/livros/noticia/2021/05/como-ler-os-russos-um-guia-para-mergulhar-na-literatura-do-pais-ckod0nqzq002q01801q7lwe3r.html

"Como Ler os Russos": um guia para mergulhar na literatura do país

Tradutor de obras importantes da literatura russa lança livro que introduz o leitor ao universo de Púchkin, Gógol, Tolstói, Dostoiévski e Tchékov, entre outros.

Por Éder da Silveira

Historiador, professor da UFCSPA

Alerta! O Brasil foi invadido pelos russos! Aos apressados, peço calma. Não se trata de guerra ou de ameaça política, mas sim de uma graça literária. Nossos “invasores” são muito bem-vindos, estão há tempo entre nós e, tudo indica, seguirão sendo recebidos de braços abertos.

Nossos catálogos não mentem: praticamente todas as grandes editoras brasileiras publicam autores russos, sendo eles, muitas vezes, o carro chefe de suas coleções de literatura estrangeira. Mesmo acanhado, nosso mercado editorial comporta duas traduções, diretas do russo, daquele que é considerado por muitos como o maior romance de todos os tempos, Anna Kariênina (1877), de Liev Tolstói.

Como atestam os estudos de Bruno Barreto Gomide, especialista na recepção da literatura russa no Brasil, trata-se de um amor antigo. Desde o século 19 já podem ser percebidas as presenças de nomes como Dostoiévski e Tolstói em nosso meio literário. Para que tenhamos uma ideia do peso da literatura russa entre nós, a editora José Olympio publicou, entre as décadas de 1940 e 1960, as obras completas de Dostoiévski, sendo o autor de Crime e Castigo (1866) o primeiro estrangeiro a ser integralmente publicado no Brasil.

A febre russa só cresce entre nós nas últimas décadas. Para dar alguns exemplos, a Editora 34 tem uma coleção chama Leste, que já trouxe à lume diversos autores russos até então inéditos no Brasil. Temos ainda uma editora, Kalinka, dedicada exclusivamente à publicação de autores russos em português.

Em meio a esse ambiente literário russófilo, Irineu Franco Perpétuo já era um nome conhecido dos leitores. Antes do essencial Como Ler os Russos, recém-publicado, ele já nos brindara com traduções diretas de obras como Lasca, de Vladímir Zazúbrin (1895-1937), Vida e Destino e A Estrada, de Vassíli Grossman (1905-1964) e Os Dias dos Turbin, de Mikhail Bulgákov (1891-1940).

O que Perpétuo nos oferece, em Como Ler os Russos, é uma introdução a esse fascinante universo literário, desde as origens medievais da sua literatura até os autores do século 21, como a Prêmio Nobel Svetlana Aleksiévitch. O autor, para a alegria de seus leitores, ignora a provocação de Vladimir Nabokov, para quem, salvo uma obra de valor publicada no período medieval, toda a literatura russa foi criada em um século, o 19, com pequenos acréscimos aportados pelo século 20.

Ao se debruçar sobre as origens da língua russa e suas primeiras manifestações literárias, o autor discute a formação do Império Russo e suas relações, no mais das vezes tensas, com o Ocidente. A Rússia, ponte entre os mundos oriental e o ocidental, viveu ao longo da Dinastia dos Romanov uma troca cultural com o Ocidente, em especial representado pela França.

Mesmo que Perpétuo dedique atenção às origens da língua e da literatura russas, é inevitável que a parte mais substancial do livro seja dedicada aos séculos 19 e 20, período de criação daquilo que conhecemos propriamente como a literatura russa. O mergulho no século 19 nos convida a olhar para uma lista que parece inesgotável de obras e autores. Púchkin e Gógol são os marcos oitocentistas, com quem, inevitavelmente, Dostoiévski, Herzen, Tolstói, Turguêniev e Tchékov, entre outros, irão se ver.

É preciso destacar o equilíbrio buscado pelo autor ao tratar das relações entre a história e a literatura russas. Os movimentos políticos do século 20, por exemplo, são analisados de modo cuidadoso. Se, de um lado, Perpétuo não deixa de falar da censura e da perseguição aos literatos, em especial os que se opunham ao stalinismo, por outro destaca como a Revolução Russa implementa um importante processo de alfabetização, escolarização e formação de uma nação de leitores, com números superlativos de publicações, tiragens extraordinárias e grandes escritores.

Oxalá Como Ler os Russos seja o primeiro de uma leva de livros introdutórios às literaturas mundiais. Para a formação do público brasileiro, seria de uma importância incomensurável a publicação de obras como essa dedicadas às literaturas japonesa, chinesa, italiana, francesa...

07/05/2021 – UOL

https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/lucia-helena/2021/05/07/diabetes-gestacional-e-motivo-para-a-gravida-se-vacinar-contra-a-covid-19.htm

Diabetes gestacional é motivo para a grávida se vacinar contra a covid-19

Quando o assunto é covid-19, o diabetes é (ou deveria ser) lembrado. Afinal, a glicemia descontrolada — resultado de a pessoa ignorar que tem essa condição ou até saber, mas fazer pouco caso dela — é um dos fatores que torna alguém mais vulnerável a complicações muito sérias, se acabar infectado pelo Sars-CoV-2.

E por sua vez, quando o assunto é diabetes, a gestação é (ou deveria ser) lembrada. Há, digamos, uma versão exclusiva da doença nessa fase, que seria o diabetes gestacional. Na prática, como nos tipos 1 e 2, ele também é marcado pela elevação da glicose no sangue, já que esse açúcar não consegue entrar nas células.

Logo, entenda: um diabetes sem rédeas curtas predispõe a quadros extremamente perigosos da infecção pelo novo coronavírus e a gravidez, para muitas mulheres, é um empurrãozinho para o seu organismo virar diabético. Está tudo entrelaçado e isso explica em parte o cenário triste que vemos por aí, no qual mulheres esperando um bebê  terminam dando à luz em UTIs.

Não à toa, a SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) e a SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) emitiram recentemente uma nota recomendando a vacinação contra a covid-19 para gestantes com diabetes e até mesmo para mulheres puérperas ou que estejam amamentando, diagnosticadas com essa doença nos meses de espera.

Para alguns, então, ficou a dúvida: estaria diabetes gestacional incluído nessa história, apesar de ele poder ser um quadro passageiro? A resposta é um sonoro sim.

A vacina em gestantes diabéticas

"Ainda não existem dados sobre a vacinação em mulheres grávidas ou que acabaram de ter filhos", reconhece o endocrinologista Airton Golbert que, além de ser professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, é o atual coordenador do departamento de diabetes na gestação da SBD. "Mas os estudos em animais apontam que os imunizantes aprovados não causam prejuízo ao feto. E, por outro lado, já temos certeza de que o fato de a grávida apresentar diabetes a coloca em uma situação de maior risco na pandemia. Daí a recomendação para ela se vacinar."

A probabilidade de complicações, caso a gestante com diabetes descompensado contraia o Sars-CoV-2, aumenta de 30% a 50%. "Mas bom deixar claro", frisa o médico, "que mulheres com diabetes, seja do tipo gestacional ou não, que estão controlando muito bem a sua glicemia em tese não enfrentam essa mesma ameaça."

O professor Golbert diz "em tese" porque não há estudos com resultados consolidados examinando especificamente a situação de pacientes com diabetes gestacional, comparando aquelas que monitoram bem a glicose no sangue com as que não fazem isso por qualquer motivo.

No entanto, é coerente imaginar que o risco caia: é o açúcar nas alturas que aumenta a produção de moléculas inflamatórias, as quais, digamos, já são meio caminho andado para tudo o que o Sars-CoV-2 é capaz de aprontar de maldade no organismo.

