
Vale a pena conhecer o trabalho do filósofo Emanuele Coccia. Discípulo de Giorgio Agamben, está se tornando um nome conhecido entre os ensaístas italianos contemporâneos (e não faltam bons nomes na Itália nessa lavra!). Coccia trabalha na prestigiosa Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, de Paris, e se expressa em francês. Vem ao Brasil regularmente. Talvez seja a natureza tropical e a arte local que atraiam o autor de um ensaio como A vida sensível (Cultura e Barbárie, 2010). O mundo das formas, dos odores, das cores, dos objetos táteis, do que podemos tocar, ver, ouvir - tudo aquilo que algumas correntes da filosofia veem como enganoso, vazio, irreal, é posto por Coccia no centro do seu sistema, que busca compreender o que é essa vida sensível. Como Agamben, Coccia tem como referência principal a filosofia medieval, e, também como Agamben, articula, a partir dessa tradição, questões que se relacionam diretamente com o contemporâneo, como o estatuto da imagem, o significado da moda e a importância do efêmero. Nessa mesma linha, Coccia também escreveu A vida das plantas (Cultura e Barbárie, 2018), em que aplica esse método para valorizar as plantas não como uma forma vida menos desenvolvida, mas como os seres em que aquilo que é a própria vida se manifesta de forma mais veemente, enquanto vida sensível. São textos que se situam entre o tratado, o ensaio, o poema em prosa e a polêmica. Valem a leitura e a surpresa.
Rodrigo de Lemos é professor de língua e cultura francesa do DEH/UFCSPA.