O nó, porém, é que a maioria das gestantes com diabetes está acima do peso, algumas com obesidade pra valer. E a obesidade por si só, mais uma vez por causa da produção de moléculas inflamatórias que agem da cabeça aos pés, é outro fator de risco para complicações da covid-19. Tudo se embaralha e voltamos ao ponto: melhor a gestante com diabetes não perder a oportunidade da picadinha no braço, ao chegar sua vez na fila.

As causas do problema

"Para a mulher desenvolver o diabetes gestacional sempre deve existir uma predisposição genética", esclarece o endocrinologista. "Se ela perguntar para outras mães em sua família, verá casos do problema. Às vezes, essas parentes nem sabem que tiveram diabetes gestacional, mas irão contar que deram à luz a bebês grandes, com mais de 4 quilos." Sim, quando o útero se transforma em uma espécie de açucareiro, o feto cresce além da conta, no fenômeno que os médicos chamam de macrossomia. Portanto, bebês graúdos, que já "nascem criados" como diziam as nossas avós, são uma pista importante. Embora, claro, sempre possam existir recém-nascidos que são grandalhões simplesmente por serem filhos de casais formados por pessoas muito altas.

Além do aspecto genético, porém, existem os fatores ambientais. Um deles é o excesso de peso já mencionado. Olhando para a balança, fica fácil entender por que o problema do diabetes na gestação vem aumentando: hoje no Brasil, de acordo com os últimos levantamentos, uma em cada cinco grávidas apresenta essa condição e, ora, 56% da nossa população está com sobrepeso e mais de 20% têm obesidade. Então, as contas parecem fechar, fazendo o maior sentido.

Outra razão para a prevalência em ascensão do diabetes gestacional é o fato de as mulheres, atualmente, com frequência deixarem para engravidar mais tarde. "Quanto mais a idade delas avança, maior a chance de a glicemia sair do prumo quando esperam um bebê", informa o professor Golbert.

O que acontece

Em toda gravidez, a placenta produz substâncias que inclinam a futura mãe a ter uma hiperglicemia. "A maioria, porém, é leve. Dieta e exercícios físicos orientados conseguem controlar a situação", garante Airton Golbert.

Essas substâncias agem como antagonistas da insulina, boicotando o hormônio produzido pelo pâncreas que funciona como chave para o açúcar sair do sangue e entrar nas células do corpo. Portanto, ele já não consegue funcionar como antes.

A razão dessa resistência à insulina na grávida é até nobre: garantir que não falte glicose na circulação para suprir o bebê, na voracidade do seu desenvolvimento. O problema é quando essa reação é exagerada. Então, lá pela segunda metade da gravidez, as coisas podem sair do controle, porque em toda gestante a resistência à insulina tende a aumentar nessa reta final.

O rastreamento da doença

Por isso, entre a 24º e a 28º semana de gestação, os médicos fazem um rastreamento, pedindo o exame de tolerância à glicose. Primeiro, colhem uma amostra de sangue quando a paciente ainda está em jejum. Ali, devem encontrar no máximo 92 miligramas desse açúcar por decilitro de sangue.

"Note que o valor normal para uma mulher que não está esperando bebê seria de até 99 miligramas por decilitro de sangue", diz o professor. Mas é de se esperar: o bebê está consumindo a glicose materna, então o limite normal para uma grávida sempre seria um pouco mais baixo. No exame de tolerância, a dosagem no sangue é repetida uma e duas horas depois da beberagem doce. Basta um dos valores de glicose estar elevado para se cravar o diagnóstico.

Diabetes antes

O ideal mesmo seria o obstetra afastar a hipótese de diabetes bem antes, quando a mulher planeja engravidar ou, vá lá, quando ela recebe a notícia de estar grávida.

Isso porque — de novo, pela idade mais avançada e por um eventual excesso de peso — os casos de diabetes tipo 2 se tornam cada vez mais comuns. "Muita mulher que faz o rastreamento na metade da gravidez acha que está com diabetes gestacional, mas na realidade ela já era diabética antes de engravidar."

Diabetes depois

Quando a situação é flagrada, o controle da glicemia vai depender de um cardápio ajustado, um adeus ao sedentarismo e, em alguns casos, de medicamentos, incluindo injeções de insulina. Também é fundamental que a gestante monitore os níveis de açúcar na corrente sanguínea ao longo do dia.

Quando o bebê nasce e as substâncias antagonistas da insulina produzidas pela placenta desaparecem, o legítimo diabetes gestacional some junto. Para 60% das mulheres, porém, é apenas uma trégua: "Elas vão se tornar diabéticas do tipo 2 cerca de cinco ou seis anos depois", observa o professor Golbert. "E, mesmo com o quadro revertido após o parto, aquela paciente que teve diabetes gestacional será considerada pré-diabética pelo resto da vida."

Em tempos de covid-19

Quando a grávida com diabetes controla a glicose no sangue para que ele fique em níveis normais, isso faz um bem danado à criança em seu ventre. Impede que ela cresça exageradamente, previne malformações e diminui o risco de parto prematuro. De bônus, evita que, no futuro, ela se torne um indivíduo com alto risco de desenvolver obesidade e diabetes.

Para a própria mulher diabética, já com a sua imunidade reduzida por conta da gravidez, significa afastar o risco de complicações da covid-19. Bom mesmo seria a infecção passar longe da mãe e do filho, tomando todos os cuidados — e tomando a vacina, que deve se tornar parte preciosa do pré-natal

07/05/2021 – SBT Jornalismo

https://www.sbt.com.br/jornalismo/comprova/noticia/167048-falso-e-falso-que-52-municipios-zeraram-mortes-por-covid-19-ao-adotarem-o-chamado-tratamento-precoce

FALSO: É falso que 52 municípios zeraram mortes por covid-19 ao adotarem o chamado 'tratamento precoce'

Confira a verificação realizada pelos jornalistas integrantes do Projeto Comprova por: Projeto Co.

FALSO: É falso que municípios tenham zerado o número de mortes por covid-19 ao adotarem protocolos de tratamento com hidroxicloroquina e ivermectina. Os números epidemiológicos das cidades listadas desmentem o boato. Além disso, as substâncias não têm eficácia comprovada como tratamento da covid-19 e a conexão com a queda no números de casos é insustentável.

Conteúdo verificado: Mensagem distribuída por WhatsApp e também publicada no Twitter afirma que 52 cidades no Brasil zeraram o número de óbitos por covid graças ao tratamento precoce com ivermectina e hidroxicloroquina

É falso que 52 municípios zeraram o número de mortes por covid-19 ao adotarem o chamado ?tratamento precoce? com hidroxicloroquina e ivermectina contra a covid-19, como sugerem mensagens nas redes sociais. Um levantamento do Comprova com dados do site SUSanalítico mostra que quase todas as cidades citadas registraram notificações de óbitos no mês de março.

Os benefícios das duas drogas não foram comprovados por pesquisas científicas confiáveis. A Organização Mundial da Saúde e outras entidades desaconselham o uso dos medicamentos para o tratamento da covid-19, em qualquer estágio da infecção. Além disso, conforme especialistas consultados pelo Comprova, a conexão entre o tratamento precoce e supostas quedas nos números de óbitos nas cidades é insustentável, uma vez que outros fatores influenciam os índices epidemiológicos.

Essa verificação foi sugerida por leitores que receberam o conteúdo por WhatsApp. O mesmo conteúdo foi publicado no Twitter pelo perfil @DerlinRod. O Comprova tentou ouvir o autor dessa postagem, mas ele não respondeu até o fechamento da verificação.

Como verificamos?

Para verificar o conteúdo, o Comprova acessou os dados da plataforma SUSanálitico, do Ministério da Saúde. A pesquisa coletou informações sobre os óbitos por covid-19 acumulados de cada um dos municípios mencionados até a data de referência do dia 15 de abril, a população estimada das cidades e a taxa de mortes por 100 mil habitantes.

Também aplicamos um filtro para comparar os números de óbitos registrados no dia 31 de março com as estatísticas do dia 1º de março. Isso permitiu à reportagem conferir a evolução das ocorrências durante aquele mês.

É importante ressaltar que o SUSanalítico informa a data de notificação dos óbitos, e não o dia exato em que ocorreram. Os dados da plataforma apresentam números distintos dos boletins epidemiológicos das prefeituras. Essa diferença, entretanto, não impacta no resultado da verificação ou na classificação do conteúdo, conforme verificado individualmente pelo Comprova.

Como os números desmentem a publicação, o Comprova não checou, de cidade a cidade, se elas usaram algum protocolo de tratamento precoce como política de atendimento para a covid-19.

Após o levantamento, o Comprova consultou dois especialistas na área de epidemiologia para entender se a associação do tratamento precoce com supostas quedas nos números epidemiológicos de cidades é válida.

Marcio Sommer Bittencourt, do Centro de Pesquisa de Epidemiologia do Hospital Universitário da USP, e Airton Stein, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), no entanto, argumentam que os apontamentos do post não se sustentam.

Também contactamos o autor de uma postagem com o mesmo conteúdo no Twitter, que não respondeu até o fechamento da matéria.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 21 de abril de 2021.

Verificação

A mensagem enganosa menciona 51 cidades de diferentes proporções populacionais. O município de Uberaba (MG) é repetido duas vezes, nas numerações 15 e 31. O conteúdo ainda menciona uma cidade chamada Taquara, no Paraná, mas a região não configura oficialmente um município.

A publicação analisada pelo Comprova foi compartilhada no Twitter no dia 5 de abril. Um levantamento da reportagem com dados da plataforma SUSanalítico mostra que, no mês de março, somente os municípios de São Pedro dos Crentes (MA), Rancho Queimado (SC) e São Pedro do Paraná (PR) não registraram notificações de óbitos por covid-19. As três cidades somam pouco menos de 10 mil habitantes.

Na outra ponta, Natal (RN), com população estimada em 884 mil habitantes, lidera o ranking com 385 notificações, seguida por Cascavel (PR) e Chapecó (SC), com 244 e 230, respectivamente. No município gaúcho de Taquara, que também consta da lista, o total de óbitos acumulados quase dobrou. A cidade registrava, em 1º de março, 67 óbitos e fechou o mês com 132 ocorrências acumuladas.

Além disso, até o dia 15 de abril, mais de 20 dos municípios listados apresentavam uma taxa de mortes de covid por 100 mil habitantes superior à média nacional de 178, segundo o SUSanalítico. É o caso de Itajubá (MG). Com cerca de 97 mil habitantes, a cidade mineira contabilizava 304 óbitos, aproximadamente 314 vítimas por 100 mil habitantes.

Conexão insustentável

Além de citar medicamentos sem eficácia comprovada para a covid-19, a associação do uso do tratamento precoce com os números epidemiológicos não é correta, de acordo com especialistas ouvidos pelo Comprova.

O médico Márcio Sommer Bittencourt, do Centro de Epidemiologia do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo, destaca que outros fatores podem interferir nos números epidemiológicos de uma cidade, desde medidas de restrições adotadas para combater a pandemia até as características da população de cada município.

Bittencourt explica que não é possível aferir o impacto do tratamento precoce nas cidades sem um estudo controlado que compare um grupo de pacientes medicados com o protocolo contra um grupo de controle robusto ? isto é, pacientes que não recebem os remédios, mas estão sob as mesmas condições do grupo de medicados. Ainda assim, o estudo teria limitações.

"Além das cidades não terem reduzido o número de mortes para nada substancial, elas podem estar em momentos de queda nas curvas por outras intervenções, que é o caso de Chapecó (SC), onde isso é muito claro", destaca o médico. A cidade catarinense promoveu um lockdown parcial durante o mês de fevereiro.

O método adequado para gerar evidências confiáveis acerca da eficácia de um medicamento corresponde aos estudos clínicos randomizados, defende Airton Stein, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e médico de família e comunidade do Grupo Hospitalar Conceição.

Ele destaca que esse tipo de trabalho estabelece grupos de controle e critérios de seleção para inibir possíveis fatores que possam confundir a análise dos resultados, o que não ocorre nas experiências clínicas individuais de médicos ou na análise proposta na mensagem enganosa. Stein ressalta que até mesmo as desigualdades nos sistemas de saúde poderiam "ser um fator de confusão".

"Quando a cidade tem um serviço de saúde que funciona, acesso a tecnologia para atender casos graves e fatores socioeconômicos melhores, os indicadores podem ser mais positivos." diz o especialista.

As evidências da cloroquina e ivermectina

Até o momento, não há evidências confiáveis que confirmem a eficácia do uso da hidroxicloroquina ou ivermectina no tratamento da covid-19, em qualquer estágio da doença. O painel de evidências da Organização Mundial da Saúde desaconselha a aplicação dos dois tratamentos no combate à infecção do novo coronavírus.

No caso da ivermectina, a entidade diz que os benefícios e a segurança do tratamento permanecem incertos, ao passo que os dados disponíveis de estudos clínicos com a droga no contexto da covid-19 têm um nível de confiança baixo. A Agência Europeia de Medicamentos também apresenta uma posição semelhante.

Os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), por sua vez, afirmam que há dados insuficientes para estabelecer uma recomendação a favor ou contra o uso da ivermectina no tratamento da covid-19. A Food and Drugs Administration, órgão regulatório do país, alerta que a automedicação com o vermífugo é perigosa.

Já os tratamentos com cloroquina e a hidroxicloroquina são fortemente desaconselhados pelo painel da OMS. De acordo com o documento, evidências de nível de confiança moderado mostram que ambas substâncias "provavelmente não reduzem a mortalidade, ventilação mecânica e o tempo de hospitalização".

Além disso, há preocupações em torno da segurança. Segundo a entidade, algumas evidências mostram que os remédios podem, na verdade, aumentar o risco de morte. "Os efeitos em outros resultados menos importantes, incluindo o tempo de resolução de sintomas, admissão hospitalar e o período de ventilação mecânica, seguem incertos", diz o painel.

O NIH desaconselha o uso da hidroxicloroquina isolada ou com outros medicamentos em pacientes hospitalizados com a covid-19. A organização também é contra a aplicação do tratamento para pacientes não hospitalizados fora de estudos clínicos.

Por que investigamos?

O Comprova verifica conteúdos suspeitos sobre a pandemia que tenham obtido grande alcance nas redes sociais e em aplicativos de mensagens. O conteúdo analisado aqui foi sugerido via WhatsApp por leitores do Comprova e alcançou 544 interações no Twitter até o dia 21 de abril de 2021. A mensagem promove desinformação ao espalhar o boato falso de que mais de 50 municípios teriam zerado o número de óbitos, graças ao uso de protocolos com ivermectina e hidroxicloroquina. As duas substâncias não têm eficácia e segurança comprovada no tratamento da covid-19, tampouco podem ser relacionadas com a queda de números epidemiológicos dos municípios citados no post. O tratamento precoce já foi alvo de uma série de verificações do nosso projeto.

O boato é potencialmente perigoso porque pode confundir usuários e gerar uma falsa sensação de segurança de que esses medicamentos podem proteger pacientes na pandemia, quando não há evidências confiáveis de que eles realmente funcionem. A desinformação também pode atrapalhar gestores públicos na consolidação de políticas públicas efetivas para combater a crise sanitária.

Uma verificação da Agência Lupa a respeito do mesmo boato indica que o conteúdo falso também circula por grupos de WhatsApp. O Aos Fatos e o projeto Fato ou Fake, do G1, desmentiram uma mensagem semelhante, com parte dos municípios listados, que viralizou na plataforma de mensagens.

Falso, para o Comprova, é todo o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

Investigação e verificação

Estadão, Correio dos Carajas e Correio do Povo participaram desta investigação e a sua verificação, pelo processo de crosscheck, foi realizada pelos veículos O Popular, BandNews FM, Band, UOL e SBT.

Projeto Comprova

Esta reportagem foi elaborada por jornalistas do Projeto Comprova, grupo formado por 28 veículos de imprensa brasileiros, para combater a desinformação. Em 2018, o Comprova monitorou e desmentiu boatos e rumores relacionados à eleição presidencial. A edição de 2019 foi dedicada a combater a desinformação sobre políticas públicas. Agora, na terceira fase, o Comprova retoma o monitoramento e a verificação de conteúdos suspeitos sobre políticas públicas do governo federal e eleições municipais, além de continuar investigando boatos sobre a pandemia de covid-19. O SBT faz parte dessa aliança.

06/05/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/05/devido-a-pandemia-universidades-federais-do-rs-ainda-nao-iniciaram-calendario-academico-de-2021-ckod6318a004401804oc5qzz6.html

Devido à pandemia, universidades federais do RS ainda não iniciaram calendário acadêmico de 2021

De acordo com o Ministério da Educação, instituições possuem autonomia para definir seus calendários

Durante o ano de 2020 as universidades federais do Estado precisaram interromper as atividades, medida que gerou atrasos no cumprimento dos calendários acadêmicos. Com isso, nenhuma das seis instituições do Rio Grande do Sul iniciaram o primeiro semestre letivo de 2021.

A instituição com o calendário mais atrasado é a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), onde o último dia letivo de 2020/2 é 26 de junho e as atividades do 1º semestre de 2021 devem começar apenas em 9 de agosto.

Já na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o semestre acadêmico 2020/2 está ocorrendo agora. O início foi em 25 de janeiro e sua conclusão será em 29 de maio. Os semestres de 2021 ainda não têm data de início e término definidas.

Na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), o último semestre de 2020 se encerrou em 20 de março e os alunos estão no período de recesso. O primeiro semestre de 2021 se inicia em 24 de maio e a previsão é de que o ano acadêmico termine em janeiro de 2022.

Situação similar vivem os alunos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que também estão no período de férias. As aulas correspondentes ao primeiro semestre de 2021 começam em 18 de maio.

Já a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) finalizará o período emergencial 2020/2 em 19 de maio, e o início das atividades de 2021/1 está previsto para 21 de junho. Na próxima sexta-feira (7), questões relacionadas ao calendário serão discutidas em uma reunião da pró-reitora de Graduação.

A reportagem entrou em contato com a Universidade do Pampa, mas não obteve resposta. No site da universidade, o término do período regular de 2020/2 está previsto para 15/5 e não há detalhamento sobre a data de início das atividades correspondentes a 2021/1.

O Ministério da Educação (MEC) informa que as universidades possuem autonomia para definir seus calendários e que a pasta não interfere nessas questões.

 06/05/2021 - SBT Brasil

Corte no orçamento de universidades federais afeta pesquisas

https://youtu.be/MTgxnozSrEQ

 

 04/05/2021 – Jornal do Comércio

https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/especiais/coronavirus/2021/05/790926-volta-as-aulas-exige-reformulacao-de-protocolos-e-medidas-para-mitigar-transmissao-da-covid-19.html

Volta às aulas exige reformulação de protocolos e medidas para mitigar transmissão da Covid-19

O cenário da pandemia mudou desde a breve reabertura das escolas no ano passado e, diante de novas variantes do coronavírus- mais potentes em transmissão e letalidade - e alteração no perfil de internações e casos de Covid-19 no Estado, os protocolos de biossegurança precisam ser reavaliados e renovados. Nesse sentido, a retomada do ensino presencial no RS nesta semana, sem que haja a vacinação de profissionais da educação, alerta para a necessidade de adoção de novas medidas sanitárias e de proteção voltadas a mitigar a transmissão da doença entre crianças e adultos.

Embora já haja comprovação científica de que as crianças são menos suscetíveis a sintomas graves da Covid-19, e que a grande maioria contaminada não apresenta sequer sintomas, também é sabido que são vetores de transmissão para adultos. "Os mais recentes estudos mostram que as crianças se infectam tanto quanto os adultos, mas por terem um sistema imunológico mais robusto respondem melhor à infecção viral. Ainda assim, carregam e transmitem o vírus", lembra a professora de Biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Melissa Markoski.

Nesse sentido, ela defende a necessidade de uma reformulação dos protocolos de enfrentamento à pandemia, principalmente os voltados à educação. Segundo a especialista, a reabertura das escolas determina uma ampliação da mobilidade das pessoas, principalmente no transporte coletivo, e o fato de os alunos ficarem entre quatro e seis horas seguidas em sala de aula, nem sempre com ventilação e distanciamento adequados, agrava ainda mais a situação. "Liberar as aulas de uma hora para a outra, como ocorreu no RS, é pedir para ter problema. Afinal, onde há aumento de circulação, há possibilidade de novas ondas de contaminação e aumento de casos", avalia.

Somente as escolas públicas do Estado têm cerca de 790 mil alunos, mas o número de estudantes sobe para quase 2 milhões, se consideradas as privadas.

Artigos científicos e pesquisas recentes comprovam que as duas principais causas do aumento da transmissão do coronavírus em outros países e no Brasil foram as aglomerações e a abertura das escolas, o que no Rio Grande do Sul ainda poderá sofrer impacto direto no inverno, com as consequentes limitações de circulação de ar nas escolas.

"O inverno tende a ser problemático, pois é impensável uma escola com janelas abertas às 7h. Ou seja, os protocolos estão desatualizados e questões como essa não foram pensadas, e deveriam ser avaliadas neste momento em que se repensa o sistema de bandeiras no Estado", aponta a professora, referindo-se ao anúncio do Executivo gaúcho sobre o fim do modelo do distanciamento controlado e apresentação de um novo sistema de enfretamento à pandemia, que será divulgado na semana que vem.

Melissa avalia que o sistema de bandeiras gaúcho teve seu papel e contou com adesão e comprometimento da população no início da pandemia, há mais de um ano. No entanto, não tem obtido a resposta necessária nos últimos meses. "Hoje as pessoas não dão mais a devida atenção à doença, ainda mais com o início da vacinação, e isso compromete os cuidados", afirma.

Nesta semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou as informações sobre as formas de disseminação do novo coronavírus, reconhecendo a transmissão pelo ar também por longas distâncias em ambientes fechados ou mal ventilados, em função dos "aerossóis que permanecem suspensos no ar ou viajam a mais de um metro”. Ou seja, mais do que a transmissão por superfície contaminada, como se acreditava antes, hoje já e sabe que a transmissão aérea é responsável pela maior parte das contaminações, o que reforça a necessidade de distanciamento e ventilação de ambientes.

"O distanciamento por si só não resolve, mas sim o controle da emissão aerossóis. Ou seja, não adianta utilizarmos as mesmas ferramentas do início da pandemia, higienizar sapatos, medir temperatura de crianças, se não se investirmos em umas boas máscaras para alunos e profissionais da educação e ventilação correta dos ambientes", reforça Melissa.

Para garantir as mínimas condições de reabertura das escolas neste momento- o que não deveria ser incentivado sem a vacinação nem escalonamento de níveis, segundo ela-, a professora defende manter a boa higienização das mãos, reforço no distanciamento e na ventilação dos ambientes e, sobretudo, adoção de EPIs adequados, como máscaras de uso profissional, e bem ajustadas ao rosto. "Precisamos investir no único objeto de defesa que temos, que é a máscara. E, nesse momento, ela precisa ser profissional e bem ajustada ao rosto", enfatiza a cientista.

No Estado, os protocolos sanitários a serem seguidos na rede de ensino constam em portaria conjunta das Secretarias de Educação e da Saúde, editada em junho de 2020, quando a realidade da pandemia era outra. "Para se ter uma ideia, temos mais casos de internações em UTI hoje, do que tínhamos em fevereiro, quando de instaurou a bandeira preta, precisamos de novas medidas de proteção", comenta Melissa.

Veja as orientações do governo do RS reforçadas esta semana às escolas:

  • Máscaras, álcool em gel, termômetros e EPIs em geral deverão estar disponíveis a todos os profissionais da educação e estudantes;
  • As salas de aula deverão permitir a circulação de ar;
  • Higienizar rotineiramente todos os espaços da escola com circulação de pessoas, com atenção especial para as superfícies que são tocadas frequentemente (grades, mesas de refeitórios, carteiras, puxadores de porta e corrimões), antes do início das aulas em cada turno e sempre que necessário;
  • Os estudantes não deverão compartilhar objetos de qualquer natureza, como materiais escolares ou alimentos, durante a realização de suas atividades presenciais;
  • O percentual de ocupação de cada escola será diretamente relacionado à área útil do ambiente escolar, respeitando o distanciamento interpessoal mínimo de 1,5 metro (o que condiz com teto de ocupação de 1 pessoa a cada 2,25 metros quadrados de área útil);
  • As instituições de ensino que não estiverem adaptadas às orientações sanitárias por parte do governo deverão manter as aulas no modelo remoto até que sejam concluídos os ajustes necessários;

Fonte: Portaria Conjunta 01/2020 SES/SEDUC

03/05/2021 – Diário de Canoas

https://www.diariodecanoas.com.br/noticias/especial_coronavirus/2021/05/03/esteio-comeca-hoje-nova-etapa-da-pesquisa-gps-covid.html

Esteio começa hoje nova etapa da pesquisa GPS Covid

Estudo visa traçar um perfil epidemiológico, genômico e clínico do vírus SARS-COV2, causador do novo coronavírus.

Equipes responsáveis pela realização da pesquisa GPS Covid Esteio vão começar, nesta segunda-feira (3), mais uma fase de testes e de coleta de dados para o estudo que tem por objetivo traçar um perfil epidemiológico, genômico e clínico do vírus SARS-COV2, causador do novo coronavírus.

Leia todas as notícias sobre coronavírus

Será a 20ª etapa do levantamento, que é uma parceria da Prefeitura com quatro instituições gaúchas de ensino superior (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - UFCSPA, Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, Unisinos e Feevale), envolvendo cerca de 50 pesquisadores.

Nas 19 fases realizadas anteriormente, foram aplicados 10.067 testes rápidos em moradores esteienses. Destes, 436 resultaram positivo para a Covid-19. A coleta dos dados e aplicação dos testes das fases 20 segue até a próxima quarta-feira (5).

Para a definição de quem será testado para a pesquisa, a equipe dividiu os 13 bairros de Esteio em 149 setores, cada um com 177 domicílios em média. A cada fase, os setores são sorteados e, neles, os pesquisadores definem, aleatoriamente, as casas onde serão feitas as coletas. Durante a visita às moradias, os integrantes do estudo preenchem, por meio de um aplicativo desenvolvido especialmente para ação, um questionário com o objetivo de identificar se os residentes apresentaram ou apresentam sintomas da doença, como febre, tosse e dificuldade para respirar, bem como informações sobre saúde, renda, cor da pele e idade, entre outros dados.

Moradores testados

Após isso, os profissionais da saúde realizam a testagem rápida em todos os moradores da casa, coletando uma pequena amostra de sangue. Caso algum integrante da família não esteja presente no local, a coleta é agendada para o horário mais próximo. Os resultados, obtidos em 15 minutos de espera, são tabulados e analisados com auxílio de algoritmos e modelos matemáticos complexos, e apresentados para a Administração Municipal, permitindo ajustes nas ações de combate ao coronavírus. Pacientes que testaram positivo para a doença recebem acompanhamento especial.

A GPS Covid Esteio promove um amplo estudo epidemiológico, detalhado em 12 objetivos específicos, capaz de estimar a prevalência da infecção, acompanhar a evolução da doença e avaliar padrões moleculares virais por meio de sequenciamento genético, entre outros possíveis usos. A intenção é disponibilizar os resultados do estudo para a comunidade em geral em um painel visual online (dashboard). Outro recurso eletrônico que permanecerá como legado para a Administração Municipal é o aplicativo criado para aplicação do questionário, que reunirá as informações para a Prefeitura em um banco de dados, podendo ser utilizado em outros levantamentos.

Quase 34 mil testes realizados

A pesquisa GPS Covid está ajudando, também, a colocar Esteio como um dos municípios de todo o Rio Grande do Sul que mais realizam testes para verificação da Covid-19. Até a última quinta-feira (28), haviam sido aplicados 33.808 exames em pessoas com suspeita de terem contraído o novo coronavírus, realizados nas unidades básicas de saúde (UBSs), no drive thru em frente à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), no Hospital São Camilo, no Centro Integrado de Atenção à Saúde (Cias) e nas 19 fases anteriores do estudo. Entram neste número, também, aqueles testes realizados em clínicas particulares, farmácias e instituições de longa permanência de idosos, popularmente simplicando, o equivalente a 40,7% dos moradores da cidade. A título de comparação, o Estado havia aplicado, até a mesma data, um total de 3.656.199 testes em uma população de 11,42 milhões de pessoas (32,01 mil testes a cada 100 mil gaúchos - 32,01% dos moradores do Estado).

03/05/2021 – Correio do Povo

https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/postagem-da-prefeitura-com-informa%C3%A7%C3%B5es-equivocadas-sobre-m%C3%A1scaras-causa-pol%C3%AAmica-1.613559

Postagem da Prefeitura com informações equivocadas sobre máscaras causa polêmica

Post faz uma releitura com o saci-pererê colorado e o mosqueteiro tricolor sobre o uso do acessório

Uma postagem no Instagram, feita pela Prefeitura de Porto Alegre no dia 28 de abril, incentivando o uso de máscaras, vem recebendo críticas de pessoas nas redes sociais pelas informações divulgadas e a forma como são apresentadas. Inspirada numa postagem feita pela conta do Maurício de Souza, criador dos desenhos da Turma da Mônica, em 14 de agosto do ano passado, a peça da Prefeitura da Capital faz uma releitura, onde no lugar do Cebolinha e da Mônica, entram o saci-pererê colorado e o mosqueteiro tricolor. Mas com as mudanças recentes nos protocolos de uso das máscaras, as polêmicas recaem sobre os riscos apresentados e também pelo fato da maioria compreender que o personagem gremista, de cor branca, teria mais imunidade sem máscara que o representante do Inter, um negro.

O principal problema está na parte onde o mosqueteiro, sem usar máscara, teria 5% de chances de ser contaminado com o saci colorado, expelindo gotículas e usando máscara cirúrgica. Entretanto, na parte em que o saci está sem máscara e o tricolor usa a de pano, o risco do colorado se infectar é de 30%.

O professor do departamento de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e médico preceptor no setor de Atenção Básica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Marcelo Gonçalves, acredita que as sutis diferenças nos tipos de máscaras utilizadas pelos personagens podem ter tornado a compreensão difícil para leigos. “Os percentuais são difíceis de estimar, mas estão adequados se pensarmos no conjunto de proteções que vão sendo colocados (sem máscara, com uma máscara, etc), a variação do tipo de máscara e como está sendo usada é o que dá margem para discussão”, afirma.

“Do ponto de vista epidemiológico, pensando na escala de cores, está de acordo. Duas pessoas usando máscara vai ter uma chance bem baixa de contaminação. Mas depende de outras variáveis, como o tipo de máscara, se é ambiente aberto ou fechado, se tem ventilação ou não para cravar aqueles percentuais. Eles podem até se aproximar, mas não dá para ser 0% ou 100%”, aponta.

O distanciamento recomendado, de 1,8 metro, está dentro do que orienta o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, dos EUA) e aquém do determina o governo do Rio Grande do Sul, que é de 2 metros.

Gonçalves foi um dos pesquisadores do estudo “Social Distancing, Mask Use and the Transmission of SARS-CoV-2: A Population-Based Case-Control Study”, produzido por pesquisadores da UFRGS, Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Unisinos e Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre (SMS).

O resultado foi divulgado na primeira quinzena de março, depois de analisar uma lista cedida pela SMS com 3.437 pacientes da Capital que testaram positivo para covid-19 entre abril e junho de 2020. Os pesquisadores concluíram que o uso de máscaras reduz em 87% a chance de infecção por SARS-CoV-2, o vírus que causa a Covid-19.

O estudo também mostra que as pessoas que aderem de forma moderada a intensa ao distanciamento social têm entre 59% e 75% menos chances de contrair o vírus. “O que temos como recomendação agora, conforme o CDC e o governo do RS, se estiver em ambiente fechado, o recomendado é tentar usar N95/PFF2 ou máscara cirúrgica com uma de pano por cima”, orienta.

A Prefeitura de Porto Alegre foi procurada, mas não se posicionou sobre o assunto até o fechamento desta reportagem. O espaço está aberto para manifestações. A postagem também segue publicada no perfil. 

03/05/2021 – Jornal do Comércio / Jornal Cidades

https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/jornal_cidades/2021/04/790402-esteio-inicia-20-etapa-de-pesquisa-sobre-a-covid-19.html

Esteio inicia 20ª etapa de pesquisa sobre a Covid-19

Equipes responsáveis pela realização da pesquisa de prevalência do coronavírus em Esteio vão começar, nesta segunda-feira (3), mais uma fase de testes e de coleta de dados para o estudo. A iniciativa tem por objetivo traçar um perfil epidemiológico, genômico e clínico do vírus no município.

Será a 20ª etapa do levantamento, parceria da prefeitura com quatro instituições gaúchas de ensino superior (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Unisinos e Feevale), envolvendo cerca de 50 pesquisadores. Nas 19 fases realizadas anteriormente, foram aplicados 10.067 testes rápidos em moradores esteienses. Destes, 436 (4,33%) resultaram positivo para o Covid-19. A coleta dos dados e aplicação dos testes da fase 20 segue até quarta-feira (5).

Para a definição de quem será testado para a pesquisa, a equipe dividiu os 13 bairros de Esteio em 149 setores, cada um com 177 domicílios em média. A cada fase, os setores são sorteados e, neles, os pesquisadores definem, aleatoriamente, as casas onde serão feitas as coletas. Durante a visita às moradias, os integrantes do estudo preenchem um questionário, com o objetivo de identificar se os residentes apresentaram ou apresentam sintomas da doença, como febre, tosse e dificuldade para respirar, bem como informações sobre saúde, renda, cor da pele e idade, entre outros dados.

02/05/2021 – Jornal do Comércio / Jornal Cidades

https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/05/concursos-publicos-mais-de-cem-vagas-estao-disponiveis-em-prefeituras-e-instituicoes-do-rs-cko4cxmf3002h018mualxn3ds.html

Concursos públicos: mais de cem vagas estão disponíveis em prefeituras e instituições do RS

Maior remuneração, de 9.822,60, é oferecida pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre

O Rio Grande do Sul tem mais de cem vagas disponíveis, além da formação de cadastro reserva, em concursos públicos e processos seletivos com inscrições abertas nesta semana. A maior remuneração, de 9.822,60, é oferecida pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), para cargos de médico.

As demais oportunidades são destinadas a candidatos de todos os níveis de escolaridade e estão distribuídas entre seis prefeituras, o Ministério Público do RS, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFRS), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Confira as seleções

Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA)

Cargos e vagas: analista I (CR), biólogo I, biomédico I ou farmacêutico-bioquímico I (CR), médico I – diagnóstico laboratorial (CR), médico I – gastroenterologia e hepatologia pediátrica (CR), médico I – geneticista (CR), médico I – ginecologia e obstetrícia (CR), médico I – hebiatra do serviço de pediatria (CR), médico I – medicina de família e comunidade (CR), médico I – nefrologia (CR), psicólogo I – psicologia hospitalar (CR), profissional assistencial II – monitor de creche (CR), técnico de laboratório – coleta (CR)

Nível: Médio a Superior

Salário: R$ 3.115,22 a R$ 9.822,60

Prazo: 24 de maio

Taxa de inscrição: R$ 69 a R$ 117

Prova: 27 de junho

Inscrições: neste site

Edital: neste site

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFRS)

Cargos e vagas: professor de pedagogia - campus Bento Gonçalves (1)

Nível: Superior

Salário: R$ 1,1 mil a R$ 1,3 mil

Prazo: 4 de maio

Taxa de inscrição: gratuita

Prova: análise curricular

Inscrições: pelo envio da documentação necessária para o e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Edital: neste site

Ministério Público do Rio Grande do Sul - 1

Cargos e vagas: técnico (CR)

Nível: Médio

Salário: R$ 3.860,28

Prazo: 7 de junho

Taxa de inscrição: R$ 100

Prova: 18 de julho

Inscrições: neste site

Edital: neste site

Ministério Público do Rio Grande do Sul - 2

Cargos e vagas: analista (CR)

Nível: Superior 

Salário: R$ 7.352,93

Prazo: 7 de junho

Taxa de inscrição: R$ 150

Prova: 18 de julho

Inscrições: neste site

Edital: neste site 

Prefeitura de Augusto Pestana

Cargos e vagas: professor de português - anos finais do Ensino Fundamental (1)

Nível: Superior

Salário: R$ 1.961,32

Prazo: 5 de maio

Taxa de inscrição: gratuita

Prova: análise curricular

Inscrições: presencialmente no setor de Recursos Humanos da prefeitura (Rua da República, 96)

Edital: neste site

Prefeitura de Candelária

Cargos e vagas: professor de anos finais - artes (CR), professor de anos finais - ciências (2+CR), professor de anos finais - educação física (1+CR), professor de anos finais - ensino religioso (2+CR), professor de anos finais - geografia (2+CR), professor de anos finais - história (2+CR), professor de anos finais - inglês (1+CR), professor de anos finais - matemática (2+CR), professor de anos finais - português (2+CR), professor de educação especial (2+CR), professor de Educação Infantil e anos iniciais (54+CR)

Nível: Médio a Superior

Salário: R$ 1.587,38 a R$ 2.063,59

Prazo: 7 de maio

Taxa de inscrição: R$ 103,38 a R$ 193,85

Prova: a definir

Inscrições: neste site

Edital: neste site

Prefeitura de Maçambará

Cargos e vagas: auxiliar de saúde bucal (1), psicopedagogo (1)

Nível: Médio a Superior

Salário: R$ 1.441,40 a R$ 2.024,07

Prazo: 7 de maio

Taxa de inscrição: gratuita

Prova: análise curricular

Inscrições: presencialmente na sede da prefeitura (Rua Otávio Silveira, 306) ou pelo envio da documentação necessária para o e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Edital: neste site

Prefeitura de Santa Maria

Cargos e vagas: engenheiro de segurança do trabalho (CR)

Nível: Superior

Salário: R$ 2.906,12

Prazo: 10 de maio

Taxa de inscrição: R$ 110

Prova: a definir

Inscrições: neste site

Edital: neste site

Prefeitura de São Pedro do Sul

Cargos e vagas: técnico de enfermagem (CR)

Nível: Técnico

Salário: R$ 1.729,36

Prazo: 3 de maio

Taxa de inscrição: gratuita

Prova: análise curricular

Inscrições: presencialmente no setor de protocolo da prefeitura (Rua Floriano Peixoto, 222), das 8h às 14h, ou pelo envio da documentação via Sedex

Edital: neste site

Prefeitura de Triunfo

Cargos e vagas: veterinário (2), operador de máquinas (3), engenheiro civil (3), arquiteto (2), projetista cadista (2)

Nível: Fundamental incompleto a Superior

Salário: R$ 1.674,13 a R$ 3.406,67

Prazo: 6 de maio

Taxa de inscrição: gratuita

Prova: análise curricular

Inscrições: neste site, seguindo as orientações descritas no edital

Edital: neste site

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

Cargos e vagas: professor de psicologia do trabalho e organizacional (1), professor de bioquímica (1), professor de epidemiologia (1), professor de toxicologia (1), professor de pedagogia (1), professor de bioestatística (1)

Nível: Superior

Salário: R$ 2.795,40 a R$ 5.831,21

Prazo: 10 de maio

Taxa de inscrição: R$ 75 a R$ 155

Prova: análise curricular

Inscrições: neste site

Edital: neste site

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) - 1

Cargos e vagas: professor auxiliar - Departamento de Cirurgia (1), professor adjunto - Departamento de Terapia Ocupacional (2), professor adjunto - Departamento de Clínica Médica (1)

Nível: Superior

Salário: R$ 3.600,48 a R$ 9.616,18

Prazo: 27 de maio

Taxa de inscrição: R$ 90 a R$ 240

Prova: 26 de agosto

Inscrições: neste site

Edital: neste site

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) - 2

Cargos e vagas: professor adjunto - Departamento de História (1), professor adjunto - Departamento de Fonoaudiologia (1), professor adjunto - Departamento de Tecnologia e Ciência dos Alimentos (1), professor adjunto - Departamento de Clínica de Grandes Animais (1), professor adjunto - Departamento de Fitotecnia (1), professor adjunto - Departamento de Zootecnia e Ciências Biológicas (1)

Nível: Superior

Salário: R$ 9.616,18

Prazo: 27 de maio

Taxa de inscrição: R$ 240

Prova: 26 de agosto

Inscrições: neste site

Edital: neste site

01/05/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/05/rs-ultrapassa-25-mil-vitimas-do-coronavirus-e-mantem-nivel-alto-de-casos-e-mortes-cko616ql2000v0180woso0xuv.html

RS ultrapassa 25 mil vítimas do coronavírus e mantém nível alto de casos e mortes

Estado apresenta a oitava maior mortalidade do país e lidera a vacinação nacionalmente, mas ritmo pode ser insuficiente para conter nova onda

O Rio Grande do Sul ultrapassou, neste sábado (1º), Dia do Trabalhador, a marca de 25 mil vítimas do coronavírus. São 25.086 mortes, de acordo com estatísticas da Secretaria de Estado da Saúde (SES). É como se o equivalente à população de Jaguarão, na Região Sul, ou se 2,5 vezes o número de moradores do bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, perdesse a vida durante a pandemia.

A marca foi atingida um mês após o Estado chegar aos 20 mil óbitos pela covid-19 e menos de dois meses após as 10 mil mortes – indicativo de como a pandemia se mantém, em território gaúcho, em ritmo acelerado de novas infecções e mortes.

Das 25 mil vidas perdidas, quase 16 mil se foram apenas de janeiro de 2021 para cá, quando já existiam vacinas disponíveis contra a covid-19 no mercado – e mais de 4 mil faleceram fora de uma unidade de tratamento intensivo (UTI). Março, mês mais letal da pandemia, registrou, pela primeira vez na história recente, mais mortes do que nascimentos, como mostrou GZH.

O Estado chega às 25 mil vítimas em meio às mudanças no sistema de distanciamento controlado promovidas pelo governo Eduardo Leite (PSDB) – uma mudança generalizada no Rio Grande do Sul, que passou da bandeira preta para a vermelha, com retorno das aulas presenciais e perspectiva de menos restrições às atividades.

 Após figurar entre os Estados com menor mortalidade por coronavírus a cada 100 mil habitantes, resultado do distanciamento social mantido pela sociedade entre março e maio de 2020, os números do Rio Grande do Sul degringolaram a partir de novembro. Hoje, o Estado apresenta a oitava maior mortalidade do país – a mais alta da Região Sul.

As razões para a piora, destacadas por analistas, são a retomada das atividades nos meses anteriores à bandeira preta, o cansaço da população e o avanço da cepa P.1, originária em Manaus.

— A piora pode ter relação com novas variantes, mas, independente disso, a forma como as pessoas não se protegem e se aglomeram também. Quando o apelo é mais forte e a saúde está colapsada, a mobilidade reduz. Fora isso, é difícil. O impacto no psicológico das pessoas de uma catástrofe aguda é muito maior do que de uma catástrofe crônica. Em um dia, morreu no Brasil o equivalente à tragédia de um Word Trade Center — reflete o médico Eduardo Sprinz, chefe do serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). — É preciso ver onde as pessoas se aglomeram, se há alguém positivo e ir atrás de quem entrou em contato. Isso ajudaria no controle da infecção. Mas não fizemos desde o início o dever de casa de ir atrás dos contatos e colocá-los em quarentena — acrescenta.

As nove semanas consecutivas de bandeira preta trouxeram ao Rio Grande do Sul uma melhora nos indicadores, mas a estabilização aconteceu em alto nível: a soma de pacientes confirmados e suspeitos para coronavírus em leitos clínicos e de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) é o dobro do registrado antes do terceiro pico da epidemia no Rio Grande do Sul, de acordo com estatísticas do Comitê de Dados do Palácio Piratini.

O Estado voltou a ter leitos de UTI livres, a ocupação geral é de 84,4% e não há mais macrorregiões com lotação acima de 100% – mas, regionalmente, ainda há cenários de risco.

Em Porto Alegre, por exemplo, o uso de leitos intensivos está em 91,1%, sendo que quatro hospitais estão lotados ou superlotados neste dia 1º de maio: Moinhos de Vento, Ernesto Dornelles, Restinga e Santa Ana.

A média móvel de mortes ao longo da última semana está ao redor das cem vítimas diárias, cerca de 60% abaixo do pior momento, em 20 de março, enquanto que a média de novas infecções está por volta das 10 mil por dia, ou 80% menos do que no ápice, em 1º de março – os dados dos últimos dias costumam ser atualizados com a inclusão de novas estatísticas, após o resultado dos exames.

 — A gente vê uma queda das hospitalizações em leitos clínicos e de UTI, o que é uma coisa boa, junto com aumento de leitos livres. Ao mesmo tempo, há uma grande demanda de pacientes não covid, que estavam em espera por atendimento. O comportamento da sociedade face à bandeira preta melhorou, mas, por outro lado, a velocidade da queda diminuiu e estamos em patamares muito altos. Os números de internação estão ainda muito acima do pior momento de 2020, apesar da queda — reflete a médica epidemiologista Lucia Pellanda, professora na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e integrante do Comitê Científico do Palácio Piratini.

Das 25 mil vítimas do coronavírus, 27% têm entre 70 e 79 anos, 24,7% têm entre 60 e 69 anos, 23,3% têm mais de 90 anos. Mas, nas últimas semanas, a proporção de jovens vem aumentando e a de idosos, caindo, o que analistas acreditam ser resultado da vacinação e avanço da cepa P.1.

Com uma população de 11,4 milhões de habitantes, o Rio Grande do Sul tem 2,2 milhões de vacinados ao menos com a primeira dose. Cerca de 68% das aplicações são de CoronaVac e 32%, da vacina de Oxford.

Em termos proporcionais, o Rio Grande do Sul vacinou 19,8% da população, percentual que o coloca na liderança nacional da campanha de imunização – em segundo lugar, Mato Grosso do Sul vacinou 17,7% dos habitantes.

Dentre os motivos apontados para o bom desempenho, estão a experiência há anos do Rio Grande do Sul com a gigantesca campanha de vacinação da gripe, que mobiliza o Estado todos os anos em um inverno rigoroso, e a decisão da Secretaria de Estado da Saúde (SES), tomada ao lado de secretários municipais da Saúde do Rio Grande do Sul, de usar as vacinas disponíveis para a primeira dose, sem fazer a reserva de aplicação.

No entanto, ainda há um longo caminho para o Estado ver sua população protegida: 8% dos gaúchos receberam a segunda dose, sendo que a CoronaVac, o imunizante mais aplicado, tem efeito protetor duas semanas após o reforço. Apenas na semana passada é que os primeiros vacinados com o imunizante de Oxford/Fiocruz começaram a receber a segunda dose, injetada após três meses de intervalo.

Projeção feita pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), da Universidade de Washington e que costuma acertar em projeções, antevê mais de 45 mil mortes por coronavírus no início de agosto no Rio Grande do Sul, se mantido o ritmo atual da pandemia. Caso a população use máscaras o tempo todo, o número de vítimas cairia para 37,3 mil.

 — A vacinação atual é suficiente para amenizar, mas, se pensarmos no Chile, que teve muito mais vacinação e continuou tendo muitos casos, a vacinação sem comportamento adequado não contém uma nova onda. Uma festa de 400 pessoas é um absurdo sem tamanho. Enquanto acontecer isso, não tem como se livrar desse problema — observa a médica epidemiologista Lucia Pellanda.

Números do dia

O RS superou 25 mil mortos por coronavírus com o registro de mais 135 óbitos neste sábado. Também foram contabilizados 4.874 novos casos da doença, totalizando 979.807. A cidade com maior número de mortes oficializadas no dia foi Porto Alegre, com 27 vítimas. Depois, vieram Canoas, com 10, e Caxias do Sul e Santa Maria, com oito mortes cada.

São considerados recuperados da covid-19 no Rio Grande do Sul 939.790 pessoas, o equivalente a 96% dos infectados. Outros 14.854 casos estão em acompanhamento.

 

01/05/2021 – GZH Impresso

O RNA MENSAGEIRO VEM AÍ

MAIOR EFICÁCIA, AGILIDADE NA FABRICAÇÃO E FACILIDADE DE ADAPTAÇÃO A NOVAS VARIANTES SÃO TRUNFOS DESSE TIPO DE IMUNIZANTE, QUE DEVE CHEGAR AO RS EM MAIO

Zero Hora1 May 2021Marcel Hartmann ADAALVES Chefe do Laboratório de Biotecnologia e Fisiologia de Infecções Virais da Fiocruz CRISTINA BONORINO Professora de Imunologia da UFCSPA

Ao menos um legado a pandemia deixará: a chegada ao mercado das vacinas de RNA mensageiro, consideradas um marco na história da ciência. Por ora, as únicas disponíveis são produzidas pela Pfizer/biontech e pela Moderna, com altas taxas de eficácia (95% e 94,1%). Analistas defendem que o governo brasileiro precisa investir em importá-las e em desenvolver produtos com essa nova tecnologia – como resultado, o Brasil poderá oferecer à população, no futuro, imunizantes de ponta contra a covid-19 e outras doenças.

No momento, as vacinas de MRNA – sigla para mensageiro de ácido ribonucleico – são o carrochefe das campanhas de aplicação em Israel e nos EUA, além de nações europeias. Estudadas a partir dos anos 1970, passaram a ser aplicadas, pela primeira vez, contra a covid-19. Cientistas foram surpreendidos pela enorme eficácia, muito acima dos 50,4% da Coronavac e dos 79% da vacina de Oxford/ Astrazeneca, que utilizam tecnologias convencionais.

A mais próxima de chegar ao Brasil é a da Pfizer, que já tem uso definitivo aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A partir de maio, o Rio Grande do Sul deve contar com uma vacina contra a covid-19 até então desconhecida dos gaúchos, acostumados com a

Coronavac ou o produto da Astrazeneca/ Oxford. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) espera receber cerca de 30 mil doses da vacina Comirnaty, produzida pela Pfizer e pela Biontech.

O presidente Jair Bolsonaro rejeitou, em agosto de 2020, oferta de 70 milhões de doses da farmacêutica. Recusava atender às condições exigidas pelo laboratório, feitas também a outras nações. Mesmo após saber da eficácia da Pfizer, o governo manteve a recusa até que, pressionado, retomou as negociações e fechou em março acordo para adquirir 100 milhões de doses, com primeira entrega prevista entre abril e maio.

– A gente tem que aplicar só vacina de RNA daqui para frente. Não tem mais discussão. Isso quebrou um paradigma. Hoje, não investir em biotecnologia é a pior decisão para um país. Teremos que importar, mas precisamos focar nessas vacinas – resume Cristina Bonorino, professora de Imunologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro dos comitês clínico e científico da Sociedade Brasileira de Imunologia.

O RNA é um “parente” do DNA que ensina células a produzirem proteínas – indica, como se fosse uma receita de bolo, quais aminoácidos devem ser usados e em qual sequência. No caso dos produtos da Pfizer e da Moderna, o objetivo é ensinar a criação da proteína spike, uma substância que faz parte do coronavírus e é responsável por ajudá-lo a se engatar e infectar as células humanas.

– Essas vacinas de RNA protegem mais por destruir as células infectadas, mas também porque auxiliam na produção de anticorpos. Coronavac e Astrazeneca se tornaram muito eficientes em impedir a doença grave. Isso é o mais importante, que as pessoas não morram e não tenham sequelas. Precisamos dos resultados dos estudos que acompanham vacinados ao longo dos meses, mas, a princípio, as vacinas da Pfizer e da Moderna têm uma proteção mais robusta e duradoura – diz Ada Alves, chefe do Laboratório de Biotecnologia e Fisiologia de Infecções Virais da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro.

Discute-se ainda se as vacinas de RNA impedem a infecção: em Israel, quem teve covid-19 produziu de 2,6 a 4,5 mais vírus do que quem foi protegido com a Pfizer. Mas não há provas definitivas de que a tecnologia reduza a chance de alguém passar o vírus ou se isso é algo conquistado com qualquer tipo de vacina.

 “ESSAS VACINAS DE RNA PROTEGEM MAIS POR DESTRUIR AS CÉLULAS INFECTADAS, MAS TAMBÉM PORQUE AUXILIAM NA PRODUÇÃO DE ANTICORPOS.”

 “A GENTE TEM QUE APLICAR SÓ VACINA DE RNA DAQUI PARA FRENTE. HOJE, NÃO INVESTIR EM BIOTECNOLOGIA É A PIOR DECISÃO PARA UM PAÍS.”